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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA/CCET


CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DÁVILLA KAROLAYNE COSTA DUTRA

OS TIPOS DE CONHECIMENTO E SUAS CARACTERÍSTICAS

SÃO LUÍS
2021
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA/CCET
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DÁVILLA KAROLAYNE COSTA DUTRA

OS TIPOS DE CONHECIMENTO E SUAS CARACTERÍSTICAS

Trabalho apresentada a disciplina de Metodologia Cientifica


do Curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do
Maranhão, sob a orientação da Prof a. Cynthia Moreira Lima,
como requisito para obtenção da primeira nota.

SÃO LUÍS
2021
Sumário

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................... 4
2. TIPOS DE CONHECIMENTO.................................................................5
2.1. CONHECIMENTO MÍTICO..........................................................5
2.2. CONHECIMENTO POPULAR.....................................................6
2.3. CONHECIMENTO FILOSÓFICO.................................................7
2.4. CONHECIMENTO RELIGIOSO.................................................. 8
2.5. CONHECIMENTO CIENTÍFICO..................................................9
3. CONCLUSÃO.......................................................................................11
4. REFERÊNCIAS....................................................................................12
1. INTRODUÇÃO

Tendo como ponto de partida que o conhecimento é elaborar um modelo


de realidade e projetar ordem onde havia caos, segundo os autores Cyrino e
Penha, no seu livro “Filosofia hoje”, escrito em 1992. Pressupõe que existe assim
três elementos necessários para que se construa um conhecimento, o primeiro
o sujeito é o ser que conhece, o segundo é o objeto (analisado e investigado
pelo sujeito, objeto de estudo) e o terceiro por sua vez é a imagem mental em
forma de opinião ou conceitos que é o desfecho da relação sujeito e o objeto.

Para (Aranhas e Martins,2005,p.98) o conhecimento “é o ato, o processor


pelo qual o sujeito se coloca no mundo, como ele estabelece uma ligação. A
relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou que se deseja conhecer
e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer”.

Por meio da relação sujeito-objeto, da qual resulta informações e


conhecimento, o ser pensante busca compreender e principalmente explicar os
objetos com os quais tem mais convívio e pratica, e é a partir desse ponto que
podemos chamar de conhecimento, tendo em visto que a consciência não se
origina do vazio, e sim de experiências acumuladas. Confortando e preenchendo
o vazio por um sentido, originando vários tipos como o conhecimento mítico,
popular, filosófico, religioso e cientifico. Em conformidade com Aristóteles “o
homem tem naturalmente o desejo de conhecer”.
2. TIPOS DE CONHECIMENTO

2.1. CONHECIMENTO MÍTICO

O conhecimento mítico é exibido como a forma pensamento humana mais


primitiva de compreensão do mundo, sendo uma manifestação coletiva e
necessita que um grupo o afirme, mantendo assim o reconhecimento. Tendo em
consideração que é uma verdade intuitiva, sendo, portanto, dogmático, ou seja,
algo incontestável que se dá por meio de crenças.

Para Aranha e Martins, a concepção dos mitos contemporâneos utiliza


mecanismos como a omissão da história do candidato à condição de mito, a
quantificação de suas qualidades e a constatação. Complementando com o
pensamento de Cyrino e Penha, no qual explica que o conhecimento mítico é
representado por meio de linguagem simbólica e imaginária. Assim, ainda que o
conhecimento mítico crie representações para atribuir um sentido às coisas, ele
ainda se baseia na crença de que seres fantásticos e suas histórias
sobrenaturais é que são os responsáveis pela razão de ser do existente.

Nesse sentido o conhecimento mítico tem características até certo ponto


paradoxal, pois se apresenta afim de fornecer uma explicação da realidade e
recorre por artifícios de mistério e ao sobrenatural, ou seja, justamente àquilo
que não se pode explicar de forma verdadeira ou que não se pode compreender
por estar fora do plano da compreensão humana.

Em um contexto em que o mito teve sua importância com o intuito de


proporcionar a segurança e a tranquilidade em uma sociedade com dúvidas, no
qual precisava preencher vazios, eles não devem ser aceitos com verdade
absoluta. É nesse ponto que os protagonistas da filosofia e ciência entram com
a possibilidade de obter um pensamento crítico frente aos efeitos do mito em
uma coletividade. Entretanto o surgimento desse novo tipo de explicação sobre
uma realidade, não significa que ocorreu o desaparecimento por completo do
mito, sobrevivendo ainda que progressivamente alterando sua função, passando
a ser parte de tradições e culturas do povo.
2.2. CONHECIMENTO POPULAR

O desenvolvimento da espécie humana só foi capaz de acontecer devido,


ao acúmulo de saberes intuitivos ou conhecimentos práticos, desenvolvidos
pelos próprios humanos, transformando ao longo dos anos em saber popular.
Nessa caminhada da humanidade, ocorreu um processo seletivo de saberes,
desde o começo da relação entre o homem e a natureza, que se reproduziram e
vêm sendo repassados para as novas gerações. O processo de experimentação
permanente na vida dos seres humanos, por meio de ensaios e de erros,
embasou a sobrevivência da espécie diante dos desafios da natureza. Sendo
justamente as tentativas com erros e acertos, originando experiências que se
define o conhecimento popular.

Os pesquisadores Boyer e Merzbach (2014, p. 24) mostram que “[...]


gradualmente deve ter surgido da massa de experiências caóticas, a percepção
de que há analogias: e dessa percepção de semelhança entre números e formas
nasceram a ciência e a Matemática [...]”. Esses saberes práticos acumulados
vieram estabelecer-se como sabedoria - o acervo de conhecimentos originários
daquelas pessoas mais observadoras das relações com a natureza.

O conhecimento popular, repassados para os demais humanos, foram


respaldando a instrução, caracterizada pela repetição daquilo que dera certo.
Foram-se acumulando as informações, tudo de forma oral, veiculando valores
definidos mesmo diante de várias circunstâncias inóspitas. Todos esses saberes
foram sendo gerados por cada aprendizagem e ensino, no início, de forma
individual e, depois, coletivamente.

Em resumo o conhecimento popular é valorativo, pois se baseia em


emoções, reflexivo, aquilo que se volta para si, assistemático, visto que se
sustenta na organização particular de experiências, saber desordenado
logicamente, por fim, falível e inexato porque com a aparência e no que ouviu se
dizer sobre algo.
2.3. CONHECIMENTO FILOSÓFICO

A percepção filosófica manifestou-se a partir da capacidade do ser


humano de refletir e questionar sobre as coisas ao seu redor, especialmente
sobre questões subjetivas e imateriais, como os conceitos e ideias. Esse tipo e
conhecimento, mesmo sendo racional, dispensa a necessidade de verificação
cientifica, tendo em vista que os seus objetos de análise não apresentam cunho
material, sendo a sua principal preocupação o questionar e encontrar soluções
e respostas racionais para as questões, mas não para comprovar algo.

Podemos afirmar então que o conhecimento filosófico é especulativo e


baseado no questionamento da aparente ordem natural do mundo, possuindo
como base a dúvida, a filosofia constrói um pensamento sistemático e racional.

Segundo (RAEPER e SMITH 2001, p13 apud ARAUJO,2006, p130) “A


filosofia trata das ideias – ideias sobre o mundo, sobre as pessoas, ideias sobre
o viver (...). A filosofia se preocupa de modo geral com o modo geral com o modo
como sabemos as coisas e com o que podemos saber”.

Na narrativa ocidental tradicional, a origem da filosofia está na Grécia


antiga, apesar de atualmente o fato ser questionado – há indícios anteriores de
conhecimento filosófico, por exemplo, na África. Embora a filosofia ocidental não
seja necessariamente ciência, ela também não se confunde com a mitologia.
Assim, um de seus objetivos é formular um conhecimento baseado na razão,
negando os mitos tradicionais.

Em síntese o conhecimento filosófico possui quatro características, sendo


elas: reflexivo, onde visa entender os pensamentos e ideias produzindo
especulações e hipóteses sobre o assunto, questionador e racional, ou seja, o
pensamento filosófico deve ser guiado por critérios lógicos e coerentes. E por
fim esse tipo de conhecimento é sistemático, formula hipóteses organizando-as
sistematicamente e relacionando com outras.
2.4. CONHECIMENTO RELIGIOSO

Também conhecido como conhecimento teológico, esse tipo de


conhecimento é baseado na fé, assim acredita-se que a religião e os
ensinamentos passados ali são a verdade absoluta, possuem todas as
explicações para os mistérios que rodeiam a mente humana.

Não sentem necessidade na verificação cientifica dessas informações,


para que determinada “verdade” seja aceita sob a ótica do conhecimento
religioso, consequentemente esse conhecimento é infalível e exato, pois trata-
se de uma verdade que transcende, ou melhor, que é divina. É fundamentado
somente em doutrinas reveladas de forma divina (FACHIN, 2006). Marconi e
Lakatos (2003) e Fachin (2006) afirmam que o objetivo do conhecimento
teológico/religioso está em buscar a compreensão da origem, significado,
finalidade e destino do mundo e, que, para a sua aceitação, é necessária atitude
de fé, independentemente do tipo de deus ao qual se crê.

Segundo autores como Teixeira e Andrade (2012) e Marconi e Lakatos


(2003), é possível a coexistência destas diversas formas de conhecimento no
indivíduo. E isto é possível verificar quando observamos grandes personagens
das ciências, tais como: Galileu, Kepler, Francis Bacon, René Descartes, Pierre
Gassendi, Robert Boyle, Isaac Newton e Gottfried, que, possuindo crenças
religiosas, contribuíram bastante para o conhecimento científico e filosófico
(HENRY, 1998 apud TEIXEIRA; ANDRADE, 2012).

O Brasil é um país com um grande número de religiosos, sendo a religião


uma característica de identidade do nosso povo. Em uma pesquisa sobre o
envolvimento religioso na população brasileira e sua relação com variáveis
sociodemográficas, verificaram que, em uma amostra de 3.007 pessoas, 83% se
consideram religiosas e afirmam que a religião é de suma importância para a
vida. Apenas 5% declararam não possuir nenhum tipo de religião. Logo, puderam
concluir, também, que o Brasil tem um grande índice de religiosidade, afetando
o ensino dentro do ambiente escolar, mesmo o país sendo laico.
O autor Teixeira em sua pesquisa sobre as concepções dos professores
de ciência, que seguem uma crença religiosa, verificou que os mesmos
acreditam que esses tipos de conhecimentos não são conflitantes. Concluiu que
é necessária a promoção de diálogos entre os conhecimentos religioso e
científico. No entanto, Sanches (2007) afirma que, no ambiente escolar, existe a
negação do conhecimento religioso, assim como, nas igrejas, do conhecimento
científico. Com este posicionamento, correntes religiosas e escolas negam ao
aluno a possibilidade de entender a existência de interações entre ciência e
religião.
Se a função do professor é mediar a construção do conhecimento para e
com o aluno (FREIRE, 1996), ele deve auxiliar seus alunos na construção de
uma visão de mundo que não seja apenas voltada a um tipo de conhecimento,
visto que existe outros tipos de conhecimento. Neste contexto, o professor deve
capacitá-lo a entender e respeitar as diferentes visões de mundo (SANCHES,
2007).

2.5. CONHECIMENTO CIENTÍFICO

O conhecimento científico está conexo com a lógica e o pensamento


crítico e analítico. É o conhecimento que temos sobre fatos avaliados e
comprovados cientificamente, de modo que sua veracidade ou falsidade podem
ser comprovadas. É um conhecimento factual e está fundamentado em
experiências comprovadas. Por isso, também é falível e aproximadamente
exato, pois novas ideias podem modificar teorias antes aceitas. Também é
verificável, pois surge através de resultados científicos. Segundo
(MASLOW,1979, p206, apud ARAUJO,2006, p131) “A ciências tem as suas
origens nas necessidades de conhecer e compreender (ou explicar), isto é, nas
necessidades cognitivas”.

Esse tipo de conhecimento pode ser definido e caracterizado como:


Objetivo por absorver os fenômenos do mundo como instrumentos de
conhecimento e visam determiná-lo tais como seriam de fato,
independentemente de qualquer interferência externa ao interesse científico.
Analítico: pois aborda os problemas delimitados em sua alçada um a um,
decompondo-os em seus elementos. Esclarecedor: buscando os resultados com
exatidão sem correr o risco de gerar dúvidas capazes de invalidá-lo. Universal:
Não se pretendendo restrito apenas em um setor social ou região do planeta, ele
é público.

A linguagem científica é, portanto, comunicável a quem quer que se


interesse saber. Verificável: considerando que todo conhecimento científico
apoia-se em um fundamento sólido capaz de sustentar firmemente sua certeza,
afirmarmos que este é conhecimento certo, obtendo estas certezas por meio de
uma averiguação ou exame experimental chamado verificação.

Essas características do conhecimento científico merece uma ressalva,


por aplicar-se, com nuanças técnicas para qualquer possível objeto de ciência.
A metodologia, bem como a lógica, se apresentaria, pois, como a ciência dos
meios e da forma, aquela que encaminha e “enforma” o conhecimento possível
à ciência; e, em boa medida, que dá parâmetros à própria ciência em sua tarefa
de resolver, metodicamente, quebra-cabeças e produzir conhecimento em face
de seus paradigmas.
3. CONCLUSÃO

Levando em consideração os aspectos apresentados, pode-se concluir


que o conhecimento está presente nas vidas dos seres humanos e na história
da humanidade, com o propósito de solucionar e buscar respostas para os
mistérios de seu dia a dia, estando presente desde o nascimento até nosso
último dia, sendo ele de qualquer tipo. Sofrendo alterações significativas para
que cada vez mais sejam capazes de criar objetos e estudá-los. Para isso
devem-se criar novos paradigmas, buscando novos conhecimentos, novas
formas de se pensar, não aceitando apenas um conceito como verdade absoluta,
modificando até mesmo a forma com que se utilizam os conhecimentos
adquiridos.

Enfim, a sociedade não deve adotar atitudes dogmáticas, sendo omissa,


conformada e acomodada com as realidades, rompendo essas atitudes através
das críticas, ou seja, questionamentos, reflexões, indagações entre outras,
visando o crescimento do conhecimento pessoal e social. Destarte, o mundo terá
um maior êxito, com indivíduos mais otimistas e determinados, conquistando
igualdade e exterminando o preconceito e discriminação, para compreender os
conhecimentos já adquiridos pela sociedade e ajudar pela busca de novas
verdades.
4. REFERÊNCIAS

CORREIA, Wilson. Os diversos tipos de conhecimento: o que é conhecer.


2006. Unicamp, São Paulo, 2006
CYRINO, H. & PENHA, C. Filosofia hoje. 2. ed. Campinas: Papirus, 1992.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. O
conhecimento mítico. In: Temas de filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2005.
p. 124-129.
SILVA, Severino Felipe da et al. SABER POPULAR E SABER
CIENTÍFICO. Revista Temas em Educação, João Pessoa, v. 24, n. 2, p. 137-
154, dez. 2015. Universidade Federal da Paraíba – UFPB

GUANIS DE BARROS, V.; JUNIOR. TIPOS DE CONHECIMENTO. [s.l.] , [s.d.].


Disponível em: <http://www.cpaqv.org/epistemologia/tiposdeconhecimento.pdf>.

SANCHES, Mário Antonio; DANILAS, Sergio. Busca de harmonia entre


religião e ciência no Brasil: Reflexões a partir do ano de Darwin.
Teocomunicação, v. 42, n. 1, 2012

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