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Perda de calor em uma tubulação de um ciclo Rankine

Lucas Pereira do Nascimento, Mariana Araújo, Victor Veloso


armandoaf@globo.com, fabianopery@yahoo.com.br, g.teixeira.costa@gmail.com,
leomelloalves@gmail.com, vicenteperuzzi@yahoo.com.br,
Palavras-chave: Transferência de calor. Trocador de calor de casco. Usina de energia. Água
saturada. Caldeira. ABNT.
Resumo. Neste trabalho apresentamos um estudo de caso de produção de vapor d'agua através do
aproveitamento do calor despejado na exaustão de uma planta de geração de potência elétrica a gás
natural. Através de uma análise analítica do sistema, um trocador de calor de uma corrente é
dimensionalizado de maneira a respeitar um Cahier de Charges (especificações arbitrariamente
determinadas) proposto para o projeto, utilizando 3 materiais diferentes para a tubulação: aço
carbono ASTM A 106, cobre puro e latão. Os resultados são apresentados de maneira comparativa
em função das dimensões e do custo por Watt (R$/W) de cada configuração.

Objetivo. Considerando a quantidade de calor gerada e liberada na exaustão de uma planta de


geração de potência élétrica a gas natural, o objetivo deste tabalho é de determinar o diametro,
comprimento, numéro de tubos e material de um trocador de casco de forma a minimizar perdas e
custo por potência.

Introdução. A produção de energia oriunda de gás natural corresponde, atualmente, a


aproximadamente 13% de toda a matriz energética brasileira [??], a cerca de 30.991 Ktoe
(11.630 MWh), segundo o IEA [??]. Existem cerca de 166 usinas a gás natural no pais[??]. Um dos
impactos ambientais dessas usinas se refere a poluição termica causada pelo despejo de massas
quentes (ar e/ou agua)  na atmosfera e em corpos d'agua, desecadeando, por exemplo, morte de
animais por choque térmico e o aumento da sensibilidade aos poluentes [??].
Afim de reduzirmos este efeito, consideremos uma usina a gas natural cujo gas de exaustão seja
usado para gerar vapor d’agua num trocador de calor com um passe no tubo, diminuindo assim a
temperatura da massa despejada. Determinando e limitando a perda de carga admissivel nas
tubulações de acordo com um limite previamente determinado, obtemos a velocidade maxima do
escoamento interno aos tubos. A partir desta velocidade e considerando que tal escoamento é
turbulento, obtemos o diametro interno das tubulaçoes e o numero de tubos. Com estes dados,
determinamos o coeficiente global de transferencia de calor (desconsiderando a resistencia de
convecção externa ao tubo - i.e., da agua saturada - e considerando o fenomeno de incrustação na
parte interior do tubo). Finalmente, o comprimento de cada tubo é determinado atraves do Método
da Efetividade – NUT.

Com todas as dimensões do tubo e com o custo do material por kilograma, a analise de custos pode
então ser efetuada (ulteriormente comparamos o custo por watt de cada configuração).
Metodologia detalhada com equacionamento.

1. Condições iniciais, de contorno e hipóteses.


As condiçoes iniciais e de contorno para o escoamento interno e externo estão apresentados nas
tabelas 1 e 2, respectivamente. Para desenvolvermos o projeto, consideramos condições de regime
permanente para os escoamentos, de maneira que, as propriedades sao constantes. O escoamento
interno é considerado turbulento.

Tabela 1. Escoamento Interno - Fluido Quente (Gas de Exaustão)


Dados Valor Unidade
Vazão do gás 2 kg/s
Temperatura de entrada 673 K
Temperatura de saída 488 K
Temperatura média do flúido quente 580,5 K
Resistência de depósito 0,0015 m².K/W
Velocidade 15,85 m/s
ρq 0,6 kg/m³
Kq 0,0457 W/m.K
Vq 0,00004991 m²/s
Prq 0,684  -

Tabela 2. Escoamento Externo - Fluido Frio (Agua Saturada)


Dados Valor Unidade
Pressão água saturada 11,7 bar
Temperatura do fluido frio de entrada 460 K
Temperatura de saída 460 K
Temperatura média do flúido quente 460 K

Ademais, investigamos a produção de vapor a partir de agua saturada à 1170 kPa alimentando o
casco do trocador.
Consideramos o casco do trocador perfeitamente isolado e negligenciamos qualquer variação de
energia cinetica ou potencial no mesmo. Finalmente, é importante dizer que consideramos uma
resistencia de déposito na interface interior do tubo (ver tabela 1) e não consideramos a resistencia
de convecção na interface externa do tubo. A validade desta ultima hipotese sera descutida na
proxima seção.

2. Equacionamento
O diâmetro interno é variado de 10.3 mm à 114.3 mm, segundo a fornecedora considerada [??].
Segundo a mesma fornecedora, a espessura do tudo corresponde, no mínimo, à 12,5% do diâmetro
interno. Assim, calculamos a vazão mássica correspondente para cada diâmetro no intervalo
considerado e, depois, o número de Reynolds e o número de Nusselt.

EQUACAO VAZAO MASSICA

EQUACAO REYNOLDS

Como consideramos que o escoamento deve ser turbulento (Reynolds > 23000), Pr = 0.684>0.6 e
plenamente desenvolvido (L/D > 10, sera verificado na próxima seção), utilizamos a relação de
Dittus-Boelter para determinarmos o numéro de Nusselt :

EQUACAO DE NUSSELT

Finalmente, podemos determinar o coeficiente convectivo do escoamento interno com a seguinte


expressão:

EQUACAO COEF CONVECTIVO

A partir destes valores, nos determinaremos, para cada material, o Coeficiente Global de
Transferência de Calor U para o escoamento interno (considerando as hipóteses descritas na
subseção anterior):

EQUACAO DO COEFICIENTE GLOBAL

O comprimento de cada tubo (através do método da efetividade – NTU considerando um trocador


de uma corrente):

EQUACAO PARA L(NTU)

A relação de Hazen-Williams para a perda de carga:

EQUACAO DE HAZEN-WILLIAMS

E finalmente, o preço e o custo por watt:

EQUACAO PRECO

EQUACAO TAXA DE CALOR

EQUACAO CUSTO POR WATTS

3. Metodologia da Análise
Para iniciarmos a análise, a lista de critérios adotados para nosso trocador contém os seguintes itens:

1. A perda de carga percentual ao longo de cada tubo pode ser no máximo de 1%;
2. O regime deve ser turbulento, logo Reynolds deve ser maior igual 23000;
3. O coeficiente de transferência Global deve ser o maior possível.

Assim, para cada material, variamos a velocidade do escoamento interno de forma até encontramos
um diâmetro que satisfaça o critério 1, 2 e 3 simultaneamente.

Deste modo, podemos determinar todos os parâmetros dimensionais (diâmetro interno, externo,
comprimento e numero de tubos) e consequentemente, o preço e o custo para cada configuração.

Resultados e Discussões
Seguindo a metodologia apresentada acima, nos apresentamos aqui os resultados de
dimensionalização e custos para cada material avaliado.

ASTM A 106-99
Massa Especifica 7850 Kg/m3
Condutividade Termica 60,5 K (W/m.K)
Coeficiente de Hazen Williams 100  
Preço por unidade de massa (R$/Kg) 2,4794  
Cobre
Massa Especifica 8933 Kg/m3
Condutividade Termica 401 K (W/m.K)
Coeficiente de Hazen Williams 130  
Preço por unidade de massa (R$/Kg) 29  

Latão
Massa Especifica 8730 Kg/m3
Condutividade Termica 103,8 K (W/m.K)
Coeficiente de Hazen Williams 130  
Preço por unidade de massa (R$/Kg) 18  
Conclusão

Referências (Deve estar de acordo com regras ABNT).

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