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Introdução:

A Adolescência é uma fase da vida que tem características próprias, marcada pela passagem da
infância para a idade adulta, com mudanças físicas, cognitivas e emocionais, inclusive no campo
da sexualidade, vivenciada de formas diferenciadas por cada sujeito, em cada sociedade, num
determinado tempo histórico (OZELLA, 2002; HEILBORN, 2006; BRASIL, 2010).

Na adolescência, a sexualidade se relaciona a um campo de descobertas e experiências que


implicam a tomada de decisões, requerendo responsabilidade e o exercício da autonomia. A
sexualidade também

Portanto, é necessário promover espaços de diálogo, com escuta dos sentimentos, desejos e
dúvidas, propiciar informações claras, construção de conhecimentos e acções de promoção de
saúde sexual e reprodutiva.

O adolescente deve ser percebido como um sujeito social inserido numa sociedade e num
determinado tempo histórico, o que o torna singular, conforme o sentido que lhe é atribuído no
interior do grupo onde vive. (OZELLA,2002; DAYRELL,2007).

Metodologia do trabalho:

Pesquisa de carácter exploratório – descritivo, com abordagem qualitativa, realizada junto a


adolescentes e docentes de uma escola secundária do distrito de Chiúre. A escolha da escola
efectuou – se por meio de amostragem aleatória simples, realizado previamente ao período de
colecta de dados do estudo.

Objectivo do trabalho
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O objectivo deste trabalho é descrever e discutir os factores associados à educação em
adolescentes nas escolas.  

A adolescência compreende o período de transição entre as fases infantil e adulta,


correspondendo a faixa etária dos 10 aos 19 anos de idade. Esta fase é caracterizada por
importantes mudanças biopsicossociais, com especificidades emocionais e comportamentais que
repercutem na saúde sexual e reprodutiva de ambos os sexos, sendo, pois, uma fase que necessita
de informações e de cuidados conducentes à saúde. A preocupação especial com a saúde sexual e
reprodutiva dos adolescentes se deve a precocidade do início da actividade sexual, a qual
contribui para expor os adolescentes aos riscos da gravidez não planejada e das Infecções
Sexualmente Transmissíveis (IST).

De qualquer maneira, é fundamental, tanto para meninos como para as meninas, proporcionar um
clima de debate aberto e franco sobre a sexualidade, abordando as questões de género,
favorecendo uma preparação dos jovens de forma reflectida.

Estudo qualitativo realizado por Nascimento e Gomes busca discutir os principais sentidos
atribuídos à iniciação sexual masculina a partir da óptica dos jovens entrevistados, com idade
entre 15 e 16 anos. Os autores consideram que a

Iniciação sexual masculina reflecte relações mais amplas, perpassadas pelo


modelo hegemónico de género, onde o processo de socialização de meninos e
meninas costuma ser distinto, e a iniciação sexual masculina pode conferir ao
jovem o status de ser homem, além de destaque dentro do grupo de
pares. (NASCIMENTO; GOMES, 2009, p.1102).

Abramovay et al (2004), com objectivo de contribuir para o debate sobre relações existentes
entre sexualidade e juventudes na escola, apontam a idade da primeira relação como um dos
indicadores mais usados para se analisar os riscos à saúde sexual e reprodutiva. Seus resultados
indicam que a média de idade da primeira relação sexual é significativamente mais baixa entre
alunos do sexo masculino (10 a 14 anos), quando comparada à das estudantes do sexo feminino
(15 a 19 anos), destacando que a iniciação sexual é um rito de passagem, envolvendo distintos

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trânsitos entre a infância, a adolescência e a juventude, constituindo-se num rito de vida dos
indivíduos e das colectividades.

Nesse sentido, observa-se que Os valores tradicionais ainda persistem no que diz respeito à
superioridade do homem em relação à mulher, principalmente no âmbito da sexualidade,
fazendo com que as mulheres ainda se encontrem em posição de submissão em relação ao sexo
oposto.   (NOGUEIRA, 2009, p.43).

Dentre outros factores, essa falta de poder interfere nas questões relacionadas à anticoncepção e
à reprodução, pois as mulheres ainda têm poucas possibilidades de discutir e decidir com seus
parceiros sobre o uso de um método contraceptivo.

Acesso à informação na escola sobre DSTs/AIDS e prevenção da gravidez

O acesso à informação sobre DSTs/AIDS na escola foi outro factor analisado na PeNSE. No
Brasil, as proporções encontradas são semelhantes no que se refere à dependência administrativa
das escolas, sendo que 87,5% (IC95%: 86,9%-88,0%) dos escolares da rede pública e 89,4%
(IC95%: 88,5%-90,2%) dos escolares da rede privada disseram ter recebido informações sobre
AIDS ou outras doenças sexualmente transmissíveis.

Os altos percentuais sugerem que a maioria dos alunos nas escolas deveria receber algum tipo de
orientação sobre DST/AIDS, entretanto, não se sabe a qualidade da educação recebida e o tipo de
abordagem adoptada pelas escolas para se trabalhar com a sexualidade, o que requer estudos
qualitativos complementares.

Com relação ao tema da gravidez na adolescência, alguns estudos apontam a orientação sobre
prevenção na escola como um factor de protecção à saúde sexual e reprodutiva. Pesquisa de
Andrade et al (2009) aponta que os programas de Educação Sexual podem ser efectivos na
geração de mudanças positivas, como aumento do uso de preservativos e contraceptivos entre os
adolescentes.

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Estudo de Borges e Schor (2006) revela que 85,9% dos adolescentes em muitas escolas se forem
a entrevistar alguma vez de grupos com actividades educativas voltadas à sexualidade na escola,
evidenciando a presença da escola e de seus professores como promotores de Educação Sexual.

Brandão e Heilborn (2006) afirmam que "a desinformação juvenil, dificuldades de acesso aos
métodos contraceptivos, a pobreza, as situações de marginalidade social" circundam os eventos
relacionados à saúde sexual e reprodutiva.

Quanto à gravidez na adolescência, ao invés de associá-la à reprodução de padrões


tradicionais de inserção à vida adulta, ela é considerada um

[...] evento contingente ao processo de autonomização juvenil, significando que o


processo de aprendizado e construção da autonomia pessoal nessa fase da vida
pode implicar certos desdobramentos imprevistos, como a gravidez, que
redundam em reordenamento da trajectória juvenil e familiar. (BRANDÃO;
HEILBORN, 2006, p.1422).

A garantia dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes integra-se ao direito à saúde e aos
direitos humanos. Para garantir os direitos dos adolescentes, é necessário criar serviços de saúde
sensíveis às suas necessidades, espaços privados e acolhedores onde se sintam confortáveis, os
quais devem ser fisicamente acessíveis, com atendimentos em horários convenientes, serviços
gratuitos e encaminhamentos a outros serviços relevantes quando for preciso (BRASIL, 2009;
BRASIL, 2010).

Resultados

Os entrevistados alunos foram caracterizados quanto ao sexo, idade. Quanto aos docentes foram
questionados de forma adicional a formação, realização de outros cursos e tempo de experiência
na actuação como professor. O sexo feminino prevaleceu na população de adolescentes, sendo
onze meninas e quatro meninos. Quanto aos professores, a amostra foi constituída por cinco
docentes do sexo feminino e sete do sexo masculino.

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Conclusão:

A realização deste trabalho é um considerável avanço na busca do conhecimento sobre a saúde


dos adolescentes, bem como no processo histórico da sociedade brasileira de reconhecer e dar
visibilidade aos adolescentes, parcela da população esquecida e, até mesmo, estigmatizada por
muito tempo.

Em Moçambique ampliam as informações sobre os factores de risco e protecção à saúde dos


escolares, envolvendo profissionais de todas as áreas, pois os problemas apresentados são
multifatoriais, de grande complexidade e exigem múltiplos olhares na sua compreensão. Nesse
sentido, a pesquisa é inovadora e pode inspirar o caminho para a construção de políticas públicas
intersetoriais, particularmente entre a Saúde e a Educação para adolescentes.

Embora as escolas contribuam para a ampliação dos conhecimentos, apresentando uma


macroanálise da saúde de adolescentes, observam-se limites interpretativos na pesquisa, que
podem ser enriquecidos por pesquisas qualitativas. As escolas apresentam um cenário de
tendências da saúde de adolescentes nos grandes centros urbanos moçambicano, no entanto, faz-
se necessário conhecer, também, as particularidades da saúde de adolescentes que estão fora da
escola, da população de rua e da zona rural para se construir políticas públicas que atendam às
necessidades dessa população e sejam apropriadas a essa realidade específica.

Os resultados apresentados, no tocante à saúde sexual e reprodutiva, podem ser ampliados a


partir da análise de outros factores de risco e protecção, e acrescentando-se determinantes sociais
relacionados ao processo saúde-doença, que se correlacionam às questões da sexualidade e
interferem no cuidado consigo e com o outro.

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Referências bibliográficas:

ANDRADE, H.H. et al. (2009). Changes in sexual behavior following a sex education program
in Brazilian public schools. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.25, n.5, p.1168-1176.

BORGES, A. L. V. (2004). Adolescência e vida sexual: análise do início da vida sexual de


adolescentes residentes na zona leste do município de São Paulo. 2004. 138f. Tese (Doutorado
em Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo.

BRASIL. (2006). Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Marco teórico e


referencial: saúde sexual e saúde reprodutiva de adolescentes e jovens. Brasília: Ministério da
Saúde.

BRANDÃO, E. R.; HEILBORN, M. L. (2006). Sexualidade e gravidez na adolescência entre


jovens de camadas médias no RJ. Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22,
p.1421-1430.

CAMPOS, H. M. (2011). O Sujeito Adolescente e o cuidado de si: cenários, significados e


sentidos da iniciação sexual e do cuidado com a saúde sexual e reprodutiva.

DAYRELL, J. T. (2007). A escola faz Juventudes? Reflexões em torno da socialização juvenil.


In: VIEIRA, M. M. Actores educativos: escola, jovens e média. Lisboa: Imprensa de Ciências
Sociais.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (2009) Pesquisa Nacional de


Saúde do Escolar (PeNSE). Rio de Janeiro: IBGE.

NOGUEIRA, M. J. et al. (2009). Análise da Distribuição Espacial da Gravidez Adolescente no


município de Belo Horizonte MG. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 12, n. 3, p.
297-312.

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