Você está na página 1de 19

Cap:tu'o 2

CAPITAL MERCANTil E Po~:T:CA iv'cKCA:X';~:STA


NA INGLATERRA NOS st:cu~os xv: E xv:;

EmSora ?rat;cameme roCo.'- o:i. ?ªÍ~<:<; C.a Fum?a ?r<1.ri.:;.\:•N'n1 u~'"J ~n-:r;o
mercantilista durame o ~n{cio C.o ?erioC.o ca;iira_:ista, L- com o t'Xt'm/ C.l fr:;:Ji1-
1')

terra que sua evo!uçáo ?Oêc ~er traçada mais dar.1m<.:nte.


Comparada a a;gu!Tlas ou~ras nações euro?eia.s. t;li.., como a :·c:i:ia e ;t

Holanda, a Inglaterra fo: re'.a.r:va.11cnte tarC.ia na 1:>usca por co'.õn:.1~ e no .:3.t''ien-


volvimento de sua inC.úsrria. ~o começo C.o sécu'.o XV!, c\a a:11CJ t.:r.i .:.L!::i.::'.•:<..c.·n-
volvida na agricu!tura e no comádo. Suas exportações eram C.e m,1:lrl.J.•-pr:,,,r1s
como, por exemp?o. pe:es, metais, ;xlxes e. acima Ce ruGo, lá, c.:u.: 1,:ra ('-'i!:?r,1..-:;1
pelas mais desenvolvidas inCústria.s têxteis de Eané.res. Do c~ua. ngeiro ("1cgJ.\'.J..:T;
artigos manufo.curados, cais como ceciC.os f!.amengos, arcigos de co'.>r.:. 1.'íc :_-..-.e
comércio importador e e..x;xmaC.or escava fundamema:mencc nas mãos é.e: ma-
cadores t>rrangdros da Itália e da Liga Hanseática. Os comt'rcian~c)> '.1~.ns.:.;r•c<h
possuíam uma grande f.i.brica 1 em LonC.res; corno eram os seus navios c;,uc: cran-.-
portavam mercadoria..'\ para dencro e fora da Inglaterra, esca c:rJ :m?c.:CiC:i Cc c.'.c-
senvolver sua própria frota. Quando os mercadores ing!eses se av1.·ncurav~i..m no
continente (o que não era frequente), era apenas pJ.IJ. com?rar ~:l n~\~ ci~~1CL's
flamengas - primeiro, em Bruges, e, a parcir do s~culo X'Vl. na Antu~ryiJ, o!"'ld.;:
tinham sua própria fábrica.
Sob essas condições, inexistia uma rica classe mercante nJ.tiva, e o pai.e; t'rJ
pobre de capital monetário. O governo inglês - ao menos acé o hm Co 5.l·1.:u~o
XVI - via o comfrcio exterior com nações mais ricas de uma ?ers.pccüva fÜn1..'.a-
mencalmence fiscal. Tributos eram cobrados so'.:>re a im?ortaçlo e a cxr:i1..'rt.ição,
especialmente sobre a exportação C.c lá. Toda e qualquer tr;a.nsa.çlo entre rn..:ro.:J.-
dores íngleses e estrangeiros escava sujeita a um rígido comro!I! cMa{al; prirrt1.';f1..',
receberia os imposcos apropriados; segundo
assegurar que o resouro , para
para /; ma de dinheiro seria enviada para fora do país. Corn
garantir que nen "'"'11 so . I ,. o
. ação de escassez de cap1ra monenmo, sendo consr
governo sempre cm s1ru an-
remcnte forçado, seja a depreciar a moeda, seja a re~orrer ~ empréstimos a firn
de manter a solvência do rcsouro, a evasão de metais pr~c1osos era uma fonte
de profundo remar. A exporcaçáo de ouro e prata era estntamc~rc proibida. De
acordo com 05 StalltteS o/ emplayment, os mercadores csuangctros que traziam
mercadorias para a Inglaterra eram obrigados a gastar todo o dinheiro recebido
com as \'endas na compra de oucras mercadorias no interior do país. Quando
um comcrcianre estrangeiro viajava para a Inglacerra, ele era posro sob o controle
de um morador local respeitável, que agia como seu "anfitrião". O "anfirriãon
mancinha um olhar arenco sobre codas as transações realizadas pelo "hóspcdcn
e as registrava num livro especial. O "hóspede" tinha um prazo máximo de oito
meses para vender rodos os seus estoques e usar suas receitas para comprar mer-
cadorias inglesas. Qualquer tencariva de um mercador estrangeiro de escapar do
controle do "anfitrião" resukava em prisão. Durante a segunda metade do século
XV, o sistema dos "anfitriões" deu lugar a um controle exercido por inspetores e
supervisores especiais do governo. 2
Mas não bastava estabelecer um embargo à exportação de metais preciosos
da Inglaterra. Ainda era preciso atrair esses metais do estrangeiro para dentro do
pak Para esse fim, a lei obrigava os comerciantes ingleses que exportavam mcr-
c.adorias a repatriar uma determinada porção de suas receitas em dinheiro vivo.
Para que o governo pudesse manter o controle sobre as transações estrangeiras de
seus mercadores, ele lhes permitia exportar suas mercadorias apenas para cerras
cidades continentais (as assim charnaclas staples).3 Por exemplo, na Inglaterra do
início do século XIV, a lá só podia ser exportada para Bruges, Antuérpia. Saint-
·Ümer e Lille. Nessas staples, o governo inglês instalou oficiais encarregados de
supervisionarem todas as transações enrre comerciantes ingleses e esrrangeiros,
cuidando, primeiramente, para que a quantia correta de imposcos fosse paga ao
tesouro inglês e, em segundo lugar, que uma parte das receitas arrecadadas das
vendas
.
de mercadorias ·mgJ esas rmsse envia
· d , · tal
a de volta a Inglaterra, se1a em me '
se1a cm moeda estrangeira.
. . A política mercantilista primitiva era, assim, fundamentalmente fiscal, cujo
ob1et1vo principal era en · 1 de
. nquecer 0 tesouro, seja diretamente, por meio da co era
taxas de 1rnportaçáo e export - . . . ·d de
açao, se1a indiretamente, aumentando a quantl a

ln
..... ........ ,, ...
, 51

de me(aÍs preciosos presentes no país <aqui, também, a irnençáo tra pns•ibili·


(ar um aumcnm futuro da rcc:cira cstar:1ll. Por um IJdn. º" Stntutr; o/ onploy·
ment projbiam aos csmmgciros cxponar dinheiro vh-o Ja fngl.m·rr.i; p(Jr ourm.
a aíaçáo das stap!ts promovia incviravdmcntc a entrada de dinheiro do exterillr.
Para se certificar de que suas leis fossem cumpridas, o farado tinha J1.· l\::gul.tr
estrita e rigidamente as atividade~. ranro dm comcri.:i;Hlk\ ingle.~t.'\ l(U:uw 1 do~
estrangeiros, exercendo uma supervisão mcrkulosa .~olm: roci.1 1.· qualquer rr.in·
saçáo comercial, fosse da realizada dentro ou fora do rcrrirório inglC::~. :\o impedir
que o ouro e a prata saíssem do país e ao atrair cs~c~ metais do cxtl.'rior, ;1 poli1ica
mercantilista se voltava p:irJ a melhoria do equilíbrio nw11t•tdrio d;1 n.1ção, po·
dcndo, assim, ser designada. como um sistema dt.· equilibritJ 11w11r1,írifJ.
À medida que o comércio e a indímria se dcscnrnh-cram. es~a polírica
foi se transformando num entrave às rransformaçócs cconômic.l.'1, Os rnntrolcs
que ela exercia só podiam ser mantidos enquanto as rransaçõcs comerciai~ com o
estrangeiro não eram tão numerosas e eram cfcruada'i cm dinheiro \'i\'o, perma-
necendo limiradas, em sua maioria, a transações com i.:omcrcianrcs estrangeiros
que vinham à Inglaterra. Uma vez que o principal produro de cxporração ir.glé:s
era a lã - famosa por sua qualidade superior e com uma posição de monopólio
no mercado -. a limitação da exportação de mercadorias cxdusi\'amcnrc para as
staples não impunha grande sacri6cio aos mercadores ingleses. O i;brcma de equi-
líbrio monetário correspondia a um estágio de comércio exterior pouco dcscm·ol-
vido, concencrado nas mãos de mercadores esrrangciros e extremamente limitado
à exportação de matérias-primas. O desenvoh•imemo futuro do mercado e da
indústria ingleses durante os séculos XVI e XVII levou ine\•icavelmcntc (como
veremos mais adiante) a um rompimento com o obsoleto sistema de equilíbrio
monetário e à sua substituição por uma política mercantilista mais avançada, o
chamado sistema de equilíbrio comercial.
Ao longo dos séculos XVI e XVII. a base das exportações inglesas elevou-
-se gradualmente de matérias-primas (lã) à exportarão dr produtos acabados (tecido).
A indústria têxtil inglesa começara a gozar de um rápido desenvolvimento desde
o século XJY, quando tecelões rurais de Flandres, para não serem incorporados
como trabalhadores nas guildas urbanas de seu próprio país, imigraram para a
lnglarerra, onde a tecelagem se estabeleceu como indúsrria doméstica, situada em
localidades rurais e livre de qualquer subordinação às regulações das guildas. A lã
inglesa, que até então era exportada para Flandres como matéria-prima, passou

1
SE 1J O 'E C 1,. 1N1 (!

52
seu país de origem. No século XVI, ho
d cm parte, em Uve u111a
a ser processa a, da 1• ua inglesa e um force aumento na expor _
-0 a cr taçao de
redução na exparraça
bd•Sema• 1• ,·nglcsa• a indústria flamenga de tecido entroue
tecido inaca ª · 0 d ,culo XVII, já havia cedido a liderança à lngl rn
' . começo o se aterra
dcdm10 e, no . das exportações inglesas era a lã, agora o tecido ·
Se anccs o principal Jtcm assurnia

esse papel. • d tecido inglês tornou-se exclusividade de uma corn h·


A exporcaçao o . . . Pan ia
.al Mnrhant Adventurers, cuia ac1V1dade se expandiu a I
comercial espcc1 • a o ongo
, XVI 0 tecido inglês demandava novos mercados e, para esse fi
do seculo · . rn,
u hant Ad~enturers o direito de cone1uir acordos
reservava~se à 1vi"trc. •
comecei . .
ais •n~
d exportar tecido para novos mercados escrange1ros. Desse rn do
dcpendcoces e e o ,
0 velho monop6lio das staples escava quebrado. Ao final do século XVI, os merca-
dores ingleses já não permaneciam em casa com suas mercadorias, ou nas cidades-
-st11ples coniinentais, aguardando a chegada de compradores estrangeiros. Eles
não podiam mais se limitar à venda das matérias-primas (isco é, lã) que eles mo-
nopolizavam, mas tinham de vender produtos acabados (tecido) e, para isso, pre-
cisavam manter uma posição fortemente competitiva no mercado mundial concra
0 tecido de outros países, especialmente o de Flandres. O que agora tinha início
era uma luta pelo domínio do mercado mundial e pela eliminação da concorrência
estrangeira. Para vencer, os negociantes ingleses abandonaram seu papel passivo
no comércio e assumiram um papel ativo - começando por transportar suas mer-
cadorias cm suas próprias embarcações para mercados discantes e retornando com
os bens que eles haviam adquirido, principalmente nas colônias. Agora os navios
ingleses cruzavam o Mediterrâneo à procura de produtos orientais; fábricas eram
estabelecidas em Veneza e Hamburgo. Os mercadores italianos e hanseácicos na
Inglaterra iiverarn seu monopólio quebrado: em 1598, a fábrica dos comercian-
tes da Liga Hanseática foi fechada pelo governo inglês, e os próprios mercadores
foram expulsos do país. Como os mercadores ingleses se aventuravam. agora.
pelos ~e.readas do mundo, o país foi forçado a buscar uma política colonial ativa.
As colomas mais ricasJa' haviam . · ai mence
· SI·do tomadas por outros Estados, prmcip
Espanha e Porcn~I Co F ad-
"6~· m o tempo, a Holanda e, em certa medida, a rança

e~~·~~o···
o seu ringimento e ' . rccido mgles era exportado inacabado. O seu aca~-
ram rcal11~rlnc n~ 1-1 .... 1......t ......... e ............
CAPITAL MERCANTIL E POLIJICA ,_.IERCA ... TILl!lTA 53

quiriram consideráveis possessões coloniais. A história inteira da Inglaterra do


século XVI ao século XVIII é uma história de suas lucas contra essas nações pela
superioridade comercial e colonial. Suas armas nessa luta foram a fimdaçáo de suas
próprias colônim, os tratados comerciais e as guerras. Os ingleses realizaram suas
próprias expedições à Índia, onde estabeleceram as fábricas que iriam marcar o
começo de sua dominação sobre aquele país. Ao final do século XVI, fundaram
colônias na América do Norte, que, mais tarde, formariam os Estados Unidos da
América. A Inglaterra forçou o acesso a colônias já dominadas por outro!'> países.
em parte mediante o contrabando ilegal. em parte com acordos comerciais. Foi
tal acordo que deu aos ingleses o direito de enviarem seus navios às colónias
portuguesas na fndia e de exportarem seu tecido para Portugal. Com seus ad-
versários mais perigosos, a Inglaterra travou sucessivas guerras sangrentas. O fim
do século XVI viu a Inglaterra emergir vitoriosa de sua guerra contra a Espanha,
cuja marinha, a indômita Armada, foi completamente derrotada em 1588. A
principal rival da Inglaterra, no século XVII, era a Holanda, que possuía a maior
frota mercante e comércio e indústria florescentes. O século XVII foi, para a
Inglaterra, o século de sua luta contra os holandeses, ao passo que o século XVIII
foi dominado por sua luta contra os franceses. No período entre 1653 e 1797,
a Inglaterra passou sessenta e seis anos imersa em guerras navais. O resultado
foi a emergência desse país como o mais poderoso poder marítimo e colonial-
-comercial do mundo.
Assim, a segunda metade do século XVI trouxe consigo profundas
mudanças na economia doméstica inglesa: matérias-primas (lã) começaram
a perder sua posição dominante nas exportações da Inglaterra, dando lugar a
produtos acabados (tecido); a importància do comércio exterior na economia
nacional cresceu imensamente. A Inglaterra desenvolveu sua própria rica bur-
guesia comercial, que, como mercadores-empreendedores [b1~vers-11p]. ingressa-
ram parcialmente na indústria. A prosperidade vivida pelo comércio exterior foi
acompanhada pelo incremento dos transportes e da indústria, uma vr:z que a in-
dústria caseira substituiu as guildas. Comparado ao comércio, no entanto, o papel
do capital industrial era extremamente modesto: ainda não superara a forma
primitiva do capital do mercador-empreendedor, e sua penetração e produção era
fundamentalmente limitada àqueles ramos da produção que ou produziam dire-
ramente para exportar ou estavam intimamente ligados ao comércio de exportação.
A elevação do interesse pecuniário bu'K"is à custa dos senhores rurais encontrou
~ f. tJ D F e; L 1" t O

54
__ 1 A burguesia procurou cada vez mais estende
a ollrica esrar.u- . • r sua
seu reRcxo n P __ , . lo para acelerar a trans1çao da economia fe ,_,
• . bre o EsrauO e usa- u....,
in8ucnc1a 50 ·ra1· As duas revoluções inglesas do século XVII for
nomia cap1 isra. arn a
para a eco . ões da burguesia. De sua parte, o Estado rinha u
nírida expressão das asp1raç • . d . d• . rn
. 'd d volvimenco do comercJO e a m usu1a como un1 rn .
interesse no rap1 o esen . E . cio
. rio poder e de enriquecer o tesouro. . assim. 0 sisrcrn
de aumenrar o seu prop . . a
'líb . rário aquele velho, obsolero coniunro de medida. restritivas
de equi 1 rio mone 1 , • • •

.al -•s deu gradualmente lugar a mtervençao ••t111al 1111111.1 ·•ntpl


essenc1 mente 6s\,.G& 1 • . . a
frenre, bem como alimentou acivamente o cresc1mento do romtri:w c.ipiralist,,,
áouraiuporttu da indtíJrria dt exportarão com o objetivo de ülnsulid.tr a posição
da Inglaterra no mercado mundial, eliminando seus romp.:tidor~s l'Slr.1n~ciros.
o mercantilismo maduro foi, acima de tudo. uma polnic.1 de pmttrio-
nismo, isro é, 0 uso de políticas ra.rifárias para estimular o cresdmento J.i indústria
nariva. foi o protecionismo que acelerou a transformação da Inglaterra. inicial-
mente agrícola, numa nação comercial e industrial. Tarifas altàndegáriJs come-
çaram a ser usadas, para fins econômicos e fiscais. Anteriormente. por razões fiscais,
o governo instiruíra taxas indiscriminadamente sobre rodo tipo de item de ex-
portação; agora, no emanro, o Esrado começava a diferenciar entre matérias-
-primas e produ111s acabados. Para fornecer à indústria inglesa as matérias-primas
baratas de que ela necessitava, o governo recorria à elevação das taxas ou à proi-
bição total da exporração. Quando ocorria um aumento nos preços do cereal,
nem este nem quaisquer outros produtos agrícolas podiam ser vendidos para fora
do país. Por outro lado, quando era o caso de produros acabados, o Estado en-
corajava sua exportação por todos os meios possíveis, isemando-os de taxas ou
mesmo oferecendo um subsídio para 3 exportação. O mesmo ripo de discrimina-
~ - embora cm direção inversa - era aplicado às importações. A importação de
la, algodão, linho, tinruras, couro e outras matérias-primas era não apenas livre
de .tarifas. alfand · · como ate• mesmo subsidiada ou encorajada por ourros
. cganas,
meios.
.
Ja a 1mponaça·0 de produtos acabados era proibida ou submerid a a a1ras
rartfas. Tal polírica t 'fár . .fi .,_
,~, art 'ª stgm cava que a indústria nativa tinha d~ ser prottgl""
mi <Kmmtn111 da agricu/1v
ra, 'f~ pro duzia matérias-pri11111J. E• preciso acrescentar
1
que, na ng1aterra, onde o ·--•· . e
ond cap1<a11Srno penetrara rapidamente na agnculrura
e pane da elas.se dos scnh · o
gov ores rurais formava um bloco com a burguesia.
crno se empenhava em i d . .. ral Mas
na frança, onde . ntro uzir polmcas favoráveis à produção ru ·
ª agnculrura ainda era fieudai, a coroa (espec1almente
. so b Colbertl
55

frequentemente fazia uso de um;1 politk.1 ml·rc111tilist.1 para .urair as hurguc~fas


mercanril l' industrial como alio1JM. rm su.1 h11.1 ,:nntr.1 a ;1ri-"10l ra ... ia K·udal.
Livre Ja cuncnrrênd.1 c:.UJl\~drJ, o l·.1pit,1I 1.1Hlll'rl i.11 l' i11Ju.;ni.1I ingl~s
pôde um mmwptilio. Ili.lo .1pl·11.1' ...oh11.· 11 1fü·1l.1d11 d11111t:,th.11, ma . .
t·stabelrl't"T

ramh~m ~nine 11S colôni11J. l/m;1 lt·i iruiml.ul.1 Ato d« N.1\'1.:g.h.,.h1. ph111111l!~·1d.1 pc1r
Cromwdl t'l11 J(,';), proibiu a t•xporr.1,.10 Jc: proJuh>' d,,, 1,:olt".111.1' hri1.'uli1...I-"
a qual,1uc.·1· cunro pilÍ-" qur 1ü11 a lnghunra: d11 111L· ... n111 11H1d11. 1lll'f1..11li1n,1 ... " '

pmlc.•rí;1111 -"l'T c.·111rc.·guc.·!'r> ;,_... lolôni.1 ... pnr um1c.·r1.·i;tnh:' inµle\t''· 11 ... 111do 11.1dn., J.1
Ingl<1tt·n;1 011 dt' \Ua\ tolimi;1 .... A nH.'\llla ll'i l'!ll<1hdc.·l i,1 l(Ul' 1t1d.1-. .1 ... nh·11... 1dori.1!1
impom1d<1!1 para :1 lngl.ttl'rr.1 rinham de.· !lc.•r tr.rn:-.por1.1J.t.,, p.,1 1t.1\ 1t1 .. inglc.''it'"' ou
perU.'llll'lltt"!I :10 paí~ omll· ;1"' ITit:'n:•1doria!I for.un proJ111id.1 .... 1-......., uh i111.1 mt:diJ..1
era dirigiJ.íl dO\ holandc!IC!I, 1.:uja frm.1 mc.·ri:anrc.· .1h:m:o1v.1. :1q11dc1 épol.1. um.1
grande: parecia do" cran1iponc.. mundiai . . l' c:nnfCl"ir;t .w p.li . . o mulo Jc.· ··c.:;urc-
gadores da Europa". O Aw de Navegação de!lt~riu um font· golpl' nm 11anspor-
tes holandeses e foi essencia1 para estimular u ue.o,dmentn J.J m11ri11h.1 mf'n:.mre

da lnglaierra.
As políticas do período mercantilista posterior, implementadas para ex-
pandir o comércio exterior e promover o desenvolvimemo dos transportes e d;11i
indústrias orientadas à exportação - desenvolvimi:nro do qu;1J aqude l..":omc.'.-rcio
dependia -, eram mais adequadas a um grau superior do desenvolvimento do
capitalismo mercantil do que as políticas da primeira fase do mercamili,mo. Em
contraste com o mercantilismo primitivo, i:m que as exportaçõi:s eram limitadas
a um pequeno número de sraples. o mercantilismo desenvolvido c-ra e.\-p1111sw-
nüta, visando à máxima extensão do comércio exterior. à conquisca de colônias
e à hegemonia no men:ado mundial. O mercantilismo primici\'o cxc-rciJ um
rlgido controle sobre toda tramafãO (omercial individmll: já o mercanrilismo
avançado restringiu sua regulação do comércio e da indúsrria (ambos cresciam
rapidamcmc) a uma escala mais ampla, naâonal. O mercantilismo primitivo
regulava diretamente o movimento de metais P"ciosos pard dentro e para fura
do país; o mercantilismo avançado buscou atingir esse mesmo fim regulando
a troca de mercadorias entre o pais e outras nações. Os represemantcs do mer-
cantilismo avançado não desejavam em absoluto atrair para o país 0 máximo
volume de merais preciosos: o Estado visava, fundamemalmenrc e anres de mais
nada, melhorar as condições das finanças do governo; a classe mercimti/ consi-
derava uma grande massa de metais preciosos uma condição necessária para 0
j 56 " ........ . ,1'.l"''-' 1
$ [ U Uó. ' - ' '•: i •.>

~ ercial· e finalmente. os smhores rurais espera


esdmulo da evoluçao com ' ' varn q11c
• . d d' beiro pudesse elevar os preços da produção a 1
1: 1 uma abundanc1a e 10 • • gr cola e
. paga por emprésnmos. Todos esses diferentes in
abaixar a caxa de 1uros .. tercsses
. d limentar a crença mercant1hsta na necessidade d .
de classe 3JU avarn a a • e atrair
1 Mas 05 mercantilistas desse periodo entendiam que ft
dinheiro para o pa s. , , • . o uxo
de entrada e saída de moeda de um pais ~ outro e a ~nsequencia da troca de
mercadorias cnrre des, e que a moeda aflui para um pais quando suas expona-
ções superam as importações. E, assim, viiam nu~a balanra comercia/ posiliVa-
'd r uma política que força a exportaçao de mercadorias e a red .
garanti a po . • . ., . , uçao
da importação_ 0 melhor meio de atmg1r um eqmhbrio monetario favorável. O
sistema pro1Ccionista inteiro se voltava para a melhoria desse saldo comercial: ele
limitava. as imporraçõcs de bens estrangeiros e, por meio de sua política colonial e
sua habilidade de prover matérias-primas e trabalhos baratos, etc., ajudava a fazer
da indústria nativa uma força competitiva no mercado mundial. De modo que
a política mercantilista desse periodo, distinguindo-se do "sistema de equillbrio
monetário" do mercantilismo primitivo, pode ser chamada de um "sistema Jt
tquilfbrio romtreial".
Embora essa rransiçáo do mercantilismo primitivo para o sistema baseado
no equilíbrio comercial ateste o crescimento do capital comercial e indusrrial,
CSIC ainda não era forte o suficiente para se desvencilhar da tutela do Estado e

subsisúr sem sua assistência. A política mercantilisra andava de mãos dadas com
a ttgUÍaráo estatal de codos os aspectos da vida econômica nacional. O Escado in-
terferia no comércio e na indústria com uma barreira de medidas concebidas para
guiá-los na direção desejada (carifas ou proibição de importação e expo11açáo,
subsídios, !tacados comerciais, leis de navegação, etc.). Ele impunhaprrrosjitosa
'"""pagos ptla mão dt obra epor artigos dt subsistência e proibia o consumo de
artigos de luxo. Garancia a decerminados indivíduos ou companhias comerciais 0
direito dt monop61io sobre o comércio ou a produção industrial. Oferecia subrúlios
'conrtrróts dt tributos a empreendedores e, para estes últimos, arregimencava do
estnngeiro cxperienccs mestres-artesãos. Mais tarde, no fim do século ){VIII,
"'.'" compreensivo! politica de regulação econômica acabaria por enfrentar uma
v1olcnra oposiçã0 d •mcrgence e recém-consolidada burguesia
ª . ·mdusm'ai' maJ•
durante a época do capi'cal'ISmo primicivo, quando ela correspondia aos ·inte..,,..
da burgun;,, com.n · l cal pol"
ide .1 na' mca enconcrou apoio compleco e to e
cal nu< os
o ogos daquela classe - os mtrrantilistas.
Notas
J. As •fábricas• eram asscntamenro!'i comerciaio; murado-ç, :iutos~uficiC"ntC'~. ond-:- mer·
cadorcs estrangeiros ficavam alojados e faziam seus negócios. Muito frcqucnrcrr.cntc,
rodos os mercadores vindo~ de fora da <.idade cm qucn.in ficav.m1 hmpdaJ,,:, no
mesmo csrabelecimcmo. Ao momo tempo, no entanto, d.u ~t: 10rn.ir;;rn (1 pomc1 de
panida para muhas dali nov~ a.uociaç.õcs mcn;.imh l}UC iriam n.h,c:r nc~,.1 épo.:J.
2. Grande pane desse controle cabia aos Juiz.ado!> de Paz, que tinh;im uma J.mpla gama
de poderes para regular o comércio, a..\ ta.."<as safari.ai~. eh.:. cm rod.t J. cXlcm..ío Jo pais,
e não apenas no âmbito das guild:u municipais.
3. A pollcica da s111plt er<1 mais do que um simple~ meio de can:J.lizar e reHringir o
comércio; por proporcionar um monopólio sobre o mercado local .1 toda companhi.:i.
mercanril que dde dispunha, o direi(o de o1cc:sso:.. Jlllpl~ se tornou um "bjcto J\'iJa-
menrc cobiçado na Coroa. O uso que Rubin faz do rermo uhscun."(c a \'erdadcira
origem da insti[uiçáo, que cr;1 um meio pdo qual cidades p.micularcs tenu,·am se
estabelecer como centros comerciais medianh: sua (ro1nsformação em principal '"local
de conrrouo" (con10 os italianos o c:ham.iv.im) para o c:omCrdo de drfas mercado-
rias. Uma vez atingido esse obje1ivo - ..:orno cm Bruge.~ e n.a AnmCrpi.i. que us.ir.1m
a poliria da stAp/r para se constituir cm grandes ..:l.'ntros de mercado -, o prôx.imo
passo era tenrar usar cua concenuação paro. alimi:nw a produção e o comCrcio loca.is.
Capitulo 3
AS CARACTERISTICAS GERAIS DA
LITERATURA MERCANTILISTA

A era do capiralismo primitivo também assistiu ao nascimenro da áéncia


econômica moderna. É verdade que, enrre os pensadores da Àmiguidade e d11 !tl1dt'
Média, podem-se enconrrar reAexóes sohre uma st'.rie <le que. . cóc' i.·t.:onômic.l.\.
Mas as considerações econômicas de filósofo~ amigos como PJarjo ou Aristótdes
são elas mesmas um reflexo <la antiga economia escravista, assim como aquda~
dos escolásticos medievais refletiam a economia do feudalismo. Para amba.~. o
ideal econômico era uma economia aucossufü:ience de t.:onsumidores, cm que
a croca escava confinada ao excedente produzido por economia!> individuais e
vendido bJ natum. Para Ariscórdes, o comércio profissionaJ, vohado à obtt:nção
do lucro, era algo ''contra a natureza"; para os escolásticos medievais, de era
"imoral". São Tomás de Aquino, o conhecido escricor canonista do s~culo XIII,
cita as palavras de Graciano sobre o absurdo do comércio: ··Quem quer que
compre uma coisa [... ] visando obter um ganho vendendo-d tal como a comprou
está encre aqueles compradores e vendedores qm: foram expulsos do rcmplo do
Senhor". 1 Assim, era com grande aversão que os pensadores amigos e medievais
viam o capital usurário, sob cujo impacto o processo de dissolução da economia
natural se romaria cada vez mais acelerado. Durante a segunda metade da Idade
Média, a Igreja promulgou uma série de decretos que aboliam a obcençáo de juros
sobre empréstimos e ameaçavam os agiotas com a excomunhão.
À medida que 0 capitalismo se desenvolveu, essas atitudes medievais em
relação à acividade econômica se coroaram obsoletas. O ideal primitivo fora
a economia natural aurossuficienre; agora, a burguesia nascente e a coroa eram
tomadas por uma apaixonada sede de dinheiro. Ames, o comércio profisiio1111/ ~ora
considerado um pecado; agorn, 0 comércio exterior era visto como a pri11âp1zlfome
. d as medidas eram aplicadas no esforço para .
da ri utw da ,,,,çao, e co as b 'd expand1-
q . a cobrança de juros fora ani a; agora, a nccc 'd
-lo. Em tempos ancenores, . . , . ss1 ade
, . e 0 crescimcnco da economia monctana sig .6
de desenvolver o comercio . . .. - n1 cava
meios para supnm1r essas pro1b1çoes, ou a ccononf .
que. ou se encontravam 1a in-
teira sucumbiria com elas. A • • •

As novas concepções econom1cas, que correspondiam aos Interesses de um


. de:: uma burguesia comercial, encontraram seus propon
capital emergente:: e , . , entes
nos mercamilistm. Essa designação e aplicada a um vasto numero de escritores do
século XVI ao século XVJII que viveram nos diversos países da Europa e trataram
de temíl.S econômicos. O volume de seus escricos é enorme, embora muitos tenham
tido apenas uma importância localizada e não sejam mais lembrados. Tampouco
se pode dizer que todos os mercamiliscas tenham professado uma "ccori,1 mercan-
tilista": em primeiro lugar, porque eles não concordavam de modo algum cm todas
as questões e, em segundo lugar, porque em parte alguma de suas obras se pode
enconuar uma "cearia" unificada que abarque todos os fenômenos econômicos.
O carárer geral da literatura mercantilista era mais prdtico do que teórico, csrando
ela preponderantemente devotada às específicas questões que haviam surgido com
o desenvolvimento do capitalismo primitivo e que demandavam urgcncemc::nre
uma solução prática. O cerco às terras comuns e a exportação de lã; os privilé-
gios dos comerciantes escrangeiros e os monopólios garantidos às companhias de
comércio; as proibições à exporcaçáo de metais preciosos e os limites impostos às
taxas de juros; a estabilidade da moeda inglesa em relação às Autuações das caxas
de câmbio das moeda." dos outros países - codas essas questões eram de vital im-
portância prática para a burguesia mercantil inglesa da época e constituía a preo·
cupação central da liceratura mercantilista inglesa, a mais avançada na Europa.
A~sim como as próprias questões, cambém as conclusões a que se chegava
nos escritos mercanrilistas eram fundamentalmente práticas em sua orientação.
Seus aucorcs náo tram eruditos de cátedra, divorciados da vida real e dedicados à
discussão de problemas ceóricos abscracos. Muitos deles participavam ativamente
dos negôcios práticos, como mercadores, membros de associações e companhias
de comércio f.por exemplo, a Companhia das Índias Orientais), ou como oficiais
de comércio ou de alean dega. Ab ordavam os problemas que lhes interessavam. náo
j como teóricos buscando d l l como
h ,. esve ar as eis dos fenômenos econômicos, rnas .
,,11
1 omens praucos que tinh
. .
. ·J~
am como ob1ecivo influenciar o curso da mau eco
nômt(t1
1., com a rtumuiicaçáo da. assistê11cia ativa db Estado. Muitos dos escritos rnercancilis·
tas consisciam em panAetm milhanres, defendendo <rn rtfuranrln ,:om iw•:·rr i-!
medidas e.'lltarai~ do ponto de vi~ra dos imen.:~s . d b . h' '~ '
• • • · C\ a urgut\JJ nic•cin(il_ ;1.-1 3 ,
para poder JUStdi.car uma polnica prárica panicul .J. · 1. I
. ar, e t~ r1111,1m 1 t prr1v,.r <~lll"
0 que defendiam era uma cama de intcrcs~c da cc.o ·
. non11<t cm ger .l 1, r1 lj!Jc O\
compelia a estabelecer o nexo causal entre difcrc:nrt\ f.:núnH:nm tl<i!lfimico-.

E foi assim, desse modo gradual e hesitantL', qut se produziram _ n.i forma de
ferramentas auxiliares na resolução de q1wtóes relativr15 ,1po/itic,1 nwiOii1tw .. a\
primeiras manifestações daquilo que viria a si: tornar a cifoli 4 lOllli:nipor~;nl'a
da economia política.
Nocamos ameriormenre que a política mcrcamilisu era J e.\prcs~ão da
união entre a Coroa e a burguesia mercantil cm desc:nvolvimr:nro, t' qui.: ,abtr se
o mercanrilismo a'isumíria um carácer burocrático ou burgul-.. . -capiralis!a era algo
que dependia das forças rdacíva.1o das Jua.~ forças sociais cnvnlvid.b ni.::.'t' b!oul
temporário. Em paí~es atrasados como a Alemanha, onde a hurgucsi,1 era fr.1c:1. era
o lado burocrático que predominava; em paísc'i avançado,, do' quai~ ,1 lnglatt..'rra
era o mais norável, preponderava o lado capitalisra. Em com:spondl·1wJ .1 c'i~c
estado de coisas, a lircratura mercamilisrn alemã assumiu hasic.1m..:1ltl· ,1 pcr~­
pectiva do oficialismo burocrático, ao passo que na Inglaterra d.l r1..·A1.:ri.1 a visão
do comércio e dos negóáoJ. Para usar a descrição alramc:mt..' apropriada dada por
um economista, as obras mercantilistas alemãs eram cw·nôalmcnrL' cscriw. por
oficiais e para oficiais; as inglesas, escritas por ncgociantc.1o e p.ir.1 n1..·g;oci.HHL'~. Na
atrasada Alemanha, onde o sistema de guildas ainda .1oubsísriJ 11..·nazmcnn:, Jcu-se
um esplêndido florescimento da lirerarura "camcralisra", dcdicad:1 principJlmcmc
a questões relativas ao gcrendamcnro finam:eiro e ao controle administrativo da
vida económica. Já na Inglaterra surgiram. a partir de discussóL's sobre problt:mas
de política econômica, os precursores daquelas ideia!> que mais carde si::riam apro-
priadas e desenvolvidas pela escola clássica. Ao tratarmos da litcrarur:i mercanti-
lista, teremos sempre cm mcnrc essa escola comL'rcial-mcrcantil qui.: constitui seu
corpo mais avançado e característico. Recebendo sua mais clara formulação na
Inglaterra,• ela exerceu a mais profunda inffuência sobre a evolução futura do pen-
samento econômico.

Ao lado das obras do mi::rcamilhmo inglês. 1ambém a litcr::itur.1 mcrcamilista ;,,,~iml<l ~o


século XVI ao século XVIII é de considerável imporrinciJ, cspccialmcmc sua dimman
sobre a circulação monetária.
62
a .. E ... Cl>NTIL.l•Mº I! ••U oacLl~IO·

O car.áter "mmantil" da literatura mercantilista se manifesta etn


. . sua con
. d '-- d capital mercantil ascendente, CUJOS tnter<sses são ide .6 •
•~tente '""'ª o nn tado
do Estado como um todo. Os. mercantilistas cnfati"- 1
com aque1es -.. 6rrnc
rescimento do comércio se dá cm benefício de todos os •
mente que o c . ••tores da
,, "Quando 0 comércio ftoresce, aumenta a mtita da Coroa m-•L
popu1a.,...o. . • • =orain
. ,_,.,_,,,.;,tas rtn"4s, orescc a navcgaçao e o povo pob-
as propn•-· ·• . . . . ,, ·• cncontta
uabal ho. Se 0 comércio declina, ISSO tudo declma . Junto com ele. 2 Essa fo rrnu..
lação de Misscldcn (do início do século XVII) VJSava afirmar que os interesses da
bwguesia comercial coincidiam com aqueles das outras forças sociais da época:
11 Coroa, os stnhom rurais t a classt trab111hadom. A atitude tomada pela literatura
mercantilista em relação a esses diferentes grupos sociais revela claramente 0 quão
Intima era sua ligação com os intcr<sSes de classes da burguesia mercantil.
Desse modo, os mercantilistas se revelaram como advogados de uma Intima
aliança entre a lmrgrmia comtreial e a Cora11. O objetivo de sua preocupação era
aumenw "a riqueza do rei e do Estado" e incrementar o "comércio a navegação, 1

os estoques de metais preciosos e os uibutos reais"; afumavam que, se o pais tive.se


uma balança favorável de comércio, isso possibilitaria ao tesouro real acumular
somas maiores de moeda. Paralelamente a isso, eles repetiam insistentemente que
a Coro• só podia aumentar sua receita onde o comércio exterior er<scia - isto é,
onde se dava um crcscimenro das receitas da burguesia.

Um rei que deseje entesourar muita moeda a:m de se empenhar com tod°' °'
bon!i meios em manter e inacmenw seu comércio exterior, pois esse ~ o 4nico
caminho nio apenas pata levá-lo aos seus próprios fins, mas também para enriqu..
cer seus súditos. o que lhe garante um benefício adicional.'

A moeda acumulada pelo tesouro estatal não deve exceder aquele nível
quo corresponde ao volume do comércio exterior e da renda nacional. De outro
modn, "toda• moeda num tal Estado seria subitamente açambarcada pelo resou~
do principc, 0 que destruiria o cultivo da terra e as técnicas manuais e levarl•
:. ruína, "':to da riquna pública corno da privada". Um colapso econ~ini~
. a (•Moa da h• h"l"d
pm·aria ' 1 ade de uma proveitosa a tosquia de seus súditoS •
A.<>1m, a própria Co
roa tem todo .interesse em empregar aóvamenre medidas para.
promo1•cr o Ct«cimenco do comé . d • didas possalll agir
tcmporariam~nre . reio, mesmo on e ta.IS me caso ela
contra seus 1n teresscs 6sc:ais, como, por exemplo, no
63

redução de tarifas alfandegárias. ªFaz-se necessário não sobrecarregar as merca-


dorias nativas com taxas demais, encarecendo-as para o mercado estrangeiro e,
assim, dificulwido sua venda."S
Se os mercantilistas queriam fazer da Coroa um ativo aliado da burguesia
mercantil, eles não podiam manter tais esperanças em relação aos proprietários
de terra. Sabiam que, ao defender tais medidas 1 provocavam a insatisfação dos
senhores run.is; no enranto, eles tentavam aplacar ~e descontentamento argu-
mentando que o crescimento do comércio traz consigo um aumento nos preços dos
produtos agrícolas e, assim, também um aumento das rendas e do preço da terra.

Pois quando o mercador recebe uma boa encomenda ultramarina de seu ce<:ido
ou. outras men:adorias, ele imediatamente retorna para comprar uma quamidadc
maior, o que eleva o preço de nossa lã e outraS mercadorias e, consequentemcnre,
awncnra as rendas dos senhores rurais {•••].E como, também por esse meio, mais
dinheiro ~ ganho e uazido para o Reino, muitos homens pas.sam a ter condições
de comprar terras, o que acaba por cnCU"eo:r seu prcço.6

Com argumentos assim, esses plenipotenciários da jovem burguesia ten-


tavam atrair a tlAsst dos stnhorts rurais para os sucessos do comércio; mas isso não
significa que eles faziam vista grossa ao con8.ito de interesses que havia encre eles.
Os mercantilisw já haviam advertido os proprietários de terra de que os inte-
resses do comércio e das indústrias de exportação teriam prioridade sobre os da
agricultura e da produção de matérias--primas.

E considerando-se que as pessou que vivem do trabalho manual são em número


muito maior do que aqudas que vivem da agricultura, deveríamos apoiar com o
m4ximo de zelo aquelas arlvidadcs da multidão que constituem a força e a riqueza
tanto do rei como do reino: pois onde quer que o povo seja numeroso e os oficias
bons, as trocas têm de ser grandes e o país, rico.7

Na literatura mercantilista posterior, pode-se encontrar wna intensa


polêmica entre rcprc!entantes da burguesia financeira e dos proprietários de terra
acerca da taxa de juros que deveria ser cobrada sobre os empréstimos.*

Ver capitulo 6.
s4 Havia. pa~m. uma
questão sobre a qual os inceresses de arnb
. 1d d' • . as as dos
i . cidiam e náo mostr.1
coin 1
vam 0 mínimo sma e 1vergenc1a: a explora _
"dões de camponeses sem-terra e de arruinado
Stl
o;ao da ri.,,
_ t
1 ba/JuuÍ4••· As mu a s anesaos
"" d I ·ficados e 05 mendigos sem-reto descartados pelo 1 'º'
bundo• esc as51 co apso da
•""P . ral d guildas foram um objeto bem-vindo de explora .
econom1.1 ru e as . . Çao Para a
. . para a agricultura. O l1m1tt kgal estabelecido par.
indúsma.. assim como n os iafáno
viva aprovação, ranto do senhor rural quanto do bu , '
obreve. em gcral • 3 . ... . . .. rgucs. o,
mercantilisras nunca deixaram de se queixar da mdolenc1a dos trabalhado.,,
ou de sua falia de disciplina e baixa adaptação à rotina do rrab,tlho industrial. Se
0 pão est:i barato. 0 operário uabalha apenas dois dias na semana, ou 0 que for
necessário para assegurar as necessidades da vida, e o resto do rernpo é livre P"'
diversão e embriaguez. Para fazê-lo trabalhar numa base constante, sem inter·
rupçócs. ele rem de ser submetido, mais do que à coerção estatal, ao duro Hagdo
da escassez e da necessidade - em suma, à coerção exercida pelo alto ptc:ço dos
cem.is. No início do século XIX, a burguesia inglesa confrontaria os propricti-
rim rurais pela redução do preço dos cereais e, consequencememe, redução do
preço da força de trabalho. Mas no século XVII, muitos mercantilistas in~""
escavam em pleno acordo com os propriecários rurais na defesa dos alros preços
dos cereais como um rncio de forçar os trabalhadores à labuta. Chegavam acé
mesmo à alirma\,âo paradoxal de que cereais caros tornam o trabalho barato e viC<-
·vctsa, uma vez que o alto preço dos cereais faz o trabalhador empregar à SlLl
arividade um esforço maior.
De aconlo com Petcy, esccevendo na segunda metade do século XVII:
"observado por Clothiets, e por outros que empregam um grande número de
pessoas pobte5, que quando os cereais são abundantes, o trabalho dos pob"'
é proporcionalmente caro e diflcil de conseguir (pois são ião licenciosos que
~ham apenas para corner ou, mais ainda, para beber)". 8 Disso se seguequ<
ªlei que estabelece tais salários [... ] deveria conceder ao trabalhador apenas 0
escriramen1e nccessári0 . d b le ir.ibalhi
para viver; pois se ela lhe concede o o ro, e
apenas ª metade do que podctia ter trabalhado· o que para o público. repies<•~
umapen! d ~ ' ' em
•1• . a os ruros de tanto trabalho".• Para Petcy, não há nada injusto
imitar os salários dos 0 b vantagem
,_ P res, de rnodo que eles não 1irem nenhuma rn
uc seu rernpo 0 · . f'etl)' te
de se encarregarCioso e queiram trabalhar".'º O público na visão de
desses . . , ' do que
' os
dcsc •ndividuos inaptos ao trabalho; do mesmo mo nl'
tnpr<gados, eles <fev · ·-•' na'°
eriarn ser encaminhados ao 1rabalho nas mh-•
65

truçáo de esrrad:is e edifícios, erc. - uma política recomendável porque i'.· c1.pv,
de "forçar suas memes à disciplina e à obediência e seus corpos :\ pacic?ncia para
aguardar o surgimento de um rrab.ilho mais rcnrávd tiuando :.l ner.::cssiJJ.de a.:;sim
o exigir". 11 Em sua defesa dos inrcrcsscs do jovem c1piralisrno ,;: sua pn:o..:upa-
ção pela conquista de mercados c.Hrangcirm par;i os comerciantes e c.::xponadorcs
ingleses, os mercantilistas estavam naturalmente preocupados ..::om a mobilização
de uma base adequada de mão de obra disciplinada e barata. o~ mcrcamilis-
tas defendiam algo scmdhanrc à lei de ferro dos s,ikirim cmbora apcnas cm
forma embrionária. Todavia, de acordo com .t narun:za geral de sua domrinJ, tal
lei ainda não Jparccc como proposição teórica, mas comu prcscriçoio prádca: a
visão mercantilista ~ J de que o salário do trabalhador náo deve exceder os meios
mínimo.s necessários para a subsistêm:ia.
O ponto de vista cumcrcial-merc~ntil d;i literatura m.::rcamilista inglesa,
que emt'.'rgc tão daramcntc.; t'm sua atirudc com as diferences classes sociais,
também deixou .mas marcas no conjunto de problema.s - e suas soluções - que
constituíam seu objcro de inrercs.se. f: muiro frequente a afirmação de que a
doutrina mercantilisca seria redurívcl à ideia de que os metais preciosos são a
única forma <.h: riqueza. Adam Smith critica duramcme "a noção absurda dos
mercantilistas de que a riqueza consisre na moeda". E, no ::mamo, ral caracreri-
zaçáo é bastante injusta. Os mcrcamilistas consideravam o aumento na quanti-
dade de metais preciosos não como uma fome da riqueza da nação, mas como
um dos sinais de que essa riqueza escava crescendo. Apenas os mercantilistas
primitivos permaneciam intelectualmente confinados na esfera da circulação
monetária. Os teóricos do mercantilismo desenvolvido, com a doutrina do "equi-
líbrio comercial", desvelaram a conexão entre o movimento dos metais preciosos
e o desenvolvimento gcral do comércio e da indústria. Muita coisa ainda restava
superficial nessa análise da in[erconexáo entre diferentes fenômenos econômicos.
mas ela escava livre das noções ingênuas de seus predecessores e, desse modo,
abria o caminho para o futuro desenvolvimenco cicntí6co. Devemos, agora,
passar à descrição do conteúdo e da evolução das visões mercantilistas.

Notas

1. Apud R. H. Tawney, &ligion and therist ofcapiu/Um, Londres: John Murray, 1964,
p. 34-35.
2. Traduzido do rwso.
_i. ~fun.d~o i~:~:oh:.<~'.:~;~~;'..mde. in: Ear(J• m~lish tmcrs
Th1..im:1'>
.t_
·\.fun. • J ~Rrn:M1....Culloch.
fni:?IJn · .. º" "º"'111tl"rt,
originalmente publicado pelo Poli . I
cJ1wli1 rl1Í • . 1 fica Eco
J 18 ,6 n:imP""'º para a Economic Hiscory Society d ••rny
Club. Lo~ ~~. ~ ' · · • a Cainb .
Uni"crsir)' f'r<ss. 1954. P· 188-189. rirtg.
;, lhid .. p. UJ.
e.. lbid .. r· H~-
1biJ.. p. 1.1.i.
s. Sir\'<'illioun Pc[ry. Pofüical arirhmt-rick. .in: 7he tro11omh-11·ri1m,~ . Pr
•..of"s·rr \\''·rll1t1m
:, ''··editado por Charles Henry HuJI. reimpresso por Aup,wcu~ ~ t. Kcfü· N "J,
196.1. "· 1. p. i74 led. br.1S.: William Petcy, Aritmética pt'liric.i, in: el/n··. _º"ªYork,
S;o Paulo: Abril Cuhur.J. 1983. coleção Os Economisus i. "'""'••miras,
9. Idem. . :tnd conrributions.. in: Ecoum•r"·
.., A m:.uise of.. taxes 1,·mhigs. H ull edition
p. 81 [cJ. bras.: William Ptrcy, Tratado dos impostos ~ contribuições, in: '
.. ,_
Obw ironõmiC11S, Sáo Paulo: Abril Culcural, l 9tB. co( ... -:i 0 •Js E~onommas].
- . --·
!O. lbid .. p. 20.
11. lbid.. p.31.

Você também pode gostar