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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS


CURSO DE ENGENHARIA FLORESTAL
EGR1049 - HIDRÁULICA

Nome: Henrique Araujo Barichello


Proposição temática 4

1.0 INTRODUÇÃO
As bombas hidráulicas são classificadas como máquinas hidráulicas geradoras, ou
seja, transformam energia mecânica em energia hidráulica a fim de possibilitar o transporte e
escoamento de fluidos, independente da perda de carga e/ou desnível geométrico. Podem ser
classificadas em bombas volumétricas (ou positivas) ou bombas hidrodinâmicas
(turbobombas).

2.1 BOMBAS VOLUMÉTRICAS


Nas bombas volumétricas, o órgão fornece energia ao fluido sob a forma de pressão.
Conforme o movimento do órgão, as bombas podem ser rotativas, em que o fornecimento de
vazão é constante, ou alternativas, em que o fornecimento de vazão é intermitente. Destacam-
se entre as bombas alternativas as de pistão e de diafragma, enquanto entre as rotativas
destacam-se as de engrenagens e parafusos.
O funcionamento desse tipo de bomba baseia-se no aumento e diminuição de pressão:
ao diminuir a pressão, o fluido ocupa um determinado volume no interior da bomba, e ao
aumentar a pressão, ele é expelido à saída da bomba. As bombas volumétricas caracterizam-se
pelo fluido acompanhar o movimento das peças móveis em seu interior, além de serem
capazes de iniciar seu funcionamento sem escorvamento.

2.2 TURBOBOMBAS
As turbobombas, também denominadas bombas cinéticas ou hidrodinâmicas,
apresentam um elemento rotor, que transmite energia cinética ao fluido, e um difusor, que
transforma a energia cinética transmitida ao fluido em pressão. Nas turbobombas, a trajetória
descrita pelo fluido independe do movimento das peças móveis no interior da bomba, que
descrevem trajetórias distintas.
Quanto à trajetória descrita pelo fluido dentro do rotor, as turbobombas são
classificadas em bombas radiais (ou centrífugas), bombas axiais e bombas diagonais (ou
mistas).
Nas bombas radiais, o fluido entra na direção axial no rotor e sai pela direção radial.
São bombas empregadas para pequenos valores de vazão, em grandes alturas. Nas bombas
axiais, tanto a direção de entrada quanto de saída do fluido no rotor é axial. São bombas
empregadas para valores superiores de vazão, porém em pequenas alturas.
Por fim, nas bombas mistas, o fluido entra na direção radial e sai em uma direção
intermediária entre axial e radial. Essas bombas são frequentemente descritas como um caso
intermediário entre as duas anteriores, seja pela trajetória do fluido ou sua aplicação

2.3 BOMBAS CENTRÍFUGAS


Entre as turbobombas são as mais utilizadas. Seus componentes de fabricação podem
variar para atender diferentes aplicações, porém basicamente são constituídas por:
a) Rotor: órgão móvel, responsável por conferir movimento ao fluido através de sua
rotação. Apresenta uma depressão em seu centro, para aspirar o fluido, e uma
sobrepressão em sua periferia para recalcá-lo (deslocá-lo);
b) Difusor: canal de seção crescente cuja função é coletar o fluido expelido pelo rotor e
encaminhá-lo para a tubulação de recalque. Sua seção crescente no sentido do
escoamento tem por finalidade transformar a energia cinética do fluido em pressão;
c) Caixa de gaxetas: onde são colocados os anéis lubrificados utilizados para vedação
entre a carcaça da bomba e seu eixo;
d) Carcaça: parte estacionária que envolve o rotor e sustenta o eixo, apresentando
aberturas para entrada e saída do fluido;
e) Rolamentos e acoplamentos: os rolamentos permitem o movimento do eixo em relação
à carcaça, necessitando de lubrificação.
Geralmente, para o começo do funcionamento das bombas é necessário o
escorvamento, processo em que o ar e outros gases presentes no tubo de sucção são
substituídos pelo fluido a ser bombeado. Pela movimentação do rotor, o fluido é deslocado do
centro para a periferia, adquirindo energia cinética. Ao passar pelo difusor, a energia cinética
é transformada em pressão, permitindo a elevação do fluido.
2.3.1. Classificação de bombas centrífugas
Já vimos que as turbobombas podem ser classificadas quanto à trajetória descrita pelo fluido
em seu interior. No entanto, há outras classificações que podem ser descritas:
a) Número de rotores dentro da carcaça: as bombas podem ser de um único estágio (um
rotor) ou múltiplos estágios (dois ou mais rotores). De maneira geral, quanto maior o
número de rotores maior a capacidade de elevação do líquido;
b) Número de rotores dentro da carcaça: as bombas podem ser de sucção simples (uma
única abertura para sucção) ou de dupla sucção (duas aberturas de sucção). A segunda
configuração apresenta melhor rendimento;
c) Posicionamento do eixo: as bombas podem ser de eixo horizontal, mais comum, ou de
eixo vertical, usado para extração de água em poços profundos;
d) Altura manométrica: as bombas podem ser classificadas em bombas de baixa pressão
(Hm maior ou igual a 15), média pressão (Hm maior que 15 e menor que 50) ou alta
pressão (Hm maior que 50);
e) Tipo de rotor: as bombas podem ser classificadas em bombas de rotor aberto,
semiaberto ou fechado;
f) Posição do eixo em relação ao nível de água: as bombas podem ser classificadas em
bombas de sucção positiva (eixo está acima do nível de água do reservatório de
sucção) ou sucção negativa (eixo abaixo do nível de água). As bombas de sucção
negativa dispensam a necessidade de escorvamento para o seu funcionamento.

2.3.2. Seleção de bombas centrífugas


Para o conjunto motobomba, normalmente são definidas as seguintes variáveis:
hgs = altura geométrica de sucção (m);
hfs = perda de carga na tubulação de sucção (m.c.a.);
Hs = hgs + hfs =altura manométrica de sucção (m);
hgr = altura geométrica de recalque (m);
hfr = perda de carga no recalque (m.c.a.);
Hr = altura manométrica de recalque
H = Hs + Hr = altura manométrica total (m).
Em que H define a energia que a bomba deve fornecer ao fluido, representando a soma
das alturas geométricas (desnível), as perdas de carga e energia para o acionamento de demais
equipamentos, como aspersores, quando presentes.
A altura manométrica total (H), junto com a vazão a ser recalcada (Q), permitem
estimar a Potência necessária para o funcionamento da bomba (Pot), sendo portanto os
principais parâmetros que devem ser levados em conta para a seleção de bombas centrífugas.
Porém, a fim de evitar que as bombas operem em sobrecarga é necessário acrescer um
valor (margem de segurança) a Pot, que determinará a Potência instalada (N) ou potência do
motor, conforme o tipo de motor e potência exigida pela bomba

2.3.3. NPSH
Patm Pvapor V 2
−Hs− = +h f 2→ 3
γ γ 2g
em que:
P atm = pressão atmosférica local (m);
Hs = altura manométrica de sucção (m);
P vapor = pressão do vapor d’água (m);
ℽ = peso específico do fluido (N/m³);
V = velocidade do fluido (m/s);
g = aceleração da gravidade (m/s²);
hf = perda de carga devido a passagem do fluido pelo interior da bomba (m.c.a.).
Cada lado da igualdade é denominado NPSH (net positive suction head ou carga
líquida de sucção positiva) e ambos representam energias. Do lado esquerdo está o saldo de
energia disponível (NPSH disponível) para a água entrar na bomba ainda no estágio líquido,
enquanto no lado direito, a soma representa a energia exigida (NPSH exigida) para a água
passar pela bomba com determinada velocidade e perda de carga.
Se ao entrar na bomba o fluido atingir a pressão de vapor, serão liberados bolhas de
vapor e outros gases, que ao serem comprimidos no rotor faz com que a água atrite com este e
também com a carcaça, provocando queda de rendimento e até mesmo interrupção do fluxo
de água. Este fenômeno é chamado de cavitação e ele não ocorrerá se o NPSH disponível for
maior que o NPSH exigido.
3.0 CONCLUSÃO
Ao longo da proposição temática percebemos que as bombas hidráulicas são
fundamentais para a elevação da água. São elas que fornecem a energia necessária para o
fluido se deslocar de uma cota inferior para outra superior, possibilitando a irrigação de
mudas em viveiros, em que a presença de um conjunto motobomba é indispensável; drenagem
de solos alagados, quando deseja-se alterar o uso da terra; entre outros empreendimentos da
área florestal que necessitem do fornecimento de energia a água para sua ascensão.
Portanto, a compreensão do conhecimento acerca de bombas hidráulicas, os critérios
adotados para sua seleção, entre outros tópicos abordados neste trabalho são fundamentais ao
futuro profissional da engenharia florestal, seja na silvicultura, estudos ambientais ou em
outras atividades que exigem deste arcabouço.

Bibliografia consultada
Além das anotações da aula, foi utilizada a seguinte bibliografia:
GOMES FILHO, R. R. et al. Hidráulica Aplicada às Ciências Agrárias. 1. ed. Goiânia. Ed.
América, 2013. 254 p. Disponível em: https://docero.com.br/doc/s18nes. Acesso em 13 de
julho de 2021.

ZANINI, J. R. HIDRÁULICA: Teoria e exercícios: apostila. Jaboticabal, SP: Universidade


Estadual Paulista, 2016. 115p. Disponível em:
https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/engenhariarural/joserenatozanini/apostila-
hid raulica-2016.pdf. Acesso em 13 de julho de 2021.

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