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MANUAL BIBLIOGRÁFICO
DE ESTUDOS BRASILEIROS

Sob a direção de
RUBENS BORBA DE MORAIS
Subdiretor dos Serviços Bibliotecários da ONU
e

WILLIAM BERRIEN
Professor da Universidade de Harvard

2º VOLUME

Brasília -- 1998
BIBLIOTECA BÁSICA BRASILEIRA
O Conselho Editorial do Senado Federal, criado pela Mesa Diretora em 31 de janeiro de 1997 -- composto
pelo Senador Lúcio Alcântara, presidente, Joaquim Campelo Marques, vice-presidente, e Carlos Henrique
Cardim, Carlyle Coutinho Madruga e Raimundo Pontes Cunha Neto como membros -- buscará editar, sem-
pre, obras de valor histórico e cultural e de importância relevante para a compreensão da história política,
econômica e social do Brasil e reflexão sobre os destinos do país.

COLEÇÃO BIBLIOTECA BÁSICA BRASILEIRA

A Querela do Estatismo, de Antonio Paim


Minha Formação, de Joaquim Nabuco
A Política Exterior do Império, de J. Pandiá Calógeras
O Brasil Social, de Sílvio Romero
Os Sertões, de Euclides de Cunha
Capítulos de História Colonial, de Capistrano de Abreu
Instituições Políticas Brasileiras, de Oliveira Viana
A Cultura Brasileira, de Fernando Azevedo
A Organização Nacional, de Alberto Torres

Projeto gráfico: Achilles Milan Neto

© Senado Federal, 1998


Congresso Nacional
Praça dos Tres Poderes s/nº
CEP 70168-970
Brasília -- DF

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Manual bibliográfico de estudos brasileiros / sob a direção de
Rubens Borba de Morais e Willian Berrien. - Brasília : Senado
Federal, 1998.

2v. - (Coleção Brasil 500 Anos)

1. Bibliografia, Brasil. I. Morais, Rubens Borba de, 1899 -


II .Berrien, William. III. Série.

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Nota Editorial

A reedição pelo Senado Federal do Manual Bibliográfico de Estudos


Brasileiros organizado por Rubens Borba de Morais e William Berrien, publicado
em 1949, e que se encontrava esgotado há décadas, é um marcante evento cultural.
A obra foi dividida pelos organizadores em 12 áreas que foram entregues a
destacados intelectuais brasileiros e estrangeiros que escreveram ensaios temáticos de
grande utilidade. Figuram nesse elenco, por exemplo: Geografia, Pierre Monbeig;
Etnologia, Herbert Baldus; Período Colonial, Sérgio Buarque de Hollanda; In-
dependência, Otávio Tarquínio de Sousa; Segundo Reinado, Caio Prado Jú-
nior; República, Gilberto Freyre; e Poesia, Manuel Bandeira.
A concepção de Rubens Borba de Morais e de William Berrien de um manual
de estudos brasileiros inovou ao incluir antes de cada listagem de obras um estudo in-
trodutório, e de oferecer resumos dos títulos selecionados, enriquecendo, sobremaneira,
a obra, diferenciando-a no campo das bibliografias sobre temas brasileiros. É curioso
notar que um livro de tamanha relevância tenha tido somente uma edição, no final da
década de 40, que se esgotou em pouco tempo, transformando-se em "espécie rara" so-
mente encontrada em "sebos especializados" a altíssimos preços. Assim sendo, o Se-
nado Federal presta inestimável serviço cultural ao tornar acessível ao público uma
nova edição do famoso Manual Bibliográfico de Estudos Brasileiros, obra de
consulta obrigatória para estudantes, professores, profissionais liberais e todos os inte-
ressados no conhecimento da realidade nacional.
Registre-se, ainda, que na década de 80 houve um projeto para atualizar o
Manual Bibliográfico de Estudos Brasileiros, tarefa que infelizmente não se
concluiu. É, sem dúvida, um projeto que mereceria ser retomado. Porém, enquanto tal
empreendimento não é levado a efeito, é necessário que a obra seja reeditada para es-
tar à ampla disposição do público leitor interessado.
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SUMÁRIO

República -- Gilberto Freire


pág. 669
Bibliografia
pág. 689
Bandeiras -- Alice Canabrava
pág. 737
Bibliografia
pág. 755
Os holandeses no Brasil -- José Honório Rodrigues
pág. 791
Bibliografia:
1) História da expansão colonial holandesa para o Brasil:
a) Usselincx e a história da Companhia das Índias Ocidentais;
b) União da Companhia das Índias Orientais e Ocidentais -- 1644-1646;
c) Situação da Companhia das Índias Ocidentais -- 1649-1653;
d) Histórias das Índias Ocidentais
pág. 809
2) Fontes gerais de interesse para a história dos holandeses no Brasil:
a) Histórias gerais; b) História da Holanda
pág. 820
3) Fontes regionais de interesse para a história dos holandeses no Brasil
pág. 825
4) História geral dos holandeses no Brasil
pág. 830
5) História de lutas -- 1621-1654:
a) Tréguas -- 1609-1621 ou guerra com a Espanha -- 1621-1648; b) Os holandeses
na Bahia -- 1624-1625; c) Ataque à Bahia -- 1627 -- A Frota de Prata; d) Conquista de
Pernambuco -- 1630; e) Período nassoviano; f) Ataque à Bahia -- 1638; g) Angola
(São Paulo de Luanda e o Brasil; h) Restauração -- 1645-1654
pág. 835
6) História diplomática:
a) Relações diplomáticas (obras gerais); b) Tréguas -- 1641-1642; c) Negociações
com a Holanda -- 1647-1661; d) Capitulação dos holandeses; e) Tratado de 1661
pág. 867
7) História econômica e social:
a) O comércio do Brasil e a Companhia das Índias Ocidentais -- A vida
econômica e social; b) Legislação; c) Religião; d) Judeus
pág. 878
8) História natural e médica -- Etnografia e artes
pág. 883
9) Biografias -- Bibliografia das bibliografias:
a) Biografias; b) Bibliografia das bibliografias
pág. 886
VIAGENS -- Bibliografia -- Rubens Borba de Morais
pág. 895

ASSUNTOS ESPECIAIS -- Bibliografia -- Caio Prado Júnior


1) Escravidão africana -- Tráfico -- Abolição
pág. 947
2) Indígenas -- Legislação -- Estatuto Jurídico e Social, etc.
pág. 948
3) Igreja -- Clero -- Ordens religiosas
pág. 949
4) História econômica -- Estatística
pág. 954
5) História constitucional, administrativa e jurídica -- Limites interprovinciais
pág. 957
LITERATURA
Introdução -- William Berrien
pág. 961
Pensadores, críticos e ensaístas -- Astrojildo Pereira
pág. 973
Bibliografia
pág. 993
Romance, contos, novelas -- Francisco de Assis Barbosa
pág. 1027
Bibliografia
pág. 1047
Poesia -- Manuel Bandeira
pág. 1061
Bibliografia
pág. 1075
MÚSICA -- Luís Heitor Correia de Azevedo
pág. 1091
Bibliografia
pág. 1113
OBRAS GERAIS DE REFERÊNCIA
Bibliografia
pág. 1143

SOCIOLOGIA -- Donald Pierson


pág. 1157
Bibliografia
a) Periódicos, enciclopédias, bibliografias, excertos
b) População e Ecologia Humana
c) Organização social, mudança e desorganização social
d) Psicologia Social
e) Teoria e metodologia sociológica
f) Obras sobre assuntos correlatos de utilidade para o sociólogo
pág. 1171
TEATRO -- Leo Kirschenbaum
pág. 1259
Bibliografia
a) Obras críticas
b) Peças teatrais
pág. 1269

Índice de autores
pág. 1279
669

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República *

Gilberto Freire

O critério de dividir-se rigidamente a história de um país em épocas


-- épocas políticas -- consideramo-lo uma arbitrariedade. Se transigimos
com ele é com restrições profundas e só no interesse da necessária siste-
matização de material bibliográfico: sistematização que se baseie sobre a
convenção mais geralmente aceita.
Devemos, entretanto, esclarecer que não nos consideramos espe-
cialista em nenhuma das épocas políticas em que se divida a História do
Brasil, desde que os estudos de nossa predileção se conformam antes
com o critério histórico-sociólógico de estudo de tendências, tipos e ins-
tituições sociais e de cultura (nem sempre coincidentes, em seu desen-
volvimento, com as épocas ou os períodos políticos do desenvolvimen-
to de um povo), do que com o critério principalmente político e rigoro-
samente cronológico, em geral adotado. Só assim se explica que aceite-
mos a responsabilidade de escrever a introdução para a bibliografia do
material relativo à história do período republicano do desenvolvimento
brasileiro: de 1889 aos nossos dias.
Nem desse período, nem de outro período qualquer da história
brasileira, pretendemos fazer nunca objeto de especialização, voltado
como sempre foi e continua, nosso interesse de pesquisador de coisas
brasileiras para o estudo sociológico do patriarcado agrário e escravocra-
ta em nosso país: sua formação, seu desenvolvimento, sua desintegração
e sua sobrevivência. Esse estudo em relação, é claro, com as diferentes
formas políticas a que o mesmo patriarcado se acomodou ou a que deu,
por sua vez, consistência, brilho, ou apenas prestígio ou desprestígio; e

(*) A bibliografia foi organizada por Alice Canabrava e Rubens Borba de Morais.
670

com as diversas áreas ou regiões brasileiras marcadas pelo seu maior do-
mínio ou vigor social: o Norte açucareiro, a princípio e depois a região
cafeeira do Sul. Pois seria absurdo pretender que as formas políticas não
se relacionam com uma instituição e com um processo de vida social e
de produção econômica da força e da amplitude do patriarcado agrário e
escravocrata.
Oficialmente este teria morrido de vez no Brasil um ano antes de
iniciar-se o período republicano. Sociologicamente, não morreu: já feri-
do de morte pela Abolição acomodou-se à República e durante anos vi-
veram ainda patriarcado semi-escravocrata e República federativa quase
tão simbioticamente como outrora patriarcado escravocrata e Império
unitário. Várias sobrevivências patriarcais ainda hoje convivem com o
brasileiro das áreas mais marcadas pelo longo domínio do patriarcado
escravocrata -- agrário ou mesmo pastoril -- e menos afetadas pela imi-
gração neo-européia (italiana, alemã, polonesa, etc.) ou japonesa; ou pela
industrialização e urbanização da economia, da vida social e da cultura.
Na imigração neo-européia, na industrialização e na urbanização da vida
nacional brasileira encontramos fenômenos sociais de decisiva ação anti-
patriarcal. Fenômenos cujas origens devem ser procuradas ainda no pe-
ríodo monárquico ou imperial, mas que se manifestaram ou se acentua-
ram durante o período republicano; e se acomodaram de tal modo ao re-
gime federativo de república desenvolvido em nosso país que assumi-
ram, por vezes, aspectos estaduais ou regionais comprometedores da
unidade brasileira (assegurada e fortalecida pelo Império) ou do desen-
volvimento harmônico de nossa economia e de nossa cultura. Sirva de
exemplo o extraordinário desenvolvimento da imigração neo-européia
em São Paulo, sob estímulo e cuidados oficiais, com prejuízo para o de-
senvolvimento de outras regiões brasileiras feridas nas raízes de sua eco-
nomia e de sua cultura pela abolição repentina do trabalho escravo. Tal
desenvolvimento -- favorecido, é claro, pelas boas condições de solo e
de clima de São Paulo do ponto de vista europeu, pela própria natureza
da cultura do café e por sua situação no mercado internacional -- prepa-
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ram-no, ainda na Monarquia, paulistas inteligentes, preponderantes no


governo nacional: um deles o Conselheiro Antônio Prado. Mas foi sob a
República que o desenvolvimento paulista se acentuou. Sob o sistema de
alternativa de hegemonias estaduais que cedo quase se limitou à compe-
tição da economia paulista com a mineira e com a do Rio Grande do
Sul, o Brasil teve os seus centros ecológicos de domínio transferidos do
Norte para o Sul. Efeito ou ação da preponderância da economia cafeei-
ra sobre a açucareira, da indústria sobre a agricultura, do trabalho livre
sobre o remanescente do trabalho escravo; e essa favorecida ou protegi-
da pela ascendência política dos paulistas, mineiros e rio-grandenses-do-
sul na direção das coisas nacionais.
Esboçada desde os últimos decênios do Império, a ascendência su-
lista se definiu e se acentuou depois da fundação da República e, sobre-
tudo, depois da normalização da mesma República em regime político
antes paisano que militar e antes industrial que agrário, sob três presi-
dentes paulistas, caracteristicamente civis e não apenas acidentalmente,
paisanos: Prudente de Morais, Campos Sales e Rodrigues Alves. Com os
dois últimos, principalmente com Rodrigues Alves, fixou-se na fisiono-
mia da República brasileira um como sorriso de otimismo diante de
quanto fosse tendência, em nossa vida, no sentido da industrialização, da
urbanização e da neo-europeização do ex-Império, cujos traços mais vi-
vamente lusitanos e africanos foram sendo considerados desprezíveis ou
vergonhosos. São dessa época um antilusismo e um antiafricanismo que
teriam expressões características no esforço do engenheiro Pereira Pas-
sos, prefeito do Distrito Federal durante a presidência Rodrigues Alves,
para substituir com violência a arquitetura de origem lusitana e os costu-
mes e meios de transporte luso-africanos das ruas, mercados, praças e
subúrbios do Rio de Janeiro, por arquitetura, costumes e meios de trans-
porte franceses, ingleses e norte-americanos; e na quase obsessão do Ba-
rão do Rio Branco (que seria por muitos anos o ministro do Exterior do
Brasil republicano) de dar a impressão ao estrangeiro de que a República
entre nós continuava a ser a mesma aristocracia de brancos que o Segun-
672

do Império. Não só de brancos, porém de brancos finos, elegantes,


afrancesados, sem os maus costumes portugueses de palitarem publica-
mente os dentes e de cuspirem ruidosamente no chão. Pois o Barão do
Rio Branco (tanto quanto o Prefeito Passos) tinha uma antipatia especial
aos portugueses. Era, sob esse aspecto, um representante exato do Brasil
de sua época, voltado com os Rui Barbosa e os Joaquim Nabuco, para
os ingleses e os norte-americanos, com os Amaro Cavalcanti e os Salva-
dor de Mendonça para os norte-americanos, com os Santos-Dumont e
os Graça Aranha, para a França que era também o modelo, de boas ma-
neiras do Barão. Ao Barão se atribui o desenvolvimento, no Rio de Ja-
neiro, de colégios de freiras francesas para meninas, do tipo nitidamente
europeu do Sacré Coeur e do Sion. Aí deviam educar-se as meninas aris-
tocráticas do Brasil para que aos diplomatas, aos homens de estado, aos
grandes da República, não faltassem esposas de maneiras esmeradamen-
te européia. Também entendia o Barão do Rio Branco que não deviam
representar o Brasil no estrangeiro senão brasileiros brancos ou com
aparência de brancos, tendo sido a República, sob esse aspecto e sob a
influência do poderoso ministro do Exterior, mais papista que o papa,
isto é, mais rigorosa em considerações étnicas de seleção do seu pessoal
diplomático, que o próprio Império; ou que o próprio Imperador Pedro
II. Deste se sabe que teve sempre à mesa de trabalho um lápis vermelho
-- chamado "o lápis fatídico" -- com o qual riscou, para desapontamento
de seus ministros muito nome de candidato a postos de alta repre-
sentação de ordem étnica. Pessoalmente, Dom Pedro II era muito ho-
mem para nomear o velho Rebouças -- negro bom e honrado e de sua
particular estima -- ministro do Império, entretanto, hesitara muito em
designar José Maria da Silva Paranhos, depois Barão do Rio Branco,
para cônsul do Brasil em cidade européia, simplesmente por ter sido o fi-
lho do Visconde, na sua mocidade de Juca Paranhos, um grande boêmio,
doido por ceias com mulheres alegres e vinhos franceses.
Estamos talvez gastando o espaço reservado a esta introdução com
detalhes e indiscrições sobre pessoas, mas sem personalia não se faz His-
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tória nem se inicia ninguém nas intimidades da bibliografia que se deva


procurar para exato conhecimento do passado, seja qual for o critério
por que se considere esse passado. Não tem outra explicação a impor-
tância dos depoimentos reunidos pelo historiador Tobias Monteiro so-
bre fatos e homens dos primeiros tempos da República no Brasil, aos
quais se deve reunir seu Campos Sales na Europa. No mesmo caso estão
biografias e autobiografias, memórias e diários, quer de brasileiros vin-
dos já politicamente maduros do Império para a República -- à qual, en-
tretanto, alunos serviriam em postos consultivos, técnicos ou de repre-
sentação diplomática: o Barão do Rio Branco, o Barão de Lucena, João
Alfredo, Afonso Pena, Rodrigues Alves, Gastão da Cunha, Antônio Pra-
do, Joaquim Nabuco -- quer de brasileiros a vida inteira republicanos ou
nascidos já quase com a República: Prudente de Morais, Quintino Bo-
caiúva, Silva Jardim, Julio de Castilhos, Pinheiro Machado, Rui Barbosa,
Medeiros e Albuquerque, Nilo Peçanha, Barbosa Lima, Dunshee de
Abranches, Lauro Müller, Lúcio e Salvador de Mendonça, João Pinhei-
ro, Júlio de Mesquita, Artur Bernardes, Flores da Cunha, os Mangabeira.
Ou a vida inteira absolutamente fiéis à Monarquia e mais ou menos hos-
tis à República: Visconde de Taunay, Carlos de Laet, Barão de Penedo,
Saldanha da Gama.
A República tem sido no Brasil, tanto quanto o Império ou, talvez
mais do que o Império, um choque constante entre personalidades, isto
é, entre caudilhos e líderes de formações regionais e intelectuais diversas,
de ideologias antagônicas, de interesses e aspirações econômicas contrá-
rias. De modo que para bem compreendê-la impõe-se o maior conheci-
mento possível da bibliografia biográfica, autobiográfica e personalista,
em geral, em que a outra -- a impessoal, rigidamente jurídica, filosófica,
sociológica, técnica, administrativa, ideológica -- tem muitas vezes suas
raízes ou sua explicação. Como compreendermos bem o antagonismo
entre Rui Barbosa e Pinheiro Machado sem conhecermos os anteceden-
tes gaúchos e dizem que até ciganos de um Pinheiro Machado -- sua
vida, toda de aventuras e de gestos de caudilho valente, conhecedor de
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cavalos, bebedor de chimarrão, voluptuoso de churrascos sangrentos, e os


antecedentes, a formação, a personalidade de Rui nascido, criado a chá e
amadurecido antes do tempo na Bahia, entre lições de latim e de gramática à
hora certa, entre igrejas velhas e iaiás delicadamente quituteiras, entre tios
doutores, parentes magistrados e primos burocratas? Entretanto foram, com
todas suas diferenças e antagonismos, igualmente brasileiros e altamente rep-
resentativos de algumas das tendências que se juntaram para formar a Repú-
blica ou, pelo menos, para dar à história dos primeiros decênios da Repúbli-
ca entre nós não só seus mais violentos jogos de contrários, como suas con-
fluências e combinações mais úteis. E o mesmo poderá dizer-se do antago-
nismo entre positivistas da rigidez doutrinária de Teixeira Mendes e republi-
canos quase sem doutrina -- apenas argutamente, oportunistas -- como o Se-
nador Francisco Glicério; entre militaristas ingênuos como Deodoro e in-
transigentes civilistas como Prudente. Todos eles deram à República brasilei-
ra traços que resultariam na extrema complexidade de feições e na às vezes
desconcertante mobilidade de expressões de sua fisionomia, predominas-
sem, embora, nos começos do regime a influência dos modelos norte-ame-
ricanos -- através de Rui Barbosa -- e a influência do Positivismo francês,
através do Benjamim Constant brasileiro, isto é, Botelho de Magalhães.
Ordem e Progresso foi o lema positivista que os adeptos dessa doutrina
conseguiram que se imprimissem na bandeira nacional sob o protesto de
tradicionalistas do feitio de Eduardo Prado, talvez o crítico brasileiro
mais incisivo -- embora nem sempre justo -- que a Republica brasileira --
especialmente o Positivismo republicano -- teve nos seus primeiros anos.
Igualmente interessantes se apresentam em suas críticas à República Car-
los de Laet, Ouro Preto, Joaquim Nabuco, Afonso Arinos, Martim
Francisco e Oliveira Lima. Este fora republicano na mocidade; homem
feito, desencantou-o a experiência republicana: tornou-se monarquista.
Foi talvez um dos casos de nostalgia e de remorso, destacados, em pági-
na interessante, pelo Sr. Luís Martins. O notável historiador e diplomata
brasileiro chegou a receber convite do Príncipe Dom Luís para ser seu
ministro do Exterior, caso se restaurasse o Império entre nós.
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De Eduardo Prado é, ainda, o livro A Ilusão Americana, de oposição


incisiva mas raramente bem documentada à política do Brasil republica-
no com relação aos Estados Unidos. Essa política de aproximação refle-
te-se, sob vários aspectos, na bibliografia do período republicano. Mol-
dada a nova Constituição brasileira sobre a da República norte-america-
na, nossos estudiosos de Direito passaram a inspirar-se direta ou indire-
tamente em tratadistas norte-americanos; a intensificação de relações po-
líticas e econômicas entre os dois países foi também refletindo-se em
nossa literatura política, econômica e pedagógica. Os livros, panfletos e
documentos do período estão salpicados de sugestões norte-americanas;
às vezes de revolta contra norte-americanismos. Numa das suas mensa-
gens de governador do Estado de Pernambuco, Barbosa Lima -- grande
figura de administrador, político e intelectual da República no Brasil --
chega, em 1893, a criticar a política ultraprotecionista do Partido Repu-
blicano da União Americana, que responsabiliza pelo tratado ou convê-
nio organizado por Blaine e aceito pelo nosso primeiro-ministro republi-
cano em Washington, Salvador de Mendonça. Tratado, ao que alega
Barbosa Lima, todo em favor da produção norte-americana. Houve en-
tão quem pensasse que a adoção, pelo Brasil, da forma de governo nor-
te-americana, não aumentara nosso prestígio nem melhorara nossa situa-
ção em Washington: tanto que o ultraprotecionismo do Partido Republi-
cano norte-americano, em seu primeiro tratado comercial com a nova
República, não se mostrava disposto à verdadeira reciprocidade entre as
duas nações, mas à mesquinha exclusividade em proveito da República
antiga, poderosa e, naqueles dias, imperialista e não apenas imperial.
De vários problemas econômicos, financeiros, comerciais, indus-
triais, técnicos, encontramos reflexos na bibliografia referente ao perío-
do republicano no Brasil: a defesa da produção brasileira do açúcar, da
borracha, de outros produtos e de novas indústrias; a estabilização do
câmbio; o "saneamento das finanças"; as relações econômicas com ou-
tros países; a construção de estradas de ferro -- uma delas a Madeira-Ma-
moré -- portos, esgotos, combate à febre amarela: obra em que se salien-
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ta Osvaldo Cruz. Também os problemas brasileiros de limites com as re-


públicas vizinhas são nesse período postos em foco pelo Ministro do
Exterior, Barão do Rio Branco, que resolve inteligentemente os princi-
pais. Daí resultam estudos notáveis de história diplomática e de geogra-
fia histórica: do próprio barão, de Joaquim Nabuco, de Euclides da Cu-
nha, ao lado dos de Capistrano de Abreu, de Oliveira Lima, Alberto
Rangel, Tobias Monteiro, Felisbelo Freire, Pandiá Calógeras. Sobre pro-
blemas financeiros travam-se polêmicas de que nos restam páginas ainda
hoje de interesse: a polêmica entre Rui Barbosa e o Visconde de Ouro
Preto, por exemplo. Joaquim Murtinho liga o seu nome de ministro da
Fazenda a esforço quase heróico de compressão de despesas públicas.
Davi Campista deixa nos anais do Congresso idéias lúcidas sobre ques-
tões brasileiras de finanças, discutidas também com autoridade por Leo-
poldo de Bulhões e Pandiá Calógeras. A teoria brasileira de valorização --
uma das nossas originalidades -- esboça-se no Brasil com a República:
com os primeiros esforços políticos no sentido de defender-se oficial-
mente ou oficiosamente a produção do café -- para em 1906 ser introdu-
zida na língua inglesa com o nome de "valorization". Do Brasil, onde a
primeira valorização do café se verificou em 1905, a nova técnica de de-
fesa econômica passaria ao Equador, onde seria aplicada na defesa do
cacau (1912), à Malásia britânica e Ceilão (borracha, 1922), a Cuba (açú-
car, 1925), ao Egito (algodão, 1915; 1925), ao México (1922), à Itália
(1925) e a outros países, para a defesa de vários outros produtos.
Pode, portanto, a República vangloriar-se do fato e ter-se antecipa-
do a teorias e práticas modernas, européias e norte-americanas, de inter-
venção do Estado no sentido de regulamentar suprimentos de determi-
nado produto e de estabilizar-lhe os preços por meio de sua retenção em
armazéns, com a técnica e a teoria essencialmente brasileira de valoriza-
ção. A história dessa técnica e dessa teoria está ainda para ser escrita: na
bibliografia do período republicano brasileiro vamos encontrar seu ger-
me e suas raízes. Não sabemos de assunto brasileiro mais digno de ser
estudado por algum historiador econômico, nosso ou de fora: pois a
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teoria e a prática da valorização ligam a República brasileira à história


econômica dos primeiros decênios do século XX.
No que a mesma bibliografia se apresenta um tanto pobre -- pelo
menos em relação com o número de obras sobre finanças, sobre a técni-
ca econômica de defesa de produtos, sobre jurisprudência e direito, so-
bre geografia histórica, sobre medicina tropical, sobre história política,
sobre questões de língua e de gramática, para não falarmos das belas-le-
tras propriamente ditas que nesse período nos aparecem com algumas
das maiores figuras brasileiras de todos os tempos, nascidas ou formadas
no Império mas desabrochadas de todo na República: Machado de As-
sis, Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, João Ribeiro, Aluísio Azeve-
do, Raul Pompéia, Graça Aranha, Afonso Arinos, Olavo Bilac -- é na
apresentação e discussão de problemas brasileiros de economia social e
de sociologia. A questão de valorização do homem brasileiro -- do ho-
mem do povo -- e da adaptação de sua alimentação e de sua habitação,
do seu vestuário às condições tropicais de vida -- problemas que chega-
ram a preocupar os brasileiros do tempo do Império e até os médicos
do fim da era colonial -- quase não existe para os intelectuais e cientistas
brasileiros da República, na sua primeira fase: 1889-1930 (outra divisão
arbitrária: aceitemo-la, porém). A questão da valorização do café toma o
lugar de quase todas as outras. Grandes talentos se gastam no bizantinis-
mo de discussões gramaticais, literárias, jurídicas e financeiras. Entretan-
to, a deficiência que acabamos de destacar é mais de quantidade do que
de qualidade. São desse período páginas ainda hoje atuais de Euclides da
Cunha, Alberto Torres, Graça Aranha, Sílvio Romero, José Veríssimo,
Monteiro Lobato, Belisário Pena, Miguel Pereira, Roquete-Pinto, Afrâ-
nio Peixoto, salientando a importância de aspectos de problemas sociais
por nós ainda hoje negligenciados. É desse período o esforço, verdadei-
ramente admirável, do Governo Federal e do Exército a favor do indíge-
na brasileiro, esforço à frente do qual se destaca a figura de Cândido
Rondon, cujas idéias e métodos se chocam às vezes com os de algumas
missões religiosas dedicadas a obras de catequese. É ainda desse período
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a obra do professor Oliveira Viana de estudo histórico-sociológico das


populações meridionais do Brasil.
Os próprios anais do Congresso Nacional foram enriquecidos, nos
seus últimos anos, com discursos francamente socialistas de Alexandre
José Barbosa Lima que também ocupou-se, tanto quanto Sílvio Romero,
dos perigos do imperialismo germânico no Sul do Brasil, tendo sido acu-
sado por gazetas alemãs de "ultranativista". Era também para o socialis-
mo que, no fim da vida, caminhava o liberalismo de Rui Barbosa, a
quem a forte caricatura do caboclo brasileiro traçado por Monteiro Loba-
to -- o Jeca Tatu -- fez olhar para o interior do Brasil e para a miséria da
nossa vida rural. Em 1919, Rui chegaria a dizer: "A concepção indivi-
dualista do direito tem evoluído rapidamente, com os tremendos suces-
sos deste século para uma transformação incomensurável nas noções ju-
rídicas do individualismo, restringido agora por uma extensão cada vez
maior dos direitos sociais."
Desde o fim da guerra chamada dos Quatro Anos que, no Brasil,
foi tendo repercussão o novo sentido europeu de direitos sociais como
restrição ao individualismo liberal ou ao laissez-faire econômico. Também
foi se acentuando, nas gerações mais novas, o descontentamento com as
teorias e sobretudo com as práticas políticas dos dirigentes da República
e com a literatura ou a arte acadêmica representada pelos Coelho Neto e
pela Escola de Belas-Artes contra os quais rebentaria em São Paulo e no
Rio o chamado "movimento modernista". Alguns jovens foram agindo
sobre os próprios velhos de responsabilidade e de prestígio, no sentido
de comunicar-lhes parte do seu mal-estar não só de revoltados contra as
práticas políticas e as convenções acadêmicas de arte como de críticos
dos próprios fundamentos do regime dominante entre nós desde 1889.
Que não correspondiam à nossa realidade social, diziam alguns. Que
precisávamos de um presidencialismo mais forte, quase de uma realeza
efetiva, pensavam outros, contanto que fosse "realeza" da elite intelectual
e técnica e que cuidasse dos problemas sociais brasileiros, principalmen-
te dos econômicos, dos de organização social, educação, higiene. Entre
679

os críticos que se exprimiam contra as práticas dominantes se achavam


discípulos de Alberto Torres, entusiastas de Euclides da Cunha, leitores
de Sílvio Romero; e também jovens educados no estrangeiro ou influen-
ciados por idéias e contatos europeus e norte-americanos: Delgado de
Carvalho, Pontes de Miranda, A. Carneiro Leão, Tasso da Silveira, Tris-
tão de Ataíde e outros. Idéias e contatos que, em vez de distanciarem to-
dos os jovens assim educados da realidade nativa, tinham resultado em
aproximar alguns da mesma realidade: o caso do professor Delgado de
Carvalho é expressivo. Ao mesmo tempo havia quem, bizantinamente,
voltasse olhos de uma languidez oriental para a "solução parlamentaris-
ta"; "de mais parlamentarismo é que precisava o Brasil", suspiravam tais
descontentes -- descontentes talvez dissimulados, que eram, ao mesmo
tempo, partidários de maior autonomia dos estados em face dos "abu-
sos" do poder central. Alguns desses falsos descontentes -- seja observa-
do de passagem -- terminariam fascistas, integralistas, partidários de "di-
taduras violentas". Ainda outros descontentes penderiam sincera e ho-
nestamente para a solução convencionalmente monárquica, com a res-
tauração do trono dos Braganças. Ou para a "solução católica", com o
fortalecimento mais da Ordem que do Progresso: idéia do vigoroso pan-
fletário Jackson de Figueiredo que teria brilhante continuador no senhor
Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde).
Várias dessas formas de descontentamento tiveram sua expressão,
senão em livros, em folhetos, conferências, opúsculos, que constituem
um dos mais curiosos aspectos da bibliografia do período. Foi através
dessas várias formas de descontentamento que se preparou a Revolução
de 1930 -- repercussão, também, da grande crise econômica internacio-
nal, que tornou inúteis os esforços de valorização do café paulista dentro
da técnica já tradicional. Foi também de sugestões de mestres como Eu-
clides da Cunha, Joaquim Nabuco, Alberto Torres, Silvio Romero, Fa-
rias Brito, José Veríssimo, Oliveira Lima e da insistência das novas gera-
ções brasileiras, desde 1918, na necessidade de soluções sociais e não
principalmente econômicas nem apenas jurídicas e financeiras, para os
680

nossos problemas -- necessidade posta em relevo, mais de uma vez, em


palavras sempre lúcidas, pelos Srs. Gilberto Amado e Licínio Cardoso --
que souberam aproveitar-se alguns dos novos dirigentes do Brasil --
principalmente o mais perspicaz e pragmático de todos eles: o Sr. Getú-
lio Vargas -- para algumas de suas iniciativas ou tentativas revolucioná-
rias de reforma política e econômica, nem sempre bem conduzidas, no
sentido da "organização nacional" pregada por Alberto Torres, da colo-
nização dirigida -- e não a esmo -- da Amazônia, com que sonhou Eucli-
des da Cunha, da valorização do homem brasileiro pela maior defesa de
sua saúde, reclamada pelo professor Roquete-Pinto e por Miguel Pereira,
do abrasileiramento das áreas do Sul do Brasil colonizadas por alemães com
intuitos imperialistas denunciados desassombradamente por Sílvio Ro-
mero e Barbosa Lima, da maior assistência às populações do São Fran-
cisco e da zona árida do Nordeste -- obra em que se distinguira, como
Ministro da Viação do Sr. Getúlio Vargas, o Sr. José Américo de Almei-
da: figura típica de revoltado contra os abusos dos políticos chamados
profissionais da primeira República e hoje em triste ostracismo, como
outros brasileiros de igual valor.
Uma das expressões daquela inquietação de jovens, mais marcada
pelo espírito de crítica e pelo desejo de renovação, senão de revolução, é
a que nos oferecem os depoimentos reunidos no livro À margem da His-
tória da República (Rio, 1922). Um dos colaboradores, o Sr. Pontes de Mi-
randa, escreve aí contra o estadualismo reinante: "o estado que se acha
no poder, qualquer que seja ele... feitoriza o Brasil como o escravocrata
feitoriza a fazenda". E acrescenta que contra semelhante estadualismo,
só a "reação agregante" que "sem desatender a legítimos interesses lo-
cais" considerasse principalmente a "unidade nacional". Outro, Ronald
de Carvalho, assim se exprime: "Deixemos de pensar em europeu. Pen-
semos em americano. Temos o prejuízo das fórmulas, dos postulados e
das regras que não se adaptam ao nosso temperamento." Vicente Licínio
Cardoso vê os políticos republicanos -- os dominantes -- preocupados só
com problemas secundários, questões partidárias, regionalismos deleté-
681

rios e comentários constitucionais esdrúxulos ou fetichistas"; e esqueci-


dos dos problemas importantes de saneamento, comunicação, educação,
higiene. E o Sr. Oliveira Viana prega a necessidade, para o Brasil, de
uma legislação, de uma "arquitetura política", de um novo "sistema polí-
tico" em que o legislador, o reformador, o reorganizador "antes de se
mostrar homem do seu tempo" se mostrasse "de sua raça e de seu
meio". Poderia talvez acrescentar-se: do seu passado.
Sob a chamada primeira República acentuara-se nos brasileiros da
classe dominante a disposição ou o empenho de se parecerem mais com
os seus contemporâneos dos países tecnicamente mais adiantados do
que com seus pais e avós do tempo do Império. Por exemplo, tornara-se
mais elegante dizer-se alguém casado com inglesa ou francesa do que
com alguma filha de família tradicional do interior de São Paulo, de Per-
nambuco, da Bahia. Foi a época de numerosos homens de Estado e di-
plomatas casados com senhoras francesas, inglesas, rumaicas, alemãs,
norte-americanas. A época de discursos parlamentares, relatórios, men-
sagens de governadores salpicadas mais de duras palavras inglesas -- trust,
funding-loan, deficit, stock -- que de mole latim, quase de igreja, como anti-
gamente. Também a época de grandes leilões, cujos anúncios se espa-
lham por páginas inteiras dos diários. Leilões de jacarandás e pratas de
avós.
Políticos e grandes da primeira República não querem em suas ca-
sas os móveis pesados dos avós e dos pais, nem mesmo as boas pratas
antigas, os grandes paliteiros portugueses de prata tão característicos das
mesas do Segundo Império. Os novos salões são mobiliados à francesa.
Nos gabinetes de estudo se instalam mapples ingleses. Os jacarandás de-
saparecem, comprados às vezes -- ironia das ironias! -- por ingleses e ju-
deus franceses. Os publicistas, os congressistas, os políticos, os pedago-
gos republicanos, em vez das citações de clássicos em que se esmeravam
os estadistas, parlamentares e educadores do Império, citam em inglês e
em francês autores ingleses, franceses e norte-americanos. Os livros do
período é o que acusam: menor contato com os clássicos; maior contato
682

com mestres e técnicos contemporâneos em assuntos de direito, finan-


ças, engenharia, higiene, educação, ciência aplicada. Entretanto, não fal-
tam à bibliografia do período bons estudos gramaticais, filológicos e his-
tóricos sobre a língua portuguesa: os de João Ribeiro, Said Ali, Carlos de
Laet, Mário Barreto, Eduardo Carlos Pereira, Heráclito Graça, Júlio Ri-
beiro. Gramáticos como que sociológicos.
Dos brasileiros do período republicano, alguns não se contentam
em parecer menos com os pais do tempo do Império do que com os
contemporâneos dos grandes países industriais: pretendem parecer-se
mais com os vindouros do que com os simples contemporâneos. As
modas européias e norte-americanas de trajo e de esporte, as inovações
pedagógicas, as novidades de técnica administrativa e de estilo literário
são adotadas às vezes com exageros grotescos, no Brasil dos fins do sé-
culo XIX e nos princípios do século XX, num como desejo que tives-
sem os místicos do Progresso, então senhores de muitas responsabilida-
des de direção em nosso país, de se avantajarem aos povos progressistas
por eles imitados, em aperfeiçoamentos e em arrojo. Os meninos come-
çam a querer ser Fultons e Benjamins Franklins mais do que Cíceros,
Lamartines ou Cavours; e muitos deles, em vez de receberem nomes
gregos e romanos que o pedantismo de erudição clássica predominante
no Império tornara comuns entre nós -- Ulisses, Demóstenes, Cícero,
Demócrito, Epaminondas, Aristarco -- ou nomes de poetas, de santos,
de reis, de heróis da história sagrada e de novelas românticas, são batiza-
dos com os nomes às vezes arrevesados de presidentes de República
norte-americanos, de almirantes, cientistas, e engenheiros ingleses, de in-
ventores e técnicos norte-americanos: Washington, Benjamin Franklin,
Newton, Nelson, Hamilton, Jefferson, Edson, Lincoln. É bem caracte-
rístico desse novo estado de espírito o fato de brasileiros ricos como
Santos-Dumont ou bem situados na política como Augusto Severo de
Albuquerque Maranhão se dedicarem à chamada "conquista do ar", mís-
tica naturalmente derivada da convicção que foi aos poucos se generali-
zando entre nós, de sermos um país vergonhosamente atrasado em pro-
683

gresso técnico, científico e industrial. Um país arcaico de cabriolets e car-


ros de boi, de doutores teóricos e de portugueses de tamancos, de ne-
gros boçais e de índios selvagens. A República nos libertara de um dos
nossos "arcaísmos vergonhosos": a forma de governo. Mas o Brasil pre-
cisava de se impor à consideração dos povos contemporâneos exceden-
do-os em adiantamentos técnicos: inventando novos meios de transpor-
te aéreo, por exemplo. Antecipando-se a ingleses, franceses e norte-ame-
ricanos na difícil "conquista do ar". E dando ao seu progresso um cará-
ter essencialmente prático.
É o que explica o sucesso fácil que obtêm entre nós as escolas nor-
te-americanas, fundadas por missionários protestantes nos princípios do
século XX e que divulgam entre a mocidade jogos como o volley-ball e o
basket-ball. Delas se esperam milagres: meninos fortes, sadios, esportivos,
bem preparados em matemática e em inglês, aptos a se tornarem enge-
nheiros, técnicos, capitães de indústria. Milagres mais completos se espe-
ram dos rapazes que os pais enviam para as escolas técnicas, comerciais
e de engenharia, química e agricultura da Inglaterra e dos Estados Uni-
dos. As mães receiam o protestantismo, a heresia, a irreligião. Mas os
pais enfrentam o risco, contanto que seus filhos voltem da Inglaterra ou
dos Estados Unidos, falando inglês, jogando tennis e aptos a transforma-
rem o Brasil num grande país industrial, comercial e de homens "essen-
cialmente práticos".
Os moços da classe dominante que não vão estudar no estrangeiro
engenharia, comércio, medicina, odontologia, zootecnia, agronomia, fre-
qüentam no país as faculdades de direito, medicina, engenharia, odonto-
logia. O estudo de humanidades do tempo do Império entra em declí-
nio. A primeira República pouco se interessa pela criação de universida-
des, sonhada ou desejada por um ou outro ideólogo. E os seus dirigen-
tes pretendem, quase todos, ser homens "essencialmente práticos",
alheios a "poesias". Conseguem sê-lo na organização do ensino superior
como ensino quase exclusivamente profissional. Tanto que Bryce, de
passagem pelo Brasil, surpreende-se do caráter estritamente prático do
684

nosso ensino superior. Estávamos sendo mais papistas que o papa: mais
práticos que o inglês.
São do período republicano numerosos livros e folhetos sobre
questões de ensino. A primeira República não hesita em "reformar o en-
sino": pelo menos no papel, "reforma-o" várias vezes. Essas "reformas
de ensino" -- continuadas pela segunda República -- constituem um capí-
tulo inteiro da bibliografia do período.
É entretanto justo salientar que, durante a primeira República, se o
ensino secundário e o superior não apresentam senão excepcionalmente
aperfeiçoamentos como resultado das numerosas reformas, o ensino
primário e normal melhoram consideravelmente. Principalmente no Dis-
trito Federal, em São Paulo, Minas Gerais e em Pernambuco. Neste,
como noutros setores de atividade cultural, São Paulo torna-se uma ins-
piração e um exemplo para os demais estados.
São da segunda República várias iniciativas inteligentes de ordem
cultural -- uma delas a Universidade do Distrito Federal, depois absorvi-
da pela Universidade do Brasil -- que se refletem sobre publicações inte-
ressantes do Ministério da Educação e Saúde e de outros departamentos
do Governo. Edições e reedições de obras de valor; traduções de livros
notáveis como o de Lippmann sobre o açúcar -- feliz iniciativa do Insti-
tuto do Açúcar.
O Instituto de Manguinhos, o Museu Nacional, a Biblioteca Nacio-
nal, o Instituto de Geografia, o Arquivo Nacional, o Departamento Mu-
nicipal de Cultura de São Paulo, o Museu Goeldi, o Museu Paulista, o
Museu Júlio de Castilhos, a Universidade de São Paulo, outras organiza-
ções oficiais, semi-oficiais e particulares de educação e cultura enrique-
cem a bibliografia brasileira do período republicano com publicações de
interesse intelectual, científico e técnico às quais se junta a produção, tão
abundante nos últimos anos, mas perturbada recentemente pela Grande
Guerra, de editores do Rio, de São Paulo, do Rio Grande do Sul. É du-
rante a primeira República que os nomes dos brasileiros, Vital Brasil,
Osvaldo Cruz, Carlos Chagas, Olímpio da Fonseca, J. B. de Lacerda,
685

Rocha Lima, Roquete-Pinto, Cardoso Fontes, Saturnino de Brito, Afrâ-


nio do Amaral, os irmãos Osório de Almeida, tornam-se nomes interna-
cionais em várias especialidades científicas, ao lado do de Rondon, do de
Santos-Dumont, dos de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rio Branco,
Oliveira Lima, dos de Vila-Lobos, Guiomar Novais, Epitácio Pessoa,
Afrânio de Melo Franco, Luís Carlos Prestes, Duque e Gaby, Antônio
Conselheiro, Lampião e Padre Cícero.
Período fértil em prisões e exílios de brasileiros ilustres -- um deles,
o Imperador velho e quase moribundo -- o fato se reflete na bibliografia.
Dos livros que a abrilhantam, vários são as obras de exilados ou de pri-
sioneiros políticos. Aplica-se ao Brasil republicano -- a algumas de suas
fases, de 89 aos nossos dias -- o conceito: "Lorsque la legalité est compli-
ce de l’injustice et de l’oppression, on brigue l’honneur d’être mal noté
par la police." Esta honra alcançam-na não simples demagogos ou agita-
dores vulgares, mas homens da estatura de Ouro Preto, Saldanha da
Gama, Silveira Martins, Rui Barbosa, Barbosa Lima, Hermes da Fonse-
ca, Carlos de Laet, Olavo Bilac, Eduardo Prado, Afonso Celso Júnior.
Numerosos outros: alguns ainda vivos, como o Sr. Otávio Mangabeira.
Dos livros do período republicano escritos por exilados, perseguidos ou
prisioneiros políticos, é bastante lembrarmos as notáveis Cartas da Ingla-
terra, de Rui Barbosa.
687

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Bibliografia

À margem da história da República; vidos. Dessa surpresa provinha o


ideais, crenças e afirmações. Inquérito por sentimento do que o Brasil retrogra-
escritores da geração nascida com a dara. [3508]
República: A. Carneiro Leão, Celso Abranches Moura, João Dunshee de.
Vieira, Gilberto Amado, Jônatas Ser- vide
rano, José Antônio Nogueira, Nuno
Pinheiro, Oliveira Viana, Pontes de Moura, João Dunshee de Abranches.
Miranda, Ronald de Carvalho, Tasso Albuquerque, José Joaquim de Campos
da Silveira, Tristão de Ataíde, Vicente da Costa de Medeiros e. O regime pre-
Licínio Cardoso. Rio de Janeiro, Ed. sidencial no Brasil. Rio de Janeiro,
do Anuário do Brasil, 1924. 350 p. Francisco Alves, 1914. 216 p.
Contém os seguintes artigos: Polí- O autor faz a apologia do regime
tica e letras (Tristão de Ataíde); Benja- parlamentar e procura diminuir o re-
mim Constant, o fundador da República gime presidencial. Segundo sua opi-
(Vicente Licínio Cardoso); À margem nião, o regime presidencial trouxe
da República (Vicente Licínio); Os de- uma corrupção moral ao Brasil; sen-
veres das novas gerações brasileiras (A. do o parlamentarismo o único regi-
Carneiro Leão); Evolução do pensamen- me que se adapta à índole do povo
to republicano no Brasil (Celso Vieira); brasileiro.
As instituições políticas e o meio social no Este livro foi reeditado em 1932
Brasil (Gilberto Amado); O clero e a sob o título Parlamentarismo e presiden-
República (Jônatas Serrano); O ideal cialismo, Rio de Janeiro, Ed. Calvino
brasileiro desenvolvido na República (José Filho, 1932, 156 p. [3509]
Antônio Nogueira); Finanças nacionais Alves, Francisco Rodrigues (Filho). Cam-
(Nuno Pinheiro); O idealismo da Cons- pos Sales: propagandista da República; o
tituição (Oliveira Viana); Preliminares ministro -- o presidente -- a época. Con-
da revisão constitucional (Pontes de Mi- tendo o manifesto republicano de
randa); Bases da nacionalidade brasileira 1870. 1ª ed., São Paulo, Cultura do
(Ronald de Carvalho); A consciência Brasil Ed., 1940. 71 p.
brasileira (Tasso da Silveira). A con- Opúsculo que focaliza as ativida-
clusão refere-se à responsabilidade des de Campos Sales, como deputa-
da geração nascida com a República, do, propagandista republicano, mi-
de sustentar o primado do espírito, e nistro da Justiça, presidente e restau-
à surpresa dessa geração ao verificar rador das finanças do país. [3510]
que havia se enganado ao pensar que Alves, José de Paula Rodrigues. Gênese da
certas etapas já haviam sido vencidas idéia republicana no Brasil. Santiago do
e certos problemas essenciais resol- Chile, Ed. Nascimento, 1933. 142 p.
688

Discurso de recepção do autor Amado, Gilberto. Grão de areia: estudos do


na Junta de História e Numismática nosso tempo. Rio de Janeiro, Jacinto Ri-
Americana, em 1929. Defende a beiro dos Santos, 1919. 217 p.
opinião de que a proclamação da O autor procura salientar alguns
República não foi obra de motim aspectos do panorama social e políti-
mas afirmação do triunfo de uma co brasileiro. Critica as tendências da
idéia. Para documentar essa asserção, educação da época, tendendo para a
expõe os fatores que promoveram a formação de "homens chamados
República, tomando como ponto de práticos", em relação às instituições,
partida o período após a inde- porque nada ou pouco podem in-
pendência. [3511] fluenciar na população que politica-
Amado Gilberto. Dias e horas de vibra- mente não existe. Para o autor, a
ção. Rio de Janeiro, Ariel Ed., s.d. Constituição republicana exerce a
148 p. mesma ação nominal sobre o país
que a monarquia. [3513]
A maior parte do livro é dedica-
Amado, Jorge. Vida de Luís Carlos Prestes:
da a fatos e impressões de Paris,
el caballero de la esperanza. Pref. del
onde o autor ministrou um curso de
mayor Carlos da Costa Leite. Buenos
Direito em março e abril de 1933.
Aires, Ed. Claridad, 1942. 395 p.
No primeiro capítulo, intitulado Me-
ditação no mar sobre o Brasil, discorre o Biografia de Luís Carlos Prestes,
autor sobre a inexistência de uma chefe do Partido Comunista Brasilei-
política nacional no Brasil. Explica ro. Trata-se da versão em espanhol,
esse fato pela ausência de homens, feita por Pompeu de Acióli Borges,
em razão do sistema de bancadas diretamente da edição em português
nos estados, que dispensa os ho- intitulada A B C do Cavaleiro da Espe-
mens mais inteligentes, como repre- rança. [3514]
sentantes dos estados, de qualquer Amaral, Antônio José Azevedo do. O Bra-
trabalho que não seja o de apoiar o sil na crise atual. São Paulo, Ed. Nacio-
líder de sua bancada. O Brasil, uno, nal, 1934. 264 p. (Brasiliana, v. 31.)
material, moral e espiritualmente, en- É um trabalho de crítica e de in-
contra-se separado, politicamente, terpretação do Brasil contemporâ-
em estados. Para o autor, a razão neo. O autor analisa as grandes
está que o poder passou, da Nação, questões internacionais de após-
para os estados. No momento atual, guerra e depois particulariza o caso
o Exército e os grandes estados dis- brasileiro, fazendo um estudo inter-
putam o poder. Prega o autor a ne- pretativo da Revolução de 1930. São
cessidade da organização dos gran- os seguintes os capítulos da obra: O
des partidos nacionais, sem querer método revolucionário; Ilusões de após-guer-
com isso, propor a centralização, ra; Individualismo e coletivismo; A paz e a
pois é de opinião que a federação é guerra; Realidade e ficção na crise brasilei-
o molde natural da coletividade bra- ra; O Brasil real: A nação, a província e o
sileira. [3512] município; Conflito de culturas. [3515]
689

Amaral, Antônio José Azevedo do. O es- do a formação de uma oligarquia


tado autoritário e a realidade nacional. Rio manejada por aventureiros, o autor
de Janeiro, José Olímpio, 1938. 311 p. examina as principais conseqüências
Ensaio político, crítico, sobre o desse fato nos vários ramos da ad-
Estado Novo. Estuda os anteceden- ministração (instrução, economia, fi-
tes desse regime político, o período nanças), no padrão social da popula-
decorrente entre a revolução e o seu ção e na formação de uma oligarquia
estabelecimento, e se detém mais de- plutocrática. Na segunda parte o au-
moradamente para analisar os caracte- tor discorre sobre as reservas morais
res da nova fórmula política. [3516] do país; comenta a ausência dessas
Amaral, Antônio José Azevedo do. Reno- reservas na mocidade, na religião, no
vação nacional. Rio de Janeiro, Impren- exército, na imprensa, na intelectua-
sa Nacional, 1936. 77 p. lidade, pois admite que todo o país
está contaminado pela corrupção
O autor procura caracterizar o am-
vinda do alto, ou seja, da oligarquia
biente nacional nas vésperas da Revo-
dirigente. Na terceira parte o autor
lução de 30; faz um estudo interpretati-
clama pela necessidade de se realizar a
vo da revolução, e o balanço das trans-
experiência de um governo sob a che-
formações políticas, econômicas e so-
fia de Luís Carlos Prestes. [3519]
ciais ocorridas depois de 30. [3517]
Amaral, Urbano de. A democracia moderna. São
Amaral, Leônidas do. Os pródromos da Paulo, Jorge Seckler & Comp., 1887. 181 p.
Campanha presidencial; as cartas e os pri- Na primeira parte intitulada "De-
meiros discursos. São Paulo, 1929. 650 p. mocracia", o autor aponta como ca-
Pródromos da campanha presidencial racteres dessa forma de governo a afir-
para o quatriênio 1930-1934. Contém mação da liberdade individual e o re-
as cartas trocadas entre Washington conhecimento da personalidade das
Luís, Getúlio Vargas e Antônio Car- nações; tem a Federação como sua
los sobre a sucessão presidencial, as- imediata expressão social. Na segunda
sim como os discursos nos Congres- parte, intitulada "República", defende
sos Federal e Estadual sobre o mes- a legitimidade da forma republicana de
mo assunto, até a escolha do candi- governo, como a única que se harmo-
dato Júlio Prestes pela Convenção niza com o princípio federativo, base
Nacional. O autor declara-se favorá- da democracia. Na terceira parte, inti-
vel ao candidato oficial. [3518] tulada Religião, defende a idéia do
Amaral, Luís. A hora da expiação: o movi- teísmo cristão. Na quarta e última
mento brasileiro em síntese. São Paulo, parte, a que intitula Educação, mos-
1930. 128 p. tra como a educação deve atuar so-
Na primeira parte o autor discor- bre os povos latinos, modificando o
re sobre a proclamação da Repúbli- espírito de igualdade e emancipan-
ca, frisando a precocidade de seu ad- do-o da influência católica. [3520]
vento, a falta de uma elite diretora e Americano, Jorge. A lição dos fatos: revolta
o abaixamento de valores nos pri- de 5 de julho de 1924. São Paulo, Livra-
meiros anos da República. Mostran- ria Acadêmica, 1924. 246 p.
690

Ensaio político-social em que o au- De início o autor transcreve a co-


tor trata das causas da revolução de média intitulada "O Casamento do
1924 e apresenta um estudo dos pro- mano". Comédia bragantina. 2º Ato,
blemas econômicos, sociais e políticos criticando a situação política nacio-
do Brasil contemporâneo. [3521] nal; frisando o sentimento predomi-
Andrada, Martim Francisco Ribeiro de nante em São Paulo, de queixa con-
(Neto). Contribuindo. São Paulo, Mon- tra o predomínio dos baianos na di-
teiro Lobato & Cia., 1921. 219 p. reção política do país, faz também
O autor procura fixar o perfil de propaganda separatista. Os demais
várias figuras do cenário político trabalhos contêm críticas à centrali-
brasileiro, da época colonial, imperial zação monárquica, à imoralidade da
e republicana, junta documentos re- República, assim como apologia da
lativos a cada um dos personagens autonomia de São Paulo. [3524]
de que se ocupa. [3522] Andrade, Almir de. Força e liberdade; ori-
Andrada, Martim Francisco Ribeiro de gens históricas, tendências atuais da evolu-
(Neto). Propaganda separatista; São Pau- ção política do Brasil. Rio de Janeiro,
lo independente. São Paulo, Tip. União, José Olímpio, 1940. 269 p.
1887. 59 p.
Trechos de discursos e escritos Na introdução o autor discorre
do autor, os mais antigos datados de sobre o problema da renovação polí-
1879. Ressaltando o grande progres- tica e social do mundo e particulari-
so da província de São Paulo, o au- za o problema da renovação política
tor faz críticas ao governo imperial, do Brasil, intimamente ligado à ques-
e defende a proclamação de um go- tão da existência de uma doutrina
verno autônomo em São Paulo. política brasileira. Trata ainda da im-
Essa independência se faria sem san- portância das causas sociais na evo-
gue e sem oposição. Declara o autor lução política brasileira e explica
que sua propaganda separatista é he- quais as diretrizes históricas da obra.
rança e ato de coerência, pois a exte- A primeira parte é dedicada ao estu-
riorizou em todas as circulares de can- do dos métodos políticos do Brasil;
didato, acentuou-a em 1879 na As- o autor estuda as tradições políticas
sembléia Provincial, e em 1884 na do Brasil e os rumos da política bra-
Assembléia Geral. No final o autor sileira depois da revolução de 1930,
transcreve a comédia "O casamento e explica o espírito e a doutrina dos
do mano". Comédia bragantina. 2º métodos políticos brasileiros. Na se-
ato, na qual critica a situação política gunda parte o autor trata dos funda-
nacional, e faz propaganda separatista. mentos da vida política nacional; es-
[3523] tuda a falência da liberal-democracia
Andrada, Martim Francisco Ribeiro de e a evolução para uma democracia
(Neto). Rindo. São Paulo, Ed. da Re- cultural e econômica, detendo-se de-
vista do Brasil, 1919. 200 p. pois nos problemas brasileiros -- po-
lítica de centralização, problema eco-
nômico, o trabalho e o proletariado
691

-- e a solução dada pelo Estado zou. No final aponta os grandes


Novo a esses problemas. [3525] problemas preliminares que a Repú-
Apulcro, Xisto. A verdade histórica: da con- blica precisa resolver; o problema fe-
venção de junho de 1921, à revolução de ju- deral, o militar e o financeiro. [3527]
lho de 1922. Rio de Janeiro, s.d. 302 p. Araújo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu-
Síntese dos acontecimentos polí- co de. Discurso pronunciado na quermesse
ticos que assinalaram a campanha em favor dos feridos federalistas. Recife,
presidencial "de 1921-1922". A 1893. [3528]
maior parte da obra foi dedicada à Araújo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu-
questão das "cartas falsas", arma de co de. A intervenção estrangeira durante a
que se serviram os inimigos políticos revolta. Rio de Janeiro, Freitas Bastos,
do Dr. Artur Bernardes, candidato à 1932. 207 p.
presidência, com o objetivo de difa- Versa sobre a intervenção estran-
má-lo. geira durante a revolta da esquadra
[3526]
em 1893. Conta o autor como o go-
Araújo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu-
verno se dirigiu à esquadra estrangei-
co de. O dever dos monarquistas: carta ao
ra ancorada na baía do Rio de Janei-
almirante Jaceguai. Rio de Janeiro, Tip.
ro, para impedir que a cidade fosse
Leuzinger, 1895. 35 p.
bombardeada. Obtido o auxílio soli-
Em resposta a uma carta do Al- citado, chegou-se ao acordo de 5 de
mirante Jaceguai sobre o futuro da outubro, mediante o qual o governo
República, o autor declara que ape- retirou os canhões das terras estabe-
nas vai repetir o que já se encontra lecidas no litoral e nas alturas da ci-
em outros escritos seus. Diz que a dade. Dessa data até junho, período
República é a reprodução viciada e em que vigorou o acordo, funcionou
estéril do tipo nacional fixo e não o na cidade uma espécie de controle
aperfeiçoamento daquele tipo, como naval estrangeiro. A situação da es-
pretende o almirante. Mostra que a quadra revoltada era muito precária,
realeza diminuiu, o mais possível, o desde que não atacava a cidade, e
sentimento de superioridade de raça também não tentava o bloqueio. O
e que a sociedade brasileira era ultra- acordo de outubro foi violado pelo
monárquica. Respondendo a críticas governo; a chegada do almirante
às longas viagens feitas pelo Impera- norte-americano, Benham, ameaçan-
dor, objeta que elas obedeceram do afundar os navios revoltados,
sempre a fins políticos. Aponta os para poder atracar as naus mercantes
inúmeros benefícios que a monar- norte-americanas, precipitou o fim
quia prestou ao Brasil de que ela da revolta. Com a chegada da arma-
possuía raízes no país. Quanto à so- da legalista comprada pelo governo
ciedade, é de opinião que ela é indivi- na Europa e nos Estados Unidos,
dualista, neocrata, propícia à anarquia. foi marcado um prazo para o início
Havia necessidade de entendimento do bombardeio da esquadra revolta-
entre a monarquia e as Forças Arma- da. Seu chefe, Saldanha Marinho,
das, o que infelizmente não se reali- não conseguindo a aceitação de uma
692

proposta de capitulação apresentada pôr fim ao poder moderador e dis-


ao governo, refugiou-se nos navios corre sobre as reformas necessárias
portugueses ancorados na baía. Em -- eleição direta, liberdade de culto,
13 de março de 1894 iniciou-se o temporariedade do Senado, abolição
bombardeio dos navios abandona- da Guarda Nacional, abolição da es-
dos. Explica o autor a legitimidade cravatura. [3532]
da intervenção estrangeira perante o Araújo, Oscar d’. L’ideé republicaine au Bré-
direito das gentes e o alcance de sua sil. Paris, Librairie academique, 1893.
inovação e aceitação pelo nosso go- X, 153 p.
verno, como um precedente nacio- Versa sobre os precursores da
nal. No último capítulo faz um juízo idéia republicana e a política imperial
crítico sobre a atitude de Floriano como desvio na tradição republica-
Peixoto na revolta da esquadra, e o na do Brasil. A seguir o autor dis-
valor dos serviços que prestou nessa corre sobre a propaganda republi-
ocasião. [3529] cana, sobre Benjamim Constant,
Araujo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu- sobre os acontecimentos do dia 15
co de. Manifesto do Dr. Joaquim Nabu- de novembro e os fatos políticos
co, precedido de algumas páginas escritas do período imediato à queda do Im-
pelo Sr. Cândido Furtado de Mendonça Jú- pério. [3553]
nior, como contramanifesto àquele. Recife, Arinos, Afonso.
1890. [3530] vide
Araújo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu- Franco, Afonso Arinos de Melo.
co de. A minha carreira política. Recife, Assembléia Nacional Constituinte.
1893. [3531] vide
Araújo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu- Brasil. Assembléia Nacional Constituinte.
co de. O povo e o trono: profissão de fé po- Assis Brasil, Joaquim Francisco de.
lítica de Juvenal, romano da decadência.
vide
Rio de Janeiro, Tip. e Lit. Francesa,
1869. 40 p. Brasil, Joaquim Francisco de Assis.
Assunção, Herculano Teixeira de. A
Expressa o autor a esperança de
campanha do Contestado: as operações da
que um dia ainda vigoraria no Brasil
coluna do Sul. Belo Horizonte, Im-
o sistema representativo democráti-
prensa Oficial, 1917-1918. 2 v. ilus.
co. Segundo sua opinião, não vigora
a constituição representativa, mas Descrição da campanha do Con-
sim um governo absoluto, porque o testado, região entre os rios Uruguai
único poder que existe realmente no e Iguaçu, disputada pelos Estados
país é o trono e não havia nenhuma do Paraná e Santa Catarina, habitada
participação do povo no governo, a por bandoleiros e fanáticos (1905-
não ser para homologar os despa- 1917). [3534]
chos dos ministros. A Constituição Ataíde, Tristão de, pseud.
não passava de mero disfarce do ab- vide
solutismo. Prega a necessidade de Lima, Alceu Amoroso.
693

Azevedo, Asdrubal Guyer de. Os militares Barbosa, Rui. Campanha presidencial. Ba-
e a política. Barcelos (Portugal), Ed. hia, Livraria Catilina, 1921. 283 p.
do Minho, 1926. 125 p. (Biblioteca Conferências e entrevistas da
da Grande Revolução Brasileira). campanha presidencial de 1919,
A obra focaliza, sob diversos as- quando Rui Barbosa figurou como
pectos, a participação dos militares candidato da oposição, pois não lo-
na política brasileira. [3535] grou obter maioria de votos na Con-
Bandeira, Sousa. Reformas. Rio de Janei- venção Nacional. Esta escolheu
ro, Tip. Leuzinger, 1909. 104 p. Epitácio Pessoa, candidato que foi
Partindo da idéia de que a Cons- eleito. [3539]
tituição de 1891 era apenas obra de Barbosa, Rui. Contra o militarismo: campa-
literatura política, em que se amalga- nha eleitoral de 1909 a 1910. Rio de Ja-
ram o federalismo norte-americano, neiro, J. Ribeiro dos Santos, 1911. 2
a sociologia positiva e os princípios v. ilus.
da Revolução Francesa, tendendo Discursos de Rui Barbosa, Irineu
mais ao desenvolvimento de idéias Machado e outros, na campanha
abstratas e não aos interesses tradi- presidencial de 1909-1910, quando
cionais da nação, o autor prega a ne- Rui Barbosa apresentou-se como
cessidade de uma reforma da Consti- candidato civil à presidência, em
tuição. Esta deveria ter por objetivo oposição ao candidato militar, Mare-
salvar a unidade nacional, assegurar chal Hermes da Fonseca, que foi
a melhor discriminação das rendas eleito. [3540]
estaduais e federais, apertar os laços
Barbosa, Rui. Correspondência, coligida, re-
entre os estados, adotar a eleição di-
vista e anotada por Homero Pires. São
reta, tratar das relações entre o chefe
Paulo, Livraria Acadêmica, 1932. 438 p.
de estado e seus auxiliares imediatos,
estreitar os laços federais para dar Coletânea de cartas do grande
maior prestígio e autoridade à político republicano, desde o ano de
União. O autor pugna pela necessi- 1866 em que se matriculou na Facul-
dade da unidade da magistratura, fa- dade de Direito de Recife, até 15 de
zendo críticas ao Código Civil, vota- setembro de 1922, poucos meses an-
do em 1902, que considera adotado tes da sua morte. Revelam os múlti-
a um regime processual arcaico e co- plos aspectos da atividade de Rui
menta o arcaísmo do sistema judiciá- como doutrinador, jornalista, advoga-
rio do país. [3536] do, juiz e homem de estado. [3541]
Barbosa, Rui. Anexos ao relatório do Minis- Barbosa, Rui. Eleição direta: discurso no
tro da Fazenda, Rui Barbosa, em Janeiro, meeting da Bahia em 1874. Bahia,
1891. Rio de Janeiro, Imprensa Na- 1874.
cional, 1891. 221 p., ilus. [3537] [3542]
Barbosa, Rui. O ano político de 1887. Rio Barbosa, Rui. Finanças e políticas da Repúbli-
de Janeiro, Gazeta de Notícias, 1888. ca: discursos e escritos. Capital Fede-
152 p. [3538] ral, Cia. Impressora, 1892. 475 p.
694

Contém três discursos pronun- ca do país. Pretendia estabelecer,


ciados pelo autor no Senado Federal, fora do liberalismo partidário, uma
sobre questões financeiras. O pri- escola de princípios liberais. A esses
meiro, pronunciado em 3 de novem- artigos, contudo, Ouro Preto lançou
bro de 1891, versa sobre "O papel e a a maior culpa de sua queda, segundo
baixa do câmbio". O segundo, pro- declara o autor. [3544]
ferido em 12 de janeiro de 1892, tem Barbosa, Rui. Relatório do ministro da Fa-
o título "Os bancos emissores". O zenda em janeiro de 1891. Rio de Janei-
terceiro, proferido em 13 de janeiro ro, Imprensa Nacional, 1891. 464 p.
de 1892, intitula-se "A reforma em Relatório sobre o estado das fi-
projeto". A mobilização do lastro nanças do país e as realizações do
dos bancos. O imposto em ouro. governo provisório no terreno finan-
Império e República. Consta ainda o ceiro, elaborado para a apresentação
Manifesto à Nação, publicado em do orçamento de 1891. [3545]
vários jornais do país, de 20 de janei- Barbosa, Rui, e Moacir, Pedro. A revoga-
ro a 1º de fevereiro de 1892, no qual ção da neutralidade: dois discursos pronun-
Rui Barbosa explica os motivos que ciados pelo senador Rui Barbosa e pelo de-
o levaram a resignar o cargo de sena- putado Pedro Moacir. Londres, R. Clay
dor pelo Estado da Bahia. O capítu- & son., s.d. 147 p.
lo intitulado "O tratado americano"
é um artigo datado de 22 de feverei- O discurso de Rui Barbosa, pro-
ro de 1892, no qual o autor dá expli- nunciado no Senado Federal em 31
cações sobre a assinatura do tratado de maio de 1917, examina a posição
de comércio com os Estados Uni- do Brasil na situação internacional,
dos. Em apêndice constam notas focalizando principalmente o pro-
complementares às diversas partes blema da guerra submarina desenca-
da obra. [3543] deada pela Alemanha e explica as ra-
Barbosa, Rui. Queda do Império. Rio zões pelas quais apoiou a revogação
de Janeiro, Livraria Castilho, 1921. da neutralidade. O discurso de Pedro
3 v. Moacir, pronunciado na Câmara dos
Artigos publicados no Diário de Deputados em 29 de maio de 1917,
notícias do Rio de Janeiro, em 1889; cri- explica e comenta os fatos que leva-
ticam a política imperial, os partidos, ram o Brasil àquela solução. [3546]
as instituições da época, os mem- Barreto, Emígdio Dantas. Conspirações.
bros da família imperial. Segundo es- Rio de Janeiro: Francisco Alves,
clarece o autor no prefácio da obra, 1917. 355 p.
discorrendo sobre os objetivos des- É uma crônica sobre a vida políti-
ses artigos e suas relações com o Im- ca do país, desde o governo de Ro-
pério, sua intenção não foi pregar a drigues Alves (1902) até o empossa-
destruição da monarquia, mas a sua mento de Venceslau Brás (1914); o
"republicanização", ou seja, a federa- autor procura pôr em evidência as
lização das províncias e a predomi- manobras políticas nas sucessões
nância do Parlamento na vida políti- presidenciais. [3547]
695

Barreto, Emígdio Dantas. Ultima expedi- dos socialismos; A integralidade da


ção a Canudos. 1ª ed. Porto Alegre, raça e da língua; O livro brasileiro
Franco & Irmão, 1898. 242 p. ilus. Salve Roma eterna! [3551]
Crônica da expedição do general Barroso, Gustavo. O integralismo em mar-
Artur Oscar (1897), que destruiu o cha. Rio de Janeiro, Schmidt, 1933.
reduto de Canudos, povoado forma- 143 p.
do no sertão baiano pelos prosélitos O autor discorre sobre o inte-
de Antônio Conselheiro [3548] gralismo no sentido filosófico, o
Barros, Jaime de. A política exterior do Bra- integralismo no sentido brasileiro,
sil (1930-1940). Rio de Janeiro, De- o integralismo no sentido interna-
partamento de Imprensa e Propagan- cional. [3552]
da, 1941. 367 p. Barroso, Gustavo. O que o integralista deve
Mostra as diretrizes do governo saber. Rio de Janeiro, Civilização Bra-
em relação aos problemas da política sileira, s.d. 203 p.
externa no período indicado, tais O autor define o movimento in-
como o incidente da Letícia, a guerra tegralista, seus objetivos, sua bandei-
do Chaco, as diversas conferências ra de combate, sua posição em face
interamericanas de consolidação da das religiões, da questão judaica, do
paz. [3549] comunismo. Informa sobre a estru-
Barros, Prudente J. de Morais. A nação turação da ação integralista brasileira,
brasileira. Rio de Janeiro, Tip Leuzin- sobre a milícia integralista, sobre a
ger, (1894). 9 p. hierarquia e organização da milícia
Discurso de posse na presidência integralista, e as ordens honoríficas
da República, proferido em 15 de instituídas pela sua chefia. [3553]
novembro de 1894. O autor refere- Bastos, A. C. Tavares. Os males do presente
se às perturbações políticas dos anos e as esperanças do futuro: estudos brasilei-
precedentes da era republicana e in- ros; pref. de Cassiano Tavares Bastos.
dica os objetivos e princípios que São Paulo, Editora Nacional, 1939.
nortearam o seu governo. [3550] 336 p. (Brasiliana, v. 151).
Barroso, Gustavo. O integralismo de norte a A obra reúne alguns trabalhos es-
sul. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização parsos publicados pelo autor. O pri-
Brasileira, 1934. 187 p. meiro, que dá nome ao livro, foi pu-
Livro de propaganda do integra- blicado em 1861; o autor analisa os
lismo. Os capítulos da obra são os vícios da época e propõe os remé-
seguintes: Liberalismo, comunismo e dios que julga os mais adequados
integralismo; Integralismo e brasili- para saná-los. Ergue a voz contra o
dade; Quem somos, o que quere- regime centralizador e opressivo,
mos, o que faremos; A inquietação contra o tráfico e reclama a eleição
do século XIX e a reconstituição do direta, a liberdade de cabotagem, a
século XX; O sentido novo da polí- abertura do Amazonas. O segundo
tica, da educação e da economia; O versa sobre a imigração; comenta e
espírito novo do Brasil; As utopias desenvolve os pontos capitais do
696

manifesto da Sociedade Internacio- narquia até a presidência de Campos


nal de Imigração, que se reuniu em Sales. Analisa a primeira fase de
janeiro de 1866 e de que o autor foi adaptação da nova forma de gover-
um dos principais fundadores. Parti- no, caracterizada pelas desordens
dário da Abolição, o autor reclama internas, incerteza política e finan-
medidas preparatórias para substituir ceira. [3555]
o braço escravo; reformas que sim- Bernardes, Artur. Discursos (1922-1926).
plifiquem as leis de naturalização, Rio de Janeiro, 1926. 116 p.
que favoreçam a alienação das terras Consta de minutas e trechos de
públicas, que garantam a liberdade discursos e entrevistas do presidente
de culto, não repudiem o casamento da República no quatriênio 1922-
civil, nem tornem impraticável o 1926. [3556]
contrato da locação de serviços.
Bocaiúva, Quintino. Tratado de arbitra-
Como medida necessária ao incre-
mento: relatório apresentado ao generalíssi-
mento da imigração, aborda o pro-
mo chefe do governo provisório dos Estados
blema das comunicações interiores.
Unidos do Brasil por Quintino Bocaiúva.
O terceiro trabalho é a carta política
Rio de Janeiro, Imprensa Nacional,
ao Conselheiro Saraiva, divulgada
1891. 10 p.
em 1872; discorrendo sobre os pro-
blemas políticos de sua época, o au- Projeto de tratado de arbitramen-
tor encarece a necessidade da trans- to feito por ocasião da Conferência
formação nas instituições num senti- Internacional Americana, entre o
do democrático. O quarto e último Brasil, Bolívia, Equador, Guatemala,
trabalho é a Reforma Eleitoral e Parla- Haiti, Honduras, Nicarágua, El Sal-
mentar e a Constituição da magistratura, vador e Estados Unidos da América,
publicados em 1872; são dignas de datado de Washington, 28 de abril
nota as idéias avançadas do autor, de 1890. Foi elaborado, de acordo
que estão corporificadas nos seus com o programa da Conferência,
projetos de lei ou notas à margem; que recomendava à adoção dos res-
direito de voto e representação aos pectivos governos, um plano de ar-
libertos, sufrágio ao estrangeiro e às bitramento. [3557]
mulheres, abolição do juramento Bragança, Luís de Orléans, príncipe. Sob
para o exercício de quaisquer car- o Cruzeiro do Sul; Brasil -- Argentina --
gos públicos, para colação de grau Chile -- Bolívia -- Paraguai -- Uruguai, 1ª
acadêmico, supressão do mandato ed. Montreux, Soc. de l’impr. & lith.
vitalício, equilíbrio das Câmaras, etc. de Montreux, 1913. 459 p.
[3554] O autor, herdeiro presuntivo da
Belo, José Maria. História da República: Coroa imperial do Brasil, transmite
primeiro período, 1889-1902. Rio de suas observações e impressões, após
Janeiro, Civilização Brasileira uma viagem à América do Sul, em
(1940). 264 p. que não obteve licença para desem-
Estuda os principais aspectos da barcar no Brasil. Em relação ao Bra-
vida brasileira desde o ocaso da mo- sil, discorre sobre a queda da monar-
697

quia e os primeiros anos do regime Estados Unidos do Brasil. Rio de Janei-


republicano; reconhece os progres- ro, Imprensa Nacional, s.d.
sos efetuados sob o novo regime Publicados desde 1891. [3561]
político, mas é de opinião que o Im- Brasil, Ministério da Educação e Saúde.
pério poderia obter resultados igual- Floriano: memórias e documentos v. I: Ar-
mente brilhantes. Trata depois da si- tur Vieira Peixoto, Biografia do ma-
tuação política dos países da Améri- rechal Floriano Peixoto -- v. II: No-
ca do Sul, em geral, e ocupa-se parti- ronha dos Santos. A revolução de
cularmente da Argentina, Chile, Bo- 1891 e suas conseqüências -- v. IV:
lívia, Paraguai, Uruguai, sobre os Sílvio Peixoto, Início do período pre-
quais apresenta observações sobre sidencial -- v. V: Roberto Macedo. A
sua história, geografia, fatos econô- administração de Floriano: parte ge-
micos e sociais. [3558] ral e pastas militares -- v. VI: Fábio
Brasil, Assembléia Nacional Constituin- Luz. Texto; Davi Carneiro. Comen-
te. Anais da Assembléia Nacional Consti- tário e ilustração: A invasão federalis-
tuinte, organizados pela Redação dos Anais ta em Santa Catarina e Paraná. Rio de
e documentos parlamentares. Rio de Ja- Janeiro, 1939-41. 5 v. ilus. (v. III ain-
neiro, Imprensa Nacional, 1933- da não foi publicado).
1937. 22 v. Obra sobre a personalidade e a
Diários das Sessões da Assembléia administração de Floriano Peixoto,
Nacional Constituinte, que elaborou a que foi presidente da República de
Constituição de 1934. [3559] 1891 a 1894. O primeiro volume
contém a biografia de Floriano Pei-
Brasil, Assembléia Nacional Constituin-
xoto. Focaliza as múltiplas atividades
te. Anexos dos Anais da Assembléia Na-
de Floriano, na guerra do Paraguai,
cional Constituinte, organizados pela Reda-
no período que decorreu entre o fim
ção dos Anais e documentos parlamentares.
da guerra do Paraguai e o advento
Rio de Janeiro, Tip. Jornal do Comércio,
da República, na proclamação da Re-
1935-1936. 4 v.
pública, no governo provisório, na
Os volumes I a III contêm os vice-presidência e presidência da Re-
documentos que dizem respeito aos pública, e os últimos anos da sua
requerimentos dirigidos à Assem- vida, até o falecimento, ocorrido em
bléia pelos constituintes; ventilam 1896. O segundo volume versa so-
assuntos diversos ligados ao projeto bre o pronunciamento da esquadra
da constituição. O vol. IV transcreve em 23 de novembro de 1891, sob a
as entrevistas dos deputados consti- chefia do almirante Custódio José
tuintes sobre o anteprojeto da Cons- de Melo, e o advento de Floriano à
tituição, publicadas pelo Diário da presidência da República, com a re-
Noite, assim como as conferências núncia do marechal Deodoro. O
sobre o mesmo assunto lidas no quarto volume trata do período ini-
Clube dos Advogados. [3560] cial da administração de Floriano,
Brasil, Câmara dos Deputados. Anais da anterior à revolta federalista, ou seja,
Câmara dos Deputados da República dos
698

de 1891 a 1892, caracterizado por vá- O referido programa consta no li-


rias reações de caráter militar -- rebe- vro, nas páginas que precedem o dis-
lião das fortalezas Santa Cruz e Laje, curso. Propõe-se a sustentar a Cons-
a chamada Revolta dos Generais, tituição Federal nos seus princípios
manifestação ao marechal Deodoro essenciais, ou seja, república demo-
-- cujo fito era obrigar o governo à crática, federação e regime repre-
nova eleição para a presidência da sentativo, com a separação e harmo-
República. O quinto volume versa nia dos poderes nela estatuídos; re-
sobre a revolução federalista em forma da mesma constituição gra-
Santa Catarina e Paraná, terminada dualmente por leis expressas ou por
em 1894, com a vitória de Campo simples interpretação usual; harmo-
Osório. [3562] nizar a Constituição do estado com
Brasil, Senado. Anais do Senado Federal da a da república; promover a maior
República dos Estados Unidos do Brasil. unidade do direito nacional e a in-
Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, violabilidade dos funcionários da
s.d. justiça; reforma eleitoral; povoamen-
Publicados desde 1891. [3563] to do solo, reforma das tarifas da
importação, proteção às indústrias
Brasil, Joaquim Francisco de Assis. O
do país, acréscimo das rendas públi-
atentado de 5 de novembro de 1897
cas; supressão dos impostos de ex-
contra o presidente da República;
portação e transmissão de proprie-
causas e efeitos, São Paulo, Casa Va-
dades no estado e dos que embara-
nordem, 1908. 133 p.
çam a circulação da riqueza; consa-
O autor trata da gênese do aten- gração da maior parte dos recursos à
tado de 5 de novembro de 1897 instrução pública e à instrução pro-
contra o presidente Prudente de fissional; redução ao mínimo das
Morais e discorre sobre as reformas despesas improdutivas a começar
que julga necessárias para evitar deli- pela força armada; respeito à auto-
tos dessa natureza, ou seja, a refor- nomia municipal. No final o autor
ma da lei do sufrágio e o congraça- insere várias notas, com o objetivo
mento de todos os republicanos em de atualizar o assunto. [3565]
um só partido. [3564] Brasil, Joaquim Francisco de Assis. Do
Brasil, Joaquim Francisco de Assis. Dita- governo presidencial na República brasilei-
dura -- parlamentarismo -- democracia. Rio ra. Lisboa, Cia. Nacional Editora,
de Janeiro. Ed. Leite Ribeiro, 1927. 1896, viii, 370 p.
315 p. De início o autor estuda as cir-
O conteúdo do livro é o discurso cunstâncias em que se elaborou a
pronunciado pelo autor, em que cri- Constituição de 1991 e justifica a ne-
tica a situação estadual e nacional, cessidade da reforma constitucional.
defendendo o programa do Partido Trata da originalidade que devem
Republicano Democrático do Rio apresentar nossas instituições políti-
Grande do Sul, reunido em Santa cas, da discussão em torno da me-
Maria em 20 de setembro de 1908. lhor organização do governo repu-
699

blicano; traça um panorama da situa- natural, mais digno e mais aplicável


ção do país, apontando as causas às circunstâncias especiais do Brasil
que têm levado ao descrédito o go- e do único do qual ele pode esperar
verno presidencial do Brasil. Na se- salvação. [3567]
gunda parte o autor traça um parale- Brasil, Joaquim Francisco de Assis. Os
lo entre o governo presidencial e o militares e a política. 2ª ed. São Paulo,
parlamentar, procura caracterizar os Emp. Graf. León Orbán, 1929. 90 p.
dois sistemas e afirma que o Brasil O autor mostra os esforços que
não apresenta condições para a exis- desenvolveu em 1926 com o propó-
tência de um governo parlamentar. sito de harmonizar as classes arma-
Na terceira parte, o autor expõe suas das com o presidente eleito, Artur
idéias sobre a organização e exercí- Bernardes, informando sobre as re-
cio dos Poderes Legislativo e Execu- formas de caráter militar, que teve
tivo. Na quarta e última parte, trata então a oportunidade de indicar
da rotação dos partidos políticos, es- àquele magistrado. Trata do cresci-
tuda o mecanismo da questão das mento do espírito reacionário no
leis, indicando os conflitos que po- seio da mocidade militar, da revolu-
dem ocorrer entre os Poderes Legis- ção paulista de 1924, e procura ca-
lativo e Executivo e as reformas a racterizar as idéias dos republicanos
serem feitas nesse setor. [3666] e as dos revolucionários. Aponta as
Brasil, Joaquim Francisco de Assis. Dois reformas à Constituição, que julga
discursos: pronunciados na Assembléia Le- necessárias e trata do problema da
gislativa da Província do Rio Grande do concessão de direitos políticos a mi-
Sul. Porto Alegre, Of. Tip. da Fede- litares. [3568]
ração, 1886. 153 p.
O primeiro discurso foi pro- Brasil, Joaquim Francisco de Assis. A
nunciado na sessão de 20 de no- República Federal. 2ª ed. São Paulo,
vembro de 1885, na segunda dis- Tip. King. 1885. 302 p.
cussão da lei da força policial. O Na 1ª parte o autor trata das di-
autor clama por uma reforma poli- versas formas de governo; mostra a
cial mais ampla e pela liberdade legitimidade e superioridade da fór-
política e administrativa que so- mula republicana e da preferência do
mente é possível, segundo sua opi- país pela forma republicana. Na 2ª
nião, com o regime federativo re- parte procura justificar a oportunida-
publicano. Discorre longamente de da república no Brasil; na 3ª parte
sobre as vantagens desse sistema e estuda os conceitos e natureza de fe-
a impossibilidade de se adotar a deração, caracteriza o unitarismo e o
fórmula monárquico-constitucio- federalismo e defende este último,
nal-representativa. O segundo dis- como a melhor forma de organiza-
curso foi pronunciado na sessão de ção política para o Brasil. Na 4ª par-
8 de dezembro de 1885, na segunda te o autor defende a instituição do
discussão provincial. O autor prova sufrágio universal, criticando o siste-
que a República é o governo mais ma eleitoral restritivo, então vigente.
[3569]
700

Brasil, Joaquim Francisco de Assis. A vro de Afonso Celso, Imperador no


unidade nacional. Pelotas, Carlos Pinto exílio. Passando ao objeto do livro,
& Cia., 1883. 52 p. propriamente, o autor estuda as cau-
O autor caracteriza a época como sas da fundação da República, e exa-
de transição, em virtude do desâni- mina a evolução histórica do país,
mo, das queixas gerais. O Partido segundo períodos cronológicos, sa-
Republicano tirava sua razão de ser lientando os progressos e reformas
das dificuldades do momento, de- da era republicana. A seguir, estuda a
fendendo a necessidade da união na- história dos partidos monárquicos,
cional, mas ao contrário dos monar- ocupando-se então, do nascimento e
quistas que julgam que essa unidade desenvolvimento do Partido Repu-
só poderia ser alcançada pela centra- blicano cujos progressos puderam
lização, o autor acredita que essa ser verificados com a eleição de 31
unidade só será possível pela auto- de agosto de 1889 em que logrou
nomia, ou seja, pela liberdade políti- obter milhares de votos. Estuda de-
ca e administrativa. Discorre sobre pois a questão militar, transcreve as
as diferenças do ambiente geográfico opiniões de Silvio Romero, exaradas
nacional para defender a base natural no trabalho intitulado A legenda impe-
do federalismo, que é a idéia capital rial, e discorre sobre a reação monar-
do partido republicano. Segundo o quista posterior ao 15 de novembro.
autor, o federalismo não significaria Passa ao estudo da escravidão, desde
apenas uma questão de forma, mas as suas origens no Brasil até a Lei
de existência, pois somente a forma Áurea (1888). Discorre sobre o dua-
republicana pode proporcionar as lismo da formação brasileira, ou seja,
condições essenciais para o sistema as diferenças entre o Sul e o Norte,
federativo. Acentua o autor que o na sociedade brasileira. Transcreve
mal não está nos homens, como os escritos de Teófilo Ottoni, contra
muitos imaginam, mas sim nas insti- o Imperador, redigidos por ocasião
tuições, no unitarismo; na Federação da inauguração da estátua eqüestre
reside a terapêutica para os males de Pedro I. O último capítulo do li-
nacionais. No final o autor exalta a vro é um estudo sobre o caráter de
tradição federalista do Rio Grande Pedro II como homem particular e
do Sul. [3570] como homem público. [3571]
Buarque, Felício. Origens republicanas. Re- Bulhões, Leopoldo. Os financistas do Bra-
cife, Ed. F. S. Quintas, 1894. 245 p. sil; conferência realizada na Biblioteca Na-
O primeiro capítulo da obra con- cional no dia 22 de dezembro de 1913.
tém uma carta do autor, dirigida a D. Rio de Janeiro, Tip. do Jornal do Co-
Isabel de Orleans, datada de 7 de mércio, 1914. 43 p.
abril de 1894, na qual acusa D. Pe- Como prefácio o Jornal de Econo-
dro II de haver descurado da causa mia Política apresenta a lista dos ser-
pública durante os 50 anos de reina- viços do autor e expõe seus princí-
do; insere também uma crítica ao li- pios econômicos. A conferência
contém uma resenha da história fi-
701

nanceira do país desde a Inde- colaboração do Brasil na formação


pendência. O autor reconhece três da Liga das Nações e as razões que
períodos nessa evolução: da Inde- determinaram a saída de nosso país
pendência (1822) até 1850, desta desse Instituto. [3575]
data até 1899 e de 1899 até 1913, Calógeras, João Pandiá. Problema de admi-
data da conferência. [3572] nistração: relatório confidencial apresentado
Caldas, Honorato Cândido Ferreira. A em 1918 ao Conselheiro Rodrigues Alves
desonra da República: apreciações gerais so- sobre a situação orçamentária e administra-
bre a revolta da Marinha de guerra nacio- tiva do Brasil. São Paulo, Editora Na-
nal, e o governo do Vice-Presidente Mare- cional, 1933. 270 p. (Brasiliana, v.
chal Floriano Peixoto. 2º ed. Rio de Ja- 24.)
neiro, 1895. 30 p. Estudo orçamentário para o ano
Artigos publicados pela imprensa de 1919, apresentado em relatório
do país, contém comentários sobre a confidencial ao Presidente da Repú-
revolta da esquadra de 6 de setem- blica. De início, o autor discorre so-
bro de 1893, críticas à ditadura mili- bre a política geral do orçamento, in-
tar vigente, e memórias do autor sistindo pela necessidade de o Brasil
como preso político da Casa de participar da Conferência da Paz por
Correção. O final do livro contém razões de ordem internacional e,
listas incompletas dos presos po- principalmente, de política continen-
líticos. [3573] tal americana, assim como, em re-
Calmon, Miguel. Discursos: pronunciados lação à política interna, de trans-
nas sessões do Senado Federal de 28 e 30 formar as Forças Armadas no ele-
de dezembro de 1927. Rio de Janei- mento de que o país necessita para
ro, Imprensa Nacional, 1928. 101 manter a sua disciplina interna.
p. ilus. Após breve capítulo sobre a lei das
despesas, o autor examina o pro-
Opúsculo sobre a colônia Cleve-
grama e o orçamento de cada um
land, que recebia os deportados por
dos ministérios: do Interior, das
crimes políticos no governo de Ar-
Relações Exteriores, da Marinha,
tur Bernardes. O autor, em resposta
da Guerra, da Viação, da Agricul-
às críticas feitas ao governo Bernar-
tura e da Fazenda. O último capí-
des sobre o assunto, procura mos-
tulo é dedicado à Lei da Receita.
trar as condições favoráveis da colônia
Nas conclusões o autor indica que o
e o bom tratamento dispensado aos
relatório foi feito tendo em vista
presos políticos aí exilados. [3574] dois objetivos: cumprimento por
Calógeras, João Pandiá. O Brasil e a Socie- parte do Brasil de seus deveres
dade das nações. São Paulo, 1926. 58 p. como aliado nos campos de batalha
(Separata do v. 6 de O Comentário, de na Europa, e assegurar a constitui-
30 de junho de 1926.) ção de poder militar de nosso país.
O autor, que fez parte da delega- [3576]
ção brasileira à Conferência da Paz
de Versalhes (1919), informa sobre a
702

Calógeras, João Pandiá. Problemas do go- Brasil. Câmara dos Deputados.


verno. 2ª ed. São Paulo, Editora Nacio- Campos, Bernardino de. O problema na-
nal, 1936. 268 p. (Brasiliana, v. 67.) cional: entrevista com O País em 26 de ju-
Coletânea de conferências profe- nho de 1905. Pref. de Mota Filho, São
ridas em São Paulo, pelo autor. Ver- Paulo, Ed. Política, 1932. 37 p.
sam sobre os seguintes tópicos: As-
Contém o juízo do autor sobre a
pectos de economia nacional; Fontes de
situação do País, em entrevista que
energia; A mineralurgia em São Paulo; Os
concedeu ao jornal O País, como
valores produzidos; Os meios de comunica-
candidato à presidência da Repúbli-
ção no Brasil; o Ministério incompreendido
ca. Falando sobre o aspecto geral da
(sobre as funções do Ministério da
política do país, o autor acha que as
Justiça e Interior); As classes armadas e
soluções políticas estão dadas na
as diretrizes nacionais. [3577] Constituição. O seu programa, diz o
Calógeras, João Pandiá. Res Nostra. São candidato, é o programa do Partido
Paulo, Estab. Gráf. Irmãos Ferraz, Republicano, do qual faz parte. Dis-
1930. 200 p. corre sobre os mais importantes
Coletânea de artigos e conferên- problemas que demandam solução:
cias sobre o Barão do Rio Branco e o problema financeiro, o problema
a Liga das Nações, O Brasil e a So- militar, o problema econômico, as
ciedade das Nações. Em relação à relações internacionais, o problema
política interna, há um trabalho so- internacional. Em síntese, os grandes
bre a revisão da Constituição de problemas do Brasil, segundo o au-
1891 e emendas sobre a religião. Na tor, se resumem em dois: instrução e
parte referente à economia e às fi- proteção. [3580]
nanças, o autor inclui estudos sobre
Campos, Francisco. O Estado nacional: sua
a moeda, o projeto monetário de
estrutura; seu conteúdo ideológico. Rio de
1926, as caixas de crédito, transportes
Janeiro, José Olímpio, 1940. 257 p.
e, com referência à educação, há um
artigo sobre o problema universitário O autor indica as diretrizes do
brasileiro. Consta também um artigo Estado Novo, os problemas brasilei-
sobre o general Osório. [3578] ros e as soluções do regime; apre-
Calógeras, João Pandiá. Rio Branco e a po- senta uma síntese da reorganização e
lítica exterior. Rio de Janeiro, Imprensa das reformas que operam a consoli-
Nacional, 1916. 69 p. dação jurídica do novo regime. No
final, vários discursos. [3581]
Neste opúsculo o autor procurou
pôr em evidência a atividade de Rio Campos, Pedro Dias de. A revolta de 6 de
Branco na solução dos problemas de setembro; a ação de São Paulo: esboço histó-
limites, durante sua gestão na Pasta rico. Paris, Tip. Ailaud, 1913. 351 p.
do Ministério das Relações Exte- O autor põe em relevo a ação de
riores. [3579] São Paulo para a debelação da revol-
Câmara dos Deputados ta da esquadra e da revolução federa-
vide lista do Sul (1893-1895). [3582]
703

Cardoso, Vicente Licínio. À margem da pais figuras do movimento revolu-


história do Brasil. São Paulo, Editora cionário de outubro, ou seja, Getú-
Nacional, 1933. 246 p. (Brasiliana, v. lio Vargas, Osvaldo Aranha, Lin-
13.) dolfo Color, dom Sebastião Leme,
O autor dedica grande parte do João Neves da Fontoura e Flores da
livro (p. 121-215) à história política Cunha. [3587]
do Segundo Reinado, estudo que trata, Carrazzoni, André. Getúlio Vargas. Rio
ao mesmo tempo, dos fundamentos de Janeiro, José Olímpio, 1939. 295
da República no Brasil. [3583] p. ilus.
Cardoso, Vicente Licínio. Pensamentos O autor retrata a vida do presi-
americanos. Rio de Janeiro, 1937. 288 p. dente, desde sua infância até o mo-
Série de comentários sobre fatos mento atual, no desempenho da su-
históricos, sociais, econômicos, assim prema magistratura do país. Segun-
como vultos do panorama da América do declara, a obra "é menos uma
em geral e do Brasil. [3584] biografia, que a crônica de um des-
Cardoso, Vicente Licínio. Pensamentos tino". [3588]
brasileiros; golpes de vista. Rio de Janei- Carvalho, Alberto. Resposta de um brasilei-
ro, Ed. Anuário do Brasil, s.d. 319 p. ro ao manifesto restaurador do Príncipe D.
Luís de Orleans e Bragança. Rio de Janei-
Versa sobre problemas sociais
ro, Livraria Cruz Coutinho, s.d. 53 p.
e econômicos do Brasil. Além
Resposta do manifesto de D.
disso, há um capítulo sobre o
Luís de Orleans e Bragança, datado
Uruguai e outro sobre Benjamim
de Montreux, 6 de agosto de 1913,
Constant. [3585]
publicado no Diário do Congresso Na-
Carneiro, Davi Antônio da Silva. O cerco cional, de 27 de agosto de 1913. De
da Lapa e seus heróis: antecedentes e conse- início faz notar o autor que a publi-
qüências da revolução federalista do Para- cação do manifesto pelo Diário do
ná. Rio de Janeiro, Editora Ravaro, Congresso foi um ato ilegal por tender
s.d. 198 p. ilus. à destruição do regime político vi-
Narrativa da fase paranaense da gente. Defende a opinião de que
revolução federalista de 1893. O au- Dom Pedro II foi um grande sobe-
tor descreve principalmente o episó- rano e graças aos homens notáveis
dio do cerco da Lapa, cidade para- do Segundo Império também caiu.
naense que foi cercada pelas tropas Discorre sobre o militarismo e a
rebeldes, e a resistência heróica das Abolição, os dois fatores principais
forças legais sob o comando do Co- da queda do Império. Nota o autor a
ronel Gomes Carneiro, que pereceu corrupção das classes superiores na
nessa ocasião. [3586] era republicana, a ausência de esta-
Carrazzoni, André. Depoimentos: da ideolo- distas, o mercantilismo das classes
gia à ação revolucionária. Rio de Janeiro, dirigentes, discorrendo sobre a grave
Schmidt, 1932. 162 p. situação econômica e financeira. Se-
Coletânea de entrevistas feitas gundo o autor, esses fatos não são
por um jornalista, com as princi- conseqüências das instituições e da
704

forma de governo, mas sim dos ho- des da política brasileira sobre os sis-
mens, ou seja, da corrupção das clas- temas eleitorais, abordando a ques-
ses dirigentes. O Brasil não precisa tão do voto secreto, das leis, consti-
de reis, mas de mestres que edu- tuição e regime do voto, da univer-
quem e operem a elevação dos cos- salização do sufrágio, do voto femi-
tumes. Entrevê a necessidade de luta nino, do eleitorado de 1930, da cul-
entre a nação e as classes superiores. tura política do povo brasileiro, e
Passando à Monarquia, examina e do princípio da representação das
mostra que a América do Sul não minorias. Passa depois a discorrer
possui tradições monárquicas e que longamente sobre os ciclos da vida
o Brasil só pode ser feliz dentro das legislativa no Brasil, e, na terceira
tradições da América do Sul. Embo- parte, informa sobre várias locali-
ra reconheça que a situação do país é dades. [3592]
delicada, acha que a nação só pode Castro, Sertório de. A República que a revo-
ser salva pela nação. [3589] lução destruiu. Rio de Janeiro, Of.
Carvalho, João Manuel de, padre. Remi- Gráf. Mundo Médico, 1932. 573 p.
niscências sobre vultos e fatos do Império e Estudo sobre a Primeira Repúbli-
da República. Amparo, Tip. do Cor- ca (1889-1930). São os seguintes os
reio, 1894. 272 p. capítulos da obra: Panorama da propa-
Contém informações interes- ganda; Da proclamação à substituição do
santes sobre os últimos tempos da primeiro ministério republicano; A ação e a
Monarquia e primeiros da Repú- palavra da Constituinte; A Constituição e
blica. [3590] a eleição do primeiro presidente; O golpe de
Carvalho, Joaquim José de. Primeiras li- Estado, sua conseqüência, fatos e episódios
nhas da história republicana dos Estados que se lhe seguiram; Uma revolta dentro de
Unidos do Brasil. Rio de Janeiro, 1889. uma revolução; O custo da consolidação da
279 p. ordem civil; A reconstrução financeira e a
edificação da política dos governadores; A
Narrativa dos acontecimentos do
campanha vitoriosa contra a febre amarela,
dia 15 de novembro e da viagem do
o motim da vacina obrigatória e a transfor-
Imperador rumo ao exílio. [3591] mação da cidade; Rio Branco e sua obra;
Castro, Sertório de. Política, és mulher. Rio O Jardim da Infância; A campanha civi-
de Janeiro, Gráf. Sauer, 1933. 318 p. lista; O fogo purificador das salvações; O
Complemento ao livro do autor, quadro político da sucessão do presidente
intitulado A República que a revolução governado; O Partido Liberal; O quatriê-
destruiu. Além de tratar de alguns as- nio de paz que levou o Brasil à guerra; O
pectos da nossa política econômica, delegado do Brasil à Conferência de Versa-
intimamente ligados à política parti- lhes e a morte de Rodrigues Alves; A forja de
dária, o autor tenta fixar as indivi- onde saiu a surpresa de uma candidatura
dualidades e fatos que despertaram inesperada; Do cortejo real ao tiro precursor
interesse especial pela sua significa- das incoerências revolucionárias; Fora da lei
ção no cenário nacional contempo-
râneo. Discorre sobre as versatilida-
705

para defender a legalidade; O lenço verme- principalmente com as causas, estas


lho, epílogo incruento da Hora H. [3593] são as mesmas nas revoluções de
Cavalcanti, Amaro. Regime federativo e a 1922, 1924 e 1925. [3596]
República federativa. Rio de Janeiro, Conferências feitas no Clube Republi-
Imprensa Nacional, 1900. 448 p. cano em Campinas, instalado a 14
Na primeira parte, intitulada Parte de fevereiro de 1886. Campinas, Ga-
Geral, o autor faz um estudo teórico zeta de Campinas, 1886, 106 p.
do regime republicano federativo. Coletânea de conferências realiza-
Na segunda parte, denominada Parte das no Clube Republicano de Cam-
Especial, estuda a República federati- pinas. Entre outras, constam confe-
va brasileira na sua estrutura geral, as rências de J. Alberto de Sales, Dr.
práticas gerais e especiais de seu fun- João Guilherme da Costa Aguiar,
cionamento no decênio decorrido Dr. Antenor Augusto Ribeiro Gui-
após a proclamação, para avaliar os marães, Quintino Bocaiúva, José
erros e abusos cometidos sob a ban- do Patrocínio, Bartolomeu de As-
deira da federação. Em anexo consta sis Brasil, Bernardino de Campos,
o Decreto nº 914, que promulgou a Campos Sales, e Saldanha Marinho. [3597]
Constituição e a transcrição integral
Costa, Craveiro. A conquista do deserto oci-
da Constituição de 1891. Para o au-
dental: subsídio para a história do território
tor, havia a recear, não uma reação
do Acre; introdução e notas de Abguar
monárquica, mas os erros e os ex-
Bastos. Ed. ilustrada, São Paulo, Edi-
cessos da própria política republi-
tora Nacional, 1940. 434 p. (Brasília-
cana. [3594] na, v. 191.)
Cavalcanti, Pedro. A presidência Venceslau
Brás, 1914-1918; ligeiro ensaio histórico. História do território do Acre,
Rio de Janeiro, J.R. dos Santos, 1918. desde os primórdios da exploração e
199 p. colonização da região, até 1938.
Nessa região, habitada por brasilei-
Inventário das realizações da ad-
ros e bolivianos, rebentou em 1º de
ministração do Presidente Venceslau
maio de 1899, uma insurreição dos
Brás. [3595]
"caucheiros" bolivianos contra os
Chateaubriand, Francisco de Assis.
seringueiros brasileiros, o que pro-
vide vocou a intervenção militar da Bolí-
Melo, Francisco de Assis Chateaubriand via. Os brasileiros resistiram sob o
Bandeira de. comando de Plácido da Costa. Pelo
Cobra, Amador Pereira Gomes Noguei- Tratado de Petrópolis de 1903, ad-
ra. Brios de gente armada; páginas republi- quiriu o Brasil o território em ques-
canas na História do Brasil. São Paulo, tão. O autor, além de descrever a re-
Beccari, Janini & Cia, 1925. 315 p. volta, e as negociações para o térmi-
Trata de todas as revoltas milita- no da questão, trata da organização
res ocorridas no Brasil desde 1889; administrativa, judiciária e econô-
excetua a de 1924 e seguintes, pois, mica do território, até o ano de
segundo o autor, que se preocupa 1938. [3598]
706

Cunha, Euclides da. À margem da história. narquistas, faz o balanço das realiza-
Porto, Livraria Chardron, 1909. 390 ções do governo republicano na pri-
p. ilus. meira década de sua existência. O 1º
A 3ª parte do livro, sob o título v. versa sobre as Finanças (Visconde
Esboço de história política da Inde- de Ouro Preto) e Riqueza pública
pendência à República, é uma síntese da (Ângelo do Amaral). O 2º v. trata da
evolução política brasileira, da Mo- Instrução (Barão de Loreto), da Im-
narquia à República. [3599] prensa (Dr. Carlos de Laet), do Parla-
Cunha, Euclides da. Canudos; diário de mento (Dr. Afonso Celso), do Direito
uma expedição; introdução de Gilberto privado (Cons. Silva Costa); o v. 3
Freire. Rio de Janeiro, José Olímpio, versa sobre a Justiça (Cons. Cândido
1939. 186 p. ilus. (Col. Documentos de Oliveira), as Eleições (Barão de Pa-
Brasileiros, v. 16.) ranapiacaba); o v. 4 trata do Exército
(General Cunha Matos), da Saúde pú-
São cartas referentes à fase final
blica (Dr. Correia de Bittencourt) e
da campanha de Canudos, de que o
da Municipalidade do Distrito Federal
autor, um dos maiores expoentes da
(Dr. Francisco Martins); o v. 5 trata
cultura brasileira, foi testemunha
da Armada nacional (Visconde de
ocular. Constituem, ao mesmo tem-
Ouro Preto), do Comércio (Artur Gui-
po, um depoimento de alto valor so-
marães) e da Segurança individual; o v.
ciológico sobre o "jagunço", popula-
6 e o 7, com o subtítulo "Coisas da Re-
ção sertaneja do Nordeste. [3600]
pública", transcrevem escritos do
Cunha, Euclides da. Os sertões: campanha conselheiro Andrade de Figueira,
de Canudos. 13ª ed. São Paulo, Fran- que foi vítima de um processo por
cisco Alves, 1936. 646 p. crime de conspiração; o v. 8 foi de-
Descrição magistral da campanha dicado à transcrição desse processo.
de Canudos. O autor foi testemunha [3602]
da última fase da campanha; a obra Os deputados republicanos na assem-
não tem apenas valor histórico, mas bléia provincial de São Paulo: ses-
é principalmente um depoimento de são de 1888. São Paulo, Leroy King,
alto valor sociológico, antropológico 1888. 530 p.
e geográfico. A primeira parte focali- Contém os seguintes discursos:
za o meio geográfico; a segunda ver- de Martinho Prado Júnior: em 17 de
sa sobre o elemento humano; a ter- janeiro, justificando um projeto de
ceira parte contém o histórico das imigração; em 19 de janeiro, defen-
diversas expedições enviadas contra dendo o mesmo projeto, e em 8 de
Canudos, até sua destruição final em março, fundamentando um requeri-
1897. [3601] mento sobre a convocação de uma
A década republicana. Rio de Janeiro, constituinte. De Campos Sales: em
Companhia Tipográfica do Brasil, 24 de janeiro, sobre o emprego da
1899-1901. 8 v. força pública na apreensão de escra-
É um libelo contra o governo re- vos fugidos; em 31 de janeiro, sobre
publicano. Escrito por vários mo- o mesmo assunto, em resposta ao
707

Sr. Antônio Prado; em 24 de feverei- dade brasileira. O lirismo tem sido a


ro, sobre o orçamento e política ge- liga nacionalista precária. Analisa a
ral; em 27 de fevereiro, sobre o mes- composição do povo paulista, as ba-
mo assunto, em resposta aos orado- ses econômicas do estado, e defende
res liberais e conservadores. De Ber- a existência das pequenas nações.
nardino de Campos: em 6 de janeiro, Estudando a evolução da organiza-
discussão da lei da força e política ção política nacional, o autor é de
geral; em 8 de fevereiro, sobre o opinião que a terapêutica para os
mesmo assunto, respondendo aos males nacionais reside na confedera-
oradores liberais e conservadores. ção e a descentralização. Considera
De Prudente de Morais: em 8 de fe- desastroso para o país o regime par-
vereiro, sobre o orçamento; em 7 de lamentar, pois é adaptado a um regi-
março, defendendo o projeto de im- me unitário, e reconhece a impossi-
posto sobre escravos. [3603] bilidade absoluta de partidos nacio-
Edmundo, Luís. O Rio de Janeiro de meu nais no Brasil. [3605]
tempo. Rio de Janeiro, Imprensa Na- Episódios da revolta de 6 de setem-
cional, 1938. 4 v. bro; fuzilados em Sepetiba e horro-
É um livro de memórias, daquilo res de Magé: narrativas publicadas
que o autor "viu, soube, ou guardou pelo Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
de lembrança"; reconstrói aspectos Jornal do Brasil, 1895. 195 p. ilus.
sociais do Rio de Janeiro nos últi- Reportagem, contendo numero-
mos dias do século XIX e início de sas entrevistas com testemunhas
século XX. [3604] presenciais, sobre as crueldades pra-
Ellis, Alfredo (Júnior). Confederação ou se- ticadas por ocasião da Revolta da
paração, 2ª ed. São Paulo, Editora Pi- Esquadra (1893-1894). [3606]
ratininga, 1933. 218 p. Escobar, Venceslau Pereira. Apontamen-
tos para a história da revolução de 1893.
Livro escrito em maio de 1932, Porto Alegre, Livraria do Globo,
por ocasião da revolução constitu- 1920. 544 p. ilus.
cionalista de São Paulo. O autor
acredita que os males da República Trata da revolução federalista do
estão na centralização, e reclama um Rio Grande do Sul, terminada em 24
reajustamento da situação de São de junho de 1895, com o combate
Paulo no país. Discorrendo sobre os de Campo Osório. [3607]
fatos da nacionalidade, analisa, à luz Estudos integralistas. São Paulo, Tip.
desses fatores, o caso brasileiro, re- Rio Branco, 1933. 117 p.
conhecendo a existência de regiona- No prefácio, o chefe dos integra-
lismos. Para o autor, são antagôni- listas Brasileiros, Plínio Salgado, ex-
cos os elementos constitutivos dos plica os objetivos da Ação Integralis-
agrupamentos da nacionalidade bra- ta Brasileira como solução total de
sileira, desde que apenas o elemento todas as questões do país. O primei-
língua e o elemento religião são co- ro trabalho é de Miguel Reale. A po-
muns a todos os habitantes da enti- sição do integralista, em que fixa as
708

diretrizes do integralista brasileiro. O Mota Júnior, Américo de Campos,


segundo artigo, de autoria de Olbia- Morais Barros e Carlos Ferreira. [3610]
no de Melo, intitulado Rumos novos Fialho, Anfrísio. História da fundação da
ao Brasil, procura situar o momento República no Brasil. Rio de Janeiro,
nacional no plano em que se depara Laemmert & Cia., 1891. 188 p.
a ideologia integralista. A segunda Versa sobre a gênese do movi-
parte do livro contém: A doutrina mento republicano. Na primeira par-
integralista (Manifesto de outubro de te o autor trata da política dinástica e
1933); e a Cartilha do integralista da perspectiva do reinado de Dona
brasileiro; a entrevista de Plínio Sal- Isabel. Na segunda parte, a que dedi-
gado, intitulada "O integralismo não ca a maior parte do livro, trata da
é um partido; é um movimento"; questão militar como fator principal
"Os estudos da Ação Integralista Bra- da proclamação da República. A ter-
sileira", e "O movimento integralista ceira parte versa sobre o episódio da
nas províncias brasileiras". [3608] proclamação. Nas conclusões o au-
Ferrara, Diógenes. A República brasileira: tor declara que a terra americana é a
descrição minuciosa dos fatos ocasionados no terra da República. [3611]
dia 15 de novembro de 1889, acompanha-
da dos primeiros atos oficiais do Governo Fialho, Anfrísio. Processo da monarquia bra-
provisório. Rio de Janeiro, Laemmert sileira: necessidade da convocação de uma
& Cia., s.d. 119 p. Constituinte. Rio de Janeiro, Gazeta de
Notícias. 1885. 47 p.
O autor descreve os fatos do dia
15 de novembro de 1889, ou seja, o O autor propõe-se a demonstrar
episódio da Proclamação da Repúbli- que o governo pessoal do Impera-
ca, e inclui os primeiros atos oficiais dor já não tem limites e nem sequer se
do governo republicano. [3609] salvam mais as aparências. O governo
Festa republicana: discursos pronun- pessoal é o principal instrumento de
ciados no banquete realizado no Tea- que se tem servido o Imperador para
tro São Carlos em Campinas aos 5 de executar o plano político que concebeu
janeiro de 1882. Campinas, Tip. da de reduzir ao estado de cadáver, pela
Gazeta, 1882. 72 p. pobreza e pelo atraso, a fim de consoli-
Contém breves discursos de pro- dar o seu trono em terra da América,
paganda republicana, pronunciados onde a monarquia é planta exótica.
por ocasião do banquete realizado em Este plano, julga o autor plenamente
Campinas, por Rangel Pestana, Cam- executado, desde que o Imperador já
pos Sales, Américo Brasiliense, Piza e julgou chegada a ocasião de preparar a
Almeida, Martinho Prado Júnior, Al- filha para a ascensão ao trono e abdi-
berto Sales, Muniz de Sousa, Júnior de car brevemente. O Imperador, diz o
Mesquita, Costa Machado, Araújo autor, nutre a convicção de que é im-
Cintra, Bernardino de Campos, Júlio possível uma revolução, o que o ani-
Ribeiro, Francisco Glicério, Cesário ma a continuar numa política antina-
cional e perjura. Segundo o autor, só
há um meio para obrigar o Impera-
709

dor a pôr fim à sua política: é a ex- Figueiredo, Jackson de.


plosão da cólera nacional. Só assim vide
se poderia executar o bem público, ao Martins, Jackson de Figueiredo.
qual o Imperador se tem oposto inter- Fonseca, Hermes da (Filho). Dois grandes
nacionalmente, por estar persuadido vultos da República. Porto Alegre, Bar-
de que a prosperidade nacional tra- celos Bertaso & Cia., 1935. 147 p.,
rá o advento da República. [3612] ilus.
Figueiredo, Afonso Celso de Assis, Vis- Prefácio de J. F. Oliveira Viana.
conde de Ouro Preto. Aos monarquis- Contém dois esboços biográficos: o
tas. Rio de Janeiro, Domingos de do Marechal Deodoro da Fonseca,
Magalhães, 1895. 36 p. primeiro presidente da República
Contém dois artigos publicados brasileira, e do Barão do Rio Bran-
no Comércio de São Paulo. No primei- co, que foi, por muitos anos, mi-
ro, sob o título "Será possível a res- nistro do Exterior, no governo re-
tauração da monarquia?", o autor publicano. [3615]
afirma a possibilidade de uma res- Fontoura, João Neves da. Acuso. 2ª ed.,
tauração monárquica, pois os que Lisboa, Liv. Avelar Machado, 1933.
não são monarquistas passarão a sê- 261 p.
lo, e todos os países monarquistas Depoimento do autor, sobre sua
que se converteram à república, vol- participação na vida política do país,
veram à monarquia. O Brasil já havia desde a campanha da Aliança liberal,
ensaiado, em ocasiões propiciais, o até a Revolução paulista de 1932.
sistema republicano e viu-se obriga- São os seguintes os capítulos da
do a repudiá-lo. Entretanto, se a for- obra: Campanha liberal: O caso de
ma republicana perdurar, crê o autor São Paulo; A posição do Rio Gran-
que produzirá inevitavelmente a de; O início da conspiração; O pacto
bancarrota, o desaparecimento da com São Paulo; O gabinete da con-
unidade nacional, e a constante vio- centração; O desencadeamento; Os
lação da soberania territorial pelas compromissos do Sr. Flores da Cu-
potências mais fortes. No segundo nha; A luta em São Paulo; O motim
artigo, intitulado "A postos", discor- de 9 de julho; Perspectivas sombrias;
re sobre a necessidade de se agre- O partido do interventor gaúcho;
miarem os monarquistas, formando Palavras finais. [3616]
um partido político. [3613] Fontoura, João Neves da. A jornada libe-
Figueiredo, Afonso Celso de Assis, Vis- ral: discursos parlamentares e extraparla-
conde de Ouro Preto. Oito anos de mentares. Porto Alegre, Livraria de O
Parlamento: reminiscências e notas. Rio de Globo, 1932. 2 v.
Janeiro, Laemmert & Cia., 1901. 315 p. No prefácio, Antônio Carlos Ri-
Livro de memórias: o autor, che- beiro de Andrada fala sobre o papel
fe do último gabinete do Império, de João Neves da Fontoura na jor-
atuou no Parlamento, citando, para nada da Aliança Liberal e na revolu-
isso, trechos de debates. [3614] ção de 1930. Os discursos foram pro-
710

nunciados na fase política de julho Franco, Afonso Arinos de Melo. Introdu-


de 1929 a outubro de 1930. [3617] ção à realidade brasileira. S. I., Schmidt,
Fontoura, João Neves da. Por São Paulo e s.d. 259 p.
pelo Brasil. 2ª ed. São Paulo, 1933. 153 p. O livro é dirigido à intelectualida-
Contém uma série de escritos di- de brasileira. No primeiro capítulo,
rigidos ao povo paulista, ao povo que versa sobre a desorganização na-
brasileiro, aos rio-grandenses, aos cional, o autor examina a vida eco-
universitários cariocas, por ocasião nômica e social do país, notando a
da revolução constitucionalista de ausência de qualquer problema alar-
São Paulo, de 1932. O autor enaltece mante; é de opinião que a chave do
a atitude de São Paulo e faz críticas problema da desorganização nacio-
ao governo do Presidente Getúlio nal reside na desordem intelectual,
Vargas. [3618] na confusão dos valores do espírito.
Fontoura, Ubaldino do Amaral. Saldanha Analisa as razões dessa desordem,
Marinho: esboço biográfico. Rio de Janei- proveniente, segundo o autor, da au-
ro, Dias da Silva Júnior, 1873. 222 p. sência da elite intelectual brasileira
ilus. no exercício do poder republicano.
Passa a tratar dos intelectuais e a
Biografia de Joaquim Saldanha
violência da esquerda, fazendo con-
Marinho, parlamentar brasileiro, um
siderações sobre o comunismo, os
dos que assinaram o manifesto repu-
intelectuais e a revolução russa, a re-
blicano de 1870. Informa o autor so-
volução russa e os intelectuais, o co-
bre os trabalhos de Saldanha Mari-
munismo no Brasil. Admite a possi-
nho como deputado pelo município
bilidade do estado de ordem vir a
neutro, como presidente de Minas,
produzir mudança de direção nos
como presidente de São Paulo, e de-
movimentos revolucionários do Bra-
pois, presidente do Clube Republica-
sil, que, tendo até hoje apenas base
no do Rio de Janeiro. Descreve as
política, podem deslizar para o terre-
homenagens que lhe foram presta-
no social. No terceiro capítulo, o au-
das quando veio do Rio para assistir
tor trata os intelectuais e a violência
à inauguração da estrada de ferro
da direita, faz considerações sobre o
Campinas--Jundiaí, iniciada na época
fascismo, os intelectuais e a revolu-
em que foi presidente de São Paulo.
ção fascista, a revolução fascista e os
Toda a última parte do livro é dedi-
intelectuais. No quatro capítulo o
cada à questão religiosa, sobre a qual
autor dirige um apelo aos intelec-
Saldanha Marinho publicou grande
tuais do país para reagirem contra a
número de artigos na imprensa do
influência, ainda que episódica, do
Rio de Janeiro, artigos esses que se
marxismo, contra o militarismo, e
acham reunidos em livro sob o título
conclama-os à formação de uma cul-
A Igreja e o Estado. [3619]
tura brasileira, nacionalista, sem os
Francisco, João.
preconceitos do regionalismo, e pa-
vide cifista. [3620]
Sousa, João Francisco Pereira de.
711

Franco, Afonso Arinos de Melo. Notas O governo Epitácio Pessoa e a crise


do dia: comemorando. São Paulo, Tip. militar; O candidato Bernardes; A
Andrade & Mello, 1900. 308 p. reação republicana e a questão mili-
Coletânea de artigos sobre assun- tar; A sucessão do Sr. Artur Bernar-
tos diversos. Interessam à história da des; Os primeiros meses do governo
República: A campanha de Canudos de Washington Luís; A Aliança Li-
(epílogo da guerra); O atentado de 5 beral; A conspiração; Sessenta e
de novembro de 1897 (a morte do oito dias de conspiração; De pé
Marechal Bittencourt); General Cou- pelo Brasil; O drama; 24 de outu-
to de Magalhães; Visconde de Tau- bro; O equívoco paulista; Para
nay; 1894-1898, ou seja, o quatriênio onde vamos? [3623]
de Prudente de Morais; O aniversá- Freire, Felisbelo Firmo de Oliveira. His-
rio de Dom Pedro II, em que o au- tória constitucional da República dos Esta-
tor faz considerações sobre a Repú- dos Unidos do Brasil. Rio de Janeiro,
blica. [3621] Moreira Maximino & Cia., 1894. 3 v.
Franco, Afrânio de Melo. Discursos. Rio Para estudar a elaboração do Di-
de Janeiro, Gráf. Sauer, 1932. 214 p. reito constitucional brasileiro, o au-
Contém vários discursos. Entre tor, no primeiro volume, como in-
outros, há o discurso pronunciado trodução à obra, analisa as causas, a
pelo autor no banquete oferecido propaganda e o episódio da procla-
pelo Ministério das Relações Exte- mação da República; o segundo vo-
riores do Chile às delegações estran- lume foi dedicado ao estudo do pe-
geiras presentes em Santiago do Chi- ríodo do Governo provisório; no
le, na 5ª Conferência pan-americana, terceiro, analisa a Constituinte; e no
em 23 de abril de 1923. Contém a quarto, estuda a organização dos es-
Declaração de Princípios lida pelo tados. [3624]
autor, em 21 de abril de 1923, na Freire, Felisbelo Firmo de Oliveira. His-
Comissão de Armamento, e o dis- tória da revolta de 6 de setembro de 1893.
curso pronunciado na sessão plená- Vol. I, Rio de Janeiro, Cunha & Ir-
ria de 3 de maio de 1923, da referida mão, s.d. 355 p.
conferência. Constam ainda outros
Trata da revolta da esquadra no
discursos e cartas. [3622]
porto do Rio de Janeiro, até a reu-
Franco, Virgílio A. de Melo. Outubro -- nião e asilo dos revoltosos. O autor
1930. 4ª ed., Rio de Janeiro, Schmidt, informa sobre o programa e os obje-
1931. 475 p. tivos políticos dos revolucionários,
Prefácio de autoria de Osvaldo as questões diplomáticas surgidas
Aranha. O livro versa sobre as ori- durante a revolta, e as responsabili-
gens da revolução de 1930; o autor dades políticas de seus dirigentes.
foi testemunha presencial da urdidu- Quanto ao período da guerra, divi-
ra revolucionária e da fase da luta. de-o em três fases: a primeira, de 6
Os capítulos da obra são os seguin- de setembro, data do início da revo-
tes: Resumo da história republicana; lução, até o acordo diplomático de 5
712

de outubro; a segunda, de 5 de outu- É a publicação dos documentos


bro até 1º de dezembro, data em que relativos à grande operação financei-
assumiu a chefia da revolução o ra do governo de Prudente de Mo-
Contra-Almirante Saldanha da rais; estão precedidos de uma expo-
Gama; a terceira fase vai desde 1º de sição dos antecedentes econômicos
dezembro até a rendição dos revol- e políticos que caracterizaram a si-
tosos e seu asilo nos navios portu- tuação anterior. [3628]
gueses ancorados na baía de Guana- Ganzert, Frederic William. The Baron do
bara, a 13 de março de 1894. O au- Rio Branco, Joaquim Nabuco, and the
tor baseou-se em publicações do Jor- growth of Brazilian-American friendship,
nal do Comércio e Jornal do Brasil, e em 1900-1910. (The Hispanic American
informações colhidas durante sua es- Historical Review, XXII, Aug. 1942. p.
tada na administração, como minis- 432-451) (E.S.). [3629]
tro da Fazenda, em período que Guanabara, Alcindo. História da revolta de
compreende a época da revolução, 6 de setembro de 1893. Rio de Janeiro,
como sua fase anterior e a que se Tip. e Pap. Mont’Alverne, 1894. v.
seguiu. [3625] III, 362 p.
Freire, Teotônio. Histórico da revolta da esquadra
vide no Rio de Janeiro (1893-1894); ocu-
Pereira, Teotônio Freire e França. pa-se também do término da revolu-
Freitas, Leopoldo de. O Sr. conselheiro Ro- ção federalista do Sul. [3630]
drigues Alves; esboço biográfico e político, Guanabara, Alcindo. A presidência Cam-
São Paulo, Casa Vanorden, 1915. 30 pos Sales; política e finanças, 1898-1902.
p. ilus. Rio de Janeiro, Laemmert & Co.,
Biografia do Conselheiro Rodri- 1902. 517 p.
gues Alves, presidente da República Na primeira parte o autor descre-
no quatriênio 1902-1906. [3626] ve a situação política do país por
Freitas Nobre ocasião do advento de Campos Sales
vide e qual foi o programa que este se
Nobre, Freitas. propôs a realizar. A seguir analisa as
Frishauer, Paul. Presidente Vargas: biogra- realizações do governo, ocupando-se
fia; trad. de Mário da Silva e Brutus mais longamente das finanças, pro-
Pereira, São Paulo, Editora Nacional, blema que constituiu a idéia central
1943. 393 p. do programa do presidente. [3631]
Biografia do Presidente Getúlio Hambloch, Ernest. His majesty the Presi-
Vargas. [3627] dente: a study of constitutional Brazil.
Funding loan: o acordo do Brasil com os cre- London, Methuen & Co., Ltd., 1935.
dores externos, realizado pelo governo do 252 p.
Dr. Prudente de Morais, em 15 de junho O autor examina alguns aspectos
de 1898; documentos inéditos; várias apre- dos efeitos do regime presidencial,
ciações. São Paulo, Duprat & Comp., em sua relação direta com a vida so-
1909. 71 p. cial e econômica, especialmente com
713

referência ao Brasil. Segundo sua cional, pelo Apostolado, sobre o


opinião, todas as perturbações do mesmo assunto. [3634]
Brasil resultam dos defeitos de seus Igreja e apostolado positivista no Bra-
regimes políticos. [3632] sil. (418 publicações em 10 volu-
Hervé, Egídio. Democracia liberal e socialis- mes.) Rio de Janeiro, 1881.
mo. Entre os extremos: integralismo e co- O folheto nº 1 contém o catálogo
munismo. Porto Alegre, Livraria do das publicações. Os escritos, na
Globo, 1935. 206 p. maioria assinados por Miguel Lemos
O autor estuda o integralismo, o e Raimundo Teixeira Mendes, suces-
individualismo econômico-liberal, o sivamente chefes da Igreja Positivis-
individualismo democrático liberal, o ta no Brasil, mostram a influência da
socialismo, o comunismo, o sindicalis- doutrina positivista na República
mo, a democracia social. Defende a brasileira, e a posição dos positivis-
opinião de que a única fórmula que tas ante os problemas políticos, so-
convém ao Brasil -- porque é a única ciais e econômicos do Brasil, desde
que satisfaz às suas necessidades eco- os últimos anos do Império. [3635]
nômicas e sociais -- é a democracia li- Igreja e apostolado positivista no Bra-
beral como regime político, combina- sil. Rio de Janeiro. A supremacia políti-
do com a doutrina socialista. [3633] ca da fraternidade universal e a defesa repu-
Igreja e apostolado positivista no Bra- blicana segundo a divisa: ordem e progresso.
sil. Rio de Janeiro. A comemoração cívi- A propósito da sucessão presidencial a 15
ca de Benjamim Constant e a liberdade reli- de novembro de 1926, em meio da luta fra-
giosa, por R. Teixeira Mendes. Rio de Ja- tricida que, desde julho de 1922, dilacera o
neiro, 1892. 95 p. povo brasileiro. Rio de Janeiro, 1927. 93
Vários artigos sobre a seculariza- p. ilus.
ção dos cemitérios, que, segundo o A primeira parte desta publicação
autor, até 20 de agosto de 1892, ain- é dedicada a uma série de fotografias
da não era uma realidade na capital do monumento a Benjamim Cons-
do país. Foram escritos e publicados tant, inaugurado no Rio de Janeiro
no Jornal do Comércio, em 1892, quan- em 14 de julho de 1926, assim como
do a administração da Irmandade da a descrição explicativa, minuciosa,
Misericórdia, exorbitando suas fun- desse monumento. Na segunda par-
ções, quanto à fundação e adminis- te informa sobre a entrevista tida
tração dos cemitérios públicos, im- pelo chefe da Igreja Positivista no
pediu que se efetuasse em um destes Brasil, Raimundo Teixeira Mendes,
a comemoração de Benjamim Cons- com o Presidente da República, Dr.
tant, fundador da República, promo- Artur Bernardes, em que solicitou a
vida por um grupo de patriotas sob este, em memória de Benjamim
a presidência do Apostolado positi- Constant, fundador da República, a
vista no Brasil. Consta ainda a repre- abolição do estado de sítio e o de-
sentação enviada ao Congresso Na- creto de anistia. Em anexo o autor
transcreveu a publicação do Aposto-
714

lado: A situação moderna e a defesa da do a incapacidade do monarca para


sociedade. A propósito da recente luta garantir no futuro as liberdades polí-
fratricida que cobriu o povo brasilei- ticas do país, assim como para asse-
ro de luto, mais uma vez agravado gurar o trono para seus descendentes.
pela decretação do estado de sítio, em Trata da decadência da família Bra-
lugar de ser aliviado por uma fraternal gança, da ausência de qualidades de
anistia aos vencidos e vencedores. (Pu- governante na pessoa da herdeira do
blicação nº 9, 1922.) [3636] trono, a Princesa Dona Isabel, e das
Inhomirim, Visconde de. ambições de poder por parte de
vide Gastão de Orleans, o Conde D’Eu.
Torres Homem, Francisco de Sales, Aponta os perigos da situação políti-
Visconde de Inhomirim. ca e a ameaça sob a qual se encontra
o país de perder suas liberdades
Jardim, Antônio da Silva. Memórias e via-
pela usurpação de um príncipe es-
gens; I: campanha de propaganda, 1887-
trangeiro. [3638]
1890. Lisboa, Companhia Nacional
Jardim, Antônio da Silva. A República
Editora, 1891. 468 p.
no Brasil, compêndio de teorias e apre-
No prefácio, Oscar de Araújo ciações políticas destinado à propaganda
procura interpretar o papel de Silva republicana. Rio de Janeiro, Impren-
Jardim no cenário político no mo- sa Mont’Alverne. 1888. 22 p.
mento em que inicia sua propaganda
republicana e resume as atividades Opúsculo destinado à propagan-
do propagandista. Silva Jardim conta da republicana, feito por um dos
suas reminiscências de propagandis- maiores propagandistas da Repúbli-
ta da campanha republicana e nos ca. Define o autor o conceito de
informa sobre os fundamentos filo- monarquia em contraste com o de
sóficos de suas idéias políticas. Em república, faz um breve histórico das
anexo constam os artigos publicados tentativas republicanas no país, e
pela imprensa brasileira e européia exalta o crescimento do partido re-
em 1891, em memória de Silva Jar- publicano na época. [3639]
dim, por ocasião do seu desapareci- Jardim, Antônio da Silva. A República no
mento ocorrido tragicamente em Brasil: conferência realizada na cidade do
Nápoles, no Vesúvio, em 1º de julho Rio de Janeiro. Recife, Tip. d’O Norte,
de 1891. [3637] 1889. 51 p.
Jardim, Antônio da Silva. A pátria em pe- O autor faz um breve histórico
rigo: Braganças e Orleans. Rio de Janei- das tentativas de reação contra o go-
ro, Of. Gráf. do Jornal do Brasil, 1925. verno monárquico desde a época co-
28 p. lonial, procura demonstrar que a Re-
Conferência em que o autor ini- pública é uma fase da evolução polí-
ciou sua campanha de propaganda tica, conforme mostram os dados
revolucionária. Passa em revista o das ciências políticas, e que a socie-
estado de saúde do Imperador Dom dade brasileira exigia a forma repu-
Pedro II e sua ação política afirman- blicana de governo. Critica o concei-
715

to de monarquia constitucional, cla- brasileiro: a do passado, ou do per-


ma pela liberdade de pensamento, de repismo; a do presente, ou a da re-
religião e de instrução; traça o pano- volução de 30, que se cristalizou
rama da situação brasileira, apontan- numa ditadura antítese das premissas
do o descontentamento das classes da revolução; a de Luís Carlos Pres-
políticas e conservadoras e a incapa- tes, agente comunista, que haveria de
cidade política do Imperador. No fi- tentar apoderar-se do poder, para
nal do discurso o autor se insurge conservá-lo em nome do proletaria-
contra a idéia de um terceiro reinado do e do bolchevismo; a quarta, de
e proclama a fatalidade e necessidade Artur Bernardes, que traria a ditadu-
da instituição do regime republicano.
[3640] ra, o estado de sítio. O autor prega a
Kleber. A legalidade de 23 de novembro. Rio fusão dessas forças num único parti-
de Janeiro, S.o.p, 1892. 2 v. do, que, readotando as premissas da
revolução, as desenvolveria demo-
A primeira parte do livro consta
craticamente, sem apoiar-se no per-
da reprodução de uma série de arti-
repismo, no fascismo ou no bolche-
gos contra Floriano Peixoto publica-
vismo. [3642]
dos pelo autor no jornal O Combate,
do Rio de Janeiro. Na segunda parte, Licínio Cardoso, Vicente.
sob o título "Documentos históri- vide
cos", o autor transcreve os principais Cardoso, Vicente Licínio.
decretos, manifestos, mensagens e Lima, Alceu Amoroso. Indicações políticas
artigos dos jornais, sobre os aconte- da revolução à Constituição. Rio de Janei-
cimentos do período indicado; no fi- ro, Civilização Brasileira, 1936. 249 p.
nal, transcreve as Atas da Câmara Coletânea de artigos, escritos em
nacional. [3641] momentos diversos. O autor procu-
Lacerda, Maurício de. Segunda República. rou fixar a posição e o papel da Igre-
3ª ed., Rio de Janeiro, Freitas Bastos, ja Católica no período de transição,
1931. 401 p. ilus. entre a revolução de 1930 e a outor-
O autor procura fixar o panora- ga da Constituição de 1924, e mostra
ma político nacional, anterior e ime- qual foi a influência da Igreja na ela-
diato à revolução de 30, através de boração desta Constituição. [3643]
suas impressões e atividades de pro- Lima, Alexandre José Barbosa (Sobri-
pagandista revolucionário, em vários nho). A verdade sobre a revolução de outu-
pontos do país, pelo jornal, pelo li- bro. São Paulo, Ed. Unitas Ltda.,
vro e pela tribuna. Estuda os antece- 1933. 296 p.
dentes da revolução armada, contra Estudo sobre os antecedentes da
a máquina política dominante, pro- revolução de outubro. O autor des-
cura esclarecer as origens da revolu- creve a situação nacional desde o ad-
ção e informa sobre o período ime- vento de Artur Bernardes (1922) até
diato à revolução, caracterizado pela a vitória da revolução de 30. São os
confusão. O autor entrevê quatro seguintes os capítulos da obra: Go-
correntes no pensamento político vernos contra o povo; A reforma fi-
716

nanceira; O ambiente da sucessão; A em fatos e em leis. Bem documenta-


vez do Rio Grande do Sul; Motivos do. O autor é professor de Ciência
de otimismo; A elaboração das can- Política e Jurisprudência em Am-
didaturas; A passagem do Rubicão; herst College. (E.S.). [3646]
Fenômeno de cristalização; O mare- Lopes Trovão
chal Café; O colapso da Aliança Li- vide
beral; Lanças e patas de cavalo; Pré- Trovão, Lopes.
lio das urnas; O caso da Paraíba; A
Lira, A. Tavares de. Deodoro da Fonseca.
caminho da revolução; Prélio das
Rio de Janeiro, Imprensa Nacional,
armas; Análise das causas da revo-
1927. 34 p.
lução; Interpretação do despista-
mento. [3644] Breve biografia do Marechal
Deodoro da Fonseca. [3647]
Lima, Honório. A verdade histórica dos fatos
Magalhães, Olinto de. Centenário do Presi-
ocorridos no dia 15 de novembro de 1889
dente Campos Sales: comentários e docu-
com o corpo policial da província do Rio de
mentos sobre alguns episódios do seu governo
Janeiro. Rio de Janeiro, Maia & Nie-
pelo ministro das relações exteriores, de
meyer, 1900. 57 p.
1898 a 1902. Rio de Janeiro, Irmãos
O autor era comandante do Cor- Pongetti, 1941. 193 p.
po policial do Rio de Janeiro, quan-
O autor mostra as diretrizes se-
do se deu a Proclamação da Repúbli-
guidas pelo governo brasileiro na
ca. Além de apresentar sua fé de ofí-
questão do Acre, região invadida
cio, fornece esclarecimentos sobre
pela Bolívia em 1899, e adquirida
sua atitude do dia 15 de novembro,
pelo Brasil pelo Tratado de Petrópo-
em resposta aos que o haviam acusa-
lis de 1903. [3648]
do de ter traído o Ministério Ouro
Manifesto do partido republicano de
Preto, pelo qual havia sido nomeado
Pelotas, em 14 de maio de 1888. Pe-
em 21 de junho de 1889, entregando
lotas, Livraria Universal, 1888. 43 p.
covardemente o comando do corpo
policial aos republicanos. Recapitula Neste manifesto os membros
os fatos ocorridos no dia 15 de no- do partido republicano de Pelotas,
vembro com sua pessoa, como co- Álvaro Chaves, Cristóvão da Silva
mandante do corpo policial, e todas Maia, João A. Pinheiro, C. Correia
as medidas que teve oportunidade Barcelos e A. Caminha, divulgaram a
de providenciar nesse dia. circular de Joaquim Saldanha Mari-
nho, presidente do Conselho Federal
[3645] do Partido Republicano Brasileiro, e
Loewenstein, Karl. Brazil under Vargas. o manifesto do Partido Republicano
New York, The Macmillan co. 1942. Paulista, datado de 24 de maio de
xix. 381 p. 1888. Na circular, datada de 10 de
Este é o primeiro estudo técnico junho de 1888, Saldanha Marinho
objetivo da organização política, le- chama a atenção para a necessidade
gal e administrativa do Brasil no Go- de organizar o partido e conclama
verno de Getúlio Vargas. Baseado seus correligionários à luta contra o
717

terceiro reinado. O manifesto paulis- Martins, Dormund. Da República à ditadu-


ta tem por objetivo justificar a atitu- ra. Rio de Janeiro, 1931v. 306 p.
de traçada e mantida pelo Partido Apresenta um panorama da
Republicano, confirma a condena- vida política brasileira, desde 1889
ção da Monarquia e aponta a nova até a revolução de 1930, ressaltan-
atitude aos que servem à causa repu- do as lutas partidárias desse perío-
blicana. O documento traz, de início, do. [3651]
um breve histórico das idéias e dos Martins, Jackson de Figueiredo. Do nacio-
homens do grupo radical, da organi- nalismo na hora presente: carta de um cató-
zação do partido em 3 de dezembro lico sobre as razões do movimento naciona-
de 1870, quando foi lançado o famo- lista no Brasil e o que, em tal movimento, é
so manifesto republicano dessa data, possível determinar, dirigida a Francisco
e transcreve trechos deste manifesto, Bustamante. Rio de Janeiro, Livraria
assim como da circular de 18 de ja- Católica, 1921. 62 p.
neiro de 1872. Informa sobre as ati- Versa sobre a campanha naciona-
vidades do partido em prol da eman- lista desenvolvida no Rio de Janeiro,
cipação, se bem que declara ser a Re- dirigida principalmente contra os
pública seu principal e imediato ob- portugueses. O movimento, iniciado
jetivo. Discorre sobre as reformas por Álvaro Bomílcar na Brasiléia,
reclamadas pelo partido -- descentra- teve por centro a ação social nacio-
lização, instrução pública, liberdade nalista. O autor critica o conceito de
de consciência e cultos, locação de nacionalismo, aceitando-o como rea-
serviços, capital para a lavoura, natu- ção ao espírito universal, e estuda a
ralização e direitos do cidadão, liber- missão do nacionalismo. Trata de-
tação dos escravos, finanças, política pois do nacionalismo brasileiro, con-
externa -- e indica o que foi conse- siderando que tradicionalmente ele
guido. No final, conclama seus cor- tem sido católico e antilusitano. Em
religionários a destruir a Monarquia relação ao movimento nacionalista,
e proclamar a República como solu- declara que o povo brasileiro é o
ção para a crise social e, para tornar único que pode ter situação privile-
mais eficaz a integração das forças giada no país, e que os portugueses
do partido, resolve combater o ter- aqui domiciliados nunca devem se
ceiro reinado, promover ação mais esquecer de que são tão estrangeiros
vigorosa e investir de plenos poderes como os franceses, alemães e japo-
as autoridades diretoras do partido.
[3649] neses. Ocupa-se ainda o autor em
O marechal Hermes da Fonseca: o seu mostrar como os portugueses logra-
governo, 1910-1914. Rio de Janeiro, ram obter situação privilegiada no
Imprensa Nacional, 1914. 171 p. país, após a independência, graças ao
Resenha dos eventos do Gover- liberalismo dos brasileiros. [3652]
no do Presidente Marechal Hermes Medeiros, A. A. Borges de. Manifesto lido
da Fonseca (1910-1914). [3650] perante a Assembléia dos Representantes.
718

Porto Alegre, Of. Gráf. da Federa- econômico e financeiro, sob o presi-


ção, 1923. 37 p. dencialismo. Estuda as formas e
Neste manifesto, datado de Porto doutrinas do presidencialismo, o co-
Alegre, 25 de janeiro de 1923, o au- munismo, o sindicalismo, e o parla-
tor explica as razões que o levaram a mentarismo nas organizações consti-
aceitar por várias vezes -- 1897, 1902, tucionais modernas, defendendo as
1912, 1917 e 1925 -- a indicação de vantagens da última fórmula, para o
seu nome para ocupar a presidência caso brasileiro. O autor é de opinião
do estado, apelando para fatos histó- que a discordância entre a forma de
ricos, razões legais e doutrinárias, ti- governo da República presidencial e
radas da Constituição, que pela lei o verdadeiro sentimento nacional
do sufrágio permite a reeleição, e im- gerou toda a intranqüilidade dos 40
pugna a opinião dos que pretende- anos da era republicana. [3654]
ram uma revisão constitucional, que, Medeiros e Albuquerque
segundo o autor, não é necessária. vide
Sua opinião é de que a reeleição cons- Albuquerque, José Joaquim de Campos
titui "uma exigência da continuidade da Costa de Medeiros e.
administrativa". [3653]
Melby, John. An account of the rise and col-
Medeiros, Maurício de. Outras revoluções
lapse of the Amazon Boom. (The Hispanic
virão. Rio de Janeiro, Mundo Médico,
American Historical Review, XXII, aug.
1932. 241 p.
1942, p. 452-469). (E.S.). [3655]
O autor, com este livro, faz uma
crítica ao presidencialismo. No pre- Melo, Américo Brasiliense de Almeida.
fácio, expressa a opinião de que ou- Os programas dos partidos e o 2º Império;
tras revoluções terão que vir se o primeira parte: exposição de princípios. São
país sair da revolução de 30, se não Paulo, Tip. de Jorge Seckler, 1878.
se mostrar ao povo que os motivos 205 p.
reais que o fizeram aceitar o regime Versa sobre a formação e o pro-
presidencialista. (texto truncado) grama dos partidos políticos da épo-
Passando ao objeto da obra, ca do Império, ou seja, o Partido Li-
mostra em que condições foi esco- beral (1831), o Partido Conservador
lhido o regime presidencial, em (1837), o Partido Progressista (1862),
1891; mostra-o como "um regime o Partido Liberal-Radical (1868), o
que estraga os homens", criticando a Partido Republicano (1870), e o Parti-
política dos governadores, a advoca- do Republicano da Província de São
cia administrativa, as campanhas de Paulo. Em anexo constam alguns do-
sucessão, características do regime. cumentos. [3656]
Passa depois ao estudo e à análise do Melo, Custódio José de. Apontamentos
panorama nacional, sob o ponto de para a história da revolução de 23 de no-
vista político, no governo de Was- vembro de 1891. Rio de Janeiro, Cunha
hington Luís, e aos fatores da revo- e Irmão, 1895. 90 p.
lução de 30. Mostra os desconceitos Depoimento do chefe do pro-
do Congresso, da Justiça, o desastre nunciamento da esquadra, ocorrido
719

em 1891, contra o Marechal Deodo- o liberalismo, os radicais do aboli-


ro da Fonseca, Presidente da Repú- cionismo e da República. [3659]
blica, e que levou este a resignar o Melo, Francisco de Assis Chateaubriand
poder. Informa sobre os motivos Bandeira de. Terra desumana; a vocação
que o compeliram a levantar-se con- revolucionária do Presidente Bernardes. 2ª
tra o governo e como se tramou a ed. Rio de Janeiro, Of. de O Jornal,
revolta. [3657] s.d. 230 p. ilus.
Melo, Custódio José de. O governo provisó- Artigos escritos em 1926, nos
rio e a revolução de 1893. São Paulo, quais o autor critica a personalidade
Editora Nacional, 1938. 1 v. em 2 política do presidente Artur Bernar-
(Brasiliana, v. 128 e 128-A). des. Intitulam-se: O homem e o ja-
cobinismo econômico; O presidente
O autor foi o chefe da revolta da
e o espírito de sacrifício do exército;
esquadra que explodiu no Rio de Ja-
A astúcia do presidente; A orienta-
neiro em 6 de setembro de 1893. No
ção plebéia do presidente; A cam-
primeiro tomo descreve a situação
panha revisionária; O espírito do
política do país durante o governo
Caraça na formação mental do pre-
provisório do Marechal Deodoro, o
sidente; Paz cartaginesa; Os es-
pronunciamento militar de 1891, o
pectros. [3660]
retorno ao governo legal sob Floria-
Mendonça, Salvador Meneses Drum-
no e o prenúncio da ditadura. No se-
mond Furtado de. A situação interna-
gundo tomo, intitulado A ditadura e a
cional do Brasil. Rio de Janeiro, Livra-
guerra civil, descreve a situação políti-
ria Garnier, 1913. 268 p.
ca sob a ditadura de Floriano e os
Discorre o autor sobre o advento
móveis que levaram à trama revolu-
da República no Brasil, sendo de
cionária. [3658]
opinião que foi precoce, e que sua
Melo, Félix Cavalcanti de Albuquerque. preparação deveria ser longa, desde
Memórias de um Cavalcanti. Trechos do que a maioria da população do país
livro de assentos de Félix Cavalcanti era analfabeta. É de opinião de que
de Albuquerque Melo, 1821-1901, es- o regime parlamentar seria o mais
colhidos e anotados pelo seu bisneto adequado ao país, pois já havia, nes-
Diogo de Melo Meneses; introdução se sentido, uma experiência de 67
de Gilberto Freire. São Paulo, Edito- anos. Passando aos perigos internos
ra Nacional, 1940. 193 p. e externos que ameaçam a Repúbli-
Anotações de fatos e impressões ca, discorre sobre a aquisição de ter-
pessoais, feita por um aristocrata de ras no Brasil por estrangeiros; de-
engenho do sul de Pernambuco, que nuncia o sindicato Farquhar como
viveu de 1821 a 1901. Além dos sub- sugador da riqueza nacional, faz co-
sídios para a reconstrução do pano- mentários às apreciações de Bryce,
rama político, social e econômico da em seu livro South America; Observa-
época, os assentos permitem fixar a tions and impressions (favorável à idéia
personalidade do aristocrata conser- de que as riquezas brasileiras deve-
vador, cheio de preconceitos contra riam passar a mãos estrangeiras,
720

pois, de outro modo, seria subtraí- Rio de Janeiro, José Olímpio, 1938.
las ao serviço e uso da humanidade 302 p.
por causa da inferioridade da raça, A obra tem por objetivo expor o
falta de capitais e desacertos do go- verdadeiro sentido das novas insti-
verno republicano), e trata do caso tuições; analisa o regime instituído
do encalhamento do torpedeiro ale- pela Constituição de 10 de novem-
mão em Cabo Frio. Passando às re- bro de 1937 que proclamou o Esta-
lações com os Estados Unidos, trata do Novo. No final anexa a Consti-
das relações comerciais entre este tuição de 10 de novembro. [3663]
país e o Brasil, dos mais importantes Monteiro, Tobias. Pesquisas e depoimentos
resultados da Conferência interna- para a história. Rio de Janeiro, Francis-
cional americana de 1890, e do inci- co Alves, 1913. 366 p.
dente Stanton, por ocasião da revol-
Parte da obra é dedicada à Aboli-
ta da armada. No final o autor faz
ção. Em relação à República o autor
críticas à gestão de Rio Branco e
se ocupa dos acontecimentos de 15
Joaquim Nabuco como repre-
de novembro, de banimento da fa-
sentantes do Brasil nos Estados
mília imperial e da dissolução do
Unidos. [3661]
Congresso Nacional pelo primeiro
Ministério da Educação
presidente republicano. [3664]
vide Monteiro, Tobias. O Presidente Campos
Brasil, Ministério da Educação. Sales na Europa. Rio de Janeiro, F.
Miranda, Rodolfo. O novo governo e o regi- Briguiet & Cia., 1928. 242 p. ilus.
me presidencialista. São Paulo, Cardoso Contém as cartas publicadas no
Filho, 1926. 49 p. Jornal do Comércio, entre maio e agos-
O autor é partidário convicto das to de 1898, período de tempo em
vantagens absolutas do regime presi- que o autor acompanhou o presi-
dencialista. O trabalho inclui recur- dente eleito na viagem à Europa, fei-
sos e artigos do autor sobre a esco- ta com o objetivo de solucionar a
lha de Washington Luís à suprema grave situação financeira do país. Na
magistratura do Estado de São Pau- longa introdução o autor procura fi-
lo. Sob o título Presidencialismo, xar o panorama político e financeiro
reúne seis artigos publicados no Cor- do país durante o Período Republi-
reio Paulistano em 1920, em que o au- cano, para explicar a situação encon-
tor explica os caracteres do presi- trada pelo Presidente Campos Salles;
dencialismo e enaltece as vantagens termina fazendo um balanço dos re-
desse regime. [3662] sultados financeiros conseguidos na
Moacir, Pedro. administração desse Presidente. Nas
cartas, o autor transmite suas im-
vide
pressões sobre os lugares que teve
Barbosa, Rui, e Moacir, Pedro. oportunidade de visitar: Paris, Lon-
Monte, Arrais. O Estado Novo e suas dire- dres (onde se realizaram as negocia-
trizes: estudos políticos e constitucionais. ções financeiras), Escócia, Alema-
721

nha, Áustria-Hungria, Itália, Portu- transcreve na íntegra as Atas do Go-


gal. Em apêndice constam vários verno Provisório, desde 2 de janeiro
discursos. [3665] de 1890 até 17 de janeiro de 1891.
Morais, Evaristo de. Da Monarquia para a Em apêndice contém notas e docu-
República (1870-1889). Rio de Janeiro. mentos. [3668]
Atena Editora, 1936. 222 p. ilus. Moura, João Dunshee de Abranches.
Exposição dos fatos ocorridos Governos e Congresso da República dos Es-
nos últimos anos do Império e o pri- tados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro,
meiro da República. O autor discor- M. Abranches. 1918. 2 v.
re sobre os fatores que determina- São apontamentos biográficos
ram a queda da Monarquia, o episó- sobre todos os Presidentes, Vice-
dio da Proclamação da República, as Presidentes, Ministros de Estado,
tentativas anti-revolucionárias de 16 Senadores e Deputados do Congres-
e 17 de novembro de 1889 e a ativi- so, no período indicado. [3669]
dade legislativa do Governo Provi- Moura, João Dunshee de Abranches. A
sório. [3666] Revolta da Armada e a Revolução rio-
Morais, Prudente de. grandense: correspondência entre Saldanha
vide da Gama e Silveira Martins. Rio de Ja-
Barros, Prudente J. de Morais. neiro, M. Abranches, 1914. 2 v.
Moura, Hastínfilo de. Da Primeira à Se- Versa sobre os dois principais
gunda República. Rio de Janeiro, Irmãos movimentos armados do Governo
Pongetti, 1936. 399 p. de Floriano Peixoto, segundo a cor-
Livro escrito pelo general que co- respondência trocada entre Silveira
mandava a segunda região militar Martins, o grande tribuno rio-gran-
(São Paulo), no período revolucioná- dense, senador do Império e chefe
rio de 1930; relata suas atividades civil da Revolução Federalista, e Sal-
como defensor da causa governa- danha da Gama, que foi um dos
mental, e no breve espaço de tem- chefes militares de ambas as revolu-
po em que assumiu o Governo do ções (1893-1895). [3670]
Estado (de 24 a 28 de outubro de Müller, Lauro. Conferência recitada na sessão
1930). [3667] solene da Liga de Defesa Nacional, reali-
Moura, João Dunshee de Abranches. zada em 15 de novembro de 1921. Rio de
Atas e Atos do Governo Provisório: cópias Janeiro, Lit. Fluminense, 1922. 23 p.
autênticas dos protocolos das sessões secretas Segundo o autor, fomos os pri-
do Conselho de Ministros desde a Procla- meiros na América do Sul a querer a
mação da República até a organização do independência na sua forma de orga-
Gabinete Lucena, acompanhadas de impor- nização republicana. Contudo, a fór-
tantes revelações e documentos. 2ª ed. S.I., mula monárquica estabelecida com
Ed. D. de Abranches, 1930. 402 p. D. Pedro representou um estágio sa-
Na primeira parte da obra o autor lutar entre a Colônia e a República,
comenta os primeiros Atos do Go- pois a Monarquia permitiu a conti-
verno Provisório; na segunda parte nuidade da tradição administrativa.
722

A Regência representa, segundo o em que se deu a reação brasileira


autor, a conciliação entre a aspiração chefiada por Plácido da Costa, con-
republicana e o princípio dinástico. tra a ocupação boliviana. [3673]
O autor discorre sobre a propaganda Oliveira, Percival de. O ponto de vista do
republicana iniciada logo após as PRP: uma campanha política. São Paulo,
campanhas platinas, informa sobre São Paulo Ed., 1930. 298 p.
os principais expoentes das novas Artigos publicados no Diário de
idéias políticas nas províncias e no São Paulo, de 21 de agosto de 1929 a
Rio de Janeiro, como as ambições de 1º de março de 1930, sob o mesmo
um Terceiro Reinado precipitaram a título; seu objetivo é expor as idéias
República e as negociações para a do Partido Republicano Paulista em
Proclamação. Descreve minuciosa- face do problema da sucessão presi-
mente a jornada de 15 de novem- dencial. [3674]
bro da qual foi um dos partici- Oliveira Viana
pantes. [3671] vide
Müller, Lauro. Os ideais republicanos. Rio
Viana, J. F. Oliveira.
de Janeiro. F. Briguiet & Cia., 1912.
46 p. Ottoni, Cristiano Benedito. O Advento da
República no Brasil. Rio de Janeiro,
Discurso pronunciado na cerimô-
Tip. Perseverança, 1890. 136 p.
nia da posse do Presidente da Re-
pública, General Hermes da Fon- Os quatros primeiros capítulos da
seca, em 15 de novembro de 1911. obra formam o que o autor denomi-
Após referências elogiosas ao Pre- nou História completa da libertação dos
sidente, o autor faz breve análise escravos. Nos capítulos seguintes estu-
da origem da República, do seu es- dou as causas do Advento da Repú-
tado atual e dos ideais que ela deve blica no Brasil. Conforme assevera o
ter em vista. [3672] autor, o livro constitui suas "memórias
Nabuco, Joaquim. íntimas", pois não recorreu a fontes
vide documentais. [3675]
Ottoni, Cristiano Benedito. Autobiogra-
Araújo, Joaquim Aurélio Barreto Nabu-
fia de C. B. Ottoni, natural da Vila do
co de.
Principe, depois cidade de Serro, na pro-
Nemo, pseud.
víncia de Minas Gerais, maio de 1870.
vide Rio de Janeiro, Tip. Leuzinger, 1908.
Ramalho, Manuel de Araújo Castro. 325 p.
Neves, João. O autor começou a redigir a sua
vide autobiografia em 1870, mas ela refe-
Fontoura, João Neves da. re os principais fatos de sua vida
Nobre, Freitas. A epopéia acreana; pref. do desde a infância até 1887. Deputado
Dr. Raul Leite. 3ª ed. São Paulo, Re- em quatro legislaturas, de 1860 a
vista dos Tribunais, 1939. 127 p. ilus. 1868 pelo Partido Liberal Mineiro,
Síntese dos acontecimentos ocor- tomou parte na manifestação con-
ridos no Acre no período 1899-1901, junta de 17 de julho de 1868, contra
723

o ato do Poder Moderador ao cha- República e realeza, concluindo que


mar os conservadores ao poder. Em a República é o único Governo legí-
reunião feita nessa ocasião para se timo e racional. Discorre sobre a Re-
resolver sobre os meios a exercer no pública e democracia, as classes e
país e regular as condições e o pro- castas sob a República, a repre-
grama em que se devia reorganizar o sentação e o sufrágio, a liberdade e
partido, defendeu a idéia de lutar federação, o livre-arbítrio, dualidade
contra o princípio moderador e res- das duas Câmaras, Senado, descen-
tringir ou abolir suas faculdades. tralização, soberania, liberdade e po-
Não conseguindo apoio, pois para der real, liberdade e autoridade, li-
os demais liberais era questão assen- berdade e ensino; sobre a Lei Flavia-
te à permanência da organização na (evidência da Lei Republicana), e
constitucional vigente, afastou-se da sobre as duas coroas (poder tempo-
política. Conta em que circunstân- ral e o espiritual). No artigo intitula-
cias assinou o manifesto republicano do O Sr. Nabuco, o Silabus e a Imacula-
de 1870. Em 1876, ao explicar aos da Conceição, em que critica o clerica-
seus conterrâneos a exclusão do seu lismo daquele, afirma a opinião de
nome na chapa liberal, pela provín- que a liberdade não poderia estar nas
cia de Minas, declarou que só se fileiras do Partido Liberal onde havia
apresentaria aos eleitores em nome homens como Nabuco, pois que a
da idéia republicana; não sendo pos- liberdade não pode ser dominada
sível isso, nem se sentindo com qua- pelos dogmas de um Papa jesuítico;
lidades para chefe de um partido re- ela estaria com o partido que não ad-
publicano, abstinha-se de participar mite coroas privilegiadas, ou seja, o
na política. Em 1887, contudo, apre- Partido Republicano. Na última par-
sentou-se como candidato e foi elei- te do livro, intitulada Cartas Políticas,
to senador do Império. [3676] o autor faz críticas ao sistema de
Ottoni, Elói Teófilo. Crenças políticas. Rio Governo monárquico, batendo-se
de Janeiro, Laemmert & Cia., 1891. principalmente contra a centraliza-
374 p. ção; clama pela emancipação dos es-
Série de artigos, escritos antes de cravos e comenta fatos da política dos
1889, nos quais o autor discute teses últimos anos do Império. [3677]
de política geral com o fito de forne- Ouro Preto, Visconde de.
cer idéias gerais sobre o Governo vide
Republicano. No prefácio o autor
Figueiredo, Afonso Celso de Assis, Vis-
discorre sobre a identidade que julga
conde de Ouro Preto.
existir entre os Partidos Liberal His-
tórico, Radical ou Republicano, pois Paiva, Alfredo. A mentira republicana. Juiz
é de opinião que as tendências do de Fora, Tip. Pereira, 1892. 53 p.
Partido Liberal Histórico foram Opúsculo de caráter panfletário,
sempre republicanas, sendo Tiraden- contra a República. Segundo o autor,
tes seu fundador. Com propósito o Brasil sofre da superstição da Re-
doutrinário, trata da diferença entre pública. O Império foi a era das li-
724

berdades políticas enquanto a Repú- los Estados de Paraná e Santa Cata-


blica não pôde resistir às paixões po- rina (atualmente pertencente ao Es-
líticas; critica a ausência de estadistas tado de Santa Catarina). Na primeira
na República, as finanças, e clama o autor caracteriza o panorama geo-
pelo restabelecimento da Monarquia, gráfico social e político da região,
pois, segundo sua opinião, a forma habitada por bandoleiros e fanáticos,
de Governo não tem importância, e, portanto, de equilíbrio social instá-
mas sim os homens que manejam os vel. Na segunda parte descreve as
negócios públicos. [3678] sucessivas expedições militares en-
Palmeira, J. A. da Costa. A campanha do viadas ao Contestado, desde a pri-
Conselheiro. Rio de Janeiro, Calvino meira, que data de 1905, até o desastre
Filho; 1934. 212 p. de São João, da expedição do Capitão
É a narrativa das campanhas mo- Matos Costa, em 1914. [3681]
vidas contra Antônio Conselheiro, Peixoto, Sílvio. No tempo de Floriano. Rio
visionário que atraiu em torno de si de Janeiro, Editora A Noite, 1940.
milhares de sertanejos fanáticos; es- 276 p. ilus.
tes formaram um povoado em Ca- Prefácio de Noronha dos Santos.
nudos (Bahia), onde viviam em pro- Trata-se de trabalho de vulgarização
miscuidade à custa de roubos e de- sobre os principais eventos do Go-
predações das propriedades vizinhas. verno de Floriano Peixoto (1891-
Só foram vencidos em 1897, após vá- 1894) [3682]
rios esforços malogrados. [3679] O pensamento político do Presidente:
separata de artigos e editoriais dos
Pandiá Calógeras na opinião de seus
primeiros 25 números da revista Cul-
contemporâneos. São Paulo, Tip.
tura Política, comemorativa do 60º
Siqueira, 1934. Contém uma série de
aniversário do Presidente Getúlio
artigos sobre a obra de Calógeras
Vargas. Rio de Janeiro, 1943. 424 p.
como historiador, engenheiro, peda-
gogo, estadista, diplomata, escritos Os artigos, assinados por vários
pelos mais expressivos vultos da in- autores, estão distribuídos em três
telectualidade brasileira. Consta ainda partes: a primeira consta de uma no-
de várias cartas de Calógeras referen- tícia biográfica sobre o presidente; a
tes a sua vida pública, episódios e fa- segunda parte contém uma série de
tos de sua época, e do seu Diário da artigos que focalizam a obra do pre-
Conferência da Paz, de 1919, quando sidente; a terceira versa sobre a in-
fez parte da delegação brasileira à re- fluência do meio. A quarta e última
ferida Conferência. parte é uma bibliografia sobre o Es-
[3680]
tado Nacional e o pensamento do
Peixoto, Demerval. Campanha do Contestado:
presidente. [3683]
episódios e impressões. Rio de Janeiro,
Pereira, Batista. Diretrizes de Rui Barbosa:
1916. 242 p. ilus.
segundo textos escolhidos, anotados e prefa-
Narrativa incompleta da Campa- ciados por Batista Pereira. São Paulo,
nha do Contestado, região entre os
rios Uruguai e Iguaçu disputada pe-
725

Editora Nacional, 1932. 320 p. (Bra- da reforma dos programas de ensi-


siliana, v. 7) no. Em relação ao momento históri-
Na primeira parte, intitulada O co que vivia, o autor o considera um
Brasil feito pela política, há transcrição período de transição, amálgama de
de trechos relativos a aspectos so- contradições, pois pesava sobre a gera-
ciais e políticos do Brasil Contempo- ção que assistiu ao advento da Repú-
râneo; na segunda parte, artigos so- blica, a herança do passado. [3685]
bre o Exército; a terceira parte trans- Pessoa, Epitácio. Pela verdade. 2ª Ed. Rio
creve artigos sobre a religião e o es- de Janeiro, Francisco Alves 1925. 694
tado; na quarta parte, sobre a religião p.
e estado, a quinta e última parte ver- O autor, Presidente da República
sa sobre o mundo internacional, a no quatriênio 1919-1922, apresenta
língua e o ensino no Brasil. [3684] esclarecimentos sobre os principais
Pereira, Teotônio Freire e França. A Pá- atos do seu Governo, respondendo,
tria nova: estudo literário, crítico e histórico dessa maneira, às críticas de que foi
do Brasil sob o domínio da República. Re- alvo. [3686]
cife, Tip. d’O Norte, 1890. 93 p. Pestana, Francisco Rangel. O Partido Re-
publicano na Província de São Paulo, por
Procura o autor, de início, carac-
Thomaz Jefferson (pseud). Rio de Ja-
terizar o temperamento do brasilei-
neiro, Tip. Globo, 1877. 56 p.
ro; passa depois às referências sobre
o 13 de maio de 1888, que considera Artigos publicados na Província de
uma comédia, as eleições de 31 de São Paulo, em 1876, em defesa do
agosto do mesmo ano, que, segundo Partido Republicano e de seu candi-
sua opinião, não passaram de opera- dato, Dr. Américo Brasiliense de Al-
ção química e informa sobre o de- meida Melo. [3687]
senvolvimento da sátira e do panfle- Piccarolo, A. O socialismo no Brasil: esboço
to na era republicana. Trata depois de um programa de ação socialista. 3ª ed.
dos antecedentes históricos da Re- São Paulo, Editora Piratininga.
pública, mostrando as tendências re- (1932). 6 p.
publicanas do país, principalmente Partindo da idéia de que as ante-
em Pernambuco; acentua a impor- riores tentativas socialistas fracassa-
tância das datas 1710, 1789, 1817, ram porque pretenderam transplan-
1824, 1831, 1835 e 1848, que repre- tar para o Brasil, país novo ainda, o
sentam marcos da evolução genética socialismo tal qual é pregado na Eu-
republicana. Discorre sobre a impor- ropa, o autor apresenta um progra-
tância do elemento militar e popular ma prático de ação socialista, para
nos acontecimentos de 15 de no- imediata atuação. Para a elaboração
vembro, sobre a formação do Go- desse programa, faz breve estudo
verno Provisório, sobre os ataques das condições atuais do país, ocu-
dos inimigos da República. Estabelece pando-se da propriedade e forma de
um plano de reformas inadiáveis ao trabalho, da agricultura, da indústria,
progresso do país, e trata longamente das condições etnológicas, da políti-
726

ca, da legislação, da moral, das ten- ção histórica brasileira, erro capital
tativas de socialismo e de lutas de astronomia, na representação das
operárias. [3688] constelações, e grave menoscabo da
Porto, M. E. de Campos. Apontamentos estética. Nas três partes em que se
para a história da República dos Estados divide o livro, o autor procura de-
Unidos do Brasil. Rio de Janeiro, Im- monstrar essas afirmações, docu-
prensa Nacional, 1890. 2 v. ilus. mentando-as com numerosas ilustra-
O autor transcreve os artigos pu- ções. Em anexo há a transcrição dos
blicados nos jornais da Capital Fede- decretos de 4 e 19 de novembro, re-
ral sobre o episódio da Proclamação lativos à bandeira nacional. [3690]
da República e os atos oficiais do Prado, Eduardo da Silva. Coletânea, 1ª ed.
período entre 15 e 30 de novembro, São Paulo, Esc. Tip. Salesiana, 1904-
tais como: as Atas das sessões do 1906. 4 v.
Senado e Assembléia Provincial do À história da República interes-
Estado do Rio de Janeiro (16 a 22 de sam apenas os vols. 3 e 4, que con-
novembro de 1889), Decretos do têm artigos publicados pelo autor
Governo Provisório (15 a 30 de no- no Jornal do Comércio de São Paulo,
vembro de 89), Avisos expedidos nos quais critica o Governo republi-
pelo Governo Provisório (15 a 30 de cano. [3691]
novembro de 89), Ordens do Dia do Prado, Eduardo da Silva. Fastos da ditadu-
Exército e da Armada, e vários do- ra militar no Brasil. São Paulo, Esc.
cumentos concernentes ao bani- Tip. Salesiana, 1902. 366 p.
mento da família imperial. Na se- São seis artigos publicados pelo
gunda parte do livro reuniu artigos autor na Revista de Portugal, de de-
e atos oficiais dos estados da zembro de 1889 a junho de 1890,
União, relativos à Proclamação da sob o pseudônimo de Frederico de
República. [3689] S. Criticam as práticas adotadas pela
Prado, Eduardo da Silva. A bandeira na- ditadura militar republicana no Bra-
cional, 1ª Ed. São Paulo, Esc. Tip. Sa- sil, na época, em flagrante oposição
lesiana, 1903. 89 p. ilus. com as teorias liberais sustentadas
Resposta à Apreciação filosófica pelos amigos da mesma. [3692]
de Raimundo Teixeira Mendes, pu- Prado, Eduardo da Silva. A ilusão america-
blicado no Diário Oficial de 24 de no- na, 4ª ed., Rev., com um pref. e estu-
vembro de 1889 e à carta do mesmo, do biográfico do autor, por Leopol-
datada de 25 de novembro de 1889, do de Freitas. São Paulo, Livraria e
em que o chefe dos positivistas pro- Of. Magalhães, 1917. 264 p.
cura demonstrar as qualidades mo- Libelo contra as tendências nor-
rais e políticas do pavilhão republica- te-americanistas da República, escri-
no do Brasil. Segundo o autor, o to em 1893. Mostra o autor que não
exame da bandeira e dos escritos de há razão para imitarmos os Estados
Teixeira Mendes mostram que hou- Unidos, pois deles estamos separa-
ve desprezo ou ignorância da tradi- dos pela índole, língua, história e tra-
727

dição. Passa em revista a história das neiro. 90 p. (Publicação do Instituto


relações entre os Estados Unidos e Nacional de Ciência Política, nº 4).
os países da América Latina, sob o A maior parte deste trabalho já
ponto de vista político, econômico e foi apresentada ao Terceiro Con-
moral, ocupando-se mais longamen- gresso de História Nacional sob o tí-
te das relações com o Brasil a partir tulo A idéia federativa. O autor estuda
do Império, conclui que os fatos as origens da doutrina da federação
nada dizem sobre a existência real de nos Estados Unidos, e analisa os ca-
uma confraternização entre os Esta- racteres dessa fórmula política. Passa
do Unidos e as repúblicas latino- depois à idéia federativa na América,
americanas nem de uma influência estudando o problema na Argentina,
norte-americana na civilização do principalmente. Estuda depois o fe-
continente. Crê o autor que a deralismo no Brasil, desde as primei-
amizade norte-americana pelo ras manifestações federalistas na
Brasil é nula quando não interes- época colonial, a marcha e a evolu-
seira, e sua influência em nosso ção do federalismo, até a Revolução
país tem sido perniciosa. As sim- de 30. No último capítulo o autor
patias do autor pendem para a In- discorre sobre a tendência centraliza-
glaterra. A primeira edição desta dora de após 30, e caracteriza a carta
obra foi suprimida e confiscada de 10 de novembro de 1937, como
pelo Governo. [3693] expressão de um federalismo objeti-
Ramalho, Manuel de Araújo Castro. No- vo, ou seja, de centralização política
ticiário da Revolução de 15 de novembro de e descentralização administrativa.
[3695]
1889 no Brasil, por Nemo. Porto Ale- La révolution et l’armée du Brésil. Pa-
gre, Agência Literária, 1890. 246 p. ris, H.C. Lavauzelle, 1890. 16 p. (Ex-
A primeira parte consta do noti- trait de la Revue d’Infanterie)
ciário sobre os acontecimentos de 15
O artigo põe em evidência a parte
de novembro de 1889, no Rio de Ja-
considerável e essencial desempe-
neiro, e sua repercussão nos Esta-
nhada pelo Exército na Proclamação
dos, extraídos de todos os jornais do
da República. Além disso, insere
país, e principalmente, dos do Rio
breves dados biográficos sobre
de Janeiro. A segunda parte traz a
Manuel Deodoro da Fonseca,
transcrição dos atos e decretos do
Eduardo Wandenkolk e Benjamim
Governo Provisório, e da opinião
Constant. [3696]
das personalidades mais eminentes
da época, sobre o advento da Repú- Ribas, Antônio Joaquim. Perfil biográfico
blica. [3694] do Dr. Manuel Ferraz de Campos Sales,
Reichardt, H. Canabarro. Getúlio Vargas Ministro da Justiça do Governo Provisório,
e a idéia federativa: conferência pronunciada Senador Federal pelo Estado de São Paulo,
no Instituto Nacional de Ciência Política, Rio de Janeiro, Tip. Leuzinger, 1896.
no dia 24 de maio de 1941, Rio de Ja- 540 p.
Biografia de Campos Sales, ante-
rior ao seu advento à Presidência da
728

República. Narra as atividades políti- Romero, Sílvio Vasconcelos da Silveira


cas do biografado, desde as primei- Ramos. A bancarrota do regime federativo
ras campanhas eleitorais (1867), suas no Brasil: ação dissolvente das oligarquias,
atividades na Assembléia Provincial ação indispensável do Exército. Porto,
de São Paulo, a propaganda republi- Tip. a vapor de A.J. de Sousa & Ir-
cana e abolicionista, sua gestão no mão, 1912. 24 p.
Governo Provisório como ministro Reconhece o autor que a Consti-
da Justiça, na Constituinte do Esta- tuição de 1891 é o principal fator da
do de São Paulo, e como senador desordem do país e transcreve a opi-
Federal. [3697] nião de vários pró-homens do regi-
Rodrigues, F. Contreiras. Novos rumos po- me republicano, acordes em afirmar
líticos e sociais. Porto Alegre, Barcelos o estado de confusão geral, tais
Bertaso & Cia., 1933. 293 p. como, Pinheiro Machado, Rui Bar-
O autor estuda a doutrina política bosa, Quintino Bocaiúva, Sampaio
de três republicanos -- Rui Barbosa, Ferraz, e Lauro Müller. Para o autor,
Silveira Martins e Assis Brasil -- e de a causa não reside no militarismo,
três sociólogos -- Oliveira Viana, nem na reação dos civis, mas na
Jackson de Figueiredo e Alceu de Constituição que copiou o regime
Amoroso Lima -- todos da época federalista norte-americano, sem ter
contemporânea. Expõe sua opinião base nas realidades nacionais. Duas
sobre a melhor fórmula política para soluções se impõem: ou continuar a
o Brasil, que deve ser, segundo sua experiência ou adotar uma república
opinião, de conciliação entre a ques- unitária e parlamentar. Só o Exército
tão social e a questão democrática. poderia efetuar qualquer mudança,
No final do livro apresenta um esbo- pois ele é que tem sido o baluarte de
ço de Constituição. [3698] nossas conquistas democráticas. O
Rodrigues Alves, Francisco. estado do país, no momento, pode-
vide ria levar a três resultados: statu quo
Alves, Francisco Rodrigues (Filho). nos estados pertencentes a oligar-
quias de amigos; interrupções mo-
Romero, Sílvio Vasconcelos da Silveira
mentâneas e instáveis dos regimes
Ramos. O alemanismo no sul do Brasil: seus
oligárquicos nos estados cujos che-
perigos e meios de os conjurar. Rio de Janei-
fes não são da confiança do Gover-
ro, Heitor Ribeiro & Cia., 1908. 72 p.
no central, ou seja, interrupção por
Ocupando-se da propaganda do meio de presidentes militares;
alemanismo, o autor mostra a situa- substituição de oligarquias de insa-
ção dos alemães no sul do Brasil, tisfeitos por outras de protegidos.
aponta os perigos da imigração ale- Para o autor, a fórmula suprema
mã, suas conseqüências e os meios seria a da unidade política, descen-
de remediá-las. No final transcreve tralização administrativa e unifica-
um artigo de F.W.Will sobre a in- ção da justiça. [3700]
fluência que os alemães procuravam
exercer no Brasil. [3699]
729

Romero, Sílvio Vasconcelos da Silveira nheiro Machado (1912), e faz um


Ramos. O castilhismo no Rio Grande do balanço dos aspectos sociais, econô-
Sul. Porto, Of. do Comércio do Por- micos, políticos e financeiros do
to, 1912. 42 p. país, no momento. [3702]
O autor ergue a voz contra a cas- Rosa, Otelo. Júlio de Castilhos: perfil biográ-
tilhocracia oligárquica do Rio Gran- fico e escritos políticos. Porto Alegre, Li-
de do Sul, que, sob a supremacia de vraria do Globo, 1930. 518 p.
Pinheiro Machado, dominava o esta- A obra focaliza a figura de Júlio
do, inteiramente fora dos moldes de Prates de Castilhos, líder político do
todos os outros estados, prescritos Rio Grande do Sul na primeira déca-
pela Carta de 1891. [3701] da republicana. Propagandista repu-
Romero, Sílvio Vasconcelos da Silveira blicano e abolicionista dos últimos
Ramos. Estudos sociais: o Brasil na pri- anos do Império, foi depois Presi-
meira década do século XX. Lisboa, Tip. dente do Rio Grande do Sul (1891-
da A Editora Limitada, 1912. 209 p. 1903) e faleceu em 1903. Contém ar-
Mostra o autor a situação de de- tigos de crítica e doutrina, do biogra-
sordem, confusão e pessimismo do fado, escritos em defesa do regime
país, apontando a contradição entre republicano, de 1884 a 1889; de pro-
o atraso do país e o progresso da paganda republicana, escritos de
época, marcada por grandes realiza- 1884 a 1887; sobre a consolidação
ções quanto à evolução da técnica do regime republicano, na consti-
material; a contradição entre a massa tuinte; sobre sua luta contra o gover-
ignorante e a pequena elite intelec- nicho de 1891, e sua atuação na pre-
tual; entre a elite de políticos jorna- sidência do Estado do Rio Grande
listas e literatos do país e os seus co- do Sul. [3703]
legas nos países cultos; entre a ilusão Salgado, Plínio. O que é o integralismo. Rio
de possuirmos predicados de povos de Janeiro, Schmidt, 1933. 131 p.
que queremos imitar e a imitação das Definindo "o que pretende o in-
suas leis e Constituições. Em relação tegralismo", o autor declara guerra
à política, recapitula os fatos que de morte à liberal democracia, ata-
marcam a bancarrota das ilusões, cando-a na instituição do sufrágio,
desde fins do século XVIII, sendo a desde que o integralismo se propõe
última, a ilusão republicana. O autor a realizar uma democracia de fins e
ergue-se contra os que acham que a não de meios. Combate também o
política é sanável por meios políti- socialismo, pois, conforme a opinião
cos, e que pregam a restauração mo- do autor, se a liberal democracia gera
nárquica ou a revisão constitucional; a oligarquia plutocrática, o socialis-
para o autor, o problema político de- mo acelera a marcha de destruição
pende do conhecimento da estrutura da pátria e a escravização do ho-
social do país. Defende a necessida- mem. Passa depois a estudar a vida
de de estudo e não de vitupério. Es- política brasileira, desde a inde-
tuda a situação política desde o ad- pendência, apontando os males do
vento de Diogo Feijó (1834) até Pi- liberalismo democrático. Aponta as
730

ameaças que pesam sobre o Brasil, mo e federação; organização e apli-


as possíveis conseqüências, e os ob- cação do sufrágio; extensão do su-
jetivos do integralismo como remé- frágio; condições de seu exercício.
dios àqueles perigos. [3704] Em apêndice o autor insere um estu-
Salgado, Plínio. Palavra nova dos tempos no- do da evolução política do Brasil
vos. Rio de Janeiro, José Olímpio, desde a vinda de Dom João VI até o
1936. 161 p. Segundo Reinado; conclui acentuan-
O autor, chefe do movimento in- do que, graças ao exercício do Poder
tegralista no Brasil, explica as diretri- Moderador, o único cuidado da Di-
zes do movimento, seus objetivos e nastia de Bragança tem sido resistir à
seus caracteres. [3705] plena manifestação da vontade na-
Salgado, Plínio. Psicologia da revolução. 2ª cional. Para isso, o meio empregado
Ed. Rio de Janeiro, José Olímpio, no Primeiro Império foi a violência e
1935. 197 p. no Segundo, a corrupção. [3707]
Sales, Alberto. Política republicana. Rio de
O autor se dirige aos políticos e
Janeiro, Tip. Leuzinger, 1882. 573 p.
intelectuais brasileiros, apelando para
O livro se destina à vulgarização
restaurarem no Brasil o primado do
da doutrina republicana; apresenta a
espírito, da inteligência e da virtude.
sistematização completa dos princí-
A primeira parte é dedicada ao estu-
pios fundamentais que constituem o
do teórico das revoluções. A segun-
governo republicano. A primeira
da parte versa sobre o espírito do sé-
parte versa sobre a exposição da teo-
culo XIX, o perfil moral e político
ria republicana. Mostra o autor que a
da América, a formação liberal e ro-
constituição do estado deve ser im-
mântica do Brasil, a democracia bár-
preterivelmente republicana, e fede-
bara e a liberdade selvagem (situação
ral, determina os limites verdadeiros
política brasileira desde a inde-
da ação do estado por uma justa or-
pendência), o perfil do brasileiro. Na
ganização do poder político de
terceira parte da obra -- um capítulo
modo a torná-lo perfeitamente com-
apenas -- o autor prega a necessidade
patível com o desenvolvimento da
de uma revolução integralista.
iniciativa individual. Procura depois
[3706] determinar a origem do poder go-
Sales, Alberto. Catecismo republicano. São vernamental, e suas funções caracte-
Paulo, Leroy King, 1885. 174 p. rísticas, as sucessivas evoluções his-
Trabalho de vulgarização dos tóricas, que levaram esse poder a
princípios republicanos, feito com o concretizar-se na República. Apre-
objetivo de preparar a população senta ligeiro esboço da organização
para o advento definitivo do Gover- científica do estado, sua forma ante-
no republicano. Versa sobre: o obje- rior, a teoria positiva da federação, e
to da política, o poder governamen- do sufrágio universal. A segunda
tal; a lei de evolução do estado; o es- parte é uma crítica da política mo-
tado; a Constituição; a forma de go- nárquica. O autor estuda a fundação
verno; a questão da forma; unitaris- da monarquia no Brasil, a Constitui-
731

ção de 1824 e critica a política impe- novembro de 1897 a 3 de setembro


rial. Aponta os funestos males cau- de 1902, e o quadro geral das operações
sados pela política imperial, sendo de resgate das garantias das estradas de
de opinião que o mal está nas insti- ferro e da amortização das apólices
tuições, sendo necessário destruí-las. emitidas para esse fim, a que se refere
Estuda a origem e a confusão dos a Mensagem de 1902. [3709]
partidos monárquicos, e a nulifica- Santos, José Maria dos. A política geral do
ção de sua influência como órgão Brasil. São Paulo, J. Magalhães, 1930.
das necessidades públicas; suas for- 567 p.
ças são consumidas em lutas que vi- Na primeira parte da obra o autor
sam antes de tudo o interesse pes- estuda a evolução política no perío-
soal. A terceira parte do livro trata do monárquico, caracterizada pela
da reconstituição da nacionalidade afirmação do regime parlamentar.
pela República. O autor mostra a Mostra como o Parlamento se tor-
reação do país, com a formação do nou um centro de convergência de
Partido Republicano, transcreve o opiniões e como sua atividade se
manifesto de 3 de dezembro de 1870 manifestou em função dos proble-
e informa sobre a República. No úl- mas nacionais que solicitavam sua
timo capítulo intitulado Programa a se- opinião. Na segunda parte, intitulada
guir, o autor faz considerações sobre A deformação republicana, mostra o au-
a interpretação comtista dos fenô- tor a derivação do sistema parlamen-
menos sociais e declara que, segun- tar para um sistema político baseado
do o Partido Republicano, prefere no poder pessoal do chefe do esta-
ser uma força do grande fator moral do, e estuda os resultados morais e
e esperar da evolução o advento da econômicos desse regime. [3710]
República; é de opinião porém, que Senado
se deve auxiliar a evolução por meio
vide
da propaganda ativa e bem organiza-
da. [3708] Brasil, Senado.
Sales, Campos. Manifestos e mensagens, Sena, Ernesto. Rascunho e perfis: notas de
1898-1902. Rio de Janeiro, Imprensa um repórter. Rio de Janeiro, Tip. do
Nacional, 1902. 383 p. Jornal do Comércio, 1909. 710 p.
São os manifestos e mensagens Versa sobre fatos, vultos, institui-
do Presidente Campos Sales (1898- ções e episódios do Brasil monárqui-
1902), em que são ventilados os co e republicano. Segundo diz o au-
principais acontecimentos nacionais tor, são "informações tiradas de sua
do período histórico. Em apêndice carteira de repórter". Entre outros,
contém discursos do presidente na há capítulos sobre o atentado de 5
Câmara dos Deputados sobre o de novembro de 1897 sobre Antô-
acordo financeiro e a política finan- nio Conselheiro, Prudente de Mo-
ceira, o quadro do movimento diário rais, Santos Dumont, Lopes Tro-
do câmbio no período entre 14 de vão, Paulo Ney, o telégrafo no
Brasil, o correio no Brasil, a Escola
732

Naval, a Academia Nacional de Me- breve resenha da história brasileira


dicina, velhas usanças do Paço Im- desde a descoberta, até a proclama-
perial, etc. [3711] ção da República. A terceira parte
Silva, Augusto Carlos de Sousa e. O almi- contém uma relação dos atos do
rante Saldanha e a revolta da Armada: re- Governo Provisório até 1890, e a
miniscências de um revoltoso. Rio de Ja- narrativa dos fatos da proclamação
neiro, José Olímpio, 1936. 326 p. da República e dos que a seguiram.
A obra focaliza a atuação de Sal- Além disso há uma coletânea de arti-
danha da Gama na revolta da esqua- gos de fundo dos principais jornais
dra de 1893. Havendo-se oposto ao do Rio sobre a República, mensa-
levante da Armada e abstendo-se de gens e adesões dos estados, e retra-
nela tomar parte, tentou Saldanha da tos de todos os personagens que
Gama uma intervenção conciliatória, imediata ou remotamente contribuí-
juntamente com o Contra-Almirante ram para a fundação da República
Carlos Baltasar da Silveira, para ob- no Brasil. [3713]
ter a reconciliação de Custódio de Soares, José Carlos de Macedo. Deodoro,
Melo, chefe da esquadra revoltada, Rui e a Proclamação da República. São
com Floriano Peixoto, Chefe do Paulo, Pocai, 1940. 22 p.
Governo. Malogrando essas nego- É uma conferência realizada no
ciações, empenhou-se Saldanha da Palácio Tiradentes no Rio de Janeiro
Gama em minorar os efeitos dos de- em 1939, sobre o papel de Rui Bar-
sastres que a revolução acarretava bosa e Deodoro na Proclamação da
para os nela envolvidos e suas famí- República. [3714]
lias, para a Marinha em particular e Soares, José Carlos de Macedo. A política
para o Brasil em geral. Afinal, anuiu financeira do Presidente Washington Luís.
à revolta, assumindo o comando das São Paulo, Instituto D. Ana Rosa,
forças revoltosas que permaneciam 1928. 76 p.
em operações, no porto do Rio de Contém o discurso pronunciado
Janeiro. Jugulada a revolta, após bre- pelo autor na sessão solene da Asso-
ve ausência do país, assumiu Salda- ciação Comercial de São Paulo, em
nha da Gama a direção da Revolu- 26 de novembro de 1927. Versa so-
ção Federalista do Sul. [3712] bre as finanças do país, desde o ad-
Silveira, Urias A. da. Galeria histórica da vento da República e o programa fi-
Revolução brasileira de 15 de novembro de nanceiro do Presidente Washington
1889 que ocasionou a fundação da Repú- Luís. Explica o autor as três fases
blica dos Estados Unidos do Brasil. Rio desse programa financeiro, que são
de Janeiro, Laemmert, 1890. 323 p. as seguintes: estabilização, conversi-
ilus. bilidade e cunhagem do cruzeiro
Na primeira parte contém noções (circulação ouro). Para Washington
sucintas sobre o que se deve enten- Luís todos os erros do Brasil em
der por Governo, República e Mo- matéria financeira foram devidos ao
narquia. A segunda parte contém
733

papel-moeda inconversível e à con- Sucessos subversivos de São Paulo:


seqüente instabilidade cambial.[3715] denúncia apresentada ao Ex.mo Sr.
Soares, José Eduardo de Macedo. Política Dr. Juiz Federal da 1ª Vara de São
versus Marinha (por) um oficial da Mari- Paulo pelo Procurador criminal da
nha (pseud.). Rio de Janeiro, Garnier, República em comissão no Estado
s.d. 212 p. de São Paulo. Rio de Janeiro, Im-
A primeira parte da obra versa prensa Nacional, 1925. 222 p.
sobre o período 1822-1910, ou seja, É a denúncia da Revolução de
da evolução da Marinha nacional, 1924 em São Paulo, feita pela Procura-
desde sua formação, após a Inde- doria Criminal da República. [3718]
pendência, até à constituição da Taunay, Alfredo de Escragnolle, Viscon-
nova esquadra e o seu aniquilamen- de. Império e República. São Paulo, Cia.
to. A segunda parte trata das refor- Melhoramentos, s.d. 107 p.
mas, da missão estrangeira, do Esta- Coletânea de opúsculos e artigos
do-Maior e do ensino técnico. [3716] publicados nos jornais do Rio de Ja-
Sousa, João Francisco Pereira de. Psicolo- neiro e de São Paulo na última década
gia dos acontecimentos políticos sul-rio-gran- do século XIX, nos quais o autor criti-
denses. São Paulo, Monteiro Lobato & ca o regime republicano. [3719]
Cia., 1923. 169 p. Tavares Bastos
vide
Na primeira parte do livro o au-
Bastos, A. C. Tavares.
tor faz a caracterização do gaúcho,
como tipo social; ocupa-se depois da Tobias Monteiro
personalidade de Júlio de Castilhos e vide
de Pinheiro Machado. Do primeiro Monteiro, Tobias.
transcreve o manifesto de 3 de no- Torres Homem, Francisco de Sales,
vembro de 1891, escrito ao abando- Visconde de Inhomirim. O libelo do
nar a presidência do Rio Grande do povo. Lisboa, Tip. Nação, 1868. 138 p.
Sul, quando o marechal Deodoro da No primeiro capítulo o autor pas-
Fonseca dissolveu o Congresso Na- sa em revista os acontecimentos eu-
cional, assim como outros docu- ropeus de 1848, e referindo-se de-
mentos referentes a sua ação no Rio pois aos acontecimentos políticos do
Grande do Sul, em 1892, quando foi Brasil nesse ano -- queda do Partido
novamente chamado à presidência. Liberal, que urdiu a Revolução
Em relação a Pinheiro Machado, há Praieira de Pernambuco -- o autor os
vários escritos relativos ao seu assas- considera "um atentado às liberda-
sinato, ocorrido no Rio de Janeiro des". No segundo capítulo discorre
em 1915. Os capítulos restantes do sobre o antagonismo entre a sobera-
livro são destinados às críticas a Bor- nia nacional e a prerrogativa real,
ges de Medeiros, que foi por várias procurando basear-se em dados da
vezes presidente do Rio Grande do evolução histórica brasileira. No ter-
Sul, a quem acusa de haver deturpado ceiro capítulo, faz um paralelo entre
os princípios republicanos. [3717] a política imperial e a da regência
734

ressaltando os serviços desta à de- Viana, Antônio Ferreira. Discursos pronun-


mocracia. Os últimos capítulos (4 e ciados nas sessões de 14, 15 e 20 de junho
5) são dedicados ao reinado de Dom de 1883. Rio de Janeiro, Tip. Nacio-
Pedro II; o autor critica o exercício nal, 1883. 123 p.
do Poder Moderador defendendo a No primeiro discurso o autor re-
opinião de que não podia a Monar- clama contra a consolidação do Po-
quia arrogar-se o direito de escolher der Real por meio de títulos honorí-
e impor a política que deve dirigir o ficos e contra a reunião de um Con-
estado nem levantar e fazer cair, al- gresso pedagógico. No discurso de
ternadamente, os partidos, segundo 15 de junho, volta a combater a idéia
sua vontade. [3720] do Congresso pedagógico; receia os
Trovão, Lopes. Lopes Trovão no Congresso germes de revolução que podem
Nacional. I. Assembléia Constituinte, emanar dessa assembléia e solicita
de novembro de 1890 a fevereiro de sua anulação. No discurso de 20 de
1891. Rio de Janeiro, Cia. Impresso- junho, faz um estudo crítico das or-
ra, 1891. 92 p. ganizações políticas que precederam
Três páginas deste opúsculo são o advento do Ministério Martinho
dedicadas à transcrição das palavras de Campos, que estava então no po-
que o autor pronunciou em home- der; trata da discriminação e divisão
nagem a Benjamim Constant na ses- dos impostos gerais, provinciais e
são de 24 de fevereiro de 1890; as municipais, julgando inúteis todas as
demais contêm o discurso, de 17 medidas nesse sentido enquanto não
de fevereiro de 1891, pronunciado fizesse o equilíbrio entre a receita e a
pelo autor sobre o projeto constitu- despesa do Império. Ergue-se contra
cional. [3721] a idéia de reformas, anunciadas na
Vargas, Getúlio Dorneles. A nova política Fala do Trono, sendo de opinião
do Brasil. Rio de Janeiro, José Olím- que todas as reformas deviam ser
pio, 1938-41. 8 v. adiadas até que o orçamento fosse
equilibrado. [3724]
Coletânea dos discursos, manifes-
Viana, José Francisco de Oliveira. O idea-
tos e entrevistas do chefe do Gover-
lismo na evolução política do Império e da
no nos quais são ventilados todos os
República. São Paulo, Bib. do Estado
problemas nacionais desde a Revolu-
de São Paulo, 1922. 96 p.
ção de 30 até julho de 1941. [3722]
Partindo da diferença entre o
Veiga, Luís Francisco da. A primeira revol- idealismo utópico e o orgânico, o
ta militar de 15 de novembro de 1889 e a autor é de opinião que a nossa pri-
decorrente República ditatorial condenada meira geração de políticos, que presi-
pela moral, pelo direito e pela história. Rio diu à organização da Constituição, e
de Janeiro, Casa Mont’Alverne, 1900. cuja influência foi considerável até
154 p. os primeiros decênios do Império,
Diabrite contra a República e o foi uma geração de idealistas utópi-
regime ditatorial do período ime- cos, educados fora do país, sem co-
diato. [3723]
735

nhecimento das realidades nacionais, Descreve a evolução da mentali-


cultores de formas políticas peculia- dade de nossas elites, na fase de
res a outros meios sociais: o federa- transição da Monarquia para a Repú-
lismo, o parlamentarismo, o "self- blica. [3726]
government". Trata dos centros de Vidal, Ademar. 1930. História da Revolução
polarização das idéias inspiradas no na Paraíba. São Paulo, Editora Nacio-
idealismo utópico, as academias su- nal 1933. xii, 465 p.
periores, maçonaria, sociedades polí- Ocupa-se o autor do Presidente
ticas, de propaganda, literárias, reco- do Estado da Paraíba, João Pessoa,
nhecendo a influência considerável que morreu assassinado em 26 de ju-
das academias e da imprensa. Mostra lho de 1930, quando no exercício do
o autor que as várias aspirações libe- cargo, acontecimento que provocou
rais constituíram a forma objetiva uma das maiores reações de que há
dos programas dos partidos e dis- memória no país. Ao mesmo tempo
corre longamente sobre o idealismo o autor apresenta um panorama da
liberal, que se expressou pelo partido vida social, econômica e política da-
liberal de 1830, pelo progressista de quele estado, na época caracterizado
68, pelo radical de 69 e pelo republi- pela luta entre as grandes famílias
cano de 70. Sem planos de organiza- sertanejas e o Governo, entre o Ser-
ção política e administrativa, os idea- tão e o litoral. A morte do Presiden-
listas de 70 elaboraram a Constitui- te, a intervenção federal, logo em se-
ção de 91 que é obra de improvisa- guida, são antecedentes da adesão da
ção. Para o autor, os liberais que ela- Paraíba à Aliança Liberal, que teve,
boraram o Código do Processo de neste estado, um centro de propa-
32 e o Ato Adicional de 34, como a ganda revolucionária. São os seguin-
República Federativa de 89, fracassa- tes os capítulos da obra: Retrato de
ram, porque não deram importância João Pessoa; Antecedentes do ho-
à clã patriarcal, que é a base da orga- mem; Promessas e realizações; A
nização social e política da formação campanha política; Princesa; O de-
nacional. É de opinião que o povo senrolar da tragédia; Herói e santo;
brasileiro não pode elevar sua men- Desespero; A revolução. [3727]
talidade social acima do grupo pa-
Vila-Lobos, Raul. A revolta da Armada de
rental gentílico. [3725]
6 de setembro de 1893. Rio de Janeiro,
Viana, José Francisco Oliveira. O ocaso do
Laemmert & Cia., 1894. 200 p. ilus.
Império. I. Evolução do ideal monár-
quico-parlamentar; II. O movimento Crônica da revolta da Armada
abolicionista e a monarquia; III. Gê- (1893-1894), baseada em fontes do-
nese e evolução do ideal republicano; cumentais. [3728]
IV. O papel do elemento militar na Villeroy, A. Ximeno de. Benjamin Cons-
queda do Império. São Paulo, Cia. tant e a política republicana. Rio de Ja-
Melhoramentos, s. d. 212 p. neiro, 1928. 349 p.
O autor apresenta de início a bio-
grafia de Benjamim Constant, um
736

dos principais diretores do Golpe Além de dados biográficos so-


Republicano de 1889; trata depois da bre o presidente, o livro contém
organização da revolta, da proclama- discursos de sua autoria, proferi-
ção da República e a influência do dos na Câmara dos Deputados, no
positivismo na evolução de todos Congresso Constituinte e como
esses acontecimentos. Segundo o candidato à presidência do estado;
autor, a influência do Apostolado impressões e comentários da im-
Positivista foi mínima na propa- prensa paulista, do Rio de Janeiro,
ganda republicana e nula na pro- e do estrangeiro sobre sua platafor-
clamação. [3729] ma política: apreciações sobre sua
Washington Luís Pereira de Sousa, individualidade e sobre sua gestão
1897-1920: o administrador, o políti- em vários ramos da administração
co, o homem. Distribuído por oca- pública. Constam ainda trechos de
sião da sua posse na presidência do seu relatório como prefeito de Ba-
Estado de São Paulo, a 1º de maio de tatais. Prefácio de autoria de Luís
1920. São Paulo, Pocai & Comp., s. da Fonseca. [3730]
d. 243 p. ilus.
737

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Bandeiras

Alice P. Canabrava
As mais antigas referências ao expansionismo na bibliografia histó-
rica nacional constam dos primeiros documentos sobre a exploração da
costa. A carta de Américo Vespúcio a Soderini (1504), o Diário de Nave-
gação de Pero Lopes de Sousa (1530-1532), dão notícia das primeiras in-
cursões levadas a efeito no planalto interior. Essas entradas são apenas
incidentes do ciclo das expedições de reconhecimento geográfico do li-
toral brasileiro; como depoimento sobre a penetração do território, seus
elementos são vagos e falhos. Outros relatos mais minuciosos do século
XVI, como o do aventureiro alemão Ulrico Schmidel, do conquistador
espanhol Alvar Núñez Cabeza de Vaca, descreveram, com abundância
de minúcias, suas viagens de penetração pela região da mesopotâmia pla-
tina. Os trabalhos de identificação das vias trilhadas por esses explora-
dores, feita por vários estudiosos, valendo-se da perdida toponímia indi-
cada, e que documentam a existência de velhas rotas de comunicação na
parte meridional da colônia, anteriores à chegada dos brancos no conti-
nente, não lograram chegar a conclusões positivas.
Na bibliografia do século XVI as obras mais notáveis para o estudo
das expedições ao sertão, são o Tratado da Terra do Brasil e a História da
Província de Santa Cruz de Pero de Magalhães Gandavo e o Tratado Descri-
tivo do Brasil, de Gabriel Soares. O que torna sobremodo valiosos os de-
poimentos desses cronistas, não é o simples registro das entradas ao ser-
tão, de que tiveram notícia, mas o que realizaram como caracterização
do ambiente social da colônia, na época em que foram escritos. Ganda-
vo dedicou um capítulo de sua História às "grandes riquezas que se espe-
ram da terra do sertão", e Gabriel Soares, que escreveu dez anos mais
tarde, reservou a parte final do seu Tratado à descrição dos metais e pe-
738

dras preciosas do sertão baiano. Escrevendo em época em que a produ-


ção da colônia se resumia no "pau-de-trinta", ambos tenderam para a
exaltação de tesouros minerais apenas imaginados, ou quando muito,
apenas vislumbrados. Gandavo fala de "riquezas que se esperam", "de
ouro e pedrarias de que se têm grandes esperanças", enquanto Gabriel
Soares se refere ao ouro e à prata dos quais a terra da Bahia possuía
"tanta parte quanto se pode imaginar". É uma linguagem de propaganda
das possibilidades infinitas da nova terra, de riquezas que se "esperam" e
"se imaginam", a qual equivale a um convite aos seus contemporâneos
para a conquista daqueles bens materiais, únicos valores econômicos se-
gundo a teoria mercantilista da época. Desse fato resulta que a História e
o Tratado, ao invés de constituírem uma avaliação objetiva daqueles bens
econômicos da colônia, constituem antes um precioso documento de
psicologia social pelo que fixaram das aspirações coletivas da sociedade
da época. Eles registraram o otimismo do colono em face do continente
virgem, seu anseio de conquistas e a fascinação que exercia o continente
desconhecido, cujo interior, a imaginação coletiva povoava de plantas
miraculosas, de animais de lenda e de tesouros sem conta. Fruto dessa
sensibilidade de imaginação, constituem as lendas elaboradas sobre os
tesouros da "serra resplandescente", do "El Dourado", paralelo das len-
das sobre as "Sete Cidades de Cíbola", a "fonte de Bimini", que estimu-
laram as primeiras explorações espanholas nas terras meridionais da
América do Norte. O próprio Gabriel Soares não resistiu a essa mira-
gem e, com seus grandes recursos de senhor de engenho, chefiou uma
penetração no sertão baiano que lhe custou a vida.
A bibliografia do século XVII é extremamente pobre em depoi-
mentos de fonte particular sobre o bandeirismo. A lacuna é considerá-
vel, pois foi durante o século XVII que se realizou a primeira expansão
extratordesilhana sobre os domínios de Castela. Estamos longe de pos-
suir documentação similar àquela deixada pelos conquistadores espa-
nhóis, surpreendente pela abundância e pela minúcia das informações.
Nenhum dos grandes sertanistas do seiscentismo deixou o relato de suas
739

jornadas de penetração. Ao contrário do que se deu na América Espa-


nhola, cujos conquistadores foram patrocinados diretamente pelos mo-
narcas, senão financeiramente, ao menos pela concessão de direitos le-
gais, no Brasil, grande parte do movimento expansionista do século
XVII se fez à revelia das ordens da metrópole ou quando muito, apenas
com o seu consentimento tácito. Oficialmente as disposições régias pro-
curaram impedir a expansão bandeirante, por razões imperiosas da polí-
tica luso-espanhola. Por essa razão, as referências às jornadas de con-
quista nas zonas pioneiras da colonização espanhola são incidentais, sem
o objetivo propositado de prestar contas às autoridades metropolitanas
ou coloniais. Mais ainda, os caçadores de índios e exploradores de rique-
zas minerais, foram puros aventureiros, cuja atividade se desenvolveu livre-
mente à sombra do liberalismo da administração portuguesa colonial, tão di-
ferente da estreita centralização que caracterizou, desde cedo, a administra-
ção espanhola na América. Somente no século XVIII, quando se descobri-
ram as minas, é que o estado português apertou as malhas frouxas da admi-
nistração colonial, num sentido repressivo e policial, para fins de arrecadação
fiscal. Acresce que a maioria dos sertanistas era analfabeta ou pouco inclina-
da aos hábitos de escrever. Não eram impelidos por necessidades legais im-
periosas, nem pelo ufanismo de glória, que tão facilmente fazia deslizar a
pena do conquistador espanhol. É bastante significativo que o único mapa
de uma viagem seiscentista de São Paulo ao Paraguai, pela via fluvial (1627-
29), tenha sido feito por um espanhol, Dom Luís de Céspedes Xeria (Tau-
nay -- Coletânea de Mapas da Cartografia Antiga) e que a um holandês, Matias
Beck, se deva um dos poucos diários de viagem de exploração dessa época
(1649) (Rev. Trimensal do Instituto do Ceará, XVII, p. 325). Essa carência de da-
dos informativos de lavra portuguesa, sobre a grande expansão do século
XVII, vem sendo suprida, nestes últimos anos, em relação à conquista das
áreas que primitivamente pertenceram à coroa de Castela, pela pesquisa nos
arquivos de Espanha. Sobre as jornadas dos bandeirantes paulistas nos ser-
tões do Nordeste, o Arquivo Nacional tem divulgado copiosa documen-
tação nestes últimos anos (Documentos históricos).
740

É sobretudo a documentação de lavra espanhola que registra o


avanço dos grupos mamelucos de São Paulo sobre as linhas da vanguar-
da da colonização espanhola na bacia platina, representadas pelas aldeias
indígenas dirigidas pelos jesuítas. As obras dos escritores inacinos -- das
quais a bibliografia indicou apenas as mais acessíveis -- são fontes insus-
peitas para se conhecer a fundação e o crescimento das aldeias jesuíticas
da bacia platina. Como depoimento sobre os ataques dos bandeirantes
paulistas, essas obras nos parecem hoje bastante falhas quando se as
compara com o que foi revelado pela pesquisa documental contemporâ-
nea. (Anais do Museu Paulista, tomos I, II e III, Pastells -- Historia de la
Compañia de Jesús en la Provincia del Paraguay). Nos relatórios à corte de
Madri, ou às autoridades coloniais, feitos pelos jesuítas e funcionários da
Coroa, a descrição dos ataques bandeirantes emerge, quase impessoal, da
trama de considerações ditadas por preconceitos religiosos e julgamen-
tos de valor.
A obra de Frei Vicente do Salvador (História do Brasil, 1500-1627),
escrita quando se iniciava a fase dinâmica do assalto à população aborígi-
ne, assinala a mudança de objetivos das penetrações no sertão. O ponto
de vista do missionário, sobre as atividades das expedições no sertão,
que partiam "mais a buscar peças que pedras", se revela na nostalgia
com que o autor notou um desprezo imaginário pelas riquezas metálicas,
por parte dos sertanistas, os quais, diz ele, "ainda que de caminho achem
mostras ou novas de minas não as cavam nem ainda as vêem ou as de-
marcam". Nas cartas jesuíticas do século XVI, mas sobretudo nos escri-
tos do padre Antônio Vieira, nos documentos contidos nas Atas e no
Registro Geral, na legislação metropolitana sobre a escravização do índio,
é que se pode apanhar melhor o que foram os conflitos entre colonos e
jesuítas pela posse do índio, que assumiu proporções dramáticas no sé-
culo XVII. Das obras dos autores contemporâneos que se ocuparam da
expansão missionária e das rivalidades entre jesuítas e colonos, destaca-
se o trabalho de J. Lúcio de Azevedo -- Os Jesuítas no Grão-Pará. Suas Mis-
sões e a Colonização --, a História Seiscentista da Vila de São Paulo, de Afonso
741

de E. Taunay e a monumental História da Companhia de Jesus no Brasil do


Padre Serafim Leite.
O século XVIII se distingue dos anteriores, em relação à bibliografia
do bandeirismo, pela maior abundância de depoimentos de sertanistas
sobre as expedições de descoberta de jazidas minerais. A necessidade de
reivindicar a primazia dos descobertos e de fixar itinerários levou maior
número de bandeirantes a traçar o histórico de suas atividades de explo-
ração ou as de seus ascendentes. Além disso, o ciclo das expedições ofi-
ciais para a conquista das áreas estratégicas ao S.O. (Paraná ocidental e
Mato Grosso meridional), a organização administrativa e do sistema fis-
cal das novas áreas abertas pela mineração, são outros tantos fatores que
trouxeram para os registros oficiais os fatos da expansão continental. Na
segunda metade do século, quando as minas estão em plena decadência,
surgiram as primeiras memórias que pretendem apresentar o histórico
das zonas mineiras, marcando um esforço de coordenação, compilação e
retenção de notícias dispersas: tais são os Primeiros Descobridores das Minas
de Ouro da Capitania de Minas Gerais de Bento Fernandes Furtado de Men-
donça, a Memória Histórica da Capitania de Minas Gerais de José Joaquim da
Rocha, a Relação das Povoações de Cuiabá e Mato Grosso de José Barbosa de
Sá, e várias outras. Na bibliografia setecentista sobre o bandeirismo, me-
recem especial menção as obras de Pedro Taques de Almeida Pais Leme
e a de André João Antonil.
A parte mais importante da obra de Pedro Taques, a Nobiliarquia
Paulistana é um estudo dos troncos oriundos dos primeiros povoadores
paulistas, feito com objetivo genealógico. Descendente de bandeirantes,
vivendo em uma época de decadência da capitania, Pedro Taques con-
cretiza uma tendência para a fixação das glórias passadas, uma reação
sentimental contra o marasmo do momento presente, pela exaltação das
qualidades e dos feitos de seus ancestrais. Ele recolheu a mística bandei-
rante, conservada pela tradição oral. Profundamente paulista, Pedro Ta-
ques foi um intérprete do sentimento tradicionalista de seu meio; imbuí-
do de preconceitos aristocráticos e de idéias de casta, ele apenas contou
742

as glórias do patriciado paulista, pois, como lembra o título de sua obra,


não é o povo brasileiro que aparece nas páginas da Nobiliarquia, nem o
povo paulista em sua totalidade, mas apenas as principais famílias da ca-
pitania, enquadradas em títulos genealógicos.
Em Pedro Taques foi absorvente a atração do indivíduo, da perso-
nalidade humana, tão grande, que ele viu o bandeirismo apenas em fun-
ção de indivíduos, ignorando completamente o ambiente em que eles se
moveram. Por essa razão ele é sobretudo "o historiador dos bandeiran-
tes", como o chama o Prof. Taunay, ou seja, dos feitos épicos do patri-
ciado paulista. Essa tendência personalística e seus pendores aristocráti-
cos, levaram-no à ênfase de ascendências fidalgas, ao abuso de adjetivos
encomiásticos; mais ainda, atribuindo aos sertanistas uma existência
faustosa, com refinamentos de luxo e de conforto, ele forneceu uma
imagem deformada da sociedade bandeirante, que contrasta radicalmen-
te com o que se deduz dos Inventários e Testamentos sobre a singeleza de
costumes e a ausência de riqueza imobiliária.
A matéria-prima para a construção da Nobiliarquia foram os subsí-
dios da tradição oral, transmitidos pela memória dos velhos, e os ele-
mentos que recolheu em pesquisas nos arquivos da capitania, principal-
mente quando exerceu o cargo de tesoureiro da Bula da Cruzada. Por
essa razão, nem sempre suas informações são rigorosamente exatas dada
a ocorrência de dados lendários e históricos ao mesmo tempo. Os pes-
quisadores modernos vêm operando a retificação da parte histórica; a
parte genealógica foi revista por Silva Leme na sua Genealogia Paulistana.
O livro de André João Antonil, pseudônimo que oculta o verdadei-
ro nome do autor, o jesuíta João Antônio Andreoni, intitulado Cultura e
Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas, anterior ao de Taques, é com-
pletamente diverso quanto aos métodos e aos objetivos. Ao contrário
deste autor, cuja obra reflete o mundo íntimo de seus sentimentos, o tra-
balho de Andreoni prima pelo critério objetivo. Ele escreveu um relató-
rio minucioso e exato da vida econômica no Brasil no início do século
XVIII, fruto, na maior parte, de sua observação direta. Parte da obra foi
743

dedicada à mineração do ouro, valendo-se o autor de informações que


lhe foram dadas por testemunha ocular que em 1703 visitou as lavras
das Gerais. O que o preocupa, sobretudo, é esclarecer sobre as condiçõ-
es da produção da riqueza, apresentar um retrato, o mais fiel possível,
das fontes da opulência do Brasil. Daí sua extrema meticulosidade na
descrição do plantio da cana e da indústria do açúcar, da cultura do taba-
co ou da técnica de exploração do ouro e da prata e das vias de comuni-
cação que servem as minas. Não é apenas esse o valor histórico de sua
obra; além da parte analítica sobre as diversas qualidades de ouro dos ri-
beiros, o rendimento das minas, o modo de distribuição dos terrenos au-
ríferos, os processos de mineração e sobre os caminhos que levam às
Gerais, nas páginas que escreveu sobre as levas migratórias que afluíram
para as minas, o abastecimento e o alto custo de vida nos centros minei-
ros e os males decorrentes do descobrimento do ouro, ele faz reviver,
em alguns de seus aspectos mais característicos, a sociedade típica de to-
das as áreas mineiras da América ibérica colonial. Nenhuma obra da
época colonial supera a de Antonil em exatidão e em objetividade, como
nenhum autor, mais do que ele, teve o gosto da descrição minuciosa, fei-
ta em linguagem simples, clara e desapaixonada.

* * *

Os historiadores do século passado deram, em geral, pouca atenção


ao bandeirismo. O fato se explica pelo próprio conceito de História para
aqueles estudiosos, que implicava quase que o estudo exclusivo da histó-
ria política. A maioria dos historiadores, em grande parte do século XIX,
se preocupou principalmente com a história da administração colonial,
com os feitos das elites governamentais e, por essa razão, deixaram à
margem a história das bandeiras que foi, na sua essência, um movimento
das massas. Eles trataram dos fatos da expansão geográfica como episó-
dios da gestão administrativa dos representantes da Coroa. Essa técnica
foi geralmente adotada nas obras gerais de História do Brasil. Varnha-
744

gem, e mais resumidamente Rio Branco, fez a enumeração cronológica


das expedições mais conhecidas. Southey deu desenvolvimento maior
que o comum ao ciclo da mineração, graças aos documentos hauridos
nos arquivos portugueses.
A melhor contribuição do século XIX para a elucidação dos fatos
do bandeirismo, está nos subsídios fornecidos indiretamente pelas histó-
rias dos estados, pelas monografias de quadros regionais restritos. Os
autores desses trabalhos procuraram reunir informações de toda nature-
za sobre as províncias ou sobre os municípios, arrolando dados históri-
cos, geográficos, sociológicos, econômicos e estatísticos. Em geral o ca-
pítulo consagrado à exploração e à colonização do território é feito nos
mesmos moldes e ocupa a mesma importância que a notícia sobre os
governadores ou a relação dos rios da província. A parte histórica dessas
obras, entretanto, resultou quase sempre de uma pesquisa paciente nos
arquivos regionais que forneceu elementos básicos para a história da ex-
ploração do território. Por essa razão o estudioso do bandeirismo não
pode dispensar a leitura dos autores da história dos estados e dos muni-
cípios -- as memórias: histórico-geográficas, típicas da literatura histórica
da época, que permanecem fontes clássicas de informação para o histo-
riador contemporâneo: Silva e Sousa, Alencastre, Pereira da Costa, Cer-
queira e Silva, Almeida Coelho, Costa Rubim, Silva Lisboa, Pizarro e
Araújo, Baena, Alincourt, Azevedo Marques, Vieira dos Santos e outros.
Ainda como contribuição indireta dos historiadores do século XIX,
para o estudo do bandeirismo de caça ao índio, temos as obras de Ma-
lheiro Dias, de João Francisco Lisboa, que condensaram a legislação so-
bre a escravidão vermelha e os trabalhos de Machado de Oliveira, de
Rondon e de Silva e Sousa sobre o estabelecimento e a evolução das al-
deias de índios de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A maior parte das obras históricas dos autores mencionados foi
publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Durante
grande parte do século XIX o Instituto, que reuniu os homens mais no-
táveis do século, foi o principal centro de produção histórica do país; o
745

esforço de produção e de divulgação do Instituto, concretizado nas pági-


nas da Revista foi imenso. Numerosos documentos isolados, de impor-
tância fundamental para o bandeirismo estão aí transcritos. É interessan-
te notar, contudo, que eles não foram aproveitados pelos historiadores
da época, em trabalhos especializados, de investigação direta sobre o
bandeirismo.
Foi somente no último quartel do século XIX que os historiadores
nacionais voltaram a atenção para os problemas da conquista do solo.
Um dos pioneiros foi Capistrano de Abreu. Seus trabalhos trouxeram
um enriquecimento de dados sobre a parte descritiva das expedições
bandeirantes às terras auríferas. Capistrano foi o primeiro historiador
contemporâneo a tratar da influência do elemento geográfico como fa-
tor da conquista, frisando a importância histórica das grandes vias flu-
viais na formação territorial do país. Muitos problemas econômicos e
sociais do drama da dilatação geográfica do território foram referidos
por ele. Contudo, seu avanço em relação aos estudos precedentes foi re-
sultado da consulta de maior número de fontes originais referentes ao
bandeirismo, negligenciadas pelos seus contemporâneos. Mas, em virtu-
de do culto estrito da documentação, da minúcia erudita, da tendência
para os problemas de detalhe, Capistrano tendeu para a transcrição dos
dados documentais, com poucas observações rápidas.
Aliás, são os problemas de detalhe, de análise de questões de âmbi-
to restrito, que formam o conteúdo da maioria dos trabalhos da primeira
década do século XX especializados no bandeirismo. O melhor dos es-
forços dos pesquisadores se concentra em problemas de reconstrução de
itinerários, de identificação de personagens e de seus feitos, da primazia
da exploração de determinadas áreas. Tais são os trabalhos de Capistra-
no de Abreu sobre Robério Dias e sobre o povoamento de Minas; os do
geólogo norte-americano Orville Derby, sobre as primeiras explorações
do território mineiro; a monografia de Washington Luís sobre Antônio
Raposo; os artigos de Francisco Lobo Leite Pereira, de Ermelindo de
Leão, de Eduardo Prado, de Studart, de Teodoro Sampaio, de Assis de
746

Moura, de Heliodoro Pires, etc. É uma literatura histórica que consta so-
bretudo de artigos e de poucas obras de fundo. Esses estudos fragmen-
tários representam uma parcela construtiva de grande valor para a análi-
se do movimento expansionista; no total, porém, eles não foram sufi-
cientes, numerosos e variados quanto ao conteúdo, como trabalhos de
detalhe, de maneira a fornecer uma base larga para obras posteriores de
síntese. Pode-se assinalar o caráter particularista de muitos desses arti-
gos; outros resumiram questiúnculas estéreis ou fatos de importância re-
mota. Exemplo, os de reconstrução de itinerários, que constituem antes
mostras de erudição do que propriamente trabalho profícuo de recons-
trução histórica.
Na multiplicidade de estudos fragmentários se destacam, como tra-
balhos de síntese, as obras de João Pandiá Calógeras e de Diogo de Vas-
concelos. As Minas do Brasil e sua Legislação, de Calógeras, contém o his-
tórico das expedições mineradoras, da legislação mineira e dos métodos
de exploração, feito sob critério descritivo. Não é fruto de pesquisa indi-
vidual de documentos, mas tem grande valor como obra de sintetização
e mise-au-point da literatura histórica sobre o bandeirismo de mineração,
conhecida até a época em que foi publicado. Diogo de Vasconcelos foi o
primeiro historiador contemporâneo que se propôs a escrever a história
colonial de Minas Gerais. Sua obra ainda é a de um cronista; ele relatou
cronologicamente as expedições que exploraram as jazidas de Minas Ge-
rais e informou sobre o sistema fiscal da região mineira. Tendo em vista
o atual estado dos conhecimentos sobre a cronologia e os fatos da dila-
tação territorial, os autores modernos têm apontado as inexatidões do
autor. Apesar disso, a obra continua sendo um aproveitável instrumento
de trabalho, reúne informações básicas sobre a expansão da área dos
descobertos em Minas Gerais.
Dos viajantes do século XIX que visitaram a região das Minas Ge-
rais, então em decadência, Spitz e Martius e Saint Hilaire forneceram de-
poimentos os mais interessantes; Eschwege fez um estudo crítico admi-
rável da legislação mineira.
747

Os últimos trinta anos foram marcados, em relação aos estudos so-


bre o bandeirismo, por formidável atividade quanto à pesquisa docu-
mental. Um rude trabalho foi realizado pelos historiadores nacionais no
sentido na retificação da cronologia, da determinação das áreas alcança-
das, do conhecimento mais exato dos principais personagens e da exata
perspectiva de seus feitos. Algumas fases do movimento expansionista
de que se possuíam apenas pontos de referência foram descritas em mi-
núcia; bandeiras completamente ignoradas foram exumadas dos docu-
mentos, surgiram os primeiros conceitos objetivando a interpretação do
movimento, senão em conjunto, ao menos em alguns de seus aspectos
mais característicos.
Esse progresso está estreitamente relacionado com o trabalho de
divulgação das fontes originais, já iniciado no século passado pelos ar-
quivos de São Paulo e do Rio de Janeiro. A mais antiga coletânea de do-
cumentos publicada em São Paulo, os Documentos Interessantes para a Histó-
ria e Costumes de São Paulo, versa sobre os séculos XVIII e XIX; os docu-
mentos aí contidos se referem à última fase do movimento expansionis-
ta, ou seja, à conquista de Mato Grosso, de Goiás, e às expedições ofi-
ciais ao Paraná ocidental e ao sul de Mato Grosso. As mais valiosas cole-
ções para a história do bandeirismo são as Atas da Câmara de São Paulo, o
Registro Geral da Câmara de São Paulo e os Inventários e Testamentos. Estas
três séries se completam: as Atas e o Registro Geral encerram documentos
de natureza oficial sobre a vida administrativa da capitania, os Inventários
e Testamentos consignam os depoimentos de fonte particular sobre os ser-
tanistas. Enquanto os primeiros fornecem elementos indispensáveis à
história política da capitania, os Inventários e Testamentos encerram o mate-
rial básico para estudos econômico-sociais sobre a sociedade paulista da
época da expansão.
São ainda de importância fundamental, os Documentos Históricos pu-
blicados pelo Arquivo Nacional, que revelaram abundante documenta-
ção sobre o devassamento do Nordeste; os Anais da Biblioteca Nacional,
principalmente os volumes dedicados à transcrição do "Inventário dos
748

documentos relativos ao Brasil existentes no Arquivo da Marinha e Ultra-


mar", organizados por Eduardo Castro e Almeida. Além dessas coleções,
copiosa documentação esparsa e grande número de estudos indispensáveis
ao historiador das bandeiras, foram divulgados pela Revista do Arquivo Público
Mineiro, pelos Anais do Museu Paulista, Anais da Biblioteca e Arquivo Público do
Pará, Revista do Museu e Arquivo Público da Bahia, Revista do Instituto do Ceará, Re-
vista do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco, Revista do Instituto Histórico
e Geográfico de São Paulo e Revista do Arquivo Municipal de São Paulo. Apesar do
muito que já foi publicado, a documentação impressa representa apenas
uma pequena parcela, em vista do que ainda existe inédito no Arquivo e na
Biblioteca Nacional e nos arquivos portugueses e espanhóis.
A nova geração de trabalhos que veio à luz em resultado dessa pes-
quisa e divulgação das fontes primárias da história do bandeirismo, ca-
racteriza-se pela sólida base documental. A mais importante contribui-
ção, pela extensão e importância das pesquisas realizadas, foi a de Afon-
so de E. Taunay, diretor do Museu Paulista.
A História Geral das Bandeiras Paulistas, cujo primeiro volume veio à
luz em 1924, é uma análise sistemática e completa das bandeiras. Os sete
volumes publicados alcançam apenas o fim do século XVII. Os estudio-
sos que precederam ao autor no estudo do bandeirismo de caça ao ín-
dio, haviam se limitado a transcrever as asserções dos historiadores ina-
cinos na parte referente ao conflito hispano-paulista; os escritos de
Montoya, Lozano, Techo, Charlevoix, forneceram o substrato das narra-
tivas de Varnhagen, de Rio Branco, de Southey, Machado de Oliveira e
de muitos outros. O professor Taunay percebeu a importância dos de-
poimentos oficiais de lavra espanhola, da época das incursões ban-
deirantes, sendo o primeiro historiador nacional a se utilizar de docu-
mentação dessa natureza, procedente dos arquivos espanhóis. Esse
material, completamente inédito, lhe permitiu dar um desenvolvimento
e uma importância absolutamente novos ao conflito hispano-paulista.
Basta dizer que nos sete volumes de sua História, Taunay alcançou
apenas o final da caça ao índio.
749

O que define a personalidade do autor, como historiador, é o culto


da documentação; sua obra é essencialmente um trabalho de análise de
documentos, pois, como esclarece no prefácio, "não seria possível retra-
çar síntese daquilo que ainda não fora exposto e ainda menos analisado".
É de valor inestimável sua contribuição, pelo que ele descobriu, comen-
tou e divulgou em documentos sobre o bandeirismo. Seus esforços têm
se concentrado principalmente na resolução dos problemas sobre a ocu-
pação do solo, isto é, os fatos referentes à dilatação geográfica do terri-
tório. O seu Ensaio de Carta Geral das Bandeiras Paulistas focaliza o estado
atual das pesquisas nesse setor. Em conjunto, a História Geral das Bandei-
ras Paulistas, que condensa o que de importante se tem escrito sobre as
bandeiras, inclusive vários trabalhos do autor, reflete a marcha dos estu-
dos e o estado atual dos problemas históricos sobre o expansionismo,
até fins do século XVII.
Como contribuição das mais importantes destes últimos vinte
anos, ainda no terreno dos estudos sobre a expansão geográfica, temos o
Bandeirismo Paulista e o Recuo do Meridiano, do Prof. Ellis Júnior, que apro-
veitou os subsídios que continham as Atas e os Inventários para a deter-
minação da cronologia, de direção e dos participantes de muitas bandei-
ras; o livro de Basílio de Magalhães -- Expansão Geográfica do Brasil Colo-
nial, primeiro trabalho especializado, de síntese, sobre o movimento ex-
pansionista, focalizado estritamente quanto à sucessão cronológica das
entradas e bandeiras nas diversas áreas da colônia, e os Bandeirantes e Ser-
tanistas Baianos de Borges de Barros, que revelou avultada documentação
sobre o devassamento do Nordeste.
Destaca-se ainda, como produção calcada nas fontes originais di-
vulgadas neste século, o magistral trabalho de Alcântara Machado, Vida
e Morte do Bandeirante. Seguindo os moldes de rigorosa técnica histórica, o
autor se apartou do rumo tradicional dos estudos que se ocupavam da
dilatação geográfica da conquista, enveredando para o campo então
pouco explorado do estudo das condições econômicas e sociais do povo
bandeirante. Com os dados colhidos nos Inventários e Documentos ele re-
750

constituiu o quadro da vida íntima do bandeirante, fornecendo uma vi-


são concreta do padrão social e econômico do povo paulista de 1670 a
1700. Os resultados a que chegou foram surpreendentes, pois os ele-
mentos que forneceu sobre a casa, a roupa, as jóias, a baixela, a proprie-
dade rural, a organização da família, a educação e cultura dos paulistas,
conquistadores de índios e descobridores de metais preciosos, reduziram
a proporções muito modestas o padrão de vida do bandeirante. Em
contraste com a versão fantasiosa de Pedro Taques, que havia feito do
paulista seiscentista um grande potentado de maneiras polidas, rico em
bens de fortuna imobiliária, o livro de Alcântara Machado pôs à mostra
a pobreza do equipamento material da sociedade paulista e o baixo nível
das fortunas particulares. Aquela versão levou estudiosos das proporções de
Oliveira Viana a claudicarem em certas afirmações sobre o brilho e a ri-
queza da sociedade paulista bandeirante.
Outros autores, tendendo para a reflexão crítica do bandeirismo,
deixaram de lado a narração dos feitos épicos da conquista e procuraram
responder aos problemas de causalidade, estudando as condições físicas
e humanas do ambiente em que desabrochou o bandeirismo paulista,
não apenas pela análise dos documentos, mas completando a exegese
documentária com os dados fornecidos por outras ciências do homem e
pelas ciências da natureza -- a antropologia, a etnologia, a sociologia, a
psicologia social, a economia, a geografia. Assim, ao lado das circunstân-
cias históricas na evolução dos grupos da capitania vicentina, esses estu-
diosos mostraram a importância dos caracteres étnicos dos grupos ban-
deirantes. O fato de ser o bandeirante um produto da hibridação de
brancos peninsulares com ameríndios -- pois ainda se discute a participa-
ção do negro nas bandeiras -- e de profunda endogamia, foi levado em
conta para explicar a diferença de reação do paulista velho nos séculos
XVII e XVIII, inclinados, mais do que os outros grupos humanos do
Brasil Colônia, à aventura e à iniciativa. Esses trabalhos procuraram ain-
da avaliar as condições do ambiente geográfico do planalto e mostrar a
influência dos fatores naturais no condicionamento da evolução social.
751

Em capítulo dedicado ao estudo da antropologia do paulista velho, de li-


vro recentemente publicado -- Problemas Brasileiros de Antropologia -- Gil-
berto Freire insiste sobre a importância da caracterização étnica do ban-
deirante paulista e chama a atenção para a necessidade do estudo da po-
pulação em conjunto, isto é, com o exame, também, das suas relações
com o solo, com o subsolo, com a vegetação, com as águas e os mine-
rais da região, que auxiliariam, talvez, ao lado de outros fatores a inter-
pretar e a compreender o seu comportamento.
Tentativas de interpretação do bandeirante à luz de conceitos an-
tropogeográficos e sociais constam em obras de Ellis Júnior (Raça de Gi-
gantes) e de Paulo Prado (Paulística). Este autor preocupou-se com os ca-
racteres psicológicos do bandeirante, em função do meio geográfico e da
mistura racial, e insistiu sobre a existência de judeus na composição étni-
ca do paulista, que representariam "o elemento inteligente, voluntarioso,
irrequieto e nômade que outras influências mal explicam".
Os limites deste ensaio não permitem a enumeração dos trabalhos
de dezenas de estudiosos -- Carvalho Franco, Jaeguer, Calmon, Lima So-
brinho, Lamego, Moisés Marcondes, Augusto de Lima, Correia Filho,
Teschauer, Ennes e muitos outros que, pelos estudos especializados ou
de história regional, contribuíram para o melhor conhecimento da histó-
ria do bandeirismo nestes últimos vinte anos.
Não obstante os resultados fecundos das pesquisas deste século, o
estudo do bandeirismo, como processo de evolução política, econômica
e social da colônia, em conjunto, ainda não foi tentado. Não dispomos
ainda de trabalhos especializados sobre as áreas pioneiras e sua influên-
cia na vida total da colônia, à semelhança do que foi feito por Turner,
em relação às zonas pioneiras dos Estados Unidos no século XIX e sua
influência na vida política do país. Os trabalhos do Prof. Taunay (Histó-
ria Seiscentista da Vila de São Paulo, sob el-rei Nosso Senhor) focalizaram a re-
percussão do expansionismo paulista na cidade de São Paulo; outros
analisaram sua influência na vida política nacional, através do estudo iso-
lado das revoluções nativistas. Mas o estudo das zonas pioneiras como
752

expressão de novas formas de existência social e econômica e sua in-


fluência na vida total da colônia está por fazer.
Estudo dos mais interessantes seria o das cidades das zonas minei-
ras, quando no apogeu da exploração do ouro. É justamente nas áreas
pioneiras, onde se trabalham as lavras de ouro e de diamantes, que surge
a primeira forma de vida urbana, ainda instável e precária, desenvolven-
do-se na dependência estreita das vias de comunicação que partem dos
velhos centros e que recua, todas as vezes que o problema do abasteci-
mento alimentar faz a população procurar os campos de plantio ou as áreas
florestais para a colheita dos produtos da vegetação agreste como solução de
emergência. Se bem que já se tenham escrito numerosas monografias sobre
as cidades fundadas nas velhas áreas da mineração, ainda não surgiu um es-
tudo que fizesse viver "historicamente" uma cidade da mineração no século
XVIII, em todos os seus aspectos de cidade pioneira, que surge com rapidez
em meio dos terrenos auríferos, apertada em vielas estreitas, encimada de
torres de numerosas igrejas e capelas, borbulhando de aventureiros de toda
espécie, de fornecedores de mercadorias, técnicos de mineração e de pedras
preciosas, padres prófugos, escravos e poderosos magnatas das minas.
Não possuímos ainda um estudo em conjunto das correntes co-
merciais que se desenvolveram paralelamente com os centros de minera-
ção, primeiro esboço do comércio interprovincial, que incrementou o
desenvolvimento das indústrias coloniais, fazendo-as extravasar do qua-
dro municipal para o campo mais largo do comércio interno colonial. É
esse um problema importante pois é o desenvolvimento do comércio e
da exploração do ouro que cria as condições necessárias para o apareci-
mento da riqueza imobiliária, da moeda, enfim, com todas as transfor-
mações sociais decorrentes desse fato. Igualmente útil seria o estudo do
deslocamento da base econômica da simples depredação da riqueza na-
tural -- as jazidas minerais -- para a criação local da riqueza, com o esta-
belecimento da propriedade agrícola e escravocrata sobretudo nas terras de
Minas, São Paulo e do Rio de Janeiro, graças às levas de população que no
início do século XIX abandonaram as lavras auríferas em decadência.
753

* * *

O balanço do estado atual das pesquisas sobre o bandeirismo mos-


tra que o esforço principal dos historiadores nacionais tem sido dirigido
para os fatos da expansão geográfica. Como diz bem o Prof. Taunay no
prefácio do tomo III da sua História Geral das Bandeiras Paulistas, "o esta-
do atual dos estudos sobre o bandeirismo é ainda o da fase da descober-
ta da documentação, o da interpretação dos elementos esparsos e de
reunião por vezes difícil, exigindo indispensável concatenação". Como
resultado do formidável trabalho destes últimos anos, os problemas rela-
tivos ao cadastro da ocupação para outros estudos de interpretação de
reflexão crítica do bandeirismo nunca seria demasiado salientar a contri-
buição do Prof. Taunay. Os historiadores já estão de acordo sobre os
pontos mais importantes da cronologia da conquista, sobre a área geo-
gráfica devassada pelas bandeiras, sobre a atribuição exata dos feitos es-
senciais da ocupação do solo aos respectivos sertanistas. No que concer-
ne ao estudo compreensivo do bandeirismo, como processo de evolução
econômica, social e política da colônia, as obras sobre os problemas de
causalidade, de caracterização da sociedade bandeirante nos séculos
XVII e XVIII resumem os primeiros esforços nesse sentido. Um campo
fértil para novas pesquisas está aberto aos estudiosos nesse setor.
755

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Bibliografia

Abreu, João Capistrano de. Caminhos an- Brasil, Rio de Janeiro, set. e out.
tigos e povoamento do Brasil. S. 1., Bri- 1885).
guiet 1930. 271 p. Os documentos publicados pelo
Coletânea de vários trabalhos es- autor neste trabalho, permitiram o
parsos, a maioria já publicada em re- conhecimento mais exato das expe-
vista no país. O capítulo que dá dições sergipanas do século XVII. A
nome ao livro é uma síntese das li- Robério Dias, personagem obscuro
nhas de penetração ao longo das e nulo, os antigos cronistas atri-
quais se fez o povoamento do Brasil. buíam erradamente as façanhas de
No artigo intitulado "Os primeiros seu pai, Belchior Dias Moréia, e as
descobridores de Minas" (já publica- de seu neto, Belchior da Fonseca Sa-
do pela Rev. Arq. Pub. Mineiro, v. 6, raiva Dias Moréia, cognominado o
Belo Horizonte, 1901, p. 365-377), o Miribeca. O trabalho de Capistrano
autor esclareceu sobre a primeira pe- restabeleceu a verdade histórica so-
netração em território de Minas Ge- bre os fatos. [3732]
rais, atribuindo-a a Francisco Brás Abreu, Manuel Cardoso de. Divertimento
de Espinosa, em 1553. O livro insere admirável para os historiadores curiosos ob-
a "Narração da viagem e descobri- servarem as riquezas do mundo reconheci-
mento que fez o Sargento-Mor das nos sertões da navegação das minas do
Francisco de Melo Palheta no rio da Cuiabá e Mato Grosso e extraído pela cu-
Madeira e suas vertentes, por ordem riosidade incansável de um sertanista pau-
do Sr. João da Maia Gama, do Con- listense, que os calculou sucessivos uns pou-
selho de Sua Majestade, que Deus cos de anos. (Rev. Inst. Hist. Geo.
guarde governador e capitão-general Bras. v. 77, 2ª pte., Rio de Janeiro,
do Estado do Maranhão, cuja via- 1914, p. 125-156).
gem e expedição se fez no ano pri- Descrição minuciosa da rota de
meiro do seu governo; e se gastou navegação para as minas de Mato
nela desde 11 de novembro de Grosso. Constitui documento valio-
1722 até 21 de setembro de 1723"; so como depoimento sobre a nave-
trata-se de um documento desco- gação dos rios no século XVIII.
berto e publicado pela primeira Além de breve descrição da cidade
vez pelo autor, valioso como um de Cuiabá o autor informa sobre a
dos poucos relatórios sobre ban- navegação do rio Iguatemi e o presí-
deiras fluviais. [3731] dio do mesmo nome, fundada em
Abreu, João Capistrano de. Robério Dias e 1767. O capítulo final versa sobre a
as minas de prata, segundo novos documen- cidade de São Paulo, a extensão da
tos. (Rev. Sec. Soc. Geo. Lisboa no capitania de São Paulo e principais
756

povoações: traz uma notícia de território do Piauí, pois mostraram


como se sustentam economicamente em definitivo a participação paulista
seus moradores. [3733] na debelação dos índios bravos do
Alcântara Machado, José de. Nordeste e na posse do território do
vide Pará, por meio de fazendas de gado.
Oliveira, José de Alcântara Machado de. Entre esses documentos, está o tes-
tamento de Domingos Afonso Ser-
Alencastre, José Martins Pereira de. tão, o descobridor do Piauí, feito na
Anais da província de Goiás. (Rev. Inst. Bahia, em 1711. [3735]
Hist. Geo. Bras., Rio de Janeiro, Alincourt, Luís d’. Resultado dos traba-
1864, 1865, 27 (2ª p.), 28 (2ª p.): 5- lhos e indagações estatísticas da provín-
186 e 229-349; 5-167). cia do Mato Grosso, por Luís d’Alin-
Obra clássica escrita em 1863. court, sargento-mor engenheiro, encarre-
Faz o estudo da história de Goiás, gado da Comissão estatística e topográ-
por períodos cronológicos desde as fica acerca da mesma província. Rio de
primeiras explorações do território, Janeiro, Imprensa Nacional, 1835
até o primeiro quartel do século (An. Bibl. Nac., Rio de Janeiro,
XIX. O autor se ocupa das expedi- 1877, 1880, 3 e 8: 68-161 e 225-
ções exploradoras, dos impostos so- 278; 39-142).
bre a mineração, dos meios de co- A primeira parte do trabalho foi
municação, das rendas do comércio, inteiramente dedicada ao que o autor
da agricultura, dos aldeamentos indí- chamou de "Estatística Geográfica e
genas, etc. [3734] Natural"; contém uma descrição
Alencastre, José Martins Pereira de. Me- geográfica e a avaliação da produção,
mória cronológica, histórica e corográfica da da flora e fauna de Mato Grosso;
Província de Piauí. (Rev. Inst. Hist. um capítulo é dedicado às condições
Geo. Bras. v. 20, Rio de Janeiro, da mineração da época. A segunda
1857, p. 5-164). parte, "Estatística política e civil e
Na primeira parte do trabalho eclesiástica", com informações sobre
consta uma cronologia que abrange o governo, população, as forças mili-
o período de 1674 a 1843. A segun- tares, o clero, as manufaturas. A ter-
da parte contém resenha sobre a his- ceira versa sobre a história da pro-
tória do Piauí até a independência: víncia, comércio e de rendas fiscais.
na terceira consta descrição geral dos A obra, 1828, é resultado das obser-
recursos da província; na quarta par- vações pessoais do autor. [3736]
te, além de dados sobre a geografia Almeida, Cândido Mendes de. Memória para
física, o autor apresenta enumeração a história do extinto Estado do Maranhão, cujo
das comarcas, com as respectivas ci- território compreendia hoje as províncias do Ma-
dades, vilas, povoados, fazendas, sí- ranhão, Piauí, Grão- Pará e Amazonas, coligi-
tios e a divisão eclesiástica. Os docu- das e anotadas por Cândido Mendes de Almei-
mentos publicados no final, sob o tí- da. Rio de Janeiro, Tip. do Comércio de
tulo de Notas, são de grande valor Brito Braga, 1860, 1874. 2 vols. XII --
para a história do devassamento do LXXII -- 556 -- VIII p. (O 2º vol. foi
757

impresso na Tip. de J. Paulo Hilde- Antonil, André João, pseud. Cultura e


brando). opulência do Brasil por suas drogas e minas,
Coletânea de memórias raras, so- por André João Antonil. Com um estudo
bre as regiões citadas, incluindo o bibliográfico por Afonso de E. Tau-
Ceará, que faz parte do Estado do nay. São Paulo, Caieiras, Rio (de Ja-
Maranhão até 1727. Escritas nos sé- neiro) Companhia Melhoramentos
culos XVIII, fornecem subsídios de São Paulo, 1923. 280 p. 1ª edição,
para a história da primeira explora- Lisboa, 1711.
ção e povoamento da área indicada. Obra escrita no início do século
Entre outros documentos coevos, XVIII: seu autor se revela um dos
aqui transcritos assinalam-se: A rela- mais meticulosos e argutos observa-
ção sumária das coisas do Maranhão, dores da época colonial. Publicada
pelo capitão Estácio da Silveira pela primeira vez em Lisboa, em
(1624); o Nuevo descubrimento del Gran 1711, a edição foi quase toda confis-
Rio de las amazonas por el Padre Chisto- cada pelo governo português que
val de Acuña (1641); a Jornada do Ma- desejava impedir a divulgação das ri-
ranhão, de Diogo de Campos More- quezas do Brasil; salvaram-se apenas
no (1614): "Navegação feita da cida- poucos exemplares. Obra básica,
de do Grão-Pará até a boca do rio sem paralelo na literatura histórica
Madeira, pela escolta que por este nacional, como fonte de informação
rio subiu às minas do Mato Gros- sobre a vida econômica do Brasil
so... No ano de 1749, escrita por nos princípios do século XVIII. Para
José Gonçalves da Fonseca no mes- o bandeirismo são de importância a
mo ano"; a "Relação da Serra de 3ª e a 4ª partes da obra, referentes às
Ibiapaba", pelo padre Antônio Viei- minas de ouro e ao gado. O autor
ra, S. J. e os "Excertos da Relação fornece dados meticulosos e preci-
anual dos Padres da Cia. de Jesus", sos sobre a técnica da mineração, os
pelo padre Fernão Guerreiro da caminhos para as minas os impostos
mesma Companhia: todos no 2º vo- sobre a mineração, as conseqüências
lume. O 1º volume foi dedicado à imediatas da descoberta das minas
transcrição da "História da Compa- de ouro, a expansão do gado e a
nhia de Jesus na Extinta Província condução das boiadas. [3739]
do Maranhão", pelo Padre José de Araújo, José de Sousa Azevedo Pizarro
Morais. [3737] e. Memórias históricas do Rio de Janeiro
Almeida, Francisco José de Lacerda e. e das províncias anexadas à jurisdição do
Diário da viagem pelas capitanias do Vice-Rei do Estado do Brasil, dedicadas
Pará, Rio Negro, Mato Grosso e São a El-Rei Nosso Senhor Dom João VI.
Paulo, nos anos de 1780 a 1790. São Rio de Janeiro, Imprensa Régia,
Paulo, 1844. [3738] 1820-1822, 9 vols. (Os vols. 7-8 fo-
Andreoni, João Antônio S. J. ram impressos na Tipografia de Silva
vide Ponto e C., e o vol. 9 na Impressão
Nacional).
758

Trabalho dos mais completos so- Azevedo Marques


bre a história religiosa do Brasil; o vide
Autor faz a crônica da província do
Marques, Manuel Eufrásio de Azevedo.
Rio de Janeiro até 1808 e das capita-
nias anexas à jurisdição do vice-rei Baena, Antônio Ladislau Monteiro. En-
do Estado do Brasil. Contém subsí- saio corográfico sobre a província do Pará.
dios sobre o bandeirismo de caça ao Belém do Pará, 1839. [3743]
índio e de mineração, e em geral, so- Barreto, Abílio Velho. Sumário do Códice
bre a história econômica e social do 11 (Antigo nº 10) da Seção Colonial, refe-
Brasil. [3740] rente aos anos 1717-1721. Cartas, or-
Azevedo, João Lúcio de. Épocas de Portu- dens, despachos, bandos ou editais
gal econômico. Esboços de História. Lis- do Governador das Minas Gerais, D.
boa, Livraria Clássica Editora, 1929. Pedro de Almeida e Portugal (Conde
498 p. de Açumar). (Rev. Arq. Pub. Minei-
ro, v. 24, Belo Horizonte, 1933, p.
O capítulo VI da obra, intitulado
439-708). [3744]
Minas de ouro e diamantes, é um exce-
lente resumo sobre os esforços e as Barreto, Benedito Bastos. No tempo dos
realizações na descoberta do ouro bandeirantes. Desenhos do autor. 2ª
nos séculos XVI a XVIII, as conse- edição. São Paulo, Departamento de
qüências imediatas de seu descobri- Cultura, 1940. 326 p. ilus.
mento no terreno econômico, social Ensaio de reconstituição da so-
e financeiro, o sistema de arrecada- ciedade paulista dos séculos XVI a
ção fiscal e a exploração dos dia- XVIII. O Autor, conhecido dese-
mantes. O Autor ainda se ocupa das nhista, lançou mão de sua arte para
estatísticas relativas ao volume das ilustrar fartamente a reconstituição
exportações de ouro do Brasil co- social, no que reside o principal mé-
lonial. [3741] rito da obra. [3745]
Azevedo, João Lúcio de. Os jesuítas no Barros, Francisco Borges de. Bandeirantes
Grão-Pará; suas missões e a colonização: e sertanistas baianos. Bahia, Impr. Of.
bosquejo histórico com vários documentos do Estado, 1920. 244 p. ilus.
inéditos. Lisboa, Livraria Editora Ta- Obra fundamental para o estudo
vares Cardoso & Irmãos, 1901. 366p. das bandeiras baianas. Os capítulos
ilus. não estão estruturados segundo um
Obra baseada em documentos encadeamento cronológico, mas reú-
inéditos, de grande objetividade. In- nem, sob epígrafes diversas, farta
dispensável para o estudo da expan- documentação inédita do Arquivo
são missionária na região amazônica, da Bahia sobre a atividade dos ban-
analisa com imparcialidade o confli- deirantes baianos, principalmente
to entre a Ordem e os colonos por dos Ávilas. Trouxe esclarecimentos
causa da escravização do gentio e a de valor inestimável sobre a conquis-
política da Coroa e a pombalina, até ta e povoamento da região nordestina
a extinção da Ordem. [3742] e central. Saiu publicada nos Anais do
759

Arquivo Público e Museu do Estado a região percorrida, desde a partida


da Bahia, v. 4-5, Bahia, 1919. [3746] de São Paulo, até sua chegada ao
Batista, José Luís. História das entradas: de- Pará, onde foi ter, quatro meses e
terminação das áreas que exploraram. onze dias após a separação do grupo
(Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., tomo es- matriz. O documento é datado de
pecial consagrado ao Primeiro Con- 1734; foi escrito em Minas Gerais,
gresso da História Nacional, 2ª pte. no local denominado Passagem de
Rio de Janeiro, 1915, p. 174-219). Congonhas, para onde se havia
O autor discute o conceito de en- transladado o autor, após oito meses
trada e dá uma notícia sobre cada de estadia no Pará. [3748]
uma das principais entradas, desde Beck, Mathias. Diário da expedição de Mathias
1531 até 1603. [3747] Beck em 1649; tradução do holandês
Braga, José Peixoto da Silva. Notícias que por Alfredo de Carvalho (Rev. Inst.
dá ao R.R. Diogo Soares o alferes José Pei- Hist. Geo. Ceará, v. 17, Livro do Tri-
xoto da Silva Braga, do que passou da pri- centenário do Ceará, Fortaleza, 1903,
meira bandeira que entrou ao descobrimento p. 325-404).
das minas dos Guaiases, até sair na cidade Diário da viagem de exploração
de Belém do Grão-Pará. (Rev. Inst. Hist. feita pelo holandês Mathias Beck,
Geo. Bras. v. 69, 1ª. pte. Rio de Ja- para descobrir jazidas minerais. As
neiro, 1908, p. 217-233). explorações na região de Itarema e
Documentos dos mais antigos Maranguape deram em resultado o
sobre o descobrimento de Goiás, o achado de prata, mas em quantidade
único que trata especialmente da insignificante. A notícia da capitula-
bandeira de Bartolomeu Bueno da ção holandesa em 1654 dispersou os
Silva, o Anhangüera Júnior a essa re- expedicionários. [3749]
gião. Encarregado de chefiar uma Belmonte, pseud.
bandeira ao sertão goiano, em 1721,
vide
onde estivera com seu pai, o Anhan-
güera velho, aos 12 anos de idade, Barreto, Benedito Bastos.
Bartolomeu Bueno da Silva partiu de Berredo, Bernardo Pereira de. Anais his-
São Paulo em junho de 1722. A ex- tóricos do Estado do Maranhão em que se
pedição seguiu o rumo Norte, atra- dá notícia do seu descobrimento e tudo o
vessou o rio Grande, o atual triângu- mais que nele tem sucedido desde em que foi
lo mineiro e o rio Parnaíba e devas- descoberto até o de 1718, descritos por
sou as terras centrais e meridionais Bernardo Pereira de Berredo. Lisboa.
do atual estado de Goiás. O Autor Na Oficina de Francisco Luís Ame-
desta notícia abandonou a bandeira, no, 1749. 13 fl. s.n. -- 710 p. 3ª edição
juntamente com alguns companhei- com um estudo sobre a vida, a época
ros em meio à peregrinação pelas e os escritos do autor. Florença,
terras goianas, possivelmente, na al- 1905.
tura do rio Paraná em Goiás. No seu O autor, que foi governador do
depoimento, narra minuciosamente estado do Maranhão, estabeleceu a
todos os acontecimentos e descreve data de seu empossamento no cargo
760

(1718), como limite final de seu tra- Síntese do movimento expansio-


balho. A obra é uma crônica dos nista de origem baiano. [3752]
acontecimentos militares, religiosos Bittencourt, Pedro Calmon Moniz de.
e políticos; os fatos sociais e econô- História da Casa da Torre. Uma dinastia
micos aparecem rara e ocasional- de pioneiros. Rio de Janeiro, José Olím-
mente. É escrita em estilo rebusca- pio, 1939. 210 p. ilus.
do. Contudo, constitui uma das fon- Este estudo, que o Autor cha-
tes mais importantes para o estudo mou de "uma dinastia de pionei-
da colonização do Maranhão pela ros", versa sobre Garcia Ávila e
narração minuciosa dos fatos, ainda seus descendentes, famosos criado-
que prolixa. É uma das principais res de gado e desbravadores dos ser-
fontes de informação sobre a expe- tões do Nordeste nos séculos XVI e
dição do bandeirante Antônio Rapo- XVII. Garcia d’Ávila (o velho), que
so Tavares, que saiu de São Paulo chegou ao Brasil em 1549 com o pri-
em 1648, atingiu o Paraguai, ganhou meiro governador-geral, construiu
o rio Guaporé, o Mamoré e o Ma- em Tatuapara, no litoral da Bahia, na
deira e, descendo o Amazonas, foi segunda metade do século XVI, a fa-
ter à fortaleza de Santo Antônio do mosa Casa da Torre, mansão dos
Gurupá, no Pará, em 1651. [3750] Ávilas, única no Brasil como tipo de
Betendorf, João Filipe. Crônica da missão arquitetura medieval. O castelo de
dos Padres da Companhia de Jesus no Es- Tatuapara serviu de base para formi-
tado do Maranhão (1699). (Rev. Inst. dável expansão latifundiária dos Ávi-
Hist. Geo. Bras., v. 72 (1ª pte.); Rio las, principalmente durante o século
de Janeiro, 1910, VII -- 697 p. XVII; seus domínios, que somente
O autor, missionário jesuíta no no rio S. Francisco abrangiam cerca
Maranhão, onde chegou em 1661, de 250 léguas de testada constituí-
foi superior da missão, de 1669 a ram a maior riqueza imobiliária que
1674 e de 1690 a 1693. Sua obra, es- jamais houve no Brasil. O livro, es-
crita em linguagem simples, sem ri- crito em estilo ameno, constitui a
gorosa sistematização cronológica, primeira tentativa no gênero, na lite-
alcança até o ano de 1699. Escrita ratura histórica nacional. [3753]
em obediência a ordens superiores, é Calmon, Pedro.
principalmente, como indica o pró-
vide
prio título, uma crônica sobre a ex-
pansão missionária, no antigo Esta- Bittencourt, Pedro Calmon Moniz de.
do do Maranhão. [3751] Calógeras, João Pandiá. As minas do Bra-
Bittencourt, Pedro Calmon Moniz de. A sil e sua legislação. Rio de Janeiro, Im-
conquista. História das bandeiras baianas. prensa Nacional, 1904-1905. 3 v.
(Tese de concurso à Cadeira de His- XIV -- 477, 627 -- VIII, 334 -- 243 p.
tória do Brasil da Escola Normal do Trata-se de um parecer apresen-
Rio de Janeiro). Rio de Janeiro, Im- tado à Câmara dos Deputados (Co-
prensa Nacional, 1929. 229 p. missão especial de minas). O vol. 1º
se ocupa do ouro, diamantes e pe-
761

dras coroadas; o 2º vol. trata do fer- fundaram, em 1680, a Colônia do


ro, manganês, cobre, combustíveis Sacramento, que constituiu uma fon-
prata e substâncias diversas; o 3º vo- te de disputas ultra-seculares. A pri-
lume foi dedicado ao Direito minei- meira parte do primeiro volume, de-
ro. O Autor apresenta para cada ca- dicada aos documentos sobre as ten-
pítulo, o histórico das descobertas e tativas portuguesas de expansão ter-
informa sobre a técnica de explora- ritorial no Rio da Prata, anteriores a
ção. A obra representa um trabalho 1680, inclui alguns documentos sobre
valioso de condensação e de inter- a expansão paulista nas áreas das mis-
pretação de vasta bibliografia sobre sões jesuíticas do Paraguai. [3756]
o assunto. [3754] Campos, Antônio Pires de. Breve notícia
Camelo, João Antônio Cabral. Notícias que dá o capitão Antônio Pires de Campos,
práticas das minas do Cuiabá e Goiases na do gentio bárbaro que há na derrota da via-
capitania de São Paulo e Cuiabá que dá o gem das minas do Cuiabá e seu recôncavo
rev. padre Diogo Soares o capitão João An- (1723). (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras.
tônio Cabral Camelo, sobre as viagens que v. 25, Rio de Janeiro, 1862, p. 437-
fez às minas do Cuiabá no ano de 1727. 449).
(Rev. Inst. Hist. Geo. Bras. v. 4, Rio Documento escrito na época da
de Janeiro, 1842, p. 352-390). descoberta das minas de Mato Gros-
Documento escrito na época de so; de grande valor, pela notícia mi-
rush para as minas do Mato Grosso. nuciosa das tribos indígenas que se
Descreve a rota fluvial de São Paulo encontravam no caminho para aque-
a Cuiabá, com notícia minuciosa dos la região. [3757]
rios navegados, distância em dias de Cardoso, Ramon I. El Guairá. História de
viagem, sistema de viagem, locais ha- la antiga provincia. 1554-1676. Buenos
bitados, tribos indígenas, etc. Apre- Aires, Librería y Casa Editora de Je-
senta uma descrição da cidade de sus Menéndez, 1938. 195 p. ilus.
Cuiabá, onde o Autor chegou a 21 Monografia sobre a antiga pro-
de novembro de 1727, e um relato víncia de Guairá, situada entre os
sobre o estado dos descobrimentos rios Paranapanema e o Iguaçu onde
auríferos na região, nessa época.
[3755] os missionários fundaram, a partir
Campaña del Brasil. Antecedentes Co- de 1610, as reduções indígenas.
loniales. Buenos Aires, Gmo, Kraft Essa área foi teatro dos ataques
Ltda., 1931. 3 v. LXXXIII -- 571, dos bandeirantes paulistas de 1628
XLI -- 498, XLIV -- 540 p. (Publica- a 1670. [3758]
ção do Archivo General de la Na- Carvalho, Alfredo. Minas de ouro e prata
ción.). no Brasil oriental; explorações holandesas
Documentos referentes ao confli- no século XVII. (Rev. Inst. Hist. Geo.
to hispano-português e pertencentes Ceará, v. 20, Fortaleza, 1906, p. 96-
aos anos de 1535 a 1778. Dizem res- 111; Rev. Inst. Hist. Geo. Pernambuco,
peito, principalmente, ao conflito na v. 11, nº. 64, Recife, 1904, p. 769-
região platina, onde os portugueses 800).
762

Resenha das pesquisas holandesas (que foi advogado da vila de Cuiabá)


para a descoberta de riquezas minerais e nos documentos dos arquivos da
no Nordeste brasileiro. [3759] Provedoria da Fazenda e Intendên-
Carvalho Franco, Francisco de Assis. cia do Ouro. Informa sobre o desco-
vide brimento das terras e minas de Mato
Franco, Francisco de Assis Carvalho. Grosso, povoamento da capitania,
tributação, regulamento das casas de
Castro, Evaristo Afonso de. Notícia des-
fundição, sobre os governadores e
critiva da região missioneira da província de
autoridades mais importantes da ca-
São Pedro do Rio Grande do Sul. Cruz
pitania, comércio, guerra contra os
Alta. 1887. [3760]
índios e os espanhóis, etc. [3762]
Charlevoix, Pièrre François Xavier de. Coelho, José João Teixeira. Instrução para
Histoire du Paraguay. Paris, Chez De- o governo da capitania de Minas Gerais por
saint, David, Durand, 1757. 6 v. ilus. José João Teixeira Coelho, Desembargador
Obra clássica; completa na época da Relação do Porto, 1780. (Rev. Inst.
em que foi escrita e de larga divulga- Hist. Geo. Bras., v. 15, Rio de Janei-
ção. Serviu de base para os escritos ro, 1852, p. 257-476 ou Rev. Arq.
da maior parte dos historiadores na- Publ. Mineiro, v. 8, Belo Horizonte,
cionais que se ocuparam da destrui- 1903, p. 399-581).
ção das aldeias jesuíticas espanholas O documento, segundo o Autor,
pelos bandeirantes paulistas no sécu- se destinava aos governadores da ca-
lo XVII. Hoje, à vista da documen- pitania, mas é uma monografia das
tação descoberta, revela-se superfi- mais completas sobre as condições
cial e inexata; aliás, o Autor nunca econômicas sociais e políticas da ca-
esteve no Paraguai. Em virtude da pitania de Minas Gerais; contém in-
importância que o Autor deu à fun- formações interessantes sobre o pe-
dação das províncias jesuíticas e aos ríodo de decadência da mineração.
ataques dos bandeirantes paulistas, Serviram-lhe de base, documentos
a obra constitui um dos melhores da Secretaria de Minas Gerais e da
trabalhos da literatura clássica jesuí- Contadoria Real da Fazenda e da In-
tica. [3761] tendência de Vila Rica. De início
Coelho, Filipe José Nogueira. Memórias consta uma notícia sobre as comar-
cronológicas da capitania de Mato Grosso cas da capitania e respectivas vilas, e
principalmente da Provedoria da Fazenda uma série de reflexões sobre as atribui-
real e Intendência do Ouro. (Rev. Inst. ções dos funcionários reais. Segue-se
Hist. Geo. Bras. v. 13; 2ª ed., Rio de o histórico da capitania, desde as pri-
Janeiro, 1872, p. 137-199). meiras expedições que atingiram o
Crônica da capitania de Mato território até o ano de 1779. Cons-
Grosso desde as primeiras descober- tam estatísticas sobre o rendimento
tas de ouro pelo paulista Pascoal do quinto do ouro, os contratos
Moreira Cabral em 1718, até 1780. reais, a exploração dos diamantes e
O autor, segundo declara, se baseou considerações sobre as causas da de-
nos Anais de José Barbosa de Sá cadência da capitania. [3763]
763

Costa, Francisco Augusto Pereira da. No- minas do Rio das Contas, sobre os
tícias sobre as comarcas da província do meios de acesso às minas, sobre o
Piauí: a conformidade dos Avisos do Mi- estado das explorações auríferas nes-
nistério da Justiça de 28 de setembro de sa área, o abastecimento das lavras e a
1883 e 14 de outubro de 1884, e da ordem expansão dos descobertos. [3766]
do Exmº Sr. Presidente da Província, Dr. Couto, José Vieira. Memória sobre as minas
Raimundo Teodorico de Castro Silva. Te- da capitania de Minas Gerais; suas des-
resina, Tip. da Imprensa. 1885. crições, ensaios e domicílio próprio,
Trata-se de uma relação das co- à maneira de itinerário, com um
marcas do Piauí com dados geográfi- apêndice sobre a nova Lorena Dia-
cos e históricos sobre cada uma de- mantina, sua descrição e suas produ-
las. Trabalho consciencioso, de valor ções mineralógicas e utilidade que
informativo sobre o devassamento deste país possam resultar para o es-
do Nordeste. [3764] tado. Escrita em 1801 pelo Dr. José
Costa, José de Resende. Memória histórica Vieira Couto. Rio de Janeiro, Laem-
sobre os diamantes, seu descobrimento, con- mert, 1842. (Rev. Arq. Pub. Mineiro,
tratos e administração por conta da real fa- v. 10, Belo Horizonte, 1904, p. 55-
zenda; modo de os avaliar; estabelecimento 166).
da fábrica de lapidação; sua extinção e esta- O Autor dá conta do que obser-
do presente no Brasil por José de Resende vou em viagem pela capitania de Mi-
Costa. Rio de Janeiro, Tip. Imper. e nas Gerais em 1800; seu relatório,
Const. de J. Villeneuve e Ca., 1836. sob a forma de diário, é bastante in-
38 p. [3765] teressante como o panorama, na
Costa, Miguel Pereira da. Relatório apresen- época de completa decadência da
tado ao vice-rei Vasco Fernandes César mineração, quando "tudo são ruínas,
pelo mestre-de-campo de engenheiros Miguel tudo despovoação". [3767]
Pereira da Costa. Quando voltou da Co- Demonstração dos diversos caminhos de que os
missão em que fora ao distrito das Minas moradores de São Paulo se servem para os
do Rio das Contas. (Rev. Inst. Hist. rios Cuiabá, e Província de Cochiponé.
Geo. Bras., v. 5, Rio de Janeiro, (An. Mus. Paulista, v. I, São Paulo,
1843, p. 36-57). 1922, p. 455-464)
O Autor dá conta de sua viagem Documento do segundo quartel
à área mineradora do rio das Contas do século XVIII; descreve os vários
na Bahia, que visitara em comissão caminhos para as minas de Mato
do rei, a fim de informar sobre a Grosso. [3768]
possibilidade de acesso, que oferecia Derby, Orville A. As bandeiras paulistas de
a região a qualquer tentativa estran- 1601 a 1604. (Rev. Inst. Hist. Geo.
geira, procedente do litoral. Seu de- São Paulo, v. 8, São Paulo, 1904, p.
poimento, datado da Bahia 15 de fe- 399-423).
vereiro de 1721, contém preciosas Estudo de identificação das ban-
informações sobre a zona sertaneja deiras saídas de São Paulo no perío-
que percorreu desde Cachoeira às do indicado. [3769]
764

Derby, Orville A. Os primeiros descobrimen- Notícia histórica sobre a antiga


tos de ouro em Minas Gerais. (Rev. Inst. capitania de Minas Gerais, escrita em
Geo. São Paulo, v. 5, São Paulo, 1781, por autor ignorado. Trata dos
1901, p. 240-278). descobrimentos de ouro e de dia-
O Autor resume as primeiras jor- mantes, da administração eclesiástica
nadas de penetração que alcançaram e civil, dá uma notícia sobre as vilas
o território de Minas Gerais até o da capitania com as respectivas fre-
início do século XVIII. Apresenta guesias e registros (Vila Rica, Ouro
uma tentativa de reconstituição dos Preto, Sabará, Vila Nova da Rainha,
roteiros descritos em vários docu- Príncipe, São João d’El-Rei, São José
mentos, dos quais apresenta transcri- e M. Novas), do quinto do ouro e
ção integral. [3770] casas de fundição e das forças mili-
Derby, Orville A. Os primeiros descobrimen- tares. [3773]
tos de ouro nos distritos de Sabará e Caeté. Descrição que faz o capitão Miguel
(Rev. Inst. Hist. Geo. São Paulo, v. 5, Aires Maldonado e o capitão José
São Paulo, 1901, p. 279-295). de Castilho Pinto e seus compa-
O autor discorre sobre os desco- nheiros dos trabalhos e fadigas
brimentos de ouro na região de Sa- das suas vidas que tiveram nas
bará, mostrando, à luz da docu- conquistas da capitania do Rio de
mentação, que foram posteriores Janeiro e São Vicente com a gen-
às do distrito de Ouro Preto (Mi- tilidade e com os piratas nesta
nas Gerais). [3771] costa. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v.
Descoberta de diamantes em Minas 56, 1ª pte., Rio de Janeiro, 1893, p.
Gerais. (Rev. Arq. Pub. Mineiro, v. 345-400).
2, Ouro Preto, 1897, p. 271-282). Trata-se do chamado Roteiro dos
Documentos relativos às desco- Sete Capitães, documento datado do
bertas de diamantes realizadas por Rio de janeiro, 21 de janeiro de
Bernardo da Fonseca Lobo no Serro 1961. O Autor informa como obte-
do Frio, termo da Vila Nova do ve, juntamente com seis outros com-
Príncipe, em Minas Gerais, em 1723- panheiros, uma grande sesmaria nas
1724, e reivindicadas por Silvestre terras compreendidas entre o rio
Garcia do Amaral, que reclamava Macaé e o cabo de São Tomé, no
haver sido seu primeiro descobridor, Rio de Janeiro. Descreve a jornada
em 1727. [3772] empreendida para o reconhecimento
Descrição geográfica, topográfica, da região, efetuada em 1631-32; a
histórica e política da capitania de partilha amigável do território entre
Minas Gerais; seu descobrimento, os sete possuidores, assim como os
estado civil, político e das rendas contatos com os índios. Segue-se o
reais, 1781. (Rev. Inst. Geog. Bras., relato das novas viagens à região,
v. 71, 1ª pte., Rio de Janeiro, 1909, p. onde estabeleceu os primeiros cur-
117-197). rais de gado em 1633-34. Na última
parte conta como se viu despojado
de grande parte do território. Segun-
765

do Vieira Fazenda (T. 71, 1ª pte., p. 2ª ed., São Paulo, Editora Nacional,
5-21 da mesma Revista), o docu- 1934. 327 p. (Brasiliana, v. 36).
mento é apócrifo, pois, segundo sua Trabalho básico como contribui-
opinião, encerra incongruências e ção original sobre a cronologia, reti-
anacronismos, sobrelevando o fato ficação de itinerários e revelação de
de ter Maldonado falecido em novas bandeiras, ignoradas ou ape-
1650. [3774] nas supostas, na época em que o
Documentação espanhola: documen- Autor escreveu a obra. Sólida base
tos do Archivo general de Índias em documental. [3778]
Sevilla. (An. Mus. Paulista, v. I, São Ellis, Alfredo (Júnior). Raça de gigantes. A
Paulo, 1925, 2ª pte., p. 1-334; v. 5, civilização do planalto paulista. Estudo da
São Paulo, 1931, 2ª pte., p. 3-324). evolução antropossocial e psicológica do pau-
Documentos básicos para o estu- lista dos séculos XVI, XVII, XVIII e
do do conflito hispano-paulista nas XIX e das mesologias física e social do pla-
áreas ocupadas pelas missões jesuítas nalto paulista. São Paulo, Editorial El-
espanholas. Foram copiados do Ar- lis Limitada -- Novíssima Editora,
chivo General de Índias, em Sevilha, 1926. 372 p.
por iniciativa do prof. Afonso de
O Autor procura explicar a per-
E. Taunay, diretor do Museu Pau-
sonalidade do paulista da época co-
lista; constam em transcrição in-
lonial à luz de conceitos antroposso-
tegral. [3775]
ciológicos e psicológicos. Estuda
Documentos para a história da con-
ainda a gênese e evolução do regime
quista e colonização da costa Les-
social e a condição da propriedade
te-Oeste do Brasil. Rio de Janeiro,
rural em São Paulo. [3779]
Oficina Tipográfica da Biblioteca
Nacional, 1905. 322 p. Enes, Ernesto. As guerras dos Palmares
Coletânea de documentos data- (subsídios para a sua história) 1º vol.,
dos dos anos de 1612-1648; refe- Domingos Jorge Velho e a Tróia Negra,
rem-se à conquista e colonização 1687-1700; pref. de Afonso de E.
dos territórios atuais do Amazonas, Taunay. São Paulo, Editora Nacional,
Pará e Maranhão. [3776] 1938. 501 p. (Brasiliana, v. 5).
Documentação sobre a expedição de Versa sobre a conquista dos Pal-
Guarapuava: matrícula da tropa e mares reduto de escravos fugidos,
despesa feita com ela, 1769-1775. localizado no sertão de Alagoas, rea-
(Bol. Arq. Municip. Curitiba, v. III, lizada com o auxílio dos sertanistas
Curitiba, 1906, p. 63-100; v. V, Curi- de São Paulo. Trabalho valioso pela
tiba, 1908). [3777] quantidade de documentos inéditos
Ellis, Alfredo (Júnior). O bandeirismo pau- que trouxe à luz, pertencentes ao Ar-
lista e o recuo do Meridiano: pesquisas nos quivo Colonial Português; revelou
documentos quinhentistas e setecentista pu- uma série de ajustes e de negocia-
blicados pelos governos estadual e municipal. ções militares feitas com os bandei-
rantes paulistas, preliminares às
operações de guerra, e novos sub-
766

sídios sobre o primeiro povoamento autoria do piloto José Inácio que


de Piauí. A maior parte da obra é acompanhou Sousa e Faria na pene-
dedicada à transcrição de docu- tração acima indicada e dela deu no-
mentos. [3780] tícia. A terceira notícia prática sobre
Eschwege, W. C. von. Pluto Brasiliensis... a abertura do caminho de Curitiba
von W. C. von Eschwege. Berlin, G. Rei- (sem data), foi escrita pelo coronel
mer, 1833. [3781] Cristóvão Pereira de Abreu, que veio
Faria, Francisco de Sousa e. Notícias prá- da Colônia a Laguna e daí a Curitiba,
ticas do novo caminho que se descobriu das em seguida à expedição de Sousa e
campanhas do Rio Grande da Nova Colô- Faria (1731). [3782]
nia do Sacramento, para a vila de Curitiba Faria, José Custódio de Sá e. Diário da
no ano de 1727, por ordem do gover- viagem que fez o brigadeiro José Custódio
nador e general de São Paulo, Antô- de Sá e Faria da cidade de São Paulo à
nio da Silva Caldeira Pimentel. (Rev. praça de Nossa Senhora dos Prazeres do
Inst. Hist. Geo. Bras., v. 69, 1ª pte., rio Iguatemi, 1774-1775. (Rev. Inst.
Rio de Janeiro, 1908, p. 235-259). Hist. Geo. Bras., v. 39, 1ª pte., Rio de
Contém três documentos sobre a Janeiro, 1876, p. 217-278).
abertura da rota de comunicação da Antecede o Diário, uma carta de
colônia do Sacramento para Curiti- José Custódio de Sá e Faria e Marti-
ba, caminho do gado que vinha dos nho de Melo e Castro, datada de 4
campos do sul. A expedição encarre- de fevereiro de 1775, em que o sig-
gada desse trabalho partiu de São natário discorre sobre o valor estra-
Paulo a 20 de setembro de 1727, sob tégico da fortaleza de Iguatemi e as
a chefia do sargento-mor de cavala- condições da região em que está lo-
ria Francisco de Sousa e Faria. A pri- calizada. O Diário, propriamente,
meira notícia prática, de autoria de descreve a viagem efetuada desde
Sousa e Faria, foi escrita em feverei- São Paulo, de onde partiu Sá e Faria
ro de 1738 perto do Rio Grande de São em 3 de outubro de 1774, até a for-
Pedro; descreve a viagem de Santos a taleza de Iguatemi (Mato Grosso),
Santa Catarina e daí a Laguna, por onde chegou em 30 de novembro
terra, e, rumo sul ao sítio dos Con- do mesmo ano. Consta em anexo
ventos no rio Araranguá, local em um mapa do itinerário da viagem. O
que o Autor iniciou a 11 de fevereiro documento é um dos poucos do sécu-
de 1728 a abertura do caminho para lo XVIII, relativos à viagem pelos rios;
Curitiba onde chegou em 1730. In- pertence à fase de expansão da segun-
clui o Roteiro do Sertão e minas do da metade dos século XVIII, por meio
Inhangüera, vindo da vila de Curiti- de bandeiras oficiais. [3783]
ba para elas, que descreve o caminho Fernão Dias Pais, o descobridor das es-
de Curitiba para as minas do sertão meraldas. Conselho ultramarino, 1682.
da enseada das Garoupas e Ilha de Copiados por Capistrano de Abreu. (Rev.
Santa Catarina. A segunda notícia Arq. Pub. Mineiro, v. 19, Belo Hori-
prática, escrita no Porto do Rio zonte, 1926, p. 152.190).
Grande de São Pedro, em 1738, é de
767

Documentos referentes aos servi- do de umas e outras minas e novos descobri-


ços prestados por Fernão Dias Pais, mentos de ouro e diamantes. (Rev. Inst.
chefe, entre outras expedições, de Geo. Bras., v. 22, 1ª pte. Rio de Ja-
uma das mais famosas entradas à neiro, 1866, p. 352-390).
Serra de Sabarabuçu, em Minas Ge- Documento de grande valor para
rais, onde se acreditava existir minas o estudo da expansão das descober-
de prata (1674-1681). Atestados de tas auríferas em Mato Grosso de
serviços e outros documentos so- 1736 a 1750; ao mesmo tempo dá
bre Fernão Dias Pais, acompa- notícia sobre a população da capita-
nham o requerimento do seu filho, nia, o custo de vida, rios, etc. No fi-
o capitão-mor Garcia Rodrigues nal, apresenta uma descrição da cida-
Pais, que solicitava para si e seus de de Cuiabá no meado do século
dois filhos, o foro de fidalgo da XVIII. [3787]
casa real e o hábito da Ordem de Franco, Francisco de Assis de Carvalho.
Cristo, em razão dos serviços pres- Bandeiras e bandeirantes de São Paulo,
tados no descobrimento das minas Editora Nacional, 1940. 340 p. (Bra-
de ouro. [3784] siliana, v. 157).
Ferrand, Paul. L’or à Minas Gerais. (Bré-
Ensaio de sistematização do movi-
sil). Belo Horizonte, Imprensa Ofi-
mento das bandeiras paulistas, basea-
cial, 1913. 2. v. 172, 149 p., ilus.
do em extensa bibliografia. [3788]
Além do histórico das expedições Franco, Francisco de Assis de Carvalho.
exploradoras no território de Minas Os companheiros de Dom Francisco de
Gerais, o Autor faz uma excelente Sousa. Rio de Janeiro, Edição da So-
descrição dos métodos de explora- ciedade de Capistrano de Abreu, 1929.
ção; informa ainda sobre os impos- (Prêmio Capistrano de Abreu de 1928).
tos, as casas de fundição e as leis que 46 p. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras. v.
regulamentavam a exploração das 159, Rio de Janeiro, 1929, p. 95-136).
minas na época colonial. O estudo
O Autor se ocupa das atividades
inclui as condições da exploração
de Dom Francisco de Sousa e de
após a independência. [3785]
seus colaboradores, na pesquisa de
Ferreira, Francisco Inácio. Dicionário geo-
jazidas minerais, no período de 1591
gráfico das minas do Brasil. Rio de Janei-
a 1605, quando aquele desempenhou
ro, Imprensa Nacional, 1885. 356 p.
as funções de sétimo Governador-
Trata-se, não apenas de um con- Geral do Brasil, e de 1609 a 1611,
junto importante de informações quando exerceu o cargo de governa-
geográficas, mas também históri- dor das capitanias do Sul. Acentua a
cas, compiladas de bibliografia so- importância desse período, como
bre o bandeirismo, de grande valor ponto de partida para a sistematiza-
informativo. Necessita ser atuali- ção dos trabalhos de investigação de
zado. [3786] metais e da mineração, donde adveio
Fonseca, José Gonçalves da. Notícia da a constituição posterior das bandei-
situação de Mato Grosso e de Cuiabá, esta- ras paulistas, que se tornaram "levas
768

disciplinadas, com divisões militares, índios Mainas, em fevereiro de 1692.


com ouvidores de campo, escrivães O documento informa sobre as tri-
partidores, capelães e roteiros pre- bos indígenas da região, particular-
estabelecidos." [3789] mente sobre os jurimáguas, aisuares
Freire, Felisbelo Firmo de Oliveira. His- e manaves, sobre seus trabalhos de
tória de Sergipe (1575-1855). Rio de Ja- missionário e sobre a disputa entre
neiro. Tip. Perseverança, 1891. 424 p. espanhóis e portugueses pela posse
Obra clássica, com informações das terras amazônicas. O Diário é
valiosas sobre o devassamento do acompanhado de numerosas notas
Nordeste, desde 1575, data do início de Rodolfo Garcia, que em extensa
da conquista de Sergipe. [3790] introdução, trata da biografia do Pa-
dre Samuel Fritz (1654-1708), da
Freire, Felisbelo Firmo de Oliveira. His-
conquista portuguesa da Amazônia e
tória territorial do Brasil. vol. I: Bahia,
dos conflitos entre portugueses e
Sergipe, e Espírito Santo, Rio de Ja-
castelhanos nessa região. [3792]
neiro, Tip. do Jornal do Comércio, 1906.
532 p. Gandia, Enrique de. Las misiones jesuíticas
y los bandeirantes paulistas. Buenos Ai-
É o primeiro e único volume de
res, Editorial La Facultad, 1936. 92 p.
uma série que o Autor pretendia pu-
blicar sobre a gênese e a evolução do Versa sobre os ataques às missõ-
povoamento no território nacional. es jesuíticas do Paraguai pelos ban-
São de bastante interesse as informa- deirantes paulistas. [3793]
ções dadas pelo Autor sobre a ex- Gay, João Pedro, Cônego. História da Re-
pansão do gado no Norte. [3791] pública Jesuítica do Paraguai; desde o
Fritz, Samuel, Padre. O diário do padre Sa- descobrimento do Rio da Prata, até
muel Fritz. Com introdução e notas aos nossos dias, ano de 1861. 2ª. ed.
de Rodolfo Garcia. (Rev. Inst. Hist. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional,
geo. Bras. v. 81, Rio de Janeiro, 1918, 1942. 644 p.
p. 325-397). Trabalho de compilação dos au-
Trata-se de diário de viagem reali- tores inacinos; contém descrição
zada nos anos de 1689 a 1691, pela minuciosa da fundação e cresci-
região amazônica, pelo Padre Fritz. mento das aldeias jesuíticas espa-
Este missionário saiu da redução de nholas da bacia platina. As eruditas
São Joaquim dos Índios Omaias, em notas de Rodolfo Garcia atualiza-
fim de janeiro de 1689 e, visitando ram a obra. [3794]
as aldeias de índios situados no per- Guimarães, José da Silva, Cônego. Me-
curso, chegou à cidade de Belém, em mória sobre os usos, costumes e linguagem
11 de setembro do mesmo ano. De- dos apiacás, e descobrimento de novas minas
tido nesta cidade, por ordem do go- na província de Mato Grosso. (Rev. Inst.
vernador, somente em 8 de julho de Hist. Geo. Bras., v. 6, Rio de Janeiro,
1691 o padre Fritz empreendeu a 1865, p. 305-325).
viagem de volta, atingindo a aldeia Em anexo a essa memória sobre
de Laguna, cabeça das missões dos os apiacás, índios que habitam o rio
769

Arinos em Mato Grosso, o autor Holanda, Sérgio Buarque de. Monções,


transcreveu alguns documentos refe- Rio de Janeiro, Edição da Livraria
rentes às lendárias minas dos Martí- Editora da Casa do Estudante do
rios, serra resplandescente do ouro e Brasil. 1945. 255 p., ilus.
cristais, localizada, segundo a crença Valendo-se de excelente docu-
popular, nos sertões de Goiás. Tais mentação, o autor apresentou, com
são: o Roteiro para os Martírios indo em este trabalho, valiosa contribuição à
canoa pelo ribeiro de Goiás, a Notícias de história das bandeiras, pela análise a
Antônio Pires de Campos, fornecidas que procedeu, da técnica dos meios
por Antônio do Prado Siqueira no de transportes e de comunicação,
ano de 1719, sobre o roteiro para os utilizados pelas monções. Dos mais
Martírios e as Notícias das minas dos importantes é o documento divulga-
Martírios oferecidas ao governador e capi- do pelo autor, sobre a técnica de mi-
tão-geral Luís d’Albuquerque de Melo Pe- neração na época colonial: Memória
reira e Cáceres, por João Leme do Prado. q’J. e M. el de Segrª Presbº Secular... sobre
A lenda dos Martírios provocou vá- a decadência atual das três Capitanias de
rias jornadas de penetração no terri- Minas e os meios d’a Reparar; no Anno
tório goiano, na segunda metade do de 1802. Mss. do Arquivo da Diretoria
século XVIII, e no século XIX. de Engenharia do Ministério da Guer-
Contudo, em virtude da imprecisão ra. Excelentes ilustrações. [3797]
das indicações, os roteiros aqui men- Informação do Brasil e de suas capi-
cionados de nada valeram aos que tanias, 1584. (Rev. Inst. Hist. Geo.
neles se inspiraram. [3795] Bras., v. 6, Rio de Janeiro, 1844, p.
Guzmán, Rui Dias. La Argentina: história 404-435).
de las Províncias del Rio de la Plata. Documento anônimo de grande
(Anales de la Biblioteca, publicación de interesse pelas informações sobre o
documentos, relativos al río de la Pla- estado do povoamento na época em
ta, com introdución y notas por P. que foi escrito; informa sobre o início
Groussac. v. 9, Buenos Aires, 1914, da escravização do gentio. [3798]
p. 1-346). Informações sobre as minas do Bra-
A crônica de Guzmán, escrita em sil. (An. Bibl. Nac., v. 57, Rio de Ja-
1612, trata do povoamento da meso- neiro, 1939, p. 155-186).
potâmia platina; foi retificada por Documento anônimo, escrito nos
Paul Groussac, cujas notas eruditas últimos anos do século XVII ou iní-
corrigiram e ampliaram o texto no cio do século XVIII. Trata da mine-
que havia de falho, obscuro e confu- ração do ouro em São Paulo, em Pa-
so à luz da documentação moderna. ranaguá, do povoamento das capi-
Para o bandeirismo, são valiosas as tanias do Sul, dos contratos e quin-
referências às mais antigas comuni- tos reais, das esmeraldas de Espíri-
cações estabelecidas entre o planalto to Santo. A parte mais importante
paulista e os centros povoados da do documento é a que dá notícia
região paraguaia-platina. [3796]
770

dos caminhos para as áreas de mine- uma exaltação às virtudes e aos tra-
ração. [3799] balhos missionários de Montoya, o
Jaboatão, Antônio de Santa Maria, Frei. grande jesuíta que doutrinou no Pa-
Novo Orbe Seráfico Brasílico ou Crônica raguai; é profundamente influencia-
dos Frades menores da Província do Brasil. da pelos princípios religiosos do au-
Impressa em Lisboa em 1761 e reim- tor. Os volumes III e IV se ocupam
pressa por ordem do Instituto Histó- das expedições dos bandeirantes con-
rico e Geográfico Brasileiro. Rio de tra as reduções jesuíticas. [3802]
Janeiro, Tip. Brasiliense de Maximia- Juzarte, Teotônio José. Diário da navega-
no Gomes Ribeiro, 1858-1861. 2 ção do rio Tietê, rio Grande, Paraná, e rio
ptes. em 5 v. Iguatemi; em que se dá relação de to-
O autor, frade franciscano da das as cousas mais notáveis destes
Província de Santo Antônio do Bra- rios, que se encontram ilhas, perigos
sil, escreveu a obra quando encarre- e de tudo acontecido neste diário,
gado de escrever a crônica dessa pelo tempo de dous anos e dous me-
província, desde a chegada dos pri- ses, que principia em 10 de março de
meiros missionários (1585). Como 1769. (An. Mus., Paulista, v. I, São
crônica da Ordem, é trabalho minu- Paulo, 1922, p. 41-118).
cioso e prolixo; além disso, constam É um diário de viagem para a co-
informações concernentes à explora- lônia de Iguatemi, presídio fundado
ção e à colonização do país. No final à margem do rio Iguatemi (sul de
do 5º volume, constam notas ratifi- Mato Grosso), com o fito de assegu-
cadoras, notas de autoria do Cônego rar na região a posse portuguesa. O
J. C. Fernandes Pinheiro. [3800] autor chefiava uma expedição de
Jaeguer, Luiz Gonzaga, Padre. As invasões socorros, composta de 36 canoas
bandeirantes no Rio Grande do Sul. em que se transportavam cerca de
(1635-1641). 2ª edição corrigida e au- 800 pessoas. Segundo o prof. Tau-
mentada. Porto Alegre, Tipografia do nay, o depoimento de Juzarte
Centro S.A., s.d. 60 p. constitui o documento mais valio-
Resenha das bandeiras paulistas que so do século XVIII, relativo às via-
operaram em território do Rio Grande gens pelos rios. [3803]
do Sul, de 1607 a 1641. [3801] Knivet, Anthony. Narração da viagem que,
Jarque, Francisco. Ruiz Montoya en Indias. nos anos de 1591 e seguintes, fez Antônio
(1608-1652). Por el Dr. D. Francisco Knivet da Inglaterra ao Mar do Sul, em
Jarque. Madrid, Victoriano Suárez, companhia de Thomas Cavendish. Tradu-
1900. 4 v. 1ª edição, Saragoza, 1662. ção do holandês. (Rev. Inst. Hist.
O autor dirigiu-se ao Paraguai, Geo. Bras. v. 41, 1ª pte., Rio de Ja-
com destino às reduções, em 1627, neiro, 1878, p. 183-272).
mas em virtude do precário estado Depoimento de um aventureiro
de saúde, deixou a Ordem, à qual inglês que caiu prisioneiro dos por-
porém continuou ligado por laços de tugueses e depois dos índios, tendo
grande afeição. Sua obra constitui palmilhado larga zona litorânea do
771

vale do Paraíba. Segundo Teodoro ção integral de uma série de docu-


Sampaio, que fez um estudo crítico mentos. [3805]
deste documento (Rev. Inst. Hist. Latif, Miran M. de Barros. As Minas Ge-
Geo. Bras. tomo especial consagra- rais. A aventura portuguesa, a obra paulis-
do ao Primeiro Cong. de Hist. Nac., ta, a capitania e a província. Rio de Ja-
v. 2, Rio de Janeiro, 1915, p. 345- neiro, Editora S.A. A Noite, s.d. 208
390), não teria sido redigido pelo p., ilus.
próprio herói dos acontecimentos, Escrevendo uma obra de vulgari-
mas ditado por ele, ou segundo no- zação sem citação bibliográfica e
tas dele. De qualquer maneira é um isenta de qualquer preocupação eru-
relato cheio de vida, no qual o aven- dita, o Autor forneceu uma visão pa-
tureiro inglês conta o que conseguiu norâmica bastante sugestiva de Mi-
reter de memória de seu longo cati- nas Gerais colonial. Além do relato
veiro entre brancos e índios. A nar- das bandeiras que efetuaram a pri-
rativa ressente-se da falta de rigorosa meira exploração do território minei-
seqüência cronológica e nem sempre ro e de informações sobre a técnica
são exatas as datas dos acontecimen- de exploração e a política fiscal da
tos. Em relação ao bandeirismo é de metrópole, o Autor reserva vários
grande interesse o relato das incur- capítulos à formação social de Mi-
sões portuguesas para cativar índios, nas, discorrendo sobre o povoado, a
nas quais o autor tomou parte. É um casa, a igreja, na época das explora-
dos poucos depoimentos sobre a pe- ções das lavras auríferas, as condições
netração do território no século em que se efetua a fixação à terra do
XVI. A presente versão de José Hi- bandeirante explorador de metais, as
gino Duarte Pereira, foi feita da tra- relações entre o escravo e o senhor,
dução holandesa e compreende ape- a mistura das raças, a influência da
nas parte da obra. O original em in- Igreja, a formação do sentimento
glês consta em Purchas his Pilgrimes, nativista e regionalista, assim como
IV Parte. London, 1625. [3804] do brasileirismo artístico, repre-
Lamego, Alberto. A terra goitacá à luz de sentado pelo florescimento das ar-
documentos inéditos. Paris, L’Édition d’- tes plásticas e literárias em Minas,
Art. 1913-1925. 3. v., ilus., 459, 518, no século XVIII. Duas aquarelas
569 p. servem de excelente ilustração, so-
Obra baseada em documentos bre Minas Gerais no século XVIII e
inéditos procedentes dos arquivos um núcleo minerador, na mesma
portugueses; básica para a história época. [3806]
do devassamento do território flumi- Leão, Ermelindo Agostinho de. Heliodoro
nense. Trouxe esclarecimentos de Eoabanos. (Rev. Inst. Hist. Geo. São
valia sobre a personalidade de Salva- Paulo, v. 13, São Paulo, 1911, p. 415-
dor Correia de Sá e Benevides que 434).
foi governador e administrador geral É um trabalho de identificação de
das minas de São Paulo de 1637 a obscuro personagem cujo nome está
1643. No vol. III consta reprodu- ligado ao devassamento do território
772

paranaense. Segundo o Autor, trata- São Paulo. O Instituto Hist. e Geog.


se do filho de célebre poeta-historia- Brasileiro publicou, em 2ª edição, o
dor tedesco, Eoabano Hesses. Em primeiro volume da obra, sob o títu-
1552 habitava a região do Bertioga; lo Nobiliarquia paulistana, histórica e ge-
foi o descobridor das minas do lito- nealógica. 2ª edição acrescida de uma parte
ral meridional de São Paulo e Norte inédita. Com uma biografia de Pedro Ta-
do Paraná. [3807] ques e estudo crítico de sua obra por Afon-
Leme, Pedro Taques de Almeida Pais. so de Escragnolle Taunay. E uma concor-
Informação sobre as minas de São Paulo. dância com a obra do Dr. Luís Gonzaga
A expulsão dos jesuítas do colégio de São da Silva Leme e a própria Nobiliarquia,
Paulo. Com um estudo sobre a obra de Pe- por Augusto de Siqueira Cardoso.
dro Taques por Afonso de E. Taunay. (Tomo especial da Rev. Inst. Hist.
São Paulo, Caleiras, Rio, Editora Geo. Bras., v. 1, Rio de Janeiro,
Comp. Melhoramentos de São Paulo, 1926, 434 p., ilus.). O segundo e o
s.d. 215 p. terceiro volumes da obra foram pu-
blicados em 2ª edição pelo Instituto
Escrita em 1772, a Informação
Histórico e Geográfico de São Paulo.
compreende a crônica de São Paulo
(Vols. 39 e 39 bis da Rev. Inst. Hist.
e dos sertões de sua capitania, desde o
Geo. São Paulo, 1940, 1944, 532. 87
ano de 1597 até 1770. Contém os fa-
p.). [3809]
tos mais importantes da expansão
paulista, até esta data, no que diz Lemos, Vicente de. Capitães-mores e gover-
respeito à exploração das minas. Vá- nadores do Rio Grande do Norte. 1º vol.
rios documentos estão transcritos Rio de Janeiro, Tip. do Jornal do Co-
integralmente no texto, entre os mércio, 1912. 118p.
quais o regimento de D. Rodrigo de Relação dos capitães-mores e go-
Castel Branco, enviado como admi- vernadores do Rio Grande do Nor-
nistrador das minas de Itabaiana, em te, com uma notícia informativa so-
1673; o regimento das terras mine- bre cada uma dessas autoridades.
rais de 1679 e o de 1680. [3808] Baseia-se em documentos da Câma-
Leme, Pedro Taques de Almeida Pais. ra de Natal. Em anexo transcreve as
Nobiliarquia paulistana. Genealogia das patentes reais dos capitães-mores e
principais famílias de São Paulo, coligida governadores. A obra é de valor in-
por Pedro Taques de Almeida Pais Leme formativo sobre o devassamento do
(Rev. Inst. His. Geo. Bras., v. 32 a Nordeste. [3810]
35, Rio de Janeiro, 1869-1872). Lima, Augusto de. Documentos relativos ao
Estudo minucioso dos troncos descobrimento de diamantes na comarca do
oriundos dos povoadores de São Serro Frio, copiados e conferidos por Au-
Paulo. Constitui não apenas um livro gusto de Lima. (Rev. Arq. Pub. Minei-
fonte para os estudos genealógicos ro, v. 7, Belo Horizonte, 1902, p. 63-
relativos à população paulista, mas o 355).
é também para a história da conquis- Documentos datados de 1729 a
ta do interior, pelos bandeirantes de 1733; versam sobre o descobrimento de
773

diamantes em Minas Gerais, no Serro A melhor contribuição do Autor


do Frio (1723-24), e a administração nesta obra são os capítulos sobre a
dessa região diamantina. [3811] formação social (em que estuda as
Lima, Augusto de. Um município de ouro: classes sociais, e a influência do fator
memória histórica. (Rev. Inst. Hist. religioso e militar) e o que apresenta
Geo. Bras., Tomo 65, 2ª pte., Rio de como ensaio de reconstituição da
Janeiro, 1903, p. 141-195 ou Rev. casa, seu mobiliário e alfaias, na zona
Arq. Pub. Mineiro, v. 6, Belo Hori- de mineração do ouro e diamantes,
zonte, 1901, p. 321-364). no século XVIII. [3814]
Monografia sobre a então vila, Lisboa, Baltasar da Silva. Anais do Rio de
hoje cidade de Nova Lima, situada Janeiro, contendo a descoberta e conquista
nas proximidades de Belo Horizonte deste país, a fundação da cidade com a his-
(Est. de Minas Gerais), e sede da co- tória civil e eclesiástica, até a chegada d’el
nhecida mina de ouro de Morro Ve- Rei Dom João VI; além de notícias topo-
lho. Começando pela história dos gráficas, zoológicas e botânicas, por Balta-
descobrimentos auríferos da região e sar da Silva Lisboa. Rio de Janeiro, na
dos primeiros tempos da antiga fre- Tip. Imp. e Const, de Seignot Plan-
guesia de Congonhas de Sabará, tra- cher E Ca., 1834-1835. 7 v.
ta depois o Autor mais pormenori- O Autor se ocupou principal-
zadamente da mina do Morro Ve- mente da história eclesiástica do Bra-
lho, situada nesta freguesia. Discute sil. Sua obra é bastante minuciosa
o problema do início de sua explora- até meado do século XVII. Tratando
ção, e estuda longamente seu desen- da história civil, o Autor se ocupou
volvimento até 1900. A última parte dos fatos mais importantes da admi-
do trabalho se ocupa da exploração nistração dos governadores do Rio
de outras lavras auríferas do distrito de Janeiro e dos vice-reis, apresen-
de Nova Lima. Bastante interessante tando subsídios para a história do
este trabalho, como monografia de bandeirismo de preia, e principal-
uma área de mineração, desde o pe- mente, de mineração. [3815]
ríodo colonial até a época contem- Lisboa, João Francisco. Obras de João
porânea. [3812] Francisco Lisboa, natural do Maranhão,
Lima, Manuel de Oliveira. A conquista do procedidas de uma notícia biográfica pelo
Brasil. (Conferência realizada na So- Dr. Antônio Henriques Leal e seguidas de
ciedade de Geografia de Bruxelas.) uma apreciação crítica de Teófilo Braga;
Edição do Instituto Histórico e Geo- editores revisores Luís Carlos de
gráfico de São Paulo. São Paulo, Ti- Castro e o Dr. A. Henriques Leal.
pografia do Diário Oficial, 1913. 35 p. Lisboa, Tipografia Matos Moreira S.
Resumo do movimento de ex- Pinheiro, 1901. 2 v., XCVI -- 488,
pansão geográfica do Brasil. [3813] XIII -- 660 p.
Lima, Augusto de (Júnior). A capitania de As Obras acham-se divididas em
Minas Gerais. Rio de Janeiro, Zélio quatro partes das quais as três pri-
Valverde, 1943. XXI -- 329 p., ilus. meiras compreendem os 11 núme-
774

ros dos 12 do Jornal de Timon; a quar- Preto, de 1885 a 1886. (Rev. Arq.
ta parte contém a Vida do padre Antô- Pub. Mineiro, v. 7, Belo Horisonte,
nio Vieira, obra póstuma. A segunda 1902, p. 25-55).
e terceira partes do Jornal de Timon, Resenha das explorações em ter-
intitulada Apontamentos, notícias e obser- ritório mineiro de 1572 a 1713, com
vações para servirem à história do Mara- uma notícia sobre os arraiais dessa
nhão, apresentam, como contribuição época (Mariana, Vila Rica, Sabará,
das mais úteis para a história do ban- Caeté, São João d’El-Rei, Serro Frio
deirismo de caça ao índio, uma e Pintangui) e os atos mais impor-
apreciação bastante imparcial, so- tantes do governo. [3818]
bre a legislação servil portuguesa Maia, José Antônio da Silva. Memória
até 1700. [3816] da origem, progresso e decadência do ouro
Luís, Washington. na província de Minas Gerais. Rio de
vide Janeiro, Imprensa Nacional, 1827.
Sousa, Washington Luís Pereira de. 35 p. [3819]
Machado, José de Alcântara. Malheiros, Agostinho Marques Perdi-
vide gão. A escravidão no Brasil: ensaio jurídi-
co-social. Parte 1ª (Jurídica). Direitos sobre
Oliveira, José de Alcântara Machado de.
escravos e libertos. Parte 2ª Indios. Parte 3ª
Machado de Oliveira, José Joaquim.
Africanos. Rio de Janeiro, Tipografia
vide Nacional, 1866-67. 3 v., 211 -- II --
Oliveira, José Joaquim Machado de. XXII; 2 fls. s.n. -- 160 -- 2; XII -- 247
Magalhães, Basílio. Expansão geográfica do -- 216 -- 4 -- 2p.
Brasil colonial: memória apresentada ao 1º Obra clássica, básica sobre a es-
Congresso de História Nacional. 2ª ed., cravidão no Brasil. A segunda parte,
São Paulo, Editora Nacional, 1935. dedicada à escravidão vermelha, des-
406 p. (Brasiliana, v. 45). de seu início até sua extinção com-
Trabalho de síntese que conden- pleta, é de importância fundamental
sou vasta bibliografia sobre o assun- para o bandeirismo de preia, pela le-
to. Segundo indica o próprio título, gislação que apresenta sobre o as-
trata do bandeirismo apenas como sunto. [3820]
fenômeno da expansão geográfica, Marcondes, Moisés. Documentos para a
desde as primeiras entradas do sécu- história do Paraná, 1ª série. Rio de Janei-
lo XVI até as últimas expedições da ro, Tip. Anuário do Brasil, 1923. 222
segunda metade do século XVIII. p.
Em apêndice traz três monografias Documentos do Arquivo da Ma-
do Autor sobre o mesmo assunto, já rinha e Ultramar compilados e ano-
publicadas em revistas. No final o tados pelo Autor. São de interesse as
Autor insere excelente bibliografia informações que aí se colhem sobre
sobre o bandeirismo. [3817] o estado do povoamento, a explora-
Maia, Aristides de Araújo. História da pro- ção do ouro de lavagem em Curitiba,
víncia de Minas Gerais. Publicada em
artigos no Liberal Mineiro, de Ouro
775

a emigração de mineradores para que partiram para o hinterland brasi-


Cuiabá. [3821] leiro à procura de minas, ocupando-
Marques, Manuel Eufrásio de Azevedo. se mais longamente da entrada de
Apontamentos históricos, geográficos, bio- Fernão Dias Pais. Aponta o autor os
gráficos, estatísticos e noticiosos da província aspectos mais salientes que caracteri-
de São Paulo, seguidos da cronologia dos zam cada uma daquelas regiões de
acontecimentos mais notáveis desde a funda- mineração, mostrando os contrastes
ção da capitania de São Vicente até o ano em relação às condições da desco-
de 1876. Coligidos por Manuel Eufrá- berta, às cidades, às transformações
sio de Azevedo Marques e publica- econômicas. A diferença capital en-
dos por deliberação do Instituto His- tre ambas, segundo a opinião do Au-
tórico e Geográfico Brasileiro. Rio de tor, reside nos métodos de regula-
Janeiro, Laemmert, 1879. 2 v., XIV -- mentação da exploração do metal,
22, 298 p. fato resultante da oposição entre o
Os Apontamentos estão coordena- absolutismo português do século
dos sob a forma de um dicionário e XVIII e a democracia norte-america-
compreendem todo o primeiro volu- na do século XIX. Precede o traba-
me e a maior parte do segundo; a lho um resumo do mesmo, à manei-
Cronologia compreende apenas o final ra de prefácio, de autoria de Herbert
do segundo (p. 205-298). Como o S. Harris. [3823]
próprio título indica, não se trata Matos, José. Notícia que dá ao R. P. Diogo
propriamente de uma história de São Soares o sargento-mor José Matos sobre o
Paulo, mas de uma coleção de notí- descobrimento do famoso rio das Mortes.
cias, de grande valor informativo. O (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 69, 1ª
Autor revelou muita documentação pte., Rio de Janeiro, 1908, p. 283-
inédita, de que faz, muitas vezes, 287).
transcrição integral. [3822]
Informação sobre o descobrimen-
Martin, Percy Alvin. Minas Geraes and Ca-
to de ouro no rio das Mortes, prestada
lifornia. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras.,
pelo sargento-mor José Matos, em
tomo especial consagrado ao Cong.
1733; as descobertas se referem ao pe-
Intern. Hist. America., v. I, Rio de
ríodo de 1702 a 1730. [3824]
Janeiro, 1925, p. 245-270).
O objetivo do Autor foi apresen- Matos, Raimundo José da Cunha. Coro-
tar uma comparação entre as trans- grafia histórica da província de Goiás
formações ocorridas no Brasil, com (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 37, 1ª
a descoberta de ouro em Minas Ge- parte, Rio de Janeiro, 1874, p. 213-
rais no século XVIII e as que se de- 398 e v. 38, 1ª pte., Rio de Janeiro,
ram no século XIX na Califórnia, 1875, p. 75-149).
onde se descobriram jazidas mine- Trata de uma monografia históri-
rais em 1848. Estuda o código mi- co-geográfica sobre a então provín-
neiro português, na parte referente à cia de Goiás, escrita em 1824. Além
distribuição de terras nas áreas de da descrição minuciosa de cada uma
mineração, e as principais expedições das comarcas da província, acrescida
776

de dados históricos, consta a descri- vide


ção geográfica, a da administração Ruiz de Montoya, Antônio.
civil, militar e eclesiástica, e o históri-
Monteiro, Mário. Aleixo Garcia. Descobri-
co da conquista e colonização de
dor português do Paraguai e da Bolívia, em
Goiás até o ano de 1824. [3825]
1524-1525. Lisboa, Liv. Central,
Mendonça, Bento Fernandes Furtado
1923. [3828]
de, e Pontes, M. J. P. Silva. Primeiros
descobrimentos das minas de ouro da capi- Moreira. Notícia. 2ª prática, dada pelo alfe-
tania de Minas Gerais. (Documento res Moreira ao Padre mestre Diogo
avulso existente no Arquivo Publico Soares, das suas bandeiras no descobri-
de Minas Gerais) Rev. Arq. Pub. Mi- mento do celebrado Morro da Esperan-
neiro, v. 4, Belo Horizonte, 1899, p. ça empreendido nos anos de 1731-1733,
83-96]. sendo general D. Lourenço de Almeida.
(Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 69, 1ª
O primeiro Autor, deixou algu- pte., Rio de Janeiro, 1908, p. 269-73).
mas notícias sobre os descobrimen-
O Autor narra as expedições que
tos auríferos em Minas dos quais foi
efetuou em 1731 e 1732 para desco-
testemunha presencial; suas notas,
brir o ouro do Morro da Esperança
entretanto, foram escritas de memó-
[Minas Gerais]. Saindo da vila de
ria, posteriormente. O segundo redi-
Nossa Senhora da Piedade do Pitan-
giu a notícia, sem contudo, reprodu-
gui, em 15 de agosto de 1730, atra-
zir integralmente os apontamentos
vessou os sertões do Bambuí, e Piu-
daquele. É uma fonte de alto valor
mi; aqui, encontrou o paulista Batis-
para a história da exploração primei-
ta Maciel. De regresso encontrou a
ra do território mineiro, até o início
bandeira de Tomás de Sousa, que se
do século XVIII. [3826] havia perdido, quando rumava para
Mineração primitiva do Brasil. (Rev. os sertões de Goiás, onde descobrira
Inst. Hist. Geo. Bras., v. 56, 1ª pte., jazidas minerais. [3829]
Rio de Janeiro, 1893, p. 109-115) Moura, Gentil de Assis. As bandeiras pau-
Contém o documento intitulado listas; estabelecimento das diretrizes gerais a
Regimento de S. M. para as minas da Re- que obedeceram o estudo das zonas que al-
partição do Sul, datado de Lisboa, 7 de cançaram. São Paulo, Editora O Pen-
junho de 1644, expedido a Salvador samento, 1914. 75 p.
Correia de Sá e Benevides para o Ensaio de sistematização do mo-
descobrimento e exploração das mi- vimento das bandeiras segundo as
nas de São Paulo e outras partes. diretrizes por elas seguidas. O Autor
Constitui o primeiro ato oficial, ema- as classifica segundo cinco diretrizes
nado do governo português, com o principais: bandeiras do Sul, bandei-
fito de regularizar o desenvolvimen- ras do Mato Grosso, bandeiras goia-
to da mineração. Precede-o breve nas, bandeiras mineiras e bandeiras
nota explicativa de autoria de Fran- do Norte do país. Enumera as prin-
cisco Sales de Macedo. [3827] cipais bandeiras de cada setor e os
Montoya, Antonio Ruiz de. pontos atingidos. [3830]
777

Moura, Gentil de Assis. O primeiro cami- mento de cada uma das aldeias indí-
nho para as minas de Cuiabá. (Rev. Inst. genas de São Paulo, até a elevação à
Hist. Geo. São Paulo. v. 13, São Pau- categoria de vila. [3833]
lo, 1910, p. 125-135) Oliveira, José Joaquim Machado de.
Breve histórico do primeiro ca- Quadro histórico da província de São Pau-
minho terrestre para as minas de lo, até o ano de 1822. 2ª ed., São Paulo,
Cuiabá. [3831] Tip. do Brasil, 1897. 343 p.
Negrão, Francisco de Paula. Memória his- Obra clássica sobre a história de
tórica paranaense. As minas da capitania São Paulo. A parte consagrada ao
de Paranaguá. O guarda-mor Lustosa. A movimento sertanista revela-se hoje,
conjura separatista. Memória da Santa ante o trabalho dos estudiosos con-
Casa de Mesericórdia. Curitiba, Imp. temporâneos, bastante falha e con-
Paranaense, 1934. 227, 37 p. tém não poucas inexatidões. Em re-
É uma coletânea de vários opús- lação ao bandeirismo de caça ao ín-
culos do Autor. O primeiro trata do dio, a obra está baseada nos traba-
povoamento do Paraná, e inclui o lhos dos jesuítas; a opinião do Autor
artigo intitulado As minas de ouro da acerca do mameluco bandeirante,
capitania de Paranaguá, em que o Au- considerado mescla híbrida e impura, ca-
tor defende a opinião de que o início paz apenas de feitos abomináveis, é um
do povoamento de Paranaguá e ex- reflexo daquela influência. [3834]
ploração das minas teria se dado Oliveira, José de Alcântara Machado de.
mais ou menos em 1640 e não por Vida e morte do bandeirante. Introdução
voltas de 1580, como afirmam ou- de Sérgio Milliet. Desenhos de Wast
tros historiadores. No capítulo inti- Rodrigues. São Paulo, Livraria Mar-
tulado O guarda-mor Lustosa, narra a tins Editora, 1943. 236 p., ilus. 1ª edi-
história de um sertanista que se ção, São Paulo, 1929.
transfere de Minas Gerais e vai parti- Admirável estudo de reconstru-
cipar das expedições do Guarapuava e ção social e econômica da sociedade
Tobagi, que devassaram a região oci- paulista bandeirante. Baseando-se
dental do Estado do Paraná. [3832] nos Inventários e Testamentos dos ban-
Nina Rodrigues deirantes o Autor realizou um estu-
vide do que é um corte transversal na so-
Rodrigues, Raimundo Nina. ciedade da época, analisado com
grande objetividade e abundância de
Oliveira, José Joaquim Machado de. No-
minúcias. Constituiu o primeiro es-
tícia racionada sobre as aldeias de índios da
tudo desta natureza, na literatura his-
província de São Paulo, desde o seu começo
tórica nacional. [3835]
até a atualidade. (Rev. Inst. Hist. Geo.
Bras., V. 8, Rio de Janeiro, 1864. p. Oliveira Lima, Manuel.
204-254) vide
Trabalho clássico; trata em minú- Lima, Manuel de Oliveira.
cia do sistema de aldeamento dos in- Oliveira Viana
dígenas e da formação e desenvolvi- vide
778

Viana, José Francisco de Oliveira. Perdigão, José Rebelo. Notícias práticas


Otôni, José Elói. Memória sobre o atual es- que dá ao P.M. Diogo Soares o mestre-de-
tado da capitania de Minas Gerais por José campo José Rebelo Perdigão, sobre os pri-
Elói Otôni, estando em Lisboa no ano de meiros descobrimentos das Minas Gerais do
1798. (An. Bib. Nac., v. 30, Rio de Ouro. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v.
Janeiro, 1912, p. 301-318). 69, 1ª parte, Rio de Janeiro, 1907, p.
274-281)
Ocupa-se o Autor da decadência
da mineração, apontando as inúme- Seu autor escreveu-as em 1733
ras dificuldades com que lutavam os em Ribeirão do Carmo, nas Minas
mineiros. Para reanimar a vida eco- Gerais, e se intitulava um dos mora-
nômica da capitania, sugeria o de- dores mais antigos da região das mi-
senvolvimento da agricultura e das nas, onde já residia há 32 anos. Dá
vias de comunicação, condição esta uma notícia de movimento das
indispensável para ativar o comércio descobertas desde 1700, no Ribei-
decadente. rão do Carmo e do Ouro Preto,
[3836]
das quais foi testemunha presen-
Pais Leme, Pedro Taques de Almeida.
cial. As Notícias de Perdigão, e os
vide Primeiros descobrimentos de Mendon-
Leme, Pedro Taques de Almeida Pais. ça, são os mais valiosos entre os
poucos relatórios escritos pelos
Pastells, Pablo. Historia de la Compañía de
coevos sobre os descobrimentos
Jesus en la provincia del Paraguay (Argen-
das minas das Gerais. [3838]
tina, Paraguay, Uruguay, Bolivia, Brasil y
Chile). Según los documentos originales del Pereira, Francisco Lobo Leite. Descobri-
Archivo General de Indias. Madrid, Vic- mento e devassamento do território de Mi-
toriano Suárez, s.d. 5 v. nas Gerais. (Rev. Arq. Mineiro, v. 7,
Belo Horisonte, 1902, p. 549-594)
Trata-se, não de uma história
propriamente dita, mas de um índice Histórico das primeiras bandeiras
de documentos, existentes no Arqui- que penetraram no território de Mi-
vo General de Índias, em Sevilha, re- nas Gerais. [3839]
lativos às atividades dos jesuítas que Pereira, Francisco Lobo Leite. Em busca
missionaram na América do Sul. A das esmeraldas: escassas notícias acerca da
indicação dos documentos vem expedição de Marcos de Azeredo em busca
acompanhada de uma súmula; dos das esmeraldas achando diamantes, e acerca
mais importantes, porém, consta de outras tentativas posteriormente feitas
transcrição integral: muitas vezes o para aquele fim até o ano de 1660. (Rev.
documento é acrescentado de infor- Arq. Pub. Mineiro, v. 2. Ouro Preto,
mações complementares, proceden- 1897, p. 519-536).
tes de obras contemporâneas. A Trabalho baseado nos autores
obra constitui fonte de inestimável clássicos, referente ao ciclo das pe-
valor para a história da expansão pau- dras coradas. As páginas 527-536
lista em terras ocupadas pelas reduções são dedicadas aos Translados e excertos
jesuíticas espanholas. [3837] de alguns escritos com relação à imprensa
779

de Agostinho Barbalho Bezerra para o 20 de julho de 1782, acompanhada de no-


descobrimento das esmeraldas com algumas tas do compilador. (Rev. Inst. Hist.
observações e anotações. [3840] Geo. Bras., v. 6, Rio de Janeiro,
Pinto, Luís Borges. Notícias práticas das 1865, p. 284-291).
Minas Gerais do Ouro e Diamantes, que O Autor narra os principais
dá ao R.R. Diogo Soares, o capitão-mor acontecimentos da vila de Pitangui,
Luís Borges Pinto, sobre os seus descobri- desde a descoberta do ouro no local,
mentos do célebre Casco, compreendidos nos em 1709, até 1773. O resumo da me-
anos de 1726-27 e 28, sendo governador e mória do segundo vereador, feita em
capitão-general D. Lourenço de Almeida. 1819, narra os principais aconteci-
(Rev. Inst. Hist. Geo. Bras. v. 69, 1ª mentos de 1792 a 1819. [3843]
pte., Rio de Janeiro, 1907, p. 260- Pontes, M. J. P. Silva.
267) vide
O Autor, saindo do arraial de Mendonça, Bento Fernandes Furtado
Guarapiranga, em Minas Gerais, de.
chefiou três bandeiras ao sertão do
Pontes, Manuel José da Silva. Coleção das
rio da Casca, com o objetivo de des-
memórias arquivadas pela Câmara da vila
cobrir riquezas minerais. Explorou
de Sabará; compilada por Manuel José da
as margens dos rios Xipotó, Abatipó
Silva Pontes. Resumo da memória apresen-
e Casca, chegando até a barra do rio
tada pelo segundo vereador da Câmara da
dos Coroados. [3841]
vila de Sabará no ano de 1785, em obser-
Pires, Heliodoro, Padre. Padre mestre Iná-
vância da Ordem régia de 20 de julho de
cio Rolim; um trecho da colonização do
1782, acompanhada de observações do com-
Norte brasileiro e o padre Inácio Rolim:
pilador. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v.
memória escrita para o Congresso de histó-
6, Rio de Janeiro, 1865, p. 269-283)
ria nacional do Centenário da revolução de
1817, com uma carta-prefácio do barão de Contém a narrativa dos principais
Studart. Fortaleza, Tip. Lit. Gadelha, acontecimentos da vila de Sabará,
s.d. 102 p. desde 1703; além disso, há informa-
ções sobre a população e as capelas
Síntese da penetração bandei-
da cidade. As Observações do compila-
rante na região do atual Estado da
dor contêm críticas e retificações ao
Paraíba. [3842]
conteúdo da memória. [3844]
Pizarro e Araújo, José de Sousa.
Prado, Francisco Rodrigues do. História
vide dos índios cavaleiros ou da nação guiacuru,
Araújo, José de Sousa Pizarro e. escrita no Real Presídio de Coimbra por
Pontes, Manuel José da Silva. Coleção das Francisco Rodrigues do Prado, comandante
memórias arquivadas pela Câmara da vila do mesmo. Em que descreve os seus usos, e
de Pitangui, e resumidas por Manuel José costumes, leis, alianças, ritos e governo do-
da Silva Pontes; breve resumo da memória méstico, e as hostilidades feitas a diferentes
do segundo vereador da Câmara da vila de nações bárbaras, aos portugueses e espa-
Pitangui, oferecida aos 29 de dezembro de nhóis, males que ainda são presentes na me-
1785, em cumprimento da ordem régia de mória de todos. Ano de 1795. (Rev. Inst.
780

Hist. Geo. Bras., v. I. Rio de Janeiro, de São Paulo, segundo as observações feitas
1839, p. 35-57). no ano de 1798, opinião do Autor so-
À parte o valor deste documento, bre a sua civilização. (Rev. Inst. Hist.
sob o ponto de vista etnográfico, Geo. Bras., v. 4, 2ª ed., Rio de Janeiro,
contém em relação ao bandeirismo o 1863, p. 295-317).
histórico dos ataques dos índios O Autor estudou a fundação e
guiacurus às monções paulistas que organização das aldeias indígenas em
rumavam para o Mato Grosso, des- São Paulo; refere as violências de
de o ano de 1719, quando se aliaram que foram vítimas os índios, exage-
aos índios paiaguás, dos quais apren- rando-as contudo, pela interpretação
deram o uso de canoas, até 1777, estreita da legislação. [3848]
após a fundação do Real Presídio de Reis, Artur César Ferreira. Paulistas na
Nova Coimbra, fortaleza à margem Amazônia e outros ensaios. Rio de Janei-
do Paraguai, que constituiu uma sólida ro, Imprensa Nacional, 1941. p. 217
defesa contra esses índios. [3845] a 338 (Separata da Rev. Inst. Hist. Geo.
Prado, Paulo da Silva. Paulística; história de Bras., v. 175, Rio de Janeiro, 1940).
São Paulo. Rio de Janeiro, Ariel, 1934. O Autor se ocupa dos bandeiran-
235 p. tes paulistas que estiveram em terras
O Autor trouxe novos elementos da Amazônia, reconhecendo, porém,
sobre a bandeira de Fernão Dias que apenas transitaram pelo território,
Pais ao território de Minas Gerais sem fazerem obra de exploração,
(1674). Discorrendo sobre as causas propriamente dita, nem de coloniza-
do bandeirismo, frisou a importância ção, pois esta foi obra de portugue-
dos fatores antropológicos e geográ- ses e de nordestinos. Após estudar
ficos, a necessidade da caracterização as atividades de cada um dos pau-
étnica e psicológica do bandeirante, listas na Amazônia, passa a se ocu-
em função do meio geográfico e da par da obra desempenhada pelos
mistura racial, menosprezando os fa- portugueses-missionários, civis e
tos econômicos que condicionaram militares -- desde a expedição de
a expansão. [3846] Pedro Teixeira pelo rio Amazonas
Proença, Martinho Mendonça de Pina e (1637-1639), até o meado do século
de. Sobre o descobrimento de diamantes na XVIII. [3849]
comarca do Serro Frio. Primeiras adminis- Rocha, José Joaquim. Memória histórica da
trações. (Rev. Arq. Pub. Mineiro, v. 7, capitania de Minas Gerais. (Rev. Arq.
Belo Horizonte, 1902, p. 251-263; Pub. Mineiro, v. 2, Ouro Preto, 1897,
ou, Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 63, 1ª p. 425-517).
pte., Rio de Janeiro, 1900, p. 307-319). Escrito anônimo, sem data. É
Trata do descobrimento de dia- atribuído ao engenheiro militar José
mantes e da administração da região Joaquim Rocha, autor de uma Carta
diamantina do Serro do Frio. [3847] Geográfica da Capitania de Minas Gerais,
Rendon, José Arouche de Toledo. Memó- e que o teria escrito provavelmente
ria sobre as aldeias de índios da província em fins do século XVIII ou início
781

do século XIX. Além do histórico O Autor foi célebre missionário e


das penetrações em território minei- filólogo peruano (1608-1652), talvez
ro, informa sobre a criação das vilas, o mais ilustre dos que missionaram
rendimentos da capitania, arremates no Paraguai. Sua obra, isenta de sis-
de contratos, etc. [3850] tematização cronológica, é antes um
Rodrigues, Raimundo Nina. A Tróia Ne- conjunto de reminiscências; tem ine-
gra: erros e lacunas da história dos Palma- gável valor histórico, como depoi-
res. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 75, mento de lavra jesuítica, escrito por
Rio de Janeiro, 1912, 1ª pte., p. 231- testemunha ocular do desenvolvi-
258). mento das reduções do Guairá, des-
de sua fundação até sua ruína. A
Um dos primeiros trabalhos so-
Montoya se deve a caracterização da
bre a destruição dos Palmares -- nú-
roupa usada pelos bandeirantes na
cleo de escravos fugidos, localizados
época das incursões do Guairá; na
no sertão de Alagoas. Foi debelado
Conquista colhem-se ainda dados pre-
pelos paulistas sob a chefia de Do-
ciosos sobre a técnica de ataque usa-
mingos Jorge Velho. [3851] da pelos bandeirantes paulistas, sis-
Rohan, Beaurepaire, visconde de. Anais tema de condução dos índios cati-
de Mato Grosso. (Rev. Inst. Hist. Geo. vos, etc. Há uma tradução da versão
São Paulo, v. 15, São Paulo, 1912, p. guarani para o português, feita por
37-116). Batista Caetano de Almeida Noguei-
Trata-se de uma cronologia que ra (An. Bib. Nac., v. 6, Rio de Janei-
abrange os anos de 1718 a 1824. Es- ro, 1879) sob o título Manuscrito
crita na primeira metade do século guarani da Biblioteca Nacional do Rio
XIX, constitui um bom repositório de Janeiro, sobre a primitiva catequese
de informações sobre a mineração dos índios das Missões, composto em cas-
em Mato Grosso. Precedida de um telhano pelo P. Antonio Ruiz Montoya,
estudo biográfico do Autor por vertido para guarani por outro padre je-
Afonso de E. Taunay. [3852] suíta, e agora publicado com a tradução
Rubim, Brás da Costa. Memórias históricas portuguesa, notas e um esboço gramatical
e documentadas da província do Espírito do Abañeê pelo Dr. Batista Caetano de
Santo. Rio de Janeiro, Tip. de D. Luís Almeida Nogueira. [3854]
dos Santos, 1861. (Rev. Inst. Hist. Geo. Sá, José Barbosa de. Relação das povoações
Bras., v. 24, 1ª pte., Rio de Janeiro, de Cuiabá e Mato Grosso de seus princípios
1861, p. 171-351). até os presentes tempos. (An. Bib. Nac., v.
23. Rio de Janeiro, 1904, p. 5-58).
Crônica da província do Espírito O Autor foi advogado dos audi-
Santo, de 1534 a 1824. [3853] tórios da vila de Cuiabá e valeu-se da
Ruiz de Montoya, Antonio. Conquista es- tradição oral e do testemunho pes-
piritual hecha por los religiosos de la Com- soal, para elaborar seu trabalho. É o
pañia de Jesus en las provincias del Para- primeiro cronista da história do
guai, Paraná, Uruguai, y Tape. Madrid, Mato Grosso. Se bem que a parte re-
En la Imprenta del Reino, 1639. ferente às primeiras expedições seja
782

vaga, sem precisão de datas. A Rela- notas de Francisco Negrão atualiza-


ção constitui a principal fonte de in- ram a obra. [3858]
formações sobre o início da minera- Santos, Joaquim Felício dos. Memórias do
ção em Cuiabá. A obra alcança até o Distrito Diamantino da Comarca do Serro
ano de 1772. [3855] Frio (Província de Minas Gerais). Nova
Sampaio, Teodoro. São Paulo de Piratinin- ed., com um estudo biográfico de
ga no fim do século XVI. (Rev. Inst. Hist. Nazaré de Meneses. Rio de Janeiro,
Geo. São Paulo, v. 4, São Paulo, 1900, Livraria Castilho, 1924. 405 p.
p. 260-277). Coletânea dos artigos escritos
Além de um ensaio de reconsti- pelo autor em 1862 para o jornal Je-
tuição do arraial de São Paulo, no quitinhonha da cidade de Diamantina
fim do século, o Autor informa so- (Minas Gerais). Constitui uma mo-
bre as condições da vida política, so- nografia das mais completas sobre
cial e econômica, nos últimos anos a região diamantina; abrange exten-
do século XVI, ou seja, nas vésperas so período, desde as primeiras des-
da intensificação das expedições para cobertas até o meado do século
o sertão à caça do índio. XIX. [3859]
[3856]
Silva, Inácio Acióli de Cerqueira e. Memó-
Sampaio, Teodoro. O sertão antes da con-
rias históricas e políticas da província da
quista; século XVII. (Rev. Inst. Hist.
Bahia do coronel Inácio Acióli de Cerquei-
Geo. São Paulo, v. 5, São Paulo, 1901,
ra e Silva. Mandadas reeditar e anotar
p. 79-94).
pelo Governo deste Estado. Anota-
O Autor refere as lendas que ti- dor Dr. Brás do Amaral. Bahia, Im-
veram influência na exploração do prensa Oficial, 1919-37; 5 v, 1ª edi-
sertão e apresenta um ensaio de ca- ção, Bahia, 1835-1843.
racterização geográfica do hinterland
Obra clássica, de grande valor in-
brasileiro. Salientando a base geográ-
formativo. É uma história cronológi-
fica da conquista, é de opinião que
ca dos governadores e vice-reis da
o paulista tinha que ser o bandei-
então província da Bahia. Brás do
rante por excelência, dada a orien-
Amaral, que transcreveu abundante
tação da rede hidrográfica; informa
documentação colhida no Arquivo
sobre as primeiras tentativas de pe-
baiano, atualizou e completou a
netração. [3857] obra, enriquecendo-a consideravel-
Santos, Antônio Vieira dos. Memória his- mente em extensão e profundidade.
tórica, cronológica, topográfica e descritiva Os primeiros volumes, que alcançam
da cidade de Paranaguá e do seu municí- até o ano de 1769, são básicos para a
pio. Curitiba, Livraria Múndia, 1922. história do bandeirismo. [3860]
471 p. Silva, Joaquim Norberto de Sousa e. Me-
Obra clássica, de grande valor in- mória histórica e documentada das aldeias
formativo, baseada em documentos de índios da província do Rio de Janeiro.
da Câmara da cidade. Escrita em (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 17, Rio
1850, só foi impressa em 1922; as de Janeiro, 1854, p. 71-532).
783

Obra clássica, com grande base em 1790 em honra do ouvidor Dio-


documental. O autor estuda em mi- go Toledo Lara Ordoñes. [3863]
núcia as aldeias de índios do Rio de Sousa, Afonso Botelho de Sampaio e.
Janeiro. Grande parte do trabalho Descoberta dos campos de Guarapuava.
foi reservada para a transcrição de (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 18, Rio
documentos. [3861] de Janeiro, 1885, p. 252-273).
Silva, José Joaquim Gomes (Neto). Histó- São cartas dirigidas ao morgado
ria das mais importantes minas de ouro do de Mateus, governador da capitania
Estado do Espírito Santo. (Rev. Inst. de São Paulo, em que o Autor narra
Hist. Geo. Bras., v. 55, 2ª parte, Rio de a penetração efetuada nos campos
Janeiro, 1892, p. 35-58). do Paraná, em 1771, onde ergueu
Breve histórico das primeiras des- um forte, origem da cidade de Gua-
cobertas de ouro nas Gerais pelos rapuava, no atual estado do Paraná.
bandeirantes paulistas e principal- Essa expedição se liga ao ciclo das
mente das minas do Espírito Santo. bandeiras oficiais, enviadas pelo go-
Apresenta alguns informes valiosos verno paulista com o fito de se apos-
sobre a origem de várias das atuais sar do sertão ocidental do Paraná e
cidades desse estado. [3862] do extremo sul do Mato Grosso. Se-
Siqueira, Joaquim da Costa. Crônicas do gundo Toledo Piza, a descoberta dos
Cuiabá ou relação cronológica dos estabele- campos de Guarapuava, juntamente
cimentos, fatos e sucessos mais notáveis que com a fundação da colônia de Igua-
aconteceram nestas minas do Cuiabá desde temi, é o acontecimento mais impor-
o seu estabelecimento por ordem da Rainha tante da história paulista na segunda
Nossa Senhora. Anotadas por Antônio de metade do século XVIII. [3864]
Toledo Piza. (Rev. Inst. Hist. Geo. São
Sousa, Luís Antônio da Silva e, padre.
Paulo, v. 4. São Paulo, 1900, p. 1-
Memória sobre o descobrimento, governo,
217).
população e cousas mais notáveis da capita-
É a crônica dos principais acon- nia de Goiás. (Rev. Inst. Hist. Geo. Bras.,
tecimentos em Mato Grosso, desde v. 12, Rio de Janeiro, 1872, p. 429-
as primeiras penetrações paulistas 510).
até 1781. Até o ano de 1765, o autor
apenas compilou o trabalho de José Trabalho clássico: é a primeira
Barbosa de Sá sobre o Mato Grosso; crônica de Goiás, e constitui a me-
somente a parte referente ao período lhor fonte de informações sobre a
posterior a essa data é trabalho origi- história primeva de Goiás sob múlti-
nal do Autor. A relação dos fatos plos aspectos. Escreveu-a o autor
anteriores a 1718 é vaga e obscura, em 1812, por incumbência da Câma-
ganhando em precisão e clareza de- ra de Vila-Boa, antiga capital de
pois dessa data. Toledo Piza, à guisa Goiás. [3865]
de final, anexou a descrição das fes- Sousa, Pero Lopes de. Diário da Navega-
tas famosas, realizadas em Cuiabá, ção de Pero Lopes de Sousa. (De 1530 a
1532). Comentado por Eugênio de
Castro, prefácio de Capistrano de
784

Abreu. Rio de Janeiro. Tip. Leuzin- Sousa, Washington Luís Pereira de. Capi-
ger, 1927. 2 v., VI -- 531; 50 p. -- tania de São Paulo. Governo de Rodrigo
map. (Série Eduardo Prado). César de Meneses. 2ª edição, São Paulo,
Trata-se de um dos mais antigos Editora Nacional, 1938. 273 p. (Bra-
documentos referentes ao Brasil, in- siliana, v. 111). 1ª edição, São Paulo,
dispensável para o estudo das pri- 1918.
meiras penetrações lusitanas no inte- Estudo sobre a capitania de São
rior do Brasil, com o propósito de Paulo, durante o governo de D. Ro-
descobrir minas. Tais são as expedi- drigo César de Meneses (1721-1727),
ções que Martim Afonso de Sousa, ou seja, na época em que se inicia a
comandante da armada, enviou da decadência da capitania, após o des-
baía de Guanabara e de Cananéia em membramento da de Minas Gerais,
1531, e a exploração do Rio da Pra- efetuado em 1720. O autor apresen-
ta, levada a efeito em fins do mesmo ta um breve ensaio das condições
ano pelo Autor do Diário, a mando sociais, políticas e econômicas da ca-
do comandante. Os comentários de pitania e de sua capital, e se ocupa
Eugênio de Castro, da marinha na- longamente do descobrimento de
cional, um dos maiores conhecedo- ouro e das condições de vida na
res do litoral brasileiro, trouxeram zona de mineração em Mato Grosso.
aditamentos de grande valia para a Reserva um capítulo ao descobrimen-
interpretação do documento. O 2º to de ouro em Goiás. [3868]
volume foi reservado à transcrição Sousa, Cândido Xavier de Almeida e. Có-
de documentos e a mapas. [3866] pia da parte que deu o capitão de granadei-
Sousa, Washington Luís Pereira de. An- ros Cândido Xavier de Almeida e Sousa,
tônio Raposo. (Rev. Inst. Hist. Geo. São sobre o descobrimento do rio Igureí. (Rev.
Paulo, v. 9. São Paulo, 1905, p. 485- Inst. Hist. Geo. Bras., v. 18, Rio de
535). Janeiro, 1855, p. 254-262).
Monografia documentada sobre Narrativa da exploração do rio Igu-
um dos maiores sertanistas do sécu- reí (Paraná Ocidental), feita em 1783,
lo XVII, senão de todo o movimen- pelo chefe da expedição. [3869]
to bandeirante (1598-1656), valiosa Subsídios para a História da Capita-
por ter esclarecido em definitivo a nia de Goiás (1756-1806). (Rev.
identidade do destruidor das missões Inst. Hist. Geo. Bras., Rio de Janeiro,
jesuíticas do Guiará. O Autor de- 1919, v. 84, p. 41-292.)
monstrou de modo banal tratar-se Coletânea de documentos sobre a
da mesma pessoa, tanto o coman- história de Goiás no período indica-
dante do socorro paulista ao Norte, do. A correspondência dos governa-
contra os holandeses, em 1639, dores, de 1756 a 1781, informando
como o herói da grande jornada de sobre a situação decadente em que
penetração leste-oeste, em que, pas- se encontrava a capitania, dá conta,
sando por Quito, foi sair no Pará, entre outras coisas, das invasões in-
em 1651. [3867] dígenas, das bandeiras armadas con-
785

tra eles, do estado de exploração das contém uma série de documentos,


lavras auríferas e da situação econô- referentes às atividades de Navarro
mica. Na relação dos lugares em que nos sertões setentrionais, que servi-
se descobriu ouro, nos exames a que ram de base ao trabalho do Autor,
se procederam de 1803 a 1804 nas um dos grandes pesquisadores da
Companhias Diamantinas dos rios história dos Estados do Norte.[3872]
Claro e Pilões, encontram-se dados Studart, Guilherme, Barão de. A explora-
sobre as descobertas das minas de ção das minas de São José dos Cariris, du-
ouro na região. [3870] rante o Governo de Luís Joseph Correia de
Studart, Guilherme, Barão de. Documentos Sá, segundo a correspondência do tempo
para a História do Brasil e especialmente a pelo Dr. G. Studart, Fortaleza. Ceará,
do Ceará (1608-1625). Fortaleza, Tip. Tip. Econômica, 1892. 62 p.
Studart, 1904-21. 4 v. Opúsculo muito bem documen-
É uma coleção de documentos tado, versa sobre as mal exploradas
inéditos coligidos pelo autor, de in- minas de Cariris, no sertão cearen-
teresse para a História Geral do Bra- se. [3873]
sil e dos estados setentrionais. Mui- Taques, Pedro.
tos documentos interessam à histó- vide
ria do devassamento das terras do Leme, Pedro Taques de Almeida Pais.
Norte: alcançam até o ano de[3871] 1682. Taunay, Afonso de Escragnolle. Coletâ-
Studart, Guilherme, Barão de. Documentos nea de mapas da cartografia paulista anti-
relativos ao mestre-de-campo, Manuel Ál- ga, abrangendo nove cartas, de 1612 a
vares de Morais Navarro; notícias para um 1837, reproduzidas da coleção do Museu
capítulo novo da história cearense. (Rev. Paulista e acompanhadas de breves comen-
inst. hist. geo. Ceará, v. 30, Fortaleza, tários. Volume I, São Paulo, Caieiras,
1916, p. 350-364, v. 31, Fortaleza, Rio de Janeiro, Companhia Melhora-
1917, p. 161-233). mentos de São Paulo, 1922.
A parte contida no vol. XXX Entre as cartas antigas aqui re-
consta de uma apreciação dos feitos produzidas, são de importância para
de Navarro e da ação dos paulistas a história do bandeirismo o Mapa
no devassamento do Nordeste. Ma- presentado a S. M. por D. Luís de Céspe-
nuel Álvares de Morais Navarro fez des Xeria para la mejor inteligencia del
parte da expedição oficial ao Norte, viaje que hizo desde la Villa de San Pablo
chefiada por Matias Cardoso de Al- del Brasil a la Ciudad Real del Guayrá,
meida, que a pedido do Governador feito em 1628 e copiado do original
do Estado do Brasil, foi debelar os existente no Archivo General de In-
índios bravos do Rio Grande do dias, em Sevilha. Apesar de ter sido
Norte e do Ceará (1689); sucedeu ao elaborado sem nenhum critério cien-
chefe como mestre-de-campo, che- tífico, constitui o único mapa sobre
gando ao Rio Grande do Norte em a penetração do território brasileiro,
1693. Em 1701 ainda exercia o posto feito na primeira metade do século
nos sertões do Norte. O vol. XXXI XVI. O Mapa das Minas de Ouro e S.
786

Paulo e costa do mar que lhe pertence, an- Biografia de um dos mais notá-
terior a 1745, é considerado por veis bandeirantes paulistas (1608-
Taunay um verdadeiro mapa bandeirante, 1681). Nascido em São Paulo ou nos
apesar das extravagâncias geográfi- seus arredores, aos 30 anos era cabo
cas, pois menciona os centros de mi- de tropa. Suas atividades nas expedi-
neração dos primeiros anos de con- ções de devassamento das terras
quista de Minas Gerais; foi copiado centrais e meridionais estão ligadas
do original existente na Biblioteca ao ciclo de caça ao índio e ao das ex-
Nacional. O mapa anônimo da re- pedições para a procura de pedras co-
gião parano-paraguaia, cujo original radas e jazidas minerais. [3876]
também pertence à biblioteca Nacio- Taunay, Afonso de Escragnolle. História
nal, considerado por Taunay da se- da vila de São Paulo no século XVIII
gunda metade do século XVIII, traz (1701-1711). São Paulo, Imprensa
referência a vários fatos da expansão Oficial, 1931. 251-35 p.
paulista. [3874]
Informações valiosas sobre as
Taunay, Afonso de Escragnolle. Um
condições econômicas e sociais em
grande bandeirante. Bartolomeu Pais de
São Paulo, na época indicada, resul-
Abreu (1674-1738). Exploração do
tantes da descoberta e exploração das
Paraná, do Rio Grande do Sul e de
minas de ouro nas Gerais. [3877]
Mato Grosso; a conquista de Goiás.
(An. Mus. Paulista, v. I, 1ª parte, São Taunay, Afonso de Escragnolle. História
Paulo, 1922, p. 417-519). Geral das bandeiras paulista. São Paulo,
Biografia de um dos grandes ban- Tip. Ideal, 1924-36. 7 v.
deirantes paulistas (1674-1738). Obra fundamental para o estudo
Como sertanista, participou da pri- do bandeirismo. O autor iniciou,
meira fase do ciclo do ouro, explo- com este trabalho, um estudo de
rando terras meridionais de Minas análise do movimento sertanista,
Gerais, devassou os Campos Gerais desde as primeiras expedições do sé-
de Curitiba e a região do sul do rio culo XVI. Não apenas condensou
Iguaçu, até o Rio Grande do Sul; toda a literatura histórica sobre o as-
abriu o caminho para Mato Grosso, sunto, mas dando a conhecer notá-
desde Sorocaba até a barranca do rio vel massa de documentos dos arqui-
Paraná; explorou a região aurífera de vos nacionais e estrangeiros, com-
Cuiabá, em Mato Grosso, e foi o pletamente ignorados, projetou no-
inspirador e o organizador da vas luzes sobre todo o movimento
bandeira que efetuou o descobri- expansionista, retificando, amplian-
mento e a ocupação de Goiás, em do ou revelando novos episódios,
1722. [3875] até então ignorados. No primeiro
Taunay, Afonso de Escragnolle. A gran- volume, o autor estuda o ambiente
de vida de Fernão Dias Pais. (An. Mus. em que desabrochou o bandeirismo,
Paulista, v. 4, São Paulo, 1931, p. 1- os primeiros contatos e conflitos
200). hispano-paulistas, a questão servil
em São Paulo e a fundação dos esta-
787

belecimentos jesuíticos na bacia pla- de do século. O terceiro volume pros-


tina. No segundo e no terceiro volu- segue na narrativa da questão do es-
mes estuda o conflito hispano-pau- cravismo vermelho, questões de políti-
lista, nos períodos 1628-1641, res- ca interna, aspectos sociais, econômi-
pectivamente. No quarto volume, cos e administrativos da segunda me-
ainda prossegue no estudo da pene- tade do século; este último assunto
tração bandeirante em território pa- constitui ainda o objeto de todo o
raguaio e a ocupação do sul do Mato volume quarto da obra. [3879]
Grosso; além disso, ocupa-se das ex- Taunay, Afonso de Escragnolle. Sob el
pedições paulistas à Bahia e do des- Rei Nosso Senhor. Aspectos da vida se-
bravamento do Piauí. No quinto vo- tecentista brasileira, sobretudo em
lume inicia o estudo do ciclo de mi- São Paulo. São Paulo, Oficinas do
neração, analisando as jornadas nos Diário Oficial, 1923. (An. Mus. Paulis-
sertões baianos, os primórdios da ta, v. 1, São Paulo, 1922, p. 291-409).
mineração, o ciclo de ouro de lava-
Estudo sobre São Paulo, no mea-
gem e as expedições para descobrir
do do século XVIII; versa principal-
esmeraldas e prata. No sexto volume
mente sobre as condições econômi-
volta a se ocupar da ocupação do sul
co-sociais. [3880]
do Mato Grosso, e continua o estu-
do do ciclo das pedras preciosas e o Techo, Nicolás del. Historia de la Provincia
da prata, expondo a grande jornada del Paraguay de la Compañia de Jesús por
de Fernão Dias Pais. A última parte el P. Nicolás del Techo. Versión del tex-
do volume foi dedicada à conquista to latino por Manuel Serrano y Sanz.
do Nordeste à guerra dos Bárbaros. Con un prólogo de Blas Garay. Ma-
No vol. VII, trata da conquista do drid, Librería y Casa Editorial A. de
Nordeste pelas bandeiras paulistas Uribe y Compañia, 1897. 5 v. (Biblio-
e dos antecedentes da guerra dos teca Paraguaya). 1ª edição em latim,
Palmares. [3878] Leod, 1673.
Taunay, Afonso de Escragnolle. História O autor chegou ao Paraguai em
seiscentista da Vila de São Paulo. São Pau- 1649, onde veio a ser provincial; fa-
lo, Tip. Ideal, 1926-29. 4 v. leceu em 1680. Sua obra, como
É a história do século XVII pau- acontece em geral com as obras je-
lista, o grande século das bandeiras suíticas da época, é vazada nos prin-
de caça ao índio. Reconstruindo a cípios religiosos do autor; está calca-
história de São Paulo dessa época, o da nos trabalhos de lavra jesuítica,
autor revela o paralelismo existente principalmente no de Montoya.
entre a história da cidade e a do mo- Consta de 14 livros, dos quais o ter-
vimento bandeirante, em muitos dos ceiro descreve a província jesuítica
seus episódios. O primeiro volume de Guiará; o IX trata da invasão dos
trata da questão servil; o segundo paulistas, o X, da fundação das al-
versa sobre os conflitos políticos e os deias dos índios itatines e dos ata-
aspectos econômicos, sociais e admi- ques dos bandeirantes paulistas con-
nistrativos da cidade na primeira meta- tra elas; os livros XI e XII se ocu-
788

pam das incursões bandeirantes con- vidiu a obra em dois livros; no pri-
tra a província de Tape. [3881] meiro, faz o relato de todas as expe-
Teixeira, José João. Extrato da memória dições que trilharam o território de
manuscrita do doutor José João Teixeira, Minas Gerais e do nascimento dos
1778. Do quinto do ouro e diversas primeiros arraiais, até o fim do sécu-
formas da sua cobrança. (Rev. Inst. lo XVII; traz uma notícia sobre os
Hist. Geo. Bras., v. 6, Rio de Janeiro, índios que habitavam o território e
1865, p. 292-304). na última parte, trata das expedições
Resenha das leis sobre a cobrança que descobriram o ouro, desde fins
dos direitos reais na região das mi- do século XVII até 1703, e notas ge-
nas, na capitania de Minas Gerais. nealógicas acerca dos principais des-
Informa também sobre os contratos cobridores. O livro II foi dedicado
dos diamantes. Contém uma tabela ao histórico das expedições no pe-
de rendimento do quinto do ouro de ríodo 1703-1720, às guerras na re-
1700 a 1777 e a dos dízimos de 1704 gião das minas, ao mecanismo fiscal;
a 1776. [3882] a última parte foi consagrada a notas
esclarecedoras e transcrição de docu-
Teschauer, Carlos. História do Rio Grande
mentos. [3884]
dos dous primeiros séculos. Porto Alegre,
Livraria Sebach., 1918-22. 3 v., ilus.; Vasconcelos, Diogo de. História média de
XXXIV -- 405; 446; 509 p. Minas Gerais. Belo Horizonte. Im-
prensa Oficial, 1918. 324 p.
Obra básica para o estudo do po-
voamento do território sul-rio-gran- Continuação da obra do mesmo
dense de 1626 a 1801. O autor deu autor intitulada História antiga das Mi-
grande desenvolvimento à história nas Gerais, mas de menor valor. His-
da fundação e do crescimento das toria o período que vai desde 1720,
reduções jesuíticas, as quais consti- com a instalação da capitania de Mi-
tuíam a província de Tape, teatro de nas Gerais, até 1785, véspera da In-
rudes batalhas entre os bandeirantes confidência Mineira. Trata das últi-
paulistas e os índios. O l. 3º foi dedi- mas descobertas auríferas e de dia-
cado às notas bibliográficas e à mantes, do mecanismo fiscal e dos
transcrição de abundante documen- motins da região das minas. No final
tação. [3883] traz notas biográficas sobre os prin-
Vasconcelos, Diogo de. História antiga de cipais sertanistas. [3885]
Minas Gerais. Belo Horizonte, Im- Vasconcelos, Diogo de. Memórias sobre a
prensa Oficial, 1904. 419 p. capitania de Minas Gerais. Minas e
Obra clássica, com base docu- quintos de ouro. (Rev. Arq. Pub. Mi-
mental. O autor foi um dos primei- neiro, v. 6, Belo Horizonte, 1901, p.
ros a se ocupar da história colonial 757-978).
de Minas Gerais; contém muitas ine- A primeira parte deste trabalho
xatidões, facilmente averiguáveis ao intitulada Breve descrição geográfica, física
confronto das obras dos pesquisa- e política da capitania de Minas Gerais,
dores contemporâneos. O autor di- escrita em 1806, foi publicada, ape-
789

nas em parte, na Rev. Inst. Hist. Geo. brasileiro, na região do Cabo Frio
Bras., v. 29, Rio de Janeiro, 1866, p. (Rio de Janeiro), em 1504. [3888]
5-114, sob o título Descobrimento de Viana, José de Oliveira Francisco. Popu-
Minas Gerais. O Autor trata da des- lações meridionais do Brasil; história, orga-
coberta e exploração das minas, in- nização, psicologia. 4ª edição, São
forma sobre a administração civil, Paulo Editora Nacional, 1938. (Bra-
eclesiástica e judiciária, a população, siliana, v. 8) 422 p. 1ª edição, São
e apresenta uma notícia sobre as ci- Paulo 1920.
dades, vilas e arraiais da capitania. A Estudo interpretativo sobre a for-
segunda parte, intitulada Minas e mação social e política das popula-
quintos de ouro, publicada em 1892 no ções rurais do Centro-Sul e Sul do
Diário Oficial do Rio de Janeiro, foi Brasil. As considerações do autor,
então considerada por Capistrano de sobre o fausto da sociedade bandei-
Abreu a história mais completa que rante paulista e a extensão da pro-
até aquela data se havia escrito sobre priedade rural, estão hoje desacredi-
o regime tributário colonial. Como tadas à vista do que revelou a pes-
fonte de informação, nesse sentido, quisa documental contemporânea.
conserva grande valor, fazendo-se Feitas tais ressalvas, merecem ser lidas
ressalva das idéias do Autor, adepto as páginas que o Autor escreveu sobre
do absolutismo e dos privilégios da a dispersão dos paulistas. [3889]
Coroa. [3886] Viana, Urbino. Bandeiras e sertanistas baia-
Vasconcelos, Salomão. Bandeirismo. Belo nos. São Paulo, Editora Nacional,
Horizonte, S. c. p., 1944. 131 p. ilus. 1935. 207 p. (Brasiliana, v. 48).
O objetivo do autor foi interpre- A obra procura ressaltar a impor-
tar os roteiros das mais importantes tância histórica do rio São Francisco,
bandeiras que percorreram o territó- como um polarizador das expedições
rio de Minas Gerais; reconstituiu-os exploradoras que devassaram a re-
em gráficos. [3887] gião central. O Autor põe em evi-
Vespucci, Americo. Vita et lettere di Ame- dência o papel dos sertanistas baia-
rigo Vespucci. Florença, 1745. nos como povoadores do médio São
A parte relativa às viagens do Francisco. [3890]
Brasil foi anotada e publicada por Vieira, Antônio, Padre. Cartas do Padre
Francisco Adolfo Varnhagen sob o Antonio Vieira, coordenadas e anota-
título Cartas de Américo Vespúcio na das por Lúcio de Azevedo Coimbra.
parte que respeita às suas três viagens no Imprensa da Universidade, 1925-28.
Brasil e anotadas criticamente pelo Viscon- 3 v., XVII -- 605, XVIII -- 710, XIV
de de Porto Seguro (Rev. Inst. Hist. Geo. -- 811 p...
Bras., 41, Rio de Janeiro, 1878,1ª Cartas do famoso jesuíta (1608-
pte., p. 5-31). O valor histórico des- 1697) que doutrinou na região ama-
ses documentos em relação ao ban- zônica; encerram informações sobre
deirismo consiste na narração da pri- o apresamento, a catequese e o siste-
meira entrada realizada no interior ma de administração dos indígenas.
790

O Autor foi administrador dos ín- Barra do Ferreiro no rio Vermelho,


dios do Maranhão e participou de em Goiás, em dezembro de 1792;
numerosas penetrações na região, desceu os rios Vermelho, Araguaia e
entre as quais a jornada de Ibiapaba o Tocantins até o porto de Alcoba-
no sertão cearense e a catequese dos ça, onde chegou a 16 de fevereiro de
nheengaíbas na ilha do Marajó. É do 1793. Sua relação tem bastante inte-
seu tempo a expansão das missões resse pelo que informa acerca das
jesuíticas dos principais centros -- condições da navegação naqueles
Belém e Gurupá -- pelos rios Tocan- rios. Consta ainda o diário da viagem
tins, Xingu e Tapajós. [3891] efetuada pelo Autor do porto de Al-
Vila Real, Tomás de Sousa. Viagens de cobaça no rio Tocantins, até as al-
Tomás de Sousa Vila Real pelos rios To- deias dos índios carajás no rio Ara-
cantins Araguaia e Vermelho. Acompa- guaia, em abril e maio de 1792. Vá-
nhado de importantes documentos rios ofícios de autoridades coloniais
oficiais relativos à navegação. (Rev. servem de comentário àquela via-
Inst. Hist. Geo. Bras. v. 11, Rio de Ja- gem. [3892]
neiro, 1848, p. 401-444). Young, Ernesto Guilherme. Subsídios
Trata-se da descrição de uma via- para a história de Iguape: mineração do
gem efetuada pelo Autor, como ouro. (Rev. Inst. Hist. Geo. São Paulo, v.
cabo de uma expedição mercantil, 6, São Paulo, 1902, p. 400-435).
destinada a explorar e reconhecer a Trabalho solidamente documen-
navegação dos rios Vermelho e Ara- tado; mostra o desenvolvimento da
guaia, a fim de estabelecer a comuni- mineração em Iguape, uma das pri-
cação e comércio entre as capitanias meiras localidades de onde se extraiu
de Goiás e Pará. O Autor partiu da ouro no Brasil (1635-1777). [3893]
791

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Os holandeses no Brasil

José Honório Rodrigues


A expansão holandesa para a América, impulso lento e demorada-
mente realizado, mais por força do espírito capitalista e calvinista que in-
vadira a alma neerlândica, de que por desejo de aventura quixotesca, tem
atraído o interesse de muitos estudiosos sérios, a cobiça de muito anti-
quário e a opinião de muito intelectual desocupado de assunto.
Vencendo obstáculos imensos, destruindo posições fortificadas,
cheia de si e de capital, a Holanda impõe-se durante o reinado de Frede-
rico Henrique (1625-1647) como força preponderante na política colo-
nial da Europa.
Navegando por mares já dominados, comerciando e traficando
com povos já conquistados, ela soube fazer respeitar a força de seu capi-
tal e o império das suas armas.
Não foi por vontade, ou por força de desordens e injustiças, que
nações européias quebraram, no século XVII, antigas amizades para ini-
ciar perpétuas contendas.
Datam daí, desse século, o fracasso econômico e político das nações
pouco aburguesadas ou sem capitais e o erguimento das que, por razões
já bem estudadas puderam remeter às armas as dúvidas e disputas sobre
colônias.
Preocupada em estender seu comércio, com capitais abundantes1
usando em larga escala do crédito, disputando o mar, fabricando e ex-
portando às nações detentoras de colônias, como Portugal2, a Holanda
tornou-se, em pouco, senhora do comércio mundial.

(1) Mentor Bounatian, Les crises économiques, Paris, 1922, p. 365.


(2) Cf. Antologia dos Economistas Portugueses; seleção, prefácio e notas de Antônio Sérgio,
Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional, 1924, p. 249, 250.
O.S. 03763/97 -- 7ª PAG. -- Britto -- 24
792

A exportação holandesa para Portugal e Espanha fornecia à Holan-


da as armas com que combater a tirania dos Filipes. Tendo Filipe III fe-
chado o comércio aos navios holandeses, viu-se a Holanda,1 impelida
pela necessidade econômica, a expandir-se para as Índias Ocidentais e
pensar, então, na exclusividade do seu comércio.
Usselincx, que batalhou pela formação das Companhias das Índias
Ocidentais, sempre considerou como condição de êxito para a criação
do comércio marítimo neerlandês no Brasil o estabelecimento de colô-
nias. Mas os diretores da Companhia das Índias Ocidentais não se preo-
cuparam senão com os lucros comerciais que pudessem advir de con-
quistas puramente mercantilistas.
Espírito inteiramente diferente dominou a expansão portuguesa.
Basta considerar, por exemplo, que tendo sido Portugal o primeiro país
na Europa a formar estabelecimentos comerciais nas Índias, e o primei-
ro a ver afluir a seus portos os navios carregados de produtos da Ásia,
África e América, foi dos últimos a formar uma companhia de comércio.
Os aventureiros solteiros ou casados que tomaram parte na restau-
ração da Bahia em 1625 vinham vencer o herege e expandir a fé. E a fé
calvinista, identificando o sucesso com a graça de Deus, considerando a
pobreza um pecado, racionalizando a vida, tirando o ascetismo dos
claustros e levando-o à vida prática e profissional, organizava o sistema
econômico não no costume ou na tradição, não no futuro ou na bem-
aventurança da vida eterna, mas na deliberada e sistemática aquisição de
riqueza, obra agradável aos olhos de Deus. Calvino tornou possível a
aceitação da nova ordem econômica criada pelas descobertas marítimas,
pelo comércio e pelas descobertas científicas. E os holandeses e ingleses,
povos frios e pouco aventureiros, aos quais, até então, nunca seduzira a
pura descoberta, a simples exploração geográfica ou proeza ultramarina,
lançaram-se ao comércio e à navegação, dirigidos pelos líderes burgue-

(1) A proibição de comerciar com os holandeses data da Carta Régia de 5 de junho de


1605. Cf. J. F. Lisboa, Obras, ed. 1864-65, 3º tomo, p. 410.
793

ses, que haviam se apossado do poder e encontravam no calvinismo ou


na Igreja da Inglaterra estímulo e justificativa.
A universalidade da experiência holandesa ou inglesa foi adquirida
com o domínio marítimo conseguido pelo explorador ou comerciante.
O mar foi ativo e aquisitivo, ao invés de passivo e receptivo, como na
experiência hispano-lusitana.
Assim, enquanto a colonização portuguesa continuava a ser a ex-
pressão de uma fase social envelhecida, a holandesa ou a inglesa eram o
sinal da subida ao poder de uma classe de origem humilde, mas criadora
da nova fase de desenvolvimento econômico.
O trabalho não como meio econômico, mas como fim espiri-
tual, possibilita aos pioneiros do capitalismo -- os burgueses -- a
ascensão social. Por isso, para Max Weber, capitalismo é a resposta
social da teologia calvinista 1, embora para outros, e parece-nos que
com mais razão, seja o calvinismo a resposta teológica do capitalismo
comercial.
Portugal e Espanha, cujas classes dirigentes não tiveram, no século
XVII, representantes à altura, capazes de adaptarem a nação às novas
condições sociais e econômicas, começam a sofrer uma tão grave crise,
que cedo se verão transformadas em potências de classe secundária.
Eis por que pôde a Holanda iniciar a expansão pelo mundo e -- o
que particularmente nos interessa -- para a América, abatendo a marinha
espanhola, conquistando e dominando colônias.
Amsterdã tornou-se, no século XVII, o entreposto do tráfico mun-
dial. Dificilmente um porto possuiu uma supremacia tão exclusiva, exer-
ceu atração tão irresistível e ofereceu caráter tão cosmopolita. Foi duran-
te anos de progresso, por uma fortuna extraordinária, que ela se consti-
tuiu no maior mercado do mundo, no maior centro bancário do univer-
so, onde afluíam capitais e navios, onde se ouviam falar todas as línguas

(1) Max Weber, The protestant ethic and the spirit of capitalism, trad. inglesa, Prefácio de R.
H. Tawney, London, George Allen & Unwin, 1930, p. 2.
794

do mundo e que converteu os Países-Baixos na "terra comum de todas


as nações", como lembrou Henri Pirenne.
A luta pela expulsão holandesa é obra muito mais dos mazombos,
brasileiros, brasis e negros, do que da força portuguesa. Foram os que se
adaptaram ao Brasil e os que aqui nasceram que expulsaram o invasor
holandês.
Na verdade, Portugal pensou a certa altura da luta em entregar Per-
nambuco à Holanda. Sousa Coutinho, embaixador português em Haia,
de 1643 a 1650, chegou, mesmo, a propor a cessão de Pernambuco, de
ordem do próprio Rei D. João IV. Muitos estadistas portugueses, tendo
à frente o Padre Antônio Vieira, inclinavam-se pela cessão. O povo por-
tuguês e o procurador da Fazenda, Pedro Fernandes Monteiro, impug-
naram-na, sem dúvida: mas as negociações para a compra e venda de
Pernambuco continuaram a ser realizadas em Haia. Portugal observou
sempre uma política de vacilações e dúvidas, sacrificando as colônias
pela paz na Europa.
É verdade que a Holanda sempre seguiu, igualmente, duas políticas
com relação a Portugal: paz na Europa, por causa do sal de Setúbal,
guerra nas colônias, devido às matérias-primas e aos gêneros coloniais.
Vencida pela força e pelo valor dos luso-brasileiros, a Holanda exi-
giu que Portugal comprasse o que lhe pertencera, mas, desde aí, sob esta
pressão externa, operou-se uma solda -- superficial, imperfeita, mas um
princípio de solda, entre os diversos elementos étnicos, e o Brasil come-
çou a tomar consciência de si mesmo.
Quase todos os aspectos desta fase histórica têm sido examinados.
Trata-se, até, do período da História brasileira que oferece o mais belo
conjunto de obras raras e preciosas. Não seria possível nem justo anali-
sar detidamente todos os livros que trataram do assunto. É mais impor-
tante assinalar aqueles de maior valor, indicar os que têm sido injusta-
mente considerados como valiosos, sem que nada lhes justifique o renome.
Os historiadores holandeses e lusitanos do século XVII concede-
ram assinalada importância ao acontecimento. Uns para louvar e engran-
795

decer os feitos de seus contemporâneos, outros para lamentar as aflições


dos moradores brasileiros ou protestar contra a injustiça do ataque. Os
autores holandeses de primeira importância são: Johannes de Laet, Gas-
par Barleus, Joan Nieuhof; os franceses estão bem representados por
Pierre Moreau; entre os portugueses, os mais importantes são: Bartolo-
meu Guerreiro, Duarte de Albuquerque Coelho, Francisco de Brito Frei-
re, Manuel Calado e Francisco Manuel de Melo.
Joahannes de Laet (1593-1649) é fonte inesgotável. Possuindo os
documentos oficiais, correspondência e outros papéis, como diretor, que
foi, da própria Companhia, sua obra Historie ofte Laerlijck Verhael é exata,
fidedigna e, do ponto de vista holandês, o fundamento de toda a fase
que vai de 1621 até 1636. Seu outro livro, Beschrijving van West-Indien, é
valiosa fonte de informação sobre as Índias Ocidentais. Deixa, porém,
muito a desejar em comparação com a História ou Anais.
Segue-se Caspar Barleus (1584-1648), cuja obra é um digno monu-
mento erguido em memória da figura de João Maurício de Nassau. Livro
impecável na impressão, de texto cativante e fiel, embora panegírico,
constitui a principal fonte holandesa para a fase de 1637 a 1644.
Nieuhof constitui o historiador da rebeldia, o que mais fielmente
relata a luta, a situação política e econômica, os erros e defeitos da políti-
ca colonial holandesa.
Depois dessa fase, não há, propriamente, um historiador holandês
que mereça indicação especial. Tem-se que recorrer aos folhetos e, en-
tão, não adianta citar um ou dois. Eles são inúmeros e todos importan-
tes. Talvez mais importantes, por serem relatos oficiais, merecem citação
o folheto assinado por Wouter van Schonenburgh, Hendrick Haecx e
Sigismundus van Schoppe e o Diário de Hendrick Haecx.
Afora isso, devem-se mencionar outros livros gerais, que não tra-
tam especialmente do Brasil, mas constituem fontes indispensáveis para
a história do século XVII. Nicolas Wassenaar (?--1630), Lieurve Aitzma
(1600-1669), Willem Baudartium e Jan Wagenaar (1709-1773) são todos
três magníficos repositórios de informações sobre a história colonial e
796

metropolitana da Holanda. Deve-se mencionar, também, como fonte da


história internacional da época o polemista Abrão Wiquefort (1606-
1682) e Jacques Basnage. E, como fonte para a história econômica da
época, Jacques Acarias Serionne (1706-1792) e a edição aumentada feita
por Elis Luzac. Sobre a história marítima, é fonte indispensável a Política
Marítima de Johan Tjassens ( ?--1670).
O livro de Pierre Moreau, autor francês que, entretanto, pelo cargo
e pelos interesses pertence ao partido dos invasores, é de leitura reco-
mendada pelo valor das informações sobre a história da revolução e so-
bre a história social. Moreau e Nieuhof são as melhores fontes holande-
sas para a história da rebeldia pernambucana.
Num estudo comparativo sobre as fontes indicadas como princi-
pais pelos mais importantes autores especializados dessa fase -- Nets-
cher, Warnhagen e Wätjen --, podem-se notar os seguintes fatos curio-
sos: Netscher esqueceu-se dos folhetos holandeses, citando apenas um
ou outro, de menor importância. Além disso, cita, por vezes, incomple-
tamente. É o que se verifica, por exemplo, quando cita o folheto Oors-
pronckelijcke missive geschreven bij den Generael Weerdenbuch... Haia, 1630, que
nenhum dos grandes e autorizados bibliógrafos de folhetos, como Tiele
e Knuttel, mencionam. Varnhagen faz referência especial apenas a Mo-
reau e Nieuhof, esquecendo-se de Laet, Aitzma, Luzac, Wiquefort, e ci-
tando apenas um ou outro folheto. Wätjen, que foi quem melhor se uti-
lizou dos folhetos holandeses, esqueceu-se de Wiquefort e Moreau.
Como se vê, nenhum deles foi completo nas indicações, não das
fontes gerais, mas, pelo menos, das principais fontes holandesas.
Outro autor holandês, compilador é certo, mas que merece ser cita-
do, é Arnoldus Montanus. Apenas Netscher lembrou-se de seu nome.
Sobre as fontes portuguesas, Bartolomeu Guerreiro é valioso docu-
mento sobre a conquista e restauração da Bahia. Duarte de Albuquerque
Coelho e Frei Manuel Calado constituem os dois principais autores do
século, no que se refere não só à história dos holandeses como à história
social seiscentista. Seus livros constituem magníficos flagrantes da épo-
797

ca. Foi uma injustiça sem nome a que cometeu o austero sorocabano
Varnhagen quando remeteu ao fogo da inquisição a obra de Calado, jul-
gando-a defeituosa e sem dignidade histórica. Calado não podia nem de-
via, como guerreiro e pregador, ser frio narrador dos acontecimentos
que molharam de sangue a terra em que viveu trinta anos. Foi apaixona-
do partidário, anti-holandês; mas foi, sem dúvida, o melhor espelho por-
tuguês da vida contemporânea.
Baseado na própria crítica que lhe fizera Varnhagen, Wätjen declara
que é preciso muita paciência, coragem e penosíssimo incômodo para le-
var a cabo a leitura desse volume. Trata-se de juízo sem mérito, porque
logo a seguir considera-o revoltante1 por ter atacado desapiedadamente
os holandeses. Se Wätjen, como alemão, foi parcial em 1921, é natural
que Calado, lutando contra o invasor, o fosse em 1645, quando no fogo
da luta escrevia sua obra.
Brito Freire, que abrange a história de 1624 a 1638, é também va-
lioso autor. Não merece o ataque que lhe dirigiu Varnhagen, ao acusá-lo
de plagiador de Duarte de Albuquerque Coelho.
É curioso acentuar que, quanto aos cronistas portugueses, Nets-
cher, Varnhagen e Wätjen tiveram, também, variedade de opinião.
Netscher desconheceu Calado, Brito Freire, Bartolomeu Guerreiro,
D. Manuel de Meneses, Rafael de Jesus. Varnhagen conheceu-os natu-
ralmente a todos, mas se foi justo na crítica ao enfático e maçudo Rafael
de Jesus, não o foi quanto a Brito Freire e Calado. Wätjen desconheceu
Bartolomeu Guerreiro, D. Manuel de Meneses, Francisco Manuel de
Melo e, o que é de estranhar, Duarte de Albuquerque Coelho, fonte im-
portantíssima.
D. Manuel de Meneses, que citamos como tendo sido esquecido
por Netscher e Wätjen, foi autor de consciência, como diz Varnhagen,
se recomendado pelo valor oficial de que vinha revestido.

(1) Wätjen, Herman, O Domínio Colonial Holandês no Brasil, São Paulo, Cia. Editora
Nacional, 1940, p. 38. Na p. 10 da ed. alemã, abstossender.
798

Entre os autores alemães contemporâneos às lutas, Richshoffer é


boa fonte. Foi esquecido por Netscher e Varnhagen, mas Wätjen, com
sua costumeira parcialidade, diz que o seu valor está na precisão alemã
com que escreve1. Esquecido foi, também, J. G. Aldenburg, de Cobur-
go, curioso viajante, que desde 1623 servia sob as ordens do Almirante
Willekens.
Estes são os principais autores contemporâneos. A partir do século
XIX reiniciou-se o estudo da questão que permanecera, durante o século
XVIII, esquecida de autores holandeses, brasileiros e portugueses. Tal-
vez Loureto Couto seja dos poucos que se lembraram de falar de Per-
nambuco renascido. Sua obra Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco,
publicada pela primeira vez em 19022, apesar de escrita por volta de
1757, não é fonte indispensável.
Quando, no século XIX, se reexaminou o problema da política co-
lonial dos povos europeus, como lembra Wätjen, e se foi buscar na his-
toria fatos ilustrativos da melhor ou pior orientação adotada, começou-
se a escrever sobre a história dos holandeses no Brasil. Talvez tenha sido
esse o motivo que levou Netscher, até então apenas oficial de Marinha, a
procurar defender a política colonial holandesa, atacada por jornais in-
gleses. Outros foram os motivos que incentivaram Francisco Adolfo
Varnhagen (1816-1878). Ele próprio escreveu que, quando estava para
se decidir a luta com o Paraguai, resolveu, para animar os que se queixa-
vam de uma guerra de mais de dois anos, "o avivar-lhes a lembrança,
apresentando-lhes, de forma conveniente, o exemplo de outra mais anti-
ga, em que o próprio Brasil, ainda então insignificante colônia, havia luta-
do, durante vinte e quatro anos, sem descanso e, por fim, vencido, contra
uma das nações naquele tempo mais guerreiras da Europa"3.
Na verdade, não só esses motivos levaram ao reexame do proble-
ma. Nos meados do século XIX, um movimento renovador atingira a

(1) Id. id., p. 51.


(2) Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 1902, vol. XXIV, Rio de Janeiro, 1904.
(3) História das Lutas, 2ª ed., 1872, p. VI.
799

História. A dependência do estudo das fontes, as tentativas bibliográficas,


o cuidado erudito e o criticismo histórico possibilitaram novas interpre-
tações, novos estilos e nova historiografia. Daí o aparecimento dos li-
vros de Netscher e Varnhagen. Ambos representam, até hoje, boas e va-
liosas obras. Se não foi Varnhagen justo na crítica a Netscher1, não o foi
menos Wätjen ao declarar que o trabalho de Netscher, como obra clássi-
ca, sobrepujava a de Varnhagen. Não só consultou este os documentos
holandeses ecaminhados por Netscher, como, ainda mais, baseou-se no
material espanhol e português quase inteiramente desconhecido por
aquele.
A resposta de Netscher às acusações de Varnhagen é uma digna
demonstração de sua dedicação às fontes holandesas. Mas Varnha-
gen foi além, e sua obra constitui, até hoje, fonte de indispensável con-
sulta.
É preciso não esquecer, porém, que a parte holandesa da História
Geral do Brasil, na edição revista por Capistrano de Abreu e Rodolfo
Garcia, constitui hoje melhor fonte do que a própria História das Lutas
com os Holandeses no Brasil (ed. 1871, 1872).
O único elogio que a parcialidade de Wätjen o deixou fazer a Var-
nhagen foi ao escrever que coube ao filho de um imigrado alemão pal-
milhar, no Brasil, pela primeira vez, a crítica metódica de fontes. Var-
nhagen foi, todavia, para nós, o mestre, o guia e o senhor como escre-
veu com justiça Capistrano de Abreu, em 18822.
Quanto a Pieter Marinus Netscher (1824-1903), natural de Roterdã,
feito tenente do exército nerlandês em 1842, foi um amador em história.
Sua estréia nesse campo foi a notícia sucinta das principais explorações
holandesas na América meridional. Wätjen foi justo ao acentuar que a
excelência de sua obra repousa na ordenação da matéria, no esforço de
imparcialidade, na fluência da narrativa e na ponderação do julgamento.

(1) Les hollandais au Brésil. Un mot de réponse à Mr. Netscher. Viena, 1874.
(2) Cf. Visconde de Porto Seguro, História Geral do Brasil, vol. III, p. 444, ed.
800

Sua obra é o principal trabalho de conjunto escrito por um holandês so-


bre o assunto.
P. J. Blok, por exemplo, o melhor historiador holandês, reporta-se
a Netscher quando descreve os acontecimentos dessa fase. Deve-se
mencionar o maior interesse por essas questões, na Holanda, a começar
pelos estudos de Veegens, Van Kampen e Tjassens. Modernamente, um
pequeno grupo de historiadores e uma boa coleção de monografias ho-
landesas retificaram erros, esclareceram dúvidas e apresentaram novos
aspectos. Dentre eles merecem destaque M. G. de Boer, J. C. M. Warn-
sinck e S. P. L’Honoré Naber, todos falecidos.
Na historiografia holandesa a questão assumiu aspectos de detalhe
da aventura, sistemática embora, mas aventura sem maiores conseqüên-
cias para a história pátria.
O melhor tratamento científico da questão começou a aparecer a
partir de século XX, quando Wätjen escreve a sua magnífica contribui-
ção. Como notamos na ficha correspondente, este é o melhor trabalho,
mas falta-lhe uma melhor compreensão das fontes luso-brasileiras e uma
melhor simpatia em relação aos motivos de rebeldia pernambucana.
Além das falhas bibliográficas que temos indicado, é conveniente frisar
que Wätjen sempre considera mais autêntico o historiador holandês que
o luso-brasileiro.
Basta lembrar, por exemplo, que declara odiento a Frei Rafael de Je-
sus e grotescas as acusações anti-holandesas de Calado, Brito Freire e Ra-
fael de Jesus1.
Wätjen foi parcial: em seu livro a obra luso-brasileira sai diminuída
e a Holanda gabada. É certo que consultou as gordas fontes manuscritas
holandesas e retificou muito erro, mas não é menos certo que despre-
zou, com orgulho germânico, as boas fontes portuguesas.
Wätjen deixou de lado as interpretações sociológicas do fato histó-
rico. É verdade que estudou e criticou a tese de Sombart sobre a influên-

(1) Wätjen, H., ob. cit. ed. bras., p. 40, 41; ed. alemã, p. 12.
801

cia judaica na formação do capitalismo1, mas deixou de ver no ensaio de


colonização holandesa a tentativa sistemática e metódica de introdução
do capitalismo e calvinismo na cultura brasileira. Não viu a luta de clas-
ses entre senhores de engenho e burgueses do Recife, luta mascarada de
feição religiosa. Não viu a tentativa de conciliação tentada por Nassau,
nem a introdução assustadora da usura na vida colonial brasileira que,
afeita aos modelos católicos e portugueses, julgava a usura um pecado si-
nistro. Deixou de lado aspectos importantes de história social e pelo seu
desprezo à literatura histórica brasileira não compreendeu os conflitos,
inadaptações e desajustamentos das duas culturas em choque, tão diver-
sas, contando a dominada cento e trinta anos de império indiscutido e
indiscutível.
Seria difícil ao holandês adaptar-se ao regime econômico rural, de
latifúndio e monocultura que estruturava e condicionava todo o conjun-
to cultural luso-brasileiro. O fracasso estava dialeticamente determinado
desde que a imposição urbana e mercantil se chocava com os interesses
da classe rural. Os holandeses queriam o enriquecimento fácil e rápido,
que só o comércio possibilita, desde que a ética calvinista considerava a
pobreza voluntária como uma insânia danada2. Wätjen como que desco-
nheceu todos esses fatores ao escrever que a parcialidade e o fanatismo
religioso perturbaram de tal modo os livros de Calado, Brito Freire e Ra-
fael de Jesus que daí surgiram as "constantes acusações, que chegam a
tocar as raias do grotesco, daí a negação propositada ou apaixonada de-
preciação dos progressos culturais e econômicos que, apesar de tudo, o
Brasil Norte teve a agradecer aos holandeses"3.
Coube, no entanto, a Wätjen renovar, no século vinte, em bases
mais amplas, o estudo da questão. Pôde ele consultar não só os papéis
do Arquivo dos Estados Gerais como os do Arquivo da Companhia das

(1) Wätjen, H., Das Judentum und die Anfãnge der modernen Kolonisation. Stuttgart, 1914.
(2) Beins, Ernst, Die Wirtschaftsethik der calvinistischen Kirche der Niederlande, 1565-1650,
’sGrav., M. Nijhoff, 1931.
(3) Wätjen, H., ob. cit., ed. bras., p. 41, ed. alemã, p. 12.
802

Índias Ocidentais. Estes últimos não foram utilizados por Netscher e


Varnhagen, pois só foram confiados ao Arquivo Real de Haia em 1856,
três anos depois dos estudos de Netscher (1853).
Wätjen esclareceu aspectos culturais e econômicos que, na verdade,
haviam sido esquecidos por Netscher e Varnhagen. Dedicou ele grande
parte de sua obra à organização interna e financeira da colônia, à Igreja,
à população e à vida econômica. Seu livro é clássico e modelar, repre-
sentando um símbolo na historiografia sobre os holandeses no Brasil.
Devem-se, porém, salientar ao lado de suas contribuições suas deficiên-
cias e presunções.
Encarando em conjunto esse período da história brasileira vê-se
que muito resta a fazer e a estudar. O primeiro trabalho que toda histo-
riografia consciente deve aconselhar é o do levantamento de boas fontes
bibliográficas. Deve-se inventariar de modo definitivo e crítico todo o
material manuscrito, impresso e periódico sobre o domínio halandês no
Brasil. Com isto estaremos de posse de um excelente instrumento de tra-
balho para as futuras monografias e interpretações. Bibliografia que se-
pare o joio do trigo, para que se não repitam esforços e cuidados com
má literatura histórica. Devem-se investigar os aspectos sociais da histó-
ria do conflito cultural e econômico, sem cair nos exageros do pitoresco.
Estudar, por exemplo, a história dos holandeses no Brasil como a ex-
pansão capitalista e calvinista da Holanda para as nossas praias, verificar,
no caso colonial em vista, o que há de verdadeiro na tese de Weber so-
bre as relações do calvinismo com o capitalismo. A Companhia das Ín-
dias Ocidentais teve origem na Contra Remonstrancia da reação calvi-
nista1. Ernst Beins esboçou a tese em estudo recente2, recapitulando
a ética calvinista em relação à profissão, à usura, à escravidão e aos
monopólios.

(1) Geyl, P., The Netherlands divided 1609-1648, translated by S. T. Bindoff, London,
Williams Norgate, 1936.
(2) Die Wirtschaftsethik der Calvinistischen Kirche der Niederlande 1565-1650, ’sGrav., M.
Nijhoff, 1931.
803

Devem-se publicar não só os manuscritos portugueses existentes


na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e os que se encontram em
Portugal como os holandeses. Para isso, dever-se-ia incentivar a publica-
ção de catálogos dos principais arquivos e bibliotecas onde a riqueza e
fartura do material sejam conhecidas. Deveremos apressar a publicação
não só dos documentos coligidos por Joaquim Caetano da Silva, conser-
vados no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, como os trazidos
por José Higino Duarte Pereira, pertencentes ao Instituto Arqueológico
e Geográfico de Pernambuco. Estes últimos constituem o maior acervo
fora da Holanda e são, exatamente, os que não foram consultados por
Netscher nem por Varnhagen. José Higino trabalhou por volta de 1885
com os documentos da Câmara da Zeelândia, os Brieven en Papieren (13
vols.) e as Dagelijckese Notulen (12 vol.), afora mais quatro volumes e qua-
tro maços de manuscritos. Só se faz história com textos. Com bons e
autênticos textos.
Cabe lugar, aqui, para chamar atenção dos responsáveis sobre as
reimpressões de livros e folhetos raros deste período. A fase holandesa
do Brasil enriqueceu nossa bibliografia histórica de opulenta fonte de
obras valiosas. Não se justifica em face do desenvolvimento a que atin-
giu a edição crítica de obras raras ou de fontes materiais que se continue
a editar sem método e sem exame crítico histórico. Se merece louvor a
edição de Barleus do Ministério da Educação, que dizer da edição de Ca-
lado (1943) ou da História das Lutas com os Holandeses no Brasil, de Varnha-
gen?
Depois de todo o desenvolvimento de edição crítica de fontes his-
tóricas, originado parcialmente das próprias pesquisas e parcialmente do
criticismo histórico, retornamos aos processos já condenados.

--------------------* * *--------------------

Esta bibliografia é uma seleção que abrange apenas livros. Como


tal, é apenas um balanço insuficiente. Não se pode prescindir dos docu-
804

mentos, já que as velhas crônicas constituem fontes magras para a inter-


pretação definitiva dos fatos. Sem manuscritos é impossível reexaminar
os problemas.
Adotamos uma classificação por assuntos. Fomos obrigados a reti-
rar do plano original alguns aspectos de menor importância. Além disso,
mesmo em algumas divisões e subdivisões aqui apresentadas foram es-
colhidos apenas livros e folhetos de maior importância.
Convém acentuar, também, que a necessidade de cronologia nos le-
vou, por vezes, a dar entrada a um ou outro folheto que não dissesse
respeito expressamente à divisão adotada. Assim, por exemplo, na con-
quista de Pernambuco incluímos dois ou três folhetos que tratam de fa-
tos posteriores a essa conquista. No período nassoviano, também, retira-
mos, por exemplo, o Poema de Plante, expressão literária daquela fase, es-
crito em louvor de João Maurício de Nassau, mas sem mérito histórico.
No período nassoviano, incluímos autores como Calado, que tratam
magnificamente dos princípios da Restauração. Retiramos todas as viagens
e coleções de viagens que se referiam à expansão e exploração da costa, mas
que não diziam respeito, diretamente, ao período do primeiro ataque -- 1624,
até a assinatura do tratado de 1661. Não incluímos, também, artigos de re-
vista e jornais; apenas algumas exceções impuseram-se. Tais, por exem-
plo, os documentos holandeses trazidos por José Higino da Holanda,
pertencentes à Coleção do Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais
e existentes no Arquivo Real de Haia, traduzidos e publicados na Revista do
Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano ou na Revista do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro. Aliás, sobre este ponto é de justiça salientar a boa escolha
dos documentos traduzidos, feita por José Higino e Alfredo de Carvalho. Li-
vros que só foram publicados em revistas, quando importantes, foram incluí-
dos. Assim, por exemplo, a obra de D. Manuel de Meneses e o livro de Diogo
Lopes Santiago. Retiramos também alguns livros regionais e gerais de Histó-
ria do Brasil, como, aliás, algumas fontes estrangeiras.
Convém salientar, igualmente, que incluímos algumas obras relati-
vas a Piet Heyn, devido não só ao seu assalto à Bahia em 1627, como,
805

também, o que é importante, à captura da Frota de Prata, que forneceu


aos holandeses os recursos com que equipar a armada que conquistou
Olinda.
As fichas que se referem, também, às batalhas navais que se feriram
entre 1631 e 1640 não deram entrada.
Na Seção de Relações Diplomáticas, deixamos de indicar as várias
monografias com que Edgar Prestage esclareceu o assunto. A nossa sele-
ção obedeceu a um critério objetivo. Os trabalhos publicados antes da
sua obra geral sobre as relações diplomáticas de Portugal (1925, ed. in-
glesa; 1928, trad. portuguesa) foram retirados porque nesta se estudam
todas as embaixadas portuguesas à Holanda e se fornece a bibliografia
especial que se publicou sobre cada uma delas, inclusive os próprios tra-
balhos de Prestage. Somente a sua monografia sobre Frei Domingos do
Rosário, figura desconhecida até a publicação da sua obra geral, entra
nesta bibliografia.
Nas Negociações Diplomáticas suprimimos as credenciais, os Ma-
nifestos e Anti-manifestos surgidos com o caso do Embaixador F. Teles
de Faro, que se passou para o lado espanhol. E’ certo que sua traição e
desserviço à causa portuguesa teve importância; mas, seguindo um crité-
rio seletivo, devem-se retirar esses folhetos que tratam de aspectos mais
pessoais.
Na Coleção de Tratados, só fichamos os de Borges de Castro e os
de Cardoso de Oliveira, deixando de indicar os estrangeiros, como Du-
mont e Rousset, os de Charles Calvo e Abreu y Bertodano.
A assinatura do Tratado de 1661 agitou a opinião pública holande-
sa, que sobre ela se manifestou numa série enorme de folhetos, onde
transmitia seu sentimento contrário à perda de uma colônia tão valiosa.
Estes folhetos têm mais importância para a história diplomática do
que para a história dos holandeses no Brasil. Como estamos sempre
com o critério seletivo a nos impor cortes e supressões, achamos de
melhor aviso retirar essa subdivisão a sacrificar outras partes mais
significativas.
806

O capítulo sobre Angola justifica-se pela importância dessa colônia


para o Brasil. Sua perda e sua reconquista afetam diretamente o poder
holandês no Brasil.
A importância bibliográfica do Padre Antônio Vieira (1608-1697)
pedia uma seção especial sobre suas obras. Mas Vieira é um mundo e
por isso, fomos obrigados a excluir as edições dos Sermões registando
apenas as Cartas onde se encontram prédicas que dizem respeito a vários
acontecimentos do período holandês. Entre os Sermões, as Cartas e as
obras inéditas parece-nos evidente que aqueles são menos importantes,
de vez que são muito mais obras literárias do que políticas ou econômi-
cas. E, portanto, menos valiosas para a história daquele período. O seu
grande, enorme e decisivo valor, afora, é lógico, o literário, residiu na
animação com que estimulou a gente da Bahia a resistir aos invasores.
Sobre as atividades dos judeus no Brasil, a melhor obra foi a que
incluímos. Retiramos o livro de Sombart e o de Mendes dos Remédios.
Sobre os aspectos religiosos das lutas holandesas, deixamos de lado
os trabalhos de Serafim Leite, Jaboatão, Padre Frei Fidelis M. de Primé-
rio, e Fr. Santa Maria sobre os jesuítas, franciscanos, capuchinhos e reli-
giosos em geral, por não tratarem diretamente do assunto que nos ocupa
e sim de passagem. Os dois folhetos que colocamos, um dos quais rarís-
simo, dizem respeito ao serviços religiosos, tanto por calvinistas como
por jesuítas naquelas lutas.
Uma novidade que fomos obrigados a retirar, para encurtar esta
bibliografia seletiva, foi a repercussão das lutas na literatura luso-brasilei-
ra e holandesa. Nela inventariavam-se não só os poemas de Plante, já in-
dicado nas principais bibliografias, como os de Boxhorn, Hensius, Thâ-
sius, Corvinus, Benning, Phithan, Heerkens -- sobre João Maurício de
Nassau, todos contemporâneos; e os de Ampzing, em louvor de Piet
Heyn e Lonck. Retiramos, também, os versos do maior poeta holandês
do século XVII, Joost van der Vondel, assim como a oração de De Gra-
ne sobre Maurício de Nassau e os poemas sobre o Brasil perdido, de
Onne Zwier van Haren. Do lado luso-brasileiro foram retirados os ver-
807

sos de Santa Rita Durão, Natividade Saldanha, Tobias Barreto, Jorge de


Lima e os dramas que por volta do século XIX se representaram espe-
cialmente na Bahia. Os trabalhos de fundo literário, como os de Paulo
Setúbal, Abreu e Castro, Delafaye-Brehier e Eduardo Noronha também
deixam de figurar. Merece uma referência, embora tenha sido igualmente
afastado, o Brasil Restituído, de Lope da Vega, onde repercute a recon-
quista da Bahia, em 1625.
Nossa seção de biografias abrangia vasto material. Excluímos, po-
rém, todos os trabalhos no gênero de ensaios de pouco merecimento ou
os dicionários biográficos bastante conhecidos. Entre as biografias es-
trangeiras, a de Galland é fraca em relação a Driessen e Veegens.
Enfim, a imprensa na Holanda estava em tal progresso -- há os que
atribuem ao holandês Laurens Janszoon Coster a invenção da mesma --
que não é de estranhar que os folhetos holandeses ocupem uma parte
importante nesta bibliografia. Convém, acentuar, aqui, por exemplo, que
certos manifestos assinados pelos chefes da revolta luso-brasileira foram
traduzidos e publicados em holandês, em folhetos separados, enquanto
em português tiveram guarida apenas nas páginas de algum cronista,
como, por exemplo, Calado, que transcreve o Manifesto dos Habitantes de
Pernambuco, traduzido e publicado em holandês. A Proclamação dos 16 Con-
jurados, de 23 de maio de 1645, que se encontra na Biblioteca Pública de
Évora e no Arquivo Real de Haia, foi também traduzida e publicada em
holandês, embora nunca merecesse ser publicada em português. Apenas
Varnhagen, na História das Lutas, se limitou a dar os nomes dos conjurados.
As notas que acompanham as indicações bibliográficas procuram
evitar que este trabalho se torne um mero registro de livros. Assim, o
que se tentou, nesta seleção, foi organizar um repertório de livros e fo-
lhetos de real importância para o estudo dos holandeses no Brasil.
809

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Bibliografia

1. HISTÓRIA DA EXPANSÃO pagnie, zedert haer begin, tot het


COLONIAL HOLANDESA PARA O eynde van ’tjaer sesthien-hundert ses-
BRASIL en-dertich; bergrepen in derthien
boecken, ende met verscheyden Ko-
a. Usselincx e a história da peren platen verciert; beschreven
Companhia das Índias Ocidentais door Ioannes de Laet Bewint-hebber
der selver Compagnie, Tot Leyden,
Acte, waier by een yeder gheaccordeert By Bonaventuer ende Abraham Else-
werdt, sijin in-getyckent Capitael te vier, 1644. XXX, 544 p.
mogen vergrootren met vijftich ten Esta obra -- História ou Anais,
hondert. (Oct. 16, 1624). 4 p. etc. -- é fonte indispensável ao estu-
Ato pelo qual é permitido aos dioso da expansão marítima e co-
acionistas aumentar de cinqüenta mercial holandesa para a América.
por cento o seu capital subscrito Esta é, sem dúvida, a mais importan-
na Companhia das Índias Oci- te obra para os primeiros anos da
dentais. [3894] Companhia até 1636. Como se trata
Copye. Van seker Articulen beraemt especialmente da Companhia das Ín-
inde vergaderinghe vande Be- dias Ocidentais, resolvemos incluí-la
windthbberen ende Geocommitteer- nesta seção, embora seja mais reco-
de der Hooft-participanten vande mendada para a história dos holan-
West-Indische Compagnie binnen deses no Brasil do que o Novo Mun-
Amsterdam, Streckende tot goede do, ou Descrição das Índias Ocidentais
verseec keringe der Participante, en que incluímos entre as fontes estran-
de gerusticheyt der selfder Bevvint- geiras para a história dos holandeses
hebberen. Gedruckt int Iaer ons no Brasil. De qualquer modo, fica
Heeren, 1623. ressalvado aqui que esta obra, além
"Cópia de alguns artigos votados de ser a mais importante das escri-
na Assembléia de Diretores e dos tas por Laet, é também a obra fun-
Delegados principais acionistas da damental para a história da organi-
Companhia das Índias Ocidentais, zação e expansão da Companhia
em Amsterdã, destinados a assegu- das Índias Ocidentais para a Amé-
rar os interesses dos acionistas e rica.
garantir os Diretores acima men- Como diretor da Companhia foi-
cionados." [3895] lhe fácil consultar documentos origi-
Laet, Johannes de. Historia ofte Iaerliúck nais, a correspondência oficial e ou-
verhael van de Verrichtinghen der tras peças que dão à sua obra uma
Goectroyeerde West-Indische Com- autenticidade incontestável.
810

Johannes de Laet (1582-1645) Houve uma reimpressão da edi-


nasceu em Antuérpia e faleceu em ção holandesa, dirigida por S. P.
Leyden. Como calvinista ortodoxo L’Honoré Naber e J. C. M. War-
participou do Congresso de Dor- sinck, o primeiro, anotador da edi-
drecht e foi diretor, em 1621, da ção holandesa de Barleus, e o segun-
Companhia das Índias Ocidentais. do, autor de magnífico estudo sobre
Geógrafo de grande atividade escre- Arcizewski. A edição é de Haia,
veu inúmeras descrições de vários 1931-37, em 4 volumes.
países como França, Espanha, Por- Sobre essa edição, W. S. Unger
tugal (Portugalia seu de illius regnis escreveu uma crítica no Tijdeschrift,
et opibus commentaribus, Lugdüni 1932, v. 47, p. 311-312; 1933, v. 48,
Batavorum, 1642), Polônia, Turquia, p. 91-92; 1935, v. 50, p. 210-211;
Lituânia, Pérsia, Rússia e Letônia. A 1937, v. 52, p. 420.
famosa discussão que manteve com
Um pequeno trecho sobre o Cea-
Hiug de Goot (Grotius) sobre a ori-
rá foi traduzido por Souto Maior e
gem dos americanos (Notae ad dis-
publicado na Revista da Academia Cea-
sertationem Hugonis Grotti. De ori-
rense, 1907, t. 12, p. 143. [3896]
gine Gentium Americanarum,
Octroy, by de Hooghe Mogende Heeren
Amst., Elzevir, 1643, e a Responsio
Staten Generael verleent sende West-
ad Dissertationem Secundam Hu-
Indische Compagnie in date den der-
gonis Grotti, Ams. Elzevir, 1644,
den Junij 1621. Mette Ampliatien van
onde faz inúmeras referências à
dien ende Met accort tusschen de
origem púnica dos brasileiros),
Bevvint-hebberen ende Hooft parti-
deu-lhe nomeada universal. Sobre
cipanten vande selve Compaingnie,
Laet consulte-se o Nieuw Neder-
met approbatie vande Hoog: ende
landsch Biografisch Woorden
Mog. Heeren Staten Generael ghe-
boek, vol. 8.
maeckt, In’s Graven Hage, By de
Sobre a bibliografia de J. Laet cf. VVeduwe, en Erfghenamen van wij-
Tiele, P.A., Nederlandsche Bibliog- len Hillebrandt Iacobssz van Wouw,
raphie van Land en Volkerkunde, Ordinaris Druckers vande Hog: Mgo:
1844, p. 141-143. Heeren Staten Generael, 1623. 36 p.
Traduzidos por José Higino "Privilégio concedido pelos altos
Duarte Pereira, os primeiros livros e poderosos Estados Gerais à Com-
desta obra de Laet foram os mesmos panhia da Índias Ocidentais em data
publicados em Pernambuco, na Tip. de 3 de junho de 1621, com a am-
do Jornal do Recife, em 1874. 4 folhe- pliação e o acordo entre os diretores
tos, 84 p. e os principais acionistas da mesma
Souto-Maior, mais tarde, comple- Companhia, concluído por permis-
tou a tradução de José Higino, se- são dos Altos e Poderosos Estados
gundo a mesma publicada pela Bi- Gerais."
blioteca Nacional do Rio de Janeiro, Esta é a melhor edição, tanto as-
em 2 volumes, 1916-1925. sim que foi por diversas vezes repro-
811

duzida. Este documento foi traduzi- vrede ofte Bestandt: mitsgaders wae-
do para o inglês e se encontra em rachtich verhael van de vruchten
O’Callaghan, vol. I, p. 408-410. (E. welcke den voorgaen-den Treves
B. O’Callaghan, History of New haeft voort-ghebracht: End met ee-
Netherland, N. York, 1846-48, 2 nen aenghewesen de middelen waer
vols.). [3897] door wy onse waerde vrijheydt teg-
Ordonnantien ende Articvlen, beraemt hen den Sgangiaert sullen bescher-
by de. Hoogh Mo: Heeren Staten Ge- men, be staende insonderheydt in het
nerael der Guenieerde Provintien op voorderen van de West-Indische
het toeresten ende toe-stellen van eene Compagnie by de Hooch Mogende
VVest-Indische Compagni. Mitsgaders Heeren Staten Generael gheoc-
alle privilegien ende gherechtichehet troyeert. Ghetrouvvelijck inghestelt
Iaer onses Heeren. S.L. 1621. 16 p. by een Lief-Hebber van het Vader-
"Decretos e artigos baixados pe- landt. T.L.B.I.E.D.V.V. In’t Jaer ons
los altos e poderosos senhores Esta- Heeren. S.L. 1622. 18 p.
dos Gerais das Províncias Unidas, "Discurso político sobre a pros-
sobre o estabelecimento e a organi- peridade destas Províncias Unidas,
zação de uma Companhia das Índias agora novamente em guerra aberta
Ocidentais. Assim como todos os com os seus inimigos. Estuda-se se é
privilégios e direitos concedidos e mais conveniente a paz, a guerra ou
garantidos à mesma." [3898] um armistício. Analisam-se os resul-
Placcaet By de Hooghmo: Heeren Sta- tados das tréguas anteriores e plei-
ten Generael der Vereenighde Neder tea-se a criação da Companhia das
Ianden ghemaeckt op ’tbesluyt vande Índias Ocidentais." [3900]
West-Indissche Compaignie. In’s Usselincx, Willem. Bedenckingen over
Graven-Haghe, By Hille-brant Ia- den staet vande vereenichde Neder-
cobssz, Ordinaris ende Gheswooren landen nopende de Zeevaert coop-
Drucker vande Ho: Ho: Heeren Sta- handel ende de Gemeyne neeringe
ten Generael, 1621. 8 p. inde selvé. Ingevalle des Peys met de
Trata-se do edital dos Estados Aerts -- Hertogen inde aen, staende
Gerais dos Países-Baixos Unidos re- vslede-handelinge getroffen wert.Door
lativo ao estabelecimento da Com- een lief-hebber eenes ofrechten ende bes-
panhia das Índias Ocidentais. [3899] tandighen. Vrdes voorghestelt. Gedruckt
Politicq Discorvrs, over den welstandt int jaer ons Heeren. 1608.s/1. 14 pp.
van dese Vereenichde Provintien nu Considerações sobre o estado
wederomme met haren vyandt ghe- dos Países-Baixos Unidos especial-
treden zijinde in openbare Oorloghe, mente do comércio marítimo. Publi-
Ende of voor de selve de Vrede of cadas em janeiro ou fevereiro de
de Oorloghe dienstigher is. Waer 1608, procuram influenciar os nego-
inne cortelijck werden beantwoordt ciadores holandeses da paz entre
verscheyden vraegh-poincten die de Holanda e Espanha a não fazê-la, de
selve Landen Schyhen te raden tot vez que, com a paz, o comércio das
812

províncias do Norte declinaria e os buída foi reconhecida, de certo


refugiados voltariam à terra natal. modo, pela Companhia que o re-
Este é o principal argumento do fo- compensou com 1.000 florins. Estes
lheto. [3901] folhetos, de estilo simples e lingua-
gem convincente, constituem os
Usselincx, Willem. Den eder-
principais documentos para a histó-
landtschen Byecorf: Waer ghy bes-
ria econômica da época. Modelos de
chreven vint al het gene dat nu uyt-
precisão e raciocínio lógico, possuem
gegaen is op den stilstant ofte vrede
importância histórica incontestável.
(seer nootsaecke-lic om te lesen van
Esta coleção se compõe de 38
alle Liefhebbers des Vaderlands:
opúsculos e a sua tradução é a se-
waer uyt men den Spaenschen aerdt
guinte: "A colmeia neerlandesa, na
mach leeren kennen omme altijt op
qual encontrareis tudo quanto até
syn hoede te wesen) beghinnende
hoje se publicou sobre o armistício
in Mey 1607, ende noch en hebben
ou paz (leitura muito necessária para
wy het einde niet. Ende is ghestelt
todos os amigos da Pátria, que dela
op enn t’Samen sprekinge tusschen
poderão deduzir o caráter espanhol
een Vlamyng ende Hollander.
e ficar sempre prevenidos), come-
Noch is hier by ghevoecht een Gle-
çando em maio de 1607 e da qual até
dicht ter eeren des beghonnen Peys,
hoje ainda não alcançamos o fim.
tsschen Philippum den derden van
Redigido sob a forma de diálogo en-
dien name Coninck van Saepnien etc.
tre um flamengo e um holandês".
Ende de Edele Groot-moghende
Entre os folhetos principais desta
Heeren Staten Generael Vande gheu-
coleção merecem ser citados à parte
nieerde Provintien. Beschermt ons
os seguintes:
Heere. Int Jaer sesthien hondert en
acht nae een goede vrede wacht. "Bedenckinghen over den Staet
vande vereenichde Nederlanden no-
Usselincx, mercador belga, exila- pende de zeevaert coop handel ende
do nos Países-Baixos, teve enorme de gemeyne neeringe inde selve. In-
influência na formação da Compa- gevalle den Peys met de Aerts-herto-
nhia das Índias Ocidentais. Os fo- gen inde aenstaende vrede-handelin-
lhetos que publicou nos anos ante- ge getroffen wert. Door een lief-
riores à trégua de 12 anos (1609- hebber eenes oprechten ende bes-
1621) propunham o estabelecimento tandighen Vredes voorghestelt. Ge-
de colônias na América e a formação druckt int jaer on Heeren, 1608." 16 p.
de uma poderosa companhia de co- O mesmo folheto foi publicado
mércio, com o fim de continuar a também sob título diferente:
luta contra a Espanha até a liberta-
ção da Bélgica. Lutou durante vários "Grondich Discours over desen
anos pela realização de suas idéias aenstaerden vrede-handel", 16 p.
calvinistas, capitalistas e democráti- É de citar-se, igualmente, o "Nae-
cas, só as vendo realizadas em 1621. derbedenckingen, over de zee-vaerdt
A influência e importância a ele atri- coop-handel ende Neeringhe: als
813

mede de versekermgh van den Staet vrede hande-linghe met den Coninck
deser Vereenichde Landen inde teg- van Spangnien ende de Aerts-hertog-
henwoordighe Vrede-handelinghe hen. Door een lief-hebber eenes
met den Coninck van Spangien ende oprechten, ende bestangighen vredes
de Aerts-hertoghen. Door een lief- voorghestelt. Ghedruckt in het Iaer
hebber eenes oprechten, ende bes- ons Heeren 1608. 44 pp.
tandighen vredes voorghestelt. Ge- Ulteriores considerações sobre o
druckt in het Iaar ons Heeren 1608". comércio marítimo e o tráfico. Pu-
36 p. blicadas em junho de 1608, desen-
Vale citar, ainda: "Onpartydich volvem as considerações do folheto
Discours opte handelinghe vande anterior. Seu conteúdo político --
Indien". 8 p. contra a paz com Espanha -- tem fi-
Finalmente, citamos o "Ver- nalidade econômica: formar a Com-
toogh, hoe nootwendich, nut ende panhia das Índias Ocidentais. O esti-
profijtelick het sy voor de Veree- lo deste folheto é mais vigoroso do
nighde Nederlanden te behouden de que o de Bedenckingen. Há outra
Vryheyt van de handelen op West -- edição de 34 pp. [3903]
Indien, inden vrede metten Coninck Usselincx, Willem. Vertoogh, hoe noot-
vaa Spaignen (s.1.s.d. 1608)". 20 p. vendich, nut ende profijtelick het sy
Franklin Jameson observou que voor de vereenighde Nederlanden te
este folheto é uma das melhores behouden de Vujhujt vande handelen
brochuras holandesas do século op West-Indien, inden vrede metten
XVII (cf. Wätjen, ed. brasileira, p. Coninck van Spaignen. s/ed. (1608)
75). Este é de grande interesse para 20 p.
o Brasil, por estudar-lhe o valor co-
Exposição de como é necessário,
mercial e notar, então, que não eram
útil e proveitoso aos Países-Baixos
as minas a sua riqueza e sim o açúcar
preservar a liberdade de comércio
e a madeira.
com as Índias Ocidentais, na paz
Muitos destes folhetos foram re- com o rei de Espanha. Foi publicada
produzidos por Van Meteren, histo- entre março e agosto de 1608, quan-
riador holandês, tal a importância que, do as negociações entre Espanha e
desde então, se lhes reconheceu. Holanda se processavam. Usselincx
O primeiro, terceiro e quinto fo- fundamenta neste folheto as razões
lhetos aqui citados estão registrados de sua atitude contra a paz e a favor
separadamente devido à importân- da companhia de comércio e nave-
cia de seu conteúdo em relação ao gação. Apresenta grande interesse
Brasil. [3902] econômico, pois descreve o comér-
Usselincx, Willem. Naerder bedenckin- cio das Índias Ocidentais. Jameson
gen, over de Zeevaerdt coophandel considera a Exposição como um dos
ende neeringhe: Alsmede déverse lie- melhores folhetos econômicos do
ringhe van den Staet deser verienich- século XVII. Foi feita tradução por-
de handen in de teghenwoordighe tuguesa das três principais páginas
814

que se referem diretamente ao Brasil. J. Franklin Jameson, em seu livro


Cf. José Honório Rodrigues, Usse- Willem Usselincx, founder of the Dutch
lincx e a formação da Companhia and Swedish W.I. Companies, N. York,
das Índias Ocidentais, in Brasil Açu- 1887. p. 75. [3905]
careiro, setembro de 1944 (págs. 39-
40). Sobre o folheto cf. J.F. Jame- b. União da Companhia das Índias
son, Willen Usselincx, New York, Orientais e Ocidentais: 1644-1646.
Putnam’sons, 1887, pág. 45. [3904]
Voortganck vande West -- Indische Aenwysinge: Datmen vande Oost en
Compaignie. Dat is: Levendigh Dis- West-Indische Compagnien een
cours Duydelick ende krachtelijck Compagnie dient te maken. Mitsga-
verthoonen-de hoe noctwendigh ders Twintich Consideratien op de
ende profijtelijck voor den staet van- Trafyque, Zeevaert en Commertie
de Landen in het gemoen ende aller- deser Landen, Concordiâ res paruae
ley inwoonders in het particulier sy crescun. In’s Graven-Haghe, 1644.
den voorgang vande langh-ghe- 36 p.
wenschte West-Indische Com- Projeto para a união das Compa-
paignie ende met wat vlijt ende nhias das Índias Orientais e Ociden-
ernst elck Patriot na sijn vermog- tais, acompanhado de vinte conside-
hen moet helpen arbeyden om de rações sobre o tráfico, a navegação e
selve metten eersten in treyn te o comércio dessas regiões.
doen brengh en. Gestelt door een As dificuldades que a Companhia
oprecht Patriot ende Liefhebber das Índias Ocidentais experimentou
vanden gemeenem welstant. T’- no Brasil, nas guerras aqui travadas,
Amstelredam. Voor Marten Iansz: inspiraram essa união, que aumenta-
Brandt, Boeck-verkooper by de ria as forças holandesas. É de se la-
Nieuwe Kerck inde Gereformeer- mentar o anonimato desta obra, por-
de Catechismus, 1623. 20 p. que seu autor se mostra bem infor-
mado sobre o estado do Brasil na-
Estudam-se neste folheto as van-
quela época e dá pormenores inte-
tagens que advêm para o país do su-
ressantes sobre a história da coloni-
cesso da Companhia das Índias Oci-
zação na América do Sul. [3906]
dentais e como cada patriota pode,
com zelo e diligência, trabalhar para Consideratie Overgelevert by de Hee-
que este fim se cumpra com maior ren Bewinthebberen van de Oost-
brevidade. Indische Compagnie. Aen de Ede-
le Groot-Moghende Heeren Staten
Segundo E. Laspeyres, Gehichte van Hollant ende West-Vrieslant
der volkswirthschaftlichen Ans- Waeromme het voor de selve Com-
chauungen der Niederlaender, este pagnie onmogelick ende ondienstigh
folheto é atribuído a Usselincx; mas is, om met de West-Indische Com-
tal hipótese não é confirmada nem pagnie te teden in handelinge, om
por O. van Rees, em sua Geschi- beyde onder een Octroy ende Socie-
edenis der Koloniale Politick, nem por teyt gebracht te worden. In’s Gra-
815

ven-Haghe, By Jan Fransen Boeck- Neste folheto, desenvolvem-se


verkooper, 1644. 20 p. várias considerações tendentes a de-
Nestas considerações apresenta- monstrar aos acionistas das Compa-
das pelos diretores da Companhia nhias das Índias Orientais e Ociden-
das Índias Orientais, mostra-se por- tais a conveniência da fusão das
que lhes parecia impossível e des- mesmas. [3909]
vantajoso entrar em negociações Remonstrantie ende Consideratie Aen-
com a Companhia das Índias Oci- gaende De Vereeninghe vande
dentais, a fim de realizar a projetada Oost ende West-Indische Com-
união das duas companhias. [3907] pagnie: Eerste aende... Staten van
Kort discours, ofte naardere verklaringe Hollandt ende West-Vrieslandt, ende
van de onderstaende V. Poincten, I op den 13en Februarij... aende... Sta-
Aengaende de verlichtinghe die de- ten Generael der Vereenichde Ne-
sen staat heeft ghenooten, door de derlanden. Ende Aen sijmn Hoog-
oprechtinghe en Oorloghen van de heijt den Heere Prince van Orangien,
West-Indische Compagnie, 2 Dat etc. overghegheven Door de Gede-
mendeselve Compagnie, met die van puteerde... Bewinthebberen vande
de Oost, of hare beyde Octroyen, ve- Goectroyeerde West-Indische Com-
reenigende, nu ongelijckl meerder pagnie... In’s Gravenhage, Ghedruckt
verlichtinge... sal kounen erlangen, voor Lieven de Langhe, 1644. 40 p.
etc. Ghedruckt voor een Lief-hebber Demonstração e considerações
van ’tVaderlant. S.L. 1644. 36 p. sobre a união das duas Companhias
Neste discurso analisam-se cinco apresentadas pelos diretores da
diferentes pontos relativos à ajuda Companhia das Índias Orientais aos
que o Estado das Províncias Unidas Estados da Holanda e da Frísia Oci-
obteve através das conquistas e guer- dental, e, em 13 de fevereiro de
ras sustentadas pela Companhia das 1644, aos Estados Gerais e ao Prín-
Índias Ocidentais, e à necessidade de cipe de Orange. [3910]
união das duas Companhias numa Schaede Die Den Staet der Veree-
mesma sociedade, desenvolvendo-se nichde Nederlanden, en d’Inghese-
a respeito desse ponto vários e im- tenen van din, is aenstaende, by de
portantes argumentos. [3908] versuymenisse van d’Oost en West-
Ooghen-Salve tot verlichtinghe, van Indische Negotie onder een Octroy
alle participanten, so vande Ooste, en Societeyt te begrijpen. Discordia
ende West-Indische Compagnien, Res Magnae Dilabuntur. In’s Gra-
Mitsgaders Verscheyden notabele ven-Haghe, Voor Ian Veeli, Boeck-
Consideratien, aengaende de veree- verkooper woonende in’t Gortstraet-
ninghe van de Oost-ende-West-In- jen, 1644. 52 p.
dische Compaignien, met malkan- Tratam-se neste folheto dos pre-
deren. Leest zonder voor-cordeel juízos que ameaçam o Estado das
totten eynde. In’s Graven-Haghe, Províncias Unidas e seus habitantes,
1644. 36 p. por negligenciarem a união do comér-
816

cio oriental e ocidental sob uma mesma Palestra à mesa, em Amsterdã,


e outorgada Companhia. [3911] sobre certos assuntos bons, maus e
Tvvee Deductien, aen-gaende de Veree- necessários. [3914]
ninge van d’Oost ende West-Indis- Amsterdams Wuur-Praetje, van ’t
che Compagnien aen de Ed: Groot Een ende ’t ander datter nu om
Mog: Heeren Staten van Hollandt gaet. t’Amstelredã, Gedruckt by
ende West-Vrieslandt vande West- Claes Pietersz Boeckverkooper,
Indische Compagnie over-gelevert. 1649. 36 p.
Concordia res parvae crescunt. In’s Palestra à lareira, em Amsterdã,
Graven-Haghe, By Ian Veely, 1644. sobre vários assuntos discutidos pre-
22 p. sentemente nesta cidade. [3915]
A Companhia das Índias Ociden- Amsterdamsche Veerman op Middel-
tais apresentou aos Estados da Ho- burgh. Tot Vlissingen, Gedruckt by
landa e da Frísia Ocidental estas J.J. Pieck (pseud.)... 1650. 12 p.
duas deduções sobre a fusão das Conversação sobre as intrigas
mencionadas Companhias. Cita o dos diretores da Companhia das
autor numerosos detalhes históri- Índias Ocidentais. A edição é a
cos sobre o comércio e as hostili- mesma da do "Amsterdamsche --
dades dos holandeses nas costas Tal --, Dam --, Vuur --, Praetjes van
do Brasil e nas Índias Ocidentais e 1649". [3916]
Orientais. [3912]
Brasyls Schuvt-Praetjen Ghehouden
tusschen een Dfficier, cen Do-
mine en een Coopman, noopende
c. Situação da Companhia das
den Staet van Brasyl: Mede hoe de
Índias Ocidentais: 1649-1653.
Officieren en Soldaten tegenwoor-
dich aldaer ghetracteert werden, en
Amsterdams Dam-Praetje, van Wat hoe men placht te leven ten tyde
outs en wat nieuws. En wat vreemts. doen de Portogysen noch onder
Tot Amsterdam, by Ian van Soest, het onverdraeghlijck lock der Hol-
1649. 40 p. landeren saten. Dit door een onpar-
Palestra nas ruas de Amsterdã so- ty-dich toe hoorder gheannoteert.
bre coisas velhas, coisas novas e coi- Ghedruckt inde West-Indische Ka-
sas estranhas. mer by Maerten. Daer het gelt soo
Todas essas palestras tratam prin- lustich klinckt alsser zijn Aepstaer-
cipalmente da situação da Compa- ten, 1649. 24 p.
nhia das Índias Ocidentais e da pos- Trata-se de uma palestra a bordo
sível perda do Brasil. [3913] sobre o Brasil, entre um oficial, um
Amsterdams Tafel-Praetje, van wat reverendo e um negociante, versan-
goets en wat quaets en wat noodichs. do sobre o estado do Brasil e sobre
Tot Gouda. By Iasper Gornelisz, o modo pelo qual são tratados, ali,
Boeckooper woonende op de Cingel, os oficiais e soldados. Mostra-se,
1649. 32 p. também, a maneira pela qual os por-
817

tugueses viviam sob o jugo intolerá- diese soecken te dissollveren en te


vel dos holandeses. ruyneren. Ghedruckt in’t Iaer onses
Asher, nas p. 183 a 200, estudou Heeren, 1649. 16 p.
minuciosamente vários folhetos que Trata-se de uma representação
tratam do objeto aqui versado, onde dos principais acionistas e interessa-
pode ser observada a parte que o dos da Companhia das Índias Oci-
embaixador português teve na com- dentais a todos os governadores da
posição dos mesmos. [3917] pátria, pedindo-lhes seu rápido e efe-
Copye van de Resolutie van de Hee- tivo auxílio contra todos aqueles que
ren Burgemeesters end Raden tot tentam arruiná-los. [3921]
Amsterdam. Op’t stuck vande Vertoogh, Over den Toestant der
West-Indische Compagnie. Geno- West-Indische Compagnie, in Haer
men in Augusto, 1649. 16 p. begin, midden, ende eynde, met
Decisão dos senhores síndicos e Een Remedie tot Redres van de-
conselheiros de Amsterdã a res- selve, Eerste Deel. Gdrvct tot
peito da Companhia das Índias Rottrdam. By Iohannes van Roon,
Ocidentais, tomada em agosto de 1651. 14 p.
1649. [3918] Relatório sobre o estado da Com-
Examen vande Valsche resolutie van- panhia das Índias Ocidentais desde
de Heeren Burgemeesters ende seu princípio, meio e fim, com um
Raden tot Amsterdam. Op ’t Stuck remédio para reerguê-la. Primeira
vande West-Indische Compagnie. parte.
Tot Amsterdã, By Abraham de Segundo Acher, somente essa pri-
Bruyn by de Regeliers-poort, 1649. meira parte foi publicada. [3922]
36 p. West-Indisch Discours, verhandelen-
Exame da resolução errada dos de de west-indische saecken. Hoe
senhores síndicos e conselheiros em die weder verbetert mogen worden,
Amsterdã sobre a Companhia das ten besten der Gemente, en’t seec-
Índias Ocidentais. [3919] kerst voor de Compagnie. Genera-
Haerlems Schuyt-praetjen op’t Re- lijck outworpen by maniere van Sa-
dres vande West-Indische Com- men spraeck tusschen een Middel-
pagnie. S.L., 1649. 24 p. burger em Haegenaer. S.L., 1653.
Palestra a bordo, em Harlem, so- 16 p.
bre o reerguimento da Companhia Este folheto é de grande impor-
das Índias Ocidentais. [3920] tância para o conhecimento da opi-
Remonstrantie van de Hooft-partijci- nião pública na Holanda sobre o es-
panten ende geintresseerde vande tado da Companhia das Índias Oci-
West-Indische Compagnie aen dentais e o estabelecimento dos ho-
alle de Regenten des Vader- landeses no Brasil e na Nova Holan-
landts: versoeckende een spoedighe da. Foi traduzido em português por
effectieve assistentie tot meyntenue Hipólito Overmeer, sob o título Con-
van de selfde teghen alle de ghene ferência sobre as Índias Occidentais. Rio
818

de Janeiro, Ed. Record, s.d. A tradu- mentada, com algumas novas estam-
ção apresenta uma introdução e ano- pas, é a mais recomendada. É tam-
tações por Cláudio Ribeiro de [3923]
Lessa. bém de Leide, pelos Elzeviers, ano
De Zeeusche Verre-Kyker. Ghedruckt de 1630. Embora deixe muito a de-
tot Vlissingen in ’t Groene Wout, sejar em relação à História ou Anais
Daermen soo veel vande Capers dos feitos da Companhia das Índias Oci-
hout, 1649. 16 p. dentais, o "Novo Mundo" é obra va-
O telescópio da Zelândia. Violen- liosa e fundamental, porque está
to ataque contra a Companhia das cheia de excelentes pesquisas sobre
Índias Ocidentais e a sua administra- os estabelecimentos europeus na
ção no Brasil. O autor deste folheto, América e também sobre o caráter e
segunto Tiele, é, provavelmente, o costumes dos indígenas. A primeira
mesmo escritor do Brasyls Schuyt- edição holandesa (1625) só atinge
Praetjen. realmente a tomada da Bahia; mas
Os folhetos de nos 23-26, escri- nas edições subseqüentes, publicadas
tos em forma de diálogo, e conten- quando outros acontecimentos já se
do ataques violentos e veementes haviam desenrolado (2ª ed., 1630; 3ª
contra a Companhia das Índias ed. latina, 1633; 4ª ed. francesa,
Ocidentais e seus negócios no Bra- 1640), o autor foi mais adiante e as-
sil, não só contêm detalhes curio- sim, nesta última, relata não só o sa-
sos e importantes, como tentam que de 1628 por Piet Pieterszon
provar a justiça da causa portugue- Heyn à Bahia (cf. P. 524), como
sa e os vícios daquela associação também a conquista de Olinda (p.
comercial. São atribuídos, por As- 531-533), de Itamaracá (p. 534), da
her, à influência do embaixador por- Paraíba (1635, p. 537) e do Rio
tuguês em Haia, Francisco de Sousa Grande (1634, p. 541). Da edição
Coutinho. [3924] francesa foram traduzidos para o
espanhol alguns fragmentos e pu-
d. História das Índias Ocidentais. blicados por Alejandro Tapia y Ri-
vera na Biblioteca Histórica de
Laet, Johannes de. Nieuwe Wereldt ofte Puerto Rico, Puerto Rico, Impren-
Beschrijvinghe van West-Indien, wt ta de Márquez. 1854-1857. Frag-
veelerhande schriften ende aen-tee- mentos foram também publicados
keningen van verscheden natien by na obra de Fernando José Geigel
een versamelt door Ioannes de Laet, Sabat sobre Balduino Enrico. Barce-
ende met noodighe Kaerten ende ta- lona, Araluce, 1934. [3925]
fels voorsien. Tot Leyden, In de Montanus, Arnoldus. De Nieuwe en
Druckerye van Isaack Elzevier, Anno Onbekende Weereld: of Beschry-
1625. 526 p. ving van America en ’T Zuid-Land,
Neste volume interessa ao Brasil Vervaetende d’Oorsprong der
o livro 14º; é também de interesse o Amerecaenen en Zuidlanders, ge-
livro 15º, onde se trata do Amazo- denkaerdige togten derwaerds, ...
nas. A 2ª edição, melhorada e au- Door Arnoldus Montanus. t’Ams-
819

terdam, by Jacob Meurs, 1671. 586 p. conjecturar que tivesse sido Johann
Mapas. Christoph Beer (cf. Alfredo de Car-
Sobre esta obra, o melhor juízo valho. obr. cit., p. 365).
crítico que até hoje se fez foi o es- As iniciais de Olfert Dapper na fo-
crito por Alfredo de Carvalho sob lha de rosto de Dis Unbekante Neue Welt
o título: Dapper e Montanus. Contro- se prendem, provavelmente, à questão
vérsia bibliográfica. Separata do nº da licença para publicação da obra.
77 da Rev. Inst. Arq. e Geo. Pern., Olfert Dapper era nome sobeja-
Recife, Tip. do Jornal do Recife, mente conhecido e famoso na época,
1910, 32 p. para se apropriar de obra de outro his-
toriador também bastante conhecido.
Aí diz Alfredo de Carvalho que é Sobre o editor reside a inteira respon-
preciso reparar a injustiça de que sabilidade do fato, pois tendo obtido
tem sido vítima Arnoldus Montanus privilégio para publicação da obra em
e escreve: "A compilação do discreto holandês, de autoria de Arnoldus
pregador orangista não é tão despro- Montanus, em 1671, e tendo também
vida de mérito, como se tem geral- obtido privilégio para publicação do
mente afirmado; além de consultar conjunto da coleção histórico-geográ-
conscienciosamente todo o material fica que abrangia os livros de O. Dap-
impresso então existente, ele valeu- per sobre a Ásia e a África, preferiu,
se, ainda, de documentos manuscri- em 1673, por circunstância de econo-
tos, conforme demonstrou Asher na mia, talvez, já que não possuía licença
parte relativa a N. Neerlândia, na especial para publicação da obra de
qual, entre as coisas mencionadas, Montanus em alemão, mas a possuía
algumas há de que ele é o primeiro, para a coleção, juntar o privilégio im-
senão o único informante". (Obr. perial em que se concedia licença para
cit., p. 369). a edição da obra de Dapper. Como o
Em 1673, foi publicada uma tra- privilégio se referia a O. Dapper, é fá-
dução alemã desta obra, em Amster- cil perceber o erro de atribuição de au-
dam, por Jacob von Meurs. A cir- toria que daí se originou.
cunstância de constarem na folha de M. J. C. Maunling publicou em
rosto dessa tradução as iniciais O.D. Frankfurt e Leipzig, por Michael Rohr-
levou alguns bibliógrafos a julgar lachs, um Dapperus Exoticus, contendo
que se tratava de um plágio de Ol- excertos relativos à América, Ásia e
fert Dapper, médico e historiador África, onde a parte relativa ao Brasil
holandês. Conforme explicou con- ocorre entre as p. 120-161 e a relativa
vincentemente Alfredo de Carvalho, ao Amazonas entre as p. 161-164. Esta
não se trata de plágio, pois o fato de obra se compõe de 2 volumes, sendo
a obra ter sido editada e gravada que o 1º trata apenas da África.
pelo mesmo editor e gravador da de É por todas estas razões que o li-
Arnoldus Montanus impedia o rou- vro de Olfert Dapper (1636-1689)
bo literário. O próprio tradutor é não é registrado separadamente nes-
desconhecido, podendo-se, contudo, ta bibliografia.
820

Arnoldus Montanus (1625?-1683) Trata-se de uma obra histórica


foi a princípio predicante em Schel- de valor excepcional. Dá-nos uma
lingwoude, e mais tarde (1657-1683) visão de conjunto da situação eu-
em Schoonhoven, onde foi também ropéia na época em que a Holan-
reitor da escola latina. Sua bibliografia da, França e Inglaterra iniciavam
é imensa, escreveu sobre o Oriente sua luta contra a preponderância
(De Wonderen van t’Oosten, Amst., espanhola. As guerras holandesas
1650), sobre Frederico Henrique (Le- no Brasil ficam assim enquadra-
ven en bedrijf van Frederik Hendrik, das na situação internacional
Amst., 1645), sobre o Príncipe de como meros capítulos da expan-
Orange (Leven en bedrijf van Willem são do Imperialismo colonial eu-
Hendrik, Amst., 1677). Cf. te Winkel, ropeu na luta pela hegemonia no
Outwikkelingsgang der Nederiandsch, Velho Continente. [3928]
Letterkunde, II, 557-559. [3926] Meneses, D. Luís de, conde de Ericeira.
História de Portugal restaurado, oferecida
2. FONTES GERAIS DE INTERESSE ao sereníssimo príncipe Dom Pedro Nosso
PARA A HISTÓRIA DOS Senhor. Lisboa, 1679-1698.
HOLANDESES NO BRASIL
D. Luís de Meneses, terceiro
conde de Ericeira, nascido em
a. Histórias Gerais
1632 e falecido em 1690, escreveu
Handelmann, Heinrich. Geschichte von sobre os vinte primeiros anos pos-
Brasilien. Berlin, Julius Springer, 1860. teriores à restauração de Portugal;
XXIV, 989 p. esta obra merece dos estudiosos
O Instituto Histórico e Geográfi- boa reputação, por tratar-se de
co Brasileiro publicou no vol. 162, t. contemporâneo conhecedor dos
108 de sua revista uma tradução des- sucessos que envolveram Portugal
ta obra, feita por Lúcia Furquim e o Brasil entre os anos de 1640 e
Lahmeyer e revista pelo Gen. Bert- 1668.
holdo Klinger, Rio de Janeiro, Im- Livro claro e sério, fornece boa
prensa Nacional, 1931. informação sobre as lutas portugue-
Handelmann dedicou dois mag- sas contra a Espanha e a Holanda,
níficos capítulos ao período holan- na época mais grave de sua história.
dês no Brasil. São os capítulos 5 e 6, A parte diplomática destas lutas -- a
que ocorrem entre as p. 169-260 da que deu tanto relevo -- mereceu críti-
edição brasileira. As observações crí- cas de outro contemporâneo seu.
ticas e interpretações sociológicas (Cf. Antônio Vieira, Carta ao conde
que aí se encontram dão realce ao de Ericeira, in Obras Inéditas, edi. J.M.
seu trabalho. [3927] Seabra, 3º t. p. 115-132). Este mes-
Hauser, Henri. La prépondérance espagnole mo reconheceu e admirou, "o méto-
(1559-1660). Paris, Librairie Félix Al- do, a ordem, a disposição, a felicida-
can, 1933. 594 p. (Collection Halp- de e facilidade", e "outras excelências
hen et Xagnac). de que se pode compor no grão
821

sumo o mais perfeito historiador" O trabalho traz uma introdução


(Cf. Carta ao conde de Ericeira, in de Rodolfo Garcia e notas de Capis-
Cartas de Antônio Vieira, ed. J.M. Sea- trano de Abreu e Rodolfo Garcia.
bra, 1855, p. 159-160). [3929] A terceira edição completa (4ª ed.
Southey, Robert. History of Brazil. Lon- do 1º vol.) é a melhor e a indicada
don, printed for Longman, Hurst, para o estudo do período holandês no
Rees, and Orme, 1810-19. 3 v. Brasil. Embora se trate de obra geral, a
Foi feita uma tradução para o História de Varnhagen, devido às no-
português por Luís Joaquim de Oli- tas de Rodolfo Garcia, se impõe como
veira Castro, que saiu anotada pelo um dos melhores tratados sobre a ma-
Cônego Dr. J. C. Fernandes Pinhei- téria. Rodolfo Garcia corrigiu citações
ro. Foi editada no Rio de Janeiro, Li- importantes de Varnhagen, esclareceu
vraria Garnier, 1862, em 6 v. fatos e datas e publicou importantes
Southey foi o primeiro a escrever documentos, atualizando esta obra de
uma história geral do Brasil e o pri- acordo com novas pesquisas.
meiro a consultar livros e folhetos Pode-se dizer, sem hesitação, que
holandeses. As apreciações críticas depois dessa edição, dirigida por Ro-
de Varnhagen a Southey, como ob- dolfo Garcia, a melhor obra brasilei-
servou Capistrano de Abreu, são de ra sobre os holandeses no Brasil é,
injustiça flagrante. Ele não consultou até hoje, esta história geral. Melhor
os documentos portugueses da Tor- mesmo que a própria obra especiali-
re do Tombo e da biblioteca de zada de Varnhagen sobre o assunto:
Évora, mas as pesquisas históricas a História das Lutas dos Holandeses no
realizadas em outras fontes portu- Brasil, que foi escrita depois de con-
guesas, francesas e holandesas e a fi- cluída a História geral.
delidade histórica com que escreveu Enquanto esta última era reedita-
sua obra tornam-na de consulta in- da com notas e esclarecimentos que
dispensável. a tornavam obra definitiva, a Histó-
Sobre R. Southey Cf. Oliveira ria das lutas nunca foi revista por
Lima -- Robert Southey (in Rev. Inst. historiadores autorizados, que lhe
Hist. Georg. Bras., t. LXVIII, p. II, anotassem os erros e falhas, ou lhe
1907, p. 233-252). O. Lima conside- acentuassem os valores (1ª ed. 1871;
ra a História de Southey como a 2ª 1872).
mais conscienciosa, detalhada e exa- A melhor bibliografia de Varnha-
ta antes de Varnhagen, a mais literá- gen é a escrita por Rodolfo Garcia,
ria, formosa e cativante mesmo de- que se encontra no 2º tomo desta
pois de Varnhagen. [3930] mesma História Geral p. 436-452.
Varnhagen, Francisco Adolfo de, Vis- Afora este trabalho, convém indicar
conde de Porto-Seguro. História Geral os dois magníficos estudos de Capis-
do Brasil antes da sua separação e inde- trano de Abreu, no 1º e 3º tomos da
pendencia de Portugal. 3ª ed. S. Paulo, História Geral, p. 502-502 e 435-444,
Companhia Melhoramentos, s.d. 5 v. respectivamente.
822

A primeira edição desta obra foi nam seu trabalho uma das mais ricas
publicada em 1854-57, em dois volu- e valiosas fontes existentes.
mes. Rio de Janeiro, Laemmert (Ma- Esta história dos negócios de
drid, Imprensa de V. de Dominguez estado e da guerra vale, sobretudo,
e de J. del Rio) A segunda "muito pelas numerosas peças oficiais que
aumentada e melhorada pelo autor", aí estão inseridas. O autor, que foi
foi publicada em 1877, também em ministro das cidades hanseáticas na
dois volumes, Rio de Janeiro, Laem- Inglaterra e na Holanda, pôde so-
mert (Viena, Imprensa do filho de correr-se de excelentes fontes.
Carlos Gerold). Esta obra capital foi continuada
Sobre F.A. de Varnhagen consul- por L. Sylvius, sob o título: "Histo-
te-se Conferência de Pedro Lessa, Rev. do rien onses Tijds, behelzende saken
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, van staat en Oorlogh, voorgevallen
t. 80, 1916, p. 614-665; Capistrano in en omtrent de Nederlanden, en
de Abreu, Necrológio, in I tomo door geheel Europa, Mitsgaders in
deste livro, p. 502-508, e no tomo meest alle de andere deelen des We-
III, p. 435-444; Rodolfo Garcia, En- relds. Beginnende met het Jear 1669
saio Biobibliográfico, tomo II, p. daar het de Heer Lieuwe van Aitze-
436-452. [3931] ma heeft gelaten;... (1669-1697) door
Den Heer L. Sylvius. T’ Amsterdam,
By Jan ter Hoorn, en Jan Bouman;...
b. História da Holanda
1685-1699".
Aitzema, Lieuwe Van. Saken van Staet A obra de Aitzema, com o suple-
en Oorlogh. In, ende omtrent de Ve- mento de Sylvius, constitui a obra
reenigde Nederlanden (1621-1669) mais importante publicada na Ho-
Door d’Heer Lieuwe van Aitzema. landa para a história do século XVII.
In’s Graven-Haghe, by Johan Veely, Lieuwe (Leo) van Aitzema (1600-
Johan Tongerloo, ende Jasper Doll. 1669) nasceu em Dokkum, formou-
1669-1672. 7 vols. se em Orleans, e em 1629 repre-
A grande importância deste tra- sentou as cidades hanseáticas em
balho consiste no vasto material de Haia. Suas relações com os embaixa-
documentos originais, instruções, dores franceses e ingleses permiti-
tratados, memórias dos embaixado- ram-lhe um conhecimento mais ínti-
res, resoluções dos Estados Gerais, mo dos negócios políticos europeus.
que, em parte alguma, se podem en- Escreveu vários outros trabalhos
contrar juntos. As relações do autor históricos, inclusive Herstelde Leeuw
com os mais altos funcionários do (Amst. 1655, Haia, 1671), traduzido
Estado possibilitaram-lhe colecionar para o inglês (Notable Revolution,
os mais variados documentos. É Haia, 1652, London, 1653). Este
fato sabido que Aitzema recorreu à trabalho descreve os acontecimen-
corrupção e a outros meios para jun- tos entre 1650-1651. Saken en Oor-
tar documentos autênticos, que tor- log foi primeiramente editado sob o
823

título Histoire of Verhael (Haia, (p. 80-81), etc. Divulga J. Léry e J.


1657-58, 12 t.). Depois de sua Linschoten.
morte é que a obra tomou o título Trata-se de obra muito rara, que
com que é registrado aqui. Sobre tem sido injustamente esquecida, em
seu trabalho cf. R. J. Fruin, Vers- relação ao trabalho de Aitzema,
preide Geschriften, Haia, 1901, VIII, conquanto seja mais rico na docu-
p. 66 e segs. mentação. [3933]
Boa monografia sobre Aitzema Commelyn, Isaak. Frederick Hendrick van
encontra-se em Goethals, Lectures Nassauw, prince van Orangien, syn keven
relatives à L’Histoire des sciences, I, en bedryf. Amst., J. Janssonius, 1651. 2
p. 161 e segs. CF. também Eekof, t. em 1 vol.
Nieuwe Friesche Volksalmanak, Trata-se de obra panegírica aos
1856, p. 73 e segs. G. Mees, Neder- feitos de Frederico Henrique (1584-
land, 1862, I, p. 35 e segs. [3932] 1647), príncipe no período áureo das
Baudartium, Gulielmum. Memo- Províncias Unidas.
ryen ofte Cort Verhael der Ghedenck- Oferece-nos alguns trechos de
Weerdichste so Kercklicke als werltlick grande interesse para a história dos
Geschiedenissen van Nederlande Vranck- holandeses no Brasil.
rijck, Hooghdustschaland, Groot Britan- Obra contemporânea aos aconte-
nyen, Hispanien, Italyen, Hungaryen, Bo- cimentos, ela registra, em suas pági-
hemen, Savoyen, Sevenburghen ende Tur- nas, todos os principais sucessos que
kyen. Van den Jaere 1603 tot in het se desenrolaram durante as lutas ho-
Jaere 1624. Beschreven door... van landesas.
Deynse. Tot Zutphen. Tweelde Edi-
Interpretando os acontecimentos
te grootelick vermeerdert, By An-
do ponto de vista holandês, alcança
dries Jansz Vanchelst, 1624-25. 2 v.
até o ano de 1647.
É esta, talvez, uma das melhores Foi traduzido para o francês em
obras sobre a época. Junto com Ait- 1656, sob o título: Histoire de la Vie
zema é dos melhores repositórios de & Actes mémorables de Frederic Henry de
documentos do século XVII. Nassau Prince d’Orange. Amsterdam,
Compõe-se, principalmente, de Chez la Veufve & les Heritiers de
documentos, folhetos, etc., de toda Iudocus Ianssonius, 1656.
importância não só para a história da Os trechos relativos ao Brasil fo-
Europa, como, sobretudo, para a ram traduzidos para o português por
dos Países-Baixos, e também a do José de Campos Novais, que se ser-
Brasil. viu de versão francesa. Foram publi-
Afora a divulgação do Folheto de cados na Revista do Centro de Ciências,
Moerbeeck (nº 67), refere-se à con- Letras e Artes de Campinas, em de-
quista da Bahia (p. 72-78, livro XVI), zembro de 1907, nº 16, São Paulo,
aos costumes do povo (p. 81-96, li- 1907, p. 91-125. O tradutor brasilei-
vro XVI) aos preparativos do Rei de ro atribuiu a esta obra importância
Espanha para a reconquista da Bahia excessiva.
824

Isaac Commelyn (1598-1676) foi A edição holandesa leva o seguin-


livreiro e cronista. [3934] te título: Hollands Rijkdom... Te Ley-
Serionne, Jacques Accarias de. Les interêts den, Bij Luzac en Van Damme, 1780-
des nations de l’Europe, developés relativa- 81. 4 vols.
ment au Commerce. Tome Premier. Lei- Segundo Nestcher, existe uma
de Chez Elie Luzac, 1766. 2 v. tradução alemã, de Lüders, sob o tí-
Trata-se de uma das mais valiosas tulo Geschichte des hollandischen Han-
obras sobre a expansão, o comércio dels. Leipzig. 1788. [3936]
e a preponderância holandesas no Thysii, Antonii J. C. Historia Navalis, sive
século XVII, dentro do quadro das Celeberrimorum Praeliorum quae Mari ab
nações européias. antiquissimis temporibus usque ad Pacem
Foi traduzido para o alemão, sob Hispanicam Batavi, Foederatiq; Belgae, ut
o título: Die Vortheile der Voeker durch plurimum victores gesserunt descriptio.
die Handlung. (Übersetzt von Chr. Fr. Lugduni Batavorum, Joannis Maire,
Juenger). Leipzig, 1766. 2 vol. 1658. 305 p.
Esta obra é atribuída à autoria Antonio Thysius (1603-1665), fa-
do mesmo autor da Riqueza da Ho- moso humanista holandês do século
landa. XVII, publicou várias obras sobre a
[3935]
história da Holanda, alguns poemas
Serionne, Jacques Accarias de. La richesse gratulatórios a Maurício de Nassau,
de la Hollande, ouvrage dans lequel on ex- Piet Heyn e outras figuras das inva-
pose l’origine du commerce & de la puis- sões holandesas no Brasil, e escreveu
sance des hollandois, et accroissement succes- nesta obra vários capítulos de inte-
sif de leur commerce & de leur navigation: resse especial para a nossa história.
les causes qui ont contribué à leurs progrès, Tais são os capítulos sobre a expedi-
celles qui tendent à les detruire, & les ção dirigida por Willekens e Piet
moyens qui peuvent servir à les relever. Heyn contra a Bahia, o ataque de
Tome Premier. A Londres, Aux de- Piet Heyn também à Bahia, a expedi-
pens de la Compagnie, 1778. 2 v. ção de Loncq, a luta naval entre
Esta obra, uma das mais impor- Adriaen Pater e Antonio D’Oquen-
tantes e completas sobre o comércio do, a pugna naval entre Cornelisz
holandês em todas as partes do Jol, o célebre Pé-de-Pau, a Armada es-
mundo, foi, nos anos de 1780 e panhola, as lutas navais de 1640 e as
1781, traduzida para o holandês por vitórias de Lichthart sobre navios lu-
Elias Luzac e por ele mesmo ampla- sitanos e várias outras descrições de
mente aumentada e documentada. combates navais entre holandeses e
Na maior extensão dos assuntos luso-espanhóis. [3937]
debatidos, na publicação de cerca de Tjassens, Johan. Zee-Politie Der Vereeni-
40 documentos relativos à Compa- ched Nederlanden. Verthout in een Ta-
nhia das Índias Ocidentais, reside a fel Ende twee Kleyne Boecken, bes-
superioridade da edição holandesa chreven. Door... Waer achter ghe-
sobre a edição francesa. volcht zijn eeinghe saeckern tot ou-
825

derrechtinge en Kenisse tot de Politie contra a Bahia e diversas notícias so-


dienende. In’s Graven-hage, By Jo- bre a Companhia das Índias Ociden-
han Veely, Boeckverkooper in de tais.
Gort-Straet, 1652. 276 p. Trata-se de importante fonte his-
Esta obra -- Política Marítima das tórica para a época que decorreu
Províncias Unidas (1ª ed. 1652, 2ª ed., desde 1621 até 1632. De 1632 em
1669, consideravelmente aumentada diante foi continuada por Barent
e muito rara) -- contém muitos da- Lamp.
dos sobre a história da navegação A obra é escrita em forma de
holandesa para as Índias Ocidentais anuário histórico, onde os aconteci-
e Orientais, bem como informações mentos são narrados por contempo-
valiosas sobre as duas companhias. râneos esclarecidos, que ajuntam do-
É uma das primeiras obras sobre cumentos justificativos. [3939]
política marítima. Contém documen-
tos originais, tais como ordenanças, 3. FONTES REGIONAIS DE
editais, etc. Trata-se, ao mesmo tem- INTERESSE PARA A HISTÓRIA
po, de uma fonte de direito maríti- DOS HOLANDESES NO BRASIL.
mo, reproduzindo os direitos, deve-
res, concessões e outorgas, regula- Almeida, Cândido Mendes de. Memórias
mentos, ordens e resoluções das para a história do extinto Estado do Ma-
grandes Companhias das Índias. ranhão, cujo território compreende hoje as
Contém materiais tão importantes províncias do Maranhão, Piauí, Grão-Pará
para a sua história quanto os que se e Amazonas, coligidas e anotadas por Cân-
encontram no Groot Placcaetboeck. dido Mendes de Almeida. História da
Companhia de Jesus na extinta província
Tjassen foi autor de um livro es-
do Maranhão e Pará pelo Padre José de
pecial sobre direito marítimo (’t Boeck
Morais da mesma Companhia. Rio de Ja-
der Zeerechten, Middelburgh, F.
neiro, 1860-1874. 2 v.
Kroock, 1664.) [3938] Cândido Mendes de Almeida foi
Wassenaer, Nicolaas. Historisch Verhael um dos mais sérios e autorizados
alder ghedenc]-weerdichte geschiedenisse, die historiadores brasileiros. No primei-
hier en daer in Europa, als in Duyts- ro tomo, interessa a introdução, eru-
chlandt, Vrankrijck, Enghelandt, Spaeng- dita contribuição ao período holan-
nie, Hungrijen, Polen, Sevenberghen, Wal- dês no Brasil, feita por Cândido
lachien, Moldaviers, Turckijen en Neder- Mendes de Almeida, e a parte intitu-
lant, van den beginne des jaers 1621: tot lada Ocupação holandesa no Maranhão --
den Hefst toe, voergevallen syn, door Doct. luta e expulsão dos invasores (p. 417-
1622-35. 21 v. 489). Esta parte compõe-se de exer-
Importante publicação, em que se tos de vários autores e de documen-
registravam os acontecimentos mun- tos extraídos da coleção de docu-
diais da época. O 2º vol. tem interes- mentos holandeses coligidos por
se especial para o Brasil, contendo Joaquim Caetano da Silva em Haia.
relação detalhada das expedições No 2º tomo, a história da Compa-
826

nhia de Jesus pelo Padre José de como trabalho padrão. Foi professor
Morais tem interesse por conter vá- de História holandesa na Universida-
rios capítulos que tratam da entra- de de Leide. Alguns consideram seu
da e expulsão dos holandeses no estilo correto, mas sem brilho literá-
Maranhão. [3940] rio e maior espírito crítico e interpre-
Berredo, Bernardo Pereira de. Anais his- tativo.
tóricos do Estado do Maranhão, em que Na edição inglesa, de acordo com
se dá notícia do seu descobrimento, e o autor, foram omitidos detalhes de
tudo o mais que nele tem succedido história local.
desde o ano em que foi descoberto Petrus Johannes den Halder Blok
até o de 1718. Lisboa, Of. de Fran- (1855) graduou-se pela Universidade
cisco Luís Ameno, 1749. 13 fls. 710 p. de Leide, tornou-se professor de
Berredo é fonte clássica da histó- História no Ginásio da mesma Uni-
ria do Maranhão. A ele têm recorri- versidade e mais tarde catedrático
do muitos historiadores. Sobre a in- em Groningen e Leide. Discípulo de
vasão e expulsão dos holandeses no R. J. Fruin, publicou numerosos li-
Maranhão deve ser consultado. vros de história dos Países-Baixos,
A 1ª e a 2ª edições (esta última substituindo-o na direção das Bijdra-
do Maranhão, Tip. Maranhense, gen en Mededeelingen v. Het Histo-
1849) são bastante raras. Na 2ª edi- risch Genootschapte Utrecht. É hoje
ção, Gonçalves Dias redigiu o pre- considerado o maior historiador ho-
fácio. landês. [3942]
A 3ª edição é de Florença, Tip. Carvalho, Alfredo. Estudos Pernambucanos.
Barbèra, 195, 2 tomos, com um es- Recife. A Cultura Acadêmica Edito-
tudo sobre a vida, a época e os escri- ra. 1907. 352 p.
tos do autor. P. 1: Minas de Ouro e Prata. Ex-
Sobre Bernardo Pereira de Berre- plorações Holandesas no século
do consulte-se a introdução de A. XVII. -- P. 157: Racine e o Brasil -- P.
Gonçalves Dias e o estudo de Berti- 165: A tragédia de Nyenburg. Episó-
no Miranda, na 2ª e 3ª edições.[3941] dios dos tempos coloniais. [3943]
Block, Petrus Johannes. Geschiedenis van Couto, Domingos do Loreto. Desagravos
nederlandsche volk. T. 1-8. Groningen, do Brasil e glórias de Pernambuco. Dis-
J. B. Wolters, 1892-1908. 8 v. cursos brasílicos, dogmáticos, beli-
Existe uma tradução alemã, feita cos, apologéticos, morais e históri-
por O. G. Houthrouw, em 6 v., pu- cos... (in Anais da Biblioteca Nacio-
blicada em 1902-1918. Há também nal do Rio de Janeiro, vs. XXIV
uma tradução inglesa feita por O. A. (1902) e XXV (1903), Rio de Janeiro,
Bierstadt e R. Putnam, em 5 v., New 1904). 2 t.
York, G. P. Putnams’ sons, 1898- Trata-se de obra escrita no século
1912. XVIII e cujo manuscrito se encon-
Trata-se de uma história geral da trava na Biblioteca Nacional de Lis-
Holanda, considerada geralmente boa. Foi mandada copiar pela Biblio-
827

teca Nacional do Rio de Janeiro. É sobre a conquista da cidade de Phi-


inteiramente dedicada a Pernambuco lippia, agora Frederikstadt, com todas
e constitui repertório de valiosas in- as fortalezas e fortificações, situada na
formações. Fala na conquista e res- Capitania da Paraíba. [3946]
tauração de Pernambuco pelos ho- Garro, Lopo Curado. Breve, verdadeira e
landeses. [3944] autêntica relação das últimas tiranias e
Diário da expedição de Mathias Beck crueldades que os pérfidos holandeses usa-
ao Ceará em 1649: trad. do holan- ram com os moradores do Rio Grande.
dês por Alfredo de Carvalho. (Rev. (Pub. Arq. Nacional, vol. XXVI, Rio
Inst. Hist. Geo. Ceará, t. XVII, Ano de Janeiro, 1929, p. 157-170).
XVII, Fortaleza, 1903, p. 325-384). Lopo Curado Garro foi testemu-
Documento trazido por José Hi- nha dos acontecimentos que narra.
gino e encontrado por este no Ar- Sua relação foi primeiramente publi-
quivo da Companhia das Índias Oci- cada no Valeroso Lucideno (ed. 1648,
dentais, em Haia. p. 277-280, 2ª ed., 1668, idem, idem).
O manuscrito tinha o seguinte tí- Daí extraída foi nesta separata publica-
tulo: Journael en endere bescheyden van da pelo esforço de Alcides Bezerra.
Mathias Beck uyt Siara. Compreende A relação de Lopo Curado Gar-
o período de 18 de março a 3 de ro foi transcrita por J.B. Fernandes
maio de 1649. A continuação, a par- Gama, nas Memórias Históricas da
tir de 4 de maio a 22 de junho, não Província de Pernambuco, 1844-48,
foi encontrada por José Higino. vol. III, p. 80, e também por José
Segue-se, depois, um outro ma- de Vasconcelos, em Datas celébres e
nuscrito chamado: Continuação do fatos notáveis da História do Brasil, Recife,
Diário escrito no Ceará pelo Sr. Beck, 1869. [3947]
que começa em 23 de julho de 1649. Herckmans, Elias. Beschrijvinge van de Ca-
A 1º parte ocupa até as pp. 384 e a pitanie Paraíba (Bijdragen en Mede-
2ª da p. 385-405. [3945] deelingen van het Historisch Ge-
Extract uyt den Brief vande Politijc- nootschap gevestigd te Utrecht.)
que Raeden in Brasil, aende E. Tweede Deel, 1879.
Heeren Ghecommitteerden ter Ver- Escrito em 1639, foi traduzido
gaderinge der Negenthiene vande por José Higino Duarte Pereira, sob
gheoctryeerde West-Indische Com- o título: Descrição Geral da Capitania
pagnie, over de veroveringe vande da Paraíba, tomo V. 1876, p. 239-
Stadt Philippia nu Frederickstadt, 288, da Rev. Inst. Arq. Geog. Pern.
met alle zijn Forten ende Starckten, A Descrição Geral da Paraíba é um
ghelegen inde Capitania van Paraí- dos melhores trabalhos contemporâ-
ba... In ’s Graven-haghe, 1635. 4 p. neos às lutas e escrito por autoridade
Extrato da Carta do Conselho oficial. O autor descreve a geografia, a
Político no Brasil aos delegados da economia e os povos indígenas. Trata-
Assembléia dos XIX da outorgada se, além do mais, de um escritor de
Companhia das Índias Ocidentais, certa nomeada naquela época.
828

Elias Herckmans (1596-1644) foi pretação sobre a colonização holan-


poeta, historiador e soldado. Traba- desa no Maranhão.
lhando numa firma que negociava É de lamentar que João Francisco
com Arcangel, escreveu uma descri- Lisboa tivesse ajuntado como nota
ção histórica sobre Moscóvia que de seu livro um Extrato de Beauchamp
somente foi publicada em 1851-1868 sobre a invasão holandesa (cf. 2º
(2 vols., S. Petersburg. E. Pratz), em vol., p. 419-423, ed. 1864, e p. 439-
edição latina e russa. Publicou dra- 441, ed. 1901). Ajuntou, ainda, duas
mas e poemas, o mais importante outras notas referentes aos holandeses
dos quais está registrado nesta bibli- em Pernambuco (nota A, p. 681-686,
ografia (Der Zee Vaert, Amst., 1634, ed. 1864, e nota B, carta do Pe. Antô-
6 tomos). nio Vieira a Francisco de Sousa Couti-
Sobre o autor consulte-se J. A. nho, sobre o efeito que produziria no
Worp. Elias Herckmans, Oud Hol- reino a proposta da entrega de Per-
land, 1893, 11, p. 162-178, e o resu- nambuco, p. 686-89 da ed. 1864-65).
mo, em ligeiras modificações de Al- Sobre João Francisco Lisboa o me-
fredo de Carvalho -- Um poeta aventu- lhor estudo é o de Pedro Lessa, in Rev.
reiro, Rev. Inst. Arq. Geo. de Pern., vol. do Instituto Historico e Geográfico Brasileiro,
XII, nº 68, p. 356-364. Mais original t. LXXVI, 65, 1913. [3949]
é outro trabalho de Alfredo de Car- Lira, A. Tavares de. Domínio holandês no
valho -- As Etimologias indígenas de Brasil especialmente no Rio Grande do
Elias Herckmans (Rev. Inst. Arq. e Geo. Norte. Rio de Janeiro. Tip. do Jornal
de Pern., nº 60, p. 30-36). [3948] do Comércio, de Rodrigues & C. 1915.
Lisboa, João Francisco. Obras de João 112 p.
Francisco Lisboa, precedidas de uma no- Trata-se do melhor trabalho so-
tícia biográfica pelo doutor Ant. H. bre as lutas holandesas no Rio Gran-
Leal. S. Luís do Maranhão, 1864- de do Norte. Foi reproduzido no 2º
1865. 4 v. tomo do Dicionário Histórico e Geográfi-
Em 1901, saiu uma segunda edi- co do Brasil, publicado pelo Instituto
ção destas obras, em 2 vols., impres- Histórico e Geográfico Brasileiro.
sa em Lisboa. Foi ainda reproduzido pelo autor
Clássico de língua e clássico da na sua História do Rio Grande do
história, João Francisco Lisboa, nos Norte, Rio de Janeiro, 1921, p. 95-
Apontamentos Notícias e Observações 211. [3950]
para servirem à História do Maranhão, Rocha Pombo, José Francisco da. Histó-
escreveu magnífico estudo sobre a ria do Estado do Rio Grande do Norte.
invasão holandesa (2º vol., p. 141- Edição Comemorativa do Centenário
164, na ed. de 1864, e 1º vol., p. 273- da Independência do Brasil. (1822-
308, na ed. de 1901), e outro intitula- 1922). Editores Anuário do Brasil.
do: Paralelo das invasões holandesas e Rio de Janeiro, Almanque Laemmert,
francesas (p. 319-329 da ed. de 1901). Renascença Portuguesa. Porto. 494
São estes excelentes ensaios de inter- p.
829

Os capítulos X a XII são dedica- sermão como afirmou Varnhagen


dos aos holandeses no Rio Grande (História Geral do Brasil, t. II, p. 295,
do Norte. Trata-se de trabalho quase nº 49). Contém além desta Relaçam
que exclusivamente baseado nos de que intitula o livro (f. 1v-12r) a Rela-
Tavares de Lira e Netscher. Só no çam dos mortos e feridos das Com-
estudo da reação contra os invasores panhias da ordenança desta cidade.
é que se apóia, às vezes, em autores & Capitania da Paraíba, & dos solda-
contemporâneos. [3951] dos do presídio do forte do Cabede-
Rosário, Paulo do (Frei). Rela- lo (f. 12v-16v).
çam breve, e verdadeira da memorá- Frei Rosário foi monge benediti-
vel vitória, que houve o Capitão-mor nho e abade geral dos conventos da
da Capitania da Paraiba Antônio de Paraíba, Pernambuco e Bahia. Fale-
Albuquerque, dos Rebeldes de Olan- ceu em Portugal em 1655 com mais
da, que são vinte nãos de guerra, & de 70 anos de idade. [3952]
vinte & sete lanchas: pretenderão Studart, Guilherme. Datas e Fatos para a
occupar esta praça de Sua Magesta- história do Ceará pelo Dr. ... Fortaleza,
de, trazendo nellas para o effeito Tipografia Studart, 1896. 8 p. ins.,
dous mil homens de guerra escolhi- 526 p. 4 p. ins.
dos a fora a gente do mar. Com- Contém muitas informações so-
posta pello Reverendo Padre Frey bre a conquista, o estabelecimento e
Paulo do Rosario Comissario Pro- a expulsão dos holandeses do Ceará.
vincial da Provincia do Brazil da Como tentativa inicial, o autor escre-
Ordem do Patriarcha Sam Bento, veu um folheto de 53 p. intitulado
como pessoa que a tudo se achou Datas para a história do Ceará, que foi
presente. Com todas as licenças publicado em 1894. [3953]
necessárias. Em Lisboa. Por Jorge Studart, Guilherme. Documentos para a
Rodrigues. Anno 1632. 32 p. História do Brasil e especialmente a do
Encontra-se no tomo V do volu- Ceará (1608-1625). Fortaleza. Tip.
me intitulado Notícia dos cercos heroica- Studart, 1904. 310 p.
mente sustentados pelos portugueses nas Foram aí publicados vários docu-
quatro partes do mundo, coligido por mentos interessantes sobre Martim
Diogo Barbosa Machado. É o oita- Soares Moreno. Os de nos 61 (sic,
vo opúsculo do referido tomo. No 68), 71 e 78 são relativos ao período
Catálogo da Coleção Barbosa Ma- holandês e são os seguintes:
chado organizado por B. F. Ramiz Nº 68. 16 de outubro de 1621.
Galvão (Anais da Bib. Nac. do Auto do que ficou assentado sobre
Rio de Janeiro, vol. VIII, 1881, p. medidas a tomar contra o assalto
400-401) está registrado sob o dos holandeses às fortalezas de Per-
número 1699. nambuco, em reunião convocada
Trata-se do combate pela posse por Matias de Albuquerque. (A res-
da Paraíba. Não é exato que o traba- posta dos oficiais da câmara é con-
lho tenha sido escrito em estilo de trária às providências.)
830

Nº 71. 21-11-1621. Carta de Ma- Rafael de Jesus, da Ordem Bene-


tias de Albuquerque a El-Rei para fi- ditina, nasceu em Guimarães em
car munido de certas prerrogativas 1614. Em 1681, era nomeado histo-
para a defesa do país em caso de riador geral do Reino e em 1693 fa-
qualquer invasão. lecia.
Nº 78. 5-10-1624. Parecer do Autor hiperbólico, escreveu esta
Conselho da Fazenda sobre uma pe- história enfadonha e maçuda, de
tição de Martim de Sousa e Sampaio, pouco valor histórico. Sua obra é
nomeado capitão-mor de Pernam- quase toda, até julho de 1646, basea-
buco e prisioneiro dos holandeses. da em Calado. É autor de pouco me-
(Despacho favorável). [3954] recimento que tem recebido as críti-
cas mais fortes de Varnhagen, J. C.
Rodrigues e Wätjen. Do ponto de
4. HISTÓRIA GERAL
vista da linguagem, os críticos e his-
DOS HOLANDESES NO BRASIL
toriadores da literatura não o pou-
Edmundson, George. The Dutch power in pam menos. Francisco José Freire (Re-
Brazil (1624-1654) by the Rev. Geor- flexões sobre a língua portuguesa, Lisboa,
ge Edmundson. In: The English Histo- 1842, p. 8) escreve que Rafael de Jesus
rical Review, nº 42. Vol. XI, April morreu sem saber como devia falar a
1896, p. 231-259; nº 56, vol. .XIV, língua um correto escritor português.
October 1899, p. 676-699. A 2ª edição é desvaliosa, pois foi
Este trabalho está dividido em expurgada dos "erros e defeitos" por
dois capítulos: "The struggle for Ba- Caetano Lopes de Moura.
hia (1624-27)" e "The first con- O título do livro é devido, prova-
quests". Ambos estão bem docu- velmente, ao herói popular, nesta
mentados e constituem valiosa con- época em voga em Portugal, Jorge
tribuição ao estudo dos primeiros Castrioto, Rei do Épiro, cuja histó-
ataques holandeses à Bahia e Per- ria, traduzida para o espanhol, latim,
nambuco. francês e português (em 1567, por
[3955] Francisco de Andrade), deve ter re-
Jesus, Rafael de. Castrioto Lusitano Parte I. percutido no reino D. Luís de Me-
Entrepresa, e restavração de Pernambuco; neses, Conde de Ericeira que publi-
& das Capitanias Confinantes, Vários, e cou também, em 1688, o "Exemplar
bélicos svcessos entre portugueses, e belgas. de virtudes en la vida de Jorge Cas-
Acontecidos pelo discurso de vinte e quatro trioto Ilamado Scanderberg, principe
anos, e tirados de notícias, relações, & me- de los Epirotas y Albaneses", Lisboa,
mórias certas. Compostos em forma de His- Deslander, 1688.
tória pelo muito Reverendo Padre Pregador Como se vê, seria fácil e vulgar cha-
Geral Fr. Raphael de Iesus... Oferecidos a mar a J.F. Vieira o Castrioto Lusitano.
Ioão Fernandes Vieira Castrioto Lusita- Dentre as obras da época, as de
no... Lisboa, Antônio Craesbeeck de Brito Freire e Calado são imensamen-
Melo, 1679. 702 p., 46 p. te superiores à de Rafael de Jesus.
831

Publicou outros trabalhos, inclu- de obra de mérito, que merece e


sive a Monarquia Lusitana, Lisboa, deve ser consultada, especialmente,
Antônio Craesbeeck de Melo, se quisermos apreciar a opinião ho-
1683, registrada por todas as boas landesa sobre os sucessos militares
bibliografias (cf. Seção bibliográfica da campanha.
das bibliotecas). Falta a Netscher, porém, um co-
Aquela obra foi traduzida para nhecimento mais adequado e preciso
o latim e se encontra em manuscri- das fontes brasileiras e luso-espa-
to na Biblioteca Nacional (cf. Catá- nholas, e por isso seu livro deixa
logo da Exposição de História do muito a desejar. É obra cujo princi-
Brasil, 1612). A letra é do século pal mérito está em ter servido de ro-
XVIII. teiro a esses estudos no século XIX,
Foi também traduzida para o in- quando se iniciou uma composição
glês por P. Shaw e se encontra na mais sistemática de trabalhos de tal
Coleção Samuel Oppenheimer da natureza.
American Jewish Historical Society Em 1848 e 1849, Netscher pu-
de New York. [3956] blicou em diferentes números do
Netscher, Pieter Marinus. Les hollan- Moniteur des Indes Orientales et Occi-
dais au Brésil: notice historique sur les dentales, revista publicada em Haia,
Pays-Bas et le Brésil au XVIIe siècre. pelo barão Melvill de Cambée, par-
La Haye, Belinfante frères, 1853. te deste livro; publicação essa que
210 p. foi interrompida, conforme explica
ele no prefácio, pelo afastamento
O grande valor da obra de Nets-
de Melvill. Em 1849, foi tirada uma
cher consistiu em ter sido o primeiro
edição sob o título: Les Hollandais
a se utilizar dos documentos brasilei-
au Brésil. Récit succinct des principaux
ros do arquivo dos Estados Gerais,
exploits de nos ancêtres dans l’Amérique
coleção do Arquivo Real de Haia.
méridionale; leurs conquêtes au Brésil, etc.
Aconteceu que, nessa mesma época,
La Haye (1849).
Joaquim Caetano da Silva, erudito
encarregado dos negócios do Brasil Esta obra foi traduzida para o
naquela cidade, mandava copiar português por Mario Sette e publica-
grande número desses documentos e da, em São Paulo, pela Cia. Editora
os enviava ao Instituto Histórico e Nacional, em 1942, sob o título Os
Geográfico Brasileiro. Assim, o que holandeses no Brasil; notícia histórica dos
Varnhagen dizia ao escrever em Países-Baixos e do Brasil no século XVII,
1871, que a obra de Netscher tinha com 290 p.
perdido todo o interesse, desde que Devido às críticas que Varnhagen
lhe fora possível consultar os textos fez na primeira edição da História
referidos, pode ser estendido a todos Geral do Brasil (1854) à sua obra,
os brasileiros, desde que estes docu- Netscher publicou um folheto sob o
mentos sejam de fácil consulta no título: Les Hollandais au Brésil. Un mot
Instituto Histórico. Trata-se, porém, de réplique a M. Varnhagen, auteur de
832

l’ouvrage intitulé História das Lutas Santa Teresa, Giuseppe, Padre. Istoria
com os Holandeses no Brasil desde 1624 a delle Gverre del Regno del Brasile accadvte
1654, par le Lieut.-Colonel P. M. tra la corona di Portogallo e la Republica di
Netscher (Imprimé comme manus- Olanda composta, ed offerta alla sagra
crit) La Haye Belifante frères, 1873, reale masdá di Pietro Secondo Re di
com 20 p. Portogallo Ex. Roma, 1698. 2 v.
Varnhagen respondeu também Giuseppe di S. Teresa, chamado
em um folheto de 12 p. publicado no século de João de Noronha Frei-
sob o título: Les Hollandais au Brásil. re, nasceu em Lisboa, em 1658. Em
Un mot de response à M. Netscher par le 1680, recebeu o hábito de carmelita
Baron de Porto Seguro... Vienne, edition descalço. Em 1698 -- época da publi-
de l’auteur, 1874. cação desta obra -- esteve em Portu-
gal e, em 1733, ainda vivia em Roma.
Netscher publicou também uma Os bibliógrafos franceses Chadenat
história da colônia de Essequibo, em e Leclerc declararam ingenuamente
1888, sob o título: Gerchiedenis van de que se trata da mais importante
Kolonien Essequebo, Demerary en Berbice, obra que se escreveu no século
van de vestiging der Nederlanders aldaar XVII. Quem a consultar cuidado-
tot op onzen tijd, ’s Grav. 1888. Saiu samente verificará, porém, que se
uma tradução inglesa, por W.E. trata de compilação pouco estimável.
Roth, publicada em Georgetown,
em 1929, sob o título: History of the Compôs duas outras obras de in-
colonies Essequebo, Demerary and Berbice tenção religiosa, que estão registradas
from the Ditch establishmente to the pre- nas bibliografias indicadas. [3959]
sent day (1888). Santiago, Diogo Lopes. História da guerra
de Pernambuco e feitos memoráveis do mes-
Petrus Marinus Netscher (1824-
tre-de-campo João Fernandes Vieira, herói
1903) foi oficial do exército dos
digno de eterna memóia. (Rev. Inst. Hist.
Países-Baixos. Colaborador de vá-
Geo. Bras., v. 38-43, Rio, 1857).
rios jornais especializados, escre-
veu sobre negócios coloniais, his- De Diogo Lopes Santiago sabe-
tória colonial, cartografia e assuntos se apenas que era natural do Porto e
militares. [3957] professor de gramática em Pernam-
buco. (Cf. a Biblioteca Lusitana de
Rodrigues, José Honório, e Joaquim Ri-
Diogo Barbosa Machado, I, 669).
beiro. Civilização holandesa no Brasil. São
Foi, sem dúvida, contemporâneo das
Paulo, Editora Nacional, 1940. 404 p.
lutas holandesas, pois, na introdu-
Sobre este livro cf. Ruediger Bilden, ção, demonstrando que em vida se
Civilização holandesa no Brasil, in Dom pode escrever os feitos de um herói
Casmurro, 3-10-40; 2) Handbook of La- -- naturalmente o seu caso -- diz tex-
tin American Studies, 1941 nº 3.599; 3) tualmente: "E agora, modernamente,
Mário de Andrade, Diário de Notícias D. Gonçalo Céspedes y Meneses ti-
de 6-7-40 e N. Duarte Silva, Esta- rou à luz e imprimiu a Crónica del
do de S.Paulo, 12-10-40. [3958] Rei Filipe IV de Castela". Ora; a his-
833

tória de D. Filipe IV foi editada em o resultado de sua viagem à Holan-


1634 (Barcelona, por Sebastián de da, a fim de consultar documentos,
Cormellas) o que leva a crer que a não correspondeu ao dispêndio de
sua obra tivesse sido escrita depois tempo, dinheiro, fadiga. Critica-lhe,
de restaurada a capitania. Esta afir- também, a sua pouca habilitação his-
mação é importante, porquanto até tórica.
hoje se acreditou que o Diogo Lo- Realmente, trata-se de um livro
pez Santiago houvesse escrito por fraco, cujo único valor está em ter
volta do século XVIII. transcrito, por vezes, documentos
A Biblioteca Nacional possuía que não existem no Brasil. Por isso,
uma cópia moderna com letra do sé- seu livro é citado como fonte subsi-
culo XVIII, com a nota de que trata- diária, até que este único mérito de-
va da segunda parte do Valeroso Lu- sapareça pela vinda dos mss. ou do-
cideno. Esta nota foi retificada por cumentos que nos faltam. Parte do li-
Capistrano de Abreu, quando escre- vro foi também publicado na Rev. do
veu as Memórias de um frade, ensaio Inst. Arq. Pern. n.os 85 e 87 [3961]
sobre a obra e a figura de Manuel Varnhagen, Francisco Adolfo de, Vis-
Calado. Parece que a cópia publicada conde de Porto Seguro. História das
pela Rev. Inst. Hist. Geo. Bras. foi re- lutas com os holandeses no Brasil, desde
duzida e mandada copiar pelo co- 1624 a 1654. Viena, 1871. 365 p.
mendador Lisboa do Porto. (Cf. Ca- Foi dada uma segunda edição,
tálogo dos Mss. ultramarinos da Bi- melhorada e acrescentada, em Lis-
blioteca Pública Municipal do Porto, boa, em 1872.
Lisboa, 1938, p. 180). Sabemos, tam-
Esta é a melhor obra de autor
bém, que o manuscrito que se en-
brasileiro até hoje escrita sobre o as-
contra na Biblioteca Nacional do
sunto. Feita no século XIX, apresen-
Rio de Janeiro foi extraído da men-
ta, naturalmente, defeitos, omissões e
cionada cópia da Biblioteca do Por-
falhas graves. O autor deixou-se em-
to. O fato é que não se tendo notícia
polgar por demais pelos fastos milita-
sobre a vida do autor e possuindo-se
res e administrativos, deixando de lado
manuscrito dessa ordem em cópia
aspectos de maior interesse, como se-
moderna sempre considerou-se essa
jam a história social e a econômica.
história como escrita posteriormente
às lutas holandesas. [3960] Autor grave e austero, criticou e
implicou com cronistas amáveis da
Souto Maior, Pedro. Fastos per- época, pondo-os de lado, o que o
nambucanos. (Rev. Inst. Hist. Geog. impediu de ver particularidades e de-
Bras., tomo LXV (1912) Parte I, p. talhes importantes. Sua sisuda má
259-504). vontade para com Calado, por
A melhor crítica ao trabalho de exemplo, é falta grave, e a ela se
Souto Maior é a que fez Wätjen em deve atribuir, talvez, o ar de impor-
Das Holl, Kolonialreich in Brasilien, p. tância com que Wätjen condenou o
15, ed. bras., p. 46. Acha Wätjen que Valeroso Lucideno. Varnhagen, criti-
834

cando a obra de Calado, diz que este valioso. Veja-se, por exemplo, a ati-
autor aceitou muito boato, que o tude de Wätjen em face de Netscher
povo miúdo fazia circular. O que e Varnhagen. Declara que Netscher
Varnhagen chama de "povo miúdo" somente descreveu sucessos milita-
constituiu o elemento centralizador, res, não lhe criticando, porém, o fato
a que se pode, na verdade, atribuir a de não ter estudado os aspectos eco-
obra imensa da restauração de Per- nômicos. Gaba-lhe, também, a im-
nambuco. parcialidade. Quanto a Varnhagen,
Como fizemos notar, a parte rela- considera-o um historiador só de fa-
tiva aos holandeses na História Geral tos militares, sem visão, e a quem
do Brasil, 3ª ed., é hoje bem superior não cabe desculpa por não ter co-
à História das lutas. [3962] nhecido os documentos de interesse
Wätjen, Hermann Julius Eduard. Das econômico do Arquivo da Compa-
Holländische Kolonialreich in Brasi- nhia (Brieven en Papieren van Brazi-
lien: ein Kapitel aus der Kolonialges- lie). Reprova-lhe, também, a vista
chichte des 17. Jahrhunderts Haag, unilateral brasileira, o estilo afetado e a
Martinus Nijhoff; F.A. Perthes A. G. importância que dá a insignificâncias
1921. 352 págs., mapa. (p. 43; deve-se comparar com as págs.
35-36 e 41-43 da edição brasileira).
Este é o melhor estudo até hoje (Sobre isso, cf. O Brasil na História do
realizado sobre o domínio holandês Açúcar de E. O. von Lippmannn, por
no Brasil. Bem planejado, bem pen- José Honório Rodrigues, in Brasil Açu-
sado, este livro impõe-se como o careiro, n.os I-VI. 1943.
mais completo sobre o assunto. Isso A parte econômica, financeira e
não importa em lhe reconhecer cará- alguma social foi desenvolvida me-
ter decisivo ou indiscutível, como lhor do que em qualquer outro tra-
acreditam alguns. balho sobre o assunto. A tradução
Muitas questões precisam ser ree- brasileira é boa e pode ser consult-
xaminadas, muitas pesquisas novas ada. É de Pedro Celso Uchoa Caval-
esclareceram dúvidas do autor e, canti e foi editada em São Paulo, em
principalmente, deve ser indicada a 1938, pela Cia. Editora Nacional sob
sua parcialidade, na utilização das o título: O Domínio colonial holandês
fontes. A irrestrita irritação pelos do- no Brasil, 20 p. in., 560 p.
cumentos e livros luso-brasileiros é Hermann Julius Eduard Wätjen
fato indiscutível, que muito prejudica é a publicada por R. Bijlsma na re-
e invalida algumas conclusões. Cha- vista De West Indische Gids, 4º v.,
ma de grotescos e desvaliosos os tra- 1921-22, p. 371-79, sob o título:
balhos de Calado, Brito Freire e Ra- Eene geschiedenis van Hollandsch Brazi-
fael de Jesus. Se este último merece lie. Cf. também crítica de W.S. Un-
os adjetivos, é uma injustiça dizer o ger, in Tijdschrift v. Geschiedenis
mesmo de Calado e Brito Freire. O Lit. en Volkerkunde, 1922, 37, p.
primeiro é o mais autêntico flagrante 110-111. [3963]
da guerra e o segundo é autor sério e
835

5. HISTÓRIA DE LUTAS: 1621-1654 Door een Lief-Hebber des Vader-


landts. Ghedruckt by Broer Iansz, int
a. Tréguas (1609-1621) ou Jaer ons Heeren 1622. 24. p.
Guerra com a Espanha (1621-1648). Trata-se de valioso folheto es-
crito por um patriota, onde se
Fin de la Guerre. Dialogus, of t’Samen- prova que a prosperidade do país,
sprekinge P. Scipio Africanus raedt que outrora decorria da Compa-
den Romeyenm datmen naer African nhia das Índias Orientais, agora
most trecken om Carthago te bekry- provém da Companhia das Índias
gen ende bestryden so verre men Ocidentais.
Hannibal uyt Italien wilde jagen. Q.
Neste "Vivo Discurso" se esti-
Fabius Maximus raed datme niet
mam os diversos e valiosos frutos
naer Carthago trec-ken most, maer
como algodão, açúcar, gengibre,
dtmean Hanibal in Italien met alle
índigo, madeira que produziam as
macht most aen vallen ende daer uyt
Índias Ocidentais. As referências
slaen. Dienend to een Exemplaer of
ao Brasil serviram de estímulo à
Spiegel om te bewyse dat de West-
expansão holandesa para o nosso
Indische interprise d’eenige ende
país. [3965]
beste middele is jagen en dese lang-
durige Orloge t’eyndigen gehelle Redenen VVaeromme de vvest-Indis-
Chistenheyt te bevredighen: De ghe- che Compagnie dient te trachten
preten-deerde Spaenche Monarchie het Landt van Brasilia den Co-
ende hooghmoet te krencken ende te ninck van Spangien te ontmach-
dempen: Maer dat daer en boven tigen, en dat ten eersten. Wesende
noch six cincq op den Terolimg een ghedeelte der Propositie ghedaen
loopt om de West-Indien voor een door Ian Andries Moerbeeck, ain zijn
kanste strijcken. Audaces Fortuna ju- Vorsteliicke ghenade Mauritio Prince
vat timidosque repellit. t’Amsterdan van Orange etc. ende eenighe andere
Ghedruckt by Paulus Aersz, van Ra- Heeren Ghecommitte erden van de
vesteyn. 44 p. Hooghe ende Groot-Moghened
Folheto extremamente raro, es- Heeren Staten Generael der Vere-
crito para encorajar a Companhia nichde Nederlande in ’s Graven Hag-
das Índias Ocidentais a levar a guer- he den 4. 5. ende 6. April Anno
ra às colonias espanholas da Améri- 1623. t’ Amsterdan By Cornelis Lo-
ca, como meio de chegar a uma con- dewijcksz van der Plasse Boeckver-
clusão favorável na contenda com a cooper op de hoeck. van de Beurs
Espanha, e conquistar e anexar às inden Italiaenschen Bijbel. Ano 1624.
Índias Ocidentais. [3964] 16 p. Xilogr. -- Prólogo do autor (6-
Levendich Discours vant ghemeyne 9-1624).
Lants welvaert voor desen de Trata-se de um folheto de primei-
Oost ende nu oock de West-Indis- ra importância para o conhecimento
che generale Compaignie aenghe- das razões da expansão holandesa
vanhen seer notabel om Iesen. para a América.
836

Foi traduzido para o português México, razão por que não participa-
pelo Rev. Padre Fr. Agostinho Keij- ra das lutas no Brasil.
zers, O.C. e por José Honório Ro- As razões que o levaram a redigir
drigues, sob o título: Motivos por que a este escrito são assim explicadas: ao
Companhia das Índias Ocidentais deve lado das notícias que Otaegui lhe
tentar tirar ao rei da Espanha a terra do fornecera, Aguilar e Prado ajuntaram
Brasil. José Honório Rodrigues es- as que pôde obter em Madri.
creveu o prefácio, notas, e reuniu a
bibliografia de Moerbeek. Essa tra- Trata-se, como a relação anterior,
dução foi publicada no nº de março de um folheto puramente militar,
de 1942 da Revista Brasil Açucareiro. não apresentando, contudo, os fatos
Foi tirada uma separata, que consti- curiosos que na segunda edição da
tui o nº I da coleção Documentos His- Relação ocorrem na presa e na lista
tóricos do Instituto do Açúcar e do Álcool da presa.
(Rio de Janeiro, 1942). Na mesma É preciso, porém, acentuar, que
separata saiu a Lista de tudo que o as capitulações estão melhor relata-
Brasil pode produzir anualmente. das neste escrito histórico do que na
Sobre a tradução do folheto cf. mencionada Relação. [3967]
The Hispanic American Review, maio de Aldenburgk, Johan Gregor. West-India-
1943, p. 354-355 e Revista de História nische Reise und Beschreibung der
da América, do Instituto Pan-Ameri- Belarg und Eroberung der Statt S.
cano de Geografia e História, Méxi- Salvador in der Bahia von Todos os
co, nº 15, p. 345. [3966] Santos inder Lande von Brasilia,
Welches von 1623 bis 1626 verrichlet
worden. Coburg, Caspar Bertsch für
b. Os holandeses na Bahia: Friederich Gruner, 1627.
1624-1625
Narrativa muito interessante de
Aguilar y Prado, Jacinto de. Escrito his- um oficial alemão que se alistou nas
tórico de la insigne, y baliente jorna- tropas holandessas contra os espa-
da del Brasil, que se hizo en Espana nhóis e portugueses no Brasil.
el año de 1625. Al Capitán Martín de Foi publicada essa viagem, tam-
Iustiz, noble de la muy antiga y leal bém, com a Viagem ao Brasil de Am-
Provincia de Guipuzcoa. s.l. s.d. 38 pp. brosius Richshoffer e a Viagem à
O autor havia nove anos deixara Guiné e ao Brasil de Michael Hem-
a sua pátria e, na cidade de S. Sebas- mersam, num volume dirigido por
tain, conhecera J. Pérez de Otaegui, S.P. L’Honoré Naber, Haag, Marti-
o qual lhe declarava haver recebido nus Nijhoff, 1930, que faz parte da
muitas cartas e relações da jornada coleção Reisebeschreibungen von
do Brasil, de 1625, mas que todas Deutschen Beamten und Kriegsleu-
lhe pareciam curtas e indignas de tal ten in Dienst der Niederlandischen
ação. Aguilar e Prado, em 1625, to- West-und Ost-Indischen Compag-
mara parte na rebelião da cidade do nien. 1602-1797. Nesse volume leva
837

o título: Reisenach Brasilien. 1623- drigues e pelo Catálogo da Exposi-


1626. ção Nassoviana.
Foi traduzida pelo Monge bene- A edição espanhola é raríssima, e
ditino D. Clemente Maria da Silva- só conhecemos o exemplar da John
Nigra, em 1938, sob o título: A Inva- Carter Brown Library, Providence,
são Holandesa na Bahia 1624-1625! (U.S.A.). Saiu uma edição alemã (Re-
Pela testemunha ocular Johan Georg lation und Eigentlichebeschreibung...
Aldenburg 1631. (in Anais do Arquivo Augsburg. Mattheo Langenwaldter,
Público da Bahia, vol. XXVI, Bahia, 1625, 12.). [3969]
Imprensa Oficial do Estado, 1938, p. Goede vieuwe tijdinghe ghecomen
97-151). met het Jacht de Vos ghenaemt,
H. Terpstra publicou uma nota afghesonden van den Generael Jacob
crítica à edição de Naber na revista Wilchens uyt Bresilien, aen de Hee-
holandesa Tijdschrif voor Geschiedenis ren Bewint-Hebbers vande gheoc-
Land en Volkenkund, 1931, v. 46, p. troyeerde West-Indische Compagnie.
89-91. [3968] Ghedruckt by Broer Jansz. Out Cou-
Auendaño y Vilela, Francisco. Relación rantier in’t Tegher van sijn Princelijc-
del viaje y suceso de la armada que ke Excellentie wonnende op de
por mandado de Su Magestad partió Nieu-zyds achter Borchwal in de Sil-
al Brasil, a echar de alli a los enemi- vere Kan by de Brouwerie van den
gos que lo ocupariam. Dase cuenta Hoy-Bergh den 27 Augustus, 1624.
de la Capitulaciones con que salió el Boas notícias trazidas pelo iate
enemigo y valía de los despojos. He- "De Vos", o qual foi mandado pelo
cha por D. Francisco de Auendaño y General Jaco Wilckens do Brasil aos
Vilela, que se halló en todo lo sucedi- diretores da outorgada Companhia
do assi en la mar, como en la tierra. das Índias Ocidentais. [3970]
Imprensa en Sevilla, Francisco de Guerreiro, Bartolomeu. Iornada dos vas-
Lira. 1625. 7 p. salos da coroa de Portugal, para se re-
Esta narrativa de uma testemu- cuperar a cidade do Saluador, na Bahya
nha ocular da retomada da Bahia de todos os Santos, tomada pollos Or-
aos holandeses, em 1625, é de gran- landezes, a oito de Mayo de 1624 e re-
de mérito histórico. Descreve as cuperada ao primeiro de Mayo de
operações, dá os termos da capitula- 1625, feito pollo padre Bartolomev
ção e a suma do que se tomou ao Guerreiro da Companhia de Iesv. Lis-
inimigo. Como as forças se compu- boa, por Mattheys Pinheiro, 1625. 74 p.
nham de portugueses, espanhóis e Trata-se de um dos mais impor-
napolitanos (então súditos da Espa- tantes folhetos sobre a restauração
nha), é natural que a narrativa inte- da Bahia. Além de relatar os aconte-
ressasse aos leitores italianos, razão cimentos do assalto e tomada daque-
por que foi feita uma tradução italia- la cidade, o A. descreve o que lhe su-
na (8 p., Francisco Lira, Milão) a cedeu depois da conquista; as reper-
única registrada por José Carlos Ro- cussões desse acontecimento em
838

Portugal, o preparo para o envio da mou na revisão cuidadosa. D. Ma-


armada, os subsídios em dinheiro, nuel de Meneses (1628) foi cronista-
com que contribuíram os vassalos de mor do Reino (1618), sucedendo a
Portugal, os fidalgos que ofereceram Frei Bernardo Brito; foi cosmógra-
os seus serviços, os aventureiros ca- fo-mor e durante anos militou em
sados, os solteiros que foram na jor- armadas reais, sendo, como diz
nada da Bahia, etc. Francisco Manuel de Melo, um dos
Traz as capitulações da entrega varões que juntaram neste tempo a
da cidade, a entrada na mesma, em profissão de letras e armas. Sua Restau-
30 de abril de 1625, e as comemora- ração é, ainda no dizer de Francisco
ções por essa vitória. Manuel de Melo, história seca, de ex-
Bartolomeu Guerreiro nasceu na traordinário estilo, porém fiel. [3972]
vila d’Almodavar, comarca de Ouri- Pick, Jan Cornelisz. Copie Eens Briefs,
que, no Alentejo. Aos 18 anos entrou geschreven uyt West-Indien, inde
para a Companhia de Jesus e morreu Hooft-Stadt van Bresilien, ghenaemt
aos 78 anos de idade, a 24 de abril de de Totua le Sanctus, den 23. Mey,
1642. Afora esta Jornada dos Vassa- 1624. Door... Jan Cornelisz Pick,
los, escreveu vários outros trabalhos. Dienaer des Godlijcken Woors al-
daer. Tot Delf, Gedruckt by Cornelis
Trata-se de obra da maior rarida- Lansz Timmer, 1624. 4 p.
de. A Biblioteca Nacional do Rio de
Janeiro possui dois exemplares, am- Cópia de uma carta escrita das
bos fazendo parte da coleção Barbo- Índias Ocidentais na capital do Bra-
sa Machado. São encontrados nos sil, chamada Totus le Sanctus a 23 de
seguintes volumes: Notícias históricas e maio de 1924, pelo sábio Jan Pick (o
militares de América e Notícias dos cercos filho de Cornelius), ministro do
heroicamente sustentados etc... [3971] Evangelho aqui. Com permissão da
Meneses, Manuel Joaquim de. Recupera- municipalidade de Delft. [3973]
ção da cidade do Salvador. Cópia coteja- Relaçam do dia em que as armadas
da com o manuscrito original de Ma- de sua Magestade chegarão à
dri, por Francisco Adolfo de Varnha- Baya, e do que se fez até vinte dous
gen. (Rev. do Inst. Hist. Geog. Bras., t. de abril, em que se mandou a Per-
22, 1859, p. 357-411). nambuco desde vinte e nove de mar-
ço, em que derão fundo da dita Baya.
O cronista e herói da restauração
Lisboa 1625. 3 p.
escreveu com simplicidade, cons-
ciência e riqueza de detalhes este in- Foi republicada na 3ª seção do
dispensável opúsculo sobre a liberta- mensário Arquivo Bibliográfico (Coim-
ção da Bahia. Varnhagen criticou-lhe bra, Imprensa da Universidade), vol.
o estilo, a minúcia, e, especialmente, VIII, Coimbra, 1908, 208 p.
a edição que considera cheia de erros Relação portuguesa dos feitos das
manisfestos. Fora Varnhagen quem esquadras espanhola e portuguesa
encontrara o manuscrito e o enviara contra os holandeses na Bahia, de 29
ao Instituto Histórico, que não pri- de março a 22 de abril de 1625
839

(quando rumaram para Pernambu- nal do Rio de Janeiro faz parte da


co). Nesta ocasião Francisco de Al- coleção Barbosa Machado, estando
meida agiu de acordo com Fradique encadernado no volume intitulado
de Toledo na resistência aos holan- Notícias históricas e militares da América.
deses. [3974] Foi este o original que serviu à re-
Relaçam verdadeira de tudo o sucedi- produção impressa no tomo V
do na Restauração de Bahia de (1843) da Revista do Instituto Histórico e
todos os Santos desde o dia, em Geográfico Brasileiro (p. 476-450). Na
que partirão as armadas de sua Ma- própria coleção Barbosa Machado se
gestade, té o em que na dita Cidade encontra outro exemplar no volume
forão aruorados seus estandartes cõ intitulado Notícias dos cercos heroicamen-
grande gloria de Deos, exaltação do te sustentados pelos portugueses nas quatro
Rey e Reyno, nome de seus vassalos, partes do mundo. [3975]
que nesta empresa se acharão; anihi- Relacion Del Sucesso del Armada, y
lação, e perda dos rebeldes Olande- Exército que fue al Socorro del Bra-
ses ali domados Mandada pelos offi- sil, desde que entro en la Bahia de
ciaes de sua Magestade a estes Rey- Todos os Santos, hasta que entro en
nos. Com todas as licenças necessa- la ciudad del Saluador, que posseian
rias, foy visto pelo Padre Fr. Thomas los rebeldes de Olanda sacada de una
de S. Domingos Magister. Lisboa, carta, que el senor don Fradique de
Craesbeeck, 1625. 16 pp. Toledo escrivio a su Magestad. Ca-
Trata-se de um folheto atribuído diz, Gaspar Vezino, 1625.
por Inocêncio da Silva e J. C. Figa- Nesta carta relata o restaurador da
nière a João de Medeiros Correia. Bahia os termos sob os quais o inimi-
Nenhum dos dois fundamentou go capitulou. Trata-se de folheto im-
as razões dessa autoria. O folheto portante, porque é uma comunicação
descreve os sucessos diários (desde oficial do general das armadas e exér-
29 de março de 1625), das armadas citos ao Rei de Espanha. [3976]
enviadas para a restauração da Bahia. Reys-Boeck van het rijcke Brasilien,
As peripécias militares são registra- Rio de la Plata ende Magallanes,
das diariamente, assim como as capi- Daer in te sien is de gheleghentheyt
tulações dos holandeses, realizadas van hare Landen ende Steden haren
nos quartéis do Carmo e negociadas handel ende wandel met de vruchten
por D. Fradique de Toledo Osório e ende vruchtbaerheyt der selver: Alles
assinadas em 30 de abril de 1625. Se- met copere platen uytghebeelt. Al-
gue-se a "presa que se achou e o seu soock De lete reyse van den Heer van
inventário pelos Ministros de S. Ma- Dort, met het ver-overen vande Baeye
jestade, assinada na cidade de S. Sal- de Todos los Santos, tsamen ghestelt
vador da Bahia de Todos os Santos, door N.G. Ghedruckt in ’t Jaer onses
a 15 de maio de 1625". Heeren 1624. By Ian Canin. 68 p.
Trata-se de obra da maior rarida- O folheto Beschrijvinghe vande
de. O exemplar da Biblioteca Nacio- Landen van Brasilien, ende het vero-
840

veren van Bahia de Todos los San- niu-se à expedição enviada contra o
tos... (Amst., 1644) é uma reedição Brasil pela Companhia das Índias
do Reys-boeck van het rijcke Brasilien, Ocidentais, sob o comando de
com a seguinte diferença, além da do Waerdenburch e Lonck. Em 1632,
editor: No Reys-boeck, o autor escreve voltou à Holanda, depois de servir
um prefácio, onde se refere às Índias mais de três anos no Brasil e nas Ín-
Ocidentais, inclusive o Brasil; ocupa- dias Ocidentais. Muitos anos depois
se, então, da "terra do estreito de escreveu e publicou suas aventuras.
Magalhães e de Lamur", relatando Há dois poemas louvando o au-
resumidamente as várias expedições, tor, um por Joachim Bockenhoffer e
desde F. de Magalhães, F. Drake, outro de Johann Heinrich Rapp. Em
Pedro Sarmiento, Dom Diogo Flo- 1897, Alfredo de Carvalho traduziu
res, Thomas Cavendish, S. Veereldt, e fez publicar uma excelente versão,
van Noot, van Spilbergen e outros; que tem o seguinte título: Diário de
segue-se, depois, a descrição do Rio um soldado da Companhia das Índias
de La Plata (Buenos Aires) etc. Assun- Ocidentais (1629-1632), Recife, Laem-
ción, etc., e chega, aí, à "Descrição da mert, 1897.
Terra do Brasil", onde começa a Bes- Em 1903, S.P. L’Honoré Naber
chrijvinghe etc. Acresce notar que reeditou esta obra no 2º tomo da co-
no exemplar que consultamos, exis- leção de viagens por ele dirigida.
tente na Biblioteca Nacional do Rio Haag, M. Nijhoff, 1930. No mesmo
de Janeiro, este último livro termina volume se encontram a Viagem ao
na descrição do "Povo do Siara", en- Brasil de Aldenburg e a Viagem à
quanto aquele dedica ainda algumas Guiné e ao Brasil de Michael Hem-
páginas ao clima, frutos, produtos e mersam. [3978]
animais da nossa terra, e à "Descrição
Salvador, Vicente do, Frei. História do
da terra do Brasil selvagem e como
Brasil. 3ª ed. revista por Capistrano
Maranhão e Amazonas e as Guianas"
de Abreu e Rodolfo Garcia. S. Paulo,
e, finalmente, os varões ilustres de Es-
Companhia Melhoramentos, S.D.
panha, segundo o livro de Juan de
632 p.
Castellanos, 1ª parte das Elegias dos
Varões ilustres das Índias. Deve-se a Capistrano de Abreu a
publicação desta obra clássica da his-
O que parece fora de dúvida é tória colonial brasileira. Frei Vicente
que se trata realmente de uma reedi- do Salvador, que foi testemunha dos
ção da parte brasileira do "Reys- fatos relatados, tendo mesmo sido
boeck". [3977] preso pelos holandeses, concluiu sua
Rischshoffer, Ambrosius. Brazilianisch obra em 1627. Abrange, assim, a in-
und Westindische Reisze Beschreibung. vasão, conquista e capitulação dos
Straszburg, Joszias Staedeln, 1677. holandeses na Bahia. É obra cujo va-
182 p. retr. ilus. lor é dispensável ressaltar.
Natural de Strassburgo, Richs- Além dessa edição, que é a me-
hoffer, em 1629, aos 17 anos, reu- lhor, foram publicados, em 1887, os
841

livros I e II da História do Brasil, Rio Heylsamen, raedt, wat daer over te


de Janeiro, Imprensa Nacional, com doen staet. ...’s Grave-Haghe, Voor
aviso preliminar assinado por Capis- Aert Meurs Boeck-vercooper, 1625.
trano de Abreu, XVI, 116 p., s.f. de 52 p.
r. Foi também publicada nos Anais O Segundo Vigilante, trazendo as
da Biblioteca Nacional do Rio de Ja- notícias da noite, isto é: a perda da
neiro, 1885-1886, vol. XIII, p. 1-26; Bahia, acompanhado de um conse-
cap. XXII-LVII. p. 206-255. [3979] lho salutar sobre o que, no caso,
Tamaio de Vargas, Thomás. Restaura- convém fazer, etc.
cion de la civdad del Salvador, i Baía de
A dedicatória ao príncipe H. de
Todos-Sanctos, en la Provincia del Brasil.
Nassau, está assinada: Ireneus Phila-
Por las armas de Don Philippe IV el
lethius, pseudônimo de Ewout Teel-
Grande Rei Catholico de las Españas
linck, o ortodoxo tesoureiro da Zee-
i Indias, e c. A Sv Magestad Don
lândia. Por isso, atribui-se a autoria
Thomas Tamaio de Vargas su Chro-
deste folheto, como de outros que
nista. Madrid, 1628. 179 p.
aqui não são mencionados, a Ewout
O autor, cronista do rei de Espa- Teelinck. [3981]
nha, refere-se aos acontecimentos da
Usselincx, Willem. Argonautica Gusta-
tomada e Restauração da Bahia. En-
viana; das ist nothwendige Nachricht
contra-se, aí, a interpretação espanhola
von der newen Seefahrt und Kauff-
da atitude da metrópole em defesa da
handlung; so von ...Gustavo Adolp-
colônia e as repercussões que tal fato
ho Magno... durch Anrichtung einer
trouxe à Espanha. Tamaio de Vargas
General Handel-Compagnie in dero
era um dos mais famosos e eruditos
Reich und Landen ...vor wenig Jahen
homens do seu tempo. Publicou ou-
zu stifften angefangen Franckfurt,
tros trabalhos de história e crítica.
1633. 20, 56, 51 p.
Esta obra foi traduzida para o
português pelo Coronel Inácio Ació- Obra extremamente rara, do
li de Cerqueira e Silva, e publicada, maior interesse para a história do co-
em 1847, na Bahia. Essa tradução, mércio na primeira metade do século
assim como a das Memorias diárias de XVII. Consiste de diferentes tratados
la guerra del Brasil, de Duarte de Al- sobre a Companhia Meridional.
buquerque, feita pelo mesmo tradu-
O autor, Usselincx, é bem conhe-
tor, não é recomendável. As notas
cido como um infatigável idealizador
do tradutor são de nenhum mereci-
de companhias comerciais. Procu-
mento.
rando erguer uma companhia sueca
A importância do livro está a exi- para comerciar na América e na
gir uma nova tradução mais cuida- Ásia, ele tomou seus modelos da
dosa e autorizada. [3980] Companhia das Índias Orientais e
De Tweede Wachter, Brenghende tij- especialmente da Companhia das Ín-
dinghe vande nacht, dat is Van het dias Ocidentais, pelos seus sucessos
overgaen vande Bahia, met Eenen no Brasil e em outros lugares.
842

As pp. 43-51 trazem o relatório Relatione Venuta de Madrid à Roma


da perda da Bahia de Todos os San- com lettere de 20 di Gennaro 1630.
tos, no Brasil, pelos neerlandeses. As De progressi fatti sin hora nel Mare
págs. 51-56 contêm particularidades e Oceano dal Sig. Don Fradiqve di To-
documentos da Companhia Holande- ledo Ossorio. Marchese di Villanoua
sa das Índias Ocidentais. [3982] de Valdueza. Capitan Generale del-
l’Armata del detto Mare Oceano.
Per la Maestá Cattolica Don Filip-
c. Ataque à Bahia em 1627 po IV. Re di Spagna. Tradotta da
-- A frota de prata Gio. Francesco Pizzyto. In Roma,
Nella Stampa di Lodouico Grigna-
Lof-Dicht Des Vermaerde, Wyt-Be-
ni. 1630. Con licenza dei Superiori.
roemde, Manhaftige Zee-Heldt Pieter
4 f.in.
Pietersen Heyn. Generael: Der Geoc-
troyeerde, Vereenighde West-Indis- É natural, diz José Carlos Rodri-
che Compagnie. Waer in Historicher- gues (Biblioteca Brasiliense, p. 532,
Wyse verhaelt wordt de Loffelyche p. 2.054), que fosse (a Relatione) tra-
daet Begaen inde Baya de Todo los duzida em italiano, pois as tropas de
Sanctos, en het Veroueren vande Sil- D. Fradique eram compostas de
vere-Vloot, aen t Eylant Cuba Inde napolitanos, por um terço; o Rei
Haven van Matanca. t’Amsterdam de Espanha sendo-o também de
voor Wyllem Ianssen Wyngaert Nápoles. [3985]
Boeck ver Coper by ’t Stadt huys,
1629. 12 p. d. Conquista de Pernambuco: 1630
Penegírico do general P.P. Heyn, Baers, Joannes Paschasius. Olinda, Ghe-
no qual se relata, historicamente, o legen int Landt van Brasil, inde Capi-
feito realizado na Bahia de Todos os tania van Phernambuco, met Menne-
Santos e a captura da Frota de Prata litjcke dapperheyt ende groote coura-
próximo à ilha de Cuba, no ponto gie inghenomen, ende geluckelijck
de Matunca. [3983] verovert op den 16. Februarj Aº
Rapport gadaen aen hare Ho. Mo. 1630. Onder het beleydt vanden seer
ende Sijn Excell. van den Capi- Manhaften ende cloeckmoedigen
teijn Salomon Willemsz, over ’t ve- Zee-helt, den Heere Henrick Lonck,
roveren vande Silver-Vlote komende Generael weghen de Geoctroyeerde
van nova Hispania, door ’t beleijt van West-Indische Compagnie, over een
den Heer General Pieter Pietersz. mach-tige Vloote Schepen, door de
Heijn. In’s Graven-Haghe, 1628. 4 p. den VVel-Edelen, seer gestrengen
Relatório apresentado aos Esta- ende grootmoedige Heere Diederich
dos Gerais, pelo Capitão-General van Weerdenburg, Heere van Lent,
Willemsz sobre a captura da Frota Velt-Overste ende Colonel over dry
de Prata, que vinha da Nova Espa- Regimenten Infanterie. Cort ende
nha, levada a efeito pelo General P. claer beschreven Door Joannem
P. Heyn. [3984] Baers, Dienaer des Godlijcken
843

Vvorts inde Beerlijckheyt van Vrees- de Albvvergve Coello, Marques de


wijck, gneseyt de Vaert, als een sicht- Bastos... A la Católica Magestad del
baer ghetuyge, int vijftischste jaer Rev Don Felipe Quarto. Madrid,
syns Ouderdoms. Prov. 21.31. De 1654. 288 pp.
Peerden worden wel ten strijdtdaghe Duarte de Albuquerque Coelho,
bereyt doch de over-winninghe comt quarto donatário de Pernambuco,
van den Heere. 1630. nasceu em 1591, e entrou de posse
Trata-se de magnífico folheto es- da capitania em 1596 ou 1597. Em
crito pelo capelão Joannes Baers, 1624, partiu na armada que vinha
que foi em boa hora traduzido por tentar a restauração da Bahia, voltan-
Alfredo de Carvalho. Sobre a con- do depois a Portugal. Em julho de
quista de Olinda é documento im- 1631, chegou ao Brasil na armada de
prescindível. D. Antônio Oquendo. Em agosto,
A tradução leva o título: Olinda embarcava na Bahia para socorrer
conquistada... Recife, Laemmert & Pernambuco e, em 21 de setembro,
Cia., 1898, XIV, 54 págs. aí desembarcava. Desde então, até
1635, época da imigração dos povos
Joannes Paschasius Baers (1580-
de Pernambuco, lutou em pessoa.
1653) nasceu em Breda (Biografisch
Em março de 1638, estava pronto
Woordenboeck) ou em Gent (Nieu-
para partir para a Espanha, quando
ve Nederlandsch Biografisch Woor-
se soube da incursão da Bahia.
denboek). Foi predicante em 1605
Adiou a viagem e participou das lu-
em Scherpenzel, em 1610 em Trig-
tas em defesa da Bahia. Em de-
naart e em 1619 em Vreeswijck. De-
zembro de 1638, seguiu para a Es-
pois de sua volta de Pernambuco
panha.
pregou em Soest até 1645. Publicou
a sua custa, em 1648, em Amster- Esta obra é fundamental para o
dam, Cornu Copiae... folheto raro e estudo das lutas holandesas em Per-
de matéria variada. [3986] nambuco de 1630 e 1638. Foi segui-
Bredan, Daniel. Desengano a los Pue- da e copiada por cronistas posterio-
blos de Brasil, y demas partes en la res. Relata fatos curiosos e interes-
Indias Occidentales, para quitarles las santes para a reconstituição social do
dudas y falsas imaginaciones que po- Brasil seiscentista. Este livro e o de
drian tener acerca de las Declaracio- Calado são os mais importantes para
nes de los Illustrissimos Señores Es- a história social daquela época.
tados Generales y los Administrado- Albuquerque Coelho é autor de
res de la Compañia. Amsterdam, um Compendio de Los Reys de Portugal,
Emprenta de Pablo Aertson de Ra- publicado em 1625, conservado ainda
vestein, 1631. 14 p. [3987] em manuscrito, e do qual a Biblioteca
Coelho, Duarte de Albuquerque. Memó- Nacional do Rio possui uma cópia.
rias diárias de la Gverra del Brasil, por Existe uma tradução feita por
discvrso de nueve años, empeçando desde el Melo Morais e Inácio Acióli de Cer-
de M.DC.XXX. Escritas por Dvarte queira e Silva publicada no Rio de
844

Janeiro, Tip. de M. Barreto, em mada portuguesa no Brasil e gover-


1855, que é indigna de apreço, pelos nador em Pernambuco, pôde obser-
seus erros e omissões. var pessoalmente os sucessos e rela-
É de surpreender que H. Wãtjen tá-los a seu modo. Seu livro é valiosa
tenha desconhecido esta obra, não fonte de informações, curioso em al-
fazendo à mesma nenhuma referên- guns detalhes, corajoso nas críticas
cia na parte em que estuda as fontes que fez ao Conde Duque de Oliva-
bibliográficas de seu livro. res e à política espanhola no Brasil.
Na Revista do Instituto Histórico do Os autores puristas do século XIX
Ceará (tomo XX, Fortaleza, 1906, consideravam-no como escritor de
pp. 322-323) publicou-se o trecho estimação. Assim Francisco José
relativo ao Ceará. Freire, nas "Reflexões sobre a língua
portuguesa" (Cf. Plano de estudo
A tradução desta obra foi nova-
para a congregação da Ordem Ter-
mente impressa no Recife, em 1944,
ceira, p. 27), considera seu livro es-
pela Secretaria do Interior do Estado de
crito com alguma propriedade. Do
Pernambuco. A edição foi baseada na
mesmo modo, D. Tomás Caetano
tradução de Melo Morais, confrontada
de Bem, na "Memória historia cro-
com o original espanhol por Durval
nologica" (1791, XXXV), criticando
Mendes, e ilustrada por Manuel Bandei-
os autores religiosos que escreveram
ra. É de lamentar que os editores não ti-
sobre o período holandês, diz ser
vessem seguido os métodos de edição
Francisco Brito Freire o único que
crítica, em obra como esta, raríssima e
merece maior estimação. A melhor
de excepcional valor. [3988]
biografia que sobre Brito Freire pos-
Freire, Francisco de Brito. Nova Lusitâ- suímos é, ainda, a escrita por Pereira
nia: história da gverra brasílica escrita da Costa, na Rev. do Inst. Arqueol. e
por Francisco de Brito Freire. Lis- Geo. de Pernambuco, vol. 9, 1901, p.
boa, 1675. 14 p., 460 p., 40 p. 164-168. Um trecho da sua obra:
Esta é uma das melhores obras "Notícias da capitania do Ceará...
contemporâneas às lutas. Rara e pro- 1637", foi publicado na Rev. do Inst.
curada, trata, a princípio, da desco- Hist. e Geo. Ceará, tomo XX, anno
berta e dos estabelecimentos portu- XX, 1906, 3º e 4º trimestres, Fortale-
gueses no Brasil, para, logo a seguir, za, 1906, p. 229-230. Outra obra sua,
relatar os acontecimentos que ensan- também valiosa e de importância
güentaram a nossa história desde econômica, posterior às lutas, é a
1624 até 1638. Acusa Varnhagen (As "Viagem da armada da Companhia
lutas holandesas no Brasil, p. XII e do Comércio... 1655". Foi publicada
XXIV, ed. de 1872) o A. de ter pla- outra edição dessa obra em 1940, em
giado as memórias de D. Duarte de comemoração ao tricentenário da
Albuquerque Coelho, o que nos pa- restauração de Portugal, na Revista dos
rece pouco exato e seguro. Brito Tribunais. S. Paulo. 84 p. [3989]
Freire é autor original, que tendo Relaçam Verdadeira, breve da tomada
sido por duas vezes almirante da ar- da villa de Olinda, e lugar do Recife
845

na costa do Brasil pellos rebeldes de Trata-se de uma valiosa memória


Olanda, tirada de uma carta que es- geográfico-econômica sobre as qua-
creueo hum Religioso de muyta autho- tro capitanias de Pernambuco, Ita-
ridade, & que foy testemunha de vista maracá, Paraíba e Rio Grande. O seu
de quasi todo o socedido: & assi o af- valor está, principalmente, em ser
firma & jura; & o mais que depois dis- trabalho de autor que residia no país
so socedeo té os dezoito de Abril desde 1618 ou 1620, conhecendo-o,
deste prezente, & fatal anno de 1630. portanto, desde a fase anterior à
Lisboa, por Matias Rodrigues. 6pp. conquista.
Encontra-se no tomo I do volu- Verdonck foi autor preciso e exa-
me intitulado "Notícias Históricas e to, preocupando-se especialmente
Militares da América", coligido por em frisar os recursos econômicos
Diogo Barbosa Machado. É o 6º fo- das regiões que descreveu. [3991]
lheto deste tomo. No Catálogo da
Veroveringh van de Stadt Olinda ge-
Coleção Barbosa Machado (Anais da
legen in de Capitania van Pher-
Bib. Nac. do Rio de Janeiro, vol.
nambuco, door den E.E. Manhaften
VIII, 1880, Rio de Janeiro, 1881, p.
Gestrenghen Heyndrick C. Lonck,
373) está registrado sob o nº 1568.
Generael te Ater ene te Lande. Miti-
Um 2º exemplar se encontra no gares: Diderick van Vvaerdenburgh,
tomo V do volume intitulado "Notí- Colonel over de Militie te Lande, van
cias dos cercos heroicamente sustenta- wegen de Geoctroyeerde West-Indis-
dos pelos Portugueses" (cf. Ramiz Gal- che Compagnie onder de Hoog: Mo:
vão, Catálogo cit., nº 1.697, p. 400). Heeren Staten Generael, ende den
Este opúsculo, curioso e interes- Prince van Orangen, Gourael, ende
sante, fornece-nos dados minuciosos den Prince van Orangen, Gouver-
sobre as operações militares da ocupa- neur Generael der Vereenighde Ne-
ção holandesa de Olinda. É obra de der-landen. T’ Amsterdam. Voor
maior raridade. Foi reproduzido nos Hessel Gerritsz. Pas-Caert-schryver
Anais da Bib. Nac. do Rio de Janeiro ende Boeck-ver-kooper in de Pas-
(vol. XX, 1899, p. 125-132) e também Caert op de Hoeck vande Doele-
no Arquivo Bibliográfico, Coimbra, straet. S/d. 12 p.
Imprensa da Universidade, vol. XVII, Narração da tomada de Olinda
1908, p. 207 e segs. [3990] pelos holandeses, acompanhada dos
Verdonck, Adriano. Descrição das capi- artigos da rendição e da lista das mu-
tanias de Pernambuco, Itamaracá, nições capturadas, em holandês e es-
Paraíba e Rio Grande: memória panhol. Folheto raro, contém, além
apresentada ao Conselho político do da relação da conquista de Olinda, o
Brasil por Adriano Verdonck em 20 texto do acordo para a capitulação
de maio de 1630; trad. de Alfredo de da fortaleza de São Jorge e São Fran-
Carvalho. (Rev. Inst. Arq. Geo. Pern., cisco, em holandês e espanhol; trata-
vol. 9, nº 55, ano XXXIX, 1901, p. se de folheto de importância por ter
215-227). sido o retificador da opinião de di-
846

versos historiadores de que aqueles e. Período nassoviano


fortes não se tinham rendido sob Arciszewski, Christoffel. Carta ao conde
condições tão pesadas. [3992] Maurício e ao Conselho Supremo do Brasil.
Weerdenburch, Diederich. Copie vande (Revista do Instituto Arqueológico e Geográfi-
Missive gheschreven byden Generael co Pernambucano. nº 35, 1888, p. 3-27).
Weerdenbvrch, aende Ho. Mo. Hee- A carta é datada de 24 de julho
ren Staten Generael noopende de ve- de 1637 e se encontrava no Arquivo
roverighe vande Stadt Olinda de Per- van Hitlen, de onde foi trazida e tra-
nabvco, met alle sijne Forten ende duzida por José Higino Duarte Pe-
atercke Plaetsen. In ’sGrven-Haghe. reira. A mesma havia sido publicada
1630. 8 p. antes no Kroniek van het Historisch
O general Diederich Weerden- Genootschap te Utrecht, 1869, 5ª sé-
burch comandou as forças holande- rie, José Higino adverte que essa edi-
sas que desembarcaram em Pernam- ção da carta contém erros e falhas.
buco e, por isso, suas cartas consti- Este documento constitui uma
tuem fonte de primeira ordem para das melhores fontes para o estudo
o conhecimento da invasão e das lu- da situação brasileira no início da ad-
tas posteriores. Esta cópia da carta ministração de Nassau. [3994]
escrita pelo General Weerdenburch Barlaeus, Caspar. Casparis Barlai, rervm
aos altos e poderosos Estados Ge- per octennivm in Brasília et alibi nu-
rais sobre a conquista da cidade de per gestarum sub praefectura Illstris-
Olinda de Pernambuco, com todas simi Comitis I. Mavritti, Nassoviae,
as suas fortalezas e praças-fortes, foi Ex. Comitis, nunc Vasaliae Guberna-
traduzida para o francês, sob o títu- toris e Equitatus Foederatorum Bel-
lo: "Copie de la lettre escreite a Mes- gii Ordd, sub Avriaco Ductoris, his-
sieevrs les Estats Generavx des Pro- toria, Amsterdam, Ex Typographeio
vinces Vnies des Paysbas... A Paris, Ioannis Blaev, 1647. 340 p. ilus.
chez Iean Bessin, 1630". Traduzida para o alemão, esta obra
foi impressa por Tobais Silberling, em
A Correspondência de D. Weer-
Cleve no ano de 1659, sob o título:
denbburch foi coligida por J. Caeta-
Braislianische Geshichte bey actjähriger
no da Silva, em Haia. Trazida para o
in selbigen Landen Geführeter Regie-
Brasil, ela se encontra no vol. I dos
rung Seiner Furslichen Gnaden Herrn
Documentos Holandeses existentes
Johann Moritz Fürstens zu Nassau Ex.
no Inst. Hist. Geo. Bras.
Erslich in Latein durch Caspa-
Esta carta não se encontra entre ren Barlaeum beschrieben und jet-
estes Documentos, mas estes são ze in Teutsche Sprach ubergesetzt.
mais importantes, por conterem 12 Saiu também uma edição em
ofícios de Diederich Weerden- 1660, de Tobias Silberling em latim,
burch. publicada em Cleve.
Existe uma tradução alemã, pu- S. P. L’Honoré Naber publicou
blicada em 1630. [3993] uma tradução holandesa, em 1923,
847

na Haia, impressa por Martinus Nij- dispensável para o estudo do perío-


hoff. Leva o título: Nederlancdsch do nassoviano.
Brazilie onder het bewind van Johan Como descrição geral e particular
Maurits Grave van Nassau 1637- do Brasil holandês administrado por
1644 Historisch-Geographisch-Eth- João Maurício de Nassau, este livro
nographisch Naar de latijnsche uit- pode e deve ser considerado como
gave van 1647 veer het eerst int het representativo da literatura que se re-
Nederlandsch Bewerkt door S. P. L’- fere à experiência colonial holandesa
Honoré Naber. no Brasil.
Em 1940, por iniciativa do Minis- Sobre as várias edições, cf. A edi-
tério da Educação, foi traduzida para ção brasileira de Barleus, por José Ho-
o português por Cláudio Brandão e nório Rodrigues, in Suplemento Li-
impressa no Rio de Janeiro, pelo terário d’A Manhã de 10 de agosto
Serviço Gráfico do Ministério da de 1941; reproduzido na Revista do
Educação, sob o título: História dos Arquivo Público de S. Paulo, vol.
feitos recentemente praticados du- LXXVII, p. 272-277.
rante oito anos no Brasil e noutras
Kaspar van Baerle (1584-1648),
partes sob o governo do ilustríssimo
nascido em Antuérpia, foi considera-
João Maurício, Conde de Nassau
do como homem de grande talento
etc., ora Governador de Wesel Te-
e saber. Filólogo, erudito, historia-
nente-Coronel de Cavalaria das Pro-
dor e poeta, começou a vida como
víncias-Unidas sob o Príncipe de
predicante calvinista. Era professor
Orange. Tradução e anotações de
de lógica em 1617, e em 1619 devido
Cláudio Brandão. Foram tiradas uma
às lutas religiosas foi expulso e se
edição em grande formato onde se
exilou em França. Registramos nesta
reproduzem os mapas e gravuras da
bibliografia suas Poesias (Poemata) e
1ª edição, e uma edição em pequeno
suas cartas (Epistolarum). O melhor
formato, sem os mapas.
estudo biobibliográfico é o de J.A.
Dentre as obras raras ou precio- Worp -- Gaspar van Baerle, in Oud
sas, brasileiras ou estrangeiras, relati- Holand (I, 1885, t. 3. p. 241-259; II, t.
vas ao Brasil destaca-se esta, como 4.1886, p. 24-41, 172-189, 241-253; III,
uma das mais importantes. t. 5. 1887, 93-127; IV, t. 6. 1888, 87-103,
A 1ª edição de 1647, a tradução 241-276; V. t. 7, 1889, 89-129).
holandesa de 1923 e a edição brasi- Pode-se consultar também Mo-
leira de 1940 são as melhores ediçõ- lhúysen, Nieuwe, Nieuwe, Neder-
es desta obra. Convém acentuar que landsch Biografisch Woordenboek,
a tradução alemã publicada por To- 3 vols. Sobre a importância literária
bias Silberling em 1659 e a 2ª edição de Barleus na Holanda cf. Jonck-
latina, de 1660, do mesmo editor, bloet, W.J.A. Geschiedenis der Ne-
são indignas de apreço. derlandsche Letterkunde, Gronin-
Embora o tom panegírico com gen. J. B. Wolters, 1888, 6 vol. 4ª ed.
que foi escrita, esta obra é fonte in- (vol. III); Kalff, Gerrit, Geschiedenis
848

der Nederlandche, Letterkunde, cheia de saborosas notícias da vida


Groningen. J. B. Wolters, 1906- contemporânea. A ingenuidade e
1912. 7 vol. (vol III). Contendo cu- simplicidade com que se exprime
riosas informações de importância dão a seu livro, com o qual tanto an-
para a história dos homens e da épo- tipatizava o austero Varnhagen, um
ca, a correspondência de Constantin alto índice de autenticidade. É certo
Huygens (Briefwisseling van Constan- que foi parcial. Nem de outro modo
tin Huygens, 1608-1687), Haia, Nij- poderia proceder quem, por tantas
hoff, 1911) deve ser consultada, espe- vezes, declarou, no correr de suas
cialmente os 4 primeiros volumes, páginas vivas, tomar partido pelos
onde ocorrem inúmeras cartas de C. da facção da liberdade.
Barleus, de imediato interesse para a Como cronista do tempo, não é
história dos holandeses no Brasil. de admirar que o zelo em batalhar
Sobre esta edição especial cf. o para restituir Pernambucano ao do-
artigo assinado por W. N. Prins mínio de D. João IV o conduzisse a
Maurits groote wandkaart van Brazi- parcialidades e erros.
lie in 1664 opnieuw witgegeven Este livro é um retrato vivo e au-
Bock, Den Haag, 1930, 8º Jaarg 19, têntico dos sofrimentos e da rebeldia
p. 225-226 [3995] dos aflitos moradores do Nordeste.
Calado, Manuel, frei. O Valeroso É a melhor crônica da época, onde o
Lvcideno, e Trivmpho da Liberdade. sabor das coisas seiscentistas se
Primeira Parte. Composta por o P. transmite ao leitor.
Mestre Frei Manuel Calado da Or- Calado foi, enfim, como disse
dem de S. Paulo primeiro Ermitão, Southey, um homem extraordinário,
da Congregação dos Eremitas da ao mesmo tempo soldado, pregador,
Serra d’Ossa, natural de Villauiçosa. poeta e historiador.
Dedicada ao Sereníssimo Senhor A edição que, modernamente, se
Dom Teodósio Príncipe do Reino, publicou em Recife é indigna do me-
& Monarquia de Portugal. Lisboa, recimento de Calado. Sem introdução,
1648. 336 págs. sem notas críticas, esta obra não devia
Manuel Calado era natural de Vila ser reimpressa e entregue ao público,
Viçosa (Portugal). Foi eremita da pelas razões que dissemos acima. Li-
Congregação de São Paulo. Por trin- vro saboroso, mas apaixonado, ele
ta anos assistiu no Brasil e lutou contém, naturalmente, falhas e exces-
como participante ativo nas lutas sos que devem ser anotadas.
contra os holandeses, em Pernam- O melhor estudo sobre a obra e a
buco, pois foi ele mesmo organiza- figura de Manuel dos Óculos, como
dor de guerrilhas. foi chamado no Inventário dos Pré-
Frei Manuel Calado, ou Manuel dios, é o de Capistrano de Abreu.
Salvador, como se chama a si mes- Memórias de um Frade, publicado na
mo, nessa obra, escreve uma história Rev. do Instituto Arqueológico e Geográfi-
singela do Brasil dos seiscentos, co de Pernambuco, 1905-1906 nº 65, p.
849

18, e depois reimpresso nos Ensaios te de Gvelen. A Amsterdam, chez


e Estudos, 1ª série, ed. da Sociedade Louys Elzevier, 1640. 22 f.
Capistrano de Abreu, p. 245-295. Saiu uma tradução holandesa pu-
Este estudo contém transcrições de- blicada em Amsterdã, 1640. O folhe-
masiadas, devido, é certo, ao desejo to é dedicado à Camara de Amsterdã,
do autor de divulgar a obra, na épo- e nele se faz, como indica o título,
ca raríssima. A primeira e a segunda uma curta descrição de Pernambuco.
edições são raríssimas. A princípio trata-se da guerra e das
Existe uma tradução livre para o ordens ao exército, depois, do co-
inglês na Coleção Samuel Oppe- mércio e das medidas para seu de-
nheim da American Jewish Histori- senvolvimento, e a seguir da justiça e
cal Society, de New York. [3996] de suas irregularidades, bem como
Ferreira, Gaspar Dias. Papéis concernentes dos meios para torná-la mais regular.
a Gaspar Dias Ferreira. (Revista do [3998]
Inst. Arch. e Geog. Pernambucano, nos 31 Joosten, Jacques. De kleyne wonderlijcke
e 32, 1886 e 1887, p. 326-352, 74- werelt, bgestaende in dese ... Landen
120). als: Turckyen, Hungaryen, Poolen,
Ruslant, Bohemen, Oostenrijck, His-
Estes documentos, pertencentes
panien, Vranckrijck, Italien, Enge-
ao Arquivo particular do rei da Ho-
lant, het Landt van Beloften, het
landa, foram trazidos e traduzidos
Nieuwe Jeruzalen en Brasilien. Bes-
por José Higino Duarte Pereira.
chreven en doorreyst van... Tot
Chamamos em especial atenção para
Amsterdam. Dirk Uittenbroek, s.d.
o Parecer publicado no nº 31, p.
(1649). XVI, 80 p. retr. do Autor. 8
335-352 e para a Carta ao rei de Por-
ests. maps.
tugal, no nº 32, p. 75-106, ambos de
O autor esteve no Brasil de 1638
excepcional interesse.
a 1644, a serviço da Companhia das
Há um contraste flagrante entre Índias Ocidentais; a descrição dessa
a atitude do Padre Antônio Vieira, estadia ocupa as p. 54-66. [3999]
S. J. e do judeu Gaspar Dias Fer- Lima, Alexandre José Barbosa (Sobrinho).
reira, aquele pleiteando a entrega O Centenario da chegada de Nassau e o sen-
do Brasil, e este propondo aos ho- tido das comemorações pernambucanas. Reci-
landeses a restituição do Brasil a fe. Tip. da Imprensa Oficial, 1936. 64
Portugal. No Relatório de José Hi- p.
gino Duarte Pereira (Rev. do Institu- O autor, líder da bancada per-
to Arqueológico de Pernambuco, nº 30, nambucana, defende e explica na
1886, pág. 63) encontra-se uma Câmara dos Deputados o sentido
nota biográfica sobre Gaspar Dias das comemorações feitas pelo Go-
Ferreira. [3997] verno pernambucano ao terceiro
Gvelen, Avgvste de. Brieve relation de l’- centenário da chegada de Nassau ao
Estat de Phernambvcq. Dedié a l’as- Brasil (1637-1937). Trata-se de dis-
semblée de XIX pour la tresnoble
Compagnie d’West-Inde. Par Avgvs-
850

curso parlamentar, de caráter históri- minada Brieven en Papieren van Brazilie,


co. [4000] pertencente ao Arquivo da Compa-
Nassau, João Maurício de. Cartas nasso- nhia das Índias Ocidentais, que se
vianas. (Revista do Instituto Arqueológico e encontra no Arquivo Real de Haia.
Geográfico Pernambucano, v. X, nº 56, Este documento foi pela primeira
1902, p. 23-52, e v. XII, nº 69, p. vez publicado na revista holandesa
533-555). Bijdragen en Mededeelingen v.h. Histo-
Trata-se de cartas trazidas dos ar- risch Genoot. te Utrech, 2 deel,
quivos holandeses por José Higino 1879. [4002]
Duarte Pereira e traduzidas por Al- Relatórios e cartas de Gedeon Morris
fredo de Carvalho. A coleção com- de Jonge no tempo do domínio
pleta destas cartas encontra-se no ar- holandês no Brasil. (Rev. Inst. Hist.
quivo do Instituto Arq. e Geog. Per- Geo. Bras., tomo 58, 1895, p. 237-
nambucano. Existe também uma co- 319); tradução de dois relatórios por
leção trazida por Joaquim Caetano José Higino Duarte Pereira.
da Silva e conservada no Instituto Documento trazido por José Hi-
Histórico e Geográfico Brasileiro, gino da Holanda, pertencente à cole-
constituindo o v. II dos documentos ção "Brieven en Papieren van Brazi-
por ele coligidos, que abrangem oito lie", pertencente ao Arquivo da
volumes. [4001] Companhia das Índias Ocidentais,
Nassau, João Maurício, Ceulen, Mat- que se encontra no Arquivo Real de
hias van (e) Dussen, Adriaen van Haia. [4003]
der. Breve discurso sobre o estado das qua- Soler, Vincent Joachim. Cort ende son-
tro capitanias conquistadas de Pernambuco, derlingh Verhael van eenen Brief van
Itamaracá, Paraíba, e Rio Grande (Rev. Monsieur Soler, Bedienaer des H.
Inst. Arch. Geo. Pern., 1887, nº 34, p. Euangelii inde Ghereformeerde
139-194). Kercke van Brasilien. Inde vvelcke hij
Este relatório, assinado por João aen eenighe syne vrienden, daer hy aen
Maurício de Nassau, Mathias van schrijft, verhaelt verscheyden singulari-
Ceulen e Adriaen van der Dussen, teyten van ’t Landt, Uyt de Francoys-
tem o seguinte título no original: che in onse Nederlanstche tale overge-
Sommier Discours over den staet de set. Tot Amsterdam, 1639. 12 p.
vier geconquesteerde capitanias Per- As atas ou sínodos da religião cristã re-
nambuco, Itamaracá, Parahyba ende formada (trad. de Souto Maior, Rio,
Rio Grande inde Neerder deelen van Liv. J. Leite, s.d.) e Nieuhof (Memorá-
Brazil, 1638. Foi traduzido por José vel viagem terrestre e marítima ao Brasil,
Higino Duarte Pereira e publicado p. 70) referem-se ao padre reforma-
no número acima citado da Rev. Inst. do D. Joachim Soler, incumbido, em
Arq. Geo. Pern. 31 de março de 1637, de elaborar
Documento trazido da Holanda um pequeno e resumido catecismo
por José Higino. Fazia parte da no- na língua espanhola para servir na
tável coleção de manuscritos deno- catequese indígena. Foi dos que mais
851

se distinguiram neste ofício. Falava D. Conde van der Burgh. Tenta


português, tendo, mesmo, pregado Nassau dar as diretrizes pelas quais
na nossa língua, a fim de converter se deviam orientar os novos dirigen-
os portugueses. Calado, porém, fala- tes. José Higino Duarte Pereira antes
nos de Vicente Soler, valenciano de de traduzir este Testamento traduz
nação, que tendo sido frade augusti- trechos de uma longa carta dirigida
no, converteu-se ao calvinismo aos diretores da Companhia pelos
(Cf. Calado, ed. 1648, p. 128). sucessores de Nassau (10-5-1644),
Nieuhof declara que J. Soler era na qual descrevem as solenidades
predicante francês, o que, junto às da transmissão. Estuda os negó-
notícias biográficas de Calado, e ao cios administrativos, militares, civis
fato de ter sido este folheto tradu- e eclesiásticos. É um documento
zido do francês para o holandês, digno e de alto valor moral onde
não deixa dúvida quanto à sua na- aconselha aos sucessores a anistia.
cionalidade e à identificação deste As cartas de João Maurício de Nas-
com o mencionado ministro, o sau parecem retratar melhor a situa-
que, aliás, já se declarava no título ção econômica, social e política do
do folheto: Msieu Soler, ministro Brasil. Estas duas cartas constituem
da igreja reformada no Brasil. a nosso ver os melhores documen-
Calado escreveu que Soler era va- tos nassovianos sobre sua adminis-
lenciano, o que explica o catecismo tração. O Testamento é de 6-5-1644
escrito em espanhol. e revela o tino administrativo de
João Maurício de Nassau. [4005]
Neste escrito, dirigido a um ami-
Walbeeck, Johannes van (e) Mouche-
go, relata as diversas singularidades
ron, Henrique de. Relatório sobre o Es-
da terra. É raro e valioso documen-
tado das Alagoas em outubro de 1643.
to.
Apresentado pelo assessor Johannes
De acordo com as Atas dos Síno- van Walbeeck e por Henrique de
dos da Holanda do Sul (Acta der Moucheron, diretor do mesmo Dis-
Particuliere Synoden van Zuid-Hol- trito e dos Distritos vizinhos, em de-
land, Haia, Nijhoff, 1 vol., registrado sempenho do encargo que lhes foi
nesta bibliografia) o predicante dado por S. Exª e pelos nobres mem-
francês chamava-se Vicent Joachim bros do Supremo Conselho (Rev.
Soler. [4004] Inst. Arch. e Geo. Pern., vol. 5, nº 33,
Testamento político do Conde João 1886, p. 152-165).
Maurício de Nassau. Tradução de Trata-se do mais importante do-
José Higino Duarte Pereira, precedi- cumento sobre Alagoas no período
da da pequena nota inicial. (Rev. do holandês. O documento foi trazido
Inst. Hist. e Geog. Bras., t. 58, p. I, p. por José Higino e por ele publicado.
233-236, 1895). Descreve os aspectos geográficos, a
Trata-se de uma memória para vida econômica, engenhos, seus pro-
servir de instrução aos seus sucesso- prietários e sua capacidade, a criação
res H. Hamel, A. van Bullestrate e de gado e discute os problemas de
852

colonização, onde expende opiniões Encontra-se na coleção Barbosa


muito valiosas para a análise da ten- Machado, no volume intitulado Notí-
tativa colonial holandesa. O relatório cias Históricas e Militares da América,
foi entregue ao Conselho em 26 de que compreende desde o ano de
novembro de 1643. [4006] 1576 até 1757. É o folheto 12 do re-
ferido volume.
Anda reproduzido na Revista Tri-
f. Ataque à Bahia: 1638. mensal do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, tomo 22, 1859, p. 331-337,
Coutinho, Antônio Xavier da Gama Pe-
e nos Anais da Biblioteca Nacional
reira (Soydos). A iniciativa dos portugue-
do Rio de Janeiro, vol. XX, 1899, p.
ses na defesa da Bahia, em 1638: esboço
133-142, com nota bibliográfica de
de nótula histórica sobre documen-
Jansen Paço.
tos inéditos. Porto, 1937. 86 p.
Trata-se de uma relação de im-
O autor reivindica para os portu- portância militar, onde ao lado da
gueses a iniciativa da defesa e da vi- curta descrição da peleja, se acen-
tória contra o assédio holandês à Ba- tuam vários e importantes fatores de
hia. Baseado na incapacidade e falta tática e estratégia militar. [4008]
de bravura de Bagnuolo, demonstra- Vilhasanti, Pedro Cadena de. Relação diá-
da nos sucessos militares anteriores ria do cerco da Bahia de 1638: prefácio
ao ataque de 1638 e no êxito dessa de Serafim Leite, notas de Manuel
campanha, argumenta que não foi Múrias. Lisboa, 1941. 358 p. (Cole-
Bagnuolo quem estimulou a luta e ção dos Clássicos da Expansão Por-
sim os moradores da cidade, por ini- tuguesa no Mundo.)
ciativa de João Álvares da Fonseca Trata-se da obra mais importante
Coutinho, vereador mais antigo da sobre o ataque à Bahia em 1638. Pe-
Câmara da Bahia, ascendente do au- dro Cadena de Vilhasanti era prove-
tor. Em favor dessa tese publica al- dor-mor da Fazenda Real. Depois de
guns documentos novos, isto é, 14 1638, voltando ao reino, foi aprisio-
certidões passadas por pessoas im- nado, com sua mulher e filhos pelos
portantes da Bahia, onde se enalte- holandeses. É possível que entre os
cem so serviços de J. Álvares da papéis aprisionados pelos holande-
Fonseca Coutinho. ses figurassem o manuscrito sobre a
Esta tese é nova e realmente im- América Portuguesa, mais tarde des-
portante. [4007] coberto na biblioteca de Wolfenbut-
Relacion de la vitoria que alcanzaron tel e publicado por Lessing, sob o tí-
las armas Catolicas en la Baia de tulo: Beschreibung des Portugiesis-
Todos os Santos, contra Olandeses, chen Amerika, vom Cudena. Ein
que fueron a sitiar aquella plaça, en Spanisches Manuscript in der Wol-
14 de junio de 1638. Siendo governa- fenbuttelschen Bibliothek, herausge-
dor del estado del Brasil Pedro de geben vom Herrn Hofrath Lessing.
Silva. Madrid, F. Martinez, 1638. 12 Mit Anmerkungen und Zusätzen be-
pp. fol. gleitet von Christian Leiste. Rektor
853

des Herzoglichen grossen Schule zu Foi escrito pelo Secretário Luís


Wolfebuttel. Braunschweig, 1780, Félix Cruz, que afirma ter presencia-
160 p. do os sucessos.
O Padre Serafim Leite publicou Traz os artigos e capítulos assen-
duas das cartas que compõem a Re- tados e concluídos entre Salvador
lação Diária na revista Fronteiras, ano Correia de Sá e Benevides e os se-
6, nº 21, p. 9-10, sob o título: A der- nhores diretores do distrito austral
rota de Maurício de Nassau no cerco da da Costa de África, no dia 21 de
Bahia. Foi tirada uma separata, publi- agosto de 1648.
cada em Lisboa, Casa Portuguesa, A 1ª edição é raríssima, sendo
1935. 10 p. Edição de 50 exempla- hoje a segunda também difícil de en-
res. Essas mesmas cartas, de 18 e 19 contrar no Brasil.
de maio de 1638, foram reimpressas
A 2ª edição tem o seguinte título:
no vol. 93 da Coleção Brasiliana: Pá-
O Manifesto das Hostilidades, de Luís
ginas de História do Brasil, Rio de Ja-
Félix Cruz. Nova edição, conforme a
neiro, Comp. Editora Nacional, p.
de 1651, publicada por Edgar Pres-
229-239. [4009] tage. Coimbra, Imprensa da Univer-
sidade, 1919. 41 p. [4010]

g. Angola (S. Paulo de Luanda)


e o Brasil. h. Restauração: 1645-1654.

Crus, Luis Felis. Manifesto das ostilida- Aen-Spraeck aen den Getrouwen Hol-
des que a gente que serve a Compa- lander, nopende De Proceduren der
nhia occidental de Olanda obrou Portugesen in Brasil. In s’Graven-
contra os vassalos del rei de Portugal Hage, 1645. 24 p.
neste reyno de Anglo, debaixo das Alocução do Fiel Holandês sobre
treguas celebradas entre os principes; os atos dos portugueses no Brasil.
e dos motivos que obrigarão ao ge- Theodoro Grauswinkel é considera-
neral Salvador Corrêa de Sá e Be- do o autor deste folheto. Segundo
nauides a dezalojar estes soldados Asher, Grauswinkel figura na litera-
olandezes delle, sendo mandado a tura daquela época como autor de
esta costa por sua majestade a diffe- apologias a favor do Estado da Ho-
rente fim. 30 p. landa, o que significa o poder central
da facção arminiana.
Conforme escreve Edgar Presta-
ge, no prefácio da 2ª edição deste fo- Sobre a atribuição de autoria, cf.
lheto, ele conta a história resumida Catalogue d’une bibliothèque de la litératu-
das lutas entre portugueses e holan- re, por R.M. van Goens, nº 14.105.
deses em Angola, desde a conquista [4011]
do reino em 1641, pelo Almirante Antvvoort vanden Ghetrouwen Hol-
Cornelio Jol, até sua restauração por lander. Opden Aenspraeck van den
Salvador Correia de Sá. Heetgebaeckerden Hollander Vrien-
854

den moghen kijven, Maer moeten rício de Nassau. A miséria moral de


Vrienden blyven. S.L. 1645. 16 p. Hamel, Bullestrate e Bas está pintada
"Resposta do Fiel Holandês à em cores fortes. Além disso, este fo-
alocução do Holandês exaltado. lheto é valiosíssimo para a história
Amigos podem discutir, mas de- social do período holandês, por es-
vem ficar amigos". Como se vê, tudar a vida familiar e sexual, a situa-
trata-se de resposta ao folheto an- ção dos negros e a influência do ál-
terior. [4012] cool no Recife holandês.
Brandt in Brasilien. S. L. 1648. 10 p. Souto Maior, em 1908, fez
Fogo no Brasil. uma tradução deste folheto,
Cópia traduzida da carta de João que se encontra na Rev. do Inst.
Fernandes Vieira aos de Recife em 11 Arq. Geog. Pern., 1908, nº 71,
e 12 de setembro de 1640. (até p. 5). p. 125. [4014]
Estas duas cartas de João Fer- Brasilsche Gelt-Sack, waer in dat klaer-
nandes Vieira foram publicadas lijck vertoont wort waer dat de Parti-
por Joan Nieuhof. Na edição por- cipanten van de West-Indische Com-
tuguesa Memorável Viagem Marítima pagnie haer Geldt ghebleven is. Ge-
e Terrestre ao Brasil. São Paulo, Ed. druckt in Brasilien op’t Reciff in de
Martins, 1942, encontram-se às pp. Bree-Bijl, 1647. 28 p.
263-266. [4013] "A Bolsa do Brasil, onde clara-
De Brasilsche Breede-Byl; ofte T’Sa- mente se mostra a aplicação que
men-Spraek, Tusschen Kees Jansz teve o dinheiro dos acionistas da
Schott, komende uyt Brasil, en Jan Companhia das Índias Ociden-
Maet. Koopmansknecht, hebbende tais".
voor dessen ook in Brasil geweest, José Higino traduziu este folheto,
over Den Verloop in Brasil. S.L. por volta de 1883, e na introdução
1647. 36 p. explicou que as três partes, em que
se dividia, não haviam sido escritas
"O Machadão do Brasil; ou diálo-
na mesma época. A primeira, em
go entre Kees Jansz Schot, chegado
forma epistolar, foi escrita pouco
do Brasil, e Jan Maet, negociante que
depois do combate da Casa Forte.
também esteve no Brasil, sobre a
A segunda, constando de uma rela-
perda do Brasil."
ção de contratos celebrados entre os
Trata-se de uma das mais interes- representantes da Companhia e os
santes obras contemporâneas, relati- senhores de engenho, foi escrita na
vas aos holandeses no Brasil, con- Holanda, na última metade de 1647.
tendo, em forma de diálogo popular, A terceira parte refere-se aos danos
numerosos detalhes importantes, so- que a Companhia sofreu por culpa
bre a administração da Companhia de seus delegados e parece ter sido
das Índias Ocidentais. escrita em Pernambuco, em 1645.
Neste documento de alto valor,
se retrata a corrupção moral do
triunvirato que sucedeu a João Mau-
855

Esta tradução apareceu na Rev. se servido, talvez, na edição registra-


Inst. Arq. Geog. Pern., tomo IV, nº 28, da por J. C. Rodrigues (Bib. Brasi-
1883, p. 121. liense, nº 1086) e o Padre Geraldo
Trata-se, como o De Brasilsche Pauwels desta edição que indicamos.
Breede Byl, de um libelo difamatório Alfredo de Carvalho, Afonso
contra os negócios dos diretores da d’E. Taunay e outros estudiosos, em
Companhia das Índias Ocidentais trabalhos sobre a história da impren-
no Brasil. Neste, como no outro, sa no Brasil, demonstraram ampla e
acusa-se o triunvirato de Hamel, Bas e convincentemente, que este folheto
Bullestrate de corrupção. Apenas con- não foi impresso no Recife, como
vém frisar que este é de caráter mais diz a folha de rosto. Trata-se de um
econômico e menos social do que o embuste, com o fito de ocultar os
outro. autores e impressores deste libelo.
Sobre a autoria desses folhetos, [4015]
José Higino levanta a hipótese de te- Breve Relaçam dos últimos sucessos
rem sido Abraham de Vries, Pieter da guerra do Brasil, restituição da
Vernhagen e Johannes Greving os cidade Maurícia, Fortalezas do Recife
autores, por constar em Nieuhof de Pernambuco, e mais praças que os
que estes acusaram Hamel, Bas e olandeses occupauão naquelle Esta-
Bulestrate de causadores da ruína e do. (In-fine) Em Lisboa. Na Oficina
perda do Brasil. Memorável Viagem Craesbeeckiana. Ano 1654. 30 pp.
Marítima e Terrestre ao Brasil, S. Paulo, Encontra-se no vol. Notícias histó-
Ed. Martins, 1942, p. 323-332. Este ricas e militares da América, da coleção
trecho só consta da edição original Barbosa Machado. No catálogo des-
holandesa de 1682 e da brasileira de ta coleção, organizado por B.F. Ramiz
1942, pois, na edição inglesa, foi supri- Galvão (Anais da Bib. Nac. vol. VIII,
mido. 1880-81, Rio de Janeiro, 1881, p. 375)
É suposição curiosa esta, mas encontra-se registrado sob o nº 1.576.
que merece ser mais documentada Naquele tomo é o 14º folheto.
para ser aceita. Afora esta tradução, Segundo José Cesar Figanière, Ino-
existe uma segunda, feita pelo Padre cêncio da Silva e Ramiz Galvão,
Geraldo Pauwels, em 1933, com in- seu autor é João Medeiros Correia.
teressante prefácio de Alcides Bezer- Um segundo exemplar se encontra
ra, publicado na Rev. da Sociedade de na mesma coleção Barbosa Ma-
Geografia do Rio de Janeiro, tomo chado no vol. intitulado Notícias
XXXVII, 1933 (1º semestre), p. 32-59. dos cercos heroicamente sustentados pe-
Ambas as traduções são boas, los portugueses nas quatro partes do
apresentando pequenas divergências, mundo. É o nº 12 do referido tomo
que se podem atribuir ou aos erros ti- (cf. Ramiz Galvão, catálogo das co-
pográficos das próprias edições holan- leções, id., id., nº 1.703).
desas de que se serviram os tradutores Este trabalho é menos desenvol-
ou, ainda, ao fato de José Higino ter- vido e minucioso do que a Relaçam
856

Diaria, na parte das lutas até a derro- Barbosa Machado e Inocêncio


ta dos holandeses, embora mais pre- Francisco da Silva acreditaram que
ciso e detalhado nos fatos posterio- este folheto fosse tradução da Rela-
res à capitulação holandesa. Descre- çam Diaria, atribuída a Antônio Bar-
ve as manifestações em Portugal e bosa Bacelar. Ramiz Galvão contesta
inclui as 2ª e 5ª condições da capitu- os dois bibliógrafos, mas Jansen
lação holandesa. É posterior à Rela- Paço na nota que acompanha a
çam Diaria. reimpressão pelos Anais da Relaçam
Anda reproduzido nos Anais da Diaria (vol. XX, 1899, p. 211) mos-
Bib. Nac. do Rio de Janeiro, 1898, tra que se ele não tem ponto algum
vol XX, p. 166-186, com excelente de semelhança com a Breve Relaçam
nota bibliográfica de Jansen Paço (p. de João Medeiros Correia, tem-no e
206-209). muito com a Relaçam Diaria atribuída
a A. B. Bacelar. Se não é uma tradu-
João Medeiros Correia nasceu em
ção literal e rigorosa é, contudo, um
Lisboa e foi jurisconsulto. Escreveu
consciencioso e excelente resumo
além da Relaçam verdadeira de todo
em italiano da obra atribuída a Ba-
o sucedido na restauração da Bahia
celar.
(1625) e deste opúsculo aqui citado
o Perfeito Soldado, e Política Militar Sobre este volume cf. a excelente
(Lisboa, Henrique Valente de Olivei- nota bibliográfica de Jansen Paço
ra, 1659). [4016] acima citada. [4017]
Breve Relatione Dell’insigne Vitto- Claar Vertooch van de Verradersche
ria, che i Portoghesi riportarono en Vyantlijcke Acten en Proce-
degli Olandesi nello stato del Brasi- duren van Poortugaal, In’t ver-
le, impatronendosi della Fortezza wecken ende stijven van de Rebellie
Reale detta Recife nella Capitania di ende Oorloghe in Brasil. Bewesen
Pernambuco, e di tutte le Piazze, uyt de Brieven en Geschriften van
Fortezze, e Isole d’intorno. A 27 di het selve Rijck ende hare Ministers
Genero del 1654. S/1. s.d., in 4º, de door een Lief-hebber by een versa-
16 pp. melt tot wederlegginge van de fri-
Encontra-se no tomo V do vol. vole excusen tot der Portugijsen
intitulado "Notícia dos cercos heroi- onschult voort gebracht. Amster-
camente sustentados pelos portu- dam, 1647. 40 p.
gueses nas quatro partes do mun- Relação clara das traições e
do", coligido por Barbosa Machado. processos hostis de Portugal, ex-
É o 11º folheto deste tomo. No ca- citando e ajudando a rebelião e
tálogo da coleção Barbosa Machado, guerra no Brasil. Demonstradas
organizado por B. F. Ramiz Galvão por cartas e escritos vindos da-
(cf. Anais da Bib. Nac. do Rio de Ja- quele reino e de seus ministros,
neiro, 1880-81. Rio de Janeiro, 1881, coligidos por um amador para re-
p. 401) este folheto está registrado futar as desculpas vulgares apre-
sob o nº 1.702. sentadas com o fito de provar a
857

inocência dos portugueses. Impor- Folheto valorosíssimo para o es-


tante e interessante coleção de docu- tudo da situação econômica brasilei-
mentos sobre a revolta. Cf. Aitzema, ra na época da revolução contra os
t. IV. holandeses. Estudam-se os capitais
É preciso acentuar que neste fo- aplicados, as mercadorias de expor-
lheto se encontra a célebre Procla- tação, como açúcar, madeiras, taba-
mação dos 16 conjurados de 23 de co, etc., e as que deveriam ser im-
maio de 1645. Até hoje só se publi- portadas a preços acessíveis em nível
caram em português os nomes dos da população brasileira. Estuda-se a
conjurados (Cf. Varnhagen, História carestia da vida naquela época e as
das Lutas, 2ª ed., p. 263, e Rev. do vantagens da imigração holandesa
Inst. Arq. de Pern., nº 34, p. 124). para o Brasil. Toda a primeira parte
Os originais se encontram na Biblio- já foi, pelo autor desta seção, traduzi-
teca de Évora e no Real Arquivo de da, devendo ser em breve publicada.
Haia. [4018] Sobre ele veja-se a referência em
Consideratie over de tegen- José Honório Rodrigues, O Brasil na
woordige ghelegentheydt van História do Açúcar de E. O. von Lipp-
Brasil. In twee Deelen ghestelt: Int mann, artigo III, Brasil Açucareiro,
eerste werdt aenghewesen op wat maio de 1945. [4019]
maniere men aldaer alles beter coop Copie, Van den brief Geschreven By Si-
sal connen hebben, ende wat voor- gismvnd van Shoppe, Gewesene Ge-
deelen aldaer uyt staen te verwach- nerael, der Militie, in Brasilien; Aen
ten. Int tweede deel ofte profijtelijc- Hare Hog. Mog, de Heeren Staten
ker is dat sulcs geschiede door de Generael der Vereenigde Nederlan-
Compagnie selfe ende hare dienaers den; Alwaer hy, shoppe, in vertoont,
alleen ofte door particuliere. Alles den miserabilen Staet van de voor-
met redenen bvestcht, ende de teg- noemde Brasilien; Als mede Klagende
henworpinghe die daer tegen souden over de slechte assistnetie tot onder-
connen worden byghebracht, vol- houd van de Militie; ende de onwillig-
daen. Amsterdam, 1644. 34 págs. heyd der onde Soldaten. Middelbvrgh,
By Symon de Klager, 1654. 6 p.
Consideração sobre o estado pre-
sente do Brasil. Dividido em 2 par- Cópia de uma carta escrita por Si-
tes: na primeira, demonstra-se de gismund Schkoppe, último general
que maneira se poderia comprar da milícia do Brasil, aos altos e po-
tudo mais barato, ali, e que vanta- derosos Estados Gerais das Provín-
gens se poderiam esperar. Na segun- cias Unidas, na qual, ele mostra o es-
da parte, se é proveitoso que se faça tado miserável do Brasil e queixa-se
isto apenas pela própria Companhia da falta de auxílio para a conserva-
e seus servidores ou particulares. ção da milícia e da má vontade dos
Tudo baseado em boas razões e res- velhos soldados. [4020]
pondidas as objeções que poderiam Cort, Bondigh ende Waerachtigh Verhael
ser feitas. Van’t schandelyck over geven ende
858

verlaten vande voorname Conques- Relação curta e verdadeira da re-


ten Van Brasil, Onde de Regeeringex volta dos portugueses no Brasil e
vande Heeren Wouter van Schonen- sua hostilidade traiçoeira, iniciada e
burgh, President, Hendrick Haecx, executada contra o estado daquelas
hoogen Raet ende Sigismondus van terras e a Companhia das Índias
Schkoppe, Luytenant generael over Ocidentais, e outros bons habitantes
de Militie, 1654. Middelburgh, 1655. 28 neerlandeses que ali viviam. [4022]
p. Eenige Advijsen ende verklaringhen
Relatório curto, preciso e autênti- uyt Brasilien. In dato den 19. Mey
co da rendição vergonhosa e do 1648. Van’t Gepasseerde, Amsterdam,
abandono das principais conquistas By Philips van Macedonien, 1648. 8 p.
do Brasil, sob o governo dos Senho- Alguns avisos e esclarecimentos
res Wouter van Schonenburg, presi- sobre o Brasil e o que tem aconteci-
dente, Hendrick Haecx, alto conse- do por lá.
lheiro, e Sigismundo van Schkoppe, No texto encontram-se nótulas
tenente-general da Milícia. sobre o tratado da situação do Bra-
Entre julho e agosto de 1646, che- sil em 22 de abril, 12 de maio e 7
garam ao Brasil, para imprimir nova de julho. [4023]
orientação ao governo, os autores Extract ende Copye van verscheyde
deste relatório. Wouter Schonenburg Brieven en Schriften, Belangende
veio como presidente do Conselho, de Rebellie der Papsche Portugesen
H. Haecx, comerciante em Amster- van desen Staet in Brasilien. Tot be-
dã, para fiscalizar os negócios da wijs Dat de Kroon van Portugael
Companhia, e Sigismundo Schkop- schuldich is aen de selve. S. L. 1646.
pe, que no governo de João Maurí- 24 p.
cio de Nassau detivera o comando
Extrato e cópia de diversas cartas
geral das forças de terra, foi enviado
e escritos concernentes à rebelião
para o mesmo cargo. Fracassados
dos papistas portugueses, súditos
em sua missão de impor a ordem e
daquele país no Brasil. Prova de que
extinguir a revolução, acusados de
a Coroa de Portugal é culpada do
terem assinado as capitulações, apre-
mesmo.
sentaram, em 4 de agosto de 1654,
este relatório de defesa. [4021] Foram traduzidos pelo Pe. Frei
Cort ende waerachtich verhael van Zacharias van der Hoeven. O. F. M.,
der Portugysen in Brasil Revolte 1922, t. 92, p. 181-210, da Rev. Inst.
ende verraderijcke hostilliteyt, Hist. Geog. Bras. A introdução é de
Voorgenomen Ende in ’t werk gestelt, Afonso d’E. Taunay (p. 163-167).
Tegens De Staet deser Landen Ende Neste folheto se encontra, tam-
de West Indische Compagnie Ende bém, um sumário da expedição so-
andere goede Ingesetenen ende Neder- bre o Maranhão apresentado em
landers aldaer woonende. (1647) 8 p. Amsterdã a 4 de novembro de 1644,
por Schade. Foi trazido por Caetano
da Silva da Holanda e se encontra
859

no 3º tomo, dos documentos Holan- rações dos acontecimentos da revol-


deses, do Inst. Hist. Geo. Bras. fls. ta dos luso-brasileiros. Escrito por
175-178. Foi daí extraído e publica- um holandês, testemunha ocular, ele
do na Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., 92. sumaria, para seus patrícios, a con-
p. 202-205, e nas Memórias do Mara- quista do Brasil pelos portugueses.
nhão de Cândido Mendes, 2ª vol, p. Por volta de 1886, foi traduzido
449-454. [4024] para o português e publicado na
Extract VVt (sic) de Missive van den Rev. do Inst. Arq. Geog. Pern., vol. 5,
President ende Raden Aen de Ho. 1886-87, p. 121-125. Não se mencio-
Mo. Heeren Staten Generael. Op na o tradutor, mas deve ser, prova-
’t Recif den 22 April 1648. In ’s Gra- velmente, José Higino Duarte Perei-
ven-Hage, By Ludolph Brekevelt, ra.
1648. 8 p. Dividido em três partes, este Diá-
Fragmento da carta do Presidente rio abrange a história da revolução,
e Conselheiros aos Altos e Podero- desde junho de 1644 até 28 de abril
sos Estados Gerais. Em Recife, a 22 de 1645. A primeira parte alcança
de abril de 1648. dezembro de 1645; a segunda, vai de
Traz o número e nome dos mor- janeiro de 1646 até dezembro do
tos e feridos. Estatística e militarmente mesmo ano; a terceira, vai de 3 de ja-
é muito importante para a primeira neiro de 1647 até abril do mesmo
batalha dos Guararapes. [4025] ano. [4026]
Journael ofte Kort Discours nopende Korte Antwwort, Tegens ’T manifest
de Rebelye end verradelijcke des- ende Remonstrantie, Overgelevert
seynen der Portugesen alhier in door D’Portugesche Natie, en In-
Brasil voorgnenomen ’t welck in woondere van Pharnambuco, wegens
Junio 1645, is ontdeckt. Ende wat ’t aen-nmen der Wapenen tegens de
vorder daer nae ghepasseert is tot West-Indische Compagnie. S. L., &
den 28, Abril 1647. Beschreven door imp., 1647. 12 p.
een Lief-hebber, die selfs int begin Curta resposta ao manifesto e de-
der Rebellye daer te Lande is ghe- monstração apresentada pela nação
weest, ende aldaer noch is resideren- portuguesa e os habitantes de Per-
de. To Arnhem, 1647. 80 p. nambuco sobre a revolta contra a
"Diário ou curta exposição sobre Companhia das Índias Ocidentais.
a rebelião e as intenções traidoras Trata-se de resposta holandesa ao
dos portugueses no Brasil, descober- manifesto acima descrito. [4027]
tas em junho de 1645, e o que acon- Lyste vande hoge ende lage Officie-
teceu depois de 28 de abril de 1647. ren mitsgaders de gemeene solda-
Escrito por um curioso que estava, ten dewelcke in Batalie tegnens
ele próprio, no Brasil, no começo da de Portugiesen aen den Bergh
revolta, e que ainda residia ali." van de Guararapes (3 mijl van ’t
Este folheto, que é muito raro, Recif) doot zijn geblen of den 19
fornece-nos uma das melhores nar- Februarius 1649 S. L. s.d. I fol.
860

Relação dos oficiais, suboficiais e foi, em 1648, publicado no Valeroso


soldados rasos que caíram mortos a Lucideno, de Frei Manuel Calado, p.
19 de fevereiro de 1649, na batalha 139-148, com os nomes dos que as-
contra os portugueses, no monte de sinaram o manifesto, que se inicia
Guararapes (a 3 milhas de Recife). declarando falar em nome de 30.000
Esta lista foi traduzida e publica- almas portuguesas. É curioso acen-
da como anexo II (p. 387-389) da tuar que, em Calado, os holandeses
edição brasileira da Memorável Viagem que se passaram para as fileiras luso-
Marítima e Terrestre ao Brasil de Joan brasileiras assinam primeiramente.
Nieuhof. Aí o autor desta bibliografia Neste rol se encontram Dirck (Die-
anota seu valor e importância, como derik) Hoogstraeten, Kaspar van der
documento militar da batalha de Ley, Latour, etc., etc. [4029]
Guararapes. Cf. nota 377, p. 281, da Melo, Francisco Manuel de. Epanáforas de
obra citada. [4028] vária história portuguesa. A El-Rei Nos-
Manifest door d’Inwoonders van so Senhor D. Afonso VI. Em cinco
Pernambuco uytgegeven tot hun relações de sucessos pertencentes a
verantwoordinge op ’t aennemen este reino. Que contém negócios pu-
der wapenen tegens de West-In- blicos, políticos, trágicos, amorosos,
dische compagnie; ghedirigeetr bélicos, triunfantes por Dom Fran-
aen alle Christene princen, ende be- cisco Manuel. Lisboa, 1660. 538 pp.
sonderlijck aen de Hoog-Mo; H. Francisco Manuel de Melo foi, no
Staten Generael van de Vereenigh dizer de Rebelo da Silva (História de
de Nederlanden. ’t Heeft schijn van Portugal, IV, p. 198), um dos pri-
quaet Maer nit de daet. Nolite judi- meiros eruditos de seu tempo e, tal-
care secundum faciemm, sed jus- vez, o prosador mais substancioso e
tum judicium judicate. Joannis 7. conciso da língua portuguesa. Escre-
vers. 24 Ghedruckt ende uyt het veu a 5ª Epanáfora -- a que interessa,
portugies overgeset in onse Neder- no livro, aos estudiosos da coloniza-
duytsche tale. Tot Antwerpen, ção holandesa no Brasil, -- para que
1646. 12 p. se perpetuasse a ação dos pernam-
Manifesto dos habitantes de Per- bucanos, já que tudo que havia sido
nambuco, defendendo-se de ter escrito, até então, era indigno daque-
pego em armas contra a Companhia las lutas, segundo ele próprio.
das Índias Ocidentais, dirigido a to- Todos os críticos da história lite-
dos os príncipes cristãos e, sobretu- rária portuguesa e os historiadores
do, aos muito poderosos Estados são unânimes em reconhecer em D.
Gerais das Províncias Unidas. Tradu- Francisco Manuel de Melo um dos
zido do português para o holandês. homens de mais engenho que pro-
Trata-se de folheto importantíssi- duziu a Península no século XVII.
mo, porque nos dá as razões públi- A 5ª Epanáfora é trabalho impor-
cas e políticas assinadas pelos chefes tante, onde se relatam, em boa lin-
principais da revolta. Este manifesto guagem, particularidades e sucessos
861

da restauração pernambucana. Um bridge University Press, 1930). A tra-


dos censores da 1ª edição foi Antô- dução completa foi feita por M.
nio de Sousa Macedo, que diz bem: Jong em 1939.
"Para aprovação destas Relações pa- [4030]
rece que bastava serem escritas por Moreau, Pierre. Histoire des derniers trou-
D. Francisco Manuel". bles du Bresil. Entre les Hollandois et les
Em 1676 foi tirada uma 2ª edição Portugais. Par Pierre Moreau, natif de la
em Lisboa, por Antônio Craesbeeck ville de Parrey en Charollois. Paris,
de Melo. Trata-se de edição repleta Chez Augustin Courbe, 1651. 212
de erros e falhas, conforme demons- pp. 1 mapa.
trou Inocêncio F. da Silva (Dic. Bib. Encontra-se na coleção: Relations
Port. vol. II, p. 441), que afirma ser a Beritables et cvrievses de L’Isle de Ma-
primeira edição infinitamente supe- dagascar, et dv Bresil. Auer l’Histoire de
rior a esta em correção. la derniere Guerre faite au Bresil, entre
Saiu uma 3ª edição em Coimbra, les Portugais et les Hollandois. Trois
Imprensa da Universidade, em 1931, relations d’Egypte et une du Royam-
revista e anotada por Edgar Presta- me de Perse. A Paris, Chez Avgvstin
ge. É uma edição que se recomenda Covrbe; au Palais, en la Gallerie des
não só pela reprodução correta do Merciers, à la Palme, M. DC. LI. Avec
texto como também pelas notas eru- Privilege dv. Roy.
ditas que a acompanham. A obra de Moreau tem numera-
Como fonte bibliográfica deve- ção independente.
se citar o trabalho de Edgar Presta- Trata-se de obra capital para o es-
ge: D. Francisco Manuel de Melo, Es- tudo das causas econômicas e sociais
boço biográfico. Coimbra, Imprensa da Revolução. Pierre Moreau, "devo-
da Universidade, 1914. Trata-se, rado por essa doce paixão de ver",
sem dúvida, do mais completo es- foi à Holanda, empório da navega-
tudo biobibliográfico sobre D. ção e comércio, a fim de lá embarcar
Francisco Manuel. O caráter crítico à procura de aventuras. Recomenda-
do trabalho, a citação documental, do aos Senhores do Conselho de
inclusive de manuscritos, e a bibli- Estado do Brasil, conseguiu tornar-
ografia fazem dele um modelo no se secretário de um deles. Nesta
gênero (XXXVI, 614 pp). época chegavam à Holanda os ecos
Em 1944, saiu uma edição da 5ª das lutas pela restauração de Per-
Epanáfora, em Pernambuco, edita- nambuco. Aqui chegado, em 1646,
da oficialmente pelo governo do permaneceu dois anos, presenciando
Estado. A 4ª Epanáfora, considera- os acontecimentos. Resolveu escrever
da fonte precisa para o conflito en- suas impressões, baseando-se mais
tre holandeses e espanhóis em nestas do que em documentos oficiais
1639, foi quase totalmente traduzida que sua posição poderia facilitar-lhe.
por C.R. Boxer. (Cf. The Journal of Observador inteligente, com bastante
Martem Harpertszoon Tromp, Cam- discernimento (Driessen, p. 137-138,
862

afirma o contrário), escreveu uma blicado por S. P. l’Honoré Naber,


obra repleta de dados e informações grande anotador da edição de Bar-
para a história social da época. Seu laeus, é, assim, de grande valor para
livro e o de Nieubof constituem as a história política dos últimos anos
duas principais fontes, do ponto de (1645-1654).
vista holandês, dos acontecimentos Souto Maior traduziu um bom
que eles presenciaram. trecho deste Diário e o publicou
Existe uma tradução holandesa nos Fastos Pernambucanos (Rio
desta obra, feita por J. H. Glazemaker, de Janeiro, Liv. J. Leite, s.d. p.
publicada em Amsterdã, em 1652, 435-437). [4032]
sob o título: Klare em Waarachtinge Nieuhof, Johan. Gedenkweerdige bra-
Beschryving van de leste berooerten siliaense Zee-en Lant-Reize, Behel-
en afval der Portugezen in Brasil. zende Al het geen op dezelve is
Jan Hendrik Glazemaker foi um voorgevallen. Beneffens Een bon-
dos mais ativos tradutores do século dige, berchriving van gantsch Neer-
XVII. Traduziu Augustin Beaulieu, lants Brasil. Zoo van lantschappen,
Marco Polo, Spinoza, e vários via- steden, dieren, gewassen, als dragh-
jantes. ten, zeden en godsdienst der in-
Sobre a obra de Moreau existe woonders.. Amsterdam, 1682. XII,
um magnífico estudo de J. C. Rodri- 240 pp.
gues, publicado em "O Novo Mun- Obra indispensável ao estudo da
do", jornal brasileiro ilustrado que se revolução luso-brasileira contra os
publicava em Nova Iorque (23 de ju- holandeses. Embora o resumo sobre
nho de 1874, vol. IV, nº 45, p. 165). a situação geográfica, a história natu-
Na mesma edição Courbé, de ral e as populações indígenas e ne-
1651, se encontra a Viagem de Rou- gras seja de pouco valor em face dos
lox Baro (p. 197-307). [4031] trabalhos de Marcgrave e Piso, a
Naber, S. P. l’Honoré. Het Dagboek van obra de Nieubof é especialmente
Hendrik Haecxs, Lid van den Hoo- rica e valiosa para o estudo dos anos
gen Raad van Brazilië (1645-1654). de 1640-49.
Bijdragen en Mededeelingen van het Publica inúmeros documentos
Historisch Genooteschap. Utrecht, apreendidos aos luso-brasileiros e
XLVI, 1925, p. 126-311. constitui, com a obra de Moreau,
H. Haecxs, que chegou ao Brasil fonte de primeira ordem para o estu-
em 12 de agosto de 1646, como um do da rebelião, em Pernambuco con-
de seus governadores, representando tra os holandeses.
os interesses dos comerciantes de A edição brasileira anotou e
Amsterdã, da Companhia das Índias corrigiu erros do autor, estudou as
Ocidentais, foi, como tal, testemu- suas estampas, levantou a bibliog-
nha dos últimos acontecimentos que rafia do autor, inventariando todas
culminaram na expulsão definitiva as edições, de todos os seus livros
dos holandeses. Este relatório, pu- e fazendo a crítica dos mesmos.
863

Leva o seguinte título: Memorável do Brasil, & governador de Pernam-


Viagem Marítima e Terrestre ao Bra- buco. Lisboa. 1654. 28 pp.
sil. Traduzido do inglês por Moacir Encontra-se no V tomo do volu-
N. Vasconcelos. Confronto com a me intitulado "Notícia dos cercos
edição holandesa de 1682, introdu- heroicamente sustentados pelos por-
ção, notas, crítica bibliográfica e bib- tugueses nas quatro partes do mun-
liografia por José Honório Rodri- do", coligido por D. Barbosa Ma-
gues. Vol. IX da Biblioteca Histórica chado. É o 10º folheto deste tomo.
Brasileira, São Paulo, Livraria Mar- No Catálogo da Coleção Barbosa
tins (1942). Machado organizado por B. F. de
A edição inglesa, conforme ficou Ramiz Galvão (cf. Anais da Bib. Nac.
amplamente provado na edição bra- do Rio de Janeiro, 1880-81, Rio de Ja-
sileira, é indigna de apreço, tal o acú- neiro, 1881, p. 401) está registrado
mulo de erros, omissões (especial- sob o nº 1701.
mente a das 30 colunas finais da edi- É atribuída ao dr. Antônio Bar-
ção original). A edição inglesa leva o bosa Bacelar (1610-1663) por Barbo-
título: Voyages and Travels into Bra- sa Machado e J. Cesar Figanière.
sil and the East-Indies... Translated
Embora a afirmação destes bi-
from Dutch Original. Está contida
bliógrafos, o certo é que no fim da
no vol. II da coleção de Viagens de
relação, antes da transcrição do "As-
Churchill, de 1703, existindo tam-
sento, e Condicioens", está escrito:
bém em separata.
"Esta he a Relação verdadeira da res-
A edição brasileira publicou tam- tituição de Pernambuco, escrita por
bém documentos originais holande- quem se achou presente a ela, admi-
ses e identificou originais portugue- rada de todos os estranhos, aplaudi-
ses de cartas, relatórios e outros do- da de todos os confederados, enue-
cumentos portugueses publicados jada de todos os êmulos, gloriosa
por Nieuhof em holandês. para toda a Christandade, & espe-
O livro de Nieuhof abrange espe- cialmente para os Portugueses"...
cialmente o período que vai de 1640 Ora, não nos consta que Antônio
a 1649, mas refere-se, como o de Barbosa Bacelar tenha vindo ao Bra-
Calado, a fases anteriores. sil. Se, pois, for verdadeiro o que es-
Sobre a edição brasileira cf. crítica creveu o autor, não nos parece que
de Frei Elisiário Schmidt, in Vozes de este tenha sido o conhecido poeta
Petrópolis, setembro de 1942, p. 702- gongórico. Foi reproduzida nos
703. [4033] Anais da Biblioteca Nacional do
Relaçam diaria do sítio, e tomada da Rio de Janeiro (vol XX, 1899, p.
forte praça do Recife, recuperação 187 a 212), com excelente nota bib-
das capitanias de Itamaracá, Paraíba, liográfica de Jansen do Paço. Esta
Rio Grande, Ceará, & ilha de Fernão Relação é muito mais minuciosa e
de Noronha, por Francisco Barreto informativa do que a Breve Relaçam
mestre-de-campo general do Estado na parte anterior à capitulação. O
864

imputado autor escreveu também: pequena nota assinada J. P. (Antônio


Relação da vitória que alcançaram as Jansen do Paço). [4035]
armas do muito alto e poderoso Rei Relación verdadera de la recupera-
D. Afonso VI em 14 de janeiro de ción de Pernambuco, sitio de su
1659, contra as de Castela, Lisboa, Recife, entrega suya, i de las capita-
Antônio Craesbeeck, Oitava de Ca- nias de Itamaracá, Paraiba, Rio Gran-
mões glosada à gloriosa vitória do de, Ciará, e Isla Fernando de Noro-
Canal em 8 de junho de 1663, Lis- nha, todo rendido a las armas portu-
boa, Henrique Valente d’Oliveira. guesas regidas por Francisco Barreto
1663. [4034] de Maesse de campo general del Es-
Relación de la victoria que los Portu- tado del Brasil, i Governador de Per-
gueses de Pernambuco alcança- nambuco. (Arma portuguesa). Lis-
ron de los de la Compañia del boa. Con licencia. En la Officina
Brasil en los Gererapes 2 19 de fe- Craesbeeckian. 1654. 46 pp.
brero de 1649. Traducida del ale- Encontra-se no tomo V do vol.
man, publicada en Viena de Áustria, institulado "Notícias dos cercos he-
1649. 12 p. roicamente sustentados pelos portu-
Foi também reproduzido na Re- gueses nas quatro partes do mundo"
vista Trimestral do Instituto Históri- e faz parte das coleções Barbosa Ma-
co e Geográfico Brasileiro, tomo 22, chado. É o 9º folheto deste tomo.
1859, pp. 331-337. No catálogo da mencionada coleção,
organizado por B. F. Ramiz Galvão
Trata-se de uma relação de im-
(cf. Anais da Bib. Nac. do Rio de Janeiro
portância militar, onde, ao lado da
1880-81, Rio de Janeiro, 1881, p. 401)
curta descrição da peleja, se acen-
acha-se registrado sob o nº 1700.
tuam, por exemplo, a desproporção
Jansen Paço escreveu magnífico
das forças, a resolução e valor do
estudo sobre as quatro Relações aqui
soldado luso-brasileiro-indígena-ne-
registradas (cf. Anais da Bib. Nac.
gro, a intenção de vencer pelo sítio,
do R. Jan., 1898. vol. 20, p. 205-
etc., etc.
212). Mostra não só que João Me-
Este folheto, de grande valor do deiros Correia não foi o autor deste
ponto de vista militar, onde se opúsculo, como também que o mes-
acentuam os métodos de luta dos mo não é uma simples tradução da
brasileiros, replica à relação im- Breve Relação como pensou Ramiz
pressa na Holanda, Lyste, etc. ane- Galvão. A Relacion Verdadera é
xo II da ed. brasileira de Nieuhof, uma versão castelhana anônima de
na questão das perdas de homens e toda a Relaçam Diaria atribuída ao
munições e dos processos usados Dr. Antônio Barbosa Bacelar, com
para vencer. acréscimo de alguns trechos novos
Foi mais tarde reproduzido nos extraídos da Breve Relaçam de João
Anais da Bibliot. Nac. do R. de Jan. de Medeiros Correia. Ao tradutor só
1898, vol. XX, Rio de Janeiro, 1899, pertence a pequena introdução que
pp. 153-157, acompanhado de uma ocorre na 1ª, página e o erro de data,
865

ao escrever que o Almirante Pedro nistros da Companhia, datada de 7


Jaques de Magalhães chegou ao Re- de setembro de 1646 e 7 de outubro
cife em 20 de janeiro de 1653. Con- de 1646 a cópia passada por tabelião
forme sua própria declaração o com- para ser enviada aos Estados Gerais
pilador e tradutor (p. 38) era portu- das Províncias Unidas (p. 10-20.
guês. O folheto de extrema raridade Encontra-se este opúsculo sob o
é o terceiro da série. [4036] título acima, na coleção Barbosa Ma-
Seeckere naedere missive, geschreven chado, no vol. intitulado "Notícias
uyt Brasilien, aen een seecker godt históricas e militares da América",
Vriendt waer in klaerligck verhaelt coligida por Diogo Barbosa Macha-
wordt het ghevecht het welcke tus- do e que compreende do ano de
schen de onse ende de Portugijisen 1576 até 1757. É o 7º folheto deste
oo den 19 April is gheschiedt. In s’- volume. No catálogo das coleções Bar-
Graven Hage, By Ludolph Breecke- bosa Machado, organizado por B. F.
velt, 1648. 6 p. Ramiz Galvão (cf. Anais da Bib. Nac.
Outra carta autêntica escrita do do R. de Jan., vol. VIII, 1880-1881, Rio
Brasil a certo bom amigo, na qual se de Janeiro, 1881, p. 375) este folheto
relata amplamente a batalha entre os está registrado sob o nº 1572.
nossos e os portugueses a 19 de abril Vale Cabral, no ensaio Bibliog-
de 1648. [4037] rafia Brasílica, estuda esse folheto e
transcreve-lhe a 2ª carta. (Cf. Bibli-
Sucesso della guerra de portugueses
ographia Brasílica, in Anais da Bib.
levantados em Pernambuco con-
Nac. do R. Jan. vol. I. 1876-1877,
tra holandeses, como por carta del’
Rio de Janeiro, 1876, p. 344-350).
maestro a Campo Martino Soarez, et
Como observou bem J. C. Figanière
Andrea Vidal de Negreiros, por An-
(cf. Bibliografia Histórica Portugue-
tonio Telles de Silva. S. L. 1646. 20. p.
sa. Lisboa, 1850, p. 158, nº 887), é
Contém: 1) Carta de Martins Soa- um folheto escrito em estilo mescla-
res Moreno e André Vidal de Ne- do de português, espanhol e italia-
greiros, assinada em Bom Jesus de no, e que pelo caráter da letra pare-
Pernambuco, 3 de setembro de ce ter sido impresso em Roma.
1646. (p. 1-5); 2) Carta de Joan Fer- A tradução italiana do folheto
nández Vieira... a Antônio Teles da se encontra no mesmo vol. da co-
Silva, datada de Pernambuco, 2 de leção Barbosa Machado "Notícias
dezembro de 1646 (p. 5-6); 3) Cópia históricas e militares da América" e
da carta que os ministros da Compa- tem o seguinte título: Sucesso della
nhia, governadores no Recife de Guerra de Portoghesi soleuati in
Pernambuco escriveron a os Mestres Pernambuco contra Olandesi, come
de Campo governadores de quela ca- appare per lettera del Maestro di
pitania de pois de ser chegado o Si- Campo Martin Soarez, & d’Andrea
gismondo. Não traz data (p. 6-10); Vidal de Negreiros, indrizzata à An-
4) Resposta que os Mestres de Cam-
po deraon a sobre dita carta dos mi-
866

tonio Telles da Silua I’ Anno 1646. Antônio Jansen Paço, "há mais de
S/1. s.imp.s.d. 16 pp. vinte e dois anos, que foi revelada a
Como observou Vale Cabral, existência desta tradução italiana do
"pela palavra italiana indrizzata -- o tí- opúsculo agora reimpresso, e em tão
tulo da versão da primeira carta longo período não nos consta que
aproxima-se mais à exação do que o houvesse sido acusada a existência
original português, pois, como se vê, de outro exemplar; por isso não será
dá a entender que a carta é dirigida a exagero classificarmos o nosso
Antônio Teles da Silva". No original como "raríssimo e único até hoje co-
português estava "por" ao invés de nhecido".
"indrizzata", o que poderia levar aos Anda reproduzido no vol. XX
que não consultassem o folheto à dos Anais da Bib. Nac. 1898, Rio de
convicção de que seu autor era An- Janeiro, 1899, p. 143-151, acompa-
tônio Teles da Silva. nhada de nota assinada por J. P.
A carta de João Fernandes Vieira (Antônio Jansen Paço). [4038]
traz a data de 2 de setembro, como Van den Broeck, Matheus. Journael ofte
está no original português. Como Historiaelse Beschrijvinge van Mat-
observou, ainda, Vale Cabral, o heus vanden Broeck. Van ’t geen hy
nome de João Fernandes Vieira apa- selfs ghesien ende waerachtigh ge-
rece transformado ora em Gio. beurt is, wegen ’t begin ende Revolte
Francisco Vieira, ora em Joan Fran- van de Portugese in Brasiel, als mede de
cesco Vieira, Giovanni Fernández conditie en het overgaen van de Forten
Vieira, etc., etc. aldaer. Amsterlredam. 1651 40 p.
Matheus van den Broeck tomou
No fim desta versão acrescentou-
parte ativa e saliente nas lutas para a
se um pequeno trecho que não vem
dominação da revolta luso-brasileira.
no original português, e que Vale
Seu livro é, assim, um quadro vivo e
Cabral transcreve na sua Bibliografia
agitado da revolução pernambucana.
Brasílica (in Anais da Bib. Nac., vol.
I, 1876-1877, Rio de Janeiro, 1876, Netscher e Varnhagen recomen-
p. 348-350). Encontra-se registrado daram sua leitura aos estudiosos do
por Ramiz Galvão, no catálogo das período holandês. Sua prisão, na
coleções de Diogo Barbosa Macha- Casa Forte, em 1645, e sua viagem
do (in Anais da Bib. Nac., vol. VIII, por terra à Bahia com os prisionei-
1880-81, Rio de Janeiro, 1881, p. ros permitiram-lhe dar-nos, do pon-
375, nº 1573). to de vista holandês, uma visão mais
aproximada, do que a que nos ofere-
Na nota que acompanha a repro- cem as fontes holandesas, do início
dução do folheto original (cf. Anais da revolta.
da Bib. Nac. vol. XX, 1898, Rio de Foi ele quem melhor relatou, por
Janeiro, 1899, p. 152), se faz referên- exemplo, a conferência havida entre
cia a esta versão italiana e se repro- os vários oficiais sobre o dever-se ou
duz, também, o pequeno trecho que
não existe no original. Como acentua
867

não entregar o forte do Pontal, em gland, Holland from 1640 to 1688.


17 de agosto de 1645. Great Britain. Watford. Voss Mi-
Este folheto abrange desde junho chael. Ltd. 1925. 238 p.
de 1645 até 1646. Obra indispensável para o conhe-
Foi traduzido por José Higino e cimento da situação internacional na
publicado em 1875 sob o título: época das lutas holandesas no Brasil.
"Diario ou Narração Histórica de Nela enumeram-se os embaixadores
Matheus Van den Broeck contendo e os serviços por eles prestados.
o que ele viu e realmente aconteceu Constituem valiosos elementos de
no começo da revolta dos Portugue- estudo as bibliografias que o autor
ses no Brasil, bem como as condições indica para o conhecimento de cada
da entrega das nossas fortalezas... uma das embaixadas.
Pernambuco", Tip. do Jornal do Reci- A Edgar Prestage se deve a maio-
fe, 1875. 32 p. ria dos ótimos trabalhos sobre o as-
Em 1877, José Higino publicou sunto. É, assim, autoridade reconhe-
uma segunda edição com notas, na cida.
Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., t. 40, p. Em 1928 saiu uma tradução por-
1-65, parte I. 1877. tuguesa, feita por Amadeu Ferraz de
Essa tradução é mais recomen- Carvalho, Coimbra, Imprensa da
dada. [4039] Universidade, 264 p.
Voor-Looper, Brenghende oprecht bes- Sobre Edgar Prestage (1869) cf.
cheyt uyt Amsterdã, Aen een voor- Notas autobiográficas (Instituto de
treffelijcken Heer in’s Gravenhaghe, Coimbra, 1919, 8º, vol. 66 p. 166-
Weghens de Verraderije in Brasil. 178), com introdução de Fidelino Fi-
Met het Schip Zeelândia, afgevaer- gueiredo. [4041]
dicht den twalfden December 1645. Prestage, Edgar. Frei Domingos do Ro-
van Pharnambuco S.L. 1646. 4 p. sário, Diplomata e Político (1595-
"Precursor, trazendo um relatório 1662). Coimbra, 1926. 74 p.
de Amsterdã um excelente e cavalei- Esta monografia auxilia-nos, jun-
ro de Haia, sobre a traição no Brasil. to com os outros trabalhos de E.
Pelo navio Zeelândia, enviado de Prestage, e as cartas de Antônio
Pernambuco a 12 de dezembro de Vieira, publicadas por João Lúcio de
1645. Foi impresso a 10 de fevereiro Azevedo, a reconstituir a situação di-
de 1646". [4040] plomática de Portugal, especialmente
no que se refere à França.
6. HISTÓRIA DIPLOMÁTICA Convém salientar que tendo sido
a missão de Frei Domingos do Ro-
sário conseguir aliança francesa na
a. Relações diplomáticas
luta contra a Espanha, nada obteve.
(Obras gerais)
A situação aflitiva por que passou
Prestage, Edgar. The diplomatic rela- Portugal em 1659 (p. 51), nas véspe-
tions of Portugal with France, En- ras do tratado de 1661, transparece
868

em várias páginas, assim como as O 2º volume abrange de 1647 à


ações dos negociadores holandeses primeira metade de 1648. A introdu-
em Portugal. [4042] ção, assinada também por E. Presta-
Prestage, Edgar, e Pedro de Azevedo. ge, continua a desenvolver os pro-
Correspondência Diplomática de Francisco blemas diplomáticos que se relacio-
de Sousa Coutinho durante a sua Embai- nam com a revolução pernambucana
xada em Holanda. Publicada por... Vol. e suas conseqüências no ajustamento
I. 1643-1646. Coimbra, Imprensa da entre Portugal e os Países-Baixos.
Universidade, 1920. Vol. II, 1647- Foi durante esses dois anos que os
1648. id.id. 1926. 2 v. brasileiros obtiveram a memorável
vitória do Monte das Tabocas e a
A introdução assinada por E. Pres-
primeira de Guararapes. A situação
tage e P. Azevedo é um magnífico es-
européia era cada dia mais confusa e
tudo das relações diplomáticas na Eu-
em 6 de janeiro de 1648 compunha a
ropa e tem especial importância para a
Holanda paz com Castela e nela re-
história dos holandeses no Brasil.
conhecia as possessões holandesas
A correspondência começa em nas Índias Ocidentais, inclusive o
14 de julho de 1643, e vai até fins de Brasil. É curiosa e importante a re-
1650. O primeiro volume abrange os velação de que a Zeelândia era espe-
anos de 1643 a 1646. Todas as cartas cialmente hostil à cessão ou compra
foram escritas em Haia. do Brasil.
Trata-se do melhor estudo sobre as Esta correspondência revela-
negociações empreendidas por Sousa nos, também, algumas opiniões
Coutinho para o reatamento das rela- pessoais que talvez nos pareçam
ções amigáveis entre a Holanda e Por- estranhas, como, por exemplo,
tugal, que tanto apetecia a este. esta: "A guerra em Pernambuco
foi a total ruína da reputação des-
Portugal tudo fez para atingir este te Reino, porque não só nos
fim, pois queria evitar a luta com dois odiou com esta gente, e nos fez
países, fazer reconhecer a sua inde- estar em dúvida de ficar fora dos
pendência e era especialmente na Ho- tratados de Munster, mas fez
landa que podia encontrar navios, en- mostrar com o dedo o pouco que
genheiros, armas e munições que falta- podíamos..."
vam para a sua luta contra Castela. Relata-nos, ainda, as negociações
Nesta introdução consegue E. da Cia. das Índias Ocidentais para a
Prestage realizar uma magistral sínte- volta de J. Maurício de Nassau ao
se dos problemas internacionais de governo do Brasil e a conferência
Portugal na época do período holan- secreta de Francisco de Sousa Couti-
dês. A resistência de Sousa Coutinho nho com o Conde "em bosque da
se caracteriza por um estado de Haia, às dez horas, numa noite chu-
guerra intermitente entre Portugal e vosa", a fim de procurar convencê-
a Holanda no Ultramar e de paz na lo de não vir ao Brasil sob promessa
Europa. de peita.
869

Francisco de Sousa Coutinho Copia primae allegationes, qua doctor


(1598-1660) foi um dos mais há- Franciscus de Andrada Leitam, sena-
beis diplomatas de Portugal logo dor aulicus supraemique consistorii
após a Restauração. Foi repre- fulgentissimi comes, ordinis domini
sentante em Madri, residente na nostri Iesus Christi eques, & miles, à
Dinamarca, em Haia, Paris e consiliis serenissimi regis Portugal-
Roma. liae; ejusdemque extraordinarius lega-
As seguintes cartas que figuram tus ad celsos potentesque Dominos
no 1º vol. foram publicadas in Ame- Ordines Generales Foederati Belgij;
rica Brasileira, nº 7, ano 1, julho de eisdem obtulit, pro restitutione civi-
1922, p. 2-4, com Introdução por tatis Scancti Pauli de Loanda in An-
Elísio de Carvalho: gola, insularumque Sancti Thomae,
1) El-Rei a Sousa Coutinho nec non etiam do Maranham, 18 die
4/Set. 1945 (sic) (Biblioteca Nacio- May anno 1642. s.1. 12 pp.
nal. Lisboa, códice 7 162, fl. 689). Encontra-se no tomo I do volu-
2) Antônio Teles da Silva a El- Rei me intitulado: "Tratado das pazes,
15/Outubro de 1645. Bibl. Nac., celebrados com os soberanos da Eu-
Lisboa, códice 7 162 fl. 731. ropa", coligido por Diogo Barbosa
3) El-Rei aos Estados Gerais 10 de Machado. O tomo I compreende do
Março de 1646 -- Biblioteca de Évora ano de 1641 até 1682. Este folheto é
códice VIV 2-7, n. 383. o 3º do referido tomo. No Catálogo
[4043]
da coleção Barbosa Machado, orga-
nizado por Ramiz Galvão (cf. Anais
b. Tréguas: 1641-1642 da Bib. Nac. do Rio de Janeiro,
vol. VIII, 1880-81, Rio de Janeiro,
Accoort ende Articulen Tuschen de 1881, p. 403) está registrado sob o
Croone van Portugael ende de nº 1711.
Hoomogende Heeren Staten Ge-
Foi feita uma tradução portugue-
nerael der vrye Vereenichde Ne-
sa sob o título: Discurso político so-
derlanden Wegens de West-Indis-
bre o se aver de largar a coroa de
che Compagnie deser Landen.
Portugal, Angola, S. Thome, & Ma-
Amsterdã, 1641. 12 pp.
ranhão, exclamado aos altos, & po-
Acordo e artigos entre a Coroa derosos Estados de Olanda. Pello D.
de Portugal e os altos e poderosos Francisco de Andrade Leitam, em-
Estados dos Países-Baixos Livres, a baixador extraordinario nos mesmos
respeito da Cia. das Índias Ociden- Estados, por a majestade del rey D.
tais daquelas terras. IOM o IV, nosso Senhor, & do seu
Há uma tradução portuguesa conselho, & seu desembargador do
Acordo e Artigos, etc., em Manuscrito, Paço. Lisboa, 1642. 10 pp.
com letra do século XXVII. Não se Esse folheto é raro. Reclama-se
sabe se é uma cópia ou o original da contra as incursões e conquistas
tradução. (Cf. Cat. da Exposição de holandesas, e especialmente contra
Hist. do Brasil, nº 10.212). [4044]
870

as atividades do Almirante holandês tórios portugueses coloniais, poste-


Cornelis Corneliszon Jol, vulgo Pé-de- riormente às tréguas de 10 anos, as-
Pau. Respondem-se às objeções de sinadas em 1641 e renovadas em
que este agira desconhecendo os acor- 1642. A língua latina era o instru-
dos assinados entre Portugal e os mento universal de comunicação, e
Países-Baixos por 10 anos. O discur- por isso é que tantos desses opúscu-
so é firmado em Haia, aos 13 de los se encontram nessa língua. Por
maio de 1642. [4045] engano, a data impressa na f. de r.
Copia propositionum, & secundae alle- diz: 1641 quando se trata de 1642.
gationis, quam Doctor Franciscus de Saiu uma edição portuguesa: Có-
Andrada Leitam aulicus senator, à pia das proposições, e secunda alle-
Consilijs Serenissimi Regis Portugal- gaçam, que doutor Francisco de An-
liae ejusdemque Legatus extraordina- drada Leitão dezembargador do
rius ad sublimes Ordines Generales. Paço, do conselho do serenissimo
Potentes que status faederati Belgij, rey de Portugal & seu embaixador
eisdem obtulit pro restitutione civita- extraordinário aos altos senhores or-
tis Sancti Pauli de Loanda in Angola: dens geraes & potentes Estados das
pro Insula, & civitate S. Thome: pro Províncias Unidas lhe presentou
Insula civitale, & districtu do Mara- acerca da restituição da cidade de S.
nham, alijs que locis, civitartibus, ar- Paulo de Loanda em Angola. Lisboa,
cibus, navibus, & navigijs, ab illorum Lourenço de Anueres, 1642. 30 pp.
Vassallis debellatis, usurpatis, & cap- Encontra-se no tomo I do vol.
tis post tractatum pacis cum eisdem intitulado Tratado de pazes, celebrados
Dominis Ordinibus renovatae die 14 com os Soberanos da Europa, coligido
Iunij anno 1642. S.I. s.d. 28 pp. por Diogo Barbosa Machado. É o 6º
Deve ter sido impresso em Haia, folheto desse tomo. No catálogo da
em 1642, pois a Cópia é firmada em coleção Barbosa Machado, organiza-
Haia, a 15 de outubro de 1642. En- do por Ramiz Galvão (cf. Anais da
contra-se no tomo I do vol. intitula- Bib. Nac. do Rio de Janeiro, vol. VIII,
do "Tratado de Pazes, celebrados 1880-81, Rio de Janeiro, 1881, p.
com os Soberanos da Europa", coli- 404), está registado sob o nº 1714 do
gido por Diogo Barbosa Machado. 1641.
Este folheto é o 5º do referido
tomo. No catálogo da coleção Bar- Trata-se de tradução do opúsculo
bosa Machado, organizado por Ra- precedente. É raro, curioso e impor-
miz Galvão (cf. Anais da Bib. Nac. tante. Foi firmado em Haia, a 15
do Rio de Janeiro, vol. III, 1770- de outubro de 1642, tendo por evi-
1881, Rio de Janeiro, 1881, p. 4404), dente lapso de impressão saído
está registrado sob o nº 1713. em 1641. [4046]
Trata-se das segundas alegações Montalvão, Marquês de. Cartas que es-
apresentadas por Francisco de An- creveo o Marquez de Montalvam
drade Leitão aos Países-Baixos, con- sendo viso-Rey do Estado do Brasil,
tra as conquistas holandesas de terri- ao Conde de Nassau, que governava
871

as armas em Permambuco dando-lhe uma cópia da Biblioteca Pública de


aviso da felice acclamação de sua Ma- Évora. A tradução holandesa desta
gestade o Senhor Rey Dõ João o IV, carta do marquês de Montalvão foi
nestes seus Reynos de Portugal, e re- editada em Amsterdã, por Jan van
posta do conde de Nassau. -- Com Hilten, juntamente com a carta do
outra carta que o Marichal seu filho coronel Hinderson e capitão Day, e
trouxe para se apresentar cõ ella a de outra escrita de Pernambuco ao
sua Magestade. Lisboa, 1641. 8 pp. mesmo marquês. [4047]
Encontra-se na coleção Barbosa Tavares, Antônio de Sousa. Relação do
Machado (nº 1060 do catálogo orga- tratado de 1641 entre Portugal e a Holan-
nizado por B. F. Ramiz Galvão, da, publicada por Edgar Prestage,
Anais da Bib. Nac. do Rio de Janeiro, S.L. s.d. 18 p.
VIII, 1880-81, Rio de Janeiro, 1881, Antônio de Sousa Tavares foi
p. 312-313), no tomo I do volume secretário de embaixada nos Esta-
intitulado: Manifestos de Portugal, coli- dos dos Países-Baixos. Relação es-
gido por Diogo Barbosa Machado. crita na época e valioso documento
É o 23º e último folheto deste tomo. sobre o tratado de tréguas de 1641.
Trata-se da carta que o Marquês [4048]
Tractatus Induciarum & Cessastionis
de Montalvão escreveu a João Mau-
omnis hostilitatis actus, ut & Navi-
rício de Nassau, comunicando-lhe a
gationis ac Commercij, pariterque
restauração de Portugal, e a resposta
succurssus factus, initus & conclusus
do Conde de Nassau, assinada de
Hagae Comitis dic duodecimâ Iunif
Mauricéia, 12 de março de 1641. A
1641. tempore Decennij inter Domi-
esta resposta se segue um pequeno
num Tristaó de Mendonça Furtado,
trecho "Da sua mão" onde João
Legatum & Consiliarum Serenissimi,
Maurício avisa-o de que no mesmo
Praepotentis Don Iohannis Quarti
barco manda nove marinheiros e
ejus nominis Regis Lusitaniae, Algar-
dois passageiros portugueses que
vae, &c. Et Dominos Deputatos Cel-
aqui (Mauricéia) se achavam presos.
soru m e Praepotentum Dominorum
Depois reproduz a cópia da carta do
Ordinum Generalium Unitarum Pro-
marquês a S. Majestade, levada pelo
vintiarum Belgicarum. Hagae-Comi-
seu filho Marechal Don Fernando e
tis, Typis Vidaue ac Haeredum Hille-
assinada da Bahia a 26 de fevereiro
brandi Iacobi à Wouw, Celsorum &
de 1641.
Praepotentum Dominorum Ordi-
Saiu outra edição da 2ª carta neste num Generalium Ordinarij Typo-
mesmo ano (Lisboa, Jorge Rodri- graphi. 1642. 16 pp.
gues). Cf. sobre as duas edições Foi traduzido para o português
Anais da Bib. Nac. do Rio de Janei- com o seguinte título: Treslado do
ro, vol. VIII. p. 312-313. Na Revista Latin na lingoa Portugueza. Tratado
do Inst. Hist. e Geog. Bras., t. 56, 1893, das Tregoas e suspensaó de todo o
p. 161-162, publicou-se a carta do acto de hostilidade e bem assi de na-
marquês de Montalvão, segundo
872

vegação. Comercio e juntamente So- 1881, p. 403) está registado sob o nº


corro, feito, começado e accabado 1710.
em Haya de Hollanda a Xij de Iunho Trata-se do mesmo Tratado referi-
1641 por tempo de des annos entre do acima, contendo porém os ple-
o Senhor Tristaó de Mendonça Fur- nos poderes e ratificações que foram
tado do Conselho... Eos Senhores suprimidos no Tratado e no texto da
Deputados dos... Senhores Estados coleção Borges de Castro que segui-
Geraes das Provincias Unidas dos ra este último. Redobra assim de valor
Paizes Baixos. Em a Haya. Em casa e sobrepassa os dois textos citados.
da viuva e erdeiros de Ilebrandt Ia- Traduzido para o holandês e im-
cobson van Wouw... Anno 1642. O presso em Haia, pelo mesmo tipó-
exemplar da Bib. Nac. do Rio de Ja- grafo e no mesmo ano de 1642, com
neiro se encontra no vol. Tratados o título: Translaet uyt het Latijn inde
de Pazes de Portugal, da coleção Nederlantsche Tale. Tractaet van
Barbosa Machado, tomo I, 1641- Bestant ende ophoudinghe van alle
1682, 16 pp. Acten van Vyandstchap, als oock
No catálogo das coleções Barbo- van Traffijcq, Commercien ende
sa Machado, organizado por B. F. Scous, gemaeckt... in ’s Graven-Hage
Ramiz Galvão (cf. Anais da Bib. den Twaelfden Junij 1641... 16 pp.
Nac. do R. de Jan., 1880-81, VIII, p. Dessa edição foi feito um peque-
403) está registado sob o nº 1709. no resumo que traz o seguinte título:
Vem transcrito na coleção dos Extract Vyt d’Articulen van het
Tratados, organizada por José Fer- Tractaet van Bestant ende ophou-
reira Borges de Castro (tomo I, p. dinge van alle besloten in ’s Graven-
24-49). Sob o título Tregoas entre o Haghe den twaelfden Junij sestien
Prudentissimo Rey Dom Ioam o IV hondert een en-veertigh tusschen de
de Portugal, & os Poderosos Esta- Heer Tristao de Mendonça Furtado
dos das Provincias Unidas. (Impres- Ambassadeur ende Raedt va nden
so em Lisboa, por Antônio Álvarez, Dooluchtichsten Grootmachtighen
1642, 34 pp.) saiu outra edição do Don Ian de vierde van die naem van
Tratado, que se encontra no tomo I Portugael Algarves ende ren weder-
(p. 24-49) do vol. intitulado "Tratados zijden vande Zeen in Africa Ko-
de pazes de Portugal, celebrados com ningh &c. ter eenre ende de Heeren
os Soberanos da Europa", coligido Comissarisen vande Hoogh Mo:
por Diogo Barbosa Machado. O Heeren Staten Generael ter andere
tomo 1º compreende do ano de zijde. ’s Graven-Haghe. Anno 1641.
1641 até 1682. Este folheto é o 2º I fol. [4049]
do referido tomo. No catálogo da
Coleção Barbosa Machado, organi- c. Negociações com a Holanda:
zado por B. F. Ramiz Galvão (cf. 1647-1661.
Anais da Bib. Nac. do Rio de Janeiro,
vol. VIII, 1880-81, Rio de Janeiro, Advys op de Presentatie van Portu-
gael. Het Eerste Deel. Het tweede
873

Deel. Met een Remonstrantie aen eerste Iaer des Eeuwigen Vrede met
sijn Konincklijcke Majesteyt van Por- Spaengjen ghemaeckt 1648. Mensae
tugael by de Inwoonders Portugesen Junij 15.
van de Capitanie van Parnambocq [4050]
overgelevert. S.L., 1648. 2. folhetos. Brevis Repetitio Omnius quae... Lega-
24 e 38 p. tus Portugaliae ad componendas res
"Aviso sobre a proposta de Por- Brasilicas propossuit ve! egit a die 23
tugal. Primeira Parte. Segunda Parte. Maij. usque ad. 1 Novembris hujus
Com uma representação a S. M. o anni 1647. Exhibita... Ordinibus Ge-
Rei de Portugal pelos habitantes neralibus harum Confoederatarum
portugueses da capitania de Pernam- Provinciarum. ad. 28 diem ejusdem
buco." Nesta representação, os luso- mensis. Hague-Comitis, Excudebat
brasileiros de Pernambuco declaram Ludolphus Breeckevelt, 1647.
preferir perecer a permanecer sob o Trata-se da impressão resumida
domínio da Companhia das Índias de algumas propostas que Francisco
Ocidentais. de Sousa Coutinho apresentou entre
O autor é, provavelmente, o mes- maio e novembro de 1647. [4051]
mo do Vertooch voor den Vrede Declaratie van Sijn Koninghlijcke
met Portugael. Majesteyt van Portugael Don
Existe uma terceira parte. Encon- Ioan: Om over al in sijn Rijck gepu-
tram-se, a seguir, diversas Propositien bliceert te werden besloten tot Lisbo-
(Propostas) feitas pelo Embaixador na den 7 Februarius Anno 1649. Ge-
de Portugal em 1647, as quais o Se- druckt na de Copye tot Lissebon,
nhor Embaixador, pelo seu memo- 1649. 8 p.
rial de 6 de março de 1648, mais Declaração de S. Majestade o Rei
uma vez reafirmou. de Portugal, D. João, para ser publi-
cada em todos os seus domínios, fei-
Contra este folheto, foi publicado
ta em Lisboa, a 17 de fevereiro de
um contra-aviso sobre a proposta de
1649.
Portugal. Mandada de Haia para um
amigo na Zeelândia, na qual são cla- Ordena-se que nenhuma proprie-
ramente expostas por um amante da dade da nação judaica possa ser em-
Pátria os procedimentos traiçoeiros bargada ou declarada confiscada por
e desleais dos portugueses em rela- parte da Inquisição. Vê-se, aí, clara-
ção aos altos e poderosos Estados mente, a influência de Antônio Viei-
dos Países-Baixos Unidos e os Dire- ra. (Cf. este autor). [4052]
tores da Companhia das Índias Oci- Discours de la Paix, conre le Portugais.
dentais. Servindo também totalmen- 1647) 16 p.
te para extinguir a conflagração no A Biblioteca Nacional não possui
Brasil, recentemente publicada. Eis o este folheto. [4053]
título original: Tegen-Advys, Op de Discours, fait par Monsievr De Sousa de
Presentatie van Portugal. Gesonden Macedo, Ambassadeur du... Roy de
uyt ’s Graven-hage... Gredruckt in’t Portugal, prez Messieurs les Estats
874

Generaux... 16 Mars 1651. Traduit Pontos de consideração sobre a


du Latin en François. Imprimé l’an paz com Portugal. [4058]
1651. 8 p. Propositie gedaen by de Commissa-
Vide sobre as negociações com o rissen van de Vereenichde Neder-
embaixador português: Aitzema, III, landen, aen de Koningin Regente
646-48. [4054] van Portugael. Op ’t subject van de
Naerder Accoort tusschen den Ko- schade, ende injurien d’Onderdanen
ninck van Portugael aen d’Hoog: van de selve Nederlanden aenghe-
Mogende Heeren Staten Generael daen, ende op wat manire haer den
den 10 Augusty 1661. 1 f. pequeno. Oorloch aengesecht, ende gedenun-
chieert is. Item, een Brieff daer by sy
Últimos acordos entre o Rei de
haer bedlaecht, ende versoeckt dat
Portugal e os altos e poderosos Es-
alle verwarringe nochte by accomo-
tados Gerais, agosto 1661. [4055] datie wegh ghenomen ende den Oor-
Naerder, Conditien, ende Presentatien, logh gecesseert werden. 1657. 8 p.
vanden Ambassadeur van Portugael
Proposta feita pelos Comissários
Don Tellos de Faro. Aonde Gedepu-
dos Países-Baixos à Rainha Regente
teerde vande Grootmogende Staten
de Portugal sobre os prejuízos e in-
Generael. Haerlem, by Hendrick
júrias sofridos pelos súditos desses
Dollen, 1658. 8 pp.
Países-Baixos e o modo de encarar e
Últimas condições e repre- denunciar a guerra.
sentações do Embaixador de Portu- É uma carta pela qual se deplora
gal. Dom Teles de Faro, apresentadas e se pede que todas as desordens se-
aos Delegados dos Estados Gerais. jam afastadas pela acomodação e a
Vide sobre este folheto Aitzema guerra cessada. [4059]
(IV. p. 268). [4056] Propositio Facta... Ordinibus Generali-
Naerdere Propositie, Gedaendoor de bus Confoederatarum Provinciarum
Heer Ambassadour van den Ko- Belgii in concessu publico 16. Augus-
ningh van Portugal, Francisco De ti 1647. Per D. Franciscum de Sousa
Sousa Coutinho, ... Op den 15. Oc- Coutinho, Serenissimo Lusitaniae
tober 1647. Ter Vergaderinge van ... Regi a Consiliis etc. Hagae-Comitis,
de ... Staten Generael der Vereenich- Excudebat Johannis Breeckvelt,
de Nederlanden. S.L. (1647?) 6 p. 1647. 12 p.
Últimas propostas feitas pelo Trata-se da proposta apresentada
Embaixador do Rei de Portugal, aos Estados Gerais dos Países-Bai-
Francisco de Sousa Coutinho, a 15 xos na Assembléia pública de 16 de
de outubro de 1647, na Assembléia agosto de 1647, por Francisco de
dos Altos e Poderosos Estados Ge- Sousa Coutinho.
rais dos Países-Baixos. [4057] Traduzida para o holandês, foi
Poincten van Consideratie. Raeckende publicada com o seguinte título: Pro-
de vrede met Portugal. Amsterdam, positie ghedaea Ter Verdaderinghe
1648. 8 p. van hare Hoogh. Mog: d’Heeren
875

Staten Generael der Vereenichde ses. Substancioso, nele se procura


Nederlandn, IN’s Gravenhage den encontrar a causa das lutas luso-
Xven Augusti 1647. Door de Heer neerlandesas, o conhecimento das
Francisco de Sousa Coutinho... Ghe- razões da guerra, justificando-se as
druck Anno 1647. ações lusitanas, com o envio, por
Texto de 16 páginas. Existe uma exemplo, das residências de Tristão
edição resumida de 8 páginas; tam- de Mendonça Furtado, Francisco
bém uma tradução francesa de 16 Andrade Leitão, Francisco de Sousa
páginas, impressa em Haia, por Jean Coutinho e Antônio de Sousa Mace-
Breeckvelt, no mesmo ano. [4060] do, Relatam-se especialmente fatos
Propositions cathegoriques, et dernière militares e diplomáticos, anteriores
resolution de Monsievr de Sousa de ao tratado de 1661. Este opúsculo
Macedo, Ambassadeur De Portugal, merece divulgação e junto aos traba-
touchant les differens du Bresil. Im- lhos de E. Prestage pode nos forne-
primé l’ann 1651. 8 p. cer uma visão sumária, é certo, mas
Petit, nº 2622, e Knuttel, nº 6993, correta dos esforços portugueses
registam uma variante do mesmo para escusar a guerra.
ano, de 12 p. Segundo Knutel este folheto foi
[4061]
traduzido para o holandês com o se-
Propositions presentées par Monsieur
guinte título: Manifest, ende redenen
de Souza de Macedo Ambassa-
van Oorloge, tot Lisbona Vyt-gheg-
deur de Portugal, lesquelles Mes-
heven, ende gepubliceert: Tusschen
sieurs les Stats n’ont pas voulu ree-
Portugael ende de Geunieerde Ne-
voir, n’y mesme lire. Leyden, 1651.
derlantsche Provintien met de aen-
12 p. [4062] meckinge ende den oorspronck waer
Razam da Guerra entre Portugal, e as uyt den selfden gheprocedeert is.
Províncias Unidas dos Países-Baixos: Getrouwelick uyt de portugesche
com as notícias da causa de que pro- Tale over-geset: Gedruckt int Jaer
cedeu. (in fine) Lisboa, 1657. 22 pp. ons Heeren 1658 (16 pp.).
Encontra-se no tomo I do vol. Existe uma outra edição de 22
initulado Tratado de pazes, celebrados páginas, tal como o original portu-
com os Soberanos da Europa, coligido guês. Este folheto trata especialmen-
por Diogo Barbosa Machado. É o 7º te do Brasil nas negociações de Por-
folheto do referido tomo. tugal com os holandeses. Relata com
Segundo J. César Figanière e Ino- especial detalhe a substância das
cêncio Francisco da Silva, foi Antô- propostas holandesas apresentadas
nio de Sousa Macedo o autor deste em 1657 pelos comissários Nicolaus
opúsculo. É um dos mais importan- Ten Hove e Gijsbrecht de Wit que
tes, pois relata não só os ataques ho- amparados pela esquadra de 30 na-
landeses às colônias portuguesas de- vios de Obdam e Ruyter ameaçavam
pois da aclamação de D. João IV, Lisboa. [4063]
como as embaixadas enviadas para Vertooch aen de Hoog en Mogende
ajustar as relações entre os dois paí- Heeren Staten Generael der Ver-
876

cenichde Nderlanden, nopende de plemento (pelo mesmo autor, como


voorgaende ende tegenvvoordighe. diz na introdução), sob o título:
Proceduren van Brasil. Midtsgaders Consideratien op de cautie van Por-
de document en daer toe dienende, tugael. Gedruct Anno 1647, 16 p.
Amsterdam, 1647. 32 p. Neste folheto em que se fazem consi-
Exposição dirigida aos Altos e derações sobre o censor de Portugal,
Poderosos Estados Gerais das Pro- o autor declara preferir a conserva-
víncias Unidas sobre os últimos e ção da velha amizade e das boas re-
presentes processos no Brasil, com lações entre os Países-Baixos e a
documentos a eles referentes. Holanda e do grande comércio que
Foi traduzido por Souto Maior e sempre existiu entre os dois países.
publicado na Rev. Inst. Hist. Geo. No mesmo ano de 1647 foi pu-
Bras., t. 70, parte I, 1907 p. 209-240. blicada uma contestação a este últi-
Sabe-se que Francisco de Sousa mo folheto, sob o título Korte Ob-
Coutinho conseguiu fazer publicar servatien op het Vertoogh, Door
na Holanda vários folhetos cuja au- een ongenaemden uyt-gegeven aen-
toria é, pelo menos, atribuída à sua de Ho. Mo: Heeeren ... Ingestelt
influência. O autor deste folheto, re- door een Liefhebber des Vader-
ceoso de que o considerassem agen- landts t’ Amsterdam, Gedruckt by
te de Portugal, começa logo no pre- Pieter van Marel Boeck-verkooper
fácio a mostrar que, embora Portu- woonende inde Hamelsche Globe.
gal mantivesse agentes, ele não o era, Anno 1647. 8 p. in. [4064]
e, por isso, julgava-se à vontade para
acusar os diretores da Companhia d. Capitulação dos holandeses
das Índias Ocidentais, depreciando o
valor que os mesmos atribuíam ao Artcvien ende conditien gemaeckt by
Brasil. Trata-se de folheto que discu- het over, leveren van Brasilien, als
te várias questões de interesse para mede het Recif, Maurits Stadt ende
as negociações de paz. É assinado Forten ende sterckten daer aen de
em 20 de outubro de 1647. Traz, penderende Gesloten den 26 Ianuary
também, alguns documentos, tais 1654. Gravenhage, Ian Pietersz 1645
como: 1) Plenos poderes do Reino (sic) 8 p.
de Portugal ao seu embaixador; 2) Artigos e condições aceitas para a
Proposta feita embaixador de Por- entrega do Brasil bem como do Re-
tugal à Assembléia dos pelo Esta- cife, da cidade Maurícia e dos fortes
dos Gerais; 3) Proposta às Nobres e e posições fortificadas adjacentes.
Altas Potências dos Senhores Esta- Firmados a 26 de janeiro de 1654.
dos Gerais dos Países-Baixos Uni- Foi publicado um outro acordo
dos. Estes dois últimos assinados sobre o Brasil, bem como sobre o
por Francisco de Sousa Coutinho. Recife, a cidade Maurícia e os fortes
Conforme acentua Souto Maior, na adjacentes do Brasil, de 8 p., que
introdução (p. 212 da tradução), tem o seguinte título: Accoord van
pouco depois foi publicado um su- Brasilien, Mede van ’t Recif, Maurits-
877

Stadt, ende de omleggende van Bra- e. Tratado de 1661.


sil, ’t Amsterdam, By Claes Lam-
Articuli Pacis et Confoederationis in-
brechtsz, van der Wolf, 1654. [4065]
ter Serenissimum Lusitaniae Re-
Inventário das armas e petrechos béli-
gem ab uma, & Celsos ao Praepo-
cos, que os holandeses deixaram
tentes Foederati Belgii Ordines ab al-
na província de Pernambuco,
tera parte conclusae. Hagae-Comitis,
quando foram obrigados a evacuá-la
Typis Hillebrandi à Wouw, Celsorum
em 1654 -- publicado em conseqüên-
& Praepotentum Ordinum Genera-
cia da resolução da Assembléia Le-
lium Typographus, 1663. 24 pp.
gislativa de Pernambuco de 30 de
abril de 1838. Pernambuco, Tipogra- Encontra-se no tomo I do volu-
fia de Santos & Companhia, 1839 -- me intitulado: Tratados de pazes ce-
30 p. Inventário dos prédios, que os lebrados com os Soberanos da Eu-
holandeses haviam edificado ou re- ropa, coligido por Diogo Barbosa
parado até o ano de 1654, em que fo- Machado. É o 11º folheto deste 1º
ram obrigados a evacuar esta provín- tomo, que compreende de 1641 até
cia, publicado em conseqüência da 1682. No catálogo da coleção Bar-
resolução da Assembléia Legislativa bosa Machado, organizado por B. F.
de Pernambuco, de 30 de abril de Ramiz Galvão (cf. Anais da Bib.
1838. Pernambuco, Tipografia de Nac. do Rio de Janeiro, vol. VIII,
Santos & Companhia, 1839. 144 p. 1880-81, Rio de Janeiro, 1881, p.
404) este folheto está registado sob
Este valioso documento contém
o nº 1719.
detalhes importantes para a história
Vem transcrito na Coleção de
do desenvolvimento do Recife ho-
tratados de J. F. Borges de Castro,
landês. Casas de sobrados de judeus
tomo I, p. 260-292
e holandeses, no Recife e em Maurí-
cia estão aí registradas. Existe uma tradução holandesa
de 16 pp., outra de 24 pp. e outra
Esses inventários foram reprodu-
ainda de 28 pp. [4068]
zidos na Rev. Inst. Arq. Pern., 1893,
Tractado e aliança entre el rey è o rei-
nº 46, p. 171-194.
no de Portugal, de hua banda, è os
Em 1940, saiu uma nova edição altos è os altos è Poderozos Senho-
feita na Imprensa Oficial, Recife res estados geraes das Provincias
(Biblioteca Pública de Pernam- Unidas dos Paizes baixos da outra,
buco). [4066] ajustado, firmado e sellado Aos 6.
Motiven, die de Offciers der Militie Agosto de 1661. s.l. s.d. 30 p.
en de Hooge-Raden in Brasil, Encontra-se no tomo I do vol.
hebben bewoogen met de Portugee- intitulado: Tratados de Pazes, cele-
sen te Contracteren. S. L., 1654. 4 p. brados com os Soberanos da Euro-
Motivos que forçaram os ofi- pa, coligidos por Diogo Barbosa
ciais da milícia e os Altos Conse- Machado. É o 12º folheto deste
lheiros do Brasil a tratar com os tomo, que compreende desde o ano
portugueses. [4067] de 1641 até 1642.
878

No Catálogo desta coleção, orga- Heeren Staten Generael der Veree-


nizado por Ramiz Galvão (cf. Anais nighde Nederlanden, in s’Graven
da Bib. Nacional do Rio de Janeiro, hage. Uyt ’t Latijn ghetrouwelick
vol. VIII, 1880-81, Rio de Janeiro, overgheset. Middelburgh, Joh. Mis-
Typ, Leuzinger, 1881, p. 405), está son, 1663. 20 p.
registado sob o nº 1720. Tratado de paz concluído em
Trata-se da versão no nº prece- Haia entre o Rei de Portugal e os al-
dente, convindo notar, porém, que tos e mui poderosos Senhores Es-
não traz nem as assinaturas, nem as tados Gerais dos Países-Baixos
retificações, nem a publicação. Esta Unidos. Traduzido fielmente do
tradução difere da que vem publica- latim. [4071]
da na Coleção de Tratados de Borges de
Castro (I tomo, p. 260-293), e que foi 7. HISTÓRIA ECONÔMICA E SOCIAL
tirada de um mss, de D. Luís Caeta-
no de Lima. Além disso, não faltam, a. O comércio do Brasil e a
nesta última tradução, transcrita em Companhia das Índias Ocidentais
Borges de Castro, as assinatutas que -- A vida econômica e social.
firmam o tratado.
Concept Van Reglement op Brasil
Trata-se de opúsculo muito raro
Ghenomen by haere Ho. Mo. de
e desconhecido de alguns biblió-
Heren Staten Generael der Veree-
grafos. [4069] nighde Nederlanden ende de Be-
Tractaet Ende Alantie Tusschen den windt-hebberen der Geoctroyeer-
Koninck ende Ricjke van Portu- de West-Indische Compaignie.
gael Ter eenre, Ende De Ho. ende Gheduck in ’t Jaer ons Heeren 1648.
Mog. Heeren De Staten Genrael Der 8 p.
Vereenichde Nederlantsche Provintien Conceito de Regulamento do
ter andere zijde, Geslooten, geteeckent Brasil, resolvido pelos altos e pode-
ende gezegelt op den sesten Augusty rosos Estados Gerais das Provín-
1661. Middelburgh, 1661. 24 pp. cias Unidas e os diretores da ou-
Tratado e Aliança entre o Rei e o torgada Companhia das Índias
Reino de Portugal de um lado e os Ocidentais. [4072]
Altos e Poderosos Senhores Estados Dedvctie, Waer by onpartidelick overv-
Gerais dos Países-Baixos-Unidos de vogen ende bevvesen voort, vvat het
outro. Concluído e assinado a 6 de best voor de Compagnie van West-
agosto de 1661. Indie zy: Den Handel te sluyten, of
Esta é a boa edição. O Catálogo open te laten. In’s Gravenhage, Ge-
da Exposição Nassoviana (187) re- druckt by Isaac Bvrchorn. [1639 ?]
gistra somente a edição resumida de Nesta dedução, o autor considera
14 pp. [4070] e prova o que é melhor para a
Tractaet van Vrede, besloten, Tus- Companhia das Índias Ocidentais:
schen den Coninck van Portugal, a liberdade ou o monopólio do co-
en de Hooge en Grpot-Moghende mércio. [4073]
879

Gren, H. Gr. Consideratien als dat de Ambas as traduções são precedidas


Negotie op Brasil behoort open ges- de um prefácio por José Honório
telt de worden, onder Articulen hier Rodrigues, que fez igualmente as no-
na beschreven, door Ior. H. Gr. tas e a bibliografia de Moerbeeck. A
Gron, Ghedruckt in ’t Iaer ons Hee- lista de tudo que o Brasil pode pro-
ren 1638. S.L. duzir anualmente deve ter sido pu-
Nestas considerações sobre a ne- blicada depois de 1623. Trata-se de
cessidade de ficar inteiramente livre fólio raríssimo, não registado pelas
o comércio com o Brasil, Gron estu- maiores autoridades bibliográficas ho-
da não só os negócios da Compa- landesas e existente na Biblioteca Na-
nhia propriamente dita, como trata cional do Rio de Janeiro. O autor estu-
das possibilidades de comerciar com da o principal negócio do Brasil, ou
a população do Brasil. É este um seja, o estabelecimento de engenhos e
dos mais importantes folhetos sobre a fabricação de açúcar. [4076]
assuntos econômicos naquela época, Reden van dat die West-Indische
merecendo ser traduzido. [4074] Compagnie ofte handelinge niet
Het Spel van Brasilien, Vergheleken allen profitelick maer oock nood-
by een goedt Verkeer-Spel, s.l., 1638. saeckelijick is tot behoudenisse
8 p. van onsen Staet. Gheduck in’t Iaer
O jogo no Brasil, comparado a ons Heren. S. L., 1636. 14 p.
um bom jogo, o gamão. Prova-se, neste folheto, que a
Trata dos negócios da Compa- Companhia das Índias Ocidentais e
nhia das Índias Ocidentais, e dos o comércio não são apenas proveito-
frutos do Brasil. Agora esta edição sos, mas necessários à manutenção
existe em fólio registado por outros do Estado. [4077]
bibliógrafos. [4075] Speculatien op’t Concept van Regle-
Lyste van ’t ghene de Brasil jaerlijcks ment op Brasil, t’Amsterdam, Ghe-
can opbrenhen. S.L. s.d. I fol. druct by Samuel Vermeer, 1648. 2 p.,
22 p.
Este fólio foi traduzido para o
português pelo Rev. Pde. Fr. Agosti- Reflexões sobre o projeto de
nho Keijzers, O.C., e por José Ho- regulamento (do comércio) do
nório Rodrigues. Publicado pela pri- Brasil. [4078]
meira vez na revista Brasil Açucareiro, Vertoogh By een Lief-hebber des Va-
março de 1942: foi depois tirada derlants vertoont. Teghen het onge-
uma separata, que constitui o nº I da fondeerde ende schadelijck sluyten
Coleção Documentos Históricos, do der vryen handel in Brazil. In’t Jaer
Instituto do Açúcar e do Álcool. ons Heeren M.DC.XXXVII, S.L,
Nesse mesmo folheto foi publicado 1637. 8 p.
o folheto de Jan Andries Moerbeeck, Exposição feita por um patriota
motivos por que a Companhia das contra o absurdo e vergonhoso fe-
Índias Ocidentais deve tentar tirar ao chamento do comércio com o
Rei da Espanha a terra do Brasil. Brasil.
880

Nesse mesmo ano de 1637, um cretos e cartas-régias expedidos pe-


anônimo, que se denominou pesqui- los governos espanhol e português
sador da verdade, publicou um fo- desde a proibição de comerciar com
lheto chamado: Exame da exposi- os holandeses, em 1605, até a total
ção contra o absurdo e vergonhoso extinção do domínio holandês no
fechamento do comércio com o Brasil. [4082]
Brasil. [4079] Groot Placaaet-Boeck, Inhoudende de Placaten
Voor-Lopper van D’Hr. Witte Corne- ende Ordonnatien van de Hoogh Mooghende Hee-
lissz. de. With Admirael van de ren Staten Generael ende van de Gr. M. Heeren
West-Indische Compagnie, Nopende St. v. Holland en West-Vrieslandt; mitsgaders
den Brasjilschen handel. Gedruckt vande Ed. M. Heeren van Zeelandt. In ’s
voor den Verdruckten. S.L. 1950. 20 p. Graven-Hage, 1658-1796. 10 v.
"O precursor do Sr. Witte Corne- Esta coleção contém todos os do-
lissz, de With, almirante da Compa- cumentos de direito público relativos à
nhia das Índias Ocidentais sobre o Companhia das Índias Ocidentais.
comércio com o Brasil". Ocorrem nesta coleção os vários
Sobre a atitude do almirante de regulamentos e regimentos que defi-
With, foi publicada uma queixa do niram as relações entre os conquista-
capitão Barent Cramer, com diver- dores e conquistados. Entre estes
sas peças probatórias, queixa esta convém destacar: 1) O Regulamento
que é registrada por Wulp sob o nº de 13 de outubro de 1625; 2) o de 23
3.118, e que leva o seguinte título: de agosto de 1636 (Lei Orgânica do
Beklag van Kapitein Barent Cramer over Brasil holandês); 3) Instruções de 6-
den Admiraal W. Cz. de Whith, met 11-1645 modificando a lei anterior;
verschillende bewijsstukken. Aan het slot 4) Edital de 10 de agosto de 1630; 5)
een verklaring van geuigen (dat. 30 Mar- Regulamentos de 14-5-1632 e 15-7-
tiij, 1650). [4080] 1633; 6) Editais de 25-5-1624 e 14-7-
1632; 7) Regulamento sobre a liber-
b. Legislação dade de comércio, de 9-1-1634; 8)
Regulamento de 6 de janeiro de
Beneficien voor de Soldaten gaende 1635; 9) Regulamento provisório so-
naer Brasil. In ’s Graven-hage. 1647. bre liberdade de comércio, de 29 de
4 p. abril de 1638; 10) Regulamento sobre
Vantagens concedidas aos solda- a colonização e cultura das terras do
dos que sigam para o Brasil. [4081] Brasil, de 26 de abril de 1639; 11) Arti-
Coleção Cronológica da legislação gos sobre navegação, de 24-11-1647;
portuguesa compilada e anotada 12) Regulamento sobre liberdade de
por José Justino de Andrade e Sil- comércio, de 10-8-1647; 13) Edital so-
va, 1603-1612. Lisboa, Imprensa de bre liberdade de importação de víve-
J. J. A. Silva, 1854-1859. 10 v. res, de 11-12-1649; 14) Edital sobre a
Esta coleção compila toda a legis- liberdade de exploração de minas de
lação portuguesa desde 1603 até prata, de 31 de agosto de 1652. [4083]
1700. Contém todos os alvarás, de-
881

Nader ordre Ende Reglement vande Regimento do governo das praças


Ho: Mo: Heeren Staten Generael conquistadas ou que forem con-
der Vereenighde Nederlanden quistadas nas Índias Occiden-
ghearresteert by advijs ende deli- taes. (Revista do Inst. Arq. e Geog.
beratie vande Bewindt-hebberen Pernambucano, t. V, nº 31, p. 289-
vande Generale Gheoctroyeerde 310.) [4086]
West-Indische Compagnie ter Copiado e traduzido do Groot
Vergaderinge vande negenthiene Placaat Boek, por José Higino Pereira
waer na alle ende een yder der In- Duarte.
gesetenen vande Geunieerd Pro- Resolutien van de Staten van Holland
vintien sullen vermoghen te halen en West Vriesland van het jaar
Hout, Cabacq, Cattoen ende allerhande 1524 tot het jaar 1795. 277 v.
Waren ende Koopmanschappen vallende in (O 1º vol. é intitulado):
seckere gedeelte vande Limiten vant’t Oc- Register gehounden by Meester
troy der voornoemde Compagnie hier nae Aert van Der Goes, Advocat van de
geexyrimeert. In ’s Graven-Hage, By de Staten’s Landts van Hollandt Van alle
Weduwe ende Erfgenamen van wij- die Dachuaerden by deselve Staten ge-
len Hillebrandt Iacobssz van Wouw, houden mitsgaders die Resolutien, Pro-
Ordinaris Druckers vande Hog: positien, ende andere Gebesongneer-
Mog: Heeren Staten Generael, 1637. den in de voirsz. Dachvaerden gedaen.
8 p. Beginnende den lesten January 1524,
Novas ordens e regulamentos stilo curiae -- Hollandiae. Ende eynden-
dos Estados Gerais das Províncias de den 28. Decembris anno 1543.
Unidas, em que se autorizam os ha- (O 2º vol. é intitulado):
bitantes destas a importar madeira, Register van Holland En West-
tabaco, algodão e toda espécie de mer- Vriesland, Van den jaare...
cadorias dentro de determinados limi- Generaale Index Op De Regis-
tes, que ali são estipulados. [4084] ters Der Resolutien van de Heeren
Ordre ende Reglement: Vande Hooghe Staaten van Holland En West-Vries-
Moghende Heeren Staten Generael der Ve- land, Beginnende met den jaare 1524
reenighde nederlanden gearresteert by advijs en loopende dit eerste Deel tot den
ende deliberatie vande Bewint-hebberen van- jaare 1579, incluis. Gedrukt in het
de generale gheoctryeerde West-Indische jaar 1772. 1524-1790. 18 v.
Compagnie ter Vergaderinge vande Negent- Secrete Resolutien Van de Edele
hiene over het bewoonen ende cultivren der Groot Mog. Heeren Staten van Hol-
Landen ende Plaetsen by die vande voor- landt ende West Vriesalandt. Begin-
ghemelte Compagnie in Brasil gheconques- nende met den jaare 1653 -- ende
teert. In ’s Graven-Hage. 1634. 12 p. eyndigende met den jaare 1658 --
É uma ordenação e regulamento Eerste Deel -- 1653 tot 1793. 17 v.
sobre os habitantes e cultivadores Generaale Index Op de elf Ge-
das terras e praças conquistadas drukte Deelen Der secrete Resolutien
pela Companhia das Índias Ocidentais. Van De Heeren Staaten van Holland
[4085]
882

En West Vriesland, Beginnende met da Companhia das Índias Ociden-


den jaare 1653 en eyndigende met tais, por força da outorga dos altos e
den jaare 1751 beide incluis. poderosos Estados Gerais das Pro-
A-N. -- Gedrukt in het jaar 1758. víncias Unidas, aos que irão residir
A-Z. 2 v. no Brasil ou os que ali residam.
[4089]
West-Indische Compagnie. Articulem, met
Asher fez um estudo minucioso
Approbatie vande Ho: Mog: heeren
sobre estas Resoluções dos Estados
Staten Generael der Vereenighde Ne-
da Holanda e da Frísia Ocidental.
derlanden provisioneelijck beraemt
Para a história da Companhia e da
by Bewinthebberen vande Generale
sua expansão para o Brasil, elas têm
geoctroyeerde West-Indische Com-
uma dupla importância, por consti-
pagnie ter Vergaderinghe vande neg-
tuírem não só os registros dos arqui-
henthiene over het oen open ende
vos daqueles estados, como por for-
vry stellen vanden handel ende nego-
marem uma fonte histórica de pri-
tie op de Stadt Olinda de Pernambu-
meira importância. Segundo Asher,
co, ende custen van Brasil. T’Amstel-
as Resoluções relativas aos anos de
redam. Ghedruckt by Paulus Aertsz
1624, 1627, 1637, 1643, 1646, 1647 e
van Ravesteyn, 1630. 8 p.
1651 a 1655 são as mais fundamen-
tais para a história dos holandeses Publicam-se neste folheto os arti-
no Brasil. [4087] gos decretados provisoriamente pe-
los diretores da Companhia privile-
De Staten Generael der Verrenighde
giada das Índias Ocidentais, com
Nederlande etc. (Verklaring van
aprovação dos Estados Gerais das
beschermig en vryen eigendom van-
Províncias Unidas, sobre a abertura
bezittingen aan de Portug. Inwoners
e liberdade de comércio e navegação
der veroverde plaatsen in Brazilie.) In’s
para a cidade de Olinda, em Pernam-
Graven-Hage, 1630, fol. 43 linhas.
buco, e as costas do Brasil. [4090]
Proclamação dos Estados Gerais
das Províncias Unidas assegurando
c. Religião
proteção e o livre gozo das suas pos-
ses aos portugueses habitantes das ter- Classicale Acta van Brazilie. Overge-
ras conquistadas no Brasil. [4088] drukt uit de Kronick van het Histo-
Vryheden Ende Exemptien t’ Accor- risch Genootchap te Utrecht. XXIX.
deren ende toe te staen, weghen de Jaarg, 1873. 116 p.
...West-Indische Compagnie, uyt Traduzido por Pedro Souto
Krachte van de Octroye by... de Maior, foi publicado em 1915 no
...Staten Generael... de selve verleent, tomo 1º do 1º Congresso de Histó-
aen alle de gene die hun met hare ria do Brasil, realizado em 1914, sob
woonstede naer Brasil sullen willen o título: A Religião Cristã Reforma-
begeven, ofte gegenwoordig daer da no Brasil no Século XVII (Atas
woonen. S.L. s.d.. 1 f. dos sínodos e classes do Brasil no
Liberdades e exceções a serem século XVII, durante o domínio ho-
concedidas e permitidas pela outorga- landez.) p. 707 a 780. Mais tarde, foi
883

tirada uma separata pela Livraria J. te-General da Artilharia Francisco


Leite. Pérez de Soto, de 10 de setembro de
Trata-se de documento valioso 1639, comandada pelo general Con-
para estudo da vida religiosa, moral e de da Torre, para restaurar à armada
familiar dos holandeses no Brasil. quatro religiosos jesuítas, dois dos
Contém curiosas informações sobre quais saltaram em terra para acom-
educação. [4091] panhar Luís Barbalho Bezerra.
Servicios que los religiosos de la Segundo Ramiz Galvão este pa-
Compañia de Iesus hizieron a V. pel foi dirigido a D. Filipe III, e con-
Mag. en el Brasil. s.l. s.d., 16 f. forme a data última que citamos aci-
Encontra-se na coleção Barbosa ma, é pouco anterior à restauração
Machado, no volume intitulado Notí- de 1640. [4092]
cias históricas e militares da América, co-
ligidas por Diogo Barbosa Machado d. Judeus
e que compreende do ano de 1576 Bloom, Herbert Ivan. The economic ac-
até 1757. É o opúsculo 8º desse vo- tivities of the Jews of Amsterdam in
lume. the Seventeenth and eighteenth cen-
No catálogo das coleções de Bar- turies. Williamsport, the Bayard
bosa Machado, organizado por B. F. press, 1937. XVIII, 332 p.
de Ramiz Galvão (cf. Anais da Bi- Magnífica contribuição para a
blioteca Nacional do Rio de Janeiro, história econômica. Neste trabalho,
vol. VIII, 1880-81, Rio de Janeiro, o autor estuda não só as atividades
1881, p. 374), acha-se registado sob dos judeus holandeses no Brasil, ba-
o nº 1.570. seado em autoridades fidedignas,
Refere-se particularmente aos como também a indústria açucareira
serviços que os padres da Compa- em relação com os judeus de Ams-
nhia de Jesus prestaram na defesa do terdã. A parte principal -- Brasil (séc.
Brasil contra os holandeses. Trans- XVII) -- é apoiada nos autores con-
creve a carta de D. Fradique de To- temporâneos luso-brasileiros e em au-
ledo a S. Majestade sobre os traba- tores e documentos holandeses.
lhos que, durante o sítio e restaura- Deve-se salientar o uso do mate-
ção da Bahia, prestaram estes religio- rial, em parte inédito, das coleções
sos. Relata os serviços posteriores na da American Jewish Historical Socie-
luta contra os holandeses em Per- ty de New York.
nambuco. Reproduz trechos de uma Herbert Ivan Bloom (1899 -- ),
carta do Bispo Pedro da Silva, a car- rabino no Estado de New York,
ta do Governador Conde de São doutorou-se em 1937 pela Universi-
Lourenço (20-1-1639) e a certifica- dade de Colúmbia. Discípulo do
ção do Provedor-mor da Real Fa- Prof. Salo Baron, dedicou-se aos es-
zenda, Pedro Cadena Villasanti, de tudos de história dos judeus na
16 de setembro de 1638, assim América. Além dos trabalhos regis-
como outra certificação do Tenen- trados nesta bibliografia, escreveu de
884

interesse para estes estudos The se, também do mesmo autor, a Bi-
Dutch Archives (Publications of blioteca Exótica, 1930, verbete Baro.
American Jewish Historical Re- Oferecem também interesse: Paul
view, nº 32). [4093] Ehrenreich: Sobre alguns antigos retratos
de índios sul-americanos; trad. de Oliveira
8. HISTÓRIA NATURAL E MÉDICA Lima, Rev. do Inst. Arq. e Geog.
-- ETNOGRAFIA E ARTES Pern., vol. XI, 1907, p. 19-46. [4094]
Ehrenreich, Paul. Ueber einige aeltere Bi-
Baro, Roulox. Relation dv Voyage de ldnisse suedamerikaischer Indianer. (Glo-
Roulox Baro, interprete et ambas- bus, III. Zeitsch, fuer Lander und
sadvr ordinaire de la Compagnie des Volkerkunde, Bd. 66, Braunschwieg,
Indes d’Occident, de la par des illus- 1894.) 4 v.
trissimes seigneurs des Prouinces
Vnies au pays des Tapuies dans la Traduzido por Oliveira Lima e
terra ferme du Brasil. Traduict d’Hol- publicado na Revista do Instituto Ar-
landois en Français par P.M. de Pa- queológico Pernambucano. Pernambuca-
ray en Charolois. (Relations verita- no, 1907, vol. XII, nº 65, p. 19-46.
bles et cvrievses de Lisle de Madagas- Neste trabalho estudam-se alguns
car, et dv Bresil, auec l’histoire de la dos desenhos de índios executados
derniere guerre faite au Bresil, entre por Zacarias Wagner ou Alberto
les Portugais les Hollandois; trois re- Eckhout. Sobre a autoria, cf. José
lations d’Egypte, et vne du Royaume Honório Rodrigues, "As estampas
de Perse, Paris, 1651, p. 197-307). de Nieuhof", in Memorável Viagem
Sobre Roulox Baro (Roelof, Marítima e Terrestre ao Brasil, de Joan
como escreve Nieuhof, cf. ed. Bras., Nieuhof, S. Paulo, Livraria Martins
1942, p. 155 e nota 259) pouco ou (1942), p. 347-349. [4095]
quase nada se sabe. Como docu- Leão, Joaquim de Sousa (Filho). Frans
mento etnográfico, de descrição da Post, seus quadros brasileiros. Publicado
cultura tapuia, esta relação de viagem pelo Estado de Pernambuco no ano
é uma das fontes mais importantes comemorativo do 3º centenário da
do século XVII. Para o conhecimen- chegada de Maurício de Nassau e de
to das velhas hordas tapuias, esta Frans Post ao Brasil. Notas sobre o
obra de Baro constitui texto valioso, pintor e sua obra por J. de Sousa
junto aos de Marcgrave, Herckmans, Leão Filho. Fotografias reproduzidas
Piso, Laet e Barleus. A civilização com a autorização dos possuidores
material e social dos grupos indíge- dos respectivos quadros... 30 p.
nas por ele visitados pode ser, graças ilus. 29 reproduções fotogr. fora do
a estes trabalhos, reconstituída. texto.
Sobre Baro, consulte-se Alfredo Publicado pelo Estado de Per-
de Carvalho: Um intérprete dos Tapuias. nambuco no ano comemorativo do
(Separata do nº 78 da Rev. do Inst. 3º Centenário da chegada de Maurí-
Arq. e Geog. Pern., Recife, Tip. do cio de Nassau e de Frans Post ao
Jornal do Recife, 1912. 18 p.) Consulte- Brasil. Regista 51 quadros na lista
885

que apresenta (p. 24-25). Notícia onde grandes figuras da ciência bra-
biográfica e crítica. [4096] sileira prestaram o seu concurso na
Melo, José Antônio Gonçalves de caracterização do valor dos in-fólis
(Neto). A situação do negro sob domínio ho- de Piso e Marcgrave. A edição brasi-
landês. (Novos estudos afro-brasileiros, leira é de 1942, São Paulo, Imprensa
por Gilberto Freire e outros; pref. de Oficial do Estado. A tradução do la-
Artur Ramos, Rio de Janeiro, Civiliza- tim foi feita por Mons. Dr. José Pro-
ção Brasileira, 1937). p. 201-221. (Bib. cópio de Magalhães. Contém, além
de Divulgação Cientifica, v. IX). da tradução do texto de Marcgrave,
Trata-se de excelente contribui- o seguinte: Esboço biográfico, por
ção baseada em boa bibliografia. Afonso de E. Taunay (p. I-XXXVL);
[4097] Botânica, comentários pelo prof. Al-
Piso, Guilherme, e Georgius Marcgra- berto J. de Sampaio (p. XXXVII-LI;
vius. Historia Natvralis Brasiliae, auspi- Dos Peixes, comentários por João
cio et benefício Illustriss. I. Mavritll Com. de Paiva Carvalho e Paulo Sawaya
Nassav. illius provinciae et maris (p. LI-LXI); Os Crustáceos, comen-
svmmi praefecti adornata, in qua non tários por Paulo Sawaya (p. LXI-
tantvm plantas et animalia, sed et in- LXV); Comentários da parte ornito-
digenarium orbi, ingenia et mores lógica por Olivério Mário de Olivei-
describentur et iconibus supra quin- ra Pinto (p. LXV-LXXVII); Dos
gentas illustrantur. Lugvn. Batavo- Quadrúpedes e Serpentes, comentá-
rum, apud. Franciscum Hackium, rios por Paulo Sawaya (p. LXXVIII-
1648. 294 pp. LXXXXVIII); Comentários sobre o
Livro VII de Marcgrave (Insetos), por
Esta é a maior e melhor obra de
Frederico Lane (p. LXXXVIII-
caráter científico que se publicou so-
LXXXXIX); Comentários sobre o
bre o Brasil no século XVII.
Livro VIII, por Plínio Airosa (p.
Os estudos naturalísticos de Lin- LXXXXIX-XCIX); Comentários
neu e Cuvier, na parte relativa ao sobre o Livro VIII, por Drª Heloísa
Brasil, foram baseados também nes- Torres (p. XCIX-XIV). Saiu uma se-
te livro. Esta foi, sem dúvida, uma parata da parte relativa aos comentá-
benemerência que se deve ao gover- rios sobre os peixes, feita por João
no de João Maurício de Nassau. de Paulo Carvalho e Paulo Sawaya,
Pouco ou quase nada fizeram de se- São Paulo, Imprensa Oficial do Es-
melhante os portugueses até a época tado, 1942, 48 pp.
de Alexandre Rodrigues Ferreira. Publicada pelos Elzeviers, é a edi-
O valor do livro não repousa so- ção original obra digna e respeitável,
mente nos aspectos naturais, nas uti- magnificamente impressa, adornada
lizações médicas, das plantas brasi- de estampas valiosas e escritas com
leiras, mas também no valor etno- ciência. Repositório precioso da his-
gráfico da obra. Seu caráter científi- tória natural brasileira, documento
co está magnificamente ressaltado na da medicina histórica da América,
edição brasileira do Museu Paulista, nelas o leitor topará descrições ma-
886

gistrais, apontamentos e nótulas que A parte médica de Piso foi natu-


constituem elementos preciosos para ralmente aproveitada da sua colabo-
a história da história natural brasileira. ração na História Naturalis Brasiliae,
Em 1658, Piso publicou De Indiae mas a parte naturalística foi, segundo
utriusque renaturali et medica Libri qua- alguns, apenas a que Marcgrave es-
tuordecim, quorum contenta pagina sequens crevera antes na Historia Naturalis
exhibet. Amstelaedami, Apud Ludo- Brasiliae, salvo a classificação que
vicum et Danielem Elzevirios, obedeceu, naquela obra, uma
MDCLVIII. orientação mais médica do que na-
Esta obra compõe-se de 14 li- turalística (cf. sobre isso Kampen,
vros, dos quais 6 são do próprio Levens van beroemden Nederlan-
Piso. Os cinco primeiros livros de ders, etc., etc., 1840, Haerlem, 2º t.,
Piso constituem Historia naturalis et p. 287, e especialmente o estudo de
Medica Indiae Occidentalis, 327 pp. a Taunay.
esses juntou Piso a Mantissa Aromati- A Indiae Utriusque está sendo tra-
ca e mais dois livros de Marcgrave: duzida por iniciativa do Ministério
Tractatus Topographicus et Metereologicus da Educação e Saúde. A colaboração
et Chilensis Indo’e ac Linguae; e, final- de Marcgrave na Historia Naturalis
mente, seis livros de Jacob Bontius: Brasiliae (edição de 1648) está tam-
Historia Naturalis et Medica Indiae bém sendo traduzida por iniciativa
Orientalis (edição aumentada da De do Museu Paulista, em continuação
Medicina Indorum, publicada em Ley- à parte já traduzida de Piso, da Histo-
de, por F. Hackius, em 1642). Como ria Naturalis Brasiliae.
se vê, nesta última obra interessam Em 1694 na Oost en West Indische
ao Brasil apenas os cinco primeiros Warande Amsterdam (J. ten Hoorn)
livros de Piso, de vez que os dois de foram transcritos trechos de Piso.
Marcgrave estão menos completos
nesta edição do que na Historia Natu- Sobre Piso consulte-se o trabalho
ralis Brasiliae, onde constituem o oi- do Prof. B. J. Stokvis, Discours d’-
tavo livro. E ainda porque tanto a ouverture, no congresso international
Mantissa Aromatica quanto os seis li- de medicins des colonies, em Ams-
vros de Jacob Bontus se ferem às terdam, em 1883 (F. van Rosse,
Índias Orientais. Esta edição consti- 1884). Trata-se da melhor biografia e
tui um dos mais complicados pro- da melhor crítica das obras de Piso)
blemas da bibliografia holandesa no v. p. 73-94). [4098]
Brasil, pois não se sabe exatamente Thomsen, Thomas. Albert Eckhout
até que ponto Piso, nestes cinco li- (1637-1664), ein niederländischer maler,
vros que constituem a Historia Natu- und sein gönner, Moritz der Brasilianer,
ralis et Medica Indiae Occidentalis, apro- ein Kulturbild aus dem 17. Jahrhundert.
veitou-se da Historiae Rerum Natura- Kopenhagen, 1938. 183 p.
lium Brasiliae de Marcgrave (colabo- Sobre este livro cf. Robert C. Smith,
ração deste na Historia Naturalis Bra- Handbook of Latin American Stu-
siliae). dies, 1938, Cambridge, Harvar
887

Univ. Press, 1939, p. 56-57, nº ra. Submetendo-o a um exame críti-


436. [4099] co severo, Pereira da Costa refaz a
história de sua vida e desfaz muita
9. BIOGRAFIAS -- tolice engendrada por aqueles cro-
BIBLIOGRAFIA DAS nistas. [4101]
BIBLIOGRAFIAS. Driesen, Ludwig. Leben des Fursten Jo-
hann Moritz von Nassau-Siegen, Ge-
a. Biografias. neral-Gouverneurs von Niederlän-
disch-Brasilien, dann Kur-Brandenbur-
Azevedo, João Lúcio de. História de Antô- gischen Statthalters von Cleve, Mark,
nio Vieira. Segunda Edição Lisboa, Ravensberg und Minden, Meisters des
Livraria Clássica Editora, 1931. 2 St. Johanniter-Ordens zu Sonnenburg
vols. und Feldmarschalls der Niederlande.
Na 2ª edição, esclarece o autor ter Von Ludiwig Driesen. Dr. Mit einem
encontrado fatos novos, que, junto fac-simile. Berlin, 1849. 376 p.
aos dados que lhe foram proporcio-
nados, esclarecem alguns pontos de Conforme assinala Wätjen (Das
interesse. Holl. Kolonialr eich in Brasilien, 1921, p.
18, ed. bras., p. 51) a obra de Drie-
Obra de fôlego e pesquisa, im-
sen é ainda, apesar de antiquada,
porta aos estudiosos porque nela se
uma das melhores biografias do
trata das atividades da maior figura
Conde Maurício de Nassau. Netscher
política do Brasil colonial. Somente
observou (Les Hollandais au Brésil, p.
o 1º volume tem interesse para a his-
204) que esta obra é mais indicada
tória holandesa.
para o estudo da vida de Maurício
A vida de Antônio Vieira, desde a
de Nassau na Alemanha (Cleve)
tomada da Bahia, em 1624, até a sua
que pela primeira vez descreveu
ingerência na diplomacia, e seus es-
firmado em documentos do arqui-
critos sobre a entrega ou compra de
vo do Estado de Berlim (Watjen,
Pernambuco, está intimamente rela-
ob. cit. p. 51).
cionada com a história dos holande-
ses no Brasil. [4100] Desde 1846 já havia publicado
Costa, Francisco Augusto Pereira da. uma curta biografia de Maurício de
João Fernandes Vieira à luz da história e Nassau (cf. prefácio). [4102]
da crítica. Recife, Tipografia do Jornal Exposição Frans Post. Ministério da
do Recife, 1907. 112 p. Educação e Saúde. Museu Nacional
Trata-se de obra original e bem de Belas-Artes. Rio de Janeiro, s.
documentada, onde o autor reexami- imp., 1942. 16 p. 24 repr. fotog. fora
na a vida de uma das figuras mais do texto.
louvadas da época colonial brasileira. Contém "Frans Post e mistério
Os três escritores do período holan- da nacionalidade", por Ribeiro Cou-
dês -- Calado, Rafael de Jesus e Ló- to, p. 5-11; Dados biográficos (por
pez Santiago -- foram os principais [J.H.R.]), p. 13-16; e fotografias das
panegiristas de João Fernandes Viei- pinturas de Frans Post executadas
888

por K. Vosylius, para o Serviço do Lamego, Alberto. Papéis inéditos sobre João
Patrimônio Histórico e Artístico Na- Fernandes Vieira. (Revista do Instituto
cional. [4103] Histórico e Geographico Brasileiro, v.
Kampen, Nikolas Godfried van. Levens LXXV, 2ª p., 2. 21-50). 1912.
van beroemde Nederlanders, se dert hetmid- Alberto Lamego encontrou entre
den der zestiende eeuw. Haarlm, 1938-40. os papéis do Conselho Ultramarino,
2 v. do Arquivo de Marinha e Ultramar
O 1º tomo, escrito somente por de Lisboa, estes papéis inéditos que
Van Kampen, estuda algumas perso- vieram confirmar ter Vieira se torna-
nagens famosas na Holanda, mas de do restaurador por motivos econô-
pouco interesse para o Brasil. No 2º micos. As opiniões anteriores de vá-
tomo encontra-se magnífico estudo rios historiadores de nomeada en-
sobre João Maurício de Nassau (P. contram confirmação nestes papéis.
133-444). João Fernandes Vieira teve intuitos
Tendo Van Kampen falecido de ganho e não de fé ou patriotismo
quando somente uma parte deste es- (cf. Johan Nieuhof, Memorável Via-
tudo estava pronto em mss., Vee- gem Marítima e Terrestre ao Brasil, Liv.
gens, cujo nome aparece no 2º Martins, 1942, nota 368, de José Ho-
tomo, reviu a parte escrita e fez uso nório Rodrigues). Trata-se de docu-
do que Van Kampen deixara, redi- mentos de valor inestimável.
gindo o estudo sobre Maurício de [4106]
Nassau, que ocupa quase todo o se-
Molhuysen, Philip Christiaan. Nieuw
gundo tomo. [4104]
Nederlandsch biografisch woorden-
Kraushara, Alexandra. Dzieje Krysztofa
boek. Onder redactie van P. C. Mo-
z Arciszewa Arciszeuskiego. Admira-
lhuysen en P. J. Blok, met medewer-
la i Woddza Hollendrom w Brazylli,
king van tal van gelleerde. Leitden, A.
Starszego nad Armata Koronna za
W. Sijthoff, 1911-37. 10 v.
Wladyslawa IV. Jana Kazimiera 1592-
1656 przez... Petersburg, 1892. 2 v. Bibliotecário da Real Biblioteca
Sobre este trabalho, vide: Arcis- de Haia, Molhuysen dirigiu junta-
zewski, o Coronel Polaco a Serviço da mente com o historiador P. J. Blok
Companhia das Índias Ocidentais, por este monumental dicionário biográfi-
José Honório Rodrigues, in Jornal do co, o melhor até hoje publicado na
Brasil, 19 de maio de 1940. Um tre- literatura holandesa. Editor da cor-
cho desse artigo foi reproduzido na respondência de Grotius, e de obras
coletânea organizada pelo senhor raras deste autor, Molhuysen escreveu
Tadeu Skowronski, Ministro da Po- também uma obra em 4 volumes so-
lônia no Brasil, e publicada sob o tí- bre as fontes para a história da Uni-
tulo: Páginas Brasileiras sobre a Polônia, versidade de Leide. Sobre o plano des-
Rio de Janeiro, Editora Freitas Bastos, te dicionário biográfico consulte-se o
1942, p. 139-141. [4105] seu trabalho -- Het. Nederlandsche
biographisch woordenboek, publicado
por A. W. Sijthoff. 1909. [4107]
889

Studart, Guilherme, Barão de. Martim fidências o português mais notável


Soares Moreno, o fundador do Ceará. (Rev. de sua época."
do Instituto Historico e Geográfico do Cea- Na introdução, J. L. de Azevedo
rá, t. XVII, 1903, p. 177-228). assinala os defeitos gerais e particula-
Martim Soares Moreno, o funda- res das várias edições anteriores destas
dor do Ceará, teve destacada ativida- Cartas; a de 1735, a de 1746, compila-
de nas lutas contra os holandeses. da pelo Pe. Francisco Antônio Mon-
Trata-se de ótimo estudo, baseado teiro, de 1854-55 (4 tomos, com 511
em boa e inédita documentação. Pu- cartas, abatidas as duplicatas) e a da
blica 31 documentos, alguns de inte- Emp. Lit. Fluminense (provavelmente
resse direto para a história dos ho- de 1877, em dois volumes).
landeses no Brasil. Publicado tam- A edição que apontamos contém
bém em separata (Fortaleza, Tipo- 710 cartas.
grafia Minerva, de Assis Bezerra, Essas cartas discutem a situação
1903, 54 e LXVIII p.). Na Revista econômica e política da época e
do Instituto do Ceará, Capistrano constituem documento da maior im-
de Abreu publicou também peque- portância para o conhecimento des-
na e substanciosa nota biográfica, se período. [4109]
cf. Notícias atrasadas, tomo XIX, Warnsinck, Johan Carel Marinus. Chris-
1905, p. 117-122. Cf. também in- toffel Artichewsky, poolsch krijgso-
formação de Martim Soares More- verste in diens van de West-Indische
no sobre o Maranhão, em Anais da Compagnie in Brazilië, 1630-1639;
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, een proeve tot eenherstel, door J. C.
vol. XXVI, 1904. [4108] M. Warnnsinck. ’s Gravenhage, M.
Vieira, Antônio, Padre. Cartas do padre Nijhoff, 1937. 49 p. retr., ests.,
Antônio Vieira, coordenadas e anota- maps..
das por J. Lúcio d’Azevedo. Coim- Este trabalho -- Christoffel Arti-
bra. Imprensa da Universidade, chewsky, coronel polaco a serviço da
1925-1926. 3 v. Companhia das Índias Ocidentais
O 1º vol. abrange cartas de 1646 no Brasil (1603-1639) -- Tentativa de
a 1661. O 2º, cartas de 1662 a 1673, Reparação -- é valiosa contribuição. O
o 3º, cartas de 1674 a 1697. Este 3º autor não desconhece a obra de
vol., onde se publicaram mais 11 Krawshara, principal fonte secundá-
cartas inéditas relativas aos anos de ria sobre Arciszewski. Aproveita
1653 a 1668, é o que nos interessa. também os documentos do próprio
punho do biografado para reconsti-
Sobre sua importância, basta tuir-lhe a vida. [4110]
atentar para este trecho: "Meio sécu-
lo de história nacional e de um pe- b. Bibliografia das bibliografias
ríodo fecundo em perturbações in-
ternas e externas se reflete nas folhas Asher, George Michael. A Bibliographical
de miúda letra, onde, no espaço de an historical essay on the Dutch
uma longa vida, semeou as suas con- books and pamphlets relating to
890

New Netherland and to the Dutch uma contribuição notável a esses es-
West-India Company and to its pos- tudos.
sessons in Brazil, Angola, etc. As A classificação dos livros e folhe-
also on the maps, charts, etc. of tos relativos ao Brasil, colecionados
New-Netherland, with fac-similes for por Asher, o exame das coleções de
the map of New-Netherland by N. I. Tiele e Knuttel relativas ao Brasil,
Visscher and of the three existing junto às pesquisas recentes de brasi-
views of New-Amsterdam. Compiled leiros, holandeses e portugueses po-
from the Dutch public and private li- derão constituir um inventário pre-
braries, and from the collection of ciosíssimo dos estudos sobre os ho-
mr. Frederik Mullerin Amsterdam. landeses no Brasil. As coleções mais
Amsterdam, Frederik Muller, 1854- recentes publicadas no Brasil como
67. 239 p. os catálogos de S. de Mendonça, J.
Guia indispensável para todo C. Rodrigues, Alfredo de Carvalho,
estudioso da história da expansão e embora não tratem particularmente
conquistas holandesas na América. dos holandeses no Brasil, cometem
O trabalho de Asher publicado en- erros e lacunas graves quando a eles
tre 1854-57 é único na espécie e se se referem: somente o Catálogo da
pode dizer que para a época em Exposição Nassoviana feito sob as
que foi escrito constituiu um traba- vistas de Rodolfo Garcia é que apre-
lho padrão. Trata-se, sem dúvida, senta uma feição mais séria, ocorren-
da melhor fonte para o conheci- do, mesmo assim, falhas e deficiên-
mento bibliográfico dos livros e cias. Além disso ele inventaria tão-
folhetos relativos aos holandeses somente livros e folhetos pertencen-
na América. As coleções posterio- tes à Biblioteca Nacional. Os estu-
res organizadas por Tiele, Knuttel, dos brasileiros estão reclamando um
etc., contêm um número maior de esforço paciente, de colheita de tudo
folhetos, mas Asher reuniu tão-so- que já foi feito por Asher, Tiele e
mente os que diziam respeito a Knuttel e que, junto às investiga-
New Netherland (atual New York), ções modernas, ofereça-nos um tra-
às possessões da Companhia das balho de consulta à altura da atual
Índias Ocidentais, Brasil e Angola, Brasiliana.
enquanto que Tiele e Knuttel tra- George Michael Asher (? -- 1905)
tam de todos os folhetos holande- foi professor de direito romano da
ses relativos à história da Holanda, Universidade de Heidelberg, tendo
tornando-se, assim, mais difícil ao escrito vários trabalhos jurídicos.
estudioso da história brasileira a (Die begrundung des usufructus ein
sua consulta. Asher não se limita à rechtsgeschischtlicher versuch, Ber-
descrição bibliográfica do livro ou lin, s. Cavalary, 1862, 137 pp.; Dis-
folheto, mas comenta, explica e quisitionum de fontibus romani his-
anota o seu conteúdo e valor. toricarum, Heidelberger, J. C. B.
Tiele e Knuttel trouxeram também Mohr, 1855), e o conhecido Henry
891

Hudson the navigater (London, tente, pois daí advêm erros, falhas e
Hakluyt Society, 1860, reimpresso omissões indesculpáveis. [4113]
em Brooklyn, 1867), onde anotou vá- Catálogo da coleção Salvador de
rios documentos originais e escreveu o Mendonça (Anais da Biblioteca Nacio-
prefácio. nal do Rio de Janeiro, vol. XXVII,
Sobre este livro cf. De Gids., 1906, p. 1-126).
1870, I, 2. 200. Salvador de Mendonça conseguiu
[4111] reunir vasta biblioteca brasileira.
Biblioteca Histórica-neerlândica -- Este catálogo regista inúmeros livros
Histoire des Pays Bass: Catalogue systé- de interesse para a história dos ho-
matique des livres anciens et modernes. landeses no Brasil. É anotado e
La Haye, Martinus Nijhoff, 1899. 472 constitui uma das melhores fontes
pp. bibliográficas -- ao lado da Biblioteca
Brasiliense de José Carlos Rodrigues,
É um catálogo comercial, porém
da Biblioteca Exótico-Brasileira, de
muito valioso. Contém bibliografia
Alfredo de Carvalho, e do Catálogo
das bibliografias das revistas, coleções
da Exposição Nassoviana, publica-
biblográficas, inventários de arqui-
das no Brasil, relativamente aos ho-
vos, história geral, manuais, e histó-
landeses.
ria dos Países-Baixos. Está subdivi-
Tal coleção, porém, não foi cons-
dido em 5 partes, a saber: até 1500,
tituída com o fito de reunir os livros
de 1500-648; de 1648 a 1795 a 1813
relativos aos holandeses no Brasil
e de 1813 a 1900. Possui excelente
donde resulta que dela não constam,
lista alfabética de nomes. [4112]
por vezes, obras importantes, ao
Carvalho, Alfredo de. Biblioteca Exótico-
passo que são registradas obras de
Brasileira, Por... publicada em virtude
menor valor. [4114]
de autorização legislativa, no governo
Catálogo da exposição nassoviana.
do Exmº Sr. Dr. Estácio de Albu-
(Anais da Biblioteca Nacional do Rio de
querque Coimbra, governador do
Janeiro, vol. LI. Rio de Janeiro, 1938).
Estado de Pernambuco, sob a dire-
134 p.
ção de Eduardo Tavares. Vol. I. Rio
Trata-se do catálogo da exposi-
de Janeiro, Pongetti & C., 1929. 3 v.
ção de livros, folhetos e cartas geo-
retr.
gráficas relativas à ocupação holan-
É esta uma excelente fonte para o desa no Nordeste e Norte do Brasil.
estudo dos holandeses no Brasil. Esta exposição teve lugar em 1937,
Traz indicações valiosas sobre al- em comemoração ao tricentenário
guns livros. Trata-se de edição pós- da chegada a Pernambuco do Conde
tuma, na qual foram reproduzidos João Maurício de Nassau. Iniciando-
vários escritos por Alfredo de Car- se com uma ligeira explicação de Ro-
valho sobre autores e livros registra- dolfo Garcia, acha-se o Catálogo
dos na biblioteca. subdividido em três seções: 1) Im-
É de lamentar que a edição fosse pressos; 2) Manuscritos; 3) Peças
dirigida por pessoa pouco compe-
892

iconográficas. Cada uma das seções Botelho da Costa Veiga, que declara
encontra-se, por sua vez, subdividida ter sido o presente catálogo organi-
em várias partes. Como se trata de zado pelos Dr. Ataíde e Melo, Drª
material existente na Biblioteca Na- Carlota Gil Ferreira e Durval Pires
cional, o catálogo oferece, natural- de Lima.
mente, deficiências e lacunas, do Organizado pela ordem alfabética
ponto de vista do material reunido. dos nomes dos autores, talvez, um
Além disso, sente-se a falta de obras dos mais valiosos catálogos para o
gerais holandesas de importância estudo da Restauração, época em
para o referido período. Dever-se-ia, que dominavam os holandeses o
também, ter incluído obras de histó- Nordeste brasileiro. [4116]
ria geral brasileira, como a do Vis-
The Hollanders in America; catalogue
conde de Porto Seguro, onde algu-
nº 518. The Hague, Martinus Nij-
mas notas de Capistrano de Abreu e
hoff, s.d. 92 p.
especialmente as de Rodolfo Garcia
constituem verdadeiras contribuições Embora se trate de um catálogo
para esclarecimento de pontos obs- comercial, é indiscutível a sua utilida-
curos ou para a divulgação de docu- de. [4117]
mentos inéditos. Knuttel, Willem Pieter Cornelis. Catalogus
Livros como o de Southey, que van de pamfletten-verzameling berustende in
foi, sem dúvida, o primeiro a con- de Koninklijke Bibliotheck, 1486-1853.
sultar obras holandesas, deveriam Met aanteekeningen en een register de
estar presentes. A Biblioteca Nacio- Schrigvers voorzien. ’s Gravenhage. Ge-
nal possui tanto esses livros, como druckt ter Algemeene Landsdrukkerig.
as obras gerais holandesas a que nos 1889-1920. 9 t. em 11 v.
referimos acima. Notam-se, tam- Descrição pormenorizada da rica
bém, certas deficiências nas subdivi- coleção de folhetos históricos da Bi-
sões da 1ª seção. De modo geral, tra- blioteca Real de Haia. Junto com
ta-se de fonte indispensável ao estu- Tiele, Petit, van der Wulp, forma
dioso da história dos holandeses no uma bibliografia muito completa de
Brasil. [4115] folhetos, e outras publicações dos
Exposição bibliográfica da Restaura- Países-Baixos nos séculos XVI e
ção. Catálogo. Lisboa. MCMXL (Bi- XVII. Encontra-se, aí, uma descri-
blioteca Nacional). 450 p. ção de quase todos os escritos con-
Trata-se do material da Biblioteca temporâneos relativos ao Brasil do
Nacional referente à Restauração. século XVII.
Como bem se diz no prefácio, não
se limita às obras exclusivamente Os volumes que interessam dire-
consagradas aos sucessos da época, tamente ao Brasil são os seguintes: I,
mas regista também aquelas nas 1ª e 2ª partes: II, 1ª e 2ª partes.
quais se encontram notícias úteis. Nestes volumes encontram-se re-
O prefácio é assinado pelo Diretor gistados inúmeros folhetos relativos
aos holandeses no Brasil.
893

Juntamente com Tiele e Asher Esta valiosa bibliografia, com-


constitui a trilogia clássica da bibli- preendendo folhetos holandeses pu-
ografia sobre os holandeses no Bra- blicados nos Anais de 1842-1702,
sil. W. P. C. Knuttel (1854-1921) pu- contém nada menos que 9.688 títu-
blicou vários outros trabalhos bibli- los, cronologicamente arranjados,
ográficos tais como a Nederlandsche com exatas descrições, bibliografias
bibliographie van Kerkgeschiedenis (Bib. e outras notícias, etc. Para o colecio-
Neerlândica de hist. da Igreja, Ams- nador americano é do mais alto inte-
terdã, Muller, 1880) e o estudo sobre resse, porque contém não somente
os livros proibidos na República das todos os folhetos mencionados no
Províncias Unidas. [4118] ensaio de Asher, como muitos ou-
Rodrigues, José Carlos. Biblioteca brasi- tros, que, embora não tratando dire-
liense; catálogo anotado dos livros sobre o tamente das colônias holandesas na
Brasil e de alguns autógrafos e manuscri- América, são indispensáveis ao co-
tos pertencentes a J. C. Rodrigues. Parte nhecimento da história da Holanda,
I. Descobrimento da América: Bra- em conjunção com os das colônias.
sil colonial, 1492-1822. Rio de Ja- Antes da publicação deste catálogo
neiro, Tip. do Jornal do Comércio, por Tiele, os folhetos holandeses
1907. 680 p. não eram muito apreciados, pois
O catálogo de José Carlos Rodri- vendiam-se aos lotes. Depois deste
gues é, talvez, o mais completo re- catálogo, a atenção geral voltou-se
pertório de livros brasileiros, da épo- para eles e seu alto interesse foi mais
ca colonial. Sua biblioteca foi, mais e mais apreciado. [4120]
tarde, doada à Biblioteca Nacional Wulp, J. K. Van der. Catalogus van de trac-
do Rio de Janeiro. taten, pamfletten, enz. over de geschiedenis
Trata-se de livro valiosíssimo, van Nederland in de bibliotheek van I.
raro e de boa estima entre os biblió- Meulman. Amst. 1866-68. 3 v.
grafos brasileiros. [4119] Wulp inventariou a biblioteca de
Tiele, Pieter Anton. Biblioteek van Neder- Isaac Meulman, onde encontrou raros
landsche Pamflette. Eerste Afdeeling e valiosos folhetos do século XVII.
Verzameling van Frederik Muller. Te Para o conhecimento bibliográfico do
Amsterdam. Naar Tijdsorde Ge- período holandês no Brasil merece ser
rangschickte en Beschrcvendoor... consultado. [4121]
Amsterdam, 1858-1861. 3v.
895

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Viagens

Rubens Borba de Morais


BIBLIOGRAFIA
Abbeville, Claude d’. Histoire de la mis- vras e frases da língua tupi contidas
sion des peres capvcins en i’isle de na Histoire de la mission... de autoria de
Maragnan et terres circonuiosines ou Adolfo Garcia, trabalho clássico no
est traicte des singularitez admirables seu gênero. (V. Yves d’Evreux.)[4122]
et des meurs meruellieuses de indiens Acunã, Christobal de. Nuevo descubrimento
habitans de ce país, avec les missives del gran rio de las Amazonas, Madrid,
et aduis qui ont est enuoyez de 1891. 235 p.
nouueau, par le R. P. Claude d’Abbe- Pedro Teixeira, incumbido pelo
ville, predicateur capvcin... Paris, governador do Estado do Maranhão
François Hvby, 1614. 304 p. ilus e Grão-Pará, em 1637, de subir o
Claude d’Abbeville fez parte, com Amazonas, explorou o seu curso e o
outros capuchinhos, de uma missão dos seus tributários. Na volta do
ao Maranhão para a catequese dos Peru trouxe consigo o padre Chris-
índios quando essa parte do Brasil tobal de Acuña, encarregado pela au-
estava ocupada pelos franceses. Os diência de Quito de acompanhar
primeiros e últimos capítulos tratam Teixeira e relatar a viagem. Essa via-
da viagem; os de nº 34-43 interessam gem famosa é capital para o estudo
mais à história natural e à descrição da região amazônica, verdadeiro tra-
da terra. Os outros tratam mais da tado sobre o grande rio naquela épo-
etnografia. Embora tenha demorado ca, sobre seus inúmeros aspectos. A
muito pouco no Brasil, teve tempo primeira edição, raríssima, é de 1641.
para observar com muito cuidado e Em 1682 Gomberville publicou uma
inteligência e escreveu um dos livros tradução francesa (vide Rogers),
mais notáveis sobre o Brasil do sé- com uma dissertação sobre o rio
culo XVII. Existem duas edições de Amazonas e as viagens dos padres
1614. Uma tradução portuguesa feita Grillet e Bechamel às Guianas. Para
por César Augusto Marques (Mara- essa edição Sanson d’Abbeville gra-
nhão, 1874) apresenta muitos erros e vou um mapa do Amazonas basea-
traz notas sem valor algum. A me- do na narração de Acuña. Esse mapa
lhor edição é a fac-símile feita por marca um progresso considerável na
Paulo Prado (Paris, 1922) que traz cartografia amazônica. Até o mapa
um excelente prefácio de Capistrano do padre Samuel Fritz foi o melhor
de Abreu e um glossário das pala- que existiu (vide La Condamine). Da
896

viagem de Acuña existe tradução in- ao Pará seguiram para a Europa tocan-
glesa de 1698. Grandes trechos fo- do ainda na Bahia, Recife e Maranhão.
ram publicados e compilados na A narrativa foi primeiramente publicada
obra do padre M. Rodrigues, El Ma- em forma de diário, escrito pelo prínci-
rañon y Amazonas..., Madrid, 1684, p. pe e mais tarde (1857) redigida por H.
101-141. Modernamente foi reim- Kletke. Existe tradução inglesa (Lon-
pressa diversas vezes. Entre elas no dres, 1849, 2 v.). O álbum que acom-
2º vol. das Memórias do Maranhão de panha o "Tagebuch" contém belíssi-
Cândido Mendes de Almeida, na mas vistas. É uma das obras clássi-
Collección de libros raros y curiosos que cas sobre o Brasil. [4124]
tratan de America, Madrid, 1891. Exis- Adam, Paul. Les visages du Brésil. (Paris)
te tradução brasileira publicada na Societé Générale d’Editons, 1914. iv.
Rev. Inst. Hist. Geo. Bras., v. 28, e na 203 p. 18x11cm.
Brasiliana, v. 203 (vide Carvajal). A Impressões ligeiras sobre o Rio e
melhor edição inglesa é a da Hakluyt São Paulo, sobre o Brasil e os brasi-
Society, de Clements R. Markham leiros. [4125]
Expedition into the valley of the Amazon, Agassiz, Louis, e Agassiz, Mme. Louis.
London, 1858, que contém além da A journey to Brazil, by professor and Mrs.
obra de Acuña, a expedição de Gon- Louis Agassiz. Boston, Ticknor and
zalo Pizarro (tirada de Garcilasso de Fields, 1868. xix. 540 p. ilus.
la Vega), a viagem de Francisco de É a narrativa da famosa "Thayer
Orellana (tirada de Herrera) e uma expedition" ao Amazonas, do na-
lista das principais tribos do vale do turalista suíço-americano, profes-
Amazonas, compilada das viagens sor em Harvard. A parte científica
de Orellana e Acuña. Contém tam- da viagem foi publicada em traba-
bém excelente introdução e notas. lhos especiais que escapam à bibli-
Sobre as primeiras viagens pelo ografia de viagens. Teve muitas
Amazonas vide também Heriarte, edições posteriores e tradução
Maurício Pagan, conde de Fritz, Sa- francesa por Félix Vogeli, profes-
muel e Carvajal. [4123] sor da Escola Militar do Rio e
Adalbert, Príncipe da Prússia. Aus mei- companheiro de Agassiz ao Ama-
nem Tagebouch 1842-1843, von Adalbert zonas (Paris, 1869) e outras abre-
Prinz von Preussen... Berlim, 1847. 778 viadas. Foi traduzido para o portu-
p. ilus. mapas. guês e publicado na Col. Brasiliana
O príncipe Adalbert da Prússia da Cia. Ed. Nac. [4126]
chegou ao Rio em 1842. Começaram Alincourt, Luiz d’. Memória sobre a viagem
fazendo excursões pelos arredores do porto de Santos à cidade de Cuiabá; or-
do Rio e pela Província (Nova Fri- ganizada e oferecida a Sua Majestade impe-
burgo, Macaé, Campos, etc.). Do rial, o senhor D. Pedro Primeiro, impera-
Rio seguiram por mar para o Pará e dor constitucional e defensor perpétuo do
subindo o Amazonas atingiram o Império do Brasil; Cuiabá, 1825. Rio de
Xingu, por ele se internaram até lu-
gar nunca atingido então. De regresso
897

Janeiro, Tip. Imperial e Nac., 1830. Anson, George. Voyage round the world; edi-
198 p. ted with notes, by G. S. Laird Clowes;
É o roteiro de uma viagem feita With all the original plates and charts and
em 1818, de Santos a Cuiabá. Em- numerous additional illustr. London,
bora muito resumido como todo 1928. 466 p.
diário de viagem desse tempo, foi O famoso navegador inglês An-
sempre muito estimado e consultado son tocou em Santa Catarina em
desde St. Hilaire e Castelnau até os 1740. Descreve a posição da ilha,
historiadores de hoje. Da p. 153 em fortificações e dá notícia das modifi-
diante traz uma Memória acerca da cações e progressos feitos depois das
fronteira da província de Mato Grosso, or- viagens de Frezier. Governava então
ganizada em Cuiabá no ano de 1826, a ilha José da Silva Pais, que Anson
também de grande interesse. Alin- acusa de ter mandado para Buenos
court fez explorações em Mato Aires informações sobre sua esqua-
Grosso. Parte desses trabalhos foi dra. Procura demonstrar que Santa
publicada na Rev. Inst. Hist. Geo. Catarina não é mais o melhor ponto
Bras., tomos 6, 7, 20 e 29. [4127] de refresco na costa sul do Brasil.
Almagro, Manoel de. Breve descripción de Dá informações sobre o Brasil em
los viages hechos em América por la Comi- geral e particularmente sobre as mi-
sión científica enviada por el gobierno de S. nas de ouro e diamante, recentemen-
M. C. durante los años de 1862 a 1866. te descobertas, e sobre os paulistas.
Acompañada de la enumeración de las col- Das viagens de Anson existem inú-
leciones que forman la exposición pública. meras edições e traduções. Geral-
Publicada por orden del Ministerio de fo- mente trazem vistas e mapas de San-
mento. Madrid, Imprenta y Estereotipia ta Catarina. A ed. citada é preferível
de M. Rivadeneyra, 1866. 2 mapas. para estudo. [4130]
Tocaram na Bahia, Recife e desce- Appun, Carl Ferdinand. Unter den Tropen:
ram o Amazonas até Belém. [4128] Wanderungen durch Venezuela, am Ori-
Almeida, Francisco José de Lacerda e. noco, durch Britsch Guyana und am Ama-
Diário da viagem do Dr. Francisco José de zonestrome in den Jahren 1849-1868...
Lacerda e Almeida pelas capitanias do Jena, Heermann Costenobre, 1871. 2
Pará. Rio Negro, Mato Grosso, Cuiabá, e v. 559, 598 p. ilus.
São Paulo, nos anos de 1780 a 1790; im- O autor era naturalista e auxiliado
presso por ordem da Assembléia Legisltiva pelo rei Frederico Guilherme da
da Província de S. Paulo. São Paulo, Prússia residiu durante dez anos na
Costa Silveira, 1841. 90 p. Venezuela (1849-59). Em seguida
Roteiro muito resumido, mas mui- passou para a Guiana Inglesa onde
to exato. Vide também Rev. Inst. Hist. residiu até 1868 quando empreendeu
Geo. Bras., tomo 62 e tomo 12, que uma viagem da Guiana a Manaus pe-
contém outras memórias do autor. O los rios Branco e Negro. A parte
Diário foi reeditado em 1944 pelo Ins- brasileira ocupa as págs. 387-592 do
tituto Nacional do Livro. [4129] 2º vol. [4131]
898

Arago, Jacques. Promenade autour du monde No v. 1 trata dos Estados da Ba-


pendant les années 1817, 1818, et 1820, hia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe;
sur les corvettes du Roi, I’Uranie et la Phy- no 2º do Amazonas. Estuda os ne-
sicienne, commandées par M. Freycinet, par gros na Bahia, as colônias de imi-
Jacques Arago. Paris, Leblanc, 1822. 2 grantes livres, índios, etc., O autor
v. 452 p., 506 p. e atlas de 25 plan- era médico, clinicou no Rio entre
chas e 1 mapa. 1837 e 1855. Voltou ao Brasil com a
Inúmeras edições posteriores, expedição austríaca da fragata "No-
muitas precedidas do título Souvenirs vara", mas abandonou-a no Rio. É
d’un aveugle. Tradução inglesa (Lon- das melhores obras alemãs sobre o
don, 1823). Narrativa anedótica, Brasil aparecidas no século XIX.[4136]
Vide Freycinet. O atlas contém uma Avé-Lallemant, Robert Christian Bert-
vista do morro da Glória e outra da hold. Reise durch Súd-Brasilien im Jahre
cascata da Tijuca. [4132] 1858, von Dr. Robert Avé-Lallemant.
Asschenfeldt, Friedrich. Memorien aus Leipzig, F. A. Brockhauss, 1859. 1v.
meinem Tagebuche, gefuhrt während meiner com 2 partes.
Reisen und meines Aufenthaltes in Brasi- Percorreu o Rio Grande, Santa
lien ind en Jaheren 1843 bis 1847... Ol- Catarina, Paraná e São Paulo. É so-
denburg in Holstein, 1848. 156 p. bretudo obra importante para o es-
Percorreu a Bahia. Índios e colo- tudo da colonização no sul do Bra-
nos europeus, clima e doenças. O sil e o sistema de parceria em São
autor era médico. [4133] Paulo. [4137]
Atri, Alessandro d’. Uomini e cose del Brasi- Avezac-Macaya, Marie Armand Pasca
lie: descrizione dei viaggi compiuti negli anni d’. Campagne du navire I’Espoir de
1894 e 1895. Napoli, Aurelio Tocco, Honfleur, 1503-1505; relation authenti-
1895-1896. 570 p. 52 fotos. que du voyage du capitaine de Goneville és
O autor visitou o Brasil (Rio, São nouvelles terres des Indes; publié integrale-
Paulo e Minas). Traça um panorama ment pour la premiére fois avec une intro-
do país na época e estuda os seus ho- duction et des éclaircissements, par M. d’A-
mens públicos. É profusamente ilus- vezac... Paris, Challamel Ainé, 1869.
trada e traz muitos retratos. [4134] 115 p.
Aurignac, Romain d’. Amerique du Sud: Gonneville teria tocado no sul do
trois ans chez les argentins; ill., de Rion, Brasil em 1503. D’Avezac faz um es-
gravures de Guillaume et cie. Paris, Libr. tudo muito importante para a histó-
Plon, 1890. 493 p. ilus., retr., do autor. ria da geografia da costa do Brasil,
Impressões de Recife, Bahia e nos primeiros anos. [4138]
Rio. [4135] Azevedo, Antônio Mariano de. Relatório
Avé-Lallemant, Robert Christian Bert- do primeiro tenente d’Armada, Antônio
hold. Rise durch Nord Brasilien in Jahre Mariano de Azevedo, sobre os exames de
1859, von Dr. Robert Avé-Lalle- que foi incumbido no interior da Província
mant. Leipzig, F.A. Brokhauss, 1860. de S. Paulo. Rio de Janeiro, Tip. de
2 v. Peixoto, 1858. 51 p.
899

É um relatório sobre a possibili- ral engravings by Medland, coloured after


dade da fundação de uma colônia the original drawing by Mr. Alexander and
militar em Itapura que foi mais tarde Mr. Daniell. London, T. Cadell and
fundada pelo Governo Imperial e da W. Davies, 1806. 447 p. 20 planchas
qual o autor foi diretor. Traz interes- color., mapa color. desdobr.
santíssimos detalhes sobre a navega- Das p. 72-103 (capítulos 4º e 5º)
ção entre S. Paulo e Mato Grosso. dá excelente descrição do Rio.
Infelizmente é rara. [4139] Descreve usos e costumes, tráfico
B., Virginie Leontine. Letres inedites sur Rio e escravatura, produtos, etc. Con-
de Janeiro et diverses esquisses litteraires, tém uma belíssima vista colorida
par Mlle. Virginie Leontine. B. Evreux, do aqueduto Carioca. Existe tradu-
Imp. Lith. Le Monnier, 1872. 134 p. ção francesa (Paris, 1807, 2 v. um
Quatro cartas datadas do Rio atlas). [4143]
(1857-1858) descrevendo usos e cos- Bastos, Manuel José de Oliveira. Roteiro
tumes. [4140] da cidade de Santa Maria de Belém do
Baro, Roulox. Relations dv voyage de Roulox Grão-Pará, pelo rio Tocantins acima até
Baro, interprete et ambassade... au pays des Porto Real do Pontal, da Capital de
Tapuies dans la terre ferme du Bresil. Rela- Goiás... Rio de Janeiro, 1811. 19 p.
tions veritables et curieuses de l’isle de Ma- O autor indica os lugares por
dasgascar et du Bresil... Paris, 1651. p. onde passou na sua viagem por ter-
197-307. ra, de Belém ao Rio, de fevereiro a
Vide em Etnologia. [4141] maio de 1810. [4144]
Barrington, George. An acount of a voyaye Bates, Henry Walter. The naturalist on the
to New South Wales, by George Barring- river Amazonas; a record of river Amazo-
ton, superintendat of the convicts do which nas: a record of adventures, habits of ani-
is prefixed a Detail of his life, trials, spee- mals, sketches of Brazilian and Indian life,
ches... with beautiful coloured prints. Lon- and aspects of the nature under the Equa-
don, M. Jones, 1810. 472 p. grv. co- tor, during eleven years of travel. Second
lor., mapa desdobr. edition. London, John Murray, 1864.
Das p. 130-139 dá uma descrição 466 p. Ilus. Mapa desdobr.
do Rio e trata do Governo, forças 1ª ed. 1863. A obra de Bates é tal-
militares, índios e das mulheres bra- vez a mais conhecida que existe so-
sileiras. [4142] bre o Amazonas. Bates chegou ao
Barrow, John. A voyage to Cochinhina in the Pará em 1848 junto com Alfred Rus-
years 1792 and 1793; containing a general sel Wallace e durante algum tempo
view of the valuable productions and the po- viajaram juntos. Bates percorreu
litical importance of this florishing kingdom, toda região amazônica durante onze
and also of such European settlements as anos. Colecionou e remeteu para a
were visited on the voyage; with sketches of Inglaterra mais de 15.000 espécies
the manners, character, and condition of zoológicas que foram estudas e clas-
their several inhabitants... by John Bar- sificadas por outros naturalistas. O
row... illustrated and embelished with seve- livro de Bates é clássico, teve inúme-
900

ras edições, traduções para diversas dados estatísticos e estuda as regiões


línguas e edições populares, tal o su- do Brasil. [4148]
cesso que teve. [4145] Berford, Sebastião Gomes da Silva. Rotei-
Belmann, E. Erindringer om mit Ophold og ro e mappa da viagem da cidade de S. Luís
mine reiser i Brasilien fra aaret 1835 til do Maranhão até a corte do Rio de Janeiro,
1831, of E. Belmann. Kjöobenhavn, feita por ordem do Governador e capitão-
Paa udgiverens forlag, 1833. 239 p. general daquela Capitania, pelo coronel Se-
O autor era oficial do exército di- bastião Gomes da Silva Berford, fidalgo da
namarquês. Tendo deixado o serviço Casa Real, com os ofícios relativos à mesma
na sua pátria, engajou-se no Exército viagem. Rio de Janeiro, Impressão Ré-
Imperial onde serviu de 1825 a 1831. gia. 1810. 95 p., mapa, mapa estatístico.
Descreve o Rio de Janeiro e Rio Este roteiro da viagem do Mara-
Grande do Sul onde serviu. [4146] nhão ao Rio, por terra, é muito esti-
Belmar. Voyage aux Provinces brésiliennes du mado embora muito sucinto. O
Pará et des Amazones en 1860, precédé mapa apresenta progressos no co-
d’un rapide coup d’oeil sur le littoral du nhecimento do interior do Brasil e
Brésil. London, Trezise, 1861. 236 p. foi um dos primeiros gravados no
Na primeira parte descreve as Rio. [4149]
províncias do litoral, nas outras o Beyer, Gustavo. Ligeiras notas de viagem do
Pará e o Amazonas. Na última, inti- Rio de Janeiro à Capitania de S. Paulo, no
tulada Estatística, trata da importa- Brasil, no verão de 1813, com algumas no-
ção, exportação (de 1833 a 1859) e tícias sobre a cidade da Bahia e a ilha Tris-
dá um quadro das colônias estran- tão da Cunha, entre o Cabo e o Brasil e
geiras. Trata do Brasil sobretudo que há pouco foi ocupada, por Gustavo
do ponto de vista econômico e co- Beyer; tradução do sueco pelo Sr. Dr. Al-
mercial. [4147] berto Löfgren. (Rev. Inst. Hist. Geo. S.
Benko, Jerolim Freiherrn von. Reise S. M. Paulo, v. 12, p. 275-311.)
Schiffes "Albatros" unter des K. K. Fre- Veio ao Brasil em 1814. Tocou
gatten-Kapitäns Arthur Müldner nach na Bahia e Rio. Daí veio por mar a
Sud-Amerika, den Caplande und West S. Paulo passando pela costa e apor-
Afrika, 1885-1886. Auf Befehl des K. tando na Ilha Grande, São Sebastião
K. Reichs-Kriegsministeriums, Marine-Sec- e Santos. Em S. Paulo visitou os ar-
tion, unter Zugrundelegung des Berichte des redores da cidade e Itu, Porto Feliz,
K.K. Schiffscommandos verfasst von Jero- Ipanema e Sorocaba. É uma das re-
lim Freiherrn von Benko. Pala, 1889. 463 lações mais interessantes que existe
p. mapa. sobre S. Paulo dos princípios do sé-
O navio austríaco Albatrós tocou culo XIX. [4150]
em Recife, Bahia, Rio, Paranaguá, Bezerra, Antônio. Notas de viagem ao norte
Antonina e Desterro (Florianópolis). do Ceará. Lisboa, 1915. 414 p.
A parte brasileira da viagem ocupa O autor em 1884, encarregado
as p. 65-165. Não somente descreve pelo governo da Província, percor-
os lugares visitados mas dá muitos reu todo o Ceará. Embora cheio de
901

literatura contém informações inte- do Ivaí) estudando o traçado da es-


ressantes. [4151] trada. O livro escrito num estilo
Bibra, Ernest Freiberrn von. Aus Chili, fluente e pitoresco é de muito inte-
Peru und brasilien. Leipzig, 1862. 3 v. resse e cheio de observações exce-
266, 279, 299 p. lentes sobre a região das colônias e o
Erinnerungen aus Südamerika. Leip- sertão do Paraná. As explorações fo-
zig, Hermann Costenoble, 1862. 3 v. ram feitas em 1872. [4154]
Reise in Südamerika. Mannheim, Boelen, John-Goon (Jacobus). Reize naar
1854. 2 v. 29, 357 p. de Oust-en West-Kust van Zuid-Amerika
In Südamerika und Europa. Leipzig, en van daar, de Sandwichsen Philippijnsche
Hermann Costenoble, 1862. 2 v. Eilanden, China eng., gedaan in den jaren
1826, 1827, 1828 en 1829, met het
O autor era naturalista e em 1849
Koopvaardjschip Wilhelmina en Maria.
fez uma viagem à América do Sul.
Amsterdam, by ten Brik, De Vries,
De volta a Nuremberg escreveu
1835-1836. 3 v.
muitas obras sobre a América do
Sul, inclusive algumas novelas, cuja Tocou no Rio em agosto de
ação se passa no Brasil. As suas 1826, onde permaneceu sete sema-
obras, onde descreve o Brasil, são as nas. Descreve a cidade (v. 1, p. 48-
mencionadas. [4152] 89) e dá notícias da guerra contra o
Bidou, Henry. ...900 lieues sur 1’Amazone, governo de Buenos Aires e o blo-
par Henry Bidou. Douziéme édition... queio do rio da Prata. Contém uma
Paris, Gallimard, 1938. 236 p. vista da entrada da baía de Guana-
bara. [4155]
Descrições e impressões. [4153]
Bigg-Whither, Thomas P. Pioneering in Bösche, Eduardo Teodoro. Quadros alter-
South Brazil... by Thomas P. Bigg-Whit- nados: impressões do Brasil de D. Pedro I;
her. London, John Murray, 1878. 2 v. tradução de Vicente de Sousa Queirós; pre-
ilus., mapas. fácio de Afonso E. Taunay. São Paulo,
Tip. da Casa Garraux, 1929. 133 p.
O capitão Palm, oficial sueco
protegido do rei de seu país, conse- Bösche fazia parte da tropa alemã
guiu interessar o Governo brasileiro ao serviço de Pedro I. Narra os
e Mauá, num plano de estrada de acontecimentos decorridos entre
ferro atravessando a América do Sul 1825 e 1829. Embora cheio de ani-
do Atlântico ao Pacífico, mais ou mosidade contra os brasileiros, está
menos pelas alturas do Paraná. De- escrito com sinceridade e é docu-
zesseis engenheiros divididos em mento de valor para o estudo da
quatro grupos estudaram durante época e da personalidade de Pedro I.
dois anos os traçados. Várias causas A 1ª, ed. é de Hamburg, 1836. Foi
e a morte do capitão Palm no Rio, publicado em tradução na Rev. Inst.
de febre amarela, vieram interrom- Hist. Geo. Bras., tomo 83. [4156]
per o plano. Bigg-Whither como Bossi, Bartolomé. Viage pintoresco por los
chefe de um dos grupos de enge- rios Paraná, Paraguay, San Lorenzo,
nheiros, explorou o Paraná (o vale Cuyabá, y el Arino tribuatio del grande
902

Amazonas com la descripción de la Provin- Bougainville obteve do Governo


cia de Mato Grosso bajo su aspecto físico, francês autorização para fundar um
geográfico, mineralójico y sus producciones estabelecimento nas ilhas Malvinas
naturales, por el C. Barolomé Bossi. Paris, (Falkland) e para aí fez uma primeira
Dupray de la Mahérie, 1863. 153 p., expedição. Diante das reclamações
ilus. mapa. do Governo de Madri, teve Luís XV
Interessante narrativa muito ilus- de devolver a posse das ilhas aos es-
trada, com gravuras feitas segundo panhóis. Bougainville foi encarrega-
as fotografias do autor. Percorreu o do da devolução, mas obteve meios
Alto Paraguai, os sertões da serra para continuar a viagem e dar volta
dos Parecis e desceu o Arinos. Estu- ao mundo. Tocou no Rio, que des-
da as regiões percorridas sob o pon- creve. Trata das minas de ouro e cita
to de vista géográfico e das produções os rendimentos que Portugal tirava
naturais. [4157] dos quintos (cálculo muito exagera-
Bougainville, Barão de. Journal de la navi- do) e comenta as hostilidades entre
gation autour du globe de la frégate la Thé- portugueses e espanhóis. [4159]
tis et de la corvette 1’Esperance, pendant les Brackenridge, H. M. Voyage to South
années 1824, 1825 et 1826, publié par or- America, performed by order of the Ameri-
dre du roi, sous les auspices du Départe- can Government in the years 1817 and
ment de la marine, par M. le Baron de 1818, in Fregate Congress, by H. M. Bra-
Bougainville. Paris, Arthus Bertrand, chenridge, esq. secretary to the mission.
1837. 3 v. e atlas. London, T. and J. Allman, 1820. 2 v.
O autor era secretário de uma
Descreve a cidade, museu, aque- comissão enviada pelo governo
duto, etc., as solenidades da Semana americano para visitar as repúblicas
Santa, a chegada do Imperador de sul-americanas e colher informaçõ-
volta da Bahia; dá detalhes sobre o es sobre tudo que pudesse interes-
estado militar do Brasil e o porto do sar os Estados Unidos. Chegou ao
Rio. No atlas existem as seguintes Rio em dezembro de 1817 e ainda
estampas referentes ao Brasil: entra- encontrou ancorada a esquadra que
da da baía do Rio de Janeiro, a Gló- trouxera D. Leopoldina. Descreve
ria, Boa Viagem, o Corcovado visto e dá interessantíssimas informaçõ-
da casa do consul inglês, vista toma- es sobre o Rio e o Brasil em geral
da do alto do Corcovado, cascata da (p. 89-183). A parte mais valiosa é
Tijuca. Ao todo 6 estampas. [4158] a que se refere ao Rio, escrita com
Bougainville, Barão de. Voyage autour du observações diretas, a outra, embora
monde, par la frégate du Roi la Boudeuse et cheia de conceitos interessantes, é
la flute l’Etoile, en 1766, 1767, 1768 et compilada. [4160]
1769. Paris, Saillant et Nyon, 1871. Braun, João Vasco Manuel de. Roteiro
417 p. ilus. chorographico (inedito) da viagem, que se
Existe tradução inglesa, Londres costuma fazer da cidade de Belém do Grão-
1772 e 2ª edição francesa de 1772 Pará a Villa Bella de Matto-Grosso; tira-
em 3 volumes. do do Diário astronomico, que ao rio Ma-
903

deira fizerão os officiaes engenheiros e douto- Bucelli. Un viaggio a Rio Grande del
res mathematicos, mandados no anno de Sud. Milano, L.F. Pallestrini, 1906.
1781 por Sua Magestade Fidelissima a de- 394 p. mapa desdobr., fotos.
marcar a primeira divisão dos reaes limites; Descreve rapidamente o Rio e
seguido das Praticas e theoricas indagações e Santos. Percorreu todo o Rio Gran-
combinações, que nos rios, e povoações inte- de do Sul. É interessante sobretudo
riores fez o sargento-mór engenheiro João para o estudo da colonização italia-
Vasco Manoel de Braun; mandado impri- na. Inúmeras fotografias. [4164]
mir, e offerecido ao Instituto historico e geo- Bueno, Francisco Antônio Pimenta. Me-
graphico do Brazil, por Francisco da Silva mória concernente à exploração do rio Sucu-
Castro, official da Imperial ordem da riú, pelo Dr. Francisco Antônio Pimenta
roza.... Pará, Tip. do Diário do Grão- Bueno. (Rev. Soc. Geo. Rio de Janeiro,
Pará, 1857. 36 p. tomo I, p. 9, 1885).
Foi também publicado na Rev. Inst. O notável engenheiro militar Pi-
Hist. Geo. Bras. tomo 23. [4161] menta Bueno fez, em diversos pon-
Brito, Francisco Tavares de. Itinerario geo- tos do Brasil, explorações de grande
graphico, com a verdadeira descripção dos valor. Os seus trabalhos são muito
caminhos, estradas, roças, sítios, povoações, apreciados até hoje. [4165]
logares, villas, rios, montes e serras que ha Bulkeley, John, e Cummins, John. A
da cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro voyage to the South Seas, in the years
até as minas de ouro. Sevilha, 1732. 32 p. 1740-41, containing a faithul narrative of
Foi reimpresso na Rev. Inst. Hist. the loss of His Majesty’s ship the Wager:
Geo. S. Paulo, v. 4, p. 449. [4162] with the proceedings and conduct of the offi-
Brown, Charles Barrington, e Lidstone, cers and crew, and the hardships, they endu-
William. Fifteen thousand miles on the red for the space of five months. London,
Amazon and its tributaries, by C. Barring- 1743. 220 p.
ton Brown... and William Lidstone, C.E; Os autores faziam parte da tripu-
with map and wood engravings. London, lação do Wager, que naufragou nos
E.Stanford, 1878. 520 p. ilus. mapa. mares do Sul. Atravessaram o estrei-
Os autores vieram ao Brasil por to de Magalhães e vieram ao Rio, de
conta da Amazon Navigation Com- onde voltaram à Inglaterra. Tem
pany e exploraram durante os anos mais valor como livro de aventuras
de 1873 a 1875, não só o rio Amazo- que como documento de viajantes.
nas mas também o Tapajós, Trom- Teve diversas edições inglesas, tra-
betas, Jamundá, Madeira, Negro, Pu- dução francesa e recentemente foi
rus, Jutaí, Solimões, Javari, Juruá, traduzido para o português (Rio
etc. Brown era geólogo; Lidstone 1936). [4166]
engenheiro e desenhista; acompa- Burmeister, Hermann. Reise nach Brasilien
nhava-os William H. Prail, médico e durch die Provinzen von Rio de Janeiro und
botânico. Fizeram estudo completo Minas Gerais. Mit besonderer Rückischt
da região. É obra sempre consultada auf die Naturgeschichte der Gold und Dia-
com proveito. [4163] mantendistricte, von Dr. Hermann Bur-
904

meister, Prof. V. Zoologie zur Halle. Ber- John Murray, M.DCCCXXV (1825).
lin, Georg Reimer, 1853. 608 p. mapa 2 v. mapas.
desdobr. As p. 1-117 do 1º v. dão excelen-
O autor foi diretor do Museu te e fidelíssima descrição do Rio.
Nacional do Rio e mais tarde do de Trata do clima, produções do reino
Buenos Aires. A sua viagem a Minas animal e vegetal, geologia, etc. Co-
foi realizada entre 1850 e 1852 vin- menta usos e costumes, instituições,
do da Alemanha. É obra de grande negros, emancipação, imigração de
valor. [4167] suíços para Nova Friburgo, etc. De
Burton, Richard F. The higlands of the Bra- volta do Pacífico fez uma viagem a
zil, by captain Richard F. Burton. Lon- Minas que relata às p. 178-288 do 2º
don, Tinsley Brothers, 1869. 2 v. ilus. vol. Em apêndice dá uma estatística
O famoso explorador inglês foi dos negros importados em 1823 e a
vice-consul em Santos. Empreendeu tradução da Constituição do Impé-
uma viagem partindo do Rio a Mi- rio. Contém um mapa da América
nas, via Três Barras, rio das Velhas a do Sul e 2 gravuras referentes ao
Penedo e à cachoeira de Paulo Rio: a primeira é uma vista de Bota-
Afonso. É uma das obras clássicas fogo e a segunda, da lagoa Rodrigo
sobre Minas. A coleção Brasiliana de Freitas. É obra excelente. Exis-
publicou tradução do 1º volume em tem traduções alemãs de 1826 e
1941. 1831. [4170]
[4168]
Buschenberger, Willian, S.W. Three ya- Caminha, Pedro Vaz. A carta de Pedro
res in the Pacific; including noticies of Vaz Caminha. Rio, s.d. (Col. Clássi-
Brazil, Chile, Bolívia, and Peru, by an cos Contemporâneos.)
officier of the United States navy. Phila- É a melhor ed. da famosa carta
delphia, Carey, Lea and Blanchard, do escrivão da armada de Pedro Ál-
1834. 441 p. vares Cabral, comunicando ao rei D.
O autor, oficial da Marinha ame- Manuel a descoberta do Brasil. Con-
ricana, fez dois cruzeiros pelo Pacífi- tém um longo estudo de Jaime Cor-
co, o primeiro de 1826 a 1829 e o tesão, a transcrição do documento,
segundo de 1831 a 1834. Em ambos sua adaptação à linguagem atual, no-
esteve no Rio, que descreve extensa- tas, documentos e fac-símiles. No
mente nos 9 primeiros capítulos, tra- fim estão publicados diversos docu-
tando dos usos e costumes, arquite- mentos contemporâneos como a
tura, cultura de café, escravos, bi- carta de Mestre João. [4171]
blioteca, ópera, etc. A 1ª ed. é de Fi- Carvajal, Gaspar de, e Rojas, Alonso de,
ladélfia (1834). [4169] e Acuña, Cristobal de. Descobrimento do
Caldcleugh, Alexander. Travels in South rio das Amazonas; traduzidos e anotados por
America during the years 1819, 20, 21, C. de Melo Leitão. São Paulo, Editora
containing an account of the present state of Nacional, 1941. (Brasiliana, v. 294.)
Brasil, Buenos Ayres and Chile, by Ale- Esta edição das três famosas rela-
xander Caldcleugh, Esqu. London, ções de viagens ao Amazonas não é
905

muito fiel, pelo menos quanto à de v. 1: Anatomie, par Paul Gervais,


Carvajal que o tradutor "amenizou". 100 p. 18 planchas.
As notas entretanto são boas. A re- v.2: Mammifères, par Paul Gervais.
lação de Carvajal foi publicada pela 116 p. 20 planchas.
primeira vez por José Toribio Medi- v.3: Oiseaux, par O.des Murs. 98
na (Sevilla, 1894) com introdução p. 20 planchas.
histórica e documentos referentes a v.4. Poissons, par le comte Francis
Francisco de Orellana. [4172] de Castelnau, xii, 112 pl. 50 planchas.
Carvalho, José Carlos de. Viagens a pro-
v.5: Reptiles, par A.Guichenot, 95
víncias do Sul do Brasil. Rio de Janeiro,
p. 18 planchas.
1884.
v.6: Entomologie, par H. Lucas. 204
O autor era engenheiro militar e
p. 14 planchas.
fez parte da comissão de levanta-
mento das fronteiras do Brasil no v. 7: Myriapodes et scorpions, par
Sul. [4173] Paul Gervais. 43 p. 8 planchas.
Castelnau, Francis de. Expedition dans les v.8: Mollusques, par H. Hupé. 103
parties centrales de l’Amerique du Sud, de p. 22 planchas.
Rio de Janeiro à Lima, et de Lima au A expedição de Castelnau foi
Pará; executé par ordre du Gouvernement uma das mais notávies empreendidas
français pendant les années 1843 à 1847, à América do Sul. Chegou ao Rio a
sous la direction de Francis de Castelnau. comitiva, a bordo do brigue de guer-
Paris, Bertrand, 1850-1857. ra Dupetit-Thouars, admiravelmente
1º) Histoire du voyage, 6 v.vii, 467, aparelhada cientificamente. Nessa ci-
485, 483, 467, 480, 432 p. dade iniciaram suas observações me-
2º) Vues et scènes, 16 p. 60 planchas. teorológicas, magnéticas, botânicas e
zoológicas. Do Rio resolveram atra-
3º) Antiquités des Incas et autres peu-
vessar a América do Sul via Minas
ples anciens. 7 p. 62 planchas.
Gerais, Goiás e Mato Grosso. Aí a
4º) Intineraire et coupes géologiques à expedição dividiu-se e explorou o
travers le continent de l’Amerique du Sud, norte de Mato Grosso, o rio Para-
de Rio de Janeiro à Lima, sur les observa- guai até Assunção e de Vila Bela in-
tions de Francis de Castelnau et Eugène ternou-se pela Bolívia por Potosi até
Osery. 8 p. 76 planchas. La Paz, Alcançou Lima onde depois
5º) Géographie des parties centrales de de longa demora alcançaram as ca-
l’Amerique du Sud et particulièremente de beceiras do Amazonas que desceram
l’Equateur au Tropique du Capricorne... até o Pará. Devido à morte de Ose-
10 p. 30 planchas. ry, membro da expedição assassina-
6º) Botanique, Chloris Andina: essai do pelos índios, perdeu-se grande
d’une flores de la région alpine des Cordiliè- parte dos papéis da mesma, entre
res de l’Almerique du Sud, par H.A., eles o diário da viagem, o registro
Wedell. 2 v. 231, 316 p. 90 planchas. das observações astronômicas, baro-
7º) Zoologie. Animaux, noveuaux ou métricas, álbuns com desenhos e no-
rares recueillis pendant l’expedition: tas sobre história natural. Salvaram-
906

se os borradores que serviram para a de Londres em 26 de fevereiro de


redação da narrativa da viagem e ou- 1868. Foram publicadas no Rio de
tros papéis que serviram para a pu- Janeiro pela Tipografia Nacional (15
blicação da obra monumental cujo p.). [4177]
valor científico, sobretudo, na parte Chandless, William. Notes of a journey up
referente a história natural, perdura até the river Juruá. (Jr. Royal Geo. Soc., v.
hoje. [4174] 39, p. 296-311, Londres, 1869. 1
Chamberlain, Lieutenant. Views and cos- mapa.)
tumes of the city and neighbourhood of Rio Tradução portuguesa no Rel. do
de Janeiro, Brazil, from drawigns taken by Minist. Agri., 1870. [4178]
lieutenant Chamberlain, Royal artillery, Chandless, William. Notes on the river
during the years 1819 and 1820; with des- Aquiry, the principal affluent of the river
criptive explanations. London, Thomas Purús. (Jr. Royal Geo. Soc., v. 36 p.
M’Lean, 1822. 36 estampas color. e 119-128, Londres, 1866. 1 mapa.)
40 fl. s.n. com descrição das estampas. Apontamentos sobre o rio Aquiri
É um dos mais belos e mais raros (Acre) principal aflunte do Purús.
livros publicados sobre o Brasil. As Publicado no Rio de Janeiro em Rel.
estampas retratam paisagens e cenas do Minist. Agric., 1866. [4179]
da vida do Rio de Janeiro. Importan- Chandless, William. Notes on the river
tíssimo para o estudo dos costumes Maué-assú, Abacaxis and Canumá,
e da iconografia da época. Foi tradu- Amazons. (Jr. Royal Geo. Soc., v. 40,
zido para o português por Rubens p. 419-432, Londres, 1870. 1 mapa.)
Borba de Morais e publicado pela Tradução portuguesa no Rel. do
Livraria Kosmos, do Rio de Janeiro, Minist. Agr., 1870. [4180]
em 1943, em edição de luxo e con- Chandless, William. Der Purús, ein Neber-
tendo reprodução de desenhos iné- flus des amazones -- Stromes. Gotha. Pe-
ditos. [4175] termann’s Mittheilungen. 1867. p.
Chamisso, Adelbert von. Entdeckungsreise 257-266.
um die Welt 1815-1818 von Adelbert v. Geógrafo inglês, explorou os rios
Chamisso; bearbeitet von Max Rohrer, mit Arinos, Juruema, Tapajós, Purus,
Bildern von chamisso und Choris. Mün- Aquiri, Juruá e outros afluentes do
chen, Alpenfreund Verlag, 1925. 339 Amazonas. [4181]
p. ilus. Chelmicki, Zigmunt W. Brasylii, Notatkiz
Chamisso fez parte como natura- podrózy (Z lignemi illustracyami w tekocie).
lista da 1ª expedição Kotzebue que Warszawa, Sklad Glowny, 1892.
tocou em Santa Catarina. A edição O autor, jornalista polaco, per-
original é de 1836. [4176] correu o Sul do Brasil estudando as
Chandless, William. Ascent of the river Pu- condições dos emigrantes poloneses
rus. (Jr. Royal Geo. Soc., v. 36, p. 86- nessa região. [4182]
118, Londres, 1866. 1 mapa.) Choris, Louis. Vues et paysagens des régions
Notas sobre o rio Purus lidas pe- équinoxiales, recueillis dans un voyage autor
rante a Real Sociedade de Geografia du monde, avec une introduction et um texte
907

explicatif. Paris, Bertrand, 1826. In-fol. As notas ligeiras e as observações


com 24 planchas coloridas. rápidas de Clemenceau sobre o
O autor fez parte, como dese- Brasil não deixam de ter seu inte-
nhista, da expedição russa comanda- resse, sobretudo dada a personali-
da por Otto von Kotzebue que to- dade do autor. Existe tradução in-
cou em Santa Catarina. Traz 6 vistas glesa (1911). [4186]
desse lugar. Choris publicou também, Clough, Stewart. The Amazons: diary of a
em 1822, Voyage pittoresque autour du twelve months journey, by R. Stewart
monde..., que contém vistas e trata de Clough, on a Mission of inquiry up the ri-
história natural, mas praticamente ver Amazon for the South American mis-
nada traz sobre o Brasil. [4183] sionary society; with illustrations. London,
Church, Georg Earl. The route to bolivia E.C. Offices, s.d. 238 p.
via the river Amzon; a report to the gover- Descrição e observações sobre as
nement of Bolívia and Brazil. London, condições das missões de catequese
Waterou and Sons, 1877. 216 p. entre os índios. [4187]
O coronel Church foi concessio- Codman, John. Ten months in Brazil; with
nário da construção da Estrada de incidents of voyages and trevels, descriptions
ferro Madeira-Mamoré. Trata-se de of scenery and character, notices of commerce
uma exposição das vantagens da cons- and productions, etc., by John Codman.
trução da estrada. Sobre o assunto Boston, Lee and Shepard, 1867. 208 p.
vide: Craig, Neville B. [4184] O autor visitou Pernambuco,
Clark, Hamlet. Letters home from Spain, Alge- Rio, Santos, São Paulo e Petrópolis.
ria and Brazil, during pas entological rambles. Descreve e trata de um pouco de
London, John va Voorst, MDCCCLVII tudo, desde imigração e escravidão,
(1857). 178 p. ilus. color. até das estradas de ferro e fazendas,
O autor, ministro protestante e da influência da Igreja católica, etc..
colecionador de insetos, visitou Per- É obra interessante. [4188]
nambuco, Bahia, Rio de Janeiro e os Coreal, François. Voyages de François Co-
arredores desta última cidade em real aux Indes Occidentales, contenant ce
fins de 1856 e princípios de 1857. A qu’il y a de plus remarquable pendant son
parte referente ao Brasil ocupa as p. séjour depuis 1666 jusqu’en 1697; traduit
99-178. Contém 4 vistas coloridas de l’espagnol avec une relation de la Guia-
feitas segundo desenhos de seu ne, de Walter Raleigh, et le voyage de Nar-
companheiro de viagem, John Gray, brough à la Mer du Sud par le détroit de
representando: Constância na Serra Magellan... Nouvelle édition revue, corrigée
dos Órgãos; residência de Mr. Be- et augmentée d’une nouvelle découverte des
nett na Tijuca; Presidência em Petró- Indes Meridionales et des terres Australes,
polis e o Corcovado visto de Bota- enrichie de figures. Paris, André Cailleau,
fogo. [4185] MDCCXXII (1722). 2 v.
Clemenceau, Georges. Notes d’un voyage A autoria desta obra é um pro-
dans l’Amerique du sud: Argentine, Uru- blema bibliográfico. Alfredo de Car-
guay, Brésil. Paris, 1911. 273 p. valho demonstrou que o autor não
908

existiu e que o livro foi "fabricado" Voyages au Tapajoz... Paris, A. La-


baseado em relações de viagens ver- hure, 1897. 210 p. ilus. mapa.
dadeiras, sobretudo em Froger e Py- Voyage au Tocantins, Araguaya...
rard de Laval. Repete com mais "lite- Paris, A. Lahure, 1897. ii, 298 p. ilus.
ratura" o que disseram esses autores. mapa.
A gravura representando a cidade de Voyage au Trombetas. Paris, A. La-
São Salvador é copiada do livro de hure, 1900. ilus. mapas.
Froger. O 2º v. contém diversas rela- Voyage au Xingú... Paris, A. Lahu-
ções de viagens célebres entre elas a de re, 1897. ii, 230 p. ilus. mapa.
Raleigh, às Guianas. [4189]
O autor explorou sob o patrocí-
Correia, A.P. (Júnior). Da Corte à fazenda
nio do governo francês a Guiana
de Santa Fé: impressões de viagem, por
Francesa. Em 1895 iniciou, por con-
A.P. Correia Júnior. Rio de Janeiro,
ta do governo do Pará, uma série de
Laemmert, 1870. 179 p.
explorações pelos rios da Amazônia.
Apesar de escrita com muita litera- Faleceu nas margens do Trombetas,
tura é interessante para o estudo da re- mas sua esposa continuou as explo-
gião cafeeira fluminense. [4190] rações sozinha. A parte iconográfica
Coudreau, Henri. La France Équinoxiale: e os mapas levantados por Coudreau
études et voyages à travers les Guyanes et l’- apresentam interesse. [4191]
Amazonie, par Henri Coudreau, professeur Courcy, Ernest de, Visconde de Courcy.
de l’Université chargé d’une mission scienti- Six semaines aux mines d’or du Brésil: Rio
fique dans les territoires contestés de Guya- de Janeiro, Ouro Preto, Santi-Jean del Rei,
ne, membre du Comité de la Societé inter- Petropolis; avec dessins de l’auterur. Paris,
nacionale d’études brésiliennes. Paris, L. Sauvaitre, 1889. 266 p.
Challamel Aîné, 1886-1887. 2 v. O autor tocou também em
Voyage à Itabora et à l’Itacoyuna... Recife. Interessante relação de
Paris, A. Lahure, 1898. 158 p. ilus. viagem. [4192]
mapas. Coutinho, João Martins da Silva. L’em-
Voyage à la Mapuerá... Paris, A. La- bouchure de l’Amazone, par Don João
hure, 1903. 166 p. ilus. 10 mapas. Martins da Silva Coutinho. (Bull. Soc.
Geo., 5 ème série, XIV, 1867.)
Voyage au Cumina (État de Pará) 20
avril-7 sept., 1900. Paris, 1801. ilus. Exploração do rio Uyupurá, pelo Eng.
mapa. J. M. da Silva Coutinho. (Rel. do Mi-
nist. Agrc., 1865.)
Voyage au Iamunda... Paris, A. La-
Relatório apresentado ao Il.mo e Ex.mo
hure, 1899. 166 p. ilus. mapas.
Sr. Dr. Manuel Clementino Carneiro da
Voyage au rio Branco, aux Montagnes Cunha, presidente da província do Amazo-
de la Lune, au Haut Trombetta, par nas, por João Martins da Silva Coutinho,
Henri Coudreau. Rouen, Imp. de E. encarregado de examinar alguns lugares da
Cagniard, 1886. 135 p. província, especialmente (sic) o rio Madei-
Voyage au rio Curua... Paris, A. La- ra, debaixo do ponto de vista da coloniza-
hure, 1903. 144 p. ilus. mapas. ção e navegação. Manaus, 1861. 45 p.
909

mapa meteorol. (Rel. do Minist. Dabadie, F. À travers l’Amérique du Sud,


Agric., 1862.) par F. Dabadie. Paris, Ferinand Sarto-
Relatório da Comissão encarregada do rius, 1858. 386 p. 2ª ed. ibidem, 1859.
reconhecimento da região do Oeste da pro- Descreve o Rio e os arredores e
víncia de São Paulo e escolha da direção trata da escravidão. [4195]
mais conveniente para os transportes entre Dampier, William. A new voyage round the
a comarca de Botucatu e o litoral, pelo chefe world; with an introduction by Sir Albert
da mesma Comissão, o engenheiro João Gray. London, Argonaut Press, 1927.
Martins da Silva Coutinho. Rio de Ja- Mapas, retrat., facsim.
niero, 1872. iv, 73 p. O famoso marinheiro inglês este-
Relatório da exploração do rio Madei- ve na Bahia em 1699. Em ordem
ra, por J.M. da Silva Coutinho. (Rel. do cronológica é esta a 3ª relação de
Minist. Agric., 1865.) viagem, que descreve a Bahia. Prece-
Relatório da exploração do rio Purus, dem-na a de Pyrard de Laval e a de
pelo engenheiro João Martins da Silva Froger. Descreve a cidade, o comér-
Coutinho. (Rel. do Minist. Agric., cio, os navios negreiros, os frutos e
1865.) animais da terra, os escravos, a mes-
tiçagem, etc. Esteve um mês na Bahia.
Relatório sobre alguns lugares da pro- Das viagens de Dampier existem inú-
víncia do Amazonas, especialmente o rio meras edições e traduções. [4196]
Madeira; apresentado ao Il.mo Ex.mo Sr.
Darwin, Charles. Viagem de um naturalista
Dr. Manuel Clementino Carneiro da Cu-
ao redor do mundo; traducção do inglês por
nha, presidente da Província. Manaus,
J. Carvalho. Rio de Janeiro, Cia. Brasil
1864.
Editora, 1937. 474 p.
João Martins da Silva Coutinho, O famoso naturalista esteve no
engenheiro militar, acompanhou Recife, na Bahia e no Rio de Janeiro
Agassiz em sua viagem ao Amazo- quando, a bordo do Beagle, fez uma
nas. Foi encarregado pelo governo viagem de circunavegação entre
brasileiro de diversas explorações 1831 e 1836. [4197]
pelos estados. Os seus trabalhos são
Debret, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e
de muito valor. [4193] histórica ao Brasil; tradução de Sergio Mil-
Craig, Neville B. Recollections of a ill-fated liet. São Paulo, 1940.
expedition to the headwaters of the Madeira Debret veio ao Brasil com outros
river in Brazil, by Neville B. Craig, in coo- artistas franceses contratados por D.
peration with member of the Madeira and João VI para fundarem no Rio uma
Mamore association of Philadelphia. Phila- Academia de Belas-Artes. Passou
delphia and London, J. B. Lipincott quinze anos no Brasil e de volta a
co., 1907. 479 p. ilus. mapas. França publicou o Voyage pitoresque et
Interessantíssima narrativa das historique au Brésil em 3 grossos e
peripécias da tentativa de construção suntuosos volumes com 153 plan-
da Estrada de ferro Madeira-Mamo- chas. O 1º v. é consagrado principal-
ré, pelos americanos. [4194] mente aos indígenas, os 2 outros a
910

cenas da vida cotidiana, aspectos de Na volta para a Inglaterra tocou na


rua e cenas históricas que presen- Bahia e Pernambuco. Uma parte da
ciou. As cenas que reproduz são ver- obra é de observação pessoal, a ou-
dadeiras fotografias do mais alto va- tra compilada, principalmente de
lor documental hoje em dia. O texto Burton, Liais (Climats, géologie, faune, et
comentando os desenhos é também geographie botanique du Brésil. Paris,
de grande valor. É a grande obra 1872) e de Bates. No apêndice trata
iconográfica e documental para o longamente da escravidão, religião e
estudo da vida brasileira no tempo finanças, meteorologia, botânica, en-
de D. João VI e Pedro I. Esta edi- tomologia, geologia, etc. [4201]
ção integral (a única edição france- Detmer, W. Botanische Wanderungen in Bra-
sa é rara), contém uma rápida bio- silien: Reiseskizzen un Vegetationsbilder.
grafia de Debret e alguns desenhos Leipzig. Verlag von Veit & Co.,
inéditos. [4198] 1897. 188 p.
Deiss, Edouard. De Marseille au Paraguay O autor era professor de botânica
[notes de voyage] par Edouard Deiss. Paris, na Universidade de Iena. Em 1895
Librairie Léopold Cerf, 1896. 226 p. visitou a Bahia, inclusive o interior, o
O autor fez essa viagem com o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São
intuito de estudar as condições da Paulo e Espírito Santo. Não trata so-
emigração. Descreve o Rio entre as mente de botânica mas descreve os
p. 39-66. No fim do volume há uma lugares percorridos com muito pito-
bibliografia das obras sobre o Brasil, resco. [4202]
Argentina e Paraguai. [4199] Dewar, J. Cumming. Voyage of the Nyanza
Delessert, Eugène. Voyage dans les deux R.N.I.C. being the record of a three years
oceans, Atlantique et Pacifique, 1834 à cruise in a schooner yacht in the Atlantic
1847: Brésil, Etats Unis, Cap de Bonne and Pacific and her subsequent shipwreck.
Esperance... par M. Eugéne Delessert. Pa- With a map and illustrations. Edinburgh
ris, A. Franck, MDCCCXLVIII and London. William Blackwood and
(1848). 326 p. ilus. mapa. Sons, MDCCCXCII (1892). 466 P.
O autor esteve no Rio em 1839. O autor tocou em Fernando
Descreve a cidade e dá informações de Noronha (p. 9-13) e Rio de Ja-
gerais sobre o Brasil. [4200] neiro (p. 16-21) que descreve rapi-
Dent, Hasting Charles. A year in Brazil, damente [4203]
with notes on the abolition of slavery, the fi- Dilthey, Richard. Die deustschen Ansiedlun-
nances of the empire, religion, metheorology, gen in Südbrasilien, Uruguay und Argenti-
natural history. London, Kegan Paul, nien: Reisebeobachtungen aus den Jahren
Trench and Co., 1886. 444 p. mapas, 1880 und 1881. Berlin, Allgemeine
ilus. Verlag Agentur, 1882.
O autor era engenheiro civil e es- O autor percorreu S. Paulo, Pa-
teve empenhado em explorações raná, Santa Catarina e Rio Grande
para a construção de estradas de fer- do Sul estudando a colonização
ro entre o Rio de Janeiro e Minas. alemã. [4204]
911

Do Rio de Janeiro ao Amazonas e Buenos Ayres et d’une description de la co-


Alto Madeira: itinerário e trabalhos da lonie Patogonia. Paris, Chez l’Auteur --
Comissão de estudos da Estrada de ferro do Dentu et Delaunay, 1833. 398 p.
Madeira e Mamoré; impressões de viagem O autor publicara em 1832 uma
por um dos membros da mesma comissão. relação de viagem ao Congo que lhe
Rio de Janeiro, Soares & Niemeyer. valeu a medalha de ouro da Socieda-
1885. 232 p. ilus. de de Geografia. Mais tarde ficou
Além da parte referente aos tra- mais ou menos provado que nunca
balhos da Comissão, contém infor- estivera no Congo. Publicou então
mações sobre índios e a corografia esta obra para se defender. Nas p.
do Amazonas. Sobre o assunto vide 167-201 e 231-259 faz interessantes
Pinkas. [4205] observações sobre o Rio de Janeiro.
Dodt, Gustavo. Descrição dos rios Parnaíba Douville foi comerciante em Buenos
e Gurupi. Porto Alegre, Editora Na- Aires e no Rio onde esteve de fato
cional, 1939. 233 p. (Brasiliana, v. diversas vezes. Viajou pelo interior
138.) de Minas fazendo-se passar por mé-
Foi publicada pela primeira vez dico e foi assassinado nas margens
no Relatório do Ministério da Agri- do São Francisco pelos parentes de
cultura em 1872 e mais tarde (1873) um seu cliente falecido. [4208]
no Maranhão. O autor, engenheiro Dunn, Ballard S. Brazil, the home for southerners:
alemão, a serviço do governo brasi- or a pratical accout of what the author and ot-
leiro, fez trabalhos geográficos e le- hers, who visited that country, for the same ob-
vantou plantas de diversos lugares. jects. saw and did while in that empire. New
Os seus relatórios são obras de valor York, G.B. Richardson, 1866. 272 p.
documental. [4206] O autor procura demonstrar que
Dombré, L.E. Viagens do engenheiro Dom- o Brasil é um lugar ideal para os su-
bré ao interior da província de Pernambuco listas que desejassem emigrar depois
em 1874 e 1875. Recife, 1893. 86 p. da guerra de Secessão. É sabido que
O engenheiro francês Dombré muitos sulistas, depois da guerra,
fora comissionado pelo governo emigraram para o Brasil e vieram es-
provincial para verificar quais as tabelecer-se principalmente em Igua-
obras públicas mais necessárias a se- pe e Vila Americana, em São Paulo,
rem feitas na Província. O volume e em Santarém no Pará. [4209]
está escrito em francês e é composto Durand, Abbé. Considerations générales sur
das cartas e relatórios apresentados l’Amazone, par l’Abbé Durand. (Bull. Soc.
pelo autor. [4207] Geo., 6 ème. série, II, 1871; IV, 1872.)
Douville, Jean-Baptiste. 30 mois de ma vie, Excursion à la serra de Caraça... par
quinze mois avant et quinze mois aprés M. l’Abbé Durand. (Bull. Soc. Geo., 5
mon voyage au Congo; ou, Ma justification ème. série, XVII, 1869.)
des infamies debitées contre moi; suivie de La Madeira et son bassin, par l’Abbé
détails nouveaux et curieux sur les moeurs Durand. (Bull. Soc. Geo., 6 ème, sé-
et les usages des habitans du Brésil et de rie, X, 1875.)
912

Le pays du café: voyage de l’Abbé Du- O livro do conhecido naturalista


rand au Brésil; avec préface par Frederico americano despertou grande interes-
-- J. de Santa-Anna Nery. Paris, 1882. se quando apareceu. Wallace e Bates,
132 p. influenciados pela sua leitura resol-
Le rio Doce, par l’Abbé Durand. veram conhecer o Amazonas. Ed-
(Bull. Soc. Geo., 6 ème. série, VI, wards subiu o Amazonas até Ma-
1873.) naus e depois o rio Negro até sua
confluência com o rio Branco. Vol-
Le rio Negro du nord et son bassin:
tou a Belém, percorreu as ilhas da
extrait du Bulletin de la Société de Geo-
foz do Amazonas, inclusive Marajó.
graphie. Paris, Librairie de Ch. Delagrave
Era excelente observador e escritor
et Cie., 1873.
agradável. É livro clássico sobre o
Le Solimoens ou Haut Amazône bré- Amazonas, teve diversas edições
silien, par l’Abbé Durand. (Bull. Soc. posteriores. [4213]
Geo., 6 Ème. série, V, 1873.)
Ellis, H. Journal of the proceedings of the late
O autor foi missionário no Brasil Embassay to China, comprising a correct
e publicou estudos geográficos sobre narrative of the public transactions of the
os lugares que percorreu. [4210] Embassy to China, of the voyage to and
Ebel, Ernst. Rio de Janeiro und seine Umge- from China, and of the journey from the
bungen im Jahr 1824. In Briefen eines mouth of the Pei-Ho