Você está na página 1de 10

Cristalização e recristalização

-Fundamentação Teórica

● A cristalização e recristalização é um técnica que é utilizada para se purificar um


produto cristalino sólido, ou seja, remover quaisquer impurezas contidas no mesmo.
Este processo tem por base as diferenças de solubilidade quer a quente quer a frio de um
composto e das impurezas nele contido.
● A quando da realização deste procedimento há 2 etapas major que devem ser
seguidas com algum rigor sendo estas a escolha do solvente e a seleção do método
de cristalização.
● Na 1ª etapa a escolha é feita tendo por base as solubilidades a quente e a frio dos
solventes que se encontram ao nosso dispor para a realização da atividade. Um
solvente ideal para este tipo de procedimento é aquele em que o soluto tem
solubilidade máxima no solvente quente e solubilidade mínima a solvente frio.
( QUADRO ESTILO DOS SLIDES )
● Na 2ª etapa devemos analisar a forma de como queremos recristalizar as substâncias:
se por arrefecimento, se com recurso a um anti solvente, se por evaporação ou se por
recristalização de reação ( precipitação )
● Na recristalização por arrefecimento, que é a que será utilizada posteriormente nesta
atividade laboratorial, uma enorme quantidade de soluto pode ser dissolvida com
recurso a um aquecimento a altas temperaturas e, devido à sua baixa solubilidade a
baixas temperaturas, o arrefecimento controlado pode iniciar a recristalização. Este
procedimento não é o adequado se os solutos em questão na nossa atividade forem
sensíveis a elevadas temperaturas que o podem levar a uma decomposição.
● Na recristalização por anti solvente adiciona-se um anti solvente à mistura que irá
reduzir a solubilidade da mesma desencadeando uma recristalização. Este processo,
contudo, apresenta algumas desvantagens, nomeadamente a introdução de um
solvente adicional, alta supersaturação local no ponto de adição, produtividade
volumétrica reduzida e a necessidade de separação deste solvente posteriormente.
● A recristalização por evaporação é utilizada perante um caso de alta solubilidade a
baixas temperaturas ou perante a falta de um anti solvente. Ao proceder-se à remoção
do solvente reduz-se a solubilidade na mistura remanescente e, quando uma
supersaturação suficiente se formar, a recristalização ocorre. Os desafios na
recristalização por evaporação são a introjeção de bolhas de gás, que podem agir
como fonte de nucleação, pontos de semeadura difíceis de prever e aumento
imprevisível de escala.
● Por último a recristalização por reação é aquela que é utilizada quando o soluto
pretendido é gerado através de uma reação química entre dois complexos ou por
neutralização ácido/base. A reação química em progressão aumenta a supersaturação
do soluto que, no final, é recristalizado. Algumas situações a ter em consideração são
que a formação da supersaturação pode ser extremamente rápida, levando a uma
elevada supersaturação local no ponto de mistura, a uma nucleação extensiva, a um
controlo ineficiente do processo e consequentemente uma operação dificultada.

- Procedimento-
Para a realização desta experiência vamos ter de efetuar vários passos, entre os quais:
Escolha do solvente- deve-se ter em conta os seguintes aspetos:

● Escolha do solvente;
O solvente escolhido deve ser um solvente polar, abundante, económico, de baixa
toxicidade e não deve reagir quimicamente com o composto que estamos a purificar. Deve
apresentar um ponto de ebulição adequado (não muito baixo para evitar que evapore
rapidamente, mas também não muito alto, pois irá dificultar a obtenção de cristais e será um
processo muito mais demorado). Por fim, deve ter polaridade semelhante ao composto a
purificar. Na escolha do solvente é fundamental assegurar que o soluto terá uma solubilidade
máxima no solvente quente e uma solubilidade mínima no solvente a frio.

1 - Dissolução da amostra a quente na menor quantidade de solvente

• colocar a amostra sólida num erlenmeyer

• aquecer o solvente noutro erlenmeyer


• adicionar uma pequena porção de solvente quente ao sólido

• aquecer a mistura

• adicionar ou não mais solvente, Este ultimo passo só deve ser feito, caso o nosso solvente
de solubilização não solubilize na totalidade a nossa amostra.

2 - Remoção de impurezas da solução de cristalização

- Existem 3 tipos de impurezas, as coradas são removidas com carvão ativado,


insolúveis são insolúveis no solvente quente , podem ser facilmente eliminadas
através da realização de uma filtração e as não coradas são removidas ao longo da
cristalização através do solvente, visto que não se inserem na rede cristalina.

• descoloração com carvão activado

- Impurezas insolúveis no solvente quente Impurezas coradas retiradas no carvão


activado, Pó preto, poroso e fino;
- Possui uma elevada capacidade adsorvente;
- Aumenta de tamanho ao absorver as impurezas, facilitando, assim, a sua remoção da
solução e o seu isolamento na fase de filtração a quente.

• filtração a quente da solução


- Os materiais utilizados são todos aquecidos, para evitar a cristalização precoce da
amostra e a sua posterior retenção no filtro;
- Os filtros de pregas são mais eficientes, visto que possuem uma maior área de
superfície, logo maior área de contacto.
- É usado um filtro de pregas, que filtra a solução quente para um Erlenmeyer;
- Não é necessário o uso de anti-bumping.
- O papel de filtro deve ser:
- • Colocado no fundo do funil de Buchner;
- •Fixado com solvente de cristalização.
-

3 - Arrefecimento da solução de cristalização


O tamanho dos cristais depende da velocidade de arrefecimento

Arrefecimento rápido- Cristais com pequenas dimensões

Arrefecimento lento- Cristais mais puros e com maiores dimensões

Este deve ser feito em 3 passos:

1. A solução de cristalização deve ser colocada na bancada de trabalho;


2. Posteriormente, deve ser arrefecida, sendo colocada por debaixo do jato de água da
torneira;
3. Por último, deve ser colocada no gelo.

4- Separação, lavagem e secagem dos cristais

Os cristais, uma vez obtidos, têm de ser separados, lavados e secos.

Após a separação os cristais são lavados com o solvente de cristalização arrefecido em gelo, o
que evita a sua perda por solubilização.

Após a lavagem, os cristais:

São secos noutro filtro;

São pesados para calcular o seu rendimento e determina-se o seu ponto de fusão.

R (%)=Peso dos cristais obtidos/Peso da amostra impura× 100


o quociente entre o peso dos cristais obtidos e o peso da amostra impura

A massa obtida é inferior à inicial, pois esta já não contém impurezas!

- Montagem-

- Material-

1-Espátula
2 - Vareta de vidro
3 - 2 Erlenmeyers de 100 ml (um de boca larga)
4 - Funil de vidro e papel de filtro
5 - Funil Buchner, papel de filtro e Kitasato
6 - Borrachas de adaptação para o Buchner
7 - Frasco para guardar os cristais
8 - Pinça de madeira e metálica
9 - Material para ponto de fusão

- Reagentes -
1. Amostra impura de ácido benzóico
2. Acetona,
3. Água
4. Etanol
5. Éter de petróleo 40-60 °C
6. Carvão activado

- Método a utilizar -
Para a realização desta experiência vamos ter de efetuar vários passos, o quais
dividimos em 6 partes:

● Preparação da solução a cristalizar;


1 – Pese 0,5 g de amostra para um erlenmeyer e dissolva à ebulição na mínima
quantidade do solvente escolhido para a cristalização.
Procede-se à dissolução do composto a purificar a quente na menor quantidade de
solvente, mas que garanta a solubilização total do composto, uma vez que soluções saturadas
têm maior facilidade a cristalizar. Uma vez preparada a solução de cristalização, é necessário
remover as impurezas da mesma, que se podem encontrar sob três formas e cada forma
corresponde a uma remoção diferente.

● Impurezas e descoloração;

Impurezas solúveis coradas: Podem ser eliminadas utilizando carvão ativado e levar à
ebulição durante 5 minutos para promover a descoloração da solução através de uma
absorção das moléculas do corante, ou seja, estas ficam agarradas à superfície do carvão
ativado e deixem de estar na solução. Se a solução continuar a apresentar coloração,
adiciona-se mais carvão ativado. Após a descoloração deve-se fazer uma filtração a quente,
ficando o carvão ativado, juntamente com as impurezas que estavam na solução líquida, no
papel de filtro.
Impurezas solúveis não coradas: Podem ser eliminadas através do processo de
cristalização porque essas impurezas , ao não se inserirem na rede cristalina, sendo
eliminadas através do solvente de cristalização.

● Filtração da solução quente;


3. No caso da solução ter impurezas insolúveis, mas não ter cor, faça o mesmo tipo de
filtração sem adicionar o carvão.
4. Filtre a solução quente através dum filtro de pregas para um erlenmeyer (se ocorrer
cristalização no filtro, volte a aquecer todo o sistema e lave com o solvente quente
para haver redissolução). Se necessário, concentre a solução.

Impurezas insolúveis: São removidas recorrendo a uma filtração da solução a quente


para evitar que a amostra cristalize e fique retida no filtro;

● Arrefecimento da solução:
5. Obtida uma solução límpida espere que esta arrefeça à temperatura ambiente. Se
for necessário, raspe as paredes do erlenmeyer com uma vareta de vidro para induzir
a cristalização e arrefeça o erlenmeyer em gelo para acelerar a cristalização.

Como já foi referido previamente o tempo de arrefecimento é muito importante, uma


vez que o tamanho dos cristais depende do mesmo. Assim, concluiu-se que o arrefecimento
deve ser lento e gradual pois pretende-se a obtenção de cristais de maior dimensão. Para tal,
deverá começar-se a arrefecer a solução na bancada e, por fim, gelo para acelerar o processo.

● Separação dos cristais.

A separação dos cristais é feita através da filtração por vácuo. Deverá lavar-se os
cristais com solvente frio, porque, se esta estivesse quente, os cristais poderiam solubilizar.

● Secagem dos cristais

Para a secagem, passam-se os cristais para outro papel de filtro onde serão
espatulados, para a remoção do solvente.
No caso de não haver cristalização em solução:
● Evaporar o excesso de solvente;
● Adicionar cristais pré-formados;
● Induzir a cristalização raspando as paredes do erlenmeyer com uma vareta.
9. Pese os cristais e determine o rendimento do processo com base na quantidade de
amostra inicial impura-
10. Determine o ponto de fusão da amostra impura e da cristalizada

- Cuidados a ter no laboratório durante a realização do protocolo


experimental-

● Utilizar óculos de proteção, bata e luvas


● Ter conhecimento acerca da toxicidade e perigosidade dos reagentes a
utilizar.

- Reagentes- Riscos e Segurança-

Acetona- Líquido incolor, muito volátil e solúvel em água e em compostos orgânicos,


muito inflamável e irritante na pele e olhos, com ponto de fusão aos -95.4 ºC e ponto
de ebulição aos 56ºC, massa molar de 58,08 g/mol e densidade de 0,792 g/cm3 a
20ºC.

● Etanol- Líquido incolor, nocivo e inflamável, o contacto com a pele, olhos , a ingestão
ou a inalação de vapores pode causar queimaduras ou lesões graves,com ponto de
fusão aos -114ºC e ponto de ebulição aos 78ºC. Massa molar de 46,07 g / mol,
densidade 0,79 g /cm³ a 20 °C e solubilidade ≥1.000 g /l a 20 °C miscível em
qualquer proporção.

● Éter de petróleo- Líquido incolor e volátil, solúvel em compostos orgânicos e


insolúvel em água, é corrosivo e facilmente inflamável, podendo provocar lesões
cutâneas, no caso de ingestão do composto não se deve provocar o vómito. Deve-se
manter num local bem arejado, com ponto de fusão aos -70ºC e ponto de ebulição aos
30-60ºC, massa molar de 82,2 g / mol, densidade de 0,65 a 20ºC

● Água- Líquido incolor e inodoro com ponto de fusão aos 0ºC e ponto de ebulição aos
100ºC, massa molar de 44 g/mol e densidade de 1.00 g/cm3

● Ácido benzoico- é um sólido cristalino, pouco solúvel (2.9g/L) que causa irritação na
pele, provoca lesões oculares graves, provoca danos aos órgãos por exposição
repetida ou prolongada se inalado, com ponto de fusão aos 122.4ºC e ponto de
ebulição aos 249.2ºC. Tem densidade de 1,26 g / cm3 (15 ° C) e massa molar 122,12
g / mol.

- Conclusão-

- Bibliografia-
Material fornecido pelo docente
PubChem
https://www.mt.com/br/pt/home/applications/L1_AutoChem_Applications
/L2_Crystallization/recrystallization.html

Bibliografia
Material fornecido pelo docente. (s.d.).

Mettler Toledo. (15 de abril de 2021). Obtido de


https://www.mt.com/br/pt/home/applications/L1_AutoChem_Appli
cations/L2_Crystallization/recrystallization.html

PubChem. (15 de Abril de 2021). Obtido de https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/

Você também pode gostar