Você está na página 1de 15

ANATOMIA

APLICADA A
ENFERMAGEM

Andreia Orjana Ribeiro


Coutinho
Sistema ventilatório:
anatomia do tórax e da
ventilação pulmonar
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Identificar a anatomia da traqueia, da árvore brônquica e a organização


do tecido pulmonar.
„„ Caracterizar as funções das estruturas que compõem as vias aéreas
inferiores.
„„ Relacionar a anatomia das vias aéreas inferiores com o enfisema pul-
monar e com os fatores de envelhecimento do sistema ventilatório.

Introdução
As doenças do sistema ventilatório são limitantes, e os pacientes acome-
tidos necessitam de uma assistência direta da enfermagem. O enfisema
pulmonar, em especial, dificulta a troca gasosa, trazendo desconforto
respiratório e limitações aos pacientes em suas atividades diárias. É neces-
sário que a equipe de enfermagem conheça a anatomia, as características
e as funções das estruturas do sistema ventilatório, possibilitando, dessa
forma, relacioná-las com o enfisema pulmonar e os fatores de envelhe-
cimento desse sistema.
Neste capítulo, você identificará a organização do tecido pulmonar,
suas estruturas e funções, além de fazer uma relação entre a anatomia
das vias inferiores e o enfisema pulmonar e os fatores de envelhecimento
do sistema ventilatório.
2 Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar

Anatomia da traqueia, da árvore brônquica


e a organização do tecido pulmonar
O corpo humano necessita de oxigênio (O2) para o funcionamento de suas
células, e deve eliminar o dióxido de carbono (CO2) proveniente das reações
metabólicas. O sistema ventilatório possibilita a troca gasosa — aporte de
O2 e eliminação de CO2. Para isso ocorrer de forma efetiva, é necessário que
esse sistema funcione adequadamente, e que cada estrutura consiga exercer
as suas funções.
O sistema ventilatório tem como funções: possibilitar as trocas gasosas,
regular o pH do sangue, filtrar o ar inspirado, produzir sons vocais e conter
receptores para o sentido do olfato.
Funcionalmente, é dividido em:

„„ Parte condutora: da entrada da cavidade nasal até os bronquíolos dos


pulmões — suas funções são filtrar, aquecer e umidificar o ar.
„„ Parte ventilatória: inclui os bronquíolos respiratórios, os ductos alve-
olares e os alvéolos — sua função é fazer as trocas gasosas.

Estruturalmente, o sistema ventilatório é constituído por:

„„ Sistema ventilatório superior: compreende o nariz, a cavidade oral,


os seios paranasais e a faringe.
„„ Sistema ventilatório inferior: inclui a laringe, a traqueia, os brônquios
e os pulmões.

A Figura 1 apresenta as estruturas do sistema ventilatório.


Abordaremos, a seguir, a organização do tecido pulmonar e as anatomias
da traqueia e da árvore brônquica (composta pelas vias ventilatórias que
começam na traqueia e continuam até os bronquíolos terminais).
O tecido pulmonar é formado por um epitélio respiratório, que consiste
em um epitélio colunar pseudoestratificado ciliado, com numerosas células
mucosas que produzem um muco viscoso que recobre as superfícies expostas.
Os cílios, na cavidade nasal, prendem resíduos ou microrganismos que ficam
aprisionados no muco até a faringe, onde, posteriormente, serão deglutidos,
vão até o estômago e são eliminados. Os cílios, em porções inferiores do trato
respiratório, também se movimentam em direção à laringe, como uma escada
rolante que limpa as vias respiratórias.
Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar 3

Cavidade nasal Seio frontal

Seio esfenoidal Conchas nasais


Nariz
Cóano
Parte nasal Língua
da faringe
PARTE SUPERIOR
DO SISTEMA
Hioide
RESPIRATÓRIO Laringe
PARTE INFERIOR
Esôfago
DO SISTEMA Traqueia
RESPIRATÓRIO
Brônquio principal
direito
Clavícula

Bronquíolos

PULMÃO PULMÃO
DIREITO ESQUERDO

Costelas Diafragma

Figura 1. Estruturas do sistema ventilatório.


Fonte: Adaptada de Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 630).

Esse epitélio reveste o trato ventilatório (exceto a parte inferior da faringe),


as menores vias condutoras e os alvéolos. A faringe, em sua porção inferior,
é coberta por um epitélio escamoso estratificado que a protege da abrasão e
agressão química. É nessa parte que a faringe conduz o ar para a laringe, bem
como o alimento para o esôfago.
Na Figura 2, temos a estrutura do epitélio respiratório, com vistas diagra-
mática e histológica.
4 Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar

(a) (b)
Cílios
Cílios

Lâmina
própria Lâmina própria

Núcleo de Núcleo de célula


célula epitelial epitelial colunar
colunar
Célula-tronco Célula mucosa

Célula mucosa Lâmina basal


Lâmina
basal Célula-tronco
ML × 932

Figura 2. O epitélio respiratório. (a) Vista histológica do epitélio respiratório. (b) Represen-
tação gráfica do epitélio respiratório.
Fonte: Adaptada de Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 631).

A traqueia é um tubo com aproximadamente 2,5 cm de diâmetro e cerca


de 11 cm de comprimento. É resistente e flexível, localiza-se anteriormente
ao esôfago, estende-se da laringe até a margem superior da vértebra T5, onde
se divide em brônquios principais direito e esquerdo.
Em relação às suas camadas, a parede da traqueia é formada da mais
profunda à mais superficial por:

„„ Túnica mucosa: oferece proteção contra a poeira, formada por uma


camada de epitélio colunar pseudoestratificado ciliado e por uma camada
de tecido conectivo frouxo chamado de lâmina própria.
„„ Tela submucosa: espessa camada de tecido conectivo, contém glân-
dulas mucosas que se comunicam com a superfície epitelial através de
ductos secretores.
„„ Cartilagem hialina: composta por 15 a 20 cartilagens em formato de
C, empilhadas umas sobre as outras. Tem a função de proteger a via
aérea e evitar o colabamento ou a hiperexpansão decorrentes das mo-
dificações de pressão no interior do sistema ventilatório. Um ligamento
elástico e uma faixa de músculo liso (músculo traqueal) conectam as
extremidades de cada cartilagem, e a contração desse músculo modifica
sua resistência ao fluxo aéreo relaxando, aumentando o diâmetro e
facilitando a movimentação de grandes volumes de ar.
„„ Túnica adventícia: composta por tecido conjuntivo areolar que une a
traqueia aos tecidos circunvizinhos.
Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar 5

Os brônquios principais (primários) originam-se da bifurcação da traqueia


ao nível da vértebra T5, formando os brônquios direito e esquerdo, chamados
de brônquios extrapulmonares (fora do pulmão). O brônquio direito é mais
vertical, mais curto e mais largo que o esquerdo. Dessa forma, se algum
objeto for aspirado, tem maior probabilidade de entrar e se alojar no brônquio
principal direito do que no esquerdo.
No ponto em que a traqueia se divide em brônquios principais direito e
esquerdo, temos uma crista interna chamada carina (formada por uma projeção
posterior e um pouco inferior da última cartilagem traqueal). Na carina, a túnica
mucosa é a mais sensível de toda a laringe e traqueia para desencadear a tosse.
Quando o brônquio principal entra para o pulmão, ele se divide, formando
brônquios menores que são chamados de brônquios lobares (um brônquio para
cada lobo pulmonar). Assim, o pulmão direito tem três lobos e três brônquios
lobares, e o pulmão esquerdo tem dois lobos e dois brônquios lobares. Os
brônquios lobares continuam a se dividir e a se ramificar, formando brônquios
segmentares que irrigam segmentos broncopulmonares, que se ramificam ainda
mais, formando os bronquíolos, que se ramificam diversas vezes, formando os
bronquíolos terminais, que representam o fim da zona de condução do sistema
respiratório. Eles possuem células exócrinas que produzem surfactante, prote-
gem contra os efeitos nocivos de toxinas inaladas e substâncias cancerígenas.
Conforme a árvore brônquica penetra e se ramifica no sistema respiratório,
várias mudanças estruturais são observadas:

„„ Túnica mucosa: é formada por epitélio colunar pseudoestratificado


ciliado nos brônquios pulmonares, brônquios lobares e segmentares.
Apresenta epitélio colunar simples ciliado com algumas células calici-
formes nos bronquíolos maiores e epitélio cúbico simples ciliado sem
células caliciformes nos bronquíolos menores. Os bronquíolos terminais
apresentam epitélio cúbico simples não ciliado.
„„ Cartilagens: gradualmente, os anéis de cartilagem dos brônquios prin-
cipais são substituídos por lâminas de cartilagem e, por fim, desparecem
nos bronquíolos distais.
„„ Músculo liso: conforme a quantidade de cartilagem diminui, a quanti-
dade de músculo liso aumenta. Ele circunda o lúmen em faixas e ajuda
a manter a permeabilidade, porém espasmos musculares podem fechar
as vias aéreas, como é o caso da asma.
6 Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar

A Figura 3 apresenta a composição da árvore brônquica.

PULMÃO ESQUERDO
Brônquio principal

Arco cartilagíneo Brônquio


lobar superior
Raiz do pulmão

Brônquio
lobar inferior

Placas cartilagíneas

Pleura visceral

Brônquios
segmentares
BRONQUÍOLO

Epitélio
respiratório
Músculo
liso

Bronquíolo
terminal
Bronquíolos

Lóbulos Bronquíolos
respiratórios

Figura 3. Árvore brônquica.


Fonte: Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 640).
Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar 7

As funções das estruturas que compõem


as vias aéreas inferiores
Conforme visto anteriormente, as vias aéreas inferiores incluem a laringe, a
traqueia, a árvore brônquica e os pulmões, e cada uma dessas estruturas tem
funções distintas e importantes.
A laringe conecta a faringe à traqueia, conduzindo o ar inalado até as vias
aéreas inferiores. Encontra-se na linha média do pescoço anteriormente ao
esôfago e às vértebras cervicais C4 e C6. É constituída por nove fragmentos
de cartilagem, com tecido conjuntivo denso, além da epiglote (segmento de
cartilagem elástica em forma de folha) e da glote (par de pregas de túnica
mucosa na laringe — pregas vocais e do espaço entre elas — rima da glote).
Durante a deglutição, a faringe e a laringe se movem para cima. A elevação
da faringe a prepara para receber alimentos sólidos e líquidos, além de fazer
com que a epiglote se mova para baixo, cobrindo a glote e fechando-a. As
pregas vocais estão envolvidas na produção da voz.
A voz é produzida na laringe, onde estão as pregas vocais. Quando o indi-
víduo fala, essas pregas aproximam-se, suavemente, uma da outra e realizam
um movimento de vibração, graças à passagem do ar que vem dos pulmões
durante o ato de expiração, produzindo o som. O som produzido será am-
pliado e modificado pelas cavidades de ressonância (faringe, cavidade bucal,
cavidade nasal e seios paranasais) e pelas estruturas de articulação (lábios,
dentes, mandíbula, maxila, língua, palato duro e palato mole), que cooperam
na articulação de consoantes e vogais. Toda a voz humana tem um carácter
único, dependendo da estrutura das cavidades de ressonância e das estruturas
articuladoras de cada indivíduo.
As características anatômicas estruturais da traqueia e da árvore brônquica
já foram comentadas anteriormente. Quanto às funções, a traqueia conduz o
ar inalado que vem da laringe até os brônquios principais direito e esquerdo.
Por meio de seu epitélio colunar pseudoestratificado ciliado, consegue oferecer
proteção ao sistema ventilatório contra a poeira, deixando essas partículas
presas aos cílios. Outra função importante da traqueia é fornecer, por meio
de sólidos anéis de cartilagem, uma parede firme com pouca variação em seu
calibre a fim de propiciar uma via segura e livre de obstruções à passagem do ar.
A árvore brônquica conecta a traqueia aos alvéolos, além de limpar o
ar por meio da produção de muco pelas células caliciformes, que retêm as
partículas. Os cílios do epitélio movem o muco e as partículas retidas para a
faringe, para que sejam removidos pelo reflexo da tosse. Além disso, aquece
e umidifica o ar inalado.
8 Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar

Os pulmões são órgãos cônicos pareados, situados na cavidade torácica


e separados um do outro pelo coração. Cada pulmão é protegido por uma
túnica dupla: a camada superficial é chamada de pleura parietal, e a camada
mais profunda é chamada de pleura visceral. Entre as pleuras, temos o espaço
pleural, que contém uma pequena quantidade de líquido lubrificante que reduz
o atrito entre elas, possibilitando o deslizar de uma sobre a outra durante a
respiração. Em algumas situações, as cavidades pleurais podem se encher
de ar (pneumotórax), sangue (hemotórax) ou pus (empiema). Nesse local, o
pulmão não consegue se expandir e, se for realizada a ausculta pulmonar,
apresentará murmúrios vesiculares diminuídos ou abolidos, necessitando
ser drenado em casos mais graves (toracocentese). Os pulmões apresentam
lobos; o pulmão direito tem três lobos (superior, médio e inferior), e o pul-
mão esquerdo tem dois lobos (superior e inferior). Isso deve-se ao fato de o
coração e da maioria dos vasos da base se projetarem em direção à cavidade
pleural esquerda.
Os alvéolos são evaginações em formato de taça revestidas por epitélio
escamoso simples e apoiadas por uma membrana basal fina e elástica.
Quando temos dois ou mais alvéolos compartilhando uma mesma aber-
tura, constitui-se um saco alveolar. As células alveolares tipo I (epiteliais
escamosas pulmonares) formam um revestimento quase que contínuo da
parede alveolar, e as células alveolares tipo II secretam líquido alveolar,
o que mantém úmida a superfície entre as células e o ar. Nesse líquido,
a presença do surfactante reduz a tensão superficial do líquido alveolar.
A troca de O2 e CO2 entre os alvéolos nos pulmões e o sangue ocorre por
difusão através das paredes alveolares e capilares, que formam a membrana
respiratória.
Nos alvéolos, ocorre a troca gasosa. A concentração de O2 no sangue
dentro dos capilares dos pulmões é menor que nos sacos aéreos pulmonares
(alvéolos). Por causa desse gradiente de concentração, o oxigênio difunde-se
dos alvéolos para o sangue. O CO2, que apresenta maior concentração no
sangue do que nos alvéolos, difunde-se do sangue para dentro dos alvéolos.
O movimento de ar para dentro e para fora das vias aéreas (ventilação) repõe
o O2 e remove o CO2 continuamente a partir das vias aéreas e dos pulmões.
Todo esse processo de trocas gasosas entre o ar atmosférico e o sangue e entre
o sangue e as células do corpo é chamado de respiração.
O Quadro 1 apresenta as principais funções de cada estrutura das vias
aéreas inferiores.
Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar 9

Quadro 1. Funções das vias aéreas inferiores

Estrutura Funções

Laringe „„ Serve como via de passagem do ar.


„„ Previne a aspiração do alimento pelo trato ventilatório
inferior.
„„ Produz a voz.

Traqueia „„ Serve como via de passagem do ar.


„„ Limpa, aquece e umidifica o ar inalado.

Árvore brônquica „„ Conecta a traqueia aos alvéolos.


„„ Limpa, aquece e umidifica o ar inalado.

Pulmões „„ Contêm vias ventilatórias menores que os brônquios


principais.

Alvéolos „„ Promovem as trocas gasosas.


„„ Produzem líquido alveolar (inclusive o surfactante),
reduzem a tensão superficial e diminuem o
colabamento dos alvéolos.
„„ Removem partículas de poeira e outros detritos dos
espaços alveolares através dos macrófagos.

Fonte: Adaptado de Vanputte, Regan e Russo (2016).

Enfisema pulmonar e os fatores de


envelhecimento do sistema ventilatório
O envelhecimento do organismo provoca alterações nas vias ventilatórias e
nos tecidos do sistema ventilatório. O tecido elástico deteriora-se ao longo dos
anos, e o principal impacto causado no sistema respiratório é a diminuição da
capacidade de expansão e retração do pulmão. A capacidade vital (o volume
máximo de ar que pode ser expirado após uma inspiração máxima) pode
diminuir em até 35% aos 70 anos.
Os movimentos da caixa torácica ficam limitados devido às alterações
causadas por processos de artrite nas cartilagens costais e à redução da fle-
xibilidade das cartilagens costais. Combinadas com a deterioração do tecido
elástico, a rigidez e a redução dos movimentos torácicos limitam o volume
respiratório. Essa restrição contribui para a redução do desempenho e da
10 Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar

capacidade de realizar atividades físicas com o avançar da idade. Porém, os


idosos podem realizar atividades físicas leves a moderadas porque possuem
grande capacidade de reserva.
O volume residual aumenta com a idade conforme os ductos alveolares e
muitos dos bronquíolos maiores se expandem em diâmetro. Consequentemente,
o espaço morto aumenta, reduzindo a quantidade de ar disponível para a troca
gasosa (ventilação alveolar). A troca gasosa através da membrana respiratória
é reduzida devido à perda de parte da parede alveolar, diminuindo a área de
superfície disponível para a troca; a parede restante é engrossada, reduzindo
a difusão dos gases. Com a idade, um aumento gradual no volume corrente de
repouso compensa essas alterações. Nenhuma alteração significativa ocorre
nas fibras elásticas dos pulmões e na produção de surfactante.
Com o avanço da idade, o muco acumula-se dentro das vias respiratórias,
porque se torna mais viscoso, e isso ocorre também devido à diminuição na
quantidade e frequência do movimento dos cílios. Em decorrência disso, os
idosos são mais suscetíveis a infecções respiratórias e bronquite.
Após os 30 anos de idade, aproximadamente, 30cm 2 de membrana respi-
ratória são perdidos por ano, e isso leva o indivíduo a desenvolver algum grau
de enfisema, o que já pode ser observado entre os 50 e 70 anos de idade. No
entanto, a extensão dessa perda pode variar muito de uma pessoa para outra,
dependendo da exposição ao cigarro e a outros irritantes das vias respiratórias.
O enfisema pulmonar é uma DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)
caracterizada pela destruição das paredes dos alvéolos, produzindo espaços
aéreos grandes de modo anormal que ficam cheios de ar durante a expiração.
Com menor superfície para as trocas gasosas, a difusão de O2 da membrana
respiratória danificada é reduzida. O nível de O2 no sangue é um pouco re-
duzido, e qualquer exercício leve que aumente os requisitos desse gás nas
células deixa o paciente sem fôlego. Como quantidades crescentes de paredes
alveolares são danificadas, a retração elástica pulmonar diminui por causa
da perda de fibras elásticas, e uma quantidade crescente de ar fica retida nos
pulmões ao final da expiração.
Ao longo dos anos, o esforço adicional durante a inspiração aumenta
o tamanho da caixa torácica, resultando no chamado tórax de barril. O
enfisema, geralmente, é causado por exposição prolongada a fumaça do
cigarro, poluição do ar e poeira industrial. Um pouco da destruição dos sacos
alveolares pode ser causada por desequilíbrio enzimático. O tabaco deprime
Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar 11

a atividade das células depuradoras e afeta o mecanismo de limpeza ciliar do


trato ventilatório. Quando o tabaco compromete esse mecanismo de limpeza,
o fluxo de ar é obstruído e fica aprisionado anteriormente à obstrução. Os
alvéolos distendem-se muito, diminuindo a capacidade pulmonar. O tabaco
também irrita as células caliciformes e as glândulas mucosas, provocando
um acúmulo aumentado de muco que, por sua vez, produz irritação, infecção
e danos ao pulmão. Além disso, o monóxido de carbono (CO) combina-se
com a hemoglobina para formar a carboxi-hemoglobina. A hemoglobina,
que está ligada à carboxi-hemoglobina, não pode transportar o oxigênio de
maneira eficiente.
Existem dois tipos principais de enfisema pulmonar com base em alterações
que ocorrem no pulmão. No tipo panlobular, ocorre destruição do bronquíolo
respiratório, ducto alveolar e alvéolo. Todos os espaços aéreos dentro do lóbulo
estão essencialmente aumentados, mas existe pouca doença inflamatória. Para
mover o ar para dentro e para fora dos pulmões, é necessária a pressão negativa,
durante a inspiração, e um nível adequado de pressão positiva deve ser atingido
e mantido durante a expiração. Em lugar de ser um ato passivo involuntário,
a expiração torna-se ativa e requer esforço muscular. Os pacientes ficam com
falta de ar cada vez maior, apresentam perda de peso, o tórax torna-se rígido,
e as costelas ficam fixas em suas articulações.
Na forma centrilobular (centroacinar), as alterações patológicas ocor-
rem, principalmente, no centro do lóbulo secundário, preservando as porções
periféricas dos ácinos. Com frequência, existe desarranjo das relações de
ventilação-perfusão, produzindo hipoxemia crônica, hipercapnia, policite-
mia e episódios de insuficiência cardíaca direita. Isso leva a cianose central,
insuficiência respiratória e edema periférico. Os pacientes podem apresentar
somente um ou ambos os tipos de enfisema.
O diagnóstico é realizado por manifestações clínicas, radiografia (raio X)
de tórax, tomografia computadorizada torácica e espirometria. A equipe de
enfermagem, ao prestar assistência ao paciente com enfisema pulmonar, deve:
orientar sobre a importância da cessação do tabagismo e a remoção de irri-
tantes ambientais, ensinar exercícios respiratórios, administrar medicamentos
broncodilatadores e a oxigenoterapia, auxiliar a higiene corporal, proporcionar
conforto, auxiliar a alimentação e demais atividades diárias que o paciente
não consegue realizar em função das limitações da doença.
12 Sistema ventilatório: anatomia do tórax e da ventilação pulmonar

Acesse o link a seguir para a leitura de um artigo científico


que aborda a implantação de um programa de cessação
do tabagismo em pacientes com doença pulmonar obs-
trutiva crônica.

https://goo.gl/p2WXvv

MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia humana. 6. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2009.
VANPUTTE, C.; REGAN, J.; RUSSO, A. Anatomia e fisiologia de Seeley. 10. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2016.

Leituras recomendadas
BINDA, N. S. Implantação de um programa de cessação do tabagismo em pacientes com
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Monografia (Especialização em Saúde) – Uni-
versidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <https://
ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7975?show=full>. Acesso em: 22 nov. 2018.
MARIEB, E. N.; HOEHN, K. Anatomia e fisiologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-
-cirúrgica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. v. 2.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia.
10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
Conteúdo:

Você também pode gostar