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FAP- A NOVA METODOLOGIA DE CÁLCULO

01. Introdução e Histórico

A proteção acidentária é determinada pela Constituição Federal - CF como a ação


integrada de Seguridade Social dos Ministérios da Previdência Social - MPS, Trabalho e
Emprego - MTE e Saúde - MS. Essa proteção deriva do art. 1º da Constituição Federal que
estabelece como um dos princípios do Estado de Direito o valor social do trabalho. O valor
social do trabalho é estabelecido sobre pilares estruturados em garantias sociais tais como o
direito à saúde, à segurança, à previdência social e ao trabalho. O direito social ao trabalho
seguro e a obrigação do empregador pelo custeio do seguro de acidente do trabalho também
estão inscritas no art. 7º da CF/1988.
A fonte de custeio para a cobertura de eventos advindos dos riscos ambientais do
trabalho - acidentes e doenças do trabalho, assim como as aposentadorias especiais -
baseia-se na tarifação coletiva das empresas, segundo o enquadramento das atividades
preponderantes estabelecido conforme a Sub-Classe da Classificação Nacional de
Atividades Econômicas - CNAE. A tarifação coletiva está prevista no art. 22 da Lei
8.212/1991 que estabelece as taxas de 1, 2 e 3% calculados sobre o total das remunerações
pagas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. Esses percentuais poderão ser
reduzidos ou majorados, de acordo com o art. 10 da Lei 10.666/2003. Isto representa a
possibilidade de estabelecer a tarifação individual das empresas, flexibilizando o valor das
alíquotas: reduzindo-as pela metade ou elevando-as ao dobro.
A flexibilização das alíquotas aplicadas para o financiamento dos benefícios pagos
pela Previdência Social decorrentes dos riscos ambientais do trabalho foi materializada
mediante a aplicação da metodologia do Fator Acidentário de Prevenção. A metodologia foi
aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social - CNPS, (instância quadripartite que
conta com a representação de trabalhadores, empregadores, associações de aposentados e
pensionistas e do Governo), mediante análise e avaliação da proposta metodológica e
publicação das Resoluções CNPS Nº 1308 e 1309, ambas de 2009. A metodologia aprovada
busca bonificar aqueles empregadores que tenham feito um trabalho intenso nas melhorias

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ambientais em seus postos de trabalho e apresentado no último período menores índices de
acidentalidade e, ao mesmo tempo, aumentar a cobrança daquelas empresas que tenham
apresentado índices de acidentalidade superiores à média de seu setor econômico.
A implementação da metodologia do FAP servirá para ampliar a cultura da prevenção
dos acidentes e doenças do trabalho, auxiliar a estruturação do Plano Nacional de
Segurança e Saúde do Trabalhador - PNSST que vem sendo estruturado mediante a
condução do MPS, MTE e MS, fortalecendo as políticas públicas neste campo, reforçar o
diálogo social entre empregadores e trabalhadores, tudo afim de avançarmos cada vez mais
rumo às melhorias ambientais no trabalho e à maior qualidade de vida para todos os
trabalhadores no Brasil.

02- Enquadramento da Empresa- grau de risco- RAT

Contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios


concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos
riscos ambientais do trabalho (GIIL-RAT)

A contribuição empresarial, destinada ao financiamento da aposentadoria especial e


dos benefícios concedidos em razão do GIIL-RAT, observadas outras disposições legais
sobre acréscimo de alíquotas, no caso de exercício de atividade em condições especiais
que possam ensejar a concessão de aposentadoria especial após 15 anos, 20 anos ou 25
anos de trabalho sob exposição a agentes nocivos prejudiciais á saúde e á integridade física
do trabalhador (veja item 3 e respectivos subitens deste texto), corresponde á aplicação dos
seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a
qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e ao trabalhador avulso:

a) 1% para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do


trabalho é considerado leve.
b) 2% para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do
trabalho é considerado médio; ou
c) 3% para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do
trabalho é considerado grave.

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2.1. Atividade preponderante

Considera-se preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior


numero de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observando-se que:
a) Apurado na empresa ou no órgão do poder publico o mesmo numero de
segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, será
considerada como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco;
b) Para a apuração do grau de risco, não serão considerados os segurados
empregados que prestam serviços em atividades – meio, assim entendidas aquelas que
auxiliam ou completam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais
como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade,
vigilância, dentre outros.

2.2. Enquadramento da empresa no grau de risco

O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da


empresa e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica
preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus
de Risco elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas
(CNAE),prevista no Anexo V do regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo
Decreto n 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009 (que produz efeitos,
quanto á nova redação, a partir de 01.01.2010, mantidas até essa data as contribuições
devidas na forma da legislação precedente), e deve obedecer ás seguintes disposições:

a) A empresa com um estabelecimento e uma única atividade econômica será


enquadrada na respectiva atividade;
b) A empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica
simulará o enquadramento em cada atividade, prevalecendo como preponderante aquela
que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos;
c) A empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas
deverá somar o numero de segurados alocados na mesma atividade em todos os

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estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior numero
de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos
d) Os órgãos da administração pública direta, tais como prefeituras, câmaras,
assembléias legislativas, secretarias e tribunais, identificados com a inscrição no CNPJ,
serão enquadrados na respectiva atividade, observado o disposto no parágrafo 9 do art. 86
da Instrução Normativa SRP n 3/2005;
e) A empresa de trabalho temporário será enquadrada na atividade com a
descrição “74.50-0 Seleção, Agenciamento e Locação de Mão de Obra para Serviços
Temporários”, que consta da Relação de Atividade Preponderantes e Correspondentes
Graus de Risco.
Exemplo:

a) Empresa com estabelecimento único e múltiplas atividades (letra “b” do subitem


2.2 deste texto)

Empresa com Estabelecimento


Único

Múltiplas Atividades

Atividades A Atividades B Atividades C

50 empregados 30 empregados 60 empregados

Atividade Preponderante
(C) 60 empregados

b) Empresa com mesmo número de segurados empregados e trabalhadores


avulsos em atividades econômicas distintas (letra “a” do subitem 2.1 deste texto)

Empresa com estabelecimento


Único

Múltiplas Atividades

Atividade A Atividade B Atividade C

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60 empregados 60 empregados 60 empregados

Atividade Preponderante
(C) 60 empregados

Atividade A – grau de risco 1


Atividade B – grau de risco 2
Atividade C – grau de risco 3

A atividade preponderante é a atividade C por ter maior grau de risco.

c) Empresa com vários estabelecimentos e múltiplas atividades (letra “C” do subitem 2.2
deste texto)

Empresa com mais de 01 estabelecimento matrizes e filiais

Estabelecimento 01 Estabelecimento 02 Estabelecimento 03

Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade


A B C A B C A B C

20 50 10 30 25 05 10 15 35
Empre- Empre- Empre- Empre- Empre- Empre- Empre- Empre- Empre-
gados gados gados gados gados gados gados gados gados

Números de empregados por atividade, considerada a soma dos 3 estabelecimentos:


Atividade A = 60 empregados ( 20+30+10)
Atividade B = 90 empregados (50+25+15)
Atividade C = 50 empregados (10+05+35)
A atividade preponderante é a atividade B por contar com maior número de
empregados.

2.3 Obra de construção Civil

A obra de construção Civil edificada por empresa cujo objeto social não se constitua
na construção ou na prestação de serviços á construção civil está sujeita tanto á matricula no
Cadastro Especifico do INSS (CEI) como aos enquadramento próprio na CNAE e no
correspondente grau de risco, observando-se que não são considerados os segurados da
obra na apuração da atividade econômica preponderante da empresa, em relação aos quais
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será aplicada a alíquota correspondente ao grau de risco da obra, independentemente
daquela a ser utilizada em virtude da atividade econômica preponderante das empresa,
apurada em relação aos demais segurados.

2.4 Erro no auto-enquadramento

Verificado erro no auto-enquadramento, a RFB adotara as medidas necessárias a sua


correção, orientara o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e
procederá ao lançamento do crédito relativo aos valores porventura devidos.

03. Análise dos Benefícios Previdenciários considerados no cálculo


do FAP

B91- Auxílio Doença por Acidente do Trabalho

I . Conceito

Entende-se como acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício da atividade a
serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho, provocando lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte ou a perda ou a redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho.
Os acidentes do trabalho são classificados em três tipos, a saber:
a) acidente típico (tipo 1), é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da
empresa;
b) doença profissional ou do trabalho (tipo 2); e
c) acidente de trajeto (tipo 3), é aquele que ocorre no percurso do local de residência
para o de trabalho, desse para aquele, ou de um para outro local de trabalho habitual,
considerando a distância e o tempo de deslocamento compatíveis com o percurso do referido
trajeto.

I.1 Casos de Equiparação

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Equipara-se ao acidente do trabalho:
a) o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja
contribuído diretamente para a morte do segurado, para a perda ou redução da sua
capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua
recuperação;
b) o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho em conseqüência
de:
b.1) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiros ou companheiro
de trabalho;
b.2) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada
com o trabalho;
b.3) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro
de trabalho;
b.4) ato de pessoa privada do uso da razão;
b.5) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos decorrentes de força
maior;
c) a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua
atividade;
d) o acidente sofrido, ainda que fora do local e horário de trabalho:
d.1) na execução de ordem ou na realização de serviços sob a autoridade da
empresa;
d.2) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo
ou proporcionar proveito;
d.3) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiada por
esta, dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente
do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado;
d.4) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer
que seja o meio de locomoção, inclusive de veículo de propriedade do segurado.
Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de
outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é
considerado no exercício do trabalho.

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Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que,
resultante de acidente de outra origem, se associe ou se superponha às conseqüências do
anterior.
Será considerado agravamento do acidente aquele sofrido pelo acidentado quanto
estiver sob a responsabilidade da reabilitação profissional.

I.2 Doenças Não Consideradas

Não são consideradas como doença do trabalho:


a) a doença degenerativa;
b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa; e
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se
desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto
determinado pela natureza do trabalho.

II . Comunicação do Acidente do Trabalho

A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º


(primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade
competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário-
de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências.

Da comunicação receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o


sindicato a que corresponda a sua categoria.
Na falta do cumprimento do disposto acima, caberá ao setor de benefícios do INSS
comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa
devida.
A comunicação do acidente se faz também à autoridade policial, quando o fato causar
a morte do segurado.
As Comunicações de Acidente do Trabalho feitas perante o INSS devem se referir às
seguintes ocorrências:

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a) CAT inicial: acidente do trabalho típico, trajeto, doença ocupacional ou óbito
imediato;
b) CAT reabertura: afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou
de doença profissional ou do trabalho; e
c) CAT comunicação de óbito: falecimento decorrente de acidente ou doença
profissional ou do trabalho, após o registro da CAT inicial.

II.1 Emissão da CAT

A comunicação será feita ao INSS por intermédio do formulário Comunicação de


Acidente do Trabalho (CAT), preenchido em 4 (quatro) vias, com a seguinte destinação:
a) 1ª via: ao INSS;
b) 2ª via: ao segurado ou dependente;
c) 3ª via: ao sindicato dos trabalhadores; e
d) 4ª via: à empresa;
Compete ao emitente da CAT à responsabilidade pelo envio das vias dessa
Comunicação às pessoas e às entidades indicadas acima,
O formulário da CAT poderá ser substituído por impresso da própria empresa, desde
que contenha todos os campos do modelo oficial do INSS.
Para fins de cadastramento da CAT, caso o campo atestado médico do formulário de
CAT não esteja preenchido e assinado pelo médico assistente, deve ser apresentado
atestado médico original, desde que nele conste a devida descrição do atendimento
realizado ao acidentado do trabalho, inclusive o diagnóstico com o Código Internacional de
Doença (CID), e o período provável para o tratamento, contendo assinatura, o número do
Conselho Regional de Medicina (CRM), data e carimbo do profissional médico, seja
particular, de convênio ou do Sistema único de Saúde (SUS).
Na CAT de reabertura de acidente do trabalho, deverão constar as mesmas
informações da época do acidente, exceto quanto ao afastamento, último dia trabalhado,
atestado médico e data da emissão, que serão relativos à data da reabertura.
Não serão consideradas CAT de reabertura para as situações de simples assistência
médica ou de afastamento com menos de 15 (quinze) dias consecutivos.

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O óbito decorrente de acidente ou de doença profissional ou do trabalho, ocorrido
após a emissão da CAT inicial ou da CAT de reabertura, será comunicado ao INSS, por CAT
de comunicação de óbito, constando a data do óbito e os dados relativos ao acidente inicial.
A CAT poderá ser registrada na Agência da Previdência Social (APS) mais
conveniente ao segurado ou pela Internet. A CAT registrada pela internet
www.previdenciasocial.gov.br deverá ser impressa, constar assinatura e carimbo de
identificação do emitente e médico assistente, a qual será apresentada pelo segurado ao
médico perito do INSS, por ocasião da avaliação médico pericial.
A CAT registrada pela Internet www.previdenciasocial.gov.br é válida para todos os
fins no INSS.
No ato do cadastramento da CAT via Internet www.previdenciasocial.gov.br o emissor
deverá transcrever as informações constantes no atestado médico para o respectivo campo
da CAT, sendo obrigatória apresentação do atestado médico original por ocasião do
requerimento de benefício.
O atestado original também deverá ser apresentado ao médico-perito por ocasião da
avaliação médico-pericial.

II.2 Comunicação de Reabertura

As reaberturas deverão ser comunicadas ao INSS pela empresa ou beneficiário,


quando houver reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente
do trabalho ou doença ocupacional comunicado anteriormente ao INSS.
Na CAT de reabertura deverão constar as mesmas informações da época do acidente
exceto quanto ao afastamento, último dia trabalhado, atestado médico e data da emissão,
que serão relativos à data da reabertura.

II.3 Comunicação de Óbito

O óbito decorrente de acidente ou doença ocupacional, ocorrido após a emissão da


CAT inicial ou da CAT reabertura, será informado ao INSS por meio da CAT comunicação de
óbito, constando à data do óbito e os dados relativos ao acidente inicial.
Além disso, quando do acidente resultar a morte imediata do segurado, deverá ser
exigido pelo INSS:
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a) o boletim de registro policial da ocorrência ou, se necessário, cópia do inquérito
policial;
b) o laudo de exame cadavérico ou documento equivalente, se houver;
c) a Certidão de Óbito.

III. Benefícios Decorrentes de Acidente do Trabalho

Em caso de acidente do trabalho, o acidentado e os seus dependentes têm direito,


independentemente de carência, às seguintes prestações:
a) Quanto ao segurado:
a.1) auxílio-doença acidentário (decorrente de acidente de trabalho);
a.2) aposentadoria por invalidez; e
a.3) auxílio-acidente.
b) Quanto ao dependente:
b.1) pensão por morte.

III.1 Segurados Abrangidos

São devidas aos segurados empregado urbano ou rural (exceto o doméstico),


trabalhador temporário, trabalhador avulso, e segurado especial as prestações relativas a
acidente do trabalho .
Desse modo, o benefício de auxílio-doença acidentário (decorrente acidente do
trabalho), por exemplo, será devido ao segurado empregado (exceto o doméstico),
trabalhador avulso e segurado especial.
O presidiário somente fará jus ao benefício de auxílio-doença decorrente de acidente
do trabalho, bem como a auxílio-acidente, quando exercer atividade remunerada na condição
de empregado, trabalhador avulso ou segurado especial.
Os segurados facultativo, contribuinte individual (empresários e autônomos) e
empregado doméstico não fazem jus à percepção do auxílio-doença acidentário. Não
obstante, em caso de doença ou acidente terão direito ao auxílio-doença previdenciário,
desde observadas as regras definidas nos artigos 25 a 27 e 59 a 63 da Lei nº 8.213/1991.
Nota-se ainda, que aposentado empregado que sofrer acidente de trabalho, não fará
jus ao auxílio-doença acidentário após os 15 dias de afastamento, no entanto, a empresa fica
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responsável por emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) dentro do prazo de até
o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência.
Esta vedação ao recebimento do auxílio-doença acidentário, por parte do segurado
aposentado, é fundamentada na Lei 8.213/1991, a saber:

"Art. 124. Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto
dos seguintes benefícios da Previdência Social:
I - aposentadoria e auxílio-doença;
..."
IV. Efeitos do Acidente no Contrato de Trabalho

O acidente do trabalho é considerado como interrupção do contrato de trabalho. Assim


sendo, o período de afastamento é computado no tempo de serviço do empregado, sendo
devidos, também, os depósitos do FGTS e o pagamento do salário-família quando for o caso.
Anteriormente com advento da Lei nº 9.032/1995, o empregado acidentado que, por
meio de reabilitação profissional, se tornava apto a exercer função diversa da que exercia
antes do acidente poderia ser aproveitado em função de nível salarial inferior, desde que a
remuneração, somada ao auxílio-acidente percebido, resultasse em valor igual ou superior
àquele que percebia antes do acidente, conforme art. 118, parágrafo único, da Lei nº
8.213/1991.
Contudo, com a revogação do parágrafo único do artigo 118 da Lei nº 8.213/1995 pela
Lei nº 9.032/1995, entende-se que não é mais permitido o pagamento a empregado
reabilitado de remuneração inferior àquela percebida por ocasião do acidente.

IV.1 Estabilidade

O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantido, pelo prazo mínimo de 12
(doze meses), a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do
auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.
O entendimento predominante versa no sentido que só terá direito à estabilidade, o
empregado que permanecer afastado em face de acidente do trabalho por mais de 15 dias
consecutivos, situação em que fará jus ao auxílio-doença acidentário.

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Caso haja a reabertura do auxílio-doença acidentário, de acordo com o entendimento
predominante, a contagem do período de estabilidade provisória será contada a partir da
última alta médica.

VII. Fundamentação Legal

Instrução Normativa INSS nº 20/2007, arts. 211 a 231.

B94- Auxílio- Acidente

1. Introdução

O Auxílio- Acidente será concedido como indenização, ao segurado empregado,


exceto o doméstico, ao trabalhador avulso e ao segurado especial quando, após a
consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultar seqüela
definitiva, discriminadas no Anexo III do Decreto nº 3.048/1999, que implique:

I – redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia;

II – redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia, exigindo maior


esforço para o desempenho da mesma atividade da época do acidente;

III – impossibilidade do desempenho da atividade que exercia à época do acidente,


porém permita o desempenho de outra, após processo de Reabilitação Profissional, nos
casos indicados pela Perícia Médica do INSS.

O auxílio-acidente também será devido ao segurado que, indevidamente, foi demitido


pela empresa no período em que estava recebendo auxílio-doença decorrente de acidente
de qualquer natureza, e que as seqüelas definitivas resultantes estejam conforme
discriminadas abaixo.

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Não caberá a concessão de auxílio-acidente de qualquer natureza ao segurado:

I - ao segurado empregado doméstico, contribuinte individual e facultativo;

II - que estiver desempregado na data em que ocorreu o acidente;

III - que apresente danos funcionais ou redução da capacidade funcional sem


repercussão na capacidade laborativa; e

IV - quando ocorrer mudança de função, mediante readaptação profissional promovida


pela empresa, como medida preventiva, em decorrência de inadequação do local de
trabalho.

Para fins do disposto acima considerar-se-á a atividade exercida na data do acidente.

2. Concessão do Auxílio Acidente

A concessão do auxílio-acidente está condicionada à confirmação, pela Perícia


Médica do INSS, da redução da capacidade laborativa do segurado, em decorrência de
acidente de qualquer natureza.

Quando o segurado em gozo de auxílio-acidente fizer jus a um novo auxílio-acidente,


em decorrência de outro acidente ou de doença, serão comparadas as rendas mensais dos
dois benefícios e mantido o benefício mais vantajoso.

O auxílio-acidente (Espécie 36) decorrente de acidente de qualquer natureza é devido


desde 29 de abril de 1995, data da publicação da Lei nº 9.032, independentemente da Data
do Início do Benefício- DIB que o precedeu, se atendidas todas as condições para sua
concessão.

3. Valor da Renda Mensal


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Para apurar o valor da renda mensal do auxílio-acidente deverá ser observado o valor
da Renda Mensal Inicial–RMI, para os benefícios com início a partir de 29 de abril de 1995,
data da publicação da Lei nº 9.032, que será calculado, observando-se a DIB do auxílio-
doença que o precedeu, conforme a seguir:

I – se a DIB do auxílio-doença for anterior a 5 de outubro de 1988, a RMI do auxílio-


acidente será de cinqüenta por cento do salário-de-benefício do auxílio-doença, com a
devida equivalência de salários mínimos até agosto de 1991 e reajustado, posteriormente,
pelos índices de manutenção até a DIB do auxílio-acidente;

II – se a DIB do auxílio-doença for a partir de 5 de outubro de 1988, a RMI do auxílio-


acidente será de cinqüenta por cento do salário-de-benefício do auxílio-doença, reajustado
pelos índices de manutenção até a DIB do auxílio-acidente

4. Percentual de Cálculo

A verificação do percentual para efeitos de cálculo da renda mensal do auxílio-


acidente será da seguinte forma:

I – trinta, quarenta ou sessenta por cento, conforme o caso, se a DIB foi até 28 de abril
de 1995;

II - cinqüenta por cento, se a DIB for a partir de 29 de abril de 1995.

5. Suspensão do Benefício

O auxílio-acidente será suspenso quando da concessão ou da reabertura do auxílio-


doença, em razão do mesmo acidente ou de doença que lhe tenha dado origem, observado
o disposto no § 3º do art. 75 do RPS.

O auxílio-acidente suspenso será restabelecido após a cessação do auxílio-doença


concedido ou reaberto.
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O auxílio-acidente suspenso será cessado, se concedida aposentadoria.

O auxílio-acidente cessará no dia anterior ao início de qualquer aposentadoria ocorrida


a partir de 11 de novembro de 1997, data da publicação da MP nº 1.596-14, convertida na
Lei nº 9.528, de 1997, ou na data da emissão de CTC ou, ainda, na data do óbito, observado,
para o caso de óbito, o disposto no § 3º do art. 72 da IN INSS nº 20/2007.

Ressalvado o direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto do auxílio-


acidente com aposentadoria após 11 de novembro de 1997.

A concessão do auxílio- suplementar (espécie 95) foi devida até 24 de julho de 1991.

Não é permitido o recebimento conjunto do auxílio- suplementar com outro benefício,


exceto com o auxílio-doença.

6. Fundamento Legal

Art. 255 ao 263 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

B92-APOSENTADORIA POR INVALIDEZ

1. Introdução

É o benefício a que tem direito o segurado, que após cumprir a carência exigida,
esteja ou não recebendo auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho e não
sujeito à reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência.
Não é concedida aposentadoria por invalidez ao segurado que, ao filiar-se ao Regime
Geral de Previdência Social, já era portador da doença ou da lesão que geraria o benefício,
salvo quando a incapacidade decorreu de progressão ou agravamento dessa doença ou
lesão.

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2. Exame Médico Pericial

A concessão de aposentadoria por invalidez dependerá de verificação da condição da


incapacidade, mediante exame médico- pericial a cargo da previdência social, podendo o
segurado, às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico de sua confiança.
O segurado que estiver recebendo aposentadoria por invalidez, independente da
idade, está obrigado a se submeter à perícia médica do INSS de dois em dois anos.

3. Carência

Na hipótese de aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de trabalho ou de


qualquer natureza, o INSS não exige carência e no caso de aposentadoria por invalidez
decorrente de outras causas, a carência é de 12 contribuições mensais.
Se o segurado for acometido de tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental,
neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença
de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado de doença
de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida – AIDS, ou
contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada, terá direito
ao benefício, independente do pagamento de 12 contribuições, desde que tenha a qualidade
de segurado.

4. Perda da Qualidade de Segurado

Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa data só


serão computadas depois que, a partir da nova filiação à Previdência Social, o segurado
comprovar, no mínimo 04 contribuições (1/3) que somadas as anteriores totalize 12
contribuições.

5. Início do Pagamento

Se o segurado estiver recebendo auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez


começará a ser paga a contar do dia imediato ao da cessação do auxílio-doença.
Para o segurado que não recebe auxílio-doença:
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- para o segurado empregado a partir do 16º dia de afastamento da atividade ou a
partir da data da entrada do requerimento, se entre o afastamento e a entrada do
requerimento decorrerem mais de 30 dias.

- para os demais segurados a partir da data do início da incapacidade ou;

- a partir da data da entrada do requerimento, quando requerido após o 30º dia do


afastamento da atividade.
Caso o INSS tenha ciência da internação hospitalar ou do tratamento ambulatorial,
avaliado pela perícia médica, a aposentadoria começa ser paga no 16º dia do afastamento
da atividade ou na data do início da incapacidade, independentemente da data do
requerimento.
Durante os primeiros quinze dias de afastamento consecutivos da atividade por motivo
de invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o salário.

6. Extinção do Benefício

O aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade terá sua


aposentadoria automaticamente cessada, a partir da data do retorno.
Verificada a recuperação da capacidade de trabalho do aposentado por invalidez,
excetuando-se a situação prevista no art. 48, serão observadas as normas seguintes:
I - quando a recuperação for total e ocorrer dentro de cinco anos contados da
data do início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a antecedeu sem
interrupção, o beneficio cessará:
a) de imediato, para o segurado empregado que tiver direito a retornar à função
que desempenhava na empresa ao se aposentar, na forma da legislação trabalhista, valendo
como documento, para tal fim, o certificado de capacidade fornecido pela previdência social;
ou
b) após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio-doença e da
aposentadoria por invalidez, para os demais segurados; e
II - quando a recuperação for parcial ou ocorrer após o período previsto no inciso
I, ou ainda quando o segurado for declarado apto para o exercício de trabalho diverso do
qual habitualmente exercia, a aposentadoria será mantida, sem prejuízo da volta à atividade:
18
a) pelo seu valor integral, durante seis meses contados da data em que for
verificada a recuperação da capacidade;
b) com redução de cinqüenta por cento, no período seguinte de seis meses; e
c) com redução de setenta e cinco por cento, também por igual período de seis
meses, ao término do qual cessará definitivamente.

7. Renda Mensal do Benefício

O valor da aposentadoria por invalidez é 100% do salário de benefício, caso o


segurado não estivesse recebendo auxílio-doença.

8. Valor do Salário-de-Benefício

Para os inscritos até 28/11/99 - o salário de benefício corresponderá à média


aritmética simples dos maiores salários de contribuição, corrigidos monetariamente,
correspondentes a, no mínimo, 80% (oitenta por cento) de todo período contributivo desde a
competência 07/94.
Para os inscritos a partir de 29/11/99 - o salário de benefício corresponderá à média
aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de todo o
período contributivo.
Para o segurado especial que não tenha optado por contribuir facultativamente o valor
será de um salário mínimo.

9. Acréscimo de Benefício

Se o segurado necessitar de assistência permanente de outra pessoa, a critério da


perícia médica, o valor da aposentadoria por invalidez será aumentado em 25% a partir da
data de sua solicitação.
Observe-se que o acréscimo será devido ainda que o valor da aposentadoria atinja o
limite máximo legal e será recalculado sempre quando o benefício que lhe deu origem for
reajustado.
O acréscimo de 25% cessará com a morte do aposentado, não sendo incorporado ao
valor da pensão por morte.
19
10. Rescisão do Contrato de Trabalho

Uma das principais dúvidas referente à aposentadoria por invalidez diz respeito à
rescisão ou não do contrato de trabalho do segurado que passa a receber este benefício
previdenciário.
Conforme o disposto no art. 475 da CLT, o contrato de trabalho fica suspenso, isto é, o
empregado não trabalha e também não recebe seu salário da empresa e sim o benefício da
Previdência Social. Quando o empregado se recuperar da invalidez, ele volta a trabalhar
normalmente na empresa, não havendo, portanto, rescisão do contrato de trabalho por
ocasião da concessão do benefício de aposentadoria por invalidez.
Veja a íntegra do art. 475 da CLT:

“O empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu contrato de
trabalho durante o prazo fixado pelas leis da previd6encia social para a efetivação do
benefício.

§ 1o Recuperando o empregado a capacidade de trabalho e sendo a aposentadoria


cancelada, ser-lhe-á assegurado o direito a função que ocupava ao tempo da aposentadoria,
facultado, porém, ao empregador, o direito de indenizá-lo por rescisão do contrato de
trabalho, nos termos dos arts. 477 e 478, salvo na hipótese de ser ele portador de
estabilidade, quando a indenização deverá ser paga na forma do art. 497.

§ 2o Se o empregador houver admitido substituto para o aposentado, poderá rescindir,


com este, o respectivo contrato de trabalho sem indenização, desde que tenha havido
ciência inequívoca da interinidade ao ser celebrado o contrato.

Nota:

As indenizações previstas nos artigos citados acima foram substituídos pela multa de
40% do FGTS.

11. Fundamentos Legais


20
Arts. 43 ao 50 do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto nº 3.048/1999,
mais os mencionados no texto.

B93- Pensão por Morte

1. Introdução

Pensão por morte é o benefício previdenciário a que têm direito os dependentes do

segurado que falecer, inclusive por acidente de trabalho.

2. Dependente do Segurado

Há três classes de dependentes:

Classe I: o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de

qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido;

Classe II: os pais;

Classe III: o irmão, não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou

inválido.

A condição de invalidez do dependente maior de 21 anos deverá ser comprovada pela

perícia médica do INSS.

O conjuge separado de fato terá direito à pensão por morte, mesmo que este benefício

já tenha sido requerido e concedido à companheira ou ao companheiro, constituindo a

21
certidão de casamento documento bastante e suficiente para a comprovação do vínculo e da

dependência econômica.

Enteados e tutelados equiparam-se a filhos.

Havendo dependentes de uma classe, os dependentes da classe seguinte perdem o

direito a receber pensão por morte. Também perde o direito ao benefício o dependente que

passar à condição de emancipado por sentença do Juiz ou por concessão do seu

representante legal, ou em função de casamento, ou ainda pelo exercício de emprego

público efetivo, pela colação de grau em curso de ensino superior, por constituir

estabelecimento civil ou comercial com economia própria.

A emancipação do dependente inválido por meio de colação de grau científico em

curso de ensino superior não o exclui da condição de dependente.

3. Perda da Qualidade de Segurado

Será concedido a pensão por morte aos dependentes, mesmo que o óbito tenha

ocorrido após a perda da qualidade de segurado, desde que o segurado tenha implementado

todos os requisitos para obtenção de uma aposentadoria até a data do óbito, ou fique

reconhecida a existência de incapacidade permanente ou temporária, dentro do período de

graça, por meio de parecer médico pericial do INSS, com base em atestados ou relatórios

médicos, exames complementares, prontuários ou outros documentos equivalentes,

referentes ao ex- segurado.

4. Companheiro(a) Homossexual

22
Por determinação judicial proferida em Ação Civil Pública nº 2000.71.00.009347-0,

também fará jus a pensão por morte quando requerida por companheiro ou companheira

homossexual.

5. Mais de um Dependente

Havendo mais de um dependente, o valor do benefício é dividido entre todos, em

partes iguais.

Se um dos dependentes perder o direito ao benefício, a parte que ele recebia será

revertida em favor dos demais dependentes.

Não será concedido a pensão por morte aos dependentes do segurado que falecer

após a perda da qualidade de segurado, salvo se preenchidos os requisitos para obtenção

de aposentadoria.

6. Período de Carência

Para o pagamento da pensão por morte não é exigido cumprimento de carência.

7. Valor do Benefício

O valor da pensão por morte corresponde a 100% do valor da aposentadoria que o

segurado recebia ou daquela que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data

do seu falecimento.

Em se tratando de segurado especial o valor da pensão por morte é de um salário

mínimo.
23
8. Pagamento do Benefício

O pagamento da pensão por morte será efetuado:

a partir da data do óbito do segurado, se requerida até 30 dias do falecimento;

a partir da data do requerimento, se requerida após 30 dias do falecimento;

a partir da data da decisão judicial, quando se tratar de morte presumida.

Nota:

A pensão devida aos dependentes menores ou incapazes começa a ser contada, para

efeitos financeiros, a partir da morte do segurado, independentemente da data do

requerimento do benefício.

9. Morte Presumida

A pensão concedida, em caráter provisório, por morte presumida, nos casos de

desaparecimento do segurado por motivo de catástrofe, acidente ou desastre, poderá

constar como prova hábil do desaparecimento, o boletim do registro de ocorrência feito junto

à autoridade policial; a prova documental de sua presença no local de ocorrência; noticiário

dos meios de comunicação; entre outras.

Nos casos de pensão concedida por morte presumida, a cada seis meses o

recebedor do benefício deverá apresentar documento da autoridade competente contendo

informações acerca do andamento do processo, até que seja apresentada a certidão de

óbito.

Verificado o reaparecimento do segurado, o pagamento da pensão cessa

imediatamente, ficando os dependentes desobrigados da reposição de valores, salvo má- fé.


24
10. Extinção do Benefício

O pagamento da cota individual da pensão por morte cessa:

Pelo falecimento do pensionista;

Pela extinção da cota do último pensionista;

Se quem recebe a pensão por morte é o filho ou o irmão, o benefício deixa de ser

pago quando esse dependente se torna emancipado, ou completa 21 anos (a menos que

seja inválido);

Se quem recebe a pensão é um dependente inválido, o benefício deixa de ser

pago quando cessa a invalidez.

11. Fundamentos Legais

Arts. 105 ao 115 do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto n° 3.048/99.

04. Nexos Técnicos Previdenciários. O que são?

O art. 3º da INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/PRES Nº 31 de 10/09/2008, detalha as


seguintes possibilidades de nexos técnicos:

1. Nexo Técnico Profissional ou do Trabalho – nexo técnico profissional ou do


trabalho, fundamentado nas associações entre patologias e exposições constantes das listas
A e B do anexo II do Decreto nº 3.048, de 1999;

2. Nexo Técnico por Doença Equiparada a Acidente de Trabalho ou Nexo


Técnico Individual – nexo técnico por doença equiparada a acidente de trabalho ou nexo

25
técnico individual, decorrente de acidentes de trabalho típicos ou de trajeto, bem como de
condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele relacionado diretamente, nos
termos do § 2º do art. 20 da Lei nº 8.213/91;

3. Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) - nexo técnico


epidemiológico previdenciário, aplicável quando houver significância estatística da
associação entre o código da Classificação Internacional de Doenças-CID, e o da
Classificação Nacional de Atividade Econômica-CNAE, na parte inserida pelo Decreto nº
6.042/07, na lista B do anexo II do Decreto nº 3.048,/99.

Nexo Técnico Profissional ou do Trabalho

A empresa poderá interpor:

a) Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), em até 30 (trinta)


dias após a data em que tomar conhecimento da concessão do benefício em espécie
acidentária por Nexo Técnico Profissional ou do Trabalho (listas A e B), conforme artigo 126
da Lei nº 8.213/1991, ou por benefício em espécie acidentária por nexo técnico por doença
equiparada a acidente de trabalho ou nexo técnico individual, quando dispuser de evidências
que demonstrem que os agravos não possuem nexo com o trabalho exercido pelo
trabalhador. O recurso interposto contra o estabelecimento de nexo técnico com base no
anexo II do Decreto nº 3.048/1999, não terá efeito suspensivo (IN 31, §§ 1º dos artigos 4º e
5º).

Nexo Técnico por Doença Equiparada a Acidente de Trabalho ou Nexo Técnico


Individual

A empresa poderá interpor recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social


(CRPS), até 30 (trinta) dias após a data em que tomar conhecimento da concessão do
benefício em espécie acidentária por Nexo Técnico por Doença Equiparada a Acidente de
Trabalho ou Nexo Técnico Individual, conforme artigo 126 da Lei nº 8.213/1991, quando
dispuser de evidências que demonstrem que os agravos não possuem nexo técnico com o

26
trabalho exercido pelo trabalhador. O recurso interposto contra o estabelecimento de nexo
técnico com base no §2º do art. 20 da Lei nº 8.213/1991, não terá efeito suspensivo.

Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP)

A empresa poderá requerer ao INSS, em até 15 (quinze) dias após a data de entrega
da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à
Previdência Social – GFIP (normalmente dia 7 de cada mês), a não aplicação do NTEP, ao
caso concreto, quando dispuser de evidências que demonstrem que os agravos não
possuem nexo causal com o trabalho exercido pelo trabalhador, sob pena de não
conhecimento da alegação em instância administrativa, caso não protocolize o requerimento
dentro do prazo estabelecido.

A empresa tomará ciência do NTEP pelo endereço eletrônico www.previdencia.gov.br


ou, subsidiariamente, pela Comunicação de Resultado do Requerimento de Benefício por
Incapacidade - CRER, entregue ao trabalhador.
O requerimento da empresa deverá ser feito em duas vias e entregue nas Agências da
Previdência Social – APS, devendo o mesmo ser protocolizado no Sistema Integrado de
Protocolo da Previdência Social – SIPPS.
A empresa, no ato do requerimento da não aplicação do NTEP, deverá apresentar
documentação probatória, que demonstre que os agravos não possuem nexo com o trabalho
exercido pelo segurado.
Serão considerados como documentação probatória as seguintes demonstrações
ambientais, entre outras:

I – PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais;


II – PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos;
III – PCMAT – Programa de Controle do Meio Ambiente de Trabalho;
IV – PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional;
V – LTCAT – Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho;
VI – PPP – Perfil Profissiográfico Previdenciário;
VII – CAT - Comunicação de Acidente do Trabalho;
VIII – Relatórios e documentos médico-ocupacionais.
27
A documentação deverá ser obrigatoriamente contemporânea à época do agravo,
devendo constar a assinatura do profissional responsável para cada período, devidamente
registrado, e comprovada sua regularidade em seu órgão de classe: número de registro,
anotação técnica ou equivalente.
A APS informará ao segurado (trabalhador) a existência do requerimento da empresa,
somente quando tender pela não confirmação do NTEP para, querendo, apresentar contra-
razões no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do requerimento.
A análise do requerimento e das provas produzidas será realizada pela perícia
médica, cabendo ao setor administrativo da APS comunicar o resultado da análise à
empresa e ao segurado.

Da decisão do requerimento cabe recurso, com efeito suspensivo, por parte da


empresa ou, conforme o caso, do segurado (trabalhador) ao Conselho de Recursos da
Previdência Social – CRPS. O prazo para interposição de recurso contra decisão exarada em
contestação do NTEP será de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão proferida.
O INSS procederá à marcação eletrônica do benefício no Sistema de Administração
de Benefícios por Incapacidade (SABI) que estará sob efeito suspensivo, deixando para
alterar a espécie após o julgamento do recurso pelo CRPS, quando for o caso.
O recurso da empresa ao CRPS fará com que o benefício acidentário gere efeitos de
benefício previdenciário, isentando-a do recolhimento para o Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço – FGTS e com respeito à estabilidade após o retorno ao trabalho, em caso de
cessação da incapacidade.
O recurso do segurado ao CRPS fará com que o benefício previdenciário gere efeitos
de benefício acidentário, obrigando a empresa ao recolhimento para o Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço – FGTS e com respeito a à estabilidade após o retorno ao trabalho, em
caso de cessação da incapacidade.
O efeito suspensivo não prejudica o pagamento regular do benefício ao segurado
(trabalhador), desde que atendidos os requisitos de carência que permita a manutenção do
reconhecimento do direito ao benefício como auxílio-doença previdenciário.

05. O que é o Fator Acidentário de Prevenção - FAP

28
O FAP é o mecanismo que permite à Receita Federal do Brasil – RFB*, aumentar ou
diminuir a alíquota de 1% (risco leve), 2% (risco médio) ou 3% (risco grave), que cada
empresa recolhe para o financiamento dos benefícios por incapacidade (grau de incidência
de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais). Essas alíquotas poderão
ser reduzidas em até 50% e aumentadas em até 100%, conforme a quantidade, a gravidade
e o custo das ocorrências acidentárias em cada empresa em relação ao seu segmento
econômico. O FAP entrará em vigor em janeiro de 2010.
* A época da publicação da Lei n.º 10.666/03, as contribuições sociais eram
administradas pelo INSS. Atualmente são administradas pela RFB.

1- Fonte de dados do FAP:

- Registros da Comunicação de Acidentes de Trabalho – CAT relativo a cada


acidente ocorrido;

- Registros de concessão de benefícios acidentários que constam nos sistemas


informatizados do Instituto Nacional de Seguro Social - INSS concedidos a partir de abril de
2007 sob a nova abordagem dos nexos técnicos aplicáveis pela perícia médica do INSS,
destacando-se aí o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário - NTEP;

- Dados populacionais empregatícios registrados no Cadastro Nacional de


Informações Social - CNIS, do Ministério da Previdência Social - MPS, referentes ao período-
base

2- Cálculo do FAP

O cálculo do FAP será composto pelos registros de toda CAT e pelos registros dos
benefícios de natureza acidentária. A base de dados do FAP será composta por dados de
dois anos imediatamente anteriores ao ano de processamento. Excepcionalmente, o primeiro
processamento do FAP utilizará os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008.
Benefícios utilizados para cálculo do FAP a partir de abril/2007:

29
- CAT -

- B91 -

- B92 -

- B93 -

- B94 -

Os benefícios de natureza acidentária serão contabilizados no CNPJ ao qual o


trabalhador esteja vinculado no momento do acidente, ou ao qual o agravo esteja
diretamente relacionado.

Índice de Freqüência – indica a incidência de acidentabilidade em cada empresa.


Para esse índice são computadas as ocorrências acidentárias registradas por meio da CAT e
os benefícios das espécies B91 e B93 sem registro de CAT, ou seja, aqueles que foram
estabelecidos por nexos técnicos, inclusive por NTEP. Podem ocorrer casos de concessão
de B92 e B94 sem a precedência de um B91 e sem a existência de CAT e nestes casos
serão contabilizados como registros de acidentes ou doenças do trabalho.

F = (Número de CAT) + (B91 + B92 + B93 + B94 sem CAT) x 1000


-----------------------------------------------------------------------------
Número médio de vínculos

Índice de Gravidade – indica a gravidade das ocorrências acidentárias em cada


empresa. Para esse índice são computados todos os casos de afastamento acidentário com
mais de 15 dias (B91, B92, B93 e B94), atribuindo-se pesos diferentes para cada tipo de
afastamento em função da gravidade da ocorrência. Este índice é baseado no Sistema Único
de Benefícios – SUB da Previdência Social.

30
B93 – Pensão por morte - peso 0,50
B92 – Invalidez - peso 0,30
B91 – Auxilio doença acidentário - peso 0,10
B94 – Auxilio acidente - peso 0,10

G = (B91x0,10) + (B94x0,10) + (B92x0,30) + (B93x0,50) x 1000

-----------------------------------------------------------------------------
Número médio de vínculos

Atribuição de pesos diferenciados para morte e invalidez segue indicação da NBR


14.280 - Cadastro de Acidentes do Trabalho Procedimento e Classificação.

Índice de Custo – representa o custo dos benefícios por afastamento cobertos


pela Previdência. Para esse índice são computados os valores pagos pela Previdência em
rendas mensais de benefícios e o tempo de afastamento em meses ou fração, sendo que
benefícios sem data final tem data de fim de ano como base de cálculo.

B91 – Auxílio doença – o custo é calculado pelo tempo de afastamento em meses e


fração de mês, do trabalhador.

B92 – Invalidez (parcial ou total) – o custo é calculado fazendo projeção da


expectativa de sobrevida a partir da tábua completa de mortalidade construída pela
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, para toda a população
brasileira, considerando-se a média nacional única para ambos os sexos.

B93 – Pensão por morte - o custo é calculado fazendo projeção da expectativa de


sobrevida a partir da tábua completa de mortalidade construída pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, para toda a população brasileira, considerando-
se a média nacional única para ambos os sexos.

B94 – Auxílio acidente.

31
C = Valor total de benefícios x 1000
-------------------------------------
Valor total de remuneração paga

Índice Composto – Criação do índice composto (F + G + C) que pondera o percentil


de gravidade com 50% de importância, o percentil de frequência com 35% de importância e o
percentil de custo com 15% de importância.
Os percentis não podem ser calculados pela empresa, pois eles levam em
consideração o resultado do índice, comparando-o a todas as empresas dentro de um
determinado CNAE- Subclasse.

Assim sendo, o FAP será obtido pelo resultado da seguinte formula:

FAP = (0,5 x percentil da G)+(0,35 x percentil da F)+(0,15X percentil do C) x 0,02

OBS: Em caráter excepcional, no primeiro ano de aplicação do FAP (2010), para as


empresas que tiverem aumento de suas alíquotas, estas serão majoradas observadas o
mínimo equivalente à alíquota de contribuição da sua área econômica, em 75% da parte do
índice apurado que exceder a um.
Assim, em 2010, primeiro ano de implantação das novas regras, as empresas que
investiram em medidas de segurança e saúde – redução do número de acidentes ou
doenças do trabalho - terão bonificação integral no cálculo da contribuição, referente ao valor
total da contribuição que seria devida no período.
Já as empresas que não investiram em saúde e segurança terão a cobrança de 75% do valor
total devido (malus). Os índices máximos de pagamento, serão os seguintes:

Para o grau leve de 1% será de 1,75%;


Para o grau médio de 2%, será de 3,5% e;
Para o risco grave de 3%, será de 5,25%.
A partir de 2011, com o fim da redução de 25%, os tetos vão para 2%, 4% e 6%.

3. Travas do FAP:
32
As travas do FAP não entram na sua fórmula de cálculo, portanto não podem interferir
no aumento ou diminuição de sua alíquota. As travas só serão objeto de observação pela
Previdência Social caso a empresa tenha direito, de acordo com a nova metodologia, a um
FAP menor que um. As travas são aplicadas por CNPJ.

3.1 Trava de mortalidade ou invalidez permanente – caso a empresa apresente


casos de morte ou invalidez permanente, seu valor de FAP não poderá ser inferior a um,
para que a alíquota da empresa não seja inferior à alíquota de contribuição da sua área
econômica, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, salvo, a hipótese de
a empresa comprovar, de acordo com regras estabelecidas pelo INSS, investimentos em
recursos materiais, humanos e tecnológicos em melhoria na segurança do trabalho, com o
acompanhamento dos sindicatos dos trabalhadores e dos empregadores.

3.2 Trava de Rotatividade – Não será concedida a bonificação para as empresas


cuja taxa média de rotatividade de trabalhadores inscritos no seu CNPJ for superior a 75 %
(setenta e cinco por cento), salvo se comprovarem que tenham sido observadas as normas
de saúde e segurança do trabalho em caso demissões voluntárias ou término de obra.

Cálculo da taxa de rotatividade anual:

Rotatividade anual =

mínimo (número de admissões ou demissões do ano) x 100


----------------------------------------------------------------------
Número de vínculos no início do ano

Cálculo da taxa de média de rotatividade:

Média de rotatividade = média das taxas de rotatividade anuais dos últimos dois anos.

3.3 Para desfazer as travas do FAP:

33
a) Trava de mortalidade ou invalidez permanente

Deverá haver comprovação pela empresa dos investimentos em recursos materiais,


humanos e tecnológicos em melhoria na segurança do trabalho, com o acompanhamento
dos sindicados dos trabalhadores e dos empregadores, prevista no item 2.4 da Resolução
MPS/CNPS nº 1.308, de 27 de maio de 2009, intitulado Geração do Fator Acidentário de
Prevenção por empresa, permitirá que o valor do FAP seja inferior a um, mesmo nos casos
em que apresente casos de morte ou invalidez permanente.
O formulário eletrônico "Demonstrativo de Investimentos em Recursos Materiais,
Humanos e Tecnológicos em Melhoria na Segurança do Trabalho" será disponibilizado pelo
MPS até 31 de outubro de 2009, e acessado na rede mundial de computadores nos sítios do
MPS e da RFB, e conterá a síntese descritiva sobre:

I - a constituição e o funcionamento de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes -


CIPA ou a comprovação de designação de trabalhador, conforme previsto na Norma
Regulamentadora - NR 5;
II - as características quantitativas e qualitativas da capacitação e treinamento dos
empregados;
III - a composição de Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho - SESMT, conforme disposto na NR 4;
IV - a análise das informações contidas no Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais - PPRA e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO
realizados no período-base que compõe a base de cálculo do FAP processado;
V - o investimento em Equipamento de Proteção Coletiva - EPC, Equipamento de
Proteção Individual - EPI e melhoria ambiental; e
VI - a inexistência de multas, decorrentes da inobservância das Normas
Regulamentadoras, junto às Superintendências Regionais do Trabalho - SRT.

O Demonstrativo de que trata o Formulário eletrônico deverá ser preenchido,


impresso, datado e assinado por representante legal da empresa e protocolado no sindicato
dos trabalhadores da categoria vinculada à atividade reponderante da empresa o qual
homologará o documento, em campo próprio.

34
O formulário eletrônico deverá conter a identificação:

I - da empresa e do sindicato dos trabalhadores da categoria vinculada à atividade


preponderante da empresa, com endereço completo, telefone e data da homologação do
formulário eletrônico; e
II - do representante legal da empresa que emitir o formulário, do representante do
sindicato que o homologar e do representante da empresa encarregado da transmissão do
formulário para a Previdência Social.

A empresa completará o formulário com a informação do sindicato homologador e


transmitirá o Demonstrativo para fins de processamento pela Previdência Social.
A transmissão do Demonstrativo deverá ocorrer, impreterivelmente, até 31 de
dezembro de 2009, sob pena de a informação não ser processada e o impedimento da
bonificação mantido.
O Demonstrativo impresso e homologado será arquivado pela empresa por cinco
anos, podendo ser requisitado para fins da auditoria da RFB ou da Previdência Social.
Ao final do processo de requerimento de suspensão do impedimento da bonificação,
a empresa conhecerá o resultado disponibilizado pelo MPS, mediante acesso restrito, com
senha pessoal, o qual poderá ser acessado na rede mundial de computadores nos sítios do
MPS e da RFB.
Será encaminhada comunicação ao sindicato responsável pela homologação do
Demonstrativo, para o devido acompanhamento.

b) Trava de Rotatividade

As empresas que não recebam bonificação por apresentarem Taxa Média de


Rotatividade, calculada na fase de processamento do FAP anual, acima de setenta e cinco
por cento poderão requerer a suspensão do impedimento à bonificação, conforme previsto
nas Resoluções MPS/CNPS nº 1.308, de 2009, caso comprovem que tenham sido
observadas as normas de Saúde e Segurança do Trabalho em caso de demissões
voluntárias ou término de obra.
A comprovação acima será efetuada mediante o já citado formulário eletrônico
"Demonstrativo de Investimentos em Recursos Materiais, Humanos e Tecnológicos em
35
Melhoria na Segurança do Trabalho" devidamente preenchido e homologado, cujo
processamento seguirá os seguintes trâmites:

O formulário eletrônico de que trata acima deverá conter a identificação:

I - da empresa e do sindicato dos trabalhadores da categoria vinculada à atividade


preponderante da empresa, com endereço completo, telefone e data da homologação do
formulário eletrônico; e
II - do representante legal da empresa que emitir o formulário, do representante do
sindicato que o homologar e do representante da empresa encarregado da transmissão do
formulário para a Previdência Social.
A transmissão do Demonstrativo deverá ocorrer, impreterivelmente, até 31 de
dezembro de 2009, sob pena de a informação não ser processada e o impedimento da
bonificação mantido.
O Demonstrativo impresso e homologado será arquivado pela empresa por cinco
anos, podendo ser requisitado para fins da auditoria da RFB ou da Previdência Social.
Ao final do processo de requerimento de suspensão do impedimento da bonificação, a
empresa conhecerá o resultado disponibilizado pelo MPS, mediante acesso restrito, com
senha pessoal, o qual poderá ser acessado na rede mundial de computadores nos sítios do
MPS e da RFB.
Será encaminhada comunicação ao sindicato responsável pela homologação do
Demonstrativo, para o devido acompanhamento.

Micro-empresa e pequena empresa

O FAP não representará impacto sobre esse segmento para as empresas que estejam
sujeitas a substituição tributária (SIMPLES) porque não há recolhimento da alíquota referente
ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais (antigo
SAT – Seguro de Acidente do Trabalho). A substituição tributária (SIMPLES) é uma condição
temporária, uma vez não enquadrada nessa condição o FAP poderá ser aplicado
inclusive sobre períodos anteriores ao desenquadramento da empresa no SIMPLES. O FAP
será divulgado para todas as empresas, independentemente de opção de regime tributário,
pois quando a empresa deixar de se enquadrar no SIMPLES, informará na GFIP o seu FAP
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previamente divulgado, como assim o farão as demais empresas. As micro e pequenas
empresas (MPEs) deverão atender aos dispositivos legais referentes ao NTEP, pois a sua
caracterização acarretará crescentes responsabilidades previdenciárias, trabalhistas e civis
com importantes implicações empresariais.

Empresas contratadas (terceiros)

Considerando a possibilidade da caracterização da responsabilidade solidária entre a


contratante e a contratada, estabelecida juridicamente na modalidade de prestação de
serviços, torna-se imperiosa a necessidade de realizar vigilância do atendimento aos
dispositivos legais na área de segurança e saúde no trabalho das empresas contratadas,
frente à potencial probabilidade de implicações da empresa contratante nas esferas
previdenciária, trabalhista e civil.

Quais as implicações legais do FAP e NTEP para as empresas?

Com a vigência plena do FAP e do NTEP, as empresas deverão ficar muito atentas
para evitar o aumento de custos, dos afastamentos e a formação de passivos trabalhistas de
elevada imprevisibilidade.

Observam-se os seguintes riscos para as empresas:

1. Aumento do custo de produção pelo pagamento do FGTS do trabalhador


afastado – a concessão, pela Previdência Social, do benefício acidentário, obriga o
recolhimento do FGTS no período de afastamento do trabalhador;

2. Estabilidade temporária do trabalhador - mínima de 12 meses após o retorno


à atividade (Lei 8.213/1991, art. 118);

3. Ações de Reintegração após desligamento da empresa (Período de Graça) –


no período mínimo de 12 meses e máximo de 36* meses após desligamento (art. 15 da Lei
N.º 8.213/91), quando o trabalhador ainda é considerado segurado da Previdência Social,

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poderá ser aferido um NTEP, o que obriga a reintegração, estabilidade, FGTS e benefícios
previdenciários.

4. Ações Trabalhistas Indenizatórias - reparação por danos patrimoniais, morais


e estéticos, quando for o caso movidas pelos trabalhadores. O conceito legal de acidente do
trabalho, previsto no art. 19 da Lei nº 8213/1991, aplica-se tanto para fins previdenciários,
quanto para civis e trabalhistas;

5. Ações Regressivas em desfavor das empresas pelo INSS - a Resolução


CNPS nº 1.291/2007 recomenda ao INSS que amplie as proposituras de ações regressivas
contra os empregadores considerados responsáveis por acidentes do trabalho;

O que fazer para reduzir a contribuição à Previdência?

O empresário pode usar o FAP a seu favor garantindo a redução tributária. Uma
vantagem para os empresários que investem em Segurança e Saúde do Trabalho - SST e se
tornam mais competitivos.
É preciso começar agora a investir na redução da incidência de acidentes e doenças
ocupacionais. Identificar os perigos existentes no processo produtivo e implementar medidas
de correção que diminuam os riscos de acidentes e doenças do trabalho. Além disso, a
gestão da informação de SST da empresa é imprescindível para se conhecer sua real
situação e atuar preventivamente nos acidentes e doenças que possam estar relacionados
ao FAP/NTEP. Essas ações irão propiciar uma indústria mais segura e saudável e contribuir
para a redução de custos com SST.

Como começar?

1. Conheça os benefícios acidentários relacionados à sua empresa,


preferentemente através de consultas sistemáticas ao site da Previdência Social;

2. Apresente as contestações necessárias e de forma tempestiva, seja através


de recurso ao CRPS, seja pelo requerimento a APS;

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3. Realize um diagnóstico dos problemas de segurança e saúde do trabalho
que mais geram os benefícios previdenciários, relacionando-os com setores/cargos em que a
concessão do benefício apareça de forma mais prevalente;

4. Elabore um plano de ação priorizando os principais problemas evidenciados


através do diagnóstico, e os setores/cargos em que esses problemas são mais significativos;

5. Implante melhorias nesses setores/cargos a partir do plano de ação, Monitore


essas melhorias, para verificar sua eficácia, através das consultas sistemáticas ao site do
INSS; essas consultas deverão mostrar números mais reduzidos de benefícios acidentários
relacionados aos setores/cargos em que as melhorias foram realizadas;

6. Utilize indicadores de desempenho que mostrem índices relativos a


benefícios acidentários e sua freqüência mensal (associados ou não a números de emissão
de CATs);

7. Disponha de um sistema de gestão de afastamentos para monitorar tanto os


de curto e longo prazo (menor ou maior de 15 dias);

8. Controle todos atestados e CATs emitidas, para evidenciar a sua pertinácia


quanto à realidade e necessidade de encaminhamento ao INSS.

O que fazer com as CAT emitidas por terceiros ?

Até o momento inexiste solução para essa questão.

Embasamento legal

O embasamento legal é dado pela Lei 10.666, de 08/05/2003, pela Lei 11.430, de
26/12/2006, que alterou a Lei 8.213/91 e pelo Decreto 6.042, de 12/02/2007 (alterado pelo
Decreto 6.577, de 25/09/2008), que alterou o Decreto 3.048 (Regulamento de Benefícios da
Previdência Social), de 06/05/1999; pela Resolução MPS/CNPS nº 1.269, de 15 de fevereiro
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de 2006, alterada pelas Resoluções MPS/CNPS n.º 1.308, de 27 de maio de 2009 e
Resolução MPS/CNPS nº 1.309, de 24 de junho de 2009; pela Instrução Normativa
31/INSS/PRES, de 10/09/2008 e a Portaria MPS 457, de 22/11/2007 e Orientação Interna n.º
200 INSS/DIRBEN, de 25 de setembro de 2008. Finalmente, pelo Decreto nº 6.957 de 09 de
setembro de 2009 e pela Portaria Interministerial nº 254 de 24 de setembro de 2009, Portaria
Interministerial MPS/MF nº 329/2009.

INSTRUTORA: DRA. LÍRIS SILVIA ZOÉGA TOGNOLI - Pós- Graduada (Lato Sensu)
em Direito Individual e Coletivo do Trabalho pela UNESA/RJ, graduada em Direito.
Advogada, atuando há mais de 21 anos em Consultoria Jurídica Preventiva nos assuntos
Trabalhista, Previdenciário e FGTS. Sócia da “Apta Consultoria Jurídica”, em Ribeirão Preto,
SP. Docente em diversos Institutos de Treinamento, foi consultora do grupo IOB por mais de
13 anos.

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