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Universidade Federal do Triângulo Mineiro

César Augusto Pereira Izidoro 201911479


Henrique de Castro Degiovani 201710748
Natália Alves de Araújo 201910361

Química Inorgânica Experimental

Relatório 4: Efeito Quelato

UBERABA
2021
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RESUMO

O presente relatório apresenta uma síntese de 3 etapas com complexos de


cobalto (II) e seus ligantes quelantes. Através disto, foi possível discutir temas muito
importantes sobre a teoria de Infravermelho, condutividade, efeito quelato e temas
que envolvem também as ligações dos complexos, como por exemplo, os ligantes
do tipo base de Schiff. Com a prática experimental, foi também possível observar a
síntese dessas reações, montando equações químicas que demonstram as
mesmas, utilizando o software “Chemdraw” para a ilustração das equações. Mostra-
se também, os cálculos de rendimento de cada etapa envolvida no experimento e a
curva de infravermelho trabalhada.
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1 MATERIAIS E MÉTODOS

Abaixo estão listados os materiais utilizados para a confecção da prática


experimental referente ao efeito quelato:
 Balança
 Agitador magnético
 Banho de óleo
 Condensador
 Barras magnéticas
 Balão de 50 mL
 2 Béqueres de 50 mL e 2 de 100 mL
 Funil
 Proveta de 50 mL
 Etanol
 Clorofórmio
 Freezer
 Papel filtro
 2 Funis de Buchner
 Bastão de vidro
O procedimento experimental da síntese dos complexos de cobalto (II) se deu
por 3 etapas principais, dos quais serão discutidas abaixo.

A primeira etapa nomeada como: Síntese do trans-[Co(acac)2(H2O)2] e


inicia-se o experimento com o uso de um balão de fundo redondo de 50 mL,
contendo 20 mL de uma solução de 2,5 mol/L de hidróxido de sódio, foi adicionado
0,05 mol acetilacetona fazendo com que a solução se torne amarela, sendo que a
adição foi feita sob agitação e mantendo a temperatura abaixo de 40°C. A solução
amarela que foi preparada, foi então adicionada a uma solução contendo 0,433
mol/L de CoCl2.H2O. A adição foi feita gota a gota e sob agitação. Foi adicionado a
mistura água destilada gelada. O produto é filtrado, e então será dissolvido em uma
solução de 35 mL clorofórmio e 50 mL de etanol que está sob aquecimento entre
60°C e 70°C, resultando em uma solução com a coloração roxo escuro. O produto
deve ser lavado com pequenas porções de etanol gelado e após isso, o produto é
filtrado, resultando em um sólido de coloração rosa (Co(acac)2).

O procedimento experimental da etapa 2, identificada como a síntese da 2-


piridinacarbaldeído-4’-hidroxibenzoil hidrazina (HL1), se deu primeiramente por uma
suspensão contendo 18,9 mmol de 4-hidroxibenzhidrazida em 50 mL de etanol e 5
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gotas de ácido acético, adicionando-se em seguida 28,0 mmol de 2-


piridinacarboxaldeído. Manteve-se essa reação sobre refluxo por 8 horas e, logo
depois, foi deixada ao freezer para resfriamento até o dia seguinte. Posteriormente,
filtrou-se essa reação, depositando o produto sobre vácuo por 24 horas por fim de
secagem. Finalizando-se essa parte experimental com a determinação do ponto de
fusão.
Finalizando pela etapa 3, identificada como: Síntese do complexo [Co(L1)2],
inicia-se o experimento com a adição de uma solução do trans-[Co(acac) 2(H2O)2] em
20 mL de metanol a uma solução contendo 0,5 mmol de HL1 em 15 mL de metanol.
Em seguida, manteve-se a reação sobre refluxo até que houvesse mudança em sua
coloração para uma cor alaranjada, deixando a solução em um freezer até o dia
seguinte depois do mesmo processo. O próximo passo se deu por uma filtração,
secando o produto remanescente sobre vácuo por 24 horas, finalizando-se o
experimento com uma observação do comportamento do produto ao ser aquecido
lentamente em um tubo capilar, em uma temperatura de até 250 ºC.
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2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

No tópico de discussão, serão levantadas algumas questões específicas


referentes a parte experimental das 3 etapas de síntese envolvidas. As equações
químicas orgânicas durante os resultados e discussões foram feitas através do
programa “chemdraw”, onde nos ilustra quimicamente a síntese dos experimentos,
referente ao efeito quelato.
Para a etapa 1, foram colocados 5,006 gramas de acetilacetona para reagir
em um balão contendo uma solução contendo aproximadamente 2 gramas de
hidróxido de sódio em 20 mL de água. Em seguida, após formada a solução de
coloração amarela, essa mesma solução foi colocada para reagir com 3,093 gramas
de cloreto de hexaaquacobalto (II) em 30 mL de água. Em termos de molaridade, a
solução de hidróxido de sódio terá uma concentração de 2,5 mol/L, e a solução de
cloreto de hexaaquacobalto (II) terá uma concentração de 0,43 mol/L.
As reações para a etapa 1 são descritas de acordo com a figura 1 a seguir:

Figura 1: Representação das reações da etapa 1. (a) Tautomerismo. (b) Formação


do complexo precursor.

Fonte: Autoria Própria

O que acontece em (a) é a Tautomeria, é um tipo de isomeria que ocorre


quando há uma cetona que, devido ao meio em que está contida, se converte em
enol. Como o meio é básico, o hidrogênio que ficaria com o oxigênio não é
representado (BRUICE, 2006). A reação (b) ocorre devido ao fato de que o
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acetilacetato é um ligante mais forte que a água, sendo assim, a água é retirada
para que o ligante ocupe seu lugar (ATKINS, 2008). O nome do complexo obtido em
(b) é: Diaquabis-acetilacetonatocobalto. Normalmente, os ligantes que possuem
mais de um sítio de ligação, ou seja, ligantes que são polidentados, fazem com que
o complexo possua uma estabilidade maior. Este é um motivo pelo qual há
vantagem em um ligante quelato em relação a um ligante monodentado (assim
como é a água) (ATKINS, 2008).
Para a reação (b) pode-se calcular o rendimento. Sendo assim, os cálculos
para o rendimento da etapa 1 serão apresentados a seguir:
Massa teórica do complexo
295,1954 x 5,0065
Massa do complexo= =7,1652 gramas
206,26
Sendo a massa obtida igual a 4,5356, o rendimento será:
100 x 4,5356
Rendimento em %= =63,30 %
7,1652
Sendo que 295,1954 é a massa molar de cloreto de hexaaquacobalto (II),
206,26 é igual a 2 mol de acetilacetato e 5,0056 é a massa que foi pesada de
acetilacetona.
2 mol de acetilacetona reagem com 1 mol de cloreto de hexaaquacobalto (II)
para formar 1 mol de diaquabis-acetilacetatocobalto. Pode-se dizer que o reagente
limitante para essa reação é o acetilacetato.
Para a etapa 2, como dito anteriormente na parte experimental do relatório, os
reagentes principais dessa síntese se dão pelos compostos: 4-hidroxibenzhidrazida
e 2-piridinacarboxaldeído. Estes são estruturas orgânicas que possuem
características únicas como: uma piridina, anéis aromáticos, hidroxilas, além das
ligações de carbono, etc. Esses compostos também são chamados de Hidrazida de
Ácido 4-Hidroxibenzóico e 2-formilpiridina/piridina-2-carboxaldeído. Segue abaixo as
figuras ilustrativas de suas reações químicas.

Figura 2. Representação química da etapa 2 do experimento


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Fonte: Autoria própria

Fazendo alguns cálculos experimentais de rendimento da reação, temos os


seguintes dados: Sabemos que foi reagido 18,9 mmol de Hidrazida de Ácido 4-
hidroxibenzóico, que são equivalentes a 0,0189 mols, enquanto ao composto
piridina-2-carboxaldeído, temos o valor de 28,0 mmol, que equivale a 0,028 mols.
Sabemos também as massas molares de cada composto, inclusive a massa molar
do produto final da síntese. Além disso, sabemos também que a massa do composto
após a secagem obteve o valor de 0,5083 gramas. Esses dados são essenciais para
o cálculo de rendimento que se segue abaixo.
Massa molar de piridina-2-carboxaldeído: 107.11 g/mol
Massa molar de 4-hidroxibenzhidrazida: 152.15 g/mol
Massa molar da 2-piridinacarbaldeído-4’-hidroxibenzoil hidrazina (HL1):
242,252 g/mol
Fazendo as transformações de mmols para massa (foi utilizado regra de três):
piridina-2-carboxaldeído: 2.999 g utilizadas
4-hidroxibenzhidrazida: 2.875 g utilizadas
Através disto, foi-se calculado o reagente em excesso e o limitante
(ressaltando que a equação química possui estequiometria 1:1):
242,252 x 2,999
X=
107,11
X= 6.782 g (reagente em excesso)

242,252 x 2,875
X=
152,15
X= 4,577 g (reagente limitante)

Utilizando o reagente limitante, fizemos o cálculo de rendimento abaixo:


100 x 0,5083
X= 4,577
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X= aproximadamente 11,10% de rendimento da reação


Como a etapa 3 é uma síntese dos produtos de outras etapas, temos como os
nossos ligantes os compostos: 2-piridinacarbaldeído-4’-hidroxibenzoil hidrazina e o
Diaquabis-acetilacetonatocobalto. Estes formam o produto [Co(L1)2] através de uma
solução contendo 0,5 mmol de HL1 em 15 mL de metanol em uma solução de trans-
[Co(acac)2(H2O)2] em 20 mL de metanol. Abaixo estará a figura 3, indicando a
equação química envolvida nessa etapa.
Figura 3. Equação química da etapa 3 do experimento

Fonte: Autoria própria.

Esse produto nos mostra as seguintes características orgânicas presentes em


sua estrutura: piridinas, anéis aromáticos, dupla ligação de oxigênios, etc.
Para calcular o rendimento envolvido nessa etapa, iremos considerar o
composto HL1 e a massa envolvida na reação do experimento para a formação do
complexo. Então temos os seguintes dados:
Massa molar do HL1 dito anteriormente: 242,252 g/mol
Massa molar do produto da reação: 545 g/mol
Massa do composto final: 0,0781 g
Transformando o número de mmols para massa (levando em consideração a
equação 2:1), temos os seguintes cálculos envolvidos para o valor de rendimento:
0 ,242 x 545,32
X=
242,252
X= 0,545g

0,0781 x 100
Rendimento=
0,545
Rendimento = 14,33% da reação
Nesse ponto, podemos indicar que os prótons ácidos dos ligantes seriam o
próprio Cobalto (II), e a condutividade (C=0,001 mol/L -1) do composto [Co(L1)2] está
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entre os valores 200-300, isso nos indica que o estado de oxidação do centro
metálico é 2+ para o Cobalto.
Alguns dos conceitos que se esbarram nas discussões de quelatos são as
bases de Schiff. Elas também são conhecidas como iminas, compostos que
pertencem a uma enorme classe, e possuem em sua estrutura molecular um grupo
funcional que contém uma dupla ligação entre o carbono e o nitrogênio (C=N) e são
provenientes da condensação de aldeídos com aminas primárias.
Durante o experimento, foram levantadas algumas discussões referentes a
substituição do ligante acetilacetonado pelo HL1. Podemos responder essa questão
pela teoria do “efeito quelato”, que aponta o fato do fenômeno estar associado
principalmente pelo aumento da entropia do sistema na formação dos compostos.
Um dos motivos principais disso ocorrer, seria por que na reação de formação, cada
ligante polidentado substitui pelo menos dois ligantes monodentados, isso faz com
que ocorra um aumento de entropia no sistema, favorecendo o efeito quelante. Vale
ressaltar, que os agentes quelantes possui uma estabilidade mais alta do que os
outros compostos e, consequentemente, possui uma maior “presença” em relação
as outras, evidenciando a substituição dos compostos na etapa experimental deste
relatório.
A seguir serão mostrados os espectros de infravermelho do Ligante e do
complexo formado na etapa 3.
Figura 2: Espectro de infravermelho do ligante e do complexo da formado na etapa 3

Fonte: Autoria Própria


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Pode-se observar pelos espectros que ambos possuem picos em número de


onda em 1610, entre 1300-1100 o que significa, respectivamente, ligações do tipo
C=O, e C-O. No ligante, pode-se identifica picos que dizem a respeito das ligações
entre O-H, que estão em torno de 3400-2400, porém, quando observamos o
espectro do complexo da etapa 3, essas ligações não são observadas, o que pode
mostrar indícios da formação do complexo (BRUICE, 2006). Há também outros picos
formados no complexo que não são observados no ligante, picos abaixo do número
de onde de 500 cm-1. Sendo assim, pode-se dizer que o complexo foi formado.
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3 CONCLUSÕES

Pode-se concluir que, devido as diversas análises feitas em questão de


complexos, o complexo foi formado. Isso é devido, inicialmente, ao fato de que,
observando as reações feitas, faz sentido a formação do complexo e, após a análise
do infra vermelho, pode-se afirmar a formação do complexo, visto que não há mais
ligações hidrogênio e oxigênio, algo que existia no ligante e não existe mais no
complexo. Também pode ser notado a formação de novos picos no infra vermelho
que antes não existiam no ligante. Por meio deste trabalho, também pode ser
observado a preferência por ligantes quelatos à ligantes monodentados. Nesse
sentido, o experimento em questão obteve sucesso em representar os complexos e
também os efeitos dos ligantes quelatos.
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REFERÊNCIAS

SHRIVER, D.F., ATKINS, P.W. Química Inorgânica, 4 a edição. São Paulo: Bookman,
2008.

BRUICE, P. Y. Química Orgânica, Volume 01, 4ª edição , São Paulo: Pearson


Prentice Hall, 2006.

MATSUMOTO, Mirian Yoshiko. Síntese, caracterização, atividade antineoplásica e


catalítica de complexos de níquel (II) derivados de Bases de Schiff. 2013. 85 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental) – Faculdade de Ciências
Exatas e Tecnologia, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, 2013.

FARIAS, Robson Fernandes de (org.). Química de Coordenação: fundamentos e


atualidades. 2. ed. Campinas: Átomo, 2009

HOUSECROFT, Catherine E; SHARPE, Alan G. Química Inorgânica Vol.1. Quarta


edição. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

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