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OS FUNDAMENTOS DA HISTÓRIA DO DIREITO

Aluna: Camila Miotto Fagundes


Fundamentos da História do Direito, por Antonio Carlos Wolkmer, capitulo 2, começa
tratando de que não é somente pelos documentos escritos, testemunhos e fontes históricas
que se faz o direito e sim pelo estudo dos elementos de cada civilização. O direito pode ser
assim, segundo Niklas Luhmann, direito arcaico- dos povos sem escritas-, direito antigas- das
primeiras civilizações urbanas- e direito moderno – o direito após a revolução francesa e
americana. Acredito ainda que deveríamos considerar um novo direito- o pós-moderno-, o qual
seria o direito após a segunda guerra mundial, quando a Declaração Universal dos Direitos
Humanos foi feita, e o mundo ia para o pós-guerra fragilizado pelas barbáries do nazismo.
Para começar a analise dos direitos devemos deixar claro que o direito arcaico era
modulado pelos costumes, pelos os aspectos de sobrevivência e pelas as tradições em geral
dos povos sem escrita. Conforme o tempo, a sociedade foi evoluindo e começando a se
organizar em cidades, houve o surgimento da escrita- a partir das evoluções desta, a tradição
oral também passou a ser redigida- e futuramente houve o surgimento do comércio, que teve
presença essencial da escrita, a qual também foi um grande passo nas vendas, nos negócios e
afins... assim com estilos de vida mudando, junto com os costumes, as novas sociedades
necessitaram de novos direitos, regras e políticas. Surge assim o Direito arcaico, tal que é
considerado direito das sociedades mesopotâmicas e egípcias.
Vale ressaltar que essas duas sociedades tiveram processos de urbanização e de
adoção da escrita- sendo na Mesopotâmia a escrita cuneiforme e no Egito textos em
hieróglifos- muito próximos, no entanto estudos já revelaram que esses processos foram
autônomos, mesmo que essas civilizações pudessem ter contato.
Como visto as duas sociedades tiveram processos urbanísticos próximos, isso de deve
ao fato de que ambas se localizavam em lugares privilegiados, ou seja, perto de bacias
hidrográficas e assim podendo se manter no local, desenvolvendo métodos de agricultura,
navegação, transporte e comércio. As civilizações egípcias contavam com o rio Nilo, este
contendo cheias e secas periódicas, as quais eram consideradas pelos egípcios uma vontade
dos deuses. Já na Mesopotâmia os efeitos climáticos eram irregulares fazendo com que os
habitantes não cressem nessas “vontades divinas”.
Olhando já pelo ângulo dessas diferenças, as quais são vistas no Egito, onde se
acreditavam na influencia de um Deus sobre isso e na Mesopotâmia, onde essa crença não era
válida, a partir dai nota-se que no Egito as influencias climáticas fez com que houvesse rituais
em consagração a esses deuses que influenciavam na agricultura, na chuva, entre outros
fatores, além da consagração a esses deuses eles acreditavam que o Faraó era um verdadeiro
deus na Terra, um fato curioso sobre isso é que o poder do faraó nunca foi questionado e posto
em questão. Na Mesopotâmia, conforme os efeitos climáticos sobre o rio e o clima o poder era
também irregular, de modo como os egípcios, os mesopotâmicos também estavam sobre o
comando de uma monarquia, no entanto o rei tinha um caráter mais humano, era apenas o
representante de deus na Terra, e assim estava sujeito a ter limitações, e guerras entre si para
alcançar o poder, sendo a instabilidade tanto no aspecto climático quanto no monárquico.
Ainda na Mesopotâmia vemos, que diferente do Egito- onde era uma lei geral-, que as cidades
eram autônomas com suas próprias leis, exércitos e seus próprios governantes. Então vê-se
mais essa diferença entre as culturas egípcias e mesopotâmicas, onde no Egito os reis eram
considerados deuses e ficavam no poder por tempo indefinido, na Mesopotâmia os mesmos
eram considerados apenas representantes dos deuses na Terra, e esses poderiam ter o poder
disputado por outros monarcas.
Na economia vemos que tanto o Egito quanto a Mesopotâmia tinham características
parecidas, ambos dependiam da agricultura e da navegação como meio de transporte. No
Egito, havia uma abundância de minérios, um ótimo sistema de irrigação, porém havia carência
de madeira, a qual era exportada de outro lugar. Na Mesopotâmia, mesmo o solo sendo fértil
havia carência de minerais e dificuldade quanto a problemas de drenagem e avanço da
vegetação. Nessa perspectiva, nota-se que a dependência da Mesopotâmia a exportação era
maior que a do Egito, assim vê as diferenças que serão refletidas no direito privado de cada
uma delas.
Quanto às leis e ao direito, vemos que estes começaram a ser estudados e
descobertos que existiam apenas após o século XX, e com esse estudo podemos perceber os
aspectos dessa sociedade, suas leis, economia, cultura e política. Também estudar o direito
que acercava essas sociedades, o qual claramente da para perceber que mesmo sendo direito
antigo ainda era influenciado pelo arcaico, pois, suas justificações eram apenas divinas. No
entanto, muitas dessas leis que eram escritas se desenvolveram para um direito mais
complexo do que apenas as leis religiosas, tanto no principio do direito privado quanto as
demais leis que seriam destinadas aos reinos, tanto a Mesopotâmia quanto o Egito chegaram a
esse patamar de desenvolvimento legislativo. O exemplo do código de Hamurabi é que mesmo
tendo feito o código de leis escrito, num patamar avançado de direito, este ainda tinha como
base as “condutas divinas” para ser de acordo com o que os deuses queriam.
Na Mesopotâmia, foi onde surgiu o primeiro documento de código de direito na
história, esses códigos da antiga Mesopotâmia eram baseados somente na tradição. Esse
primeiro código de lei foi promulgado quando caiu o império acádico e começou-se o novo
império da suméria, então o rei promulga o Código de Ur-Nammu, o qual teve por base os
costumes ou também por casos concretos já julgados anteriormente. Uma característica
interessante deste código é que ele mostrava as classes sociais e suas organizações
existentes naquela época.
Além desse código também existiu o Código de Esnunna e o de Hamurabi, o primeiro
sendo o código mais extenso e que serviu de base para o Código de Hamurabi quando se diz a
respeito do direito penal, no entanto o Código de Esnunna também trouxe outras regras como
as responsabilidades das pessoas, o direito familiar e os maus tratos aos animais.
O Código de Hamurabi, segundo dizem os pesquisadores, foi uma junção de normas
de outros códigos já existentes que serviram de base para montar os artigos do mesmo, esse
conjunto de normas de Hamurabi abrangia desde o direito privado até o domínio econômico.
Além disso, também serviu de base para explicar como se organizava a sociedade e os
privilégios que existiam em suas camadas sociais. Outro ponto do código é referente à posição
da mulher a mesma podendo participar e tendo seus direitos jurídicos iguais ao do homem,
quando referente ao dote se esta alegar que o marido a traiu tem a possibilidade de requerer
de volta o dote, além de poder voltar para a família original, o código também fala a respeito
das questões de adoção e de herança, e as consequências jurídicas das mesmas.
Quanto ao domínio econômico, o Código propõe uma intervenção aos salários e
preços, no entanto se essa norma funcionou não se sabe, mas devemos concordar que foi um
grande passo para época. Outro grande feito foi no direito penal que ficou muito conhecido pela
famosa frase “olho por olho, dente por dente”, pois seria devolvido ao criminoso o crime da
mesma maneira se este fosse provado, além disso, no direito penal houve a tentativa de deixar
o poder apenas nas mãos do soberano. Há ainda no Código de Hamurabi o direito privado
tinha por base os contratos de comércio, arrendamento de terras cultiváveis e deposito, além
de visar negócios e empréstimos dos comerciantes. Vale ressaltar novamente, que este foi um
dos Códigos mais importantes que se tem, pois teve uma abrangência em quase todos os
pontos, visto a época em que se encontravam.
Mesmo com todos esses códigos a Mesopotâmia não conseguiu alcançar o tamanho
do poder burocrático existente no Egito. No entanto, as leis egípcias eram de um molde
diferente das mesopotâmicas, pois estas tinham caráter divino, leis que eram influenciadas pela
deusa maat, a qual estava por traz das decisões dos Faraós já que esses eram considerados
deuses na terra. As decisões e regras que o Faraó tomava eram tomadas em base dos
princípios de maat que eram estabelecer a Justiça, a Paz, o Equilíbrio e a Solidariedade além
de ter Verdade e Ordem no seu governo.
A partir disso, percebe-se a importância das sociedades egípcias e mesopotâmicas na
historia do direito, entretanto essas culturas não tiveram apenas contribuição no direito como
também influenciaram os sistemas de medida, os calendários, a arquitetura e a engenharia.
Essas sociedades como todas sofreram transformações ao longo de sua trajetória histórica,
uma dessas transformações se diz a respeito dos povos hititas, os quais, segundo se
descobriu, influenciaram as culturas mesopotâmicas e egípcias, mesmo esses três povos
vivendo em harmonia por um tempo descobriu-se ainda que os egípcios e os hititas entraram
em conflito que resultou em um dos primeiros tratados de paz existentes. Assim, fica claro, que
as ideias e os contextos jurídicos existentes nessas sociedades foram uma base para o direito
na Grécia e em Roma, os quais influenciaram muitas decisões e direitos que vigoram até hoje.
Fundamentos da História do Direito, por Antonio Carlos Wolkmer, capitulo 3, esse
capitulo diz respeito ao direito grego antigo, esse período pode ser divido em quatro: período
arcaico, clássico, helenístico e romano. Esse período vai do inicio das Guerras Pérsicas a
derrota de Antônio e Cleópatra por Augusto. Quando se estuda o direito grego antigo
estudamos basicamente o direito de Atenas, o qual é considerado sinônimo do direito da
Grécia, mas este sendo de toda polis e o direito ateniense sendo sujeito apenas em Atenas.
Os gregos se dispersaram pelo território ao redor principalmente no período arcaico
pratica que continuou até o período helenístico, durante o período arcaico eles se dispersavam
pelo Mediterrâneo principalmente quando a polis estava mais “abarrotada” de pessoas, ou por
fatores climáticos que influenciavam a saída da população, então essas eram enviadas para
outro lugar, a fim de colonizar e assim estimularam o comércio e a indústria.
Durante o período arcaico, podemos considerar três inovações peculiares como o
armamento terrestres com os hoplitas, a moeda e o alfabeto. Começando pelo o primeiro
vemos que houve um avanço da tática militar, hoplita, essa nova tática abrangendo agora os
cidadãos na área militar. A moeda, que continua até hoje e basicamente com os mesmos
princípios, foi incorporada pelos gregos e serviu para a acumulação de riquezas e incrementou
o comércio da Grécia.
Além do incremento do comércio e das novas táticas de guerra, a escrita veio e
permitiu inúmeros feitos como: o surgimento de leis escritas e a maior participação do povo nas
instituições democráticas, fazendo com que os aristocratas perdessem monopólio do poder,
que foi tomado pelos legisladores, os quais compilaram muitas das leis escritas.
Os dois legisladores importantes para a história do direito ateniense são: Dracon e
Sólon, o primeiro codificou o primeiro código de leis de Atenas, este incluía o principio do direito
penal e também foi um código de leis conhecido por sua severidade e a distinção dos
diferentes tipos de homicídio. Já Sólon, cria um novo código e modifica o de Dracon, ele faz
reformas institucionais – qualquer pessoa podia apelar das decisões dos tribunais – ,
econômicas – reorganiza a agricultura e incentiva a produção de azeite e sua exportação – e
sociais – obriga os pais ensinarem aos filhos seus ofícios, caso não ensinem, os filhos não
sãos obrigados a cuidarem dos pais na velhice, além disso elimina a hipoteca por dividas,
liberta os escravos por dividas, também divide a sociedade em classes sociais e promete aos
estrangeiros cidadania.
A respeito da tirania inicia-se ainda no período arcaico, o tom pejorativo foi adquirido
nessa época em Atenas, esse período foi marcado por uma fase de desenvolvimento em
Atenas, também foi marcado pela queda de tiranos e também a eleição de outros, como
Clistenes, o qual mudou a constituição e inaugurou uma nova.
Iniciando o período clássico, Atenas contava com cerca de 300 mil habitantes, porém
apenas 30 a 40 mil eram considerados cidadãos, mesmo assim Atenas é considerada o berço
da democracia, e essa democracia se estendeu por outras cidades, mesmo que algumas
tenham sido a força .Período, o qual foi marcado pelas guerras que nele ocorreram como as
guerras Pérsicas e do Peloponeso. Além das guerras, esse período foi marcado pelo
estabelecimento das Assembleias, O Conselho dos Quinhentos e os Tribunais de Heliaia, e
também o começo da remuneração pelo tempo que estava a serviço da polis, outro marco
foram as comédias.
Voltando ao quesito da escrita percebemos que esta e o direito estão estritamente
ligados. A primeira desenvolveu-se ao longo de toda história grega, no entanto sua maturidade
somente foi atingida quando houve o ocaso dessa civilização, alguns historiadores ainda falam
que se essa civilização quando estava em seu auge tivesse o desenvolvimento melhor da
escrita hoje teríamos uma história do direito diferente. A língua grega é uma multiplicidade de
outras como: o dório, o arcárdio-cipriota, o eólio e o jônio-ático, essas línguas foram
influenciadas pelas migrações e conquistas do povo grego ao longo da história, tivemos
grandes obras em Atenas escritas em ático, mas também em jônico como Odisseia. No
entanto, depois da conquista de micênica, os gregos abandonaram a escrita por alguns
séculos, mas segundo pesquisas o recomeço da utilização do alfabeto fonético foi na primeira
olimpíada, uma característica do alfabeto grego que foi uma grande contribuição são as vogais.
No entanto, mesmo a Grécia sendo o berço da democracia, filosofia, teatro e da escrita
fonética, esta preferia a fala a escrita – Platão falava sobre a escrita “não podem ser inquiridos
e, por conseguinte, as suas ideias estão fechadas à correção ou ao maior aperfeiçoamento e,
além disso, enfraquece a memória”, outro fato dessa preferência é por causa da dificuldade
que a escrita apresentava e também pelo preço dos materiais necessários para escreverem
como folha e tinta –, além dessa particularidade os gregos não aceitavam a profissionalização
do direito e o pagamento a advogados. Quanto a escrita, percebemos essa particularidade
grega quando vemos que um dos seus maiores filósofos, Sócrates, não tem nenhum
documento escrito seus ensinamentos sendo apenas por meio da fala, e também as obras de
Platão que mesmo sendo escritas são feitas em forma meio de dialogo. Porém, quando foi
ficando mais fácil o acesso a escrita o poderio grego estava já definhando e começava a
dominação romana.
Quanto a escrita em forma de leis há varias hipóteses como essa começou a ser
incorporada para inscrever as leis uma das hipóteses é que os gregos desejavam colocar limite
naqueles que exerciam justiça, deixar para acesso a todos, um dos motivos dessa hipótese não
ser muito aceita é a falta de evidências de que essas leis escritas fossem mais justas do que
aquelas que antes vigoravam. Outro ponto de vista aceito sobre a utilização da escrita para
incorporar leis é de que, no começo, esta foi utilizada como forma de poder sobre o povo, pois
não limitavam o poder dos governantes, na realidade no começo as leis eram aristocráticas,
somente com Sólon foi que começou a democratização das leis.
Outra versão é que quando começou o colapso da cultura micênica e começaram a se
formar as polis, e essas conforme cresciam necessitavam cada vez mais de um controle maior
de sua população, esse controle abrangendo de atividades econômicas a serviços públicos.
Mas mesmo assim há dois pontos interessantes como o de que mesmo existindo a
possibilidade de haver leis escritas essas começaram apenas a serem aplicadas por volta do
sétimo século antes de Cristo, o outro ponto é que mesmo facilitando no controle de sua
população a escrita não era o único meio de fazer isso, como Esparta deixou claro.
Essas leis estavam aumentando a eficiência do sistema judiciário, embora geralmente
favorecesse o grupo que estava no poder, não importando qual fosse. Mas conforme as
cidades aumentavam seu poder e seu tamanho, as leis escritas foram cada vez mais
necessárias e de interesse para todos os cidadãos.
Uma observação importante é que as leis se tornaram públicas através de escritas em
pedras, e cada vez ganhava mais espaço principalmente com artesões, poetas e o povo em
geral.
Para começar a falar sobre o direito na Grécia, precisamos deixar claro que os gregos
não criaram tradados sobre direito e sim criaram leis e usavam o direito processual. Diferente
das obras literárias e filosóficas as leis gregas não fora compiladas e traduzidas, suas marcas
ficando apenas nas inscrições em pedra e nas citações que se mantiveram ao longo do tempo.
As leis gregas podem ser dividas em: crimes – tort, família, publica e processual.
Começando pelos crimes, que pode ser consideradas nosso direito penal hoje, elas se dividiam
em legitima defesa, voluntario e involuntário, até hoje uma sobrevive uma inscrição
fragmentada da lei de Dracon sobre homicídio. Na parte da leis que visavam os crimes
estavam incluídas ainda os crimes por determinadas ofensas, assaltos, estupros, roubo,
calunia e difamação.
Quando entramos no âmbito das leis da família, vemos leis sobre casamento,
sucessão, herança, adoção, legitimidade de filhos, escravos, cidadania, comportamento das
mulheres em público.
Já as leis públicas, visam regular as atividades e deveres políticos dos cidadãos, as
atividades religiosas, a economia, finanças, vendas, aluguéis, o processo legislativo, relação
entre cidades, dividas, etc.
Não havia advogados, juízes, promotores públicos, para o direito grego é creditado o
júri popular. Era formado através de seus tribunais, com um júri composto de cidadãos
comuns, cujo que chegava a várias centenas, era a atividade que fazia parte do dia-a-dia da
maioria das cidades gregas, os atenienses sendo os primeiros a colocarem em prática o
processo jurídico regular.
As instituições gregas era onde se administravam a justiça, eram os tribunais, essas
instituições abrangiam a Assembleia – onde estavam as decisões sobre as relações exteriores,
o poder legislativo, a parte política do poder judiciário e o controle do poder executivo,
compreendendo a nomeação e a fiscalização dos magistrados –, o conselho (boulê) – tinha a
função de auxiliar a Assembléia nas atividades que requeriam a dedicação total, funcionando
como um parlamento moderno –,a Comissão Permanente do Conselho – eram o elo entre o
Conselho e a Assembleia, os magistrados, os cidadãos e os embaixadores estrangeiros –, os
estrategos – comandavam do exército, distribuiam os impostos de guerra, dirigiam a polícia de
Atenas e a faziam a defesa nacional –, os magistrados – instruíam processos, ocupavam-se de
cultos e exerciam funções municipais.
A justiça pelos atenienses era dividida em duas: justiça criminal e justiça civil. A
primeira de início era um tribunal aristocrático, com amplos poderes, tanto na condição de corte
de justiça como na de conselho político, mas depois somente julgava os casos de homicídios
premeditados ou voluntários, de incêndios e de envenenamento. A segunda justiça cabia
processos mais importantes, embora fossem enviados aos tribunais atenienses, cabia aos
juízes dos demos a responsabilidade das investigações preliminares.

Fundamentos da História do Direito, por Antonio Carlos Wolkmer, capitulo 5, esse


capitulo começa falando sobre a organização do Império Romano, era uma sociedade
escravagista com uma aristocracia patrícia, a qual dominava as outras classes sociais, devido
essa desigualdade social fez com que os romanos fizessem uma série de instituições políticas
e jurídicas sui generis. Além disso, essa desigualdade fez com que houvessem inúmeras
rebeliões plebeias, e estas fizeram surgir a Lei das XII Tábuas, a qual dava mais poder aos
plebeus.
A forma de organização e dominação dessa sociedade se constituía por um sistema
jurídico de controle social, persuasão, uso da religião, e do contesto cultural. Além do poder de
dominação do pater família, havia também regras nessa sociedade que apoiavam o abandono
de crianças havia má formação do feto ou quando havia questões relacionadas à classe social.
Quanto ao casamento, este não permitia a intervenção do poder público, estava
submetido ao direito privado, mas os votos e o “contrato” eram feitos de forma oral e com
testemunhas.
O direito romano foi aquele que vigorou por doze séculos, abrangia o direito privado,
aquele que esta no “Corpus Juris Civilis”, podemos falar “conjunto ordenado de leis e princípios
jurídicos reduzidos a um corpo único, sistemático, harmônico, mas formado de várias partes,
planejado e levado a efeito no VI século de nossa era por ordem do imperador Justiniano”, era
“baseado em ardis e fraudes, que por sua vez acabavam beneficiando os mais fortes em face
da existência de uma sociedade extremamente desigual, em que o direito formal permitia
usualmente apenas aos mais fortes beneficiar-se do sistema jurídico existente devido ao seu
poder material alicerçado nos planos econômico e militar”. Não existia um poder público coativo
e exterior, capaz de impor a sanção jurídica de forma organizada e centralizada.
Ainda “O direito romano continua vivo em várias instituições liberais individualistas
contemporâneas, principalmente naquelas instituições jurídicas concernentes ao direito da
propriedade no seu prisma civilista e ao direito das obrigações, norteando o caráter privatístico
do nosso Código Civil”.
O direito Romano surge desde a sua época monárquica, num Estado Teocrático, o rei
sendo o chefe político, jurídico, religioso e militar, sendo então o único magistrado. Contando
também com o Senado, o qual era uma espécie de conselho do rei, subordinados ao mesmo.
Na época da República Romana, as magistraturas começaram a ganhar mais prestígio,
porém as fontes de direito eram os costumes, leis e editos dos magistrados. Nesse período
ainda, foi onde se teve os maiores jurisconsultos e as criações das ciências jurídicas.
Já no período imperial, traz decadência política e cultural; é época do da cristianização
do império, da perseguição aos cristãos – os quais tiveram grande influência no direito famliar -
e com isso trouxe novas leis, a constituição imperial passa a ser a fonte do direito.
A maior conquista do povo romano na parte jurídica, sem dúvida, foi a lei das XII
Tábuas, a qual foi elaborada por três magistrados, que pesquisavam na Magna Grécia pelas
leis de Sólon e assim podendo criar o código que entraria em vigência para os romanos, as oito
primeiras tábuas dizem a respeito de:
Tábua I – Referia-se ao chamamento a juízo.
Tábua II – Suspensão da causa por motivo de moléstia.
Tábua III – Execução no caso de confissão por dívida.
Tábua IV – Tratava do poder paterno e de outras matérias de direito da família.
Tábua V – Da tutela hereditária.
Tábua VI – Da propriedade e da posse (dominio et possessione).
Tábua VII – Do direito relativo aos edifícios e às terras
Um dos maiores feitos romanos o direito a propriedade privada, onde a Lei das XII
Tábuas protegia a propriedade privada, punindo aqueles que contra ela atentassem, tais feitos
romanos influenciam até hoje nossas vidas, esse direito via ainda a propriedade quitaria e a
propriedade peregrina – mas esta desapareceu com a unificação de todas as propriedades –
ve ainda os direitos da pessoa jurídica e da propriedade patrimonial. Quanto a propriedade
quitaria vemos que essa necessitava de três requisitos que eram o fundo romano, proprietário
romano e a aquisição de acordo com o direito civil. Já a propriedade peregrina era sobre as
propriedades para estrangeiros onde agora utilizavam de meios processuais semelhantes aos
que se utilizavam na propriedade quitaria.
Já naquela época os romanos fizeram a diferença de pessoa física para pessoa
jurídica, sendo as jurídicas “seres abstratos, que a ordem jurídica considera sujeitos de direito” ,
na parte das obrigações eles deixavam como propriedade patrimonial as responsabilidades
pessoal e corporal dos devedores.
No reinado de Justiniano vale a pena ressaltar algumas mudanças que ele fez como:
as Institutas (manual escolar), o Digesto (compilação dos iura), o Código (compilação das
Leges) e as Novelas (reunião das constituições promulgadas após Justiniano). Todas essas
compilações em conjunto deram origem ao Corpus Juris Civilis, porém apenas feito na Idade
Moderna.
Com o surgimento do cristianismo, com o desgaste da economia escravagista, falência
dos pequenos agricultores, aumento dos “desocupados” humanos e colapso da administração
romana. Na ocorrência disto, houve a mudança do sistema escravagista por um sistema
agrário e estático, assim começava a afloração do sistema feudal.
Após o período do feudalismo houve uma retomada dos estudos do direito pelas
sociedades do ocidente europeu, os burgueses se apropriaram das determinações matérias do
direito romano; as instituições de direito mercantil medieval e do direito de propriedade de suas
cidades, foi essencial para a administração política e mercantil ao final do período medieval, o
direito dos ocidentais adquire caráter dedutivo, o direito romano teve ainda influencia nos
institutos privados, como na propriedade no seu sentido material, deu um fator de unificação do
direito privado europeu e foi sendo empregado conforme as necessidades burguesas.
Vemos, então, que o direito romano foi um grande passo para o direito em si,
abrangendo desde o direito privado ao direito a propriedade, além de outras considerações,
este influenciou as próximas sociedades tanto as sociedades burguesas do fim da Idade Média
quanto alguns direitos que vigoram na sociedade atual.

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