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Parecer de Segunda Opinião


Debênture Verde da Neoenergia

SITAWI Finanças do Bem


Rua Voluntários da Pátria, 301/301 – Botafogo
22270-003 – Rio de Janeiro/RJ
contact@sitawi.net | +55 (21) 2247-1136

16 Maio 2019
Sobre a SITAWI
A SITAWI é uma organização brasileira que mobiliza capital para impacto
socioambiental positivo. Desenvolvemos soluções financeiras para impacto social e
assessoramos o setor financeiro a incorporar questões socioambientais na estratégia,
gestão de riscos e avaliação de investimentos. Somos uma das 10 melhores casas de
pesquisa socioambiental para investidores de acordo com o Extel Independent
Research in Responsible Investment – IRRI 2016 e a primeira organização brasileira a
avaliar títulos verdes.

Sumário
Sobre a SITAWI ................................................................................................. 1
I. Escopo ......................................................................................................... 2
II. Opinião......................................................................................................... 3
III. Análise da Emissão ..................................................................................... 5
IV. Performance Socioambiental dos Projetos ................................................ 15
a. Projetos de Geração de Energia Eólica ..................................................... 15
b. Projetos de Transmissão de Energia Elétrica ............................................ 18
c. Projeto UHE Baixo Iguaçu ......................................................................... 22
V. Performance ASG da Neoenergia ............................................................. 27
Método ............................................................................................................. 31
Formulário Green Bond Principles ................................................................... 34

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 1


I. Escopo
O objetivo deste Parecer é prover uma segunda opinião sobre o enquadramento como
Título Verde (‘Green Bond’) da emissão da debênture de infraestrutura a ser realizada
pelo Grupo Neoenergia através de sua holding, NEOENERGIA S.A. Os recursos obtidos
com a emissão serão utilizados para pagamentos futuros e/ou reembolso dos custos
relacionados à implementação de quinze parques eólicos, uma usina hidrelétrica e dez
linhas de transmissão.

A SITAWI utilizou seu método proprietário de avaliação, que está alinhado com os Green
Bond Principles (GBP)1, os Padrões de Desempenho da International Finance
Corporation (IFC)2 e outros padrões de sustentabilidade reconhecidos
internacionalmente.

A opinião da SITAWI é baseada em:


 Análise da emissão de acordo com a escritura do título;
 Performance socioambiental dos projetos de acordo com o processo de
licenciamento e procedimentos de gestão;
 Performance ASG3 da holding Neoenergia e suas subsidiárias nos setores de
geração e transmissão de acordo com políticas e práticas empresariais.

A análise utilizou informações e documentos fornecidos pela Neoenergia, alguns de


caráter confidencial, pesquisa de mesa e entrevistas com equipes responsáveis pela
emissão da debênture, pelos projetos e pela gestão empresarial. Esse processo foi
realizado entre 15 de abril e 15 de maio de 2019.

A SITAWI teve acesso a todos os documentos e pessoas solicitadas, podendo assim


prover uma opinião com nível razoável de asseguração em relação a completude,
precisão e confiabilidade.

A emissora pretende obter a classificação de Título Verde, em linha com o Guia para
Emissão de Títulos Verdes no Brasil 2016 (Febraban e CEBDS) e Green Bond
Principles, versão 2.1. Essa classificação será confirmada um ano após a emissão, com
base em um parecer de pós-emissão a ser realizado pela SITAWI.

1 http://www.icmagroup.org/assets/documents/Regulatory/Green-Bonds/GBP-2016-Final-16-June-2016.pdf
2 https://www.ifc.org/wps/wcm/connect/Topics_Ext_Content/IFC_External_Corporate_Site/Sustainability-At-IFC/Policies-
Standards/Performance-Standards
3
Ambiental, Social e Governança. Do inglês ESG – Environmental, Social and Governance

2 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


II. Opinião
A SITAWI confirma que a emissão da Neoenergia está alinhada aos Green Bonds
Principles e, portanto, se caracteriza como Título Verde, com contribuições positivas
para o desenvolvimento sustentável.

Essa conclusão é baseada nas três análises a seguir:

 Emissão (seção III)


a. Os recursos serão utilizados para pagamentos futuros e/ou reembolsos
de custos de projetos relacionados à geração de energia eólica,
hidrelétrica e à transmissão de energia elétrica com potencial de ampliar
a disponibilidade de energia renovável no Sistema Interligado Nacional
(SIN), categorias alinhadas aos GBP e a Climate Bonds Taxonomy4;
b. Os projetos que utilizarão os recursos do Título Verde já estão definidos
na escritura da emissão. Esses projetos estão alinhados com a estratégia
da Neoenergia e oferecem benefícios ambientais tangíveis;
c. Os procedimentos para gestão dos recursos captados através da
debênture foram claramente definidos pela emissora, através de um
processo documentado e transparente;
d. A emissora está comprometida em reportar anualmente a alocação de
recursos e os benefícios ambientais dos projetos.
 Projetos (seção IV)
a. Os projetos têm performance confortável ou satisfatória em todas as
dimensões analisadas: ambiental, comunidades, trabalhadores e sistema
de gestão socioambiental;
b. Não foi identificada nenhuma controvérsia negativa envolvendo os
projetos;
c. A gestão socioambiental da Neoenergia define de maneira clara as
formas de medir, prevenir, mitigar e compensar os eventuais efeitos
negativos dos projetos que receberão aportes da debênture.
 Emissora (seção V)
a. A Neoenergia possui uma performance ASG confortável, com
desempenho confortável nas dimensões ambiental, social e governança;
b. A empresa enfrenta controvérsias de nível de severidade
predominantemente médio, para as quais a Neoenergia possui
capacidade de resposta adequada;
c. Dessa maneira, consideramos a empresa apta a gerir e mitigar riscos
ASG de seu portfólio.

Equipe técnica responsável

________________________ _________________________
Gustavo Pimentel Beatriz Ferrari
Sócio-Diretor Analista Sênior
gpimentel@sitawi.net bferrari@sitawi.net

Rio de Janeiro, 16/05/2019

4
http://www.climatebonds.net/standards/taxonomy

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO - DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 3


Declaração de Responsabilidade

A SITAWI não é acionista, investida ou cliente da Neoenergia ou de suas subsidiárias.


A SITAWI declara, desta forma, estar apta a emitir um Parecer de Segunda Opinião
alinhado aos Green Bond Principles.

As análises contidas nesse parecer são baseadas em uma série de documentos, parte
destes confidenciais, fornecidos pela Emissora. Não podemos atestar pela completude,
exatidão ou até mesmo veracidade destes. Portanto, a SITAWI5 não se responsabiliza
pelo uso das informações contidas nesse parecer.

Nesse sentido, também frisamos que todas as avaliações e opiniões indicadas nesse
relatório não constituem uma recomendação de investimento ou compra dos títulos,
assim como também não servem para atestar a rentabilidade ou liquidez dos papéis.

5
A responsável final por esse relatório é a KOAN Finanças Sustentáveis Ltda., que opera sob o nome fantasia de SITAWI Finanças
do Bem

4 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


III. Análise da Emissão
A SITAWI utilizou seu método proprietário de avaliação, que está alinhado aos Green
Bond Principles (GBP). Os princípios auxiliam o mercado a compreender os pontos
chave de um produto financeiro e como ele se caracteriza como Verde. Mais detalhes
sobre os princípios podem ser encontrados na seção “Método”.

A aderência aos GBP, embora seja um processo voluntário, sinaliza aos investidores,
subscritores e outros agentes de mercado que a emissora do título segue padrões
adequados de desempenho em sustentabilidade e transparência.

Nas subseções a seguir, avaliaremos o alinhamento da debênture verde da Neoenergia


com os quatro componentes dos GBP.

Uso dos Recursos

Os recursos da emissão da Debênture Verde serão destinados para pagamentos futuros


e reembolso dos custos relacionados à implementação de projetos de geração de
energia eólica e transmissão de energia elétrica por intermédio de Sociedades de
Propósito Específico (SPEs), controladas pela Neoenergia, e um projeto de geração
hidrelétrica por intermédio de Consórcio, controlado em 70% pela Neoenergia. Os
projetos de geração hidrelétrica e eólica receberão, respectivamente, cerca de 32% e
16% dos recursos a serem captados através da Debênture Verde. Os projetos de
geração selecionados estão listados na Tabela 1. Os cerca de 52% dos recursos
restante serão destinados aos projetos de transmissão, listados na Tabela 2 (esses
percentuais de destinação nos projetos não consideram a possível emissão de lote
adicional).

Os GBP reconhecem explicitamente a energia renovável proveniente de fonte eólica e


hidrelétrica como categoria de projeto elegível para caracterização como Título Verde.
Adicionalmente, a Climate Bonds Taxonomy provê definições gerais para emissoras
sobre quais tipos de projetos estariam aptos a receber a titulação verde. A categoria de
projeto relacionado a energia eólica está incluída nas definições da Climate Bonds
Taxonomy, englobando as seguintes atividades:
• Desenvolvimento e construção de complexos eólicos; e
• Infraestrutura de transmissão de interesse restrito associada a complexos
eólicos.
A geração hidrelétrica é reconhecida como elegível pela Climate Bonds Taxonomy se
atender a determinados critérios, porém esses ainda estão em desenvolvimento. Em
sua versão preliminar, define como elegíveis condicionais:
• Desenvolvimento e construção de usinas de geração hidrelétricas a fio d’água
ou com reservatórios e armazenamento de energia por bombeamento;
• Infraestrutura de cadeia de suprimentos dedicada à geração hidrelétrica;
• Infraestrutura de transmissão de interesse restrito associada às usinas
hidrelétricas.
Os critérios preliminares para a certificação de emissões associadas a projetos
hidrelétricos, segundo a Climate Bonds Taxonomy, determinam que a usina hidrelétrica
precisaria ter uma densidade de geração maior que 5W/m² de área de reservatório
alagada, ou uma intensidade de emissão de gases de efeito estufa menor que
100gCO2e/kWh. A UHE Baixo Iguaçu tem uma capacidade instalada de 350 MW e uma
área de reservatório de 31 km². Dessa forma, possui uma densidade de geração de
aproximadamente 11,3 W/m².

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO - DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 5


Tabela 1 – Projetos selecionados de geração de energia renovável

Fonte Capacidade
Projeto de geração Estado Status do projeto
geradora instalada (kW)
UHE Baixo Iguaçu Hidrelétrica 350.200 Paraná Em operação
Projeto executivo e
Canoas 2 Energia
Eólica 33.600 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Canoas 3 Energia
Eólica 34.650 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Canoas 4 Energia
Eólica 33.600 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 1 Energia
Eólica 31.500 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 2 Energia
Eólica 33.600 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 3 Energia
Eólica 31.500 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 4 Energia
Eólica 34.650 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 5 Energia
Eólica 34.650 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 6 Energia
Eólica 29.400 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Chafariz 7 Energia
Eólica 33.600 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Lagoa 3 Energia
Eólica 33.600 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Lagoa 4 Energia
Eólica 21.000 Paraíba contratação de
Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Ventos de Arapuá 1
Eólica 24.255 Paraíba contratação de
Energia Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Ventos de Arapuá 2
Eólica 34.650 Paraíba contratação de
Energia Renovável S.A.
fornecedores
Projeto executivo e
Ventos de Arapuá 3
Eólica 13.860 Paraíba contratação de
Energia Renovável S.A.
fornecedores

Além disso, os projetos de transmissão (listados na Tabela 2) estão alinhados com a


categoria de transmissão e distribuição da Climate Bonds Taxonomy, elegível à emissão
de títulos verdes. Linhas de transmissão no Brasil contribuem para o escoamento e
transmissão de energia renovável no Sistema Interligado Nacional (SIN), de modo que
se enquadra na elegibilidade determinada pelo GBP. Por outro lado, pela característica
do SIN, não é possível garantir que o sistema transmitirá apenas energia renovável. Em
2017, cerca de 16% da energia elétrica transmitida no SIN foi originada de fontes
térmicas (carvão, gás natural e derivados de petróleo).

6 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


Para respaldar a tese de que os sistemas de transmissão darão suporte ao escoamento
de energia renovável, alguns argumentos são listados a seguir:

 Fontes de energia renovável não convencionais, tais como fotovoltaica e eólica,


são, por sua natureza física, intermitentes. Por esta razão, possuem alta
interdependência entre si e com fontes convencionais. Neste sentido, a
expansão da matriz elétrica renovável do Brasil depende da melhoria na
infraestrutura de transmissão de energia, para permitir o escoamento de energia
renovável não convencional e garantir segurança energética com o crescimento
dessas fontes. Esse aspecto é ratificado pelo estudo “Transição da indústria de
energia, aqui e agora” (Power-Industry Transition, Here and Now) do Instituto de
Análise Econômica e Financeira de Energia (Institute for Energy Economics and
Financial Analysis - IEEFA). Esse estudo mostra que alguns países que
possuem em sua matriz energética um volume significativo de energia eólica e
solar, não sofrem com interrupções por terem um sistema de transmissão
robusto. Nesse sentido, o estudo destaca que, para integrar energias renováveis
a rede, é fundamental o investimento em transmissão para reduzir perdas e
congestionamentos6;
 O International Development Finance Club - IDFC, associação formada pelos
principais bancos de desenvolvimento do mundo, reconhecem linhas de
transmissão para energia renovável como investimentos elegíveis dentro de
seus Common Principles for Climate Mitigation Finance Tracking7;
 No Brasil, o aumento da produção de energia renovável, principalmente eólica,
vem acompanhado de carência nas linhas de transmissão e distribuição.
Notícias recentes destacam que algumas usinas eólicas se mantiveram paradas
devido à falta de sistemas de transmissão para absorver essa geração
adicionada8. Apesar das linhas que utilizarão os recursos da Debênture não
serem diretamente ligadas a essas usinas, elas apoiam o escoamento desse tipo
de energia, conforme destacado na escritura;
 De acordo com o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2018, entre 2013 e
2017, o volume de energia elétrica gerada por usinas eólicas e a biomassa
cresceu 198%, alcançando uma representação na matriz elétrica nacional de
7,2% e 8,4%, respectivamente9. Existe a expectativa de que o volume de energia
renovável siga crescendo. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de
Energia 2026, é esperado que, em 2026, a geração de eletricidade de usinas
eólica, solar, a biomassa e de Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCH),
represente 30% da matriz elétrica brasileira. A capacidade de 23.529 MW a ser
instalada por meio dessas fontes, representa 86% do total da capacidade de
geração centralizada que será adicionada ao sistema até 202610.
 As linhas de transmissão da Neoenergia integrarão o Sistema Interligado
Nacional (SIN), um dos maiores sistemas de geração e transmissão de energia
do mundo e composto majoritariamente de fontes de emissão neutra de carbono
(hidrelétricas). Em 2017, o SIN teve um fator de emissão de 96,92
kgCO2eq/MWh contra 383,68 kgCO2eq/MWh dos sistemas isolados no Brasil,
este último composto majoritariamente por fontes térmicas. O melhor
aproveitamento do potencial de energia limpa do SIN depende da eficiência e
qualidade da infraestrutura de transmissão11;

6
http://ieefa.org/wp-content/uploads/2018/02/Power-Industry-Transition-Here-and-Now_February-2018.pdf
7
https://www.ifc.org/wps/wcm/connect/65d37952-434e-40c1-a9df-c7bdd8ffcd39/MDB-IDFC+Common-principles-for-climate-mitigation-
finance-tracking.pdf?MOD=AJPERES
8
https://globoplay.globo.com/v/6519656/; http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/01/por-falta-de-linhas-de-transmissao-13-
usinas-eolicas-estao-paradas-no-ne.html; https://oportaln10.com.br/serido-potiguar-se-prepara-para-expandir-energia-renovavel-77643/
9
Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2018, Tabela 2.3 http://epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-
abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-160/topico-168/Anuario2018vf.pdf
10
Plano Decenal de Expansão de Energia 2026, CAPÍTULO III, gráfico 30. http://epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-
abertos/publicacoes/Plano-Decenal-de-Expansao-de-Energia-2026
11
Anuário Estatístico de Energia Elétrica, Tabela 2.2 http://epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/anuario-estatistico-de-
energia-eletrica

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 7


 Fontes renováveis não convencionais tendem a ser menos utility-scale e mais
distribuídas. Neste sentido, a expansão do sistema de transmissão é importante
para permitir a integração de fontes mais distribuídas e intermitentes no sistema.

Tabela 2 – Projetos selecionados de transmissão de energia

Projetos de Status do
Descrição Estado
transmissão projeto
 LT Miracema-Gilbués II, em 500kV, extensão de
418 km;
 LT Gilbués II-Barreiras II, em 500kV, extensão Tocantins, Piauí Aguardando
EKTT 1
de 311km; e Bahia licenciamento
 Ampliação das Subestações Miracema, Gilbués
II e Barreiras II
 LT Milagres II - Santa Luzia II - Campina Grande
Aguardando
EKTT 2 III, em 500kV, extensão de 344 km; Ceará e Paraíba
licenciamento
 Implementação da SE 500kV Santa Luzia II
 LT Terminal Rio - Lagos, em 500 kV, com
extensão de 227 km;
Aguardando
EKTT 3  LT Lagos – Campos 2, em 500 kV, com extensão Rio de Janeiro
licenciamento
de 101 km;
 Novo pátio de 500 kV na SE Lagos
Rio de Janeiro,
 LT Campos 2 – Mutum, em 500 kV, com extensão Aguardando
EKTT 4 Espírito Santo e
de 239 km licenciamento
Minas Gerais
 LT Povo Novo - Guaíba 3 C3, em 525kV,
extensão de 234 km;
 LT Livramento 3 - Santa Maria 3 C2, em 230 kV,
extensão de 224 km;
 LT Capivari do Sul - Siderópolis 2, em 525 kV, Santa Catarina e
Aguardando
EKTT 5 extensão de 225 km; Rio Grande do
licenciamento
 LT Siderópolis 2 – Forquilhinha C2, em 230 kV, Sul
extensão de 27 km;
 Implementação das SE Livramento 3 -
Compensador Síncrono e SE Marmeleiro 2 -
Compensador Síncrono
 LT Areia - Joinville Sul, em 525 kV, extensão de
292 km;
 LT Joinville Sul - Itajaí 2, em 525 kV, extensão de
82 km;
 LT Itajaí 2 – Biguaçu, de 525 kV, extensão de 63
km;
 LT Rio do Sul - Indaial, de 230 kV, com dois
trechos de 51 km de extensão,
 LT Indaial - Gaspar 2, de 230 kV, com dois
trechos de 57 km de extensão;
 LT Itajaí - Itajaí 2, de 230 kV, com dois trechos de
10 km de extensão; Paraná e Santa Aguardando
EKTT 11
 LT Rio do Sul – Indaial, de 230 kV, extensão de Catarina licenciamento
50,8 km;
 LT Indaial - Gaspar 2, de 230 kV, extensão de
52,8 km;
 Implementação das SE 525/230/138 kV Joinville
Sul; SE 230/138 KV Jaraguá do Sul; SE
525/230/138 kV Itajaí 2; SE 525/230/138 kV
Gaspar 2 - novo pátio 525 kV; SE 230/138 kV
Indaial.
 Implementação das SECC LT 525 kV Curitiba -
Blumenau para SE Joinville Sul CD (34,6 km);
SECC LT 525 kV Curitiba Leste - Blumenau para

8 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


SE Joinville Sul - CD (33,3 km); SECC LT 230 kV
Blumenau - Joinville Norte para SE Joinville Sul -
CD (5,2 km); SECC LT 230 kV Blumenau -
Joinville para SE Joinville Sul - CD (5,2 km);
SECC LT 230 kV Joinville - Joinville Norte para
SE Joinville Sul - CD (12,5 km); SECC LT 230 kV
Blumenau - Joinville Norte para SE Jaraguá do
Sul - CD (36,9 km); SECC LT 230 kV Blumenau -
Joinville para SE Jaraguá do Sul - CD (36,9 km);
SECC Camboriú Morro do Boi - Itajaí para SE
Itajaí 2 - CD (4,3 km); SECC Itajaí-Fazenda para
SE Itajaí 2 - CD (3,3 km); SECC LT 525 kV
Curitiba - Blumenau para SE Gaspar 2 (18,1 km);
SECC LT 525 kV Blumenau - Biguaçu para SE
Gaspar 2 (7,4 km).
 LT SE Nova Porto Primavera - SE Rio Brilhante
II, em 230 kV, extensão de 137 km;
 LT SE Nova Porto Primavera - SE Ivinhema II, em
230 kV, extensão de 64 km;
 LT Rio Brilhante - Campo Grande 2, em 230 kV,
extensão de 149 km; Em
 LT Campo Grande 2 - Imbirussu, em 230 kV, construção
extensão de 57,3 km; Mato Grosso do (alguns
EKTT 12
 LT Rio Brilhante - Dourados 2, em 230 kV, Sul e São Paulo trechos ainda
extensão de 122 km; aguardam
 LT Dourados 2 - Dourados, em 230 kV, extensão licenciamento)
de 48,21 km;
 Trechos da LT Dourados - Ivinhema 2/Dourados
2, em 230 kV, extensão de 500,6 km;
 Implementação da Subestação 230/138 kV
Dourados 2
 Ampliação da Subestação Fernão Dias 500 kV
Em
EKTT 13  Instalação do Compensador Estático de São Paulo
construção
Reativos (CER)
 Ampliação Subestação Biguaçu 525 kV Em
EKTT 14 Santa Catarina
 Compensador Estático de Reativos (CER) construção
 Ampliação da subestação Sobral III 500 kV Em
EKTT 15 Ceará
 Instalação de Compensador Estático construção

Portanto, a emissão da Neoenergia está alinhada às categorias dos GBP e às atividades


elegíveis a Título Verde de acordo com a Climate Bonds Taxonomy.

Processo de avaliação e seleção do projeto

O processo de seleção do projeto para a emissão da Debênture Verde, incluindo a


identificação de uma categoria elegível, definição de benefícios ambientais e os demais
critérios de performance, ficaram a cargo da emissora, através de processo interno. A
Superintendência Financeira fez a avaliação de viabilidade dos projetos, elencando
projetos de geração e transmissão de energia elétrica do grupo Neoenergia
considerados como prioritários pelo Ministério de Minas e Energia e com necessidade
de financiamento. Os projetos foram aprovados dentro do âmbito da deliberação que
aprovou a debênture no Conselho de Administração.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 9


A Neoenergia, além de incorporar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
como parte da estratégia de negócio do grupo, inclui sustentabilidade como um dos
pilares que sustentam o seu propósito: “Continuar construindo, a cada dia, de forma
colaborativa, um modelo de energia elétrica mais saudável e acessível”. O plano de
investimento para 2018 a 2022 reconhece uma evolução no cenário energético global,
motivado principalmente pela aceleração da descarbonização e eletrificação da
economia, pela maior conectividade do consumidor e pelos avanços tecnológicos. Em
maio de 2019, fontes renováveis representam 85,5% da capacidade de geração
instalada no Grupo Neoenergia (incluindo projetos em implementação). Em 2018, as
fontes hídricas representaram 69,7% do total da capacidade instalada da empresa, com
o restante dividido entre energia termelétrica (15,4%) e eólica (14,9%). A energia
efetivamente gerada em 2018 foi 58,5% hídrico, 26,5% térmico e 15% eólico.

Os benefícios ambientais gerados pelos projetos de geração elétrica renovável e a


parcela atribuída ao recurso aportado pela debênture verde se encontram na Tabela 3.

Tabela 3 – Benefícios ambientais dos projetos de geração renovável

Parcela da
Benefício ambiental Total dos projetos
Debênture
Geração Anual* de Energia Renovável (GWh)
Geração eólica 193,238 135,174 (6,5%)
Geração hidrelétrica** 957,470 163,95 (17,1%)
Total 1.150,708 299,12

Emissão de GEE*** evitada anual (mil tCO2e)


Geração eólica 193,2 12,5 (6,5%)
Geração hidrelétrica 89,0 15,2 (17,1%)
Total 282,2 27,7
*Estimada pela Neoenergia
**Considera apenas 70% de participação da Neoenergia na UHE Baixo Iguaçu
***Gases do Efeito Estufa

O benefício ambiental gerado pelos projetos de transmissão está associado


principalmente ao aumento no volume de transmissão de energias renováveis não
convencionais (eólica, solar, UTE a biomassa e PCH). Esse benefício será demonstrado
pela variação do “Indicador de prestação de serviço de transmissão a Usuários Verdes”,
conforme compromisso na escritura. Nesse indicador, cada Usuário Verde representa
uma usina geradora de energia renovável não convencional. Assim, o indicador é
composto das seguintes variáveis:
 Número de usuários do sistema que geram energia renovável não convencional
(Usuários Verdes): mostra a quantidade de usuários que produzem energia
renovável;
 Faturamento com transmissão de energia renovável (R$): demonstra a
disponibilidade do sistema para transmitir energia gerada pelos Usuários
Verdes;
 Incremento do faturamento com novos usuários: variável diretamente
relacionada com a potência de transmissão de energia (montantes de uso do
sistema de transmissão - MUST) disponibilizada para os novos Usuários
Verdes.

Não é possível estimar o benefício ambiental dos projetos antes que esses entrem em
funcionamento, no entanto, o resultado desse indicador para a Neoenergia já mostra o
aumento da importância da transmissão de energia verde para a empresa entre abril de
2018 e o mesmo mês de 2019.

10 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


Tabela 4 – Linha de Base de Benefícios Ambientais das Linhas de Transmissão da Neoenergia

Usuários
Var.
Verdes sobre o
Benefício Ambiental Abril/2018 Abril/2019 2019-
total – Abril/19
2018 (%)
(%)
Número de Usuários
2.600 3.035 68 116,7
Verdes1
Faturamento com Usuários
122.553,78 160.439,49 3,7 130,9
Verdes1 (R$)
Incremento de faturamento
com novos Usuários - 37.885,71
Verdes1 (R$)
Participação de novos
Usuários Verdes1 no 56,95%
faturamento adicional

Os projetos EKTT 1 e 2 estão localizados em uma região do Nordeste a qual vem


registrando maior participação de parques eólicos, de modo que permitirão o
escoamento da energia gerada nesses parques, além de contribuir para redução do
custo de investimento de futuros parques eólicos da região.

Os projetos EKTT1 (Lote 4, leilão de dezembro de 2017) e EKTT2 (Lote 6, leilão de


dezembro de 2018) foram assumidos pela Neoenergia após empresas anteriores não
conseguirem entregar os projetos, de modo que o atraso na implementação dessas
linhas foi minimizado e aproveitando canteiro de obras já desenvolvido para outros
trechos próximos. Além disso, os projetos EKTT 12, 13, 14 e 15 aumentam a
capilaridade do SIN, promovendo o maior intercâmbio de energia entre sub-regiões.
Com isso, contribuirão para a estabilidade do SIN nas regiões em que serão
implementados.

Os projetos de transmissão estão em etapas diferentes de implementação. Um resumo


do status do licenciamento de cada projeto, assim como uma avaliação inicial dos riscos
socioambientais dos mesmos encontram-se na Tabela 5.

Tabela 5 – Análise socioambiental dos projetos de transmissão

Classificação
Nome do Status do
de acordo com Performance socioambiental
projeto licenciamento
os IFC PS*
O principal risco socioambiental é a
interferência em Unidades de Conservação.
Licença prévia Um dos pontos positivos do projeto foi a
EKTT 1 pendente B alteração do traçado proposto pela ANEEL,
(previsão 06/2020) reduzindo o impacto em comunidades
tradicionais (passando de quatro
comunidades afetadas para nenhuma).
B O principal risco socioambiental é o impacto
sobre áreas protegidas, como Áreas de
Licença prévia Preservação Permanente e Unidades de
EKTT 2 pendente Conservação. Um dos pontos positivos do
(previsão 02/2020) projeto é que seu traçado foi alterado para não
interceptar a Reserva Particular do Patrimônio
Natural Fazenda Tamanduá (UC).
Licença prévia A ou B De modo geral, os principais riscos
EKTT 3 pendente socioambientais potenciais desses projetos
(previsão 05/2021) em estágio inicial de licenciamento estão

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 11


Licença prévia A ou B relacionados à supressão de vegetação,
EKTT 4 pendente impacto em comunidades tradicionais
(previsão 05/2021) (indígenas e quilombolas) e ao processo de
Licença prévia A ou B compensação a famílias afetadas pelo
EKTT 5 pendente traçado do sistema de transmissão.
(previsão 05/2021)
Licença prévia A ou B
EKTT 11 pendente
(previsão 05/2021)
O principal risco socioambiental está
relacionado com a supressão de vegetação
Licença prévia na faixa de servidão, que envolve áreas
EKTT 12 pendente B protegidas, inclusive Reserva Particular do
(previsão 02/2020) Patrimônio Natural. Esse impacto foi mitigado
através da redução da área suprimida, que
representa apenas 2,8% da área total da faixa.
Licença de
instalação
EKTT 13 concedida
C
(07/2018)
Licença de O principal risco socioambiental potencial das
instalação obras de ampliação de subestações está
EKTT 14 concedida
C
associado à saúde e segurança de
(11/2018) funcionários.
Licença de
instalação
EKTT 15 concedida
C
(10/2018)
*O Performance Standards do IFC define os projetos conforme categoria de riscos de projetos: A – Alto; B – Médio e C- Baixo

A destinação de recursos da Dêbenture Verde prevê dispêndios nos quinze projetos


eólicos, no projeto hidrelétrico e nos dez projetos de transmissão, conforme definido no
Anexo III da Escritura. Isso garante que os recursos serão aplicados em categorias
elegíveis a receberem o rótulo de Título Verde, como veremos ao longo desta seção.
Além disso, os projetos possuem performance socioambiental confortável (seção IV),
de acordo com avaliação da SITAWI.

Adicionalmente, realizamos uma análise da Neoenergia, com foco em suas áreas


operacionais de geração e transmissão, para que os investidores possuam uma melhor
visão de sua capacidade em sustentar as condicionantes que conferem a qualidade de
“Título Verde” às debêntures. Verificamos que o desempenho ASG da Neoenergia é
confortável (Seção V).

Podemos então concluir que os projetos a serem financiados através das Debêntures
Verdes já estão definidos e formalizados na escritura da emissão. Os projetos estão
alinhados com a estratégia da Neoenergia e possuem benefícios ambientais,
contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável.

Gestão dos Recursos

A Neoenergia realizará a sexta emissão de debêntures simples, em até duas séries,


para distribuição pública, no valor inicial de R$ 1.250.000.000,00 (um bilhão e duzentos
e cinquenta milhões), podendo chegar a até R$ 1.500.000.000,00 (um bilhão e
quinhentos milhões) com a emissão de debêntures adicionais. Os recursos serão
usados para a implementação de 15 parques eólicas na Paraíba; 10 linhas de
transmissão localizadas em três estados da região Sul, quatro estados do Sudeste,

12 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


quatro estados do Nordeste e em um estado do Centro-Oeste; e uma hidrelétrica no
Paraná.

O valor inicial representa aproximadamente 8,8% dos custos totais estimados para os
projetos, conforme indicado na tabela 6. A emissão pode chegar a até R$ 1,5 bilhão
com a emissão de debêntures adicionais. Para o financiamento do total de custos dos
projetos, a divisão de recursos entre fontes de financiamento poderá seguir como
referência o patamar de 70% para capital de terceiros e 30% para capital próprio.

Tabela 6 – Custos totais do projeto e fontes de financiamento (em R$ milhões)

Projetos Custos Totais Debênture Verde


Projeto hidrelétrico 2.336 400 (17,1%)
Projetos eólicos 3.057 200 (6,5%)
Projetos de transmissão 8.887 650 (7,3%)
Total 14.280 1.250 (8,8%)

Os recursos serão gerenciados pela Superintendência Financeira do Grupo Neoenergia,


até sua alocação nos projetos descritos e definidos na escritura da emissão. A
Neoenergia estima que os recursos serão totalmente desembolsados em até dois anos
após a data de emissão, em Junho de 2021.

A Política de Risco de Crédito determina diretrizes para a gestão de recursos de caixa


do Grupo. Parte relevante do caixa é alocado em quatro fundos exclusivos, geridos por
bancos comerciais diferentes e com regulamentos próprios previamente aprovados. Os
ativos dos fundos são, usualmente, cotas de fundos de investimentos de curto prazo
(DI), Certificados de Depósito Bancário (CDB) e títulos públicos. Parte menos
significativa dos recebíveis vão para garantias e depósitos judiciais. Todas as
contrapartes em que a Neoenergia aplica precisam ser aprovadas pelos acionistas,
mediante análise de crédito.

Para a destinação nos projetos descritos, os recursos serão desembolsados através das
Sociedades de Propósito Específico (SPEs) criadas exclusivamente para os projetos
eólicos e de transmissão e pelo Consórcio responsável pelo projeto hidrelétrico. A
escritura contém cláusulas que garantem o vencimento antecipado caso os recursos
não sejam destinados para os projetos listados ou caso sejam cancelados, revogados
ou não renovados alvarás e licenças relevantes. É importante frisar essa característica
de debênture de infraestrutura incentivada da emissão, já que os projetos a serem
financiados enquadram-se como prioritários pelo Ministério de Minas e Energia. Assim,
a debênture também deve observar o disposto na Lei nº12.431/11 para não perder o
benefício gerado pelo tratamento tributário especial.

Com base na análise realizada sobre a gestão de recursos, podemos concluir que existe
um procedimento claro e transparente para garantir que os recursos sejam destinados
para os projetos que sustentam a classificação de Título Verde da emissão.

Relato

A emissora se compromete a monitorar e relatar informações financeiras e ambientais


relacionadas aos projetos. Esses resultados serão acompanhados para garantir que os
recursos alocados e a performance dos projetos permaneçam alinhados aos critérios de
elegibilidade dos GBP.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 13


A Neoenergia se compromete a comprovar a destinação dos recursos oriundos da
captação para os projetos contemplados pela Debênture Verde através de reportes
anuais, em formato a ser definido pela empresa, a serem disponibilizados em seu
website até a alocação completa desses recursos, conforme definido na Escritura.

Adicionalmente, os indicadores de benefícios ambientais apontados nesse relatório


como prioritários - o volume de energia renovável gerado anualmente (GWh) e a
respectiva emissão de GEE evitada (Mil tCO2e), bem como o aumento no número de
Usuários Verdes e receita de transmissão relacionada, cujos valores estimados
encontram-se na Tabela 3, serão apresentados anualmente pela empresa em seu
website até a maturidade do título.

Os compromissos aqui descritos serão verificados em até um ano após a emissão. O


relatório da verificação será disponibilizado ao Agente Fiduciário.

Dessa maneira, concluímos que a empresa definiu de maneira clara o conteúdo e a


forma de reporte dos indicadores financeiros e ambientais a serem comunicados para
seus stakeholders. Os indicadores estão alinhados às boas práticas internacionais e aos
GBP.

14 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


IV. Performance Socioambiental dos Projetos12
Essa seção tem como objetivo avaliar a gestão socioambiental dos projetos a serem
financiados pela Debênture Verde, visando identificar se os planos e programas
implementados são capazes de medir, prevenir, mitigar e compensar seus eventuais
impactos negativos. Dessa maneira, é possível confirmar a capacidade dos projetos de
contribuírem para o desenvolvimento sustentável de maneira consistente. Além disso,
foram pesquisadas controvérsias sociais e ambientais envolvendo os projetos.

a. Projetos de Geração de Energia Eólica


Os projetos de parques de geração eólica Chafariz 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, Canoas 2, 3 e 4;
Lagoa 3 e 4; e Ventos de Arapuá 1, 2 e 3 estão localizados no estado da Paraíba, nos
municípios de: São José do Sabugi, Santa Luzia, Areia de Baraúnas e São Mamede.
No total, os quinze parques eólicos contarão com uma capacidade média nominal de
31,4 MW, que representa uma capacidade de geração de 471,2 MW de energia
renovável por ano. O prazo estimado para encerramento da fase de implementação é
meados de 2022.

A performance socioambiental dos projetos para parques eólicos é confortável. Dentre


as dimensões avaliadas, destacam-se os seguintes resultados:
 Desempenho confortável em todas as dimensões analisadas (ambiental,
comunidades, trabalhadores e gestão socioambiental), devido aos programas
desenvolvidos através dos Relatórios de Detalhamento dos Programas
Ambientais (RDPA) e dos cinco Relatórios Ambientais Simplificados (RAS)
(desenvolvidos para os parques Canoas (2, 3 e 4); Chafariz (1, 2, 3, 4 e 5),
Chafariz (6 e 7), Lagoa (3 e 4) e Ventos de Arapuá (1, 2 e 3)).
 Não foram identificadas controvérsias envolvendo os projetos.

Tabela 7 - Análise da performance socioambiental dos projetos eólicos

Ambiental Confortável

 Áreas protegidas (IFC-PS nº6): De acordo com os documentos ambientais (RAS) dos projetos de
geração eólica, os empreendimentos não estão localizados em Unidades de Conservação ou Zonas
de Amortecimento. Também não existem cursos de água próximos. A intervenção em APP é
autorizada para projetos de utilidade pública ou interesse social, porém não existe esse tipo de
intervenção nos projetos analisados. Segundo dados fornecidos pela Neoenergia, os
empreendimentos Ventos de Arapuá 1 e 2, Chafariz 6 e 7, Canoas 2 e 4 possuem sítios arqueológicos
localizados em suas delimitações. Porém, os sítios não são modificados pelos mesmos.
Adicionalmente, os empreendimentos tampouco estão localizados em regiões incluídas nas listas da
UNESCO ou RAMSAR. Todos os projetos analisados possuem RAS e Planos de Gestão Ambiental
(PGA) aprovados. Enquanto todos os empreendimentos já têm Licença Prévia; apenas os projetos
Canoas 2, 3 e 4; Chafariz 1, 2, 3, 6 e 7; e Lagoa 3 e 4 já possuem Licença de Instalação. As licenças
ambientais relacionadas aos projetos podem ser consultadas no site da SUDEMA (Secretaria
Ambiental do Estado da Paraíba). Os Relatórios de Detalhamento de Programas Ambientais (RDPA)
contam com planos para mitigação dos principais impactos causados: emissão de gases e partículas;
níveis de ruídos; geração de resíduos e efluentes; plano de atendimento a emergência; impacto sobre
fauna e flora, além de estabelecer ações para evitar o desperdício de materiais, minimizar o consumo
de água e energia elétrica; e diminuir a geração de resíduos e efluentes. Esses documentos
determinam o monitoramento dos principais impactos ambientais através de relatórios mensais e
anuais, mas que não são disponibilizados publicamente. Os empreendimentos possuem o Cadastro
Ambiental Rural (CAR) e, conforme a legislação, reservam 20% para área de Reserva Legal.

 Impacto na biodiversidade local (IFC-PS nº6): Os Programas Ambientais dos projetos apresentam
os programas estabelecidos para atender às condicionantes da Licença Prévia (LP) de cada

12
Baseado nos oito IFC Performance Standards (IFC-PS), legislação brasileira aplicável e demais temas críticos setoriais
identificados pela SITAWI

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO - DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 15


empreendimento, como: monitoramento da fauna e flora, salvaguarda do patrimônio histórico,
recuperação de áreas degradadas, gestão de resíduos sólidos das obras, entre outros. Ao longo da
implementação dos projetos, ainda que não esteja explicitado no RAS, a Neoenergia afirma fazer o
monitoramento da fauna, inclusive durante período migratório. Para os projetos Chafariz 5, Canoas 3
e Arapuá 1, foi exigida na LP a realização do monitoramento das alterações microclimáticas, porém a
prática não está descrita em nenhum dos programas ambientais.

 Utilização de materiais de menor impacto (IFC-OS n°3): De acordo com os RAS, nos projetos
Canoas 2, 3 e 4, Chafariz 6, 7 e 8, Lagoa 3 e 4, Arapuá 1,2 e 3, os aerogeradores a serem instalados
são do modelo Gamesa G114, com capacidade de geração de 2,1 MW. A quantidade em cada parque
eólico irá variar de 06 até 17 aerogeradores. Para os projetos Chafariz 1, 2, 3, 4 e 5, serão instalados
aerogeradores com capacidade de 2MW. Serão instalados de 13 a 15 aerogeradores em cada parque.
Para os projetos Chafariz 1,2,3,4 e 5, serão usados os aerogeradores do modelo Gamesa G132, com
capacidade de geração de 3.465 MW. Para a escolha desses equipamentos foram levados em conta
critérios de eficiência energética. A empresa informou que para obter recursos do BNDES para a
compra dos equipamentos, são realizadas verificações do nível ambiental dos mesmos.

 Resíduos e ciclo de vida do projeto (IFC-OS n°3): O RAS de cada projeto caracteriza a etapa de
instalação como a etapa de maior geração de resíduos dos empreendimentos, além de classificar o
impacto dos resíduos produzidos nos parques eólicos. Todos os projetos possuem Programa de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos que têm como objetivo a destinação correta e segura dos
resíduos sólidos gerados nas fases de obras e de operação. A Neoenergia afirma que realizou
levantamento sobre descomissionamento após o fim da vida útil dos parques nos estudos para a
Licença Prévia.

Comunidades Confortável
 Diálogo com comunidades no entorno (IFC-PS nº4): Os Relatórios Ambientais Simplificados (RAS)
dos empreendimentos identificaram impactos sobre a comunidade residente na proximidade, para as
fases de implementação e operação. Para os impactos identificados, foram propostas medidas de
mitigação, inclusive a criação dos Programas de Comunicação Social e Educação Ambiental. O
primeiro visa divulgar os impactos ambientais gerados pelos empreendimentos e seus programas
ambientais, além de criar canais de comunicação com a população. O segundo visa conscientizar
trabalhadores e comunidade em relação a práticas ambientalmente adequadas, incluindo medidas de
gestão e conservação ambiental. Fizeram reuniões técnicas e informativas com as comunidades locais
para informar sobre o andamento dos projetos. Em relação a contratação de mão de obra, o Programa
de Seleção e Contratação da Mão de Obra Local (PCML) visa potencializar a contratação de mão de
obra das comunidades adjacentes, por meio de parcerias e divulgações, estabelecendo datas e locais
para entrega de currículos. Em relação a impactos após a conclusão das obras, apenas o RAS
associado aos empreendimentos Chafariz 1, 2, 3, 4 e 5 identificou a desmobilização de mão de obra
como um possível impacto adverso e propõe o Programa de Seleção e Contratação de Mão de Obra
Local para sua mitigação.

 Impacto em comunidades tradicionais (IFC-PS nº7): Não foram identificadas comunidades


indígenas na área de influência direta dos empreendimentos. Nos empreendimentos Chafariz 1, 2, 3,
4 e 5 foi identificada a comunidade quilombola Serra do Talhado, a uma distância de 10 km. Não foram
detectados impactos a essa comunidade. Para suas linhas de transmissão, foi identificada a presença
da mesma comunidade quilombola a menos de 5 km, indicando que a Fundação Cultural Palmares
pode ser consultada pelo órgão ambiental no processo de licenciamento.

 Reassentamento involuntário (IFC-PS nº5): Os projetos eólicos não demandam ações de


desapropriação, pois as áreas são arrendadas. Seu uso durante as obras de instalação dos parques
eólicos é compartilhado entre a empresa e os proprietários, e após seu encerramento as áreas tem
seu uso normalizado. Os demais projetos não citam questões de desapropriação e reassentamento.
Os contratos de arrendamento seguem um padrão para todos os projetos eólicos da Neoenergia, e
estabelecem pagamentos mensais a serem realizados para os proprietários. A empresa afirma
estimular que os proprietários rurais implementem o uso compartilhado das áreas.

 Impacto em sítios arqueológicos e culturais (IFC-PS nº8): Foram apresentados pareceres do


IPHAN autorizando a emissão de Licenças de Instalação para os empreendimentos Chafariz 1, 2, 3,
4 e 5; Lagoa 4 e Ventos do Arapuá 3. Os demais projetos estão em fase de licenciamento do IPHAN.
Os estudos ambientais não levantam impactos no patrimônio cultural, mas o Programa de
Identificação, Prospecção e Monitoramento Arqueológico é proposto, com o objetivo de preservar
patrimônios arqueológicos ainda desconhecidos, principalmente na fase de escavação. O
empreendimento não está localizado em áreas de patrimônio histórico-cultural da UNESCO.

Trabalhadores Confortável

16 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


 Condições de trabalho de empregados diretos e terceirizados (IFC-PS nº2): O regime de
contratação dos funcionários é CLT, tanto os diretos quanto os terceirizados de empresas contratadas.
Os RAS identificam o risco de acidentes de trabalho na operação de todos os empreendimentos e
propõem medidas de mitigação, como o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). O
Programa de Saúde e Segurança do Trabalho (PSST), vigente nas fases de implementação e
operação do empreendimento, visa promover ações e estabelecer diretrizes de redução de riscos à
saúde e segurança dos funcionários, minimizando a ocorrência de acidentes. O programa estabelece
código de conduta para os empregados, para garantir o cumprimento de procedimentos
ambientalmente adequados e outros aspectos importantes. São fornecidos indicadores de
acompanhamento do programa, e é estabelecida a elaboração de Relatório Técnico Mensal para
seguimento. A Neoenergia afirma que as condições trabalhistas seguem os padrões requeridos
legalmente. As empresas contratadas para a implementação dos projetos se comprometem a prezar
pela saúde e segurança dos funcionários terceirizados, seguindo os padrões da Neoenergia conforme
compromisso em contrato.

 Ações de não-discriminação na contratação e ambiente de trabalho (IFC-PS nº2): O Código de


Ética da Neoenergia abarca os Princípios da Não-Discriminação e Igualdade de Oportunidades, que
estabelecem oportunidades iguais para seus funcionários, independente de raça, cor, nacionalidade,
origem social, idade, sexo, estado civil, orientação sexual, ideologia, opiniões políticas, religião ou
qualquer outra condição pessoal, física ou social. Casos de desrespeito são passíveis de punição. A
Neoenergia também oferece treinamento sobre diversidade, que pode ser acessado por todos os
funcionários, incluindo a nível dos projetos eólicos.

Gestão socioambiental Confortável


 Sistema de gestão socioambiental (IFC-PS nº1): O Programa de Gestão Ambiental dos projetos
previstos no RDPA apresenta os programas e iniciativas requeridos pela Licença Prévia (LP) de cada
empreendimento. Esses programas são liderados por empresas contratadas, que têm responsáveis
alocados na localidade dos parques eólicos. Funcionários da Neoenergia fazem a supervisão desse
trabalho, tanto dentro da equipe dos projetos quando na matriz. A gestão ambiental dos projetos
eólicos não possui certificação externa que corrobore sua eficácia.

 Transparência (IFC-PS nº1): É indicado nos PGA que os empreendimentos terão indicadores sobre
os principais impactos ambientai, assim como, serão elaborados relatórios mensais e anuais sobre o
acompanhamento desses impactos. Esses relatórios são enviados para a SUDEMA, o órgão ambiental
responsável, mas não serão disponibilizados publicamente.

Não foram identificadas controvérsias socioambientais envolvendo os quinze projetos


eólicos a serem financiados pela emissão. Esse fato é importante, pois indica que os
programas de monitoramento, prevenção, mitigação e compensação de impactos
socioambientais têm sido efetivos.

Dessa forma, é possível concluir que a emissora estabeleceu de maneira confortável


os procedimentos para gestão de riscos socioambientais associados aos projetos
eólicos que receberão aportes do Título Verde, bem como para garantir que esse
contribua para o desenvolvimento sustentável.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 17


b. Projetos de Transmissão de Energia Elétrica
Os projetos de transmissão de energia elétrica contemplados nesse parecer envolvem
10 Sociedades de Propósito Específico (SPEs), que englobam diversos trechos de
linhas de transmissão (LT) e implementação e/ou ampliação de subestações (SE). Um
resumo dos projetos incluídos em cada SPE e o status de andamento dos mesmos é
apresentado abaixo.

SPE Dimensão do Traçado13 Previsão de Operação


EKTT 1 Serviços de Transmissão de
19 municípios (TO, MA, PI e BA) Março 2023
Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 2 Serviços de Transmissão de
21 municípios (CE e PB) Março 2023
Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 3 Serviços de Transmissão de
19 municípios (RJ) Março 2024
Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 4 Serviços de Transmissão de
10 municípios (RJ, ES e MG) Março 2024
Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 5 Serviços de Transmissão de
36 municípios (RS e SC) Março 2024
Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 11 Serviços de Transmissão de
49 municípios (SC e PR) Março 2024
Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 12-A Serviços de Transmissão
10 municípios (MS e SP) Agosto 2022
de Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 13-A Serviços de Transmissão
Atibaia (SP) Fevereiro 2021
de Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 14-A Serviços de Transmissão
Biguaçu (SC) Fevereiro 2021
de Energia Elétrica SPE S.A.
EKTT 15-A Serviços de Transmissão
Sobral (CE) Fevereiro 2021
de Energia Elétrica SPE S.A.

Os projetos se encontram em diferentes fases de licenciamento, e como os


empreendimentos EKTT3, EKTT4, EKTT5 e EKTT11 ainda não realizaram estudos
ambientais para seu licenciamento, estes foram avaliados apenas em aspectos que
consideram a sua localização e impactos de seu traçado (item Áreas Protegidas). O
licenciamento relativo à ampliação de subestações também se dá de forma diferente do
licenciamento de linhas de transmissão, não havendo a necessidade de estudos
ambientais. Apesar disso, são apresentados programas ambientais para esses
empreendimentos, dessa forma a análise socioambiental para esses empreendimentos
também ocorreu de forma reduzida, não abarcando todos os itens.

A performance socioambiental do desenho e construção dos projetos de transmissão


de energia é confortável até agora. Dentre as dimensões avaliadas, destacam-se os
seguintes resultados:
 Desempenho confortável nas dimensões ambiental e trabalhadores e satisfatório
nas dimensões comunidades e gestão socioambiental, devido aos programas
desenvolvidos através do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) das LTs
Miracema-Gilbués II e Gilbués II-Barreiras II (EKTT1), do Estudo de Impacto
Ambiental (EIA) das LTs Milagres II - Santa Luzia II (EKTT2), do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) das LTs Rio Brilhante - Campo Grande 2, Campo
Grande 2 - Imbirussu, Rio Brilhante - Dourados 2, Dourados 2 - Dourados,
Dourados - Ivinhema 2/Dourados 2 (EKTT12-A), e do Relatório Ambiental
Simplificado (RAS) das LTs inclui SE Nova Porto Primavera - SE Rio Brilhante II
e SE Nova Porto Primavera - SE Ivinhema II (EKTT12-A);
 Não foram identificadas controvérsias envolvendo os projetos.

13
No caso de projetos apenas com ampliação de subestações (SEs), é indicado o município de localização

18 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


Tabela 8 - Análise da performance socioambiental do projeto

Ambiental Confortável
• Áreas protegidas (IFC-PS nº6): Empreendimentos de transmissão de energia elétrica geralmente
realizam supressões de vegetação que, por conta de seus longos traçados, podem incluir Áreas de
Preservação Permanente (APPs). Os empreendimentos EKTT 1, 3, 4, 5, 11 e 12 indicam que haverá
impacto direto em rios (intervenção em APPs). Para o empreendimento EKTT2, haverá 65,7 ha de
supressão em APPs. Para compensação desses impactos, a empresa executa resgate da flora em
momento preliminar a instalação, para manutenção do estoque genético da população vegetal
suprimida, principalmente das espécies ameaçadas ou protegidas por lei. Esse material pode gerar
uma produção de mudas para serem futuramente usadas em ações de revegetação. Também há
execução de reposição florestal para compensar a área suprimida, que ocorre no entorno do
empreendimento ou em áreas protegidas. Os empreendimentos não estão localizados em áreas das
listas UNESCO e RAMSAR. Em relação ao seu processo de licenciamento, os empreendimentos
EKTT 13, 14, 15 e trechos da EKTT12 já possuem licenças de instalação. Para EKTT 1 e 2, os estudos
ambientais já foram protocolados nos órgãos ambientais e estão aguardando sua licença prévia. Já
os empreendimentos EKTT 3, 4 ,5 e 11 ainda estão elaborando seus estudos ambientais. Os estudos
já realizados apresentaram programas ambientais para os empreendimentos, como o de Educação
Ambiental e Comunicação Social. Os estudos referentes ao EKTT1 e 2 não apresentaram indicadores
e periodicidade de monitoramento, enquanto para o EKTT12 são apresentados indicadores e
cronograma de ações, mas não são estabelecidos prazos de acompanhamento. Em relação ao
Cadastro Ambiental Rural (CAR), os territórios de implementação dos empreendimentos não são de
posse da empresa, e dessa forma sua atuação não está relacionada com a obtenção de CAR.

• Impacto na biodiversidade local (IFC-PS nº6): Para a análise de flora e fauna, foram realizados
estudos de dados secundários e levantamentos em campo, para os empreendimentos EKTT1, 2 e 12.
O levantamento da avifauna foi realizado em período migratório, e seu acompanhamento se dará de
forma anual. Para os três empreendimentos também foram diagnosticados o solo e a paisagem, sendo
que a caracterização de solos da área contou com a compilação de estudos pedológicos passados, e
objetivou identificar áreas mais susceptíveis a erosão. Já em relação a paisagem, a escolha de traçado
dos empreendimentos visou minimizar impactos. Após o diagnóstico, os estudos de todos os
empreendimentos levantaram impactos adversos sobre a biodiversidade, que incluíram a criação de
Programas de Supressão Vegetal, Resgate da Fauna, de Identificação, Monitoramento e Controle de
Processos Erosivos e o de Recuperação de Áreas Degradadas (nos três empreendimentos). Para dois
dos projetos de ampliação de SEs foram apresentados programas ambientais, incluindo de
acompanhamento da supressão (EKTT15), e de controle de processos erosivos (EKTT14). Para o
empreendimento EKTT13, são seguidos os programas ambientais da empresa MSG, que compartilha
a gestão do empreendimento com a Neoenergia. Em relação a incêndios florestais, há prática
institucional para a fase de operação de manutenção preventiva na faixa de servidão.

• Utilização de materiais de menor impacto (IFC-OS n°3): Foram fornecidos os modelos de cabos
condutores para todos os empreendimentos. Para EKTT1, EKTT3, EKTT4, EKTT11 serão usados
cabos do tipo CAL liga 1120, para EKTT2 serão cabos ACAR 1050 MCM, e para EKTT12 cabos do
tipo CAL – AAAC. Para a escolha de cabos condutores dos empreendimentos em geral são seguidas
as indicações de cabos condutores capacitados do edital da Aneel. A escolha também considera
aspectos de eficiência estrutural, visando reduzir a necessidade de fundações e estruturas complexas
das torres, para que se diminua os impactos no solo e vegetação. Os empreendimentos EKTT13, 14
e 15, que são relativos a ampliações de SE, não incluem cabos condutores. Em relação a substâncias
de isolamento elétrico, os cabos de barramento das subestações e das linhas de transmissão não
possuem isolamento (cabos de alumínio nu).

• Resíduos e ciclo de vida do projeto (IFC-OS n°3): Os empreendimentos EKTT1, EKTT2 e 12 listam
os resíduos a serem gerados, os classificando e indicando sua destinação adequada. Para mitigação
dos possíveis impactos, são propostos Programas de Gerenciamento de Resíduos para os
empreendimentos EKTT1, EKTT2 e trechos de EKTT12 (Nova Porto Primavera – Ivinhema II e Nova
Porto Primavera – Rio Brilhante). Para dois dos empreendimentos de ampliação de SEs (EKTT14 e
EKTT15) foram estabelecidas diretrizes para gestão e destinação adequada de resíduos, dentro do
Plano de Gestão Ambiental das Obras (EKTT14) e em programa próprio (EKTT15).

Comunidades Satisfatório
 Diálogo com comunidades no entorno (IFC-PS nº4): Os três empreendimentos que já possuem
estudos ambientais (EKTT1, EKTT2 e EKTT12) realizaram avaliações dos impactos de seus
respectivos empreendimentos sobre o meio socioeconômico, nas fases de planejamento, instalação e
operação, como a criação de expectativas desfavoráveis na população. Para o empreendimento
EKTT12, também são considerados os impactos do fim das obras, com desmobilização da mão de

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 19


obra. Para mitigação dos impactos encontrados, são propostos nos três empreendimentos os
Programas de Comunicação Social (para criar canais de comunicação com a comunidade adjacente)
e de Educação Ambiental (para conscientizar a população vizinha e os trabalhadores a respeito dos
impactos ambientais do empreendimento). Os três empreendimentos também visam priorizar a
contratação de mão de obra legal, e o EKTT1 ainda possui os Programas de Apoio a Infraestrutura e
Serviços Públicos e de Gestão de Mão de Obra nesse sentido. O empreendimento de ampliação de
SE EKTT14 apresenta Programa de Mitigação dos Incômodos a População (com ações como
estabelecimento de canal para reclamações), e o empreendimento EKTT15 apresenta o Programa de
Comunicação Social, com objetivo de estabelecer diálogo com a comunidade. Em relação a campos
elétricos e magnéticos, as faixas de servidão dos empreendimentos foram estabelecidas de forma a
respeitar os níveis máximos permitidos. Em relação aos trabalhadores, o único risco de contato com
os campos ocorre nas subestações. A Neoenergia indicou que os funcionários realizam o trabalho
remotamente quando possível e quando não é possível, sua permanência no local é rápida e não são
necessárias medidas adicionais. A empresa informou que todos os empreendimentos que possuem
EIA/RIMA (EKTT1, EKTT2 e EKTT12) contarão com audiência pública, e alguns desses processos já
ocorreram.

 Impacto em comunidades tradicionais (IFC-PS nº7): O empreendimento EKTT2 se encontra a uma


distância de 1,7 km de uma comunidade quilombola. A Fundação Cultural Palmares está envolvida no
processo de licenciamento, e o estudo do componente quilombola já foi realizado, porém ainda não
obteve retorno da Fundação. Após esse retorno, a comunidade irá decidir medidas de compensação
a serem realizadas pela empresa. Os demais empreendimentos não tiveram que realizar estudos
adicionais relativos a comunidades tradicionais.

 Reassentamento involuntário (IFC-PS nº5): Por se tratar de projetos de transmissão de energia, as


faixas de servidão deverão ser desapropriadas, restringindo o uso da área para seus proprietários.
Para os empreendimentos EKTT1 (536 propriedades a terem porções desapropriadas) e 2 (809
propriedades a terem porções desapropriadas) foram criados programas para a gestão desses
processos (Programa de Negociação e Desapropriação e Programa de Liberação da Faixa de
Servidão Administrativa e de Indenizações), com o objetivo de garantir indenizações justas. Para o
empreendimento EKTT12 (602 propriedades a terem porções desapropriadas), que já se encontra em
obras, a faixa de servidão já está desocupada. Para os empreendimentos EKTT 13, 14 e 15, a empresa
é dona da área de ampliação das subestações. Os critérios de indenização são definidos caso a caso,
a partir de levantamento de preços e uso da terra por região realizado por consultoria fundiária. Os
aspectos considerados incluem valor da área, tamanho da linha e condições da propriedade. O laudo
de avaliação que reúne esses resultados é auditado.

 Impacto em sítios arqueológicos e culturais (IFC-PS nº8): A área dos projetos não se encontra em
territórios de patrimônio histórico-cultural da UNESCO. Para os empreendimentos EKTT 1, 2 e 12
foram realizados estudos de levantamento arqueológico da região, e foram propostos programas de
gestão desse patrimônio. Já os empreendimentos EKTT 3, 4, 5 e 11 geram interferência em sítios
arqueológicos e sítios culturais tombados, e foram fornecidas listas de sítios arqueológicos e suas
distâncias para esses empreendimentos. As menores distâncias entre os sítios e cada um dos
empreendimentos são, respectivamente, 0,1 km, 0,5 km, 0,2 km e 0,43 km. Como os estudos
ambientais estão em processo de elaboração, os impactos sobre esses sítios estão sendo
considerados presentemente. Foram apresentadas anuências do IPHAN para licenças de instalação
e operação para dois trechos do empreendimento EKTT12. Os demais empreendimentos ainda não
possuem anuências do IPHAN, por se encontrarem em fases anteriores no processo de licenciamento.

Trabalhadores Confortável
 Condições de trabalho de empregados diretos e terceirizados (IFC-PS nº2): Para a fase de
implantação, os funcionários dos projetos são em sua maior parte subcontratados a partir de
empreiteiras. Todos os funcionários são contratados em regime CLT, e os treinamentos e programas
para trabalhadores incluem todos os funcionários (diretos e subcontratados). Para a fase de operação,
os funcionários que realizam manutenção dos empreendimentos são funcionários diretos da
Neoenergia. Para todos os empreendimentos foram identificados riscos sobre a saúde e segurança
dos trabalhadores. Os empreendimentos EKTT1 e 12 propuseram programas de mitigação desses
riscos, como o Programa de Gestão de Mão de Obra (EKTT1) e o Programa de Educação para
Trabalhadores (EKTT12). Não foram fornecidos indicadores nem periodicidade de acompanhamento.
O empreendimento EKTT2 não apresentou programas voltados para a mão de obra, porém o mesmo
ainda não foi licenciado e ainda não possui Plano Básico Ambiental (PBA). A empresa informou que o
mesmo seguirá os programas trabalhistas dos demais empreendimentos, por se tratar de projeto do
mesmo grupo. O empreendimento EKTT14 não possui programas específicos relativos às condições
de trabalho, mas estabelece a garantia de condições de trabalho adequadas aos funcionários,
incluindo habitação, alimentação e outros aspectos. Em relação a medidas de mitigação para trabalho
em altura e choques, estes fazem parte do treinamento dos funcionários, e o cumprimento das medidas

20 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


de segurança é incluído nos contratos da empresa com suas empreiteiras subcontratadas, havendo
fiscalização de cumprimento. Além disso, são realizadas auditorias nas empreiteiras.

 Ações de não-discriminação na contratação e ambiente de trabalho (IFC-PS nº2): A Neoenergia


possui política contra discriminação com apoio a diversidade, que deve ser seguida em todos os seus
empreendimentos. Essa política estabelece punições para casos de discriminação. A Neoenergia
também oferece treinamento online sobre diversidade, que pode ser acessado por todos os
funcionários, incluindo a nível dos projetos de transmissão.

Gestão socioambiental Satisfatório


 Sistema de gestão socioambiental (IFC-PS nº1): O empreendimento EKTT12 está em estágio mais
avançado de implementação em comparação com os demais, dessa forma já possui Plano de Gestão
Ambiental (PGA). Este foi estabelecido para acompanhamento e gestão dos demais programas
ambientais e de seu licenciamento. O programa possui indicadores de acompanhamento, e estabelece
diretrizes de procedimentos, além de elencar responsabilidades entre coordenador, supervisor e
inspetor ambiental. O programa considera como não conformidades a serem relatadas para
implementação de correção, a ocorrência de impactos ambientais não previstos. O PGA é gerido por
consultoria ambiental externa, que fica em campo para implementação de todos os programas
ambientais dos empreendimentos. Essa consultoria é fiscalizada por agentes da Neoenergia em
campo, e gerida pela matriz da empresa. A empresa informou que a gestão socioambiental realizada
em EKTT12 se estenderá para os demais empreendimentos. Ademais, os empreendimentos não
contam com certificações.

 Transparência (IFC-PS nº1): O PGA do empreendimento EKTT12, aponta indicadores de


acompanhamento. Sua licença de instalação indica que seu acompanhamento deve ser realizado a
partir de agosto de 2019, portanto esse acompanhamento ainda não se iniciou. A empresa informou
que os relatórios de acompanhamento não serão divulgados publicamente.

Os projetos de transmissão de energia da Neoenergia não estão envolvidos em


nenhuma controvérsia socioambiental. Esse fato é importante, pois indica que os
programas de monitoramento, prevenção, mitigação e compensação de impactos
socioambientais têm sido efetivos.

Dessa forma, é possível concluir que a emissora estabeleceu de maneira confortável


os procedimentos para gestão de riscos socioambientais associados aos projetos de
transmissão de energia, que receberá aportes do Título Verde, bem como para
garantir que esse contribua para o desenvolvimento sustentável.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 21


c. Projeto UHE Baixo Iguaçu
A Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu (UHEBI) é um empreendimento de geração de energia
elétrica por aproveitamento hidráulico. O Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu,
responsável pela implantação e operação da hidrelétrica, é controlado em 70% pela
empresa Geração Céu Azul, do Grupo Neoenergia, e 30% pela Copel. Está localizada
no Rio Iguaçu a 174 km de sua foz, imediatamente a montante da confluência do rio
Gonçalves Dias e do limite do Parque Nacional do Iguaçu, entre os municípios de
Capanema, Planalto, Realeza e Nova Prata do Iguaçu.

Trata-se de um empreendimento a fio d’água, ou seja, toda vazão afluente ao


reservatório passará pelas turbinas ou pelo vertedouro. O nível d’água normal do
reservatório na elevação está na cota 259 m e possui queda de 17,4 m. O reservatório
tem uma superfície total de 31 km², com 13 km² de áreas efetivamente alagadas e 18
km² correspondente à calha do rio Iguaçu. A barragem tem 516 metros de extensão e
22 metros de altura, contados a partir de sua fundação subterrânea, e a parte visível
(fora da água) tem 15 metros de altura. Desta forma, é considerada de baixa estatura
segundo padrão definido pela International Commission on Large Dams (ICOLD).

Com três unidades geradoras, a usina totaliza 350 megawatts de capacidade instalada,
o suficiente para atender ao consumo de 1 milhão de pessoas. Sua construção foi
iniciada em 2013, e sua conclusão e início da operação ocorreu em março de 2019. O
projeto também conta com uma linha de transmissão associada de 60km, a LT 230 kV
SE Baixo Iguaçu – SE Cascavel Oeste, que intercepta os municípios de Capanema,
Capitão Leônidas Marques, Lindoeste, Santa Tereza do Oeste e Cascavel.

A performance socioambiental da UHE Baixo Iguaçu é confortável. Dentre as dimensões


avaliadas, destacamos os seguintes resultados:
 Desempenho confortável em todas as dimensões (ambiental, comunidades,
trabalhadores e gestão socioambiental), devido aos programas desenvolvidos
através do Plano Básico Ambiental (PBA), ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
e estudos complementares para atendimento de condicionantes do
licenciamento.
 Foram identificadas quatro controvérsias envolvendo o projeto, de níveis de
severidade baixo e médio. O projeto demonstrou capacidade de resposta
adequada.

Tabela 9 - Análise da performance socioambiental do projeto UHE Baixo Iguaçu

Ambiental Confortável
 Licenciamento e áreas protegidas (IFC-PS nº6): A UHE Baixo Iguaçu cumpre com os requisitos
para licenciamento ambiental de hidrelétricas no Paraná, assim como suas linhas de transmissão
associadas, e está adequadamente inscrita no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os impactos
ambientais negativos de uma usina hidrelétrica são considerados altos, podendo ser mitigados com
a implementação de programas preventivos e durante as fases de construção e operação. Cerca de
83,4 ha. de Reserva Legal localizada na área direta de influência (ADI) da UHEBI teve de ser
realocada para áreas remanescentes adquiridas pelo Consórcio. A recomposição de áreas de RL foi
de 5% a mais do que o necessário. Além disso, está localizada na zona de amortecimento do Parque
Nacional do Iguaçu (PNI), declarado pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. O
EIA/RIMA inclui o estudo de alternativas de eixos e arranjo geral de obras, também com intuito de
minimizar impactos socioambientais do empreendimento. O projeto de hidrelétrica selecionado
minimizou o impacto no PNI, evitou a criação de trecho de vazão reduzida no rio Iguaçu, distanciou
as obras dos limites do PNI e limitou a área afetada pelas obras à margem esquerda do rio Iguaçu.
O Plano Básico Ambiental (PBA), disponível publicamente em seu site, define diversos programas
de mitigação dos impactos socioambientais. A Neoenergia divulga em seu site relatórios sobre o
andamento da implementação desses programas, com a frequência variando entre anual e
trimestral.

22 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


 Impacto na biodiversidade local (IFC-PS nº6): Toda a região de influência da UHE está inserida
no domínio do bioma Mata Atlântica. O EIA faz levantamento prévio das condições do solo e das
espécies nativas e do possível impacto do projeto sob todo ecossistema, para o qual indica a
metodologia utilizada. Inclui análise do impacto sob ictiofauna, tendo identificado apenas uma
espécie migratória de longa distância e endêmica da Bacia do rio Iguaçu (surubim do Iguaçu),
monitorado nas fases de implementação e operação da usina. Ainda que não inclua a análise do
impacto ambiental da construção de estradas, o PBA determinou que a instalação do canteiro de
obras deveria se dar, preferencialmente, em áreas já alteradas. Além disso, foi desenvolvido um
Relatório Ambiental Simplificado (RAS) à parte para a linha de transmissão de 230 kV associada à
UHE. Em atendimento ao PBA e às condicionantes da renovação da Licença de Instalação
determinadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), estão em implementação programas com
objetivos diversos, como: identificação das espécies presentes nas áreas de influência da UHE;
resgate do patrimônio genético da flora na área inundada; relocação e monitoramento de exemplares
da fauna; acompanhamento dos processos de recuperação da paisagem; monitoramento do solo e
processos erosivos; entre outros.

 Impacto hídrico (IFC-PS nº3): A UHE Baixo Iguaçu é uma usina a fio d’água, de baixa queda e com
os vertedouros com baixa retenção de sedimentos. O EIA/RIMA reconhece que a implantação da
barragem provocará alteração no regime dos recursos hídricos e possibilidade de alteração da
qualidade da água (aumento de turbidez) superficial do rio Iguaçu. Foi realizada uma modelagem
hidrodinâmica e da qualidade da água do reservatório, que motivou o estabelecimento de programas
de monitoramento do Meio Aquático, que inclui o monitoramento da qualidade da água, além da
ictiofauna; fauna terrestre e semiaquática. O EIA/RIMA também reconhece que o enchimento do
reservatório causa a elevação no nível do lençol freático, podendo resultar no desmoronamento de
margens e encostas, além de criar áreas alagadiças permanentes e mudar os padrões da qualidade
das águas subterrâneas. Por isso, determina a observação do nível d’água e da qualidade da água.
Adicionalmente, o rio Iguaçu possui um leito com baixa carga de transporte de sedimentos por
arrasto, e a UHEBI está localizada na sexta e última cascata do rio, de modo que seu reservatório
receberá quantidade menor de sedimentos. Para o bom funcionamento da usina no longo prazo, o
PBA determinou a realização de levantamentos batimétricos para monitoramento do material
sedimentável no reservatório, a fim de identificar mudanças da morfologia do reservatório e da calha
fluvial de jusante da barragem.

 Emissão de gases de efeito estufa (IFC-PS nº3): O EIA reconhece que a liberação de gases
metano (CH4), gás carbônico (CO2) e óxido nitroso (N2O) pela matéria orgânica submersa no
reservatório representa um risco à qualidade da água e de intensificação do efeito estufa. Como
resultado da análise, aponta que o volume reduzido, baixo tempo de residência da água, cobertura
vegetal reduzida e operação a fio d’água fazem com que a UHEBI represente baixa intensidade e
pequena probabilidade de liberação. Não é calculada a emissão potencial associada.
Adicionalmente, o levantamento do Plano de Supressão Vegetal indicou que a área do reservatório
contava com 582 ha. de área florestal, do qual 73% foi suprimido. A supressão da vegetação na área
inundada minimiza a liberação desses gases. A manutenção da vegetação em áreas rasas foi
motivada pelo potencial impacto positivo para a fauna aquática, e o baixo impacto potencial na
qualidade da água do reservatório.

 Utilização de materiais de menor impacto (IFC-PS nº3): A hidrelétrica conta com três turbinas do
tipo Kaplan, três geradores para geração de energia, e três transformadores (e mais um reserva)
para conversão de potência. A turbina foi desenvolvida para otimizar a vazão e queda da UHEBI em
termos de eficiência energética. Não foram empregadas iniciativas de ecoeficiência no uso de
materiais para implementação da usina.

 Resíduos e ciclo de vida do projeto (IFC-PS nº3): A atividade desenvolvida pelo projeto não possui
alto potencial para geração de resíduos, sendo a fase de instalação do empreendimento a mais
relevante. O EIA/RIMA identificou a possibilidade de poluição do ambiente aquático e terrestre em
decorrência do acúmulo de lixo resultante das obras de construção da usina e pela emissão de gases
pelas máquinas usadas. A UHEBI conta com dois Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
(PGRS), focados na disposição e descarte das substâncias e resíduos gerados, diferenciados entre
as fases de construção e operação da usina. Os PGRS estão alinhados com os requisitos legais e à
ISO 14.001 (Sistema de Gestão Ambiental). Os equipamentos de geração de energia hidrelétrica
possuem garantia e em caso de necessidade de reposição, sendo responsabilidade do fornecedor
efetuar a troca e descartar o equipamento.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 23


Comunidades Confortável
 Diálogo com comunidades no entorno (IFC-PS nº4): Para a elaboração dos estudos ambientais
da UHE Baixo Iguaçu, foram realizadas duas oficinas com instituições, lideranças e pessoas na área
de influência do projeto. O EIA/RIMA identifica os impactos potenciais do empreendimento na
comunidade no entorno e o PBA estabelece programas para a mitigação dos mesmos. Como
exemplos, o Programa de Comunicação Social visa informar e promover o diálogo com as
comunidades sobre as atividades da UHE, incluindo sobre riscos de saúde e segurança associados;
e o Programa de Educação Ambiental busca desenvolver ações educativas e informativas para
estimular a atuação das populações para a melhoria da qualidade ambiental e de vida. O
desenvolvimento local é promovido através da promoção de treinamento e capacitação da mão de
obra alocada na construção e priorização de funcionários dos municípios da AID. O Consórcio
também ofereceu apoio a municípios na recepção da população atraída pelas obras, incluindo
adequar a rede de serviços públicos; e, na medida do possível, auxiliar ações que visam manter a
mão de obra utilizada e treinada durante as obras em outras atividades na região. A implementação
desses programas de compensação incluiu parcerias com autoridades locais.

 Impacto em comunidades tradicionais (IFC-PS nº7): O EIA confirma que o projeto da UHE Baixo
Iguaçu não afeta diretamente comunidades indígenas, quilombolas ou outras comunidades
tradicionais. Portanto, no processo de licenciamento não foi necessário incluir os componentes
Indígena e Quilombola ou permissão da FUNAI.

 Reassentamento involuntário (IFC-PS nº5): Toda a área da hidrelétrica e do corredor da


biodiversidade são de propriedade do Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu. O Programa de
Remanejamento da População Atingida previu remanejamento da população afetada pelo
empreendimento, indenização de terras e benfeitorias e reorganização das áreas remanescentes.
Estabelece valores de indenização, critérios para concessão desse benefício e modalidades de
remanejamento. Possui três linhas de ação: desapropriação, remanejamento e reassentamento.
Com relação às desapropriações, houve 345 famílias afetadas, das quais aproximadamente 87,8%
das negociações foram amigáveis, 10,7% foram judicializadas e 1,5% estão em fase de ajustes pré-
judicialização. Quanto aos reassentamentos, podem ser do tipo rural, no qual um conjunto de famílias
opta por um reassentamento coletivo, com as características previamente negociadas; ou do tipo
autorreasentamento, no qual a família conta com apoio financeiro, jurídico, técnico e social do
Consórcio, mas escolhe o local da nova propriedade. A segunda opção foi a mais popular entre as
famílias reassentadas pelo projeto.

 Impacto em sítios arqueológicos e culturais (IFC-PS nº8): O EIA/RIMA incluiu o levantamento do


potencial arqueológico da área de influência da UHE Baixo Iguaçu. A conclusão é de que possuía
um potencial arqueológico relevante. O documento também previu a implementação de três
programas aprovados pelo IPHAN: Programa de Prospecção Arqueológica Intensiva; Programa de
Resgate Arqueológico; e Programa de Valorização do Patrimônio Arqueológico e Histórico-Cultural.
Como resultado, foram identificados 56 sítios arqueológicos remanescentes na área de influência da
usina e, destes, 40 foram resgatados na área de inundação do reservatório. O salvamento e
curadoria dos conjuntos arqueológicos, assim como seu monitoramento arqueológico, foram
determinados no Projeto de Pesquisa Arqueológica. A Neoenergia afirma que parte do material
analisado foi enviado ao Museu de Arqueologia e Etimologia da Universidade Federal do Paraná e
o restante encontra-se em análise laboratorial para posterior envio ao Museu Regional do Iguaçu.

Trabalhadores Confortável
 Condições de trabalho de empregados diretos e terceirizados (IFC-PS nº2): A construção da
UHE foi responsabilidade do Consórcio Construtor, formado pela Odebrecht e pela GE. A
Neoenergia afirma que os funcionários das etapas de implementação e operação são contratados
sob regime CLT. De acordo com o EIA/RIMA do projeto, a presença de trabalhadores na região da
construção do projeto pode levar ao aumento da exploração da fauna e da flora e, ao aumento da
probabilidade de endemias. O pico de trabalhadores na obra foi de 2.800 em 2016. O PBA
determinando ações para a garantia de saúde e segurança e moradia para os trabalhadores, de
acordo com a legislação. O Programa de Saúde, que determinou as normas de saúde e segurança
durante a fase de construção, e o Programa Integrado de Gestão de Segurança, Meio Ambiente e
Saúde (SSTMA), para a fase operacional, aplicam-se a trabalhadores diretos e terceirizados. Além
disso, o SSTMA prevê a elaboração de relatórios anuais e auditorias internas e externas que utilizem
indicadores para validar a eficácia do sistema, que contemplam colaboradores de todos os tipos de
contratação. Relatórios de saúde e segurança dos trabalhadores e outras questões trabalhistas eram
encaminhados regularmente para o IAP. A companhia é subsidiariamente responsável por sete
ações movidas por ex-funcionários de empresa terceirizada, que reivindicam o pagamento de horas
extras, diferença salarial, dentre outros, totalizando mais de R$ 3 milhões em valor contingenciado
para a Neoenergia.

24 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


 Ações de não-discriminação na contratação e ambiente de trabalho (IFC-PS nº2): A Neoenergia
possui uma política contra discriminação e de apoio à diversidade, que promove a não discriminação
por razão de origem étnica, cor, idade, sexo, estado civil, ideologia, opiniões políticas, nacionalidade,
religião, orientação sexual ou qualquer outra condição pessoal, física ou social entre seus
profissionais. Casos de desrespeito à essa política são passíveis de punição. A Neoenergia também
oferece treinamento online sobre diversidade, que pode ser acessado por todos os funcionários,
incluindo a nível da UHEBI.

Gestão socioambiental Confortável


 Sistema de gestão socioambiental (IFC-PS nº1): O PBA inclui um Programa de Gerenciamento
Ambiental para gerenciamento dos programas e ações previstas no PBA para atender as
condicionantes das licenças, incluindo supervisão, a fiscalização, o monitoramento e o controle
desses. Adicionalmente, todos os compromissos (como planos e programas) assumidos no processo
de licenciamento são monitorados periodicamente. A maioria dos programas são implementados por
empresas contratadas, com representantes do Consórcio sempre acompanhando sua
implementação, incluindo em visitas em campo. O responsável técnico da obra e o diretor presidente
do Consórcio são os responsáveis finais, e a área de regulação da Neoenergia também acompanha
regularmente o andamento do projeto. Dessa forma, acompanham e analisam todos os
subcontratados e os produtos elaborados e, através destes, validam a eficácia dos programas
implementados. Entretanto, a gestão ambiental não possui certificação externa que corrobore sua
eficácia.

 Transparência (IFC-PS nº1): O Consórcio controlador da UHE Baixo Iguaçu publica em seu site os
relatórios periódicos de monitoramento dos programas previstos no PBA, relacionados às
condicionantes das licenças ambientais. Dentre esses, o relatório do Programa de Gerenciamento
Ambiental é apresentado trimestralmente desde a obtenção da Licença de Instalação.

A UHE Baixo Iguaçu está envolvida em quatro controvérsias socioambientais


associadas ao licenciamento, processos trabalhistas e reclamações da comunidade
afetada pelo empreendimento. Seu nível de responsividade é considerado adequado
para resolução e mitigação dessas questões. Esse fato é importante, pois indica que os
programas de monitoramento, prevenção, mitigação e compensação de impactos
socioambientais têm sido efetivos.

Ambiental Nível de Severidade Responsividade

Baixo: Divergência de intepretação legislativa


Remediativa: A empresa buscou
entre o IBAMA e o IAP sobre a competência
regularizar a situação do projeto
Auto de Infração no licenciamento da supressão de vegetação
para possibilitar seu andamento.
n° 9144632-E no projeto. IBAMA aplicou a multa no valor de
Prestou esclarecimentos ao IBAMA
aplicado pelo R$ 645.000,00 ao Consórcio por ter feito o
e já concluiu as compensações
IBAMA em 2018 processo de supressão sem sua anuência. No
demandadas. IBAMA já levantou o
entendimento do IAP, a aprovação do órgão
termo de embargo.
estadual bastaria para esse caso.
Remediativa: Após aprovação dos
Baixo: Enchente afetou obra de instalação de estudos, ANEEL reconheceu o
Suspensão da vertedouros, fazendo equipamentos caírem no excludente de responsabilidade dos
Licença de rio Baixo Iguaçu. Foi levantada a hipótese de atrasos decorrentes de ato do
Instalação pela galgamento por enchentes. Demanda de poder público, caso fortuito e de
Justiça em 2014 novos estudos causou suspensão da LI por 20 força maior. Não foi aplicada
meses. penalidade pelo atraso e o prazo da
obra foi prorrogado.

Social Nível de Severidade Responsividade


Remediativa: O Consórcio
NUFURB e MP Médio: Recomendação conjunta da conduziu negociação com as
recomendam que Defensoria Pública e do Ministério Público famílias afetadas, oferecendo
IAP não autorize Estadual buscava suspender a opções de remanejamento.
enchimentos e implementação até a resolução de todos os Chegaram em um acordo
testes na UHEBI casos de desapropriação na região. diretamente com as famílias, que
optaram por obter cartas de crédito.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 25


Médio: Funcionários requerem pagamento de Defensiva: A empresa está
Reclamações
horas extras, diferença salarial, diferenças de acompanhando o andamento dos
trabalhistas de
verbas rescisórias, dentre outros pedidos processos sob os quais tem
ex-empregados
relacionados à legislação trabalhista. O total responsabilidade subsidiária.
de empresas
de 7 ações resulta em uma contingência de R$
terceirizadas
3.241.186,59. A Geração Céu Azul,
atuantes na UHE
subsidiária da Neoenergia, é indicada como
Baixo Iguaçu
responsável subsidiária.

Dessa forma, é possível concluir que a emissora estabeleceu de maneira confortável


os procedimentos para gestão de riscos socioambientais associados ao projeto da
Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, que receberá aportes do Título Verde, bem como para
garantir que esse contribua para o desenvolvimento sustentável.

26 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


V. Performance ASG da Neoenergia
A Neoenergia é uma holding do setor elétrico controlada pela Iberdrola Energia,
empresa espanhola do setor de energia. A Neoenergia atua nos 4 segmentos do setor
de energia: geração, transmissão, distribuição e comercialização.

Sua capacidade instalada de geração é de 4,6 GW em operação comercial em ativos


de energia hidrelétrica, eólica e termelétrica, considerando os ativos em operação e em
implementação. A capacidade instalada da Neoenergia tem a seguinte participação de
cada fonte:

14,9% Hidrelétrica

0,1% Térmica ciclo


combinado
15,3% Térmica diesel
69,7%
Eólica

Em 1T19, a Neoenergia operava no segmento de transmissão através de três


subsidiárias: Afluente T, Narandiba e Potiguar Sul, que totalizam 679 km de linhas de
transmissão e 11 subestações de transmissão.

A análise da Neoenergia tem como objetivo avaliar sua capacidade de medir, prevenir,
mitigar e compensar riscos associados aos projetos que desenvolve. Dessa maneira é
possível averiguar sua capacidade de manter inalteradas as condições que permitem
que os projetos subjacentes sejam elegíveis a uma emissão caracterizada como Título
Verde.

Nesse contexto, fizemos uma avaliação de políticas e práticas da empresa para os


segmentos de geração e transmissão de energia. Adicionalmente, pesquisamos
controvérsias de caráter social, ambiental e de governança envolvendo a companhia e
suas SPEs associadas aos projetos.

SITAWI Research
Análise de performance ASG da empresa

Empresa: Neoenergia
País: Brasil
Setor (GICS): Serviços de Utilidade Pública

Pontos fortes
 Compromisso de descarbonização da matriz
elétrica e promoção de fontes renováveis;
 Promoção do desenvolvimento de empregados
e respeito à liberdade sindical;
 Inclusão de critérios socioambientais para
contratação e gestão de empresas fornecedoras
e subcontratadas.
Oportunidades de melhoria
! Formalização de políticas de respeito à
comunidades tradicionais e promoção de
desenvolvimento local;
! Formalização de políticas de gestão de
acidentes ambientais e de resíduos e efluentes.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO - DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 27


Desempenho ASG

De modo geral, a Neoenergia obteve um desempenho ASG confortável. A análise


completa se encontra na Tabela 10. Como destaque positivo está seu compromisso de
descarbonização da matriz elétrica e promoção de fontes renováveis, em linha com sua
Política Contra a Mudança Climática, que aliada às políticas de Meio Ambiente, Gestão
Sustentável e Biodiversidade definem boas práticas da empresa nesse âmbito.

Adicionalmente, a empresa possui boas práticas de recursos humanos, como os


sistemas de saúde e segurança e de treinamento e formação de funcionários. Também
possui práticas avançadas de compliance, que junto do Código de Ética, determinam as
práticas de governança interna do grupo.

Por outro lado, foram identificados pontos de melhoria. A Neoenergia pode se beneficiar
da institucionalização de práticas socioambientais, para que transcendam as práticas
implementadas hoje a nível dos projetos. Por exemplo, a formalização de políticas de
respeito às comunidades tradicionais e promoção de desenvolvimento local, do lado
social, e de gestão de acidentes ambientais e de resíduos e efluentes, do lado
ambiental.

Tabela 10 - Análise de práticas e políticas ASG

Ambiental Confortável
 Uso de Recursos: A Neoenergia possui empreendimentos de geração de energia hidrelétrica e
termelétrica, que são consideradas matrizes intensivas no uso de recursos hídricos. Para as
termelétricas, também é relevante o uso de diesel e gás natural. Como parte de sua Política de Gestão
Sustentável, a Neoenergia se compromete com a redução do impacto ambiental de todas as suas
atividades e com o uso eficiente dos recursos hídricos e naturais em suas operações. Está
desenvolvendo meta de transição do uso de gasolina para etanol em veículos corporativos no médio
prazo, e veículos elétricos no longo. Também está desenvolvendo plano de melhorias em termelétricas
para reduzir o consumo hídrico. A capacidade instalada da Neoenergia em operação comercial é de
4,6 GW. Aproximadamente 85% da capacidade de geração da companhia é de fontes renováveis.
Para monitorar a performance e garantir a qualidade das operações, a Neoenergia possui sistemas de
gestão da qualidade. Em 1T19, a Neoenergia operava no segmento de transmissão através de três
subsidiárias: Afluente T, Narandiba e Potiguar Sul. Dentre essas, a Afluente T teve índices de 98% de
disponibilidade nas transmissões em 2017. A companhia monitora a frequência de duração na
interrupção da transmissão de energia, dado que é apurado pela ONS. Além disso, 100% de suas
subestações são comandadas por telecomando.

 Ecossistemas: Os setores de geração e transmissão têm potencial relevante de impacto sobre a fauna
e flora, principalmente na fase de construção. Todas as unidades de geração da empresa realizam o
monitoramento da fauna e flora que podem ser impactadas com os projetos da empresa, assim como
implementam programas de mitigação do impacto na fauna e flora de acordo com os projetos a serem
desenvolvidos. Em sua Política de Meio Ambiente, compromete-se a respeitar a legislação ambiental
vigente e, na medida do possível, antecipar-se à aplicação de nova legislação. No entanto, a
Neoenergia reportou em seu Formulário de Referência 2018 a existência de seis processos que
envolvem questões relacionadas ao licenciamento ambiental de seus projetos. Três estão relacionados
à UHE Dardanelos, um à UHE Baguari, um à UHE Baixo Iguaçu e um à UHE de Teles Pires. Os
processos ainda estão em tramitação, não havendo impacto concreto sobre a empresa e não existem
valores provisionados até o momento.

 Gestão de Resíduos: As estruturas dos empreendimentos da Neoenergia são potenciais geradores


de resíduos após o seu período de vida útil, principalmente para o segmento de geração eólica e
termelétrica. Na Política Geral de Desenvolvimento Sustentável é estabelecido que a empresa visa
otimizar a gestão de resíduos por meio de sistemas implantados que estabelecem objetivos e metas
para o tema, ainda que não especifique preocupação com efluentes. A companhia tem alto potencial
de emissão de NOx e CO2 através da UTE Termopernambuco. Essas emissões são mitigadas através
do uso de queimadores de Dry-low e estão dentro dos parâmetros legais. Adicionalmente, a
Neoenergia realiza o monitoramento de emissões particuladas e GEE.

 Mudanças climáticas: A Neoenergia tem potencial significativo de emissão de GEE através de suas
operações em termelétricas. Além disso, também há o potencial relacionado à transmissão e geração
por UHE. A empresa possui Política Contra a Mudança Climática onde formaliza seu compromisso

28 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


com a descarbonização de sua matriz energética, tendo como meta a emissão de até 50g de CO2 por
kWh até 2030. A empresa não tem iniciativas de compensação de emissões de gases de efeito estufa.

Social Confortável
 Comunidades: As atividades de transmissão, geração eólica e hidrelétrica da Neoenergia podem
produzir ruídos nocivos para as comunidades próximas. A companhia se compromete através da
Política de Gestão Ambiental a cumprir rigorosamente os requisitos aplicáveis a casos de ruídos,
promovendo acessibilidade, inclusão e não discriminação em seu planejamento e execução. As
operações da Neoenergia também possuem potencial impacto sobre a paisagem, mas não há histórico
de controvérsias. É definido na Política de Biodiversidade que a empresa fomenta a proteção,
conservação e uso sustentável da paisagem que possa ser impactada por suas operações, de forma
a adotar medidas específicas que corroborem a sua política. As instalações da companhia podem
demandar a remoção das comunidades próximas, principalmente no caso das hidrelétricas. A
compensação e negociação com proprietários de terra segue critérios desenvolvidos a nível dos
projetos. No desenvolvimento de seus projetos a Neoenergia dá indícios de priorização da contratação
da mão de obra local, além de promover a capacitação dos mesmos. A Política de Relacionamento
com Grupos de Interesse determina o envolvimento de comunidades no desenvolvimento e
implementação de projetos, mas não existe compromisso pela promoção do desenvolvimento local.
Em relação às comunidades tradicionais, a Neoenergia inclui preocupação com minimização de
impactos de seus empreendimentos de geração e transmissão, incluindo na etapa de planejamento
da localização. Também tem práticas de comunicação com comunidades no entorno de seus
empreendimentos sobre seus possíveis impactos à essas comunidades e de compensação de acordo
com a legislação. No entanto, não tem prática de comunicação à comunidade tradicional sobre seus
direitos sobre a terra.

 Clientes: A Neoenergia estabelece em sua Política de Relação com Grupos de Interesses a


instauração de canais de comunicação e relacionamento com seus clientes. Também são
estabelecidos processos de qualidade e planos de atuação para a melhoria do relacionamento com
esses stakeholders.

 Cadeia de Suprimentos: A mão de obra terceirizada representa 54% do total de funcionários


utilizados para as atividades-fim da Neoenergia. Há registro de controvérsia pontual que envolvam
seus trabalhadores terceirizados. O sistema de gestão de saúde e segurança abarca colaboradores
efetivos e terceirizados. Os índices de acidentes com terceirizados são maiores do que para
funcionários próprios, dado que os terceirizados realizam atividades com maior risco associado, porém
os indicadores para ambos registraram melhora nos últimos 3 anos. A Neoenergia utiliza critérios
socioambientais para seleção de fornecedores, como práticas ambientais, trabalhistas, de direitos
humanos e impactos na sociedade, conforme determinado no Código de Ética para Fornecedores. Em
sua Política de Relacionamento com Grupos de Interesse, a Neoenergia estabelece práticas de
engajamento com seus fornecedores, como eventos e encontros para melhorar o seu relacionamento.
Além disso, também realiza auditorias anuais e implementa mecanismos de fiscalização de práticas
socioambientais. As empresas contratadas precisam seguir diretrizes de treinamento segundo
cláusulas contratuais. O grupo não possui controvérsias relacionadas ao tema de fornecedores.

 Recursos Humanos: A Neoenergia assegura a todos os colaboradores o direito de livre associação,


organização e mobilização sindical em seu Código de Ética, bem como utiliza os canais de
comunicação interna para divulgar e informar os avanços das negociações e realiza juntamente com
o Sindicato reuniões de acompanhamento do Acordo Coletivo de Trabalho durante todo o ano. 46%
dos funcionários do grupo são sindicalizados, e todos são cobertos pelos acordos coletivos. A
Neoenergia divulga dados relacionadas a saúde e segurança ocupacional e possui sistema de
treinamento de saúde e segurança para seus colaboradores, sendo esse certificado OHSAS 18.001.
Apesar da diminuição recente no número de acidentes ocupacionais entre 2015 e 2017 (de quase
40%), houve aumento significativo de fatalidades no mesmo período (de 0 para 10). É especificado
que a lei em relação a remuneração de seus funcionários é cumprida. As fases de construção de
empreendimentos de geração e transmissão de energia são as que empregam quantidade relevante
de mão de obra (principalmente UHE), porém a empresa não tem política ou compromisso público
sobre geração de emprego. A Neoenergia se compromete publicamente com o treinamento e evolução
de seus colaboradores, assim como com a diversidade no ambiente de trabalho. Conta com sistema
de avaliação de desempenho individual, que define necessidade de treinamentos internos ou externos
(para os quais oferece financiamento) e remuneração. Não foram identificadas controvérsias
relacionadas a danos a liberdade sindical.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 29


Governança Confortável
 Transparência: A Neoenergia disponibiliza em seu site seus relatórios DFP e Relatório Anual, que
segue o padrão GRI e descreve os principais programas e políticas adotados. O Relatório Anual, no
entanto, não é auditado externamente. Também são disponibilizadas publicamente informações sobre
o conselho da companhia.

 Integridade: A empresa não possui histórico de processos e exposição em mídia por controvérsias
relacionadas a Integridade. Disponibiliza em seu site e na intranet seu código de conduta. Não existe
histórico de envolvimento em casos de corrupção. A Empresa possui um canal confidencial de
denúncias, que recebe questionamentos éticos e sobre desvios de conduta, aberto a todos os seus
stakeholders. Tem procedimentos internos de investigação para desvios de conduta, para avaliação
de riscos de corrupção e de due diligence de fornecedores. A Neoenergia não patrocina políticos e
atividades político-partidárias. A companhia obteve o Selo Pró Ética em suas duas últimas edições e
foi considerada a empresa mais transparente, dentre as 100 maiores empresas e 10 maiores bancos
brasileiros, em termos de programa de integridade e transparência organizacional em relatório
publicado pela Transparência Internacional, em janeiro de 2018

 Governança Corporativa: A Neoenergia não possui histórico de processos e exposição em mídia por
controvérsias relacionadas a governança. Os cargos de presidente do Conselho de Administração e
diretor-executivo não são ocupados pela mesma pessoa, mas não há membros independentes ou
mulheres no Conselho de Administração. A companhia divulga publicamente a remuneração total do
conselho de administração e da diretoria.

Em relação ao estudo de controvérsias, concluímos que a Neoenergia está envolvida


em casos ligados à danos ambientais, impacto a comunidades locais e licenciamento
ambiental em empreendimentos na qual é acionista controladora dos consórcios. Seu
nível de responsividade é considerada adequado para resolução dessas questões. Esse
fato é importante, pois indica que as práticas da empresa são efetivas.

Tabela 11 – Controvérsias envolvendo a empresa Neoenergia

Ambiental Nível de Severidade Responsividade

Médio: A implementação da usina foi marcada


Eventuais danos por inúmeros protestos e ações judiciais de
ambientais povos indígenas, comunidades tradicionais e Remediativa: Empresa atua pela
provocados pela do Ministério Público Federal (MPF) por danos manutenção da operação da usina.
UHE Teles Pires ambientais, incluindo locais sagrados para
comunidades indígenas locais.
Ação Civil
Médio: ACP argumenta que UHE não estaria
Pública por
cumprindo a legislação ambiental no que
eventual Remediativa: Empresa atua pela
concernem as APPs, pedindo revogação de
descumprimento manutenção da operação da usina.
licenças e reparação dos possíveis danos
de APP na UHE
ambientais
Baguari
Não responsiva: Empresa considera
Processo contra Alto: Declaração de invalidade do EIA-RIMA
o processo como perda possível em
licença para a implementação da UHE Dardanelos e
seu Formulário de Referência, por
ambiental da obrigação de reparação de todos os danos
isso ainda não estabeleceu medidas
UHE Dardanelos ambientais.
a serem adotadas.

Por meio dessa análise, concluímos que a Neoenergia possui práticas ASG confortáveis
e know how técnico de suas atividades. A empresa possui três empreendimentos
hidrelétricos expostos a controvérsias e seu nível de responsividade é considerado
adequado para resolução dessas questões. Sendo assim, concluímos que a empresa
tem capacidade de medir, prevenir, mitigar e compensar riscos e sustentar as
condicionantes que conferem a qualidade de Título Verde à debênture.

30 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


Método
A análise da SITAWI é baseada em sua metodologia proprietária, fundamentada em
standards reconhecidos internacionalmente. Ela é composta de três etapas:

1) Avaliação da emissão – o primeiro passo é avaliar se a emissão tem como objetivo


contribuir com projetos que possuem potencial de impactos socioambiental positivo,
condizente com a condição de Título Verde. Para isso, comparamos a emissão aos
quatro componentes dos Green Bond Principles (GBP):

 Uso dos recursos (use of proceeds): propósito da emissão do título e


alinhamento desse com as categorias dos Green Bond Principles e da
Climate Bonds Taxonomy;
 Processo de seleção e avaliação de projetos (process for project evaluation
and selection): procedimentos utilizados na escolha de projetos, alinhamento
desses projetos com a estratégia da companhia e benefícios ambientais
gerados;
 Gestão dos recursos (management of proceeds): procedimento para gestão
financeira dos recursos captados, para garantir a destinação para projetos
elegíveis a classificação de Título Verde;
 Relato (reporting): Divulgação de informações sobre controle e alocação de
recursos, bem como dos impactos positivos esperados dos projetos.

2) Performance Socioambiental dos projetos – avaliamos os projetos com base no


atendimento à legislação socioambiental brasileira e as melhores práticas contidas
nos IFC Performance Standards (IFC-PS) e outros padrões de sustentabilidade.
Nesse contexto, os principais aspectos analisados são:

 Processo de medição, prevenção, mitigação e compensação dos impactos


ambientais do projeto;
 Contribuição do projeto para o desenvolvimento sustentável;
 Controvérsias14 em que o projeto está envolvido.

Essa análise é composta de 4 dimensões e 12 temas, priorizados de acordo com a


materialidade de cada tema para o projeto:

Tabela 6 - Critérios para avaliação do projeto

Dimensão Tema

 Áreas protegidas (IFC-PS nº6)


 Impacto na biodiversidade local (IFC-PS nº6)
Ambiental
 Utilização de materiais de menor impacto (IFC-PS nº3)
 Resíduos e ciclo de vida do projeto (IFC-PS nº3)
 Diálogo com comunidades no entorno (IFC-PS nº4)
 Impacto em comunidades tradicionais (IFC-PS nº7)
Comunidades
 Reassentamento involuntário (IFC-PS nº5)
 Impacto em sítios arqueológicos e culturais (IFC-PS nº8)

14
O conceito de controvérsia é baseado na publicação “CONTROVÉRSIAS ASG 2017”
(https://www.sitawi.net/publicacoes/controversias-asg-2017/) que define controvérsias como fatos divulgados em veículos de mídia,
manifestações de outros grupos de interesse, como grupos de trabalhadores e movimentos sociais, bem como decisões de órgãos
fiscalizadores e reguladores.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 31


 Condições de trabalho dos empregados diretos e terceirizados
(IFC-PS nº2)
Trabalhadores
 Ações de não-discriminação na contratação e ambiente de
trabalho (IFC-PS nº2)
 Sistema de gestão socioambiental (IFC-PS nº1)
Gestão socioambiental
 Transparência (IFC-PS nº1)

3) Performance ASG da Empresa – avaliamos a empresa de acordo melhores práticas


de sustentabilidade por meio de standards reconhecidos internacionalmente, como
GRI15 e outros. Nesse contexto, os principais aspectos analisados são:

 Políticas e práticas para medição, prevenção, mitigação e compensação dos


riscos ASG de suas atividades;
 Contribuição da empresa para o desenvolvimento sustentável e mitigação
das mudanças climáticas;
 Controvérsias em que a empresa está envolvida.

Essa análise é composta de 3 dimensões e 10 temas, priorizados de acordo com a


materialidade de cada tema para a empresa:

Tabela 7 – Políticas e práticas analisadas

Dimensão Práticas

 Uso de Recursos
 Ecossistemas
Ambiental
 Gestão de Resíduos
 Mudanças climáticas
 Comunidades
 Clientes
Social
 Cadeia de suprimento
 Recursos humanos
 Transparência
Governança  Governança Corporativa
 Integridade

Legendas

Nível da Asseguração
Tabela 8 - Níveis de asseguração

Níveis de asseguração
Razoável Capaz de confirmar de forma convincente os princípios e objetivos da asseguração.
Moderado Capaz de confirmar de forma parcial os princípios e objetivos da asseguração.
Limitado Incapacidade de confirmar os princípios e objetivos da asseguração.

Nível de performance do projeto/empresa

Superior

15
https://www.globalreporting.org/Pages/default.aspx

32 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


A empresa ou o projeto possui as melhores práticas naquela dimensão, se tornando
referência para outras empresas no desempenho socioambiental/ASG por meio da
busca de inovação e melhoria contínua, contribuindo assim de maneira relevante para
o desenvolvimento sustentável, inclusive com compromissos de manter essa
contribuição no longo prazo.

Confortável

O projeto ou a empresa cumpre os requisitos mínimos de conformidade com a legislação


no tema específico, além de estar alinhado com padrões internacionais de
sustentabilidade (ex: IFC Performance Standards e GRI), contribuindo de forma ampla
para o desenvolvimento sustentável.

Satisfatório

O projeto ou a empresa cumpre os requisitos mínimos de conformidade com a legislação


no tema específico.

Insuficiente

O projeto ou a empresa não cumpre os requisitos mínimos de conformidade com a


legislação no tema específico.

Crítico

A empresa ou projeto não apresenta evidências de seu desempenho na dimensão


específica.

Controvérsias

Tabela 9 – Nível de Severidade e Responsividade relacionado a controvérsias

Nível de Severidade
Descumpre a lei e/ou afeta negativamente os stakeholders, mas não causa danos
Baixo
ou causa dano mínimo que não necessitam de remediação.
Descumpre a lei e/ou afeta negativamente os stakeholders, sendo o nível de
Médio
dificuldade e custo de remediação medianos.
Descumpre a lei e afeta negativamente os stakeholders, sendo os danos
Alto
irremediáveis ou com remediação difícil ou custosa.

Responsividade
Além da empresa agir de maneira remediativa diante de uma controvérsia, ela
Proativa adota medidas que vão além da sua obrigação. Adicionalmente, a empresa realiza
procedimentos sistemáticos para evitar que o problema ocorrido se repita.
A empresa realiza as ações necessárias para correção dos danos e se comunica
Remediativa
adequadamente com os stakeholders impactados.
A empresa realiza ações insuficientes para correção dos danos ou emite
Defensiva
comunicado sem realização de ações corretivas.
Não-responsiva Não há qualquer ação ou comunicação da empresa em relação à controvérsia.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 33


Formulário Green Bond Principles
Green Bond / Green Bond Program
External Review Form

Section 1. Basic Information

Issuer name: Neoenergia


Review provider’s name: SITAWI
Completion date of this form: 15/May/2019
Publication date of review publication: TBD

Section 2. Review overview

SCOPE OF REVIEW
The review assessed the following elements and confirmed their alignment with the
GBPs:

☒ Use of Proceeds ☒ Process for Project Evaluation and


Selection
☒ Management of Proceeds ☒ Reporting

ROLE(S) OF REVIEW PROVIDER


☒ Consultancy (incl. 2nd opinion) ☐ Certification
☐ Verification ☐ Rating
☐ Other (please specify):

EXECUTIVE SUMMARY OF REVIEW


According to SITAWI, Neoenergia’s issuance is aligned with the Green Bond Principles
and thus eligible to market as a Green Bond. All net proceeds from the Debenture will
be destined to future payments and reimbursements of expenses to: fifteen wind power
plants in Paraíba state; ten electricity transmission infrastructure projects in 12 states
and one hydropower plant in Paraná state (all implemented in Brazil).

The proceeds will be managed by Neoenergia treasury department until complete


allocation. Neoenergia has its own procedures for temporary investments, favoring low
risk and highly liquid investments, mainly in government bonds and term deposits with
banks (CDB).

The initial issuance amounts to R$ 1,250 MM, which represents about 8.8% of the
estimated total costs of the Nominated Projects (R$ 14,280 MM). The final issuance
may amount to R$ 1,500 MM. The remaining funding for the projects will be financed
by bank loans and the Issuer's own capital. Neoenergia estimates that the proceeds
will be fully allocated by 2021.

The projects have a satisfactory environment and social performance. The issuer will
report annually the proceeds allocation and related environmental benefits. Neoenergia
has a satisfactory ESG performance.

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO - DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 34


Section 3. Detailed review

1. USE OF PROCEEDS
Overall comment on section: The debenture's term sheet indicates that the proceeds
will be fully allocated to future payments and/or reimbursements of expenses related to
the implementation of fifteen wind power plants (and dedicated transmission lines); ten
electricity transmission infrastructure projects and one hydropower plant (and
dedicated transmission line). These projects meet the eligibility requirements as they
fall under ‘Wind’, ‘Transportation and Distribution’ and ‘Hydropower’ classification under
‘Energy’ head of Climate Bonds Taxonomy and also is aligned with GBP.

Use of proceeds categories as per GBP:


☒ Renewable energy ☐ Energy efficiency

☐ Pollution prevention and control ☐ Sustainable management of living


natural resources

☐ Terrestrial and aquatic biodiversity ☐ Clean transportation


conservation

☐ Sustainable water management ☐ Climate change adaptation

☐ Eco-efficient products, production ☒ Other (please specify):


technologies and processes Transmission of renewable
energy
☐ Unknown at issuance but currently
expected to conform with GBP
categories, or other eligible areas
not yet stated in GBPs

If applicable please specify the environmental taxonomy, if other than GBPs: According
to CBI taxonomy, the projects are included in Wind Energy generation facilities and
infrastructure categories; or in Transmission & Distribution infrastructure category; or in
Hydropower Energy generation facilities and infrastructure categories.

2. PROCESS FOR PROJECT EVALUATION AND SELECTION


Overall comment on section (if applicable):
Overall comment on section (if applicable): The debenture's term sheet specifies
the objective of the projects: construction and implementation of:

 fifteen Wind farms, each one represented by a SPV: Canoas 2 (“Canoas 2 Energia
Renovável S.A.”); Canoas 3 (“Canoas 3 Energia Renovável S.A.”); Canoas 4
(“Canoas 4 Energia Renovável S.A.”); Chafariz 1 (“Chafariz 1 Energia Renovável
S.A.”); Chafariz 2 (“Chafariz 2 Energia Renovável S.A.”); Chafariz 3 (“Chafariz 3
Energia Renovável S.A.”); Chafariz 4 (“Chafariz 4 Energia Renovável S.A.”);
Chafariz 5 (“Chafariz 5 Energia Renovável S.A.”); Chafariz 6 (“Chafariz 6 Energia
Renovável S.A.”); Chafariz 7 (“Chafariz 7 Energia Renovável S.A.”); Lagoa 3
(“Lagoa 3 Energia Renovável S.A.”); Lagoa 4 (“Lagoa 4 Energia Renovável S.A.”);
Ventos de Arapuá 1 (“Ventos de Arapuá 1 Energia Renovável S.A.”); Ventos de
Arapuá 2 (“Ventos de Arapuá 2 Energia Renovável S.A.”); Ventos de Arapuá 3

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 35


(“Ventos de Arapuá 3 Energia Renovável S.A.”), and dedicated transmission line,
managed and controlled by NEOENERGIA S.A
 ten electricity transmission infrastructure projects, each one represented by a SPV:
EKTT 1 (“EKTT 1 Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 2
(“EKTT 2 Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 3 (“EKTT
3 Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 4 (“EKTT 4
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 5 (“EKTT 5
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 11 (“EKTT 11
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 12 (“EKTT 12-A
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 13 (“EKTT 13-A
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); EKTT 14 (“EKTT 14-A
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”); e EKTT 15 (“EKTT 15-A
Serviços de Transmissão de Energia Elétrica SPE S.A.”), all managed and
controlled by NEOENERGIA S.A.
 one hydropower plant: Baixo Iguaçu, managed and controlled by a Consortium 70%
controlled by Geração Céu Azul S.A., which is managed and controlled by
NEOENERGIA S.A.

As the projects are concluded or under construction, the list of Eligible Projects is
equivalent to the list of selected projects associated with the bond. In addition, the
projects will generate an estimated 1,150.7 GWh per year of renewable energy and
avoid the emission of 282.2 thousand tCO2eq per year compared to the Brazilian
electricity mix in 2018. Proportionally, the debenture’s proceeds correspond to 299.1
GWh and 27.7 thousand tCO2eq of this environmental benefit.

Evaluation and selection


☒ Defined and transparent criteria ☒ Documented process to determine
for projects eligible for Green that projects fit within defined
Bond proceeds categories
☒ Summary criteria for project ☐ Other (please specify):
evaluation and selection publicly
available

Information on Responsibilities and Accountability


☒ Evaluation / Selection criteria ☒ In-house assessment
subject to external advice or
verification
☐ Other (please specify):

3. MANAGEMENT OF PROCEEDS
Overall comment on section (if applicable): All net proceeds from the debenture will
be destined to future payments and/or reimbursements of expenses of the selected
projects. The allocation of proceeds via SPVs and Consortium guarantees that
proceeds will be destined to the unique purpose of wind and hydro electricity
generation and transmission lines. Whenever the proceeds are not immediately
allocated to the projects, they will be invested in cash instruments until their allocation.

The issuance may amount to R$ 1,500,000,000.00, which represents about 10.5% of


the estimated total costs of the Nominated Projects (R$14,280,000,000.00), which is
not greater than the Issuer's debt obligation to the Nominated Projects. The remaining
resources will be financed by banking loans and the Issuer's own capital.

36 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA


Tracking of proceeds:
☒ Green Bond proceeds segregated or tracked by the issuer in a systematic
manner
☒ Disclosure of intended types of temporary investment instruments for
unallocated proceeds
☐ Other (please specify):

Additional disclosure:
☐ Allocations to future investments ☒ Allocations to both existing and
only future investments
☐ Allocation to individual ☒ Allocation to a portfolio of
disbursements disbursements
☐ Disclosure of portfolio balance of ☐ Other (please specify):
unallocated proceeds

4. REPORTING
Overall comment on section (if applicable): Neoenergia will disclose annually, on its
website, the resources allocation on related projects, the amount of renewable energy
generated and the amount of Greenhouse Gases (GHG) avoided by the wind and
hydropower projects, and number of Green Users (power plants that generate wind,
solar, small hydro or biomass electricity) and income related to them for the
transmission lines.

Use of proceeds reporting:

☒ Project-by-project ☒ On a project portfolio basis

☐ Linkage to individual bond(s) ☐ Other (please specify):

Information reported:
☒ Allocated amounts ☒ GB financed share of total investment

☐ Other (please specify):


Frequency:
☐ Annual ☐ Semi-annual
☒ Other (please specify): quarterly

Impact reporting:

☒ Project-by-project ☒ On a project portfolio basis

☐ Linkage to individual bond(s) ☐ Other (please specify):

Frequency:
☒ Annual ☐ Semi-annual
☐ Other (please specify):

PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA | 37


Information reported (expected or ex-post):
☒ GHG Emissions / Savings ☐ Energy Savings

☒ Other ESG indicators (please specify):


Renewable energy generation (MWh);
number of Green Users (power plants
that generate wind, solar, small hydro or
biomass electricity) and income related to
them.

Means of Disclosure

☒ Information published in financial report ☐ Information published in sustainability report


☒ Information published in ad hoc ☐ Other (please specify):
documents
☐ Reporting reviewed (if yes, please specify which parts of the reporting are subject to
external review):

Where appropriate, please specify name and date of publication in the useful links
section.
USEFUL LINKS (e.g. to review provider methodology or credentials, to issuer’s
documentation, etc.)

SPECIFY OTHER EXTERNAL REVIEWS AVAILABLE, IF APPROPRIATE


Type(s) of Review provided:
☐ Consultancy (incl. 2nd opinion) ☐ Certification
☐ Verification / Audit ☐ Rating
☐ Other (please specify):
Review provider(s):
Date of publication:

ABOUT ROLE(S) OF REVIEW PROVIDERS AS DEFINED BY THE GBP


(i) Consultant Review: An issuer can seek advice from consultants and/or institutions
with recognized expertise in environmental sustainability or other aspects of the
issuance of a Green Bond, such as the establishment/review of an issuer’s Green
Bond framework. “Second opinions” may fall into this category.
(ii) Verification: An issuer can have its Green Bond, associated Green Bond
framework, or underlying assets independently verified by qualified parties, such
as auditors. In contrast to certification, verification may focus on alignment with
internal standards or claims made by the issuer. Evaluation of the environmentally
sustainable features of underlying assets may be termed verification and may
reference external criteria.
(iii) Certification: An issuer can have its Green Bond or associated Green Bond
framework or Use of Proceeds certified against an external green assessment
standard. An assessment standard defines criteria, and alignment with such
criteria is tested by qualified third parties / certifiers.
(iv) Rating: An issuer can have its Green Bond or associated Green Bond framework
rated by qualified third parties, such as specialized research providers or rating
agencies. Green Bond ratings are separate from an issuer’s ESG rating as they
typically apply to individual securities or Green Bond frameworks / programs

38 | PARECER DE SEGUNDA OPINIÃO – DEBÊNTURE VERDE DA NEOENERGIA

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