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Nasci no povoado Porteiras de Baixo (Neópolis – SE), no sítio onde residiam meus avós

maternos, pertinho do riacho, que fica abaixo do “BORGES”, às 06h da tarde – Hora do Angelus da
quarta-feira, dia 06 de outubro de 1909. Sou filho legítimo de Antônio Florêncio Gomes e
Claudemira Mercês de Sant’Ana, que passou a chamar-se, depois, Maria das Mercês, por ter nascido
no dia 24 de setembro, em que se festeja Nossa Senhora das Mercês.
Recebi a graça do santo batismo, tornando-me filho de Deus e da Igreja, no Convento de
Santa Maria dos Anjos, de Penedo-Alagoas, com 26 dias de nascido, no dia 1 de novembro — Festa
de todos os santos de 1909, das mãos do padre franciscano Frei Miguel Petri, OFM, (1905) (SACERDOTES,
ENTRE MUITÍSSIMOS QUE, DE QUALQUER MODO, COMO VIGÁRIO, OU NÃO TRABALHARAM, DURANTEA CAMINHADA, na antiga “FREGUEZIA

DE SANTO ANTÔNIO DE VILLA NOVA REAL DEL REY DO RIO SAM FRANCISCO DO ARCEBISPADO DA BAHIA” ou na atual PARÓQUIA DE SANTO
sendo meus padrinhos Tertuliano Mazzoni e Maria Amélia Vinhais.
ANTÔNIO DE NEÓPOLIS)
JOSÉ foi esse nome escolhido, muito antes do meu nascimento. Minha mãe, fazendo orações,
no mencionado Convento, percebeu que era portadora de gente nova. Então, logo aí, fez uns pedidos
a Deus e formulou uma opção! “Se for homem é José; se for mulher é Maria.” Eis porque me chamo
JOSÉ, Ótimo! “Fiquei assim confiado à proteção de poderosíssimo patrono SÃO JOSÉ, pai adotivo
de JESUS, nosso Divino Salvador, esposo Virginal de Maria, mãe de JESUS, Mãe de Deus e nossa,
“o Amor de Deus feito Mãe” e Patrono da Igreja Universal”.
JOSÉ MORENO. De onde vem este MORENO? Vim muito criança para a então Vilanova.
Meu pai faleceu no dia 04 de fevereiro de 1911. Moramos, primeiro na chamada “Rua da Beirada”,
hoje Getúlio Vargas. Meu avô — Manoel Emídio de Sant’Ana — comprou duas casas, na então Rua
das Flores, atualmente, Rua Jackson de Figueiredo, a poucos passos da chamada Rua da Avenida,
hoje Barão do Rio Branco.
Ali morava um menino de nome José, cuja mãe também era Mercês. Ele tipo garoto de rua
que a muitos inquietava. Quando fazia alguma de suas estripulias: “Foi José de Mercês!” É a frase,
que também podia ser aplicada mim. Como ele era muito alvo e eu, Moreno, passou a ser critério de
distinção a cor, valendo para mim a alcunha de JOSÉ MORENO. Na escola passei a usar este
cognome, que, finalmente ficou figurando em todos os registros, documentos e assinaturas, até hoje.
De SANT’ANA é nome de família, pelo lado materno, que muito me honra, lembrando
SENHORA SANT’ANA, nossa avó celeste, MÃE DA MÃE DE JESUS NOSSO DEUS1.

MÃE CRISTÃ AUTÊNTICA


Minha saudosa mãe teve oito filhos — Jocelina, Nímia, Maria das Dores, Manoel, Jonas,
Maria, José e Francisco. Eu fui o penúltimo. Os sete Deus levou, com a auréola da inocência. Gosto
de dirigir-me a eles, pedindo ajuda fraterna.
Ela participava assiduamente dos atos litúrgicos e prestava valiosos serviços, sobretudo,
como ativa zeladora do Apostolado da Oração. Tinha grande amor ao Sagrado Coração De Jesus e
todos os Vigários do seu tempo viam nela um forte Cirineu, nas lides paroquiais. Até o fabrico de
hóstias para o culto divino era mantido por ela, gratuitamente. Só se fazia despesa com a compra de
farinha de trigo, que deveria ser de primeiríssima qualidade.

AMIGA DOS AGONIZANTES


As famílias que tinham doentes prestes a falecer, costumava a procurá-la para piedosa
exortação, no sentido de ajudá-los a morrer na melhor ordem e união com Deus. Não raro, era
chamada, nas caladas da noite, por familiares de agonizantes, que não podiam acompanhá-la, pelo ter
que ir mais adiante. Conhecendo o endereço do enfermo, ela ia mesmo sozinha ao encontro dele.
Certa vez ela subia a chamada “Ladeira do Doutor”, hoje Rua Prazildo Medeiros, passando,
tudo ermo e escuro, por entre fundos de casas e silencioso matagal, sem ver ninguém, recebeu um
forte murro na mão em que segurava o terço e o Adoremus. Murro de quem? É fácil de adivinhar: de
quem não queria que aquele irmão moribundo penasse em Deus, pedindo-lhe perdão dos pecados e
morresse na amizade e graça do Senhor.
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Hino composto por Mons. José Moreno de Sant’Ana
Esse caridoso trabalho lhe era penoso e requeria férrea saúde. Às vezes encontrava doentes
em situação que ninguém queria deles se aproximar, ora temendo contágio, ora por ausência de
limpeza e higiene. Era-lhe bom companheiro, nessas ocasiões, um amigo, que até se abraçava com
recém-falecido, para lhe vestir a mortalha, sem o menor constrangimento. Era Sr. Antônio Santos,
que tinha o apelido de “Bodega”.

MINHA INFÂNCIA
JUNTO DO ALTAR — Mamãe, como sempre a chamava, fazia-me acompanhá-la, quando ia
à missa. Eu tinha que ficar junto a ela, para não inquietar o sacristão, que, ao mesmo tempo era
conceituado tabelião – Sr. Paulo Vieira do Carmo. Um dia, prometi-lhe comporta-me bem e ela me
deu permissão para ficar perto do altar. Ali, de tanto prestar atenção a tudo, aprendi a ajudar Missa
com cinco anos de idade, tendo mesmo decorado as respostas em latim — “Intróito ad altare Dei —
Ad Deum, qui laetificat juventutem meam”, etc. Até o missal, que o acólito portava sobre o peito,
seguindo para o altar, era um de menor tamanho, por ser mais leve.
Minha saudosa mãe se esmerou em doar-me formação cristã, logo cedo me aproximando do
altar. Muito fracionei como coroinha e até, mais tarde, como sacristão.

PRIMEIRA EUCARISTIA
Recebi, pela primeira vez, Jesus realmente presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia,
“PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU”, para assimilar-nos e comunicar-nos sua vida, no dia 11 de
junho — Festa de Pentecostes de 1916, das mãos do pároco — Pe. José Bulhões 2. (1916) (SACERDOTES,
ENTRE MUITÍSSIMOS QUE, DE QUALQUER MODO, COMO VIGÁRIO, OU NÃO TRABALHARAM, DURANTEA CAMINHADA, na antiga “FREGUEZIA

DE SANTO ANTÔNIO DE VILLA NOVA REAL DEL REY DO RIO SAM FRANCISCO DO ARCEBISPADO DA BAHIA” ou na atual PARÓQUIA DE SANTO

ANTÔNIO DE NEÓPOLIS)

SANTA CRISMA (1935)


Quem me fez soldado de Cristo, pelo Sacramento da Confirmação ou Crisma, foi o apostólico
1° Bispo de Aracaju Dom José Thomaz Gomes da Silva 3, de santa memoria, tendo sido meu
padrinho o então Vigário Pe. Juvêncio de Brito, que mais tarde, foi Bispo de Caetité, na Bahia4.

RELACIONAMENTO COM MEUS VIGÁRIOS


Sempre frequentando os atos religiosos, sentia-me bastante ligado a todos os vigários a quem
acolitava. Várias vezes acompanhei o Cônego José Bernardino Dias Nabuco, inclusive de visita a sua
família no Engenho Bom Jardim, perto da hoje Carmópolis. Tinha muito cuidado de mim sua irmã
Mariana. Cônego Nabuco era muito caridoso. Quando assolou em nossa região a epidemia conhecida
por “Influenza Espanhola5” e ele visitava a todos os doentes, na própria residência, e aos carentes
muito ajudava, inclusive autorizando a busca de alimentos, na casa paroquial. Até, durante a noite,
visitava doentes, de lanterna na mão, pois ainda não tínhamos luz elétrica, e em certa ocasião, até
suportando o incômodo de um pé doente, calçando chinelo.
PADRE ARTHUR ALFREDO PASSOS6 foi outro vigário, de que vivamente me recordo.
Era surdo; mas muitas vezes entendia o que se dizia, olhando o movimento dos lábios, gestos e

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Pe. José de Melo Bulhões (03/06/1886 – 17/10/1952), era membro de uma família tradicional e poderosa naquela comunidade
(Santana do Ipanema – AL), ligado de certa forma ao cangaço.
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Dom José Thomas Gomes da Silva (Alexandria, 4 de agosto de 1873 — Aracaju, 31 de outubro, 1948) foi um bispo católico
brasileiro, e primeiro bispo de Aracaju.
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Nomeado bispo de Caetité em 23 de dezembro de 1926, recebeu a ordenação episcopal no dia 12 de junho de 1927, das mãos de
Dom Antônio dos Santos Cabral, sendo concelebrante Dom José Thomas Gomes da Silva e Dom Jonas de Araújo Batinga. Tomou
posse a 26 de julho de 1927.
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A gripe espanhola chegou em Sergipe no dia 20 de outubro de 1918, quando seis pessoas contaminadas pelo referido mal
desembarcam do “Vapor Itapacy”. Logo que a informação chegou ao conhecimento do Diretor de Higiene, essas pessoas foram
removidas para o Lazareto Público, mas já era tarde. Em 04 de novembro, o mal já havia se espalhado pelo Estado, sendo a primeira
vítima fatal Georgina de Jesus, negra de 25 anos e residente à Rua de Campos, em Aracaju.
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escritos. Era muito inteligente e operoso. Mesmo com voz sofrendo influência da surdez, fazia gosto
ouvir o excelente orador. Muitas vezes lhe ajudei a santa missa. Certa feita passei vários dias com
ele, no “Papa Ovelha”, perto de Ilha das Flores — propriedade do seu velho tio Sr. Manoel Leite.
Também era cativantemente dedicada sua irmã adotiva — Dona Estelita Vieira.
Permitam-me aqui a digressão de uma historiazinha
Certa vez a imagem de Santo Antônio, que temos no altar trono da igreja matriz, amanheceu
manchada de branca sujeira de algum mau pintor corujão 7. Urgia limpá-la. Padre Arthur chamou
minha mãe para ajudar na tarefa. Um rapaz subiu para descer a imagem. Percebeu-se, então que,
debaixo da peanha8, havia presa uma sobrecarta. Terminada a limpeza, Padre Arthur disse: “Agora
vamos ver aqui uma coisa... “Levantou-se a imagem e... nada mais havia, debaixo da peanha. Padre
Arthur perguntou a minha mãe: “Você viu Mercês? Ela respondeu: Vi! Então ele disse a Santo
Antônio; — “Esse era seu protegido, hein”! Esse era seu protegido!”. Deveras, podia haver ali um
pedido muito delicado de alguma pessoa grandemente aflita, uma esposa, ou mãe aflita.
Padre Arthur foi excelente prefeito municipal de Vila Nova9. Ocorreu, no tempo dele,
celebrarem-se os 100 anos da Independência do Brasil. Ele promoveu entusiásticas comemorações,
muito se utilizando da mocidade estudantil. Como significativo marco do acontecimento, ela plantou
a bela palmeira, que tanto embelezava a Praça General Oliveira Valadão. Por sinal, que ele concedeu
à minha saudosa mãe a honra de colocar, na abertura do solo adrede preparada, o espécimen, ou
palmeirinha embrionária, em meio à ruidosa salva de palmas e vibração de cânticos. Era o dia sete de
setembro de 1922. Pena é que esta palmeira não existe mais. Gravemente danificada, por insetos,
teve que desocupar o lugar.

JUVENTUDE
Minha zelosa mãe sempre se preocupou com minha educação. Mesmo viúva pobre, cedo eu
já estava indo para a escola. Lembro muito das esforçadas professoras Rosentina 10, Staér Gois11 e
Olga Bispo12. Mais tarde grandemente me favoreceram as aulas noturnas que frequentei, tendo tido a
honra de ser aluno do abalizado e inesquecível Amintas Diniz de Aguiar Dantas13.
Também minha mãe cuidou de que fosse melhormente empregado o meu tempo, dificultando
espaço para maus convívios. Tomou providências para que eu aprendesse algum oficio. Então
passava as tardes, aprendendo a fazer calçados, na oficina do competente mestre Sr. José Oliveira
Paraíba14, na intimidade — José Sapateiro.
Fiz progresso na arte, a ponto de depois ter uma oficina própria, na Rua das Flores. Trabalhei
com formas e ferramentas, até o dia que deixei Vilanova, para ingressar no seminário. Fazia todo
tipo de calçados e até os vaqueiros gostavam de procurar-me, porque as botas que me
encomendavam saiam muito reforçadas e por isso duravam mais. Às vezes, colocava calços na
forma, por causa de defeitos e doenças nos pés dos clientes.

PENDORES PARA A MÚSICA


Outro inesquecível personagem firmou-se na história de minha juventude. Foi o abnegado
velhinho, que, com muita dedicação me fez conhecer e utilizar as SETE NOTAS MUSICAIS — o

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Substantivo masculino [Ornitologia] Ave da família dos Estrigídeos (Pulsatrix perspicillata pulsatrix); murucutu, murucututu,
mocho-mateiro, mocho-rasteiro. Etimologia (origem da palavra corujão). Coruja + ão. Corujão é sinônimo de: bacurau
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[Arquitetura] Pequeno pedestal de base redonda ou quadrada, e que serve de suporte a um busto; soco, supedâneo.
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Prefeitos de Neópolis, município do estado de Sergipe, Brasil. Início do mandato 17 de agosto de 1922 a 29 de setembro de 1925,
Intendente eleito indiretamente pela câmara de vereadores.
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saudoso “Manoel Funileiro15”. Dedicava-me grande estima. Quando lhe apresentei minhas
despedidas, ao sair para o seminário, ele me abraçou, tendo a voz embargada pela emoção.
Manoel Funileiro adotava um método de ensino eficiente. Cada dia escrevia de próprio
punho, uma lição para o aluno solfejar, de modo gradativo. Começava pelas mais breves e
semibreves, mínimas e semimínimas, depois colcheias e semicolcheias. A estas alturas o aluno já era
capaz de ler alguma coisa de música, por si próprio. Estava na hora de arranjar um instrumento para
o novo músico. Às vezes isto era fácil, porque havia disponível uns instrumentos que pertenciam a
uma banda de música da EMPRESA TÊXTIL DE FIOS E TECIDOS 16. Primeiro, toquei em si
bemol; depois, bombardino em dó.

BANDA DE MÚSICA DE NEÓPOLIS


Apraz-me dizer algo sobre a Filarmônica em Neópolis. Havia uma boa banda de música, que,
todavia, nunca se firmou, permanentemente, não obstante ter tido épocas brilhantes. Foi ela que
alegrou a festa realizada, em Penedo-Al, quando da retumbante vitória da Revolução de 1930.
Penedo possuía duas bandas de músicas muito boas — a do Professor Bem-Bem 17 e a do maestro
Júlio Catarino18. Mas nenhuma estava funcionando.
Nossa banda de música teve diversos regentes. Lembro-me, aqui, do competente Mestre
Abílio , que nos veio da terra da música — Traipu AL; do extraordinário José Prata 20, vindo do 28°
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Batalhão de Caçadores, de Aracaju SE, que fazia seu clarinete imitar violino, e do inconfundível
Ozil21, cujo pistom era delicioso de ouvir.
MÚSICOS DE NOSSA FILARMÔNICA, DE SAUDOSA MEMÓRIA E DIGNOS DE
ESPECIAL DESTAQUE:
Manoel Funileiro — já citado com seu interessante Oficleide em dó e contrabaixo em si
bemol.
João da Silva Pequeno22 — Saxofone alto.
Zacarias José dos Santos23 — Clarineta.
Manoel Amaral24 — Clarineta.
José “das Crôas”25 — Clarineta.
Olegário Souza26 — Clarineta e Saxofone.
Francisco Costa27 — Clarineta.
Antônio José dos Santos (Branco)28 — Clarineta, Requinta e Tarol.
Antônio Lopeu29 — Contrabaixo, mesmo com a mãe esquerda, depois que perdeu três dedos
da mão direita, em oficina mecânica.
José Pissica30 — Trombone de primeiríssima
Ozil — Vibrante Pistom.
José Oliveira (Zezé)31 — Trompa e Violão, que imitava piano.
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A EMPRESA TÊXTIL DE FIOS E TECIDOS, sediada na cidade de Neópolis – SE. A empresa atuava na tecelagem de fios de
algodão.
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Chico Galo, ou da Trompa32 — Trompa.
Adventino Almeida (Tino)33 — Trompa.
Doga34 — Trompa.
Maximino da Silva35 — Trompa e Tuba.
Guilhermino Santos36 — Barítono.
Lourival Brandão37 — Trompa.
Maninho Carvalhal38 — Violão.
Emídio “Mouco”39 — Tambor e espetacular Pandeiro.
Manoel Pedro40 — excelente Clarinetista.
Manoel Vitorino41 — Bombo.
José dos Óculos42 — Bombardino.
João José de Oliveira43 — Contrabaixo.
José Moreno de Sant’Ana — Bombardino, fazendo seu barulhozinho, à base de contracantos
e piruetas.
O saudoso HELIOGÁBALO DE CARVALHO44 — por vezes tinha nas mãos a batuta de
regente e também acionava as teclas de afinado Pistom. Mais uma figura inesquecível apraz-me
focalizar. É tão importante que emprestou o nome à praça onde morava — PRAÇA MANOEL
ADELINO DA CRUZ. De batuta na mão, fazia com que um volumoso coral executasse com
perfeição, missas a três e quatro vozes, como as que havia, há meio século atrás. Marcava ensaios,
em sua própria residência. Não admira que seja musicista que é sua neta Maria Cruz Mota45.
Em nossa velha Schola Cantorum eram, entre outras, vozes de escol minha madrinha Zafira
do Sacramento46 e na gravidade de autêntico baixo, Maria Isidoro Machado47.

DUAS TOCATAS PITORESCAS


Certa vez tivemos que ir a Propriá, para uma recepção alegre e festiva ao Sr. Vicente Ferreira,
irmão do Sr. Antônio Vicente Ferreira, na intimidade — Antônio Macaxeira — proprietário do
Aracaré. Organizara-se uma boa orquestra e subimos o Rio da Unidade Nacional, a bordo da grande
lancha ONDINA. Já nas proximidades do Morro Vermelho e perto do Camurupim, lugar de forte
correnteza, percebemos que houve um violento choque, no fundo da lancha, como se ela houvesse
passado por cima de algum enorme toco, ou galho de árvore. O fato é que a lancha começou a
encher-se d’água, dando sinais de que ia submergir-se. Todos conseguiram saltar, até com bancos
emendados, servindo de ponte, e... ADEUS ONDINA! Desapareceu e nunca pôde ser retirada
daquele profundo perau. Muitas coisas saíram flutuando, à flor das águas, tendo sido grande o
prejuízo.
Que fazer agora, toda aquela gente, à margem tão erma do rio? Graças a Deus, surgiu lá do
outro lado, uma grande canoa de tolda. Para ela o nosso SOS. Um dos nossos teve a boa ideia de

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improvisar curiosa bandeira, amarrando o paletó a uma vara que havia perto agitando-a ao vento.
Fomos atendidos por aqueles prestimosos cristãos e chegamos ao porto de Propriá.
Segunda tocata cheia de peripécias foi na cidade de Pacatuba, tendo por objetivo solenizar
uma posse de novo prefeito. Seguimos para lá, em noite escura, cavalgando cavalos e burros. A
orquestra foi bem recebida e funcionou até a madrugada. Cedinho, tratamos de retornar, agora,
embarcados em canoas, pelo riacho do Betume48.
Quando íamos descendo a ladeira, rumo ao porto, ouvimos tocar o sino da igreja-matriz.
OUVIR MISSA INTEIRA, AOS DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA é o mandamento da igreja.
Falei sobre isto aos colegas. Mas eles, cansados e com muito sono, não queriam voltar. Eu disse-lhes,
então, que ia ficar e voltei. Que belo! Todos eles voltaram também.
Tendo chegado à sacristia, me aproximei do Vigário, que era Padre João Nabuco 49. Via- se
uma senhora, arrumando o altar e colocando os paramentos. Não havia acólito. Então eu peguei o
missal e Padre João me olhou de lado e perguntou — “Você sabe ajudar a missa?” — Respondi-lhe
que sim e tudo fiz direitinho, como era de meu costume. Ele externou contentamento, oferecendo-me
ao fim, um presente, uma lata de goiabada e uma garrafa de vinho. Foi uma festa, na canoa, todos
servindo-se da inesperada guloseima.
Logo, no início da viagem, surgiu uma brincadeira de mau gosto. Atirar n’água o “cara”, com
roupa e tudo. Só abriram exceção para o velho Manoel Funileiro e para mim. Engraçado foi o susto
pregado pelo compadre Zacarias. Fingiu, com muita perfeição, que estava morrendo, todo mole e
espumando pela boca. Médico no caso foi o compadre Zezé Oliveira, falando ao falso moribundo
sobre o assunto, que ele nunca ouvia, sem rir. Deu certo o expediente e saiu mesmo uma boa
gargalhada. Era nesse clima de expansiva cordialidade que se mantinha o nosso relacionamento.
Diz-se que “Águas passadas não movem moinho.” Certo. É igualmente certo que “o tempo
passa e não volta mais.” Também é certíssimo o que gostava de repetir a Fundadora do Carmelo —
Santa Tereza de Jesus — “TUDO PASSA E DEUS NÃO MUDAM”.

“O QUE É QUE HÁ?”


Muita gente pergunta — PORQUE NEÓPOLIS NÃO POSSUI UMA BOA BANDA DE
MÚSICA? Há nela uma grande mocidade, com excepcionais qualidades para isto. Haja vista suas
BANDAS MARCIAIS, que tanto animam brilhantes paradas. Como se apresentam, no grande
desfile do DIA DA PÁTRIA, as do COLÉGIO CALDAS JÚNIOR, da ESCOLA DE 1° GRAU
MARECHAL PEREIRA LOBO e a do CENTRO EDUCACIONAL MUNICIPAL TIRADENTES
fariam boa figura, em qualquer capital do país,
Houve aqui um acontecimento, que pode ser lembrado, com bastante oportunidade.
Registrou-se, no mês de setembro de 1909, poucos dias antes do meu nascimento, na praça matriz.
Estava se realizando, em Vilanova, uma Santa Missão, pregada pelo apostólico Missionário
Pe. Rocha. Era em seu tempo, uma espécie de Frei Damião. Na pregação da noite, em praça pública
repleta de fiéis, ele tinha que levantar muito a voz, para se fazer ouvir, pois ainda se dispunha de
serviço de som, como hoje. Numa casa, que ficava ao lado esquerdo da Igreja de Nossa Senhora do
Rosário, se faziam ensaios da banda de música local. Padre Rocha pediu que não tocassem
instrumentos musicais, naquela hora; mas não foi atendido.
Certa vez, quando ele fez o sinal da cruz, para começar a pregação, a banda de música
também começou a tocar. Ele parou, voltou-se para lá e, levantando a voz, traçou três vezes o sinal
da cruz, dizendo: Deus os abençoe! Deus os abençoe! Deus os abençoe!
A seguir, registrou-se o inexplicável. Algo estrondava, debaixo do solo, horrissonamente, e o
povo, assustado dizia: Que é isso? E corria para todos os lados, desabelhadamente, pisando uns aos
outros, virando cadeiras e tambores, na maior confusão Padre Rocha gritava: Aquieta Povo! E, nada.
Eu, a quem faltava poucos dias para nascer, não morri esmagado pela multidão, porque minha
mãe correu ligeiro e foi se abrigar, junto ao grande Cruzeiro, que os mesmos Missionários haviam
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erigido, como lembrança das Santas Missões. Este Cruzeiro foi retirado, deixando-me vivas
recordações. Eu, rapazinho, era encarregado de acender, à tardinha, os dois lampiões que
iluminavam, durante a noite. Circundava-o um bonito gradil de ferro. Conserva-se algumas partes
dele, no coro da igreja-matriz, na janela esquerda da nave do altar-mor, na Capela de Nossa Senhora
das Dores e na entrada da Casa Paroquial.
Voltando ao mencionado fenômeno, que assombrou o povo da Santa Missão: Um senhor, que
estava deitado numa alta calçada, que havia na Fábrica de Óleo, disse ter visto, rolando da ladeira,
hoje Rua Hildebrando Torres, qualquer coisa como se fosse um grande barril, que entrou n’água,
produzindo um marulhar tão forte que ameaçou afundar uma canoa de tolda, que, no momento ia
passando.
Seja como for, nunca nos foi possível possuir uma banda de música vitalícia, como noutros
lugares, até cidades de menor porte. Ainda não perdi a esperança de ver Neópolis dotada de uma boa
filarmônica. Podem aparecer autoridades interessadas, que obtenham do Ministério da Educação uma
oferta de instrumental, arranjem uma sede e consigam, para rege-la, algum competente maestro.

CÔNEGO MIGUEL MONTEIRO BARBOSA50


Fui sacristão do Cônego Miguel Monteiro Barbosa50, de saudosa memória. Dele se utilizou
Deus, encaminhando-me para o Seminário. Era muito ativo e trabalhador. A ele deve a nossa Igreja-
Matriz a grande e preciosa bancada que possui imorredoura lembrança do seu abençoado paroquiato.
Também se voltou de cheio, para solução de problemas vocacionais. Temos duas virtuosas
neopolitanas, cuja vocação para a vida a Deus consagrada ele procurou aproveitar. Foram as duas
irmãs Libânia e Maria José Cardoso, hoje as duas religiosas — Irmã Dafrosa e Irmã Severina.
Também eu fui beneficiado por seu apostólico zelo.
Houve uma fase de minha infância e parte da juventude, em que sentia um grande desejo de
ser Padre. Até em tenra idade, brincava de celebrar missa, em tosco altarzinho, até fazendo
pregações. Numa dessas vezes, prendi a atenção de um importante senhor, que passava e parou para
escutar o que eu estava dizendo. Deveras eram pensamentos de valor, publicados no Mensageiro de
Fé51, que eu havia decorado e estava comunicando.
O sacristão do Cônego Miguel nunca lhe falou sobre o desejo de ser Padre, mesmo porque ia
esmaecendo a ideia, diante da falta de meios e recursos. Um dia, foi ele quem me procurou, dizendo:
— José, eu ouvi dizer que você deseja ser Padre. Olhe Sr. Bispo — Dom José Thomaz — me
nomeou Reitor do Seminário do Sagrado Coração de Jesus, de Aracaju. Se você quiser, eu falarei
com ele, para que o aceita, gratuitamente. “Respondi que ia consultar minha mãe. Eu era responsável
pelo sustento da casa. Afastando-me, ela teria que ficar, juntamente com minha tia Hermília das
Virgens Sant’Ana52, trabalhando para manter-se. Foi maravilhosa a resposta: “MEU FILHO,
AINDA QUE SAIBA QUE VOU MORRER DE FOME, NÃO LHE IMPEÇO DE IR PARA O
SEMINÁRIO.”
Comuniquei ao Cônego Miguel, que já se encontrava em Aracaju, a heroica decisão e meu
SIM.
Quando o Cônego Miguel falou a meu respeito com o boníssimo Sr. Bispo Diocesano —
Dom José Thomaz Gomes Da Silva, assim ele respondeu, decididamente, “MANDE CHAMAR
LOGO O RAPAZ, PARA NÃO PERDER AS AULAS.” Fora de série!
Cônego Miguel me escreveu, chamando e enviando em anexo uma NOTA do necessário
enxoval — duas batinas, sobrepeliz, calças e camisas, roupa de cama, toalhas, etc. Dentro de 15 dias,
tudo me havia sido ofertado por numerosas pessoas da comunidade. Até o saudoso amigo — Sr.

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EDITORA MENSAGEIRO DA FÉ criado no final do século XIX, por franciscanos, na cidade de Salvador estado da Bahia, em
forma de almanaque, mensalmente.
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Manoel Valadão Bastos53, na intimidade Nôzinho, que era proprietário do CINE local54 (Cine
Neópolis), ofereceu uma sessão especial, em meu benefício.

CHEGANDO AO SEMINÁRIO
Surgiu o dia da viagem — 31 de março de 1931. Fora a primeira vez que me ausentei,
definitivamente, do lar materno. Pode-se imaginar o que se passou no coração de minha mãe, com tal
separação. Ela encontrou consolo, ajoelhada diante de um grande e belo quadro do SAGRADO
CORAÇÃO DE JESUS, que havia ganho num sorteio, quadro que ainda conservo, com muito
carinho. A viagem não se fez num ônibus confortável da São Geraldo, ou da Bonfim, como se faria
hoje. Ia-se a Aracaju, tomando-se o trem, na cidade de Propriá. Viajei na canoa que pertencia ao meu
saudoso compadre José Cardoso, conhecido por “José Gringo”, tendo ao leme meu prezado parente
e amigo Messias, a quem muitos chamam — Messias do SESP55. Chegando a Propriá, fui hospede
da família do com colega, mas tarde sacerdote extraordinário valor — Pedro Silva. De manhã, viajei
de trem para Aracaju, onde cheguei, à tardinha.
Que impressão me causou o primeiro contato com aquela piedosa comunidade! Os
seminaristas estavam, na linda Capela rezando o terço de Nossa Senhora, tirado pelo teólogo João
Moreira Lima, que hoje faz maravilhas na PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES, de
Aracaju, onde não faz muito, celebrou entusiasticamente a suas BODAS DE OURO
SACERDOTAIS. Na belíssima homilia da missa solene de ação de graças, foi um primor o que disse
dele o saudoso Eminentíssimo Cardeal Arcebispo Primaz do Brasil — Dom Avelar Brandão Vilela.

VESTIÇÃO DE BATINA
Era objeto de especial cerimônia. No meu exemplar da IMITAÇÂO DE CRISTO, escrevi a
respeito: ENTREI NO SEMINÁRIO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. NO DIA 31 DE
MARÇO DE 1931. Recebi, à noite, a PRIMEIRA BATINA — traje que só de usar ufana e glorio.
Realmente nunca a deixei de usar. Mais tarde, iria ouvir o meu apostólico Bispo — DOM
ADALBERTO SOBRAL dizer: “A BATINA É UMA VESTE, QUE LEMBRA A TÚNICA DE
JESUS E A BANDEIRA DO BRASIL.” Às Vezes até me serve de documento, transitando de carro,
pelas rodoviárias.

PRIMEIROS ESTUDOS
Dei começo aos estudos, no dia seguinte, cursando 1° ANO de Humanidades. A bagagem
intelectual que levei foi a que colhi, nos bancos de Escolas Primárias. Todavia, como gostasse de
estudar, mostrei-me capaz de subir um degrauzinho a mais. Os próprios professores espontaneamente
se interessaram pelo caso e trataram do assunto, junto ao Cônego Reitor. Que bons amigos! Eram
eles — Teólogo Olívio Teixeira56 (Latim), Professor Tênisson Ribeiro57 (Matemática e Francês),
Teólogo João Moreira Lima58 (História da Igreja), Cônego João Serapião Machado 59 (História da
Civilização e História do Brasil), Teólogo José Araújo Machado (Português), Teólogo Avelar

53

54
Cine Têxtil, antiga rua das Flores, em um prédio pertencente à Fábrica Têxtil da família Antunes. Nos anos 60 o nome foi alterado
para Cine Neópolis.
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56
Mons. Olívio Teixeira, foi reitor do Seminário Sagrado Coração de Jesus de Aracaju – SE no ano de 1945, e Vigário da Catedral de
Aracaju – SE, 01/1949 a 03/1957
57

58
Mons. João Moreira Lima (1910-1996) ordenado padre por Dom José Thomaz Gomes da Silva, primeiro bispo de Aracaju - SE, mas
tarde receberá o título de Monsenhor
59
Vigário na paróquia de Rosário do Catete – SE, 1911 juntamente com o Pe. João Gonçalves Dias Nabuco; Vigário da Catedral de
Aracaju – SE, 05/1919 a 01/1927; Cura da Catedral de Aracaju – SE, 1929
Brandão60 (Religião). Passei para o 2° Ano em todas as matérias, com exceção do Latim. Também
tive a honra de uma colocaçãozinha, no Corpo Docente do Seminário, ministrando aulas de Música.
Após os exames, no fim de 1931, passei para o 3° Ano em Português, Francês, Matemática e
História e para o 2° Ano de Latim. Da mesma forma foi a subida de degraus, nos Anos 1932 e 1933.
Em 1934, deveria passar para o Seminário Maior, cursando Filosofia e, ao mesmo tempo, o 4° Ano
de Latim, que ficaria em atraso.
Aconteceu a aqui o inesperado. Esteve em Aracaju o visitador dos Seminários do Brasil —
Mons. Alberto Pequeno, acertando o que não mais haveria Seminário Maior, nas Dioceses e
consequentemente, em Aracaju. Agora só nos Seminários Centrais, nas Arquidioceses, é que se
poderiam cursar Filosofia e Teologia. E agora José? Vi pela frente dois graves problemas. Como ir
para o outro Seminário eu que, ali era um aluno gratuito? Como começar o Curso de Filosofia noutro
Seminário, eu que deveria cursar ainda o 4° Ano de Latim? Aproveitando excelente oportunidade,
aproximei-me do Sr. Bispo Dom José Thomaz, que estava a tomar uma fresquinha, no janelão, que
ficava perto do seu gabinete, e lhe falei sobre a minha situação. Não posso me esquecer da resposta
que ele me deu — “MEU FILHO QUEM TEM VOCAÇÃO SE ORDENA! ”.

SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS


1. Para completar o Curso de Latim, estudei, por alguns dias, o programa para o exame do 4°
Ano, inclusive com tradução das Eneidas de Virgílio, tendo como lente o abalizado Professor
Manoel Cândido. Graças a Deus, fui feliz tirei nota 5 e passei. Estava completo o Curso.
2. Como cursar Filosofia e Teologia, noutro Seminário? Confiando na providência de Deus
— diz o Salmista — ninguém será envergonhado. Cônego Mário De Miranda Villa Boas 61, exímio
intelectual e orador, que tinha até a alcunha de “ROUXINOL DE SERGIPE”, era afilhado muito
querido do Sr. Dom Adalberto Accioly Sobral62, então Bispo da Barra do Rio Grande, no interior da
Bahia, e fora transferido para a Diocese De Pesqueira, no estado de Pernambuco. Tive a ideia de ir à
casa do Cônego Mário, na Praça Camerino, de Aracaju, para pedir sua interferência, junto a Dom
Adalberto, no sentido de que ele me desse acolhida e proteção. Cônego Mário disse-me “Fique
tranquilo José, eu vou me interessar por você.” Quando o Cônego Mário Vilas Boas tratou do
assunto com Dom Alberto, este respondeu, logo agindo. Chamou sua admirável irmã — Sra. Alzira
Accioly Sobral — e disse-lhe: ZIZINHA, TOME CONTA DO RAPAZ!” Palavras de encantadora
eficiência!

60
Dom Avelar Brandão Vilela (Viçosa, 13 de junho de 1912 — Salvador, 19 de dezembro de 1986) foi um cardeal brasileiro. Iniciou
seus estudos no Seminário de Maceió e no Seminário de Olinda. Foi ordenado em 27 de outubro de 1935 por Dom Antônio Maria
Alves de Siqueira. Membro do corpo docente e orientador espiritual do Seminário de Aracaju, foi secretário da diocese de Aracaju. Foi
capelão diocesano da Ação Católica. Com apenas 34 anos foi sagrado bispo de Petrolina, sendo consagrado em 27 de outubro de 1946,
pelo bispo Dom José Thomas Gomes da Silva, bispo de Aracaju, tendo como co-consagrantes Dom Adalberto Accioli Sobral, bispo de
Pesqueira e Dom Mário de Miranda Vilas-Boas, arcebispo de Belém do Pará.
61
Dom Mário de Miranda Vilas-Boas (Rio Grande, 4 de agosto de 1903 — Aracaju, 23 de fevereiro de 1968) foi um bispo brasileiro,
ordenado sacerdote no dia 6 de dezembro de 1925. Monsenhor Mário Vilas-Boas foi nomeado pelo Papa Pio XI bispo de Garanhuns,
Pernambuco, Brasil, no dia 26 de maio de 1938. Foi ordenado bispo em Aracaju, no dia 30 de outubro de 1938, aos 35 anos de idade,
pelas mãos de Dom José Tomas Gomes da Silva, Dom Adalberto Accioli Sobral e Dom Juvêncio de Brito. Permaneceu nesta diocese
até 1944. Dom Mário faleceu em Aracaju, Sergipe, Brasil, no dia 23 de fevereiro de 1968, aos 64 anos de idade. Seus restos mortais
estão sepultados na Catedral de Belém do Pará.
62
Dom Adalberto Accioli Sobral (Japaratuba, 2 de agosto de 1887 — Aracaju, 24 de maio de 1951) foi prelado católico brasileiro.
Esteve à frente das dioceses de Barra e de Pesqueira e da Arquidiocese de São Luís do Maranhão. Recebeu a ordenação presbiteral das
mãos do arcebispo Dom Manuel Antônio de Oliveira Lopes em 12 de novembro de 1911. Celebrou sua primeira missa em 21 do
mesmo mês e, logo após, foi nomeado vigário interino de Maceió. Criada a Diocese de Sergipe, foi convidado a assumir o cargo de
secretário e escrivão da comarca eclesiástica, por provisão de 6 de março de 1912. Cônego catedrático com a dignidade de primeiro
diácono do cabido diocesano, a 4 de agosto do mesmo ano; diretor espiritual do seminário a 28 de fevereiro de 1913; reitor do mesmo
seminário a 4 de janeiro de 1919; teologal da Igreja Catedral a 21 de fevereiro e vigário-geral a 12 de maio do mesmo ano, exonerou-
se do lugar do reitor a 31 de dezembro de 1921 por motivo de moléstia, sendo novamente provisionado a 16 de julho de 1923. Foi o
primeiro redator e diretor do periódico A Cruzada, órgão da diocese; promoveu a criação da capelania da fábrica Sergipe Industrial.
Foi capelão, por sete anos, do Hospital Santa Isabel e, a partir de 1924, assumiu a capelania do Colégio Nossa Senhora de Lourdes de
Aracaju. Dom Adalberto recebeu a sagração episcopal em 4 de setembro de 1927, em Aracaju, por imposição das mãos do arcebispo
Dom José Tomás Gomes da Silva, tendo Dom Jonas de Araújo Batinga, bispo de Penedo, e Dom Juvêncio de Brito, bispo de Caetité,
como concelebrantes. Ausentou-se da arquidiocese de São Luiz do Maranhão por motivos de saúde em setembro de 1950, e veio a
falecer em Aracaju, em 24 de maio de 1951, aos 63 anos. Seus restos mortais foram sepultados na cripta da Catedral de São Luís.
O que fez Dona Zizinha? Arranjou quatro pessoas de sua amizade, que se prontificaram a
custear todas as minhas despesas de Seminário, até a Ordenação Sacerdotal, durante o espaço de seis
anos. Constituíram a preciosa inesquecível quádrupla amiga o Sr. AURÉLIO PRADO e as Srs.
JOANINHA PRADO, MARIA ROLLEMBERG DA CRUZ e CLARICE ROLLEMBERG DA
FONSECA, pessoas que estão sempre vivas e presentes em minhas orações diárias.

SEMINÁRIO DE OLINDA
Resolvido o problema de ordem financeira, foi decidido que eu deveria continuar os estudos,
no SEMINÁRIO DE OLINDA. Ele tinha um bonito HINO — Letra e Música, respectivamente dos
teólogos Avelar Brandão Vilela e Hermínio Queiroz. Dê-nos uma ideia o marcial refrão:
“O Seminário de Olinda é glória da Vocação Sacerdotal. O seu passado é bela história, é
vibrante, é imortal. Não desmintamos, caros Companheiros, tão famosas tradições deste Berço
de Guerreiros - denodados Campeões!”
Dito e feito. Eis-me, agora, no célebre casarão, entre as palmeiras de esbelta colina e os
coqueiros de imensa praia, contemplando o lindo panorama do Recife — “Veneza Brasileira” — e a
imensidão do mar. Ao subir centenas de degraus de pedra, quando se fazia uma pausa de descanso,
descortinava-se a beleza da capital de Pernambuco e se dizia: — OH! LINDA!
Ali cursei dois anos de Filosofia, contando com o valor de vários professores laureados em
Roma, como o Padre João Costa, extraordinário Diretor Espiritual e lente de Psicologia, Pe. José
Carvalho lente de Filosofia, Cônego José Guedes, lente de Teologia, Cônego Sidrônio, lente de
História da Civilização e vários outros.
A direção do Seminário fora confiada pelo Sr. Arcebispo Metropolitano Dom Miguel de
Lima Valverde63 — a verdadeiros homens de Deus, sendo Reitor o Cônego José Marinho e vice-
reitor o Pe. João Rodrigues. Mordomo era o Pe. Alberico Fragoso, sempre ativo e bem-disposto.
Certa vez, ele atendeu a um engraçadinho do Recife, que telefonou, dando trote. Perguntou — “A
que horas vai começar o baile aí no Seminário? — Pe. Fragoso respondeu: VOCÊ NÃO SABE QUE
O BAILE NÃO COMEÇA, ENQUANTO SUA MÃE NÃO CHEGAR! E desligou. Não havia
bailes, no Seminário; mas haviam festas de palco, feitas em clima de contagiante animação, até
mesmo sem mundanismo, nos dias do Carnaval. Certa vez, usaram no Carnaval do Recife uma
composição minha. Foi feita para uso interno, mas teve repercussão fora. Certamente, porque a letra
continha brincadeira e a música era semelhante à das marchas carnavalescas.
Uma excelente colega de nome Moacir Costa Pinto foi nomeado enfermeiro da semana.
Grassou, dentro do Seminário uma forte gripe. Todas as noites Costa Pinto ia ao dormitório, de bule
na mão, levar chá de alho aos que estavam gripados. O cheiro da medicina liliácea enchia o vasto
recinto, fartamente ventilando, com numerosas janelas, no alto, expostas ao vento. Costa Pinto me
havia emprestado um Compêndio de Ontologia, protegido pela sobrecapa de um bom alvinho papel.
Quando eu entreguei de volta, escrevi bem no centro da capa, estes versos:
“Ó DOR ENORME EU SINTO, SÓ DE UM RECURSO ME VALHO: É SABER, É
SABER DE COSTA PINTO, SE HOJE TEMOS, SE HOJE TEMOS CHÁ DE ALHO. ”
Isto provocou risadas e suscitou os colegas o desejo de que eu fizesse mais outras estrofes e
as dotasse de música especial, para serem cantadas, no próximo passeio de praia. Saiu tudo, como
queriam, e, como disse, e até no Recife divulgaram. Creio que serviram de veículos famílias de lá,
que visitavam seminaristas. Que bons colegas! Tenho perto de mim um deles — Pe. José Mousinho,
zeloso para Pároco de Cana-Brava, Alagoas. Como me lembro do José Augusto, de um Calábria,
respeitável baixo do coral; do alinhado Teatino, de Itamaracá, no inteligente José Brasileiro e de
tantos outros.

SEMINÁRIO CENTRAL DE SÃO LEOPOLDO — RS


63
Dom Miguel de Lima Valverde (Santo Amaro, 29 de setembro de 1872 — Recife, 7 de maio de 1951) foi um arcebispo católico
brasileiro. Sua ordenação presbiteral aconteceu no dia 30 de março de 1895. Em 28 de maio de 1922 Dom Miguel foi nomeado
Arcebispo de Olinda e Recife, em cuja Arquidiocese tomou posse a 23 de julho. Faleceu em 7 de maio de 1951, sendo sepultado na Sé
de Olinda.
São imperscrutáveis os desígnios de Deus. Meu apostólico Bispo Dom Adalberto Sobral —
quis que eu acompanhasse o prezadíssimo colega de saudosa memória — JOÃO DE SOUSA
LIMA64, para fazermos juntos o Curso de Teologia, no seminário central de São Leopoldo, no Rio
Grande do Sul.
SOUSA, como intimamente chamávamos, era natural de Tacaratú, do estado de Pernambuco.
Foi meu excelente colega no Seminário de Olinda também. Depois veremos como igualmente foi
meu colega de Ordenação Sacerdotal. Tinha espírito eminentemente missionário e se interessava, ao
máximo, pela PROPAGAÇÃO DA FÉ e pela OBRA DAS MISSÕES. Teve um curriculum vitae
brilhante. Foi Bispo Auxiliar de Diamantina (MG) — 1949- 1955; Bispo Diocesano de Nazaré da
Mata (PE) — 1955 a 1958; Arcebispo Metropolitano de Manaus, na Amazônia (1958-1980).
Renunciou e passou a residir, em Salvador, como Arcebispo Coadjutor do Eminentíssimo Senhor,
também de saudosa memória Dom Avelar Brandão Vilela — Cardeal Arcebispo de Salvador e
Primaz do Brasil. Finalmente, resolveu consagrar se a Deus, na vida religiosa e tornou-se monge
Cisterciense, no Mosteiro de Jequitibá, na Bahia. E, como tal o chamou Deus para o eterno descanso,
quando se encontrava, no Palácio Cardinalício de Salvador, ao meio-dia, sol zênite do dia 01 DE
OUTUBRO — MÊS DAS MISSÕES DE 1984, também dia da Festa litúrgica de SANTA
TERESINHA DO MENINO JESUS — Padroeira das Missões. Que Deus o tenha bem perto de Si,
colocando também muito perto de nós. Apraz-me perceber que ele se lembra de mim, porque, aqui
me deu um sinalzinho do acontecimento. Ao receber o boletim da CNBB, vi logo a notícia:
“FALECEU DOM JOÃO DE SOUZA LIMA”.

NOSSA VIAGEM PARA O SUL


Souza Lima e eu viajamos juntos, rumo aos pampas gaúchos, a bordo do Transatlântico
alemão — MONTE SARMIENTO, que zarpou, do porto do Recife, no dia 29 de fevereiro de 1936.
Deslocava 14.000 toneladas, tinha 2 boeiros, 3 refeitórios, piscina, salão de festas e capela, onde o
Pe. Humller celebrava a missa pela manhã e uma excelente orquestra do próprio navio, à noite
oferecia aos passageiros magníficas retratas. A viagem levou 14 dias, do Recife ao Rio Grande tendo
dado porto somente em Salvador, Rio de Janeiro e Santos. Saltamos no Porto de Rio Grande, numa
boa lancha que ia buscar os passageiros, à distância, visto que o navio não ancorava.

CHEGADA AO SEMINÁRIO (vinte e sete anos de idade)


Do Rio Grande, navegamos, toda noite, na imensa Lagoa dos Patos, rumo a Porto Alegre, de
onde seguimos, de ônibus para São Leopoldo. Quando entramos, pela portaria do Seminário,
percebemos que se realizava ali uma extraordinária festa. Tratava-se de uma carinhosa homenagem
ao Sr. Dom Jaime de Barros Câmara65 — ex-aluno daquele Seminário, que acabava de ser eleito
64
Dom João de Sousa Lima, OCist (Tacaratú, 22 de março de 1913 - Salvador, 1 de outubro de 1984), foi um bispo católico brasileiro
e segundo arcebispo de Manaus. Entrou no Seminário de Olinda em 1933, onde fez o curso de Filosofia, e se transferiu para o
Seminário Central de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, tendo feito aí o curso superior de Teologia, de 1936 a 1939. Foi ordenado
sacerdote em Pesqueira, Pernambuco, no dia 12 de novembro de 1939, e nomeado diretor e professor do Ginásio Diocesano Cristo Rei,
em Pesqueira. Aos 14 de maio de 1949, foi nomeado bispo-auxiliar de Diamantina, Minas Gerais. Foi sagrado bispo em 21 de
setembro de 1949. Esta data é considerada como o “Dia do Arcebispo” em Manaus. Em 1955, foi nomeado bispo de Nazaré da Mata,
em Pernambuco, e em janeiro de 1958. foi promovido a arcebispo de Manaus, tendo tomado posse no dia 24 de maio de 1958.
Sucedeu na ocasião Dom Alberto Gaudêncio Ramos, assumindo na história a dignidade de segundo arcebispo de Manaus. Ocupou o
arcebispado por 21 anos em Manaus, renunciando em 1979, ocupou a função de bispo coadjutor de Salvador. Faleceu no dia 1º de
outubro de 1984, aos 71 anos de idade. Está sepultado no Mosteiro dos Cistercienses de Jequitibá, nas cercanias do município de
Mundo Novo, Bahia, local onde ingressou na vida religiosa monástica e também passou seus últimos anos de vida.
65
Dom Jaime de Barros Câmara GCC (São José, 3 de julho de 1894 — Aparecida, 18 de fevereiro de 1971) foi um cardeal brasileiro
de ascendência açoriana e madeirense. Foi ordenado sacerdote no dia 1º de janeiro de 1920, em Florianópolis, pelas mãos de Dom
Joaquim Domingues de Oliveira. Atuou na Arquidiocese de Florianópolis, Santa Catarina no período de 1920 a 1930. Foi reitor do
Seminário Nossa Senhora de Lourdes Azambuja-Brusque e do Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio de Azambuja de 1927 a
1936. No dia 18 de abril de 1935 foi nomeado camareiro secreto de Sua Santidade, pelo Papa Pio XI, passando a usar o título de
Monsenhor. No dia 19 de dezembro de 1935 Monsenhor Jaime de Barros Câmara foi nomeado pelo Papa Pio XI 1º bispo da Diocese
de Mossoró, Rio Grande do Norte, criada no dia 28 de julho de 1934. Sua ordenação episcopal foi em Florianópolis, no dia 2 de
fevereiro de 1936, pelas mãos de Dom Joaquim Domingues de Oliveira, Dom Pio de Freitas Silveira, CM, Dom Daniel Henrique
Hostin, OFM. No dia 15 de setembro de 1941, o Papa Pio XII nomeia Dom Jaime Arcebispo de Belém do Pará. A posse do novo
arcebispo aconteceu no dia 1 de janeiro de 1942. Dom Jaime foi designado pelo Papa Pio XII para a Arquidiocese de São Sebastião do
Rio de Janeiro no dia 3 de julho de 1943, tomou posse no dia 15 de setembro deste mesmo ano. Deu grande apoio ao estabelecimento
Bispo de Mossoró. Fiquei aperuando por ali, saboreando a beleza dos dobrados que estavam sendo
executados entre os plátanos de espaçoso pátio. Aquilo teve para mim foros de tentação. Músico e
acostumando a tocar em bandas e orquestras, levava o propósito de não me dar a conhecer quanto a
isto. Pensava era em consagrar mais tempo ao estudo, certo de que os Padres Jesuítas são exímios
professores, profundamente conhecedores da matéria que ensinam e muito exigem de seus alunos.
Não foi assim, porém. Quando Sousa e eu nos apresentamos ao Reverendíssimo Reitor — Pe.
Antônio Loebmam S.J., este perguntou: “Qual dos dois é músico?” Sousa me apontou dizendo: “é
este aqui.” Certamente o Reitor do Seminário de Olinda, na Carta de Apresentação que fez, disse
qualquer coisa a respeito. Pe. Loebmam perguntou-me: “Que instrumento toca?” Bombardino -
respondi. Então conseguiram um bombardino para mim e me fizeram integrar “Aurora” — como se
chamava aquela Banda de Música de Seminaristas. Era muito boa e tinha ensaios todas as quartas-
feiras e sábados, sob a regência do Teólogo Francisco Tolla. Executava mesmo muitas peças
clássicas de célebres compositores, como Verdi e o nosso imortal Carlos Gomes, com a sua célebre
Ópera “O GUARANI.” Até gostava muito de ouvi-nos o Tenente Barônio — regente da Banda de
música do 8° Batalhão de Caçadores.

PRECIOSA CORRESPONDÊNCIA
A propósito do citado bombardino, fui honrado com uma preciosa correspondência datada de
13 de abril próximo passado, procedente de Itaici, onde se realizou a XXVII Assembleia Geral da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Apraz-me publicá-la, na íntegra. Ei-la:

Itaici, 13 de abril de1989.


Meu prezado Mons. José Moreno de Sant’Ana
DD. Pároco, de Santo Antônio — Neópolis, SE
Um grande abraço
Em conversa com Dom Gregório Warmeling, Bispo de Joinville-SC — recordamos os
tempos já distantes de nossos estudos, em São Leopoldo. Entre os colegas recordado emerge a
pessoa simpática de nosso sempre lembrado José Moreno de Sant’Ana. Recordamos o entusiasmo
com que o sr. tocava o bombardino em nossa banda.
Aquele bombardino era um instrumento de estimação de falecido meu pai. Como nossa banda
não tinha bombardino e o senhor sabia tocar (e muito bem), fui à casa de minha mãe e trouxe o
bombardino. Ainda hoje tenho em minha casa um retrato da banda musical de minha terra natal e
nele meu falecido pai aparece empunhando galhardamente o bombardino, que foi parar tão bem em
suas mãos!
Como os tempos passa! Eu já completei 51 anos de padre e estou por completar 52. Desde
1949, primeiro bispo nomeado e sagrado no dia 29/11/1950. Desde 1981, estou em Porto Alegre. Foi
nomeado agora um Arcebispo Coadjutor C.D.S.
A velhice se faz sentir. Não foi aceita a minha renúncia e assim devo continuar ainda por
algum tempo. Completei 75, no dia 24/06/1988. E o sr.? Quantos sei, vai completar 50 anos de
sacerdócio. Meus parabéns antecipados. Que lindo se o senhor viesse em passeio ao Sul. O receberia
de braços abertos. Recordar o passado é revivê-lo.
Carinhosamente
+Cláudio Colling66
de igrejas orientais no Brasil, por exemplo, ao erigir paróquia a Igreja de São Basílio, greco-católica melquita, que ele mesmo definiu
como "joia rara". Faleceu em Aparecida, São Paulo, dia 18 de fevereiro de 1971, aos 76 anos de idade. Foi sepultado na nova Catedral
do Rio de Janeiro.
66
João Cláudio Colling (Harmonia, 24 de junho de 1913 — Passo Fundo, 3 de setembro de 1992) foi um bispo católico brasileiro. Foi
ordenado sacerdote por Dom João Batista Becker, aos 10 de agosto de 1937, na cripta da Catedral Metropolitana de Porto Alegre.
Eleito bispo titular de Corone e Auxiliar de Dom Antônio Reis, Bispo da Diocese de Santa Maria, foi ordenado na Catedral
Metropolitana de Porto Alegre, por Dom Alfredo Vicente Cardeal Scherer, em 29 de janeiro de 1950, assumindo suas funções em
Santa Maria, na data de 5 de março daquele mesmo ano. Recebeu, como encargo principal, a organização da Diocese de Passo Fundo,
em território desmembrado da Diocese de Santa Maria. Para desincumbir-se dessa tarefa, fixou residência em Passo Fundo, no Rio
Arcebispo de Porto Alegre

No verso da confortadora carta, temos o acréscimo de cativantes dizeres de outro Príncipe da


Igreja, também inesquecível colega e amigo; ei-los:

Sant’Ana,
O meu abraço mais que cordial. Parabéns pelos seus 80 anos de vida e 50 de sacerdócio.
Valeu a pena termos vividos juntos em São Leopoldo.
Só aqui, na 26ª Assembleia soube que o bombardino era do falecido pai de Dom Cláudio. Foi
também ele que me disse que aquele canto: “Ser Sacerdote67” foi trazido ao Sul pelo Sant’Ana. Que
bonito!
Sant’Ana, fui ordenado no dia 5 de setembro de1943. Fui sagrada no dia 26/06/1957, para
Joinville. E ainda estou aqui. Como me alegra escrever-lhe estas linhas!
Aceite um grande abraço de quem realmente lembra e estima.

+Gregório Warmeling68

BOM RELACIONAMENTO
Aquela vida musical me proporcionou ótimo relacionamento. Quando chegou a hora do meu
retorno ao NORDESTE, prestaram-me carinhosa homenagem, no grande refeitório, fazendo-se ouvir
a “AURORA” e também o colega DELLA MEA, em comovente discurso. Ele começou exclamando:
“Nunca mais! Nunca mais!” — Deveras nunca mais me foi dado pisar na terra dos pampas gaúchos,
da qual ainda hoje, tenho saudade.

CORPOS DOCENTES DO SEMINÁRIO


Brilhava no magistério do Seminário de São Leopoldo, uma plêiade de geniais professores.
Citamos entre outros o Pe. Joseph Mors. S.J. — lente de Teologia Dogmática, notabilíssimo, capaz
de fazer importante figura em qualquer Cátedra do mundo. Suas aulas eram ministradas, em latim.
Até se pedisse o favor de fechar uma janela, por causa do cortante vento frio minuano, era em latim:
— “Domine Francisce, obsequio claudere fenestram”. Também era em latim as aulas do fora-de-
série Pe. Cândido Santini, S.J. — lente de Teologia Moral, Direito Canônico e Medicina Pastoral.
Que sumidade em Escritura Sagrada era o Pe. Lise e o Pe. Kessler, S.J., em História da Igreja!
Deixo por último, propositadamente, citar aquele que me ensinou a celebrar o Santo
Sacrifício da Missa e administrar os Sacramentos e que está a caminho da honra dos altares — Pe.
João Batista Reus S.J69. Em meu livro liturgia das horas, guarda o santinho com esta prece.
Grande do Sul. Dom Cláudio Colling, faleceu n dia 3 de setembro de 1992, no Hospital São Vicente de Paulo, na cidade de Passo
Fundo, no Rio Grande do Sul.

67

68
Dom Gregório Warmeling (São Ludgero, 17 de abril de 1918 – Joinville, 3 de janeiro de 1997), foi um bispo católico. Foi o segundo
bispo da Diocese de Joinville, em Santa Catarina. Dom Gregório Warmeling foi ordenado padre no dia 5 de setembro de 1943.
Recebeu a ordenação episcopal no dia 29 de junho de 1957, das mãos de Dom Joaquim Domingues de Oliveira, Dom Anselmo
Pietrulla, OFM e Dom Inácio Krause, CM. Bispo Diocesano de Joinville-SC (1957 - 1994). Participou do Concílio Vaticano II em
todas as sessões. Renunciou ao múnus episcopal no dia 9 de março de 1994. Morreu em Joinville em 3 de janeiro de 1997. Está
sepultado na Cripta da Catedral de Joinville.
69
Servo de Deus Padre João Batista Rëus, nascido Johann Baptist Reus SJ (Pottenstein, Baviera, 10 de julho de 1868 — São
Leopoldo, 21 de julho de 1947) foi um padre jesuíta teuto-brasileiro. Padre Reus foi um grande místico, que recebia inúmeras visões,
principalmente durante a missa. Durante sua vida escreveu diversos livros religiosos em português, espanhol, alemão e italiano. Seu
Diário Espiritual e Autobiografia revelam uma alma singular e mística. O seu Curso de Liturgia, em três edições, foi um manual que,
durante os anos antes da reforma da liturgia pelo Concílio Vaticano II, formou gerações de padres no amor à liturgia da Igreja. Por
causa dos milagres que lhe são conferidos, ao falecer, em 1947, Padre Reus já tinha fama de santo. O processo de beatificação
começou em 1953, mas ficou parado durante décadas. Nos anos 90, os bispos gaúchos enviaram carta ao Papa João Paulo II, pedindo a
” DAI-ME HONRA A JESUS EM MARIA, COMO QUEM ME ENSINOU
LITURGIA.”
Uma vez por semana, tínhamos um excelente passeio, à tarde, passando se as horas, na
chamada chácara do jesuíta. Lá, encontrávamos montículos de bergamotas, uma espécie de laranja
cravo, bem geladinhas pelo clima.

GOZO DE FÉRIAS
Devo agradecer muito a Deus o presente de Boas Férias e, que me deu, na agradável
companhia dos APOSTÓLICOS PADRES PALOTINOS 70, durante os anos de 1936, 1937 e 1938.
Em VALE VÊNETO71, me demorei por mais tempo, sendo hóspede do saudoso Pe. Jorge Zanchi,
sacerdote erudito, piedoso e bom músico brincava com as teclas do hormônio e chegava a mandar
composições para a Itália. Quando, pela primeira vez fui a VALE VENETO, fiquei admirado de ver
como um lugar de tão poucas residências tinha uma igreja tão grande e bonita. No domingo, se me
desvendou o mistério: Igreja cheia, com muitos homens a orar e cantar os louvores a Deus. É que o
povo morava espalhado em numerosos sítios, no domingo todos iam participar da Santa Missa. Casa
fechada, pai, mãe e 16 filhos, todos na igreja. Também fazia gosto ver a reunião que existia entre
eles; pareciam integrar uma só família. E não é isto mesmo? TODOS OS IRMÃOS E FILHOS DO
MESMO PAI CELESTE — “PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU.”
Passei férias ainda com os mesmos bons amigos Palotinos, no PATRONATO AGRÍCOLA
MARCELINO RAMOS, em SANTA MARIA DA BOCA DO NORTE, junto aos apostólicos filhos
de SÃO VICENTE PALOTTI. Muito me lembro do venerando superior — Pe. Rafael Jop, bem
como dos fervorosos missionários padres Benjamin Ragaghim, Celestino, Bolzan Piveta e outros.
Prestei ajuda na grande tipografia que eles possuíam fazendo revisão de impressos, notadamente da
conceituada revista RAINHA DOS APÓSTOLOS72.
Um dia Pe. Rafael me confiou uma tarefa bastante trabalhosa, mas igualmente honrosa. Viveu
em Spoleto, na Itália, mas uma jovenzinha de nome MARIA FILIPETO, cuja vida cheia de grande
amor a Deus devia ser bem divulgada. Era esboço de um 2° Tomo de SANTA TERESINHA DO
MENINO JESUS. Até amor ao sofrimento demonstrava. Merece relevo nesta afirmação da Santinha
de Lisieux: “UM DIA SEM SOFRIMENTO É UM DIA PERDIDO.”
Pe. Rafael possuía a biografia de Maria Filippetto, mas em italiano. Tentando fazer uma
versão dela para o português, escreveu para a Itália, pedindo a necessária licença. Esta não lhe pôde
ser concedida, porque já havia sido dada para Portugal. Que faz o Pe. Rafael? Disse-me — Sant’Ana,
seu trabalho aqui nas férias vai ser o seguinte. “Você leia bem a vida desta menina e a escreva a seu
modo.” Boa maneira de evitar plágio. Meti mãos à obra, e da diuturna trabalheira surgiu um livrinho
que recebeu o nome de LÍRIO ENTRE ESPINHOS73. Na capa, ele colocou um artístico lírio, cada
pétala apresentando a Mariazinha em diferentes idades — 3, 6, 9, 12 e 15 anos.

beatificação do Padre Reus em processo que ainda tramita no Vaticano. Iniciado em 1953, seis anos após sua morte, o processo de
Beatificação do Servo de Deus se estende por mais de 50 anos, mas foi em 2010 que Dom Zeno Hastenteufel, bispo da Diocese de
Novo Hamburgo, passou a olhar com maior atenção para a causa do santo popular. Uma Comissão Postuladora Diocesana foi instalada
para fins de aceleração do processo que é burocrático e minucioso. No momento em que se inicia um processo de beatificação o
religioso passa a ser considerado um Servo de Deus, o que já acontece com o Padre Reus. Após este processo de início, o Papa, através
da Congregação para a Causa dos Santos, avaliando suas virtudes heroicas o proclama venerável. Para ser Beato é necessário que um
milagre seja comprovado e para canonizá-lo, mais um.
70
Os Palotinos ou Padres e irmãos palotinos (S.A.C.) são uma sociedade de vida apostólica da Igreja Católica Apostólica Romana
fundada em 1835 com o nome de Sociedade do Apostolado Católico (societas apostolatus catholici) pelo Padre Vicente Pallotti,
declarado santo, durante o Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII em 20 de janeiro de 1963.
71
Vale Vêneto é um distrito localizado no município brasileiro de São João do Polêsine, no estado do Rio Grande do Sul. A origem de
seu nome é uma homenagem aos colonizadores italianos que se fixaram em suas terras, cuja maioria provém da região do Vêneto.
72
A Revista Rainha dos Apóstolos, é um apostolado dos padres e irmãos palotinos pertencentes a província Nossa Senhora da
Conquistadora – Santa Maria (RS). Desde 1923, a revista busca levar até os lares das pessoas um conteúdo de formação espiritual e
humana, inspirada nos ensinamentos de Jesus Cristo e de São Vicente Pallotti. Ao longo de quase 98 anos de publicações mensais
ininterruptas, a Revista Rainha dos Apóstolos vem evangelizando gerações no Brasil e no exterior e tendo a oportunidade de em cada
publicação levar a Palavra de Deus, de fé, de esperança e informação aos seus leitores.
73
Que esta nossa Irmãzinha muito interceda por nós junto ao LÍRIO DOS VALES e a CHEIA
DE GRAÇA E BENDITA ENTRE TODAS AS MULHERES, MÃE DE JESUS nossa.

ORDENS SACRAS RECEBIDAS


Chegou o tempo de receber as ORDENS SACRAS. Recebia-se, inicialmente, a PRIMEIRA
TONSURA. Seguiram-se as ORDENS MENORES de OSTIÁRIO, LEITOR, EXORCISTA e
ACÓLITO. O clérigo e minorista, recebia depois as ORDENS MAIORES do SUBDIACONATO,
DIACONATO e PRESBITERATO. Com exceção do PRESBITERATO, ou ORDENAÇÃO
SACERDOTAL, todas as outras recebi, no Rio Grande do Sul. Sempre me lembro, em minhas
orações dos meus PONTÍFICES ORDENANTES — Dom João Becker 74, Dom Antônio Reis75 e
Dom Adalberto Sobral, de quem os dois primeiros receberam para isto as devidas CARTAS
COMENDATÍCIAS.
Na espaçosa Cripta da Catedral de Porto Alegre — “Cidade de Formosa,” S. Excia. Revma. o
Sr. Dom João Becker — Arcebispo Metropolitano — me conferiu a PRIMEIRA TONSURA, no dia
31 de outubro de 1936(aos vinte seis anos de idade); as Ordens Menores de OSTIÁRIO e LEITOR,
no dia 30 de março de 1937(aos vinte e oito anos de idade); as Ordens Menores de EXORCISTA e
ACÓLITO, no dia 27 de outubro 1937 e a ORDEM MAIOR DO SAGRADO SUBDIACONATO,
no dia 30 de novembro — Festa do Apóstolo Santo André — de 1938. (aos vinte e nove anos de
idade)
Alguns detalhes. Ao voltar para o Seminário, fui ajoelha-me diante do altar da IMACULADA
CONCEIÇÃO, confiando-lhe o meu voto de castidade e pedindo a sua maternal proteção, para, em
toda a vida, guardá-lo, com fidelidade e firmeza, no que fui ouvido, graça a Deus. Falei sobre essas
coisas a minha saudosa mãe, antes de entregar sua alma a Deus, na manhã de 30 de novembro de
1962. Ao dizer-lhe que o dia do meu Subdiaconato foi o dia do meu casamento com a igreja, ela
respondeu: — “DIA ABENÇOADO!”

SAGRADO DIACONATO
A respeito, no Livro de Tomo da Cúria diocesana de Pesqueira foi exarada esta Nota:
“Certifico que, no dia quinze de janeiro de mil novecentos e trinta e nove, S. Excia. Revma. o Dom
Antônio Reis, Bispo de Santa Maria, nas Ordenações que celebrou, na Capela do Ginásio
SANT’ANA, de Santa Maria a Sede Episcopal, conferiu ao Subdiácono José Moreno de Sant’Ana,
devidamente preparado, obtida dispensa de interstícios “et exibitis sui Ordinarii Litteris
dimissorialibus”, a SAGRADA ORDEM DO DIACANATO. Gostei imenso de ter recebido o meu
DIACONATO, no Colégio de Sant’Ana. Tenho SANT’ANA em meu nome e no coração. É nossa
querida AVÓ CELESTE. Um hino que fiz em sua honra diz no refrão:

74
João Batista Becker (Sankt Wendel, Alemanha, 24 de fevereiro de 1870 — Porto Alegre, 15 de junho de 1946), titulado Conde João
Becker pela Santa Sé, foi um bispo católico brasileiro. O Bispo de Porto Alegre, Dom Cláudio, o ordenou sacerdote no dia 2 de agosto
de 1896, na capela do Seminário Diocesano.
Dois dias após a sua ordenação sacerdotal foi nomeado pelo bispo para vigário da Paróquia Menino Deus, em Porto Alegre. O Padre
João Becker, no período de doze anos que permaneceu a frente da paróquia, destacou-se pela piedade e pelo zelo na ação pastoral.
Ampliou e remodelou em estilo gótico a torre da antiga capela que deu origem a atual paróquia (que foi demolida no final da década de
1960 e posteriormente reconstruída). Por todos estes trabalhos, foi nomeado Cônego Honorário aos 9 de agosto de 1906, mesmo ano
que fundou a revista Liga Sacerdotal, com o padre Luís Mariano da Rocha. Morreu aos 76 anos de idade em 15 de junho de 1946 em
Porto Alegre, meses antes de ordenar bispo o seu auxiliar na Arquidiocese de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer que seria bispo-
auxiliar em Porto Alegre.
75
Dom Antônio Reis (Santa Cruz do Sul, 28 de outubro de 1885 — Santa Maria, 14 de setembro de 1960) foi um bispo católico
brasileiro. Foi ordenado sacerdote em 1910 e sagrado Bispo no dia 13 de dezembro de 1931, tendo como local a cripta da nova
Catedral de Porto Alegre. Escolheu como lema episcopal: Ad Jesum per Mariam (A Jesus por Maria). Ele era ainda Cônego da Igreja
de N. Sra. da Conceição, na capital do Estado, quando a 31 de julho de 1931 recebeu a sua nomeação para Bispo de Santa Maria. No
dia 13 de janeiro de 1932, Dom Antonio Reis, o 3º Bispo de Santa Maria, fazia sua entrada solene em nossa cidade, acompanhado de
brilhante caravana designada pelo Arcebispo Dom João Becker. Da Estação da Viação Férrea a comitiva dirigiu-se à Catedral
Diocesana, onde o novo Bispo foi canonicamente investido no cargo de bispo diocesano de Santa Maria. Recolhido ao Hospital de
Caridade, Dom Antonio lá veio a falecer no dia 14 de setembro de 1960. Foi sepultado na Catedral de Santa Maria. O episcopado de
Dom Antonio Reis durou 29 anos.
“NÓS AMAMOS SENHORA SANT’ANA — MÃE DA MÃE DE JESUS NOSSO
DEUS!”
Foi, com emoção, que pude, naquele dia, tocar na HÓSTIA CONSAGRADA, o que aos
diáconos era dado. No mesmo dia usei o privilégio, ao expor o SANTÍSSIMO SACRAMENTO para
a Bênção Solene, usando estola a tiracolo.

RETORNO AO NORDESTE
Voltamos para o Nordeste, meu saudoso colega João de Sousa Lima e eu, a bordo do navio
ITAPAGÉ. Quando chegamos a “TERRA DO DOCE” e também do nosso Sacerdócio — Pesqueira
— Pernambuco -, o “BISPO DE NOSSA SENHORA” já havia tomado providências para muito
solenizar a ORDENAÇÃO SACERDOTAL dos três Diáconos — JOÃO DE SOUSA LIMA, LUIZ
MUNIZ AMARAL e JOSÉ MORENO DE SANT’ANA.

SAGRADA ORDEM PRESBITERAL


12 DE NOVEMBRO DE 1939 — Há 50 ÁUREOS ANOS... Às 09 horas de ensolarada
manhã no Soleníssimo Pontifical do Encerramento de extraordinário CONGRESSO EUCARÍSTICO
SACERDOTAL, em artístico Altar-Monumento, armado em frente da majestosa Catedral da Virgem
e Mártir SANTA ÁGUEDA — PADROEIRA DA DIOCESE, o Exmo. Sr. DOM ALBERTO
ACCIOLY SOBRAL apostólico Bispo Diocesano, idealizador e alma do magnífico CERTAME,
conferiu a SAGRADA ORDEM DO PRESBITERATO aos três DIÁCONOS — JOÃO DE SOUSA
LIMA, LUIZ MUNIZ AMARAL e JOSÉ MORENO DE SANT’ANA.
A grande praça Dom José Lopes se achava repleta de fiéis, que representavam todas as
cidades e povoados da Diocese. A numerosa caravana de TACARATU, terra natal do Diácono João
de Sousa Lima, conduziu, alegre e festivamente, a imagem de sua gloriosa padroeira — NOSSA
SENHORA DA SAÚDE.
Estiveram presentes e nos impuseram as mãos o Exmo. E Revm. Sr. Dom Ricardo Vilela —
Bispo de Nazaré da Mata e 28 sacerdotes do clero Diocesano, do Convento de São Francisco e das
circunscrições eclesiásticas vizinhas, do Recife, inclusive as religiosas DOROTÉAS, grande número
de associações religiosas e de alunos dos diversos educandários.
Um grande coral executou, com maestria, bela Missa Pontificalis Prima, do imortal Perosi.
Foi mestre de cerimônias, com admirável competência, o Pe. José Keller. Rendemos às estas alturas,
carinhosas homenagens póstumas, ao inteligente e super dinâmico MONSENHOR LUÍS
MADUREIRA de saudosa memória, que foi polia mestra de tamanha realização. Celebrei a primeira
Missa rezada, na mesma Catedral, e outras duas, na Capela de São Sebastião e no Colégio de Santa
Dorotéia.

EM MINHA PARÓQUIA DE ORIGEM


A Missa festiva solene na minha paróquia de origem, foi no dia 8 de dezembro — FESTA
DA IMACULADA CONCEIÇÃO do ano de 1939, tendo pronunciado eloquente sermão, a Estação
do Evangelho, o pároco de então — Pe. Gervásio Feitosa76.

76
Gervásio de Souza Feitosa é natural de Porto da Folha, nasceu dia 24/04/1907, filho de Manoel Ezequiel de Souza Feitosa e Adélia
de Souza Feitosa. Aos 24 anos de idade, Gervásio de Souza Feitosa foi ordenado sacerdote por Dom José Tomaz Gomes da Silva.
Estando no Seminário Maior, Gervásio foi professor no Seminário Menor entre 1927 e 1929. Recém-ordenado, foi nomeado Capelão
da igreja São Salvador em Aracaju, e desta foi transferido para a paróquia de Japoatã; a seguir, para a de Vila Nova (Neópolis); e,
finalmente para a capela de Campo do Brito onde permaneceu por cerca de 20 anos. Pároco trabalhador, pregador vibrante. Padre
Gervásio dedicou-se muito a igreja, inclusive construindo capelas e reformando igrejas por onde passou, a exemplo da igreja de Santo
Antônio em Neópolis, que foi toda reformada recebendo um forro novo de madeira; essa reforma foi feita em mutirões utilizando mão
de obra de jovens e crianças. Segundo ele, essa era a maneira pedagógica de envolver a comunidade na obra de Deus. Nesta época o
Padre Gervásio publicou um livro de poesias, intitulado “Flutuantes”, todas as poesias em louvor a Nossa Senhora. Devoto fervoroso
de Nossa Senhora da Conceição, que ele emocionado e às vezes lacrimejando chamava minha madrinha. Padre Gervásio não perdia a
festa de 08 de dezembro em Porto da Folha, vez em quando vinha com o Padre João Lima Feitosa ou sozinho dirigindo seu jipe para a
festa que ele tanto gostava. Com idade avançada, o Padre Gervásio foi morar com a filha Maria de Fátima no bairro São José em
Aracaju, onde faleceu aos 82 anos, dia 14/06/1989. Em reconhecimento a importância do Padre Gervásio no contexto sacerdotal, a
população de Porto da Folha o acolhe como Filho Ilustre deste município.
Foi excepcional a recepção que me fizeram, à noite da véspera, tendo uma ilustre caravana
ido buscar-me, de lancha, em Penedo. Ocupou a tribuna, à porta da Igreja-Matriz, em primorosa
saudação, o Dr. Luiz Pereira de Melo, digníssimo Promotor Público da Comarca. A ele, bem como
às autoridades presentes e a tão expressiva multidão, externei meu profundo agradecimento.
Em prosseguimento, fui acompanhado de muita gente para nossa humilde residência, na Rua
da Flores, hoje Jackson de Figueiredo, onde esperava ansiosa a minha querida mãe. Com que emoção
ela fitava o filho que, há seis anos, não via! Houve, no dia seguinte, um lauto almoço, preparado pela
festejada mestra de arte culinária — Dona Aidê77. Na ocasião se fez ouvir, em bonito discurso, o
inesquecível Padre Artur Alfredo Passos.

ATIVIDADES EM PESQUEIRA
Retornei a Pesqueira, onde ocupei vários cargos, que o Sr. Bispo me confiou. Fui seu
secretário particular, diretor espiritual do Seminário Menor SÃO JOSÉ, capelão do Colégio SANTA
DOROTÉIA, e do bairro de SÃO SEBASTIÃO, tendo sido, por algum tempo, pároco da Sé, na
Catedral de SANTA ÁGUEDA — padroeira da diocese. Era responsável por uma página da diocese
no jornal A VOZ DE PESQUEIRA e também integrei om corpo redator do Jornal O CENTRO, de
Belo Jardim.

MATERNO CONVÍVIO
Desejando dar a minha querida mãe a alegria de estar ao lado do filho sacerdote e único
também, vim buscá-la, para isto, em Vila Nova. Eu morava no Palácio Episcopal, mas agora urgia
conseguir uma casa para a nova residência. Na rua 15 de novembro, defronte ao convento de São
Francisco, havia uma casinha disponível, pertencente a Fábrica Peixe, de Carlos de Brito & Cia.
Estando bastante deteriorada, alguns amigos pensaram em aplicar-lhe um bom concerto e limpeza.
Mas a generosidade foi mais longe. Demoliram a casinha e construíram em seu lugar uma outra
novinha em folha, com as necessárias dependências e oferecendo um bom conforto. O quintal,
espaçoso e murado, tinha um portão, que dava saída para a rua e, no outro lado, se achava outro
portão, dando acesso ao Colégio de Santa Dorotéia. Por ali, eu podia chegar à capela do colégio,
mais facilmente e evitando arrodeio.
Permitam-me aqui uma digressão. Antes de mim, foi o capelão do COLÉGIO SANTA
DOROTÉIA, o saudoso Monsenhor João Pires. Toda manhã, ele tinha que fazer para lá uma
caminhada, visto que morava no palácio episcopal. Quase sempre ele se encontrava com uma
velhinha, cruzando direção, ele indo para o colégio e ela, para o centro da cidade. Um dia ela disse
ao Monsenhor Pires: - “Todos os dias eu me encontro com o senhor, aqui; bem assim há de ser, no
caminho do céu.” Prontamente ele respondeu, sorrindo: “é, eu indo e a senhora voltando!”.

TRANSFERÊNCIA PARA O MARANHÃO


Sua Santidade o Papa Pio XII, gloriosamente reinante, pelas bulas de 18 de janeiro de 1947,
transferia o Sr. Dom Adalberto Accioly Sobral, da Sede Episcopal de Pesqueira, para a Sede
Arquiepiscopal de São Luís do Maranhão.
O PÁLIO ARQUIEPISCOPAL S. Excia recebeu, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida,
das mãos do Em°. Sr. Cardeal Dom Carlos de Vasconcelos Mota, representando a Diocese de
Pesqueira o grande amigo do Antístite – Industrial Manuel Brito, além deste secretário. Arquidiocese
de São Luís do Maranhão se fez representar pelo Cônego Carlos Bacelar e as professoras Amância
Mattos e Maria Rosa Rodrigues. Era o dia 16 de julho – Festa de NOSSA SENHORA DO CARMO.

VIAGEM E RECEPÇÃO
A viagem se fez em possante avião da FAB, gentilmente cedido. Decolou de Pesqueira na
manhã de 11 de agosto de 1947, conduzindo o novo Arcebispo, seus três auxiliares Monsenhor Luís
Madureira, Cônego Antônio Duarte Cavalcante e Cônego José Moreno de Sant’Ana, seu irmão Dr.
77
Francisco Sobral e sua dedicadíssima irmã Alzira Accioly (Zizinha). Imaginem o volume da
bagagem.
O brilhante Dom Felipe Condurú Pacheco, em sua HISTÓRIA ECLESIÁSTICA DO
MARANHÃO, depois de apresentar DADOS BIOGRAFICOS do Prelado e CIRCUNSTÂNCIAS
ANTERIORES À SUA CHEGADA, inclusive a carta pastoral que ele dirigiu aos diocesanos de
Pesqueira e aos arquidiocesanos de São Luís, averba o seguinte: “Às 17 horas do dia 11 de agosto de
1947, descia, no aeroporto do TIRIRICAL, o avião especial da FAB, no qual viajava o Sr. Dom
Adalberto Sobral, com seus três sacerdotes auxiliares. Recebido por todas as autoridades
Eclesiásticas, Civis e Militares, inclusive os Sr. Governador e Prefeito da cidade, rumou o cortejo
automobilístico para a Vila do Anil, entre alas de colégios, de associações e do povo, que ocorrera
aquele local”.

SOLENÍSSIMA POSSE
“A 12 de agosto, pela manhã – continua Dom Felipe Condurú – o Sr. Dom Adalberto,
paramentado pontificalmente, seguiu da Igreja do Carmo para a Catedral, sob o pálio, após filas de
colégios e associações, acompanhado das Exmas. Autoridades e do povo. Na Catedral, o Revmo.
Secretário do Cabido fez a leitura das Bulas Pontificais, foi lavrado a ata de posse de S. Excia.
Revma. e cantando solene TE DEUM, após o qual o Revmo. Cônego Arias Cruz, em quarenta
primorosos minutos, pronunciou a eloquente oração gratulatória – Por fim, falou o Sr. Dom Alberto
Sobral, agradecendo ao clero e os fiéis, na ternura de paternal alocução que a todos comoveu.”
Presentes à solenidade, cumprimentaram o Exmo. Metropolita, além do Governador do
Estado – Cel. Sebastião Archer da Silva, os Srs. Bispos Sufragâneos: Dom Severino Vieira de Mello,
de Teresina; Dom Felipe Condurú Pacheco, de Parnaíba; Dom Luiz Gonzaga Marelim, de Caxias e
Monsenhor Afonso Ungarelli, Administrador Apostólico de Pinheiro. No interior, compareceram à
posse do novo Arcebispo os Revmos. Mons. Dourado, Cônegos Bacelar e Palhano, bem como os
padres Benedito Estrela, Alteredo Soeiro, Francisco Dourado, José de Freitas Costa, Raimundo
Carvalho, Pedro Santos e Ladislau Papp. O ancião Monsenhor José Bráulio Nunes se fez representar
pelo Cônego Frederico Chaves a quem confiou o seguinte recado: “Diga a Dom Alberto que eu não
compareço às cerimônias de sua posse, porque, quando ele nasceu eu já era vigário de São Vicente
Ferrer.”
Nos dias que se seguiram, S. Excia. foi alvo de importantes visitas a começar pelo
Governador Sebastião Archer da Silva do Prefeito Municipal Dr. Antônio Pires Ferreira, da
Assembleia do Estado da Imprensa, de representações da indústria e comércio, dos estivadores,
marítimos e trabalhadores em geral.

EXPRESSIVAS HOMENAGENS
No dia 14, excepcional homenagem se prestou ao grande Arcebispo, no Teatro Arthur
Azevedo, com magnífica hora de arte do Ginásio Maranhense, dirigido pelos Irmãos Maristas.
Apresentaram uma excelente peça teatral em três atos, terminando com canto por todos do Hino
Nacional. Nesta ocasião, uma criança de 4 anos de idade causou admiração à imensa plateia,
declamando, com voz alta e perfeita articulação, um grande poema. Entende-se porque Dilú Melo 78
focalizou ATENAS DO BRASIL, cantando:
MARANHÃO, QUE TERRA BOA, ONDE O POETA NASCEU!79

COLÉGIO SANTA TERESA


Outra gigantesca homenagem foi prestada ao novo pastor, também com artísticos números de
palco no COLÉGIO SANTA TERESA, onde Irmãs Dorotéia, Filhas de Santa Paula Frassinetti,

78
Maria de Lourdes Argollo Oliver, mais conhecida pelo nome artístico Dilú Melo, (Viana, 25 de setembro de 193 – Rio de Janeiro,
24 de abril de 2000) foi uma cantora, compositora, instrumentista e folclorista brasileira.
79
Trecho da música “Saudade do Maranhão – Carlos Galhardo”, composição: Dilú Melo/Roberto Martins.
educam para a vida a Juventude feminina da terra gonçalvina. Até fizeram oportuna alusão a um fato
ocorrido, em Pesqueira, dentro dos atos da Semana Santa daquele ano. Ei-lo:
Notável Missionário Redentorista estava pregando um sermão de Encontro, na Praça Dom
José Lopes. Tão lindos se apresentaram os céus de Pesqueira, naquele momento, que todo o povo
ficou de rosto voltado para o alto, admirando o espetáculo. Viu-se, feitas de nuvens, duas estradas
azuis, cumpridas, paralelas e perfeitas, como se estivessem sido caprichosamente desenhadas,
deslumbrando-se, ao término, uma linda coroa. Isto foi tão empolgante que levou o pregador a mudar
de tema. Substituiu o assunto do ENCONTRO DA MATER DOLOROSA COM SEU DIVINO
FILHO SOFREDOR POR ESTE: A FITA AZUL SALVAR O BRASIL!
Naquela homenagem do colégio Santa Teresa uma inteligente aluna reproduziu
interessantemente o episódio. Entrou no palco em silêncio olhando para cima. Depois, fingindo
contemplar aquela beleza dos céus de Pesqueira, assim explicou, com muita graça e perfeição: -
“Aquelas duas estradas arrematadas por uma coroa, dourada pela luz do sol, foram caminho aberto
na estrada do homenageado para a Arquidiocese do Maranhão, ostentando a COROA DE SÃO LUÍS
– REI DE FRANÇA.” Ruidosa salva de palmas.

ACÚMULO DE CARGOS
Não tardei em assumir responsabilidades, qual músico de sete instrumentos. Residia no
palácio arquiepiscopal e diariamente tinha uma hora de trabalhos, no gabinete do Sr. Arcebispo,
como secretário particular. Houve um tempo em que fui acumulativamente secretário geral,
tesoureiro da Cúria Metropolitana e Capelão do colégio Santa Teresa, dirigido pelas Irmãs Dorotéia.
Havia ali uma comunidade de 37 religiosas e mais de mil alunas, desde do jardim da infância até os
cursos científicos e de comércio. Era grande o trabalho, com exercícios espirituais, confissões e
reuniões com Apostolado da Oração, Pia União das Filhas de Maria, Ação Católica, Assistência às
domésticas da Capital e Catequese. Equivalia a uma paróquia.

MARIA – MÃE DEFENSORA


No dia de grande tempestade, trovões, relâmpagos e coriscos, as Irmãs estavam reunidas na
Capela, fazendo visita ao SANTÍSSIMO SACRAMENTO, depois de almoço. Ouve se, então, um
forte estrondo de um corisco. Prodígio – Nenhuma foi atingida. A faísca foi atraída por uma
IMAGEM DE NOSSA SENHORA que estava no coro do templo, deixando-a totalmente denegrida.
Todas viram nisto uma graça especial do céu. Era 27 de abril. Por isso, lá, no dia 27 de abril de todos
os anos, celebrava se Missa de ação de graças comemorado o acontecimento.
Caso semelhante se deu também, no consultório odontológico da Dra. Maria Amélia Bastos,
piedosa filha de Maria, que conservava em sua residência um bonito altar da virgem Imaculada. Dra.
Maria Amélia era profissional de tal maneira que os outros dentistas para ela encaminhavam certos
clientes portadores de casos dificílimos. Ela rezava a jaculatória – Ó MARIA CONCEBIDA SEM
PECADO e.. Mãos à obra, tudo correndo maravilhosamente bem a contento. De tão caridosa, não se
contentava com trabalhar gratuitamente para quem não podia efetuar o pagamento; mas ainda,
consagrava seu trabalho gratuito todos os sábados, até deslocando-se para o bairro pobre do Anil80.
No dia de pesado temporal em São Luís, ela atendia em seu consultório, estando repleta de
pessoas a sala de espera. Ouviu-se um forte estrondo e uma faísca elétrica atravessou a casa da Dra.
Maria Amélia, entrando pela porta da frente e saindo pela do quintal, passando por toda aquela gente,
sem a ninguém ofender e sem nadar danificar. Como se arranjar diante de um fato desse quem não
tem fé? Coincidência? ... “Qui!”

VÁRIAS HABITAÇÕES

80
Anil é um bairro de classe média baixa do munícipio de São Luís, capital do estado do Maranhão. Seu povoamento teve início no
século XIX.
De início, o novo Arcebispo se instalou, com seus acompanhantes, no prédio, à rua Oswaldo
Cruz, de propriedade dos irmãos Marista. Este ainda ocupava o Palácio Arquiepiscopal com o
“Ginásio Maranhense” que estavam construindo um novo edifício, na supramencionada artéria.
PRESTIMOSA FORMIGA. Morando assim distante do colégio Santa Teresa, onde devia
celebrar Missa, às 6:00 da manhã, tomava um bonde elétrico, na esquina que ficava perto. Um dia,
quando acordei, o bonde já havia passado. Ia haver transtorno, na capela do colégio pela ausência do
capelão, no rigoroso horário. Tive a ideia de pedir carona ao primeiro carro que aparecesse na
esquina próxima, onde fiquei postado. Dado momento surgiu, na longa rua, um carro em alta
velocidade. Ao aproximar-se, levantei os braços, pedindo atendimento. O veículo parou, uns 30
metros adiante. Acerquei-me dele e perguntei ao motorista: - “O senhor parou foi para me atender?
Ele respondeu: - “Não, foi para tirar uma formiga, que me mordeu na barriga. Para onde o senhor
vai?” – Para o colégio Santa Teresa – respondi. Ele disse: “Eu vou leva-lo, entre.” E assim, eu não
cheguei atrasado ao colégio, graças a Deus e à prestimosa formiga.
As irmãs Dorotéia, notando como estava mal acomodado o seu Arcebispo, morando assim
uma casinha, onde os Irmãos Maristas até armazenavam material de construção, colocaram-lhe à
disposição a casa da Boa Chácara que possuíam perto. Ali passou a residir o Metropolita e foi logo
procurando a solução do seu residencial problema. Havia, na linda praça Gonçalves Dias, um grande
prédio da Arquidiocese que, para ser habitado, necessitava de uma grande reforma. Dom Adalberto
se esforçou pela recuperação dele, com a ajuda de amigos e de muitos pontos do país, nele residiu
durante alguns meses. Local ameno e até poético. No centro da praça, domina o Monumento do vate
Gonçalves Dias, em forma de palmeira, com 48 esbeltas palmeiras, em derredor. Alusão ao que o
imortal poeta cantou, de Paris:
“Minha Terra tem Palmeiras, onde canta o sabiá. As aves, que aqui gorjeiam. Não
gorjeiam como lá.”
Cada ano, a mocidade estudantil de São Luís ali se reúne, prestando lhe carinhosa
homenagem.

IGREJA MATRIZ DOS RÉMEDIOS


Na mesma praça Gonçalves Dias, temos a MATRIZ DE NOSSA SENHORA DOS
RÉMEDIOS, confiada, com toda a paróquia, ao zelo dos apostólicos Padres Jesuítas. Como me
lembro do Pe. José Foulquier S.J e Pe. Alfredo Oliveira S.J.! Existia ali um CONVENTO DAS
IRMÃS DE JESUS CRUCIFICADO. No supramencionado prédio, o Sr. Arcebispo Dom José de
Medeiros Delgado fundou mais tarde uma FACULDADE DE FILOSOFIA, que abriu caminho para
a criação de uma UNIVERSIDADE CATÓLICA.

PAÇO ARQUIEPISCOPAL DEFINITIVO


O Sr. Dom Adalberto Sobral não descansou. Voltou-se agora para a restauração do outro
grande prédio da praça Benedito Leite, já desocupado pelos educadores Irmãos Maristas. Pô-lo em
perfeita ordem, coletando recursos, junto aos numerosos amigos que possuía, espalhados por este
imenso Brasil. Operada a grande metamorfose, eis a Arquidiocese de São Luís do Maranhão dotada
de um condigno Paço Arquiepiscopal, contíguo à Catedral Metropolitana de NOSSA SENHORA
DA VITÓRIA e perto do Palácio dos Leões. Trata-se de um prédio que foi residência de inúmeros
prelados de inconfundível valor, figurando entre os últimos, os Exmos. Srs. Dom Francisco de
Paula e Silva, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, como 1° Arcebispo Dom Otaviano Pereira
de Albuquerque, sucedido por Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, que foi o antecessor de
Dom Adalberto Accioly Sobral.

MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Sempre vi na imprensa falada e na radiofonia poderosos meios de comunicação, para
trabalhos de catequese evangelização. Em Pesqueira, fui responsável por uma página da Diocese, no
jornal A VOZ DE PESQUEIRA, de propriedade dos Irmãos Chacon. Em Belo Jardim, dei sinal de
vida nas colunas do jornal O CENTRO, publicado pelo bom amigo Pe. Saturnino Cunha.
Em São Luís, redigia artigos para o JORNAL DO MARANHÃO, O DIÁRIO DE SÃO LUÍS,
jornal do governo, o JORNAL DO POVO, que era da oposição, isto nada importando, porque devo
interessar pelo bem de todos o, e O JORNAL PEQUENO. Citando o JORNAL DO MARANHÃO,
apraz-me prestar especial homenagem ao então seu diretor, alto funcionário do Banco do Brasil –
LUÍS FILIPE VIEIRA DA SILVA. Homem de fé e vida cristã modelar, cheio de amor a Deus e à
igreja. Constantemente preocupado com atrair corações para Deus, levava um exemplar do jornal
para o Banco e o colocava na carteira de um colega, que era infenso à religião. Este rasgava o jornal
e os jogava na sexta. Certo dia, o Luís Felipe usou de um curioso expediente. Procurou saber a data
em que a genitora do colega aniversariava, conseguiu uma foto dela para efeito de um clichê, que
estampou na primeira página do jornal, ilustrando especial mensagem.
Mantinha PROGRAMAS RADIOFÔNICOS, nas três Emissoras da capital maranhense,
todos os dias. Na RÁDIO RIBAMAR, de propriedade do bom amigo Sr. Gerson Tavares, o
programa JARDIM DAS OLIVEIRAS. Aos sábados, na RÁDIO TIMBIRA, o programa IN VERBO
TUO. A escolha do nome constitui a homenagem ao meu Arcebispo Dom Adalberto Sobral, cujo
brasão de armas ostentava uma rede com dois peixes e essas palavras de São Pedro, quando Jesus o
mandou lançar a rede para a pesca, em lugar e hora, que, humanamente falando, não ofereciam
esperança de êxito. Simão Pedro disse a Jesus: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada
apanhamos. Mas, já que o Senhor manda jogar as redes, vou obedecer – in verbo tuo laxabo rete.” E
daí resultou uma pesca miraculosa, com peixes, que ameaçavam arrebentar as redes. Até coloquei no
santinho de lembrança de minha ordenação sacerdotal:
“Ungiste-me, Jesus, com terno amor, De corações quero extinguir-te a sede; Tu me
fizeste de homem pescador, A TEU MANDADO LANÇAREI A REDE.”
Na DIFUSORA DO MARANHÃO, apresentava o programa POR UM MUNDO MELHOR,
aos domingos. Quando me surgia algum impedimento, era substitui substituído por irmãos da
Congregação Mariana da Ação Católica. Todos os dias, minha saudosa mãe, morando em Penedo,
tinha um prazer de ouvir a voz do filho. Certa vez, um pastor evangélico, que era diretor da Rádio
Timbira e também deputado estadual, assistindo ao meu programa, perguntou, em linguagem
cariosa: - “Sua mãezinha está ouvindo isto?” – Era um DIA DAS MÃES e eu lhe diria filial
saudação. Respondi-lhe que sim. O parlamentar ficou admirado e até deu para citar meu nome, em
discurso que fez, na Câmara dos Deputados.

DOM JOSÉ DE MEDEIROS DELGADO


Foi o sucessor de Sr. Dom Adalberto Sobral, no Sólio arquiepiscopal do Maranhão, tendo
tomado posse, no dia 03 de fevereiro de 1952. Era super dinâmico. Logo ao chegar, afirmou que ia
abusar do teco-teco. De fato, usou e abusou deste transporte aéreo e de muitos outros, por terra e por
água, palmilhando os 105 quilômetros de sua querida grei. Pregou muito o Evangelho ao povoe em
retiros espirituais, inclusive ao clero.
Preocupado com o bem-estar do seu povo, criou vários meios de eficaz atendimento. No dia 5
de setembro 1957, inaugurou a COOPERATIVA BANCO RURAL DO MARANHÃO, para ajudar
aos irmãos de baixa renda, colocando à frente da mesma o competente economista Cláudio Brandt.
Eis umas siglas, que proclamam exuberante atividade.
ASA – AÇÃO SOCIAL ARQUIEPISCOPAL. Está ele encontrou incrementou, com a
eficiente colaboração do incansável Monsenhor Frederico Pires Chaves.
COPEA – CONSELHO DE OBRAS PAROQUIAIS DE EDUCAÇÃO E DE
ASSISTÊNCIA. Combateu três chagas, quem perturbavam as festas religiosas – jogos, bebedeiras e
bailes.
MIRA – MISSÃO INTERMUNICIPAL RURAL ARQUIDIOCESANA. Reforma Agrária
genuína. Também se cognominava ASSOCIAÇÃO DE SÃO JOSÉ, visto que igualmente se
dedicava ao fomento e cultivo das Vocações Sacerdotais e Religiosas, voltando-se para o
SEMINÁRIO DE SANTO ANTÔNIO, confiado ao zelo dos Padres Lazaristas. Foi-lhe grande
batalhador o amigo o sacerdote húngaro Pe. Ladislau Papp.
DAER – DEPARTAMENTO ARQUIDIOCESANO DE ENSINO RELIGIOSO, com
organização da DOUTRINA CRISTÃ, em cada paróquia, com o orientador catequético, com tempo
integral.
DURIL – DEPARTAMENTO UNIVERSITÁRIO DE RÁDIO, IMPRENSA E LIVRO.
SOMACS – SOCIEDADE MARANHENSE DE CULTURA SUPERIOR. Caminho aberto
para a fundação da importante UNIVERSIDADE CATÓLICA DO MARANHÃO, congregando as
FACULDADES DE FILOSOFIA e de CIÊNCIAS MÉDICAS, ESCOLA DE ENFERMAGEM, de
SERVIÇO SOCIAL e de MUSEOLOGIA. Já contava também com o MEB – MOVIMENTO DE
EDUCAÇÃO DE BASE.
REMAR – RÁDIO EDUCADORA DO MARANHÃO LTDA.
A AÇÃO CATÓLICA funcionou fortemente, na arquidiocese, tendo sido confiada a presidência
geral ao abalizador Pe. João Mohana. Seus variados quadros compreendiam: - JAC – Juventude
Agrária Católica; JUC – Juventude Universitária Católica e ACO – Ação Católica Operária.
Mostrou-se mesmo exímio Pastor Dom José de Medeiros Delgado. A Santa Sé o transferiu
para a Arquidiocese de Fortaleza, no Ceará, da qual se tornou resignatário. Deus o chamou para a
melhor vida, junto a seus familiares, no Recife, no dia 9 de março 1988. Que tenha logo recebido o
prêmio de tantas lutas e canseiras, de tantos trabalhos e sofrimentos, em prol do Reino de Deus.

DOM ANTÔNIO BATISTA FRAGOSO


Após a retirada do Sr. Dom José de Medeiros Delgado, foi eleito Vigário Capitular pelo
Cabido Metropolitano, o Sr. Bispo Auxiliar DOM ANTÔNIO BATISTA FRAGOSO. Inteligente,
piedoso, simples e humilde, era dedicadíssimo aos pobres e humildes. Visitava-os, constantemente.
Todas as noites, após o jantar dava uma caminhada pelo cais do porto, pondo- se em contato com
seus amigos estivadores, para lhes proporcionar conforto e ajuda. Dom Fragoso assumiu então o
GOVERNO ARQUIDIOCESANO, até o dia 19 de julho de 1964, quando o transferiu solenemente
ao Exmo. E. Revmo. Sr. DOM JOÃO JOSÉ DA MOTA ALBUQUERQUE, passou a ser o 29° Bispo
e 5° Arcebispo da grande metrópole gonçalvina.

DOM OTÁVIO BARBOSA AGUIAR


O atual Bispo Emérito de Palmeira dos Índios também muito edificou, prestando valiosos
serviços à Igreja Maranhense, como Bispo Auxiliar do Sr. Dom José de Medeiros Delgado.

TERÇO EM FAMÍLIA
Centenas de vezes rezei o Terço em Família, dentro da comunidade ludovicense. Muitas
vezes era numerosa participação, da escolha de data interessante para a família, quem tão atraía a
presença de parentes, vizinhos, colegas e amigos. Numa dessas ocasiões, via-me em apertada
“sinuca”, da qual me livrei, apelando para o prestígio da IMACULADA CONCEIÇÃO, tendo o
demônio manifestado a raiva com quem ficou.
Vinha de rezar um terço, numa residência que ficava fora do centro da cidade, devendo- se
andar por uma estrada estreita é cumprida, entre árvores e com poucas habitações, uma aqui outra
acolá. Ao voltar, ouvi uma estranha algazarra. Algumas senhoras me avisaram e foram aflitas ao meu
encontro dizendo: “Padre! Ali estão dois pais de família, que querem se acabar!” Que podia eu fazer?
Pedir ajuda então AQUELA, que acabara de homenagear, com a recitação do terço. Aproximei-me
do primeiro que estava, sem camisa, com uma faça na mão e pulando para vários lados, ameaçando
atirar-se sobre o desafeto. Bati com as mãos nas costas dele, dizendo: - Meu irmão, o que é isto?
Deus não quer isto não! Olhe: Se NOSSA SENHORA, nossa Mãe do Céu, lhe fizesse um pedido,
você não atenderia, não? – “Atenderia” – ele respondeu. Então o pedido é este – Guarde essa faca e
vá para a casa. Ele obedeceu. Mas, quando eu dei as costas para ir falar com o outro, ele pulou fora
novamente. Voltei e perguntei-lhe – o sr. não disse que atendia ao pedido de NOSSA SENHORA?
Desta vez ele entrou em casa e ficou. Aproximei-me do outro armado de revólver cercado de uma
turma do “deixa disso”. Usei do mesmo expediente – Meu irmão se NOSSA SENHORA, nossa Mãe
do Céu, lhe fizesse um pedido, você não atenderia, não? – “Atenderia” – respondeu. Então ela pede
que você guarda esse revólver e vá para a casa. Ele cumpriu as palavras e retirou-se.
Tudo serenado, segui meu caminho de volta, com o coração batendo acelerado. Saí do
arvoredo e galguei a rua Oswaldo Cruz. Ali havia um galpão, onde durante o dia, alguns vendedores
faziam negócios. Tudo ermo e já fechado às portas das residências, que ficavam do lado oposto.
Parei, à espera de um bonde elétrico, que viria do Anil para o centro da cidade. Coisa estranha: -
Sacudiram-me uma pedra lá no meio de montões de coisas. Felizmente atingiu somente a batina e
não me maltratou. Nenhum sinal de gente por ali havia. Pensei logo – Deve ter sido aquele, que
queria se apoderar daqueles dois em conflitos, pois poderiam morrer transgredindo gravemente o 5°
Preceito do Senhor – NÃO MATARÁS – e ficou com muita raiva, porque eu impedi. Mas o mérito
não foi meu; foi da MÃE DE DEUS E NOSSA. MÃE DO BELO AMOR, O AMOR DE DEUS
FEITO MÃE.

VINDA PARA PENEDO – ALAGOAS


Em fim de outubro de 1958, quando planejava uma viagem a Penedo, a fim de levar minha
mãe para o Maranhão, recebi um telegrama, comunicando que ela se encontrava gravemente
enferma. Obtive licença do Sr. Arcebispo Dom José de Medeiros Delgado para vi a Penedo, dar-lhe a
devida assistência, na qualidade de filho único. Preparei a mala e viajei de avião a Maceió, onde
tomei ônibus para Penedo. Temia não mais encontra-la viva. Graças a Deus, não foi assim. Ela
experimentou grande alegria, ao ver-me e obteve acentuada melhora. Deus lhe conservou a vida,
quatro anos mais. Ela tinha em sua companhia a sua irmã – minha tia Hermília de Sant’Ana, e as
boas amigas Rita e Ana Gama. Está em sua vez atraiu sua mana Elvira Gama, o que nos foi
providencial. Celebrava Missa, no convento de Santa Maria, de Penedo e em Neópolis. Naquele
tempo, Neópolis não tinha vigário residencial. O saudoso colega e amigo Pe. Evêncio Guimarães81
era encarregado da paróquia, além de pároco de Japoatã. Atendendo ao pedido dele, celebrava, aos
domingos, em Neópolis, atravessando o Rio São Francisco, cedinho, fosse até mesmo em canoas de
pescaria. Até, para facilitar o trabalho, o Sr. Bispo atual – Dom José Vicente Távora 82 me deu
provisão canônica de vigário cooperador.

FALECIMENTO
Na manhã do dia 30 de novembro de 1962 – Festa litúrgica do Apóstolo Santo André –
manteve com minha mãe uma conversa, quem não sabia ser a última. Lembrei que, naquela data,
devia comemorar os 24 anos do meu Subdiaconato, acrescentando – Foi o dia do meu casamento
com a igreja. Ela exclamou: “Dia abençoado!”. Levantei-me, às 05 horas, para tomar banho. Quando
estava no banheiro, fui chamado aflitamente, por Ana, que disse “Mercê está morrendo!” Apressei-
me em vê-la e realmente estava em seus últimos momentos. Entregara a alma Deus, munida dos
Santos Sacramentos e assistida por seu filho sacerdote a rezar.
O sepultamento se fez, no Cemitério Paroquial de Neópolis, transladado o féretro, em lancha
especial, vendo-se no acompanhamento grande número de amigos, de Penedo e de Neópolis.
Cativante gentileza demonstrou o então Prefeito Municipal de Penedo, o saudoso Dr. Raimundo
Marinho, responsabilizando-se por todas as despesas funerárias. Que se encontrem juntos, no céu,

81
Padre Evêncio Guimarães (Gararu, 23 de janeiro de 1899 – Simão Dias, 31 de dezembro de 1976), quinto filho do casal de
alagoanos da cidade de Belo Monte/AL, Ana Maria do Sacramento de Medeiros e Joaquim José Guimarães Sobrinho, estudou no
Seminário Sagrado Coração de Jesus em Aracaju/SE, e foi ordenado sacerdote no dia 27 de janeiro de 1924. O seu ministério teve
lugar por várias localidades de Sergipe. Além de vigário de Japoatã (1930-1975), foi pároco em outras cidades do Baixo São
Francisco, como Porto da Folha (1935-1939), Muribeca (1965-1974, Neópolis, Ilha das Flores Pacatuba e Brejo Grande. Faleceu no
dia 31 de dezembro de 1976. Na ocasião estava vinculado a Paróquia de Simão Dias, Diocese de Estancia/SE.
82
Dom José Vicente Távora (Orobó, 19 de julho de 1910 — Aracaju, 3 de abril de 1970) foi um bispo católico brasileiro. Foi
arcebispo da Arquidiocese de Aracaju de 1960 a 1970. Aos 24 anos, foi ordenado sacerdote em Limoeiro (Pernambuco), onde
permaneceu até 1954. Foi bispo auxiliar no Rio de Janeiro e, em 1957, já bispo, foi enviado a Aracaju para substituir Dom Fernando
Gomes dos Santos. Foi ordenado arcebispo em 1960.
tendo conhecimento desta recordação. Tenho – na como uma intercessora a mais no céu, ao lado de
meus setes irmãozinhos.

NÃO VOLTEI PARA O MARANHÃO


Após o falecimento de minha extremosa mãe, o Sr. Arcebispo de São Luís do Maranhão –
Dom José de Medeiros Delgado – que, bondosamente, me deu licença para permanecer junta ela
enquanto vivesse, logo telegrafou, chamando e fazendo ver que precisava de mim. Pedi-lhe mais
tempo, pelo fato de ter assumido o grave compromisso com o povo de Neópolis, com a construção
da torre direita, ou dos Sinos, de sua Igreja-Matriz. Ele não se conformou com isso e continuou
insistindo em chamar. Aconteceu que a Santa Sé, naquela ocasião, transferiu o Sr. Dom José de
Medeiros Delgado, da Arquidiocese de São Luís do Maranhão para arquidiocese de Fortaleza.
O sucessor dele o Sr. Dom João José da Mota Albuquerque - a pedido do Sr. Dom José
Brandão de Castro, 1° Bispo de Propriá, tendo que enfrentar uma premente escassez de clero liberou-
me, dando a necessária Carta de Excardinação, datada de 9 de abril de 1965. E assim, aqui fiquei
provisionado pároco de Neópolis e não mais voltei para o Maranhão. Até deixei, no Paço
Arquiepiscopal, nunca me tendo sido possível reaver, muitos objetos de meu uso, sobretudo roupas e
importantíssimos livros, hoje raros e caríssimos, como o Dicionário Latino Saraiva e uma História da
Filosofia de Breyer, de sete volumes e em francês.

CONSTRUÇÃO DE TORRES
A Igreja-Matriz de Neópolis tem sido grandemente beneficiada. Antes não tinha torres e
agora têm duas, ambas encimadas de coruchéus, cobertos de azulejo cor de goiaba. A torre dos sinos,
à direita, foi construída com recursos tirados do povo, tendo-se feito para isto duas grandes caeiras de
60 mil tijolos cada, em terrenos de propriedade do saudoso Sr. Solon Guedes Barreto83. Uma foi
oferecida por ele e a outra teve despesas por conta da obra. Mestre de obras foi o conceituado
pedreiro José Paulino dos Santos84.
A segunda torre, com armação e várias lajes de concreto, foi construída pela grande Firma
PEIXOTO GONÇALVES & IND. COM. LTDA., no breve espaço de um mês, graças aos
entusiasmos e força de vontade do saudoso industrial, Sr. José da Silva Peixoto, que afirmou: “Tendo
material e dinheiro constrói-se, em pouco tempo.” Mestre de obras foi o excelente construtor José
Torres Santos85, que deu início aos trabalhos, no dia 05 de outubro de 1964.

CORO LIGANDO AS TORRES


Ligando as duas torres, internamente, fez-se uma espaçosa laje de cimento armando,
ostentando uma cumprida grade de ferro.

FESTA DOS SINOS


No dia 07 de junho de 1964, tivemos, em Neópolis, uma festa interessante, que foi
cognominada FESTA DOS SINOS. Às 05 horas da tarde, fora recebido, alegremente, dando entrada
solene, de mitra e báculo, precedido de crianças da Cruzada Eucarística, o Exmo. Sr. Bispo
Diocesano Dom José Brandão de Castro, C.Ss.R., à frente da Igreja-Matriz, onde numerosos fieis o
aguardavam. Objetivo da solenidade era colocar, no alto da torre direita do templo, DOIS SINOS de
bronze, que foram fundidos na Metalúrgica Freire, de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, o maior,
pesando 157 quilos e o menor, 50.
Dom José ministrou a benção litúrgica dos sinos, com a recitação de salmos e fazendo
brilhante alocução a respeito. A Schola Cantorum entoou em canto gregoriano, o “Dirigator,
Domine.” Nomearam-se os santos aos quais foram dedicados os sinos, de acordo com as efigies que

83

84

85
Morava na cidade de Penedo/AL, e foi funcionário da Peixoto Gonçalves.
apresentam em alto relevo: o maior ao SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS e a NOSSA SENHORA
ASSUNTA AO CÉU e o menor a SANTO ANTÔNIO.

GUINDAGEM
Verdadeiro espetáculo. Responsável – o próprio construtor da torre – José Torres dos Santos.
Trabalho feito com muita perfeição, arrancando ruidosos aplausos da grande assistência. Magnifico
detalhe: a primeira função do sino grande foi ainda pendente do cabo de aço e correndo em possante
roldana, uma vez que o relógio marcava as seis horas da tarde, badalar o toque do ANGELUS, que
foi recitado pela multidão.
A subida vagarosa dos sinos soltou-se fogos, do alto da torre e ouviram-se bonitos dobrados.
Os paraninfos, que sustentaram longas fitas, na hora da benção litúrgica, ofertaram envelopes
contendo a importância de Cr$ 92 925,00 – noventa e dois mil e duzentos e noventa e cinco
cruzeiros.

AGRADECIMENTOS DO PÁROCO
Após o jantar gentilmente oferecido pelo excelente amigo – Sr. Solon Guedes Barreto ao Sr.
Bispo e seus companheiros de visita a Neópolis: Vereador Hélio Gomes e Srtas. Maria Lúcia Sales e
Gildete Sales seguiram-se os Exercícios Espirituais da 7° Noite da Trezena de preparação para a
Festa de Santo Antônio, patrocinada, com brilhantismo, pelos funcionários públicos – federais,
estaduais e municipais. Mais uma vez, que, que foi a Quinta, se nos fez ouvir, com eloquência e
apostolicidade, o Exmo. Sr. Bispo Diocesano, proclamando de início: “DIA NOTÁVEL, EM
NEÓPOLIS!” Com ponto final, o pároco formulou seu enternecido agradecimento: Ao Sr. Bispo,
em nome próprio e a todos os paroquianos, pela encantadora presença de sua pessoa, de sua palavra e
sua benção.
A grande FIRMA PEIXOTO GONÇALVES & CIA, em cujas oficinas foram feitas as
artísticas peças de madeiras dos sinos, em forma de Cruz de Malta. Plena gratidão.

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