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INQUÉRITO POLICIAL

✓ 1. Noções preliminares: persecução penal e polícia judiciária: uma vez cometida uma infração penal,
surge para o Estado o direito de punir, que vai se concretizar na aplicação da pena por meio da
condenação definitiva. Porém, antes de se atingir a condenação, cabe ao Estado realizar atos
investigatórios para reunir as provas da autoria e materialidade ou existência do crime (fumus commissi
delicti). A essa atividade de esclarecer os fatos, de perseguir o crime, dá-se o nome de persecução penal
(persecutio criminis). A persecução penal abrange dois momentos distintos:
❖ Investigação preliminar: atividade preparatória da ação penal, que é conduzida pelo
delegado de polícia (no caso do inquérito) ou por outras autoridades que possuam atribuições
para investigação (como por exemplo a CPI). de caráter preliminar e informativo, voltado
para a formação da opinio delicti do órgão acusador. De acordo com a nova sistemática do
CPP, os atos de investigação que acarretarem violação a direitos fundamentais deverão ser
previamente autorizados pelo juiz das garantias (art. 3º-B do CPP 1), sendo que esse juiz ficará
impedido de julgar esse mesmo fato em caso de ajuizamento futura da ação penal (art. 3º-D do
CPP 2). Vale ressaltar que a finalidade da investigação preliminar não é aplicar pena ao
investigado, pois isso só vai acontecer após a condenação no processo penal. A finalidade da
investigação preliminar é meramente informativa, ou seja, serve para colher elementos de
informação para que o órgão acusador possa decidir se vai exercer a ação penal ou não.
Justamente por isso é que o juiz, em regra, não pode condenar o réu apenas com base nos
elementos de informação colhidos na investigação (art. 155 do CPP 3). A investigação, em
regra, posssui caráter inquisitivo, pois o órgão responsável pela sua realização atua sempre de
ofício, sem contraditório do investigado, geralmente de forma escrita e sigilosa. A
investigação preliminar é uma etapa necessária porque, embora a ação penal tenha por objetivo
apenas apurar os fatos e o acusado seja presumidamente inocente até a condenação definitiva, a
simples submissão ao processo penal já representa grave constrangimento para o réu. Por
conta disso, exige-se que para dar início ao processo penal haja um conjunto probatório
mínimo contra o acusado, o que se chamou de justa causa (art. 395, III, do CPP).4
Obs.: Embora em regra não haja contraditório na investigação preliminar, é importante
lembrar que o advogado do investigado têm direito de acessar todos os autos de investigações

1 Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos
direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: I
- receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º da Constituição Federal; II - receber o
auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, observado o disposto no art. 310 deste Código; III - zelar
pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo; IV - ser
informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra
medida cautelar, observado o disposto no § 1º deste artigo; VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem
como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em audiência pública e oral, na
forma do disposto neste Código ou em legislação especial pertinente; VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada
de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; VIII
- prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade
policial e observado o disposto no § 2º deste artigo; IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver
fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento; X - requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de
polícia sobre o andamento da investigação; XI - decidir sobre os requerimentos de: a) interceptação telefônica, do fluxo de
comunicações em sistemas de informática e telemática ou de outras formas de comunicação; b) afastamento dos sigilos fiscal,
bancário, de dados e telefônico; c) busca e apreensão domiciliar; d) acesso a informações sigilosas; e) outros meios de obtenção da
prova que restrinjam direitos fundamentais do investigado; XII - julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da
denúncia; XIII - determinar a instauração de incidente de insanidade mental; XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou
queixa, nos termos do art. 399 deste Código; XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao
investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no âmbito da investigação
criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em andamento; XVI - deferir pedido de admissão de assistente
técnico para acompanhar a produção da perícia; XVII - decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de
colaboração premiada, quando formalizados durante a investigação; XVIII - outras matérias inerentes às atribuições definidas no
caput deste artigo.
2 Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas competências dos arts. 4º e 5º deste Código

ficará impedido de funcionar no processo. Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão
um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo.
3 Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo

fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares,
não repetíveis e antecipadas.
4 Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (...) III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.
que haja contra o seu cliente, salvo no caso de atos investigativos que ainda não tenham sido
concluídos e documentados (Súmula Vinculante 14 5), sendo função do juiz das garantias zelar
pela obediência a esse direito (art. 3º-B, XV, do CPP).
❖ Processo penal: é a fase que se desenvolve perante o juiz, após o exercício da ação penal pelo
órgão de acusação. De acordo com a sistemática atual do CPP, o juiz criminal que conduz o
processo penal é chamado de “juiz da instrução e julgamento”, e não pode ter atuado como
juiz das garantias no mesmo caso em que for julgar. Em regra, a ação penal é exercida pelo
Ministério Público, através do oferecimento da denúncia (art. 24 do CPP 6). Porém,
excepcionalmente, em alguns casos é admitido o exercício da ação penal pelo próprio
ofendido/vítima, através do oferecimento da queixa (art. 30 do CPP 7). O processo penal é
voltado para a produção de provas em contraditório, de modo que essas provas é que servirão
de base para o julgamento da pretensão punitiva Estatal. Por isso, nessa fase da persecução
penal há a observância de todas as garantias processuais do acusado, como o devido processo
legal, o contraditório, a ampla defesa, a proibição de provas ilícitas e a fundamentação das
decisões.
✓ Polícia judiciária X Polícia administrativa: a atividade policial do Estado se divide em duas funções: a
função administrativa e a função judiciária. A polícia administrativa (ou de segurança) tem atuação
ostensiva e preventiva, pois é aquela que visa garantir a ordem pública e evitar a prática de delitos por
meio do patrulhamento e vigilância das vias públicas e dos estabelecimentos prisionais. São exemplos a
PRF (art. 144, §2º, da CF 8), as PMs (art. 144, §5º, da CF 9), e a nova polícia penal, criada pela EC
104/2019 (art. 144, § 5º-A, da CF 10). Já a polícia judiciária tem função repressiva, pois atua após a
prática do crime, colhendo as provas necessárias para o esclarecimento dos fatos e futura
responsabilização penal dos envolvidos (art. 4º, caput, CPP).11 A polícia judiciária tem esse nome
porque visa auxiliar a justiça, dando suporte à prática de atos e ao cumprimento de decisões (por
exemplo, os mandados de busca e apreensão e os mandados de prisão). A polícia judiciária é o órgão
responsável pelo inquérito policial, o qual é conduzido exclusivamente pelo delegado de polícia (art.
2º, §1º, da Lei 12.830/13 12). É exercida pela PF nos crimes federais (art. 144, §1º, I e IV, da CF) 13 e
pelas PCs no âmbito estadual (art. 144, §4º, da CF).14 Cabe ao Ministério Público acompanhar as
investigações, pois ele é o órgão competente para o exercício do controle externo da atividade policial
(art. 129, VII, da CF).15 Porém, não há hierarquia entre a Polícia e o MP, mas sim mero auxílio mútuo.

5 “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de
defesa”.
6 Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o

exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
7 Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação privada.
8 Art. 144. (...). § 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,

destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.


9 Art. 144. (...). § 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros

militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.
10 Art. 144. (...). § 5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador do sistema penal da unidade federativa a que

pertencem, cabe a segurança dos estabelecimentos penais.


11 Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por

fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de
autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.
12 Art. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de polícia são de natureza

jurídica, essenciais e exclusivas de Estado. § 1º Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condução da
investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como objetivo a apuração
das circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais.
13 Art. 144. (...). § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado

em carreira, destina-se a: I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha
repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; II - prevenir e reprimir o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos
públicos nas respectivas áreas de competência; (...) IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
14 Art. 144. (...). § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da

União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.


15 Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: (...) VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma

da lei complementar mencionada no artigo anterior.


Obs. 1: embora a investigação criminal seja atribuição típica das polícias judiciárias, isso não quer dizer
que somente as polícias judiciárias possam fazer investigação criminal (art. 4º, parágrafo único, do CPP
16). Existem diversas hipóteses de investigação realizada por outros órgão, como por exemplo: a)

Inquéritos militares: crimes militares são investigados pelas próprias instituições militares; b) Inquérito
parlamentar: o inquérito parlamentar é um procedimento de investigação presidido por uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI), conforme art. 58, §3º, da CF 17. A CPI tem os mesmos poderes de
investigação da polícia, podendo inclusive quebrar o sigilo bancário ou fiscal do investigado. Porém
para decretar prisão do investigado, interceptação telefônica ou busca domiciliar deverá pedir
autorização judicial (reserva de jurisdição). Ao final da investigação, se constatada a prática de crime, o
relatório final da CPI é encaminhado ao MP para que ele dê início a ação penal. Os autos do inquérito
parlamentar são arquivados pelo próprio legislativo, por meio da resolução que aprova o relatório final
da CPI; c) PIC (art. 1º da Resolução CNMP 181/2017):18 o STF já reconheceu que o MP pode realizar
procedimento investigatório criminal autônomo, que não se confunde com o inquérito policial (STF,
RE 593.727/MG 19). Nesse procedimento, qualquer diligência que viole direitos fundamentais do
investigado precisa de prévia autorização judicial, como no caso das escutas telefônicas, prisões provisórias
etc. Esse procedimento tem maior aplicação nos casos de investigação de autoridades policiais ou de
agentes políticos poderosos, pois nesses casos pode ser mais eficiente do que o inquérito policial.
Embora sua existência seja discutida na doutrina, o STJ/STF aceitam amplamente essa modalidade de
investigação.20 Inclusive, a participação efetiva do MP na investigação não acarreta impedimento para

16 Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por
fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de
autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.
17 Art. 58. (...). § 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades

judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado
Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato
determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
18 Art. 1º O procedimento investigatório criminal é instrumento sumário e desburocratizado de natureza administrativa e

investigatória, instaurado e presidido pelo membro do Ministério Público com atribuição criminal, e terá como finalidade apurar
a ocorrência de infrações penais de iniciativa pública, servindo como preparação e embasamento para o juízo de propositura, ou
não, da respectiva ação penal. § 1º O procedimento investigatório criminal não é condição de procedibilidade ou pressuposto
processual para o ajuizamento de ação penal e não exclui a possibilidade de formalização de investigação por outros órgãos
legitimados da Administração Pública.
19 REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA.
CONSTITUCIONAL. SEPARAÇÃO DOS PODERES. PENAL E PROCESSUAL PENAL. PODERES DE INVESTIGAÇÃO
DO MINISTÉRIO PÚBLICO. 2. Questão de ordem arguida pelo réu, ora recorrente. Adiamento do julgamento para colheita de
parecer do Procurador-Geral da República. Substituição do parecer por sustentação oral, com a concordância do Ministério
Público. Indeferimento. Maioria. 3. Questão de ordem levantada pelo Procurador-Geral da República. Possibilidade de o
Ministério Público de estado-membro promover sustentação oral no Supremo. O Procurador-Geral da República não dispõe de
poder de ingerência na esfera orgânica do Parquet estadual, pois lhe incumbe, unicamente, por expressa definição constitucional
(art. 128, § 1º), a Chefia do Ministério Público da União. O Ministério Público de estado-membro não está vinculado, nem
subordinado, no plano processual, administrativo e/ou institucional, à Chefia do Ministério Público da União, o que lhe confere
ampla possibilidade de postular, autonomamente, perante o Supremo Tribunal Federal, em recursos e processos nos quais o
próprio Ministério Público estadual seja um dos sujeitos da relação processual. Questão de ordem resolvida no sentido de
assegurar ao Ministério Público estadual a prerrogativa de sustentar suas razões da tribuna. Maioria. 4. Questão constitucional
com repercussão geral. Poderes de investigação do Ministério Público. Os artigos 5º, incisos LIV e LV, 129, incisos III e VIII, e
144, inciso IV, § 4º, da Constituição Federal, não tornam a investigação criminal exclusividade da polícia, nem afastam os
poderes de investigação do Ministério Público. Fixada, em repercussão geral, tese assim sumulada: “O Ministério Público dispõe
de competência para promover, por autoridade própria, e por prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que
respeitados os direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado,
observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas
profissionais de que se acham investidos, em nosso País, os Advogados (Lei 8.906/94, artigo 7º, notadamente os incisos I, II, III,
XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade – sempre presente no Estado democrático de Direito – do permanente
controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (Súmula Vinculante 14), praticados pelos membros dessa
instituição”. Maioria. 5. Caso concreto. Crime de responsabilidade de prefeito. Deixar de cumprir ordem judicial (art. 1º, inciso
XIV, do Decreto-Lei nº 201/67). Procedimento instaurado pelo Ministério Público a partir de documentos oriundos de autos de
processo judicial e de precatório, para colher informações do próprio suspeito, eventualmente hábeis a justificar e legitimar o fato
imputado. Ausência de vício. Negado provimento ao recurso extraordinário. Maioria. (RE 593727, Relator(a): CEZAR PELUSO,
Relator(a) p/ Acórdão: GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 14/05/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-175 DIVULG 04-09-2015 PUBLIC 08-09-2015)
20 O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e por prazo razoável, investigações de

natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob
investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as
propor a ação penal (Súmula 234 do STJ).21 O arquivamento do PIC segue o mesmo trâmite do
inquérito policial, devendo ser realizado pelo juiz na forma do art. 28 do CPP (art. 19 da Resolução
CNMP 181/201722); d) Autoridades com foro privilegiado: em geral, a investigação contra autoridades
com foro privilegiado é realizada com controle judicial do respectivo tribunal competente para julgar a
autoridade, não podendo ser realizada independentemente pelo delegado de polícia (STF, Inq 2.411 QO
23).

Obs. 2: de forma atípica também é possível que a polícia judiciária exerça funções de polícia
administrativa, como é o caso da PF nos aeroportos e nas fronteiras (imigração).24
✓ 2. Conceito, natureza e características do inquérito policial: o inquérito policial pode ser entendido
como um procedimento preparatório da ação penal, de caráter administrativo, conduzido pelo
delegado de polícia e voltado à colheita de elementos de informação para apurar a prática de uma
infração penal e sua autoria. Desse conceito é possível extrair a natureza e as principais características
do inquérito. São elas:
❖ A) Natureza procedimental: o inquérito policial não é processo, nem judicial e nem
administrativo. Não é exercício de jurisdição. É um mero procedimento destinado à formação
da opinio delicti da acusação, que pode ser tanto o MP quanto o ofendido nos casos de ação
penal privada. Por isso, eventuais vícios e nulidades ocorridas no inquérito policial não
impedem o exercício da ação penal e não contaminam o processo penal originado desse
inquérito. A única consequência dos vícios ocorridos no inquérito é a sua imprestabilidade como

prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso país, os advogados (Lei 8.906/1994, art. 7º, notadamente os
incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade — sempre presente no Estado Democrático de Direito —
do permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (Súmula Vinculante 14), praticados pelos
membros dessa instituição. [Tese definida no RE 593.727, rel. min. Cezar Peluso, red. p/ o ac. min. Gilmar Mendes, P, j. 14-5-
2015, DJE 175 de 8-9-2015, Tema 184.]
21 A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição

para o oferecimento da denúncia.


22 Art. 19. Se o membro do Ministério Público responsável pelo procedimento investigatório criminal se convencer da

inexistência de fundamento para a propositura de ação penal pública, nos termos do art. 17, promoverá o arquivamento dos autos
ou das peças de informação, fazendo-o fundamentadamente. § 1º A promoção de arquivamento será apresentada ao juízo
competente, nos moldes do art. 28 do Código de Processo Penal, ou ao órgão superior interno responsável por sua apreciação,
nos termos da legislação vigente.
23 QUESTÃO DE ORDEM EM INQUÉRITO. 1. Trata-se de questão de ordem suscitada pela defesa de Senador da República,

em sede de inquérito originário promovido pelo Ministério Público Federal (MPF), para que o Plenário do Supremo Tribunal
Federal (STF) defina a legitimidade, ou não, da instauração do inquérito e do indiciamento realizado diretamente pela Polícia
Federal (PF). 2. Apuração do envolvimento do parlamentar quanto à ocorrência das supostas práticas delituosas sob investigação
na denominada "Operação Sanguessuga". 3. Antes da intimação para prestar depoimento sobre os fatos objeto deste inquérito, o
Senador foi previamente indiciado por ato da autoridade policial encarregada do cumprimento da diligência. 4. Considerações
doutrinárias e jurisprudenciais acerca do tema da instauração de inquéritos em geral e dos inquéritos originários de competência
do STF: i) a jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que, nos inquéritos policiais em geral, não cabe a juiz ou a Tribunal
investigar, de ofício, o titular de prerrogativa de foro; ii) qualquer pessoa que, na condição exclusiva de cidadão, apresente
"notitia criminis", diretamente a este Tribunal é parte manifestamente ilegítima para a formulação de pedido de recebimento de
denúncia para a apuração de crimes de ação penal pública incondicionada. Precedentes: INQ no 149/DF, Rel. Min. Rafael Mayer,
Pleno, DJ 27.10.1983; INQ (AgR) no 1.793/DF, Rel. Min. Ellen Gracie, Pleno, maioria, DJ 14.6.2002; PET - AgR - ED no
1.104/DF, Rel. Min. Sydney Sanches, Pleno, DJ 23.5.2003; PET no 1.954/DF, Rel. Min. Maurício Corrêa, Pleno, maioria, DJ
1º.8.2003; PET (AgR) no 2.805/DF, Rel. Min. Nelson Jobim, Pleno, maioria, DJ 27.2.2004; PET no 3.248/DF, Rel. Min. Ellen
Gracie, decisão monocrática, DJ 23.11.2004; INQ no 2.285/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, DJ 13.3.2006 e
PET (AgR) no 2.998/MG, 2ª Turma, unânime, DJ 6.11.2006; iii) diferenças entre a regra geral, o inquérito policial disciplinado
no Código de Processo Penal e o inquérito originário de competência do STF regido pelo art. 102, I, b, da CF e pelo RI/STF. A
prerrogativa de foro é uma garantia voltada não exatamente para os interesses do titulares de cargos relevantes, mas, sobretudo,
para a própria regularidade das instituições. Se a Constituição estabelece que os agentes políticos respondem, por crime comum,
perante o STF (CF, art. 102, I, b), não há razão constitucional plausível para que as atividades diretamente relacionadas à
supervisão judicial (abertura de procedimento investigatório) sejam retiradas do controle judicial do STF. A iniciativa do
procedimento investigatório deve ser confiada ao MPF contando com a supervisão do Ministro-Relator do STF. 5. A Polícia
Federal não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial para apurar a conduta de parlamentares federais ou do
próprio Presidente da República (no caso do STF). No exercício de competência penal originária do STF (CF, art. 102,
I, "b" c/c Lei nº 8.038/1990, art. 2º e RI/STF, arts. 230 a 234), a atividade de supervisão judicial deve ser
constitucionalmente desempenhada durante toda a tramitação das investigações desde a abertura dos procedimentos
investigatórios até o eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus litis. 6. Questão de ordem resolvida no
sentido de anular o ato formal de indiciamento promovido pela autoridade policial em face do parlamentar investigado. (Inq 2411
QO, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 10/10/2007, DJe-074 DIVULG 24-04-2008 PUBLIC 25-04-
2008 EMENT VOL-02316-01 PP-00103 RTJ VOL-00204-02 PP-00632).
24 Art. 144. (...). § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado

em carreira, destina-se a: (...) III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras.
elemento de prova a ser utilizado pelo juiz (redução do seu valor probatório) ou o relaxamento
de eventual prisão cautelar baseada no inquérito.
❖ B) Inquisitivo: O inquérito policial é um procedimento com características inquisitoriais (STF,
Pet 7.612/DF 25). Por isso, ele é conduzido de forma discricionária pelo delegado de polícia, que
tem total liberdade para decidir quais linhas investigavas e quais atos deverão ser praticados,
sem necessidade de observar o contraditório e nem ampla defesa. As provas são produzidas
sem a participação do acusado, e não é obrigatória a presença do advogado. Porém, é possível
que o investigado e o ofendido requereiram ao delegado de polícia a realização de diligências
investigativas, cabendo ao delegado decidir se os requerimentos serão atendidos ou não (art. 14
do CPP 26). Por ser inquisitivo, em regra seus elementos informativos servem apenas para
fundamentar o início da ação penal, mas não podem ser utilizados para fundamentar a futura
condenação. O valor probatório do inquérito é meramente subsidiário e complementar às
provas colhidas com contraditório durante o processo penal, razão pela qual o juiz não pode
condenar o réu unicamente com as provas do inquérito (art. 155 do CPP).
Obs. 2: com relação às autoridades que atuam na segurança pública (art. 144 da CF 27), ou as
forças armadas em missões de garantia da lei e da ordem (art. 142 da CF 28), tem direito de
constituir um defensor para acompanhar as investigações durante inquérito policial aberto para
apuração de fatos ocorridos no exercício das suas funções (art. 14-A do CPP 29).
❖ C) Sigiloso (art. 20 do CPP):30 o inquérito corre em sigilo, não estando disponível para consulta
nem mesmo ao próprio investigado. Esse sigilo serve proteger o próprio investigado,
assegurando a sua intimidade e imagem. Existem três pessoas, além das autoridades policiais,
para as quais o inquérito não será sigiloso: 1) Juiz: o juiz é o maior fiscal da regularidade do
inquérito, devendo resguardar os direitos fundamentais do investigado, como no caso da
interceptação telefônica e da busca e apreensão domiciliar, que só podem ser realizadas com
autorização do juiz; 2) Ministério Público: é o titular da ação penal. Logo, ele é o maior
interessado no Inquérito; 3) Advogado: embora seja dispensável, se quiser participar, o
advogado terá acesso aos autos do inquérito. Isso é garantido pelo art. 7º, XIV, do Estatuto da

25 AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO. INQUÉRITO POLICIAL. PARTICIPAÇÃO DA DEFESA DO


INVESTIGADO NA PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. LEI 13.245/2016. MITIGAÇÃO DO CARÁTER
INQUISITÓRIO. NÃO OCORRÊNCIA. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO PRÉVIA DE QUESITOS.
IMPOSSIBILIDADE. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 1. As alterações promovidas pela Lei 13.245/2016 no art. 7º, XXI, do
Estatuto da Ordem dos Advogados representam reforço das prerrogativas da defesa técnica no curso do inquérito policial, sem
comprometer, de modo algum, o caráter inquisitório da fase investigativa preliminar. 2. Desse modo, a possibilidade de
assistência mediante a apresentação de razões e quesitos não se confunde com o direito subjetivo de intimação prévia e
tempestiva da defesa técnica acerca do calendário de inquirições a ser definido pela autoridade judicial. 3. Agravo regimental
desprovido. (Pet 7612, Relator(a): EDSON FACHIN, Segunda Turma, julgado em 12/03/2019, ACÓRDÃO ELETRÔNICO
DJe-037 DIVULG 19-02-2020 PUBLIC 20-02-2020)
26 Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não,

a juízo da autoridade.
27 Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem

pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária
federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares; VI - polícias
penais federal, estaduais e distrital.
28 Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais

permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da
República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da
ordem.
29 Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às instituições dispostas no art. 144 da Constituição Federal figurarem

como investigados em inquéritos policiais, inquéritos policiais militares e demais procedimentos extrajudiciais, cujo objeto for a
investigação de fatos relacionados ao uso da força letal praticados no exercício profissional, de forma consumada ou tentada,
incluindo as situações dispostas no art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), o indiciado poderá
constituir defensor. § 1º Para os casos previstos no caput deste artigo, o investigado deverá ser citado da instauração do
procedimento investigatório, podendo constituir defensor no prazo de até 48 (quarenta e oito) horas a contar do recebimento da
citação. § 2º Esgotado o prazo disposto no § 1º deste artigo com ausência de nomeação de defensor pelo investigado, a autoridade
responsável pela investigação deverá intimar a instituição a que estava vinculado o investigado à época da ocorrência dos fatos,
para que essa, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, indique defensor para a representação do investigado. § 3º (VETADO). § 4º
(VETADO). § 5º (VETADO). § 6º As disposições constantes deste artigo se aplicam aos servidores militares vinculados às
instituições dispostas no art. 142 da Constituição Federal, desde que os fatos investigados digam respeito a missões para a
Garantia da Lei e da Ordem.
30 Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer
anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes.
OAB (Lei 8.906/94) 31 e pela Súmula Vinculante 14.32 Embora possa até acompanhar as
diligências, não é permitido que o advogado faça intervenções nessa fase (fazer perguntas, por
exemplo).
Obs.: incomunicabilidade do preso (art. 21 do CPP):33 prevalece na doutrina (Tourinho
Filho) o entendimento de que esse artigo não foi recepcionado pela CF/88 (art. 5º, LXII e
LXIII;34 e art. 136, § 3º, IV 35), não sendo mais possível a decretação da incomunicabilidade do
preso, nem mesmo no caso de aplicação do regime disciplinar diferenciado previsto no art. 52 da
LEP. Porém, outra parcela da doutrina (Damásio e Vicente Greco) entende que ainda é possível
a incomunicabilidade na forma do art. 21. Se possível, ela se destina a evitar que o investigado
obtenha ajuda de terceiros para dificultar a investigação policial (apagar provas, intimidar ou
instruir testemunhas etc.). A meu ver não há inconstitucionalidade nesse artigo, pois em
qualquer caso o preso poderá ter contato com seu advogado (art. 7º, III do Estatuto da OAB),36
e com o próprio MP (art. 41, IX, da LOMP),37 motivo pelo qual não há incomunicabilidade
absoluta.
❖ D) Escrito (art. 9º do CPP):38 tendo em vista que o inquérito tem por objetivo juntar provas
preliminares da existência e da autoria de um crime, não há como se admitir o inquérito oral.
Até mesmo as provas eminentemente orais, como os depoimentos testemunhais, ou visuais,
como o reconhecimento, serão reduzidas a termo (papel). Embora haja predominância da forma
escrita, Renato Brasileiro (2020, p. 183) e outros autores admitem a utilização de meios
tecnológicos no curso do inquérito para o registro e gravação de depoimentos, aplicando-se
extensivamente o art. 405, §1º, do CPP 39)
❖ E) Prescindibilidade: o inquérito policial é dispensável para o início da ação penal. O que é
indispensável são as provas, pois para iniciar a ação penal a acusação deve ter indícios
suficientes de autoria e materialidade do crime, justamente para se evitar as acusações injustas.
Porém, essas provas não precisam vir necessariamente do inquérito. Pode ser que as provas
sejam fornecidas pelo próprio ofendido (art. 39, §5º, do CPP 40) ou colhidas por outros meios
de investigação, dentre as quais se destacam o inquérito parlamentar, o inquérito militar
(CPP militar), as sindicâncias e PADs (direito administrativo), e o procedimento
investigatório conduzido pelo MP (PIC).
❖ F) Indisponibilidade (art. 17 do CPP):41 em regra, o delegado não é obrigado a instaurar o
inquérito policial sempre que receber a notícia de um crime. Em certas situações, caberá a ele
aferir a tipicidade da conduta e até realizar a verificação de procedência das informações
recebidas (VPI). Porém, uma vez instaurado o inquérito policial, a autoridade policial não pode
decretar o arquivamento do inquérito policial, que dependerá de autorização do juiz (ou de
ordem do Ministério Público, conforme nova redação do art. 28 do CPP).

31 Art. 7º São direitos do advogado: (...) XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo
sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à
autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital.
32 Súmula Vinculante 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já

documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa.
33 Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o

interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir.


34 Art. 5º (...) LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente

e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado.
35 Art. 136. (...). § 3º Na vigência do estado de defesa: (...) IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.
36 Art. 7º São direitos do advogado: (...) III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração,

quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados
incomunicáveis.
37 Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras previstas na

Lei Orgânica: (...) IX - ter acesso ao indiciado preso, a qualquer momento, mesmo quando decretada a sua incomunicabilidade.
38 Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso,

rubricadas pela autoridade.


39 Art. 405. (...). § 1o Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será

feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a
obter maior fidelidade das informações.
40 Art. 39. (...). § 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos

que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias.
41 Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

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