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RESUMO DO TEXTO SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE

Estudo de caso referente ao imóvel localizado na Avenida São João, número 587-601,
conhecido como Aquarius Hotel. Tal prédio que foi construído com intuito de abrigar um Hotel
na década de 70 no centro paulista, o que de fato nunca ocorreu, ficando este desamparado
por décadas. No entanto, a família alega que o imóvel nunca foi abandonado, podendo ser
demonstrado pelo IPTU e taxa de lixo em dia, tendo também sempre empregados e
seguranças no hotel.

Ocorre que, o imóvel foi listado no site “Edifícios Abandonados, tendo a informação de que os
seguranças viviam em situações precárias, pelo fato do imóvel ter finalizado sua obra, tendo
estes funcionários informado que o principal proprietário do imóvel havia falecido durante a
construção do hotel, sendo esse o motivo da interrupção da obra, gerando desentendimentos
entre os irmãos para chegarem em um comum acordo entre vender ou finalizar o serviço, tal
comportamento indo de encontro com a política de desenvolvimento urbano imposta na
Constituição Federal e normas infraconstitucionais.

Essa conduta, acabou gerando grandes problemas a coletividade, pelo fato de que tal
concepção acarretou a concentração de propriedades imobiliárias urbanas nas mãos de
pequena parte da população. Ou seja, a falta de legislação e políticas públicas, obrigando que
fosse dada a devida destinação ao imóvel, se tornou um prejuízo que ocorre inclusive até os
dias atuais na cidade de São Paulo. Atitudes como esta, não são mais toleradas pelas normas
urbanísticas, considerando que a cidade vai contra a constituição no que se diz respeito a
garantir a moradia à todos, como por exemplo, o inciso XXII, do artigo 5º, onde garante o
direito de propriedade, e o inciso XXIII determina que a propriedade atenderá a sua função
social. Podendo citar também, artigo 21, inciso IX, da Constituição Federal,onde prevê que
compete à União elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e
de desenvolvimento econômico e social. O inciso XX, do mesmo artigo, atribui à União
competência para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação.

O Código Civil, por sua vez, estabelece que o direito de propriedade deve ser exercido em
consonância com suas finalidades econômicas e sociais, de modo que sejam preservados, de
conformidade com o estabelecido em lei especial.

Cabe informar que não cabe ao Município diretamente fornecer moradia aos cidadãos, mas,
sim, fornecer os meios necessários para garantir esse direito. Contudo, o caso em questão
demonstra a má gestão de milhares de imóveis não utilizados, que não cumprem e ainda
comprometem a função social da cidade.

A competência do Município para legislar sobre matéria urbanística está prevista nos artigos
182 e parágrafos 1o, 4o e 30, incisos I, II, VIII e IX. Cabe aos Municípios legislar sobre:
assuntos de interesse local (artigo 30, I); suplementar a legislação federal e a estadual no que
couber (artigo 30, II); promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante
planejamento e controle do uso e nos artigos 182 e 183 da Constituição, temos o Estatuto da
cidade, estabelecendo diretrizes gerais da política urbana, conduzindo a Administração e seus
agentes públicos a cuidar da cidade, afim de evitar consequências de arrombo na história da
cidade, que percorre por séculos, como a do Aquarius Hotel, acima mencionado.

O art 182, prevê que que a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, que deve ser
revisto a cada dez anos, visto que a sociedade está sempre em evolução. Todavia, o direito de
propriedade só existe se ela atende sua função social, que nem sempre coincide com o
interesse do proprietário, conduzindo ao atendimento aos múltiplos interesses da coletividade
em geral, ou seja, a propriedade está condicionado ao atendimento dos anseios sociais
referentes às políticas de desenvolvimento urbano e rural. Como a função social da cidade, é
indispensáveis políticas públicas que visem à inclusão social, proporcionando moradia digna,
educação de qualidade, acesso ao trabalho e ao lazer, com a participação popular. cidade,
assim como da propriedade, visa garantir a todos o direito à cidade, incompatível com a
exclusão social.

Assim, para atender à função social da cidade, cabe ao poder público combater todas as
situações de desigualdade econômica e social. O plano diretor é indispensável apenas para
fins de utilização dos instrumentos previstos no artigo 182, parágrafo 4º, mas nada impede que
o cumprimento da função social seja exigido através de outros meios administrativos ou
judiciais.

A cidade de São Paulo não garante aos seus habitantes o direito à moradia, tendo como
consequência um defic habitacional, tendo a Especulação imobiliária como uma forma pela
qual os proprietários de terra recebem uma renda transferida dos outros setores produtivos da
economia. Ou seja, ou seja, o especulador tem lucro com a valorização, mas a população, que
arcou indiretamente com o custo, nada recebe, o que é inadmissível, e alcança um
enriquecimento ilícito, violando a regra prevista no artigo 884 do Código Civil, junto a inércia do
Pode Público, ou seja, a especulação imobiliária afronta a função social da propriedade.

Ademais, tais condutas comissivas ou omissivas do gestor público no presente caso,


geraram consequências negativas para toda a população do Município, indo em ofensa aos
preceitos da Constituição Federal, das leis e do Plano Diretor Participativo dos Municípios
Brasileiros implicam responsabilização civil, administrativa e até criminal.

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