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MODULAÇÃO INTESTINAL

PROGRAMA DO CURSO

 Bases fisiológicas, imunológicas, biológicas e microbiológicas do trato


gastrointestinal;
 Intestino como órgão endócrino;
 SIBO - Super Crescimento Bacteriano no Intestino Delgado;
 Exames bioquímicos e do MICROBIOMA para interpretação da modulação
intestinal;
 Sinais patognomônicos para avaliações clínicas da saúde intestinal;
 Mecanismos de ação dos probióticos em intestino delgado e intestino grosso;

 Modulação intestinal para minimizar doenças metabólicas, imunológicas e


comportamentais;
 Manejo dietético para otimização da homeostase intestinal;
 Suplementação de prebióticos;
 Suplementação de probióticos e simbióticos;
 Paraprobióticos e PÓS-BIÓTICOS, conceitos e mecanismos de ação;
 Suplementação de nutracêuticos para restabelecer a imunidade intestinal;

FORMAÇÃO EM MODULAÇÃO INTESTINAL

Um curso que proporcionará um olhar do paciente a partir de sinais clínicos e bioquímicos,

direcionando ao estado de saúde por meio de estratégias nutricionais que promovam a

homeostase do trato intestinal.


QUERO INSCREVER AGORA!

Murilo Pereira

MODULAÇÃO INTESTINAL & ESTÉTICA


Inter-relações entre microbioma intestinal e saúde da pele

Modulação intestinal é um dos temas mais abordados na ciência, especialmente pela sua
associação direta com a saúde e a estética. Quais as melhores condutas a serem adotadas
no paciente com desequilíbrio do intestino?
O intestino humano possui milhares de espécies bacterianas que mantém um estado de
simbiose e habitam especialmente a parte inferior do órgão.  Uma recente revisão
bibliográfica (2018) descreveu os mecanismos de como a microbiota intestinal se
comunica com a pele, sendo caracterizada como um dos principais reguladores do eixo
intestinal. Os autores levantaram hipóteses observadas em estudos da área a respeito do
processo de diferenciação e queratinização da pele, sua influência na modulação da
resposta imune cutânea em diferentes desordens estéticas e a importância do
conhecimento sobre essa comunicação para adotar estratégias eficientes no controle das
alterações dérmicas, principalmente no decorrer do envelhecimento.

Caracterizada como um órgão em constante renovação, a pele passa por diferentes


processos para manter seu estado de homeostase.  O principal mecanismo envolvido na
sua relação com a microbiota intestinal se dá pelo efeito modulatório dos comensais
intestinais na imunidade sistêmica. Alguns metabólitos do intestino e certas cepas de
microrganismos – ácido retinoico, polissacarídeo A de Bacteroides fragilis,
Faecalibacterium prausnitzii e bactérias pertencentes ao Clostridium cluster IV e XI são
capazes de promover o acúmulo de células T reguladoras, linfócitos capazes de facilitar
as respostas contra liberação de mediadores inflamatórios e redução da inflamação.

Novas descobertas demonstram que o impacto que o microbioma intestinal pode


desencadear na fisiologia cutânea e a resposta imune mais direta, através da
permeabilidade intestinal que propicia a passagem de metabólitos para o plasma e,
consequentemente, para a pele, alterando sua homeostase.

Estudos avançados feitos com modelos animais e com humanos mostrou os efeitos
benéficos entre as bactérias do intestino e a aparência da pele. Um deles realizado por
Levkovich et al. (2013) trouxe resultados positivos na suplementação de Lactobacillus
reuteri no aumento da espessura dérmica e da foliculogênese, além de potencializar a
produção de sebócitos e melhorar o brilho da pele.

O Módulo Modulação Intestinal com foco em Estética, do MBNE 2019, evidenciará os


manejos nutricionais como a prescrição de paraprobióticos e outros componentes
importantes para a saúde do intestino, trazendo a sua inter-relação com a homeostase da
pele e prevenção de desordens estéticas, as palestras serão ministradas pelo Dr. Murilo
Pereira e a Dra. Renata Bagarolli.

REFERÊNCIAS

 SALEM, I. et al. The Gut Microbiome as a Major Regulator of the Gut-Skin Axis.
Microbiol Frontal, v. 9, n. 1459, p. 1-14, 2018.

LEE, S.  et al. Therapeutic effect of tyndallized Lactobacillus rhamnosus IDCC 3201 on
atopic dermatitis mediated by down-regulation of immunoglobulin E in NC/Nga mice.
Microbiol. Immunol., v. 60, p. 468–476, 2016.
LEE, W. J. et al. Influence of substance-P on cultured sebocytes. Arch. Dermatol. Res.,
v. 300, p. 311–316, 2009.

LEVKOVICH, T. et al. (2013). Probiotic bacteria induce a ‘glow of health’. PLoS One,
v. 8, n. 1, p. 1-11, 2013.

Estética integrativa
Envolve modulação intestinal, para que os tratamentos atinjam os
objetivos traçados.

Intestino e Estética: Conheça a


Relação
Atualizado: Jul 20
A saúde da pele pode ser o resultado de diversas questões. De genética e
hormônios a dieta e nutrição, a pele geralmente é um reflexo do que está
acontecendo internamente no corpo. Portanto, não deve ser surpresa que
um intestino não saudável possa se manifestar através de doenças de pele.
Por outro lado, um intestino saudável pode ajudar a evitar possíveis
preocupações com a pele.
Existe um eixo muito importante entre a pele e o intestino, e é através
desse eixo que se estabelece a relação entre a saúde intestinal e a saúde da
pele.
Sabe-se que se a microbiota intestinal está desequilibrada, seja por
estresse ou dieta, a microbiota será colonizada por bactérias patogênicas,
causando inflamação, que pode ter consequências na pele, com espinhas,
vermelhidão e até rugas.

Estudos mostram que esse eixo é importante pois a microbiota pode sim
influenciar na pele, e que através da modulação de bactérias benéficas ao
intestino, é possível prevenir ou tratar doenças inflamatórias de pele, como
acnes, rosácea, entre outras.

O intestino tem um papel altamente imunorregulador. Vários alimentos


ingeridos ou bactérias que colonizam o intestino podem causar inflamação.
Essa inflamação no intestino libera citocinas pró-inflamatórias por todo o
corpo. A pele é o maior órgão do corpo e reage a essas citocinas
inflamatórias de várias maneiras, resultando em diferentes formas de
doenças de pele.

Estudos mostram que esse eixo é importante pois a microbiota pode sim
influenciar a pele, e que através da modulação de bactérias benéficas ao
intestino, é possível prevenir ou tratar doenças inflamatórias de pele, como
acnes, rosácea, entre outras.

Considerando como intimamente a pele e o intestino estão conectados, uma boa


saúde da pele precisa incluir bons cuidados diários com a pele, mas também é
preciso considerar o que está acontecendo por dentro. É necessário olhar para o
que está sendo ingerido, a fim de minimizar a irritação e inflamação intestinal,
avaliar os níveis de estresse, incluindo sono e fazer o possível para manter uma
população bacteriana saudável.
Microbiota cutânea: sua
beleza e importância
aos tratamentos
estéticos
Microbiota é o conjunto de microrganismos que habitam nos tecidos e fluidos
humanos, composto por bactérias, fungos, leveduras, ácaros e vírus. Cada local
anatômico possui seu microbioma específico. A pele é considerada a primeira
proteção imunológica do organismo humano contra as bactérias. É mais do que
uma barreira física contra os possíveis patógenos, já que ela impede fisicamente
que esses antígenos consigam 'invadir' o organismo.

Os microrganismos estão na pele e, também, no intestino. Várias desordens


cutâneas podem estar relacionadas ao desequilíbrio destes microrganismos
cutâneos e intestinais. É importante sempre pensar no reequilíbrio desta
microbiota para que resultados de tratamentos estéticos sejam mais promissores.

Segundo a biomédica esteta da  Inanna Clínica de Biomedicina e


Estética , Ana Picolini, é preciso entender a relação entre a microbiota da pele
e os cosméticos probióticos.
- No dia a dia, nossa microbiota fica exposta a agentes externos como pH,
umidade, temperatura, radiação UV e poluição, assim como a fatores internos
hormonais, idade, estresse, oleosidade, alimentação, etc. Todos esses podem
causar danos e desequilíbrio na barreira cutânea e na microbiota cutânea,
resultando em processos alérgicos, acne, dermatites, rosácea, eczema - explica a
biomédica.

Segundo a profissional, esse aumento nos quadros de desordens cutâneas são


indícios claros de que o ambiente é capaz de influenciar na microbiota da pele, o
que demonstra uma necessidade por produtos cosméticos que auxiliem a restaurar
a flora bacteriana da pele, mesmo em ecossistemas desfavoráveis a esses
microrganismos. Alguns cuidados como hábitos de higiene também podem
regular a microbiota. Além isso, a limpeza diária com surfactantes e agentes de
limpeza, em uso excessivo, pode causar a remoção desta barreira cutânea.

Modular ou eliminar
De acordo com a Ana Picolini, modular a microbiota é reequilibrar, o que difere
de eliminar onde são utilizadas substâncias "antimicrobianas" que destroem
microrganismos.
- O reflexo da modulação do microbioma, através do uso de cosméticos pré e
probióticos, forma uma barreira mais íntegra que impede a perda de água
transepidermal, como também impede que alérgenos penetrem facilmente na pele
- diz a biomédica estéta.  

Para que o tratamento estético tenha o melhor resultado possível, a Clínica Inanna
oferece o gerenciamento das condições da pele, onde é avaliado, planejado e
indicado o tratamento adequado e os ativos cosméticos e nutricosméticos ideais
para cada tipo de paciente. Alguns cosméticos que têm a ação de modular e
restaurar a microbiota cutânea são:
Fensebiome - Com ação prebiótica, contribui para o aumento da diversidade e
equilíbrio da microbiota cutânea;
Aveia Coloidal - Tem propriedades hidratantes, calmantes e anti-irritantes.
Também ajuda no equilíbrio do pH cutâneo por ser rico em lipídeos essenciais,
ácidos graxos e conter antioxidantes naturais;
Vederine - Ativo natural extraído da raiz da chicória, que atua como vitamina D-
like, restaurando as funções dos receptores de vitamina D, além de atuar na
manutenção da função barreira da pele;
Red Orange - Extrato de três variações de laranjas vermelhas. Fortalece as defesas
da pele contra a radiação, auxiliando na fotoproteção além de ter propriedade
antipollution;
Oli-Ola - Extrato natural do fruto da oliveira padronizado em hidroxitirosol,
auxilia na redução da hiperpigmentação da pele, estímulo de colágeno e elastina e
ação antiglicante; 

Lacto-Licopeno - Tem ação antioxidante e anti-inflamatória, neutralizando


radicais livres e protegendo a pele contra os danos causados pela radiação UVB;

Lactobacillus rhamnosus - Redução da oleosidade e melhora da acne;

Bifidobacterium breve - Prevenção da perda de elastina e flacidez cutânea na


fotoexposição.

Uso dos probióticos em Dermatologia - Revisão


 Célia Luiza Petersen Vitello Kalil
Clínica Célia Kalil, Brazil

 Christine Chaves
Farmatec - Farmácia de Manipulação, Brazil

 Artur Stramari De Vargas


Farmatec - Farmácia de Manipulação, Brazil

 Valéria Barreto Campos
Clínica Valéria Campos, Brazil

Uso dos probióticos em Dermatologia - Revisão

Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 12, núm. 3, 2020

Sociedade Brasileira de Dermatologia

Recepção: 20 Julho 2020

Aprovação: 07 Setembro 2020

DOI: 10.5935/scd1984-8773.20201233678

RESUMO:Tem crescido o número de evidências dando suporte à existência de uma


correlação “eixo intestino-pele”. Há indícios também de que a modulação da microbiota
intestinal pode ter um papel importante nas doenças dermatológicas. Estudos têm mostrado que
o uso de probióticos pode ter efeitos benéficos no tratamento de doenças de pele com origens
inflamatórias, como dermatite atópica, acne, entre outras. Todavia, não há uma padronização
sobre em que doses ou quais espécies devem ser utilizadas para os tratamentos. Este artigo tem
o objetivo de elaborar um panorama a respeito do uso de probióticos como tratamento de
doenças dermatológicas, com foco em mecanismos de ação e resultados clínicos relatados na
literatura.

Palavras-chave:Dermatopatias, Pele, Probióticos.

INTRODUÇÃO

A importância do microbioma humano para a saúde vem sendo muito


pesquisada na última década. Estudos mostraram que a microbiota e o
hospedeiro compartilham uma dependência positiva, e a interrupção no
equilíbrio entre eles pode causar consequências importantes.1 Em 2001, a
Organização Mundial da Saúde definiu os probióticos como sendo
microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas,
conferem algum benefício para humanos e animais.2

O microbioma intestinal influencia fortemente o sistema imune do


hospedeiro ao promover proteção contra patógenos externos e ao iniciar
respostas imunoprotetoras.3 Devido a isso, alterações no microbioma
intestinal podem acarretar o desenvolvimento de doenças inflamatórias ou
autoimunes em órgãos distantes do intestino, como a pele.3 A disbiose
intestinal é caracterizada por uma mudança considerável na relação entre os
filos de microrganismos que habitam o intestino ou pela expansão de novos
grupos bacterianos, o que gera um desequilíbrio no microbioma e possíveis
efeitos clínicos no organismo humano.4 Em doenças dermatológicas
inflamatórias comuns, como dermatite atópica (DA), acne vulgar, psoríase,
rosácea e, até mesmo, o melasma, tem aumentado o número de evidências que
apontam para uma correlação da doença com a disbiose intestinal (Tabela 1).
Somando-se a isso há a evidência de que algumas células secretoras de
peptídeos com função regulatória presentes na pele, no cérebro e no intestino
teriam uma mesma origem embrionária, no ectoderme.5 Esse tipo de
informação corrobora e sustenta a existência do conceito “eixo intestino-
pele”6 e “eixo intestino-cérebro-pele”, também levando em conta que o estado
emocional pode influenciar o estado inflamatório do indivíduo.7 Além disso,
hipóteses e pesquisas recentes têm sugerido que o principal mecanismo pelo
qual a microbiota da pele e a do intestino podem afetar uma à outra é através
da modulação do sistema endócrino e imune.3

Tabela 1
Estudos clínicos utilizando probióticos
O uso de probióticos para manipular a flora intestinal e, assim, obter
resultados positivos em órgãos distantes do intestino, como a pele, é uma
prática antiga. Todavia, não há uma padronização a respeito de quais doses ou
quais espécies devem ser utilizadas para os tratamentos. Com este trabalho
desejamos dar um panorama a respeito do uso de probióticos como tratamento
de doenças dermatológicas, com foco em mecanismos de ação e resultados
clínicos relatados na literatura.

MÉTODOS

Em abril de 2020, foi realizada pesquisa na base de dados PubMed por


publicações cobrindo o assunto probióticos no tratamento da dermatite
atópica, acne, psoríase, rosácea, envelhecimento e melasma. Trabalhos
explanando mecanismo de ação e ensaios clínicos foram priorizados sendo
incluídos trabalhos originais e revisões ou metanálises a respeito dos temas
abordados.

D ERMATITE ATÓPICA

A DA é caracterizada pela colonização excessiva de bactérias patogênicas


na pele devido à disfunção da barreira epidérmica e à desregulação
imunológica que acomete os pacientes.8,9 Além da alta colonização por
bactérias como Staphylococcus aureus, que está diretamente relacionada com
a severidade da doença10, nota-se uma redução na diversidade do
microbioma,8,9 principalmente durante episódios de piora da doença. Na
mesma direção, tratamentos efetivos foram associados com a recolonização da
microbiota e maior diversidade de bactérias.8 Além dos distúrbios já
conhecidos característicos da dermatite atópica, como mutações em genes de
filagrina e desregulação da resposta Th-2, evidências também têm sugerido
uma conexão da doença com disbiose da microbiota, sem um patógeno
invasor específico.9

A modulação da microbiota intestinal tem surgido como alternativa no


tratamento da dermatite atópica, uma vez que ela está relacionada ao desfecho
clínico da doença. Estudo mostrou que crianças com eczema associado à IgE
possuem menor proporção de espécies de bifidobactéria e menor diversidade
da microflora durante a infância.11 Outro estudo revelou que a colonização
precoce do intestino por Escherichia coli, durante o segundo mês de vida,
poderia trazer benefícios à saúde a longo prazo, uma vez que foi notada menor
incidência de dermatite atópica nos pacientes colonizados ao atingirem os seis
anos de vida.12

O tratamento de DA em crianças utilizando-se probióticos tem sido


estudado largamente nos últimos anos. Embora os resultados encontrados
possam ser divergentes, uma recente metanálise mostrou que a modulação
intestinal em crianças é capaz de reduzir valores de Scoring Atopic
Dermatitis (SCORAD).13 Ainda assim, informações sobre qual a dose
efetiva, qual o melhor horário para administração e quais cepas são mais
efetivas para o tratamento ainda permanecem não esclarecidas.14

Em um trabalho de revisão da literatura, foram avaliadas diferentes terapias


integrativas e complementares (TIC) no tratamento da dermatite atópica em
crianças.15 Observou-se que a suplementação de probióticos permanece
sendo a TIC mais bem validada por estudos para o tratamento da DA infantil.
A evidência mais robusta está relacionada ao tratamento com Lactobacillus
plantarum e Lactobacillus fermentum em crianças de 12 meses de idade, ou
mais velhas. Cada probiótico foi avaliado em dois estudos clínicos
randomizados diferentes, com duração de 12 meses, que mostraram redução
no SCORAD quando administrados aos pacientes isoladamente, sem outras
cepas de probióticos.16-19 A melhora vista foi clinicamente significativa pois,
em média, uma melhora de 8,7 pontos na escala SCORAD resultou em
melhora de 1,0 ponto na escala de severidade global, embora outro estudo do
tratamento com L. plantarum não tenha mostrado efetividade20. Porém, esse
último durou apenas seis semanas enquanto os outros duraram 12 semanas,
potencialmente mostrando o efeito benéfico de tratamentos mais longos.

A CNE

A acne é uma doença dermatológica relacionada à unidade pilossebácea que


pode se manifestar de forma inflamatória, com pápulas e pústulas, ou não
inflamatória, com comedões abertos ou fechados. Ela é caracterizada pela
superprodução de sebo, hiperqueratinização do folículo e aumento da secreção
de citocinas pró-inflamatórias.21

Vários fatores podem estar relacionados ao desencadeamento da doença.


Dietas ocidentais ricas em carboidratos possuem uma relação bem
estabelecida com a acne.22 As altas cargas de glicose induzem a produção de
insulina e de fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), os quais
promovem a proliferação de sebócitos e queratinócitos, além de induzir a
produção de lipídeos nas glândulas sebáceas.23 Além disso, o papel da
bactéria Cutibacterium acnes na patogênese da acne tem sido muito estudado,
embora não tenha sido completamente elucidado. Assim como a flora
intestinal é capaz de induzir IGF-124, foi demonstrado que C. acnes é capaz
de estimular o sistema IGF-1/receptores de IGF-1 na pele.25 Sendo assim,
pode-se sugerir que um desequilíbrio da flora intestinal possa levar a uma
maior produção de sebo e a uma maior colonização da pele por C.
acnes perturbando o estreito equilíbrio entre os membros da flora da pele e
criando um ciclo sinérgico da doença.

A suplementação oral de probióticos pode ser um adjuvante no tratamento


da acne. Em estudo com humanos, foi visto que o consumo de Lactobacillus
rhamnosus SP1 3x109 UFC/dia foi capaz de melhorar o aspecto da acne na
pele de adultos. O tratamento foi capaz de normalizar a expressão de genes
relacionados à sinalização de insulina, não sendo vista esta mudança no grupo
controle.26 Também, em estudo clínico, foi avaliado o efeito sinérgico do
consumo de probióticos e minociclina no tratamento da acne, em comparação
com o probiótico e o antibiótico isolados. Todos os grupos apresentaram
melhora clínica, mas o grupo tratado com a associação apresentou o menor
número de contagem total de lesões, com diferença significativa dos outros
dois grupos. Além disso, dois pacientes do grupo tratado com minociclina
tiveram que deixar o estudo por apresentar candidíase vaginal, sendo a
suplementação com probióticos uma opção de possível prevenção aos efeitos
adversos secundários ao uso crônico de antibióticos.27

O uso de lactobacilos de forma tópica também pode ser benéfico para a


redução dos sintomas da acne. Estudos in vitro demonstraram que algumas
cepas de probióticos são capazes de inibir o C. acnes e outras espécies não
benéficas por meio da secreção de bacteriocinas.28 Em estudos in vitro e in
vivo com Streptococcus thermophilus, foi visto que o probiótico é capaz de
aumentar a produção de lipídeos benéficos do estrato córneo como as
ceramidas, que são capazes de reter umidade da pele,29 e as fitoesfingosinas,
que possuem atividade contra o C. acnes.30 Os probióticos tópicos também
podem atuar por mecanismo imunomodulador sobre os queratinócitos e as
células epiteliais. A cepa do Streptococcus salivarius K12 foi capaz de inibir a
produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-8, nas células epiteliais e
queratinócitos, muito provavelmente pela inibição da via NK-kappa B.31

P SORÍASE

A psoríase é uma doença genética imunomediada que se manifesta em pele,


articulações ou unhas. Possui diferentes formas de manifestação clínica,
podendo ser mais ou menos intensa, mas com sintomas típicos como
escamação e placas na pele, inflamação e rigidez do tecido.32 Embora sua
patogênese não seja totalmente compreendida, as células Th17 e as citocinas
produzidas pelas mesmas, como IL-17, IL-22 e IL-23, desempenham papéis
críticos na patogênese da psoríase. Acredita-se que o microbioma intestinal
esteja envolvido no desenvolvimento da psoríase, assim como na ativação das
células Th17 pró-inflamatórias.33 Foi demonstrado que pacientes com
psoríase e doença inflamatória intestinal (DII), duas condições inflamatórias,
apresentam um padrão semelhante de disbiose, sugerindo a presença de um
“eixo intestino-microbioma-pele” na psoríase e na DII. Essa disbiose é
caracterizada pela menor presença de bactérias simbiontes,
incluindo Lactobacillus spp., Bifidobacterium spp., Faecalibacterium
prausnitzii34, e pela colonização por certos patobiontes, como Escherichia
coli, Salmonella sp., Helicobacter sp., Campylobacter sp., Mycobacterium sp.
e Alcaligenes sp.35 Além disso, a pele de pacientes com psoríase é colonizada
mais abundantemente por S. aureus do que a de pacientes sem a
doença.36,37 Esses níveis reduzidos de bactérias benéficas podem levar a
consequências deletérias, incluindo alterações em proteínas inflamatórias
específicas e má regulação das respostas imunes intestinais que podem afetar
órgãos distantes.

A suplementação com probióticos pode ter um papel significativo no


tratamento da psoríase. Um estudo mostrou que a administração oral de
Lactobacillus pentosus GMNL-77 diminuiu significativamente lesões
eritematosas e o espessamento epidérmico em camundongos com psoríase
induzida por imiquimode, quando comparados ao placebo. O tratamento
diminuiu significativamente os níveis de mRNA de citocinas pró-
inflamatórias, incluindo fator de necrose tumoral alfa, interleucina (IL) -6 e
IL-23 / IL-17A. Além disso, verificou-se que o tratamento com Lactobacillus
pentosus GMNL-77 também diminuiu o peso do baço do grupo tratado com
imiquimode e reduziu o número de células T CD4 þ produtoras de IL-17 e IL-
22 no baço.38

Ainda, em um estudo controlado por placebo, a suplementação


com Bifidobacterium infantis 35624, em pacientes com psoríase, levou a uma
diminuição significativa dos níveis plasmáticos de marcadores pró-
inflamatórios como TNF-α e proteína C reativa, quando comparados ao
placebo.39 Em um estudo de caso, observou-se que a suplementação com
Lactobacillus sporogenes três vezes ao dia com biotina 10mg uma vez ao dia
foi capaz de melhorar um caso grave de psoríase pustular não responsivo a
esteroides, dapsona e metotrexato.40

R OSÁCEA

A possibilidade de que bactérias intestinais e seus produtos possam


contribuir para o desenvolvimento de lesões cutâneas, como a rosácea,
também tem sido estudada. Em estudo clínico, foi verificado que pacientes
com doenças inflamatórias da pele apresentaram um microbioma intestinal em
desequilíbrio. Os pacientes com rosácea apresentaram uma prevalência
significativamente maior de supercrescimento bacteriano do intestino delgado
(SBID) do que pacientes sem a doença. Além disso, e mais importante, a
erradicação do SBID induz uma regressão quase completa das lesões cutâneas
nos pacientes com rosácea.41 Em estudo de caso, foi visto que o tratamento
de um paciente acometido por rosácea no couro cabeludo com doxiciclina em
baixa dose e Bifidobacterium breve BR03 juntamente com
Lactobacillus salivarius LS01 foi capaz de promover melhora nos sintomas
cutâneos e oculares.42 Embora mais pesquisas nessa área sejam necessárias,
os pacientes podem ser aconselhados sobre medidas para manter um
microbioma intestinal saudável, incluindo o consumo de uma dieta rica em
fibras (prebióticos) ou a modulação da microflora intestinal via probióticos
orais.

F OTOENVELHECIMENTO E MELASMA

A radiação ultravioleta (RUV) é considerada o mais forte indutor do


envelhecimento extrínseco. Estudos têm mostrado que a exposição à RUV é
capaz de induzir mudanças significativas no sistema imune humano, como a
redução em número das células de Langerhans, a mudança em sua morfologia
e sua capacidade de apresentação de antígenos.43 Também, um aumento de
citocinas imunossupressoras como a IL-10 já foi reportado.44 O uso de
lactobacilos pode representar uma alternativa de proteção para pele à RUV.

Em estudo com camundongos, foi demonstrado que a suplementação com


Lactobacillus johnsonii (La1) foi capaz de proteger a pele dos efeitos nocivos
causados pela RUV, como redução no número de células de Langerhans e
maior nível de IL-10, pós-exposição à radiação.45 Em estudo com humanos,
foi testada a administração oral de Lactobacillus johnsonii e 7,2mg de
carotenoides a mulheres saudáveis, por 10 semanas, pré-exposição à luz solar
simulada ou natural. Comparada ao placebo, a suplementação dietética
impediu a diminuição induzida por RUV na densidade de células de
Langerhans e acelerou a recuperação da homeostase do sistema imunológico
após a exposição à RUV. A comparação da dose mínima de eritema (MED)
mostrou que, naqueles que receberam suplementação, a MED aumentou
20%.46 Mesmo necessitando da comparação entre o tratamento com
carotenoide e com probióticos isolados, nota-se o benefício da associação.
Outro estudo também avaliou a associação de carotenoides e probióticos. A
eficácia no tratamento de melasma de um suplemento contendo betacaroteno,
licopeno e Lactobacillus johnsonii foi testada em estudo com humanos. Foi
visto que o grupo tratado teve melhora significativa do melasma quando
avaliada a escala de Taylor e a escala de Melasma Area and Severity
Index (MASI).47

Em estudo com camundongos sem pelos, foi visto que a administração oral
de Bifidobacterium breve impediu a perda de água transepidermal induzida
por RUV em comparação com camundongos que receberam placebo. Além
disso, a administração de B. breve suprimiu o aumento induzido por RUV nos
níveis de peróxido de hidrogênio, da oxidação de proteínas e da atividade da
xantina oxidase na pele dos animais.48 Em outro estudo com camundongos,
foi visto que a administração oral de Lactobacillus acidophilus foi capaz de
reduzir a formação de rugas finas induzida por exposição à radiação UVB.
Esta proteção foi atribuída à redução na expressão de metaloproteinases como
MMP-1 e MMP-9.49

R EJUVENESCIMENTO

O uso de probióticos também pode ser benéfico em outros aspectos


relacionados ao envelhecimento da pele. Tanto fatores intrínsecos, como
genética, estado hormonal e reações metabólicas oxidativas, quanto fatores
extrínsecos, como exposição à radiação solar, tabaco e estresse psicológico,
podem ser influenciados pelo uso de probióticos.

A pele saudável e normal exibe um pH levemente ácido na faixa de 4,2 a


5,6, que ajuda na prevenção da colonização bacteriana patogênica, na
regulação da atividade enzimática e na manutenção de um ambiente rico em
umidade.50 No entanto, após os 70 anos de idade, o pH da pele aumenta
significativamente, estimulando a atividade das proteases.51 Como o
metabolismo probiótico frequentemente produz moléculas ácidas, diminuindo
o pH do ambiente,52 possivelmente o uso de probióticos poderia restaurar o
pH normal da pele e, consequentemente, fazer retornar os níveis de atividade
das proteases para mais próximos aos observados na pele jovem e saudável.

Em estudo clínico, controlado por placebo, com pacientes entre 41 e 59


anos, que apresentavam pele seca e rugas, foi visto que a administração de
1×1010UFC/dia de Lactobacillus plantarum HY7714 foi capaz de suprimir de
forma significativa a perda de água transepidermal, reduzir a profundidade das
rugas e aumentar o brilho da pele após três meses de tratamento em relação ao
dia zero. Ainda, ao final do estudo, a elasticidade da pele do grupo tratado
com probióticos apresentou aumento de 21,73%, com diferença significativa
em relação ao grupo placebo.53 Estes dados sugerem que o uso de probióticos
pode funcionar como um nutricosmético (Tabela 1).

CONCLUSÃO

Fica claro que o equilíbrio, ou desequilíbrio, do microbioma humano é


capaz de produzir efeitos em diferentes órgãos do corpo, como a pele e o
intestino. Diferentes doenças dermatológicas, geralmente com fatores
inflamatórios envolvidos, acabam respondendo ao desequilíbrio ou modulação
da microbiota intestinal de forma muito importante. Isto ocorre principalmente
devido à supressão ou ativação do sistema imunológico, causadas pela
modulação da produção de citocinas e ativação das células de defesa do corpo,
o que acaba interferindo na fisiopatologia da doença.
A suplementação com probióticos para fins de tratamento de doenças
dermatológicas vem sendo estudada há muitos anos. Embora seja visto
principalmente como terapia complementar na prática clínica, o uso de
probióticos é capaz de apresentar resultado positivo de forma isolada e,
quando combinado à terapia convencional, consegue melhorar ainda mais o
resultado clínico do tratamento. Além disso, seu uso consegue reduzir os
efeitos adversos de terapias mais agressivas, como o uso de antibióticos
sistêmicos. Resultados concretos, com benefícios claros, têm surgido cada vez
mais com o crescente número de estudos sobre este assunto. Todavia, ainda
existem lacunas de conhecimento e informações não bem elucidadas que
precisam ser mais bem entendidas, como quais as melhores cepas a serem
utilizadas, quais as doses efetivas ou qual o melhor esquema posológico.

REFERÊNCIAS

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effects of lactobacillus plantarum HY7714 on skin aging: a randomized, double
blind, placebo-controlled study. J Microbiol Biotechnol. 2015;25(12):2160-8.

Notas

Suporte Financeiro: Nenhum


Trabalho realizado na Clínica Célia Kalil, Porto Alegre (RS), Brasil

Autor notes

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Célia Luiza Petersen Vitello Kalil Aprovação da versão final do manuscrito;


elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do
manuscrito.

Christine Chaves Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do


manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Artur Stramari de Vargas Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e


redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Valéria Barreto Campos Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e


redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Correspondência: Clínica Célia Kali Rua Padre Chagas, 230 Moinhos de Vento


Porto Alegre (RS) - 90570-080. E-mail: celia@celiakalil.com.br

Declaração de interesses

Conflito de Interesses: Nenhum


Probióticos para pele: saiba mais
sobre o uso de probióticos na
dermatologia
5 Mar, 2021 | Probióticos
Microrganismos do bem fortalecem a barreira protetora da pele e combatem doenças   

Mesmo habitando majoritariamente o trato gastrointestinal, as bactérias que


compõem a microbiota intestinal influenciam praticamente todas as atividades do
corpo humano – da digestão à imunidade, passando por vários aspectos
fundamentais da boa saúde. Nossa pele não escapa deste impacto: uma microbiota
vivendo em equilíbrio possui relação direta com uma pele saudável.

Assim, regular a microbiota com o consumo de probióticos já naturalmente beneficia e


fortalece a pele. Só que existem ainda outras aplicações mais diretas dos probióticos
para pele: doenças como a dermatite atópica, a acne, a psoríase e outras infecções
dermatológicas são tratadas de forma mais eficiente com a adição de probióticos à
terapia.
A relação entre a microbiota intestinal e a saúde da
pele
A saúde da pele e a microbiota intestinal estão intimamente conectadas. Quando a
microbiota entra em disbiose, o que ocorre quando há um desequilíbrio entre as
bactérias boas e más que formam a comunidade, nossa imunidade é imediatamente
afetada. E a pele, o maior órgão do corpo humano, fica extremamente vulnerável.

As causas da disbiose variam: doenças, uso de antibióticos, má alimentação, etc. O


fato é que, com a morte de bactérias protetoras e a proliferação de microrganismos
patogênicos, o sistema imunológico perde modulação e a pele apresenta sintomas
como espinhos, cravos, dermatite, unhas quebradiças e até queda de cabelo.

Além disso, a ciência já sabe que há uma relação direta entre danos na mucosa
intestinal e problemas de pele. Uma microbiota intestinal fortalecida, portanto,
estimula a função da barreira intestinal – o que, por sua vez, aumenta a resposta
imune do organismo contra ataques na pele.

Um fortalecimento que pode ser potencializado por meio do consumo de probióticos


para pele. 
Probióticos para pele: usos e benefícios
À medida que a ciência aprofunda os estudos sobre a microbiota intestinal, ficam cada
vez mais evidentes os benefícios dos probióticos para a pele. Os probióticos são
microrganismos vivos que, divididos em cepas probióticas com diferentes benefícios
para o corpo humano, são consumidos em dietas ou tratamentos específicos. E um
dos benefícios de algumas cepas é um grande efeito antioxidante. 

Além de reduzir os danos e retardar o envelhecimento da pele, o efeito antioxidante


dos probióticos ajuda a eliminar os radicais livres do organismo e beneficia a atividade
de enzimas também antioxidantes nas próprias células humanas. Os probióticos para
pele também atuam diretamente contra bactérias causadoras de acne, psoríase e
dermatite.

Já em 1961, no primeiro estudo efetivo sobre probióticos para pele realizado nos
Estados Unidos, de 300 pessoas que sofriam de acne e consumiram suplementos
probióticos, 80% apresentou significativa melhora na pele. Outro estudo com leite
fermentado (um probiótico natural) mostrou que o consumo da bebida após 12
semanas diminui a quantidade de sebo e de lesões na pele.

Os probióticos para pele modulam a resposta imune, diminuem a inflamação e


fortalecem a barreira protetora natural da pele. São os casos de estirpes específicas
de:
– Bifidobacterium animalis subsp. lactis;
– Lactobacillus salivarius;
– Bifidobacterium breve;
–  Lactobacillus paracasei; 
–  Lactobacillus acidophilus;
–  Lactobacillus rhamnosus GG 
Cepas probióticas essas que possuem eficiência comprovada na proteção da pele e no
combate ao eczema.
Uso de probióticos para tratamento de problemas
de pele
Saiba um pouco mais sobre os benefícios dos probióticos para pele e como eles atuam
no tratamento de problemas dermatológicos comuns e indesejáveis, como:

Dermatite Atópica
A Dermatite Atópica é uma das formas mais frequentes de Eczema e está diretamente
relacionada a danos na mucosa que protege o intestino. O Lactobacillus rhamnosus
GG é uma cepa probiótica capaz de restaurar e estimular a função da barreira 
Acne
Caracterizada pelo surgimento de cravos e espinhos, a acne atinge até 90% dos
jovens e adolescentes e é considerada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
(SBD) o problema dermatológico mais comum do Brasil – afetando mais da metade da
população. Probióticos para pele combatem a inflamação e reduzem a quantidade
de toxinas na pele. 
Psoríase
Doença crônica que afeta cerca de 30% das pessoas e manifesta-se com lesões na
pele, principalmente nos joelhos, cotovelos, palmas das mãos e no couro cabeludo. Ao
modular a imunidade e reforçar a barreira cutânea, os probióticos para pele
combatem também a psoríase. 
Eczema
Eczema é o termo utilizado para agrupar diferentes condições que causam inflamação,
irritação, coceira e dor na pele – a Dermatite Atópica é a mais comum delas. O
consumo da cepa probiótica Lactobacillus acidophilus é altamente eficaz para
prevenir e combater o eczema em adultos e crianças. 
Cepas fornecidas pela Coana:
– Lactobacillus salivarius – CRL 1328
– Bifidobacterium breve – BR03 (DSM 16604)
– Bifidobacterium animalis subsp. lactis – BS (LMG P-21384) 
– Lactobacillus rhamnosus – LR05 (DSM 19739)
Acesse o catálogo completo de cepas probióticas comercializadas pela Coana.
Para saber mais:
Para conferir mais informações sobre as sugestões de fórmulas de probióticos para
problemas de pele, conheça nosso Guia de Fórmulas de Probióticos para
Prescritores. Além da dermatologia, o material gratuito também traz fórmulas de
probióticos para saúde bucal, imunidade, urologia, entre outras áreas da saúde.
Crédito da imagem:     Woman photo created by freepik – www.freepik.com
Modulação e suplementação para microbiota intestinal
Modulação Intestinal e Destoxificação

MÓDULO 1 - CONCEITOS GERAIS


Dia 27/02 das 8h às 13h

Professor: Marcio Souza


  Microbiota e microbioma
  Fisiologia do trato-gastrointestinal
  Diversidade bacteriana
  Permeabilidade intestinal
  Disbiose: causas, diagnóstico e interpretação de exames
MÓDULO 2 –MICROBIOTA INTESTINAL NAS PATOLOGIAS
DE BASE
Dia 20/03 das 8h às 13h

Professora: Camila Prim


 Obesidade e síndrome metabólica
 Eixo-intestino cérebro – Transtorno depressivo e
ansiedade
 Sistema imunológico – Doenças autoimunes
 SIBO
 Alergias alimentares
 Antibioticoterapia
Professora: Eleonora Comucci
 MTC na modulação intestinal
Professor: Ricardo Sodré
 Modulação intestinal no esporte

MÓDULO 3 –MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL


Dia 17/04 das 8h às 13h

Professora: Fabiana Tutibachi


  Tecnologia e Segurança na produção industrial de
suplementos
Professora: Vania Mattoso
  Manejo dietético - nutrientes e compostos bioativos
  Uso de probióticos, prebióticos e associações
  Estratégias de suplementação para modulação intestinal
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
 PARTE 1
 Intestino: que órgão é esse? Fundamentos fisiológicos, imunológicos,
endócrino e microbiológicos;
 Diferenciando Microbioma e Microbiota;
 Afinal o que é mesmo disbiose?;
 Supercrescimento Bacteriano em Intestino Delgado (SIBO) e
Supercrescimento Fúngico em Intestino Delgado (SIFO);
 Leacky gut (Alteração de Permeabilidade Intestinal).
 PARTE 2
 Sinais e sintomas na avaliação clínica de disbiose;
 Interpretação de Exame Bioquímicos na Modulação Intestinal;
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x Intestino);
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x DCV);
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x Fígado).
 PARTE 3
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x Obesidade);
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x RI);
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x Tireóide);
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x Pulmão);
 Microbiota e Repercussões Sistêmicas (Intestino x Cérebro).
 PARTE 4
 Antes de Modular o intestino, vamos conversar um pouco sobre o
estômago?;
 Estratégias Nutricionais para Hipocloridria e Hipercloridria no estômago;
 Ômega 3 na Modulação Intestinal;
 Compostos bioativos na Modulação Intestinal;
 Prebióticos: sim merecem nossa atenção.
 PARTE 5
 Probióticos na Modulação Intestinal: quando usar? Mecanismo de ação;
 ParaProbióticos na Modulação Intestinal: : o que são? Quando usar?
Mecanismos de ação;
 Beta glucanas na Modulação Intestinal;
 Aplicando os 6R na Modulação Intestinal na prática clinica;
 Papel da Plant Based Diet na Modulação Intestinal – exemplos de
conduta.

Microbiota intestinal: evidências atuais e


direções futuras no entendimento da saúde e
doença
OBJETIVOS DO CURSO

O Curso “Microbiota intestinal: evidências atuais e direções futuras no entendimento da


saúde e doença” tem como objetivo fornecer condições para que os profissionais de
saúde reconheçam a importância da microbiota e sua influência na determinação do
processo saúde-doença. No final do curso, espera-se que o aluno seja capaz de:

 Entender os mecanismos pelos quais as bactérias intestinais podem


promover saúde ou doença;
 Compreender que a alimentação é um dos fatores mais importantes para a
modulação da microbiota;
 Conceituar e definir prebióticos, probióticos, simbióticos e psicobióticos,
além de seus efeitos benéficos e mecanismos de ação;
 Conhecer as possibilidades de aplicação clínica da alimentação e/ou
inclusão de prebióticos, probióticos ou simbióticos para o manejo de
doenças.
MÓDULO 1:  CONCEITOS BÁSICOS
Definição de conceitos-chave: Microbiota, microbioma, classificação taxônomica,
enterótipos, diversidade bacteriana e disbiose intestinal

Métodos de análise (shotgun e 16SrRNA)

Fisiologia intestinal

Principais funções das bactérias intestinais

MÓDULO 2:  COMPOSIÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL E MECANISMOS


ASSOCIADOS
Alterações da composição bacteriana ao longo da vida
Janela de oportunidade para modulação da microbiota

Equilíbrio Firmicutes/Bacteroidetes e diversidade bacteriana

Principais mecanismos envolvidos na obesidade e doenças associadas

MÓDULO 3:  Características da microbiota intestinal na presença de DOENÇAS


Obesidade
Doenças cardiometabólicas
Doença inflamatória intestinal
SIBO (Super Crescimento Bacteriano no Intestino Delgado)
Transtornos psiquiátricos

MÓDULO 4:  MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL


Prebióticos: conceitos e aplicação
Probióticos: conceitos e aplicação
Simbióticos
Psicobióticos
Dieta ocidental e dieta plant-based com discussão dos achados na população brasileira
(Estudo ADVENTO)
Transplante fecal

MODULAÇÃO INTESTINAL E USO DE PROBIÓTICOS: DISBIOSE 
E CONDIÇÕES ASSOCIADAS

* O Instituto Eligo reserva-se o direito de transferir a data do curso ou cancelar o mesmo caso não se obtenha o
número mínimo de alunos. Vagas Limitadas.

A microbiota do organismo humano tem sido alvo de diversos estudos, em que a microbiota
intestinal é vista como um dos pontos mais importantes na modulação da função intestinal.
Neste contexto, a disbiose intestinal, ou seja, o desequilíbrio da população de microorganismos
no intestino humano, é evidenciada em investigações que estudam o papel do intestino
humano no sistema imune e regulação hormonal. Diante disso, a relação entre a saúde
intestinal, a resistência à insulina, a síndrome metabólica, as doenças auto-imunes e outras
condições de saúde devem ser compreendidas pelos profissionais de saúde para um cuidado
integral ao paciente.
Objetivo: O curso visa à capacitação de nutricionistas (e profissionais de áreas a fins) para
uma conduta profissional que vise ao cuidado integral da saúde do organismo humano,
incluindo a modulação da saúde intestinal. Diante disso, o profissional deverá estar apto a
realizar um cuidado integral nos casos de disbiose intestinal e de doenças associadas ao
desequilíbrio da microbiota intestinal.
Público-alvo:Nutricionistas, Biomédicos, Enfermeiros, Profissionais da Educação Física,
Farmacêuticos e alunos de áreas afins.

Sábado e Domingo: Carga


das 8:00 às 12:00 e das 13:30 às 17:30 20

Facilitadora

MsC Carla Cristina de Morais


Mestre em Nutrição e Saúde (Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás) e
Doutoranda em Ciências da Saúde (Faculdade de Medicina da Universidade Federal de
Goiás), área de Nutrigenética e Doenças Cardiovasculares. Docente em Cursos de Nutrição.
Autora de capítulos de livros e artigos científicos internacionais.
Conteúdo programático

 Intestino: associação com o sistema imune e regulação hormonal

 Microbiota intestinal: constituição e papel fisiológico


 Disbiose intestinal: aspectos associados

 Modulação intestinal e controle de doenças

 
Nutrição Funcional
Aplicada aos
Tratamentos Estéticos
O curso proporciona ao aluno conhecimento das bases da
nutrição saudável e equilib

rada com ênfase em estética, abordando os temas mais


relevantes da área.
  Previsão de Início: 09/01/2021
 

  Matrículas Abertas
 Fazer Inscrição

 Conheça o Curso
 Detalhes do Curso
 Dados de Contato
 Estrutura Curricular
 Facebook
 Google+
 Twitter

 Para quem este curso é voltado?


Alunos dos cursos de Nutrição e Dietética e Estética

CONHEÇA O CURSO 
Objetivo:
Levar aos alunos dos cursos de nutrição e estética o conhecimento das bases da
nutrição saudável e equilibrada para a otimização dos resultados nos tratamentos
das diversas desordens estéticas

Carga Horária:
20 horas

Conteúdo Programático:
- Introdução à Estética

- Bases metabólicas dos macros e micronutrientes aplicadas à estética

- Fisiologia da pele e intestino

- Desordens estética x Nutrição (acne, flacidez, retenção hídrica, obesidade,


Lipodistrofia Ginóide, envelhecimento precoce, síndrome das unhas fracas e
alopecia)

- Nutrição x Pré e pós-operatório em estética

- Detoxificação

- Modulação intestinal

- O uso e aplicações dos Alimentos Funcionais, Nutracêuticos e Nutricosméticos.

- Protocolos de Atendimentos
Equilíbrio e proteção do
microbioma da pele serão
imperativos
 quinta-feira, 27 fevereiro 2020 9:07

 Written by: Editor
Lançamentos de beleza põem à luz o invisível e populoso universo da
pele

Por Estela Mendonça

Há pouco mais de um ano, o Portal Cosmetic Innovation publicou a


matéria Indústria cosmética embarca no desafio de desvendar o
microbioma da pele, o tema ainda era bem desconhecido pela
maioria dos consumidores e até por uma boa parte dos fabricantes
de produtos de higiene e beleza.

“Na última década, parcerias em pesquisas sobre microbiota


cutânea, desenvolvidas por gigantes do setor cosmético, têm
impulsionado o desenvolvimento de produtos inovadores. Desde a
intensificação das pesquisas sobre o assunto, novas descobertas
indicam que a diversidade do microbioma deve ser um recurso
valioso na personalização de tratamentos médicos e cosméticos”,
avalia Juliana Bondança, gerente de projetos da Factor-Kline, que
prevê que os produtos que promovam o equilíbrio e a proteção do
microbioma da pele, como prebióticos, probióticos e pós-bióticos,
são promissores para os próximos anos.

Entre os países que estão se destacando, o Reino Unido lidera o


ranking global de lançamentos para cuidados faciais voltados para
o microbioma da pele. Mais de 37% dos lançamentos mundiais em
2018 foram no Reino Unido, seguidos pelos EUA e França, de
acordo com o Global New Products Database (GNPD) da Mintel.
A Euromonitor também divulgou estudo a respeito desse mercado
em 2018, mostrando que, embora a Europa tenha sido um dos
primeiros adotantes, na Ásia, as pessoas estão mais familiarizadas
com os conceitos de bactérias vivas e, portanto, oferecem um
ambiente mais propício para lançamentos de cosméticos com
ingredientes probióticos.

Principais mercados de hidratantes e tratamentos em valor e consumo


de culturas probióticas em hidratantes faciais – 2018

Visão do consumidor
Uma pesquisa recente com 5,7 mil mulheres nos Estados Unidos,
realizada pela TBC (The Benchmarking Company), mostrou que
55% delas acreditam que os produtos para a pele criados
sinteticamente podem ser tão bons quanto os orgânicos ou naturais
e mais de 50% manifestaram interesse em usar novos ingredientes
de cuidados com a pele, como CBD e alternativas ao retinol. Ao
serem questionadas sobre os motivos pelos quais optariam por
cosméticos personalizados, 65% das mulheres disseram que
desejavam produtos que correspondessem exatamente ao
microbioma/DNA de sua pele.

A pesquisa também revelou que 87% das mulheres consideravam o


conceito de cuidados com a pele com probióticos atraente e a
maioria disse entender os benefícios dos produtos para cuidados
com a pele com prebióticos. Três quartos das mulheres
acreditavam que os prebióticos equilibram o pH da pele e 67%
disseram que eles matam bactérias na pele que levam a manchas e
acne.
Pesquisas avançam

Daniella Lopes Francischetti, gerente de marketing técnico


do Grupo Solabia, lembra que o microbioma humano ganhou maior
destaque e interesse mundial em 2007, quando foi lançado o Projeto
Microbioma Humano, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados
Unidos, que teve entre seus objetivos mapear o conteúdo
microbiano de habitats específicos de 242 adultos saudáveis e
entender como esses microrganismos poderiam contribuir para os
estados de saúde e doença dos indivíduos. Segundo ela, em
relação à microbiota cutânea, observou-se que ela se difere de
outras partes do corpo, como, por exemplo, o intestino. Além disso,
apresenta diferentes características, mas mantém um padrão nas
áreas semelhantes, como pele oleosa (couro cabeludo e testa),
úmida (axilas e planta dos pés) e seca (cotovelos e palma das
mãos).

Para Daniella, as pesquisas atuais visam a entender como os


microrganismos constituintes de cada tipo de pele podem se
relacionar às doenças cutâneas, citando como exemplo os
principais gêneros de bactérias encontrados nas regiões de pele
oleosa saudável: Cutisbacteria (antigamente conhecida
como Propionibacteria) e Staphylococci. “Na presença de um
desequilíbrio da microbiota, causado por algum fator intrínseco ou
externo, estas bactérias podem se sobressair perante as demais,
sendo um dos fatores para o aparecimento da acne”.

A executiva enfatiza que as pesquisas vêm comprovando que a


manutenção de um microbioma equilibrado é um dos pontos
fundamentais para a saúde cutânea e que este balanço se dá pela
aplicação tópica de produtos com pré e probióticos em suas
formulações, o que antigamente acreditava-se fazer algum efeito
apenas quando eram utilizados em tratamentos orais.

O Grupo Solabia é precursor no estudo do microbioma da pele.


Suas primeiras pesquisas sobre este tema iniciaram-se em 1985.
Em 1990, a empresa lançou o primeiro ativo, BIOECOLIA®, ativo de
origem biotecnológica, composto por moléculas de glicose
organizadas como glucooligossacarídeos. Sua performance vem
sendo aperfeiçoada com novos testes para novos benefícios.
Seu grande diferencial, de acordo com Daniella, está nas ligações
entre as moléculas de glicose que compõem a estrutura do ativo,
que se dão nas conformações alfa 1-2 e alfa 1-6. “Estas ligações
são mais facilmente quebradas pelas bactérias benéficas do
microbioma em comparação às patogênicas. Assim, sua bio
seletividade como substrato possibilita ao ativo ser considerado um
prebiótico, que restringe o crescimento da flora patogênica por
alimentar e estimular o desenvolvimento das bactérias benéficas à
pele”, afirma, acrescentando que o ativo mantém constante ou
restaura o equilíbrio do ecossistema cutâneo,  evitando o
surgimento de problemas relacionados, como a acne e a dermatite
atópica. Ele também atua inibindo o crescimento de fungos e de
cepas como Candida albicans e Malassezia furfur.

Em 2008, o Grupo Solabia lançou seu ativo ECOSKIN®, agregando


mais um produto à linha de tratamento do microbioma. Daniella
explica que o ECOSKIN® é um complexo simbiótico que alia a ação
prebiótica do glucooligossacarídeo de origem biotecnológica com o
frutooligossacarídeo de origem vegetal. Sua atividade probiótica se
dá pela presença de Lactobacillus inativados. “É este o grande
diferencial deste ativo, que proporciona uma ação potencializada,
equilibrando a microbiota cutânea e conferindo à pele uma ótima
aparência e radiância, com efeitos nutritivos, reestruturantes e
calmantes”.

Daniella Francischetti, gerente de marketing técnica do Grupo Solabia


Daniella acrescenta que, além de atuarem na barreira microbiana da
pele, os ativos BIOECOLIA® e ECOSKIN® também agem na barreira
química, estimulando a produção dos peptídeos antimicrobianos
beta-defensinas 2 e 3, que potencializam a atividade dos ativos
contra os microrganismos patogênicos como antibióticos naturais.

Para completar sua linha, o Grupo Solabia lançou em 2012


o TEFLOSE®, polissacarídeo de origem biotecnológica, rico em
ramnose, que recebeu esse nome por possuir uma atividade
diferenciada na microbiota da pele em relação aos pré e
probióticos, pois as moléculas de ramnose se ligam aos receptores
dos queratinócitos, impedindo a ligação de microrganismos, ação
conhecida como teflon-like.  “O grande diferencial do ativo é que
ele reduz a adesão, inibindo a formação de biofilme, que é a
estrutura de organização das bactérias e também regula a virulência
bacteriana equilibrando o ecossistema cutâneo. Dentre outros
benefícios, ele modula a resposta inflamatória e controla o odor na
região das axilas, proporcionando um efeito calmante, com
sensação de conforto e bem-estar”.

Microrganismo intacto

Os investimentos da Symrise em desenvolvimento de novos ativos


e em pesquisas para verificar a interação dos ingredientes do
portfólio com o microbioma da pele têm levado a empresa a
descobertas pioneiras. Júlio Bombonati, gerente de marketing para
a América Latina, destaca uma importante inovação lançada no ano
passado, o SymReboot® L19. “É o único ingrediente do mercado
que disponibiliza o microrganismo intacto e inativo”, afirma.

Os pesquisadores da Symrise conseguiram manter a estrutura


bacteriana durante todo o processo de fabricação e, assim,
preservar importantes benefícios para a pele. “As células da pele
reconhecem a parede celular ou os metabólitos dos
microrganismos inativos, ativando os mecanismos naturais de
defesa, fortalecendo a barreira cutânea e proporcionando um
poderoso efeito calmante”, explica. Os benefícios do SymReboot®
L19 foram testados e comprovados in vivo e uma extensa série de
testes in vitro também foi realizada.
Júlio Bombonati, gerente de marketing para a América Latina da Symrise
A Symrise também foi a primeira a publicar uma pesquisa sobre o
microbioma para um ativo desodorante, o SymDeo® B125, o
primeiro comprovadamente microbioma-friendly. Segundo
Bombonati, os pesquisadores da Symrise conseguiram comprovar
que ele reestabelece o equilíbrio do microbioma, diferentemente de
outros ativos desodorantes, que eliminam os microrganismos da
pele, causadores de mau odor ou não. “A descoberta é importante
porque globalmente existe um interesse crescente em explorar o
impacto de produtos de cuidados pessoais para manter uma pele
saudável”, ressalta.

Outro exemplo citado por Bombonati é o Dragocalm, um ativo


natural derivado da aveia, um conhecido prebiótico, com a função
de reestabelecer o equilíbrio microbiano e proporcionar conforto,
com efeito anti-irritante. O executivo explica que o ativo
demonstrou em testes a redução em 37% da vermelhidão e 52% da
coceira em apenas 30 minutos. Além disso, inibe a liberação de
mediadores pró-inflamatórios e a vermelhidão induzida por retinol.

Com base em sua experiência na extração a partir da aveia, a


Symrise também desenvolveu o SymGlucan®, um derivado de aveia
premium com um potencial regenerativo comprovado em estudos in
vitro e confirmado in vivo, por meio  de um desafiador teste de
dermoabrasão, mostrando a eficácia do SymGlucan® na
recuperação da barreira cutânea. Além de formar um filme que evita
a desidratação da pele, as principais frações do ativo penetram no
estrato córneo e interagem com lipídeos e fosfolipídios,
estimulando a produção de ácido hialurônico e a reparação dos
tecidos.
Regeneração da pele submetida à dermoabrasão em dois dias
Prebiótico premiado

O mel, que sempre foi muito valorizado, tanto como alimento quanto
em cosméticos, foi o ponto de partida para que a empresa suíça
Mibelle Biochemistry desenvolvesse o Black BeeOme™, ativo
projetado para equilibrar o microbioma cutâneo e  garantir uma pele
saudável. Ele é resultante do mel da abelha rara e escura Apis
mellifera mellifera, extremamente resistente às condições adversas
dos vales suíços, fermentado com a bactéria Zymomonas mobilis.

Rogério Mancini, diretor comercial da Volp, que distribui com


exclusividade no Brasil o portfólio da Mibelle, explica que a
fermentação elimina os açúcares básicos glicose, frutose e
sacarose do mel, sendo que os demais açúcares de cadeia longa
estabilizam e equilibram o microbioma individual da pele.

Segundo o diretor, estudos clínicos e in vitro comprovaram que o


Black BeeOme™ promove uma regeneração mais rápida da
microbiota da pele, após ser lavada, além de restaurar a barreira
cutânea, reduzir a produção de sebo, clarear e uniformizar o tom da
pele. Ao ser aplicado em uma máscara de folha, o Black BeeOme™
mostrou uma melhora significativa da pele em voluntários que
vivem em áreas poluídas urbanas, após apenas 15 minutos de uma
única aplicação.

“Como ter o microbioma cutâneo bem equilibrado é importante para


uma pele saudável e bonita, proteger seu equilíbrio e sua
recuperação representa uma estratégia vencedora para os produtos
para cuidados com a pele”, destaca Mancini, que indica o Black
BeeOme™ para aplicações em máscaras de folhas, formulações
antimanchas, produtos matificantes, para peles sensíveis, entre
outras.

A inovação representada pelo Black BeeOme™, que tem


certificação Cosmos,   foi reconhecida com o primeiro lugar no
Innovation Zone Best Ingredient Award, concedido durante a in-
cosmetics North America, realizada  em outubro do ano passado.
Em abril de 2019, o ingrediente já havia sido premiado como o mais
inovador ingrediente em produtos naturais no 17º European
Innovation Award BSB.
Black BeeOme™ foi desenvolvido a partir de mel de abelha rara
Metabólitos restauradores

Eliane Dornellas, responsável técnica de P&D


da Colormix Especialidades, acredita que, à medida que novos
produtos cosméticos que abordam o tema microbioma da pele são
lançados, o entendimento se amplia no mercado e se torna a cada
dia mais atrativo para a indústria da beleza. “Explicações claras são
necessárias para que os formuladores e consumidores entendam
as diferentes opções existentes desse tipo de ativo. Assim como
também é importante conhecer seus mecanismos de ação e como
são produzidos”, explica.

A especialista destaca que o couro cabeludo é uma região que vem


ganhando destaque no mercado cosmético, é importante manter o
equilíbrio de seu microbioma para a garantia de cabelos saudáveis.
“O equilíbrio de espécies microbianas como Malassezia furfur e
Staphylococcus epidermidis no microbioma do couro cabeludo, por
exemplo, é essencial para garantir um couro cabeludo saudável,
sem dermatite seborreica ou atópica”.

Para ela, conhecer esses habitantes de cada região da pele e


descobrir como restaurar o seu equilíbrio, pode ser o caminho para
a moderna cosmetologia. “Os cosméticos podem ajudar com esta
missão de promoção da higiene, tonificação, hidratação e nutrição
cutânea, sem agredir o microbioma saudável da pele. A Colormix
Especialidades possui em seu portfólio opções saudáveis para
projetos cosméticos, que além da eficácia tecnológica, respeitam
esse rico e importante ecossistema”.

Eliane cita os tensoativos suaves, livres de sulfatos, à base de óleo


de oliva e de aminoácidos, conservantes, espessantes, corantes,
fragrâncias e emolientes naturais, destacando também o DEO AP,
um substituto do cloridróxido de alumínio em produtos
antiperspirantes, além de ativos antioxidantes, nutritivos e para
proteção cutânea,  como vitamina C estável, Ácido Ferúlico,
Threalose, Pulullan, Ácido Poliglutâmico, Esqualeno, Ceramidas e o
Apalight (Hidroxiapatita, um filtro físico substituto para dióxido de
titânio), que ela classifica como coadjuvantes para criar cosméticos
alinhados com a microbiota da pele.
A Colormix Especialidades oferece um pós-biótico patenteado pela
empresa italiana Kalichem, o Kalibiome (INCI: Ferment
Lactobacillus, Manitol). “Trata-se de um ativo disponível em duas
versões, o Kalibiome Sensitive para peles e couro cabeludo
sensível e o Kalibiome Age, que agem entregando na pele os
metabólitos tão desejados para o seu restabelecimento,
transformando-a em uma pele saudável e jovem”.

Eliane Dornellas, responsável técnica de P&D da Colormix


Microbiome-friendly
Segundo Eliane, por ser um pós-biótico, o Kalibiome é um ativo
sem bactérias vivas e sem fragmentos bacterianos residuais. Ele
contém substâncias ativas puras e sem conservantes, não sendo
necessário armazenamento específico para a sua conservação.
“Durante sua produção por fermentação, as bactérias utilizadas
(Lactobacillus) não estão sujeitas a lise, prensagem ou a qualquer
processo que afete a integridade de sua parede bacteriana. Apenas
os metabólitos desejados são oferecidos para o restabelecimento
das principais funções da epiderme. Isolados e separados das
células bacterianas por um processo físico, que não afeta a
integridade da parede bacteriana (que permanece inalterada). Isso
ocorre em condições controladas e finalmente eles, os metabólitos,
são liofilizado para se obter o Kalibiome”.

De acordo com a especialista, a composição do Kalibiome inclui


oligopeptídeos (5 a 13 AA), acidos graxos (MCFAs – Medium-Chain
Fatty Acids, LCFAs – Long-Chain Fatty Acids e EFA – Essential
Fatty Acids), que promovem preferencialmente a ação restauradora
da barreira cutânea e estimulam os mecanismos de modulação do
sistema imunológico, e biossurfactantes (por exemplo,
Ramnolipídios) relacionados à sua capacidade de interferir com um
mecanismo físico para impedir o aparecimento do biofilme
bacteriano de patógenos.

Microbiome-friendly

“Ingredientes microbiome-friendly têm fundamental importância


para manter a integridade da pele. As tendências de produtos
cosméticos baseados em conceitos ‘the beauty of dirty’, ‘beleza
bacteriana’ e ‘microbioma-like’ ganham espaço nas prateleiras e
novos ingredientes cosméticos surgem para preservar a microbiota
da pele”, constata Andrea Adams, gerente de Desenvolvimento de
Negócios de Personal Care do Grupo MCassab, que destaca os
ingredientes pós-bióticos da empresa tcheca Contipro.

Andrea verifica o crescente uso de ingredientes ativos probióticos,


que são alimentos para as bactérias e que contribuem para o
equilíbrio da microbiota da pele e para seu fortalecimento.  Em
adição, o uso de prebióticos para incentivar o crescimento e a
proliferação dessas bactérias boas. Por isso, muitos probióticos
contêm também prebióticos.
Já os pós-bióticos, segundo a executiva, são subprodutos
metabólicos da função natural dessas bactérias e desempenham
um papel essencial na preservação da microbiota da pele.  Para
desempenhar esse papel, ela destaca os ácidos hialurônicos de
alto, baixo e baixíssimo peso molecular. “O Hyaluronic Acid (alto
peso molecular) forma uma barreira hidratante sobre a pele,
enquanto o Hysilk (baixo peso molecular) e o Hyactive (baixíssimo
peso molecular), quando combinados, aumentam a espessura da
epiderme, fortalecendo a pele e auxiliando na manutenção do
equilíbrio da flora bacteriana cutânea. Esses ácidos hialurônicos
são moléculas poderosas que reforçam a barreira saudável da
pele”.

Outra indicação de Andrea, é o emulsionante Emulium® Mellifera,


da empresa francesa Gattefossé, que testou o impacto de uma
formulação com o emulsionante natural na microbiota da pele, por
meio do teste de eficácia Microbiome-Friendly, usando a técnica do
teste de SWAB. Foram avaliadas 31 voluntárias de pele seca
(fototipo de I a IV), das quais foi retirada uma amostra do DNA
genômico bacteriano presente na pele da face para identificação do
microbioma de cada uma. As voluntárias receberam um creme
contendo 4% de Emulium® Mellifera MB para usar duas vezes ao
dia. Após 28 dias, o teste de SWAB foi repetido e não foram
constatadas alterações no microbioma.

Teste de eficácia Microbiome-Friendly com Emullium® Mellifera


“Outra vantagem do emulsionante natural Emullium® Mellifera é a
sua capacidade de se adaptar a todos os tipos de peles e climas,
formando um leve e rico filme residual, para deixar a pele
confortável e protegida, além de ter ação calmante para peles
sensíveis e hipersensíveis e aumentar a hidratação”.

Coleção essencial

Endrigo Ramos, gerente de marketing LATAM, lembra que a


explosão de informações e o fácil acesso a elas mudaram
drasticamente a maneira como as pessoas lidam com a saúde: “Ter
todas as ferramentas necessárias para monitorar, manter e
melhorar nossa saúde com as pontas dos dedos nos levou a um
novo hábito: o de tomar conta da nossa própria saúde”, diz,
enfatizando que as pessoas prestam mais atenção ao estilo de vida,
atividades físicas e nutrição para atingir seus objetivos de saúde de
maneira pessoal e significativa, com foco em uma melhoria
qualitativa e quantitativa da vida, o que inclui prevenção,
verificações regulares de saúde, gerenciamento de dieta,
aconselhamento nutricional e, mais recentemente, como a
microbiota reage aos inúmeros tipos de benefícios que cosméticos
podem oferecer.

“Costumávamos considerar as bactérias como uma coisa negativa,


mas novas descobertas científicas nos fazem começar a considerar
as bactérias mais como uma coleção essencial de micro-
organismos que vivem em nos nossos corpos, cujo equilíbrio é
extremamente importante e benéfico para o nosso bem-estar”.

“Hoje, sabemos que o microbioma da pele é a peça chave para


melhorar a aparência da pele, abordando as causas das condições
da pele e não apenas os sintomas”, diz Juliana Flor, gerente técnica
LATAM da DSM, que oferece uma ampla gama de produtos
probióticos, prebióticos e enzimas para saúde intestinal, além de
ser especialista em ciências epidérmicas, especialmente em relação
à barreira da pele. “Ao combinar nossa experiência e conhecimento
em microbiologia e ciência epidérmica, criamos novas soluções
inovadoras de microbioma cutâneo”.
Juliana conta que, em 2018, a DSM realizou uma pesquisa de
mercado que revelou que os influenciadores da beleza são
receptivos à ideia da pele como um ecossistema vivo, já que
converge com a tendência mais ampla de beleza natural, holística e
saudável. Já entre os consumidores, o conceito de bactérias como
‘ruins’ prevalece. “Porém, à medida que novos produtos abordando
o tema microbioma da pele são lançados, essa visão começa a
mudar. Os consumidores precisam de explicações claras sobre
porque o cuidado da flora da pele é relevante para suas
preocupações específicas com a pele. Acima de tudo, eles precisam
entender como os produtos funcionam”.

Paralelamente, os cientistas da DSM demonstraram, em um estudo


clínico, uma ligação entre alterações na composição do microbioma
da pele e alterações nas condições físicas da pele. Eles
identificaram mais de 200 espécies diferentes de bactérias e
selecionaram as três espécies que têm maior impacto nos três tipos
de pele mais comuns, pele seca, oleosa e normal: Cutibacterium
Acnes, dominante no microbioma facial que pode influenciar a
produção de sebo, sendo que certas cepas estão associadas à
acne; Staphylococcus Epidermidis, cujos produtos metabólicos
melhoram a retenção de umidade e a textura da pele, além de ter
efeito calmante; e Corynebacterium Kroppenstedtii, um alvo para o
controle da vermelhidão da pele.

Os estudos da DSM mostraram também que o tratamento da pele


com os ativos OXY 229 PF, SYN-UP® e ALPAFLOR® ALP®-
SEBUM leva à restauração da microbiota das peles normal, seca e
oleosa, respectivamente. O OXY 229 PF é conhecido por revitalizar
a aparência opaca da pele, estimulando a respiração celular e
aumentando a viabilidade e a renovação celular. Os estudos da
DSM mostraram que devido à sua capacidade de reduzir os níveis
de sebo e minimizar a Corynebacterium Kroppenstedtii, o ativo é
também uma opção para prevenir e controlar a vermelhidão facial.

O SYN-UP®, um peptídeo exclusivo da DSM, melhora a função


barreira da pele, reequilibrando os níveis de uroquinase e plasmina
na epiderme. Novos estudos clínicos mostram que ao influenciar os
níveis de Staphylococcus Epidermidis e Corynebacterium
Kroppenstedtii no microbioma da pele, SYN-UP® combate não só as
condições da pele seca, mas também a vermelhidão.
Já o ALPAFLOR® ALP®-SEBUM, um extrato natural totalmente
sustentável,  atua no controle da produção de sebo, inibindo a
enzima 5-α-redutase. Estudos recentes mostram que este ativo
regula a quantidade da bactéria Cutibacterium Acnes, que também
está relacionada à produção de sebo.

Juliana destaca ainda que se o microbioma do couro cabeludo


estiver desequilibrado, a entrada de micróbios leva a inflamação da
epiderme, ocasionando o enfraquecimento da barreira da pele e a
descamação da pele no couro cabeludo. Um círculo vicioso é então
formado, que pode ser quebrado com PENTAVITIN®, um complexo
único de carboidratos idênticos ao da pele, que influencia o
equilíbrio de espécies microbianas, como Malassezia furfur e
Staphylococcus epidermidis. Além disso, estudos de expressão
gênica demonstraram que PENTAVITIN® estimula os componentes
epidérmicos que desempenham um papel fundamental na melhoria
da barreira cutânea.

PENTAVITIN®  influencia o equilíbrio de espécies microbianas


A DSM realizou também teste in vivo com PENTAVITIN® para avaliar
seu impacto no microbioma da pele seca e irritada. Foram feitas
contagens das bactérias existentes na pele antes e após tratamento
com PENTAVITIN® e verificou-se uma melhora de 10% na
diversidade do microbioma da pele, após 7 dias de tratamento.
Observou-se também aumento na quantidade de Staphylococcus
Epedermidis, que está associado à melhora da função barreira e
hidratação da pele e diminuição de Corynebacterium
Kroppenstedtii, que está associada a vermelhidão da pele.

No início de fevereiro, a DSM anunciou um contrato de colaboração


e comercialização com a S-Biomedic, startup belga pioneira em
tratamentos inovadores da pele relacionados ao microbioma
cutâneo. A colaboração tem como objetivo disponibilizar para o
mercado um novo ativo para tratamento da acne baseado em
tecnologia probiótica. A DSM será o parceiro exclusivo para
fabricação e comercialização do ativo que está planejado para os
próximos 18 a 24 meses. “Com esta parceria e com a realização de
novas pesquisas, a DSM continua sua busca por ingredientes que
preservem ou restaurem o equilíbrio da microbiota da pele”,
finaliza.

Indústria se mobiliza

A Amorepacific, gigante de beleza asiática e que está se tornando


uma marca de luxo global nos principais mercados, incluindo EUA,
Canadá e Hong Kong, acaba de abrir um novo centro de pesquisa
para aprofundar os estudos sobre a cepa probiótica Lactobacillus
plantarum,  descoberta pela empresa, que facilita a fermentação do
chá verde. Sua intenção também é desenvolver produtos
inovadores em alimentos saudáveis, cosméticos e outras áreas.

A marca L’Occitane en Provence lançou este ano a linha capilar


Aromacologia Equilíbrio Natural, com ingrediente prebiótico,
complexo de nutrientes para as bactérias do couro cabeludo, que
ajuda a promover seu equilíbrio, e  cinco óleos essenciais: limão,
laranja, alecrim, camomila e lavanda. O shampoo e o condicionador
prometem ajudar a manter as defesas naturais do couro cabeludo e
proteger dos agentes externos.
A linha capilar Semi di Lino Scalp, lançada no final do ano passado
pela Alfaparf Milano, promete restauração do equilíbrio bacteriano
no couro cabeludo e revitalização dos fios. A empresa atribui os
benefícios à tecnologia “Microbiotic System, inovador complexo de
probióticos e prebióticos”.

Desenvolvido para tratar a pele irritada e a vermelhidão (da acne ou


da rosácea) o Clinique Redness Solutions with Probiotic
Technology Daily Relief Cream é um hidratante sem óleo que
combate a inflamação visível no rosto.  O creme também inclui
probióticos para equilibrar o microbioma da pele.
A Tom’s
of Maine, marca natural de produtos de higiene pessoal, adquirida
pela Colgate-Palmolive em 2006, acaba de lançar sua mais extensa
linha de produtos em seus 50 anos de história, com 16 itens. A linha
é baseada em prebióticos. “A tendência do microbioma é grande em
cuidados pessoais e beleza”, disse Justin Boudrow, gerente da
marca de cuidados pessoais da Tom’s fo Maine.
A Natura relançou no ano passado linha Todo dia. Os produtos
passaram a contar com prebióticos, que alimentam a microbiota da
pele, além de manteiga de cacau e  óleo de linhaça.  Outro produto
da Natura que também contém um exclusivo prebiótico na fórmula é
Chronos Acqua Biohidratante Renovador. O prebiótico é
responsável por equilibrar a microbiota e fortalecer a barreira
cutânea. Além disso, o produto conta também com fevillea, ativo da
biodiversidade brasileira que estimula os mecanismos naturais de
produção de ácido hialurônico, aumentando os níveis de água nas
camadas mais profundas da pele, e o ácido hialurônico-BT, que
aumenta os níveis de hidratação na superfície da pele
imediatamente.

Produto que compõe a nova linha profissional de cuidados com a


pele da Mutari, a Máscara Prebiótica da Mutari Pro Skin, que é, ao
mesmo tempo, secativa, seborreguladora e regeneradora facial, foi
desenvolvida com o ativo prebiótico Bioecólia, além de óleo de
melaleuca, dolomita e argila branca, que protegem a barreira
imunológica da pele, tem ação descongestionante e antisséptica,
diminuindo a vermelhidão causada pelas manipulações durante a
limpeza de pele.

excesso de oleosidade. Seus ativos dão um toque hidratante,


refrescante, descongestionante e cicatrizante em todo tipo de pele.
O Futuro do microbioma

Para a Euromonitor, a disrupção no mercado de cuidados da pele


representada pela abordagem do microbioma conta ainda com
algumas limitações, como viabilidade científica, alto custo e
disponibilidade.  A empresa de pesquisas acredita que o
crescimento  provavelmente virá do segmento premium, mas os
fabricantes de produtos de massa poderão capitalizar a tendência
através dos prebióticos, como uma forma mais fácil e familiar de
ingressar na tendência. Além disso, pesquisas e estudos adicionais
são necessários para fazer  a intersecção dos microbiomas da pele
e do intestino para a saúde, em vez da exploração como dois
campos separados.
Estruturas bacterianas como o lipopolissacarídio (LPS), peptidoglicano, flagelina e
diversas moléculas levam à produção de peptídeos antimicrobianos, IgA e muco pelas
células do trato gastrintestinal.
Quando o lipopolissacarídio (LPS), presente em bactérias gram-negativas, atravessa o
intestino e alcança o sangue, liga-se a Toll-like receptors (TLR) do tipo 4 (TLR4) de
células imunológicas – e de várias outras – e gera uma resposta inflamatória, por meio
da ativação do fator nuclear kappa B (NF-kB). Um padrão alimentar não saudável,
especialmente rico em gorduras e açúcares, aumenta a permeabilidade intestinal e,
assim, a passagem de LPS para o sangue. Cronicamente, instalar-se-á um quadro de
inflamação de baixo grau.
O peptidoglicano é outro composto bacteriano com importância imunológica. Está
presente em grande quantidade em bactérias gram positivas e estimula a produção de
peptídeos antimicrobianos e muco pelas células intestinais, ao se ligarem a NOD-like
receptors (NLR). Lactobacillus e Bifidobacterium são exemplos de bactérias gram-
positivas.
A flagelina é mais uma estrutura presente em bactérias que vivem no intestino.
Estimulam o TLR5 e favorecem a produção de IL-22 por células linfoides inatas do tipo
3 (ILC3), com aumento na produção de peptídeos antimicrobianos pelo epitélio
intestinal. O curioso é que essas ILC-3 apresentam receptores para ácido retinoico
(RXR, RAR), ativados pela vitamina A, e para aril hidrocarbonetos (Ahr, Arnt),
ativados pelos sulforafanos presentes em crucíferas (brócolis, couve-manteiga, couve-
flor, etc.).
Outros componentes presentes nos microrganismos também estimulam a produção de
IgA secretória pelos linfócitos B, por intermédio dos linfócitos T foliculares. Os
probióticos, por exemplo, aumentam a produção de IgA, com melhora da imunidade de
mucosas.
O equilíbrio na microbiota intestinal favorece a produção de ácidos graxos de cadeia
curta (butirato, acetato, proprionato), que apresentam importante efeito anti-inflamatório
e atuam na integridade de mucosas. Lactobacillus e Bifidobacterium são produtores
desses ácidos graxos e ambos os gêneros têm seu crescimento estimulado por fibras,
polifenóis, gordura insaturada, proteína vegetal, carboidratos provenientes das frutas,
lactose (nos tolerantes). Quando há uma microbiota intestinal saudável, todas essas
respostas ocorrem de forma coordenada. O crescimento excessivo de um grupo de
bactérias leva à morte de outro, prejudicando a regulação do sistema imunológico.
Dessa forma, poderá haver menor proteção contra patógenos, maior risco de
autoimunidade, alergias e doenças inflamatórias.
O exercício físico regular aumenta não apenas a diversidade microbiana (ótimo!), mas
também a proporção de bactérias produtoras dos ácidos graxos de cadeia curta.
O que causa disbiose?
Destacam-se o excesso de gorduras (saturadas), proteína animal, açúcares, falta de
fibras, adoçantes, emulsificantes, álcool, sedentarismo, xenobióticos, obesidade, uso
indiscriminado de antibióticos, anti-inflamatórios e antiácidos, alterações digestivas e
deficiências nutricionais.
O que promove a eubiose?
Fibras, amido resistente, polifenóis, proteínas vegetais, gorduras insaturadas e
carboidratos presentes em fontes vegetais in natura, treinamento físico regular, uso
racional de medicamentos, entre outros fatores. A suplementação de glutamina,
probióticos, vitaminas e minerais também pode atuar na eubiose, desde que sejam
utilizados estrategicamente.
Um padrão alimentar saudável representa o equilíbrio e a moderação. Não é um
alimento isolado que causará qualquer disbiose, mas uma recorrência e predominância
do mesmo.
Referências
-Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219‐232.
-J Transl Med. 2017;15(1):73.

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