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JONAS FEITOSA DOS SANTOS

ARMADURAS PARA CONCRETO ARMADO

PALMAS-TO, 2021
JONAS FEITOSA DOS SANTOS

ARMADURAS PARA CONCRETO ARMADO

Trabalho exigido como nota parcial da

disciplina de Sistemas Construtivos 1,

ministrado pelo professor Dr. Gilson

Marafiga Pedroso.

PALMAS-TO, 2021
Introdução

Numa estrutura de concreto armado a armadura é definida como o componente estrutural


encarregado de suprir as deficiências do concreto em resistir a esforços de tração. Sendo assim
a armadura é fundamental para que a futura edificação se mantenha em equilíbrio e não se
desintegre. Diante disso é possível constatar que qualquer falha no processo de confecção e
montagem pode acarretar transtornos irreversíveis.

A armadura é um conjunto de peças de aço que são montadas e esse material devem estar em
perfeita condições de uso para que possa atender essa finalidade. Assim como qualquer
atividade envolvendo estruturas a montagem de armaduras demanda um projeto estrutural que
deve ser concebido por engenheiro civil especializado na área. Esse projeto funciona como uma
espécie de bússola ou seja norteiam todo a atividade de concepção das armaduras até sua
montagem.

Este trabalho possuem a finalidade de descrever de forma geral como ocorre a confecção e a
montagem de uma armadura numa obra de concreto armado. O primeiro passo para iniciar esse
processo é a aquisição das peças de aço, ou seja as barras, fios, telas e malhas. Ao adquirir esses
produtos é necessário transporta-los e armazena-los da melhor forma possível, considerando
que essas operações envolve riscos caso não seja efetuado de forma correta.

Quando as peças de aço já está disponível no canteiro de obras o preparo das armaduras para a
montagem é iniciada. De forma geral o preparo das armaduras envolve as operações de limpeza,
desempeno, corte, dobramento e emenda. Todas essas operações antecedem a montagem é
deve ser executada obedecendo o projeto estrutural e as normas técnicas que regulam essa
atividade. Após o término do preparo há o início da montagem das armaduras e essa fase deve
ser feita com cuidado para evitar qualquer falha, caso haja algum problema durante a
montagem essa questão será difícil de ser solucionada e ainda pode acarretar inúmeros danos
na estrutura da obra.

ARMADURAS PARA CONCRETO ARMADO


Para Azeredo ( 1987) a armadura corresponde a uma associação do aço ao concreto, com o
intuito de melhorar a resistência aos inúmeros esforços solicitantes. Essa associação é viável
devido aos seguintes fatores: à boa aderência entre ambos os materiais; à quase igualdade dos
respectivos coeficientes de dilatação térmica, e à proteção do aço contra a corrosão, quando
convenientemente envolvido pelo concreto. ).

A armadura como qualquer outro elemento estrutural é formado por peças, sendo assim esse
componente pode ser compreendido como uma parcela separável da armadura da armadura
de um componente da estrutura, constante do projeto estrutural, com dimensões e formato
característicos que, quando associada a outras, constituem a armadura. Veja abaixo os
principais elementos e constituintes de uma armadura.

Barra: Elemento constituído de aço para concreto armado, esse produto é obtido por um
método conhecido por laminação, disponível nos diâmetros nominais a partir de 5,0 mm
(3/16”).

Fio: Elemento constituído de aço para concreto armado, obtido pelo método da trefilação, esse
produto é encontrado nos diâmetros nominais entre 3,2 mm (3/32”) e 10,0 mm (3/8”).
Vergalhão: Barra ou fio de aço que possui um comprimento aproximado de 12,0 m;

Cobrimento: Também conhecido de recobrimento, é a camada de concreto que realiza a


separação e protege a armadura do meio externo. Esse elemento é uma parte inata de uma
armadura.

Camada: Conjunto de peças, de um elemento estrutural, que pertencem ao mesmo plano.

Estribo: Peças dispostas transversalmente ao elemento estrutural, com o intuito de resistir aos
esforços transversais decorrentes das forças de cisalhamento (no caso de vigas), auxiliar a
montagem e transporte das armaduras (tanto para pilares quanto para vigas);

Tela soldada: Armadura composta por peças ortogonais, soldadas entre si, formando uma
malha;

Diâmetro nominal: Também conhecido como bitola, é o número correspondente ao valor em


milímetros do diâmetro da seção transversal do fio ou da barra.

Armadura positiva Também chamada de positivo, é a armadura situada na parte inferior das
lajes e vigas, responsável por resistir à tração proveniente dos momentos negativos;

Armadura negativa: Também chamada de negativo, é a armadura situada na parte superior das
lajes e vigas, responsável por resistir à tração proveniente dos momentos negativos;

Transpasse: Tipo de emenda entre barras ou fios através da justaposição de duas peças ao longo
do comprimento;

Arranque: Armadura deixada para fora do elemento estrutural, que irá, através do transpasse,
dar a continuidade da transmissão dos esforços quando da solicitação da estrutura;

Armadura passiva: Também conhecida como “armadura frouxa”, tem o objetivo de resistir aos
esforços de tração e cisalhamento e não tem qualquer tipo de alongamento prévio, isto é,
nenhuma força de protensão;

Armadura longitudinal: Peças paralelas, dispostas no sentido da maior dimensão do elemento


estrutural;

Armadura transversal: Peças paralelas, dispostas no sentido da menor dimensão do elemento


estrutural.

BARRAS E FIOS

De acordo com Azeredo (1987) barras normalmente apresentam um comprimento de 11 metros


e uma tolerância de 9% para essa medida, esses produtos são fabricados através do processo
de laminação. Por outro lado os fios são obtidos através da trefilação e costumam ter uma
bitola ≤ 10mm. Com o intuito de facilitar a fabricação e padronizar os produtos as barras e fios
são classificadas, essa classificação é realizada levando em conta a configuração do diagrama
tensão x deformação e também do processo de produção. Considerando esses fatores as barras
e fios poderão ser:
- aço classe A, com patamar de escoamento definido, laminado a quente;

- aço classe B, sem patamar de escoamento definido, encruado por deformação a frio.

De acordo com as características mecânicas, as barras e fios são classificados em: CA-25, CA-32,
CA-40, CA-50 e CA-60, onde o algarismo representa a tensão de escoamento (kN/cm2 ou
Kg/mm2). Atualmente, o aço CA-32 não tem sido mais fabricado.

A superfície dos fios ou barras poderá ser lisa ou conter saliências, quando dizse que são
nervurados. Os tipos mais usuais são:

CA-25 A: liso ou nervurado;

CA-40 A ou B: liso (para diâmetro ≥10mm) ou nervurado;

CA-50 A ou B: nervurado;

CA-60 B: nervurado (somente fios)

As barras e fios são designados por sua bitola, que corresponde ao diâmetro da seção transversal
nominal daquelas peças. E

Em uma obra os fios CA-60 B são usados com mais frequência para armadura de laje e estribos
de vigas e pilares e as barras CA-50 A ou B são mais usadas para armaduras de vigas e pilares, e
alguns casos para lajes, estes fios e barras são os mais utilizados.

Fios CA-60 B: 3,4 - 4,2 - 4,6 - 5 - 6 - 6,4 - 7 - 8mm

Barras CA-50 A ou B: 6,3 - 8 - 10 - 12,5 - 16 - 20 - 22,5 - 25 - 32mm

Na tabela abaixo são apresentadas as bitolas padronizadas e seus valores nominais.

ARMAZENAGEM

Em uma obra as barras de aço deve ser armazenadas evitando ao máximo o sua exposição a
processos corrosivos que ocorrem devido ao seu contato com o meio ambiente. Os principais
processos corrosivos que as peças das armaduras está sujeito é a oxidação e a corrosão
propriamente dita. A oxidação é marcada pela formação de uma película de óxidos de ferro que
não acarretam grandes danos, essa película é popularmente conhecida como ferrugem. Por
outro lado a corrosão propriamente dita é um processo bastante agressivo que pode provocar
danos irreversíveis que deteriora a armadura. Para evitar que isso ocorra é imprescindível
adotar medidas de prevenção, isso é importante porque não interessante ocorrer a formação
de placas na superfície da barra que podem prejudicar a aderência ao concreto, e há também
redução do diâmetro da barra ao longo do processo.

A exposição ao oxigênio e a umidade pode acarretar um processo corrosivo numa armadura


que está em contato com esses elementos. Conforme o nível de agressividade do ambiente,
recomendam-se alguns cuidados básicos quanto ao armazenamento do aço, na tentativa de
minimizar o desenvolvimento de processos corrosivos.

Figura 01 – Armazenamento de barras de aço

Fonte: Mercado livre

Figura 02 – Armazenamento do aço cortado e dobrado

Fonte : Universidade Trisul- 2016


Em meios com enorme agressividade como regiões marinhas ou industriais não é recomendado
adquirir grandes quantidades de barras de aço, quando há uma execução de uma obra em um
local com essas características é preciso armazenar as barras de aço pelo menor tempo possível
é renovar constantemente o estoque para que esse material não se deteriore. Além de comprar
pequenas quantidades de barras de aço é imprescindível realizar a proteção dessas peças da
ação do meio aonde ela estará submetida. Toda peça de aço armazenada em regiões bastante
agressivas requer um galpão em ótimas condições; as peças devem serem cobertas com uma
lona feita de plástico. Para incrementar a proteção das peças de aço é comum pinta-las com
nata de cimento de baixa resistência ou com pasta de cal.

Quando uma obra é executada em ambientes com agressividade mediana ou seja em regiões
que possuem umidade relativa do ar média ou alta as barras de aço devem ser armazenadas a
uma distância de cerca de 30 cm em relação ao solo. Para erguer essas peças é indispensável
utilizar travessas de madeira e quando as barras estiver sobre esse apoio é necessário cobri-las
com uma lona de plástico. O solo aonde as barras de aço serão armazenadas não devem ter
vegetação e devem possuir uma camada coberta de pedra beirada. Além disso para que a
armazenagem nesse meio seja bem sucedida é necessário promover a adequação do tempo de
armazenamento do aço partir de observação da superfície de um pequeno lote de barras
quando do início da obra.

A implantação de uma edificação num ambiente fracamente agressivo como em locais de baixa
umidade relativa do ar exigem que o armazenamento das barras de aço sejam realizado sobre
travessas de madeira e estas devem estar a uma distância de 20 cm em relação ao solo. Isso é
importante para erguer as peças das armaduras, caso contrário elas estariam submetidas a
inúmeros riscos ocasionados pelo contato direto com o solo. Além disso é imprescindível que
solo não tenha vegetação e também possua uma camada com pedra britada.

PREPARO DAS BARRAS

Para que uma armadura de concreto armado possa ser montada é necessário que uma ela passe
por fase de preparação. De maneira geral essa preparação envolve as atividades de corte,
dobramento, emenda , limpeza e desempeno.

Limpeza

Para que as barras de aço possam ser utilizadas como uma armadura numa obra de concreto é
imprescindível que não tenha nenhuma sujeira ou qualquer material prejudicial em sua
superfície, tais como produtos de corrosão (crostas de ferrugem), terra, areia, óleos e graxa. A
presença de qualquer tipo de material pode prejudicar a aderência da armadura com o concreto

Corte

O corte de barras de aço é uma operação que para ser efetuada requer um equipamento que
se adequem ao diâmetro dessas peças . Isso é imprescindível para obter um acabamento bem
feito, sem esmagamento e que não exija muito esforços do operário. Os métodos utilizados
com mais frequência para corte das barras e fios são:

- Manual com talhadeira: Esse método é empregado em pequenas quantidades e não é


recomendado para barras e fios com diâmetro superior a 6 mm. Essa operação é iniciada com a
colocação do ferro sobre uma peça metálica chamada de encontrador e após isso utiliza-se a
talhadeira para efetuar um corte de aproximadamente metade do diâmetro da barra. Com o
corte finalizado já é possível promover a dobramento do ferro cortado.
- Manual com tesoura (com duplo sistema de alavanca): é o método mais empregado, mas não
deve ser usado para barras com diâmetro maior que 16mm. Existem tesouras de diversos
tamanhos.

- Manual com tesouras de bancada: é o processo usual em construtoras de médio e grande


porte. Não deve ser usado para barras com diâmetro maior que 32mm

- Tesouras acionadas por motor: Essa ferramenta realiza o corte de barras com até 50 mm de
diâmetro. Esse método é adequado para produções que exigem escala ou seja de caráter
industrial. Devido a isso esse método é característico de construtoras de grande porte e obras
de maior envergadura..

- Serra manual: Esse método é bastante convencional e é aplicado principalmente em pequenas


quantidades ou em peças que possuem um diâmetro grande.

- Serra mecânica ou, atualmente, com discos abrasivos: para grandes diâmetros.

Desempeno

O corte de uma armadura acarretam deformações e esse problema é atenuado pela atividade
de desempeno que consiste na retificação das barras de aço sobre uma mesa de pranchões com
o auxílio de martelos ou marretas.

Dobramento

Para Fusco ( 1996) durante a confecção das armaduras é a realização de diferentes tipos de
dobramento das barras de aço. Tais dobramentos devem ser feitos com raios de curvatura que
respeitem as características do aço empregado; isto é, sem que ocorra fissuração do aço do lado
tracionado da barra. Também, devem evitar o fendilhamento do concreto no plano de
dobramento da armadura, já que as curvaturas das barras de aço introduzem tensões radiais de
compressão no concreto.

O dobramento das barras é realizado em bancadas dotadas de pinos ou com algum


equipamento adequado para essa atividade. Para cada conjunto de peças idênticas, marca-se a
primeira barra de modo que suas dimensões, após a dobra, fiquem de acordo com o projeto
estrutural. Todas as outras barras serão cortadas e dobradas tomando-se a primeira como
referência. Isso deve ser feito porque a dobra causa um alongamento linear, que varia conforme
a ferramenta ou o processo utilizado.

Figura 3 – Dobramento do aço numa bancada


Fonte: Universidade Trisul - 2016

Os métodos mais utilizados para o dobramento das barras são:

- Manual com auxílio de uma chave (chamada grifo ou garfo): é feito sobre um gabarito de pinos
cravados na bancada;

- Manual com auxílio de chave e de uma chapa metálica com 3 pinos de aço, fixada sobre a
bancada. Dois dos pinos servem de apoio (encosto) para dobrar a barra em torno do terceiro;

- Manual com máquina de dobrar fixada na bancada;

- Com máquina de dobrar acionada por motor.

O engenheiro responsável pelo projeto estrutural deve estar ciente que qualquer barra
submetida a um esforço de tração necessita de um gancho em suas extremidades. Além disso o
projeto deve conter também os diâmetros mínimos de curvatura. Essa informação é
imprescindível para evitar o estreitamento da seção da barra (estricção) ou, até mesmo, ruptura
por tração. A tabela abaixo específica os diâmetros internos mínimos de curvatura.

Tabela 6.3- Diâmetros internos mínimos de curvatura

BITOLA CA-25 CA-50 CA-60


φ < 10 mm 3φ 3φ 3φ
10 ≤ φ ≤ 20 mm φ > 20 4φ 5φ 6φ
mm 5φ 8φ -

A curvatura indicada na tabela acima corresponde ao diâmetro do pino fixado à mesa de


dobramento. Os ganchos das barras da armadura de tração poderão ser.

a) semi-circulares, com ponta reta de comprimento não inferior a 4φ;

b) Em ângulo de 45, com ponta reta de comprimento não inferior a 4φ;

c) em ângulo reto, com ponta reta de comprimento não inferior a 8φ.

Figura 04 - Ganchos das barras de armaduras de tração

Fonte – slide player - 2015

Nos ganchos dos estribos, os comprimentos mínimos acima serão de 5φ para os casos a) e b), e
10φ para o caso c).

EMENDAS

De acordo com Azeredo ( 1987) não deve serem emendadas barras estão sujeitas a tração
sempre que possível não serão emendadas . Não pode haver mais de uma emenda na mesma
seção transversal da peça. Para cada grupo de cinco barras ou fração, exceto no caso de luvas,
desde que entre elas exista, na direção transversal, o afastamento previsto, a distância mínima
permitida entre duas emendas de uma mesma barra é de 4 m

Para Bastos ( 2015, p.15) “as barras de aço apresentam usualmente o comprimento em torno
de 12 m. Em elementos estruturais de comprimento superior a 12 m, como vigas e pilares por
exemplo, torna-se necessário fazer a emenda das barras”. A NBR 6118 (9.5) apresenta a emenda
das barras, segundo um dos seguintes tipos:

a) por traspasse (ou transpasse);

b) por luvas com preenchimento metálico, rosqueadas ou prensadas;

c) por solda;

d) por outros dispositivos devidamente justificados.

As emendas por traspasse é vetada para barras de diâmetro maior que 25 mm e também para
tirantes e pendurais. Em barras submetidas a esforços de tração as emendas não são
recomendadas, mas se houver necessidade é importante que elas tenha ganchos. A distância
livre entre uma barra e uma emenda por traspasse deve ser ≥ φ barra; entre duas emendas deve
ser ≥ 2φ barra. Em ambos os casos, nunca deve ser menor que 2 cm.

As emendas com luvas rosqueadas é restrito para aços classe A. A resistência da luva deve ser
maior ou igual à resistência da barra a ser emendada. As paredes externas das luvas devem
possuir formato de cone para inibir a pressão mais elevada nos primeiros filetes das roscas.

As Emendas com luvas de pressão é destinado exclusivamente para aços nervurados. As


extremidades das barras são introduzidas na luva. Após isso, aplica-se em torno da luva uma
pressão hidráulica elevada, e a luva é comprimida fazendo com que as nervuras das barras
penetrem nas paredes internas da luva. Resulta uma ligação capaz de suportar esforços maiores
que a própria barra.

De acordo com a NBR ABNT NBR 14931:2004 as emendas por solda podem ser realizadas na
totalidade das barras em uma seção transversal do elemento estrutural. Devem ser
consideradas como na mesma seção as emendas que de centro a centro estejam afastadas entre
si menos que 15 φ medidos na direção do eixo da barra. A resistência de cada barra emendada
deve ser considerada sem redução. Em caso de barra tracionada e havendo preponderância de
carga acidental, a resistência deve ser reduzida em 20%.

Para NBR 14931:2004 as máquinas que a realizam a solda deve apresentar uma combinação de
características mecânicas e elétricas apropriadas à qualidade do aço e à bitola da barra, esses
equipamentos de soldagem devem ter regulagem automática. Além disso a norma prescreve
que a soldagem da armadura é uma atividade que deve ser exercida por profissionais
qualificados. Diante disso o êxito da soldagem está diretamente relacionado a qualificação do
soldador e da qualidade da máquina utilizada. Abaixo estão os principais tipos de soldagem

de topo, por caldeamento: Essa soldagem não requer adição de outro metal para união das
barras. As pontas são do aço são aquecidas por uma corrente elétrica próxima à temperatura de
fusão, as duas barras são pressionadas, uma contra a outra, topo a topo, fazendo com que as
barras se fundam, formando o boleto, com o dobro do diâmetro da barra. O resfriamento é
natural, em local seco. As extremidades das barras devem ser as mais planas possíveis, cortadas
preferencialmente com serra a 90º, e isentas de sujeira, oxidação, resíduos de óleo ou tinta.
Podem ser utilizadas em barras de diâmetro igual ou superior a 10 mm.

solda por traspasse: Nessa soldagem as barras são traspassadas e devem ser feitos pelo menos
dois cordões de solda longitudinais, cada um deles com comprimento não inferior a 5 vezes o
diâmetro da barra, afastados no mínimo 5 vezes o diâmetro da barra. A espessura do filete de
solda deve ser maior que 0,3 do diâmetro da barra. Este tipo de emenda é permitido para as
bitolas de 6,3 mm a 32 mm.

solda com barras justapostas: Essa soldagem é efetuada com a utilização de pedaços adicionais
de barras justapostas as barras a serem emendadas e devem ser realizado pelo menos dois
cordões de solda longitudinais, em cada barra justaposta, fazendo-se coincidir o eixo baricentro
do conjunto com o eixo longitudinal das barras emendadas, devendo cada cordão ter
comprimento de pelo menos 5 vezes o diâmetro da barra.

Figura 5 – Diferentes tipos de emendas


Fonte: Casa do concreto - 2015

TRANSPORTE

Findado o processo de dobramento e feitas eventuais emendas é necessário efetuar o


transporte das barras até o local de montagem. Caso haja a utilização de gruas durante o
transporte vertical é fundamental transportar amarradas todas as peças em feixes que tenha
um “kit” de armadura ou seja um conjunto de peças que constituem armadura de um pilar, uma
viga, ou parte de uma laje. A descarga dos Kits devem ser efetuada com cuidado para inibir que
sejam misturados durante a montagem. Se isso porventura vier ocorrer a montagem das
armaduras ficará mais difícil devido a mistura das peças.

A montagem de peças menores podem ocorrer ainda bancada principal e após a finalização
dessa etapa estas serão transportadas até o local de destino para serem colocadas. Essa
operação não é fácil e necessita de cuidados para que sejam bem sucedida. A adoção de medidas
de cuidado é imprescindível para que as peças possam ser posicionadas de maneira correta, isso
é válido sobretudo nas ligações entre vigas e entre viga e pilar.

FIXAÇÃO DAS ARMADURAS


Nas operações de transporte e concretagem o posicionamento das barras uma com relação à
outra devem permanecer fixo. Para que não ocorra uma modificação da posição das barras é
necessário efetuar a amarração nos pontos de interseção, através do uso de arame recozido nº
16 (φ = 1 mm) ou 18 (φ = 0,75 , sendo essa a mais indicada para barras grossas.

De acordo com a NBR 6118 a distância entre amarrações sucessivas não devem ser superior a
35 cm, essa especificação possuem o propósito de evitar possíveis deslocamento na intersecção
das peças que estão amarradas. Ainda em relação ao posicionamento da armadura é vetado de
que as suas pontas de arame sejam posicionadas em direção à superfície do concreto. Essa
medida é imprescindível para inibir a corrosão das armaduras e o surgimento de manchas na
superfície.

COBRIMENTO

De acordo com Bastos ( 2015) o cobrimento da armadura corresponde a espessura da camada


de concreto responsável pela proteção da armadura em um elemento estrutural. Essa camada
inicia-se a partir da face mais externa da barra de aço e se estende até a superfície externa do
elemento em contato com o meio ambiente. Em vigas e pilares é comum a espessura do
cobrimento iniciar na face externa dos estribos da armadura transversal.

O cobrimento das armaduras tem a finalidade de garantir proteção física e química para as
barras de aço. Qualquer problema nessa barreira significam sujeitar as armaduras às agressões
do meio ambiente, que induzem à corrosão do material e comprometem a capacidade de
suporte de carga de toda a estrutura. A proteção da barras de aço estabelece uma relação direta
com a espessura do cobrimento, ou seja quando maior a espessura maior tende a ser a proteção
do aço. Como aumentar indiscriminadamente a camada de concreto não é recomendável –
porque eleva o peso da estrutura, aumenta os custos e reduz a área útil construída – a saída é
buscar um cobrimento ideal, que garanta a proteção desejada, sem excessos.

A espessura de cobrimento do concreto é garantida por meio da colocação de espaçadores entre


a armadura e a fôrma. O espaçadores é uma peça imprescindível numa armadura, esse
componente possibilitam um melhor alinhamento no aço da estrutura de concreto armado,
garantindo o cobrimento correto das armaduras e centralizando as mesmas. É importante
salientar que os espaçadores permanecem para sempre na estrutura após a concretagem e
podem ser de diversos materiais, como plástico, metal ou argamassa

A função dos espaçadores é basicamente garantir o cobrimento das armaduras. Para que essa
operação seja bem sucedida é necessário que a correta utilização desse material garante
durabilidade da obra, já que protege a armadura de diversas exposições que podem danificá-la,
como corrosão e impactos.

A confecção dos espaçadores de melhor qualidade é efetuada na própria, com argamassa (são
chamados rapaduras) de traço igual ao do concreto, apenas retirando-se o madeira, metálica,
tubos de PVC ou outros sistemas para a confecção dos espaçadores. O molde utilizado para
confeccionar deve ter uma espessura compatível com o cobrimento designado no projeto. É
importante salientar que os moldes devem ser pinceladas com algum desmoldante para reduzir
a aderência da argamassa aos mesmos. A qualidade dos espaçadores está diretamente
relacionado ao processo de adensamento e de cura

O uso de espaçadores de plástico vem ganhando notoriedade na indústria da construção civil,


entretanto a sua utilização não é recomendado devido a retração hidráulica do concreto e os
diferentes coeficientes de dilatação térmica permitem que a interface concreto/plástico torne-
se um caminho preferencial de penetração de umidade e demais agentes agressivos.

Figura 06 espaçadores de plástico

Fonte: maqblocos - 2016

A homogeneidade do cobrimento é obtida por meio da disposição adequada dos espaçadores.


Para que esse intento seja alcançado é imprescindível que a distância entre os espaçadores
adjacentes não ultrapasse 1,5 metros. Em barras paralelas a fixação dos espaçadores não deve
ter alinhamento, essa restrição ocorre em virtude da formação de uma região de concreto
enfraquecido. A fixação dos espaçadores deve ser realizada através da firma amarração dos
arames em sentido cruzado.

A corrosão é um impedimento para o uso de barras de aço, brita e outros dispositivos


semelhantes como espaçadores. Erguer uma armadura após o término da concretagem é uma
atividade que pode acarretar inúmeros danos como o comprometimento da homogeneidade e
no controle da espessura real do cobrimento.

Em armadura dupla ( positiva ou negativa ) a manutenção da armadura superior na posição


indicada pelo projeto estrutural é obtida mediante ao uso de dispositivos feitos de aço
chamados de caranguejo.

Figura 07 - Caranguejos para o posicionamento de armaduras negativas em lajes


Fonte – Senai, 2013

Montagem das armaduras

De acordo com Fusco (1996, p. 21) “ no estudo do arranjo das armaduras de cada peça estrutural
isoladamente é indispensável considerar as interferências decorrentes da montagem geral do
conjunto das armaduras”. Esse teórico enfatiza que a prioridade numa montagem pertence à
disposição da armadura dos pilares. Devido a isso a armaduras das vigas possuem suas posições
subordinadas às posições dos pilares sobre as quais se apoiam. Outro fato que não deve ser
esquecido são os congestionamentos acarretados pelo cruzamento da armadura das vigas com
os pilares.

A montagem das armaduras de vigas e pilares é realizada sobre uma bancada ou sobre cavaletes.
Essa operação pode ser efetuada obedecendo a seguinte ordem: posicionar duas barras de aço;
colocar todos os estribos, fixando-se somente os das extremidades; em seguida, posicionar as
demais barras e amarrá-las aos estribos das extremidades; depois de posicionar os demais
estribos, conferir espaçamentos e o número de barras longitudinais e estribos; amarra-se então
o conjunto firmemente nas quatro faces. A armadura assim montada é então posicionada
dentro das fôrmas.

Figura 08 - Posicionamento de Armadura de Pilar


Fonte: Universidade Trisul - 2016

Figura 09 – inserção dos espaçadores nas armaduras dos pilares

A montagem da armadura de um pilares muito grande não costuma ser feita sobre um cavalete
ou sobre uma forma. Esse processo é normalmente efetuado diretamente dentro da fôrma.

Nem sempre a montagem da armadura de vigas é um processo de fácil execução, isso é


detectado principalmente no cruzamento de vigas e também durante o encontro entre uma viga
e um pilar. Em casos como esse é recomendado efetuar a montagem da armadura sem a barras
negativas, que são inseridas posteriormente na sua posição. Quando um viga é constituída por
mais de uma camada de ferro positivos, o espaçamento entre as camadas pode ser realizado
com pedaços de ferro.
A inserção de estribos no encontro de vigas e pilares evita trincas verticais na estrutura quando
em serviço. Além disso é bastante corriqueiro a ocorrência do deslocamento dos estribos no
decorrer das operações de concretagem devido à amarração inadequada.

No posicionamento das armaduras de pilares, sugere-se a elevação dos estribos da base que
coincidirem com as esperas do pilar provenientes do pavimento inferior. Posiciona-se a
armadura na fôrma, e, em seguida, retorna-se os estribos à sua posição definitiva, quando são
então amarrados às esperas.

A montagem das armaduras das lajes costumam acontecer sobre as fôrmas já executadas. É
facultativo amarrar todas as interseções, mas a distância entre amarrações sucessivas deve ser
inferior ou igual 35 centímetros.

A montagem das armaduras de lajes é uma atividade que deve ser precedida pela fixação das
caixas de passagem das instalações hidráulicas e elétricas. Após concluir essa operação a
montagem é iniciada com o posicionamento das barras da armadura principal, em seguida
ocorre o posicionamento das barras da armadura secundária (distribuição). A amarração dos
nós ocorre de maneira alternada (ferro sim, ferro não) e as barras de armadura negativa da laje
devem ser amarradas à armadura das vigas.

Figura 10– Instalação do dispositivo na borda.

Deve-se utilizar espaçadores a uma razão média de cinco peças para cada m2 de laje, de modo
a garantir o cobrimento mínimo.

A necessidade de cuidados adicionais para obter o posicionamento e amarração adequada é


uma demanda das armaduras negativas. O afastamento entre armadura negativa e positiva
pode ser conseguido de duas formas: quando a armadura é executada pelo processo de dobrar
as barras positivas, aproveitando-as em parte como negativas, as próprias barras garantem o
afastamento; no caso de armadura negativa independente, o afastamento é obtido com o uso
dos caranguejos, ou então se dobrando alguns ferros da armadura negativa na forma de
cavaletes e amarrando-as na positiva.
Conclusão

A armadura é um elemento estrutural que possui a finalidade de resistir aos esforços de tração
que o concreto não é capaz de absorver. Para que essa parte da estrutura de concreto armado
desempenhe de forma adequada a sua incumbência é Indispensável que seja planejada e
posteriormente executada obedecendo os princípios de qualidade e também as normas técnicas
que norteiam e regulam esse processo.

A armadura é formada por um conjunto de peças de aço, sendo assim a aquisição desse material
é algo bastante importante. O aço deve ser adquirido levando em consideração as necessidades
que o concreto necessita ter para que possam suportar os inúmeros esforços solicitantes. O aço
para confecção de armaduras está todo padronizado e assim fica mais realizar a escolha desse
relevante material.

Devido a corrosão e os outros danos o transporte e armazenagem do aço deve ser feito com
cuidado e com a devida proteção. Com o aço já disponível no local da obra já é possível iniciar a
preparação da armadura para que posteriormente ela possa ser montada. De forma geral as
operações que precedem a montagem são a limpeza, desempeno, corte, emenda e
dobramento. Quando essas atividades são concluídas há o início da montagem propriamente
dita. A execução desse processo deve ser realizado de modo que as armaduras fiquem bem
posicionadas ou seja na posição adequada para a posterior concretagem.
Referências bibliográficas

BARROS, M.M.S.B. de; MELHADO, S.B. Recomendações para a produção de estruturas de


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