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RESENHA: INSTRUMENTOS NAS MÃOS DO REDENTOR

Alexandre Augusto Pinheiro Cardoso*

TRIPP, Paul David. Instrumentos nas mãos do Redentor: pessoas que precisam ser
transformadas ajudando pessoas que precisam de transformação. São Paulo: Nutra,
2009.

Paul David Tripp nasceu no dia 12 de novembro de 1950 em Toledo, Ohio, EUA.
É ministro presbiteriano e integra a equipe pastoral da Tenth Presbyterian Church em
Philadelphia, PA. Também é fundador e presidente do Paul Tripp Ministries – um
ministério que visa prover recursos na área do aconselhamento bíblico – desde 2007.
Além disso, é conferencista internacional e escritor, com diversos livros e artigos
publicados, na área do aconselhamento bíblico.
Esta obra, que consta em 363 páginas, somados à 101 páginas de apêndice,
tem como objetivo atingir e trabalhar o coração do conselheiro. Segundo o próprio autor,
o tema do livro é “como Deus usa as pessoas que precisam ser transformadas como
instrumentos do mesmo tipo de transformação que outras pessoas necessitam ", algo
que está presente no próprio subtítulo do livro.
No capítulo primeiro, “A melhor notícia: uma razão para se levantar de manhã”,
o autor mostra que o evangelho é esta melhor notícia. Por fim, ao convencer o leitor de
que o evangelho é a melhor notícia e que todos têm um ministério pessoal, o autor
enfatiza que ao responder ao trabalho do Redentor é possível tornar-se um instrumento
em suas mãos.
No Capítulo 2, “Nas mãos do Redentor”, o autor mostra que Deus usa pessoas
– instrumentos – comuns para fazer coisas extraordinárias na vida de outras pessoas,
pois Ele chamou seu povo para ser instrumento de transformação em Suas mãos
redentoras. Tendo em vista esses dois ensinamentos basilares o autor enfatiza,
portanto, que essa é a obra do reino de Deus – pessoas nas mãos do Redentor agindo
diariamente como Seus instrumentos de mudança permanente.
No capítulo 3, “Será que realmente precisamos de ajuda?”, Tripp, primeiramente,
esclarece que tanto a pessoa que oferece ajuda quanto a que precisa de ajuda
necessitam do poder e sabedoria de Deus. Além disso ele chega à conclusão de que
toda a vida é aconselhamento ou ministério pessoal, pois está na essência e identidade
dos seres humanos a necessidade dessa interação.

*
É bacharelando em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição
No Capítulo 4, “O coração é o alvo”, o autor ensina que o ministério pessoal
eficaz leva a promessa de mudança permanente do Reino ao lugar onde ela é
necessária - o coração. Dessa forma o autor conclui o capítulo afirmando que todo ser
humano é um adorador em busca daquilo que governa o seu coração bem como que
essa adoração molda tudo aquilo que ele fará e que, por isso, o coração é sempre o
alvo do ministério pessoal.
No capítulo 5, “Entendendo a luta do seu coração”, Paul Tripp mostra a
existência de um elo entre os desejos do coração e os conflitos, uma vez que os desejos
do coração precedem, determinam e caracterizam tudo o que o indivíduo faz. A partir
de uma exposição de Tiago 4.4 o autor aponta que o conflito humano está enraizado no
adultério espiritual, que se caracteriza por dar o coração a alguém ou a alguma coisa
que não a Deus. Por fim, a partir de Gálatas 5 o autor expõe as realidades da guerra do
reino de Deus contra o reino do eu e finaliza dizendo que o esse é o alvo do ministério
bíblico pessoal – apresentar o Rei Salvador que apazigua essa guerra.
No capítulo 6, “Seguindo o Maravilhoso Conselheiro”, o autor passa a tratar do
que é mais objetivo quanto ao aconselhamento e o faz apontando para Cristo como o
modelo ideal de conselheiro. Para tanto, ele mostra que a encarnação de Cristo é, para
nós, um evento, pois fez a glória de Deus visível ; um plano, pois faz com que a igreja
se torna uma comunidade que o representa na terra e um chamado, uma vez que o
crente deve viver como um embaixador desse Rei.
Quanto à palavra “amar”, compreendida nos capítulos 7 e 8, o autor propõe um
resumo quanto ao ato de amar. Ele diz que esse ato é, entrar no mundo da pessoa;
encarnar o amor de Cristo; identificar-se com o sofrimento e alinhar-se ao plano. Ele
também mostra que a nossa expressão do amor de Cristo é a única esperança de
sermos eficientes por Cristo com as outras pessoas.
Quanto a palavra “conhecer”, compreendida nos capítulos 9 e 10, Tripp mostra
que o ministério pessoal depende de uma base de informação abundante. Para isso o
autor mostra a necessidade da coleta de dados e destaca que é necessário, nessa
coleta, ir além das suposições, verificar se as conclusões tiradas estão corretas e fazer
boas perguntas, bem como é necessário organizar os dados em categorias bíblicas,
tendo em vista a situação, as respostas, os pensamentos e as motivações do
aconselhado.
Quanto a palavra “falar”, compreendida nos capítulos 11 e 12, o autor mostra a
necessidade de associar essa palavra ao próprio amor, pois a verdade deve ser dita em
amor. Por isso ele mostra que para a confrontação é preciso examinar o próprio coração,
ver se existem pensamentos, motivações ou atitudes que atrapalham o que Deus tem
intenção de fazer com a pessoa e, só então, considerando o que Deus quer realizar
quando usa seus instrumentos para confrontar, fazê-lo.
Compreendida entre os capítulos 13 e 14 – os últimos capítulos –, está a palavra
“fazer”. Tripp mostra que essa palavra é a “consumação”, por assim dizer, de todo o
processo do aconselhamento, uma vez que alude em aplicar na vida diária as verdades
discernidas, e treinar as pessoas para viverem centradas em Cristo e biblicamente
informadas. Para isso, destaca ele, é necessário estabelecer o plano de ministério,
esclarecer as responsabilidades da mudança, relembrar as pessoas de sua identidade
em Cristo e, por fim, prestar contas – que é enfatizado pelo autor quanto a seu propósito
de ajudar as pessoas a fazerem o que é certo ao longo do tempo, proporcionando uma
presença que as mantém responsáveis, cientes, determinadas e alertas até
prosseguirem sozinha, proporcionando, portanto, a estrutura, direção auxílio e
advertência.
A obra certamente cumpre de maneira excepcional o seu papel quanto ao
assunto aconselhamento. O aprofundamento, a didática e a teologia prática do autor,
regada com bons exemplos e ilustrações, torna o livro em algo mais que uma obra
literária, pois, somado aos apêndices, faz com que seja um manual para o
aconselhamento.

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