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INTRODUÇÃO

Este trabalho de conclusão curso expõe o trabalho do assistente social na


busca pela garantia dos direitos da comunidade formada por pessoas Lésbicas,
Gays, Bissexuais, Trans, Queer, Intersexuais e Assexuais (LGBTQIA+), através de
debates acerca do tema. O conteúdo abordado nas linhas adiante parte do
pressuposto de que a execução laboral mencionada se encontra dentre as
atribuições do profissional de Serviço Social, tendo vista seu envolvimento com
ações inclusivas, diante das desigualdades presentes na realidade brasileira.

Como sabido, o contexto interno está recheado de disparidades sociais,


sendo elas de cunho econômico, racial, de gênero, regional, etário e quanto a
classe. Diante disso, os grupos minoritários encontram-se à beira da invisibilidade
da esfera política no Brasil, o que deve ser evitado por aquele que exerce o serviço
social de forma juramentada, pois é incumbido de lutar, dia após dia, pela justiça e
sociedade igualitária, ao passo em que opõe-se à discriminação e o preconceito.

O objeto principal consiste na investigação de mecanismos práticos que o


operador de Serviço Social pode buscar para reparação das diversidades presentes
no meio social, com ênfase à proteção do grupo LGBTQIA+. Estas diferenças
sociais, segundo Lacerda (2014, p. 23), estão associadas às ações capitalistas do
mundo moderno, tendo em vista que a ganância interfere na implantação de
políticas públicas igualitárias, que visem a defesa dos grupos diferentes, visto que
sua finalidade é tão somente o lucro.

Mediante metodologia, foi percorrido o caminho da pesquisa exploratório-


descritiva, ou seja, buscou-se a compreensão do tema escolhido, em sua raiz,
aliado à investigação aprofundada do objeto pretendido, onde o processo de
examinação de material objetivou a coleta de informações que permitissem o
desenvolvimento desta atividade acadêmica, nos campos teóricos e práticos.

Por intermédio desta pesquisa observou-se que os dogmas religiosos


possuem considerável contribuição para a formação de pensamento comum, no que
tange à sexualidade. Entretanto, há de se observar que a vida contemporânea tem
se transformado aos longos dos anos, de modo que uma prática antes condenada
publicamente, hoje é aceita, ou busca-se sua aceitação, dada a realidade social.

Nas linhas iniciais, serão demonstradas as motivações relacionadas à


escolha do tema adotado, de modo a discorrer, durante o período, sobre a forma
que o profissional de serviço social habilitado opera nas questões atinentes ao
combate às diferenças e intolerâncias existentes na sociedade, destacando os
assuntos relacionados à diversidade de gênero no Brasil.

Em seguida, poderão ser verificados os conceitos do trabalho do assistente


social nas demandas sociais do país, considerando sua herança cultural e religiosa,
as quais sugerem uma estática tradição de condutas e comportamentos, enquanto
propõe a reconceituação de normas de caráter moral, perante a sociedade,
mediante ruptura com o conservadorismo, levando à uma nova realidade, com
intensas diversificações, tendo o profissional do serviço social papel ímpar na
defesa desses novos grupos, até então, ilegítimos perante a sociedade.

Ainda, poderá ser observada a minúscula parcela do Serviço Social ligada ao


grupo LGBTQIA+, isso, na esfera acadêmica, quanto a materiais científicos,
demonstrando a necessidade de incentivos e debates sobre o tema no meio
educacional, em nível superior.

Por fim, através de uma pesquisa de campo no Centro de Referência


Especializado de Assistência Social (CREAS), unidade de Água Claras, será
exposta a execução do trabalho do assistente social junto à população LGBTQIA+,
no acompanhamento às orientações prestadas ao indivíduo e/ou sua família,
quando da superação de situação de risco vivenciada.

Isso, a fim de se obter dados fatídicos acerca da garantia e promoção da


Política Nacional de Assistência Social (PNAS) a esse segmento sexualmente
diversificado, considerando sua condição minoritária perante a sociedade e levando
em consideração o contexto de uma cidade do interior, onde, via de regra, a
tradição e os costumes são mantidos.

Assim, neste trabalho, também serão demonstradas as ações e serviços


ofertados pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em relação à busca
pela equidade entre os indivíduos, respeitando suas diferenças sociais, bem como
as condutas que podem ser adotadas pelo assistente social no enfrentamento da
discriminação e preconceito contra a comunidade LGBTQIA+.

1 DIRETRIZES CURRICULARES

1.1 Preâmbulo

Este estudo visa a atenção dos operadores do serviço social às


transformações da sociedade no que diz respeito ao gênero, visto que a
comunidade de pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Queer, Intersexuais e
Assexuais (LGBTQIA+), desde o início de seu surgimento, enfrenta resistência
social, devido a ruptura com as tradições costumeiras.

Interessante citar, já no início dessa concepção, o ilustre poeta português


Luís Vaz de Camões (1968, p. 127), acerca da constante metamorfose do tempo,
das vontades e das pessoas ao longo dos anos, como análise introdutiva às
modificações sociais, sugerindo que a coletividade jamais habitará na constância.
Vejamos:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,


Muda-se o ser, muda-se a confiança,
Todo mundo é composto de mudança
Tomando sempre novas qualidades.

Desta premissa, partimos do pressuposto de que a sociedade encontra-se em


transição contínua, ao mesmo tempo que os padrões sociais permanecem inertes à
uma realidade não mais existente, sugerindo um paradoxo que permite o acesso da
atuação pragmática do assistente social na interrupção dessa linha de pensamento
estática, nesse caso, tratando essencialmente de assuntos relacionados aos direitos
do grupo LGBTQIA+.
O Serviço Social como profissão regulamentada, tem diligenciado na
garantia dos direitos humanos, quanto a inclusão da minoria social, dentre eles, os
que possuem gênero diversificado, de modo a promover a igualdade descrita no
artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos (Assembleia-Geral da
ONU, 1948), onde anuncia que ”Todos os seres humanos nascem livres e iguais em
dignidade e em direitos, dotados de razão e de consciência, devem agir uns para
com os outros em espírito de fraternidade.”

Assim como no âmbito internacional, no Brasil há um documento legal que


protege as diferenças, qual seja, a Constituição Federal da República, promulgada
em 1988, que no título II sobre os direitos e garantias fundamentais estabelece que
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (artigo 5º),
também traz em seus fundamentos a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, inciso
III).

Além disso, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) ao regulamentar


a profissão, através da Lei nº. 8.662/1993, constituiu no item VI de seus princípios
fundamentais o “empenho na eliminação de todas as formas de preconceito,
incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente
discriminados e à discussão das diferenças”.

Diante disso, podemos afirmar que o assistente social se encontra respaldado


pela lei para investir na luta contra as desigualdades sociais, visto que, faz parte de
sua jornada profissional o contato diário com os mais variados grupos vulneráveis,
dentre eles a população LGBTQIA+.

Apesar do respaldo jurídico e regulamentação pelo Código de Ética do


CFESS, alguns profissionais atuantes deixam a neutralidade de lado e agem com
julgamentos moralmente preestabelecidos, o que não pode ser aceito, pois essa
minoria social já sofre com a desprezo da sociedade e não deve ser duplamente
punida pelos técnicos que não se adaptam às novas realidades sociais.

É de grande importância que o assistente social assume seu papel imparcial


diante da atuação profissional, sendo que, ao contrário, estará infringindo normas
éticas, face ao seu caráter excludente. Atento a essa questão discriminatória, por
parte de alguns profissionais, o CFESS, publicou a Resolução nº 489/2006, a qual
no seu artigo 1º assegura que:

Art. 1º - O assistente social no exercício de sua atividade profissional


deverá abster-se de práticas e condutas que caracterizem o policiamento
de comportamentos, que sejam discriminatórias ou preconceituosas por
questões, dentre outras, de orientação sexual.

Ainda, a referida resolução, prevê sanções, por intermédio de apuração


administrativa, àqueles que exercem ofício no campo do serviço Social e se utilizam
de práticas que revelem condutas e comportamentos de cunho discriminador e
preconceituoso, que intimidem a livre manifestação da orientação e expressão
sexual, ou seja, incompatíveis com a profissão, conforme abaixo:

Art. 7º - Os Conselhos Regionais de Serviço Social, deverão aplicar as


penalidades previstas pelos artigos 23 e 24 do Código de Ética Profissional,
ao assistente social, que descumprir as normas previstas na presente
Resolução, desde que comprovada a prática de atos discriminatórios ou
preconceituosos que atentem contra a livre orientação e expressão sexual,
após o devido processo legal e apuração pelos meios competentes,
garantindo-se o direito a defesa e ao contraditório.

Assim, verifica-se que a adaptação dos profissionais do Serviço Social à nova


realidade societária, a qual inclui as mais variadas diferenças entre os indivíduos, é
extremamente necessária para a garantia dos direitos do segmento LGBTQIA+,
visto que seu contato direto com comunidades distintas é de substancial relevância
tanto para aqueles que se socorrem ao socioassistencialismo, quanto ao estímulo
de políticas públicas inclusivas, dado sua convivência com linhas de desigualdades
sociais.

Atencioso com a questão da diversidade sexual, o CFESS em conjunto aos


Conselhos Regionais de Serviço Social, em 2006, promoveu a “Campanha pela
Livre Orientação e Expressão Sexual”, visto que o tema ganhou destaque nas
últimas décadas do século XX. O objetivo foi de trazer à tona o debate sobre a
sexualidade humana, bem como sua diversidade, no campo institucional do
assistente social, e apresentar a necessidade de reformuladas posturas sociais e
políticas que inibam a reprodução da discriminação e do preconceito, pelo
assistente social.

Nas reinvindicações do movimento organizado na referida campanha em


favor à liberdade de orientação sexual, encontram-se: maior visibilidade das ações
do grupo, busca pela criminalização da homofobia, assim como combate à toda e
qualquer forma de violência em relação ao gênero e luta pelo reconhecimento e
institucionalização dos direitos do segmento LGBTQIA+ (CFESS. 2007, p. 3).

Apesar das organizações em busca de evidência social e política da


comunidade LGBTQIA+, ainda há muito trabalho até a conquista do pleno
cumprimento dos direitos voltados à essa comunidade, haja vista a necessidade de
uma densa desconstrução de pensamento comum, com bruscas rupturas com o
conservadorismo.

É necessário que a sociedade seja mais acolhedora, esteja disposta a ignorar


as diferenças individuais, independentemente de quais elas forem, e encare a nova
realidade social, que há certo tempo encontra-se presente e acha-se extremamente
diversificada em muitas categorias, dentre elas, quanto a orientação e escolha
sexual, sendo que o Serviço Social possui atuação singular na busca pela igualdade
da pessoa humana, ao passo que observa as diferenças.

1.2 Breve contexto histórico e contemporâneo

No cenário histórico-cultural do surgimento do Serviço Social no Brasil,


Marilda Iamamoto (2014, p. 89 e 90) expõe a origem da profissão como
desdobramento de ações da Igreja Católica e execuções assistencialistas de
instituições de caridade, vez que ambas cumpriam função social de buscar a
redução dos índices de fome, causados pela abolição da escravatura que deixou os
ex-escravos abandonados à própria sorte, ou seja, desemprego em massa.

Decorrido certo tempo, à medida que os processos de inovação tecnológica


foram surgindo, devido aos atos capitalistas originados na Revolução Industrial,
parcela dos trabalhadores se viram em posição de confronto com o Estado, na
busca por direitos sociais, isso já nas décadas de 70 e 80 (Iamamoto, 2014),
momento em que se tornou vital para o Estado a existência de categoria profissional
que atendendesse as indagações da classe operária.

Entretanto, naquele momento, ainda não fora possível o desmembramento


entre os assuntos estatais e a fé cristã, mesmo havendo clamor pelos pioneiros
assistentes sociais acerca da necessária separação entre o que era moral e legal,
visto que a sociedade encontrava-se demasiadamente enraizada nos costumes
religiosos, ocasionando uma problematização profissional sobre o tema.

Após insistentes discussões sugeridas pelo Serviço Social, por longos


períodos, pôde-se alcançar a separação entre as ações religiosas e a prática
profissional, posto que sem essa rupta de pensamento não se verificava
operacionalidade do Serviço Social, inclusive, sucedendo essa fase é que os
profissionais puderam averiguar e disseminar as transformações da sociedade e
seu impacto no indivíduo e no todo.

Atualmente, a profissão encontra maior operacionalidade, desenvolvendo


sua função em busca da plena cidadania dos indivíduos socialmente
desfavorecidos. Apesar disso, ainda é possível encontrar profissionais com
comportamento incompatível com a profissão, quando agem com pessoalidade no
modo em que executam os procedimentos relativos à diversidade de gênero,
levando à uma reflexão sobre a possibilidade de um cenário em que o preconceito
esteja extinto da sociedade como um todo, inclusive dentre o labor do assistente
social.

No que tange à questão em que o indivíduo, instruído desde a concepção em


um meio socialmente conservador, por vezes, se confunde com o profissional,
novamente podemos citar Iamamoto que aponta a necessidade de modificação na
execução da atividade de modo que a atuação profissional possa

[...] contribuir para uma releitura de exercício profissional, que permita


ampliar a autoconsciência dos assistentes sociais quanto as condições e
relações de trabalho em que estão envoltos. Estas sendo mutáveis, já que
históricas, estabelecem limites e possibilidades para as ações dos sujeitos,
que vão “esculpindo” forma e conteúdo na realização da profissão (2012,
p.11)
Assim, nesta exposição também trataremos sobre os motivos que levam
alguns assistentes sociais a se portarem com preconceito perante grupos
minoritários, mesmo que o Código de Ética reprove tais condutas e preveja
penalidades àqueles que agem de forma discriminatória perante a condição
socialmente diferente de certos grupos e/ou pessoas, nesse caso, a comunidade
LGBTQIA+.

A discussão, como sugere o tema, está envolta na prática profissional, no


modo em que os operadores do Serviço Social podem e devem proceder em busca
de reconhecimento da comunidade LGBTQIA+ perante a sociedade, de visibilidade
desse segmento pelo poder público para promoção de políticas inclusivas, além de
adoção normas que criminalizem atos violentos e atentatórios aos seus direitos
como pessoa humana com orientação sexual diversificada.

Isso, sem desprezar a questão ligada àqueles assistentes sociais que


desacatam o Código de Ética de sua classe e age de forma preconceituosa e
discriminadora face ao grupo composto por pessoas sexualmente diversas como
lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexuais e assexuais.

1.3 Objetivos e mecanismos metodológicos

A pesquisa delineada neste trabalho acadêmico visa a análise da atuação


daquele que exerce o Serviço Social de forma juramentada com o público
LGBTQIA+, levantando questões a respeito da indispensável imparcialidade do
assistente social, a qual, por vezes, se vê em conflito suas convicções pessoais,
possibilitando, a partir disso, a investigação a respeito de eventual ausência de
preparo técnico à essa classe profissional.

Igualmente, pode ser observado que o acompanhamento do assistente social


no enfrentamento às violações sofridas por pessoas com orientação sexual
diversificada e com gêneros atípicos é de suma importância para a implantação de
políticas públicas dada sua proximidade com diversos grupos sociais, dentre eles,
aquele formado pela comunidade LGBTQIA+.
Contribuindo para com a compreensão da finalidade da temática definida,
brevemente aponta dados históricos, com o intuito de demonstrar as transformações
sofridas pela sociedade e pelo Serviço Social, este em defesa das minorias.

Ao final, pretende a quebra dos paradigmas conservadores que estão


presentes tanto na sociedade, quanto no meio profissional, o fomento à prática
profissional em conformidade às normas regulamentadoras do Serviço Social, bem
como as que asseguram um exercício livre de preconceito e discriminação de
qualquer natureza, bem como busca o estímulo de mecanismos de aceitação à
diversidade social.

Quanto a metodologia, descrevemos que a compreensão deste estudo se


deu através de revisão bibliográfica em livros, produções científicas do meio
acadêmico, sites, cartilhas e periódicos eletrônicos, legislação sobre o tema e afins,
visando a maior profundidade na matéria teórica quanto a atuação do assistente
social no enfrentamento às demandas enfrentadas pelo grupo LGBTQIA+.

Como dito anteriormente, se trata de uma pesquisa exploratório-descritiva


com estudo de campo voltado à comunidade sexualmente diversificada, realizado
junto ao CREAS de Água Clara/MS, aonde pessoas em vulnerabilidades sociais,
cujos direitos já tenham sido violados, têm acesso a acompanhamento psicossocial,
ou seja, por profissionais da área do Serviço Social e da Psicologia,

O assunto, inicialmente, é explorado em sua gênese para então partirmos


para uma investigação aprofundada do objeto pretendido. Para Mattar (1996) as
pesquisas exploratórias tem como propósito o real conhecimento do pesquisador
quanto ao assunto estudado, resultando em domínio da matéria de modo a permitir,
posteriormente, olhar crítico sobre a temática.

Por fim, foi adotada análise mediante questionário formulado à unidade do


CREAS, a fim de colher subsídios fáticos acerca da problemática proposta neste
estudo acadêmico, contribuindo, desta forma, para com a conclusão das ideias
pretendidas com a questão levantada.
2 O SERVIÇO SOCIAL EM BUSCA DAS GARANTIAS DOS DIREITOS LGBTQIA

2.1 A transformação do Serviço Social como profissão

A gênese da atividade profissional proveniente do Serviço Social, no Brasil,


conforme afirma Yasbek (2006), é resultado de percussões históricas, sociais,
políticas e econômicas, as quais ainda imperam na sociedade moderna, definindo,
de certa forma, a execução do ofício.

Infere-se que a iniciativa do estudo dó Serviço Social tenha ocorrido no início


da década de 1930, sob um prisma completamente conservador e moralista, de
modo que os profissionais da área praticavam o labor sob o julgo dos interesses da
classe dominante, visando, tão somente, a ordem pública e o controle social.

Destarte, ao escoar do tempo, emergiu dentre os assistentes sociais o


movimento de reconceituação, durante os anos de 1960 a 1970, evento marcante
para o Serviço Social, tendo em vista que a atuação profissional se ocupa com
ruptura entre as tradições socialmente impostas, dado seu comprometimento
juramentado de buscar a redução das desigualdades, a começar, no campo
científico.
Paulo Netto (2005), desenvolve a compreensão do movimento de
reconceituação na renovação do Serviço Social como profissão, sob a ótica de três
eixos, sendo eles conhecidos como perspectivas modernizadora, de reatualização
do conservadorismo e da intenção das rupturas.

O primeiro ângulo trata-se da perspectiva modernizadora, a qual fora


impulsionada com a crise do tradicionalismo do Serviço Social no Brasil, a elevando
à profissão independente. Esse discernimento vanguardista preconiza a adequação
do trabalho do assistente social às questões relacionadas às diversas mutações que
ocorreram nos setores social e político, advindos do período ditatorial.

Paulo Netto (2005, p.154) ressalta que a perspectiva modernizadora, à ótica


profissional atuou para adaptar o Serviço Social como ferramenta de [...] intervenção
inserido no arsenal de técnicas sociais a ser operacionalizado no marco de
estratégias de desenvolvimento capitalista, às exigências postas pelos processos
sócio-políticos emergentes no pós-64.”

Desta forma, podemos afirmar que uma das mudanças conquistadas pelo
movimento de reconceituação foi a adoção de mecanismos técnico-operacionais,
que possibilitaram lançar mão, em parte, dos costumes, que interferiam na
execução do ofício dos assistentes sociais, os impedindo de atuar de forma crítica,
assim como, permitiu o estudo aprofundado de métodos funcionais, suficientes ao
atendimento das reais demandas da sociedade.

Tem-se que a perspectiva modernizadora teve seu apogeu através dos


seminários de Araxá, em Minas Gerais (1967) e Teresópolis, no Rio Janeiro (1970),
durante a Ditadura Militar, coordenados pelo Centro Brasileiro de Cooperação e
Intercâmbio de Serviço Social (CBCISS), e por ele publicados em 1986, em meio à
intensas modificações no cenário político no brasileiro.

Os documentos foram redigidos por assistentes sociais que ousaram


questionar a função social de suas profissões no meio das circunstâncias
societárias da época, e constituem valiosa fonte de pesquisa profissional,
considerando que o assistente social trabalha em consonância ao desenvolvimento
das sociedades, bem como deve se adaptar à realidade.
Quanto a segunda, perspectiva de reatualização do conservadorismo,
verifica-se que foi posta a aperfeiçoar as defesa das práticas operacionais, com
intento de condizerem com os acontecimentos contemporâneos, deixando para trás
métodos antigos que não mais compreendem as concepções de/a sociedade, visto
que esta já não era mais era mesma, após os eventos sociopolíticos (PAULO
NETTO, 2005).

Além disso, havia necessidade de um profissional que acompanhasse as


inovações dos segmentos societários, pois era o que os eventos exigiam:
profissionais que, ao invés de atenderem os interesses da classe dominante,
compreendessem o clamor social e o traduzisse aos veículos capazes de gerar
condições que exprimissem as desigualdades.

O que se propunha fora um novo conceito de trabalho no Serviço Social, o


qual devia encontrar-se mais aberto ao público, bem como manter-se em constante
construção, ou seja, que continuamente se estruturasse a partir das novas
concepções. Entretanto, conforme Paulo Netto (2005), apesar da nomenclatura
pressupor apartação de condutas pretéritas, de fato, não houveram alterações
significativas na profissão, visto que ainda se subordinava às doutrinas morais,
quase sempre de cunho religioso, que penetravam na interpretação crítica.

No tocante ao terceiro e último fragmento ideológico, qual seja, a perspectiva


da intenção das rupturas, Paulo Netto (2005) afirma que ela buscava desligar
inteiramente o Serviço Social tradicional, mediante viés operacional, abolindo meios
de atuação retrógrados, dando lugar à procedimentos metodológicos, ideológicos e
teóricos inovadores dentro da profissão.

Como elemento do movimento de reconceituação, essa perspectiva objetivou


um novo retrato do assistente social, trazendo à tona um profissional com
oportunidades de olhar mais crítico que possibilitassem o enfrentamento de uma
gama de demandas sociais, por um viés mais crítico, equitativo e transformador.

Ao final, para concluir a temática exposta, faz-se menção de um trecho dos


estudos científicos divulgados por Carneiro, Gonçalves e Viana (2015) acerca do
assunto exposto:
Esta perspectiva [intenção de rupturas] se constitui de três momentos
distintos: o da sua emersão, o da sua consolidação acadêmica e da sua
dissipação sobre a categoria profissional. [...] caracteriza-se também pelo
reforço a teoria marxista, principalmente o “marxismo acadêmico”, que se
desenvolve no correr do tempo com a crise da ditadura militar. O Serviço
Social se apropria das teorias marxistas, pois acreditavam em uma
mudança social. Mas a leitura feita pelos assistentes sociais da época
sobre o marxismo foi muito superficial o que causou uma concepção do
assistente social como agente transformador da sociedade numa ideia de
revolução.

No Brasil, a regulamentação do assistente social como profissão se deu no


ano de 1993, através da Lei nº. 8.662, a qual instituiu parâmetros para o exercício
profissional, anunciando princípios, direitos e deveres, enfim, diretrizes a serem
observadas nas relações laborativas entre as instituições empregadoras e os
usuários dos serviços.

No que tange às proporções dadas pelas orientações normativas, estas


trouxeram amplitude na atuação dos profissionais, bem como possibilitou técnicas-
operativas de intervenção, objetivando uma palpável transformação na sociedade,
buscando responder a uma maior variedade de demandas sociais.

Considerando que as questões sociais devem ser atendidas por meio de


técnicas, métodos, fundamentos teóricos e éticos, o Serviço Social atua com exame
crítico nas questões trazidas até a profissão, operando, principalmente, junto à
população menos favorecida, com o fim de atenuar as desigualdades sociais.

No estudo do movimento de reconceituação, vimos que as diferentes


perspectivas agiram na desenvoltura da profissão, cada qual com seu intento,
permitindo aos assistentes sociais amplitude operacional perante a sociedade,
sendo tal afirmativa objeto de estudo do Conselho Regional do Serviço Social
(CRESS) do Rio de Janeiro, o qual divulga que:

O Serviço Social é uma profissão de caráter sociopolítico, crítico e


interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das
Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas
refrações da “questão social”. Isto é, no conjunto de desigualdades que se
originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação
privada dos frutos do trabalho (CRESS, 2009, p. 01).

Assim, tendo em vista que o Serviço Social possui dever para como a
redução das desigualdades sociais, discriminações e preconceito sofridos em
grande parte por grupos minoritários, podemos concluir que a profissão igualmente
está comprometida com a luta da população LGBTQIA+, visto que, em razão da sua
diversidade sexual enfrenta marginalização pela sociedade tradicional e
invisibilidade pelo poder público, este quanto à ausência de aparato à sua
cidadania.

2.2 Aspectos profissionais no enfrentamento à discriminação sexual

A atuação do Serviço Social está intimamente relacionada ao enfrentamento


das diferenças sociais, fazendo da luta pela igualdade, liberdade, justiça e
democracia sua bandeira, o que se pode confirmar mediante análise histórica desta
profissão, inclusive no Brasil, lutando bravamente junto aos trabalhadores e classes
socialmente desvantajadas, no decorrer dos anos.

A par dessas considerações podemos afirmar que o assistente social, antes


mesmo de obter regulamentação de seu labor, está a batalhar por todos aqueles
atingidos pelas questões sociais, pessoas que não ostentam meios de enfrentar
dignamente as demandas da existência, de sorte que há o Serviço Social buscando
pela equidade e justiça social para as minorias.

Tratando-se de profissão, o Serviço Social é regido por um Código de Ética


dotado de princípios, dentre os quais acha-se o fundamento “o reconhecimento da
liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ele inerentes -
autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais” (CFESS. 1993,
p. 01), propondo, desta forma, uma identidade profissional que busca o respeito às
individualidades.

Quanto às questões relacionadas a atos preconceituosos e discriminatórios, a


ordem do Serviço Social preceitua o “empenho na eliminação de todas as formas de
preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos
socialmente discriminados e a discussão das diferenças” (CFESS, 1993, p. 23).

Ainda sobre os princípios fundamentais do Código de Ética, podemos citar o


sequencial XI o qual trata da identidade de gênero no âmbito profissional,
apregoando um “exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem
discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião,
nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física”
(CFESS, 1993, p. 24).

Desse modo, podemos afirmar, do ponto de vista ético que o assistente social
está intimamente atrelado à busca de garantidas da população LGBTQ+ pela livre
orientação e expressão sexual, possuindo deveres decorrentes dos princípios e
valores inerentes à profissão que luta pela defesa da liberdade, da democracia e do
combate a todas as formas de preconceito, barbárie e violência.

Outra importante legislação do CFESS acerca da atuação profissional do/a


assistente social na luta pelas garantidas da população LGBTQ+ é a Resolução nº
489, de 03 de junho de 2006, que dispõe sobre normas e veda condutas
discriminatórias ou preconceituosas, decorrentes de orientação e expressão sexual
por pessoas do mesmo sexo, regulamentando princípio do Código de Ética (CFESS,
2006).

Nessa senda, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), juntamente


aos Conselhos Regionais do território brasileiro, têm manifestado apoio ao
enfrentamento de preconceitos e discriminações sofridas por lésbicas, gays,
bissexuais, trans, queer, intersexuais e assexuais.

A título exemplificativo, podemos mencionar o Seminário Nacional de Serviço


Social e Diversidade Trans, ocorrido em São Paulo/SP, junto ao Conselho Regional
de Serviço Social de São Paulo, nos dias 11 e 12 de junho de 2015, onde foi
debatido sobre exercício profissional, orientação sexual e identidade de gênero. O
referido encontro resultou em livro publicado em 13/04/2020 pelo CFESS, com
conteúdo das palestras do evento.

Em 26 de fevereiro de 2018, foi editada a Resolução CFESS nº 845 que


dispõe acerca da atuação profissional do/a assistente social no processo
transexualizador, como participação de equipe multiprofissional criada pela Portaria
do Ministério da Saúde nº 2803/2013, sendo parte da assistência social no Sistema
Único de Saúde (SUS) na atenção e no cuidado de transexuais e travestis que
desejam realizar mudanças corporais através da adequação da aparência física e
da função de suas características sexuais.
Por fim, citamos a emissão de Nota de Apoio ao Conselho Federal de
Medicina (CFM), quando da publicação da Resolução nº. 2.265/2019 acerca do
cuidado específico à pessoa com incongruência de gênero ou transgênero, em 13
de abril do corrente ano (2020), decorrente das investidas sofridas pelo CFM,
oriundas do próprio conselho, além do congresso Nacional e grupos conservadores
da sociedade, as quais questionaram a resolução.

A contar da publicidade do referido documento, as mencionadas classes


passaram a exigir pronunciamento de “todos os sujeitos das diferentes categorias
que participaram da comissão para o estudo da transexualidade, inclusive do
Serviço Social”, relativamente ao conteúdo divulgado, conforme fala de Daniela
Möller, coordenadora da Comissão de Ética e Direitos Humanos do CFESS
(CFESS, 2020).

Dentre os aspectos valorizados pelo CFESS, estão os fatores de considerar a


identidade de gênero como sendo resultante do reconhecimento de cada pessoa
sobre seu próprio gênero; a mudança do enfoque estritamente cirúrgico para uma
perspectiva de saúde mais ampla e integral; a ampliação do público alvo ao citar
transgêneros, transexuais, travestis e outras expressões identitárias relacionadas à
diversidade de gênero.

Em nota, o CFESS, como elemento diretamente atuante junto às diversidades


sexuais, expressou apoio ao Conselho Federal de Medicina quando da adoção de
novos processos de assistência às pessoas trans e ratificou aspectos relevantes da
Resolução nº. 2.265/2019, ressaltando que apesar das novas diretrizes figurarem
avanços, ainda há árdua jornada pela busca das garantias dos direitos das pessoas
trans.

2.2.1 Conceitos e discussões sobre sexualidade

A sexualidade demanda profundidade de estudo, dada suas particularidades


que somente se revelam através de análise histórica, visto que sua origem insurgiu
com o nascimento do indivíduo, partindo para o campo da discussão já na formação
da sociedade.
Foucault (2010) afirma que a sexualidade foi concebida mediante convicções
morais tanto cristãs quanto pagãs, sendo a segunda proveniente da primeira,
tomando, porém, uma nova vertente onde a relação entre pessoas do mesmo sexo
era socialmente respeitada e não abominável, oposto da visão do cristianismo. Os
pagãos, diga-se, pessoas dadas ao politeísmo - crença e adoração a mais de uma
divindade -, consideravam que as relações sexuais entre homens eram naturais à
própria sexualidade.

No século VI a.C. a homossexualidade estava estendido por toda a Grécia,


de tal modo que fora fortemente expressada através da arte, literatura e a filosofia,
expressando o desejo presente no cotidiano grego e indicando seu modo de vida.
Conforme Ullmann (2007), a despretensão existente no modo de vida ateniense,
quando à homossexualidade, era aceita entre os homens, sem oposição.

Porém, contrário ao que se é amplamente difundido, o senso heterossexual


não fora originalmente extraído das escrituras judaicas ou cristãs, e sim do
estoicismo - doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a. C.) que é determinado
por uma norma moral de que a “eliminação das paixões e a aceitação do destino
são características do homem sábio” (BBC, 2017).

Isso, porque a homossexualidade, apesar de existente, era considerada


anormal no meio daquela sociedade, onde o sexo era difundido como algo
destinado à procriação por Todd Salzman, Musonius Rufus e outros teólogos
estoicos (BBC, 2017).

Com a instituição da Igreja Católica o relacionamento entre pessoas do


mesmo sexo passou a ser visto de maneira abominável, vez que o catolicismo
difunde ideias e ideais completamente diferentes, quanto à sexualidade. Na época
de Agostinho (354-430), teólogos cristãos adotaram essa ética conjugal-reprodutiva
e o sexo para procriação, ou seja, entre homem e mulher, virou a única forma
sexual aceita.

Focault em sua obra História e Sexualidade - I: a vontade do saber (1999),


descreve como o sexo já era controlado pelo catolicismo na Idade Média, pois
durante o século XVII, os fiéis tinham dever de, em suas confissões, descreverem
de maneira pormenorizada os atos sexuais, como as posições, gestos, toques,
exatidão do momento do prazer, fortalecendo, dessa forma, o entendimento de que
a sexualidade é algo socialmente construído.

Nesse teor, temos que a diversidade sexual é um processo pedagógico


regido pela sociedade, sendo ela a ditadora dos valores, liberdades e expressões,
no que tange a sexualidade. Para Toneli (2008), a discussão sobre o tema
sexualidade humana somente é plausível em razão das mudanças no campo de
estudo científico da filosofia e nas transformações geo e sociopolíticas vivenciadas a
partir do século XVIII.

Focalut (1977), ainda afirmou que:


A sexualidade é o que há de mais íntimo nos indivíduos e aquilo que os
reúne globalmente como espécie humana. Está inserida entre as
“disciplinas do corpo” e participa da “regulação das populações”. A
sexualidade é um “negócio do Estado”, tema de interesse público, pois a
conduta sexual da população diz respeito à saúde pública, à natalidade, à
vitalidade das descendências e da espécie, o que, por sua vez, está
relacionado à produção de riquezas, à capacidade de trabalho, ao
povoamento e à força de uma sociedade. Compreende-se também como
esse tipo de poder foi indispensável no processo de afirmação do
capitalismo, que pôde desenvolver-se “à custa da inserção controlada dos
corpos no aparelho de produção e por meio de um ajustamento dos
fenômenos de população aos processos econômicos”. (FOUCAULT, 1997,
p. 27).

Na atualidade, sexo e sexualidade têm sido objeto de estudo e discussão em


diversos segmentos científicos, de modo que diversidade sexual é tida como as
infinitas formas de vivência e expressão da sexualidade, é formada por um misto de
fatores biológicos, psicológicos e sociais e é composta por três elementos básicos:
sexo biológico, orientação sexual e identidade de gênero (ESDEP, 2018, p. 6).

Sexo biológico, segundo a Cartilha Diversidade Sexual e Cidadania (2018),


publicada pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São
Paulo, é a combinação de cromossomos (macho e fêmea); é o aspecto fisiológico
do sujeito; é a genitália e está relacionado à capacidade de reprodução. Ainda, há o
indivíduo intersexual, que é aquele que apresenta características de ambos os
sexos. Na sociedade moderna, é mais acertado utilizar o termo intersexual ao invés
de hermafrodita, em razão do estigma que o segundo vocábulo provoca.
Orientação sexual, conforme os Princípios de Yogyakarta (documento de
magnitude internacional que veremos com maior propriedade no próximo título),
está relacionada a atração emocional, afetiva ou sexual, bem como possuir relação
íntima ou sexual por pessoas do mesmo gênero, de gênero diferente ou por mais de
um gênero.

Nesse ponto, citamos material didático disponibilizado pelo Ministério Público


do Estado de São Paulo, Cartilha: O Ministério Público e os Direitos LGBT, que
conceitua os quatro tipos majoritários de orientação sexual. Vejamos:
Heterossexual: pessoa que se sente atraída afetiva e/ou sexualmente por
pessoas do sexo/gênero oposto.
Homossexual (Gays e Lésbicas): pessoa que se sente atraída afetiva e/ou
sexualmente por pessoas do mesmo sexo/gênero.
Bissexual: pessoa que se sente atraída afetiva e/ou sexualmente por
pessoas de ambos os sexos/gêneros.
Assexual: pessoa com ausência de atração sexual por pessoas de ambos
os gêneros. (MPSP, 2017, p. 9)

Ademais, não mais é utilizada o termo “homossexualismo”, pois, o sufixo


“ismo” remete à doença e a homossexualidade deixou se ser considerada como
patologia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1990, quando
modificou a Classificação Internacional de Doenças (CID), declarando que “a
homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”.

Importante mencionar que o Código de Ética do Assistente Social de 1993


utilizava do termo “opção sexual”, em consonância à literatura temática. Em 2011,
no lançamento da 9ª edição da referida legislação normativa, o CFESS
acompanhou a estrutura mais crítica sobre o assunto e substituiu a expressão por
“orientação sexual”, por compreender que não se trata de uma escolha, vetando,
desta forma, quaisquer atos discriminatórios, conforme Resolução CFESS nº 594,
de 2011, garantindo a linguagem de gênero.

Previamente à definição e considerações de identidade de gênero e


expressão de gênero, é necessário conceituarmos a terminologia gênero,
destacando que ainda não é objeto de consenso entre os diversos ramos da ciência,
apesar de ter surgido em 1970 como forma de diferenciar o biológico (sexo) do
social (gênero) (Haraway, 2004).
Sabe-se que, apesar do sexo biológico distinguir macho e fêmea, o modo de
se comportar como homem ou mulher é algo culturalmente construído e exigido de
ambos (expectativas sociais conectadas aos papéis genéricos); depende de vários
de fatores: culturais, políticos, econômicos, sociais e religiosos. Tais papéis são
igualmente afetados pelos costumes, leis, classe e raça, como também preconceitos
inseridos em dada sociedade. (ZINEC, 2001 apud OLIVEIRA, 2008, p. 98).

Nas palavras de Ligia Sica:


O processo pelo qual características, atitudes e habilidades são
consideradas masculinas ou femininas começa com um ato de atribuição
de valor simbólico (SEARLE, 1997), ou seja, se algo resulta “ser masculino
ou feminino é porque houve, previamente, uma atribuição coletiva de
significado nesse sentido” (ARAUJO, 2011, p.61). [...] Vejamos um exemplo
dado por Araujo, José Estevez (2001, p. 61), quando acreditamos que
certas atividades profissionais são masculinas por natureza: esquecemos
ou nunca adquirimos a consciência de que o fato de considerarmos essas
atividades como masculinas tem uma origem cultural. Quando nos dizem
que cuidar das crianças é algo que ‘naturalmente’ cabe às mulheres ou que
as mulheres são ‘por natureza’ incapazes de atuar na esfera pública,
estamos diante de reificações. (Sica, Ligia. 2017, p. 9).

Disso, podemos afirmar que um mesmo indivíduo pode ter um sexo


(genética) que não coincide com o respectivo gênero (masculino ou feminino), haja
vista que isso depende do comportamento e características escolhidos por
determinado sujeito em sua vivência. Para melhor compreendermos a diferenciação
entre sexo e gênero, podemos observar, na figura abaixo, algumas particularidades,
com intuito de elucidar ainda mais os aspectos biológicos e culturais que regem os
conceitos discutidos, conforme a seguir:

Figura 1: Tabela sexo versus gênero


Fonte: FGV. Apostila Introdução aos conceitos de gênero.

Sobre a identidade de gênero, temos que esta independe do sexo biológico e


é a ideia que o indivíduo tem de si mesmo como do gênero feminino, masculino ou
uma combinação de ambos. “A identidade traduz o entendimento que a pessoa tem
sobre ela mesma, como ela se descreve e deseja ser reconhecida” (São Paulo,
Governo do Estado, 2018, p. 17).

É compreendida como a experiência interna e individual do gênero de cada


pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o
senso pessoal do corpo (modificação da aparência ou função corporal por meios
médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta,
modo de falar e costumes.

Há indivíduos que se identificam em todos os aspectos com o sexo que


nasceram, ou seja, pessoas que biologicamente são homens ou mulheres e se
identificam com o gênero masculino ou feminino; estes são denominados
cisgêneros. Quanto àqueles que transitam entre os gêneros, não se limitando ao
sexo que lhes fora atribuído ao nascer e vivenciam suas expressões de modo não
convencional, são conhecidos como transgêneros ou simplesmente pessoas trans
(Manual de Comunicação LGBTI+, 2018, pag. 29 e 32).

Aqui podemos citar a travesti, que é a pessoa que nasce com os genes
masculinos (biologia) e identifica-se de maneira feminina, e dessa forma deve ser
chamada pelo artigo definido “a”, por ser tratamento do gênero feminino. A travesti
não se sente desconfortável por seu sexo biológico ser o oposto à sua identidade
feminina, tampouco com a ambiguidade de traços corporais.

Proveitoso mencionar que algumas travestis mudam seus corpos por meio de
terapias hormonais, aplicações de silicone e/ou cirurgias plásticas, entretanto, em
sua maioria não possuem interesse em se submeter à cirurgia de redesignação
sexual, conhecida como “mudança de sexo”.

Homem trans é a pessoa que nasce com o gene feminino e possui identidade
de gênero masculina. Mulher transexual é aquela que nasceu com o sexo biológico
masculino e se reconhece como mulher. Há homens e mulheres trans que optam
pela realização de cirurgia de redesignação sexual, na busca de alinhar a identidade
de gênero aos aspectos físicos (genitálias, por exemplo), porém, a operação não é
necessária para que determinado sujeito seja reconhecido como transexual.

Como a identidade de gênero não é sinônimo de orientação sexual, pessoas


transgêneras, transexuais e travestis podem ser heterossexuais, homossexuais ou
bissexuais.

A expressão de gênero é o modo como o sujeito manifesta publicamente sua


sexualidade, através de seu nome, vestes, corte de cabelo, voz, características
corporais e comportamentos. A expressão de gênero nem sempre corresponde ao
seu sexo biológico (GLAAD, 2016, pag. 10). “A maioria das pessoas descrevem e
adotam suas expressões de gênero como masculina ou feminina, mas encontramos
pessoas com a expressão andrógina, ou não binária, ou fluída.” (São Paulo,
Governo do Estado, 2018, p. 16).

Outras expressões de gênero comumente são:

Androgêno: pessoa que tem características comportamentais e usa


vestimenta de ambos os sexos.
Agênero: pessoa que se identifica com a ausência de gênero, ou seja, não
sente a necessidade de ser classificada com algum gênero específico
Assexual: é um indivíduo que não considera a prática sexual algo
fundamental. Relaciona-se afetivamente, pode ter atração sexual, contudo,
não busca a prática sexual de forma geral.
Bigênero: pessoa que se identifica com dois gêneros (não necessariamente
binários). As pessoas podem vivenciar os dois gêneros ao mesmo tempo,
ter características de um ou outro gênero mais acentuado em determinados
períodos da vida ou até ter uma experiência mais fluida entre os gêneros
possíveis.
Crossdresser: diz respeito a quem ocasionalmente se veste com roupas
características de gênero diferente do seu sexo biológico.
Demissexual: pessoa que se relaciona com o outro após ter algum tipo de
vínculo emocional, psicológica e/ou intelectual com o outro.
Drag king: pessoas do gênero feminino que vivenciam outro gênero como
diversão. A prática ocorre ocasionalmente para performances artísticas.
Drag queen: pessoas do gênero masculino que se vestem do gênero
feminino para performances artísticas em situações específicas. É
considerado um artista performático que se “traveste”.
Genderqueer: indivíduos que não seguem as performances impostas pela
sociedade do que é dito “homem” ou “mulher”. Trata-se de uma identidade
de gênero, as pessoas vivenciam um gênero que lhes é único,
independente dos valores atribuídos a cada papel de gênero. Buscam a
singularidade, em detrimento da heterocisnormatividade
Gênero fluido ou fluidez de gênero: é aquele que se identifica ou se
expressa às vezes com determinado gênero e, às vezes com outro gênero.
São indivíduos que se sentem confortáveis em transitar entre alguns
gêneros, não necessariamente binários.
Pansexualidade: considera-se que a pansexualidade é uma orientação
sexual, assim como a heterossexualidade ou a homossexualidade. O
prefixo “pan” vem do grego e se traduz como “tudo”. Significa que as
pessoas pansexuais podem desenvolver atração física, amor e desejo
sexual por outras pessoas, independentemente de sua identidade de
gênero ou sexo biológico. A pansexualidade é uma orientação que rejeita
especificamente a noção de dois gêneros e até de orientação sexual
específica.
Polissexual: pessoa que se relaciona com pessoas de vários gêneros.
Queer: palavra utilizada para denominar uma pessoa fora do espectro da
heterossexualidade, que não se identifica no binarismo de gênero (homem
ou mulher). O termo surgiu nos anos 80, nos Estados Unidos, e significa,
em gíria inglesa, “estranho”, “ridículo”, “excêntrico”, “raro”, “extraordinário”.
As pessoas não-binárias são uma vertente do Movimento Queer, visto que
o não-binarismo é um termo que se fala mais recentemente. Logo, o
conceito se propõe a questionar o que entendemos como verdade, ou seja,
uma essência do que é o masculino, o que é o feminino e do que é do
desejo.
Transformista: Indivíduo que se veste com roupas do gênero oposto movido
por questões artísticas.
Transexual: Pessoa que possui uma identidade de gênero diferente do sexo
designado no nascimento. (Ministério Público do Estado de São Paulo.
Cartilha: O Ministério Público e os Direitos LGBT, 2017, pag. 5-9)
Interessante mencionar que, assim como ocorrera com o homossexualismo,
em junho de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a
transexualidade da lista de doenças mentais na nova versão da CID, anteriormente
classificado como 11, sendo um importante avanço para as mulheres trans e
homens trans.

Para encerrar o tratamento das expressões de sexualidade, demonstramos


uma figura capaz de reunir os conceitos até o momento descritos, de modo
complementar visualmente as exposições acerca de sexo biológico, orientação
sexual, identidade de gênero e expressão de gênero:

Figura 2: Imagem “Separando as coisas”

Fonte: Página do Ihlzouein no Instagram.

A sigla LGBTQI+, como anteriormente mencionado, Lésbicas, Gays,


Bissexuais, Trans, Queer, intersexuais e Assexuais é dividida em três partes. A
primeira, LGB, diz respeito à orientação sexual do indivíduo. A segunda, TQI diz
respeito ao gênero. Quanto ao símbolo “+” (soma ou sinal de mais), é utilizado para
incluir as demais orientações sexuais, com intento de incluir a variedade expressões
de sexualidade que não esteja na sigla.

Conforme artigo do site The Gay UK4, a sigla LGBT deve ser substituída por
“LGBTQQICAPF2K+” e de acordo com a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Travestis e Transexuais, que redige o Manual de Comunicação LGBT, a
abreviatura é excludente, haja vista não identificar as pessoas bissexuais, travestis
e transexuais e que, dessa forma, não deve ser utilizada como referência às
diversas vertentes dos movimentos LGBTI+ (MPSP, 2017, pag. 8).

Neste tópico, vimos uma faceta da diversidade sexual, entretanto, insta


salientar que esta possui extensão superior às definições clínicas e sociais, visto
que se trata, intimamente, da expressão da sexualidade do indivíduo; de como ele
se vê e como deseja ser visto perante as demais pessoas.

Há necessidade de se ressignificar conceitos, questionar valores e padrões


que são impostos pela sociedade, para reduzir as desigualdades de gênero em
diversos espaços, por meio de políticas públicas ou privadas, a fim de proporcionar
a todas as pessoas as mesmas oportunidades de desenvolvimento das suas
capacidades e formação de uma sociedade livre da discriminação e preconceito.
CAPÍTULO 3

3.1 Diversificação sexual e os Direitos Humanos

A orientação sexual continua sendo um fator de desigualdade social, visto


que o preconceito persiste nas sociedades. Tal situação requer uma árdua e
contínua jornada na busca de emergir a visibilidade da pessoa LGBTQIA+, dar-lhes
rostos, porque são humanos, têm vida, virtudes e necessidades independentemente
da sua orientação sexual e identidade de gênero.

Isso, pois apesar dos avanços legislativos no sentido de abrir o caminho, as


políticas públicas existentes nessa perpectiva encontram as barreiras do
preconceito e do esteriótipos e estigmas para seu desenvolvimento e execução.

No plano internacional encontramos os Principios de YOGYAKARTA,


aprovado pela Organização das Nações Unidas, com vinte e nove normas sobre a
aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação
sexual e identidade de gênero. Tal documento, publicado em novembro de 2006,
fora elaborado a partir como resultado de uma reunião internacional de grupos de
direitos humanos na cidade de Joguejacarta, na Indonésia.

Os princípios de YOGYAKARTA basearam uma decisão em uma das varas


do 23º Tribunal Regional do Trabalho, no estado do Mato Grosso, onde uma
colaboradora ajuizou ação indenizatória por dano moral, sob pretexto de se sentir
constrangida em despir-se para colocar uniforme, no mesmo local que a colega de
trabalho transgênero que fazia uso do banheiro feminino (ADAMS, 2014).
A sentença foi mencionado trecho do documento o qual aduz que “A
orientação sexual e a identidade de gênero são essenciais para a dignidade e
humanidade de cada pessoa e não devem ser motivo de discriminação ou abuso.”
(ONU, 2006), vejamos trcho da matéria publicada pela imprensa do TRT/23:

Com base nesses princípios, a magistrada entendeu que não seria razoável
“que um trabalhador transgênero, com sentimentos e aparência femininos,
fosse compelido a utilizar vestiário masculino.” Ela ressaltou ainda que
obrigá-lo a utilizar um vestiário particular, específico, seria também
reafirmar o preconceito e a discriminação. Por isso, entendeu que foi
correta a solução adotada pela empresa de, além de facultar o uso de
vestiário particular, permitir que fizesse uso do vestiário feminino. Salientou
também que as operárias não eram obrigadas a despir-se totalmente e as
roupas íntimas se assemelham em geral às de banho, usadas em praias e
piscina. Por fim, apontou que eventual desconforto da reclamante, advindo
de convicções sociais e religiosas, não podem configurar dano moral e
assim negou o pedido de indenização formulado.

Na mesma senda, por unanimidade o Órgão Especial do Tribunal de Justiça


de São Paulo considerou inconstitucional uma lei do município de Sorocaba que
proibia pessoas trans de usarem banheiros e vestiários em escolas públicas e
particulares de acordo com a identidade de gênero (CONJUR, 2019). De acordo
com a referida lei, os alunos seriam obrigados a usar o banheiro de acordo com o
sexo biológico, e não segundo a própria identidade de gênero.
No corrente ano (2020), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em sessão
virtual, decidiu que as pessoas condenadas devem ser direcionadas a presídios e
cadeias conforme sua autoidentificação de gênero, pois “Em um sistema
penitenciário marcado por falhas estruturais e total desrespeito a direitos
fundamentais, a população LGBTI é duplamente exposta à violação de direitos”.
A medida permite que lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis ou
intersexo (LGBTI) condenados e privados de liberdade possam cumprir suas penas
em locais adequados ao seu gênero autodeclarado. Vale ressaltar que a resolução
atingirá os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa que se
autoafirmem integrantes ddo grupo LGBTQIA+.

Tais exemplificações tem por cunho elucidar as tentativas de uma das


esferas do poder estatal, no caso, judiciário, de minorar as sequelas geradas pelo
preconceito social

Destarte a Constituição da República elencar em seus fundamentos a

dignidade da pessoa humana logo em seu primeiro artigo (inciso III), ---- Direito à
igualdade e a não discriminação

Falar sobre o fato de há 30 anos a OMS ter retirado a homossexualidade do


catálogo de distúsrbios (plano internacional)
3.2 Políticas Públicas voltadas à população LGBTQIA+

Retificar as desigualdades é uma marcha fundamental para a construção de


uma sociedade mais justa e humanizada, e, para tanto, demanda no reexame das
arbitrariedades estruturais e cumulativas que mantêm privilégios a um determinado
segmento em detrimento da difusão dos direitos fundamentais para universalidade
populacional.

Segundo os dados da última pesquisa publicada, no final do ano de 2019,


pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil é o
sétimo país com maior índice de desigualdade no mundo, ficando atrás apenas dos
países africanos.
Podemos apontar que a discriminação, conceituada “numa ação ou omissão
que dispense um tratamento diferenciado (inferiorizado) a uma pessoa ou grupo de
pessoas” (APAV, 2020) integra parte das políticas de segregação, as quais têm por
objeto afastar e isolar minorias raciais, sexuais ou religiosas, impossibilitando que
participem da vida social de forma integral e em igualdade de condições.
Nesse quadro, em que o contraste social em demasia é evidenciado em grau
global, verifica-se necessidade de intervenção do Poder Público para que o governo
contenha as diferenças

ALMG (2017) afirma que Política Pública é o resultado de atividades políticas


e de gestão pública na alocação de recursos e na provisão de bens e serviços
públicos. Política pública pode ser entendida como um sistema de decisões públicas
que visa manter ou modificar a realidade por meio da definição de objetivos e
estratégias de atuação e de alocação dos recursos necessários para se atingir os
objetivos estabelecidos. “O combate à discriminação contra lésbicas, gays,
bissexuais e transexuais — LGBT — e a defesa de seus direitos devem ser
compreendidos não sob o equivocado prisma da criação de novos direitos, mas sim
sob a correta ótica da aplicação dos direitos humanos a todos, indiscriminadamente.
Trata-se da aceitação dos princípios fundamentais sobre os quais todos os direitos
humanos estão assentados: a igualdade de valores e a igualdade de dignidade de
todos os seres humanos.”
Farah (2004) aponta que as políticas públicas desempenham um importante
papel, tanto na manutenção quanto na superação das opressões de gênero e
sexuais. São capazes de enrijecer as desigualdades, quando desejam o
atendimento das necessidades, teoricamente, universais, ignorando as demandas
de um determinado grupo. Assim como, corroborar para a redução de tais
desigualdades através da formulação e implementação de ações e programas
específicos.

No Brasil, somente a partir do ano de 2004 é que foram inseridas políticas


públicas voltadadas à população LGBTQIA+ Tais políticas públicas têm início
apenas em 2004 com projetos como o “Programa Brasil sem Homofobia”, articulado
com o movimento LGBT e que promove ações educacionais concomitante com o
“Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT”, sendo
contemplados por pesquisas promovidas pelo Ministério da Educação. De acordo
com os autores Mello e Avelar (2012), uma segunda iniciativa que apresenta
impacto expressivo à luz da evolução dos debates de gênero no país, é a I
Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais,
convocada em novembro de 2007 pelo governo do Presidente Lula e realizada de 5
a 8 de junho de 2008, em Brasília.

Âmbito interno, Falar que nesse ano o Supremo Tribunal Federal (STF)
permitiu que
Por fim, mencionar a criminalização da homofobia. Ação Direta
Inconstitucional (ADI) por omissão nº 26
17 de maio, dia Internacional de Luta contra a homofobia, transfobia e bifobia.
adoção de legislação dirigida às pessoas LGBTI.
“Retificação de nome e sexo Em decisão histórica, no julgamento da Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.275, por maioria dos votos dos ministros, o
STF decidiu que não há mais a necessidade de autorização judicial para a mudança
de nome e sexo de travestis, mulheres transexuais e homens trans, passando a ser
uma questão meramente administrativa junto aos cartórios. Assim, a retificação do
nome e do gênero no assento de registro civil poderá ser feita diretamente nos
cartórios de registro civil e não depende mais de cirurgia de redesignação sexual,
laudo médico e/ou psicológico. PROVIMENTO CNJ - Corregedoria Nacional de
Justiça - nº 73, DE 28 DE JUNHO DE 2018. Dispõe sobre a averbação da alteração
do prenome e do gênero nos assentos de nascimento e casamento de pessoa
transgênero no Registro Civil das Pessoas Naturais (RCPN).”
http://justica.sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/07/Cartilha-3a-Edi
%C3%A7%C3%A3o-Final.pdf pg 20

em MS tem uma lei sobre o combate à discriminação devido à orientação


sexual

Falar sobre políticas sociais para a diversidade sexual. TEM NO SEMINARIO


DO CFESS 2015

desde 2019, a disvriminação de pessoas homossexuais e transexuais passou


a ser considerado um crime enquadrado na lei de racismo - art. 3, IV, CF

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https://www.cnj.jus.br/lgbti-cnj-reconhece-identificacao-de-genero-no-sistema-
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%20ao%20seu%20g%C3%AAnero%20autodeclarado. acessado em 09/11

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