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INTRODUÇÃO À ECONOMIA

GREGORY MANKIW

1. PRINCÍPIOS GERAIS DA ECONOMIA

Os dez princípios gerais da economia são:


1) Em economia, sempre existem tradeoffs;
2) O custo de algo é o que se deixa de ganhar ao obtê-lo, ou seja, seu custo de
oportunidade;
3) As pessoas razoáveis pensam na margem;
4) As pessoas reagem a incentivos;
5) Os mercados são bons para a economia;
6) O comércio é bom para todos, pois permite maior especialização e variedade;
7) Os governos podem melhorar os mercados;
8) O padrão de vida de um povo é determinado pela sua produtividade;
9) Os preços sobem com a emissão de moeda;
10) Há um tradeoff de curto prazo entre desemprego e inflação.

2. PENSANDO COMO UM ECONOMISTA

O pensamento econômico se desenvolve através de modelos, que se baseiam em


hipóteses que simplificam a realidade. Utilizam-se os economistas do método científico,
partindo da teoria para a observação, então para a coleta de dados e por último para a
confirmação ou refutação da teoria. Por serem difíceis os experimentos controlados
valem-se da história para fazer a observação experimental.
As análises econômicas podem ser declarações positivas, que explica, determina
como é ou declarações normativas, que sugerem, prescrevem, diz como deveria ser. É
normalmente quando possuem divergências dessas duas categorias que os economistas
discordam e é principalmente das declarações normativas que a economia se ocupa.
Dentro dos modelos econômicos comuns temos a Fronteira de Possibilidade de
Produção e o Diagrama do Fluxo Circular, que descreve como o dinheiro circula entre os
mercados de bens e serviços e as famílias e como estes interagem uns com os outros.

GRÁFICOS

Os gráficos descrevem como as variáveis se relacionam no mundo real. Pode


tratar da relação de causa e efeito, podendo aparecer dois problemas: a variável omitida e
a causalidade reversa.

3. GANHOS COMERCIAIS E INTERDEPENDÊNCIA

O princípio dos ganhos do comércio diz que cada bem deve ser produzido por
quem tem o menor custo de oportunidade para produzi-lo. Assim, ambos terão uma maior
variedade no consumo e melhor especialização na produção dos bens. Esse custo de
oportunidade é sustentado pela teoria das VANTAGENS COMPARATIVAS de David
Ricardo, que diz que os custos de oportunidade devem ser comparados para que
determinemos quem deverá produzir qual bem.
O outro lado da teoria das Vantagens Comparativas é a de Vantagens absolutas,
que compara as produtividades dos produtores. Um produtor pode ter vantagens absolutas
na produção de todos os bens, mas nunca terá vantagens comparativas na produção de
todos eles. Assim, quando os produtores se concentram na produção dos bens no qual tem
maior vantagem comparativa podem usufruir de maior consumo através da troca, além de
maior diversidade.

4. OFERTA E DEMANDA

A lei da oferta e da demanda diz que o preço de qualquer bem ou serviço ajusta-se
para trazer a quantidade demandada desse bem ao equilíbrio. Para saber como a
economia será afetada por um acontecimento precisa-se pensar nos seus impactos sobre a
oferta e a demanda.
A quantidade ofertada de um bem é positivamente relacionada com o preço,
enquanto a quantidade demandada dele tem relação negativa com esse.
Pode-se deslocar a curva de oferta através de: 1) variação nos preços dos insumos
necessários para a produção do bem; 2) desenvolvimento da tecnologia; 3) expectativas
quanto ao aumento ou diminuição do consumo do bem em questão; 4) alteração no
número de vendedores.
Já a curva de demanda pode ser deslocada por: 1) flutuações na renda (deve-se
observar ainda se o bem é um bem normal ou inferior); 2) alterações nos preços dos bens
substitutos e complementares; 3) os gostos da população com relação ao produto; 4) as
expectativas quanto ao aumento da produção do bem; 5) alteração no número de
compradores.
Deve-se observar a distinção entre o deslocamento da curva e o deslocamento ao
longo dela. No primeiro caso, ela desloca-se quando altera-se uma variável externa, ou
seja, nem o preço nem a quantidade ofertada/demandada. Assim, está-se disposto a
consumir/produzir mais/menos do bem em questão por um preço dado. Já o
deslocamento ao longo da curva mostra uma alteração nas variáveis internas, ou seja,
preço ou quantidade ofertada/demandada.
O equilíbrio da oferta e da demanda é atingido quando a curva da oferta se cruza
com a curva da demanda, ou seja, a quantidade ofertada é igual à quantidade demandada.
Desse modo, o preço de ajusta de modo a igualá-los. Assim, a quantidade e o preço
tendem a se ajustarem no ponto de equilíbrio. Sendo o preço o mecanismo de
relacionamento dos recursos escassos, quando ele está acima do ponto de equilíbrio tem-
se uma quantidade ofertada maior do que a quantidade demandada, gerando um excesso
de oferta. Caso contrário, haverá um excesso de demanda.

5. ELASTICIDADE

A elasticidade é uma medida de resposta da quantidade ofertada ou demandada a


variações em seus determinantes, a saber, condições de mercado. Mede quanto a
quantidade ofertada ou demandada varia em função do preço.
Os fatores determinantes da elasticidade-preço da demanda são: 1)
disponibilidade de substitutos próximos; 2) se o bem é necessário ou supérfluo; 3) a
definição do mercado (quanto mais específico mais inelástico será) e 4) horizonte do
tempo (os bens tendem a ser mais elásticos no longo prazo). Portanto, os bens escassos
tem menos elasticidade preço e são mais difíceis de ofertar a curto prazo.
A elasticidade determina a disposição de sair ao mercado. A elasticidade da oferta
determina se os vendedores têm boas alternativas de produção do bem numa condição
desfavorável. A elasticidade da demanda diz se os compradores têm boas alternativas de
consumo na falta do bem em questão. Quanto à elasticidade o bem pode ser
perfeitamente elástico, elástico, unitário, inelástico ou perfeitamente inelástico.
Os outros tipos de elasticidade são: elasticidade-renda da demanda e a
elasticidade-preço cruzada da demanda, que verifica a variação percentual da quantidade
demandada de um bem 1 em função da variação do preço do bem 2.
A receita total tende a aumentar se aumentarmos o preço de um bem de demanda
inelástica, e a diminuir no caso de o bem ser elástico.

6. OFERTA, DEMANDA E POLÍTICAS DO GOVERNO.

O governo pode interferir no livre equilíbrio de oferta e demanda através de duas


políticas, a saber, imposto e controle de preços.
No caso do imposto, o ônus da incidência tributária recai mais fortemente sobre o
lado mais inelástico do mercado.
No caso do controle de preços, a instauração de um preço máximo gerará uma
escassez do produto, na qual se criaram alguns mecanismos para racionar a venda do
bem, que podem não ser benéficos para a sociedade, como filas e discriminação. No caso
de um preço mínimo, gerar-se-á uma excedente de produção ou de oferta, como é o caso
do salário mínimo. O seu maior impacto se dá sobre a classe trabalhadora que recebe o
salário mínimo, deixando vários deles sem trabalho e aumentando a força de trabalho
com o ingresso de jovens em idade escolar que abandonam a escola para entrar no
mercado de trabalho precocemente por causa dos incentivos que agora têm.

7. EFICIÊNCIA DOS MERCADOS

Tratamos aqui da economia do bem-estar, que analisa como a alocação de


recursos afeta o bem-estar econômico. Introduzem-se os conceitos de excedentes do
consumidor, do vendedor e total.
O excedente do consumidor é aquilo que o consumidor estaria disposto a pagar
menos o que ele efetivamente paga.
O excedente do vendedor é o preço pelo qual ele vendeu o produto menos o
menor preço ao qual ele estaria disposto a vender o produto.
O excedente total é a soma desses dois, ou seja, o valor para os compradores
menos o custo para os vendedores.
O excedente do consumidor aumentaria com um preço mais baixo enquanto o do
vendedor aumentaria com um preço mais alto.
Veremos a seguir duas aplicações desses conceitos.

8. TRIBUTAÇÃO

Vejamos como a introdução de um imposto altera a eficiência do mercado. Para


entendermos como os impostos afetam o bem-estar comparamos a redução de bem-estar
dos tomadores com os ganhos dos governos. O tributo apropria-se uma parte do
excedente total, mas que ainda vai figurar nele, pois está nas mãos do governo, e
transforma uma parte deste em um peso morto. Esse peso morto representa os negócios
que deixaram de ser feitos pela variação do preço, ou seja, é a perda de excedentes totais.
Assim, o imposto induz as pessoas a uma mudança de comportamento. Vemos ainda que
a elasticidade aumenta a magnitude do peso morto, pois ela reflete a dependência de um
dos lados do mercado ao bem. No final, vemos que os custos dos impostos são maiores
do que os ganhos do governo, graças ao peso morto.
Há um debate sobre como a tributação sobre o salário distorce os incentivos ao
trabalho. Os economistas discordam sobre a magnitude da elasticidade da oferta de
trabalho. Caso ela fosse razoavelmente elástica teríamos um grande peso morto, pois as
pessoas teriam alternativas, como por exemplo, uma fonte de renda extra, ingressar na
economia subterrânea, aposentar-se logo, ficar em casa etc.
A curva de Laffer, que representa a economia do lado da oferta, defende que
quanto mais elástico o mercado mais provável de um corte de impostos aumentar a
receita tributária. Ele defende que a receita tributária aumentará até uma determinada
carga tributária, mas que a partir desse ponto qualquer aumento na carga fará a receita
despencar devido ao peso morto crescente.

9. COMÉRCIO INTERNACIONAL

O comércio internacional introduz os conceitos de importação e exportação. O


que determina se um país será importador ou exportador de um produto será o seu preço
mundial, que se baseia na teoria das Vantagens Comparativas.
Vamos analisar o efeito da adesão ao comércio internacional por uma economia
nos excedentes do consumidor, do vendedor e total. Quando um país passa a ser
importador de um bem, o preço deste baixará para se igualar ao preço mundial, o que
deixará os consumidores em melhor condição com o aumento do seu excedente, e os
produtores terão o seu excedente reduzido. Já o excedente total se alargará com os ganhos
do comércio. Quando o mesmo país passa a ser exportador do bem aumenta-se o
excedente do produtor com o aumento do preço para se igualar ao preço mundial e
diminui o do consumidor, e o total também se alargará com os ganhos do comércio.
Portanto, vemos que com o comércio internacional surgem perdedores e vencedores, mas
a soma do lucro de uns ultrapassa o prejuízo obtido de outros. Aumenta-se a eficiência da
economia mas não necessariamente a sua equidade, já que os perdedores raramente são
compensados pelos seus prejuízos.
Pode-se argumentar contra e a favor da abertura ao comércio internacional. Os
argumentos são: 1) os trabalhadores locais perderão o emprego – esses deverão se
deslocar para os setores onde o país tem maiores vantagens comparativas; 2) segurança
nacional – ocorrem exageros na importância do setor para a segurança nacional de modo
a obter proteção; 3) proteção da indústria nascente – deve-se analisar se os benefícios
ultrapassam os custos de proteção; 4) competição desleal – os compradores ainda estão
ganhando com produtos melhores e mais baratos; 5) a proteção é um instrumento de
barganha para que o outro país baixe suas tarifas também – a ameaça pode não funcionar.
Vejamos como duas políticas semelhantes do governo alteram os excedentes na
economia, a saber, a introdução de uma tarifa de importação e o estabelecimento de
cotas de importação. O que essas duas políticas têm em comum é que ambas elevam o
preço interno do bem, reduzem o excedente do consumidor e aumentam o do produtor e
geram um peso morto.
Com a introdução de uma tarifa de importação os produtores internos ficam em
melhor condição (aumenta-se a quantidade ofertada interna e diminui-se a quantidade
demandada do exterior) e o governo obtém receita, porém gera um superprodução e um
subconsumo, ou seja, um peso morto.
As cotas de importação limitam a quantidade de um bem produzido no exterior e
vendido internamente. Elas causam um peso morto similar ao imposto, com os detentores
de licença e os produtores internos ganhando mais.

10. EXTERNALIDADES

As externalidades são os impactos no bem-estar de uma terceira pessoa. Elas


podem ser positivas ou negativas. As primeiras produzem uma quantidade menor do que
é socialmente desejado e o segundo tipo produz uma quantidade maior do que é
socialmente desejado.
Citamos como exemplos de externalidade positivas o transbordamento de
tecnologia (incentivada com a proteção das patentes), a pesquisa de novas tecnologias e a
restauração de imóveis antigos. Para incentivar essas externalidades positivas, deve-se
proceder ao subsídio no valor igual ao benefício social provocado por elas.
As externalidades negativas podem ser resolvidas de duas maneiras: com
soluções privadas ou com políticas públicas, de forma a fazer a empresa internalizar sua
externalidadade, ou seja, alterar seus incentivos de modo que ela leve em consideração
os efeitos que causam a terceiros.
Nas soluções privadas, o teorema de Coase afirma que se os agentes econômicos
puderem negociar sem custo a alocação de recursos eles poderão resolver sozinhos os
problemas das externalidades. O direito determinará apenas que deverá pagar no final das
contas. Essa teoria se aplica quando as partes não têm dificuldade em chegar a um
acordo, mas poderia não funcionar quando houver algum problema de coordenação,
como quando o número de partes envolvidas é grande ou quando as partes relutam em
chegar a um acordo para forçar a outra parte a ceder condições menos favoráveis a ela
quando ela estiver com a lei contra ela.
Nas soluções alcançadas por políticas públicas, temos duas.
As políticas de comando e controle, que estabelecem um nível máximo ou
regras de emissão da externalidade (por exemplo, nível máximo de emissão de fumaça de
uma fábrica). Essas contudo não incentivam a fábrica a reduzir a emissão abaixo do
limite, além de não garantir redução uniforme de empresas de naturezas diferentes.
As outras políticas são as de mercado. Uma delas é a introdução do imposto de
Pigou. Ele é melhor para o meio ambiente, pois gera um incentivo para descobrir
tecnologias que reduzem a poluição, sendo um tributo por quantidade de poluição
emitida. Assim, o imposto determinará a quantidade demandada por poluição. A outra é a
introdução de licenças negociáveis para poluição. Ela é melhor do que o imposto
quando não se conhece a demanda por poluição, de modo que a quantidade de poluição
será fixada pela quantidade de licenças oferecidas, sendo a oferta de licenças
perfeitamente inelástica. Assim, a quantidade ofertada de poluição determinará o preço
das licenças. Surge assim um mercado de licenças, que poderão ser alocadas entre as
empresas que poluem menos e as que poluem mais, de modo a controlar o nível ótimo de
emissão de poluição desejado.

11. BENS PÚBLICOS E RECURSOS COMUNS

Para entendermos o conceito dos diferentes tipos de bens cabe desenvolver aqui as
propriedades de exclusão, segundo a qual uma pessoa pode ser excluída de usar um
bem, e a de rivalidade, segundo a qual a pessoa ao usar o bem impede que outras
usufruam dele.
Os bens podem ser divididos em quatro tipos: bens privados (excludentes e
rivais), recursos comuns (não-excludentes e não-rivais), monopólios naturais
(excludentes e não-rivais) e bens públicos (não-excludentes e rivais), que quando alguém
usa causa uma externalidade negativa, cujas quantidades a serem produzidas devem ser
determinadas pelo governo, já que o mercado privado se mostra incapaz de ofertá-los
pelo fato de os bens não serem excludentes e assim evita o problema dos caronas.
Alguns bens públicos são a pesquisa de base, que gera conhecimentos gerais, que
são disseminados e aproveitados por toda a sociedade e específicos, que são protegidos
pelas patentes, tornando-se gerais depois de sua expiração. A defesa nacional é também
um bem público, em como a luta contra a pobreza, já que todos querem viver num país
sem miséria.
Quando a ausência de propriedade causa uma falha de mercado o governo pode
resolver o problema através da emissão de licenças, da regulamentação da atividade ou
do fornecimento dela. O mercado falha na alocação de recursos porque o direito da
propriedade não está bem estabelecido, e cabe ao governo regular essa alocação. Para
resolver se deve fornecer um serviço público, o governo deve fazer uma análise de custo-
benefício, sendo suas análises apenas aproximações, não observando nenhum sinal de
preço.

12. SISTEMA TRIBUTÁRIO

O sistema tributário é dividido em categorias Federal e Estadual. As receitas do


Governo Federal são obtidas pelo imposto de renda e pelo imposto para a seguridade
social e pelas excise taxes como as pagas pela gasolina, bebidas e cigarros. Suas despesas
são com saúde, auxílio a renda das famílias mais pobres, defesa nacional, seguridade
social. A receita obtida com os impostos Estaduais são através dos impostos sobre
vendas, um parte do imposto de renda, sobre a propriedade e de fundos do governo
Federal. Suas despesas são com estradas, com educação e com o bem-estar público.
Para que se obtenha eficiência econômica com a aplicação de impostos, deve-se
minimizar o peso morto causado por eles e os encargos administrativos. Todo imposto
causa um ônus, seja um peso morto, sejam as lacunas legais de que as empresas tentam se
aproveitar para evitar pagar os impostos, o que implica na contratação de contadores. A
esse processo chama-se fuga legal de impostos. Esse ônus poderia ser minimizado com a
simplificação do sistema tributário. Contudo, isso encontra forte oposição por parte de
lobistas.
Devido ao peso morto causado pelo imposto, há um debate sobre se seria mais
eficiente taxar o consumo ao invés da renda. Essa corrente baseia-se no argumento de que
o imposto sobre a renda encoraja as pessoas a trabalhar menos, daí vindo o peso morto, e
desencoraja a poupança, pois esta é taxada duas vezes, enquanto um imposto sobre o
consumo a encorajaria.
Sobre a tributação da renda temos a alíquota média, que mede o esforço total do
contribuinte, ou seja, o resultado percentual da razão entre a contribuição total e a renda.
Analisa-se a alíquota marginal, que é o imposto adicional sobre uma unidade de renda
adicional, quando se deseja verificar o peso morto da renda, na medida em que a alíquota
marginal desencoraja o trabalho, para vermos como o sistema tributário distorce os
incentivos. Haveria a possibilidade ainda de uma tributação por montante único, que teria
um ônus administrativo mínimo, não geraria peso morto, não distorceria os incentivos
porque sua alíquota marginal seria zero. Este modelo, porém, ilustra o tradeoff entre a
eficiência e a equidade tributária, pesando mais sobre aqueles que têm menos condições
de arcar com o montante único. As pessoas discordam sobre a política tributária porque
atribuem importância diferente a esses dois objetivos: eficiência e equidade.
A equidade tributária reflete como o ônus tributário deve ser distribuído.
Pelo Princípio dos Benefícios, as pessoas devem pagar com base nos benefícios
que recebem do governo, vendo os bens públicos como se fossem bens privados. Assim,
os ricos devem pagar mais do que os pobres pois desfrutam melhor da infra-estrutura da
cidade como a proteção contra incêndios, a proteção policial, das rodovias, do
combustível, da energia etc.
Mas de acordo com o princípio da Capacidade de Pagamento todos devem
fazer o mesmo sacrifício para sustentar os gastos de governo. Isso nos leva a dois
conceitos, a saber, o de Equidade Vertical, ou seja, que precisa-se levar em conta o que
a pessoa paga e o que ela recebe e que quem tem maior capacidade de pagar paga mais,
podendo o imposto ser regressivo, proporcional ou progressivo, e o de Equidade
Horizontal, que determina que os que tem rendas semelhantes pagam igual.

13. CUSTOS DE PRODUÇÃO

Os custos de uma empresa podem ser explícitos ou implícitos. Os implícitos


refletem os custos de oportunidade. O lucro da empresa pode ser classificado como
econômico, que leva em conta tantos os custos explícitos quanto os implícitos, e como
contábil, que apenas considera os custos explícitos.
A Função de Produção é a relação entre a quantidade de insumo para produzir
um bem e a quantidade produzida. Percebemos que há um produto marginal decrescente
na medida em que a quantidade produzida aumenta em uma proporção menor do que a do
aumento da quantidade do insumo, quando feito. Produto Marginal é o aumento da
quantidade da produzida a partir do aumento de uma unidade do insumo.
A Curva de Custo Total é a relação entre a quantidade produzida e o custo total.
A inclinação da curva tende a aumentar por causa do produto marginal decrescente. Aqui
Custo Marginal é o aumento do custo total a partir do aumento da produção de uma
unidade adicional do bem. Este é crescente, na medida em que a cada unidade a mais
produzida chega-se mais próximo de esgotar a capacidade produtiva da empresa.
Já o Custo Total Médio tende a diminuir com o aumento de produção até atingir
seu ponto mínimo, que é aquele que minimiza o custo médio, chamado de Escala
Eficiente, e a partir do ponto em que o Custo Total Médio é igual ao Custo Marginal, o
primeiro tenderá a aumentar, já que o custo que tem para produzir a próxima unidade do
bem é maior do que aquele que teve para produzir o último, e essa diferença de valor terá
que ser redistribuída por todos os que já foram produzidos. A Curva de Custo Total
Médio tem o formato em “U”. Portanto, para maximizar os lucros, a empresa escolherá o
nível de produção em que sua Curva de Custo Total Médio será igual à Curva de Custo
Marginal.
No longo prazo as empresas têm uma flexibilidade maior, já que podem ampliar
sua linha de produção para acomodar a demanda por ela. Assim, o formato da Curva de
Custo Total Médio de longo prazo traz informações valiosas sobre a tecnologia de
produção da empresa. Assim, ela pode ter deseconomias de escala, retornos constantes
de escala ou economias de escala. Isso determina se seu Custo Total Médio decrescerá
ou não com o aumento de produção.

MERCADOS
De acordo com a natureza do mercado em que estão inseridas, as empresas
deparam-se com decisões políticas diferentes, mais adequadas a sua atuação naquela
categoria de mercado. Como vimos anteriormente, há duas categorias de mercado, os de
concorrência perfeita ou imperfeita. O primeiro tipo é dos mercados competitivos. O
segundo se refere aos oligopólios, monopólios e competição monopolística.

14. EMPRESAS EM MERCADOS COMPETITIVOS

São características do mercado competitivo: o grande número de compradores e


vendedores, que não tem podem individualmente sobre a formação de preços, atuando
como tomadores de preço; a livre entrada e saída de empresas no mercado; os bens
vendidos são os mesmos.
Cabe esclarecermos alguns pontos sobre a receita obtida pela empresa. Como a
empresa atua no mercado como tomadora de preços, o seu preço deverá ser igual ao
preço exercido no mercado. Assim, o preço do seu produto é igual à Receita Média, que
por sua vez é igual à Receita Marginal. Esta última tende a ser constante pois não se
altera com a venda adicional de uma unidade do produto. Para maximizar o lucro, a
empresa deve igualar o seu Custo Marginal à sua Receita Marginal (preço). Desse modo,
enquanto a Receita Marginal for maior do que o Custo Marginal de produção de um bem
adicional a empresa deve aumentar a produção para maximizar o lucro. Portanto,
podemos ver a Curva de Custo Marginal de uma empresa como sua Curva de Oferta.
Com base nessas análises, a empresa se depara com duas situações em que seria
forçada a suspender suas atividades: uma no curto prazo e outra no longo prazo,
significando a sua saída do mercado.
Uma empresa decide suspender suas atividades no curto prazo e parar sua
produção quando o preço do produto está abaixo dos seus custos variáveis. Os custos
fixos nesse caso não são levados em consideração por consistirem em custos
irrecuperáveis. Desse modo, a curva de oferta de uma empresa no curto prazo é igual à
parte de sua Curva de Custo Marginal acima da Curva de Custo Variável Médio.
No longo prazo, uma empresa decide retirar-se do mercado se o preço do produto
for menor do que seu Custo Total Médio. Assim, a curva de oferta será a parte da Curva
de Custo Marginal acima da Curva de Custo Total Médio.
Toda empresa tende a ter no longo prazo um lucro econômico igual a zero. Para
entender o fato consideremos duas situações. Na primeira, as empresas do mercado estão
operando com lucro econômico maior que zero. Desse modo, o mercado será atrativo à
entrada de novas empresas e no longo prazo esse maior número de empresas reduzirá os
preços e os lucros de todos os vendedores a zero. No caso de empresas operando com
lucro econômico menor do que zero, algumas delas serão forçadas a sair do mercado,
aumentando os preços e os lucros das que permaneceram. Portanto, em qualquer dos
casos, as empresas são forçadas a igualar o preço ao Custo Total Médio para evitar a
entrada ou saída de empresas no mercado.
Os deslocamentos da demanda no curto prazo provocarão o aumento ou
diminuição do lucro das empresas atuantes, já que o mercado no curto prazo tem um
número fixo de empresas. No longo prazo irá atrair ou quebrar empresas, fazendo o lucro
subir ou aumentar, situação essa que será levada ao equilíbrio pela entrada ou saída de
novas empresas no mercado.

15. MONOPÓLIO

Os monopólios surgem de três formas:.


A primeira é quando há recursos monopolísticos. Assim, quando apenas uma
empresa tem um recurso-chave exclusivo ou quando ela tem um direito exclusivo de
propriedade ou quando os custos de produção tornam um único produtor mais eficiente
que muitos, o que consiste em uma barreira de entrada para os outros.
A segunda são os monopólios criados pelo governo, como os direitos autorais, a
lei das patentes ou por política quando é de interesse público. Os benefícios são o
incentivo à atividade criadora e os seus custos são evidentemente os preços
monopolísticos.
A terceira são os monopólios naturais, caracterizados quando o custo total diminui
sempre com o aumento de uma unidade produzida. Temos ai um custo marginal
desprezível, havendo economias de escala para toda a faixa de produção. Além disso, não
é interessante ter no mercado mais de uma empresa porque não seria lucrativo para
nenhuma das duas empresas dividi-lo. É o caso da distribuição de água, em que o custo
médio é menor se apenas uma empresa fornecer o mercado. Contudo, com o crescimento
da demanda de mercado ele pode transformar-se em um mercado competitivo.
Quanto aos lucros os monopólios são caracterizados por uma receita marginal
decrescente e inferior ao preço atual, pois a empresa nesse mercado se depara com uma
curva de demanda que é igual à demanda de mercado. Portanto, os monopólios não têm
curva de oferta, e para maximizar os lucros escolhem a quantidade ofertada em que a
Receita Marginal é igual ao Custo Marginal, como nos mercados competitivos, com o
preço, porém, determinado pela Curva da Demanda. Portanto, a empresa deve aumentar a
produção se a Receita Marginal for maior do que o Custo Marginal.
As políticas públicas ainda podem melhorar os resultados nos mercados
monopolíticos. Quatro são as formas de interferência: 1) Leis antitruste, que impedem
fusões e desmembra empresas, cujo principal problema é impedir as sinergias (no
entanto, deve-se analisar o custo social dos monopólios com os benefícios das sinergias);
2) Regulamentação dos preços, que é comum nos monopólios naturais, cujo maior
problema é a falta de incentivos à redução de custos; 3) nacionalizando a empresa,
solução esta preterida pelos economistas pela propriedade privada dados os incentivos de
minimizar os custos nesta; 4) não fazer nada. Como foi dito por George Stigler “a falha
política é maior que o grau de falha de mercado”.
Os monopólios trazem à sociedade um custo ao seu bem-estar. O primeiro é um
peso morto, causado pelo markup entre a Receita Marginal e o preço. No entanto, o
lucro monopolista não afeta o excedente de mercado total, o seu problema é que ele
vende uma quantidade inferior ao nível que maximiza o excedente total, produzindo uma
quantidade menor que a socialmente eficiente.
Há uma estratégia de maximização dos lucros monopolistas que se chama
discriminação de preços. Ela fomenta uma separação dos compradores pela sua
disposição a pagar. A discriminação de preços aumenta o bem-estar econômico, pois
elimina o peso morto e gera um maior excedente do produtor. Alguns exemplos são os
ingressos de cinema mais baratos para crianças, os livros em capa dura e em brochuras,
cupons de desconto, diferença de preços nas passagens aéreas.

16. OLIGOPÓLIO

Os oligopólios são caracterizados pelo pequeno número de vendedores no


mercado, sendo estes interdependentes, pois as ações de qualquer vendedor tem um
grande impacto sobre o lucro de todos os outros. Vemos que os vendedores desse
mercado se beneficiam com a cooperação, e agem como se fossem monopolistas, porém
os incentivos à ação de maximizar os lucros impedem que atinjam os resultados do
monopólio. Desse modo, há sempre tensões entre a cooperação e o interesse próprio.
Podemos ainda tirar algumas conclusões sobre o tamanho dos oligopólios. Na
medida em que aumenta o número de vendedores fica mais difícil chegarem a um acordo
quanto ao preço ofertado.
Por exemplo, quando um vendedor se depara com a decisão de vender mais ele
enfrenta o efeito preço e o efeito quantidade. De acordo com o efeito preço, o vendedor
se preocupa com os lucros na medida em que agora com o aumento da quantidade
ofertada o preço tende a cair derrubando seus lucros juntamente. Ou seja, preocupa-se
com o impacto da sua escolha de preços na sua renda. Com o efeito quantidade ele leva
em conta que o preço é maior do que o seu custo marginal, e conclui que é vantajoso
aumentar a quantidade que oferta. Com o aumento na quantidade de vendedores do
oligopólio o efeito preço diminui na medida em que o vendedor se preocupa menos com
o impacto do preço que ele coloca no mercado, tornando o mercado mais parecido com
o das empresas competitivas, e se deparando portanto com decisões similares quando ao
aumento de produção – o fará enquanto o preço for maior do que o Custo Marginal.
É comum no mercado oligopolítico a formação de conluios (acordo entre
empresas) e cartéis (grupos de empresas que devem concordar sobre o nível de produção
e quantidade produzida para cada membro). Um exemplo é a OPEP. O equilíbrio de
mercado é atingido na medida em que cada oligopolista sente-se tentado a aumentar
a sua produção e capturar mais mercado, com isso o total aumenta e o preço cai.
Assim, eles terminam produzindo uma quantidade total maior do que a monopolista e
tendo lucros menores. No entanto, eles não deixam o preço cair até o custo marginal.
Por fim, cada vendedor escolhe para si a melhor estratégia dadas as estratégias
escolhidas pelos outros. Isso implica que aumentar a própria oferta acima disto
reduziria seu lucro. Quando todos os vendedores se comportam dessa maneira atingimos
o chamado Equilíbrio de Nash.
A Teoria dos Jogos trata dos problemas que as pessoas enfrentam quando a
cooperação é desejada mas difícil. Estuda como as pessoas se comportam em situações
estratégicas quando se leva em consideração como as pessoas reagiriam a ela, provando
que a cooperação é irracional do ponto de vista individual. O Dilema dos Prisioneiros
exemplifica um caso em que ao perseguirem interesses próprios ambos chegaram a um
resultado pior para ambos. Cada “prisioneiro” no caso tende a escolher sua estratégia
dominante, que é a melhor jogada que ele teria independente das escolhidas pelos outros
jogadores. Exemplos disso são a publicidade, o usufruto dos recursos comuns e a corrida
armamentista.
A política pública trata dos oligopólios através das Leis Antitruste para induzir
os oligopolistas a competir e não a cooperar, tentando conter uma série de práticas de
mercado. A primeira é a fixação do preço de revenda. A princípio pode parecer que
impede a concorrência entre varejistas, mas defende-se dizendo que se quer evitar o
problema dos caronas e assim fomentar um comércio justo. A segunda é a determinação
de preços predatório, que é um corte de preços para acabar com a concorrência, mas
que pode ser combatido se a outra empresa reduzir a oferta. A terceira são as vendas
casadas, que parece querer estender o poder de mercado de uma empresa a um outro
produto, mas que é defendida como uma forma de discriminação de preços.

17. COMPETIÇÃO MONOPOLÍSTICA

As empresas no mercado de competição monopolística são marcadas um uma


série de características. Esse mercado é composto por várias empresas que vendem
produtos similares, mas não iguais. Portanto, os vendedores têm alguma liberdade de
escolha de preço, já que cada produto é único. O preço tende a ser portanto muito maior
do que o custo marginal de produção. Há também a livre entrada e saída de empresas
nesse tipo de mercado.
As empresas neste tipo de mercado oferecem produtos diferenciados e se
assemelha ao monopólio na definição do preço. Há ainda dois elementos que marcam
esse tipo de concorrência: a capacidade ociosa de produção, visto que eles poderiam
aumentar a quantidade produzida e reduzir o Custo Total Médio e que o excedente total
não é maximizado; e um markup entre o preço e o Custo Marginal que corresponde ao
estímulo de vender mais, além de gerar um peso morto.
Quanto ao bem estar social, o excedente total não é maximizado, pois pode haver
entrada insuficiente ou excessiva de empresa no mercado. Esse mercado produz
externalidades negativas e positivas. São o roubo de negócios e a variedade de produtos.
Esses não existiriam sob a competição perfeita.
A publicidade é um fator-chave na competição monopolística. Ela torna os
mercados menos competidores e curvas de demandas menos elásticas. Podemos ver a
publicidade como um sinal de qualidade, sendo o conteúdo do anúncio irrelevante.
Concluímos que quem investe caro em propaganda é porque tem um bom produto. A
propaganda sinaliza assim a qualidade do produto através da disposição para gastar altas
quantias em dinheiro com ela.
Outro elemento que surge são as marcas. Elas dão incentivo a manter a qualidade,
dão a segurança ao comprador de adquirir um produto de alta qualidade, mas por outro
lado podem fazer o comprador ver diferenças onde elas não existem, tornando a curva de
demanda menos elásticas.
Aqueles que criticam a publicidade pregam que ela manipula as preferências,
criando um desejo através de mensagens subliminares que não falam da qualidade ou do
preço do produto, dificultando a competição. Tenta convencer que os produtos são mais
diferentes do que realmente são, permitindo um markup maior sobre o Custo Marginal.
Os que a defendem alegam que ela permite maior entrada de empresas e reduz o
poder de mercado, fazendo com que os clientes aproveitem melhor as diferenças de
preços, fornecendo-lhes informações valiosas sobre o produto de cada empresa. Assim,
torna mais fácil encontrar empresas que vendem mais barato e aumentam a
competitividade.

18. FATORES DE PRODUÇÃO

Os fatores de produção são os insumos necessários à produção de um bem. Os


principais são a terra, o capital e o trabalho. Capital é o estoque de equipamentos e
estrutura para produzir os bens. A produtividade de cada um desses fatores depende da
quantidade disponível dos outros.
A demanda por mão-de-obra depende da demanda de outro bem, portanto ela é
uma demanda derivada. As empresas decidem quantos empregados vão contratar
baseadas no Produto Marginal do Trabalho, que é o aumento da quantidade produzida
com a introdução de um trabalhador a mais. O Valor do Produto Marginal do
Trabalho equivale à produtividade da empresa, e é igual ao preço vezes o Produto
Marginal do Trabalho. Assim, a empresa contratará até que o Valor do Produto Marginal
seja igual ao Salário pago. O Valor do Produto Marginal do Trabalho é a curva da
demanda das empresas por trabalho, que tende a ser decrescente por causa do Produto
Marginal decrescente. A oferta de mão-de-obra será o salário de mercado, que é
perfeitamente elástico. Portanto, a quantidade que maximiza o lucro é aquela em que o
salário de mercado (curva da oferta de trabalho) e a curva de Valor do Produto Marginal
do Trabalho curva da demanda por trabalho se cruzam.
Os deslocamentos da curva de demanda por mão de obra podem ser
provocados por mudanças tecnológicas, pelo preço do produto ou pela oferta de
outros fatores. Nos três casos se pode aumentar ou reduzir o Produto Marginal do
Trabalho e conseqüentemente deslocar a demanda por trabalho, por ser ela
derivada das outras.
Já a oferta de mão de obra reflete o tradeoff entre trabalho e lazer. Ela
normalmente tem inclinação perfeitamente elástica, mas também pode se inclinar para
trás graças ao efeito riqueza: “já que estou ganhando mais pode trabalhar menos”. Pode
haver deslocamentos dela por mudança nas preferências ou nos costumes (mulheres que
entram no mercado de trabalho, adolescentes), pela imigração ou por mudanças das
oportunidades alternativas.
Para obtermos o equilíbrio, o salário se ajusta para equilibrar a oferta e a demanda
por trabalho. Qualquer evento que altere a oferta ou a demanda por mão-de-obra deve
alterar o salário de equilíbrio e o Valor do Produto Marginal do Trabalho no mesmo
montante, pois eles dever ser iguais. Portanto, deslocamentos das oferta e demanda de
mão-de-obra fazem com que haja alterações no salário.
Podemos observar também um monopsônio, que é um mercado com apenas um
comprador, que reduz o preço que paga diminuindo o lucro dos que ofertam. É o caso de
um mercado com apenas uma empresa que pode dar empregos.

19. GANHOS E DISCRIMINAÇÃO

Os determinantes do salário de equilíbrio são o capital humano, os diferenciais


compensatórios e o talento, esforço e a sorte. O capital humano é a acumulação de
investimento nas pessoas através de educação e treinamento com o objetivo de aumentar
a produtividade do empregado. De acordo com o nível de instrução passa a ser também
um diferencial compensatório. Este reflete as diferenças de trabalho que surgem para
compensar características não monetárias de diferentes empregos.
Percebemos uma atual tendência ao valor crescente da qualificação graças ao
comércio internacional e às mudanças tecnológicas, aumentando a demanda por mão-de-
obra qualificada.
Os salários podem ficar acima do equilíbrio por três fatores: a atuação dos
sindicatos, pela legislação do salário mínimo ou por salários de eficiência. Assim,
esses fatores aumentam a oferta de mão-de-obra.
O nível de qualificação profissional opera como um sinal de talento, da mesma
forma que a propaganda atua como um sinal de qualidade do produto. Assim, o diploma
sinaliza o maior talento já que uma pessoa talentosa tem mais chances de ter um diploma.
Analisemos agora a economia da discriminação. Vemos que é a observação de
variações salariais entre grupos amplos não prova discriminação, pois as pessoas podem
ter os salários alterados por causa de diferenciais compensatórios, de diferenças entre o
capital humano, da diferença da qualidade e da quantidade de instrução ou de experiência
no trabalho. Parte pode ser atribuída à discriminação mas não há consenso. Assim, a
doença se mostra política enquanto os sintomas são econômicos. A beleza pode ser
também um tipo de discriminação, mas é vista também como um talento, e pode ser uma
medida indireta de outros tipos de talento.
Por que um superastro ganha tanto mais do que o melhor carpinteiro do mundo, já
que todos os clientes do mercado querem desfrutar do bem ofertado pelo melhor? Porque
o bem produzido conta com uma tecnologia que possibilita ao melhor ator ofertar a todos
os clientes a baixo custo, enquanto o melhor carpinteiro só pode oferecer o seu serviço a
um numero limitado de clientes.

20. POBREZA

A pobreza reflete o tradeoff entre eficiência e equidade econômica. Ela é uma


forma de mensuração de desigualdade numa sociedade. Vemos que atualmente ela
cresceu devido ao comércio internacional que gerou um aumento de demanda por mão-
de-obra qualificada. Vimos também com o movimento feminista, que teve maior impacto
sobre as famílias de alta renda, implicou em um enriquecimento das famílias mais ricas.
Os dados sobre a distribuição e linha de pobreza são insuficientes, pois o que
interessa é o padrão de vida e não a renda.
As principais medidas de pobreza são a taxa de pobreza e a linha de pobreza, que
é estabelecida como uma renda abaixo do custo de uma dieta adequada vezes três. Os
problemas na mensuração da pobreza são: 1) o ciclo de vida da pessoa, que faz com que
haja uma desigualdade na distribuição anual mas não no padrão de vida, já que existe um
padrão regular de variação de renda durante a vida. 2) mobilidade econômica, precisa-se
distinguir os grupos que ficam pobres temporariamente e os que permanecem pobres. 3) a
renda transitória versus a permanente, visto que é a última que mede a capacidade de
comprar bens e serviços. Uma outra inexatidão é que as transferências em gêneros que
as famílias recebem do governo não são computadas nos dados de pobreza.
A Filosofia Política ocupou-se do estudo da pobreza. Houve três escolas de
pensamento principais.
O Utilitarismo de Jeremy Bentham e John Stuart Mill, que prega que devemos
maximizar a utilidade total de todos na sociedade. Para isso, devemos atingir uma
distribuição de renda mais igualitária, equilibrando a maior igualdade com as perdas das
distorções de incentivos. O conceito de utilidade é uma medida de felicidade. Eles
afirmam que há uma utilidade marginal decrescente. Segundo eles não se pode criar uma
sociedade totalmente igualitária.
O liberalismo foi defendido por John Rawls que defendeu a adoção de uma
perspectiva social a partir de uma posição original, como observadores imparciais sob o
véu da ignorância. Assim, cada um sem saber em que posição social estaria seria levado
a maximizar a utilidade mínima quando se tenta aumentar o bem-estar das pessoas em
pior situação, graças ao medo de ficar na base, esse é o critério maximin. Assim, o
liberalismo funciona como uma apólice de seguros, e requer maior distribuição do que o
Utilitarismo. Para isso, as instituições devem ser justas.
A escola do Libertarismo prega que o governo deve punir os crimes mas não
redistribuir as rendas. Foi defendido por Robert Nozick. Ele afirma que são os indivíduos
que ganham a renda e não a sociedade. Esta deve portanto fazer valer os direitos
individuais para que todos usem o talento com as mesmas oportunidades. Portanto, a
igualdade de oportunidades, para Nozick, é mais importante do que a renda.
Para reduzir os efeitos da pobreza o governo aplica diversas políticas de redução
da pobreza, como por exemplo o salário mínimo, a transferência em gêneros, o imposto
de renda negativo (que por sua vez subsidia os indolentes), as políticas de bem-estar (que
podem incentivar as pessoas a serem mais necessitadas), os programas anti-pobreza e
incentivos ao trabalho, e os programas baseados no lugar (incentivam a manutenção dos
pobres no gueto e é melhor para os proprietários de imóveis). Com esses programas
contra a pobreza, algumas famílias pobres ficariam em piores condições se ganhassem
mais, já que à medida em que a renda aumenta eles passam a não ter direito aos
programas. Com todos os programas em conjunto, as alíquotas marginais são altas, até
100 por cento do valor recebido ou mais, o que contribui para a instauração de uma
cultura de pobreza, em que as pessoas não têm incentivos de deixarem de ser pobres.

21. TEORIA DA ESCOLHA DO CONSUMIDOR

Ela estuda como os consumidores que se deparam com tradeoffs tomam decisões
e como respondem a mudanças em seu ambiente. Para isso, vale-se de duas ferramentas.
A Curva de Restrição Orçamentária e a Curva de Indiferença do Consumidor.
A Curva de Restrição Orçamentária é o limite de combinações de consumo de
dois bens que o consumidor pode ter. A inclinação da curva determinará o preço relativo
dos bens.
A Curva de Indiferença do Consumidor mostra que combinações de consumo
dão o mesmo nível de satisfação ao consumidor. Para tal, há uma Taxa Marginal de
Substituição, que é taxa à qual o consumidor está disposto a trocar um bem pelo outro,
que varia por toda a curva, dependendo da quantidade de cada bem que ele já está
consumindo. É regida por quatro princípios: 1) As curvas mais elevadas são preferíveis.
2) Elas se inclinam para baixo. 3) As curvas de indiferença não se cruzam. 4) São
convexas ao eixo principal, pois reflete a Taxa Marginal de Substituição, já que o
consumidor tem uma maior disposição para abrir mão de um bem que ele já tem em
grande quantidade. Quando temos um produto que é facilmente substituível pelo outro as
curvas são menos convexas. Observe-se as diferenças entre as curvas dos bens substitutos
perfeitos e complementares perfeitos.
Chega-se a otimização quando a Taxa Marginal de Substituição é igual ao preço
relativo, que é a taxa à qual o mercado está disposto a trocar um bem por outro, enquanto
a Taxa Marginal de Substituição é a taxa à qual o consumidor está disposto a trocar. A
inclinação da Curva de Indiferença é a Taxa Marginal de Substituição enquanto a
inclinação da Curva de Restrição Orçamentária é o preço relativo dos bens. No ponto
ótimo, a inclinação da Curva de Indiferença é igual à inclinação da Restrição
Orçamentária.
Quando ocorrem variações de renda ou no preço dos bens, ocorrem mudanças e o
ponto ótimo se move. Com um aumento de renda, ocorre um deslocamento paralelo da
Curva de Restrição Orçamentária, deslocando o ponto ótimo para o novo ótimo.
Com variações no preço de um bem, a restrição orçamentária se inclina para fora,
refletindo como muda o consumo em dependência das preferências do consumidor. Uma
mudança no preço de um dos bens tem dois efeitos sobre o consumidor: o efeito renda e o
efeito substituição.
De acordo com o efeito renda, o consumidor por observar uma diminuição do
preço relativo de um dos bens, se acha mais rico e passa a consumir mais dos dois bens,
deslocando sua curva de indiferença para um nível mais elevado.
O outro efeito que sofre, o efeito substituição, é a variação do consumo que
resulta de estar em um ponto de uma curva da indiferença com uma taxa de substituição
marginal diferente. Ele leva em conta que um bem está relativamente mais caro do que o
outro e passa a consumir mais do outro, que agora ficou relativamente mais barato.
A mudança de consumo se dá em duas etapas. 1) o seu consumo se desloca ao
longo da Curva de Indiferença de forma a consumir mais do bem mais barato (esse ponto
fica fora da sua Restrição Orçamentária anterior), refletindo o novo preço relativo do bem
com a inclinação da Curva de Restrição Orçamentária. É o efeito substituição. 2) A Curva
de Restrição Orçamentária se desloca para fora por causa do efeito renda. É o efeito
renda.
Uma aplicação que podemos fazer é na análise da relação entre o salário e a
quantidade de trabalho ofertado. Um aumento no salário pode inclinar a curva de oferta
de trabalho para cima ou para baixo. Quando o trabalhador recebe um aumento de salário,
por se achar mais rico, ele passa a trabalhar menos. Esse é o efeito renda. Da mesma
forma, o efeito substituição faz com que ele trabalhe mais, porque agora é mais caro para
ele trocar o trabalho pelo lazer. Outra aplicação é com a taxa de juros. A uma taxa de
juros alta o consumidor pode ser estimulado a poupar mais por causa do efeito
substituição. Por outro lado, pode gastar mais por causa do efeito renda.

22. FRONTEIRAS DA MICROECONOMIA

A Economia Política aplica as ferramentas da economia para compreender o


funcionamento do governo. Apresentaremos alguns teoremas que tratam do assunto.
O primeiro é o Teorema do Eleitor Mediano. Ele determina que em um sistema
político com dois partidos parecidos, eles tendem a se aproximar do eleitor mediano. Em
todos os caso, o eleitor mediado tem mais da metade dos votos. Temos assim um
resultado preferido médio e um resultado modal, que é o preferido pelo maior número.
A Teoria da Impossibilidade de Arrow diz que nenhum sistema satisfaz todas
as condições desejadas, que são: 1) unanimidade; 2) transitividade; 3) ausência de
ditadores e 4) independência de alternativas irrelevantes. Ele exemplifica com o caso da
Contagem de Borda, em que se atribui um peso a cada opção.
O Paradoxo de Condorcet diz que a ordem em que são votadas as coisas pode
alterar os resultados. Assim, o voto da maioria não nos diz o que a sociedade realmente
deseja, pois a regra da maioria não produz preferências transitivas para a sociedade.
Transitividade é a independência da ordem de votação no resultado final.
A Economia Comportamental apresenta três princípios. O primeiro é que as
pessoas são inconsistentes ao longo do tempo, já que o desejo por uma satisfação
imediata induz a abandonar planos mais racionais. O segundo é que as pessoas se
importam com justiça, e que nem sempre o resultado melhor para ambos é o escolhido,
como no jogo do ultimato. O terceiro é que as pessoas nem sempre são racionais. Esse
princípio diz que as pessoas são excessivamente confiantes, e que dão valor demais às
experiências vividas, relutando muito em mudar de idéia. Herbert Simon caracteriza o
consumidor como satisficers, ou seja, como alguém que se contenta apenas com o
“suficiente”.
Há a teoria da Informação Assimétrica. Ela fala da ação oculta, que é quando
agente pode desempenhar uma ação sem que o principal saiba, caracterizando um risco
moral. Para evitá-lo, o principal parte para um maior monitoramento, atrasa o pagamento
ou paga salários de eficiência. As características ocultas são um problema da seleção
adversa, ou seja, a omissão de informação por uma das partes para obter proveito
próprio, é o caso do problema dos abacaxis. A seleção adversa enfraquece a mão invisível
pois impedem que vários negócios se realizem ou outros o façam de forma injusta e
ineficiente. É o caso do mercado de carros usados (em que o vendedor mantém as
características ocultas), do mercado de seguros (os clientes sabem mais sobre seus riscos
do que a empresa) e do mercado de trabalho (em que o trabalhador conhece melhor suas
características do que o empregador). O problema da informação assimétrica pode ser
resolvido através de duas ferramentas: a sinalização e a seleção.
Com a sinalização, a parte informada usa sinais para convencer a outra parte de
que está oferecendo algo de qualidade. Ela tem um custo, sendo mais benéfico para quem
tem o produto de melhor qualidade. Outra observação é que as pessoas se preocupam
mais com os sinais quando a intensidade da relação é mais questionável.
Através da seleção, a parte que tem menos informação tenta induzir a outra a
revelar informação. É o caso da opção de franquia de seguros.

23. PRODUTO INTERNO BRUTO

O PIB é composto por quatro elementos: o consumo, investimento, compras do


governo e exportações líquidas. O consumo exclui a compra de imóveis, o investimento
inclui estoques, equipamento de capital, imóveis, estrutura, as compras do governo
incluem salários dos funcionários e obras públicas e as exportações líquidas são a
diferença entre as importações e exportações. Por definição, o PIB é o valor de mercado
de todos os bens e serviços finais produzidos por um país em um dado período de tempo.
Assim, desconsideram-se os itens vendidos ilegalmente. Concluímos que a renda deve ser
igual à despesa.
Outras medidas de riqueza são o Produto Nacional Bruto, que inclui a renda dos
cidadãos que moram no exterior. O Produto Nacional Líquido, que exclui as perdas pela
depreciação, que é o consumo de capital fixo. A Renda Nacional, que exclui os impostos
indiretos e inclui os subsídios. A Renda Pessoal, que é a renda que foi obtida não através
de ações e a Renda Pessoal Disponível, que é a Renda Pessoal menos os impostos.
Quando o PIB cai deparamo-nos com recessões, gerando desemprego, queda nos
lucros e falências. Um aumento no PIB pode indicar que a) a economia está produzindo
uma quantidade maior de riqueza ou que b) os preços subiram. Para tal, temos que
analisar a diferença entre o PIB real e nominal. O PIB real mede somente as mudanças
na quantidade produzida, refletindo os preços constantes. O PIB nominal mede os preços
correntes. Para obtermos o deflator do PIB, que é uma medida de preços, devemos
escolher um ano-base. Então, dividimos o PIB Real pelo PIB Nominal e multiplicamos o
resultado por 100. Esse será o valor do deflator do PIB, que reflete a variação nominal
dos preços em comparação com o ano-base.
O PIB per capita é uma medida do bem-estar do indivíduo. O PIB está
estreitamente relacionado com o padrão de vida de seus cidadãos. Sua principal falha é
que ele exclui a qualidade do meio ambiente e desconsidera o valor das atividades que
ocorrem fora do mercado.

24. ÍNDICE DE PREÇOS DO CONSUMIDOR

O IPC monitora as mudanças no custo de vida ao longo do tempo. Ele é a razão


entre os preços deste ano com os do ano anterior vezes 100. A taxa de inflação é a
variação percentual de custo em relação ao período anterior. Ele é calculado em cima de
uma cesta de produtos. Sua principal distinção com relação ao deflator do PIB é que o
IPC reflete a compra e bens produzidos no exterior também, pois se refere ao valor dos
bens e servidos comprados pelo consumidor que fazem parte da cesta, enquanto o
deflator do PIB apenas reflete os preços de todos os bens produzidos internamente. Por
exemplo, quando o preço do petróleo aumenta, o IPC aumenta mais do que o PIB.
Introduzimos agora os conceitos de taxa de juros nominal e real. A taxa real
mede o crescimento do poder aquisitivo, ou seja, o ganho após o desconto da inflação. A
taxa nominal reflete a taxa paga pelo banco, sem o desconto da inflação. Portanto, a taxa
real é igual à taxa nominal menos a inflação.
Os principais problemas na medição do IPC são: 1) a mudança da qualidade dos
produtos que não foi medida. 2) a introdução de novos bens (como o videocassete). 3) a
tendência à substituição dos bens mais caros (assim, um bem que esteja na cesta
continuará nela apesar de não se mais relevante). Ou seja, o índice de preços tende a
subestimar o crescimento do custo de vida em cerca de 1 por cento.

25. PRODUÇÃO E CRESCIMENTO – PRODUTIVIDADE

A produtividade de uma sociedade determina o seu poder aquisitivo. Ela se


refere à quantidade de um bem produzido por hora. É composta de capital humano,
capital físico, conhecimento tecnológico e recursos naturais. O conhecimento humano
é o conhecimento e a habilidade que o trabalhador adquire através de educação e
treinamento. Os insumos são os professores e os livros. Pode ser também um fator de
produção produzido. O capital físico é o estoque de equipamentos e estruturas para
produzir bens e serviços, sendo produto de outro processo produtivo. É também um fator
de produção produzido. Os recursos naturais, que podem ser renováveis ou não-
renováveis, são os insumos para a produção de bens fornecidos pela natureza. Com o
progresso tecnológico estes se tornaram menos necessários com a substituição e o melhor
aproveitamento. O conhecimento tecnológico é o conhecimento que a sociedade tem para
produzir bens e serviços. Depois que alguém o utiliza, todos ficam a par dele, tornando-se
conhecimento comum. Esse conhecimento também pode ser protegido pelo sistema de
patentes e por tecnologias proprietárias.
As políticas públicas que podem aumentar a produtividade são:
1) Educação, que gera uma externalidade positiva, mas que tem um custo de
oportunidade. Pode ocorrer também a fuga de cérebros.
2) Pesquisa e desenvolvimento, que torna-se um bem público, mas que pode ser
incentivada pelo sistema de patentes.
3) Investimento estrangeiro. Este pode ser direto ou de portfólio, aumentando o
estoque de capital da economia. Ele é benéfico pois aprendemos tecnologias
avançadas usadas pelo investidor.
4) Estabelecimento dos direitos de propriedade e estabilidade política, através da
justiça penal e cível. A corrupção impede o poder de coordenação do mercado,
desestimulando a poupança e o investimento estrangeiro, enquanto as revoluções
dão incerteza da garantia dos direitos de propriedade.
5) Poupança e investimento, que reflete o tradeoff com o consumo corrente. Uma
maneira de aumentar a produção futura é investir na produção de bens de capital,
portanto, incentivar a poupança e o investimento é uma forma de aumentar o
crescimento. Devemos observar ainda a existência de retornos decrescentes, ou
seja, o benefício adicional de um insumo a mais diminui na medida em que a
quantidade do insumo aumenta. Por isso, percebemos os efeitos de alcance, ou
seja, a propriedade segundo a qual os países pobres crescem mais rapidamente do
que os ricos.
O crescimento populacional é tem seu efeito mais direto sobre o tamanho da força de
trabalho. Essas alterações são produzidas por três fatores: 1) a expansão do
aproveitamento dos recursos naturais, defendido por Malthus, que verificou que o
crescimento da capacidade de invenção compensou o aumento populacional. 2) diluição
do estoque de capital que se verifica quando o crescimento populacional é rápido, pois
cada trabalhador fica equipado com uma quantidade menor de capital. Isso impõe um
peso sobre o sistema escolar. Vemos que as mulheres que recebem melhor educação
tendem a querer ter menos filhos. 3) promoção do progresso tecnológico, que defende
que se há mais pessoas há mais cientistas. Kremer observou que com o crescimento das
populações as economias cresceram mais rapidamente do que em populações menores,
pois há mais pessoas para descobrir coisas. Portanto, uma numerosa população é um
requisito para o avanço tecnológico.

26. POUPANÇA, INVESTIMENTO E SISTEMA FINANCEIRO

A poupança nacional é composta pela soma da poupança privada com a poupança


pública. Se o governo tem um superávit orçamentário, isso será benéfico para a poupança
nacional como um todo. A poupança é o que fica quando tiramos o consumo e os gastos
do governo do PIB. A poupança privada é o que fica quando tiramos os impostos e o
consumo do PIB, enquanto a poupança pública é quando tiramos os gastos do governo
da arrecadação tributário. Investimento é a compra de novo capital. Os fundos
empréstimos são regidos pela lei de oferta e demanda, determinando a taxa de juros real.
O governo pode lançar mãos de políticas para incentivar a poupança e o
investimento, como por exemplo:

1) o incentivo à poupança pode ser feito através de impostos sobre o consumo, abertura
de contas de poupança especiais com o objetivo de baixar a taxa de juros e aumentar o
investimento.

2) o incentivo ao investimento pode ser feito através de crédito tributário para a compra
de bens de capital, resultando em maiores taxas de juros e maiores poupanças.

Quando o governo apresenta déficits orçamentários, ele financia seu déficit


tomando empréstimos em títulos. Esse acúmulo é a dívida pública. Se o governo adquire
empréstimos ele reduz o investimento com uma diminuição da poupança nacional,
provocando um descolamento da curva de oferta de fundos no mercado de empréstimos
chamado de crowding out, que resulta num aumento da taxa de juros.
O sistema financeiro é o grupo de instituições que ajuda a promover o encontro
da poupança de alguém com o investimento de outrem. Quando um país poupa grande
parte do PIB, há mais investimento em capital, o que aumenta a produtividade e o padrão
de vida da população como um todo. O sistema financeiro se divide em Mercados
Financeiros e Intermediários Financeiros.
Os Mercados Financeiros são o mercado de ações e o mercado de títulos. O
mercado de títulos emitem IOU, cujo valor está vinculado à data de vencimento e a taxa
de juros e pagamento principal. O valor do título é determinado pelo prazo (os de longo
prazo tem taxas maiores), o risco de crédito (inadimplência, os junk bonds) e o
tratamento tributário (se são juros de renda tributável). No mercado de ações, o preço
delas é determinado pela oferta e demanda pelas ações e seus índices determinam
condições econômicas futuras.
Os Intermediários Financeiros são os bancos e os fundos mútuos. Os bancos
dão às pessoas um meio de troca e facilitam a compra de bens e serviços. Os fundos
mútuos permitem que as pessoas com pouco dinheiro diversifiquem suas aplicações com
a venda de cotas de uma carteira de títulos. Eles dão acesso às habilidades de
administradores financeiros profissionais. Há também os fundos de índices, que compram
ações de um índice.

27. FINANÇAS E RISCOS

Quando se pensa em investimentos, deves-se levar em conta o valor presente e o


valor futuro. O presente é a quantia que seria necessária para produzir aquela
quantidade. E o valor futuro é quanto o dinheiro de hoje vai render.
Algumas pessoas são avessas ao risco, ou seja, para elas desagradam as coisas
ruins mais do que agradam as coisas boas. Elas tem portanto uma utilidade marginal
decrescente em função da riqueza, ou seja, com o enriquecimento, o ganho de utilidade
pelo aumento da riqueza é proporcionalmente menor.
Há um tradeoff entre risco e retorno, ou seja, a pessoa escolhe entre uma opção
segura com menor rendimento ou uma arriscada com maior rendimento. Para se
administrar o risco, procede-se à diversificação do risco, com a substituição de um só
risco por um grande número de riscos menores e não correlacionados. Quando maior o
desvio padrão do retorno de uma carteira de investimento maior será o risco. Assim,
temos o risco idiossincrático, que afeta apenas um agente, e o risco agregado, que afeta
todos os agentes econômicos.
Outra forma de minimizar o risco é fazendo um seguro. O papel do seguro não é
eliminar o risco, mas distribuí-los com maior eficiência. Os seus principais problemas são
a seleção adversa e o risco moral.
Quando procedemos à avaliação de ativos, devemos levar em conta três teorias.
A primeira é a Hipótese dos Mercados Eficientes, que diz que o equilíbrio da
oferta e dá demanda dá o preço justo. De acordo com ela, todas as ações são corretamente
valorizadas o tempo todo, com os preços refletindo todas as informações públicas sobre o
valor do ativo. É o conceito de informationally efficient. Segundo ele, os preços devem
seguir um random walk, e o que muda os preços são as notícias imprevisíveis.
A segunda é a Análise Fundamentalista. Ela é o estudo das demonstrações
contábeis e das expectativas futuras para determinar o valor da empresa. Para eles, há
ações desvalorizadas, supervalorizadas ou corretamente valorizadas, determinado pelo
valor real vezes o preço de comercialização.
A terceira é a teoria da Irracionalidade do Mercado. Os mercados de ativos são
movidos pelos instintos animais de seus investidores e graças à especulação o valor da
ação para o acionista depende não só dos dividendos, mas do preço de venda no futuro.
Assim, ela determina que é preciso avaliar não só o valor da empresa, mas o que as outras
pessoas pensarão dela no futuro e que os preços flutuam graças a essa irracionalidade.

28. DESEMPREGO

O desemprego se mede através da razão entre o número de desempregados e a


força de trabalho vezes 100. Ela varia entre os grupos da economia. Deve-se diferenciar a
taxa natural de desemprego e o desemprego fixo, que flutua em torno da taxa natural.
Podemos medir também a taxa de participação na força de trabalho, que é a razão
percentual entre a força de trabalho e a população adulta. Quase metade dos períodos de
desemprego termina quando o desempregado abandona a força de trabalho, é o chamado
trabalhador desalentado. Devemos considerar se é uma situação de curto ou de longo
prazo. A maior parte dos períodos é breve e a maior parte do desemprego observado em
qualquer período é de longo prazo. Assim, temos muitas pessoas desempregadas por
pouco tempo e poucas desempregadas por muito. Portanto, o maior problema do
desemprego são aqueles que ficam muito tempo desempregados.
Em qualquer sociedade sempre haverá desempregados. Isso se deve a dois fatores:
o desemprego friccional, que é aquele que acontece porque se leva um tempo para
encontrar um emprego novo e o desemprego estrutural, que é determinado pelo número
insuficiente de empregos disponíveis no mercado de trabalho. Também pode aumentar
quando os salários estão acima do equilíbrio de oferta e demanda por mão-de-obra.
A procura de emprego (desemprego friccional) acontece por causa de: 1)
desemprego friccional inevitável, que se dá pela procura de emprego por causa de
mudanças setoriais graças à rotatividade que é normal numa economia dinâmica. 2)
políticas públicas, que através das agências de emprego recoloca o trabalhador e dos
programas públicos de treinamento, que recapacitam o trabalhador para um novo
emprego. 2) seguro-desemprego, que aumenta o desemprego friccional por causa dos
incentivos sofridos, mas que também ajudam a combinar o trabalhador com um emprego
mais adequado.
Para o desemprego estrutural há três explicações: 1) a legislação do trabalho
mínimo, que explica o desemprego entre os trabalhadores menos qualificados. 2) salários
de eficiência, que são praticados para melhorar a saúde do trabalhador (preocupação com
a alimentação), a qualidade do trabalhador (atrai um conjunto melhor de trabalhadores), a
rotatividade do trabalhador (economiza com treinamentos e baixa os custos de produção)
e o esforço do trabalhador (por medo de não perder o emprego). 3) a atuação dos
sindicatos, que são o antídoto para o poder de mercado das empresas, marcada pelo
conflito entre os insiders e os outsiders, e que prejudica os que ficaram sem emprego por
causa do salário alto.

29. SISTEMA MONETÁRIO

O sistema monetário é controlado pelo Banco Central, que é uma instituição


encarregada de supervisionar o sistema bancário e regular a quantidade de moeda de uma
economia. Ele existe sempre que uma economia tem uma moeda de curso forçado. Suas
duas tarefas são a de garantir a saúde do sistema bancário e regular suas atividades,
atuando como emprestador de última instância, e controlar a quantidade de moeda através
da política monetária, tomando decisões sofre a oferta de moeda. Ele atua nesse sentido
através da Comissão Federal de Mercado Aberto, que tem o poder de aumentar ou
diminuir a quantidade de dólares na economia através de operações de compra e venda de
títulos do governo.
A moeda, que é o conjunto de ativos da economia que as pessoas usam
regularmente para comprar bens e serviços, facilita a produção e o comércio e permite
que a pessoa se especialize no que faz melhor. São de dois tipos, a de curso forçado, ou
Fiat money, cuja aceitação depende de convenções sociais e não tem valor intrínseco, e a
moeda-mercadoria, como o padrão-ouro. A moeda tem três funções: a de meio de
troca, a de unidade de conta, que é um padrão de medida para anunciar preços e
registrar débitos, e a de reserva de valor, que transfere o poder de compra do presente
para o futuro. Deve-se levar em conta a liquidez de cada ativo em relação à sua utilidade
como reserva de valor. A riqueza é a soma da reserva de valor e dos ativos não
monetários. O estoque de moeda de uma economia é a sua moeda corrente, que deve
incluir os depósitos à vista.
Os bancos influenciam na quantidade de moeda através do sistema de Reservas
Bancárias Fracionadas, tornando a economia mais líquida. Quando os bancos mantém
apenas uma fração como reserva eles criam moeda, mas não criam riqueza. A reserva é a
quantidade de depósitos recebidos que não podem ser emprestados. Quando se mantêm
todos os depósitos como reserva então ele vai conter a oferta de moeda. O mínimo que se
deve ter são as reservas exigidas, mas pode haver também excesso de reservas. A razão
de reserva é o percentual de dinheiro que o banco deve manter como reserva em caixa. É
a recíproca do seu multiplicador de moeda, que é a quantidade de moeda que o sistema
bancário gera com cada dólar que empresta.
Uma corrida aos bancos força os bancos a aumentar sua razão de reserva, criando
assim menos moeda e mais desemprego, além de derrubar os preços.
O governo tem instrumentos de controle da oferta de moeda na economia, como
1) a alteração das reservas exigidas, que é usado raramente por desorganizar a atividade
bancária; 2) a alteração da taxa de redesconto, que é a taxa à qual o banco pagará juros
sobre os empréstimos feitos pelo Banco Central. Um aumento da taxa de redesconto
desestimula os bancos a tomar empréstimos ao BC, gerando menos moeda e 3) as
operações de mercado aberto, que através da venda de títulos reduz a oferta de moeda,
e com a compra aumenta a oferta.
As principais dificuldades enfrentadas pelo Banco Central no controle da oferta
de moeda são: 1) ele não controla a quantidade de moeda que as famílias decidem ter no
banco e 2) ele não controla quanto os bancos decidem emprestar. Assim, deparamos-nos
com grande oferta de moeda criada pelo sistema bancário. Assim, o BC atua fortemente
no controle sobre os depósitos e reservas dos bancos.

30. INFLAÇÃO

O equilíbrio da oferta e da demanda de moeda é determinado quando a oferta de


moeda, que é a quantidade fixada pelo Banco Central, encontra a demanda por moeda,
que reflete a quantidade de moeda que as pessoas desejam ter em forma líquida. Esta é
afetada pelo nível de preços, já que um alto nível faz as pessoas quererem mais moeda.
Quanto maior a demanda por moeda maior será o seu valor e menor seu nível de preços.
Já o aumento da oferta de moeda diminui seu valor e aumenta o seu nível de preços.
A Teoria Clássica da Inflação determina que a inflação tem mais a ver com o
valor da moeda do que com o valor dos bens e serviços. A injeção de moeda faz a
demanda por bens e serviços aumentar, mas a sua capacidade de ofertá-los mantém-se a
mesma em curto prazo, fazendo o preço aumentar. Assim, as alterações na oferta de
moeda afetam apenas as variáveis nominais.
A Teoria Quantitativa da Moeda diz que a quantidade de moeda disponível
determina o nível de preços e a taxa de crescimento na quantidade disponível determina a
inflação. Assim, a variação dos preços é igual a variação da inflação.
A Dicotomia Clássica divide as variáveis em reais e nominais. As variáveis reais
são medidas em unidades físicas, além dos salários e juros, e as nominais são medidas em
unidades monetárias. A Teoria da Neutralidade Monetária, proposta por David Hume,
analisa de que forma as alterações monetárias afetam produção, o emprego, os salários
reais e a taxa de juros reais, porque forças diferentes influenciam as variáveis reais e
nominais. Essa teoria afirma que as alterações na oferta não afetam as variáveis reais, ou
seja, não tem efeitos reais importantes, ao não ser em curtos períodos de tempo, graças
aos custos da inflação.
A Velocidade da Moeda é a taxa à qual ela troca de mão. Ela é medida
multiplicando o deflator do PIB pelo PIB real e dividindo o resultado pela quantidade de
moeda. A Equação Quantitativa determina que a Quantidade de Moeda vezes a
Velocidade da Moeda é igual ao valor nominal da produção, que é o PIB vezes o seu
deflator. Ou seja, um aumento da quantidade de moeda deve se refletir sobre alguma das
outras variáveis, como a velocidade, o PIB real ou o deflator do PIB.
O Imposto Inflacionário ocorre quando o governo aumenta sua receita com a
emissão de moeda, é como se fosse um imposto sobre todas as pessoas que têm moeda.
O efeito Fisher é o ajustamento da proporção de 1 para 1 da taxa de juros nominal
à de inflação quando se aumenta a moeda, pois a taxa de juros nominal se ajusta à
inflação esperada.
Os custos da inflação são vários:
1) a falácia da inflação ocorre quando as pessoas não percebem o princípio da
neutralidade monetária, já que a inflação por si só não diminui o poder aquisitivo.
2) Custo da sola de sapato. São os recursos desperdiçados quando a inflação
incentiva as pessoas a reduzir a quantidade de moeda em mãos. Isso lhes toma tempo e
esforço, porque impede que a moeda seja uma reserva de valor.
3) O custo de menu. Os custos de alteração dos preços como impressão,
divulgação dos preços, envio de listas, lidar com aborrecimentos.
4) Variabilidade dos Preços Relativos. A inflação provoca essa variação que se
reflete a periodicidade com que se altera o preço. Se a taxa de inflação fosse 12 por cento
ao ano, então o preço relativo do produto, caso fosse remarcado uma vez por ano, se
reduz 1 por cento ao mês.
5) Distorções tributárias. O tratamento dos juros nominais obtidos em poupança.
Eles são tratados como renda, quando parte dele apenas corrige a inflação. Assim, poupar
fica menos atraente com a inflação. Além disso, a inflação determina que você pague
imposto sobre ganhos de capital que você obteve. Ou seja, se você comprou uma ação
por 10 reais há um ano e vendeu a 50 reais, obteve ganho real de 30 reais por causa da
inflação, mas paga o imposto sobre os 40 reais nominais. Uma solução poderia ser a
indexação do sistema tributário.
6) Confusão e inconveniência. Fica mais complicado calcular os lucros de uma
empresa e os investidores são menos capazes de distinguir empresas bem-sucedidas, pois
a inflação corrói o valor real da unidade de conta.
7) Redistribuição arbitrária de riquezas. A riqueza é redistribuída de maneira
que nada tem a ver com mérito ou necessidade entre credores e devedores.

31. MACROECONOMIA DAS ECONOMIAS ABERTAS

A taxa real de cambio é um determinante do quanto um país importa ou exporta.


Ela é a taxa à qual se podem negociar bens e serviços de um país por bens e serviços de
outro. O item é um bem e não uma moeda, ou seja, mede-se por exemplo ½ saca de arroz
japonês por 1 saca de arroz americano. Já a taxa de câmbio nominal tem uma ligação
com a quantidade de moeda e preços. Portanto, a taxa de cambio real é igual à taxa de
câmbio nominal vezes o preço interno do bem dividido pelo preço externo dele.
Uma economia interage com outra comprando bens e serviços ou comprando
ativos de capital. O Investimento Externo Líquido, ou fluxo líquido de capital externo,
é a compra de ativos estrangeiros menos a compra de ativos internos por estrangeiros, ou
seja, é o dinheiro que investimos em outro país. Ele varia por causa das taxas de juros
sobre os ativos internos e estrangeiros, pelos riscos do país ou por causa da política do
governo. Os fatores que influenciam o comércio internacional são: a taxa de câmbio, o
custo de transportes, as rendas dos consumidores, as preferências dos consumidores, o
preço dos bens e as políticas do governo. Recentemente vimos um recrudescimento do
comércio internacional por causa de melhorias nos transportes, na tecnologia e nas
telecomunicações.
Percebemos uma igualdade entre o Investimento Externo Líquido e as
Exportações Líquidas, porque decorre do fato de que cada transação internacional é uma
troca, ou seja, quando o Brasil vende um avião aumenta as Exportações Líquidas e o IEL
do Brasil, já que adquiriu ativos do outro país, que serão trocados no futuro, no caso a
moeda. Os IEL e as EL são os dois lados da mesma moeda. Assim, a Poupança
Nacional é igual ao Investimento Interno mais o Investimento Externo Líquido.
Portanto, a poupança pode ser usada para financiar os investimentos internos ou externos.
Em uma situação de déficit na balança comercial, teremos uma situação em que o
Investimento Externo Líquido está menor do que zero, ou seja, estamos tomando dinheiro
do exterior, já que nossa poupança não é suficiente para bancar nossos investimentos.
Temos assim uma situação em que os Investimentos internos superam a Poupança
Interna.
Em uma situação de superávit, as EL e o IEL são maiores do que zero, o que quer
dizer que estamos emprestando dinheiro ao exterior para bancar seus investimentos,
assim, estamos enviando parte da nossa poupança para o exterior, o que quer dizer que a
poupança interna é maior do que o investimento interno.
Portanto, por causa do fato de que a Poupança Interna financia tanto o
Investimento Interno quanto o Externo, uma queda na poupança pode derrubar uma
dessas duas variáveis. Nesse caso, é melhor que seja o IEL, já que é melhor ter
investimentos feitos pelos estrangeiros do que não tê-los. Já um boom de investimento
vai forçar uma grande queda no IEL para tomar empréstimos do exterior, já que a
poupança nacional não conseguiria suportá-lo.
A Paridade do Poder de Compra determina que uma unidade de qualquer
moeda dada deveria ser capaz de comprar a mesma quantidade de bens em qualquer país.
Ele descreve as forças que determinam as taxas de câmbio no longo prazo. De acordo
com a Lei do Preço Único, um bem deve ser vendido pelo mesmo preço em todas as
localidades. Quando isso não acontece, dá espaço à arbitragem, que é a compra de um
bem num lugar e revendê-lo em outro. Mas isso duraria por pouco tempo, pois o aumento
da demanda na cidade onde compra o bem e o aumento da oferta onde o vende tratariam
de equiparar os preços. As implicações da Paridade do Poder de Compra são que as taxas
nominais mudam quando os preços mudam. Assim, se 1kg de café custa 500 ienes e $5
então a taxa de câmbio nominal deve ser 100 ienes por dólar. Caso contrário, o dólar não
tem o mesmo poder de compra. Assim, se o poder de compra é o mesmo então a taxa de
câmbio real não pode mudar. As limitações da Paridade do Poder de Compra são que
muitos bens não podem ser facilmente comercializados, sendo mais caros em outros
locais e que os mesmos bens comercializáveis nem sempre são substitutos perfeitos
quando produzidos por países diferentes. Assim, a teoria da PPC não é precisa o tempo
todo, pois as taxas reais flutuam durante o tempo.

32. TEORIA DAS ECONOMIAS ABERTAS

A taxa de juros real e a taxa de câmbio real se ajustam para equilibrar a oferta e a
demanda nos dois mercados. Assim, determinam a poupança, o investimento, o IEL e as
EL. O IEL coordena os mercados de fundos (que coordena poupança, investimento e
empréstimos para o exterior) e de câmbio.
No mercado de fundos de empréstimos, um aumento da taxa de juros torna a
compra de ativos nacionais mais atraentes, tanto para estrangeiros quanto para residentes,
por isso reduz o IEL. Portanto, o IEL depende da taxa de juros real. Á taxa de juros de
equilíbrio a quantidade que as pessoas desejam poupar é igual à quantidade desejada de
investimento interno e de investimento externo líquido.
O mercado de câmbio de moeda estrangeira coordena a oferta de moeda nacional
para trocar por moeda estrangeira com a demanda pela moeda nacional para comprar
bens nossos. Assim, quando a taxa de câmbio real se aprecia, os bens internos ficam mais
caros, e portanto menos atraentes, o que vai diminui a quantidade demandada de moeda
nacional para comprar nossos produtos.
Vejamos agora como as políticas do governo e os eventos afetam uma economia
aberta.
a) Os déficits orçamentários do governo

1) Reduzem a oferta de fundos para empréstimo;


2) Aumenta a taxa de juros real;
3) Diminui o IEL;
4) Diminui a oferta de moeda nacional no mercado de câmbio;
5) Aumenta a taxa de câmbio real;
6) Os produtos internos ficam mais caros;
7) Gera um déficit na balança comercial.

b) Política comercial. Ela não afeta a balança comercial, apenas afeta a curva de
demanda por moeda interna para a compra de bens produzidos aqui. Assim, reduz tanto
as importações quanto as exportações.

1) Há um aumento da demanda por moeda nacional por parte de estrangeiros para


comprar moeda local;
2) Aprecia a taxa de câmbio real;
3) Nada muda no IEL;
4) Reduz as importações mas não alterou as exportações líquidas, o que quer dizer que
tanto as importações quanto as exportações caíram;
5) Os bens internos tornam-se mais caros.

c) Instabilidade Política e Fuga de Capitais. Nesse caso, aumenta o IEL para


qualquer taxa de juros dada, deslocando sua curva. Também aumenta da curva de
demanda por empréstimos, deslocando-a.

1) Há um aumento da oferta de moeda local no mercado de câmbio para converter em


moeda estrangeira;
2) Aumenta a taxa de juros real;
3) Deprecia a taxa de câmbio;
4) Conduz ao superávit;
5) Reduz o investimento interno com a alta da taxa de juros; Como a poupança é igual ao
investimento interno mais o externo, com a queda do investimento interno, o
investimento externo líquido aumenta;
6) Desacelera a acumulação de capital.

33. DEMANDA E OFERTA AGREGADAS

O modelo de oferta agregada e de demanda agregada explica as flutuações de


curto prazo em torno de tendências de longo prazo. No curto prazo, as variáveis reais e
nominais estão fortemente ligadas. Há três fatos sobre as flutuações econômicas. O
primeiro é que com a queda da produção o desemprego cresce. O segundo é que as
flutuações são irregulares e imprevisíveis. O terceiro é que a maioria das variáveis
macroeconômicas flutua junta (consumo, investimento e desemprego).
A demanda agregada é a demanda por bens e serviços na economia. As variáveis
consumo, investimento e exportações líquidas são influenciadas pela queda do nível dos
preços. A demanda agregada tem inclinação negativa por causa de três efeitos. O efeito
riqueza atua sobre o consumo. Ele faz o consumidor se achar mais rico com os preços
mais baixo, aumentando a quantidade demandada de bens e serviços. O efeito taxa de
juros atua sobre o investimento. Quando aumenta a concessão de empréstimos, a taxa de
juros cai e se investe em bens de capital, aumentando a quantidade demandada de bens e
serviços. O efeito exportações líquidas se dá com a redução da taxa de juros, que aumenta
o IEL e deprecia a moeda local, aumentando as exportações e a quantidade demandada
por bens e serviços.
Os deslocamentos da curva de demanda agregada podem ocorrer por qualquer
fator que afete qualquer elemento do PIB. Assim, o consumo pode mudar por causa do
nível de tributação, pelo boom no mercado de ações. O investimento pode variar com a
oferta de moeda, com a política fiscal. As compras do governo e as Exportações
Líquidas, que podem mudar por causa de mudanças na taxa de câmbio. Portanto, para
promover o aumento da demanda agregada deve-se promover melhorias políticas que
permitam o desenvolvimento dos componentes do PIB.
A oferta agregada é a oferta de bens e serviços de uma economia. No longo prazo,
ela depende da sua capacidade produtiva (trabalho, capital, recursos naturais e
tecnologia) e não do nível de preços. Assim, quando os preços sobem juntos, não há
alteração na quantidade total de bens e serviços ofertados. Essa capacidade produtiva de
longo prazo se chama de taxa natural de produção ou produto potencial ou produto de
pleno emprego. Pode haver deslocamentos da curva de oferta agregada se houver
alterações nos componentes produtivos como capital, trabalho, recursos naturais e
tecnologia. O avanço tecnológico por exemplo, desloca a oferta de longo prazo e o
crescimento da oferta de moeda desloca a curva de demanda, levando ao crescimento da
produção e à inflação continuada.
No curto prazo, a oferta agregada tem uma inclinação positiva, pois a quantidade
ofertada se desvia de seu equilíbrio de longo prazo quando o nível de preços se desvia do
esperado. Esse problema é no entanto temporário por causa de: 1) preços rígidos, ou seja,
uma queda no nível de preços deixa uma empresa com preços mais altos, que deprimem
as vendas e induzem a reduzir a produção. 2) salários rígidos, a preços mais baixos os
funcionários vão se tornar menos rentáveis à empresa, e eles levarão um tempo para se
ajustar, afetando a quantidade de bens e serviços ofertados por causa das demissões. 3)
percepções equivocadas, ou seja, com preços menores os empresários podem achar que o
rendimento está temporariamente baixo e reduzir a quantidade ofertada da sua produção.
Um deslocamento da curva de oferta agregada de curto prazo também pode ocorrem por
uma flutuação no nível de preços esperado. Um aumento no nível de preços esperado
influencia os preços rígidos, os salários e as percepções, reduzindo a quantidade ofertada
de bens e serviços e deslocando a curva para a esquerda.
A flutuação econômica ocorre por causa de deslocamentos das curvas de oferta
agregada e de demanda agregada. O deslocamento da oferta agregada para trás tenderá a
voltar a sua taxa natural de produção com o tempo. Se o governo tentar compensar
estimulando o aumento da demanda agregada causará a elevação permanente do preço.
Um caso de um pessimismo se reflete na demanda agregada, que se desloca para trás,
causando desemprego e queda na renda, baixando o nível de preços. O governo pode
compensar aumentando seus gastos ou a oferta de moeda.

34. INFLUÊNCIAS DAS POLÍTICAS MONETÁRIA E FISCAL SOBRE A


DEMANDA AGREGADA

O governo pode atuar sobre a política fiscal através de alterações nos impostos ou
por alterações nas compras do governo. Quando o governo aumenta suas compras em 20
milhões, sua demanda agregada aumenta mais ou menos do que 20 milhões, dependendo
de qual é efeito é maior, o efeito deslocamento ou o efeito multiplicador.
De acordo com o efeito deslocamento:
1) o aumento nas compras;
2) leva a um aumento da demanda agregada;
3) e ao conseqüente aumento da taxa de juros;
4) diminuindo a despesa em investimento;
5) reduzindo a demanda agregada.
O efeito multiplicador se aplica a qualquer evento que altere as despesas em
qualquer componente do PIB, atuando como acelerador do investimento. Ele determina:
1) um aumento das compras;
2) aumenta a demanda agregada;
3) enriquece as empresas que fornecem serviços, que vão lucrar mais;
4) gastando mais em consumo;
5) aumentando a demanda de produtos em toda a economia.
O efeito multiplicador introduz ainda a Propensão Marginal a Consumir, que é a
fração de renda adicional que uma família consome ao invés de poupar. Assim, o efeito
multiplicador é igual a um dividido por um menos a Propensão Marginal a Consumir.
Um outro instrumento de atuação do governo na política fiscal são as alterações
nos impostos. Elas também estão sujeitas aos efeitos multiplicador e deslocamento. Os
efeitos podem ser alterados de acordo com a percepção das famílias quanto à duração dos
impostos baixos ou altos. Uma diminuição no imposto por exemplo:
1) aumenta a demanda agregada;
2) aumenta a demanda por moeda;
3) aumenta a taxa de juros;
4) reduz as despesas com investimento
5) pode deprimir a demanda agregada.

Uma alteração na política monetária com o propósito de aumentar a demanda


agregada pode ser descrita com um aumento da oferta de moeda ou redução na taxa de
juros. As influências da política monetária sobre a demanda agregada se fazem perceber
através do mercado de ações. Com o mercado de ações em alta, aumenta-se a demanda
agregada e conseqüentemente os preços. Assim, o governo deve proceder ao aumento da
taxa de juros para contê-la. Quando as ações estão em baixa, a demanda agregada cai a os
preços também, devendo-se reduzir as taxas de juros.
A Teoria pela Preferência pela Liquidez explica como a taxa de juros se ajusta
para equilibrar a oferta e demanda por moeda e amplia o estudo sobre flutuações de curto
prazo. A oferta de moeda é vertical porque não depende da taxa de juros. A demanda por
moeda tem inclinação negativa porque um aumento na taxa de juros diminui a quantidade
demandada por moeda. A taxa de juros é o custo de oportunidade por ter moeda. O preço
quando aumenta (no mercado de demanda e oferta agregada), aumenta também a
quantidade de moeda demandada a qualquer taxa de juros dada, ou seja, desloca a curva
de demanda por moeda para a direita, aumentando a taxa de juros e interferindo no
rendimento da poupança e diminuindo o investimento. Além disso, com preços maiores
cai a quantidade demandada por bens e serviços. Em resumo. 1) o aumento de preço, 2)
aumenta a demanda por moeda, 3) eleva a taxa de juros, 4) diminui a quantidade
demandada de bens e serviços.
O aumento da oferta de moeda levará a uma queda na taxa de juros e aumentará a
demanda por bens e serviços, deslocando a curva de demanda agregada para a direita,
além de estimular o investimento.
Há um intenso debate se a política deveria interferir na estabilização da economia.
Os argumentos a favor dizem que o governo deve estabilizar a demanda agregada, pois
ela flutua em ondas de otimismo e pessimismo. Os argumentos contra dizem que os as
mudanças na política monetária levam seis meses para se fazer sentir. Os economistas
preferem apostar nos estabilizadores automáticos, que são alterações da política fiscal que
estimulam a demanda agregada quando há recessão sem que se tenha que tomar nenhuma
ação deliberada. Isso se dá através das despesas do governo e do sistema tributário.

35. CURVA DE PHILLIPS

A Curva de Phillips reflete o tradeoff no curto prazo entre inflação e desemprego.


Esse tradeoff surge no curto prazo por causa da inflação esperada e não dela em si.
No curto prazo, o baixo desemprego está relacionado com uma alta demanda
agregada que pressiona para cima os preços e os salários. Essa teoria foi defendida por
Paul Samuelson e Robert Solow. As políticas monetária e fiscal movem a economia ao
longo da Curva de Phillips na medida em que têm impacto na demanda agregada. Assim,
qualquer impacto que afete qualquer componente do PIB, causará um deslocamento da
curva de demanda agregada e um movimento ao longo da Curva de Phillips. Por
exemplo:
1) Um aumento da demanda agregada
2) aumenta a inflação e
3) diminui o desemprego.

Os deslocamentos na Curva de Phillips de Curto prazo ocorrem quando há


acontecimentos que afetam os custos e os preços das empresas, deslocando a oferta
agregada. Esses acontecimentos podem ser: choques de oferta agregada ou flutuações
da inflação esperada.
A inflação esperada mede o quanto as pessoas esperam que os preços variem, se
comportando como se aquela fosse ser a inflação, formando preços e salários
baseados nela, fazendo com que ela se concretize. As flutuações da inflação esperada
levam no curto prazo a alterações inesperadas na produção, nos preços e no
desemprego. Assim, quando a inflação esperada muda, desloca-se a curva de Phillips
no curto prazo. Por exemplo: Um aumento da demanda agregada eleva a inflação e os
preços, também eleva a inflação esperada, e as pessoas estabelecem preços e salários
com base nela, e a curva de Phillips se desloca porque a inflação esperada de longo
prazo aumenta.
Com os choques de oferta agregada temos uma redução da oferta agregada, um
aumento de preços que deprime a produção, aumenta o desemprego e também a
inflação, deslocando a curva de Phillips de curto prazo para a direita, deixando a
economia com maior inflação para qualquer taxa de desemprego e vice-versa.
Contudo, esse deslocamento será temporário dependendo do ajustamento das pessoas
quanto às suas expectativas de inflação. Se elas acharem que o aumento da inflação
será temporário a inflação esperada não muda.
Em suma, a curva de Phillips de curto prazo pode ser deslocada pelos mesmos
fatores que deslocariam a curva de oferta agregada de curto prazo, ou seja, qualquer
alteração sobre o capital, trabalho, tecnologia e recursos naturais, bem como sobre a
inflação esperada.
Assim, vimos que qualquer evento que desloque a curva de oferta agregada de
curto prazo também deslocará a curva de Phillips de curto prazo, enquanto os eventos
que deslocam a demanda agregada causarão um movimento ao longo da curva de
Phillips de curto prazo.
No longo prazo, Friedman e Phelps disseram que a política monetária e fiscal não
conseguiria, a não ser por um período curto, escolher uma combinação entre
desemprego e inflação. Esse argumento é uma expressão da neutralidade monetária,
já que a teoria clássica afirma que o crescimento monetário não afeta as variáveis
reais no longo prazo, entre elas o desemprego. Desse modo, a curva de Phillips no
longo prazo é vertical, independendo da taxa de inflação para determinar o
desemprego. Seu deslocamento só pode ocorrer através de políticas que afetem a taxa
natural de desemprego, que só pode ser diminuída com melhorias no mercado de
trabalho. Assim, uma menor taxa de desemprego natural desloca a curva de oferta
agregada de longo prazo para a direita.
Vejamos o impacto de um deslocamento da curva de demanda agregada no longo
prazo. O aumento da demanda agregada aumentará os preços e a inflação, mas não
altera a produção nem o desemprego no longo prazo.
Reduzir a inflação tem seus custos. Para isso, o governo precisa adotar medidas
contracionistas, suportando baixa produção e alto desemprego por um certo tempo.
Isso dependerá da inclinação da curva de Phillips e da velocidade de ajusta de
expectativas à política monetária, ou seja, a credibilidade do plano do governo junto à
sua população. Para isso, a sociedade se deparará com um taxa de sacrifício, que é a
perda de produção anual por 1 ponto da inflação reduzido, cujo normal é 5. Assim,
uma política contracionista diminui a produção e aumenta o desemprego (desloca a
curva de Phillips para a esquerda), mas também derruba a inflação esperada no longo
prazo. A teoria das expectativas racionais diz que as pessoas usam todas as
informações que dispõem para prever o futuro, e é baseando-se nela que tomam suas
decisões de consumo, formação de salários e preços. Portanto, a taxa de sacrifício
pode ser menos do que a sugerida se o governo assumisse um compromisso digno
com as pessoas, fazendo com que elas reduzam suas expectativas de inflação mais
rapidamente.

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