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Seqüências de pulso

As seqüências de pulso são mecanismos pré-estabelecidos e


selecionados durante a execução do exame de um determinado
segmento, otimizando-se a aplicação de pulsos e gradientes. Como
resultado final, observa-se a ponderação e a melhor qualidade de
imagem. São várias as seqüências de pulso e cada uma delas destina-se
a uma finalidade específica. Além do mais, os diferentes aparelhos
produzidos por diferentes fabricantes podem ter diferentes designações
para um mesmo pulso, mas, em geral, pode-se resumir as seqüências
de pulso como seqüências Spin eco, Fast spin eco, Inversion recovery
(recuperação da inversão), STIR, FLAIR, Gradiente eco, Precessão livre
em estado de equilíbrio estável e Imagens ultra-rápidas.

A seqüência de pulso spin echo constitue a maior parte das aquisições


para obtenção de imagens, sendo usadas em quase todos os exames. As
imagens ponderadas em T1 fornecem nessa seqüência um excelente
detalhamento anatômico e, as ponderadas em T2, reproduzem com
grande fidelidade as condições patológicas, graças ao conteúdo hídrico
das mesmas as quais se apresentam com sinais hiper-intensos. O spin
eco, como já foi mencionado anteriormente, usa um pulso de excitação
de 90º seguido de um ou mais pulsos de restituição de fase de 180º,
para gerar um eco.

Usando-se um TE e TR curtos (10-20 ms e 300-600 ms,


respectivamente), obtém-se imagens ponderadas em T1. Com TE e TR
longos (80 ms e 200 ms, respectivamente) obtém-se imagens
ponderadas em T2. Uma das desvantagens da seqüência spin echo
clássica ou convencional é o tempo de exame relativamente longo; em
geral 4 a 6 minutos para as imagens ponderadas em T1 e de 7 a 10
minutos para as imagens ponderadas em T2.

Atualmente, porém, com os novos equipamentos estes tempos


melhoraram bastante, graças às seqüências fast spin echo (spin eco
rápida). Na seqüência spin eco convencional a cada pulso é preenchida
apenas uma linha do espaço K por TR, enquanto que na spin eco rápida
(fast spin eco) são preenchidas várias linhas do espaço K,
simultaneamente. Assim sendo, neste caso o espaço K é preenchido
muito mais rapidamente e o tempo de exame é reduzido. Nas
seqüências “fast spin echo” a ponderação T1 pode variar de 30 segundos
a 2 minutos por aquisição e, a T2, 2 a 3 minutos.

A recuperação de inversão (inversion recovery) é uma seqüência que se


inicia por um pulso de inversão de 180º, isto é, do VME, até a saturação
plena. Ao se neutralizar o pulso de inversão, o VME relaxa de volta ao
eixo Bo, quando então um novo pulso de excitação de 90º é aplicado. A
imagem obtida através desta seqüência é fortemente ponderada em T1
e ela demonstra com muita clareza a anatomia.

A seqüência STIR (recuperação da inversão com T1 curto) é uma


seqüência com ponderação T1 utilizada especialmente para a supressão
da gordura, graças ao seguinte mecanismo: ao se aplicar um pulso de
excitação de 90º, o vetor do tecido adiposo passa dos 90º para 180º e à
saturação plena. Desta maneira, o sinal do tecido adiposo é anulado,
pois ele não dá nenhum sinal por não haver nenhum componente
transverso de magnetização.

Esta seqüência não deve ser utilizada após injeção endovenosa do


contraste paramagnético, mas sempre antes, pois o contraste encurta os
tempos T1, dos tecidos realçados de tal modo que ele se aproxima do
tempo T1 do tecido adiposo. Na seqüência STIR, portanto, o sinal do
tecido realçado pelo uso do contraste paramagnético pode ser anulado.
Os parâmetros da seqüência STIR são: T1 curto de 150 - 175 ms; TE
curto de 10 - 30 ms; TR longo 2000 ms ou mais. Esta seqüência pode
também ser associada a seqüência spin eco rápidas, com um fator turbo
e um TE longos. Neste caso, obtém-se uma ponderação T2 com
supressão adiposo.

Uma das seqüências mais sensíveis e úteis no dia-a-dia da ressonância


magnética é a seqüência FLAIR (fluid liquid atenuation inversion
recovery). Nesta seqüência, o sinal do líquido cefalorraquidiano (LCR) é
anulado nas imagens ponderadas em T2 e densidade de prótons. Desta
forma, as lesões parenquimatosas hiperintensas são vistas com mais
clareza, pois elas não se confundem com as imagens hiperintensas do
líquor observadas nas imagens ponderadas em T2 e densidade de
prótons.

Consegue-se obter este resultado aplicando-se um T1 correspondente ao


tempo de recuperação do sinal do LCR de 180º para 90º, não havendo
magnetização transversa, o sinal do LCR é anulado. Os parâmetros são:
T1 longo 1700 - 2200 ms; TE, longo ou curto dependendo da
ponderação necessária; TR longo 6000 ms ou mais.

Seqüências gradiente eco

As seqüências de pulso GE já foram anteriormente discutidas, mas é


importante lembrar que as seqüências gradiente eco usa ângulos de
inclinação variáveis, de modo que se pode usar um TR bem curto e o
tempo de exame pode ser reduzido, podendo-se usá-las em exames em
apnéia, do tórax ou abdômen, bem como imagens dinâmicas
contrastadas e imagens angiográficas.

As seqüências de pulso GE podem ser usadas para aquisição de imagem


com ponderação T1, T2 e densidade de prótons., Seus parâmetros são
os seguintes: ponderação T1 - ângulo de inclinação de 70º a 110º; TE
curto 5 - 10 ms; TR curto, menos de 50 ms. Ponderação T2 - ângulo de
inclinação de 5º - 20º; TE longo 15 - 25 ms; TR curto, segundos a
minutos.

Outras seqüências utilizadas em RM, são o estado de equilíbrio estável


(stady state) a magnetização transversa residual coerente,
magnetização transversa residual incoerente (spoiled), a precessão livre
em estado de equilíbrio estável (steady state free precession) e as
imagens ecoplanares. O leitor interessado poderá obter maiores
informações sobre estas seqüências, em particular, nos livros textos que
tratam do assunto.

Meios de contraste

Como já foi comentado anteriormente, nas imagens ponderadas em T1


tecidos com tempo de relaxamento T1 curto, por exemplo tecido
adiposo, aparecem hiperintensos e tecidos com tempo de relaxamento
T1 longo, por exemplo a água, aparecem hipointensos. Nas imagens
ponderadas em T2, tecidos com declínio T2 curto, no caso tecido
adiposo, aparecem hipointensos e tecidos com declínio T2 longo, no caso
a água, aparecem hiperintensos. Foi mencionado também que, pela
presença da água na maioria das lesões e nos tecidos a elas
circundantes, as ponderações T2 são excelentes para detectar os “sinais”
da presença das lesões e que as ponderações T1 são ótimas para a
definição anatômica das mesmas.

Como em qualquer método de imagem em medicina, também para a RM


foi desenvolvido um meio de contraste que pudesse realçar as lesões, e
não os tecidos normais, que facilitasse sua localização, características e
diagnósticos diferenciais. Os meios de contraste geralmente utilizados
em RM, portanto, afetam seletivamente os tempos de relaxamento T1
dos diferentes tecidos, embora os tempos de recuperação T2 possam
também ser alterados pela introdução de meios de contraste. Quando o
efeito predominante é o encurtamento T1, as estruturas ou tecidos
patológicos com relaxamento T1 reduzido aparece claro, isto é,
hiperintensas.

O meio de contraste mais usado em RM é o gadolínio. A água no corpo,


como aquela encontrada nos tumores e processos inflamatórios, tem
uma rotação muito mais rápida que a freqüência de Larmor provocando
um relaxamento ineficiente que é demonstrado por longos tempos de
relaxamento T1 e T2, aparecendo nas imagens por RM como áreas
hipointensas e hiperintensas respectivamente. Ao colocar-se uma
substância com grau de momento magnético, como o gadolínio que é
uma substância paramagnética, na presença de prótons da água são
criadas flutuações do campo magnético local que podem reduzir os
tempos de relaxamento T1 do próton da água.

Este fenômeno provoca uma maior intensidade de sinal destes prótons


nas imagens ponderadas em T1, tornando-os hiperintensos. O gadolínio
é, portanto, um meio de contraste T1. Os meios de contraste T2 não são
usados rotineiramente no dia-a-dia dos serviços de imagem e fica por
conta do leitor melhorar seus conhecimentos sobre os mesmos, através
dos livros textos.

O gadolínio é um oligoelemento metálico (lantanídeos) classificado


dentro do grupo dos metais pesados e com afinidade para se acumular
locais do corpo humano como membranas, proteínas de transporte,
enzimas, matriz óssea e órgãos em geral. O gadolínio tem três elétrons
livres, sendo, portanto, um íon metálico. Felizmente, existem
substâncias na medicina que graças à sua afinidade por íons metálicos
são capazes de se ligar a eles, colaborando na sua distribuição,
circulação e excreção, evitando a deposição dos mesmos por muito
tempo nos tecidos humanos. Esta é a função dos quelantes (quelados).

Os quelantes se fixam em alguns dos locais disponíveis do íon metálico,


propiciando esta função importante. O quelante usado para o gadolínio é
o DTPA ou ácido dietileno triaminopentacético. Portanto, o resultado é o
Gd-DTPA (gadopentetato) que é um meio de contraste hidrossolúvel
bastante seguro para utilização clínica, sendo raros seus efeitos
colaterais. Os mais comuns são: um aumento pequeno e transitório da
bilirrubina e do ferro plasmáticos, cefaléias leves e transitórias (9,8 %
dos casos), náuseas (4,1 % dos casos), vômitos (2,0 %), hipotensão,
irritação gastrintestinal e erupções cutâneas em menos de 1 %. Até o
presente, foram relatados dois casos de óbitos relacionados aos milhões
de usuários do Gd-DTPA em todo o mundo, sendo esta estatística
bastante diferente daquelas para o uso do contraste iodado utilizado em
outros métodos radiológicos (1 / 20.000 a 40.000).

Aproximadamente, 80% do gadolínio utilizado em um exame são


excretados pelos rins em três horas. Embora não haja contra-indicações
específicas para o seu uso, deve-se avaliar com critérios muito rígidos a
necessidade do seu uso em pacientes com distúrbios hematológicos,
particularmente nas anemias hematolítica e falciforme, no caso de
gravidez, mães em fase de amamentação, distúrbios respiratórios,
particularmente na asma, e história de alergia anterior ao contraste.

A dose eficaz do Gd-DTPA é de 0,1 mmol/Kg, equivalente a 0,2 ml/Kg de


peso corporal, sendo sua administração por via endovenosa.