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Alyne dos Reis Pereira - 202126045

Bruno Alexandre Fernandes - 202124232

Mateus Boretti Pereira - 202120030

Sara Franciele Ribeiro - 004202008416

Camila de Souza Silva - 202126246

Vilmar Damasceno Santos 202127176

Estudo Dirigido:
PERSONALIDADE

Campinas

2021

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PERSONALIDADE

Estudo dirigido apresentado à


Universidade São Francisco, campus
Campinas como exigência parcial da
disciplina Processos Psicológicos Básicos
para obtenção de nota semestral.
Professor: Renan de Morais Afonso

Campinas

2021

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................4

2. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM..................................................................................5

3. ABORDAGEM PSICANALISTA…....................................................................................7

4. ABORDAGEM COMPORTAMENTAL...............................................................................11

6. ABORDAGEM HUMANISTA…….……………………………………………………………..13

6. ABORDAGEM EVOLUCIONISTA……………………………………………………………..13

8. GENÉTICA DA PERSONALIDADE…………………………………………………………...15

9. REFERÊNCIAS...............................................................................................................17

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1. INTRODUÇÃO

Personalidade é o conjunto das características marcantes de uma pessoa, é a


força ativa que ajuda a determinar o relacionamento das pessoas baseado em seu
padrão de individualidade pessoal e social, referente ao pensar, sentir e agir.
O fator introversão-extroversão refere-se ao grau em que a orientação básica de
uma pessoa se introverte para o self ou para fora, para o mundo exterior. No final da
escala de extroversão ficam os indivíduos sociáveis que preferem ocupações que
lhes permitam trabalhar diretamente com outras pessoas. Neste trabalho se
pretende compreender a personalidade por diferentes abordagens, de modo que as
diversas vias deste estudo possam fornecer um estudo mais amplo desse processo.

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2. O QUE É ISSO? - QUEM ESCREVEU, DÊ TÍTULO

Neuroticismo

Estabilidade – Instabilidades.

É a dimensão em que se encontra estabilidade emocional, temos a tendência


a experimentar facilmente emoções, comuns da vida (depressões, sentimento de
culpa, inveja, raiva, ansiedade, entre outros).

Algumas discrepâncias entre as conclusões dos pesquisadores ocorrem


porque traços diferentes são inicialmente submetidos à análise, outras porque tipos
de dados diferentes são analisados e outras, ainda, porque métodos analíticos
diferentes são empregados. Um pesquisador que prefira uma descrição mais
diferenciada ou refinada da personalidade estabelecerá um conjunto de critérios
mais discriminativos para um fator e, portanto, aceitará mais fatores.

Conhecido como os Cinco Grandes Fatores da Personalidade. Existe ainda


um desacordo sobre a melhor denominação e interpretação desses fatores, mas os
nomes usados com frequência incluem Abertura às experiências,
Conscienciosidade, Extroversão, Amabilidade e Neuroticismo. Muitos psicólogos da
personalidade consideram a descoberta e a validação dos Cinco Grandes Fatores
como uma das principais descobertas da psicologia contemporânea da
personalidade.

Inventário de personalidade

Nesses inventários, cada item é produzido para representar um traço de


personalidade em particular e os subconjuntos de itens similares são agrupados
para fornecer um escore para cada escala do traço. Na maioria dos inventários de
personalidade os itens são inicialmente propostos de acordo com a teoria de cada
traço elaborados pelo desenvolvedor e, então, retidos ou descartados do inventário
final, dependendo de sua correlação ou falha de correlação com outros itens na
mesma escala.

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- Inventário Multifásico de personalidade de Minnesota

O MMPI inclui escalas que tentam determinar se a pessoa respondeu aos


itens do teste com o devido cuidado e honestidade, conhecidas como escalas de
validade. Se a classificação de um indivíduo em uma dessas escalas for muito alta,
seus escores nas escalas de conteúdo deverão ser interpretadas com especial
cuidado ou simplesmente desconsideradas.

Essas escalas de validade tem sido úteis, mas não completamente bem
sucedidas na detecção de escores inválidos. Essa é a vantagem de um teste criado
com base no método da construção empírica em relação a outro baseado nas
pressuposições teóricas do construtor do teste de que certas respostas indicam
traços específicos de personalidade.

O método Q

Nesse método, um avaliador ou classificador descreve a personalidade de um


indivíduo classificando um conjunto de aproximadamente 100 cartões em diferentes
pilhas. Cada cartão contém uma afirmação acerca da personalidade. Cada item Q
recebe uma classificação que varia de 1 a 9, e os números mais altos indicam que o
item é mais característico da pessoa.

Ao preencher escalas de classificação, o avaliador está implicitamente


comparando o indivíduo com os outros. Entretanto, ao aplicar o Método Q, o
avaliador está explicitamente comparando cada traço com outros traços no mesmo
indivíduo.

Os pesquisadores podem comparar dois perfis Q computando a correlação


entre eles, avaliando assim o grau de similaridade de dois indivíduos em suas
configurações gerais de personalidade. Se os dois perfis Q forem descrições do
mesmo indivíduo em dois momentos diferentes, a correlação avalia a fidedignidade
do teste reteste do método, ou a continuidade do perfil geral de personalidade do
indivíduo com o tempo.

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3. ABORDAGEM PSICANALÍTICA

A teoria psicanalítica foi criada por Sigmund Freud no final do século XIX, e
ao decorrer dos anos através dos seus estudos e experimentos ele desenvolveu sua
teoria e métodos aperfeiçoando-a, tomando tal forma ao ponto de se tornar uma
ciência. E enfim no seu trabalho “Dois artigos de enciclopédia: psicanálise e teoria
da libido” publicados em 1923, Freud estabelece a psicanálise como um método de
investigação dos processos mentais, um procedimento de tratamento e uma
disciplina científica.
Freud criou a teoria da personalidade da mesma forma que consolidava um
método de psicoterapia. O centro desse trabalho é o conceito do inconsciente,
envolvendo as emoções, atitudes, pensamentos, desejos, motivações e impulsos do
qual muitas vezes o indivíduo não tem ciência. Sua teoria se baseava na inadmissão
dos desejos, ou seja, na recusa ou repressão dos desejos na infância. Criando
assim traumas armazenados no inconsciente, em que o mesmo influencia os
comportamentos presentes da pessoa. As ideias oriundas do inconsciente eram
segundo Freud evidentes nos sonhos, atos falhos e maneirismos físicos. Assim,
durante o tratamento, ele usava o método da associação livre, em que consistia
orientar ao paciente falar, compartilhar, dividir o que surgisse no pensamento como
uma forma de trazer à tona seus desejos mais ocultos, ou seja, de dentro para fora,
a análise dos sonhos realizava o mesmo papel.
É possível observar que Sigmund Freud configura a junção de dois períodos,
ele representa um divisor de águas no que diz respeito à psicanálise, transitando
tanto na teoria das concepções positivistas de sua época, como também na
construção dos seus conceitos psicanalíticos. No pressuposto de convicções de
uma área até aquele momento completamente desconhecida e rejeitada, formando e
propondo a existência de uma dinâmica inconsciente, com regras, acontecimento e
fatos novos e extremamente particulares, com um pequeno número esclarecido
pelas suas recentes descobertas, e outro tanto a ser estudado a fim de corroborar a
partir de conjecturas metapsicológicas. Portanto a contribuição de Freud é
extremamente significativa e fundamentada para o surgimento e desenvolvimento da

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psicanálise como a conhecemos hoje. Sumariamente podemos dividir a teoria de
Freud denominada por ele sistemicamente em cinco estágios: “teoria do trauma,
teoria topográfica, teoria estrutural, conceituações sobre o narcisismo e dissociação
do ego”.

Teoria do trauma: o conceito de libido, que Freud concebeu como sendo a


manifestação psicológica do instinto sexual, recebeu sua origem na tentativa de
explicar fenômenos, tais como os da histeria, que Freud explicava como sendo
resultantes do fato de que a energia sexual era impedida de expandir-se através de
sua saída natural e fluía, então, para outros órgãos, ficando restringida ou contida
em certos pontos e manifestando-se através de sintomas vários. Freud chegara à
conclusão de que as neuroses, como a histeria, a neurose obsessiva, a neurastenia
e a neurose de angústia (fobia), teriam sua causa imediata no aspecto “econômico”
da energia psíquica, ou seja, num represamento quantitativo da libido sexual. Na
neurastenia e na neurose de angústia, somente o represamento da libido sexual é o
que estaria em jogo, enquanto nas demais neuroses traumáticas outros
acontecimentos da vida passada também seriam fatores causadores dos transtornos
neuróticos. Partindo inicialmente da concepção inicial de que o conflito psíquico era
resultante das repressões impostas pelos traumas de sedução sexual que realmente
teriam acontecido no passado, e que retornavam sob a forma de sintomas, Freud
postulou que os “neuróticos sofrem de reminiscências”, e que a cura consistiria em
“lembrar o que estava esquecido”.

Teoria da topografia: A teoria anterior durou até 1897, até o momento em que
Sigmund Freud considerando que a hipótese do trauma era incapaz de para
esclarecer totalmente as interrogações, e que as exposições das suas pacientes
histéricas não expressavam a verdade fundamental, mas sim que eles estavam
cheios das idéias utópicas e involuntárias que surgiam de suas vontades reprimidas
e camufladas. Sendo assim, ele sugere um desmembramento da mente em três
“lugares” (a palavra “lugar”, em grego, é “topos”, daí teoria topográfica). Esses
espaços Freud denominou: Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente, sendo que o
paradigma técnico passou a ser: “tornar consciente o que permanece no

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inconsciente”. Em 1900, Freud publicou A interpretação de sonhos, onde ele ratifica
que a capacidade do sonho “manifesto” pode ser visto como um modo disfarçado e
“censurado” da satisfação de proibidos desejos inconscientes. Isto é, que as
transformações fundamentais que se constituem naquele tempo foram: a) a
psicanálise deixou de ser uma detida investigação e busca de solução de,
separadamente, sintoma por sintoma; b) a descoberta e a formulação do “princípio
da multideterminação” dos sintomas; c) o próprio paciente é quem passou a tomar a
iniciativa de propor o assunto de sua sessão; d) o analista substituiu a atitude de
comportar-se como um investigador ativo e diretivo por uma atitude mais
compreensiva da dinâmica do sofrimento do analisando; e) abandono total da
técnica da hipnose e da sugestão devido à percepção de Freud de que as mesmas
encobrem a existência de “resistências”; f) estas últimas resultam de repressões,
sendo que o retorno do reprimido manifesta-se pelo fenômeno da “transferência”; g)
sobretudo, o “caso Dora” ensinou a Freud a existência e a importância de o analista
reconhecer e trabalhar com a “transferência negativa”.

Teoria estrutural: Ao passo que se esquadrinhava na dinâmica psíquica, Freud


esbarrava com o campo inexplorado da teoria topográfica, demasiadamente
estático, e ampliou-a com o ponto de vista de que o conhecimento agia como uma
organização na qual diferentes processos, funções e barreiras, quer derivadas do
consciente ou do inconsciente, compartilhavam de modo continuado e ordenado
entre si e com a realidade externa. Desta forma, mais rigorosamente fundamentado
no trabalho O ego e o id (1923), ele organizou a estrutura tripartide, constituída pelos
domínios do id e com as pertencentes disposições, do ego e o seu agrupamento de
funcionalidades e de representações e do superego com as perigos, ensinamentos,
e assim por diante. O modelo técnico da psicanálise foi disposta por Freud como:
“onde houver id (e superego), o ego deve estar”.
Narcisismo: Apesar de não ter sido elaborada como um conceito, os estudos de
Freud sobre o narcisismo foram importantes para um desenvolvimento mais
profundo sobre o entendimento do psiquismo originário, contribuindo para o
nascimento de inúmeros pensamentos sobre o assunto, elevando ao mais alto nível
de perspectivas daqueles que estudaram o tema posteriormente em todas linhas de

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pensamento psicanalíticos. De acordo com a concepções manifestas pelos autores,
é permitido dizer que, na época atual, um significativo paradigma da psicanálise
vigente pode ser elaborado como “onde houver Narciso, Édipo deve estar”.
Dissociação do ego: Freud foi aprofundando suas pesquisas sobre a dissociação
da mente até que ficou convicto de que a separação da mente em regiões
conscientes e inconscientes não era característica das psicoses e neuroses, mas
que acontecia com do ser humano. Assim, desde os seus primeiros trabalhos com
pacientes histéricas, Freud já falava de uma cisão intersistêmica de onde surgem
núcleos psíquicos independentes. Porém, no seu texto sobre Fetichismo (1927) e,
de forma mais consistente, em Clivagem do ego no processo de defesa (1940), que
escreveu ao apagar das luzes de sua imensa obra, é que Freud estudou a cisão
ativa, intrassistêmica, que ocorre no próprio seio do ego e não unicamente entre as
instâncias psíquicas. Dessa forma foi possível avançar na teoria da concepção
inovadora da conflitiva intrapsíquica.
Portanto Freud permitiu que, no meio de, erros e acertos, fosse construída
uma base sólida para a psicanálise, fundamental para a prática da psicanálise a
metapsicologia, indicando a todo momento estabelecendo correlações entre a teoria,
a técnica, a ética e a prática clínica.

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4. ABORDAGEM COMPORTAMENTAL

.A abordagem comportamentalista entende que o desenvolvimento das


habilidades são determinadas por suas relações como meio em que se encontram
para Jonh B. Watson que foi o fundador do movimento comportamentalista na
psicologia, definindo-a como a ciência do comportamento, sendo este um ramo
objetivo e experimental das ciências naturais. Ao enquadrar a psicologia como um
ramo das ciências naturais, Watson considera a existência na continuidade entre o
animal e o homem. Para os comportamentalistas, embora haja um maior requinte e
complexidade no comportamento do homem em relação ao comportamento animal,
ambos podem ser explicados pelos mesmos princípios. Desta forma, o objeto de
pesquisa do comportamentalismo é o comportamento tanto do humano como do
animal,para nortear as ideias desta abordagem é importante esclarecer o que os
teóricos desta abordagem entendem por comportamento:

• Comportamento = resposta do organismo a um estímulo externo (meio ambiente).

• Estímulo = toda alteração do ambiente captada pelos órgãos receptores (dos


sentidos).

• Resposta = alterações que ocorrem no organismo em função de estímulos


externos.

O que interessa à psicologia, portanto, é a relação entre estímulos e


respostas, aspectos que podem ser empiricamente observados. Os
comportamentalistas não desconsideram a existência de processos internos
relacionados ao comportamento, mas atribuem o seu estudo à área da fisiologia,
uma vez que não podem ser observados.
Então, qual seria o papel da aprendizagem para esta abordagem? Não fica
difícil perceber que, se para os inatistas a aprendizagem ocupa pouco lugar no
desenvolvimento de certas habilidades, para os comportamentalistas a
aprendizagem ocupa um papel central. O mais importante na determinação do

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comportamento são as experiências, aquilo que foi aprendido durante a vida. A
preocupação básica do comportamentalismo é explicar como os comportamentos
são aprendidos.
Burrhus Frederic Skinner, importante psicólogo comportamentalista, dando
continuidade às ideias de Watson distinguiu dois tipos de aprendizagem: por
condicionamento clássico e por condicionamento operante.
Aprendizagem por condicionamento clássico: quando um determinado estímulo
externo provoca um determinado comportamento; envolve uma reação do
organismo ao meio e não uma ação do organismo sobre o meio,para provar que os
comportamentos e as habilidades dos indivíduos são sempre apreendidos a partir da
influência do meio ambiente, muitas pesquisas foram desenvolvidas. Podemos dizer
que o autismo é uma abordagem comportamental o transtorno do espectro autista
(TEA) é um distúrbio complexo do desenvolvimento neurológico, caracterizado por
alterações no comportamento, que são identificados no início da infância. A genética
e os fatores ambientais desempenham um papel importante nas causas do
transtorno. Quanto antes for identificado os sinais e sintomas melhor o prognóstico e
desenvolvimento da criança.
.Para o teórico Atkinson (1957, 1964) sua teoria do valor esperado foi para a
intenção de realizar uma ação é determinada pelas expectativas de obtenção de um
incentivo e pelo valor atribuído a este incentivo. Atkinson relaciona esses conceitos à
necessidade de sucesso assim a teoria combina com os conceitos de necessidade,
expectativa e valor. Ele propõe que a manifestação de um comportamento é o
resultado de uma multiplicação entre três componentes: o motivo (ou necessidade
de realização), a probabilidade de sucesso e o valor de incentivo da tarefa, Atkinson
sugere que a tendência de adotar comportamentos bem-sucedidos é uma função
conjunta da motivação de uma pessoa para o sucesso, de suas expectativas de
sucesso e inversamente proporcional à probabilidade de sucesso

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5. ABORDAGEM HUMANISTA

.Como alternativa à teoria psicanalítica, comportamental e social-cognitiva,


entre as décadas de 50 e 60, um grupo de psicólogos propôs a chamada abordagem
Humanista. Nesse modelo de pensamento, o ser é visto como único, de forma
holística e a abordagem é focada na pessoa. Se estabelecia sobre 4 princípios:
1. O psicólogo deveria tornar-se parceiro do indivíduo, já que este ser é o interesse
principal com suas visões e percepções de mundo;
2. Escolha, criatividade e autorrealização são características que movem os
humanos, para além de impulsos básicos como sexo, fome e agressão. Desenvolver
potenciais e habilidades são critérios de saúde psicológica;
3. Deve-se estudar problemas sociais e humanos, orientados por valores mesmo
que isso signifique adotar métodos menos rigorosos;
4. As pessoas são boas e prezar pela dignidade deve ser um norte, já que a
psicologia deve compreender e não prognosticar e controlar pessoas
A essência do movimento se baseia na teoria criada por Carl Rogers e Abraham
Maslow, sendo também influenciado por Carl Jung, Alfred Adler e Erik Erikson.

Carl Rogers
Rogers atuava em clínica, tendo percebido a tendência inata dos pacientes
em buscar crescimento e mudança positiva - a autorrealização. Embora considere
também motivações biológicas, sua teoria aponta que o desejo de explorar o
potencial pessoal ainda é mandante no processo de motivação. O terapeuta deve
ser uma base sólida enquanto o paciente explora suas questões para descobrir por
si a direção que deve tomar.
O conceito de “Self” é como autoconceito e inclui consciência sobre “o que
sou” e “ o que posso fazer”, pode não refletir a realidade - o indivíduo ser
bem-sucedido, mas sentir-se um fracasso. Rogers também postula que todas as
situações vividas passam pelo nosso autoconceito e que criamos um “self ideal” ,
uma ideia de pessoa que gostaríamos ser. Uma menor distância entre o self real e o

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ideal gera maior sentimento de preenchimento e alegria, assim como o inverso gera
desconforto e infelicidade no indivíduo. Quando o ambiente oferece uma
consideração positiva incondicional - valorizados pelos pais, colegas, trabalho,
mesmo quando seus comportamentos estão abaixo do ideal - as pessoas parecem
atuar mais efetivamente. Em uma situação de valoração condicional, a
competitividade e hostilidade são aumentadas. Por exemplo, em situação de conflito
em que um irmão agride outro mais novo, a ação imediata dos pais pode ser punir a
criança. Nesse caso, essa criança passa a se sentir envergonhada, decaindo seu
autoconceito ao acreditar que os pais não a amam ou passa a negar seus
sentimentos. Rogers indica que nessa situação, o sentimento da criança seja
acolhido ao mesmo tempo que explica as razões de ser inaceitável usar de
violência.
Rogers foi pioneiro no uso do método Q, explicada no Capítulo 2 desse
trabalho, e através da repetição da técnica comprovou a eficácia do processo
terapêutico, medindo-se a distância entre a percepção do self real e ideal do
paciente. Indivíduos que buscavam terapia variaram em -01 antes da terapia e
aumentaram para +34 durante o tratamento. As correlações no grupo de controle
que não fez terapia não se alteraram. Essa alteração. Essa alteração e aproximação
entre o self real e ideal pode ocorrer pela terapia de duas maneiras: aumentando o
self real ou alterar o self ideal, tornando-o mais realista.

Abraham Maslow

Maslow propôs uma hierarquia de necessidades indo das necessidades


biológicas básicas até as psicológicas complexas, que vão se tornar importantes
depois de satisfeitas as necessidades básicas do indivíduo (Figura 1). As
necessidades em um nível devem ser ao menos parcialmente satisfeitas para as
necessidades do próximo nível se tornarem motivadoras do
comportamento.Somente quando obter alimento e segurança puderem ser
facilmente atendidas, que os interesses estéticos e intelectuais farão sentido. Em
sociedades que precisaram lutar por comida e abrigo, não florescem as conquistas
intelectuais e artísticas.

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Estudando figuras históricas autorrealizadoras, como Albert Einstein e
Abraham Licoln, depois estudantes universitários, Maslow conseguiu sintetizar suas
descobertas na “Pirâmide das Necessidades” que explica como a saúde mental não
é um estado e sim um processo.

Figura 1 - Pirâmide das Necessidades de Maslow

A Psicologia Humanista entende que o que limita o desenvolvimento do


potencial humano deve ser desafiado, por isso, as afirmações dos movimentos de
libertação feminista e da comunidade LGBTQIA+ refletem a linguagem da psicologia
humanista. Ao ver o mundo com uma visão otimista dentro da singularidade de cada
ser, tal abordagem se interessa por importantes problemas sociais, mesmo que não
sejam rigorosos em seus métodos. Há críticas quanto às pesquisas, que se
utilizaram apenas de pessoas sadias e sua aplicação a pessoas de desempenho
insatisfatório é menos aparente.

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6. ABORDAGEM EVOLUCIONISTA

A psicologia evolucionista é uma disciplina científica que aborda o


comportamento do ser humano através de uma visão que engloba os efeitos da
evolução. Esta psicologia tem suas raízes históricas na teoria da seleção natural de
Charles Darwin e combina a ciência da psicologia com o estudo da biologia. Sua
teoria pode fornecer uma estrutura fundamental e metateórica que integra todo o
campo da psicologia da mesma forma que a biologia evolucionária fizera para a
biologia. Algo que deve ser ressaltado é o fato de que a psicologia evolucionista
moderna, entretanto, só foi possível por causa dos avanços na teoria da evolução no
século 20.
Os psicólogos evolucionistas propõem que uma boa parte do nosso
comportamento pode ser explicado com o apelo aos mecanismos psicológicos
internos, assim como os psicólogos cognitivos afirmam. O que distingue os
psicólogos evolucionistas de muitos psicólogos cognitivos é a proposta de que os
mecanismos internos relevantes são adaptações, produtos da seleção natural, que
ajudaram nossos ancestrais a dar a volta ao mundo, sobreviver e se reproduzir. Há
de ter a compreensão das ideias centrais da biologia evolutiva, psicologia cognitiva,
filosofia da ciência e filosofia da mente para que se constate as reivindicações
centrais da psicologia evolucionista. É comum que os atuantes desses outros
campos dos estudos dêem crédito à psicologia evolucionista mesmo quando há
discordâncias.
As áreas fundamentais de pesquisa em psicologia evolutiva podem
ser divididas em categorias de problemas adaptativos que surgem da própria teoria
da evolução: a sobrevivência, o acasalamento, a paternidade, a família e o
parentesco, as interações com os não-parentes e a evolução cultural. É proposto
que, em relação ao inconsciente, o aprendizado, especialmente o aprendizado
implícito de uma habilidade, pode ocorrer fora da consciência. Por exemplo, muitas
pessoas sabem como virar à direita quando andam de bicicleta, mas muito poucas
podem explicar com precisão como realmente o fazem. Já o sono pode ter evoluído
para conservar energia quando as tarefas fossem menos frutíferas ou mais
perigosas, como à noite e especialmente durante o inverno. Na psicologia

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evolucionista, diz-se que o aprendizado é realizado por meio de capacidades
evoluídas, especificamente adaptações facultativas. Muitos especialistas
escreveram que o propósito da percepção é o conhecimento, mas os psicólogos
evolucionistas afirmam que seu propósito principal é guiar a ação. Como os
humanos são uma espécie altamente social, existem muitos problemas adaptativos
associados à navegação no mundo social (por exemplo, manter aliados, administrar
hierarquias de estado social, interagir com membros de grupos externos, coordenar
atividades sociais, tomada de decisão coletiva). Os pesquisadores no campo
emergente da psicologia social evolutiva fizeram muitas descobertas relativas aos
tópicos tradicionalmente estudados por psicólogos sociais, incluindo percepção de
pessoa, cognição social, atitudes, altruísmo, emoções, dinâmicas em grupo,
lideranças, motivação, preconceito, relações intergrupais e diferenças culturais. As
teorias e descobertas da psicologia evolucionista têm aplicações em muitos campos,
incluindo economia, meio ambiente, saúde, direito, administração, psiquiatria,
política e literatura. Há também um debate recorrente sobre a linguagem. Várias
hipóteses evolutivas foram postas: que a linguagem evoluiu para fins de preparação
social, que evoluiu como uma forma de mostrar potencial de acasalamento ou que
evoluiu para formar contratos sociais. Os psicólogos evolucionistas reconhecem que
essas teorias são todas especulativas e que muito mais evidências são necessárias
para entender como a linguagem pode ter sido seletivamente adaptada. Por
exemplo, Terrence Deacon, membro do corpo docente de ciências cognitivas da
Universidade da Califórnia, afirma que características da linguagem evoluíram com a
evolução da mente e que a capacidade de usar a comunicação simbólica está
integrada em todos os outros processos cognitivos. Desmond Morris, Richard
Dawkins, Daniel Dennett e Steven Pinker são cientistas modernos que
popularizaram a abordagem evolucionista.

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8. GENÉTICA DA PERSONALIDADE

Essa abordagem dos estudos de personalidade, embora controversa


(Atikinson & Hildegard, 2018) argumenta que os traços de personalidade são
demarcados com maior incidência pela questão genética. O argumento principal
reside no estudo de Minnesota realizado com Gêmeos Criados Separadamente.
Os estudos demonstraram que os gêmeos que foram criados separados são
tão semelhantes, em termos de personalidade, quanto aqueles que foram criados no
mesmo ambiente. Isso levou a uma confirmação a respeito de que gêmeos idênticos
partilham mais características, mesmo que separados, do que gêmeos fraternos.
Dentro dessa linha o ambiente tem um fator importante no impulsionamento
de genes específicos, Atkinson aponta que se uma criança que tem genes do
alcoolismo nunca foi exposta ao álcool é bem provável que ela não desenvolva
qualquer dependência dessa substância. Portanto não é porque a criança nasce
com um determinado gene que ele vai se desenvolver, mas pode-se dizer que existe
uma tendência.
Há um processo referente ao ambiente que é conhecido como interação
reativa, isto é, diferentes pessoas reagem de modo diferente a um mesmo
ambiente. Ou seja, a forma de cada um se relaciona com o ambiente que irá
desempenhar o estímulo de uma resposta frente ao que está colocado. Dependendo
do nível de sensibilidade à severidade uma criança ansiosa poderá reagir de um
modo muito diferente de uma criança calma. Esse é um processo que se desdobra
durante toda a vida.
Um outro aspecto é a interação evocativa, a qual sugere que as respostas
são incitadas por terceiros. O modo como a criança vai responder a respeito do
modo como a mãe a levantou do berço pode dar indicativos de uma personalidade
mais controladora ou menos dependente dos pais, porém isso não é suficiente para
determinar traços de personalidade, pois isso vai depender e muito de como a vida
dessa criança se desenvolverá, seus recursos frente às diferentes circunstâncias.
Quando a criança passa a selecionar os seus ambientes à medida que sua
vida segue se desenvolvendo, isso é chamado de interação proativa. A criança que
é mais sociável irá escolher ambientes que possam integrar demais pessoas, como

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convidar os amigos para ir assistir a um filme, participar de eventos com
aglomeração, dentre outros. De modo que em seu curso vitalício a criança irá
escolher ambientes em que ela poderá estimular sua sociabilidade, saindo do
confinamento ao ambiente doméstico, e ampliando seu escopo de possibilidades, e
ainda, relacionando essas escolhas aos processos iniciais, notando, para tanto, que
todos os processos confluem ao longo de toda uma vida.
Logo fica claro perceber que os processos de interação reativa, evocativa e
proativa são formas que atuam para diminuir a diferença entre ambientes (Atkinson
& Hildegard, 2018) e permitir uma possível flexibilização do nível de resposta.
Portanto, crianças com diferentes genótipos, criados num mesmo ambiente, terão
disparidade no nível de absorção de informações, de um livro, de modo que a
formação genética dessa criança atua como forma de prevenir e balancear aspectos
debilitantes de seu ambiente doméstico.
Há um grande número de pesquisas que apontam como um estudo promissor
se referendar a essa linha de abordagem como forma de entender o temperamento.
Sua influência decorre da genética comportamental, a qual traz a compreensão de
que os genes são responsáveis por traços e comportamentos (Guzzo & Ito, 2003)
E esse estudo sugere que embora não se possa afirmar que um gene irá
determinar um traço muito específico, sendo permeado pelo ambiente em que o
sujeito está inserido, mas aponta que se conseguir compreender as características
que são apresentadas pela criança poderia levar a uma intervenção e uma correta
orientação a pais e professores sobre possibilidades de se trabalhar o bem estar do
sujeito em questão.

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9. REFERÊNCIAS

Lígia Márcia Martins é doutora em educação pela UNESP, campus de Marília,


docente do Departamento de Psicologia da UNESP, campus de Bauru, e membro do
Grupo de Pesquisa “Estudos Marxistas em Educação”.Cad.Cedes, Campinas, vol.
24, n. 62, p. 82-99, abril 2004, Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>

Nolen-Hoeksema, S., Fredrickson, B. L., Loftus, G., & Wagenaar, W. A. (2017).


Introdução à Psicologia – Atkinson & Hilgard: Tradução da 16ª edição
norte-americana (2nd edição). Cengage Learning Brasil. Disponível no acervo virtual
da Universidade São Francisco

Zimerman, David E. (1999). Fundamentos psicanalíticos [recurso eletrônico] : teoria,


técnica e clínica : uma abordagem didática Porto Alegre : Artmed, 2007.
file:///media/removable/PSICOLOGIA/Psicologia/2%C2%BA%20Semestre%202021/
5%C2%BA%20Processos%20Pisicologicos%20B%C3%A1sicos/livro%20fundament
os%20psicanal_ticos%20-%20teoria,%20t_cnica%20e%20cl_nica%20(1).pdf

Ito, Patrícia do Carmo Pereira & Guzzo, Raquel Sousa lobo (2003). Psicologia
Reflexão e Crítica: Temperamento: características e determinação genética.
Pontifícia Universidade Católica de Campinas: Scielo, 2003. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/prc/a/TyGJZwRSckgJnktQBCxXMbJ/?lang=pt

Rose, Hilary (2000). Alas, Poor Darwin: Arguments Against Evolutionary Psychology.
Harmonia; primeira edição americana (10 de outubro de 2000). ISBN
978-0-609-60513-4.

Carmen, RA, e outros. (2013). Evolution Integrated Across All Islands of Human
Behavioral Archipelago: All Psychology as Evolutionary Psychology. EvoS Journal:
The Journal of the Evolutionary Studies Consortium, 5, pp. 108-26

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Karolayne Alves Sanches GOMES¹, Letícia Diniz Santos VIEIRA² Renan Bezerra
FERREIRA (Artigo Autismo:uma abordagem comportamental)

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