Você está na página 1de 21

CÁLCULO DO FLUXO DE HARMÔNICOS EM SISTEMAS DE POTÊNCIA

TRIFÁSICOS UTILIZANDO O MÉTODO DE INJEÇÃO DE CORRENTES


COM SOLUÇÃO ITERATIVA

Abilio Manuel Variz∗ José Luiz R. Pereira∗


abilio@ieee.org jluiz@ieee.org
Sandoval Carneiro Jr.† Pedro G. Barbosa∗
sandoval@coep.ufrj.br pedro.gomes@ufjf.edu.br


Universidade Federal de Juiz de Fora
Faculdade de Engenharia
Juiz de Fora, MG, CEP 36015-400, Brasil

COPPE-Universidade Federal do Rio de Janeiro
Programa de Engenharia Elétrica
Caixa Postal 68504
Rio de Janeiro, RJ, 21945-970, Brasil

RESUMO domínio da freqüência, obtidos com o programa MICTH fo-


ram validados a partir de comparações com resultados de si-
Este trabalho apresenta uma metodologia, baseada nas equa- mulações, no domínio do tempo, obtidos com o programa
ções de injeção de correntes (MICT), para o cálculo do fluxo ATP/EMTP (Alternative Transients Program of Electromag-
de potência harmônico trifásico em sistemas elétricos equi- netic Transients Program).
librados e desequilibrados (MICTH). A metodologia desen-
volvida emprega o método iterativo de Newton-Raphson para PALAVRAS-CHAVE: Fluxo de potência harmônico, Análise
obter a solução do sistema de equações não-lineares, onde o harmônica, Modelo harmônico, Simulação harmônica.
sistema matricial é formado por blocos relativos às freqüên-
cias harmônicas investigadas. Dessa maneira é possível re- ABSTRACT
presentar as interações entre as componentes harmônicas de
diferentes freqüências. Em paralelo foram desenvolvidos This work presents a methodology, based on the current in-
modelos dos principais dispositivos lineares e não-lineares jection equations (MICT), for the calculus of the harmonic
conectados aos sistemas elétricos de potência. O MICTH power flow in three-phase, balanced and unbalanced, elec-
(Método de Injeção de Correntes Trifásicas Harmônicas) e tric power systems (MICTH). The developed methodology
os modelos de componentes foram implementados em C++, uses the Newton-Raphson method to obtain the solution of
com programação orientada a objetos, e utilizando técnicas a set of non-linear equations, where the matrix system is
de programação esparsa. Os resultados das simulações, no built in a blocked form for each harmonic frequency. This
mathematical approach permits to represent the interaction
Artigo submetido em 21/09/2007 between harmonic components of different frequencies. It
1a. Revisão em 29/10/2007 was also developed models for the main linear and non-
2a. Revisão em 24/01/2008
Aceito sob recomendação do Editor Associado
linear devices connected to the electric power systems. The
Prof. Denis Vinicius Coury MICTH (Three-Phase Harmonic Current Injection Method)

178 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


and the devices models were implemented in C++ using nica são apresentadas por Arrillaga et alii (1985), Dommel
object-oriented and sparse-matrix programming techniques. (1986), Semlyen e Shlash (2000), IEEE (1996), Smith et alii
The simulation results of the MICTH, obtained in the fre- (1998), Xia e Heydt (1982), Marinos et alii (1994) e Acha e
quency domain, were validated with simulation results of the Madrigal (2001). Destacam-se também as metodologias ba-
ATP/EMTP (Alternative Transients Program of Electromag- seadas no domínio do tempo, originalmente empregadas para
netic Transients Program), obtained in the time domain. análise transitória, apresentadas por Kulicke (1979) e Dom-
mel et alii (1986), bem como importantes contribuições rea-
KEYWORDS: Load flow analysis, Power system harmonics, lizadas por Arrillaga et alii (1997), Xu et alii (1991), Arril-
Harmonic simulation, Harmonic modeling, Harmonic analy- laga et alii (2004), Lin et alii (2004) e Semlyen et alii (1988)
sis. no desenvolvimento de metodologias para cálculo de fluxo
harmônico no domínio da freqüência através de métodos ite-
1 INTRODUÇÃO rativos de solução matemática. Vale ressaltar também impor-
tantes contribuições no desenvolvimento de modelos repre-
Nos últimos anos ferramentas para análise harmônica vêm se sentativos de cargas não-lineares apresentados por Arrillaga
tornando essenciais para o estudo e o planejamento de siste- et alii (1997) e Lima et alii (2003), e também modelos de
mas elétricos de potência (SEP) (IEEE, 1983; IEEE, 1993). transformadores dos quais se destacam os apresentados por
Essa necessidade pode ser explicada pelo crescente número Dommel et alii (1986), Dugui e Zheng (1998), Medina e Ar-
de cargas não-lineares conectadas aos sistemas elétricos. rillaga (1992), Acha et alii (1989), Neves e Dommel (1993),
Semlyen et alii (1987), Dommel et alii (1986), De Leon e
Cargas não-lineares são responsáveis por distorcer as corren- Semlyen (1986) e Chen e Venkata (1997).
tes e tensões dos sistemas elétricos (Semlyen e Shlash, 2000).
Portanto, elas reduzem a eficiência das redes, devido ao au- O principal objetivo deste trabalho é apresentar uma meto-
mento das perdas elétricas provocadas pelo efeito pelicular, dologia no domínio da freqüência para o cálculo de fluxo
além de produzirem efeitos indesejáveis como: ressonâncias de potência harmônico trifásico em sistemas elétricos equi-
harmônicas, mau funcionamento de circuitos eletrônicos, in- librados e desequilibrados. A metodologia proposta é ba-
terferências em sistemas de comunicação, além de vibrações, seada nas equações de injeção de correntes e é denominada
ruídos e fadiga mecânica em transformadores, reatores e mo- MICTH. A modelagem do sistema elétrico é feita através de
tores (Dufeey e Stratford, 1989; Wagner et alii, 1993). vários subsistemas, um para cada freqüência harmônica de
interesse, os quais são representados por estruturas de blo-
Como o objetivo de minimizar os efeitos dos harmônicos e cos no sistema matricial. Dessa maneira é possível represen-
manter os índices de qualidade de energia elétrica em níveis tar as interações entre componentes harmônicos de diferentes
seguros e aceitáveis, as concessionárias de energia elétrica freqüências. Em paralelo foram desenvolvidos modelos dos
têm estabelecido limites máximos para as distorções harmô- principais dispositivos lineares e não-lineares (e.g. transfor-
nicas medidas em suas redes elétricas (Domijan, 1993). Den- mador com saturação e compensador estático de reativos) co-
tro deste contexto, medidas corretivas como a utilização de nectados aos sistemas elétricos de potência. O algoritmo do
filtros passivos e ativos, além de técnicas de multiplicação de MICTH juntamente com os modelos de componentes desen-
fase (transformadores de conexão) têm sido adotadas para re- volvidos foram implementados em C++, com programação
duzir ou eliminar a propagação dos harmônicos pelas redes. orientada a objetos e utilizando técnicas de programação es-
parsa. Os resultados das simulações no domínio da freqüên-
Estudos de propagação harmônica nos SEP são geralmente
cia foram validados a partir de comparações com resultados
realizados a partir de simulações digitais onde são usados
de simulações no domínio do tempo obtidas com o programa
modelos representativos dos elementos e da topologia da
ATP/EMTP (Alternative Transients Program of Electromag-
rede. Nestas simulações são calculados os harmônicos gera-
netic Transients Program).
dos e suas propagações pelo sistema. É possível assim quan-
tificar e mapear os níveis de distorção harmônica em vários
pontos da rede, identificando os pontos críticos para a ope- 2 ANÁLISE HARMÔNICA
ração do sistema elétrico. Desse modo, uma ferramenta efi-
ciente para análise harmônica requer a representação precisa Metodologias para análise harmônica podem ser baseadas
das características lineares e não-lineares dos diversos com- em formulações matemáticas no domínio do tempo ou no
ponentes de rede, de maneira a permitir a simulação do com- domínio da freqüência.
portamento destes dispositivos quando alimentado por ten-
O cálculo das componentes harmônicas no domínio do tempo
sões e correntes distorcidas.
consiste no emprego de métodos de integração numérica para
As principais metodologias empregadas para análise harmô- obter a solução, no tempo, de um conjunto de equações di-
ferenciais que modelam o comportamento dinâmico dos ele-

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 179


mentos e equipamentos conectados a um sistema de potência. tintas;
Apesar dos resultados precisos, esta metodologia apresenta
um esforço computacional elevado, mesmo para sistemas re- • A utilização do sistema matricial baseado nas equações
lativamente pequenos, visto que é necessário simular o sis- de injeção de corrente, obtendo um baixo índice de atu-
tema durante um longo período até que as tensões e corren- alizações da matriz Jacobiana durante o processo itera-
tes do sistema elétrico atinjam o regime permanente. A partir tivo.
deste instante pode-se então extrair as componentes harmô-
nicas das tensões e das correntes do sistema utilizando roti-
nas de Transformada Rápida de Fourier (FFT, Fast Fourier O sistema matricial básico resolvido iterativamente é apre-
Transform). sentado em (1). Esta matriz é formada por Hsubmatrizes, ou
seja, formada por H subsistemas, com cada uma represen-
Por outro lado, métodos baseados em formulações no do- tando um subsistema matricial em uma determinada freqüên-
mínio da freqüência operam diretamente com os fasores de cia.
tensão e de corrente. Estes métodos requerem menor esforço
computacional já que o tempo de simulação depende dire- [∆I ]
abc
0
[J ] [J ] [J ]
abc
00
abc
01
abc
02
... [J ]
abc
0H
[∆V ]
abc
0
tamente da quantidade de harmônicos investigados (simula-
dos) e do número de iterações necessárias para a convergên- [∆I ]
abc
1
[J ] [J ] [J ]
abc
10
abc
11
abc
12
... [J ]
abc
1H
[∆V ]
abc
1
cia do sistema matricial. Entretanto, os métodos no domínio
da freqüência apresentam limitações quanto à representação [∆I ]
abc
2
=
[J ] [J ] [J ]
abc
20
abc
21
abc
22
... [J ]
abc
2H
[∆V ]
abc
2
de cargas não-lineares como dispositivos com chaveamento   

periódico (conversores estáticos) e de componentes depen-
dentes da freqüência (IEEE, 1996; Arrillaga et alii, 1985). [∆I ]
abc
H
[J ] [J ] [J ]
abc
H0
abc
H1
abc
H2
... [J ]
abc
HH
[∆V ]
abc
H

A metodologia proposta no presente trabalho foi desenvol-


vida com o intuito de suprir as limitações citadas anterior- (1)
mente, ou seja, apresentando uma formulação com baixo es-
forço computacional, porém com boa precisão de resultados.
onde:
3 METODOLOGIA PROPOSTA
∆I abc h é o vetor trifásico complexo com os resíduos de
 
O MICTH realiza o cálculo do fluxo de potência harmônico correntes nodais do subsistema de freqüência h;
trifásico baseado nas equações de injeção de correntes em-  abc 
pregando o método de solução iterativa de Newton-Raphson. J hh
é a matriz Jacobiana trifásica complexa do subsis-
Esta metodologia é uma generalização não trivial para o do- tema de freqüência h;
mínio da freqüência do fluxo de potência convencional ba-  abc 
seado no método de injeção de correntes trifásicos conhe- J hn
é a matriz Jacobiana trifásica complexa represen-
cido como MICT e descrito por Garcia et alii (2000, 2001a, tando os acoplamentos entre as freqüências h e n;
2001b, 2004), Variz et alii (2002, 2003) e Da Costa et alii
∆V abc h é o vetor trifásico complexo com os incrementos
 
(1997). O MICTH segue as características das formulações
no domínio da freqüência, entretanto com uma série de ino- de tensões nodais do subsistema de freqüência h.
vações e vantagens permitindo que o sistema elétrico como
um todo seja representado de forma mais completa e real.
Estes vetores e matrizes são trifásicos e complexos, formados
Dentre elas podemos citar (Variz et alii, 2006a, 2006b): por componentes de fase divididos em coordenadas reais e
imaginárias. Portanto, apresentam dimensões iguais a:
• A representação trifásica dos elementos da rede atra-
vés de componentes de fase, possibilitando a modela-
gem e a simulação de sistemas elétricos desequilibrados 6(K + x) (2)
e com acoplamentos magnéticos entre fases, mantendo
sua identidade, uma vez que não é realizado nenhum onde:
tipo de transformação ou simplificação;
• A inclusão de acoplamentos harmônicos, permitindo a K é o número de barras do sistema;
modelagem de cargas não lineares considerando todas
as interações entre freqüências e fontes harmônicas dis- x é a quantidade de equações adicionais de controle.

180 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


Para um sistema elétrico com Kbarras, o subsistema matri- onde Hé o número de freqüências harmônicas simuladas.
cial em uma determinada freqüência é apresentado por (3).
Cada bloco possui dimensão 3, pois são formados pelos com- Assim, devido às elevadas dimensões do sistema matricial
ponentes das três fases, onde: resultante, a implementação computacional do MICTH foi
realizada através da linguagem C++ com programação ori-
abc
entada a objetos. Além disso, as topologias dos sistemas elé-
e ∆Irabc
   
∆Im k h k h
são, respectivamente, os vetores tri- tricos de potência e a estrutura de blocos da matriz Jacobiana
fásicos com as partes imaginária e real dos resíduos de proporcionaram a aplicação de técnicas de programação es-
corrente nodal da barra k na freqüência harmônica h; parsa para a otimização do processamento matemático (Tin-

∂∆Imabc
 
∂∆Imabc
 
∂∆Irabc
 
∂∆Irabc
 ney, 1967).
∂V abc
k
, ∂V abc
k
, ∂V
k
abc e ∂V
k
abc são
rj mj rj mj
hh hh hh hh
blocos trifásicos da matriz Jacobiana na freqüência 4 MODELAGEM DE DISPOSITIVOS
harmônica h formados pelas derivadas parciais dos
resíduos de corrente nodal na barra k em relação à A modelagem dos componentes da rede é realizada através
tensão nodal da barra j; de circuitos equivalentes expressos por resistências, capaci-
h i h i tâncias e indutâncias próprias e mútuas. Vale ressaltar que,
∆Vrabc
j
e ∆V abc
mj são os vetores trifásicos compos- no presente trabalho, a dependência da resistência com a
h hh
tos, respectivamente, pelas parcelas real e imaginária freqüência devido ao efeito pelicular não foi explorada. Essa
dos incrementos de tensão nodal na barra j na freqüên- consideração foi feita porque este fenômeno é mais expres-
cia harmônica h. sivo em freqüências harmônicas elevadas. No entanto, a me-
todologia proposta não apresenta nenhuma limitação para a
       representação desta dependência. A seguir são apresentados
[∆I ] [∆V ]
 ∂∆I abc   ∂∆I abc  ∂∆I abc  ∂∆I abc 
abc 
m1

m1

m1

m1 abc os modelos harmônicos dos principais dispositivos de rede
...
m1 h 
∂Vr abc  
∂Vm abc 
∂Vr
abc

∂Vm abc  r1 h operando em regime permanente.
1 hh 1 hh K hh K hh
      
 ∂∆I abc 
[∆I ] [∆V ]
 ∂∆I abc   ∂∆I abc   ∂∆I abc 
abc r1 r1 r1 r1 abc
   
r1 h 
∂Vr abc  
∂Vm abc 
...

∂Vr
abc  
∂Vm abc  m1 h 4.1 Linha de Transmissão
1 hh 1 hh K hh K hh
! ! ! ! ! #
=- ) & ) &
"
) & ) & Sendo o principal meio utilizado para a interconexão dos dis-
' ∂∆I abc $ ' ∂∆I abc $ ' ∂∆I abc $ ' ∂∆I abc $
[∆I ]
abc
mK h
'
(
∂Vr
mK $
abc %
'
(
∂Vm
mK $
abc %
... '
(
mK $

∂Vr
abc %
'
(
∂Vm
mK $
abc %
[∆V ]
abc
rK h
positivos que compõem um sistema elétrico de potência, as
linhas de transmissão são caminhos naturais para a propaga-
1 hh 1 hh K hh K hh
/ , / , / , / , ção de distorções harmônicas pela rede. Portanto, devem ser
- ∂∆I abc * - ∂∆I abc * - ∂∆I abc * - ∂∆I abc *
[∆I ]
abc
rK h
-
.
∂Vr
rK *
abc +
-
.
∂Vm
rK *
abc +
... -
.
rK *

∂Vr
abc +
-
.
∂Vm
rK *
abc +
[∆V ]
abc
mK h
adequadamente representadas a fim de obter com precisão os
1 hh 1 hh K hh K hh
fluxos de harmônicas pelo sistema. O circuito equivalente
adotado para esta representação é o modelo π ilustrado na
Figura 1.
(3)
Desta forma, as contribuições da LT (linha de transmissão)
no sistema matricial (1) nas freqüências harmônicas h e n
Será mostrado na próxima seção que cada dispositivo apre-
são apresentadas por:
senta uma parcela de contribuição tanto para o vetor de resí-
duos como para os elementos da matriz Jacobiana.
0 1 2

O agrupamento de todos os subsistemas matriciais em um [ ]


∆I iabc h [ ] [ ]
J iiabc hh J ikabc hh [∆V ]
i
abc
h
único sistema unificado possibilita a incorporação das con-
tribuições dos acoplamentos harmônicos diretamente na so- [∆I ]
abc
k h [J ] [J ]
abc
ki hh
abc
kk hh [∆V ]
k
abc
h
0 = 1 2
lução iterativa. Estas contribuições se encontram nos blocos
fora da diagonal principal da matriz Jacobiana. O uso deste [ ]
∆I iabc n [ ] [ ]
J iiabc nn J ikabc nn [∆V ]
i
abc
n

[∆I ] [J ] [J ] [∆V ]
recurso permite a implementação de modelos mais comple- abc abc abc abc
tos e precisos dos dispositivos, cuja geração harmônica é de- k n ki nn kk nn k n
0 1 2
pendente de distorções que ocorrem em diversas freqüências.
Portanto a dimensão do sistema matricial unificado é dada
por: (5)

6(H K + x) (4) onde:

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 181


condições de ressonância e de fluxo harmônico no sistema.
 abc LT A modelagem de carga não é simples, pois sua composição é
∆Iiabc
 
h
= − Iik h
= difícil de ser estimada já que depende de fatores como tempo,
 abc LT  abc  LT  clima e economia.
+ Yikabc h Vkabc h
 
− Yii h Vi h
(6)
LT  −1  abc  Neste trabalho o modelo proposto para carga é dividido em
Jiiabc
 abc 
= Yiiabc h = Z abc h + Ysh
  
= Jkk
hh hh h duas partes, um para a freqüência fundamental e outro para as
(7) demais freqüências. Para a freqüência fundamental, a carga é
 abc   abc   abc LT  abc −1
Jik hh = Jki hh = − Yik h = − Z h
(8) modelada em função da potência consumida dependente da
tensão. Portanto, para uma carga conectada na barra k, os

∆Iiabc h é a contribuição da LT no vetor de resíduos de
 fluxos de corrente entre os ramos de fase s e t separados em
corrente da barra i na freqüência h; componentes imaginária e real são dados, respectivamente,
 abc  por:
Jik hh é a contribuição da LT na matriz Jacobiana no
bloco ik na freqüência h;
PLstk Vmstk − Qst st
Lk Vrk
 abc LT
Iik h é o vetor trifásico e complexo do fluxo de corrente ILstm = (9)
k (Vkst )2
na LT entre os terminais i e k na freqüência h;
PLstk Vrst + Qst st
Lk Vmk
ILstr =
 abc LT k
Yik h é o bloco ik da matriz admitância nodal trifásico (10)
k (Vkst )2
e complexo da LT na freqüência h;
 abc 
Z h
é o bloco de impedância trifásico e complexo for- onde:
mado pelos elementos série da LT na freqüência h;
 abc 
Ysh h é o bloco de admitância complexo trifásico for- o índice st representa os ramos entre as fases ab, bc e ca
mado pelos elementos em derivação da LT na freqüên- para cargas conectadas em delta, e os ramos entre as
cia h. fases (a, b e c) e o neutro (o) para cargas em estrela;

PLstk e Qst
Lk são as potências ativa e reativa consumidas
Note que as contribuições são dadas em função da matriz de
pela carga e expressas por uma representação polino-
admitância nodal do componente, portanto, as atualizações
mial (ZIP) conforme mostrado a seguir:
na matriz Jacobiana são constantes durante todo o processo
iterativo.

4.2 Carga h 2
i
PLstk = P0stk pZ Vkst + pI Vkst + pP =
As cargas em um sistema são responsáveis não somente pela 2
variação de tensão da rede, mas também podem afetar as PZstk Vkst + PIstk Vkst + PPstk (11)

a Zaa a
I J h 2
i
Qst st
Lk = Q0k qZ Vk
st + q V st + q
I k P =
Zab Zbb Zac
b b
2
Qst
Zk Vk
st + Qst V st + Qst
Ik k Pk (12)
Zbc Zcc
c c

Vkst
Yac Vkst =
ac
Ysh
sh (13)
V0stk
Yaa bb
Ysh cc
Ysh Yaa bb
Ysh cc
Ysh
sh sh
pZ + pI + pP = 1 e qZ + qI + qP = 1 (14)
bc
Ysh Yab Yab Ybc
sh sh sh
onde: P0stk , Qst st
0k e V0k são as potências e tensão iniciais de
operação, respectivamente;

Os termos pZ , pI , pP , qZ , qI e qP em (14) são as parcelas


Figura 1: Circuito π com parâmetros concentrados de uma ativa e reativa de impedância, corrente e potência constantes
linha de transmissão trifásica. que compõem a carga, respectivamente.

182 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


A representação da carga nas freqüências diferentes da fun- ∂ILs ∂ILst ∂ILus ∂ILst ∂ILst
= − = − 0 = − (22)
damental é realizada pela associação de componentes passi- ∂V t ∂V t ∂V t ∂V t ∂V st
vos (ramos R, L e C) em série ou em paralelo, cujos valores ∂ILs st
∂IL us
∂IL us
∂IL ∂ILus
são calculados a partir das potências dadas em (11) e (12) e = − = 0 − = − (23)
∂V u ∂V u ∂V u ∂V u ∂V us
respeitando o tipo de conexão do componente no barramento.
onde as expressões das derivadas parciais complexas dadas
Portanto, para uma carga conectada em uma barra k do sis-
em (20) a (23) são calculadas por:
tema, as contribuições matriciais em (1) nas freqüências fun-
damental, h e n são apresentadas por:

st
Qst
 st 2 st 2
+ 2PPstk Vmstk Vrst

3 4 3 ∂ILm Pk (Vmk ) − (Vrk ) k
= − −
[∆I ] [J ] [∆V ]
k
abc abc abc ∂Vrst st
(Vk )4
k 1 kk 11 k 1 k

3 5 3 PIstk Vmstk Vrst


k
+ Qst st 2
Ik (Vmk ) Qst
Zk

[∆I ] [J ] [∆V ]
(24)
abc = abc abc (Vkst )3 V0st
k
(V st )2
0k
k h kk hh k h
3 6 3

[ ]
∆I kabc n [ ]
abc
J kk nn [
∆Vkabc n ] st
∂ILm PPstk (Vmstk )2 − (Vrst

k
)2 − 2Qst
 st st
Pk Vmk Vrk
k
= − st +
3 6 3
∂Vmstk (Vk )4
Qst st st st st 2
Ik Vmk Vrk + PIk (Vrk ) PZstk
(15) − (25)
(Vkst )3 V0st
k
(V0st
k
)2

As contribuições no vetor de resíduos na fase s e na freqüên- st


PPstk (Vmstk )2 − (Vrst )2 − 2Qst st st
 
cia fundamental para cargas conectadas em estrela são calcu- ∂ILr k Pk Vmk Vrk
st
k
= st 4

ladas pelas equações: ∂Vrk (Vk )
Qst st st st st 2
Ik Vmk Vrk − PIk (Vmk ) PZstk
+ (26)
s s so (Vkst )3 V0st (V0st )2
∆Im k
= −ILm k
= −ILm k
(16) k k

s
∆Irsk = −ILr k
so
= −ILr k
(17)
st
Qst
 st 2 st 2
+ 2PPstk Vmstk Vrst

∂ILr Pk (Vmk ) − (Vrk ) k
st
k
= − st 4

E para cargas em delta são calculadas por: ∂Vmk (Vk )
PIstk Vmstk Vrst
k
− Qst st 2
Ik (Vrk ) Qst
Zk
+ (27)
s s st us
(Vkst )3 V0st
k
(V0
st )2
k
∆Im k
= −ILm k
= −(ILm k
− ILm k
) (18)

∆Irsk = −ILr
s
k
st
= −(ILr k
us
− ILr k
) (19) Para as demais freqüências, as contribuições no vetor de resí-
duos de corrente e na matriz Jacobiana são calculadas a par-
s
onde: ILm s
e ILr são as correntes nodais consumidas pela tir da matriz admitância nodal formada pela associação dos
k k
carga na fase s separadas em partes imaginária e real. componentes passivos obtidos através das seguintes etapas:

As contribuições na matriz Jacobiana na freqüência funda-


• Cálculo da impedância de carga equivalente na freqüên-
mental para cargas conectadas em estrela são realizadas pela
cia fundamental através da equação:
seguinte derivada parcial complexa:
(Vkst )2 PLstk + jQst

st Lk
Zk = (28)
∂ILs ∂ILso (PLstk )2 + (Qst
Lk )
2
s
= (20)
∂V ∂V so
onde as potências de carga são calculadas em (11) e
Enquanto que para cargas em delta, ao se desenvolver a deri- (12);
vada aplicando a regra da cadeia, tem-se: • Obtenção dos componentes passivos formados pela re-
sistência, indutância e capacitância calculadas a partir
∂ILs ∂I st ∂I us ∂ILst ∂ILus da impedância equivalente na freqüência fundamental
s
= Ls − Ls = st
+ (21) (28);
∂V ∂V ∂V ∂V ∂V us

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 183


• Construção da matriz admitância nodal para as freqüên- Pgsk Vrsk + Qsgk Vms k
∆Irsk = Igr
s
= (33)
cias diferentes da fundamental formada pelos compo- k
(Vks )2
nentes passivos obtidos na etapa anterior. q
∆Vks = Vkssp − (Vrsk )2 + (Vms k )2 (34)
Portanto para as freqüências diferentes da fundamental tem-
se: onde:

s s
 abc car  abc  Igm e Igr são as correntes nodais injetadas pelo gerador
∆Ikabc h = − Ykk
 
h
Vk h (29) k k

 abc   abc car na fase s separadas em partes imaginária e real;


Jkk hh = Ykk h (30)
Pgsk e Qsgk são as potências ativa e reativa na fase sinjetadas
onde: pelo gerador da barra k;
abc car Vkssp é o valor do módulo da tensão especificado na fase s
 
Ykk h
é a matriz admitância nodal trifásica e complexa
da carga na freqüência h, calculada a partir da expressão no barramento k.
(28);
 abc 
Vk h é o vetor de tensão nodal trifásico e complexo na A expressão (34) é responsável pelo controle de tensão atra-
freqüência h. vés da injeção de reativos. Vale ressaltar que a inclusão desta
equação extra no sistema matricial implica na adição de uma
nova variável de estado ∆Qabc k e conseqüentemente no au-
Note que para cargas do tipo impedância constante, as atu-
mento do sistema matricial unificado, conforme observado
alizações na matriz Jacobiana são constantes durante todo o
em (31).
processo iterativo, visto que a matriz admitância nodal per-
manece inalterada. As contribuições na matriz Jacobiana na freqüência funda-
mental são realizadas por:
4.3 Gerador
As unidades geradoras com controle de tensão são modelas s s
∂Igm ∂Igr
através de fontes de tensão senoidal atrás de uma impedân- k
= k
=
cia. A característica do modelo desenvolvido é o de realizar ∂Vrsk ∂Vms k
Qsgk (Vrsk )2 − (Vms k )2 − 2Pgsk Vms k Vrsk
 
injeções de potência ativa conhecidas mantendo-se a tensão
nos terminais constantes em um valor pré-definido. O con- (35)
(Vks )4
trole desta tensão terminal é realizado através da injeção ou
absorção de reativos (Garcia et alii, 2004; Variz et alii, 2003).
s s
∂Igm k
∂Igr k
As contribuições no sistema matricial unificado de um gera- = − =
∂Vms k ∂Vrsk
dor conectado na barra k são apresentadas por:
Pgsk (Vrsk )2 − (Vms k )2 + 2Qsgk Vms k Vrsk
 
(36)
7 8 9
(Vks )4
[∆I ]
abc
k 1 [J ]
abc
kk 11 [J ]
abc
kc 11 [∆V ]
k
abc
1 s
∂Igm Vrsk
: ; < k
= (37)
[ ] [ ] [ ]
= ∂Qgks (Vrk ) + (Vms k )2
s 2
∆I kabc h abc
J kk hh ∆Vkabc h
s
= > ? ∂Igr Vs
k
= − s 2 mk s 2 (38)
[∆V ]
k
abc
1
[J ]
abc
ck 11
[∆Q ]
abc
gk n
s
∂Qgk (Vrk ) + (Vmk )
∂∆Vks Vs
s
= − p s 2 rk (39)
(31) ∂Vrk (Vrk ) + (Vms k )2
∂∆Vks Vs
As contribuições na fase s do vetor de resíduos na freqüência s
= − p s 2 mk s 2 (40)
∂Vmk (Vrk ) + (Vmk )
fundamental em (31) são dadas por:
Sendo que as derivadas parciais (37) a (40) são incluídas no
s s
Pgs Vms − Qsg Vrs subsistema matricial em conseqüência da adição da equação
∆Im = Igm = k k s 2 k k (32) extra (34).
k k
(Vk )

184 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


V rct
Tensão
Corrente

Th 1 2
I rct R L
toff2 t 02 t on2
t 01  ton1  toff1 3
2 2
RCT Th 2 1

Figura 2: Circuito equivalente do Reator Controlado a Tiris-


tor. Figura 3: Características no domínio do tempo do RCT.

Para as freqüências diferentes da fundamental, as contribui- corrente é definido pelos instantes de disparo (ton1 e ton2 ) e
ções matriciais são realizadas por (29) e (30), porém com a de corte (tof f 1 e tof f 2 ) dos tiristores Th1 e Th2 , respectiva-
matriz admitância nodal calculada pela impedância equiva- mente.
lente do gerador.
Durante o período de condução a seguinte equação diferen-
Note que o modelo incorpora o controle de tensão dentro do cial ordinária (EDO) é válida:
sistema matricial, permitindo inclusive o controle em barras
remotas. di(t)
L + Ri(t) = v(t) (41)
dt
4.4 Reator Controlado a Tiristor
Assumindo a tensão distorcida e expressa por uma série de
Conversores eletrônicos de potência são fontes de harmô- Fourier dada por:
nicos cuja utilização em sistemas elétricos tem aumentado
consideravelmente nos últimos anos. Modelos precisos des-
tes equipamentos tem sido tema constante de pesquisas. Es- ∞
X
ses dispositivos são difíceis de serem modelados, pois suas v(t) = V0 + (Vrn cos (nωt) + Vmn sen (nωt)) (42)
características não-lineares não são facilmente representadas n=1
por modelos harmônicos equivalentes. Geralmente a análise
em regime permanente destes dispositivos é baseada em suas onde:
características no domínio do tempo (Arrillaga et alii, 1997).
Porém, como as simulações no domínio do tempo são len-
Vrn e Vmn são as componentes real e imaginária da tensão
tas, o uso de técnicas de simulação no domínio da freqüência
de ordem harmônica n;
em conjunto com algoritmos para solução de equações não-
lineares constituem um ferramenta interessante e rápida para V0 é a componente CC da tensão;
avaliar o impacto desses dispositivos nos SEP (Semlyen et
alii, 1988; Xu et alii, 1991; Acha e Madrigal, 2001). ω é a freqüência angular fundamental.

A Figura 2 mostra um reator controlado a tiristores (RCT). Substituindo (42) em (41) tem-se que a corrente pelo RCT é
Ele é um compensador eletrônico de potência simples que calculada por:
pode ser facilmente utilizado como referência na modelagem
de dispositivos mais sofisticados como o Compensador Está-
tico de Reativo (CER) e o Compensador Série Controlado a
Tiristores (CSCT). O modelo apresentado a seguir é definido R V0
i(t) = Ke− L (t−ton ) + +
como uma injeção de corrente com tensão controlada no do- R
∞  
mínio da freqüência, sendo os componentes desta corrente X Vrn Vmn
cos (nωt − ϕn ) + sen (nωt − ϕn ) (43)
expressos analiticamente em função da tensão, permitindo Zn Zn
n=1
desta forma uma linearização direta (Lima et alii, 2003).

A Figura 3 ilustra a característica de tensão e corrente nos onde: p


terminais de um RCT. O regime de condução descontínua da Zn = R2 + (nωL)2 (44)

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 185


 
−1 nωL
ϕn = tan (45)
R
V0st cos (hωtj )
 
I”(h, tj ) = − +
hωR
V0
K =− − ∞ 
V st cos ((h + n) ωtj − ϕn )

R − rn
X
+
X∞ 
Vrn Vmn
 2ωZn h+n
cos (nωton − ϕn ) + sen (nωton − ϕn ) n=1
n=1
Zn Zn n 6= h
(46) cos ((h − n) ωtj − ϕn )

+
h−n
Expandindo (43) através de sua série de Fourier (Lathi,  st 
Vrh cos (2hωtj − ϕh )

2005), considerando os períodos de condução definidos pelos ωtj sen (ϕh ) − +
2ωZh 2h
instantes tonj e tof f j , tem-se que as componentes real e ima- ∞  st 
ginária dos harmônicos da corrente pelo RCT, na freqüência
X Vmn sen ((n − h) ωtj − ϕn )

h, para o ramo entre as fases s e t são dados por: 2ωZn n−h
n=1
n 6= h
2
ω X ′

st sen ((n + h) ωtj − ϕn )
I (h, tof fj ) − I ′ (h, tonj )

Irctr = (47) +
h
π j=1 n+h
 st 
Vmh

sen (2hωtj − ϕh )
2
ω X ωtj cos (ϕh ) − +
st
Irctm = I”(h, tof fj ) − I”(h, tonj )

(48) 2ωZh 2h
h
π j=1
Ke− L (tj −tonj ) L
R
" #

2 [−Rsen (hωtj ) − hωL cos (hωtj )]


(Zh )
onde as funções auxiliares I ′ (h, tj ) e I ′′ (h, tj ) são calcula- (50)
das, respectivamente, como se segue:

As contribuições matriciais nas freqüências fundamental, h e


n de um RCT conectado na barra k são dadas por:
V0st sen (hωtj )
 
I ′ (h, tj ) = +
hωR @ A @ @ @ @

[ ] [ ] [ ] [ ] [ ]
 st 
X Vrn sen ((h + n) ωtj − ϕn ) ∆I kabc 1 … abc
J kk … abc
J kk … abc
J kk … ∆Vkabc 1
+ 11 1h 1n
2ωZn h+n B B C B B B

n=1
n 6= h
[∆I ]
abc
k h [ ]
abc
= … J kk h1 [J ]
abc
kk hh [J ]
abc
kk hn
… [∆V ]
k
abc
h
B B B C B B

[∆I ] [ ] [ ] [ ] [∆V ]

sen ((h − n) ωtj − ϕn ) abc abc
… J kk abc
… J kk abc
… J kk … abc
+ k n n1 nh nn k n
h−n D D D D E D
 st 
Vrh

sen (2hωtj − ϕh )
ωtj cos (ϕh ) + +
2ωZh 2h (51)

Vmstn cos ((n − h) ωtj − ϕn )
X  
− +
2ωZn n−h Com o RCT conectado em estrela, as contribuições no vetor
n=1
de resíduos na fase s são obtidas por:
n 6= h

cos ((n + h) ωtj − ϕn )
+ s
∆Im s
= −Irctm so
= −Irctm (52)
n+h k k k

Vmsth
  
cos (2hωtj − ϕh ) ∆Irsk = −Irctr
s so
= −Irctr (53)
− ωtj sen (ϕh ) + + k k
2ωZh 2h
Ke− L (tj −tonj ) L
R
" #
Enquanto que para o RCT em delta são calculadas por:
2 [−R cos (hωtj ) + hωLsen (hωtj )]
(Zh )
(49) s
∆Im s
= −Irctm st
= −(Irctm us
− Irctm ) (54)
k k k k

186 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


∆Irsk = −Irctr
s st
= −(Irctr us
− Irctr ) (55) ∂I”(h, tj )
k k k =
∂Vmh
As contribuições na matriz Jacobiana conforme o tipo de co-

1 sen (2hωtj − ϕh )
nexão do RCT são análogas às apresentadas em (20) a (23), hωtj cos (ϕh ) − −
2hωZh 2
porém com as derivadas parciais calculadas conforme mos-
 e− L (tj −tonj ) L
R

trado a seguir: 2ωsen hωtonj − ϕh


(Zh )2
(−Rsen (hωtj ) − hωL cos (hωtj ))] (63)
s 2 
∂Irctr ω X ∂I ′ (h, tof fj ) ∂I ′ (h, tonj )

h
= − (56)
∂Vrsn π j=1 ∂Vrn ∂Vrn

s
∂Irctr
2 
ω X ∂I ′ (h, tof fj ) ∂I ′ (h, tonj )
 Enquanto que os blocos responsáveis pelos acoplamentos
h
= − (57) harmônicos, situados fora da diagonal principal da matriz Ja-
∂Vms n π j=1 ∂Vmn ∂Vmn
cobiana, as contribuições (56) a (59) são calculadas a partir
s
∂Irctm
2  das derivadas parciais da corrente harmônica h em relação às
ω X ∂I”(h, tof fj ) ∂I”(h, tonj )

h
= − (58) tensões harmônicas n e dadas por:
∂Vrsn π j=1 ∂Vrn ∂Vrn
s 2 
∂Irctm ω X ∂I”(h, tof fj ) ∂I”(h, tonj )

h
= − (59)
∂Vms n π j=1 ∂Vmn ∂Vmn
∂I ′ (h, tj )
=
Para os blocos da diagonal principal da matriz Jacobiana ∂Vrn
tem-se que as derivadas parciais em (56) a (59) são calcu-

−1 sen ((h + n)ωtj − ϕn ) sen ((h − n)ωtj − ϕn )
ladas por: + −
2ωZn h+n h−n
 e− L (tj −tonj ) L
R

2ω cos nωtonj − ϕn 2
∂I ′ (h, tj ) (Zh )
=
∂Vrh (−R cos (hωtj ) + hωLsen (hωtj ))] (64)

1 sen (2hωtj − ϕh )
ωtj cos (ϕh ) + −
2ωZh 2h
 e− L (tj −tonj ) L
R

2ω cos hωtonj − ϕh
(Zh )2 ∂I ′ (h, tj )
=
(−R cos (hωtj ) + hωLsen (hωtj ))] (60) ∂Vmn

1 cos ((n − h)ωtj − ϕn ) cos ((n + h)ωtj − ϕn )
∂I ′ (h, tj ) − + −
= 2ωZn n−h n+h
∂Vmh
 e− L (tj −tonj ) L
R

1 cos (2hωtj − ϕh ) 2ωsen nωtonj − ϕn
2ωZh
−ωtj sen (ϕh ) +
2h
− (Zh )2
(−R cos (hωtj ) + hωLsen (hωtj ))] (65)
 e− L (tj −tonj ) L
R

2ωsen hωtonj − ϕh 2
(Zh )
(−R cos (hωtj ) + hωLsen (hωtj ))] (61)

∂I”(h, tj ) ∂I”(h, tj )
= =
∂Vrh ∂Vrn
 
1 cos (2hωtj − ϕh ) 1 cos ((h + n)ωtj − ϕn ) cos ((h − n)ωtj − ϕn )
hωtj sen (ϕh ) − − − − −
2hωZh 2 2ωZn h+n h−n
 e− L (tj −tonj ) L  e− L (tj −tonj ) L
R R

2ω cos hωtonj − ϕh 2 2ω cos nωtonj − ϕn 2


(Zh ) (Zh )
(−Rsen (hωtj ) − hωL cos (hωtj ))] (62) (−Rsen (hωtj ) − hωL cos (hωtj ))] (66)

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 187


∂I”(h, tj ) onde:
=
∂Vmn
 cer
1 sen ((n − h)ωtj − ϕn ) sen ((n + h)ωtj − ϕn ) Ikabc h é o vetor trifásico e complexo da corrente nodal

− −
2ωZn n−h n+h consumida pelo CER na freqüência h;
 e− L (tj −tonj ) L
R
 abc rct
2ωsen nωtonj − ϕn Ik h é o vetor trifásico e complexo da corrente nodal
2
(Zh ) consumida pelo RCT na freqüência h;
(−Rsen (hωtj ) − hωL cos (hωtj ))] (67)  abc bco
Ik h é o vetor trifásico complexo da corrente nodal con-
sumida pelo banco de capacitores na freqüência h;
Observe que a representação dos acoplamentos  abcentre  abc rct
abc
 
freqüências através das contribuições Jkk hn
e Jkk nh , Jkk hh é a matriz Jacobiana trifásica complexa represen-
fora da diagonal principal da matriz Jacobiana dada em (51), tando a contribuição do RCT no subsistema de freqüên-
só é possível devido ao agrupamento dos subsistemas das cias h;
freqüências simuladas em um único sistema matricial uni-  abc bco
ficado e apresentado no presente trabalho. Jkk hh é a matriz Jacobiana trifásica complexa represen-
tando a contribuição do banco de capacitores no subsis-
O modelo proposto para o RCT trifásico permite que o tema de freqüências h;
mesmo seja simulado com todos os seus parâmetros desequi-  abc rct
librados (apesar de não praticado) e com ângulos de disparos Jkk hn é a matriz Jacobiana trifásica complexa represen-
assimétricos nos seis tiristores. Além disso, a inclusão da re- tando os acoplamentos entre as freqüências h e n.
sistência em série com o indutor permite que as perdas do
equipamento sejam devidamente representadas. Note que as contribuições matriciais do CER são análogas
àquelas dadas por (51), entretanto com os resíduos de cor-
4.5 Compensador Estático de Reativo rente calculados por (68) e matriz Jacobiana calculado por
(69) e (70).
O Compensador Estático de Reativo (CER) se comporta ope-
racionalmente como uma reatância variável, conectada em Por se tratar de um dispositivo de chaveamento, o CER é uma
derivação com os sistemas de potência, absorvendo ou ge- fonte harmônica, cuja geração de componentes harmônicos é
rando reativos em seus terminais. Além de possuir uma res- dependente do conteúdo harmônico da tensão do barramento
posta rápida no suporte de reativos o CER possui a vantagem
de não possuir partes mecânicas. O CER consiste basica-
mente de um RCT ligado em paralelo a um banco de capaci- Icer Vcer
tores, conforme ilustrado na Figura 4.
I bco I rct
Existe também a opção dos bancos de capacitores serem cha-
veados por tiristores (CCT, Capacitor Chaveado por Tiristo-
res). Contudo, neste caso, os tiristores são chaveados so- Banco de RCT
mente com tensão nula entre seus terminais. Esta caracterís- Capacitores R rct
tica não será explorada neste trabalho pois em regime perma-
nente o chaveamento com tensão nula não gera harmônicos
com o disparo dos semicondutores. Rb Rb Rb L rct

Baseado no diagrama esquemático do CER mostrado na Fi-


gura 4, a contribuição matricial no subsistema de freqüência Cb Cb Cb
h para um compensador conectado em uma barra k é dada
pelas contribuições do RCT e do banco de capacitores, ou
Z bco
seja:

cer rct  bco


∆Ikabc = − Ikabc h = − Ikabc h − Ikabc h
   
h
(68)
 abc
  abc rct  abc bco
Jkk hh
= Jkk hh
+ Jkk hh (69)
 abc   abc rct
Jkk hn = Jkk hn (70) Figura 4: Representação esquemática do CER.

188 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


φmag freqüência harmônica h é dada pelo somatório das correntes
de ambas as partes, ou seja:

Ihtraf o = Ihmag + Ihlinear (72)

Considerando que a tensão nos terminais do transformador


é distorcida e expressa pela sua série de Fourier correspon-
dente, conforme mostrado em (42), tem-se de (71):

imag φmag (t) =


∞ 
X Vr n
sen (nωt) −
Vmn
cos (nωt)

(73)
n=1
nω nω

Figura 5: Curva de magnetização típica de um transformador.


A representação matemática das características não-lineares
da corrente de magnetização é obtida utilizando o polinômio
ao qual está conectado. Note que o CER é composto por interpolador de Newton a partir dos pontos conhecidos da
dois blocos distintos, um com característica linear (banco de curva de magnetização do transformador (Figura 5) (Variz
capacitores) e outro não-linear (RCT). Como estes blocos são et alii, 2007). Estes pontos são obtidos através de ensaios à
representados modularmente, o modelo do CER possibilita vazio ou fornecidos pelo fabricante.
que as conexões do RCT e do banco de capacitores sejam
distintas entre si. Uma interpolação satisfatória para a curva de magnetização
é obtida utilizando quatro ou mais pontos no quadrante po-
sitivo (Ømag (t)>0). Na modelagem apresentada neste traba-
4.6 Transformador Saturado lho foram utilizados cinco pontos. Desta forma, a corrente
de magnetização no quadrante positivo é calculada por:
O transformador apresenta um comportamento não-linear
devido às características do seu circuito magnético, conforme
pode ser observado pela curva de magnetização típica ilus-
trada na Figura 5. imag = P5 φ5mag +P4 φ4mag +P3 φ3mag +P2 φ2mag +P1 φmag +P0
(74)
O fluxo magnético nos enrolamentos de um transformador
em função da tensão aplicada é expresso por: onde Pi é o i-ésimo coeficiente do polinômio de Newton,
cujo cálculo é apresentado no Apêndice A.
Z
φmag (t) = v(t)dt (71) φmag
φ mag (t )

vmag (t )
Portanto, as não-linearidades do transformador operando
com núcleo saturado afetam as características de corrente e imag
tensão nos seus terminais, conforme observado na Figura 6.

O modelo proposto para a representação do transformador


de potência saturado é apresentado na Figura 7. As impe-
dâncias ZSe , ZShp e ZShs são constituídas pelas resistências imag (t )
dos enrolamentos primário e secundário, pelas indutâncias
de dispersão, e pela resistência que representa as perdas no
núcleo.

O modelo apresentado (Figura 7) é formado por duas partes,


uma representando o comportamento não-linear da corrente
de magnetização, e outra caracterizada pelos componentes
passivos constituídos por ZSe , ZShp e ZShs . Figura 6: Característica de tensão e corrente do transforma-
Portanto, a corrente nos terminais do transformador para uma dor operando com núcleo saturado.

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 189


I linear Z Se I linear
P S
Np : N s
Portanto:
Ip I ’s Is

Vp Z Sh
P
Z Sh
S
Vs’ Vs
I mag
P Imag
s
imag (t) = P5 φ5mag (t) ± P4 φ4mag (t)+
P3 φ3mag (t) ± P2 φ2mag (t) + P1 φmag (t) (77)

Figura 7: Modelo proposto para o transformador.


Expandindo (77) em série de Fourier, tem-se as seguintes
M
JL
componentes real e imaginária da corrente de magnetização
para uma dada freqüência harmônica h:

JLK
ω
Itrf rh = [P5 Fr5 (h) + P4 Fr4 (h)+
π
\c ] ^
P3 Fr3 (h) + P2 Fr2 (h) + P1 Fr1 (h)] (78)
J
M \ ] ^ _
KL
_ I
\ ] ^ `
` H
\ ] ^ a
a G ω
\ ]
b
^M b Itrf mh = [P5 Fm5 (h) + P4 Fm4 (h)+
π
K
FG FH FI FJ K J I H G
P3 Fm3 (h) + P2 Fm2 (h) + P1 Fm1 (h)] (79)
NOPPQRS Q TQ UVWRQSXYVZ[O

onde para valores ímpares de j (j = 1, 3, 5) tem-se:


Figura 8: Interpolação de Newton de uma curva de magneti-
zação típica.
Z T

A composição da corrente de magnetização dada em (74) é Frj (h) = φjm (t) cos (hωt) dt = Gjr (h, T ) − Gjr (h, 0)
0
formada pelo somatório de um conjunto de curvas conforme (80)
mostrado na Figura 8. Z T
Fmj (h) = φjm (t)sen (hωt) dt = Gjm (h, T )−Gjm (h, 0)
Com a finalidade de reduzir a complexidade do modelo, os 0
(81)
efeitos da histerese foram desprezados no presente trabalho.
Conseqüentemente, a curva de magnetização será simétrica E para valores pares de j (j = 2, 4) tem-se:
com zero na origem, P0 = 0 em (74). Desta forma, as corren-
tes de magnetização nos quadrantes positivo e negativo são
dadas respectivamente por:
Z T /2 Z T
Frj (h) = φjm (t) cos(hωt)dt− φjm (t) cos(hωt)dt
0 T /2

i+
mag (t) = P5 φ5mag (t) + P4 φ4mag (t)+ = Gjr (h, T /2) − Gjr (h, 0) − Gjr (h, T ) + Gjr (h, T /2)
(82)
P3 φ3mag (t) + P2 φ2mag (t) + P1 φmag (t) (75)

5 4 T /2 T
i−
mag (t) = P5 φmag (t) − P4 φmag (t)+
Z Z
Fmj (h) = φjm (t)sen(hωt)dt− φjm (t)sen(hωt)dt
P3 φ3mag (t) − P2 φ2mag (t) + P1 φmag (t) (76) 0 T /2

= Gjm (h, T /2)−Gjm (h, 0)−Gjm (h, T )+Gjm (h, T /2)


onde: (83)

Substituindo-se (73) em (80) a (83), manipulando-se os so-


imag (t) = i+
mag (t), para φmag (t) > 0
matórios e as funções trigonométricas e resolvendo-se as in-
imag (t) = i−
mag (t), para φmag (t) < 0 tegrais têm-se as seguintes equações:

190 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


onde:
j−1
∞ X
∞ ∞ 2X
X X 1
Gjr (h, t) = ... {  abc  trf mag  linear
∆Ik h = − Ikabc h = − Ikabc h − Ikabc h
 
n1 n2 nj
(n1 n2 . . . nj )ω j+1
K
 (87)
cos((βjK (n1 n2 . . . nj ) − h)ωt)  abc   abc mag  abc linear
Vj′K (n1 . . . nj ) + Jkk hh = Jkk hh + Jkk hh (88)
βjK (n1 n2 . . . nj ) − h  abc   abc linear
Jki hh = Jki hh (89)

cos((βjK (n1 n2 . . . nj ) + h)ωt)
+  abc mag
βjK (n1 n2 . . . nj ) + h  abc 
Jkk hn = Jkk hn (90)

sen((βjK (n1 n2 . . . nj ) − h)ωt)
Vj′′K (n1 . . . nj ) +
βjK (n1 n2 . . . nj ) − h trf
Ikabc h é o vetor trifásico e complexo com a corrente no-


sen((βjK (n1 n2 . . . nj ) + h)ωt) dal do transformador na freqüência h;
(84)
βjK (n1 n2 . . . nj ) + h  abc mag
Ik h é o vetor trifásico e complexo com a corrente de
magnetização na freqüência h calculado pelas equações
∞ X
∞ ∞ 2X j−1 (78) e (79);
X X 1
Gjm (h, t) = ... {  abc linear
n1 n2 nj
(n1 n2 . . . nj )ω j+1 Ik h é o vetor trifásico e complexo com a corrente
K
 da parte linear do transformador na freqüência h;
cos((βjK (n1 n2 . . . nj ) − h)ωt)
Vj′′K (n1 . . . nj ) −  abc mag
Jkk hh é a matriz Jacobiana trifásica e complexa repre-
βjK (n1 n2 . . . nj ) − h
 sentando a contribuição da parte não-linear do transfor-
cos((βjK (n1 n2 . . . nj ) + h)ωt)
− mador no subsistema de freqüência h;
βjK (n1 n2 . . . nj ) + h
 abc linear
Jki hh

sen((βjK (n1 n2 . . . nj ) − h)ωt) é a matriz Jacobiana trifásica e complexa re-
Vj′K (n1 . . . nj ) − presentando a contribuição da parte linear do transfor-
βjK (n1 n2 . . . nj ) − h
sen((βjK (n1 n2 . . . nj ) + h)ωt)
 mador no subsistema de freqüência h;
(85)  abc mag
βjK (n1 n2 . . . nj ) + h Jkk hn é a matriz Jacobiana trifásica complexa represen-
tando os acoplamentos harmônicos entre as freqüências
h e n. Este acoplamento é devido à característica não-
Onde as funções auxiliares Vj′k (n1 , ..., nj ), Vj”k (n1 , ..., nj ) linear da corrente de magnetização.
e βjK (n1 , ..., nj ) são apresentadas em detalhes em Variz
(2006).
As contribuições da parte não-linear na matriz Jacobiana são
É importante observar que no cálculo da corrente de magne- calculadas pelas derivadas parciais de (78) e (79) em relação
tização para uma dada freqüência h através de (78) e (79), o à tensão, portanto, formadas pelas derivadas parciais de (84)
somatório de tensões dadas em (84) e (85) são independentes e (85) (Variz, 2006). Por outro lado, as contribuições da parte
da freqüência harmônica h. linear são obtidas pela matriz admitância nodal formada pe-
las resistências dos enrolamentos, indutâncias de dispersão e
Para um transformador saturado conectado entre as barras i resistência representativa das perdas no núcleo.
e k do sistema, as contribuições matriciais do modelo pro-
posto deste equipamento no MICTH nas freqüências h e n Note que devido às características não-lineares da corrente
são dadas por: de magnetização, o modelo do transformador apresenta aco-
plamentos harmônicos, conforme observado nos blocos fora
d e d d d f f da diagonal principal em (86).
[∆I ]
i
abc
h [ ] [J ]
… J iiabc hh
abc
ik hh [ ]
… J iiabc hn
… … [∆V ]
i
abc
h

[∆I ]
abc
k h
… [J ] [J ]
abc
ki hh
abc
kk hh
… … [J ]
abc
kk hn
… [∆V ]
k
abc
h
É importante ressaltar que a contribuição final do transfor-
mador no sistema matricial do MICTH a cada iteração de-
d = d d e d f f
verá ser ajustada em função do tipo de conexão dos terminais
[∆I ]
i
abc
n [ ]
… J iiabc nh
… [ ] [J ]
… J iiabc nn
abc
ik nn
… [∆V ]
i
abc
n
do equipamento, conforme apresentado por Chen e Dillon
[∆I ]
abc
k n
… … [J ] … [J ] [J ]
abc
kk nh
abc
ki nn
abc
kk nn
… [∆V ]
k
abc
n (1974) com o uso da matriz de incidência nodal de Kron.
d d d d f e f

Apesar do grande volume de dados calculados a cada itera-


(86) ção, existem diversas similaridades que levam a simplifica-
ções significativas nos cálculos dos somatórios.

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 191


13 14 tados calculados pelo método de injeção de corrente mono-
fásico baseada em solução direta e desacoplada (Arrillaga et
12 10 alii, 1985), cujos dados de injeções harmônicas são obtidos
11
6
a partir dos resultados de seqüência positiva do MICTH.
RCT 9

1 Tabela 1: Tensões harmônicas (em p.u.) na barra 6.


5
4 7 Fase A Fase B Fase C Equiv.
8 h MICTH ATP MICTH ATP . MICTH ATP Monofas.
CER 1 1,0290 1,0247 1,0138 1,0160 1,0054 1,0010 1,0775
2 3
3 0,0385 0,0391 0,0100 0,0102 0,0535 0,0576 0,0255
RCT
5 0,0330 0,0306 0,0361 0,0340 0,0147 0,0139 0,0049

7 0,0334 0,0359 0,0281 0,0292 0,0096 0,0098 0,0208


Figura 9: Sistema teste IEEE 14 barras modificado.
9 0,0090 0,0075 0,0015 0,0014 0,0042 0,0040 0,0031

11 0,0060 0,0066 0,0161 0,0166 0,0113 0,0123 0,0047


5 RESULTADOS DHT 6,24% 6,28% 5,10% 5,01% 5,86% 6,26% 3,27%

A metodologia proposta (MICTH) foi implementada com-


putacionalmente em C++ utilizando programação visual e Os componentes harmônicos e a DHT da corrente injetada
orientada a objetos. A validação do MICTH foi realizada pelo RCT nesta barra calculados pelos três métodos (MICT,
através de simulações comparativas com os resultados ob- ATP e Equivalente Monofásico) são mostrados na Tabela 2.
tidos por simulações no domínio do tempo realizadas com
o programa ATP/EMTP (Alternative Transients Program- Tabela 2: Corrente injetada (em p.u.) pelo RCT na barra 6.
Electromagnetic Transients Program).
Fase A Fase B Fase C Equiv.
O sistema teste utilizado foi o IEEE 14 barras (IEEE, 1996) h MICTH ATP MICTH ATP MICTH ATP Monofas.
adaptado para análise harmônica com a inclusão de compo-
1 0,5510 0,5765 0,5462 0,5632 0,4919 0,5070 0,5291
nentes trifásicos, cargas desequilibradas, RCTs, CER e trans-
formadores saturados. O sistema teste é ilustrado na Figura 3 0,0640 0,0658 0,0208 0,0221 0,0472 0,0505 0,0389

9 e apresentado em detalhes no Apêndice B. Com o intuito 5 0,0556 0,0514 0,0653 0,0623 0,0710 0,0673 0,0089
de explorar a total propagação dos componentes harmônicos 7 0,0486 0,0522 0,0420 0,0440 0,0303 0,0310 0,0396
pela rede, as fontes harmônicas do sistema composta pelos
9 0,0111 0,0091 0,0021 0,0021 0,0093 0,0088 0,0055
RCTs, CER e transformadores saturados foram simulados
sem a inclusão de filtros. Apesar dos RCTs serem normal- 11 0,0061 0,0068 0,0175 0,0184 0,0167 0,0183 0,0067
mente conectados em delta para a eliminação de harmônicas DHT 18,12% 17,39% 15,24% 14,62% 18,95% 18,26% 10,92%
de terceira ordem, nesse estudo o RCT conectado na barra 3
e o CER conectado na barra 8 foram conectados em estrela. Note que apesar do RCT estar conectado em delta, harmôni-
cos de terceira ordem não são nulos devido aos desequilíbrios
O sistema teste foi simulado duas vezes. A primeira com to-
de fase da rede.
dos os transformadores operando na região não-saturada, e
segunda com os transformadores conectados entre as barras Como esperado não existem harmônicas de ordem ímpar, de-
4 e 7, e entre as barras 5 e 6 operando com o núcleo satu- vido aos disparos dos RCTs e do CER serem todos simétri-
rado. Os resultados apresentados pelo MICTH foram obtidos cos.
simulando-se as 30 primeiras freqüências harmônicas carac-
terísticas. A convergência do MICTH em ambas as simu- Na Tabela 3 são apresentadas as distorções harmônicas to-
lações é alcançada em 6 iterações com resíduos de corrente tais de tensão nas barras do sistema com os transformado-
nodal menores que res operando sem saturação. Todas as DHTs foram obtidas
10−4 p.u. considerando-se as 30 primeiras harmônicas. Pode-se con-
ferir nesta tabela, a propagação harmônica pela rede e como
A Tabela 1 apresenta as tensões harmônicas e a DHT (Distor- esta afeta a qualidade da energia do sistema.
ção Harmônica Total) (IEEE, 1993) na barra 6 com os trans-
formadores operando sem saturação. Além dos resultados Observe que os resultados calculados pelo MICTH são bem
comparativos entre o MICTH e o ATP, são incluídos resul- próximos dos calculados pelo ATP, com diferenças justificá-

192 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


Tabela 3: Distorção harmônica total (DHT) de tensão no sis- Tabela 5: Tensões harmônicas (em p.u.) na barra 7.
tema.
Fase A (p.u.) Fase B (p.u.) Fase C (p.u.)
Fase A Fase B Fase C Equiv.
h MICTH ATP MICTH ATP MICTH ATP
Bar. MICTH ATP MICTH ATP . MICTH ATP Monofas.
1 1,0055 1,0106 0,9740 0,9808 0,9517 0,9507
1 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
3 0,0619 0,0541 0,0255 0,0238 0,0409 0,0438
2 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
5 0,0269 0,0209 0,0193 0,0161 0,0232 0,0214
3 1,57% 1,50% 0,85% 0,83% 1,60% 1,63% 0,69%
7 0,0084 0,0044 0,0088 0,0025 0,0043 0,0005
4 1,66% 1,65% 1,10% 1,04% 1,53% 1,59% 0,94%
9 0,0021 0,0060 0,0011 0,0039 0,0011 0,0054
5 1,93% 1,94% 1,43% 1,34% 1,63% 1,70% 1,10%
11 0,0009 0,0024 0,0010 0,0021 0,0009 0,0023
6 6,24% 6,28% 5,10% 5,01% 5,86% 6,26% 3,27%
DHT 6,79% 5,82% 3,42% 3,04% 4,97% 5,19%
7 2,17% 2,08% 1,63% 1,52% 2,52% 2,61% 1,13%

8 2,87% 2,68% 4,06% 3,52% 3,48% 3,06% 1,14%


Fase A (MICTH)
12%
Fase A (ATP)
9 2,75% 2,69% 2,01% 1,90% 3,22% 3,39% 1,48%
8%
DHT

0 3,22% 3,18% 2,46% 2,33% 3,59% 3,80% 1,74%


4%
11 4,59% 4,59% 3,69% 3,56% 4,63% 4,94% 2,45%
0%
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
12 5,64% 5,67% 4,03% 3,93% 6,63% 7,05% 3,04% Barras do Sistema

13 5,66% 5,68% 3,68% 3,58% 7,74% 8,14% 3,25% 12% Fase B (MICTH)
Fase B (ATP)

14 3,81% 3,78% 2,64% 2,53% 5,09% 5,36% 2,20% 8%


DHT

4%

veis pelo uso de métodos matemáticos totalmente distintos. 0%


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
Ao contrário do método de injeção monofásica com solução Barras do Sistema

direta, onde os resultados diferem substancialmente devido Fase C (MICTH)


12%
aos desequilíbrios da rede. Fase C (ATP)

8%
DHT

Com os transformadores conectados entre as barras 4 e 7, e


4%
entre as barras 5 e 6 operando com o núcleo saturado, têm-se
os componentes harmônicos de tensão e o DHT nos terminais 0%
do transformador ligado entre as barras 4 e 7 apresentados
nas Tabelas 4 e 5, respectivamente. Figura 10: DHT de Tensão nas três fases.

Tabela 4: Tensões harmônicas (em p.u.) na barra 4.


dores. Esta característica é explicada pelo uso de modelos
Fase A Fase B Fase C representativos e métodos de interpolação totalmente distin-
h MICTH ATP MICTH ATP MICTH ATP tos na representação da curva de saturação do transformador
em ambas as metodologias.
1 0,9736 0,9764 0,9594 0,9624 0,9477 0,9488

3 0,0433 0,0391 0,0260 0,0237 0,0334 0,0320 A propagação harmônica das distorções geradas pelos trans-
5 0,0212 0,0149 0,0147 0,0112 0,0180 0,0145
formadores saturados, RCTs e CER é observada pelas DHTs
de tensão em todas as barras do sistema ilustradas na Figura
7 0,0069 0,0047 0,0072 0,0040 0,0050 0,0019
10.
9 0,0013 0,0048 0,0008 0,0041 0,0006 0,0047
Na Figura 11 são comparadas as DHTs do sistema com os
11 0,0020 0,0031 0,0017 0,0020 0,0029 0,0031
transformadores operando na região saturada e não-saturada.
DHT 5,08% 4,48% 3,27% 2,97% 4,08% 3,85% Conforme esperado, com os transformadores operando satu-
rados, a DHT é maior.

Note que os resultados obtidos pelo MICTH e pelo ATP con- Com o intuito de analisar o desempenho computacional da
tinuam próximos, porém ligeiramente superiores aos calcu- metodologia proposta, a Tabela 6 apresenta os tempos com-
lados sem a presença de saturação no núcleo dos transforma- putacionais gastos pelo MICTH para alcançar a convergên-

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 193


12%

Fase A (com Transformadores Saturados)


logia utilizada para a representação das características não-
8% Fase A (sem Transformadores Saturados)
lineares do transformador. O tempo computacional gasto
DHT

4% pelo ATP/EMTP para atingir o regime permanente de ope-


ração nas simulações do caso teste foi de aproximadamente
0%
1 2 3 4 5 6 7 8 9

Barras do Sistema
10 11 12 13 14
120 s. É importante destacar que este tempo depende de pa-
12%
râmetros de difícil definição como condições iniciais da rede,
Fase B (com Transformadores Saturados) passo de integração e tempo final de simulação. A compara-
Fase B (sem Transformadores Saturados)
8%
ção desse tempo com aqueles apresentados na Tabela 6 for-
DHT

4%
nece uma estimativa da ordem de grandeza associada ao es-
forço computacional entre o MICTH e o ATP/EMTP para
0%
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 solução do caso teste.
Barras do Sistema

12%

Fase C (com Transformadores Saturados)


6 CONCLUSÃO
8% Fase C (sem Transformadores Saturados)
Este trabalho apresentou uma metodologia matemática para
DHT

4% o cálculo de harmônicos em sistemas de potência trifásicos


desequilibrados (MICTH). Os resultados obtidos são muito
0%
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
próximos aqueles obtidos por métodos no domínio do tempo
(ATP), porém com menor esforço computacional devido ao
Figura 11: DHT de Tensão com transformadores saturados e uso de métodos de solução iterativa Newton-Raphson e for-
não saturados. mulação baseada em equações de injeção de corrente (atua-
lização de poucos elementos do Jacobiano).

cia na simulação de H freqüências harmônicas. Em todas Os resultados obtidos com o MICTH mostraram que as meto-
as simulações a convergência é obtida em 6 iterações com dologias monofásicas baseadas em métodos diretos de solu-
resíduos de corrente menores que 10−4 p.u. O sistema com- ção (Arrillaga et alii, 1985), embora bastante utilizadas, não
putacional utilizado para a análise é formado por um Pentium apresentam resultados satisfatórios em redes com presença
IV 2,4GHz, com 1GB de RAM operando com MS Windows de dispositivos não-lineares e com cargas desequilibradas.
XP sp2. Embora não abordado durante as simulações, o MICTH per-
mite a análise e a quantificação de componentes harmôni-
Tabela 6: Tempo computacional gasto pelo MICTH para al- cos não-característicos, como as inter-harmônicas e as sub-
cançar a convergência na simulação de H freqüências. harmônicas, bastando incluir no sistema matricial unificado
os subsistemas referentes às freqüências não-múltiplas intei-
Sistema teste com Sistema teste com ras da fundamental que se deseja investigar.
H
trafos não saturados trafos saturado
15 0,266 s 2,375 s A representação do comportamento da rede e dos seus dis-
positivos só foi alcançada pelo MICTH, por este apresentar
30 1,000 s 4,888 s uma formulação trifásica em componentes de fase com o uso
45 2,703 s 9,813 s de um sistema matricial unificado.
60 5,266 s 12,75 s
Apesar do MICTH apresentar um sistema unificado com ta-
manho elevado na simulação de sistemas de dimensões reais
e de grande porte, o esforço computacional não é considera-
Conforme esperado, o tempo computacional gasto cresce à velmente alto, devido ao uso de eficientes ferramentas com-
medida que o número de freqüências simuladas aumenta. putacionais como técnicas de esparsidade, programação ori-
Isto ocorre porque o aumento do número de freqüências si- entada a objetos e linguagem de programação para compila-
muladas acarreta no aumento da dimensão do sistema ma- dores de alto desempenho. Portanto, a metodologia proposta
tricial unificado, conseqüentemente, há um aumento no es- permite uma análise sistêmica da propagação harmônica. Em
forço computacional para a alocação de memória e solução comparação com o ATP/EMTP, o MICTH permite que um
do sistema de equações. Entretanto, é importante destacar número maior de barras seja incluído nas simulações.
que a precisão dos modelos e da metodologia é dependente
do número de freqüências simuladas. Os tempos gastos na Por apresentar uma metodologia precisa e eficiente, o
solução do sistema teste com transformadores operando sa- MICTH é compatível com a análise harmônica de sistemas
turados são superiores devido à complexidade da metodo-

194 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


elétricos de potência reais, principalmente em situações onde Domijan, A., Heydt, G.T., Meliopoulos, A.P.S., Venkata, S.
o uso de outras ferramentas é insatisfatório ou inviável, seja e West, S. (1993). Directions in Research in Electric
devido a incapacidade de simulação de componentes trifá- Power Quality. IEEE Transactions on Power Delivery,
sicos desequilibrados, inabilidade na representação dos aco- vol.8, pp.429-436.
plamentos entre freqüências ou por restrições computacio-
nais. Dommel, H.W. (1986). Electromagnetic Transients Program
Reference Manual (EMTP Theorycal Book). Prepared
for Bonneville Power Administration, Dept. of Electri-
AGRADECIMENTOS cal Engineering, University of British Columbia.
O autor Abilio M. Variz agradece ao professor Márcio P. Vi- Dommel, H.W., Yan, A. e Shi, W. (1986). Harmonics from
nagre (UFJF), à COPPE-UFRJ, à UFJF e ao CNPq e CAPES Transformer Saturation. IEEE Trans. On Power Deli-
pelo apoio financeiro neste trabalho. Beneficiário de auxílio very (Apr.), vol.PWRD-1, pp.209-215.
financeiro da CAPES – Brasil.
Dufeey, C.K. e Stratford, R.P. (1989). Update of harmonic
standard IEEE-519: Recommended practices and re-
REFERÊNCIAS quirements for harmonic control in electric power sys-
Acha, E., Arrillaga, J., Medina, A. e Semlyen, A. (1989). Ge- tems. IEEE Transactions on Industry and Applications,
neral frame of reference for analysis of harmonic dis- vol.25, no.6, pp.1025-1033.
tortion in systems with multiple transformer nonlinea- Dugui, W. e Zheng, X. (1998). Harmonic model of power
rities, Proc. Inst. Elect. Eng. C (Sept), vol.136, pp.271– transformer, In Proc. POWERCON ’98, International
278. Conference on Power System Technology (Aug.), Bei-
jing, China, pp.1045-1049.
Acha, E. e Madrigal, M. (2001). Power System Harmonics:
Computer Modeling and Analysis. J. Wiley & Sons, Garcia, P.A.N., Pereira, J.L.R., Carneiro Jr., S., Da Costa,
New York. V.M. e Martins, N. (2000). Three-phase power flow
calculations using the Current Injection Method. IEEE
Arrillaga, J., Bradley, D.A. e Bodger, P.S. (1985). Power Sys- Transactions on Power Systems, vol.15, no.2, pp.508-
tem Harmonics. J. Wiley & Sons, New York. 514.
Arrillaga, J., Smith, B.C., Watson, N.R. e Wood, A.R. Garcia, P.A.N., Pereira, J.L.R. e Carneiro Jr., S. (2001a).
(1997). Power System Harmonic Analysis. J. Wiley & Fluxo de Potência Trifásico por Injeção de Correntes:
Sons, New York. Parte 1 – Formulação Básica, Controle e Automação.
Revista Brasileira de Controle & Automação – SBA,
Arrillaga, J., Watson, N.R. e Bathurst, G.N. (2004). A Multi-
Brasil, vol.12, no.3, pp.178-187.
frequency Power Flow of General Applicability. IEEE
Transactions on Power Delivery, vol.19, no.1, pp.342- Garcia, P.A.N., Pereira, J.L.R. e Carneiro Jr., S. (2001b).
349. Fluxo de Potência Trifásico por Injeção de Corrente:
Parte 2 – Controles e Dispositivos FACTS. Revista Bra-
Chen, M.S. e Dillon, W.E. (1974). Power System Modeling. sileira de Controle & Automação – SBA, Brasil, vol.12,
Proceedings of the IEEE (Jul.), vol.62, no.7, pp.901- no.3, pp.188-196.
915.
Garcia, P.A.N., Pereira, J.L.R., Carneiro Jr., S., Vinagre, M.P.
Chen, X. e Venkata, S. (1997). A three-phase three-winding e Gomes, F.V. (2004). Improvements in the Represen-
core-type transformer model for low-frequency transi- tation of PV Buses on Three-Phase Distribution Power
ent studies. IEEE Trans. Power Delivery (Apr.), vol.12, Flow. IEEE Transactions on Power Delivery, vol.19,
pp.775-782. no.2, pp.894-896.
Da Costa, V.M., Martins, N. e Pereira, J.L.R. (1999). Deve- IEEE. (1983). Working Group on Power System Harmonics,
lopments in the Newton Raphson power flow formula- “Power System Harmonics: An Overview”. IEEE Tran-
tion based on current injections. IEEE Transactions on sactions on Power Apparatus e Systems, vol.pas-102,
Power Systems, vol.14, no.4, pp.1320-1326. pp.2455-2460.

De Leon, F. e Semlyen, A. (1994). Complete transformer mo- IEEE std. 519-1992. (1993). IEEE Recommend Practices
del for electromagnetic transients. IEEE Trans. Power and Requirements for Harmonic Control in Electrical
Delivery (Jan.), vol. 9, pp. 231–239. Power Systems. IEEE, New York.

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 195


IEEE Working Group. (1996). Task Force. “Modeling and Variz, A.M., Da Costa, V.M. (2002). Novos Desenvolvimen-
simulation of the propagation of harmonics in electric tos numa Formulação de Injeção de Corrente para So-
power network, Part I and II”. IEEE Transactions on lução de Fluxo de Potência. Revista Brasileira de Con-
Power Delivery, vol.11, no.1, pp.452-474. trole & Automação (SBA), vol.13, no.3, pp.298-306.
Kulicke, B. (1979). Digital program NETOMAC zur Simu- Variz, A.M., Da Costa, V.M., Pereira, J.L.R. e Martins,
lation Elecktromechanischer und Magnetischer Aus- N. (2003). Improved representation of control adjust-
leighsvorgänge in Drehstromnetzen. Electrizitatwirsts- ments into the Newton-Raphson power flow. Interna-
chaft, 78, pp.18-23. tional Journal of Electrical Power e Energy Systems,
vol.25, no.7, pp.501-513.
Lathi, B. P. (2005). Linear Systems and Signals. Oxford Uni-
versity Press, Second Edition. Variz, A.M., Pereira, J.L.R., Carneiro Jr., S. e Barbosa, P.G.
(2006a). Three-Phase Harmonic Power Flow Using the
Lima, L.T.G., Semlyen, A. e Iravani, M.R. (2003). Harmonic
Current Injection Method. IEEE International Confe-
domain periodic steady state modeling of power elec-
rence on Harmonics and Power Quality, 12th ICHPQ
tronics apparatus: SVC and TCSC. IEEE Transactions
(Oct.), Cascais, Portugal.
on Power Delivery, vol.18, no.3, pp.960-967.
Variz, A.M., Pereira, J.L.R., Carneiro Jr., S. e Barbosa, P.G.
Lin, W.M., Zhan, T.S. e Tsay, M.T. (2004). Multiple-
(2006b). Fluxo de Potência Harmônico Trifásico. XVI
Frequency Three-Phase Load Flow for Harmonic
Congresso Brasileiro de Automática, CBA 2006, Salva-
Analysis. IEEE Transactions on Power Systems, vol.19,
dor, Bahia, Brasil.
no.2, pp.897-904.
Marinos, Z.A., Pereira, J.L.R. e Carneiro Jr., S. (1994). Fast Variz, A.M. (2006). Cálculo do Fluxo de Harmônicas em
harmonic power flow calculation using parallel proces- Sistemas Trifásicos Utilizando o Método de Injeção de
sing. IEE Proc.-Gem. Transm. Distrib., vol.141, no.1, Correntes. Tese de D.Sc., COPPE-UFRJ, Rio de Ja-
pp.27-32. neiro, Brasil. Disponível em “www.pee.ufrj.br/teses/”.

Medina, A. e Arrillaga, J. (1992). Simulation of multilimb Variz, A.M., Pereira, J.L.R., Carneiro Jr., S. e Barbosa, P.G.
power transformers in the harmonic domain. Proc. Inst. (2007). Modelo de Transformador Saturado para Cál-
Elect. Eng. C (May), vol.139, pp.269–276. culo do Fluxo de Potência pelo Método de Injeção de
Corrente. VII Congresso Brasileiro de Qualidade de
Neves, W.L.A. e Dommel, H.W. (1993). On Modelling Iron Energia Elétrica, CBQEE 2007, Santos, SP, Brasil.
Core Nonlinearities. IEEE Transactions on Power Sys-
tems (May), vol.8, no.2, pp.417–425. Wagner, V.E. (1993). Effects of harmonics on equipment.
IEEE Transactions on Power Delivery, vol.8, no.2,
Semlyen, A., Acha, E. e Arrillaga, J. (1987). Harmonic Nor- pp.672-680.
ton equivalent for the magnetising branch of a transfor-
mer. Proc. Inst. Elect. Eng. C (Mar.), vol.134, pp.162- Xia, D. e Heydt, G.T. (1982). Harmonic power flow studies,
169. part I formulation and solution, part II implementation
and practical application. IEEE Transactions on Power
Semlyen, A., Acha, E. e Arrillaga, J. (1988). Newton type al- Apparatus and Systems, vol.PAS-101, pp.1257-1270.
gorithms for the harmonic phasor analysis of non-linear
power circuits in periodical steady state with special re- Xu, W., Marti, J.R. e Dommel, H.W. (1991). A multiphase
ference to magnetic non-linearities. IEEE Transactions harmonic load flow solution technique. IEEE Transac-
on Power Delivery, vol.3, no.3, pp.1090-1098. tions on Power Systems, vol.6, no.1, pp.174-182.

Semlyen, A. e Shlash, M. (2000). Principles of modular har-


monic power flow methodology. IEE Proceedings Ge- APÊNDICE
neration Transmission and Distribution, vol.147, no.1.
A - Interpolação de Newton
Smith, B.C., Arrilaga, J., Wood, A.R. e Watson, N.R. (1998).
A review of Iterative Harmonic Analysis for AC-DC Dada uma seqüência de n+1 pontos distintos (yi , xi ) de uma
Power Systems. IEEE Transactions on Power Delivery, curva f , onde yi = f(xi), tem-se o polinômio interpolador de
vol.13. no.1, pp.180-185. Newton representado por:
Tinney, W.F e Hart, E.E. (1967). Power Flow Solution by
Newton’s Method. IEEE Transactions on Power Appa-
ratus and Systems, vol.86, pp.1449-1456. fn (x) = P 5 x + P 4 x + P 3 x + P 2 x + P 1 x + x (91)

196 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008


como resultado da seguinte expressão:
Tabela 9: Dados do CER.
Banco de
Reator Controlado a Tiristor
Capacitores
1
fn (x) = y0 + D y0 (x − x0 ) + ...+
Ângulo de
Dn y0 (x − x0 )...(x − xn−1 ) (92) R(p.u.) C(p.u.) L(p.u.) R(p.u.)
disparo (˚)
1,00 0,00265 0,00530 0,0010 150,0
onde:
Dn−1 yi+1 − Dn−1 yi
D n yi = (93)
xi+n − xi
Tabela 10: Dados dos transformadores (em p.u.).
Resistência Resistência
B - Sistema Teste De Para Conexão Tap enrola-
Indutância
perdas no
dispersão
mento núcleo
A Figura 9 apresenta o sistema teste IEEE 14 barras modifi-
4 7 Y-Y 0,978 0,010 0,20912 100,0
cado para simulação no presente trabalho. As cargas das bar-
ras 2, 3, 5, 9, 10, 11 e 13 são conectadas em estrela, enquanto 4 9 Y-Y 0,969 0,010 0,55618 100,0
que as das barras 4, 6, 12 e 14 são conectadas em delta. To- 5 6 Y-Y 0,932 0,010 0,25201 100,0
das as cargas são equilibradas com os dados apresentados em 7 8 Y-∆ 0,600 0,010 0,17615 100,0
IEEE (1996), exceto as cargas conectadas às barras 3, 4, 9 e
7 9 Y-Y 1,000 0,010 0,11001 100,0
13 cujo desequilíbrio é apresentado na Tabela 7.

Tabela 7: Dados das cargas desbalanceadas. Tabela 11: Pontos usados pelo MICTH interpolar a curva de
Fase A (p.u.) Fase B (p.u.) Fase C (p.u.) magnetização.
Barra R X R X R X Transformador 4-7 Transformador 5-6
3 1,331 -0,361 0,531 -0,269 1,314 0,000 Corrente de Fluxo de Corrente de Fluxo de
Magnetização Magnetização Magnetização Magnetização
4 5,962 0,477 3,713 0,371 14,42 2,885
9 9,615 -1,923 4,988 1,880 9,901 -0,495
0,000 0,0000 0,000 0,0000

13 0,735 -2,261 0,706 -0,824 0,125 -2,494


0,050 0,0005 0,025 0,0003
0,100 0,0011 0,075 0,0010
0,150 0,0016 0,100 0,0013
O RCT da barra 3 é conectado em estrela, enquanto que o da
0,200 0,0019 0,200 0,0020
barra 6 é conectado em delta. Os parâmetros deste equipa-
mento são listados na Tabela 8.

Tabela 12: Pontos usados pelo ATP interpolar a curva de


Tabela 8: Dados dos RCTs.
magnetização.
Ângulo de
Barra L (p.u.) R (p.u.) Transformador 4-7 Transformador 5-6
Disparo
Corrente de Fluxo de Corrente de Fluxo de
3 0,00265 0,0010 160,0 ˚ Magnetização Magnetização Magnetização Magnetização
6 0,00265 0,0010 135,0 ˚ 0,000 0,0000 0,000 0,0000
0,150 0,0016 0,100 0,0013
Os dados do CER conectado em estrela na barra 8 são apre- 0,200 0,0019 0,140 0,0018
sentados na Tabela 9. 0,325 0,0021 0,200 0,0020
Os dados dos transformadores são listados na Tabela 10. 0,510 0,0023 0,337 0,0022
0,775 0,0025 0,500 0,0024
Nas Tabelas 11 e 12 são listados os pontos utilizados pelo
1,250 0,0027 1,000 0,0027
MICTH e pelo ATP/EMTP interpolar a curva de magnetiza-
ção dos transformadores saturados conectados entre as barras 2,350 0,0029 1,875 0,0029
4 e 7, e entre as barra 5 e 6.

Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008 197


O gerador conectado à barra 1 é equilibrado com fonte de
tensão senoidal de módulo igual a 1,060p.u. e ângulo de 0o
na fase A. O gerador da barra 2 é do tipo PV com potência
ativa especificada em 0,040p.u. e módulo da tensão igual a
1,045p.u. Devido às limitações do modelo do gerador utili-
zado no ATP em representar barras do tipo PV, este foi con-
siderado como uma fonte de tensão com módulo e ângulo
especificados a partir dos resultados obtidos pelo MICTH.
Estes dados são apresentados na Tabela 13.

Tabela 13: Dados do gerador 2 (em p.u. e em o ) usados pelo


ATP.
Sistema Fase A Fase B Fase C
Teste Mód. Âng. Mód. Âng. Mód. Âng.
com
trafo
1,045 -5,957 1,045 -130,1 1,045 114,6
sem sa-
turação
com
trafo 1,045 -5,298 1,045 -129,2 1,045 -115,0
saturado

Os parâmetros de linha são os mesmos apresentados em


IEEE (1996).

198 Revista Controle & Automação/Vol.19 no.2/Abril, Maio e Junho 2008

Você também pode gostar