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BREVE HISTÓRICO DA PSICOPEDAGOGA

A Psicopedagogia surgiu na Europa, após serem encontrados problemas


de aprendizagem e a necessidade de justificar as desigualdades sociais.
Segundo Bossa (2007),ao longo do século XIX surgiram teorias relacionadas a
ciência e a teoria evolucionista de Charles Darwin que enquadrou o homem
dentro do esquema da evolução biológica e aboliu as linhas divisórias das
ciências naturais ,humanas e sociais .
Concomitantemente a isto,o corpo humano passou a ser estuda testes
buscando do pela Psicologia e as escolas começaram a aplicar testes
buscando descobrir o motivo das diferenças encontradas no rendimento dos
seus alunos.
Janine Mery,psicopedagoga francesa,apresentou considerações sobre o
termo Psicopedagogia e adotou este termo para caracterizar sua ação
terapêutica.Depois dela,outros estudiosos se dedicaram as crianças com
dificuldades de aprendizagem.
Em 1946 surgiram os primeiros centros Psicopedagógicos,conforme
Bossa (2007),J.Boutonier e George Mauco foram os criadores e através destes
centros buscavam unir a Psicologia ,psicanálise e pedagogia para a realização
dos tratamentos.
Nos Estados Unidos ocorria o mesmo moviemento,porém com ênfase
nos aspectos médicos .No século XX surgem ,então,os primeiros centros de
reeducação para delinqüentes e escolas particulares que atendiam as crianças
com aprendizagem mais lenta.Além destes,em 1930,surgem na França os
primeiros centros de orientação educacional com psicólogos ,educadores e
assistentes sociais .Somente em 1956 é que se dá inicio a formação
universitária em Psicopedagogia,na Argentina com Arminda Aberastury.
A Psicopedagogia é uma área que desenvolve seus estudos
concretizando seu corpo teórico e aprimorando seus instrumentos para
compreender, cada vez com mais precisão, o processo de aquisição do
conhecimento, isto é, o aprender humano.
Este objeto de estudo da Psicopedagogia, é perceptível a importância
dessa área,diante da ampla visão que ela surge sobre a aprendizagem.A
exigência de uma ressignificação do saber sobre a aprendizagem requer do
estudioso um aprofundamento em teorias que dêem conta de um ser humano
que se relaciona com um mundo em constante movimento .
Hoje o ser cognoscente ,sujeito que está em constante busca do
conhecimento ,é visto como um ser inserido em um contexto que lhe permite
infindáveis aprendizagens,nos diferentes âmbitos da sociedade.
A história da Psicopedagogia ,no que se refere as visões sobre seu
objeto de estudo e tentemos refletir como cada momento da história ,por mais
absurdo que nos pareça ,teve sua importância para que hoje pudéssemos ter
uma compreensão ampliada do processo de aprender ,que vai muito além da
aplicação da Psicologia à Pedagogia.
O status interdisciplinar da Psicopedagogia requer do profissional um
mergulho em áreas de estudo, que antes pareciam ser distantes das
explicações que se buscavam para as dificuldades no aprender, bem como
uma transformação que perpassa níveis pessoais do profissional estudioso da
área.
Não só o conhecimento teórico sobre :Psicologia ,Teorias da
personalidade,Pedagogia,Linguistica e outros ,mas o principal é a capacidade
de articular esses conhecimentos e manter o compromisso ético social na
prática e na investigação científica do processo de aprender,formam o alicerce
da prática psicopedagógica.
A proposta do aprender o aprender do outro não se concretiza se o
profissional da Psicopedagogia não abrir um espaço para a escuta e um olhar
clínico para seu próprio aprender ,que para Alícia Fernadez (apoud
BOSSA,2000,p.24)configura a atitude psicopedagógica.
Segundo Bossa(2000,p.21),o termo Psicopedagogia distingue –se em
três conotações :Como uma prática de investigação do ato de aprender e como
um saber científico.Portanto ,é importante que se tente entender a
Psicopedagogia como uma área que vem,ao longo de sua história,criando um
corpo teórico próprio,sistematizando instrumentos capazes de dar conta de
suas investigações ,não se propondo a especializar um profissional dando a ele
somente parte do que lhe falta.
Os primeiros centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa
(1946) por Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica
unindo conhecimento na área da Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde
tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados
na escola ou no lar, e atender crianças com dificuldades de aprendizagem
apesar de serem inteligentes (BOSSA, 2000, p39).
Esta corrente europeia influenciou a Argentina. Buenos Aires foi a
primeira cidade a oferecer o curso de psicopedagogia.
A Psicopedagogia chegou ao Brasil, na década de 70, com a colaboração de
Jorge Visca. Nessa década já havia algum movimento científico / acadêmico
em Porto Alegre.
Os primeiros cursos formais de Psicopedagogia eram denominados de
Reeducação Psicopedagógica, Psicopedagoga Terapêutica, Dificuldades
Escolares, entre outros. Esses cursos ocorreram primeiramente em Porto
Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.
“A Psicopedagogia é uma nova área de atuação profissional que busca
uma identidade, e que requer uma formação de nível interdisciplinar, o que já é
sugerido no próprio termo Psicopedagogia”. (Bossa, 1995, p.31).
Perfil do Psicopedagogo (a) – O psicopedagogo (a) nasceu da
necessidade de atender as crianças com dificuldades na área da
aprendizagem. Tem como objeto de estudo o processo de aprendizagem, seus
recursos diagnósticos, corretores e preventivos. Vários aspectos devem ser
considerados na compreensão deste processo como: os afetivos, os cognitivos
e os sociais, que interferem no aprender humano

A PSICOPEDAGOGIA NO BRASIL

A Psicopedagogia chega no Brasil somente no período de 1970,através


da influencia da Argentina devido ao acesso fácil a literatura .São criados
então cursos com enfoque Psicopedagógico.No início da década de 80 ,é
criada a Escola de Guatemala ,com uma visão sociopolítica a respeito da
dificuldade de aprendizagem escolar,em que se acreditava em problemas no
processo de ensino.Sendo assim,iniciando um trabalho preventivo.Além
disso,no mesmo período surgem cursos de realização na área.
A Psicopedagogia foi introduzida aqui no Brasil baseada nos modelos
médicos de atuação e foi dentro desta concepção de problemas de
aprendizagem que se iniciaram, a partir de 1970, cursos de especialização com
a duração de dois anos.
De acordo com Visga(2000,p.21),a Psicopedagogia foi inicialmente uma
ação subsidiada de medicina e da psicologia,perfilando-se posteriormente
como um conhecimento independente e complementar,possuída de um objeto
de estudo denominado aprendizagem,e de recursos diagnósticos,corretores e
preventivos próprios.
O percurso da Psicopedagogia brasileira foi: o Associação Estadual de
Psicopedagogos de São Paulo (1980), posteriormente Associação Brasileira de
Psicopedagogia (1985..
Para Bossa a psicopedagogia estuda as características da
aprendizagem humana: como se aprende, como essa aprendizagem varia
evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as
alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las.
Atualmente a psicopedagogia trabalha com uma concepção de
aprendizagem de acordo com a relação do sujeito com o meio, suas
disposições afetivas e intelectuais. A Psicopedagogia pode ser trabalhada o
clínico e o preventivo. Como preventivo podem ser trabalhadas as questões
didático-metodológicas, bem como a formação e orientação dos professores e
aconselhamento dos pais. Diminuir e tratar os problemas já instalados.
Como clínico, o psicopedagogo precisa conhecer o sujeito, quais os
recursos de conhecimento que ele dispõe e como aprende e produz
conhecimento.
É preciso que o psicopedagogo saiba o que é ensinar e o que é
aprender. Leda Barone no II Encontro Psicopedagógico enfatiza que o
psicopedagogo deve assumir a polaridade do seu papel como:
- Levar em conta o papel da família como transmissor de cultura e,
matriz dos primeiros modelos de aprendizagem;
- Reconhecer a escola como um espaço onde o sujeito adquire
conhecimentos que se transformam em saber;
- Considerar a instituição hospitalar como elemento fundamental na
realização de diagnósticos para a identificação de dificuldades de
aprendizagem;
-Favorecer a aprendizagem do sujeito ao assumir novas funções em
seu contexto de trabalho.
O psicopedagogo, no Brasil, ocupa-se das seguintes atividades
conforme Lino de Macedo:
1 - Orientação de estudos – organizando a vida escolar da criança quando esta
não sabe fazê-lo espontaneamente como ler um texto, como escrever, como
estudar, etc.
2 - Apropriação dos conteúdos escolares – propiciar o domínio de disciplinas
escolares que a criança não vem atingindo bons resultados;
3 - Desenvolvimento do raciocínio – Os jogos são muito utilizados, criando um
contexto de observação e diálogo sobre processos de pensar e de construir o
conhecimento.
4 - Atendimento a criança – Atende a deficientes mentais, autistas, hiperativos
ou com comportamentos orgânicos mais graves, podendo até substituir o
trabalho da escola.
Para Alicia Fernández, esse saber só é possível com uma formação que
se oriente sobre três pilares:
- Prática clínica: em consultório individual, grupal e familiar;
- Construção teórica: permeada pela prática;
-Tratamento psicopedagógico-didático: construção do olhar e da escuta clínica.

QUEM É O PSICOPEDAGOGO?

Síntese extraída do Projeto de Lei nº 3124/97 do Deputado Barbosa


Neto que regulamenta a profissão do Psicopedagogo. Poderão exercer a
profissão de Psicopedagogo no Brasil os portadores de certificado de
conclusão em curso de especialização em Psicopedagogia em nível de pós-
graduação, expedido por instituições devidamente autorizadas nos termos da
legislação pertinente.
Assim o Psicopedagogo:
- Possibilita intervenção visando à solução dos problemas de aprendizagem
tendo como enfoque o aprendiz ou a instituição de ensino público ou privado;
- Realiza o diagnóstico e intervenção psicopedagógica, utilizando métodos,
instrumentos e técnicas próprias da Psicopedagogia;
- Atua na prevenção dos problemas de aprendizagem.
- Desenvolve pesquisas e estudos científicos relacionados ao processo de
aprendizagem e seus problemas;
- Oferece assessoria aos trabalhos realizados em espaços institucionais;
- Orienta, coordena e supervisiona cursos de especialização de
psicopedagogia, em nível de pós-graduação expedidos por instituições,
devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da legislação vigente.

TEORIAS QUE EMBASAM O TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO

Conhecer os fundamentos da Psicopedagogia requer refletir sobre suas


origens teóricas, revisando os impasses conceituais na ação da Pedagogia e
da Psicologia no processo ensino-aprendizagem, os quais envolvem tanto o
social quanto o individual, tanto transformadores quanto reprodutores.
A psicopedagogia ainda se encontra em fase embrionária e seu corpo
teórico encontra-se em plena construção. A cada dia surgem novas ideias,
novas situações e mais transformações.
Bossa diz que podemos caracterizar a psicopedagogia como uma área
de confluência do psicólogo (a subjetividade do se humano como tal) e do
educacional (atividade especificamente humana, social e cultural). (200,p.28).
O psicopedagogo ensina como aprende e, para isso, necessita aprender o
aprender e a aprendizagem. Na aprendizagem o indivíduo ao se apropriar de
conhecimentos e técnicas, constrói na sua interiorização um universo de
representações simbólicas.
Historicamente, a Psicopedagogia nasceu para atender a patologia da
aprendizagem, uma vez que acredita que muitas dificuldades de aprendizagem
se devem a inadequação da psicopedagogia institucional e familiar. Devido a
complexidade do seu objeto de estudo são importantes à Psicopedagogia
conhecimentos específicos de diversas outras teorias, as quais incidem sobre
os seus objetos de estudos:
Como seres humanos, nos diferenciamos pela nossa capacidade de
aprender, mudar, fazer história, na qual o pensar alicerça esse processo de
mutação. Pensar envolve duvidar, perguntar, questionar. É uma maneira de
investigar, pesquisar o mundo e as coisas, por isso mesmo encerra algo que
perturba, provoca mal-estar, insegurança, porque aquilo que nos parecia
seguro foi atingido em nosso pensamento.
A Epistemologia e a Psicologia Genética se encarregam de analisar e
descrever o processo construtivo do conhecimento pelo sujeito em interação
com os outros e com os objetos.
A linguística traz a compreensão da linguagem como um dos meios que
caracterizam tipicamente o humano e cultural: a língua enquanto código
disponível a todos os membros de uma sociedade e a fala como fenômeno
subjetivo, evolutivo e historiado de acesso a estrutura simbólica.
A Pedagogia contribui com as diversas abordagens do processo ensino-
aprendizagem, analisando-o do ponto de vista de quem ensina.
Os fundamentos na Neuropsicologia possibilitam a compreensão dos
mecanismos cerebrais que subjazem ao aprimoramento das atividades
mentais, indicando-nos a que correspondem do ponto de vista orgânico, todas
as evoluções ocorridas no plano psíquico.
Neste trabalho de ensinar e aprender, o psicopedagogo recorre a critérios
diagnósticos no sentido de compreender a falha na aprendizagem. A
investigação diagnóstica envolve a leitura de um processo complexo: como o
individual, o familiar atual e passado, o sociocultural, o educacional e a
aprendizagem.
Atualmente, a Psicopedagogia refere-se a um saber, e a um saber a
fazer, as condições subjetivas e relacionais especialmente familiares e
escolares – as inibições, atrasos e desvios do sujeito ou grupo a ser
diagnosticado. O conhecimento psicopedagógico avalia a possibilidade do
sujeito, a disponibilidade afetiva de saber e de fazer, reconhecendo que o
saber é próprio do sujeito.
O trabalho clínico não deixa de ser preventivo, pois ao tratar alguns
transtornos de aprendizagem, pode evitar o aparecimento de outros.
Na sua função preventiva, cabe ao psicopedagogo:
- Detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem;
- Participar da dinâmica das relações da comunidade educativa, a fim de
favorecer o processo de integração e troca;
- Promover orientações metodológicas de acordo com as características dos
indivíduos e grupos;
- Realizar processos de orientação educacional, vocacional e ocupacional,
tanto na forma individual ou grupal.

A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA

A psicopedagogia em seu desejo de conhecer mais sobre o outro para


poder ajudá-lo a vencer suas dificuldades, superar seus problemas de
aprendizagem e compreender os elementos que interferem nesse processo,
em busca da autoria de pensamento, tem como o seu maior desafio: aprender
a conhecer aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
O Psicopedagogo procura ,portanto,compreender o indivíduo em suas
várias dimensões para ajudá-lo a reencontrar seu caminho,superar as
dificuldades que impeçam um desenvolvimento harmônico e que estejam se
constituindo num bloqueio da comunicação dele com o meio que o cerca.Cada
psicopedagogo possui um estilo de fazer a intervenção pedagógica .Por
diferentes razões,cada qual busca um caminho por onde transitar com mais
conforto diante os desafios que a prática psicopedagógica impões a dupla
ensinante/aprendente.
A busca do autoconhecimento, a busca da autonomia, permeada pela
dimensão social, no que se refere aos valores e atitudes, a dimensão pessoal,
no que se refere aos afetos, sentimentos e preferências dos indivíduos, todos
esses fatos aliados ao desenvolvimento global explicam a importância
crescente da Psicopedagogia que, na sua concepção atual, já nasce com uma
perspectiva globalizadora condizente com os rumos da aprendizagem nesse
século. Ela ocupa um espaço privilegiado justamente porque não está em um
único lugar.
Portanto, o olhar, a escuta e as intervenções psicopedagógicas estão
voltadas aos movimentos subjetivos entre ensinante e aprendente frente ao
conhecimento, no decorrer da construção do sujeito no ato de aprender, tendo
como finalidade a autoria do pensamento, que é a descoberta da originalidade,
da diferença, da marca, e a partir daí, abrir espaços para a criatividade.
Aprender significa mudar, crescer, tendo o passado como referência para
descobrir o futuro e assim construir uma nova história, diferente daquela vivida
até então:“Necessitamos um modo diferente de analisar a relação entre o
futuro e o passado para entender o que acontece em todo processo de
aprendizagem.
Aprender “é construir espaços de autoria e, simultaneamente, é um
modo de ressituar-se diante do passado”.(Fernández,2001:69).O trabalho
psicopedagógico pode ter um caráter preventivo, no sentido de reconstruir
processos, definir papéis, valorizando novos conhecimentos, novas formas de
aprender, novas formas de avaliar o conhecimento, pessoas, papéis,
processos, produtos e objetivos.

CAMPO DE ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA

Segundo Andrade (2004) a psicopedagogia ainda está buscando a


“autonomia de uma disciplina” e delimitando cientificamente a aprendizagem
humana com sua temática, o sujeito aprendente ou o sujeito em situação de
aprendizagem como seu sujeito e a pesquisa de intervenção como o seu
método de investigação da realidade que lhe interessa- a aprendizagem
humana com todos os seus matizes, alcances e limites.
É consenso entre os autores apontar a psicopedagogia como uma área
de conhecimento ou te atuação “interdisciplinar nos processos de
aprendizagem” (CASTANHO 2002 p.30).
Há quem afirme que essa área da educação constitui-se num modelo
transdisciplinar de ação, que transita entre as disciplinas diversas “sem abolir
as fronteiras existentes” (RUBINSTEIN; CASTANHO, 2004, p.231).
Dada à natureza necessariamente multidisciplinar, a psicopedagogia
é chamada a se realizar na convivência com o outro, com o diferente,
com os vários códigos restritos das ciências. Assim sendo, é uma
disciplina convocada a realizar um movimento reparatório com
relação à impossibilidade de troca entre diferentes áreas do
conhecimento, mas é também solicitada a reconhecer a singularidade
daqueles a quem é chamada a cuidar.Aliás, reconhecer a
singularidade daquele que aprende, é condição primeira para que se
realize, quer como teoria como prática (MELLO,2000,p. 46).

O trabalho psicopedagógico, portanto, não se apresenta como


reeducativo, mas, sim como terapêutico (uma terapia centrada na
aprendizagem); não se dirige para um público específico, porque aprendentes
somos todos nós, humanos: crianças, jovens, ou velhos que nos mantemos
vivos e atuantes, enquanto aprendemos e ensinamos e podemos contribuir
com a nossa marca para a evolução da humanidade. É possível perceber que
a Psicopedagogia também tem papel importante em um novo momento
educacional que é a inserção e manutenção dos alunos com necessidades
educativas especiais (NEE) no ensino regular, comumente chamada inclusão.
Entende-se que colocar o aluno com NEE em sala de aula e não criar
estratégias para a sua permanência e sucesso escolar inviabiliza todo o
movimento nas escolas. Faz-se premente a necessidade de um
acompanhamento e estimulação dos alunos com NEE para que as suas
aprendizagens sejam efetivas. O papel do psicopedagogo escolar é muito
importante e pode e deve ser pensado a partir da instituição, a qual cumpre
uma importante função social que é socializar os conhecimentos disponíveis,
promover o desenvolvimento cognitivo, ou seja, através da aprendizagem, o
sujeito é inserido, de forma mais organizada no mundo cultural e simbólico que
incorpora a sociedade.
“Há diferentes níveis de atuação. Primeiro, o psicopedagogo atua nos
processos educativos com o objetivo de diminuir a frequência dos
problemas de aprendizagem. Seu trabalho incide nas questões
didático-metodológicas, bem como a formação e orientação dos
professores, além de fazer aconselhamento aos pais. Na segunda
atuação, o objetivo é diminuir e tratar dos problemas de
aprendizagem já instalados. Para tanto, cria-se um plano diagnóstico,
a partir do qual procura-se avaliar os currículos com os professores,
para que não se repitam transtorno, estamos prevenindo o
aparecimento de outros” (BOSSA,1994,p.102)

As escolas enfrentam um grande desafio: lidar com as dificuldades de


aprendizagem e ao mesmo tempo traçar uma proposta de intervenção capaz
de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem dos alunos.
Dessa forma, defende-se a importância do Psicopedagogo Institucional, como
um profissional qualificado, que se baseia principalmente na observação e
análise profunda de uma situação concreta, no sentido de não apenas
identificar possíveis perturbações no processo de aprendizagem, mas para
promover orientações didático-metodológicas no espaço escolar de acordo
com as características dos indivíduos e grupos.
Segundo Groppa (1997) o trabalho psicopedagógico terá como objetivo
principal trabalhar os elementos que envolvem a aprendizagem de maneira que
os vínculos estabelecidos sejam sempre bons. A relação dialética entre sujeito
e objeto deverá ser construída positivamente para que o processo ensino-
aprendizagem seja de maneira saudável e prazerosa. O desenvolvimento de
atividades que ampliem a aprendizagem faz-se importante, através dos jogos e
da tecnologia que está ao alcance de todos. Com isso, há a busca da
integração dos interesses, raciocínio e informações que fazem com que o aluno
atue operativamente nos diferentes níveis de escolaridade. Por isso, a
educação deve ser encarada como um processo de construção do
conhecimento que ocorre como uma complementação, cujos lados constituem
de professor e aluno e o conhecimento construído previamente.

OBJETIVOS DA PSICOPEDAGOGIA DO DESENVOLVIMENTO

Descrição da gênese e mudanças de conduta.

Consiste na descrição da gênese das condutas psicomotoras, afetivas,


cognitivas e sociais, e do processo de mudanças dessas condutas ao longo da
vida.Estabelece relações entre os eventos do ambiente e o comportamento
humano.Ex.O sorriso.Os verdadeiros sorrisos aparecem por volta da terceira
semana de vida, provocados por estimulação externa, voz humana, chocalho,
etc. Na sexta semana o estímulo é a face humana e na sétima semana é a
familiarização.

Fatores que afetam o desenvolvimento das condutas.

Referem-se à descoberta de fatores, mecanismos e processos


responsáveis pelo aparecimento das condutas e das mudanças.
São genéticos e ambientais como comportamentos inatos ou aprendidos,
instintivos ou inteligentes, de maturação ou aprendizagem.
Essa classificação dicotômica coloca a discussão dos determinantes do
comportamento em duas posições antagônicas: A primeira é que cada pessoa
nasce com um conjunto de aprendizagem social.
Os fatores genéticos = estrutura herdada. E a segunda é capacidade de
organização do desenvolvimento de cada um.O ser humano nasce com um
repertório inicial de comportamento e capacidades que irão mediar sua
interação com o ambiente. Repertório inicial: sucção, gustação, tato, visão,
audição, são sensíveis ao estímulo fornecido pelo corpo da mãe.O bebê
apresenta desde o nascimento uma organização perceptiva muito elaborada
que pode ser identificada pela discriminação e preferências por certos
estímulos visuais e auditivos.
A interação, organismo-meio, o conduz ao desenvolvimento da relação
social. O primeiro ano de vida – comunicação basicamente não verbal.
Identificação de estágios ou fases no desenvolvimento. Diz respeito ao
estabelecimento de períodos críticos no processo de desenvolvimento.
A maioria dos estudiosos admite que o desenvolvimento humano ocorre
por estágios ou etapas que se diferenciam pela qualidade da cognição
(processo integração), do comportamento (resultado das intervenções
disciplinares), das relações pela qualidade da cognição, do comportamento,
das relações afetivas, etc.

A PRÁTICA PSICOPEDAGÓGICA NA ESCOLA

A prática psicopedagógica na escola implica num trabalho de caráter


preventivo e de assessoramento no contexto educacional. Segundo Bossa,
"pensar a escola à luz da Psicopedagogia, significa analisar um processo que
inclui questões metodológicas, relacionais e sócioculturais, englobando o ponto
de vista de quem ensina e de quem aprende, abrangendo a participação da
família e da sociedade".
Na prática pedagógica, é essencial que se considere as relações entre
produção escolar e as oportunidades reais que a sociedade dá às diversas
classes sociais. A escola e a sociedade não podem ser vistas isoladamente,
pois o sistema de ensino (público ou privado) reflete a sociedade na qual está
inserido. Observa-se que alunos de baixa renda ainda são estigmatizados, na
questão do aprendizado, como deficientes.
A escola caracteriza-se como um espaço concebido para realização
do processo de ensino/aprendizagem do conhecimento
historicamente construído; lugar no qual, muitas vezes, os
desequilíbrios não são compreendidos (GASPARIAN, 1997, p.24)

Ao chegar numa instituição escolar, muitos acreditam que o


psicopedagogo vai solucionar todos os problemas existentes (dificuldade de
aprendizagem, evasão, indisciplina, desestímulo docente, entre outros). No
entanto, o psicopedagogo não vem com as respostas prontas. O que vai
acontecer será um trabalho de equipe, em parceria com todos que fazem a
escola (gestores, equipe técnica, professores, alunos, pessoal de apoio,
família). O psicopedagogo entra na escola para ver o "todo" da instituição.
Barbosa afirma que "a escola caracteriza-se como um espaço concebido
para realização do processo de ensino/aprendizagem do conhecimento
historicamente construído; lugar no qual, muitas vezes, os desequilíbrios não
são compreendidos”.
A aprendizagem escolar, durante várias décadas, foi vista como algo
distante do prazer e entendida como um mal necessário. Então, o grande
desafio das escolas, nos dias de hoje, é despertar o desejo dos alunos para
que possam sentir prazer no aprender.
A opinião de Barbosa é clara quando argumenta que:

Transformar a aprendizagem em prazer não significa realizar uma


atividade prazerosa, e sim descobrir o prazer no ato de: construir ou
de desconstruir o conhecimento; transformar ou ampliar o que se
sabe; relacionar conhecimentos entre si e com vida; ser co-autor ou
autor do conhecimento; permitir-se experimentar diante de hipóteses;
partir de um contexto para a descontextualização e vice-versa; operar
sobre o conhecimento já existente; buscar o saber a partir do não
saber; compartilhar suas descobertas; integrar ação, emoção e
cognição; usar a reflexão sobre o conhecimento e a realidade;
conhecer a história para criar novas possibilidades.

Barbosa ressalta, ainda, que "a Psicopedagogia, como área que estuda
o processo ensino/aprendizagem, pode contribuir com a escola na missão de
resgate do prazer no ato de aprender e da aprendizagem nas situações
prazerosas”. O psicopedagogo sabe que para aprender são necessárias
condições cognitivas (abordar o conhecimento), afetivas (estabelecer vínculos),
criativas (colocar em prática) e associativas (para socializar).
Deve-se estar atento frente às grandes mudanças que ocorreram nas
propostas educacionais. Atualmente, o conhecimento científico só tem sentido
se for ligado ao social, engajado ao cotidiano, onde através dele se possa
encontrar soluções. A reforma educacional brasileira é extremamente exigente.
Os paradigmas dessa reforma estão centrados na verdade aberta, no
conhecimento múltiplo, transdisciplinar. As mudanças não acontecem na
mesma proporção, nem na mesma velocidade. A apropriação leva um tempo
até ser introspectada, compreendida e colocada em prática. As mudanças (a
introdução no novo) num ambiente escolar têm que ser escalonadas e
sucessivas, priorizando-se e hierarquizando-se as ações.
Barbosa ratifica que a atuação psicopedagógica junto a um grupo ou
instituição, para ser operante precisa interpretar os papéis desempenhados, a
forma como foram atribuídos e assumidos, assim como as expectativas que se
encontram latentes neste movimento de atribuir e aceitar o papel. [...] A tarefa
de cada um deve estar voltada para o aprender, desde a direção até a portaria
ou o serviço de limpeza.

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Entende-se por dificuldades de aprendizagem a incapacidade


apresentada por alguns indivíduos diante de situações novas, desencadeadas
por diversos fatores. As dificuldades de aprendizagem não são uma exceção
no sistema educacional.
O insucesso da criança, muitas vezes rotulado de dislexia, é também o
resultado de outros insucessos sociais, políticos, culturais, educacionais
pedagógicos, dentre outros. Considerar esses transtornos de aquisição um
problema estritamente da criança é ignorar os reflexos das dificuldades de
ensino. O estudioso Kirk (1962, p.263), define de aprendizagem:
Uma dificuldade de aprendizagem refere-se a um retardamento,
transtorno, ou desenvolvimento lento em um ou mais processos da
fala, linguagem, leitura, escrita ou outras áreas cognitivas, resultantes
de uma deficiência causada por uma possível disfunção cerebral ou
alteração emocional ou condutual. Não é o resultado de retardamento
mental, deprivação sensorial ou fatores culturais e instrucionais.

Conforme Assunção (2011) “as dificuldades podem advir de fatores


orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim
de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão
associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre
outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.
“A dificuldade mais conhecida e que vem tendo grande repercussão na
atualidade é a dislexia, porém, é necessário estarmos atentos a outros sérios
problemas: disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH” (Transtorno
de Déficit de Atenção e Hiperatividade).
PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM

Os problemas de aprendizagem podem ser classificados em sintoma,


inibição cognitiva e reativa. Nos dois primeiros casos, as origens e causas
encontram-se ligadas à estrutura individual e familiar do indivíduo que
“fracassa” em aprender. No último, relacionam-se ao contexto socioeducativo.
Ou seja, a questões didáticas, metodológicas, avaliativas, relacionais. É
importante salientar que nos problemas de aprendizagem reativos o fracasso
escolar pode demandar redimensionamento que englobe desde órgãos
superiores responsáveis pela educação no país até as salas de aula. (Nunes,
1997, p.21).
Professores podem ser os mais importantes no processo de
identificação e descoberta desses problemas, porém não possuem formação
específica para fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos,
psicólogos e psicopedagogos. O papel do professor se restringe em observar o
aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais
motivadas e dinâmicas, não rotulando o aluno, mas dando-lhe a oportunidade
de descobrir suas potencialidades. É importante que esse diagnóstico seja feito
por um médico e outros profissionais capacitados.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

A Psicopedagogia é uma abordagem de fundamental importância para


intervir nos transtornos de aprendizagem. Os transtornos de aprendizagem
mais comuns são: A dislexia, discalculia e o transtornop de défcit de atenção e
hiperatividade-TDAH,mas existem outras dificuldades de aprendizagem mais
brandas ou mistas.
A Psicopedagogia utiliza –se dos fundamentos da Epistemologia
Genética Piagetiana que vem para contribuir para a compreensão das
principais causas da não aprendizagem ,bem como das frequentes dificuldades
que podem aparecer em um estudante.
Dentre estas dificuldades podemos ressaltar a questão do
funcionamento da escola e inabilidade do professor ,por vários motivos,como
falta de estratégias,uso de método único para alfabetização,falta de materiais
adaptados e concretos,formas de avaliações.Estas características definem uma
escola como conteudista.Portanto isso não vem atender as necessidades e a
singularidade de cada estudante

A LUTA PELA REGULAMENTAÇÃO E O CÓDIGO DE ÉTICA

O progresso traz muitas alterações à sociedade, uma delas é o


desaparecimento de algumas profissões e o surgimento de outras. BARONE
(1987) esclarece que o que caracteriza o aparecimento de qualquer profissão é
a existência de pessoas exercendo essa função antes de sua formalização.
Ressalta ainda alguns motivos para o aparecimento de toda profissão, sendo
eles a demanda social, os recursos para atender à demanda e pessoas que
organizam e recriam os recursos disponíveis para a demanda. No caso da
psicopedagogia, a demanda é a existência de crianças normalmente
desenvolvidas que não conseguem sucesso na escola, fato que justifica a
prática psicopedagógica.
Bossa (2000) acredita que o psicopedagogo sabe que sua profissão
consiste na transmissão de conhecimentos, não sendo uma atividade neutra
para ambas as partes (o sujeito que necessita de ajuda e o psicopedagogo),
pois a relação de afeto que se estabelece entre o psicopedagogo e o
aprendente são necessários ao desenvolvimento da relação educativa. Assim,
considera a autora que o papel do psicopedagogo é levar a criança a integrar-
se novamente à vida normal, respeitando sua individualidade.
Para NERY (1986) o trabalho psicopedagógico deve estar ancorado em
alguns princípios gerais, tais como: 1) acreditar que todo ser humano tem
direito ao pleno acesso ao saber acumulado, representado pela cultura; 2)
considerar a leitura e a escrita como ferramentas fundamentais de acesso ao
saber; 3) nortear sua prática dentro dos princípios da liberdade do ser; 4)
Reconhecer e assumir a dupla polaridade de seu papel-transmisão de
conhecimento e compreensão dos fatores psicológicos que interferem no ato
de aprender; 5) reconhecer o papel da família como transmissora da cultura,
devendo analisar e compreender os mecanismos dentro da relação familiar que
promovem bloqueio da aprendizagem; 6) reconhecer a escola como espaço
privilegiado para a transmissão da cultura, também, o valor de outras
organizações sociais ainda mantendo postura crítica frente às dificuldades
geradas pela própria instituição escolar.
De acordo com o primeiro princípio, o psicopedagogo deverá trabalhar
para possibilitar a todas as crianças o direito de aprender. No segundo princípio
a leitura e a escrita são ferramentas fundamentais para o acesso ao saber
acumulado representado pela cultura, o psicopedagogo deverá contribuir para
que o educando supere o problema de aprendizagem e consiga ter acesso a
esse saber. Com o terceiro princípio o psicopedagogo deve respeitar a
individualidade do ser humano e ajudá-lo na superação de suas dificuldades.
O quarto princípio levanta questões de fronteiras com outras áreas,
assim, o psicopedagogo deverá requerer a plena preparação e utilização de
recursos disponíveis no acervo científico para uma atuação competente e
responsável. O quinto princípio acentua a necessidade de o psicopedagogo
reconhecer o papel da família e atuar orientando-a para fazê-la analisar e
compreender fatores de sua dinâmica que interferem na aprendizagem do
sujeito. Já o sexto princípio destaca a necessidade de se reconhecer a escola
como espaço para transmissão de cultural, assim como sua responsabilidade,
na maioria das vezes, pelos problemas de aprendizagem. Observa-se que
estes princípios contribuem para a postura ética do psicopedagogo, embora a
psicopedagogia ainda não seja uma profissão e sim uma prestação de
serviços.
O código de ética da Psicopedagogia comporta uma aprendizagem
especial na área de seu conhecimento sistemático e orgânico, sendo este
instrumento consequência de organizações, atividades e obrigações, inclusive
estabelece que “... estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os
profissionais graduados em 3º grau, portadores de certificados de curso de
Pós-Graduação em Psicopedagogia, ministrados em estabelecimentos de
ensino oficial e /ou reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo
indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação
pessoal” (Código de Ética, 1996, s/p.).
A terceira condição para que uma atividade se torne profissão é que ela
deve dispor de organizações adequadas com atividades, obrigações e
comportar responsabilidades com consciência de grupo. A própria Associação
Brasileira de Psicopedagogia contribui para que esta condição seja preenchida.
Levando-se em conta as três condições estabelecidas por CAMARGO (1999)
para que uma atividade seja considerada profissão, pode-se concluir que,
neste sentido, a Psicopedagogia, de fato, é uma profissão. Inclusive, a
Associação Brasileira de Psicopedagogia está trabalhando para que ela venha
a ser, oficialmente, uma profissão.
De acordo com informações da Associação Brasileira de
Psicopedagogia, fornecidas em Abril de 1998 através de carta aos associados,
assim como por comunicado publicado na revista da Associação [In: Revistas
da Associação Brasileira de Psicopedagogia –17 (45)-98]. O Projeto de Lei n.º
3124/97 de 15/05/97, foi aprovado em 03/09/97 pela Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público da Câmara Federal, foi votado pela Comissão
de Educação, Cultura e Desporto em 12/09/2001, ainda terá próxima etapa que
é a votação da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.
Contudo, a tentativa de reconhecer a psicopedagogia como uma
profissão regularizada vem trazendo à tona o questionamento do Conselho
Regional de Psicologia (CRP), pois este órgão reclama para os psicólogos o
direito exclusivo de atender os clientes que apresentam problemas de
aprendizagem. Em 03 de junho de 1995, o CRP da 6º Região, emitiu
documento (resolução nº 003/95) afirmando, no artigo 1º que “... é de
responsabilidade do psicólogo, intransferível, a realização do psicodiagnóstico,
a intervenção, e ação preventiva pertinentes à orientação psicopedagógica”.
(Resolução nº 003/95, s/p.)
Argumentando contra a resolução 003/95, a Associação Brasileira de
Psicopedagogia formulou documento esclarecendo que a Constituição Federal
de 1988, no Capítulo que trata dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos,
enfoca o exercício profissional, e cita o Artigo 5º, item XIII onde se lê “... é livre
o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer”. Ainda, com relação ao documento, a
Associação Brasileira de Psicopedagogia salienta que “a Resolução CRP nº
003/95, ultrapassou os limites da sua competência de complementar os
preceptivos que a presidem, incluindo, inovando, tarefa que lhe é vedada legal
e constitucionalmente”.
As considerações aqui expostas têm por objetivo esclarecer a
constituição da Psicopedagogia enquanto profissão. Neste aspecto, cabe
refletir sobre a formação sistemática do psicopedagogo, a qual ocorre por meio
de cursos de pós-graduação. De modo sintético, considera-se psicopedagogo,
segundo o código de ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia, o
profissional que fez curso de pós-graduação em Psicopedagogia e atua nos
problemas de aprendizagem.
Estipula o Código de Ética que: “estarão em condições de exercício da
Psicopedagogia os Profissionais graduados em 3º grau, portadores de
certificados de cursos de Pós-Graduação de Psicopedagogia, ministrado em
estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido, ou mediante direitos
adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável
trabalho de formação pessoal. (Artigo 4º, s/p.) CAMARGO (1999) atribui, ao
código de ética, a estruturação e sintetização das exigências éticas no plano de
orientação, disciplina e fiscalização. Para este autor, os códigos profissionais
visam a garantir os interesses dos profissionais e dos clientes, amparando seus
interesses e protegendo seus relacionamentos.
Destarte, é essencial o Psicopedagogo conhecer o código de ética e a
sua regulamentação, pois a mesma tem o propósito de estabelecer parâmetros
e orientar os profissionais da Psicopedagogia brasileira quanto aos princípios,
normas e valores ponderados à boa conduta profissional.

BIBLIOGRAFIA

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prática. RS, Artmed, 2007. BRASIL.

Lei n°. 9394 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação


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1997.

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http://www.abrapee.psc.br/noticia173.html > Acesso em: 28 de Junho de
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Erro e Fracasso na Escola


Júlio Groppa Aquino (Org.) Editora Summus Brasil 1997 4ª edição

Dificuldades na Aprendizagem da Leitura


Terezinha Nunes, Lair Buarque, Peter Bryant Editora Cortez Brasil 1997 4ª
edição

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