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UNIVERSIDADE ANHANGUERA – UNIDERP

CURSO DE DIREITO
Disciplina: PSICOLOGIA APLICADA AO DIREITO
Prof.: Psic. JOSÉ CHADID.

ASSÉDIO MORAL, ASSÉDIO SEXUAL E


BULLYING

A violência psicológica é aquela por meio da qual a capacidade da


vítima de se opor a qualquer violência reduz-se gradativamente. Ao mesmo
tempo em que ela se torna predisposta a outros tipos de violência. Uma das
formas de violência psicológica é o assédio moral, tanto na família,
quanto no trabalho.
O termo “assédio moral” (no ambiente de trabalho) surgiu em
setembro de 1998, quando a psicanalista e vitimologista francesa Marie
France Hirigoyen lançou, na França, um livro publicado, em 2000, no Brasil,
sob o título “Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano”.
O assédio moral na família, é uma modalidade de sofrimento
psicológico por meio da qual um dos cônjuges provoca profundo dano ao
outro, a ponto de lhe desencadear doenças físicas e psíquicas graves e
prejudicar-lhe o desempenho no trabalho, no lazer e no cumprimento de
suas atribuições no lar. As ações de assédio moral entre cônjuges podem
se tornar uma estratégia para a provocação da separação.
O assédio moral é todo comportamento abusivo (gesto, palavra e
atitude) que ameaça por sua repetição, a integridade física ou psíquica de
uma pessoa, degradando o ambiente familiar ou do trabalho. Por vezes,
são pequenas agressões, geralmente pouco graves, se tomadas
isoladamente, mas que, por serem sistemáticas, tornam-se destrutivas.
O conceito de assédio moral, figura recente, porém muito importante
no Direito do Trabalho, se situa além da simples ocorrência de
perseguição ou pretensões constantes, e é tido como: “Toda e qualquer
conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos, palavras,
atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade
ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu
emprego ou degradar o ambiente de trabalho”.
O assédio moral é revelado por atos e comportamentos agressivos
que visam, sobretudo a desqualificação e desmoralização profissional e a
desestabilização emocional e moral do(s) assediado(s), tornando o
ambiente de trabalho desagradável, insuportável e hostil, ensejando em
muitos casos o pedido de demissão do empregado, que se sente
aprisionado a uma situação desesperadora, e que muitas vezes lhe
desencadeia problemas de saúde de ordem orgânica e psíquica.
São mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e
assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas
e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais
subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de
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trabalho e a organização. Trata-se de um fenômeno íntimo que causa
vergonha e constrangimento a suas vítimas.
Por ser algo privado, a vítima precisa efetuar esforços dobrados para
conseguir provar na justiça o que sofreu, mas é possível conseguir provas
técnicas obtidas de documentos (atas de reunião, fichas de
acompanhamento de desempenho, etc), além de testemunhas idôneas para
falar sobre o assédio moral cometido.
O assédio moral se caracteriza pelo abuso de poder de forma
repetida e sistematizada. Nesse sentido, com a difusão dos perfis do
fenômeno, alguns doutrinadores enfatizam o dano psíquico acarretado à
vítima em virtude da violência psicológica.
Tanto a jurisprudência, quanto a doutrina convergem no sentido dos
elementos caracterizadores do Assédio Moral no Ambiente de Trabalho,
sendo eles:
1 - Intensidade da violência psicológica: É necessário que ela seja
grave na concepção objetiva de uma pessoa normal. Não deve ser avaliada
sob a percepção subjetiva e particular do afetado que poderá viver com
muita ansiedade situações que objetivamente não possuem a gravidade
capaz de justificar esse estado de alma. Nessas circunstâncias, a doença
estaria intimamente ligada a própria personalidade da vítima e não a
hostilidade no local de trabalho.
2 - Prolongamento no tempo: Não pode ser um evento esporádico,
pois não daria suporte fático à violência psicológica no ambiente de
trabalho. Bem como os atos devem ser praticados por tempo
suficientemente longo, como uma verdadeira perseguição, causando assim
impacto real na qualidade de vida do indivíduo.
3 - Intenção de ocasionar dano psíquico ou moral ao empregado
de forma a marginalizá-lo no seu ambiente de trabalho: Isso acontece,
muitas vezes, em público ou diante de outros funcionários (colegas de
trabalho) por meio do uso de expressões desmoralizantes, intimidatórias,
minando assim a auto-estima e a confiança do indivíduo, o qual se retrairá,
ou se tornará agressivo, ambos, resultados da hostilidade no trabalho e da
sua violência psicológica.
4 - Conversão em patologia, em enfermidade que pressupõe
diagnóstico clínico dos danos psíquicos: Ou seja, sofrendo assédio
moral, ao longo do tempo, o empregado acabará por desenvolver alguma
doença intrinsecamente ligada ao comportamento de seu assediador.
A agressão causada pelo assediador à vítima fere o direito à
personalidade, como já visto, causa, portanto, dano psíquico-emocional,
dano este de natureza subjetiva. Este dano altera o comportamento, agrava
doenças pré-existentes ou desencadeia novas doenças,induzindo a pessoa
assediada a praticar atos que ela normalmente não praticaria, ou seja, a

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pessoa assediada faz uma escolha que vai contra a sua própria índole (o
suicídio ou raiva descabida, a apatia em demasia são exemplos).
Assim, a conduta tomada pelo assediador causa na vítima distúrbio
em seu íntimo, ferindo sua dignidade, sua auto-estima, fazendo-o sentir-se
rebaixado perante os demais. Vê-se, portanto, que qualquer atitude tomada
por um indivíduo pode ofender o direito à personalidade, mesmo que sem
intencionalidade.
Porém, para que se caracterize o assédio moral é necessária a
constatação desse dano, que poderá ser provada através do
reconhecimento da instalação da doença por autoridade médica, através de
laudo médico. O assédio moral, um risco não visível, é um crime cometido
contra pessoas com o fim de manipulação ideológica e comportamental.

ASSÉDIO SEXUAL:
Assédio sexual é conceituado como sendo pedido de favores sexuais
pelo superior hierárquico, com promessa de tratamento diferenciado em
caso de aceitação e/ou ameaças, ou atitudes concretas de represálias no
caso de recusa, como a perda de emprego, ou de benefícios.
Assédio sexual é um tipo de coerção de caráter sexual praticada
geralmente por uma pessoa em posição hierárquica superior em relação a
um subordinado, pois nem sempre o assédio é empregador - empregado, o
contrário também pode acontecer, normalmente em local de trabalho ou
ambiente acadêmico.
O assédio sexual caracteriza-se por alguma ameaça, insinuação de
ameaça ou hostilidade contra o subordinado, com fundamento em sexismo.
O assédio sexual ofende a honra, a imagem, a dignidade e a intimidade da
pessoa.
No assédio sexual destacam-se os seguintes requisitos:
a) presença do assediado (vítima) e do assediador (agente);
b) conduta sexual.
c) rejeição à conduta;
d) reiteração da conduta;
e) relação de emprego ou de hierarquia.
Em relação ao requisito da repetição da conduta, pode ser
excepcionalmente desnecessário para a configuração do assédio sexual,
nos casos em que o ato, ainda que praticado uma única vez, seja bastante
grave.
Exemplos clássicos são as condições impostas para uma promoção
que envolvam favores sexuais, ou a ameaça de demissão caso o
empregado recuse o flerte do superior.
Geralmente a vitima do assédio sexual é a mulher, embora nada
garanta que ele também não possa ser praticado contra homens,
homossexuais ou não.

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Do mesmo modo o agressor pode ser homem (mais comum) ou
mulher. No âmbito laboral, não é necessário que haja uma diferença
hierárquica entre assediado e assediante, embora normalmente haja.
A Organização Internacional do Trabalho define assédio sexual como
“atos, insinuações, contatos físicos forçados, convites impertinentes, desde
que apresentem uma das características a seguir: a) ser uma condição clara
para manter o emprego; b) influir nas promoções da carreira do assediado;
c) prejudicar o rendimento profissional, humilhar, insultar ou intimidar a
vítima.
No Brasil o assédio está assim definido na lei número 10224, de 15
de maio de 2001: "Constranger alguém com intuito de obter vantagem ou
favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de
superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego,
cargo ou função.“ Pena: detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.

BULLYING:
O Bullying é um termo em inglês, utilizado para descrever atos de
violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um
indivíduo (bully = valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de
intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de
se defender, sem qualquer motivação aparente.
É possível enquadrar como Bullying desde agressões (verbais e
físicas), assédios, ações desrespeitosas, realizadas de maneira recorrente e
intencional por parte dos agressores, seja por uma questão circunstancial ou
por uma desigualdade subjetiva de poder.
Já é apontado pelos especialistas em violência como uma das formas
de abuso que mais cresce no mundo, uma vez que pode acontecer em
qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, entre
vizinhos e em locais de trabalho. No Brasil, convencionou-se empregá-lo
somente quando ocorre na relação entre estudantes, seja no ambiente
escolar ou virtual.
Os especialistas apontam algumas características padrão no perfil dos
agentes participantes dos casos de Bullying:
- Os autores, frequentemente, são indivíduos que pertencem a
famílias desestruturadas, com pouco relacionamento afetivo e cujos pais
exercem uma supervisão pobre sobre eles, oferecendo o comportamento
agressivo ou explosivo como modelo na solução de conflitos – o que, em

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tese, aumenta a probabilidade desses jovens de se tornarem adultos com
comportamentos antissociais e/ou violentos.
- Os alvos, por sua vez, não dispõem de recursos, status ou
habilidades para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra si.
Geralmente tem poucos amigos, são passivos, quietos e não se opõem,
efetivamente, aos atos de agressividade sofridos.
- Já as testemunhas, representadas pela grande maioria dos alunos,
convivem com a violência e se calam em razão do temor de se tornarem as
“próximas vítimas”.
Identificar os alunos que são vítimas, agressores ou testemunhas é de
extrema importância para que a escola e as famílias dos envolvidos possam
elaborar estratégias e traçar ações efetivas contra o fenômeno.
De acordo com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva, autora do
livro “Mente perigosa nas escolas: Bullying”, ao contrário do que se pode
imaginar, o impacto dessa prática é negativa não apenas para quem é
vítima. Agressores e testemunhas também sofrem. Cada personagem da
trama apresenta um comportamento típico, tanto na escola como em seus
lares, sendo as principais mudanças de atitude:
- No ambiente escolar, as vítimas ficam isoladas do grupo ou próximo
de adultos que podem protege-la. Na sala de aula, a sua postura é retraída
e geralmente têm dificuldades de se expor e fazer perguntas, por exemplo.
Apresentam faltas frequentes, mostram-se comumentes tristes, deprimidas
ou aflitas. Nos jogos ou atividades em grupos, sempre são as últimas a
serem escolhidas e, aos poucos, vão se desinteressando das tarefas
escolares.
Em casa, queixam-se de dores de cabeça, enjoo, dor de estômago,
tonturas, vômitos, perda de apetite, insônia. Além disso, o estresse
vivenciado pelas vítimas do Bullying ocasiona baixa imunidade fisiológica,
debilitando o organismo como um todo. As vitimas também apresentam
mudanças intensas de estado de humor, podendo apresentar explosões
repentinas de irritação ou raiva.
- Os agressores estão sempre se envolvendo, de forma direta ou
velada, em desentendimentos e discussões entre alunos, ou entre alunos e
professores. Apresentam, habitualmente, atitudes hostis, desafiadoras e
agressivas, inclusive no ambiente doméstico.
- As testemunhas, por sua vez costumam não apresentar sinais
explícitos que denunciem a situação que estão vivendo. Tendem a se
manter calados sobre o que sabem ou presenciam.

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Segundo a psicoterapeuta Fabiana Carvalhal, a baixo auto-estima é
apenas um dos danos psicológicos que acomete que sofreu ou presenciou
Bullying. Outros transtornos decorrentes dele são: fobia social, transtorno de
ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de pânico,
sentimentos negativos, problemas de relacionamento e até mesmo
agressividade, ansiedade, dificuldade de relacionamento interpessoal,
dificuldade de concentração, mudança de humor súbito, choro, insônias,
medo do escuro, ataques de pânico sem motivo, sensação de aperto no
coração, automutilação, estresse e tentativa de suicídio.
As vítimas também podem sofrer efeitos sérios que levam a alteração
da percepção do mundo, como alucinações, delírios ou pensamentos
bizarros.
O tratamento, em geral, é feito com psicoterapia, mas em casos mais
graves, há a necessidade de encaminhamento e análise de um médico
psiquiatra para prescrição de medicamentos.