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Pós-Graduação em

Neurociências e comportamento

ENFRENTAMENTO DA
MORTE: MECANISMOS
CEREBRAIS DAS
DESPEDIDAS
Com Lucas de Azambuja Ramos e Ana Sfoggia

Morte, dor, sofrimento: são todas experiên-


cias-limite contra as quais lutamos desde
somos o que somos.

Luiz Felipe Ponde


Conheça
c o livro da disciplina
-
CONHEÇA SEUS PROFESSORES 3

Conheça os professores da disciplina.​

EMENTA DA DISCIPLINA 4

Veja a descrição da ementa da disciplina. ​

BIBLIOGRAFIA BÁSICA 5

Veja as referências principais de leitura da disciplina.​

O QUE COMPÕE O MAPA DA AULA? 6

Confira como funciona o mapa da aula.

MAPA DA AULA 7

Veja as principais ideias e ensinamentos vistos ao longo da aula.

ARTIGOS 44

Nesta página, você encontra links de artigos científicos, informativos e vídeos


sugeridos pelo professor PUCRS.

RESUMO DA DISCIPLINA 48

Relembre os principais conceitos da disciplina.​

AVALIAÇÃO 49

Veja as informações sobre o teste da disciplina.​

2
Conheça
c seus professores

-
LUCAS DE AZAMBUJA RAMOS
Professor Convidado

Médico Preceptor Clínica Médica / Geriatria Hospital São


Lucas da PUCRS,Coordenador do Núcleo de Cuidados Paliativos
Hospital São Lucas da PUCRS, Mestre em Medicina e Ciências
da Saúde, Area de Concentração - Neurociências pelo INSCER/
PUCRS.

ANA SFOGGIA
Professora PUCRS

Possui graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade


Católica do Rio Grande do Sul (1999), residências médicas em
Pediatria (HSL-PUCRS 2000-2001), Intensivismo Pediátrico(HSL-
PUCRS 2002) e Psiquiatria (2007-2008), além de mestrado em
Pediatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul (2005). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em
Psiquiatria, atuando a nível institucional na área de Interconsulta
Psiquiátrica em Hospital Geral e a nível de clinica privada em
psiquiatria e psicoterapia de orientação analítica, diagnóstico
psiquiátrico e psicofarmacologia de adolescentes e adultos.
Atualmente é Médica do Corpo Clínico do Hospital São Lucas
da PUCRS, Preceptora de Residência Médica do Serviço de
Interconsulta Psiquiátrica do HSL/PUCRS.

3
Ementa da Disciplina
Definição das diferentes formas que os seres humanos buscam para enfrentar
o fenômeno morte. Estudo dos contextos sociais e neurobiológicos dos rituais de
despedidas e a capacidade de adaptação cerebral para lidar com a falta.

4
Bibliografia básica
a

-
As publicações destacadas têm acesso gratuito pela Biblioteca da PUCRS.

Bibliografia básica
PARKES, C. M. Luto: Estudos sobre perda na vida adulta. São Paulo. Summus, 1998.

FREITAS, J. de L. Luto e Fenomenologia: uma Proposta Compreensiva. Revista da


Abordagem Gestáltica, 2013.

Gonçalves, P. C., Bittar, C. M. L. Estratégias de enfrentamento no luto. Mudanças –


Psicologia da Saúde, 24 (1), Jan.-Jun. 2016.

Bibliografia complementar
KASTENBAUM, R. e AISENBERG, R. Psicologia da morte, São Paulo, Pioneira, 1983.

KÜBLER- ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: Martins Fontes Ltda.8 ed.
1998.

HAGMAN G. Mourning: a review and reconsideration. Int J Psychoanal. 1995 Oct;76 (


Pt 5):909-25. PMID:8926140.

RANKIN E. D. The dynamic interplay of mourning and forgiveness in the early


development of the self and psychic structure. Psychoanal Rev. 2014 Apr;101(2):219-
48. doi: 10.1521/prev.2014.101.2.219.

MASON T.M., DUFFY A.R. Complicated Grief and Cortisol Response: An Integrative
Review of the Literature. J Am Psychiatr Nurses Assoc. 2019 May/Jun;25(3):181-188.
doi: 10.1177/1078390318807966.

5
o o
O que compõe

s
Mapa da Aula?
MAPA DA AULA
São os capítulos da aula, demarcam
momentos importantes da disciplina,
servindo como o norte para o seu FUNDAMENTOS
aprendizado.
Conteúdos essenciais sem os quais
você pode ter dificuldade em
compreender a matéria. Especialmente
importante para alunos de outras
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
áreas, ou que precisam relembrar
assuntos e conceitos. Se você estiver
Questões objetivas que buscam
por dentro dos conceitos básicos dessa
reforçar pontos centrais da disciplina,
disciplina, pode tranquilamente pular
aproximando você do conteúdo de
os fundamentos.
forma prática e exercitando a reflexão
sobre os temas discutidos.​
CURIOSIDADES
Apresentação de figuras públicas
e profissionais de referência
PALAVRAS-CHAVE mencionados pelo(a) professor(a),
além de fatos e informações que dizem
Conceituação de termos técnicos, respeito à conteúdos da disciplina.
expressões, siglas e palavras específicas
do campo da disciplina citados durante
a videoaula. DESTAQUES
Frases dos professores, que resumem
sua visão sobre um assunto ou
VÍDEOS situação.​

Assista novamente aos conteúdos


expostos pelos professores em vídeo.
Aqui você também poderá encontrar ENTRETENIMENTO
vídeos mencionados em sala de aula.
Lembre-se que a diversificação de Inserções de conteúdos da equipe de
estímulos sensoriais na hora do estudo design educacional para tornar a sua
otimiza seu aprendizado. ​ experiência mais agradável e significar
o conhecimento da aula.​

CASE
Neste item você relembra o case
analisado em aula pelo professor. ​
LEITURAS INDICADAS
A jornada de aprendizagem não
termina ao fim de uma disciplina. Ela
MOMENTO DINÂMICA segue até onde a sua curiosidade
alcança. Aqui você encontra uma lista
Aqui você encontra a descrição
de indicações de leitura. São artigos e
detalhada da dinâmica realizada pelo
livros sobre temas abordados em aula.​
professor em sala de aula com os alunos. ​

6
Mapa da Aula
Os tempos marcam os principais momentos das videoaulas.

AULA 1 • PARTE 1

VÍDEO
02:34
A morte e a Senhora

11:50 Vida X morte


Sabemos que todos vamos morrer um
dia, mesmo assim, é comum a dualidade
de vida e morte dentro de um cenário de
saúde. Independendo de crenças, a morte é
uma parte da vida, portanto, não devemos
Para assistir o curta-metragem, clique
aqui. trabalhar como se vida e morte fossem
contraposições. O professor traz como
reflexão: será que o grande mecanismo de
enfrentamento não seria da vida? O que
PALAVRAS-CHAVE conseguimos curar hoje em dia?
12:18
Doenças de infecção são as que mais
matam, mas também as que possuem
Hospice: instituições de internamento
com espaço físico próprio para maior cura. Para a maioria das doenças
acompanhamento, tratamento e existe apenas o tratamento e o cuidado.
supervisão clínica a doentes em A visão de que profissionais da saúde são
situação clínica complexa e de super-heróis é errônea e coloca muita
sofrimento decorrentes de doença pressão em seus trabalhos.
severa e/ou avançada, incurável e
progressiva.

13:59 A morte não é uma contraposição à


vida e, sim, uma parte dela.

PALAVRAS-CHAVE
17:57

Doenças infectocontagiosas: São


aquelas de fácil e rápida transmissão,
provocadas por agentes patogênicos,
como o vírus da gripe e o bacilo da
tuberculose. Em algumas ocasiões, para
que se produza a doença, é necessário
um agente intermediário, transmissor
ou vetor.

7
FUNDAMENTO I
18:00
Descoberta da penicilina
Em 1928, o médico e bacteriologista
escocês, Alexander Fleming, pesquisando
PALAVRAS-CHAVE substâncias capazes de combater bactérias
18:41
em feridas, esqueceu seu material de
estudo sobre a mesa enquanto saía de
Imunossupressão: Diminui a atividade
ou eficiência imunológica. Em muitas férias. Ao retornar, observou que suas
doenças autoimunes, por exemplo, a culturas de Staphylococcus aureus estavam
imunossupressão é importante para contaminadas por mofo e que, nos
diminuir atividade da doença, e, por locais onde havia o fungo, existiam halos
isso, as pessoas tomam medicamentos transparentes em torno deles, indicando
imunossupressores. Já, em outros
que este poderia conter alguma substância
casos, a imunossupressão é um efeito
bactericida. Ao estudar as propriedades
colateral de tratamentos.
deste bolor, identificado como pertencente
ao gênero Penicillium, Fleming percebeu
que ele fornecia uma substância capaz
de eliminar diversas bactérias, como
as estafilococos: responsáveis pela
Cuidados paliativos 20:19 manifestação de diversas doenças, tanto
comuns quanto mais graves. De forma
Ao contrário do que popularmente se pensa
acidental, descobriu e nomeou a penicilina.
– paciente em estado terminal, incurável
– a OMS aponta os cuidados paliativos Tal achado, comprovadamente inofensivo
como a assistência que objetiva a melhoria para as células animais, foi isolado,
da qualidade de vida do paciente e seus concentrado e purificado em laboratório
familiares, diante de uma doença que alguns anos depois, por Howard Florey e
ameace a vida, por meio da prevenção Ernst Chain. Na época da Segunda Guerra
e alívio do sofrimento, da identificação Mundial, esta substância foi produzida em
precoce, avaliação impecável e tratamento larga escala, por fermentação, salvando
de dor e demais sintomas físicos, sociais, milhares de vidas. Atualmente, a penicilina
psicológicos e espirituais. Paliativistas não é utilizada de forma menos frequente em
são apenas médicos, são especialistas nessa razão de seu uso indiscriminado – causando
modalidade de cuidado. a seleção das bactérias e consequentemente,
ao longo do tempo, resistência a este
O cuidado e a comunicação devem ser
antibiótico. Assim, hoje a Amoxicilina é o
feitos com o núcleo paciente-família,
antibiótico mais amplamente utilizado no
sendo os acompanhantes aqueles que
tratamento de doenças bacterianas.
confortam o sujeito – amigos, pessoas da
comunidade – a fim de aliviar o sofrimento.
Na pandemia, utilizou-se profissionais de
cuidados paliativos para manejar sintomas.
Os mecanismos cerebrais de enfrentamento,
em geral, são lentos e o tempo, sendo
pessoal, precisa ser levado em consideração
nesse momento, por isso é tão importante
iniciar o paliativo o quanto antes. É muito
importante prestar atenção no paciente, nos
seus hábitos, no que está no seu quarto, sem
preconceitos, apenas colhendo informações
que possam ajudar.

8
PALAVRAS-CHAVE
22:20

PNR: Paciente não reanimável.

Opioide: Classe de drogas derivadas


da papoula do oriente (incluindo Para sermos paliativistas é
32:40
suas variações sintéticas), que têm
fundamental desenvolver o
efeito analgésico e são altamente
suscetíveis ao uso indevido – por autoconhecimento para, de alguma
exemplo, a morfina. São utilizados maneira, não colocar os nossos
individualmente ou associados com valores à frente do paciente.
medicamentos não-opioides para o
tratamento da dor moderada a severa.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Cuidados paliativos são:

Para pacientes com doenças


terminais.

CURIOSIDADE Uma assistência que objetiva a


35:21 melhoria da qualidade de vida do
Cicely Saunders (1918 – 2005) paciente e seus familiares, diante de
uma doença que ameace a vida.

Uma assistência que objetiva a


melhoria da qualidade de vida dos
pacientes com doenças incuráveis.

Para pacientes que estejam sem


esperança e/ou desistem de
tratamentos medicinais.

Médica, enfermeira, assistente social, e


escritora inglesa. Em 1965, ela foi agraciada
como Oficial da Ordem do Império Britânico.
É reconhecida como a fundadora do
moderno movimento hospice e recebeu
muitas honrarias pelo mérito de seu trabalho. 32:40 É impossível tratar a dor somente
de forma medicamentosa e
farmacológica.
Resposta desta página: alternativa 2.

9
AULA 1 • PARTE 2

Filosofia dos cuidados paliativos 00:00

É muito mais que amparo, engloba ciência,


criatividade e relações. Essencial para o
cuidado paliativo é se conectar com os
pacientes, de maneira aberta, pois bloqueios 06:07 A gente tem que ter muita clareza,
atrapalham o entendimento integral do do ponto vista bioético, para
paciente e resulta numa dificuldade de conseguir oferecer para o paciente
atender suas demandas. Para conhecê-lo as possibilidades reais.
temos que utilizar o diálogo, modificando
as perguntas a fim de conquistar diferentes
respostas. A partir do que é possível,
devemos adaptar um cuidado customizado
FUNDAMENTO II
para cada um, entendendo quais são os 06:54
limites e o que é justo. Também é importante Conspiração do silêncio
alinhar o olhar, ouvir mais do que falar e
utilizar uma cadeira, pois ela tem um caráter Acordo tácito ou explícito para manter o
subjetivo de que se passou mais tempo no secretismo acerca de qualquer situação ou
local. acontecimento. A crença paternalista de que
as más notícias desencadeiam angústia no
doente, em vez de lhe manter a esperança,
leva a que a conspiração do silêncio seja um
PALAVRAS-CHAVE fenómeno que se relaciona com a prestação
09:38
de cuidados em fim de vida.
Hipodermóclise: Técnica que consiste Existem dois tipos: a adaptativa e a não
na introdução de um cateter em uma adaptativa. A adaptativa diz respeito ao
área entre a pele e o músculo. Por essa
processo de ocultação com o conhecimento
via pode ser infundido soro, alguns
anti-inflamatórios, antibióticos, entre do doente e a não adaptativa diz
outros. respeito ao processo de ocultação sem
conhecimento do desejo do doente.
Considera-se que a adaptativa não têm
desvantagens, podendo o doente viver
tranquilamente com a conspiração.
Reflexões 19:10

Para trabalhar com doenças, o objetivo de


atender tem que ser um propósito, uma
vontade, não apenas como uma fonte
de renda. Lidar com vidas precisa de
responsabilidade.

Os paliativistas frequentemente fazem


o papel de mediador de conflitos,
principalmente, no de manter as equipes
atendendo a todos, sem evitar um paciente
mais complicado. Nem sempre é possível
integrar e gerenciar todas as crises, por isso
é importante ter a clareza de que existem
limites no que consideramos ideal.

10
AULA 1 • PARTE 3

Princípios dos cuidados paliativos 00:18

• Alívio da dor e de outros sintomas


estressantes.

• Reafirmação da vida e percepção da morte


ENTRETENIMENTO
como processo natural. 00:27

• Não antecipar nem postergar a morte:


Livro: Oxford Textbook of
respeitar o tempo.
Palliative Medicine

• Integração de aspectos psicossociais e


espirituais ao cuidado: a complexidade
da tomada de decisões se torna facilitada
quando se tem um grupo dividindo o
auxílio; mas sem colocar uma separação nas
funções, limitando o que cada um pode ou
não realizar.

• Oferecer um sistema de suporte que auxilie


o paciente a viver tão ativamente quanto
possível, até a morte.
A quinta edição do livro cobre todos os
• Oferecer um sistema de suporte que tópicos novos e emergentes desde sua
auxilie a família e entes queridos a sentirem- publicação original em 1993. Além disso, inclui
novas seções dedicadas a ferramentas de
se amparados durante todo processo da
avaliação, cuidado de pacientes com câncer
doença: lidar com angústia, desinformações e gerenciamento de problemas em crianças
e dificuldades, compreendendo que eles e idosos, trazendo áreas de questões éticas e
também são responsabilidade da equipe de comunicação, o tratamento dos sintomas
e o gerenciamento da dor.
multiprofissional.

• Iniciar o mais precocemente possível, junto


a outras medidas de prolongamento de vida.
ENTRETENIMENTO
07:13
Livro: Para Toda a Eternidade

A autora, Caitlin Doughty, agente funerária,


descreve sua jordana global para entender
como outras culturas lidam com o fim da vida
enquanto entendemos a nossa relação com o
assunto.

11
ENTRETENIMENTO

Resposta desta página: alternativa 3.


07:13
Livro: Confissões do Crematório

07:25 Com o avanço de possibilidades


de tratamentos, exames, cirurgias,
procedimentos, a morte ficou
cada vez mais excluída (...) sendo
empurrada para longe dos olhos.

19:52 Em geral, o paciente não adoece


Reúne histórias reais do dia a dia de uma sozinho, a família adoece junto.
casa funerária, inúmeras curiosidades e fatos
históricos, mitológicos e filosóficos. Tudo, é
claro, com uma boa dose de humor. Enquanto
varre as cinzas das máquinas de incineração
ou explica com o que um crânio em chamas
se parece, Caitlin Doughty desmistifica a 21:26 Antecipação dos cuidados paliativos
morte para si e para seus leitores.
O momento do diagnóstico de uma doença
que ameaça a vida já abre espaço para
o cuidado paliativo juntamente com a
Terapia Redutora de Risco, sem a ideia de
dualidade. Esse modelo dinâmico ganha
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
a confiança do paciente, pois apenas
Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) prescrever o remédio não garante que o
para as seguintes afirmações: paciente vá tomar. Com o passar do tempo
e o avanço da doença, utiliza-se a Terapia
( ) Após o diagnóstico de uma doença
Modificadora da doença e os cuidados
que ameaça a vida já se pode recorrer
paliativos seguem. Cuidados ao Fim de
a paliativistas.
Vida é quando não se tem mais expectativa
( ) Os cuidados paliativos integram de reverter a doença até o processo ativo
aspectos psicossociais e espirituais. de morte, em que o cuidado paliativo é
chamado de Exclusivo.
( ) Pacientes complexos perdem
o direito de um cuidado paliativo Não significa que todas as doenças
caso não demonstrem melhoria no serão encaminhadas para um paliativista.
comportamento. Pacientes complexos demandam essa
equipe, por isso é tão importante que os
VFF médicos saibam que tipo de pessoa estão
atendendo. Faz parte do cuidado paliativo
FVF também o luto, a fim de acompanhar as
famílias nesse processo.
VVF

FVV

12
Morte 33:30

O professor levanta as questões: você já


pensou na sua morte? Já conversou com
alguém sobre isso? Não falar sobre vai nos
livrar dela?
35:29 A gente vem, infelizmente, de uma
Em uma dinâmica, pede para dividir uma cultura onde a morte ainda é um
papel em três partes: em cada uma escrever grande tabu.
uma das coisas mais importantes da sua
vida. Depois, escolher uma das partes
para rasgar. Em seguida, escolher a cor
vermelha para uma das partes e azul para
a outra. O professor informa que a cor azul
não existe mais. Esse exercício serve para
40:03 Quando uma família ou um
visualizar aquilo que os pacientes perdem,
paciente gritam com a gente (...)
em processo gradual, durante uma doença, a
lembrem que por trás disso existe
fim de criar sensibilidade para entendermos
sofrimento.
os momentos em que eles podem ser
agressivos.

Essa pintura nos mostra o controle de


sintomas, aspectos espirituais, a figura
feminina como cuidadora, o organizador e
questões sociais. Atualmente, vemos que a
tecnologia nos trouxe o isolamento para a
doença.

13
Resposta desta página: alternativa 1.
AULA 1 • PARTE 4

Bioética 00:41

Seus princípios são: sempre procurar fazer


o bem, ter autonomia e justiça (equidade).
Com isso, entendemos que o que a pessoa
entende como fazer o bem, pode não ser
o melhor para a outra, assim como dar 03:35 É o nosso papel instrumentalizar o
liberdade de decisão – não técnicas – para o paciente para a melhor tomada de
paciente é muito importante. decisão.

Autonomia está relacionada ao processo


de tomada de decisão (cognição) e
funcionalidade, a mobilidade, o quanto o
paciente consegue fazer as coisas. Propor
PALAVRAS-CHAVE
medidas invasivas prolongam o sofrimento 06:07
e são chamadas de distanásia. Eutanásia é
estabelecer uma ação ativa que leva à morte, Esclerose lateral amiotrófica: Células
opção proibida no Brasil. Os paliativistas nervosas se quebram, o que reduz
a funcionalidade dos músculos
buscam a ortotanásia, que respeita o
aos quais dão suporte. A causa é
percurso natural. Também ocorrem desconhecida. O principal sintoma é a
cenários de deliberação moral. Faz parte fraqueza muscular.
da bioética o sigilo e o consentimento para
procedimentos.

09:57 Do ponto de vista ético, não legal:


a eutanásia e distanásia estão
igualmente inadequados.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Como são chamadas, respectivamente,
as seguintes situações: ação ativa
para a morte, prolongar a doença e
respeitar o percurso natural?
PALAVRAS-CHAVE
Eutanásia, distanásia e ortotanásia. 11:25

Eutanásia, ortotanásia e mistanásia. Prognóstico: Conhecimento ou


juízo antecipado, prévio, feito pelo
médico, baseado necessariamente
Mistanásia, distanásia e ortotanásia. no diagnóstico médico e nas
possibilidades terapêuticas, segundo
Eutanásia, ortotanásia e distanásia. o estado da arte, acerca da duração,
da evolução e do eventual termo de
uma doença ou quadro clínico sob
seu cuidado ou orientação.

14
PALAVRAS-CHAVE
12:39

Lei Geral de Proteção de Dados: Lei


nº 13.709, aprovada em 2018, quer criar
um cenário de segurança jurídica com
a padronização de normas e práticas
para promover a proteção de forma 13:37 Comunicação
igualitária de dados pessoais.
A elaboração de uma fala parte de um
pensamento: 7% do que pensamos é
permitido através de palavras; 38% são
por sinais paralinguísticos (tom de voz,
velocidade do discurso, melodia da fala);
ENTRETENIMENTO 55% são sinalizados pelo corpo. Tem-se
07:13
pouca preparação para o diálogo, apesar
Livro: O corpo fala
de ser a ferramenta mais importante de um
clínico, pois se não haver conexão com o
paciente o tratamento possivelmente não
será eficaz.

Alguns protocolos de comunicação em


saúde podem ajudar. O Spikes, traduzindo
do inglês, traz 6 passos: lugar (devemos
preparar o ambiente), percepção
(perguntas abertas utilizando recursos
de linguagem), convite (perguntar se o
paciente quer conversar), conhecimento
(saber passar a informação de forma clara),
emoções (acolher), estratégia e resumo
Os autores, Pierre Weil e Roland Tompakow,
(traçar planos em conjunto e pedir para o
tentam desvendar a comunicação não-
verbal do corpo humano, primeiramente paciente retomar o diálogo).
analisando os princípios subterrâneos
que regem e conduzem o corpo. A partir
desses princípios aparecem as expressões,
gestos e atos corporais que, de modos
característicos estilizados ou inovadores, 22:21 Conversar sobre problemas de
expressam sentimentos, concepções, ou saúde com uma pessoa que não
posicionamentos internos.
quer, é tão equivocado quanto não
falar com uma que gostaria.

PALAVRAS-CHAVE
26:15

Metástase: Formação de uma nova


lesão tumoral a partir de outra, mas
sem continuidade entre as duas. Isto
implica que as células neoplásicas
se desprendam do tumor primário,
caminhando através do interstício
sendo levadas a outro local, onde
formam uma nova colônia neoplásica.

15
ENTRETENIMENTO
07:13
Livro: Comunicação tem remédio

A autora, Maria Julia Paes, mostra que a


missão social do profissional de saúde
permite conciliar disciplina e afetividade,
seja no contato com o paciente, seja no
relacionamento entre companheiros de
trabalho.

AULA 2 • PARTE 1

06:29 A maior parte das vezes o que traz


um terror para os pacientes é o
processo de morrer e não a morte
em si.

Dor total 08:08

Não podemos olhar para o paciente apenas


a partir do aspecto biológico, a abordagem
paliativa é biopsicossocial e espiritual.
A doutora Cicely Sanders, na década de
70, iniciou essa prática, acreditando num
cuidado mais humanizado. Porém, é preciso
ter sensibilidade para conversar com o
paciente sobre esses aspectos para que ele
não entenda erroneamente ou se ofenda com
a fala de que sua dor também é emocional.

16
CURIOSIDADE

Resposta desta página: alternativa 3.


08:22
Movimento Hospice Moderno

A dor não tem um caráter apenas 10:04


biológico. Ela é um somatório de
muitos fatores, que incluem: parte
biológica, psicológica, social e
espiritual.

A ideia nasceu em 1978 como um movimento


de profissionais com uma maneira própria de
PALAVRAS-CHAVE oferecer cuidado às pessoas com doenças
14:27 fora de possibilidade de cura e também às
famílias. O movimento hospice moderno
Dispneia total: Descreve a experiência promove cuidados de modo integral à
do sintoma a partir de uma perspetiva pessoa em processo de terminalidade bem
múltipla que, de uma forma sinergística,
como de sua família, inclusive no período
contribui para a perceção do sintoma e
para determinar o seu impacto. A sua de luto. Hospeda pacientes que possuem
etiologia é muitas vezes multifatorial e doenças avançadas e incuráveis, em fase de
a gravidade depende não apenas dos terminalidade ou não, bem como pacientes
fatores etiológicos mas também da que necessitam de cuidados especializados
sensibilidade individual de cada doente no controle de sintomas ou de pequenas
que condiciona o grau de tolerância e
intervenções clínicas.
aceitação desta manifestação clínica.
Existem amplos espaços de convivência
internos e externos que proporcionam a
interação dos pacientes internados com
seus familiares, cuidadores e com a equipe
multiprofissional. Outro ponto que difere
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO muito dos hospitais é a visitação irrestrita ao
paciente conforme seu desejo, inclusive de
O que significa o conceito de dor crianças e animais domésticos. Nas situações
total? em que o paciente tem condições ele pode
se ausentar do hospice para realizar passeios
É quando a dor atinge o seu ápice. externos com seus familiares. Outro grande
diferencial está no olhar humano lançado à
É quando o paciente classifica pessoa doente e à sua família, focado não
erroneamente a dor como psicológica.
apenas no aspecto físico da doença.

A dor abrange aspectos psicológicos, No Brasil, o primeiro local com tais


emocionais, sociais e espirituais. características foi criado em 1944, na cidade
do Rio de Janeiro, no bairro da Penha.
A dor explicada por crenças. Fundado pelo então diretor do Serviço
Nacional de Cancerologia, Mário Kroeff, o
chamado Asilo da Penha tinha por função
assistir pacientes pobres com câncer
avançado que não conseguiam vaga nos
hospitais gerais nem no Serviço Nacional de
Cancerologia.

17
VÍDEO
15:17
Mindfulness

15:53 Sempre olhar para o cenário como


um todo, não só focar no sintoma,
na causa e no remédio.

De forma simplificada, a animação


aborda como a habilidade de prestar
atenção no seu corpo pode ajudar no 18:05 Aspectos biológicos de enfrentamento
cotidiano. Para assistir, clique aqui.
O cérebro conecta os aspectos biológicos
com as questões psicológicas, a
espiritualidade e o social. Num cenário de
cuidados paliativos, os aspectos biológicos
PALAVRAS-CHAVE
18:55 trazem a atenção para os sintomas totais e
detalhes que podem passar despercebidos.
BIOS: É um acrônimo para Basic É preciso ter expertise no manejo de
Input/Output System ou Sistema opioides e experiência clínica para melhor
Básico de Entrada e Saída. Trata-se tomada de decisões. O processo de morte
de um mecanismo responsável por
fisiológica traz múltiplas questões para
algumas atividades consideradas
corriqueiras em um computador, mas os paliativistas, que agem como agentes,
que são de suma importância para entendendo e explicando para o paciente
o correto funcionamento de uma e a família por que alguns métodos
máquina. estão sendo utilizados e como tornar a
experiência menos dolorosa, buscando não
combater o fim da vida e, sim, respeitar o
processo. Em casos de delírio, um quadro
agudo de flutuação da consciência, as
PALAVRAS-CHAVE medidas não farmacológicas são as mais
22:41
importantes.
PPS: Palliative Performance Scale é
uma ferramenta que avalia quatro
critérios: doença de base, doenças
associadas, condição funcional do PALAVRAS-CHAVE
paciente e condições pessoais do 33:36
paciente. Quando o score (somatório
dos quatro critérios) é maior ou igual ILPI: A Instituição de Longa
a quatro pontos, considera-se ter Permanência para Idosos
condições para cuidados paliativos. são governamentais ou não
governamentais, de caráter residencial,
destinadas ao domicílio coletivo de
pessoas com idade igual ou superior
a 60 anos, com ou sem suporte
familiar e em condições de liberdade,
dignidade e cidadania. Diferentemente
dos antigos asilos, as ILPIs passam
por uma fiscalização mais rigorosa
da Vigilância Sanitária e do Ministério
Público, o que as leva a uma excelência
no atendimento.

18
CURIOSIDADE

Resposta desta página: alternativa 4.


34:22
Estresse do cuidador
O estresse físico e emocional do ato de
cuidar podem levar a síndrome do cuidador,
que gera um estado de ansiedade, tristeza e
esgotamento permanente. Costuma afetar 41:40 A curva da demência é difícil de
principalmente quem cuida de pessoas com prever no tempo, mas é muito fácil
grau alto de comprometimento psiquiátrico de prever o como as coisas vão
ou neurológico, como é o caso de pacientes acontecer.
com Alzheimer ou outros tipos de
demência, que exigem dedicação contínua.
O tratamento envolve uma abordagem
multidisciplinar. Muitas vezes, é necessário
o uso de remédios antidepressivos ou 49:12 É importante a gente saber como
ansiolíticos. Outras, até psicoterapia. funciona a morte fisiológica e, de
Atividade física também é indicada. alguma maneira, como paliativistas,
garantir que isso seja feito da
melhor forma possível.

A gente vê muito dentro do hospital 50:10


em equipes não treinadas: o
mecanismo de enfrentamento do
profissional não está devidamente
amadurecido ao ponto de que ele
não tolera o paciente dele falecer.
ENTRETENIMENTO
01:01:31
Livro: Manual de Cuidado

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Assinale verdadeiro (V) ou falso (F)
para as seguintes afirmações:

( ) Um paliativista deve olhar o cenário


como um todo.

( ) A dor tem caráter apenas biológico. O


sofrimento é psicológico.

( ) Para casos de delírio, medidas


Sintetiza os principais temas da área, e
não farmacológicas são as mais destina-se ao profissional de saúde que
precisa de conhecimentos práticos e de fácil
aplicação no seu dia a dia.
FFV

VFF

VVF

VFV

19
AULA 2 • PARTE 2

A gente consegue realmente se 02:10


conectar com a dor do outro e,
eventualmente até sentir ela.

02:56 A dor crônica muda a arquitetura


cerebral.

Aspectos espirituais de enfretamento 05:45

Desconsiderar a espiritualidade como


parte da prática médica é um erro porque,
primeiramente, devemos entendê-la a partir
das crenças do paciente e não da nossa.
07:43 Sabendo o que é nosso, a gente
É importante saber quais são os nossos
consegue saber o que é do outro.
preconceitos a fim de perceber o que pode
interferir no cuidado. Não podemos adotar
medidas que vão contra o que o paciente
reconhece como o certo, esse tipo de
autoridade incute nos outros procedimentos
26:20 Modelo biopsicossocial estendido
sem consentimento. O professor classifica
que, dos 4 aspectos de mecanismos de
enfrentamento da morte, o mais importante
é a espiritualidade, pois dela advém o
sentido da vida.

A avaliação da espiritualidade separa a


religião do espiritual. A religião é algo social,
observável, medível e objetivo, além de ser
orientado para o comportamental, para
práticas exteriores, é autoritária e separa
o bem do mal; enquanto o espiritual é
individual, mais subjetivo, menos formal e Em 2002, mesma época que a Organização
organizado, é orientado para o emocional Mundial da Saúde cunhou o conceito de
e práticas interiores, não é autoritário e cuidados paliativos, surge esse modelo
orientado em termos de doutrina. que engloba a espiritualidade, sendo
algo transversal em todas as questões.
A espiritualidade pode estar no self (em
Separamos em aspectos separados para
mim), no outro (nas relações), no estéreo, no
melhor compreensão, mas tudo está
universo ou no sagrado.
misturado na unidade do ser humano.

20
PALAVRAS-CHAVE
26:36

René Hefti: Consultor sênior em


medicina interna e cardiovascular e
diretor do instituto de pesquisa em
espiritualidade e saúde RISH com o
objetivo de promover uma abordagem 27:54 A espiritualidade entra em conexão
de pessoa integral nos cuidados de com todos os outros campos do
saúde. cuidado.

Ferramentas e estudos 29:10

O FICA é uma ferramenta de avaliação


de espiritualidade do paciente, que traz 4
pontos: fé (crença), importância (influência
no cuidado), comunidade e abordagem no PALAVRAS-CHAVE
30:00
cuidado. Lembrando que se para o paciente
a espiritualidade não é tão importante, não Devolução em prontuário: A
deve ser levada em consideração para o comunicação escrita, como um
cuidado. prontuário afetivo, se diferencia da
parte técnica e traz características
Alguns pacientes sentem vergonha de biográficas do paciente, como:
falar sobre a sua religião, então perceber principais cuidadores, atividades
essa característica e propor um espaço de de lazer que gosta, história de
segurança traz benefícios para o diálogo e vida, profissão, se tem animais de
o vínculo profissional-paciente. Um estudo estimação, time, hobbies, etc.
mostrou que mais de 70% dos pacientes
gostariam de ser abordados sobre a sua
espiritualidade e menos de 20% das equipe
o fazem. ENTRETENIMENTO
39:13
Entramos num looping de corpo-mente- Livro: Bioética e Espiritualidade
espírito a fim de enxergar o ser como um
todo, sabendo que interferimos nessas
partes diferentes. Essas dimensões podem
estar na questão cognitiva, experiencial e no
comportamento.

O autor, José Roberto Goldim, fala sobre a


prática da medicina, ao longo da história da
humanidade, sempre estar associada à religião.
A cientifização da medicina, principalmente
a partir do início do século 20, fez com que
as questões religiosas fossem dissociadas
da prática médica por um longo período.
Mais recentemente, contudo, tem havido um
crescente interesse pelo estudo das relações
entre religião e saúde.

21
O profissional de saúde também seus
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
dilemas e questões, então como se conectar
com as questões corporais? Em geral, é Assinale a alternativa incorreta:
através de propor ações, aconselhamentos
e procedimentos para o paciente. Porém, a Não devemos adotar procedimentos
compaixão, a presença e a conexão deve ser que vão contra a espiritualidade do
realidade por ambas as pessoas, estando paciente.
ligadas a consciência universal.
Trazer perspectiva de outras
religiões é importante para o
paciente expandir sua compreensão.

O conceito de corpo-mente-espirito
deve ser enxergado como um todo.

Religião e espiritualidade são


diferentes.

AULA 2 • PARTE 3

Aspectos psicológicos de enfrentamento 00:47

A dor e o sofrimento atingem a integridade


da pessoa, sendo eles únicos, subjetivos
e diretamente relacionados a qualidade
de vida. Não temos como julgar no outro
quantos porcento da dor é emocional, social 03:26 O paciente que tem dor, por vezes
ou psicológica. É indispensável trabalhar o quer morrer, não pela doença, mas
processo de elaboração de luto, respeitando pela dor.
a autonomia do paciente, se possível,
buscando dar liberdade para pequenas
escolhas, como por exemplo, a hora do
banho. PALAVRAS-CHAVE
04:33
A doença abala a fantasia de onipotência e
imortalidade. Surgem questões relacionadas Escala visual analógica: Ferramenta
Resposta desta página: alternativa 2.

de resposta psicométrica que


a essa reflexão, principalmente em pacientes
pode ser usada em questionários.
jovens, e juntamente, o contato com É um instrumento de medição
fragilidades. A dor física passa a piorar, para características subjetivas ou
podem surgir brigas com a família e a equipe atitudes que não podem ser medidas
médica, assim como a vontade de desistir. diretamente.

22
13:30 Mesmo a partir das fragilidades que
vão aparecendo, a pessoa ainda
está por trás de tudo isso.

PALAVRAS-CHAVE
14:03

Maria Julia Kovács: Doutoura


em Psicologia Escolar e do
Desenvolvimento Humano, é
professora livre docente do Instituto
de Psicologia da Universidade de 14:10 Escuta ativa
São Paulo. Seus temas de estudo e
Está muito relacionada com estar
pesquisa são: morte, luto, bioética,
formação de profissionais de saúde e presente, sem pensar em outras coisas
educação. e dedicar tempo a fala do paciente.
Mesmo que a atenção plena não consiga
neurologicamente se manter por muito
tempo, é importante tê-la o suficiente
para conseguir compartilhar seus medos e
dúvidas, proporcionando apoio emocional.
O paciente vai conseguir saber se 16:49 A linguagem não verbal demonstrando
estamos ativamente o escutando e interesse, muitas vezes, é mais importante
dando atenção porque transparece. do que dar respostas. A importância do
silêncio, dando espaço para o paciente
fazer sua pausa e voltar a falar é essencial.

22:19 A palavra paciente, por si só, já traz


o significado: é o que espera, é o
espectador da ação e o médico
o ser ativo. Será que a gente não
CURIOSIDADE pode buscar uma relação de
22:20 igualdade?
Origem da palavra paciente
Vem da palavra sofredor, derivada do latim
patiens, de patior, que significa sofrer.
A palavra paciente também carrega o
22:53 Luto
significado de “paciente é aquele que
espera”, uma pessoa que precisa de O conceito é mais usado relacionado ao
cuidados médicos. É também a denominação processo pós-óbito, mas o sentido de
mais comum e antiga entre o meio médico. processo de elaboração e readaptação
frente a uma nova realidade também deve
Já a palavra “cliente” tem sua origem
ser pensado. Nesse aspecto, o vemos como
etimológica no latim – cliens, entis – que, por
o rompimento de um vínculo – de uma vida,
sua vez, parece ter sido uma alteração de
de um membro, de uma funcionalidade,
outro termo mais antigo – cluens, do verbo
de pessoas, etc. É um estado experiencial
cluere, que significa ouvir, atender, obedecer
que a pessoa sofre após tomar consciência
– o que, na Roma antiga, devia corresponder
da perda, sendo um termo global para
a “um plebeu que vivia sob a proteção de um
descrever o vasto leque de emoções,
nobre, cidadão rico e poderoso”.
experiências, mudanças e condições que
ocorrem como resultado da perda.

23
CURIOSIDADE Uma psiquiatra estadunidense, Elizabeth
27:43
Kluber Ross, definiu, a partir de um estudo, o
Elizabeth Kubler Ross processo de luto passo a passo, que podem
(1926 – 2004) não seguir uma ordem linear, mas são
descritos como: negação; raiva; negociação;
depressão; aceitação. Outro pesquisador,
William Worden, em 1943, descreveu um
passo a passo para trabalhar o luto de quem
perdeu alguém: aceitar a realidade da perda;
expressar as emoções e a dor; adaptar-se
ao meio sem o ente querido; recolocar-
se emocionalmente perante o falecido e
continuar a vida. As duas primeiras tarefas
podem ser adaptadas para pacientes.

Psiquiatra e escritora, um dos seus livros mais


conhecidos, On Death and Dying, apresenta o
conhecido Modelo de Kübler-Ross. Para ela, o
luto é um processo psicológico de adaptação
a alguma experiência de perda e a duração
difere de pessoa para pessoa.

Apesar das incompreensões acerca de seu


modelo, Elisabeth possibilitou uma ampla
discussão em ambiente leigo e profissional
sobre as necessidades das pessoas diante
da morte e do processo de luto. No
decorrer dos anos, publicou mais de 20
obras, ofereceu milhares de conferências
e atividades educacionais ao redor de
ENTRETENIMENTO
todo o mundo, recebeu dezenas de títulos 27:55
honorários, e tornou-se uma das mulheres Livro: Sobre a Morte e o Morrer
mais reconhecidas do mundo todo pelo seu
trabalho humanitário de assistência e apoio
a pessoas gravemente enfermas e seus
familiares.

Aceitar é um processo que não 35:51


passa tanto pela cognição, é muito
mais interno.

Um dos mais importantes estudos


PALAVRAS-CHAVE psicológicos do século XX, a obra teve origem
34:37 nos importantes seminários interdisciplinares
da Dra. Elisabeth Kübler-Ross sobre vida,
morte e transição. Através de trechos de
William Worden: Psicólogo que entrevistas e conversas, a autora proporciona
propôs tarefas para o enfrentamento ao leitor um melhor entendimento de
do luto, no qual é descrito como a como a morte iminente afeta o paciente, o
privação de reforçadores, por isso é profissional envolvido e a família do paciente.
normalmente associado a situações de
sofrimento, como a perda de alguém
muito amado, por exemplo.

24
AULA 2 • PARTE 4

Medos e luto antecipatório 00:00

Os principais medos que os pacientes


enfrentam: separação ou distanciamento
dos familiares e amigos; afastamento das
rotinas; se tornar uma sobrecarga para os ENTRETENIMENTO
outros; perder o controle; não conseguir 00:20
realizar metas ou sonhos; não presenciar o Livro: A Morte é um dia que vale
futuro dos familiares; processo de morrer; ser a pena viver
esquecido; de que nada pode ser feito. Com
isso, podemos tentar ressignificar alguns
momentos, como antecipar eventos para que
o paciente possa comparecer.

O luto antecipatório é trabalhar esse


processo, do paciente e da família, enquanto
a doença está em curso, de maneira
dinâmica, singular e não linear. A esperança
realística precisa ser trabalhada pela equipe
para que não haja equívocos ou esgotar a
esperança, isso tudo está na forma em que o
diálogo ocorre.
Ana Cláudia Quintana Arantes mostra-
A visão do paciente pode, muitas vezes, nos, neste livro, que a grande questão que
ser de que todos querem trazer soluções, envolve a morte, na verdade, é a vida. Como
mas ninguém pergunta como ele se sente. vivemos? Os nossos dias são devidamente
aproveitados ou vamos chegar ao fim desta
A conspiração do silêncio pode acabar
jornada cheios de arrependimento pelo que
minimizando informações que o paciente fizemos ou, pior, pelo que não fizemos?
percebe como omissões. Eles sabem ou
intuem o que está acontecendo e fingem não
saber já que a família acredita que eles não
suportariam a verdade. O resultado disso é o
sofrimento solitário, sem conforto e trazendo 02:02 A espiritualização entra muito no
uma insegurança para a equipe em como sentido de quem controla e quem
manejar. decide não somos nós.

Luto em profissional da saúde 16:26

Esse luto não é reconhecido, não há


espaço de compartilhamento, pois há um
entendimento de que o profissional tem
que saber lidar sem nenhuma dificuldade
com a perda de pacientes. A equipe pode
fazer rituais de despedida, conforme suas
preferências individuais, criando maneiras de
dar fechamento. Não respeitar o limite dos
profissionais dá início a desumanização da
profissão.

25
A dor é silenciada quando o hospital tenta
PALAVRAS-CHAVE
esconder o morto e retirá-lo do local o mais 21:24
rápido possível. Essa prática traz solidão ao
percurso do paciente, isolamento a família Burnout: Distúrbio psíquico
e distanciamento da equipe. Estar exposto caracterizado pelo estado de tensão
emocional e estresse provocados por
constantemente a essas situações leva um
condições de trabalho desgastantes.
esgotamento que pode virar doenças, como Foi mencionado pela primeira vez em
o Burnout. 1974, pelo psicólogo Freudenberger
que descreveu os sintomas que ele e
seus colegas estavam enfrentando.

PALAVRAS-CHAVE
22:50

Academia Brasileira de Neurologia:


É uma sociedade civil, sem fins
lucrativos, de duração indeterminada,
congregadora dos que exercem e/ou
cultivam a Neurologia e ciências afins
no Brasil. Através de suas comissões,
discute assuntos amplos, como a
Aspectos sociais de enfrentamento 25:18
Residência Médica em Neurologia e
O entendimento da morte pode ser muito Programas de Ensino da Neurologia a
nível de Graduação e Pós-graduação,
diverso dentro de algumas culturas, então
além de ser um foro de discussão
a morte social, em aldeias indígenas mais científica e de assuntos relacionados
antigas, por exemplo, quando nasciam às atividades profissionais do
gêmeos, o mais novo era assassinado Neurologista. Promove o Congresso
como parte de sua espiritualização. Brasileiro de Neurologia e apoia
Esses mecanismos sociais também estão diversos outros de subespecialidades
neurológicas organizados pelos
relacionados com a questão familiar,
respectivos Grupos de Trabalho.
o legado, a valorização, a sensação de
pertencimento e as memórias.

26
ENTRETENIMENTO
27:54
Livro: Uma História Social do
morrer

ENTRETENIMENTO
28:36
Filme: Soul

O médico Kellehear justifica seu interesse no


morrer porque ao estudá-lo vemos o reflexo
do tipo de pessoa que somos. Ou seja, a
conduta no morrer revela as forças sutis,
íntimas e desapercebidas em nossa vida
cotidiana que moldam nossa identidade e
É uma animação sobre Joe, um professor individualidade.
de música do ensino médio, apaixonado por
Jazz, cuja carreira não foi como ele esperava.
Quando viaja para outra realidade, descobre
o verdadeiro sentido da vida.
ENTRETENIMENTO
28:37
Filme: Divertidamente

ENTRETENIMENTO
28:39
Filme: Viva - A vida é uma festa

Com a mudança para uma nova cidade, as


emoções de Riley, que tem apenas 11 anos de
idade, ficam extremamente agitadas. Uma
confusão na sala de controle do seu cérebro
deixa a Alegria e a Tristeza de fora, afetando
a vida de Riley radicalmente.
Desesperado para provar seu talento musical,
Miguel se encontra na deslumbrante e
colorida Terra dos Mortos. A aventura, com
inspiração no feriado mexicano do Dia dos
Mortos, acaba gerando uma extraordinária
reunião familiar.

27
AULA 3 • PARTE 1

Reflexões 05:44

A professora traz perguntas para que os


alunos copiem num papel e respondam ao
longo de meses com cada vez mais detalhes.
Para quem quer ou já trabalha com o luto,
precisa, primeiro, trabalhar as suas perdas. 08:19 O que é luto?
As perguntas são: qual o significado da É uma forma de emoção em seres
morte para você? O que você teme em que precisam de ligação social –
relação a ela? Qual a sua perda mais particularmente, aqueles que possuem
importante e que idade você tinha? Onde sistema límbico. O termo é tão complexo
estava e do que lembra? Você consegue que na língua inglesa possui mais de
avaliar os efeitos destas perdas na sua uma palavra associada: grief (experiência
vida até hoje? Você costuma pensar e falar interna), mourning (como o pesar se
da própria morte? Você pensa na morte expressa em ações), bereavement (período
daqueles que gosta? A morte mais difícil do luto), loss (perda). Hipócrates, médico
que você enfrentaria dentre as pessoas vivas grego, dizia que do cérebro – e de nenhum
seria qual e por quê? Você acha possível se outro lugar – vem nossas alegrias, prazeres,
preparar para a morte? Como você imagina tristezas, dores e lutos.
viver até o dia da sua morte?
Luto é a resposta complexa e
multifacetada à uma ou mais perdas: ao
estresse, à separação ou à adaptação.
Há diversas formas de se enlutar e
Tão comum quanto o nascimento, 10:00 algumas puderam ser classificadas como
a morte é simplesmente parte da agudas, prolongadas, coletivas, severas,
experiência humana. ambivalentes, sombreadas, ausentes,
empáticas, antecipatórias, etc. Seus
determinantes são: a vulnerabilidade
pessoal e familiar; o relacionamento com
a pessoa que morreu; as circunstâncias da
perda; e o apoio social. Muitos animais têm
PALAVRAS-CHAVE
10:08 comportamentos semelhantes ao luto dos
humanos.
Hipócrates (460 a.C.-377 a.C.):
Ateniense considerado por muitos
uma das figuras mais importantes
da história da medicina ocidental,
foi o iniciador da observação clínica.
Postulou a existência de quatro
elementos essenciais dentro do corpo 11:23 A vida antes do evento estressor e
humano e esses quatro elementos não depois, não é a mesma.
são terra, ar, fogo, água, coração, mas
são quatro líquidos mais ou menos,
quatro humores e esses humores são:
sangue, fleuma, bílis amarela e bílis
negra.

28
13:25 A gente tende a não classificar, a
nomear, a diferenciar. Tratamos
o luto como uma forma ampla e
individual.

PALAVRAS-CHAVE
14:00

Mecanismos de coping: São


estratégias de enfrentamento
cognitivos e comportamentais, com
foco no problema ou na emoção.
Sua função é reduzir a sensação
física desagradável de um estado de 15:21 Evolução
estresse.
Charles Darwin dizia que o luto está entre
as emoções com expressão universal,
após ter estudado os músculos dos rostos
de humanos e animais. Hoje, entendemos
que cada um tem à sua maneira, suas
ENTRETENIMENTO características que são de acordo com a
16:09
estrutura cerebral.
Livro: A expressão das emoções
no homem e nos animais Há indícios que o senso de morte iniciou
no período do Paleolítico Médio com
o neandertal, no qual houve mudanças
corporais e aumento no córtex pré-
frontal, resultando num entendimento
mais simbólico da perda. O gen SRAGAP2
aparecem apenas nos humanos, nos
macacos, por exemplo, existem apenas
cópias, o que nos separou da árvore de
evolução. Antes disso, deixava-se os corpos
para trás e com o surgimento desse gen,
passou-se a ter rituais – enterro, marcas
com tinta. O cérebro primitivo já possuía
hipocampo e amígdala.
Obra de 1872, escrita pelo naturalista
britânico Charles Darwin, sobre como o ser
humano e os animais expressam as suas
emoções.

29
CURIOSIDADE
17:54
Luto para os elefantes
Em um artigo publicado sobre o tema
no periódico Primates, os pesquisadores
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO contam que revisaram 32 análises feitas por
cientistas que observaram o comportamento
O aumento do(a) ________
desenvolveu o entendimento mais de elefantes quando seus companheiros de
simbólico da perda: grupo morreram. O comportamento mais
comum entre eles incluía tocar, aproximar-
Lobo parietal. se do animal morto e investigar a carcaça. A
equipe também percebeu que os elefantes
usam o olfato para identificar quando outros
Hipocampo.
indivíduos estão mortos. Alguns, inclusive,
foram observados emitindo sons e tentando
Córtex pré-frontal. levantar ou puxar elefantes caídos que
haviam acabado de morrer.
Amígdala.
Além disso, os elefantes se cumprimentam
com suas trombas após passarem algum
tempo separados com o intuito de atualizar
seus companheiros sobre as informações
sociais e espaciais que encontraram
enquanto estiveram separados. A equipe
acredita que o propóstio seja o mesmo
Apego 22:12 quando esses estão em contato as carcaças,
mas ainda não se sabe exatamente se isso é
A Teoria do Apego, de Bowlby, traz a
verdade.
relação pessoal e o vínculo como algo tão
importante quanto o alimento. O psiquiatra
ao estudar a vida de Darwin, concluiu que
os seus problemas de hiperventilação e PALAVRAS-CHAVE
estresse derivavam de um luto mal resolvido 21:24
na infância, já que Darwin tinha 8 anos e foi
proibido, pela família, de falar sobre a morte John Bowlby (1907 – 1990):
Psiquiatra e psicanalista inglês,
da mãe. As ideias e publicações de Bowlby
trabalhou como professor, antes de
mudaram as instituições de saúde, orfanatos fazer estudos médicos. Em 1940,
e internatos, que anteriormente mantinham começou a publicar trabalhos sobre
as crianças por meses longe dos pais. Trouxe a criança, sua mãe e o ambiente,
também a nova perspectiva de que familiares opondo-se à perspectiva puramente
deveriam se abraçar, pois afeto é benéfico psíquica, predominante na
psicanálise daquele período.
para a saúde. Bowlby utilizou a Teoria da
Evolução e Etologia, de Darwin e outros
autores, para fundamentar a compreensão
Resposta desta página: alternativa 3.

do processo de formação e rompimento


de vínculos. Ele entendia os seres humanos PALAVRAS-CHAVE
como desenhados biologicamente para nos 21:24
conectarmos por conta de nossa extrema
vulnerabilidade na infância. Konrad Lorenz (1903 – 1989):
Zoólogo, etólogo e ornitólogo
O zoólogo, Konrad Lorenz, ao estudar austríaco. Conquistou o Nobel
animais, afirma que comportamentos inatos de Fisiologia ou Medicina, de
1973, por seus estudos sobre o
são liberados em resposta a um estímulo
comportamento animal, a etologia.
(visual, olfato).

30
O comportamento é inato, mas o objeto PALAVRAS-CHAVE
(pessoa) a ser acompanhado é aprendido 35:27
durante a vida. Neurologistas, através de
Harry Harlow (1905 – 1981):
pesquisas, concluíram que aos 4 meses de
Psicólogo estadunidense mais
idade as áreas relacionadas a parte visual no
conhecido por seus experimentos de
córtex pré-frontal é muito semelhante com o separação maternal, dependências
adulto. e isolamento social com macacos
Rhesus.
Harry Harlow, em um experimento com
filhotes de macaco, consegue observar como
eles preferem uma opção de cuidadora que
é feita de pano do que a que possui alimento
quando se sente desamparado.

Mary Ainsworth fez colaborações ao PALAVRAS-CHAVE


trabalho de Bowlby, dividindo os padrões de 42:50
apego em segura – crianças que exploram o
ambiente, confiam nos cuidadores, buscam Mary Ainsworth( 1913 –1999):
Psicóloga do desenvolvimento
apoio e conforto, toleram separações breves
estadunidense conhecida por seu
–, insegura ambivalente – crianças ansiosas, trabalho em apego emocional com
possuem sofrimento prolongado mesmo “A Situação Estranha” bem como no
em presença da figura de apego, tem desenvolvimento da teoria do apego.
interação social difícil, desconectadas da
realidade ao seu redor – e insegura evitativa
– crianças que possuem reações defensivas,
evitam contato íntimo, tem autossuficiência
emocional simulada, esperam o lado ruim
das coisas, inibem a tendência de chorar e PALAVRAS-CHAVE
reclamar, tem dificuldade na percepção do 48:11
sofrimento. Mary Main contribui com mais
uma classificação para o estilo de apego: Mary Main: Psicóloga e professora
estadunidense, conhecida por
insegura desorganizado – crianças que
sua introdução da classificação de
choram quando são separadas, reagem apego infantil “desorganizado” e
mal à volta da mãe, tem comportamentos pelo desenvolvimento da Entrevista
agressivos, são insatisfeitas e impotentes. do Apego de Adultos e do sistema
A Teoria do apego é uma moldura para de codificação para avaliar estados
entendermos como o cérebro e a mente mentais em relação ao apego.
conduzem as nossas relação interpessoais,
sociais e nossas perdas. É considerada
uma teoria da personalidade, do trauma,
sistêmica e integrativa, de estruturação antes
da fala da criança.

31
AULA 3 • PARTE 2

VÍDEO
00:15
Resumo sobre o apego

02:42 Luto a partir do apego


Bowlby escreveu uma triologia – apego,
separação e perda. Concluindo que a perda
é uma das experiências mais intensamente
dolorosas que o ser humano pode sofrer,
pois ela é penosa não só para quem a
Para assistir clique aqui. experimenta, mas também para quem a
observa devido a sensação de impotência.
Os comportamentos de apego podem ser
reativado em 3 tipos de circunstâncias:
situações que provocam medo, mudanças e
CURIOSIDADE interações conflituosas.
04:07
Os modelos de apego, de Mary Ainsworth e
Terapia focada na compaixão
Main, no luto, se dividem em:
Foi desenvolvida ao longo dos atendimentos
• Apego seguro: tendência a atravessar
e observações de Paul Gilbert, psicólogo
o luto de forma não complicada. Utiliza a
clínico e pesquisador britânico. Baseia-se em
terapia para trabalhar questões específicas.
conhecimentos da psicologia evolucionista
e das neurociências, bem como na teoria • Apego evitativo: pode precisar da
do apego, tendo como influência também permissão para se enlutar, não há
o budismo. Originalmente, era usada para processamento. O luto o coloca em contato
o tratamento de pessoas com profundo com sentimentos do passado. Dificuldade em
sentimento de vergonha e alto grau de auto expressar a dor, tenta evitá-la.
criticismo, as quais encontravam dificuldades
• Apego ambivalente: precisa da permissão
para avançar em seu tratamento com
para parar se enlutar. O luto não é visto como
terapias tradicionais. A CFT (Compassion-
um dever com o morto, é um dever consigo
Focused Therapy) tem sido trabalhada de
mesmo.
maneira bem-sucedida em tratamentos
de pacientes com depressão, ansiedade, • Apego desorientado: pode precisar da
distúrbios alimentares, distúrbios de permissão para se enlutar e também para se
personalidade, dentre outras desordens adaptar.
mentais e emocionais.
As fases do luto por Bowlby e Parkes, sem
lineariedade: entorpecimento, que pode
ser interrompido por explosões de intenso
sofrimento ou raiva; anseio e procura pela
pessoa perdida; desorganização e desespero;
A gente precisa de alguém, ao longo 04:20
reorganização. Porém, suas classificações
de toda a vida, para se corregular.
receberam críticas por não terem se
atualizado e tratar de fases que prendem as
pessoas, já que prescrevem como elas devem
se sentir. Atualmente, o luto é visto como
resiliência, em que novas vias neuronais
sinápticas se formam.

32
Para Winnicott, o apego seguro tem a
Não necessariamente alguém 10:03 necessidade de tolerar a separação, confiar
que tem um luto mais intenso no mundo e confiar no retorno do objeto
tem um apego mais inseguro ou amado. Como as separações são manejadas
ambivalente. moldam como serão sentidas no futuro.

A Teoria do Processo Dual retira a ideia de


fases e coloca o luto como um balanço que
oscila entre a perda (negação, evitação,
elaboração do luto, rememorar, falar sobre,
Se ater às fases faz com que o 10:33
etc) e a restauração (lidar com atividades
enlutado se sinta preso àquilo.
da vida sem o ente querido, retomar tarefas
do dia a dia, fazer coisas novas, etc). Não
há período estimado, cada processo é
individual.

PALAVRAS-CHAVE
12:18

Donald Winnicott: Pediatra e


psicanalista inglês influente no campo
das teorias das relações objetais e
do desenvolvimento psicológico. Ele
foi líder da Sociedade Britânica de 16:09 Ponto de vista psicanalítico
Psicanálise Independent. Baseava-
se no conceito de que a psique não Segundo Freud, o laço da criança com sua
é uma estrutura pré-existente e sim mãe é o protótipo das relações futuras
algo que vai se constituindo a partir dessa pessoa. A partir de sua obra, Luto e
da elaboração imaginativa do corpo
Melancolia, primeiro esforço em descrever o
e de suas funções – o que constitui o
binômio psique-soma. luto de uma perspectiva teórica, obteve-se o
conceito de luto normal e luto complicado/
prolongado (melancólico). Uma música, um
cheiro, vindo anos depois da perda mostram
a existência de rotas de processamento
inconsciente no cérebro, entendimento que
ENTRETENIMENTO
16:53 une a psicanálise com a neurociência. Os
Livro: Luto e Melancolia sentimentos nem sempre são previsíveis e o
luto mora nas profundezas do cérebro.

A interpretação dos sonhos nos conduz à


atividade inconsciente. A vida emocional
tem a sua nascente em processos físicos do
cérebro, a dor e a desorientação da perda
fazem impressões na memória, então no
sonho elas retornam, numa tentativa de
a mente integrar novas experiências ao
entendimento do self e do mundo. Mas se
a experiência for traumática, os sonhos
acontecem de maneiras bizarras, estressantes
e o sono não é reparador. Os sonhos são
Neste ensaio clássico, o criador da psicanálise parte da progressão para a restauração, além
compara a experiência do luto à da de um processo vital para a consolidação
melancolia, hoje chamada de “depressão”,
de memórias. O sono REM ciclos a cada 90
esfumando as fronteiras entre normalidade e
patologia. minutos, duram média de duas horas por
noite, e nessa fase que os sonhos têm mais
simbologia, já que o hipocampo e amígdala
que estão ativas.

33
ENTRETENIMENTO
19:13
Livro: O Oráculo da Noite

19:48 Os sonhos são gerados por


uma vasta rede neuronal
interconectada.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
23:40
Qual a importância dos sonhos
A história e a ciência do sonho – O autor
e neurocientista, Sidarta Ribeiro, a partir
segundo a psicanálise em junção
de informações históricas, antropológicas, com a neurociência?
psicanalíticas e literárias, além das referências
mais atualizadas da biologia molecular, Ajudam na progressão para a
da neurofisiologia e da medicina, compõe
restauração emocional.
uma narrativa instigante sobre a ciência e a
história do sonho.
Integram memórias a novas
experiências ao entendimento do
self e do mundo.

São um processo vital para


A gente não separa o corpo da 25:58 consolidação de memórias.
mente.

Todas as anteriores.

Mecanismos de defesa 26:42

São estruturantes e necessários para o


desenvolvimento da pessoa, nos protegendo
da ansiedade. Freud cunhou o conceito
como um conjunto de operações mentais
que visam a proteção do eu (Ego). Sua PALAVRAS-CHAVE
filha, Anna Freud, definiu 9 mecanismos. 27:20
Melanie Klein, anos depois, trouxe novos.
Lacan e Bion aprofundaram a negação – Repressão e recalque: Para Freud,
num primeiro momento não nos permite existe um mecanismo mental que
promove o recalque, recalmento ou
Resposta desta página: alternativa 4.

aceitar, mas posteriormente, possibilita a


repressão, que nada mais é que uma
recuperação parcial para a mobilização de tentativa da mente de não se lembrar
outros mecanismos de defesa. (não quer deixar vir ao consciente)
eventos traumáticos. A percepção
O pesquisador Vaillant, propõe uma gera um traço de memória/trauma.
hierarquia para os mecanismos de defesa, Estes traços são jogados no nosso
frisando que a sua escolha é involuntária. inconsciente, onde são recalcados e
Os mais maduros (humor, sublimação, através de representações via pré-
supressão, altruísmo) ou imaturos (projeção, consciente, ele sai através de uma
descarga.
negação, cisão, etc) possuem diferença na
saúde mental.

34
Refletem o esforço do cérebro em manter CURIOSIDADE
o equilíbrio para lidar com mudanças no 27:35
ambiente externo e interno. Mecanismos de defesa
Assim como os sonhos, a dissociação é Regressão: leva à reversão temporária ou a
muito relatada. É um mecanismo de defesa longo prazo do eu para um estágio anterior
que emerge quando o cérebro atinge sua de desenvolvimento, em vez de lidar com
capacidade máxima de processar os inputs. os impulsos inaceitáveis de um modo mais
Pode ter um distanciamento da realidade, adaptativo.
sendo necessária para limpar pensamentos e
deixar a mente mais clara, mas também pode Negação: consiste no bloqueio de certas
ser defesa contra o pensamento. Aparece percepções, ou seja, o sujeito frente a
muito em traumas e pacientes psiquiátricos. determinadas situações consideradas
Quando se elabora a dor, começam a como intoleráveis, nega sua existência
aparecer imagens mais integradas e claras. para proteger-se do sofrimento. Expressa
desejos, pensamentos ou sentimentos, mas
continua a defender-se deles negando que
lhe pertença.

Formação reativa: recurso de sentido


EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO oposto a um desejo recalcado e constituído
30:42
em reação contra ele; as atitudes, desejos e
Assinale a alternativa incorreta sobre sentimentos desenvolvidos são antítese do
mecanismos de defesa: que é realmente almejado pelos impulsos.
Exemplo: julgar aquilo que gostaria de fazer.
Nos protegem da ansiedade.
Anulação retroativa: mecanismo pelo
qual o sujeito se esforça por fazer com
São apenas primitivos.
que pensamentos, palavras, gestos e atos
passados não tenham acontecido.
São involuntários.
Introjeção: o sujeito faz passar, de modo
Refletem o esforço do cérebro em fantasioso, de “fora” para “dentro”, objetos
manter a homeostase. e qualidade inerentes a esses objetos. Está
estreitamente relacionada com identificação.

Projeção: operação pela qual o sujeito


expulsa de si e localiza no outro –
qualidades, sentimentos, desejos – que de
forma inconsciente o ego desconhece ou
recusa.
PALAVRAS-CHAVE
34:30 Sublimação: fazer uma atividade a fim de
aliviar algum sentimento, por exemplo,
Input: Entrada e registro de estímulo. descontar a raiva cortando lenha.

Intelectualização: processo pelo qual


Resposta desta página: alternativa 2.

o sujeito procura dar um formulação


discursiva aos seus conflitos e as suas
emoções, de modo a dominá-los; mantém
afetos à distância e neutralizados. O termo
Se houver dissociação, a gente 35:48 designa, especialmente no tratamento, a
não vai olhar para a realidade predominância conferida ao pensamento
(...) vai estar num momento em abstrato sobre a emergência e o
suspenso. reconhecimento dos afetos e das fantasias.
Exemplo: em vez de sentir ciúme, lançar um
discurso racional.

35
Racionalização: é uma tentativa de
ENTRETENIMENTO
37:06 explicação consciente visando justificar
Livro: O Ano do Pensamento Mágico manifestações de impulsos ou afetos
inconscientes e não aceitos pelo ego. Utiliza
formas mais plausíveis ou de ordem ideal.
Não implica evitação sistemática dos afetos
como na intelectualização. Exemplo: Estou
triste por ter feito, mas era meu papel.

A autora, Joan Didion, explora uma


experiência pessoal e, ainda assim, universal:
o retrato de uma vida em comum que
termina abruptamente, os bons e os
maus momentos de um casamento e da
maternidade.

AULA 3 • PARTE 3

Ciclo vital 00:08

Estudo das fases da vida que baseiam-se em


transições. Na teoria da evolução, por uma
questão de sobrevivência, o bebê precisa
de uma atenção totalmente voltada para CURIOSIDADE
ele, colocando a mãe em segundo plano. 00:34
Essa e outras transições têm uma troca Matrescência
de hormônios neuro protetores e neuro
Em 1973, a antropóloga Dana Raphael
esteroides, em que refazemos a visão de
cunhou uma palavra para descrever o
mundo e o sentido de fazer parte, fazemos
processo de maternidade que mistura
os balanços da vida. São momentos de
a adolescência. A proposta é traçar um
vulnerabilidade e neuroplasticidade. Os
paralelo em dois momentos de grandes
vínculos são de extrema importância. A
transformações hormonais, fisiológicas,
última etapa é a morte.
psicológicas, emocionais e de identidade,
que repercutem em grande medida no
comportamento e na visão de mundo, após
o nascimento de um filho. A intensidade,
a ambivalência, a novidade, os excessos,
a melancolia, a solidão, o sentimento de
incompreensão e também, o amor – a
sensação de viver o primeiro amor.

36
ENTRETENIMENTO Ainda, há uma tendência a se identificar com
07:07 grupos afins pela busca por pares que gerem
Livro: A morte de Ivan Ilitch representação e acolhimento. Há também os
lutos – do corpo, do que se foi até aqui, dos
pais, do lugar de filha, do lugar no mundo –
são muitos sentimentos para refletir.

09:17 Luto em crianças


Ao contrário do que se pensa, não é
o cemitério ou ver o corpo morto que
vai impactar a criança e, sim, a relação
com que os adultos estão lidando com
Novela de Liev Tolstói, publicado pela o processo. Não se deve dizer para os
primeira vez em 1886. Narra a história de pequenos que o morto está vivendo em
um juiz de instrução que, depois de alcançar
outro lugar, o melhor é a usar a palavra
uma vida confortável, descobre que tem uma
grave doença. A partir daí, passa a refletir “morte” sem muitas enrolações. É
sobre o sentido de sua existência, numa importante também para eles terem o rito
experiência-limite de rara força poética, que de despedida, pois isso influencia em como
só a grande literatura consegue traduzir.
ela vai prosseguir. A caixa de memória,
colocando coisas da pessoa que morreu,
ajuda a criança a acessar uma saudade
ao longo de seu neurodesenvolvimento,
trazendo pontos de vista diferentes. Livros
A morte é um tabu. A gente não 11:37 e filmes também auxiliam, temos que
quer que a criança sofra, só que validar a experiência. Os adultos precisam
ela é parte da vida e quanto antes passar segurança para que ela se expresse
percebermos isso, mais fácil é lidar e tire suas dúvidas sem medo.
ao longo do nosso ciclo vital.

17:56 A ideia de reversibilidade da


morte ocorre, mais ou menos, aos
7 anos, sendo variável porque o
neurodesenvolvimento não é uma
função linear.

O cérebro enlutado e anatomia 18:40

O cérebro recebe o choque, o trauma, a culpa


do sobrevivente, raiva, luto, sensação de perda,
deslocamento, incredulidade, tudo converge
em uma sequência de reações neuroquímicas
e neuro imunológicas. Portanto, é muito
importante saber a causa da morte, pois as
palavras tornam o desconhecido algo palpável,
experimentável e entendível.

Ao receber a notícia de uma morte, os inputs


entram no cérebro, atingindo primeiro a
amígdala – responsável pelo processamento
das emoções e reações químicas de luta e
fuga – e, estando conectada ao hipocampo,
consolida as memórias.

37
No córtex pré-frontal, pensamos e RECOMENDAÇÃO
processamos para ter uma tomada de 19:19
decisão; integramos os inputs sensoriais às Livro: A anatomida de um luto
emoções; fazemos o reconhecimento facial;
e o julgamento baseado no afeto (no córtex
orbito frontal). O sistema límbico estabelece
os estados emocionais; equilibra o
funcionamento físico, emocional e cognitivo;
coordenada reflexos e comportamentos; e
facilita o armazenamento de memórias. O
hipotálamo regula as reações físicas. Essas
e outras regiões estruturais trabalham
colaborativamente.

Quando a amígdala fala, o cérebro 26:37 Reflexão honesta de C.S. Lewis sobre as
todo escuta. Ela é uma grande caixa questões fundamentais da vida, morte
que reverbera as emoções. e fé em meio à perda. Registro belo e
inflexivelmente honesto de como até mesmo
um crente firme pode perder todo o senso de
significado no universo, e de como ele pode
gradualmente se recompor.

Enquanto a gente está processando, 27:33


estamos recebendo inputs e os
gravando. Eles vão voltar depois e
fazer parte da restauração ou da
evolução para um luto prolongado.

17:56 O hipotálamo é o nosso termostato


do estresse.

FUNDAMENTO I
36:18
Iconografia do enlutamento
Os retratos mortuários fazem parte de uma
cultura visual que há muito tempo ocupa
importante papel nas sociedades ocidentais,
pois o homem, ser mortal, desaparece 36:55 Vínculo, rejeição e dor física
após a morte, mas a ele sobrevivem os
dividem a mesma via neural.
sistemas simbólicos vinculados às suas
inúmeras tradições culturais, entre as quais
se destacam tais retratos. Alguns artefatos
relacionados ao ente querido desaparecido
também se tornam peças de valor afetivo e
passam a ser reverenciadas, constituindo-se
em objetos de culto e de devoção, dentre
os quais as imagens do morto ocupam lugar
de destaque, sendo importante lembrar que
os retratos nascem do tradicional culto aos
antepassados.

38
A palavra imagem tem origem no termo
latino imago e sua etimologia associa-se com 38:54 Sistema opioide e vínculos
os vocábulos gregos traduzidos como ídolo.
Seres humanos precisam de
A cultura ocidental conserva uma velha
relacionamentos íntimos para garantir a
tradição que aconselha o escamoteamento
sobrevivência. Filhotes e bebês vocalizam
da morte, por esta ser um problema. A
quando há separação da figura de apego.
imagem, então, seria um instrumento
Adolescentes e adultos buscam suporte em
capaz de ajudar o homem a conviver com
relacionamentos interpessoais, românticos,
a morte? Seria a maneira de enfrentá-la?
sexuais e nas interações sociais a fim de
Esta atitude explicita uma das respostas
ter alívio de emoções negativas e sentirem
do homem à consciência e recusa da sua
prazer. Ligações sociais são mediadas
finitude. Os estudos referentes à origem
neuro quimicamente. Enquanto apegos
da imagem destacam o sentido mágico
inseguros, rejeições sociais e isolamento
conferido a ela na antiguidade e na Idade
levam a abuso de drogas, ansiedade e
Média, intercedendo entre os vivos e os
depressão. A ausência da substância
mortos e exercendo uma função metafísica
viciante leva a sintomas similares a
com relação à morte. Se para muitas
rompimento de vínculos.
sociedades arcaicas os mortos atingiam
status de divindades no âmago familiar, é de
se imaginar a valoração das representações
imagéticas advinda destes.
39:45 Ser competente para formar laço
afetivo e socioemocional positivo
tem implicação na saúde física e
mental.

CURIOSIDADE
41:21
Órfãos da Romênia

FUNDAMENTO II
44:33
Teoria da Mente
Habilidade de atribuir e representar, em si próprio
e nos outros, que faz com que sejamos capazes
de compreender e antecipar o comportamento do
Estudo realizado pelo Hospital de Crianças
outro: compreender os sentimentos, pensamentos,
de Boston, da Universidade de Harvard,
crenças, desejos e intenções. Segundo estudos,
que vem mapeando desde os anos 2000
seu desenvolvimento está relacionado com as
os efeitos da institucionalização precoce no
estruturas representacionais fornecidas pela
desenvolvimento do cérebro de crianças.
língua pois estas seriam fundamentais para o
Os pesquisadores selecionaram mais de
pensamento, ou seja, a representação mental
100 crianças entre 6 meses e 2,5 anos,
para o processo cognitivo que se apoia nas
sem problemas neurológicos ou genéticos,
representações criadas linguisticamente.
que foram abandonadas em instituições
Apenas quando a capacidade de atenção conjunta governamentais. Também foi selecionado um
está presente, a criança passa a partilhar a atenção grupo comparativo com mais de 70 crianças
e os interesses com outra pessoa, seja através de que viviam com suas famílias de origem.
gestos (exemplo: apontar) ou na direção do olhar

39
do outro para o que é do seu interesse.
Numa criança neuro típica, esta capacidade A pesquisa demonstra que crianças
está presente até aos 18 meses. Aos 2 anos abrigadas por um longo período têm
de idade, a criança começa a perceber déficits cognitivos significativos como:
o outro como agente mental no sentido diminuição de QI, aumento do risco de
em que constrói a sua própria experiência distúrbios psicológicos, dificuldade na
pessoal baseada na observação dos outros. criação de vínculos afetivos, redução da
Nesta idade, é capaz de monitorizar o capacidade linguística, crescimento físico
seu próprio conhecimento. Está atenta ao atrofiado, entre inúmeros problemas. Usando
conhecimento ou ignorância da mãe sobre vários mecanismos de avaliação, o estudo
alguns fatos, tem tendência para nomear comprova cientificamente que quanto mais
os objetos e a indicar onde se encontram cedo uma criança for colocada em cuidados
quando a mãe não está presente. É entre os especiais, melhor será a sua recuperação,
3 e os 4 anos que a criança começa a falar concluindo que o cuidado infantil não é
sobre os seus pensamentos e começa a apenas alimentação e abrigo.
envolver-se em mentiras.

AULA 3 • PARTE 4

O corpo enlutado 00:10

A medicina psicossomática possui uma


visão integrativa da psiquiatria, psicologia,
neurociência, imunologia e fisiologia,
mostrando um elo entre a saúde física e
RECOMENDAÇÃO
as conexões neurais. O que consideramos 05:02
normal no luto: emoções poderosas e Livro: Criaturas de um dia
desreguladas; pensamentos insistentes
e preocupantes; sintomas físicos;
comportamentos relacionados. Utilizando as
teorias do Apego e do estresse Cognitivo,
ainda temos perdas de regulação e
precisamos entender qual é o limite.

O CID-11 vê o Transtorno do Luto Prolongado


quando a adaptação é interrompida ou
bloqueada e o descreve como saudade,
desejo, anseio ou preocupação global e
persistente com a pessoa morta mais do que
6 meses após a morte.

Para o DSM-5, no luto, o afeto predominante


Irvin D. Yalom oferece dez contos sobre
é o vazio e a perda, que vem em ondas. O
pacientes que demonstram os dons da
Episódio Depressivo Maior tem o humor psicoterapia, especialmente suas lições de
deprimido persistente e incapacidade de esperança sobre envelhecimento e morte.
antecipar a felicidade ou prazer. Discutem: O autor traz observações genuínas e
perspicazes sobre o valor da terapia.
manter como exclusão para não patologizar
ou arriscar negar tratamento precoce a
deprimidos?

40
Luto não reconhecido 10:49

É um luto que não pode ser expresso


e vivenciado por ser censurado pela
sociedade ou pela própria pessoa. Ocorre
quando o vínculo rompido não é validado, PALAVRAS-CHAVE
resultando no risco de um luto prolongado. 10:56
Exemplos: perda gestacional, perda de
animal de estimação, aposentadoria, luto por Kenneth Doka: Professor de
suicídio, etc. Gerontologia na Universidade de
New Rochelle, Consultor Sênior da
Muitas pessoas que se suicidam tem um Hospice Foundation of America
Apego Desorganizado e isso traz culpa para e editor do periódico Omega,
especializado em temas relativos à
as pessoas que ficaram por acharem que
morte, morrer e luto.
podiam fazer algo para impedir. É um luto
multifatorial com a menor rede de apoio,
com menor reparo emocional. É importante,
em grupos de psicoterapia, não colocar
outros tipos de enlutados e trabalhar a
RECOMENDAÇÃO
prevenção para que o sobrevivente não 11:04
acabe cometendo a mesma ação. Livro: O Resgate da Empatia

PALAVRAS-CHAVE
15:15

Maria Helena Franco: Psicóloga,


mestre e doutora em Psicologia
Clínica. Vê o luto como um processo
natural e esperado em resposta ao
rompimento de um vínculo. sendo
assim, vivenciado de maneiras
diversas por cada indivíduo, revelando O tema do luto não sancionado é pouco
seu caráter multidimensional. abordado na literatura clínica. Neste
volume, profissionais da área de saúde
preenchem essa lacuna tratando de temas
como prematuridade, infidelidade conjugal,
aposentadoria, morte de animais de
estimação, perda de familiares por suicídio e,
o luto de cuidadores profissionais.

41
ENTRETENIMENTO
15:17
Livro: O Luto no Século 21

RECOMENDAÇÃO
16:03
Documentário: The Bridge

Maior especialista em luto do Brasil e pioneira


no tema em nosso país, Maria Helena Pereira
Franco reúne aqui décadas de experiência
no atendimento a pessoas enlutadas e na
formação de profissionais que atuam nesse
campo.

A majestosa ponte Golden Gate é um dos


destinos turísticos mais populares de São
Rituais de despedida 19:27 Francisco e, infelizmente, uma baliza para
pessoas que pulam para a morte nas águas
Em outras culturas, os corpos ficam em da baía.
casa, perto da família, até que sigam para
o evento do enterro. Memoriais ajudam no
processo de quem acredita que continuamos
vinculados às pessoas que morreram; é
um espaço público para a expressão de
FUNDAMENTO III
emoções; funciona também virtualmente. 23:52
Burnout na área da saúde
A spectos constitutivos e desgastantes
podem ameaçar a saúde psicológica e o
bem-estar de profissionais, favorecendo o
adoecer pelo estresse crônico, repercutindo
A perda é uma oportunidade da 27:03 no colapso da saúde, através da síndrome
gente se questionar sobre religião, de burnout. O uso do termo surgiu por volta
espiritualidade, pertencimento e dos anos 70 e foi difundido pelas autoras
identidade. Maslach e Jackson como uma síndrome que
ocorre entre pessoas que trabalham com
serviços humanos – professores, policiais,
psicólogos, enfermeiros, bombeiros etc. As
características são a despersonalização, o
esgotamento emocional e o sentimento de
baixa realização no trabalho.

Segundo uma pesquisa, “os desafios


humanos de cunho psicológico se defrontam
com o que o sujeito espera do trabalho e
se atravessam aos significados particulares
dados à profissão e ao propósito existencial.

42
A importância de o sujeito realizar-se com
Intervenções e restaurações 27:37 a profissão dá base social e afetiva ao
indivíduo e restringe a tensão emocional
Resiliência, conceito que vem da física, na
do dia-a-dia; já, ao contrário, traz como
psicologia, significa uma adaptação bem-
consequência o surgimento de sequelas a
sucedida após adversidades, estresse ou
favor da efetivação do estresse crônico, que
trauma. O trauma emocional, o TEPT e o
procedem dos ofícios em que faltam trocas
luto compartilham embotamento, gatilhos e
consolidadas de afeto e realização”. Para ler
dissociação. O estresse, quando restaurado,
a tese completa clique aqui.
pode trazer conhecimentos, insights, novas
ferramentas que levam a autoeficácia.
Ou seja, não se passa pelo luto, segue-se
caminhando com ele.

O processo de luto e sua acomodação/


restauração: a fisiologia volta a se regular; 33:05 A morte pode ser um alívio para
os pensamentos ficam mais distantes, todos e isso não deve ser entendido
mas ainda acessíveis; as emoções são como culpa.
melhores reguladas; o comportamento
progressivamente se orienta para novos
objetivos; se restaura o senso de conexão
com os outros.

Narrar e descrever a experiência do luto 38:24 Diretivas antecipadas de dizer o


permite a reinvenção de crenças pessoais, que se quer antes de morrer, ajuda
elaborar, organizar, aprofundar, expandir quem fica.
e abraçar a realidade da perda. Outras
estratégias são: encontros de rituais
alternativos; normalizar a perda; usar a
espiritualidade; dar suporte aos outros.

43
Artigos
Nesta página, você encontra links de artigos científicos, informativos
e vídeos sugeridos pelo professor PUCRS.

ARTIGO INFORMATIVO

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Bowlby, John. 1990. Charles Darwin: A new life. W. W. Norton & Company, New York. 511 pp.

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VÍDEO

Harlow’s Studies on Dependency in Monkeys

Konrad Lorenz | Imprinting

Strange Situation Experiment

Teoria do Apego - Resumo

The lady & the Reaper - Animated Short Film

Camerata | Cuidados Paliativos no HSL

Projeto Música para a vida - PUCRS


Resumo da disciplina
Veja nesta página, um resumo dos principais conceitos vistos ao longo da disciplina.

AULA 1

Para sermos paliativistas é fundamental


desenvolver o autoconhecimento para, de
alguma maneira, não colocar os nossos
valores à frente do paciente.
É impossível tratar a dor somente
de forma medicamentosa e
farmacológica.

Em geral, o paciente não adoece


sozinho, a família adoece junto.

AULA 2

A maior parte das vezes o que traz


um terror para os pacientes é o
processo de morrer e não a morte
A dor não tem um caráter apenas em si.
biológico. Ela é um somatório de muitos
fatores, que incluem: parte biológica,
psicológica, social e espiritual.
Aceitar é um processo que não
passa tanto pela cognição, é muito
mais interno.

AULA 3

A gente precisa de alguém, ao


longo de toda a vida, para se
corregular.

Se ater às fases classificadoras do


luto pode fazer com que o elutado
se sinta preso e angustiado.

A perda é uma oportunidade da


gente se questionar sobre religião,
espiritualidade, pertencimento e
identidade.

48
Avaliação
Veja as instruções para realizar a avaliação da disciplina.

Já está disponível o teste online da disciplina. O prazo para realização


é de dois meses a partir da data de lançamento das aulas. ​

Lembre-se que cada disciplina possui uma avaliação online.


A nota mínima para aprovação é 6. ​

Fique tranquilo! Caso você perca o prazo do teste online, ficará aberto
o teste de recuperação, que pode ser realizado até o final do seu curso.
A única diferença é que a nota máxima atribuída na recuperação é 8. ​
Pós-Graduação em
Neurociências e comportamento

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