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CONTEÚDO COMPLETO

LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE


LEI DE DROGAS – LEI 11.343/2006

- O que é droga: Art. 1º § único: “Consideram-se drogas as


substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim
especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas
periodicamente pelo Poder Executivo da União”.

- Norma penal em branco heterogênea: Definição dada pela Portaria


344/1998 da Secretaria da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.
- Objetividade Jurídica: Incolumidade pública, no aspecto
específico saúde pública. Assim, classificam-se os crimes previstos
nesta lei como CRIMES VAGOS, que são aqueles que a vítima é entidade
despersonalizada.

DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL (Artigo 28)


- Embora não haja previsão de pena privativa de liberdade, não há que
se falar em descriminalização do porte para consumo pessoal, apenas
uma despenalização da conduta, que passou a prever como sanção:

a) Advertência sobre os efeitos das drogas,

b) Prestação de serviços à comunidade e

c) Frequência a cursos e programas educativos.

- No caso de descumprimento injustificado da pena, serão impostas as


seguintes sanções: a) admoestação verbal e b) multa, sendo que nos termos
do art. 48 §2º, em hipótese alguma será imposta prisão em flagrante.

- O valor da multa, nos termos do art. 29, será de 40 a 100 dias-multa, e


cada dia-multa poderá variar de 1/30 a 3x o valor do salário mínimo,
segundo a capacidade econômica do condenado.

- Elementos objetivos do tipo:

São os verbos: adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer


consigo.
- Elemento subjetivo:

O agente pratica qualquer dos verbos visando o consumo próprio,


sendo que para diferenciar este crime do tráfico, deverão ser
analisados os critérios previstos no §2º:

a) natureza,

b) quantidade,

c) local e condições da apreensão,

d) Circunstâncias sociais e pessoais, conduta e antecedentes do agente.

OBS: Caso haja dúvida se a conduta praticada é tráfico ou porte,


deverá o autor ser processado por este, em atendimento ao
princípio do in dubio pro reo.

- Consumação e tentativa:

Nos verbos trazer consigo, guardar, ter em depósito e transportar,


constituem crimes permanentes e consumam-se no momento em que
o agente obtém a posse da droga, protraindo-se no tempo enquanto ele
a mantiver.

No verbo adquirir quando há o acordo de vontade entre traficante e


usuário, ainda que antes da entrega do entorpecente.

- Tentativa: Possível apenas no verbo adquirir, segundo


entendimento doutrinário majoritário.

- Figura equiparada prevista no §1º: Prevê mais três núcleos:

a) semeia,

b) cultiva e

c) colhe, plantas destinadas à preparação de pequena quantidade e


que seja destinada ao uso pessoal.
- Nos termos do art. 30, este crime prescreve em 2 anos.

TRÁFICO DE DROGAS

Artigo 33 caput

- Elementos objetivos do tipo: Este crime possui dezoito núcleos. São eles:
importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender,
expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo,
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas.

OBS 1: No verbo “adquirir”, obviamente o agente compra entorpecente para


posterior revenda ou consumo de outrem, atuando como um
intermediário, pois se for para consumo próprio fica caracterizado o
crime do artigo 28.

OBS 2: O verbo “prescrever” deve ser interpretado como sinônimo de


receitar. Assim, tal modalidade é crime próprio, podendo ser praticado
apenas por médicos e dentistas, que através da regular prescrição,
dolosamente, facilitam o acesso de outrem à substâncias
entorpecentes, já que muitas delas são vendidas em farmácias
mediante prescrição médica. STJ decidiu que nestes casos o agente
responderá pelo crime em estudo, em concurso formal com o delito
previsto no art. 282 do CP (exercício ilegal da medicina).
- O tráfico ainda subsistirá ainda que o autor pratique qualquer conduta
típica de forma gratuita, como, p.ex., doar entorpecentes a
terceiros.

- Trata-se de crime de ação múltipla ou conteúdo variado, ou tipo


misto alternativo, onde a prática de mais de um verbo, dentro do
mesmo contexto fático (tendo como objeto material a mesma substância),
caracteriza um só crime.

- Consumação:

Consuma-se com a prática de qualquer dos verbos.


Por ser crime não transeunte, o art. 50 exige a realização de laudo
pericial.
Para lavratura de eventual flagrante, o §1° prevê ser suficiente o laudo
provisório, que conterá a natureza da substância e sua quantidade.
Contudo, a jurisprudência entende que para sustentar uma
condenação, necessário se faz a realização de laudo definitivo, nos
termos do §2°.

- Tentativa:

Embora de difícil verificação na prática, já que muitos dos verbos são atos
preparatórios de outros, a doutrina admite a tentativa, p.ex, no verbo
prescrever.

- FIGURAS EQUIPARADAS AO TRÁFICO – Previstas no §1º do artigo 33:

a) Inciso I – Matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à


preparação de drogas.

Não há necessidade que tais substâncias integrem a Portaria do Ministério


da Saúde, podendo ser até mesmo substâncias corriqueiras, desde
que fique provado que se destinam à produção de substâncias
entorpecentes.

b) Inciso II - Cultivo de plantas: Neste caso a planta não possui a


substância proibida, pois estaria caracterizada a conduta prevista no caput.
Entretanto, o emprego de qualquer processo de transformação produz a
substância ilícita. A simples posse de sementes divide a doutrina.
Parte entende ser o crime do inciso I, parte entende ser fato atípico.

- Nos termos do art. 32 as plantações ilícitas serão imediatamente


destruídas (por incineração – artigo 50-A) pelo delegado de polícia, que
recolherá quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando
auto de levantamento das condições encontradas, com a delimitação
do local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação da
prova.

- O art. 243 da Constituição Federal estabeleceu a expropriação sem


direito a qualquer indenização de terras onde forem localizadas
culturas ilegais de substância entorpecente.
c) Inciso III: “Utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a
propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente
que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico de
drogas”.

- Tal local pode ser bem imóvel ou móvel (veículo, barco).

- Não é necessário que o agente seja o dono do local utilizado, bastando


que tenha a sua posse ou a sua simples administração, guarda
ou vigilância.

- Os bens, móveis e imóveis, usados para a prática do tráfico


poderão ter seu perdimento em favor da Adm. Pública
determinados pelo juiz, nos termos do art. 63.

OBS: A primeira parte deste inciso é uma impropriedade


legislativa, pois aquele que utiliza local ou bem é punido pelo tráfico
do caput, sendo alcançado por este inciso apenas o agente que consente
para que o traficante utilize, sem efetivamente participar do tráfico.
IV - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto
químico destinado à preparação de drogas, sem autorização ou em
desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente
policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios
razoáveis de conduta criminal preexistente.

Crime inserido na legislação pela Lei 13.964/2019 – Pacote anticrime.


Tal conduta mitiga a nulidade, reconhecida pela jurisprudência, do
flagrante preparado.

TRÁFICO PRIVILEGIADO – ART. 33§4⁰

- Causa de diminuição de pena exclusiva do tráfico e figuras equiparadas:

- 4 requisitos cumulativos:

a) réu primário

b) bons antecedentes
c) não se dedicar a atividades criminosas (que não precisam ser
necessariamente ligadas ao tráfico. STJ entende que inquéritos
policiais/processos em curso podem ser utilizados para negar a
concessão do benefício)

d) não integrar organização criminosa (STF decidiu que a quantidade


de droga não pode ser utilizada para afirmar que o agente
integra organização. O Tribunal Constitucional já decidiu que a “mula” não
pode ser, sem outras provas, integrante da organização criminosa).

- Em 2016, o Plenário do STF (HC 118.553) entendeu que o


reconhecimento deste privilégio retira o caráter de crime equivalente ao
hediondo do crime de tráfico.

INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO USO DE DROGA – ART.


33 §2º

- Elementos objetivos do tipo: São os verbos INDUZIR (fazer nascer a


ideia), INSTIGAR (reforçar ideia preexistente) ou AUXILIAR (prestar
colaboração material).

- Tais condutas incentivam apenas o uso, pois se incentivar o tráfico o


agente será partícipe do crime previsto no caput.

- A conduta ainda deve ser direcionada a pessoas determinadas.

- O artigo foi objeto da ADIN 4274, julgada procedente dando


“interpretação conforme à Constituição” e dele excluir “qualquer
significado que enseje a proibição de manifestações e debates
públicos acerca da descriminalização ou legalização do uso de drogas ou de
qualquer substância que leve o ser humano ao entorpecimento episódico,
ou então viciado, das suas faculdades psicofísicas”.

- Consumação:

Consuma-se no momento em que o instigado/incitado/auxiliado faz uso


efetivo da droga, devendo ficar provado nos autos que a substância
consumida efetivamente era droga.

- Tentativa:
Admitida.

OFERTA EVENTUAL E GRATUITA PARA CONSUMO PRÓPRIO - Artigo


33 §3º

- A conduta punida é OFERECER droga, desde que preenchidos


os seguintes requisitos, que são cumulativos:

a) que a oferta da droga seja eventual

b) que seja gratuita

c) que o destinatário seja pessoa do relacionamento de quem a oferece

d) que a droga seja para consumo conjunto

Caso qualquer um desses requisitos não seja preenchido, ficará


caracterizado o tráfico.

- Consumação e tentativa:

Consuma-se no momento em que a droga é oferecida, ainda que não haja o


efetivo consumo conjunto do entorpecente.

A tentativa NÃO é possível.

Art. 34 - PETRECHOS PARA O TRÁFICO

- “Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender,


distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer,
ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou
transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar”.

- Geralmente são objetos originariamente destinados a atividades lícitas,


devendo ficar provado, que naquele contexto, estavam sendo destinados à
produção de drogas.
- Se além dos petrechos, o autor foi pego com substâncias
entorpecentes, caso não seja verificado que o autor possuía desígnios
autônomos, este crime será absorvido pelo do art. 33.

- Consumação e tentativa: Consuma-se no momento em que é praticado


qualquer dos verbos, independentemente da efetiva fabricação,
preparação, produção ou transformação da droga.

A tentativa é admitida nos verbos “fabricar”, “adquirir”, “vender”.

ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO (Artigo 35)

- Elementos objetivos do tipo: Exige-se no mínimo duas


pessoas (crime de concurso necessário).

Os autores devem estar associados com o intuito de praticarem o


crime de tráfico ou petrechos para o tráfico, não sendo exigida a reiteração
de condutas, ficando caracterizado o delito ainda que a intenção da
associação era praticar somente uma conduta.

Entretanto, o STJ entende que deve ficar comprovada a estabilidade


e a permanência da associação criminosa.

Assim, se faz necessário um prévio ajuste entre as partes, levando-se


em conta o grau de organização e a gravidade da conduta, sendo que a
reunião meramente ocasional não caracteriza o delito.

- Consumação: Com a efetiva associação dos autores, não sendo


necessária a prática do(s) crime(s) pretendido(s).

- Tentativa: Não é admitida.

- Caso a associação venha efetivamente a praticar o tráfico (art. 33)


ou petrechos para o tráfico (art. 34), ficará configurado o concurso
material de crimes.

- Crime equiparado previsto no parágrafo único: Nas mesmas penas do


caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do
crime definido no art. 36 – Financiamento do tráfico.
CUSTEIO OU FINANCIAMENTO DO TRÁFICO - Artigo 36

- Financiar ou custear é prestar qualquer ajuda de cunho financeiro.


É o investimento de caráter capitalista. Investe com o intuito de obter
retorno com taxas mais altas.

É o crime mais grave da lei, com pena máxima de 20 anos.

- Consumação e tentativa: Consuma-se no momento em que o


financiamento torna-se habitual, já que o financiamento isolado
caracteriza o crime do art. 33 ou 34 com a causa de aumento de pena
prevista no art. 40, VII. Há posição minoritária no sentido de que
não é necessária a habitualidade do crime.

Tentativa: NÃO é admitida.

COLABORADOR INFORMANTE - Artigo 37

- Elementos objetivos do tipo: É crime subsidiário aos crimes de tráfico


e associação ao tráfico. No delito em estudo, o autor colabora como
informante, de forma esporádica, eventual, sem vínculo efetivo, para
o êxito da atividade criminosa do grupo.

- Consumação: Consuma-se no momento em que o autor passa as


informações ao grupo.

- Tentativa: NÃO é possível.

PRESCRIÇÃO CULPOSA DE DROGA (Artigo 38)

- Trata-se de crime próprio, somente podendo ser praticado por médico,


dentista, farmacêutico e profissionais da área de enfermagem.

- Elementos objetivos do tipo: São os verbos prescrever


(receitar, só pode ser praticado por médicos e dentistas) ou ministrar
(introduzir substância no organismo de alguém). Neste caso,
incluem-se os farmacêuticos e profissionais da área de enfermagem.
- Elemento subjetivo do tipo: Somente pode ser praticado com culpa. Se
houver dolo na conduta, o crime será o previsto no art. 33 caput. Trata-se
de crime de ação vinculada, já que o tipo penal determina as formas de
execução do crime, a saber:

a) Sem necessidade do paciente,

b) Em doses excessivas ou,

c) Em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

- Consumação e tentativa: No núcleo “prescrever”, consuma-se no


momento em que a receita é entregue ao paciente, não sendo
necessário que ele consiga adquirir a droga. No núcleo “ministrar”, o
delito consuma-se no instante em que a substância é inoculada na
vítima.

Tentativa: NÃO é possível a tentativa, já que nenhum crime culposo


admite a modalidade tentada.

- Caso a vítima sofra lesão corporal ou morra, o agente responderá


por concurso formal.

Condução de embarcação ou aeronave após o consumo de droga –


Artigo 39

- Elementos objetivos do tipo: O objeto material da conduta é embarcação


ou aeronave, não importando o tamanho. Se o veículo for automotor
terrestre, ficará configurado o crime de trânsito.

O autor deverá estar sob efeito de droga. Caso esteja sob efeito de
álcool poderá caracterizar uma das contravenções previstas nos arts. 34
e 35 da LCP.

- Trata-se de crime de perigo concreto, ou seja, deverá ficar provado


que, além de estar sob efeito de droga, o autor colocou efetivamente
a vida de pessoas em risco, caracterizada, comumente, pela
condução imprudente e/ou irregular do aparelho náutico/aéreo.
- Consumação e tentativa: Consuma-se no momento em que o agente
inicia a condução anormal da aeronave ou embarcação.

Tentativa: NÃO é admitida.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA (Artigo 40)

- Incisos I e V: Não é preciso que a droga efetivamente saia do país,


bastando ficar provado que a substância era destinada à exportação.
Evidentemente que no caso da importação, há de se provar a origem
internacional da droga. O mesmo raciocínio vale para o tráfico
interestadual. Em ambos os casos a competência será da Justiça
Federal.

- Inciso III: O STJ já decidiu que o rol deste inciso é meramente


exemplificativo, pois o objetivo da lei é proteger espaços que
promovam a aglomeração de pessoas, circunstância que facilita a ação
criminosa.

O mesmo Tribunal também já decidiu que não é necessário que o


agente vise a mercância com os usuários destes estabelecimentos. O
conceito de “nas imediações” deve ser interpretado de acordo com o caso
concreto, mas nunca extrapolando o conceito de “nas
proximidades”.

No caso de estabelecimentos penais, a Jurisprudência admite a


incidência da majorante quando o autor é um detento. No caso de
transportes públicos, a Jurisprudência exige que a comercialização
se dê no local, não caracterizando a mero transporte da droga através
deste meio de transporte.

- Inciso IV: Há divergência quanto à possibilidade de concursode crimes


quando há o emprego de arma. Entendemos não ser possível, pois haveria
um bis in idem. Quem defende posição contrária fundamenta que
os bens jurídicos tutelados são diferentes.
Entretanto, é pacífico o entendimento de que para caracterizar esta
majorante, se faz necessário o efetivo emprego da arma durante o tráfico,
não bastando o traficante ser encontrado na posse de armamento, situação
em que haverá o concurso de crimes.

ARTIGO 41 – DELAÇÃO PREMIADA

- Neste caso a delação deverá ser voluntária (não confundir com


espontânea, ou seja, pode ser provocada pela autoridade pública),
exigindo-se que as informações passadas pelo agente
efetivamente impliquem a identificação dos demais envolvidos no crime,
bem como a recuperação de algum produto do delito (bens comprados
pelos traficantes com o lucro obtido com a venda ou recebidos
como forma de pagamento). Embora não haja previsão legal,
entendemos que se a delação não conseguir recuperar produto do
delito, mas a droga em si, o colaborador fará jus ao benefício
aplicando-se a analogia em bonam partem.

Quanto maior a colaboração, maior será a redução da pena pelo juiz.

- Embora o artigo 44 preveja que os crimes previstos nos arts. 33 a 37


sejam inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e
liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas
de direitos, o STF já decidiu que a impossibilidade de liberdade
provisória é inconstitucional.

ARTIGOS 45 e 46: CAUSAS DE ISENÇÃO E REDUÇÃO DE

PENA

- Art. 45: “É ISENTO DE PENA (causa extintiva da punibilidade)


agente que, em razão da dependência, ou sob efeito, proveniente de
caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou
omissão, qualquer que seja a infração penal praticada, inteiramente incapaz
de entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com esse
entendimento”.
§ único: Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que
este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições
referidas no caput deste artigo, poderá determinar o Juiz, na
sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado.

- “Art. 46: As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por
força das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento”.

APELAÇÃO - TRÁFICO DE DROGAS - DEPENDÊNCIA -


COMPROVAÇÃO - ABSOLVIÇÃO - DETERMINAÇÃO DE TRATAMENTO
MÉDICO ESPECIALIZADO. Comprovada por perícia a dependência do
acusado e sua incapacidade de autodeterminação em face da patologia,
deve o réu ser absolvido da acusação de tráfico de drogas com
encaminhamento para tratamento médico especializado, tudo na
forma do art. 45 da Lei 11343/06.(TJMG. Proc.1.0702.08.421958-
4/001 (1) Relator: Des. Alexandre Victor de Carvalho DJ 31/03/2009)

- Destruição das drogas:

Será feita pelo Delegado de Polícia, por incineração, na presença de


membro do Ministério Público e da autoridade sanitária, no prazo de
15 dias se houve prisão em flagrante, ou 30 dias nos demais casos.

Em ambos os casos, a Autoridade Policial deverá resguardar amostra


para realização do laudo definitivo.

- Os prazos do IP é diferenciado:

30 dias para réu preso e 90 dias para réu solto, nos termos do art. 51.

- O art. 53 prevê dois mecanismos de investigação, que requerem


autorização judicial:

1) Infiltração de agente
2) Flagrante retardado ou postergado.

LEI 9.503/1997 – CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO

Conceito de veículo automotor – Anexo I da própria lei: “todo veículo a


motor de propulsão que circule por seus próprios meios, e que serve
normalmente para o transporte viário de pessoas e coisas, ou para a
tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e
coisas. O termo compreende os veículos conectados a uma linha elétrica e
que não circulam sobre trilhos (ônibus elétrico)”.

QUESTÃO DA EXPRESSÃO “VIA PÚBLICA”

- Art. 2º São vias terrestres urbanas e rurais as ruas, as avenidas,


os logradouros, os caminhos, as passagens, as estradas e as rodovias,
que terão seu uso regulamentado pelo órgão ou entidade com
circunscrição sobre elas, de acordo com as peculiaridades locais e as
circunstâncias especiais.

Parágrafo único: Para os efeitos deste Código, são consideradas vias


terrestres as praias abertas à circulação pública, as vias internas
pertencentes aos condomínios constituídos por unidades autônomas e
as vias e áreas de estacionamento de estabelecimentos privados
de uso coletivo.

- Para fins penais, só será utilizado o conceito acima se o tipo penal


prever a expressão “via pública”. Caso seja silente, caracterizará o
delito ainda que a conduta tenha sido praticada em qualquer lugar.

EFEITO EXTRAPENAL DOS CRIMES DE TRÂNSITO

- Art. 160, CTB: “O condutor condenado por delito de trânsito deverá ser
submetido a novos exames para que possa voltar a dirigir, de acordo com
as normas estabelecidas pelo CONTRAN, independentemente do
reconhecimento da prescrição, em face da pena concretizada na sentença”.
ARTS. 292 e 293 – SUSPENSÃO DA CNH OU PROIBIÇÃO DE SE
HABILITAR COMO EFEITO SECUNDÁRIO DA CONDENACÃO CRIMINAL

- Na condenação por crime de trânsito, o juiz poderá determinar


ainda a suspensão do direito de dirigir do condenado, ou a
proibição do condenado de realizar processo de habilitação.

- Tal condenação terá prazo de dois meses a cinco anos e não


começará a fluir enquanto o condenado estiver recolhido em
estabelecimento prisional.

- O art. 293 §1° ainda determina que o condenado tem 48 horas,


contadas do trânsito em julgado da condenação, para entregar a CNH ao
Juízo, se for habilitado.

MULTA REPARATÓRIA

Artigo 297 do CTB: A penalidade de multa reparatória consiste no


pagamento, mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus
sucessores, de quantia calculada com base no disposto no § 1º do art. 49 do
Código Penal, sempre que houver prejuízo material resultante do crime.

- Não confundir com a pena de multa. A multa reparatória é efeito


secundário da condenação, tem condão indenizatório e não é
automático, devendo o Juiz, expressamente na sentença, fixar o valor.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA GENÉRICAS

Art. 298. São circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos


crimes de trânsito ter o condutor do veículo cometido a infração:

I - com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de
grave dano patrimonial a terceiros;

II - utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas;

III - sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;


IV - com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria
diferente da do veículo;

V - quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o


transporte de passageiros ou de carga;

VI - utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos


ou características que afetem a sua segurança ou o seu
funcionamento de acordo com os limites de velocidade prescritos nas
especificações do fabricante;

VII - sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a


pedestres.

PRISÃO EM FLAGRANTE E FIANÇA

Art. 301 — Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de


que resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se
exigirá fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela.

- Regra absoluta, aplicando-se até nos casos de homicídio culposo com


agente embriagado.

HOMICÍDIO CULPOSO DA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR – ART.


302

- Qualquer infração de trânsito já é suficiente para caracterizar o elemento


normativo “culpa” exigido pelo tipo penal. Mas, obviamente, condutas
legais do ponto de vista da legislação também podem caracterizar a culpa.

- Culpa recíproca: Autor responde, já que não há compensação de culpas


no Direito Penal.

- Culpa exclusiva da vítima: Evidentemente não há


responsabilidade do condutor.

- Culpa concorrente: Ambos os agentes responderão pelo crime.


- A expressão “na direção de veículo automotor” prevista no tipo
penal exclui do alcance do tipo em estudo situações que, embora
tenham ocorrido no trânsito, não tiveram como causador o condutor do
veículo.

Ex: Passageiro que abre a porta do veículo sem as devidas cautelas e


acerta motociclista, que acaba morrendo. Há neste caso um crime de
homicídio culposo previsto no art. 121 do CP.

- Consumação e tentativa:

Consuma-se no momento da morte da vítima.

Como qualquer outro crime culposo, a tentativa não é admitida.

- É possível a aplicação do perdão judicial previsto no art. 121 §5⁰ do CP,


relembrando que o instituto é de natureza personalíssima, logo não se
estende a eventuais coautores.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA - §1⁰

I – Quando o agente não possuir permissão para dirigir ou CNH.


Afasta-se a incidência do artigo 309 do CTB. É o chamado crime
complexo.

II – Quando o crime foi praticado em faixa de pedestres ou na calçada

III – Quando o autor deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem
risco pessoal, à vítima do acidente;

Caso o agente não possua condições de efetuar o socorro ou quando


também ficou lesionado no acidente de forma a não poder ajudar a vítima,
obviamente não terá aplicação o dispositivo, que também não será
aplicado se a vítima for, de imediato, socorrida por terceira pessoa (e
o agente presenciar tal fato). Da mesma forma que no inciso I, afasta
a incidência do crime autônomo.

IV – Quando o autor no exercício de sua profissão ou atividade,


estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.
HOMICÍDIO CULPOSO QUALIFICADO - §3⁰

Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou


de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência.

Pena: De cinco a oito anos de reclusão.

ART. 303 – LESÃO CORPORAL CULPOSA NA DIREÇÃO DE VEÍCULO


AUTOMOTOR

- Tipo penal aplica-se a qualquer lesão, independente da gravidade,


que será usada como circunstância judicial para fixação da pena-base.

- Crime de ação penal pública condicionada à representação, exceto se o


agente estiver:

1) embriagado,

2) participando de racha e,

3) trafegando acima da velocidade permitida em mais de 50 Km/h (art. 291


§1º).

Nestas hipóteses, ainda não será possível a composição dos danos civis e o
oferecimento da transação penal, muito embora seja uma infração de menor
potencial ofensivo.

- As causas de aumento de pena previstas para o homicídio culposo,


também aplicam-se à LC culposa.

- Também é cabível a concessão do perdão judicial previsto no CP.

- Consumação e tentativa:

Consuma-se no momento em que a vítima é lesionada.

Não cabe tentativa.


ART. 304 - OMISSÃO DE SOCORRO

- Delito omissivo puro. A lei descreve duas condutas típicas


consistentes em não fazer algo:

a) deixar de prestar imediato socorro à vítima: somente se aplica


quando o auxílio pode ser prestado diretamente pelo agente que,
todavia, prefere se omitir;

b) deixar de solicitar auxílio à autoridade pública: quando, por


justa causa, não for viável o socorro direto pelo agente e ele, podendo
solicitar ajuda das autoridades, omite-se.

- Sujeito ativo: Somente os motoristas envolvidos no acidente que não


agiram com culpa, já que os condutores culpados respondem por homicídio
ou lesão corporal culposa com a causa de aumento de pena. Se forem
outros motoristas que passavam pelo local ou quaisquer outras pessoas que
estejam no local, será a omissão de socorro do art. 135 do Código Penal.

- §único: Só se aplica quando a ajuda de terceiros é


desconhecida pelo agente.

No caso de morte instantânea, trata-se de conduta inócua, já que o


socorro mostrou-se irrelevante para proteger a vida. Quanto aos
ferimentos leves, a análise é subjetiva, já que pequenos ferimentos
não necessitam de socorro algum (ex. Arranhões, pequenos cortes sem
gravidade).

- Consumação e tentativa:

Consuma-se no momento da omissão.

Como qualquer crime omissivo próprio, não cabe tentativa.

ART. 305 - FUGA DO LOCAL DE ACIDENTE


- Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente,
para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

- Elemento subjetivo específico: Subtrair-se à ação da justiça e não ser


responsabilizado civil e/ou penalmente. Busca o autor não ser
identificado.

OBS: Pessoa envolvida em acidente que se identifica e logo após


deixa o local afirmando que não aguardará a chegada dos agentes
públicos, NÃO comete o crime.

- Consumação: Com o efetivo afastamento do local, ainda que o autor


seja identificado.

- Tentativa: Possível.

- Haverá concurso material se o agente comete um crime de trânsito e foge


logo em seguida visando não ser identificado.

ART. 306 - EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

- Elemento objetivo do tipo: Conduzir veículo automotor (ou seja,


exige-se que o veículo esteja em movimento - se estiver com o veículo
estacionado, ainda que ligado, não configurará o crime - com capacidade
psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra
substância psicoativa que determine dependência (não basta estar sob
efeito de álcool e/ou drogas, tem que ficar comprovada a alteração de
capacidade psicomotora, que é a “a falta na coordenação entre
psiquismo e motricidade”).

- O §1° prevê que apura-se alteração da capacidade psicomotora


através:

I – Quando constatar-se concentração igual ou superior a 6


decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3
miligrama de álcool por litro de ar alveolar (nos termos da resolução
ONTRAN o resultado no etilômetro deve ser acima de 0,34 mg/l).

Lembrando que em virtude do princípio do nemo tenetur se detegere,


ninguém pode ser compelido a realizar exame laboratorial (sangue)
ou teste do etilômetro.

Este inciso tem legalidade duvidosa, pois faz uma presunção absoluta
e que qualquer pessoa que está com concentração de álcool acima dos
limites mencionados está com a capacidade psicomotora alterada,
desprezando a individualidade biológica de cada um.

II - Sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran,


alteração da capacidade psicomotora.

- Sinais previstos na Resolução 432/2013:

a. Quanto à aparência, se o condutor apresenta:

i. Sonolência;

ii. Olhos vermelhos;

iii. Vômito;

iv. Soluços;

v. Desordem nas vestes;

vi. Odor de álcool no hálito.

b. Quanto à atitude, se o condutor apresenta:

i. Agressividade;

ii. Arrogância;

iii. Exaltação;

iv. Ironia;
v. Falante;

vi. Dispersão.

c. Quanto à orientação, se o condutor:

i. sabe onde está;

ii. sabe a data e a hora.

d. Quanto à memória, se o condutor:

i. sabe seu endereço;

ii. lembra dos atos cometidos;

e. Quanto à capacidade motora e verbal, se o condutor


apresenta:

i. Dificuldade no equilíbrio;

ii. Fala alterada;

§2° - Prevê que a alteração da capacidade psicomotora poderá ser provada,


além dos exames laboratoriais, clínicos e do etilômetro, por
qualquer meio em direito admitido, principalmente prova
testemunhal e de vídeo, sendo sempre garantida ao investigado o direito à
contraprova.

- Consumação: No momento que a pessoa que encontra-se com a


capacidade psicomotora alterada em razão da ingestão de
álcool/droga conduz veículo, sem exigir nenhuma consequência mais
grave, pois é crime de perigo abstrato.

- Tentativa: Não.

ART. 307 - VIOLAÇÃO DA SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO IMPOSTA


- Sujeito ativo: Crime próprio. Só pode ser praticado por aquele que
está com seu direito de dirigir suspenso ou proibido de se habilitar
para conduzir veículo automotor e mesmo assim acaba dirigindo.

- Elemento objetivo do tipo: Nos termos do Informativo


41/STJ, para configuração do delito, a suspensão/proibição deverá ter
sido imposta judicialmente. Caso a penalidade tenha sido imposta
administrativamente (como, p.ex., ela autoridade de trânsito), não ficará
configurado o delito.

- Consumação: Com a simples condução de veículo estando com sua


habilitação suspensa ou proibido de fazer o processo para habilitar-
se. É crime de perigo abstrato.

- Tentativa: Não é possível.

- § único: Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar,


no prazo estabelecido no §1° do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a
Carteira de Habilitação.

Tal prazo é de 48 horas após ser notificado a fazê-lo, em virtude de


condenação judicial por crime de trânsito.

DIFERENÇA ENTRE SUSPENSÃO E CASSAÇÃO DO DIREITO


DE DIRIGIR.

- A suspensão está prevista no artigo 261 e será imposta:

a) Sempre que o infrator atingir a pontuação prevista na


legislação, no período de 12 (doze) meses, conforme a pontuação
prevista no art. 259, e

b) Por transgressão às normas estabelecidas neste Código, cujas


infrações preveem, de forma específica, a penalidade de suspensão
do direito de dirigir.

- Segundo o art. 261 §2°: “Quando ocorrer a suspensão do direito


de dirigir, a Carteira Nacional de Habilitação será devolvida a seu
titular imediatamente após cumprida a penalidade e o curso de
reciclagem”.

- Já a cassação está prevista no art. 263 e será imposta


quando:

a) quando, suspenso o direito de dirigir, o infrator conduzir qualquer


veículo,

b) no caso de reincidência, no prazo de doze meses, das infrações


previstas no inciso III do art. 162 e nos arts. 163, 164, 165, 173,
174 e 175 e,

c) quando condenado judicialmente por delito de trânsito.

- Nos termos do art. 263 §2° do CTB: “Decorridos dois anos da cassação da
Carteira Nacional de Habilitação, o infrator poderá requerer sua
reabilitação, submetendo-se a todos os exames necessários à habilitação,
na forma estabelecida pelo CONTRAN”.

ART. 308 - PARTICIPAÇÃO EM COMPETIÇÃO NÃO AUTORIZADA

- Elementos objetivos do tipo: A conduta típica é participar de


competição não autorizada, que pressupõe que o agente se envolva, tome
parte na disputa, estando na direção de veículo automotor. Outros
personagens envolvidos na competição ilegal podem ser incursos como
partícipes.

O tipo penal exige outros três requisitos:

a) Que a competição ocorra na via pública;

b) Que não haja autorização das autoridades competentes para sua


realização;

c) Que a disputa provoque dano potencial à incolumidade pública ou


privada (devendo este risco potencial ser provado pela acusação).
- Consumação: No momento em que se inicia a competição não
autorizada.

- Tentativa: Não é admitida.

- Crimes qualificados pelo resultado: §§2° e 3°:

Caso, em decorrência da competição não autorizada, haja lesão


corporal de natureza grave (assim definida nos termos do art. 129 do CP) ou
morte.

Atenção que estas figuras qualificadas são preterdolosas, ou seja, o


resultado mais grave é obtido a título de culpa.

Caso fique configurado o dolo (muito provavelmente o dolo eventual),


o agente irá responder nos termos do Código Penal, conforme o caso.

ART. 309 - DIREÇÃO DE VEÍCULO SEM HABILITAÇÃO OU PERMISSÃO


OU COM O DIREITO DE DIRIGIR CASSADO

- Elementos objetivos do tipo:

É necessário que o fato ocorra em via pública.

- É crime de perigo concreto. Assim, deve ficar demonstrado que a


condução do não habilitado provocou perigo à segurança viária,
conduzindo o veículo de forma anormal, irregular, de modo a
atingir negativamente o nível de segurança de trânsito.

- Sujeito ativo: É crime de mão própria, pois só pode ser praticado


por aquele que nunca foi habilitado, aquele que é habilitado em categoria
diferente do veículo que conduzia ou que teve seu habilitação cassada
(não confundir com habilitação suspensa).

Pessoas que não portavam a habilitação ou estão com a habilitação


vencida, ainda que há muito anos, cometem apenas infração
administrativa.

- Consumação: No momento que o agente dirige o veículo de forma


irregular.
- Tentativa: Inadmissível.

- Concurso de crimes: Impossível, já que não ser habilitado é agravante


genérica de todos os crimes de trânsito, nos termos do art. 298, III e IV
do CTB ou é causa de aumento de pena nos crimes de lesão corporal e
homicídio culposo.

- Art. 32 da Lei das Contravenções Penais foi revogado


tacitamente – Súmula 720 do STF: “O art. 309 do Código de
Trânsito Brasileiro, que reclama decorra do fato perigo de dano, derrogou o
art. 32 da Lei das Contravenções Penais no tocante à direção sem
habilitação em vias terrestres”.

OBS: O art. 141 da Lei n. 9.503/97 estabelece que, para os


ciclomotores, exige-se autorização para dirigir, e não
habilitação, sendo que ciclomotor é todo veículo de duas ou três
rodas, provido de um motor de combustão interna, cuja cilindrada não
exceda a cinquenta centímetros cúbicos e cuja velocidade máxima não
exceda a cinquenta quilômetros por hora, logo quem conduz
ciclomotor sem ser autorizado NÃO pratica o crime em comento por
ausência de previsão legal.

ART. 310 - ENTREGA DE VEÍCULO A PESSOA NÃO HABILITADA

- Elementos objetivos do tipo:

São núcleos do tipo os verbos entregar (passar o veículo às mãos ou


à posse de alguém), permitir e confiar, (o agente expressa ou
tacitamente consente no uso do veículo).

O crime pode ser cometido por ação ou omissão.

Exige-se ainda que a pessoa que conduziu o veículo encontre-se em uma


das condições abaixo:

a) pessoa não habilitada.

b) pessoa com habilitação cassada ou direito de dirigir suspenso;


c) pessoa que por seu estado de saúde física ou mental não esteja em
condições de dirigir com segurança, inclusive quem esteja embriagado;

- Consumação: É crime de perigo abstrato. Consuma-se no momento


que que, após ter recebido o veículo do agente, ou a permissão para usá-
lo, o terceiro coloca o veículo em movimento, não se exigindo
comprovação de perigo a segurança viária neste caso.

- Tentativa: Possível o seu reconhecimento se o terceiro for impedido


de dirigir em momento imediatamente anterior àquele em que iria
colocar o veículo em movimento.

ART. 311 - EXCESSO DE VELOCIDADE EM DETERMINADOS LOCAIS

- Elementos objetivos do tipo: Imprimir velocidade


incompatível com a segurança do local. A velocidade compatível é
aquela prevista na sinalização ou na legislação de trânsito conforme o tipo
de via. A prova do excesso de velocidade pode ser feita por radares, por
testemunhos ou outros meios.

Exige-se ainda que o fato ocorra nas proximidades de logradouros


estreitos ou onde haja grande movimentação ou concentração de
pessoas, como, por exemplo, hospitais, escolas, estações de embarque
ou desembarque (rodoviárias, estações de trem ou metrô, pontos de ônibus,
trólebus etc.).

A expressão “proximidades” deve ser interpretada de forma restrita.

- Consumação: É crime de perigo concreto. Consuma-se no momento que


o agente conduz o veículo por um dos locais protegidos pela lei, imprimindo
velocidade incompatível com a segurança, gerando com essa conduta
perigo de dano. Logo dirigir em alta velocidade próximo a uma escola,
p.ex., durante a madrugada não configura o crime pois não há
exposição de ninguém a perigo concreto.

- Tentativa: Não é admitida.


- Quando o excesso de velocidade gera resultado material (lesão
corporal/morte), esta conduta fica absorvida pelo crime mais grave.

- Demais condutas, que não o excesso de velocidade,


caracterizam a Contravenção Penal de Direção Perigosa, prevista no art.
34 da LCP.

ART. 312 - FRAUDE NO PROCESSO APURATÓRIO

- Elementos objetivos do tipo:

Exige-se a ocorrência de acidente de trânsito com vítima. O autor modifica o


estado do lugar, de coisa ou de pessoa com o intuito de enganar policiais,
peritos ou o juiz. O objetivo final do autor deste crime é evitar a sua
punição ou a de terceiro causador do evento.

- Considerado crime especial em relação ao delito de fraude processual,


previsto no art. 347 do CP.

- Consumação: No momento em que o agente altera o estado do lugar,


coisa ou pessoa, ainda que não atinja sua finalidade de enganar as
autoridades ou o perito.

- Tentativa: Possível.

- Embora a doutrina majoritariamente entenda que o culpado pelo


acidente com vítima pode ser autor do delito em comento,
entendemos que esta possibilidade violaria o princípio do nemo
tenetur se detegere.

Caso adote-se a posição de que o autor do crime anterior pode praticar o


delito ora estudado, haverá concurso material entre os crimes.

ESTATUTO DO DESARMAMENTO – LEI 10.826/2003


- Conceito de arma de fogo: Instrumentos que, mediante a utilização
da energia proveniente da pólvora, lançam a distância e com grande
velocidade os projéteis

- Conceito de munição: Munição é tudo quanto dê capacidade de


funcionamento à arma, para carga ou disparo (projéteis, cartuchos,
chumbo, etc).

- Conceito de acessório: Acessório é aquilo que não integra a arma de fogo,


mas que a ela está relacionado por ter alguma utilidade. Ex: Os
dispositivos óticos de pontaria com aumento menor do que seis
vezes e diâmetro da objetiva menor do que 36 mm.

ARTIGO 12 – POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO


PERMITIDO

- A pessoa interessada na aquisição de arma de fogo deve


preencher os requisitos previstos no art. 4º do Estatuto e no artigo
12 do Decreto 9.847/2019:

1) Comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões


negativas de antecedentes criminais fornecidas pelas Justiças Federal,
Estadual, Militar e Eleitoral, bem como comprovação de não estar
respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, que
poderão ser fornecidas por meios eletrônicos.

2) Apresentação de documento comprobatório de ocupação lícita e de


residência certa.

3) Comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o


manuseio de arma de fogo.

4) Ter mais de 25 anos, exceto no caso de pessoas que tem o porte


em razão da função pública exercida.

O SINARM, órgão dentro da estrutura da Polícia Federal, expedirá


autorização para a compra da arma, em nome do requerente e para a arma
indicada.
- Efetuada a aquisição, o interessado deverá observar a regra do art. 3º do
Estatuto, que estabelece a obrigatoriedade do registro da arma de fogo
no órgão competente, que será realizado pela Polícia Federal.

Tal registro autoriza o seu proprietário a mantê-la


exclusivamente no interior de sua residência ou
dependência desta, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que
seja ele o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou
empresa.

- Assim, o artigo 12 tipifica a pessoa que mantém, em sua residência


ou local de trabalho, desde que seja o titular ou responsável legal,
arma de fogo de uso permitido, munição ou acessório destas, sem o
preenchimento dos requisitos acima.

- O rol de armas de uso permitido, restrito e proibido encontram-se listadas


no art. 3º do Anexo I do Decreto 10.030/2019

- Consumação:

No momento em que a arma entra na residência ou


estabelecimento comercial. Trata-se de crime permanente. Este crime é
de perigo abstrato.

- Tentativa: Possível.

- Hipótese de extinção da punibilidade:

Art. 32 - Os possuidores e proprietários de arma de fogo poderão


entregá-la, espontaneamente, mediante recibo, e, presumindo-se de
boa-fé, serão indenizados, na forma do regulamento, ficando extinta
a punibilidade de eventual posse irregular da referida arma.

OBS 1: O art. 12 §11 do Decreto 9.847/2019, estabelece que o registro


deve ser renovado a cada dez anos. Entretanto, a Jurisprudência fixou
entendimento que armas com o registro vencido não tipificam o delito
em estudo, sendo apenas mera irregularidade administrativa. (STJ — AP
686/AP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em
21/10/2015).
OBS 2: Resp 1.710.320/RJ – Julgado em 03/05/2018. “RECURSO
ESPECIAL. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO. CRIME DE PERIGO
ABSTRATO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. PEQUENA QUANTIDADE
MUNIÇÃO DESACOMPANHADA DE ARMA DE FOGO”. “O Supremo
Tribunal Federal, em recente julgado, analisando as circunstâncias
do caso concreto, reconheceu ser possível aplicar a bagatela na
hipótese de apreensão de apenas uma munição de uso permitido
desacompanhada de arma de fogo, tendo concluído pela total
inexistência de perigo à incolumidade pública (RHC
143.449/MS, Rel. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, SEGUNDA
Turma, DJe 9/10/2017). Hipótese em que, embora formalmente típica,
a conduta de possuir apenas duas munições destituídas de
potencialidade lesiva, desacompanhadas de armamento capaz de
deflagrá-las, não enseja perigo de lesão ou probabilidade de dano aos
bens jurídicos tutelados, permitindo-se o reconhecimento da atipicidade
material da conduta”.

ART. 13: OMISSÃO DE CAUTELA

- Trata-se de crime culposo, na modalidade negligência e omissivo


próprio.

- Se o agente negligente não possuir registro da arma, haverá concurso de


crimes.

- Consumação:

No momento que algum menor ou doente mental efetivamente se apodere


da arma.

- Tentativa: Não é possível.

OBS: A omissão de cautela em relação a munição ou acessório


não está prevista no tipo penal. Logo são consideradas condutas
atípicas, já que a analogia in malam partem não é admitida no Direito
Penal.
OBS 2: Lembre que este tipo penal exige que tenha havido uma
negligência do autor. Assim, se ele tomou todas as cautelas
necessárias, e mesmo assim um menor ou deficiente mental
apoderou-se da arma, o fato será atípico.

§ único: Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável


de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de
registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda,
furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou
munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas
depois de ocorrido o fato.

- Neste caso, a conduta também é omissiva. O texto possui uma


impropriedade, pois o prazo de 24 horas deve ser contado a partir da
ciência da perda/extravio, furto ou roubo e não do momento do fato,
para que fique configurada a negligência.

ARTIGO 14: PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO

- A autorização para o porte de arma está regulado pelo art. 10


do Estatuto: A autorização para o porte de arma de fogo de uso
permitido, em todo o território nacional, é de competência da Polícia Federal
e somente será concedida após autorização do Sinarm.

§ 1o A autorização prevista neste artigo poderá ser concedida com


eficácia temporária e territorial limitada, nos termos de atos
regulamentares, e dependerá de o requerente: I – demonstrar a sua efetiva
necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à
sua integridade física; II – atender às exigências previstas no art. 4o
desta Lei (os mesmos para registrar a arma); III – apresentar documentação
de propriedade de arma de fogo, bem como o seu devido registro no
órgão competente.

§ 2o A autorização de porte de arma de fogo, prevista neste artigo,


perderá automaticamente sua eficácia caso o portador dela seja detido
ou abordado em estado de embriaguez ou sob efeito de substâncias
químicas ou alucinógenas.
- Não se esquecer que há casos que, em razão da função pública
exercida, não há necessidade de autorização da Polícia Federal para
portar arma de fogo. Ex: Integrantes das forças armadas, dos órgãos
de segurança pública, magistrados, membros do Ministério Público.

Entretanto, mesmo estes, caso queiram ter uma arma particular,


devem registrá-la junto ao Sinarm.

- A jurisprudência fixou entendimento de que o porte


concomitante de mais de uma arma de fogo caracteriza situação única
de risco à coletividade, e, assim, o agente só responde por um delito,
não se aplicando a regra do concurso formal. O juiz, todavia, pode
levar em conta a quantidade de armas na fixação da pena-base

- Se uma das armas for de uso proibido e a outra, de uso


permitido, configura-se o crime mais grave.

- Para caracterização do delito deve ficar demonstrada a potencialidade


lesiva da arma, através de perícia.

Assim, pode-se afirmar que não há crime no porte de armas obsoletas


ou quebradas, desde que o defeito torne-as
totalmente incapazes de realizar disparos.

Por outro lado, armas desmuniciadas configuram o delito. Já armas de


brinquedo ou simulacros são fatos atípicos, pois sequer são consideradas
armas de fogo, muito embora o art. 26 vede “a fabricação, a venda, a
comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de
armas de fogo, que com estas se possam confundir”, excetuando-se as
réplicas e os simulacros destinados à instrução, ao adestramento, ou
à coleção de usuário autorizado, nas condições fixadas pelo Comando do
Exército.

- Consumação: Com a prática de qualquer dos núcleos do tipo penal.

- Tentativa: Admitida em alguns verbos.

- Concurso com outros crimes: Posição majoritária considera absorvido


o crime de porte ilegal de arma quando a conduta tiver sido realizada única
e exclusivamente como meio para outro crime. Ex: Agente sai de casa
armado com o intuito de praticar um roubo.

- O §único, que previa ser o delito inafiançável, foi julgado


inconstitucional – ADIN 3.112.

ART. 15 – DISPARO DE ARMA DE FOGO

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar


habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a
ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de
outro crime.

- Esse disparo deve ser com munição real. Munição de festim ou similares
não tipificam a conduta por não aumentarem o risco incolumidade pública.

- Não confundir a conduta “acionar munição” com acionar artefato


explosivo, como bombas e dinamites. Neste caso, ficará caracterizado
o delito previsto no art. 16, III do Estatuto.

- O crime exige ainda, para sua configuração, a verificação das seguintes


circunstância de lugar, concomitantemente:

1) Em lugar habitado ou suas adjacências – Lugares onde


residem/estão um grupo de pessoas. Adjacências são as proximidades
destes lugares.

2) Via pública – Qualquer lugar aberto ao público. Também configura


o delito se o autor não estiver na via pública mas disparou em
direção a ela.

- Disparos para o alto – Depende do caso concreto.

- É crime de perigo abstrato.

- Trata-se de crime subsidiário, ou seja, caso o disparo seja meio de


execução para a prática de outro crime, fica por este absorvido.
- Disparo precedido de porte/posse ilegal.

No caso de posse ilegal, seguida de disparo, há dois


posicionamentos. O primeiro sustenta que há concurso de crimes, já o
outro entende que o crime em estudo absorve o crime de posse ilegal.

Já em relação ao porte, posição majoritária entende que o caso


concreto deve ser analisado. Se o porte ilegal foi apenas um meio de
execução do disparo (ou seja, o autor só portou ilegalmente a arma para
ir até a via pública e efetuar o disparo), o porte é absorvido. Mas, se
ficar comprovado que o porte ilegal era o dolo principal do agente, e que o
disparo é uma segundo dolo do agente, fica caracterizado o concurso de
crimes. Esse é o entendimento do STJ.

- Consumação: No momento do disparo.

- Tentativa: Possível, como, por exemplo, o autor aciona o gatilho


mas o disparo não ocorre, exceto quando a arma está quebrada,
situação que caracterizará o crime impossível.

ART. 16: POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO


PROIBIDO

- ATENÇÃO: Quando se tratar de armas de uso restrito ou proibido,


a posse e o porte são tratados pela lei de forma igual, caracterizam o
mesmo tipo penal e são punidos com a mesma pena.

- Também é crime de perigo abstrato, sendo desnecessária a prova de que


alguém tenha efetivamente corrido risco com a conduta. A pena maior se
justifica pela maior potencialidade lesiva das armas de fogo restritas e
proibidas.

- Consumação e tentativa: As mesmas situações dos crimes de porte e


posse de arma de uso permitido.

FIGURAS EQUIPARADAS DO § ÚNICO:


I) Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação
de arma de fogo ou artefato;

II) Modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la


equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de
dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito
ou juiz;

III) possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário,


sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar;

IV) portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo


com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação
raspado, suprimido ou adulterado (ainda que a arma seja de uso
permitido).

V) vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de


fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente (Não
confundir com o crime de Omissão de Cautela previsto no artigo 13);

VI) produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar,


de qualquer forma, munição ou explosivo.

- As penas previstas no caput e no §1° são aplicáveis somente quando a


arma foi de uso restrito. Quando a arma for de uso proibido, será imposta a
pena qualificada prevista no §2°.

ART. 17: COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO:

- O tipo penal prevê que quem utiliza, de qualquer forma, arma, munição
ou acessório, na atividade comercial ou industrial estará incurso nas
penas deste crime.

- §único: Equipara-se à atividade comercial ou industrial qualquer


atividade clandestina ou irregular, ainda que exercida em residência.

- Crime equiparado do §2°: Incorre na mesma pena quem vende ou


entrega arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou
em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente
policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis
de conduta criminal preexistente (hipótese de mitigação da nulidade
do flagrante preparado, assim como já estudado no crime de tráfico).

ART. 18 – TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO:

- Os verbos são importar, exportar e favorecer a entrada ou saída do


território nacional.

- A artigo fala A QUALQUER TÍTULO, ou seja, não há a necessidade


do agente auferir qualquer vantagem com a conduta.

- Figura equiparada do §único: Incorre na mesma pena quem vende ou


entrega arma de fogo, acessório ou munição, em operação de importação,
sem autorização da autoridade competente, a agente policial disfarçado,
quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta
criminal preexistente (mais uma hipótese de mitigação da nulidade do
flagrante preparado).

ARTIGOS 19 E 20 – CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

- Artigo 19: Aumenta a pena em metade quando a arma, munição ou


acessório for de uso restrito ou proibido quando praticadas as condutas
típicas previstas nos crimes de comércio ilegal de arma de fogo e tráfico
internacional de arma de fogo.

- Artigo 20: Também prevê o aumento da pena em metade, quando os


crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disparo de
arma de fogo, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito,
comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma
de fogo foram praticados pelas pessoas listadas nos artigos 6º
(Integrantes das forças armadas, sistema de Segurança Pública,
Guardas Civis, entre outros), 7º (funcionários de empresas de
segurança privada e guarda de valores) e 8º (integrantes de entidades
desportivas), bem como reincidentes específicos (ou seja, que já foram
condenados em definitivo por crime previsto no Estatuto do
Desarmamento).

LEI 8.072/1990 – LEI DOS CRIMES HEDIONDOS


- São considerados crimes hediondos (o rol previsto no art. 1o.
é TAXATIVO – O Brasil utilizou o critério legal):

a) Homicídio: Desde que qualificado ou praticado em atividade típica de


grupo de extermínio (doutrina entende que o grupo deve ter no mínimo 3
integrantes, para evitar confusão com a co-autoria, não sendo ainda
exigida qualquer motivação (religiosa, étnica, etc)), ainda que cometido
por uma só pessoa

b) Lesão corporal gravíssima ou seguida de morte: Desde que praticada


contra membros das Forças Armadas ou Segurança Pública no
exercício do cargo ou EM RAZÃO DELE com contra parente até 3º grau,
também em razão do cargo.

c) Roubo

c.1) Com restrição da liberdade da vítima

c.2) Com emprego de arma de fogo de qualquer espécie

c.3) Com resultado lesão corporal grave ou morte

d) Extorsão

d.1) Com restrição da liberdade da vítima

d.2) Com lesão corporal ou morte

e) Extorsão mediante sequestro em todas as suas formas

f) Estupro e estupro de vulnerável

g) Epidemia com resultado morte

h) Falsificação de produtos destinados a fins terapêuticos ou


medicinais

i) Favorecimento da prostituição de criança, adolescente ou


vulnerável
j) Genocídio

k) Furto com o emprego de explosivo ou artefato análogo que causa


perigo comum

l) Posse ou porte de arma de fogo de uso proibido

m) Comércio ilegal e tráfico internacional de arma de fogo,


acessório ou munição

n) Organização criminosa, quando voltada para a prática de crime


hediondo ou equiparado.

- Os crimes acima serão considerados hediondos tanto na


modalidade consumada quanto na TENTADA

OBS: Nos termos do art. 2o. da Lei 8.072/1990 e art. 5o. XLIII a tortura, o
tráfico de entorpecentes e o terrorismo NÃO são crimes hediondos e
sim crimes ASSEMELHADOS aos hediondos

- Todos os crimes hediondos e assemelhados possuem as


seguintes características:

a) São insuscetíveis de ANISTIA (decorre de lei. O Estado por razões de


política criminal perdoa a prática de determinada infração penal), GRAÇA
e INDULTO (ambos são de competência exclusiva do Presidente
da República e acarretam a extinção da punibilidade. O primeiro é
individual e o segundo é coletivo).

b) A pena será cumprida INICIALMENTE em regime fechado, sendo que a


progressão ocorrerá após o transcurso de 2/5 da pena se primário e 3/5
da pena se reincidente (Não precisa ser reincidência em crime hediondo).

c) A prisão temporária será de até 30 dias (regra geral: 5 dias).

d) A liberdade condicional só poderá ser concedida após o


cumprimento de 2/3 da pena, desde que o condenado não seja
reincidente específico (regra geral: 1/3 primário e ½ reincidente).
JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS – LEI 9.099/1995

- Competência material

Art. 61: Todas as contravenções penais e todos os crimes cuja pena


MÁXIMA não seja superior a 2 anos. São as chamadas INFRAÇÕES PENAIS
DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO.

Obs: Duas exceções à regra acima:

1a.) Lei Maria da Penha – Seu art. 41 proíbe a aplicação da Lei


9.099/95

2a.) Caso de concurso de crimes, seja ele formal, material ou


crime continuado: Quando aplicado o concurso a pena
máxima ultrapassar os dois anos.

- Se pelas regras de conexão e/ou continência houver reunião de processos


perante os Juízos Comum ou do Tribunal do Júri, os crimes que seriam
de competência do JECRIM deverão ter respeitados os institutos da
composição civil e da transação penal.

IMPORTANTE: Regra geral, NÃO se imporá prisão em flagrante ao


autor de infração de menor potencial ofensivo. Será lavrado um Termo
Circunstanciado (TC), com a oitiva de todos os envolvidos e a requisição de
todas as perícias necessárias, sendo enviado o procedimento ao JECRIM.

Única exceção: O TC converte-se em flagrante quando o autor do fato


recusar-se a assinar o termo de compromisso, onde assume a obrigação
de comparecer perante o JECRIM assim que intimado.

- Os processos de competência do JECRIM obedecem o rito


SUMARIÍSIMO, composto de duas fases:

1a.) Fase preliminar ou pré-processual, que vai até antes do


recebimento da denúncia ou queixa-crime e
2a.) Fase processual, que inicia-se com o recebimento de qualquer
das duas.

FASE PRELIMINAR OU PRÉ-PROCESSUAL

1) Realização de audiência preliminar

- Tentativa de composição civil. O ofendido NÃO precisa comprovar


seu prejuízo.

- Proposta de composição civil aceita, há a EXTINÇÃO DO


PROCESSO-CRIME SEM A ANÁLISE DO MÉRITO.

- Faz-se coisa julgada material tanto na esfera penal quanto na esfera civil,
já que o ofendido não poderá ajuizar ação indenizatória pelo mesmo
fato.

- Não havendo composição civil, se o crime for de ação penal condicionada


ou privada, a vítima é questionada sobre seu desejo de representar
criminalmente. Caso não queira, continuará correndo o prazo de seis
meses previsto no CPP.

- Se houver representação ou o crime for de ação penal pública


incondicionada, o MP apresentará proposta de TRANSAÇÃO PENAL,
que é a imposição imediata de pena NÃO privativa de liberdade ou multa.

- Caso o autor do fato aceite a proposta, o processo é extinto SEM


julgamento do mérito, pois a transação não importa em assunção de
culpa, e sim mero acordo com vistas ao encerramento da ação penal.

- Hipóteses em que NÃO poderá ser oferecida a transação penal:

1) Quando o autor já tiver sido condenado, em sentença transitada


em julgado, à pena privativa de liberdade.

2) Quando as circunstâncias judiciais não recomendarem.

3) Quando o autor já tiver sido beneficiado, nos últimos 5 anos, por outra
transação penal.
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO - “SURSIS
PROCESSUAL”

- Previsto no art. 89 da Lei 9.099/1995.

- Possível nos crimes cuja pena mínima seja de até 1 (um) ano,
ainda que não seja infração de menor potencial ofensivo.

- O MP, ao oferecer a denúncia, pode também oferecer a suspensão


condicional do processo.

- Prazo de dois a quatro anos (chamado período de prova).

- Requisitos:

a) O autor do fato não pode estar sendo processado


criminalmente.

b) Não pode ter sido condenado por outro CRIME (ou seja, se tiver sido
condenado por contravenção, pode).

- A proposta de suspensão do processo, assim como a transação


penal deve ser ACEITA pelo Juiz.

- Caso decorra o período de prova sem a revogação do benefício, o


Juiz deverá declarar a EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE do autor do
fato.

OBS: A concessão do benefício obriga o autor do fato a reparar civilmente o


dano causado por sua conduta, exceto se provar a impossibilidade de
fazê-lo.

LEI 9.099/1995

- Institui os Juizados Especiais Criminais (JECRIM)


- Instaura uma nova espécie de jurisdição no processo penal brasileiro, a
jurisdição consensual, em contraponto à tradicional jurisdição conflitiva.

COMPETÊNCIA

- Julgamento das infrações de menor potencial ofensivo, definidas no art.


61 como todas as contravenções penais (independente da pena) e os
crimes cuja pena máxima em abstrato não ultrapasse 2 anos, cominada ou
não com multa.

- Casos especiais sobre competência:

1) No caso da infração penal de menor potencial ofensivo ser conexa ou


tiver continência com outro crime de competência externa ao JECRIM,
o art. 60 determina que o julgamento conjunto ocorrerá perante o juízo
competente para este crime, que poderá aplicar as medidas
despenalizadoras previstas na Lei 9.099/95.

2) O art. 94 do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) prevê que: “Aos


crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima privativa de liberdade não
ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei n°
9.099, de 26 de setembro de 1995”. O STF, ao julgar a ADI 3.096
fixou entendimento que nos crimes cuja pena máxima ultrapasse os
dois anos, mas seja de até 4 anos, aplica-se somente o rito sumaríssimo,
não as medidas despenalizadoras, já que a intenção do legislador era de
permitir um julgamento mais rápido.

3) Réus com foro por prerrogativa de função: A prerrogativa permanece,


mas o Tribunal competente poderá aplicar os institutos despenalizadores.

4) Crimes eleitorais: Competência continua da Justiça Eleitoral,


que poderá aplicar os institutos despenalizadores, exceto quando o
delito prever um sistema punitivo específico, notadamente a perda do
mandato em conjunto com a pena privativa de liberdade.

5) Crimes praticados mediante violência doméstica e/ou familiar contra a


mulher, nos termos da Lei 11.340/2006: Por força do art. 41, não se aplica
nenhum dos institutos previstos na Lei 9.099/95.

CRITÉRIOS ORIENTADORES DO JECRIM


- Previstos no art. 62:

a) Oralidade

b) Simplicidade

c) Informalidade

d) Economia processual

e) Celeridade

PROCEDIMENTO

- Ao tomar conhecimento da prática de infração de menor potencial


ofensivo, a autoridade deverá lavrar um Termo Circunstanciado e, se
possível, encaminhar imediatamente as partes ao JECRIM,
providenciando as requisições de exames necessários.

- Possibilidade de prisão em flagrante:

Nos termos do art. 69 § único, só poderá ser imposta prisão em flagrante a


autor de infração penal de menor potencial ofensivo caso ele não seja
imediatamente conduzido ao JECRIM ou, na impossibilidade, não assumir
o compromisso de comparecer assim que intimado.

- Audiência preliminar.

Devem estar presentes as partes, representadas por advogados

1º) Composição civil dos danos (pode ser presidida por conciliador – Art. 73.

Se aceita gera os seguintes efeitos, constituiu título executivo judicial e:

Crime de ação penal privada – Renúncia ao direito de queixa.

Crime de ação penal pública condicionada à representação – Renúncia ao


direito de representação.
Crime de ação pública incondicionada – Fixa apenas o valor
da indenização cível, não obstando a continuação da persecução penal.

2º) Oferecimento da representação – Art. 75

Ou até mesmo o oferecimento de queixa-crime pelo advogado da vítima.

3º) Transação penal – Art. 76

Trata-se de um acordo, no qual é proposto ao autor do fato a


Imediata aplicação de pena restritiva de direito ou multa, sem
instauração do processo.

Legitimidade:

Ação pública – MP

Ação privada – Querelante (Há posição que entende ser possível


a proposta pelo MP, desde que autorizado pelo querelante).

- A proposta deve ser aceita pelo autor do fato, que deve estar assistido por
advogado.

- O acordo deve ser homologado pelo juiz, que pode negar,


fundamentadamente.

- Efeitos da homologação:

a) Não tem natureza de reconhecimento de culpa.

b) Não gera reincidência.

c) Não gera efeitos civis e/ou administrativos.

d) Não constará de nenhum assentamento público.

- Descumprimento do acordo:
Súmula vinculante 35: “A homologação da transação penal prevista
no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e,
descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior,
possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da
persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de
inquérito policial”.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO (SURSI PROCESSUAL) –


ART. 89

- Instituto despenalizador no qual o MP, ao oferecer a denúncia, já propõe


a suspensão do processo por um determinado tempo, devendo o
beneficiado cumprir algumas condições.

- Contudo, posição doutrinária e jurisprudencial entendem que o


querelante, em ação penal privada, também pode oferecer o benefício
no momento da distribuição da queixa-crime.

- Requisitos:

a) Crime ou contravenção cuja pena mínima não ultrapasse 1 ano


(inclusive delitos que não sejam infrações de menor potencial ofensivo)

b) Não estar o autor sendo processado ou ter sido condenado em


definitivo por outro crime.

c) Não descumprimento anterior de acordo de não persecução penal


previsto no art. 28-A do CPP.

d) A culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a


personalidade do agente, os motivos e circunstâncias do crime
autorizem a concessão do benefício.

e) Não for possível a substituição da pena privativa de liberdade


por pena restritiva de direitos, nos termos do art. 44 do Código Penal.

- A proposta deve ser aceita pelo réu, que deve estar sendo assistido por
advogado.

- Aceita a proposta, o juiz deve homologar o acordo, iniciando-se então o


período de prova, que durará entre 2 e 4 anos (lapso temporal em que o
prazo prescricional ficará suspenso – Art. 89 §6°). Ao final deste
prazo, caso o réu tenha cumprido todas as condições impostas, será
declarada a extinção da sua punibilidade – Art. 89 §5°

- Condições do sursi processual – Art. 89 §1º:

a) Reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo.

b) Proibição de frequentar determinados lugares.

c) Proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do


juiz.

d) Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para


informar e justificar suas atividades.

e) Outras condições que o juiz entender adequadas ao caso concreto e à


situação pessoal do acusado (§2º)

f) Embora não prevista na lei, também considera-se condição implícita a


não instauração de outro processo.

- Causas de revogação do sursi

1) Obrigatórias:

a) Se o réu, durante o período de prova, vier a ser acusado por


outro crime

b) Se o réu não reparar o dano, havendo condições materiais de fazê-lo.

2) Facultativas:

a) Se o réu, durante o período de prova, vier a ser acusado


por contravenção penal.

b) Se o réu descumprir qualquer das condições impostas.

- O órgão jurisdicional revisor será a Turma Recursal, que nos termos do


art. 82 será composta de três Juízes em exercício no primeiro grau
de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

- Recurso de apelação:

a) Sentença de mérito - Art. 82 caput

b) Decisão que homologa ou deixa de homologar a transação penal – Art.


76 §5°

c) Rejeição da peça acusatória (denúncia ou queixa-crime) – Art. 82


caput

Diferenças apelação no JECRIM x apelação no CPP

1) Prazo: 10 dias x 5 dias

2) Forma de interposição: Somente por petição nos autos já


acompanhada das razões x Por petição ou oralmente, sendo que as
razões são apresentadas em peça separada

- Embargos de declaração – Art. 83.

a) Cabimento: Contradição, omissão ou obscuridade da sentença


e/ou acórdão.

b) Prazo: 5 dias contados da ciência da decisão. ED no CPP o prazo é de 2


dias.

c) Forma de interposição: Oralmente ou por petição.

REPRESENTAÇÃO NOS CRIMES DE LESÕES CORPORAIS LEVES E


CULPOSAS.

- Art. 88: “(...) dependerá de representação a ação penal relativa aos


crimes de lesões corporais leves e lesões culposas”.

- Se as lesões forem no contexto de violência doméstica e familiar contra a


mulher, o STF decidiu (ADI 4.424) que ainda que as lesões sejam leves ou
culposas, a ação será pública incondicionada.
EXECUÇÃO PENAL

- Conceito: “Trata-se de fase do processo penal, em que se faz valer o


comando contido na sentença penal condenatória, impondo-se,
efetivamente, a pena privativa de liberdade, a pena restritiva de direitos
ou a pena de multa”.

- Não há necessidade de nova citação do condenado para início da


execução da pena, exceção feita quando tratar-se de pena de multa, já que
o condenado tem ciência da ação penal (uma vez que foi citado no início do
processo para se defender), bem como foi intimado da decisão condenatória,
para, querendo, recorresse.

- Natureza jurídica da execução penal: É considerada atividade


complexa, pois se desenvolve, concomitantemente, nos
planos jurisdicional e administrativo. Jurisdicional pois é o juiz da
execução penal quem regulará a execução da pena, mas a mesma é
cumprida em um estabelecimento administrado pelo Poder Executivo.

- Objetivos da execução penal:

1) Retribuição

2) Prevenção

2.1) Geral

2.2) Específica

3) Ressocialização do condenado

- Garantias processuais mínimas: O art. 2o. da LEP (Lei


7.210/1984) prevê que o processo de execução deve reger- se pelos
dispositivos contidos na própria lei, bem como pelo previsto no CPP, o
que garante ao condenado todos os princípios e direitos previstos ao réu
durante o processo, tais como contraditório, ampla defesa, duplo grau de
jurisdição, direito à prova, o de não produzir prova contra si próprio,
etc.
- Aplicação da LEP ao preso provisório: O art. 2o. parágrafo único prevê
que o preso provisório submete-se às mesmas regras que regem a
execução, tendo, portanto, também direito à execução provisória da pena,
como a detração da pena, a remição da mesma pelo
trabalho/estudo e progressão de regime, ou seja, atualmente admite-
se a execução provisória de pena apenas em benefício do
investigado/réu.

- Desta forma, nos termos do julgamento conjunto das ADC’s 43, 44 e


54, a execução da pena ao condenado em segunda instância é
inconstitucional, sendo a decisão vinculante.

DIREITOS DO PRESO NÃO ATINGIDOS PELA CONDENAÇÃO PENAL:

O art. 5º, inciso XLIX da CF e o art. 38 do CP preveem que o


sentenciado deve conservar todos os direitos não afetados pela
sentença condenatória.

Assim, nos termos do art. 41 da LEP são direitos do preso:

1) Alimentação suficiente e vestuário

2) Atribuição de trabalho e sua remuneração, bem como


previdência social

3) Proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso


e a recreação

4) Exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e


desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena

5) Assistência material, à saúde, jurídica, educacional, religiosa e social.

6) Proteção contra qualquer forma de sensacionalismo

7) Entrevista pessoal e reservada com advogado


8) Visita do cônjuge, companheiro, parentes, amigos em dias
determinados

9) Chamamento nominal

10) Igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da


individualização da pena

11) Audiência especial com o diretor do estabelecimento

12) Representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de


direito

13) Contato com o mundo exterior por meio de correspondências,


leitura e de outros meios de informação que não comprometam a
moral e os bons costumes – O art. 100 parágrafos 1º e 2º do
Decreto 6.049/2007 preveem: “É livre a correspondência,
condicionada a sua expedição e recepção às normas de segurança e
disciplina do estabelecimento penal federal” e “A troca de
correspondência não poderá ser restringida ou suspensa a título de sanção
disciplinar”

14) Recebimento de atestado de pena a cumprir, emitido anualmente,


sob pena de responsabilidade da autoridade judiciária competente

OBS: A visita íntima não é um direito do preso previsto na LEP, mais é


aplicado em diversos estabelecimentos penitenciários pelos
Diretores, como uma forma de inibir a violência sexual dentro dos
presídios. Em 2007 foi editado o Decreto Federal 6.049 que previu, em
seu art. 95 que “A visita íntima tem por finalidade fortalecer as
relações familiares do preso e será regulamentada pelo Ministério da
Justiça”.

O Ministério da Justiça regulou o assunto através da Portaria 718 de 2017.

DIREITOS POLÍTICOS DO CONDENADO:

O art. 15 inciso III da CF prevê a perda ou suspensão dos direitos


políticos em caso de “condenação criminal transitada em julgado,
enquanto durarem seus efeitos”.
Assim, o preso provisório mantém seus direitos políticos, podendo
votar e ser votado, sendo que na prática o direito mostra-se de difícil
execução.

EXAME DE CLASSIFICAÇÃO E A INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA:

Serve para que o juiz da execução penal possa promover a


individualização do cumprimento da pena, analisando a possibilidade
de progressão de regime, e a concessão de outros benefícios como o
livramento condicional e a remição de pena pelo trabalho/estudo.

Divide-se em dois exames:

a) O exame de classificação, mais amplo e genérico, envolvendo


aspectos relacionados à personalidade do condenado, seus
antecedentes, sua vida familiar e social, sua capacidade laborativa
entre outros fatores, aptos a evidenciar o modo pelo qual deve cumprir
sua pena.

b) O exame criminológico, por sua vez, é mais específico, abrangendo


a parte psicológica e psiquiátrica do condenado, analisando sua
maturidade, sua disciplina, capacidade de suportar frustrações e
estabelecer laços afetivos com a família e terceiros, grau de agressividade,
tudo com o objetivo de construir um prognóstico de periculosidade, ou
seja, a possibilidade do condenado voltar a delinquir.

- Na prática ambos os exames são realizados em conjunto e integram


laudo único enviado ao juiz da execução penal.

- Até 2003, era obrigatório no início da execução penal, bem como era
realizado quando da análise da concessão de benefícios ao
condenado, mormente livramento condicional e progressão de regime.

Em 2003, o art. 6o da LEP foi reescrito, sendo que o exame de


classificação só é realizado no momento do início da execução. Tal
mudança legislativa foi duramente criticada pela doutrina e
jurisprudência, sendo o entendimento atual de que embora não seja
mais obrigatório, o juiz da execução poderá se socorrer de novo exame
sempre que entender necessária ao analisar a concessão de benefício ao
réu.

- O exame de classificação e o exame criminológico são realizados por uma


Comissão Técnica de Classificação, que existirá em cada
estabelecimento prisional, será presidida pelo Diretor do local e
composta, no mínimo, por dois chefes de serviço, um psiquiatra, um
psicólogo e um assistente social, conforme previsão do art. 7o “caput”
da LEP.

- A Lei 13.964/2019 (Pacote anticrime) reescreveu o art. 9º-A na


LEP:

“O condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a


pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou
por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à
identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido
desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião
do ingresso no estabelecimento prisional.

§1o: A identificação do perfil genético será armazenada em banco de


dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder
Executivo.

§ 1º-A: A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de


proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da
genética forense

§2o: A autoridade policial poderá requerer ao juiz competente, no caso de


inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de
perfil genético.

§3º: Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos


seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a
todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de
maneira que possa ser contraditado pela defesa.

§4º: O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não
tiver sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do
ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao
procedimento durante o cumprimento da pena.

§8º: Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao


procedimento de identificação do perfil genético.

A doutrina entende que este dispositivo é inconstitucional


(acrescido pelo Pacote Anticrime em 2019), já que fere o direito
fundamental do acusado de não produzir prova contra si próprio – Nemo
tenetur se detegere.

O que se discute, não é a coleta e armazenamento do material em si, mas a


imposição legal para a coleta coercitiva dele. Mesmo os críticos entendem
que o Estado pode coletar e armazenar o material com a autorização
do condenado, ou através de meios não invasivos (coletando através
de um talher utilizado pelo condenado, por exemplo).

DEVERES DO CONDENADO E DO PRESO PROVISÓRIO

Previstos no art. 39 da LEP:

1) Comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença

2) Obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva


relacionar-se

3) Urbanidade e respeito no trato com os demais condenados

4) Conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou


de subversão à ordem ou à disciplina

5) Execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas

6) Submissão à sanção disciplinar imposta

7) Indenização à vítima ou aos seus sucessores – Quando foi possível


fazê-lo.
8) Indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas
com a sua manutenção, mediante desconto proporcional da
remuneração do trabalho

9) Higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento

10) Conservação dos objetos de uso pessoal

11) Trabalho

TRABALHO DO PRESO

- O preso não é obrigado a trabalhar, pois é vedado


constitucionalmente o trabalho forçado, mas se o preso recusar-se a
desenvolver a atividade que lhe foi designada, cometerá falta de
natureza grave, nos termos do art. 50, VI da LEP, sendo que o trabalho,
nos termos do art. 28 “caput” da mesma lei prevê que “o trabalho do
condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá
finalidade educativa e produtiva”

- A jornada de trabalho deverá ser entre 6 e 8 horas diárias, com descanso


aos domingos e feriados.

- Local de trabalho: Se o condenado estiver em regime fechado, o


trabalho deverá ocorrer dentro da penitenciária e somente
excepcionalmente fora, desde que seja em serviços ou obras públicas.
Nos demais regimes o trabalho é externo.

- O trabalho sempre será remunerado e a mesma não pode ser


inferior a três quartos do salário mínimo (art. 29 “caput da LEP), sendo
que esta remuneração será destinada, primordialmente a indenizar os
danos causados pelo delito, assistência da família do preso e ressarcimento
do Estado com a despesas pela manutenção do presídio. O restante
formará um pecúlio que será entregue ao condenado quando ele
for libertado.

FALTAS DO CONDENADO E PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DE FALTA


E IMPOSIÇÃO DE SANÇÃO
- Art. 46 da LEP: Ao adentrar no estabelecimento prisional, o
condenado/preso provisório será cientificado das normas disciplinares
as quais estará sujeito (consideradas transgressões leves e
médias), que são definidas pela legislação local, ou seja,
regulamento do próprio estabelecimento prisional, já que o art. 45
“caput” da LEP prevê o princípio de legalidade, já que “não haverá
falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou
regulamentar”.

- Nos termos do artigo 50, serão consideradas faltas graves,


quando o condenado estiver cumprindo pena privativa de liberdade:

1) Incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou


a disciplina;

2) Fugir;

3) Possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade


física de outrem;

4) Provocar acidente de trabalho;

5) Descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

6) Inobservar o dever de obediência ao servidor e respeito a qualquer


pessoa com quem deva relacionar-se e recusar-se a executar o
trabalho, as tarefas ou as ordens recebidas.

7) tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou


similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o
ambiente externo.

8) Praticar fato definido como crime doloso

9) Recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil


genético.

Já nos termos do artigo 51, serão consideradas faltas graves as


seguintes condutas, quando o condenado estiver cumprindo
pena restritiva de direitos:
1) Descumprir, injustificadamente, a restrição imposta;

2) Retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta;

3) Faltar com obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa


com quem deva relacionar-se;

4) Recusar-se a executar o trabalho, as tarefas ou as ordens recebidas.

- As sanções disciplinares são as seguintes:

1) Advertência

2) Repreensão

3) Suspensão ou restrição de direitos – Não pode ultrapassar trinta dias.

4) Isolamento na própria cela, sendo vedado o emprego de cela escura,


por previsão expressa do art. 45 §§ 1º e 2º da LEP) – Também não pode
ultrapassar trinta dias.

5) Inclusão no RDD – Regime Disciplinar Diferenciado

OBS: As quatro primeiras podem ser impostas pelo Diretor do


estabelecimento prisional. Já a quinta, somente pelo Juiz da Execução
Penal.

As faltas graves geram as punições previstas nos itens 3 a 5.

- Toda sanção disciplinar é precedida de um processo


administrativo em que é assegurada a ampla defesa ao preso (art. 59
da LEP), sendo que a decisão deve ser fundamentada (art. 59 §único da
LEP).

A sanção será informada ao Juiz da Execução, que fará o controle de


legalidade do processo administrativo, podendo anulá-lo ou revê-lo caso
os direitos do preso não tenham sido resguardados ou a decisão seja
contrária às provas coletadas.
OBS: Prevalece hoje na Jurisprudência, inclusive com julgados do STF, de
que o preso deve ser defendido por advogado no processo administrativo
para imposição de sanção disciplinar.

RDD – REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO

- Regime carcerário que só pode ser imposto por decisão judicial, em


procedimento em que será garantida a ampla defesa do preso.
Entretanto, nos termos do art. 60: A autoridade administrativa poderá
decretar o isolamento preventivo do faltoso pelo prazo de até dez dias,
situação que não deve ser confundida com uma espécie de RDD
cautelar.

HIPÓTESES DE CABIMENTO

1) Artigo 52 caput: Quando o preso praticar fato previsto como


crime doloso e ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas

2) Artigo 52 §1°, inciso I: Preso que apresente alto risco para a ordem e a
segurança do estabelecimento penal ou da sociedade.

3) Artigo 52 §1°, inciso II: Preso sob os qual recaiam fundadas suspeitas
de envolvimento ou participação, a qualquer título, em organização
criminosa, associação criminosa ou milícia privada, independentemente da
prática de falta grave.

REGRAS DO RDD: Previstas no artigo 52

I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição


da sanção por nova falta grave de mesma espécie;

II - recolhimento em cela individual, sendo vedada a cela escura, nos


termos do art. 45 §2°;

III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em


instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de
objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado
judicialmente, com duração de 2 (duas) horas.
Nos termos do §6° deste mesmo artigo, a visita será gravada em sistema de
áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada por agente
penitenciário;

Nos termos do §7°, se após os primeiros 6 meses de regime disciplinar


diferenciado, o preso que não receber visita, poderá, após prévio
agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, com uma
pessoa da família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos

IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho
de sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja
contato com presos do mesmo grupo criminoso;

V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em


instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de
objetos, salvo expressa autorização judicial em contrário. Ou seja, com
autorização judicial, até mesmo a conversa do preso com seu advogado
pode ser monitorada (somente em casos excepcionais);

VI - fiscalização do conteúdo da correspondência;

VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por


videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo
ambiente do preso.

- Possibilidade de prorrogação do RDD (Por períodos sucessivos de um


ano):

Quando o preso for incluído por:

1)Apresentar alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento


penal ou da sociedade

2) Recair sobre fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a


qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou
milícia privada, independentemente da prática de falta grave e ainda:

a) Art. 52 §4°, inciso I: Se o preso continuar apresentando alto risco para a


ordem e a segurança do estabelecimento penal de origem ou da
sociedade
b) Art. 52 §4°, inciso II: Mantiver os vínculos com organização criminosa,
associação criminosa ou milícia privada, considerados também o perfil
criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a
operação duradoura do grupo, a superveniência de novos processos
criminais e os resultados do tratamento penitenciário

ESTABELECIMENTOS PENAIS

1) PENITENCIÁRIA:

Abriga condenados à pena de reclusão em regime fechado (art. 87 da LEP).


Prevê ainda que a cela deve ser individual, com dormitório, aparelho
sanitário e lavatório, em local salubre e área mínima de 6m2.

Devem ficar afastadas dos centros urbanos, mas não o suficiente que
impeça ou dificulte o acesso de visitas.

As penitenciárias femininas deverão ter seção para gestantes e


parturientes, sendo garantido o direito de amamentação por no
mínimo 6 meses (art. 83 §2º da LEP) e creche, para crianças entre 6
meses e 7 anos que sejam desamparadas e a mãe esteja presa.

2) COLÔNIA PENAL AGRÍCOLA, INDUSTRIAL OU SIMILAR

Destinadas ao cumprimento do regime semiaberto (reclusão e detenção). Os


alojamentos são coletivos, sempre com salubridade e evitando-se a
superlotação.

3) CASA DO ALBERGADO

Destinada ao cumprimento da pena em regime aberto e a pena restritiva de


direitos de limitação de final de semana. O prédio deve situar-se nos centros
urbanos e sem obstáculos físicos impeditivos da fuga.

Na prática, o que se tem é o PAD – Prisão albergue domiciliar, sendo que o


art. 117 da LEP prevê tal espécie de regime prisional apenas para o
condenado maior de 70 anos, o acometido por doença grave e a de
pessoa que possua filho menor, deficiente físico ou mental ou se for
gestante.
OBS: Os presos provisórios devem ficar separados dos presos
definitivos, sendo que dentre estes deve haver separação entre os
primários e os reincidentes.

OBS 2: Art. 82 §1º da LEP – Maiores de 60 anos devem ter locais especiais
para cumprimento da pena.

PROGRESSÃO DE REGIME

1) Requisito objetivo – Cumprimento da pena – Artigo 112

a) 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime


tiver sido cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça;

b) 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em


crime cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça;

c) 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime
tiver sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça;

d) 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em


crime cometido com violência à pessoa ou grave ameaça – Neste caso,
a doutrina fixou entendimento que a reincidência deve ser específica.

e) 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela


prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário.

f) 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for:

f.1) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com


resultado morte, se for primário.

f.2) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo,


de organização criminosa estruturada para a prática de crime
hediondo ou equiparado.

Neste caso, o art. 2º §9º da Lei 12.850/2013 prevê que o condenado


expressamente em sentença por integrar organização criminosa ou por
crime praticado por meio de organização criminosa não poderá progredir de
regime de cumprimento de pena ou obter livramento condicional ou outros
benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem a
manutenção do vínculo associativo.

f.3) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada;

g) 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente


na prática de crime hediondo ou equiparado;

h) 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime


hediondo ou equiparado com resultado morte.

2) Requisito subjetivo

Comprovação do bom comportamento carcerário, através de


atestado de boa conduta carcerária emitido pelo Diretor do
estabelecimento prisional.

Dependendo das peculiaridades do caso ou se o crime for hediondo, o juiz


poderá determinar a realização de novo exame criminológico, antes de
decidir sobre a concessão do benefício, nos termos da Súmula
Vinculante 29 e da Súmula 439 do STJ.

Progressão de regime para a mulher gestante ou responsável por


crianças/pessoas com deficiência - Artigo 112 §3º (requisitos
cumulativos)

I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;

II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;

III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime


anterior;

IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo


diretor do estabelecimento;
V - não ter integrado organização criminosa.

OBS 1: O STF vem decidindo que o não pagamento da pena de multa, caso
o condenado tenha a possibilidade de fazê-lo, obsta a progressão de regime.

OBS 2: O art. 112 §5º solidificou entendimento jurisprudencial,


prevendo que o tráfico privilegiado, previsto no art. 33 §4º da Lei de Drogas.

OBS 3: Artigo 112 §6º: O cometimento de falta grave durante a execução


da pena privativa de liberdade interrompe o prazo para a obtenção da
progressão, e o reinício da contagem terá como base a pena
remanescente.

Progressão do regime semiaberto para o aberto.

- Condições adicionais previstas nos artigos 113, 114 e 115.

Art. 113. O ingresso do condenado em regime aberto supõe a aceitação de


seu programa e das condições impostas pelo Juiz.

Art. 114. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que:

I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de


fazê-lo imediatamente;

II - apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos


exames a que foi submetido, fundados indícios de que irá
ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime.

Parágrafo único. Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas


no artigo 117 desta Lei – Ou seja, aqueles que fazem jus à prisão albergue
domiciliar.

Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão


de regime aberto, sem prejuízo das seguintes condições gerais e
obrigatórias:

I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e


nos dias de folga;
II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;

III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;

IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades,


quando for determinado.

- STJ e STF adotaram posicionamento no qual a decisão judicial que


determina a progressão do regime fechado para o semiaberto tem natureza
meramente declaratório. Assim, o prazo para concessão da nova
progressão começa a contar não da data da declaração judicial, mas da
data em que nasceu o direito do preso.

VEDAÇÃO DA PROGRESSÃO EM SALTO

- Súmula 491/STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de


regime prisional.

- Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado


não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais
gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no
RE 641.320/RS.

- Quais são os parâmetros fixados no RE 641.320/RS:

1) Saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vaga

2) Liberdade eletronicamente monitorada

3) Cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado


que progride ao regime aberto

OBS 1: Como não há óbice legal, admite-se a progressão de regime daquele


que está em RDD. Contudo, a doutrina entende que antes da
progressão, deve o preso cumprir integralmente o prazo no RDD.

OBS 2: Condenado que se recusa a progredir de regime: Não há


jurisprudência pacífica sobre o tema e a doutrina também se divide.
REGRESSÃO DE REGIME

Possível. Havendo necessidade, o juiz poderá determinar a regressão


per saltum. Assim, o condenado em regime aberto pode ser recolhido
diretamente ao regime fechado.

- Hipóteses:

1) Praticar o condenado fato definido como crime doloso ou falta


grave. Não há necessidade de trânsito em julgado, bastando a
apresentação de prova documental, como. p.ex. o auto de prisão
em flagrante ou a instauração de procedimento administrativo.

2) Sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao


restante da pena em execução, torne incabível o regime atual.

3) Desrespeito às regras do regime atual.

OBS: A doutrina admite a regressão cautelar, neste caso sempre para o


fechado, até que a questão seja definitivamente resolvida, após ampla
defesa do condenado.

SAÍDA TEMPORÁRIA

- A saída temporária será concedida por ato motivado do Juiz da execução,


ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá
da satisfação dos seguintes requisitos:

1) Estar o condenado no regime semiaberto.

2) Comportamento adequado;

3) Cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena, se o condenado


for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente;

4) Compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

- Nos termos do art. 122 §2º, não fará jus ao benefício aquele que estiver
cumprindo pena por praticar crime hediondo com resultado morte.
- Nos termos do art. 124 da LEP, a autorização será concedida por prazo
não superior a 7 dias, podendo ser renovada por mais 4 vezes
durante o ano, ou seja, o preso poderá sair temporariamente por até 5
vezes.

- Nos termos do art. 124 da LEP, ao conceder a saída temporária, o


juiz deverá impor as seguintes condições, além de outras que
entender compatíveis com o benefício:

1) Fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde


poderá ser encontrado durante o gozo do benefício

2) Recolhimento à residência visitada, no período noturno;

3) Proibição de frequentar bares, casas noturnas e


estabelecimentos congêneres.

4) Utilização de equipamento de monitoramento eletrônico, nos termos


do art. 122 §1º.

- Quem está no regime fechado ou semiaberto poderá ainda obter


permissão para sair no caso de (Artigos 120 e 121):

1) Falecimento ou grave enfermidade de cônjuge, companheiro,


ascendente, descendente ou irmão

2) Para tratamento médico.

Neste caso, a concessão é feita pelo Diretor do


estabelecimento e durará o necessário.

- De acordo com o art. 125, o benefício será automaticamente revogado


quando:

1) O condenado praticar fato definido como crime doloso

2) For punido por falta grave


3) Desatender as condições impostas na autorização

4) Revelar baixo grau de aproveitamento do curso.

REMIÇÃO DA PENA

- Resgate (perdão) da pena pelo trabalho ou estudo.

- Trabalho: 3 dias trabalhados x 1 dia de pena. Jornada de 6 a 8 horas com


descanso aos domingos e feriados. Mas para fins de remição, a jornada de
trabalho considerada será de 6 horas. Assim, se o preso trabalhar 8
horas, estas 2 horas extras comporão um outro dia.

- Estudo: 12 horas de estudo x 1 dia de pena, sendo que o curso deve ter
no mínimo 3 dias de duração (4 horas diárias). Caso a carga diária de
estudo seja maior, aplica-se o disposto ao trabalho acima de 6 horas
diárias.

Art. 126 §1º inciso I: Para fins de remição será válido atividade de ensino
fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou
ainda de requalificação profissional.

Art. 126 §2º: As atividades de estudo poderão ser


desenvolvidas de forma presencial ou por metodologia de ensino a
distância e deverão ser certificadas pelas autoridades educacionais
competentes dos cursos frequentados.

Necessidade do estabelecimento de ensino ser reconhecido pela direção


do estabelecimento prisional.

Art. 126 §5o: O tempo a remir em função das horas de estudo será
acrescido de 1/3 (um terço) no caso de conclusão do ensino fundamental,
médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que
certificada pelo órgão competente do sistema de educação.

Remição cumulativa pelo trabalho e estudo

Art. 126 §3º da LEP: É possível a remição cumulada, desde que o preso
estude e trabalhe concomitantemente e que os horários sejam compatíveis.
OBS: A ocorrência de falta grave acarreta a perda de até 1/3 dos dias
remidos. Problema: Não estabelece patamar mínimo.

OBS 2: Preso provisório também tem direito à remição.

OBS 3: Até mesmo o condenado que está em liberdade condicional


tem direito ao benefício, nos termos do art. 126 §6º.

OBS: E se no estabelecimento prisional não houver trabalho e/ou


estudo, o preso fica sem direito de remir a pena?

Neste caso, deverá ser suscitado o incidente de desvio ou excesso de


execução, previsto no arts. 185 e seguintes da LEP. Neste caso, o Juiz da
execução proclamará o desvio e determinará ao Estado que supra a
deficiência em determinado prazo. Caso não seja suprido, a remição deve
ser concedida ao preso, caso esteja à disposição para
trabalhar/estudar e não o faz pela deficiência estatal.

LIVRAMENTO CONDICIONAL

- Cabível, em regra, para os condenados a pena privativa de


liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos:

1) Requisito temporal (Tempo de pena cumprido):

a) Cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente


em crime doloso. Embora o lei ainda preveja que o condenado deve
ostentar “bons antecedentes”, o STF já decidiu que essa segunda
exigência deve ser afastada;

b) Cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime


doloso;

c) Cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de


condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito
de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo.

2) Requisitos objetivos:
a) Comprovado bom comportamento durante a execução da pena

b) Não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses

c) Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído

d) Tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano


causado pela infração

3) Requisitos subjetivos:

a) Aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto

b) Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave


ameaça à pessoa, deverá ser constatado que as condições pessoais
dele fazem presumir que, se liberado, não voltará a delinquir.

Vedação à concessão do benefício:

1) Condenação por crime hediondo com resultado morte, ainda


que seja primário.

2) Condenado reincidente específico nos seguintes crimes:

a) Crime hediondo e seus equiparados (tortura, tráfico de drogas e


terrorismo)

b) Tráfico de pessoas

Condições do livramento – Art. 132 da LEP:

1) Obrigatórias

a) Obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável, se for apto


para o trabalho;

b) Comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;

c) Não mudar do território da comarca do Juízo da execução sem prévia


autorização deste.
2) Facultativas

a) Não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade


incumbida da observação cautelar e de proteção;

b) Recolher-se à habitação em hora fixada;

c) Não frequentar determinados lugares.

Revogação do livramento condicional, sempre havendo


oportunidade do condenado se defender – Art. 86 do CP:

Revogação obrigatória

Em caso de nova condenação transitada em julgado a pena privativa de


liberdade:

a) Por crime cometido durante a vigência do benefício;

b) Por crime anterior, quando a soma das penas tornar impossível a


manutenção do benefício (art. 141 da LEP e art. 84 do CP)

Revogação facultativa:

1) Se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da


sentença

2) Se o liberado for irrecorrivelmente condenado, por crime ou


contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade.

- Revogação do livramento condicional e contagem de tempo, duas


são as situações:

1) Art. 141 da LEP: Se a revogação for por nova unificação de penas, o


tempo que o condenado gozou o beneficio é computado como tempo
de cumprimento da pena, sendo permitida, para a concessão de novo
livramento, a soma do tempo das penas.
2) Art. 142: No caso de revogação por outro motivo, não se
computará na pena o tempo em que esteve solto o liberado, e tampouco se
concederá, em relação à mesma pena, novo livramento.

Revogação liminar do livramento condicional – Art. 145 da LEP

Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua
prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público,
suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação,
entretanto, ficará dependendo da decisão final.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA - “SURSIS”

Requisitos:

a) Pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos

b) O condenado não seja reincidente em crime doloso;

c) A culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e


personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias autorizem a concessão do benefício;

d) Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 do Código


Penal (Substituição da PPL por PRD).

A suspensão durará de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.

O benefício é concedido após o trânsito em julgado da sentença


condenatória, sendo realizada com o condenado uma audiência
admonitória, no qual o mesmo é advertido das condições do benefício.

Se intimado pessoalmente ou por edital, com prazo de 20 dias, e não


comparecer à audiência admonitória, o condenado perde o direito ao
benefício, devendo a pena ser executada normalmente.

Condições do benefício:
a) Sursis simples: No primeiro ano do prazo, deverá o condenado
prestar serviços à comunidade ou submeter-se à limitação de fim de
semana.

b) Sursis especial - Art. 78 §2º: Se o condenado houver reparado o dano,


salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 do
Código Penal lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá
substituir a exigência do sursis simples e aplicar cumulativamente
as seguintes condições:

1) Proibição de frequentar determinados lugares;

2) Proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem


autorização do juiz;

3) Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para


informar e justificar suas atividades.

Em ambos os casos, as condições podem ser modificadas durante o período


de prova do benefício.

Revogação obrigatória – Art. 81:

a) Ser condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;

b) Frustrar, embora solvente, a execução da pena de multa ou não


efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano;

c) Descumprir a prestação de serviços à comunidade ou limitação de final

de semana no primeiro ano do benefício.

Revogação facultativa – Art. 81 §1⁰:

a)Se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta

b)Se o condenado é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por


contravenção a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos.
Facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o
período de prova até o máximo, se este não foi o fixado - Art. 81 §3⁰

Sursis humanitário:

Caso o condenado tenha mais de setenta anos de idade, ou razões


de saúde justifiquem a suspensão, a execução da pena privativa de
liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a
seis anos.

OBS: No caso de revogação, o período de prova parcialmente cumprido é


descartado e o condenado deverá cumprir a pena imposta na decisão
condenatória.

OBS 2: Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se


extinta a pena privativa de liberdade.

INCIDENTES DE EXECUÇÃO

- Previstos nos arts. 180 a 193 da LEP em rol meramente


exemplificativo, podendo ser suscitados outros, como p.ex., a aplicação da
lei penal mais benigna e a unificação das penas.

INCIDENTE DE CONVERSÃO:

A pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos,


poderá ser convertida em restritiva de direitos, desde que:

a) O condenado a esteja cumprindo em regime aberto;

b) Tenha sido cumprido pelo menos 1/4 (um quarto) da pena;

c) Os antecedentes e a personalidade do condenado indiquem ser a


conversão recomendável.

RECONVERSÃO: A PRD convertida pode ser reconvertida em PPL, pelo


tempo que falta de pena, quando:
1) Se a PRD for de prestação de serviços à comunidade, quando o
condenado:

a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou


desatender a intimação por edital;

b) não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa


em que deva prestar serviço;

c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto;

d) praticar falta grave;

e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade,


cuja execução não tenha sido suspensa.

2) Quando a PRD for de limitação de final de semana: Quando o


condenado não comparecer ao estabelecimento designado para o
cumprimento da pena, recusar-se a exercer a atividade determinada
pelo Juiz, quando não for encontrado por estar em lugar incerto e
não sabido, ou desatender a intimação por edital; praticar falta grave
ou sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade,
cuja execução não tenha sido suspensa.

3) Se a PRD for de interdição temporária de direitos: Quando o


condenado exercer, injustificadamente, o direito interditado; não for
encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a
intimação por edital; ou quando sofrer condenação por outro crime à
pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa.

4) Quando a PRD for de prestação pecuniária ou de perda de bens e


valores, quando o condenado não as cumprir espontaneamente,
assim que intimado a fazê-lo.

Cabe relembrar que a pena de prestação pecuniária o condenado


deve pagar à vítima, seus dependentes ou entidade assistencial valor
que varia de 1 a 360 salários mínimos.
Já a pena de perda de bens e valores é a disposição de valor de seu
patrimônio, sem limites pré-definidos em lei, que serão destinados ao
Fundo Penitenciário Nacional.

- Também haverá a conversão da pena em medida de segurança


quando o condenado, durante a execução penal, contrair doença mental de
caráter duradouro.

1) Se curado, o condenado volta para o sistema prisional para terminar de


cumprir sua pena.

2) Esta medida de segurança convertida terá prazo máximo igual ao


da pena anteriormente imposta. Assim, se esgotado o tempo e o
condenado não houver se curado da doença mental, ainda assim
deverá ser colocado em liberdade).

EXCESSO OU DESVIO DE EXECUÇÃO

Poderá ser arguido sempre que for praticado algum ato que ultrapasse
os limites fixados na sentença, em normas legais ou regulamentares.

Exs: Quando o preso é colocado no RDD sem autorização judicial ou


quando é punido administrativamente a mais de 30 dias em isolamento.

INCIDENTE DE ANISTIA E INDULTO:

ANISTIA: É uma espécie de ato legislativo federal, ou seja, uma lei penal
votada no Congresso Nacional devidamente sancionada pelo Poder
Executivo no qual o Estado, por razões de clemência, política ou social
esquece o fato criminoso, apagando seus efeitos penais principais e
secundários. Ou seja, a lei penal prevendo o crime continua a existir,
incidindo a anistia sobre fato concreto. Como toda lei, deve ser abstrata,
ou seja, não pode visar pessoa ou grupo de pessoas
determinado.

Apenas os efeitos penais desaparecem, ou seja, como na morte do agente


os efeitos civis permanecem.

Uma vez concedida, a anistia não pode ser revogada, uma vez que lei
posterior prejudicaria os anistiados, violando o princípio constitucional de
que lei penal retroagirá somente para beneficiar o réu (já que esta
prejudicaria).

- GRAÇA E INDULTO:

Benefícios concedidos pelo Poder Executivo (Presidência da República)


ou delegado via decreto, atendendo a razões de política criminal. Pressupõe
condenação, atingindo somente os efeitos executórios penais,
persistindo o crime, a condenação e seus efeitos. Assim atinge
somente a continuidade da pena, restando todos os demais efeitos
penais (ao contrário da anistia, que apaga todos os efeitos penais).

A concessão da graça tem destinatário certo, pois é um benefício


individual e depende de provocação do interessado, ou seja, não
pode ser concedida de ofício pela Presidência da República. Já o
indulto não tem destinatários certos, pois é um benefício coletivo e pode
ser concedido de ofício, ou seja, não precisa de provocação.

RECURSOS NA EXECUÇÃO PENAL

- De todas as decisões judiciais proferidas durante a execução penal, o


recurso cabível será o de Agravo a ser interposto no prazo de 5 dias a partir
da ciência da decisão (Súmula 700 do STF). Tal recurso é processado
no mesmo rito do Recurso em Sentido Estrito e regra geral NÃO terá
efeito suspensivo.

MONITORAMENTO ELETRÔNICO

- Instituída pela Lei 12.258/2010

- Determinada pelo juiz da execução quando:

1) Autorizar a saída temporária no regime semiaberto

2) Determinar a prisão domiciliar

- Deveres do condenado monitorado:

1) Receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica,


responder aos seus contatos e cumprir suas orientações;
2) Abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar de qualquer
forma o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem
o faça

- Se houver o descumprimento de qualquer dos deveres, o juiz


da execução poderá:

1) Decretar a regressão do regime

2) Decretar a revogação da autorização de saída temporária

3) A revogação da prisão domiciliar

4) Advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução


decida não aplicar alguma das medidas acima

- Também será revogado o monitoramento quando:

1) Quando se tornar desnecessária ou inadequada

2) Se o acusado ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito


durante a sua vigência ou cometer falta grave.

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