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Idiofones de Altura Indefinida

Idiofones de Função Rítmica

Triângulo

É uma pequena barra cilíndrica de aço, dobrada em forma de triângulo equilátero ou isósceles
(aberto num dos vértices). O modelo usado na orquestra tem 15 a 18 cm de lado, e é suspenso
através de uma pequena corda fina, de tripa ou de nylon, que passa à volta da barra, ou por
um pequeno orifício feito num dos vértices, desta forma, o triângulo pode produzir a sua
máxima vibração. O som produzido é de altura indefinida mas muito sonoro, capaz de se ouvir
mesmo num tutti orquestral. É percutido com uma haste metálica, através de batimentos
simples tanto na parte inferior como exterior do triângulo.

História:

O triângulo aparece pela primeira vez em França no séc. XIV, com o nome de trépie ou trépit.
Na idade média era sobretudo um instrumento de dança, apesar de se aceite também na
música religiosa. Durante muito tempo, o triângulo tinha uns anéis na parte inferior e era
tocado agitando-o.

Repertorio:

- La Fausse Magie de Grétry

O uso do triangulo está ligado à atmosfera exótica, turca e reflete o grande impacto causado
pela musica dos Janizários (corpo militar de guardas turcos). Os instrumentos característicos
dos Janizários eram os bombos, os pratos, o triângulo e o crescente turco. Os cravos e pianos
no final do séc. XVIII estavam por vezes equipados com um registo de Janizário, com um ruído
característico.

- Sinfonia nº 100 de Haydn

- O Rapto do Serralho de Mozart

- Rondó Alla Turca em Lá M para Piano K. 331 de Mozart

- Abertura Op. 113 (Ruínas de Atenas)de Beethoven

- Variações para piano Op. 76 de Beethoven

- 9ª Sinfonia de Beethoven

- Capricho Espanhol de Rimsky-Korsakov

- Concerto para piano em Mi b de Liszt

- Dança de Anitra da suite Peer Gynt de Grieg

- Antigonae de Carl Orff


Gongo e Tantã

Os gongos são pratos metálicos suspensos de uma armação, que quando percutidos
produzem um som de altura indefinida. No entanto, há gongos de altura definida.
O modelo maior da família dos gongos, que é também usado na orquestras, chama-se
normalmente tantã. Toca-se com uma baqueta própria, forrada a feltro ou couro, e produz
sons impressionantes, de grande duração, devido à enorme ressonância do prato.
Os gongos são quase sempre circulares, mas o material depende muito dos
construtores, porque cada um tem o seu método próprio de fabrico. Embora no Ocidente já se
façam gongos de boa qualidade, os melhores são construídos na China.

História e Repertório:

A palavra gong é javanesa, mas n se sabe bem de onde apareceu. É um dos


instrumentos típicos das orquestras de gamelão de Java, Bali e Jacarta.
O valor musical nunca foi muito explorado, apenas intervém na orquestra para obter
certos efeitos especiais.

- Musique Funèbre à la Mémoire de Mirabeau de François Joseph Gossec

- Requiem de Cherubini

- Romeu e Julieta de Steibelt

- Les bardes de Lesueur

- La vestale de Spontini

- Norma de Bellini

- Robert le Diable de Meyerbeer

- La Juive de Halévy

Tchaikovsky usa o tantã na 6º Sinfonia e Gustav Holst em The Planets

Deathe in Venice de Britten

Madame Butterfly de Puccini escreveu para 11 gongos de altura definida

A Sagração da Primavera de Stravinsky

Double Music de John Cage

II Prigionero de Luigi Dallapiccola

8 Inventions for Percussion Instruments de Miloslav Kabelac

Dimensionen der Zeit und der Still de Krystof Penderecky

Signalement de Peter Schat


A sermon, a narrative and a prayer, introits de Igor Stravinsky

Pratos

Idiofone de concussão, constituido por dois pratos metálicos iguais de pequena


espessura. Os pratos são côncavos mas quase planos nos bordos e são batidos um contra o
outro. O choque pode ser feito de duas maneiras.

- Através de um movimento horizontal, em que os pratos chocam d frente um contra o


outro

- Através de um movimento vertical, em que há um contacto apenas superficial entre


os pratos, produzindo um som menos estridente que o outro

Para produzir o melhor som possível, os pratos quando chocam têm de coincidir
rigorosamente todos os pontos de contacto entre eles. Para produzir sons prolongados,
permite-se que os pratos fiquem a vibrar livremente após o choque. Para sons curtos, o músico
encosta os pratos ao peito após o choque, de forma a parar a vibração. No primeiro caso os
compositores usam a indicação let ring ou laissez vibrer e no segundo caso sec.

História

O nome pratos é recente, a designação tradicional para estes instrumentos é


címbalos. Os címbalos são provavelmente originários da Mesopotâmia.

Repertório:

Prélude à l’ Après-Midi d’un Faune de Debussy

Sonata para Dois pianos e Percussão de Béla Bartok

La Terra a la Compagna de Luigi Nono

Signalement de Peter Schat

Castanholas

Idiofone de concussão, constituido por um par de placas de madeira dura (ébano, pau-
rosa, etc9 quase circulares, escavadas no centro do lado em que batem uma na outra. As
placas estão ligas por um fio. O par da mão esquerda é maior e é designado pelos dançarinos
espanhóis macho, enquanto o da mão direita, mais pequeno é chamada de fêmea, produzindo
um som mais agudo.

História e Repertório

Pensa-se ter surgido em Espanha ou Sul de Itália. São usadas essencialmente por dançarinos,
com carácter rítmico. São usadas para criar ambiente de música espanhola.

Habanera da ópera Carmen de Bizet

3º Concerto para piano de Sergei Prokofiev


Çet’s make na Opera de Bejamin Britten

Les Choephores de Darius Milhaud

Clavas

Idiofone de concussão, constituido por dois paus cilíndricos de madeira dura, com cerca de 18
cm de comprimento. São usadas como instrumento rítmico na música de dança latino-
americana (rumbas, congas e sambas).

Circles de Luciano Berio

Caixa Chinesa

Caixa rectangular, de madeira dura, com uma ou duas fendas longitudinais. Tem 15 a 20 cm de
comprimento e faz-se de três a cinco tamanhos diferentes. Na orquestra, é tocada
normalmente com a baqueta de madeira da caixa ou do xilofone, tem um som seco, muito
curso, mas extremamente incisivo e penetrante.

Samuel Barber, 2º Sinfonia

Benjamin Britten, The Burning Fiery Furnace

John Cage, Amores

Aaron Copland, Music for a Great City

Sergei Prokofiev, 5 º e 6 º Sinfonias

Temple Blocks

Também conhecidos por mu-yu ou peixe de madeira, são blocos feitos em madeira de
cânfora, em forma de peixe, escavados com o aspecto de uma boca aberta. São originários do
Extremo Oriente e são muito trabalhados. Tocam-se com uma baqueta de borracha ou com a
tradicional baqueta em forma de pêra.
Na música ocidental são usados para descrever gotas de água caindo de uma torneira,
ruídos dos cascos de um cavalo, etc.

Façade de Sir William Walton

Concerto para Piano de Constant Lambert

Maracas

Idiofone e agitamento, constituido por uma bola de cartão ou plástico contendo


sementes secas, grãos, arroz ou areia grossa, à qual está junto a uma pega. Quando agitados
produzem um som parecido a lixar ou arranhar. Instrumento típico das danças latino-
americanas, normalmente usa-se aos pares. Também conhecido por: alfandoque, carangano
ou gerazo, asson ou tcha-tcha, bapo ou caracaxam, chichin, dadoo, huada, maruga, nasisi e
sonajas. Leonard Bernstein na Jeremiah Symphony, Faberman no Concerto para Timbale e
Orquestra, e Marius Constant no ballet Paradis Perdu.

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