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Síntese Interpretativa

(Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire)

por Bruno Toribio de Lima Xavier

Pedagogia da autonomia é uma espécie de manual prático para


todos aqueles que desejam desempenhar com qualidade e verdade a
função de educador, professor, mestre ou quaisquer outras
denominações para o ato de auxiliar o outro a construir o
conhecimento. Neste sentido, são apresentadas definições e
exemplos de como a prática educativa pode ser benéfica para o
educando, uma vez que, quando realizada de forma participativa,
permite ao educando que se torne ator principal desta evolução,
deste processo.
Estamos vivendo sob um regime econômico que nos impõe
algumas verdades absolutas e que muitas vezes esmagam aqueles
que ousam e continuam pensando sob uma lógica diferente. É
necessário que adotemos outra forma de pensar, uma forma que
privilegie a ética, uma forma de pensar que respeite as outras formas
de pensar, sem, contudo, abandonar a vontade de mudar as coisas.
Estou convencido de que o processo de ensino-aprendizagem não
pode ter o ator principal e sim uma equipe em busca da construção
do conhecimento, não sendo cabível, em minha opinião, considerar o
estudante como alguém que não acumula conhecimentos necessários
para a construção e consolidação de um novo conceito ou assunto.
Enxergo a prática docente como um aprendizado sem fim, pois com o
desenvolvimento do assunto em sala de aula, sem com isso limitar o
espaço de aprendizagem a uma sala constituída por quatro paredes,
o educador aprende com a prática de ensinar e também com aqueles
conceitos e valores trazidos pelos estudantes, complementando
assim de forma surpreendente sua forma fazer educação. Quando, na
construção do conhecimento, utilizamos aspectos relacionados ao dia
a dia dos estudantes, bem como, procuramos aproveitar toda a sua
experiência de vida e conhecimentos preliminares, a chance da
consolidação daquelas novas informações é bem maior, ou seja, o
aluno, ao contextualizar aqueles fatos irá absorver melhor e fará
certamente uma análise crítica da realidade.
Quando passamos a considerar que somos seres inacabados,
nos libertamos da necessidade de auto-afirmação, de sermos donos
do conhecimento, no que tange ao processo ensino-aprendizagem.
Esse é um processo interessante de ser vivido, pois proporciona uma
integração maior com os estudantes, uma vez que se passa a
procurar nas respostas dos estudantes incentivo para a prática
didática.
O inacabamento também nos remete ao fato de que sempre
precisamos nos atualizar e buscar novas formas de construir o
conhecimento, principalmente através de práticas participativas.
Levar o estudante a ser sujeito no processo ensino-aprendizagem
parece ser uma obrigação daquele que se dispõe a ensinar, pois
assumindo-se como ser humano dotado de ética e sensibilidade, não
poderá ser tão egoísta e negar-lhe o direito de participar deste
processo, evitando desta maneira, condicionar o estudante a
determinada forma de pensar, ao contrário, preza pela multiplicidade
de idéias e opiniões, deixando que o próprio estudante, ao analisar
criticamente as opções, acabe por ele mesmo construir sua opinião e
conceitos. Tanta liberdade de ação ao estudante durante o processo
de ensino-aprendizagem, não libera o professor de estar sempre
muito bem preparado, de conhecer a realidade em profundidade, de
ser alegre e esperançoso, tudo isso proporciona um ambiente mais
adequado a construção do conhecimento. Acreditar que mudanças de
paradigma são possíveis é acreditar no futuro da educação, pois se
ficarmos presos ao modelo atual, o modelo da desesperança, nada
poderá ser mudado, tudo continuará estático e a reprodução do
modelo vigente será como o decreto da ignorância e incompreensão
das novas formas de pensar a educação.
Por fim, acho que a educação precisa ser mais discutida, não
dentro das grandes escolas de produção do conhecimento, mas no
seio das comunidades, nas periferias e grupos escolares. Pode
parecer romântico, mas precisamos sim dessa discussão para efetivar
nosso crescimento e desenvolvimento, não me refiro ao crescimento
econômico apenas e sim ao desenvolvimento da sociedade como um
todo, para que todos os cidadãos possam refletir sobre os atos dos
governantes, perceber o que está em desacordo com os anseios da
população e também onde podemos interferir construtivamente. Só
iremos alcançar esse nível quando a educação buscar a autonomia
daquele que busca o conhecimento, ou seja, precisamos de um
modelo educacional pensado para proporcionar uma compreensão do
mundo como um todo e de todas as possibilidades, não apenas
aquelas que são ditadas por determinados grupos econômicos e
políticos. Isso é proporcionar a autonomia, a criticidade e é neste
aspecto que novos profissionais em educação precisam ser formados,
profissionais mais humanos, mais valorizados e mais conscientes do
seu papel transformador da sociedade.