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ARTICULAÇÃO

CURRICULAR
NO ENSINO
TÉCNICO-PROFISSIONAL
E PROJETOS
EMPREENDEDORES

Material de apoio
para a formação
de educadores
2020
SUMÁRIO

ITAÚ EDUCAÇÃO E TRABALHO Apresentação....................................................................................... 2


Superintendente
Ana Inoue
PARTE 1: VISÃO GERAL........................................................................ 6
Gerentes
Cacau Lopes da Silva 1. Introdução: o Novo Ensino Médio.................................................. 8
Carla Chiamareli
Diogo Jamra Tsukumo 2. A formação Articulação Curricular e
Articulação Curricular no Ensino
Projetos Empreendedores............................................................14
Técnico-Profissional e Projetos
Empreendedores: material de apoio 3. Jornada da formação....................................................................16
para a formação de educadores
4. Articulação curricular....................................................................22
Organização editorial
Carla Chiamareli 5. Projetos Empreendedores............................................................30
Coordenação Técnica 5.1. Investigação Científica e Tecnológica............................36
Beatriz Lomonaco
5.2. Intervenção Sociocultural................................................48
Textos
Cacau Lopes da Silva 5.3. Empresa Pedagógica.......................................................58
Carla Christine Chiamareli
Francisco Fechine Borges
Luís Fernando Lima e Silva PARTE 2: A FORMAÇÃO..................................................................... 68
Paulo Roberto da Cunha
Regina Moraes Abreu 1. Primeiro encontro..........................................................................70
Edição de texto 2. Segundo encontro.........................................................................98
Ricardo Prado

Revisão
3. Terceiro encontro.........................................................................114
Alex Criado
4. Quarto encontro..........................................................................130
Projeto gráfico
e diagramação
Adesign Referências bibliográficas.............................................................138

ANEXOS .......................................................................................... 144


2 Manual de Manual de 3
Referência Referência

Apresentação

O Itaú Educação e Trabalho, anteriormente Itaú BBA


Educação, acredita que a educação é estratégica para
a conquista da cidadania plena e vetor de desenvolvimento
Com a recente reforma do ensino médio (2017),
que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB), a formação técnica e profis-
social, político, econômico e cultural da nação. Por isso, há mais sional assumiu um papel de maior relevância,
de uma década, em parceria com entidades civis e o poder uma vez que, dentre as possibilidades de
público, apoiamos, incentivamos e desenvolvemos práticas que trajetórias que o aluno pode percorrer nos
contribuam para melhoria da qualidade da educação pública, três anos finais da educação básica, a opção
com foco, sobretudo, na formação para o mundo do trabalho por um caminho que conceda um título de
como parte da educação básica. técnico de nível médio se apresenta tal qual as
demais áreas do conhecimento: linguagens e
Consideramos a Educação Profissional e Tecnológica um suas tecnologias, matemática e suas tecnolo-
percurso cuja função social é aproximar o jovem do mundo do juventudes que ampliem as possibilidades de gias, ciências da natureza e suas tecnologias e
trabalho e, nessa perspectiva, assumimos o trabalho como um escolha e permitam o prosseguimento dos ciências humanas e sociais aplicadas.
princípio educativo. Temos como objetivo principal contribuir estudos e a inserção no mundo do trabalho.
para que órgãos federais e estaduais implementem políticas Sabemos que, historicamente, a educação
públicas de Educação Profissional e Tecnológica de qualidade, Nos últimos anos, apoiamos algumas profissional e tecnológica no Brasil sempre
reconhecidas e valorizadas na formação integral dos jovens. secretarias estaduais de educação no foi reconhecida pela sociedade, equivocada-
planejamento e na implementação de mente, como uma modalidade de ensino menos
Optar pela formação técnica, além da acadêmica, é um direito um novo currículo, que ponha o jovem na importante. Esta visão se mostra ultrapas-
do jovem já previsto na Constituição Federal de 1988. Num país centralidade de suas ações, que possibilite sada e na contramão do mundo globalizado
como o Brasil, em que apenas 21% da população de 18 a 24 anos uma educação integral e integrada, por e em constante transformação. Nos 37 países
está no ensino superior, somadas todas as matrículas de todas meio da articulação entre a formação geral membros da OCDE (Organização para a
as faculdades1, é urgente o fortalecimento de políticas para as e a preparação básica para o trabalho e com Cooperação e Desenvolvimento Econômico)
componentes técnicos específicos previstos por exemplo, a média de alunos de EPT no
em cursos técnicos. Ensino Médio é 42%, no Brasil, apenas 11%.
1 Fonte: IBGE. 2020. PNAD Contínua (Educação) 2019.
Manual de 5
Referência

que estes sejam autores das suas histórias e


que consigam atuar como transformadores
das realidades em que vivem.

Tradicionalmente, as escolas que ofertam


educação profissional e técnica de nível médio
na forma articulada integrada implementam Desse modo, este material representa a voz de
seus currículos de forma fragmentada e muitos profissionais da educação e pretende
segmentada, em que a formação geral inspirar e apoiar a ação de educadores. Ele
básica não dialoga com a formação técnica organiza e consolida a experiência acumulada
específica, e tampouco com a preparação por todos os envolvidos nas formações dos
básica para o trabalho. Por meio da união de estados, com profissionais altamente compro-
esforços da sociedade civil com os profis- metidos com o aprimoramento do ensino
São muitos os desafios que o Brasil precisa sionais da rede da Paraíba, criamos uma técnico no Brasil.
percorrer para mudar a realidade das juventudes metodologia de articulação curricular para
do país. O ensino médio é a última etapa da vida do mudar esta realidade e colocar o jovem Esperamos que este seja um instrumento
jovem amparada por política pública. Ao terminar no centro da ação. Além disso, criamos que venha colaborar com a prática de profis-
esta etapa da vida, as juventudes se deparam com projetos interdisciplinares nos quais os jovens sionais da educação na construção de uma
um enorme abismo, abandono e esvaziamento de interagem com a escola, com a comunidade e escola viva e cidadã.
medidas que as apoiem a continuar estudando, com empresas locais para resolver problemas
a acessar o universo da cultura e do esporte e a reais enfrentados no cotidiano. Boa leitura!
inserir-se no mundo do trabalho. Ana Inoue
Vale destacar que, em cada estado parceiro
Nesse sentido, pensando em apoiar ações que em que esta proposta foi implementada, ela
garantam o direito constitucional do pleno foi ampliada e enriquecida pela contribuição e
desenvolvimento, do exercício da cidadania e da atuação dos participantes. Não se trata de um
qualificação profissional, conjuntamente com o modelo estanque, mas sim de um caminho a
Estado da Paraíba, desenvolvemos em 2017 uma percorrer que una profissionais da formação
metodologia de articulação curricular. E criamos geral básica e da formação técnica pensando,
projetos empreendedores que visam ao prota- juntos, quais juventudes a escola e os cursos
gonismo profissional e social dos jovens, a fim de técnicos desejam formar.
PARTE 1:
VISÃO GERAL
8 Manual de Manual
Manual de
de 99
Referência Referência
Referência

1. INTRODUÇÃO: A MUDANÇA VISA ATENDER A URGÊNCIA DE


UMA ESCOLA CONECTADA COM A REALIDADE
o novo DO SÉCULO XXI E COM OS CAMINHOS QUE OS
ESTUDANTES PRETENDEM SEGUIR EM SEU FUTURO.

Ensino Médio
Foram necessários alguns anos e muita Em poucas palavras, a reforma ampliou
discussão entre diversos atores do mundo o tempo mínimo que os estudantes
educacional para que uma reforma do permanecem na escola, adotou uma
ensino médio fosse proposta. Em 2017, Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
a lei 13.415 alterou as LDB, estabele- e definiu uma organização curricular
cendo o Novo Ensino Médio. A mudança mais flexível. O currículo passou a ser
visa atender a urgência de uma escola composto por uma formação geral básica
conectada com a realidade do século XXI (máximo de 1.800 horas) e por itinerários
e com os caminhos que os estudantes formativos (mínimo de 1.200 horas). Os
pretendem seguir em seu futuro. itinerários formativos são “um conjunto

E ste Projeto foi desenvolvido paralelamente à discussão da reforma do ensino


médio. A necessidade de elaborar e implementar currículos articulados
sempre esteve presente nas normativas como princípio ao invés de direito.
A flexibilização curricular possível e
desejável, prevista nas diretrizes de 2002,
de situações e atividades educativas que
os estudantes podem escolher conforme
seu interesse, para aprofundar e ampliar
E também nos documentos orientadores para a construção de currículos, como se tornou obrigatória com a lei 13.415. aprendizagens em uma ou mais áreas de
as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Profissional e A alteração permite que o aluno curse o conhecimento e/ou na formação técnica
Tecnológica. Sempre pensando a formação integral e integrada do jovem. ensino médio integrado à educação profis- e profissional, com carga horária mínima
sional e tecnológica, dentro de um mesmo de 1.2002”.
Desde 1998, com a publicação dos primeiros parâmetros curriculares, já se turno escolar de cinco horas. Aliás, como
falava no desenvolvimento de competências e habilidades no processo ensino estava previsto no decreto nº 5.154 de Após a promulgação da lei 13.415, o
e aprendizagem. Falava-se sobretudo na necessidade de formar o jovem inte- 2004. Com isso, fez-se ainda mais urgente Conselho Nacional de Educação (CNE)
gralmente, de olhá-lo como sujeito de direitos e deveres. E de prepará-lo para pensar um currículo articulando a formação alterou e adequou a resolução sobre
enfrentar a vida adulta com dignidade, discernimento e capacidade de fazer geral básica com o curso técnico e com Diretrizes Curriculares Nacionais do ensino
escolhas, realizar projetos e persegui-los. No entanto, mais de duas décadas as dimensões do trabalho, da ciência, da médio. O CNE apresentou quatro eixos
após a promulgação da LDB, ocorrida em 1996, a escola ainda não cumpria cultura e da tecnologia. estruturantes para compor os itinerários
esta missão desafiadora. Seguia estagnada, repetindo um modus operandi
que não dialogava com jovens, tampouco com as demandas do mundo
contemporâneo e em transformação. 2 MEC, Referenciais curriculares para a elaboração de itinerários formativos. p.3.
10 Manual de Manual de 11
Referência Referência

função social e os princípios previstos na • Superar a fragmentação de conhe-


ITINERÁRIOS FORMATIVOS DEVEM
Resolução CNE/CEB nº 06/2016 que regula cimentos e a segmentação da
PROMOVER VALORES UNIVERSAIS
a oferta de educação profissional e técnica organização curricular.
(ÉTICA, LIBERDADE, DEMOCRACIA,
de nível médio. E prevê a construção de
JUSTIÇA SOCIAL, PLURALIDADE,
currículos que articulem a formação desen- • Garantir a indissociabilidade entre
SOLIDARIEDADE E SUSTENTABILIDADE).
volvida no ensino médio com a preparação teoria e prática no processo de
para o exercício das profissões técnicas, ensino-aprendizagem.
visando à formação integral do estudante.
Além de assumir o trabalho como princípio • Contextualizar e flexibilizar o uso de
educativo, tendo sua integração com a estratégias educacionais que favoreçam
ciência, a tecnologia e a cultura como base a compreensão de significados e a
da proposta político-pedagógica e do integração entre a teoria e a vivência
desenvolvimento curricular. da prática profissional. Tais estratégias
devem envolver as múltiplas dimensões
Faz-se necessário ainda, para esta do eixo tecnológico do curso e das
construção de currículos, respeitar os ciências e tecnologias a ele vinculadas.
valores estéticos, políticos e éticos da
educação nacional, na perspectiva do Nesse sentido, coletivamente, especia-
desenvolvimento para a vida social e listas e profissionais das redes de ensino
profissional. É preciso também articular de diversos estados desenvolveram um
formativos. Eles convergem com os para que eles construam projetos de vida. a Educação Básica com a Educação percurso para a articulação curricular. Este
Projetos Empreendedores elaborados em Que promovam a incorporação de valores Profissional e Tecnológica. É preciso percurso garante a aplicação dos disposi-
parceria com a Rede Estadual da Paraíba, e universais (ética, liberdade, democracia, integrar os saberes específicos para a tivos legais e envolve diversos profissionais
propostos neste material. justiça social, pluralidade, solidariedade produção do conhecimento e a inter- da formação geral básica e da formação
e sustentabilidade). E que desenvolvam venção social, assumindo a pesquisa profissional e técnica. O norte da proposta
Seguindo as orientações legais para habilidades que permitam aos estudantes como princípio pedagógico. é ter no centro de toda ação o jovem que
a implantação do novo ensino médio, ter uma visão de mundo ampla e hete- se quer formar.
se faz necessário construir itinerá- rogênea, tomar decisões e agir nas mais A lei 13.415 e as Diretrizes do Ensino Médio
rios formativos. Itinerários estes que diversas situações, seja na escola, no (Resolução CNE 03/2018), convergentes Os arranjos possíveis entre formação
aprofundem e ampliem a aprendizagem trabalho ou na vida. com a Resolução CNE 06/2012, reiteram básica e itinerários devem permitir a
em uma ou mais áreas do conhecimento a necessidade de assegurar a interdis- conexão de conhecimentos de diferentes
e da formação técnica e profissional, A proposta de articulação curricular e ciplinaridade no currículo e na prática áreas. Devem estimular novas práticas
que consolidem a formação integral dos projetos empreendedores apresentada pedagógica. Os objetivos são três: educativas, como oficinas, projetos e
estudantes, desenvolvendo a autonomia neste material foi elaborada seguindo a atividades com grande protagonismo dos
12 Manual de Manual de 13
Referência Referência

estudantes. Devem desenvolver compe- construir pontes entre aprendizagens Esta publicação está organizada em duas partes,
tências e habilidades para tomar decisões escolares, sociais e profissionais. Assim, articulando dois níveis de aprofundamento:
em cenários complexos, seja no mundo do o jovem poderá encontrar mais sentido
trabalho, seja na vida. no seu cotidiano e se fortalecer como A Parte 1 oferece um entendi- A Parte 2 da publicação detalha
indivíduo singular e cidadão ativo em mento de nossa atuação formativa as etapas dos quatro encontros
O Novo Ensino Médio introduz o direito uma sociedade em plena mudança. em seus princípios conceituais, de formação. Apresenta os
de escolha do estudante por trilhas teóricos e da legislação vigente. principais objetivos, os objetos
formativas. Dessa forma, passa a atender O itinerário de formação técnica profis- Apresenta a articulação curricular, de conhecimento, os referenciais
melhor as expectativas dos jovens e faz sional pode ser ofertado pelas redes de o desenvolvimento de compe- metodológicos, os produtos e
com que eles se responsabilizem pelas ensino de três formas: por meio de cursos tências e habilidades e os ações esperadas, além da biblio-
próprias opções. previstos no Catálogo Nacional de Cursos Projetos Empreendedores. Traz grafia de apoio. Ou seja, essa
Técnicos; de uma ou um conjunto de ainda a jornada da formação parte está desenhada para servir
Além da metodologia de articulação qualificações profissionais inclusivefor- para cada encontro formativo: como referência para estruturar
curricular, e em sintonia com o Novo mações iniciais e continuadas (FICs) desde Articulação Curricular e Projetos as formações. É bom lembrar
Ensino Médio, foram criados três Projetos que articuladas entre si; ou, ainda, de um Empreendedores – Investigação que estas também devem sofrer
Empreendedores. Eles visam aplicar os programa de aprendizagem profissional. Científica e Tecnológica, Intervenção adaptações, de acordo com a
conhecimentos adquiridos na formação Sociocultural e Empresa Pedagógica. realidade em que forem realizadas.
básica e nos componentes técnicos Qualquer que seja a oferta escolhida
na resolução de problemas reais. Tais pela secretaria de educação, ela deve
problemas serão identificados na considerar os arranjos socioeconômicos
interação dos jovens com a escola, com a locais e regionais. Isso implica um processo
comunidade e com as empresas parceiras. de diagnóstico dos potenciais da região e Importante é que as oficinas
da capacidade da rede. Assim como exige aproximem e mobilizem o público-alvo:
Esta proposta requer uma mudança a escuta ativa dos interesses dos jovens e os técnicos das secretarias, diretores
no cotidiano das escolas, com o plane- da comunidade escolar. pedagógicos, gestores das escolas,
jamento coletivo constante entre coordenadores pedagógicos de cursos
profissionais das áreas do conhecimento Pretende-se que, ao final do ensino técnicos e por área do conhecimento,
e das áreas técnicas. Ambos devem médio, o jovem tenha exercido professores por área do conhecimento
participar da elaboração do currículo e protagonismo social e profissional e e de cursos técnicos, setor produtivo e
acompanhar a aprendizagem dos alunos. esteja preparado para fazer escolhas comunidade local. Todos devem estar
Também são necessárias ações de gestão conectadas ao seu projeto de vida. E que envolvidos com o desafio de construir
que abram a escola para o diálogo possa prosseguir os estudos e ocupar na prática e no dia a dia, o Novo Ensino
permanente com a comunidade e com o posições formais no mundo do trabalho, Médio articulado à Educação Profis-
setor produtivo local. Esse diálogo visa com atitudes empreendedoras. sional e Tecnológica.
14 Manual de Manual de 15
Referência Referência

2. A FORMAÇÃO
Articulação
Curricular e Projetos
Empreendedores

O foco central da formação oferecida


às redes pelo Itaú Educação e
Trabalho é construir coletivamente
A formação tem ainda por
objetivos:
• Formar profissionais da rede para
uma metodologia que promova a
elaborar os currículos de Educação
articulação curricular entre a formação
Profissional Técnica que articulem a
geral e a técnica. Essa construção
formação geral básica com a formação
coletiva envolve assessores técnicos,
técnica. Currículos construídos a partir
formadores, professores da formação
da lógica do desenvolvimento de
geral e da técnica e coordenadores
competências e do contexto socioeco-
pedagógicos. O objetivo é desenvolver
nômico local.
competências que introduzam os
A educação profissional não é meramente ensinar estudantes no mundo trabalho, a partir • Formar profissionais da rede para
a fazer e preparar para o mercado de trabalho, de situações práticas na escola, na estruturar e implantar unidades
mas é proporcionar a compreensão das dinâmicas comunidade e em atividades empreen- curriculares que desenvolvam compe-
socioprodutivas das sociedades modernas, com dedoras. Essa tem sido a maneira de tências e habilidades que preparem os
as suas conquistas e os seus revezes, e também sintonizar a escola com os desafios jovens para o mundo do trabalho.
habilitar as pessoas para o exercício autônomo e comunitários e empresariais. Estimu-
• Assessorar um grupo com potencial
crítico de profissões, sem nunca se esgotar a elas.” lando assim a atuação do estudante e
multiplicador para expandir o projeto e
construindo uma escola mais próxima
implantá-lo em novas escolas.
(Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica das demandas do século XXI.
de Nível Médio em Debate - Texto para Discussão, P. 47)
16 Manual de Manual de 17
Referência Referência

aprendizagem de uma educação que integra


3. JORNADA DA saberes e práticas entre a formação geral e
a técnica. Como produto, os participantes

Formação Empreendedores que permitissem desen-


volver competências profissionais por meio
redigem as competências e habilidades
desejadas para um determinado curso
de intervenções na realidade. técnico escolhido pela equipe da Secretaria.
Esse processo de construção de competên-
O objetivo da iniciativa era promover cias deve servir de modelo para elaborar
o protagonismo profissional e social os currículos de outros cursos técnicos. É
dos estudantes, de forma integral e assim, a partir do perfil de egresso do curso,
integrada. Para isso, os professores das competências e habilidades esperadas
dessas turmas seriam formados para deste profissional formado, que é pensada a
utilizar as metodologias de resolução de organização curricular (componentes curri-
problemas, como subsídio para realizar culares, carga horária, conteúdos, materiais,
aqueles projetos. Depois da Paraíba, esse práticas pedagógicas etc.).
processo ocorreu em Mato Grosso do Sul,
Espírito Santo, Pernambuco e Maranhão. Formato

A pesar de haver um desenho geral para essa formação, em cada local


onde for desenvolvida devem ocorrem adaptações. Trata-se de um
processo coletivo que precisa considerar a realidade, as possibilidades e
Público-alvo da formação
O público-alvo é composto por professores
Em todos esses locais, a formação
acontece em quatro encontros ao longo
de um ano. Cada encontro tem duração
os anseios locais. da formação geral e da formação técnica, de três dias, e o intervalo entre eles é de
coordenadores pedagógicos, coordena- um mês, no mínimo. Entre os encontros,
Além da metodologia para a articulação curricular, são apresentadas dores de curso, coordenadores de área, os participantes têm que realizar
unidades curriculares que desenvolvem competências para preparar os coordenadores de estágio e técnicos da algumas atividades com os pares da
estudantes para o mundo do trabalho. São assegurados os princípios da Secretaria. Cada turma teve aproxima- escola ou da Secretaria, conforme o seu
interdisciplinaridade e da contextualização dos conteúdos. Princípios damente 30 participantes. Há sempre o local de trabalho. Nos três dias de cada
estes concretizados em vivências práticas na escola, na comunidade e em esforço para garantir a heterogeneidade encontro, metade do tempo é dedicada
atividades empreendedoras. desses grupos, para que cada segmento à articulação curricular e a outra metade
de educadores possa contribuir com sua aos Projetos Empreendedores.
Esta ação nasceu em 2017, a partir de uma demanda da Secretaria de experiência e formação.
Educação da Paraíba e vem sendo aplicada e aprimorada continuamente A formação oferecida compreende um
desde então. Na ocasião, o desafio proposto foi reescrever o currículo dos A formação acontece de forma encadeada, total de 84 horas de trabalho. São 72 horas
cursos técnicos. Os novos currículos deveriam se basear no desenvolvimento de maneira que cada encontro seja um presenciais e 12 horas de atividades não
de competências e na articulação dos componentes curriculares da formação recorte do todo. Ao final do percurso, presenciais entre os encontros (3 horas
geral com os da formação técnica. A ação também deveria criar Projetos ficam claros os impactos positivos na entre cada encontro).
Manual de 19
Referência

ESTRUTURA
DA FORMAÇÃO: 2º
4 encontros 2º ENCONTRO:
Entre o 1º e ARTICULAÇÃO
o 2º encontros: CURRICULAR (12H):
atividade com professores: definição de juventudes;
validar o perfil do egresso e de habilidades no contexto
eleger as competências técnicas escolar; descrição
1º a serem desenvolvidas pelos das habilidades e das Entre o 2º e
estudantes do curso competências técnicas. o 3º encontros:
técnico específico. atividade com
1º ENCONTRO
Projeto Empreendedor professores: definir
ARTICULAÇÃO CURRICULAR (12H):
(12h): Intervenção as competências
o Novo Ensino Médio, definições de
Sociocultural. técnicas e as
currículo, competências, currículo por
habilidades.
competência, competências da BNCC.
Construção do perfil do egresso. Elaboração
conjunta das competências do curso técnico.

Projeto Empreendedor
(12h): Investigação Científica 4º
e Tecnológica. 3º ENCONTRO
4º ENCONTRO ARTICULAÇÃO CURRICULAR (12H):
ARTICULAÇÃO socialização das competências técnicas dos
CURRICULAR E PROJETOS cursos específicos; escolha dos componentes
EMPREENDEDORES (24H): curriculares que comporão a matriz; matrizes
matrizes curriculares de cursos técnicos curriculares de formação técnica articuladas;
Após o 4º articuladas; princípios da articulação pensamento complexo; interdisciplinaridade.
encontro: curricular; percurso da formação;
preparar material projetos empreendedores como Projeto Empreendedor (12h):
para socialização unidades que promovem Entre o 3º e o 4º Empresa Pedagógica.
da formação - o protagonismo encontros:
multiplicação. social e profissional análise de matrizes
dos estudantes. curriculares do 5º
Itinerário.
20 Manual de Manual de 21
Referência Referência

Na segunda parte da publicação, Competências a serem


você encontrará os conteúdos da desenvolvidas pelos 3  nalisar matrizes curriculares
A
formação Articulação Curricular e dos participantes ao longo de cursos técnicos e/ou
Projetos Empreendedores, de maneira da formação 5º Itinerário, segundo os
detalhada, incluindo estratégias pressupostos pedagógicos
didáticas, ferramentas metodológicas e Ao final do percurso formativo do Novo Ensino Médio e
bibliografia de apoio. proposto, espera-se que os da Educação Profissional
participantes desenvolvam um Tecnológica.
conjunto de competências:
 econhecer a importância
R
4
Analisar os marcos legais que da interação entre a escola,
1 
orientam a elaboração dos a comunidade e o setor
currículos escolares. produtivo local como ação
educativa. E promover
 onstruir competências e
C experiências investigativas.
2
habilidades técnicas para
estruturar um curso técnico, de  struturar a parte dos
E
5
acordo com a nova legislação. currículos técnicos de
formação básica para o
mundo do trabalho. E
articular a formação geral
à formação técnica do
currículo.
22 Manual de Manual de 23
Referência Referência

4. ARTICULAÇÃO
Curricular

Pensar o currículo a partir dessa ideia


de articulação pressupõe reconhecer o
papel central e ativo que o estudante
deve ocupar em seu processo de É nesse sentido que pensamos a
formação. E isso é necessário, pois articulação curricular e a construção
vivemos um momento da história cuja de currículos. A partir da lógica do
marca é a imprevisibilidade. Não há desenvolvimento de competências e
rumos traçados. Estamos à mercê habilidades.

U m currículo pensado de forma articulada não se restringe a conectar


áreas de conhecimento, formação profissional e estratégias didáticas.
Requer, além disso, que se criem oportunidades para que os estudantes:
das possibilidades, dos eventos e
de novas criações que se sucedem
em uma dinâmica que não permite
A educação baseada em competên-
cias passou a ser disseminada no
acomodação. É nesse contexto Brasil com maior destaque na década
• se reconheçam na diversidade; que devemos pensar as escolas e a de 1990, no contexto da reforma do
formação das juventudes. ensino brasileiro à época. Desde então,
• analisem o próprio contexto de vida e da realidade local; as competências estão presentes nos
Escolas e juventudes são plurais e principais documentos oficiais sobre
• desenvolvam habilidades de leitura do mundo nas diferentes diversas; mesmo compartilhando um educação: Parâmetros Curriculares
dimensões; mundo global, partem de realidades Nacionais (PCN), Parâmetros
singulares. Realidades que devem Curriculares Nacionais do Ensino Médio
• sejam aptos a se comunicar com diferentes interesses e públicos; estar expressas e referenciadas (PCNEM), Matriz de Avaliação do Enem,
nas práticas escolares, não para Sistema de Avaliação da Educação
• e também sejam capazes de atuar e de intervir numa realidade que a serem cristalizadas, mas para serem Básica (Saeb) e Base Nacional Comum
todo momento se modifica. transformadas. Curricular (BNCC).
24 Manual de
Referência

VIVEMOS UM MOMENTO DA HISTÓRIA


CUJA MARCA É A IMPREVISIBILIDADE.
NÃO HÁ RUMOS TRAÇADOS. ESTAMOS
Currículo por Competências À MERCÊ DAS POSSIBILIDADES.
Na perspectiva curricular, a educação
por competências apresenta algumas
características e princípios que a dife-
renciam dos modelos tradicionais. Para É importante os professores do conhecimento. Dessa forma,
desenvolver competências, convém compreenderem que, na perspectiva selecionar e trabalhar tais conteúdos
trabalhar a partir de situações-problema. do currículo por competências, “dar deixa de ser uma prerrogativa apenas
Isso significa propor tarefas complexas seu curso” não é o cerne da atividade da disciplina e do especialista. Passa
e desafios que incitem os estudantes docente. Como salientou Perrenoud a ser uma atribuição coletiva, dos
a mobilizar conhecimentos e, em certa (2000)3: “Ensinar hoje deveria consistir diferentes educadores que atuam com As habilidades
medida, completá-los. Os alunos devem em conceber, encaixar e regular os estudantes. A articulação de conhe- Habilidades são uma série de proce-
encontrar soluções viáveis para os situações de aprendizagem, seguindo cimentos, competências, habilidades e dimentos mentais que o indivíduo
desafios propostos. princípios pedagógicos ativos (…)”. atitudes requer clareza daquilo que se aciona para resolver uma situação
quer desenvolver no aluno. E clareza real, quando precisa tomar uma
Essas tarefas complexas devem Além disso, conceber situações-pro- também sobre o modo como elas serão decisão. Trata-se, portanto, de uma
considerar, entre outros aspectos: blema como norteadoras do processo desenvolvidas. sequência de modos operatórios,
pedagógico estabelece um papel induções e deduções, em que são
• a participação ativa dos estudantes; diferente para os conteúdos tradicio- Portanto, construir um currículo nesses utilizados diferentes conhecimentos,
nais. Sejam eles conteúdos disciplinares, moldes significa, acima de tudo, educar procedimentos e esquemas cognitivos.
• o intercâmbio contínuo de informa- conceituais, motores/procedimentais, os jovens para um fazer reflexivo e Com isso, salientamos uma diferença
ções e experiências entre eles e com os atitudinais ou socioemocionais. crítico. No bojo de seu grupo social, importante entre a educação tradi-
professores; os alunos poderão analisar o mundo cional (baseada na acumulação de
Para se desenvolver um conjunto de e o contexto nos quais se encontram saberes) e a educação baseada em
• a possibilidade de diferentes competências é necessário realizar um inseridos. Dessa forma, a educação competências. Nesta última, as habi-
abordagens e estratégias de soluções trabalho interdisciplinar, envolvendo coloca-se a serviço das necessidades lidades são o foco da aprendizagem e
(pode-se, inclusive, chegar a diferentes conteúdos de diversas unidades reais dos estudantes, tanto em termos não apenas os conhecimentos.
resultados); curriculares e de diferentes áreas de formação geral quanto da preparação
para o mundo do trabalho. Propor uma
• e situações que estejam em sintonia organização curricular por competências
com a cidade, com o bairro ou com o 3 PERRENOUD, Phillipe. A Arte de construir supõe, então, uma mudança na postura
competências. Revista Nova Escola, set/2000,
contexto de vida dos jovens. metodológica da ação docente.
p. 53. São Paulo, Abril Cultural.
26 Manual de Manual de 27
Referência Referência

O currículo elaborado a
partir das competências
a serem desenvolvidas
pelos alunos:
• utiliza a estrutura por habilidades/
competências para aglutinar compo-
nentes, permitindo uma apresentação
mais modular do currículo.

• pressupõe que toda aprendizagem


é individual, mas não ignora que as
dinâmicas coletivas e as estraté-
• define o perfil de cidadão que se gias de mobilização dos estudantes
pretende formar; são também promotoras das
aprendizagens;
• seleciona os conteúdos curriculares
com base nas competências que os • reconhece que os estudantes se
alunos devem desenvolver; orientam melhor quando identificam as
metas a serem atingidas e têm cons-
• considera os conhecimentos como ciência do que se espera deles;
recursos a serem mobilizados para a
aprendizagem, e não como a aprendi- • considera que os estudantes se
zagem em si; envolvem mais com a própria apren-
dizagem quando a articulam a seus
• reconhece a natureza interdisciplinar contextos de vida;
e transdisciplinar dos conhecimentos;
• reconhece que é mais provável que o
• adota contextos interdiscipli- estudante alcance os objetivos da ação
nares, ora em relação às temáticas, pedagógica e identifique seus anseios
ora em relação à enunciação de e desejos se ele for corresponsabilizado
situações-problema; por seu processo de aprendizagem.
28 Manual de Manual de 29
Referência Referência

Avaliação a serviço da
aprendizagem dos alunos
Na área da educação, a avaliação é
um tema bastante amplo sobre o qual
diferentes teóricos se debruçam. Assim, Além disso, a avaliação deve permitir Diferentes autores têm mostrado as
neste material para a formação de que os educadores revejam os encami- múltiplas possibilidades advindas do
educadores, chamamos a atenção para nhamentos realizados no processo de ato de avaliar. A avaliação deve estar
alguns pontos essenciais que podem ensino e façam ajustes necessários ao sempre a serviço dos protagonistas
ter implicações na sala de aula. Vale seu aprimoramento. “Se a avaliação não no processo de ensino e aprendi-
aprofundar essas questões por meio de é fonte de aprendizagem, fica reduzida zagem. E, especialmente, a serviço
bibliografia especializada e do debate à aplicação elementar de técnica que dos sujeitos que aprendem.
entre educadores da rede. inibe ou oculta processos complexos
ocorridos no ensino e aprendizagem. Vários instrumentos estão a serviço
Entendemos que a avaliação deve ser Nesses casos, a avaliação se confunde da avaliação colaborativa: portfólio,
considerada como um mecanismo com o instrumento, com a prova, com autoavaliação, coavaliação, seminário,
de regulação do processo. Ela o resultado final separado do processo diário de bordo, dentre tantos outros.
oferece parâmetros para que os em que adquire significado e sentido” Seja qual for o instrumento utilizado,
educadores observem o desempenho (Méndez, 2011, p. 256)4. o processo avaliativo, entendido como
dos estudantes. E, assim, forneçam formativo, deve guardar coerência
elementos para que os próprios alunos Vista como ferramenta poderosa e com o processo de ensino e de
tomem consciência do processo presente em todos os documentos aprendizagem.
de aprendizagem, e não apenas do norteadores da educação nacional,
conteúdo por si só. a avaliação ainda é um gargalo no
processo de ensino-aprendizagem. E é
bem pouco diversificada no ambiente
da sala de aula.

4 Méndez, Juan Manuel Álvarez. “Avaliar a aprendizagem de um ensino centrado nas competências”, in
Educar por competências: o que há de novo?. Porto Alegre: Artmed, 2011.
30 Manual de Manual de 31
Referência Referência

5. PROJETOS
Empreendedores Cenários do mundo real tendem a
tornar o ensino mais relevante para a
vida dos alunos e resultam em maior
envolvimento acadêmico.”
Bender (2015)

Os projetos empreendedores são saberes para exercer a profissão com


orientados pelas Diretrizes Nacionais competência, idoneidade intelectual e
de EPT de nível médio; os princípios tecnológica, autonomia e responsabi-
norteadores desta modalidade de lidade, orientado por princípios éticos,
ensino estabelecem, entre outros, a estéticos e políticos e compromisso

O s Projetos Empreendedores são unidades curriculares de 60 horas,


planejadas para compor o módulo da Preparação Básica para o
Trabalho, em cursos técnicos. Os Projetos Empreendedores podem
articulação do currículo com setor
produtivo; o trabalho enquanto
princípio educativo e sua integração
com a construção de uma sociedade
justa, democrática e solidária.

ser ofertados como unidades curriculares autônomas ou, ainda, como com a ciência, a cultura e a tecnologia; Os Projetos Empreendedores não
eletivas. São situações didáticas que procuram integrar a formação adoção da pesquisa enquanto princípio se reduzem a uma metodologia
técnica e profissional com a formação geral. E procuram desenvolver pedagógico; a indissociabilidade entre de aprendizagem ou a um projeto
competências e habilidades que promovam o protagonismo profissional educação e prática social; a interdisci- interdisciplinar. São o arcabouço
e social dos estudantes. plinaridade no planejamento curricular teórico de unidades curriculares que
e a adoção de estratégias pedagó- deverão ser construídas, conside-
Eles entrelaçam várias disciplinas, explicitam a articulação curricular, gicas que promovam a flexibilidade, rando as características dos estados
dão vida e conferem sentido aos conteúdos curriculares das diferentes contextualização e a interdisciplina- que optarem por implementá-los. A
áreas de conhecimento. Envolvem situações de aprendizagem contex- ridade. Além disso, o currículo de EPT intenção é apoiar a construção de
tualizadas, flexíveis e interdisciplinares. Essas situações favorecem o deverá proporcionar ao estudante unidades curriculares que favoreçam
desenvolvimento das competências profissionais e gerais propostas entre outras, elementos essenciais para o protagonismo profissional e social
nas BNCC, nas quais os estudantes produzem conhecimentos, criam compreender e discutir as relações dos estudantes, tendo a comunidade
projetos e intervêm na realidade. sociais, de produção e de trabalho; escolar como autores.
32 Manual de Manual de 33
Referência Referência

A concepção dos Projetos Empreendedores A COMPREENSÃO DE CONTEXTO EXPERIÊNCIA INVESTIGATIVA


norteia-se pelos seguintes princípios A compreensão de contexto consiste em É a apresentação aos estudantes dos modos e A experiência investigativa instrumentaliza os
metodológicos: identificar os conhecimentos necessários ferramentas de busca de conhecimento. Pode estudantes para que continuem aprendendo
• Compreensão de contexto. para se compreender uma situação, fato ou envolver, entre outras ações: fora da escola, ao longo da vida.
• Experiência investigativa. ideia. E compreender em suas dimensões • realizar um experimento no laboratório de As atividades práticas, quando orientadas
• Identificação de problema e proposta de históricas, geográficas, sociológicas e ciências; para uma abordagem investigativa, abrem
solução. outras. A compreensão do contexto é • aplicar uma entrevista previamente uma série de possibilidades: elaborar expli-
• Planejamento e comunicação. imprescindível para uma leitura mais eficaz estruturada; cações temporárias, experimentar, errar,
Estes princípios estão detalhados no das situações específicas, da realidade e do • compreender o funcionamento de uma interagir com colegas e expor pontos de vista
desenho ao lado: mundo. ferramenta; para testar hipóteses.
mplica aprofundar a situação ou contexto • realizar uma pesquisa bibliográfica; Os estudantes realizam a investigação no
estudado fazendo, primeiramente, uma • conversar com um parceiro mais experiente; contexto na escola, na comunidade e por
leitura da realidade utilizando indicadores, • ou qualquer outra forma de pesquisa que meio de iniciativas empreendedoras. Isso
informações e dados pertinentes, advindos leve os estudantes a ampliarem e apro- é feito a partir da análise de dados e de
de diversas fontes, a fim de desenvolver nos fundarem seus conhecimentos sobre a interações reais com os diferentes atores, nos
estudantes o conhecimento crítico sobre realidade e sobre si mesmos. diferentes ambientes.
a realidade social na qual estão inseridos.
Situar os conteúdos na realidade faz com
que os estudantes vejam sentido no que
estão aprendendo e se reconheçam como
PLANEJAMENTO E COMUNICAÇÃO
parte integrante da sociedade.
IDENTIFICAÇÃO DE UM Após a elaboração de um protótipo de
PROBLEMA E PROPOSTA solução para os problemas identificados,
DE SOLUÇÃO os estudantes devem comunicá-la aos
A identificação e a proposta de solução diferentes públicos, dentro e fora da escola.
para problemas reais são altamente moti- A divulgação pode acontecer de maneiras
vadoras para o envolvimento dos alunos variadas. Sempre que possível, deve ser
nos Projetos Empreendedores. São os publicada no site da escola, na internet, em
estudantes que escolhem os problemas a um jornal do bairro, em grupos de mídias
serem aprofundados, a partir dos conhe- sociais e outros veículos. A publicação das
cimentos sobre o locus de investigação. soluções leva os estudantes a se compro-
Os estudantes, orientados pelo professor, meterem com a qualidade do trabalho. E
vão a campo, identificam problemas e os estimula a pesquisar sobre as diferentes
selecionam um deles para construir, de linguagens e tecnologias digitais para
forma colaborativa, uma solução. socializar suas propostas de solução.
34 Manual de Manual de 35
Referência Referência

Seja qual for a unidade curricular proposta, esse processo, do diag-


Preparação dos Projetos Empreendedores
nóstico à comunicação, se repete, com as nuances específicas a cada
caso. Isso vale tanto para a Investigação Científica Tecnológica, para
A preparação para desenvolver os • Planejar a avaliação, consideran-
a Intervenção Sociocultural ou para a Empresa Pedagógica.
projetos empreendedores requer um do-a uma prática pedagógica a ser
Na implantação de qualquer Projeto Empreendedor, é importante se tempo de estudo e planejamento prévios. construída a serviço da aprendizagem
pautar em algumas premissas: Seguem abaixo, algumas sugestões já dos alunos. A intenção é situá-los em
experimentadas anteriormente: suas dificuldades e também usá-la para
• Interdisciplinaridade. ajustar as metodologias e conteúdos
• Apropriar-se dos objetivos do projeto, abordados no projeto.
• Intervenção em problemas reais da comunidade escolar, do do tempo médio de duração de cada
entorno da escola ou de empresas e iniciativas empreendedoras. etapa, dos materiais de referência, das • Socializar com os estudantes os
metodologias de ensino, das ferramentas critérios e instrumentos de avaliação,
• Participação dos alunos na escolha dos problemas, nas propostas digitais de aprendizagem e das formas de focados nas competências a serem
de soluções, na elaboração dos protótipos e na comunicação dos avaliação. desenvolvidas ao longo do projeto.
resultados.
• Ter clareza do propósito pedagógico e do • Estruturar um ‘Diário de Bordo’ como
• Identificação de problemas reais e sugestões de soluções percurso como um todo, tendo em mente um instrumento para acompanhar o
realizáveis. que este envolverá ações imprevisíveis. trabalho como um todo.

• Realização de experiências investigativas. • Realizar visitas à escola, comunidade e • Mobilizar os estudantes, assegu-
iniciativas empreendedoras. O objetivo rando-se de que o tema central do
• Realização de pesquisas sobre os indicadores socioeconômicos é mapear os possíveis locais de estudo e componente faz sentido para eles.
regionais, estaduais e federais para compreender o contexto. conhecer pessoas que podem fornecer Investigar o que querem saber, bem
informações aos estudantes. como seus conhecimentos prévios
• Abordagem da aprendizagem por projetos e utilização de alguns sobre o assunto.
princípios do Design Thinking (termo utilizado para se referir ao • Planejar etapas da unidade curricular com
pensamento crítico e criativo, que possibilita organizar as ideias os professores das diversas áreas. Levar • Planejar estratégias de engajamento
para estimular a tomada de decisão e a busca por conhecimento). em conta a necessidade de se planejar dos alunos e dos professores das
e replanejar o trabalho, em função da diversas áreas, a fim de conectar os
• Elaboração de protótipos. dinâmica e do contexto encontrado. interesses individuais com os coletivos.

• Comunicação criativa da solução. • Produzir roteiros de orientação para os • Selecionar metodologias que
alunos. promovam o interesse dos alunos pelas
questões e temas de estudo.
36 Manual de Manual de 37
Referência Referência

5.1. Investigação
científica e
tecnológica (ICT)

Objetivos da Investigação
A Investigação Científica e Tecnológica (ICT) é uma Científica e Tecnológica
unidade curricular que propõe aos estudantes a solução • Evidenciar a articulação da formação
de problemas reais, por meio de investigação e de geral com a formação técnica, aplicando
pesquisa aplicada. Isso inclui a definição de estratégias e os conhecimentos adquiridos nos compo-
a escolha de alternativas de solução. nentes curriculares das duas áreas.

Os estudantes são desafiados a identificar problemas • Vivenciar as etapas da Investigação


de diferentes naturezas, que possam gerar impactos na Científica e Tecnológica: compreensão
escola ou em seu entorno. E serão orientados a propor do contexto, processos investigativos,
soluções de baixo custo, de fácil aplicabilidade e, prefe- identificação e resolução de problemas e
rencialmente, com (re)utilização de materiais simples, comunicação desta.
doados ou descartados pela comunidade. Para isso,
utilizam-se as metodologias ativas de aprendizagem, • Propor situações que desenvolvam compe-
as metodologias de resolução de problemas, além do tências relacionadas às habilidades de
Método de Engenharia. observação, de investigação científica,
de trabalho em equipe, e de resolução de
problemas reais. Organizar essas situações
com base nos princípios científicos e da
engenharia.

• Analisar metodologias de aprendizagem


adequadas ao contexto do estudante.
Selecionar metodologias que consideram a
centralidade do estudante e os objetos de
conhecimento como suporte para desen-
volver de habilidades e competências.
38 Manual de Manual de 39
Referência Referência

Como acontece
A Investigação Científica Tecnológica é uma
unidade curricular que visa desenvolver
competências relacionadas às habilidades
de observação, de investigação científica, de
trabalho em equipe e de resolução de problemas
reais. Tem como base os princípios científicos e
Contexto e objetos de conhecimento faz uso de técnicas adequadas de elaboração
da Investigação Científica Tecnológica de protótipos e de comunicação dos resultados.
• A escola como ambiente social e integrador Trata-se de um componente curricular que
do indivíduo na sociedade, como local de promove situações de interação dos estudantes
trabalho e como laboratório vivo de ensino e de com a escola em que estudam, para identifi-
aprendizagem. carem e resolverem problemas do cotidiano.

• Reflexão sobre os espaços da escola, sua infraes- Os estudantes vivenciam situações em que têm
trutura, funções a que se destinam, regras de uso, oportunidade de pensar por si próprios e de criar
funcionamento, estética etc. soluções novas para problemas antigos. Buscam
conhecimento aplicado e exercem o pensar
• Uso dos métodos científico e da engenharia. criativo. Os alunos são convidados a propor
soluções a partir do que acontece e existe em
• Opiniões, críticas, atitudes e sentimentos dos sua realidade. Isso resulta frequentemente em
usuários dos diferentes espaços. propostas de soluções simples, porém trans-
formadoras do contexto5. Soluções com maior
• Problemas cujas soluções passem pelo desenvolvi- probabilidade e rapidez de serem colocadas em
mento de protótipos realizados com materiais de prática do que as soluções convencionais. Estas,
baixo custo. E comunicação efetiva dos resultados muitas vezes, dependem de maiores recursos e
para a comunidade escolar. da intervenção do órgão gestor (secretaria de
educação, de saúde, obras públicas etc.).

5 BORGES, Francisco Fechine. Caixa de Ciências - Água:

20 experimentos para o uso sustentável da água. João


Pessoa: Mídia Gráfica e Editora, 2017.
40 Manual de Manual de 41
Referência Referência

Método Método de
Participar de soluções inovadoras e Estão presentes na ICT, de forma robusta, Científico Engenharia
reconhecidas pela comunidade escolar o método de engenharia e as metodologias
Faça uma
proporciona aos estudantes satisfação ativas de aprendizagem. Entre estas, estão pergunta
Defina o
pessoal e confiança na capacidade a Aprendizagem Baseada em Projetos, o problema
de resolver problemas futuros. Mais Aprender Fazendo (Learning While Doing Métodos
importante que o produto é o caminho e cultura maker), além de metodologias de
“Pesquise usados
percorrido pela equipe de trabalho e resolução de problemas. Sugerimos também
a construção coletiva e colaborativa que o professor utilize ferramentas de
sobre o estado-
da-arte” “Pesquise na ITC
sobre o estado-
da-arte”
da solução. Trata-se de um processo e-learning durante todo o processo.
educativo e não do desenvolvimento de Construa
uma
um produto pura e simplesmente. hipótese Especifique
os requisitos

Como sugestão, os estudantes podem Faça


participar de oficinas cujo tema gerador Teste com um tempestade
experimento de ideias, avalie
seja o desenvolvimento de tecnologias Dados e escolha
experimentais a solução
sociais. Estas podem estar relacionadas tornam-se base Baseado nos
para novos/futuros resultados e dados,
às áreas de ciência, de tecnologia, de projetos. Faça novo faça mudanças no
questionamento, projeto, protótipo,
engenharia ou matemática. formule nova hipótese, teste novamente
experimente e busque novos
novamente. Desenvolva dados.
O procedimento e prototipe
A tecnologia social alia aspectos técnicos Revise o funcionou? a solução
procedimento.
a aspectos sociais. Entre esses aspectos, Confira
estão a autenticidade da proposta, a cuidadosamente
todos os passos
colaboração, a construção coletiva, o e retorne Não Sim
Teste a
respeito às diferenças e a sustentabili- solução
dade. A tecnologia social pode nascer no Analise os
dados e A solução
seio de uma comunidade ou no ambiente registre as A solução atende
conclusões atende aos parcialmente ou
acadêmico. Ela também permite associar não atende aos
requisitos
o saber popular ao conhecimento técni- requisitos

co-científico. A tecnologia social promove Resultados Resultados


alinhados parcialmente Divulgue os
a habilidade de trabalho em grupo e de com a alinhados ou não- resultados
hipótese? alinhados
realização de projetos multidisciplinares.
Divulgue os
resultados

Fonte: https://www.sciencebuddies.org/teacher-resources
(tradução livre do autor)
42 Manual de Manual de 43
Referência Referência

A identificação de problemas e a Etapas do Projeto


reflexão sobre suas possíveis soluções Investigação Científica
exigem compreender o contexto. Tecnológica
E, sobretudo, utilizar a investiga-
ção científica e tecnológica com uma
finalidade objetiva, bem definida,
baseada em um problema real. Prefe- 1º
rencialmente, deve-se fazer o uso
Pesquisa sobre objetos
criativo dos equipamentos, materiais e de conhecimento
ferramentas disponíveis na escola e na associados ao contexto 2º 3º 4º
da escola (ao longo de
comunidade. As atividades propostas ao todo o projeto) Preparação Visita à Identificação
para a visita escola de problemas
longo do percurso, assim como as apre- na escola
sentações dos trabalhos, incentivam os
estudantes a se comunicarem utilizando
diferentes linguagens. 5º

Definição do
Elaboração do problema a ser
Em resumo, o objetivo da ICT é desen- protótipo de enfrentado
volver habilidades para o mundo do solução para
o problema
trabalho, com base em vivências práticas 7º identificado
na escola 9º
de campo. Investigações que possam Apresentação
do protótipo 8º
gerar produtos simples, porém reais e da solução Monitoramento e
a diversos Implementação acompanhamento
autênticos. A ICT também é integradora da solução
públicos da solução
de competências adquiridas na formação
geral e na parte profissional do currículo.
Isso, aliás, também deve ocorrer com as
outras unidades curriculares propostas:
a Intervenção Sociocultural (IS) e a
Empresa Pedagógica (EP).
44 Manual de Manual de 45
Referência Referência

Etapas do Projeto Investigação


Científica e Tecnológica

Preparação para a visita • Planejar coletivamente a logística da Identificação de problemas • Diferenciar os problemas que
• Elaborar um mapa (planta baixa) da visita e a forma como serão registrados • Mapear os problemas identificados na já foram identificados pela
escola, destacando os pontos de os conhecimentos produzidos nesse dia. escola, independentemente da dificul- comunidade escolar dos indicados
interesse, tanto do ponto de vista da • Comunicar aos profissionais da escola dade de solução. Identificar suas causas pelos estudantes. Os problemas
infraestrutura quanto dos serviços. que eles serão entrevistados pelos e consequências, se houver. O problema observados pelos estudantes ou
• Elaborar um Diário de Bordo para alunos. pode emergir das informações obtidas por uma pessoa externa devem
registrar e acompanhar o projeto. • Pesquisar o que os estudantes querem e das discussões coletivas ou pode dialogar com o contexto, ser
A análise do diário permite que o saber sobre a escola, considerando que ser sugerido por pessoas externas ao objetivos e fazer sentido para os
professor oriente os alunos, avalie a são eles o centro do processo educativo. projeto. Estar atento para que reflita os alunos.
participação destes e o andamento • Preparar um roteiro de observação e de interesses dos estudantes.
do projeto. entrevistas para o dia da visita.

Visita à escola • Entrevistar atores da comunidade


• A proposta é percorrer o espaço da escolar a partir de perguntas previa- Definição do problema a ser enfrentado Cada aluno vota em três problemas,
escola com um olhar de estrangeiro, mente planejadas. O objetivo é • Eleger um dos problemas identifi- explicando as razões de seus votos,
de detetive. Os estudantes devem compreender a percepção das pessoas cados, com o objetivo de elaborar uma sendo selecionado o mais votado.
entender seu funcionamento, o que entrevistadas sobre seu local de estudo proposta de solução. A escolha pode O empate é uma boa oportunidade
poderia funcionar melhor, o que ou trabalho. se dar a partir de estratégias como para os estudantes exercitarem a
poderia estar mais bem organizado, • Atentar para que os registros de votação entre os alunos do grupo, negociação de seus pontos de vista.
o que poderia ser de outra forma, ser observação sejam realizados durante e categorização dos problemas, organi- • Realizar, se necessário, novas entre-
mais atrativo, mais fácil de usar etc. não após a visita. E que sejam expressos zação de grupos de alunos etc. vistas com os atores do espaço.
• Observar intencionalmente a infraes- em diferentes linguagens (anotações,
• Resumir cada problema identifi- Levantar suas opiniões sobre as regras
trutura, o funcionamento, as ações e gravações, desenhos, fotos etc.). A visita de funcionamento, o espaço físico, as
cado, imprimi-lo e fixá-lo na parede
falas dos funcionários, dos estudantes pode acontecer mais de uma vez, para atividades dos profissionais etc. Com
é uma boa estratégia para escolher
e do corpo docente. Registrar as obser- que se obtenham informações e registros isso, exercita-se a alteridade.
qual deles deve ser aprofundado.
vações obtidas em diferentes suportes complementares. Podem ser incluídas
(anotações, fotos, vídeos, áudios). entrevistas com pessoas específicas.
46 Manual de Manual de 47
Referência Referência

Apresentação da solução • Comunicar os resultados para a escola


• Apresentar o protótipo definitivo da e para a comunidade. Considerar
solução para todos os envolvidos com diferentes estratégias de comunicação
a ação proposta. Isto é, a comunicação para cada público.
deve atingir estudantes, professores, • Publicar a solução e disponibilizá-la.
profissionais das empresas e das Demonstrar que se partiu de um
Estratégias didáticas para elaborar o • Identificar as ideias de solução mais problema real e que se pretende
instituições da comunidade, famílias.
projeto de solução ou protótipo promissoras. Excluir as que pareçam
Enfim, diferentes públicos, tendo em efetivamente implantar a solução
• Investigar e ampliar a compreensão do inviáveis ou que não se conectem dire-
vista o aprimoramento do projeto. ajuda a comprometer os alunos com a
problema. Isso é feito a partir de entrevistas tamente ao problema. Realizar uma qualidade do projeto.
com as diferentes pessoas envolvidas, de seleção de propostas que possam vir a
conhecimentos fornecidos pelos profes- ser implantadas.
sores, de pesquisas em livros, jornais, • Dar forma à ideia de solução para
trabalhos acadêmicos, ouvidorias etc. Implementação da solução • Realizar uma escuta atenta das
o problema. Este será o produto do
• Elaborar perguntas sobre o problema a • Apresentar, instalar ou implantar o opiniões de todas as pessoas para
projeto e deve expressar os conteúdos
partir das questões basilares: O quê? Como? protótipo da solução. quem a solução for apresentada.
que foram pesquisados pelos alunos
Onde? Por quê? É importante lembrar que • Apresentá-lo às pessoas entrevistadas, Estar aberto para incorporar modi-
ao longo do processo.
construir perguntas não é uma habilidade pois provavelmente serão elas que utili- ficações, desde que haja consenso
• Conhecer a opinião dos atores da
intuitiva dos alunos; precisa ser aprendida. zarão a solução proposta pelos alunos. no grupo sobre sua necessidade.
escola sobre a proposta de solução.
• Criar uma # com uma pergunta sobre o Levar em conta que uma solução pode
problema investigado, com o objetivo de surgir da soma de algumas ideias ou
obter mais subsídios sobre suas causas e de um insight provocado por uma
consequências. Monitoramento e acompanhamento na preparação e na melhoria do
ideia que parecia, inicialmente, insig-
da solução projeto seguinte.
• Pesquisar as diversas causas do problema, nificante. Nessa perspectiva, pode-se
• Criar tempos e espaços de monitora- • Recomeçar o próximo projeto
analisando-o sob vários ângulos. Levantar pensar que os alunos também estarão
mento e acompanhamento da solução levantando novas questões e novos
soluções para resolvê-lo, assim como exercitando o respeito pelas singulari-
durante todo o percurso do projeto. processos de problematização da
explicações para os fatos ou fenômenos dades e opiniões divergentes.
• Analisar erros e acertos, já pensando realidade.
relacionados ao tema em foco. • Elaborar um protótipo que represente
• Produzir o maior número possível de ideias a solução do problema a partir de
e ações que possam ser desenvolvidas para materiais recicláveis, colas e ferra-
resolver o problema. Nenhuma ideia pode mentas simples. Avaliação
ser desprezada, todas são contributivas Planejar a avaliação considerando-a uma prática pedagógica a ser construída antes
neste momento. do início do projeto. A avaliação deve estar a serviço da aprendizagem dos alunos,
com a intenção de situá-los em suas dificuldades. Deve também servir como possi-
bilidade de ajuste das metodologias e conteúdos abordados no projeto.
48 Manual de 49
Referência

5.2. Intervenção
sociocultural (IS)

Objetivos da Intervenção • Identificar um problema real relacio-


Sociocultural nado a um equipamento social da
• Reconhecer a importância dos comunidade. Propor soluções com
indicadores socioeconômicos, base na concepção de inovação
ambientais e culturais da social.
comunidade no entorno • Selecionar metodologias de
da escola. E utilizar esses indi- aprendizagem que considerem a
A Intervenção Sociocultural (IS) é uma cadores como referências para centralidade dos estudantes e os
sugestão de unidade curricular que planejar ações pedagógicas. objetos de conhecimento como
desenvolve competências relacionadas • Apresentar e vivenciar etapas da suporte para desenvolver habili-
ao exercício da cidadania, do diálogo e unidade curricular, evidenciando dades e competências específicas
da cooperação. Promove mudanças na a articulação da formação geral do projeto.
comunidade do entorno da escola, contri- com a formação técnica. Aplicar • Buscar, por meio da metodologia de
buindo para o bem-estar das pessoas e os conhecimentos adquiridos nos resolução de problemas, articular
para a aprendizagem integral dos alunos. componentes curriculares das as competências da Base Nacional
Visa também propiciar a aquisição de duas partes. Comum Curricular (BNCC) e do curso
conhecimentos e habilidades significativas técnico. Isso a partir do desenvolvi-
para o projeto de vida e para a atuação mento de uma Tecnologia Social.
profissional dos estudantes.
50 Manual de Manual de 51
Referência Referência

Contexto e objetos de conhecimento Como acontece A IS foi pensada para ser desenvolvida Professores e estudantes iniciam o
da Intervenção Sociocultural A Intervenção Sociocultural trabalha, preferencialmente em parceria com projeto buscando conhecer as insti-
• A comunidade como parte do entre outros, com os conceitos de instituições públicas e organizações sem tuições do entorno. Devem levantar
processo de integração do indivíduo cidadania, de políticas públicas, de fins lucrativos. Os estudantes mapeiam os serviços que oferecem, o funcio-
na sociedade: local de lazer, de impostos e seus destinos, do direito e depois visitam equipamentos sociais namento, a infraestrutura física, o
cuidados com a saúde, de trabalho, social e das diferenças entre o público (CRAS, CREAS, abrigos, ONGs etc.), espaços vínculo institucional dos funcionários,
de exercício da cidadania. E, e o privado. Os alunos saem da esportivos e de lazer (como praças e o organograma, a clientela e as
sobretudo, como um laboratório vivo escola, exploram a comunidade e seu parques), espaços educativos, equipa- especificidades da atividade. Devem,
de ensino e de aprendizagem. ambiente. E trazem para a sala de aula mentos de saúde etc. A Intervenção finalmente, identificar problemas que
• Conceitos de comunidade, público e as conversas, as visões de mundo e Sociocultural pode acontecer dentro da possam ser objeto de estudo para
privado, população, município os conhecimentos das pessoas com carga horária reservada aos itinerários potenciais soluções.
e cidade. quem interagiram. A proposta é sair da formativos do Novo Ensino Médio. Pode
• Gestão da comunidade: poder escola para descobrir e se relacionar também ser inserida em todas as modali-
executivo (prefeito e seus secretários), com o que há fora dela. Os estudantes dades de cursos técnicos ofertados pelas
legislativo (câmara de vereadores) e poderão, assim, significar as vivências redes de ensino, compondo o currículo da
judiciário. a partir da interação com situações preparação básica para o trabalho.
• Direitos e deveres dos cidadãos em reais, e aprofundar os conhecimentos
relação à sua comunidade. das diferentes áreas dos currículos.
• Indicadores sociais, econômicos,
ambientais e de saúde. O que Estas são algumas perguntas norteadoras do diagnóstico inicial:
significam e de que forma subsidiam
a leitura do contexto social no âmbito • O que é uma comunidade?
do país, do estado e do município. • Como é nossa comunidade?
• Relações existentes entre a • Que ações podem ser realizadas para melhorar a qualidade de vida dos membros
comunidade e a escola, entre as insti- da comunidade?
tuições públicas, sem fins lucrativos e • Que redes de proteção existem?
privadas com a escola.
• Que instituições dela(s) fazem parte?
• Como a escola já se relaciona com essas instituições?
• Quais as oportunidades de atuação e de trabalho nos locais pesquisados?
52 Manual de Manual de 53
Referência Referência

Etapas do Projeto
Intervenção
Sociocultural
A Intervenção Sociocultural, assim como Espera-se que o produto do projeto seja
a Investigação Científica e Tecnológica e uma solução eficiente e justa para um
a Empresa Pedagógica, tem a premissa problema social, e que seja ainda uma
de conectar a escola com o mundo real. inovação social. Esta entendida como
A IS oferece vivências autênticas e signi- uma nova solução para um problema
ficativas para os alunos e traz à tona os social, que seja mais eficaz, sustentável
processos que ocorrem em instituições e justa do que as soluções já existentes.
sociais. Abre-se o horizonte à identifi- 1º

cação dos atores sociais da comunidade As inovações sociais que resultam da Pesquisa sobre o
e a seus problemas. Em síntese, a Intervenção Sociocultural caracteri- contexto e os objetos de 3º
conhecimento associados 2º 4º
Intervenção Sociocultural indaga como zam-se por aliar aspectos técnicos a ao equipamento social Visita a um
a ser investigado Preparação equipamento social Identificação
a escola pode contribuir para melhorar a aspectos sociais. Prioriza atividades (ao longo de todo para a visita da comunidade de problemas
o projeto)
qualidade de vida da população. colaborativas e a construção coletiva
de soluções para problemas autênticos.
Na impossibilidade de sair da escola Garante o respeito às opiniões diver-
6º 5º
para visitar a comunidade, é possível gentes e busca sustentabilidade nas
Definição do
Elaboração do
simular circunstâncias reais a partir de soluções propostas. projeto de solução
problema a ser
enfrentado
estudos de caso. Entretanto, o projeto ou protótipo para o
problema identificado
se torna mais relevante quando se dá em no equipamento
7º social
torno de problemas e situações trazidos

pelos estudantes e que possam gerar Apresentação

da solução Monitoramento e
impactos positivos. a diversos Implementação acompanhamento
públicos da solução da solução
54 Manual de Manual de 55
Referência Referência

Compreensão do contexto • O mapeamento na comunidade dos Visita à comunidade deve representar o espaço físico da
• Compreender a realidade por meio de pesquisa equipamentos sociais, organizações • Percorrer a região escolhida para a visita. comunidade visitada. Elaborar outra
e análise de dados, como por exemplo, indi- não governamentais, espaços de lazer Procurar entender o funcionamento da maquete da comunidade em que os
cadores socioeconômicos, é o primeiro passo etc. é feito pelos estudantes. Estes instituição, o que poderia ser melhorado, alunos gostariam de morar.
para que os alunos se aproximem do contexto passam a compreender seus processos o que poderia ser ou funcionar de outra • Registrar as observações obtidas, por meio
onde pretendem intervir, dando sentido para de funcionamento e finalidades. forma. Como exemplo, algum aspecto de fotografias, gravações (desde que auto-
os conhecimentos aprendidos. ligado à comunicação com os usuários. rizadas), registros escritos, fotos etc.
• Observar intencionalmente a infraestru- • Atentar para que os registros de
tura, as regras, a maneira de receber os observação sejam realizados durante e
usuários, as ações e falas dos profissionais não após a visita. E que sejam expressos
envolvidos, e as funções que exercem. em diferentes linguagens (anotações,
• Entrevistar atores da comunidade, a partir gravações, desenhos, fotos etc.).
Preparação para a visita a serem aplicados e a função de cada das perguntas previamente planejadas. O • Sistematizar as observações e informações
• Mapear a região do entorno da escola componente do grupo. objetivo é compreender a percepção que obtidas nas visitas.
a partir dos conhecimentos prévios dos • Planejar coletivamente a logística da visita e as pessoas entrevistadas têm do local. • Retornar ao local de estudo, caso seja
estudantes sobre sua comunidade. Os alunos a forma como serão registrados os conheci- • Elaborar uma maquete, utilizando necessário, para obter informações
podem elaborar um mapa onde localizam mentos produzidos nesse dia. placas de isopor, sucatas, palitos, e registros complementares. Podem
suas moradias, a escola e os equipamentos • Pesquisar o que os estudantes querem saber papéis diversos, novelo de lã, revistas e ser incluídas entrevistas com pessoas
sociais que conhecem. sobre a comunidade, considerando que são jornais, cola, barbante etc. A maquete específicas.
• Identificar os equipamentos sociais da eles o centro do processo educativo.
comunidade, utilizando aplicativos de locali- • Preparar um roteiro de observação e de
zação, como Google Earth, por exemplo. entrevistas para o dia da visita.
• Pesquisar equipamentos sociais no entorno • Elaborar um Diário de Bordo para registrar
da escola com disponibilidade e interesse e acompanhar o projeto. A análise do Identificação de problemas • Identificar problemas cujas soluções sejam
em receber os alunos. diário permite que o professor oriente os • Mapear os problemas encontrados nos viáveis e passem por processos criativos de
• Preparar um roteiro de visita, apontando alunos, avalie a participação destes e o equipamentos sociais da comunidade, inde- desenvolvimento de ideias, de protótipos
os locais a serem visitados, questionários andamento do projeto. pendentemente da dificuldade de solução. ou de soluções efetivas.
Identificar suas causas e consequências. • Diferenciar os problemas que já foram
O problema pode emergir das informa- identificados pela comunidade daqueles
ções obtidas e das discussões coletivas ou indicados pelos estudantes. Os problemas
pode ser sugerido por pessoas externas observados pelos alunos ou por uma
ao projeto. Atentar para que reflita os pessoa externa devem dialogar com o
interesses dos estudantes. contexto, ser objetivos e fazer sentido para
os jovens.
56 Manual de Manual de 57
Referência Referência

Definição do problema a partir de estratégias como votação entre Apresentação da solução Implementação da solução
ser enfrentado os alunos do grupo, categorização dos • Apresentar o protótipo definitivo da • Apresentar, instalar ou implantar o
• Eleger um dos problemas identificados, problemas e debate entre a turma para solução para todos os envolvidos com a protótipo da solução.
com o objetivo de elaborar uma proposta uma escolha consensual, organização de ação proposta. Isto é, a comunicação deve • Apresentá-lo às pessoas entrevistadas, pois
de solução. A escolha pode se dar a grupos de alunos etc. atingir estudantes, professores, profis- provavelmente serão elas que utilizarão a
sionais das instituições da comunidade, solução proposta pelos alunos.
famílias. Enfim, diferentes públicos, tendo • Realizar uma escuta atenta das opiniões de
em vista o aprimoramento do projeto. todas as pessoas para quem a solução for
Estratégias didáticas para elaborar o ser desprezada, todas são contributivas
projeto de solução ou protótipo. • Comunicar os resultados para a escola e apresentada. Estar aberto para incorporar
neste momento.
para a comunidade. Considerar diferentes modificações, desde que haja consenso no
• Investigar e ampliar a compreensão • Identificar as ideias de solução mais
estratégias de comunicação para cada grupo sobre sua necessidade.
do problema. Isso é feito a partir de promissoras. Excluir as que pareçam
público.
entrevistas com as diferentes pessoas inviáveis ou que não se conectem dire-
• Publicar a solução e disponibilizá-la. Monitoramento e acompanhamento da
envolvidas, de conhecimentos fornecidos tamente ao problema. Realizar uma
Demonstrar que se partiu de um problema solução
pelos professores, de pesquisas em livros, seleção de propostas que possam vir a ser
real e que se pretende efetivamente • Criar tempos e espaços de monitoramento
jornais, trabalhos acadêmicos, ouvidorias implantadas.
implantar a solução ajuda a comprometer e acompanhamento da solução durante
etc. • Dar forma à ideia de solução para o todo o percurso do projeto.
os alunos com a qualidade do projeto.
• Elaborar perguntas sobre o problema problema. Este será o produto do projeto
• Analisar erros e acertos, já pensando
a partir das questões basilares: O quê? e deve expressar os conteúdos que foram
na preparação e na melhoria do projeto
Como? Onde? Por quê? É importante pesquisados pelos alunos ao longo do
seguinte.
lembrar que construir perguntas não é uma processo.
• Recomeçar o próximo projeto levantando
habilidade intuitiva dos alunos; precisa ser • Conhecer a opinião dos atores da escola novas questões e novos processos de
aprendida. sobre a proposta de solução. Levar em
problematização da realidade.
• Criar uma # com uma pergunta sobre o conta que uma solução pode surgir da
problema investigado, com o objetivo de soma de algumas ideias ou de um insight
obter mais subsídios sobre suas causas e provocado por uma ideia que parecia,
consequências. inicialmente, insignificante. Nessa perspec-
• Pesquisar as diversas causas do problema, tiva, pode-se pensar que os alunos também
analisando-o sob vários ângulos. Levantar estarão exercitando o respeito pelas singu- Avaliação
soluções para resolvê-lo, assim como laridades e opiniões divergentes. Planejar a avaliação, considerando-a uma prática pedagógica a ser construída antes do
explicações para os fatos ou fenômenos • Elaborar um protótipo que represente a início do projeto. A avaliação deve estar a serviço da aprendizagem dos estudantes, com
relacionados ao tema em foco. solução do problema por meio de materiais a intenção de situá-los em suas dificuldades. Deve também servir como possibilidade de
• Produzir o maior número possível de ideias ou pela elaboração de um projeto que ajuste das metodologias e conteúdos abordados no projeto.
e ações que possam ser desenvolvidas para possa ser endereçados às instituições
resolver o problema. Nenhuma ideia pode responsáveis para solucionar o problema.
58 Manual de Manual de 59
Referência Referência

5.3. Empresa
pedagógica

Objetivos
• Apresentar situações que promovam o
protagonismo profissional e social dos
estudantes. Isso é feito por meio de
Na Empresa Pedagógica os estudantes sua interação com empreendedores,
têm oportunidade de experimentar funcionários de empresas do entorno
o mundo do trabalho. Eles são ou a partir de estudos de caso.
convidados a sugerir alterações ou
A Empresa Pedagógica é uma a criar novos processos, produtos e • Reconhecer a importância dos indica-
unidade curricular que visa desen- serviços junto às empresas parceiras. dores socioeconômicos, ambientais e
volver competências e habilidades Compreendem o funcionamento, a culturais da comunidade no entorno
que promovam o protagonismo missão, as metas, a cadeia produtiva e da escola. E utilizá-los como referên-
profissional e social do estudante. as relações de trabalho nas empresas cias para planejar ações pedagógicas
É um projeto que acontece por ou iniciativas empreendedoras em que que inspirem os estudantes para o
meio da aproximação dos alunos realizam as vivências. ingresso no mundo do trabalho.
com o mundo do trabalho, a partir
da interação com o setor produtivo As etapas do projeto incentivam a • Compreender as relações intra e
local. Trata-se do protótipo de uma investigação científica, o trabalho interpessoais, a importância da proa-
empresa criada pelos estudantes e entre pares e a criação a partir do tividade nas estruturas hierárquicas e
professores, a partir da parceria com conhecimento. A metodologia utilizada das ações colaborativas no ambiente
uma empresa real. É um projeto que conecta o aprender com o fazer, com de trabalho.
aproxima os estudantes dos conhe- o objetivo de preparar os estudantes
cimentos e habilidades profissionais, para enfrentarem os desafios de suas • Propor e executar práticas inovadoras
por meio da aplicação de conceitos vidas e do futuro. Os alunos investigam com foco no empreendedorismo.
tanto da formação geral quanto da e respondem a questões, problemas ou Um exemplo é elaborar um plano de
formação técnica. desafios relacionados às empresas ou negócio agregando valor à cultura
iniciativas empreendedoras. E, ao final, organizacional, com a possibilidade
demonstram os conhecimentos e habi- de planejar o próprio negócio ou seu
lidades adquiridos durante o processo. futuro profissional.
60 Manual de Manual de 61
Referência Referência

Contexto e objetos de conhecimento


da Empresa Pedagógica

Relacionados ao trabalho • Relacionados às empresas


• Identidade entre trabalho e • Impostos recolhidos pelas iniciativas
educação. empreendedoras e pelos empregadores.
• Competências e habilidades • Juros, taxas e inflação.
específicas dos cursos técnicos. • Legislação trabalhista.
• Competências do Fórum Econômico • Plano de carreira na empresa. Como acontece
Mundial para o mundo do trabalho. • Empresas que podem contratar Os estudantes mapeiam o setor produtivo Trata-se de um momento oportuno para
• Trabalhos atuais e trabalhos do estudantes. do entorno da escola: as grandes e as aprofundar a natureza do curso técnico,
futuro. • Tipos de empresas (privadas, públicas, pequenas empresas, de diversos setores FIC ou condição de aprendiz, nos quais
• Atuações profissionais possíveis organizações não governamentais, econômicos; as formais e as informais; os estudantes estão inseridos. E também
após a conclusão do curso. informais etc.). as organizações não governamentais; as para ampliar as possibilidades de inserção
• Potencial econômico do curso • Cadeia produtiva das empresas. de caráter voluntário e outras formas de profissional ao término do curso. Favorece
técnico escolhido na cidade, no • Vínculos empregatícios (CLT, autônomo). empreendedorismo presentes na região. ainda a possibilidade de os alunos
estado e no Brasil. • Organogramas de empresas, cargos e O objetivo é estabelecer parcerias com refletirem sobre seus projetos de vida e as
• Tipos de trabalho (profissional funções. algumas dessas iniciativas empreende- escolhas profissionais que se aproximam.
liberal, assalariado, • Ética e relações interpessoais. doras, para que os estudantes possam
empresário, agricultor familiar, • Sindicatos. visitá-las e conhecer de perto seus Como produto desta unidade curricular,
microempreendedor etc.). • Performance da empresa no mercado. espaços, produtos, funcionamento, funcio- os alunos podem criar o protótipo de
• Arranjos produtivos locais. nários e clientes. uma empresa ou elaborar um projeto de
• Tendências e vocações da região. Relacionados às possibilidades de vida profissional. Ou ainda, ministrar uma
• Lista de profissões do Catálogo inserção produtiva e às demandas Na Empresa Pedagógica, os estudantes palestra para as classes do 9º ano, com os
Brasileiro de Ocupações e Catálogo sociais locais são apresentados a conceitos como resultados obtidos na pesquisa sobre o(s)
Nacional de Cursos Técnicos. • Diferentes tipos de PIB. trabalho, emprego, empreendedorismo, curso(s) técnico(s) ofertado(s) pela escola
• Índice de Desenvolvimento profissões, tipos de contratação, tipos
Humano (IDH). e setores em que as empresas atuam,
• Índice GINI (mensura a concentração setores da economia etc. E também
de renda). conhecem outras formas possíveis de
• Pesquisa Nacional por Amostra organização do trabalho.
de Domicílio (PNAD) e outros censos
do IBGE.
62 Manual de Manual de 63
Referência Referência

Etapas do Projeto
Empresa
Pedagógica Compreensão de contexto compreenderem conceitos e lerem indi-
Os estudantes aprendem a ler o cadores econômicos nacionais e locais.
cenário socioeconômico global e local, Também permitem que eles conheçam
a conhecer os tipos de profissão e as possibilidades de inserção produtiva,
de trabalho existentes, as formas de as formas de organização do trabalho; os

atuação e organização do trabalho. organogramas e papéis dos profissionais
Pesquisa sobre o As atividades ajudam os alunos a dentro de uma empresa.
contexto e os objetos
de conhecimento 3º
associados à empresa
ou outra iniciativa 2º 4º
empreendedora a ser Visita a uma empresa
investigada Preparação ou outra iniciativa Identificação
(ao longo de todo para a visita empreendedora de problemas
o projeto)
Preparação para a visita • Criar um roteiro da saída da escola,
• dentificar as iniciativas empreende- apontando os locais a serem visitados,
6º doras no entorno da escola a partir do questionários que serão aplicados e a

Elaboração do levantamento prévios dos estudantes função de cada componente do grupo.
Definição do
projeto de solução problema a ser e de pesquisas com o corpo docente da • Pesquisar o que os estudantes querem
ou protótipo para o enfrentado
problema identificado escola. Os estudantes podem elaborar um saber a respeito da iniciativa empreende-
no empresa ou iniciativa
empreendedora mapa onde localizam suas moradias, a dora, considerando que são eles o centro

escola e as empresas, ou outras iniciativas do processo educativo.

Apresentação empreendedoras, como organizações da • Planejar coletivamente a logística da

da solução Monitoramento e
a diversos Implementação acompanhamento sociedade civil. visita e a forma como serão registradas
públicos da solução da solução
• Identificar as iniciativas empreendedoras as etapas e os conhecimentos produzidos
da comunidade, utilizando aplicativos durante o projeto.
de localização, como Google Earth, por • Preparar um roteiro de observação e de
exemplo. perguntas para o dia da visita.
• Pesquisar empresas no entorno da escola • Elaborar um Diário de Bordo para registrar
nas quais haja pessoas dispostas a receber e acompanhar o projeto. Por meio dele o
os alunos. professor poderá orientar os alunos em
relação aos próximos passos, além de ser
um instrumento de avaliação e monitora-
mento do projeto.
64 Manual de Manual de 65
Referência Referência

Visita às iniciativas empreendedoras • A visita pode acontecer mais de uma Identificação de problemas • Identificar problemas cujas soluções sejam
• Avaliar a iniciativa empreendedora in loco. vez para que se obtenham informações • Mapear os problemas identificados nas viáveis e envolvam processos criativos na
Procurar compreender seus objetivos, e registros complementares. Podem empresas parceiras, independentemente construção de protótipos de ideias ou de
produtos, matérias-primas utilizadas, ser incluídas entrevistas com pessoas da dificuldade de solução. Identificar suas soluções efetivas.
funções dos funcionários, formas de específicas. causas e consequências, se houver. O • Diferenciar os problemas que já foram
divulgação, regras de funcionamento, • Na impossibilidade de visitar uma problema pode emergir das informações identificados pela empresa e já estão
usuários etc. empresa, é possível simular circunstân- obtidas e das discussões coletivas, ou em vias de solução dos indicados pelos
• Entrevistar funcionários e usuários para cias reais a partir de estudos de caso. pode ser sugerido por pessoas externas estudantes. Os problemas devem dialogar
compreender a percepção que eles têm Entretanto, o projeto torna-se mais ao projeto. Atentar para que reflita os com o contexto, ser objetivos e fazer
do local. relevante quando se dá em torno de interesses dos estudantes. sentido para os estudantes.
• Registrar as observações obtidas, por problemas e situações reais.
meio de fotografias, gravações (desde que
autorizadas), registros escritos, fotos etc.

Definição do problema a ser enfrentado


Eleger um dos problemas identificados, com o objetivo de elaborar uma proposta de
solução. A escolha de um dos problemas para se aprofundar pode se dar a partir de
estratégias como votação entre os alunos do grupo, categorização dos problemas,
organização de grupos de alunos etc. Resumir cada problema identificado, imprimi-lo
e fixá-lo na parede é uma estratégia para escolher qual problema deve ser aprofun-
dado. Cada aluno vota em três problemas, explicando as razões de seus votos, sendo
selecionado o mais votado. O empate é uma boa oportunidade para os estudantes
exercitarem a negociação de seus pontos de vista.

• Realizar, se necessário, novas entrevistas com os atores do espaço. Levantar sua


opinião sobre as regras de funcionamento, o espaço físico, as atividades dos profis-
sionais etc. Com isso, exercita-se a alteridade.
66 Manual de Manual de 67
Referência Referência

Estratégias didáticas para elaborar o projeto de solução Apresentação da solução • Comunicar os resultados para a escola e
ou protótipo • Apresentar o protótipo definitivo da para a comunidade. Considerar diferentes
• Investigar e ampliar a compreensão do problema. Isso é feito a partir de solução para todos os envolvidos com a estratégias de comunicação dos resultados
entrevistas com as diferentes pessoas envolvidas, de conhecimentos ação proposta. Isto é, a comunicação deve para cada público.
fornecidos pelos professores, de pesquisas em livros, jornais, trabalhos atingir estudantes, professores, profissio- • Publicar a solução e disponibilizá-la.
acadêmicos, ouvidorias etc. nais das iniciativas empreendedoras e das Demonstrar que se partiu de um problema
• Elaborar perguntas sobre o problema a partir das questões: O quê? Como? instituições da comunidade, famílias. Enfim, real e que se pretende efetivamente
Onde? Por quê? É importante lembrar que construir perguntas não é uma diferentes públicos, tendo em vista o apri- implantar a solução ajuda a comprometer
habilidade intuitiva dos alunos; precisa ser aprendida. moramento do projeto. os alunos com a qualidade do projeto.
• Realizar entrevistas com as pessoas envolvidas com o objetivo de
compreender como o problema afeta suas vidas, a partir do exercício da
empatia. Implementação da solução apresentada. Estar aberto para incorporar
• Criar uma # com uma pergunta sobre o problema, com o objetivo de obter • Apresentar, instalar ou implantar o modificações, desde que haja consenso no
mais subsídios sobre as causas e consequências do problema identificado. protótipo da solução. grupo sobre sua necessidade.
• Pesquisar as diversas causas do problema, analisando-o sob diversos • Apresentá-lo às pessoas entrevistadas, pois • Encaminhar as ações do projeto para
ângulos. Levantar soluções para resolvê-lo, assim como explicações para provavelmente serão elas que utilizarão a desenvolver possíveis produtos como, por
os fatos ou fenômenos relacionados ao problema. solução proposta pelos alunos. exemplo, a criação de uma empresa fictícia.
• Produzir o maior número possível de ideias e ações que possam ser desen- • Realizar uma escuta atenta das opiniões de Ou ainda elaborar um plano de negócio
volvidas para resolver o problema. Nenhuma ideia pode ser desprezada, todas as pessoas para quem a solução for relacionado ao projeto de vida dos alunos.
todas são contributivas neste momento.
• Identificar as ideias de solução mais promissoras. Excluir as que pareçam
inviáveis ou que não se conectem diretamente ao problema. Realizar uma Monitoramento e acompanhamento da implantada, analisando erros e acertos, já
seleção prévia de ideias que possam vir a ser implantadas. solução pensando na preparação e na melhoria do
• Dar forma à ideia de solução para ao problema. Este será o produto do • Criar tempos e espaços de monitoramento projeto seguinte.
projeto e deve expressar os conteúdos que foram pesquisados pelos e acompanhamento da solução durante • Recomeçar o próximo projeto levantando
alunos ao longo do processo. todo o percurso do projeto. novas questões e novos processos de
• Conhecer a opinião do corpo docente da escola sobre a proposta de • Observar a proposta de solução problematização da realidade.
solução.
• Levar em conta que uma solução pode surgir da soma de algumas delas ou
de um insight provocado por uma ideia que parecia insignificante. Nessa Avaliação
perspectiva, pode-se pensar que os alunos também estarão exercitando o Planejar a avaliação, considerando-a uma prática pedagógica a ser construída antes do
respeito pelas singularidades e opiniões divergentes. início do projeto. A avaliação deve estar a serviço da aprendizagem dos alunos, com a
• Elaborar um protótipo que expresse a solução para o problema intenção de situá-los em suas dificuldades. Deve servir também como possibilidade de
identificado. novo ajuste das metodologias e conteúdos abordados no projeto.
PARTE 2: C aro(a) formador(a): nesta segunda
parte, o conteúdo de cada encontro
está descrito de forma detalhada.

REFERÊNCIAS Apresentamos os objetos de conhe-


cimento, as perguntas norteadoras,
as estratégias didáticas e as ferra-

PARA A mentas utilizadas na formação


oferecida. A equipe de Implementação

FORMAÇÃO e Desenvolvimento do Itaú Educação e


Trabalho desenvolveu este material para
que vocês, educadores, se inspirem.
Vocês podem reproduzir ou recriar a
formação da maneira mais adequada à
realidade de suas redes de ensino.

Os materiais utilizados, que podem


servir como modelos para sua formação,
estão nos anexos.
70 Manual de Manual de 71
Referência Referência

Encontro 1
Articulação Curricular
12 horas (1 dia e meio)
Objetivos
• Construir com os participantes o
contrato didático da formação. Devem
ser acordadas as regras e os deveres
dos participantes.
• Discutir o conceito de currículo e
apresentar suas dimensões.
• Analisar e identificar um currículo
escrito que seja baseado em compe-
tências e habilidades. Avaliar sua relação
com a reforma do ensino médio.
• Explorar o contexto legal que dá
suporte ao Novo Ensino Médio.
• Identificar e exercitar a escrita de
competências. Ter como modelo a BNCC.
• Analisar o conceito de competência
aplicado aos processos educativos.
• Analisar as competências gerais da
BNCC, e suas relações com as compe-
tências por áreas de conhecimento.
• Criar o perfil de egresso de cursos
técnicos. Levar em conta as compe-
tências da BNCC, as especificidades do
curso técnico e o contexto do mundo
do trabalho.
• Redigir as competências técnicas.
72 Manual de Manual de 73
Referência Referência

Para respondê-la, os participantes


Estratégias didáticas utilizam a ferramenta Mentimeter.
A ideia é que, após a inserção das
1 Apresentação dialogada e respostas, você as comente e encaminhe
expositiva junto com o grupo um entendimento
Dar as boas-vindas (quem somos; por inicial sobre a questão. É interessante
que estamos reunidos; objetivos da construir a ideia de que a educação se
formação). Apresentar a estrutura da faz pelo compartilhamento do conheci-
formação, a metodologia, os produtos mento construído ao longo da história.
esperados ao final do processo, e a Esse será um dos princípios norteadores
pauta do encontro. da formação.
• Documentos e textos
utilizados Explicar os papéis e atribuições ao longo Tal visão sobre a educação será baseada
• Constituição Federal (1988).  do percurso formativo: técnicos da no conjunto de experiências dos partici-
• Lei de Diretrizes e Bases da Educação secretaria, gestores, coordenadores e pantes. Portanto, é possível que surjam
Nacional (LDB – Lei 9.394/1996). professores. muitas ideias sobre o tema. Desse modo,
• Parâmetros Curriculares Nacionais para é interessante olhar para a composição
o Ensino Médio (1999). Ferramentas de do grupo e para a diversidade de
• Plano Nacional de Educação (Lei aprendizagem sujeitos.
13.005/2014). O Mentimeter é um recurso digital para
• Lei que implanta o Novo Ensino Médio criar interações em tempo real, como Você também pode utilizar a ferramenta
(Lei 13.415/2017). enquetes, nuvem de palavras ou coleta Google Forms para realizar um diag-
• DCNEM (Resolução CNE/CEB 02/2012 e de perguntas.  nóstico inicial dos participantes.
Resolução CNE/CEB 03/2018). Dessa forma, será possível levantar o
Ações e produtos • Referenciais Curriculares para a O Google Forms é um aplicativo gratuito perfil do grupo: área de formação, de
esperados Elaboração de Itinerários Formativos para criar formulários online. atuação, tempo de profissão, tempo na
• Reelaboração do perfil de egresso (2018). escola onde atua (ou outros elementos
do curso técnico. • Base Nacional Comum Curricular do 2 Para que serve a educação? relevantes). Se isso for feito, é interes-
• Elaboração de competências Ensino Médio (2018). Essa questão é colocada para mobilizar sante apresentar o resultado em formato
técnicas específicas. • Guia de Competências Gerais da BNCC. os participantes ao percurso formativo de gráfico. Assim, todos poderão
que se está iniciando. visualizar a composição do grupo.
74 Manual de Manual de 75
Referência Referência

3 Qual a finalidade do ensino Para iniciar o próximo momento, levante A partir desses comentários, apresente
médio hoje? o conhecimento prévio dos participantes excertos dos marcos regulatórios
Aprofundando a questão inicial, esta sobre a reforma do ensino médio e sobre dessa etapa da educação básica (ver
pergunta é colocada para saber como a natureza e características da formação Documentos e textos utilizados). A
os participantes entendem a finalidade profissional. Utilize as seguintes questões: exposição pode ser feita com o apoio
dessa etapa da educação básica. de um PowerPoint, de modo expositivo,
O QUE VOCÊS SABEM SOBRE A REFORMA porém dialogado.
Para respondê-la, os participantes DO ENSINO MÉDIO?
usam a ferramenta Google Forms. Você pode exibir também vídeos curtos
O QUE VOCÊS SABEM SOBRE A RELAÇÃO
O modelo utilizado na formação é o que reforcem o entendimento sobre as É importante que você alinhave os
ENTRE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
Documento 1 (ver anexos). NAS ÁREAS DO CONHECIMENTO? principais mudanças no ensino médio. O seguintes pontos nessa exposição
objetivo é que os participantes consigam dialogada:
Após a inserção das respostas nesse O QUE VOCÊS SABEM SOBRE O responder a questões como estas:
formulário, você deve apresentar o ANDAMENTO DA REFORMA DO ENSINO • Ampliação e distribuição da carga
gráfico que mostra as alternativas mais MÉDIO NO ESTADO? QUE DOCUMENTOS NORMATIVOS horária:
selecionadas. Discuta e problematize os A OFERTA DO 5º ITINERÁRIO AMPLIA A REGULAMENTAM O ENSINO MÉDIO NO • 3.000 horas anuais: 1.800 BNCC
resultados. POSSIBILIDADE DE FORMAR PARA O BRASIL? + 1.200 Itinerários Formativos.
MUNDO DO TRABALHO? QUE MUDANÇAS OS DOCUMENTOS • 5 horas por dia na escola. 
QUAL É A NATUREZA DO CURSO TÉCNICO OFICIAIS APRESENTAM PARA O NOVO • 200 dias letivos por ano.
MAIS FREQUENTE NA SUA REGIÃO? ENSINO MÉDIO?
• Elemento importante da flexibili-
O QUE JÁ SABÍAMOS E O QUE PRECISAMOS O QUE A FLEXIBILIZAÇÃO CURRICULAR zação curricular: permite a escolha
APRENDER SOBRE EDUCAR E TRABALHAR? PERMITE? de itinerários formativos oferecidos
HÁ COMPETÊNCIAS COMUNS ENTRE pela escola (por área de conhe-
A FORMAÇÃO GERAL E A FORMAÇÃO O QUE SÃO OS ITINERÁRIOS cimento + formação técnica e
PROFISSIONAL? FORMATIVOS? profissional).

QUAIS ARRANJOS CURRICULARES SÃO • A inserção da formação técnica


As respostas dos participantes podem ser
POSSÍVEIS? profissional nos currículos de ensino
escritas em post-its ou ditas oralmente.
médio.
Em seguida, serão comentadas por você. BNCC PARA O ENSINO MÉDIO: QUAIS SÃO
SEUS FUNDAMENTOS, PRESSUPOSTOS • Currículo integrado à formação geral
TEÓRICOS E FINALIDADES? e articulado em relação às unidades
curriculares.
76 Manual de Manual de 77
Referência Referência

4 O que é a BNCC? • É um referencial para articular os Finalidades da BNCC: COMO TRADUZIR ESTA COMPLEXIDADE
Apesar de os educadores saberem o sistemas de ensino da União, dos • Orientar os sistemas na elaboração de EM PROCEDIMENTOS DE ENSINO E
que é a BNCC, esse momento serve estados, do Distrito Federal e dos suas propostas curriculares. APRENDIZAGEM?
para alinhar tais conhecimentos. municípios. • Reorientar o trabalho das instituições
Assim, garanta que as informações • Orienta a elaboração dos currículos educacionais e dos sistemas de ensino Esse é o momento em que se discute a
básicas sejam de domínio de todos, e das propostas pedagógicas das em direção a uma maior articulação. Base Nacional Comum Curricular mate-
tais como, a BNCC: escolas. • Superar a fragmentação das políticas rializada no currículo.
• É um documento que define as públicas, fortalecer o regime de
aprendizagens essenciais que todos os colaboração e efetivar as metas e as
alunos devem desenvolver ao longo da estratégias do PNE (Plano Nacional de
educação básica. Educação).
• É um documento que busca direcionar • Ser uma unidade na diversidade.
a educação brasileira para uma
formação humana integral e para a A estrutura da BNCC no ensino médio:
construção de uma sociedade justa, • Áreas do conhecimento pensadas a
democrática e inclusiva. partir do mapeamento do que há em
• Tem como fundamento essencial o comum entre elas. Entre a física, a
direito de todos à aprendizagem e ao química e a biologia, por exemplo.
desenvolvimento. • Currículo baseado em competências.
• Nova estrutura para as matrizes curri-
culares: 60% de formação geral e 40%
de itinerários formativos.
• Carga horária mínima de 3.000
horas nos três anos (1.800 horas de
formação geral e 1.200 de itinerários
formativos).
• Nas 1.800 horas do propedêutico,
estão incluídas as quatro áreas de
conhecimento e não os componentes
curriculares.
• Cinco aulas por dia.
78 Manual de Manual de 79
Referência Referência

5 O Currículo A ideia é mostrar que o currículo é vivo e A partir da uma breve apresentação das “Entende-se por competências
Coloque a seguinte questão para o delineia o perfil de alunos que queremos competências gerais da BNCC, é hora cognitivas as modalidades estruturais
grupo: formar. Ele deve apontar as competên- de aprofundar o que são competências da inteligência, ou melhor, o conjunto
cias e habilidades que estimulem seu e habilidades. E entender como elas se de ações e operações mentais que
O QUE VOCÊS ENTENDEM POR
desenvolvimento na escola e fora dela. estruturam na escrita do currículo. Você o sujeito utiliza para estabelecer
CURRÍCULO?
Para exemplificar esse tema, você pode pode iniciar o debate com as seguintes relações com e entre os objetos,
Para responder a esta pergunta, os indagar: questões: situações, fenômenos e pessoas que
participantes utilizam novamente a deseja conhecer” 1.  
QUAIS AS COMPETÊNCIAS DE UM APRENDIZAGEM POR COMPETÊNCIAS E
ferramenta Mentimeter. Depois disso,
NADADOR? HABILIDADES: O QUE É, O QUE PREVÊ?
mostre os resultados, que provavelmente “Mobilização de conhecimentos
expressarão concepções variadas do que Com o uso de uma tabela, os partici- HÁ UMA MANEIRA ESPECÍFICA (conceitos e procedimentos),
seja um currículo. pantes devem identificar quais seriam DE EXPRESSAR COMPETÊNCIAS E habilidades (práticas, cognitivas e
as competências de um nadador (ver HABILIDADES? socioemocionais), atitudes e valores
Na sequência, apresente um trecho do Documento 2 nos anexos). Depois que para resolver demandas complexas da
vídeo a seguir, com o intuito de discutir os participantes escreverem, proponha a De modo expositivo e dialogado, vida cotidiana, do pleno exercício da
a polissemia do conceito currículo. São discussão: apresente em um PowerPoint as dez cidadania e do mundo do trabalho” 2.  
os 2 minutos e 12 segundos iniciais O DESENVOLVIMENTO DESSAS competências gerais, a partir do gráfico
do episódio A coroa do imperador, COMPETÊNCIAS CARACTERIZA UM do Porvir (Documento 3).
da minissérie Cidade dos Homens, BOM NADADOR? Acesse o Guia de Competências Gerais
1 SÃO PAULO. Secretaria de Educação. Saresp:
disponível em: https://www.youtube.com/ da BNCC em https://novaescola.org.br/ matrizes de referência para a avaliação. 2008,
watch?v=rByBefzeY98. QUAIS HABILIDADES ESTARIAM bncc/disciplina/97/competencias-gerais. p. 14. Disponível em: http://www.rededosaber.
ATRELADAS A ESSAS COMPETÊNCIAS? sp.gov.br/portais/Portals/18/arquivos/
matr_2008_1.pdf
Ponto de alinhamento: ao olhar para Depois de estudar os documentos, 2 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional
o currículo escolar, é importante ter discorra sobre as características das Comum Curricular do Ensino Médio – BNCC. 2018,
p. 9. Disponível em: http://basenacionalcomum.
clareza sobre que estudante queremos competências e habilidades a partir dos mec.gov.br/images/historico/BNCC_EnsinoMedio_
formar. É preciso compreender todas as conceitos apresentados a seguir: embaixa_site_110518.pdf
dimensões do currículo e refletir sobre
sua intencionalidade pedagógica.

Instigados pelo vídeo, peça para respon-


derem por escrito, em post-its, ou
oralmente: que alunos vocês sonham
formar?
80 Manual de Manual de 81
Referência Referência

O CURRÍCULO DEVE APONTAR AS


COMPETÊNCIAS E HABILIDADES QUE
ESTIMULEM O DESENVOLVIMENTO DO
ALUNO NA ESCOLA E FORA DELA.
“Para Philippe Perrenoud, é mais
fecundo descrever e organizar 6 Estrutura de escrita de
a diversidade de competências competências
do que debater para estabelecer A partir da apresentação do PowerPoint
uma distinção entre habilidades (Documento 3, anexos), converse com
e competências. Decidir se os participantes sobre a estrutura de
temperar um prato, apresentar A seguir, proponha que, em grupos escrita das competências. Pergunte:
condolências, reler um texto ou separados por áreas de conhecimento, Lance as seguintes questões
organizar uma festa são habilidades os participantes leiam as competências QUE COMPETÊNCIAS VOCÊS GOSTARIAM problematizadoras:
ou competências teria sentido se de áreas expressas na BNCC. E identifi- QUE SEUS ALUNOS DESENVOLVESSEM,
isso remetesse a funcionamentos quem pontos comuns na estrutura de AO LONGO DO ENSINO MÉDIO? POR QUE REALIZAR A INSERÇÃO DA
mentais muito diferentes. Mas escrita. Para isso, eles terão que baixar FORMAÇÃO TÉCNICA PROFISSIONAL
O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊN- NOS CURRÍCULOS DE ENSINO MÉDIO DE
não acontece dessa maneira. uma versão da BNCC ou ter o material
CIAS E HABILIDADES POSSIBILITA UMA MODO MAIS ARTICULADO À FORMAÇÃO
Concreta ou abstrata, comum ou impresso em mãos: PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO INTEGRAL GERAL?
especializada, de acesso fácil ou DOS ESTUDANTES?
difícil, uma competência permite • A área de Ciências da Natureza e suas COMO ARTICULAR O CURRÍCULO DA
afrontar, regular e adequadamente, Tecnologias (p. 547-553). QUE PAPEL UM CURRÍCULO BASEADO FORMAÇÃO GERAL COM A FORMAÇÃO
uma família de tarefas e de • A área de Linguagens e suas EM COMPETÊNCIAS E HABILIDADES TÉCNICA ESPECÍFICA?
situações, apelando para noções, Tecnologias (p. 481-490). TEM NA FORMAÇÃO INTEGRAL DOS
ESTUDANTES?
conhecimentos, informações, • A área de Ciências Humanas e Sociais A ideia é pensarem juntos sobre a
procedimentos, métodos, técnicas Aplicadas (p. 561-570). importância de um currículo que articula
ou ainda a outras competências, • A área de Matemática e suas Feita a discussão sobre competências conhecimentos, evitando a sobreposição
mais específicas. Assim pode-se Tecnologias (p. 527-531). e habilidades, comece a introduzir de conteúdos.
comparar competência a um dialogicamente o tema da articulação
‘saber-mobilizar’” 3. curricular. Esta articulação deve ser Desse modo, é importante identificar o
pensada a partir do desenvolvimento de potencial de integração entre os compo-
competências entre a formação geral, a nentes curriculares da formação geral e
3 Adaptado de PERRENOUD, Philippe. preparação para o mundo do trabalho e da formação técnica. O objetivo é desen-
Construir competências é virar as costas aos a formação técnica específica. Faça uso volver competências e habilidades, sem
saberes?, disponível em: http://www.unige.
ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/
da problematização como metodologia excluir o que é específico de cada uma
php_1999/1999_39.html para refletir sobre articulação curricular. delas. E buscar um currículo unificado.
82 Manual de Manual de 83
Referência Referência

A partir da noção de currículo articulado Realize uma primeira rodada de sociali- Para apoiá-los nessa tarefa, retome a estrutura de
por competências, pergunte: zação dos perfis reescritos pelos grupos. escrita de competências e habilidades utilizadas na
Em seguida, ressalte a necessidade de BNCC, com o apoio do PowerPoint. Entregue aos
QUE CARACTERÍSTICAS ESSE se olhar para esse perfil, explicitando as participantes uma tabela de verbos e uma ficha para
PROFISSIONAL DEVE DESENVOLVER competências desejadas para atingi-lo. organizar a escrita de competências:
AO LONGO DOS TRÊS ANOS DO
ENSINO MÉDIO?
Para esse exercício/desafio em grupo, Estrutura de escrita de competências: Documento 3
QUAL O PERFIL DESSE EGRESSO? QUAIS indique novamente a metodologia de
SÃO AS COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS escrita de competências. Tabela de verbos: Documento 44
PARA ESTE PERFIL?
Ficha: Documento 5
A partir dessas questões, os partici-
pantes devem, em grupos, discutir o Enquanto os participantes exercitam a escrita de
perfil de egresso do curso. E reescrever competências, circule entre os grupos esclarecendo
a descrição desse perfil, explicitando o possíveis dúvidas.
profissional que se quer formar, assim
como as competências deste. Como esse exercício de escrita demanda um tempo
maior, aproveite e faça encaminhamentos/combinados
Observação importante: entre os parti- com o grupo para o encontro seguinte.
cipantes da formação, encontram-se
profissionais que atuam em cursos Ao final, indique um arquivo em Excel, salvo no
técnicos. Desse modo, comumente são Google Drive. Nele, os participantes irão aprimorar
analisados e trabalhados um ou dois a reescrita da primeira versão do perfil de egresso
cursos técnicos. Eles servem como e avançar na escrita das competências. Isso deve
modelos para os participantes exerci- ser feito de modo colaborativo com a comunidade
tarem e se apropriarem da metodologia escolar, até o próximo encontro.
de articulação curricular.
Após esses combinados, se inicia a segunda parte
da formação, agora com ênfase nos projetos
empreendedores.

4 Esta tabela de verbos é referenciada no seguinte artigo:


https://www.scielo.br/pdf/gp/v17n2/a15v17n2.pdf
84 Manual de Manual de 85
Referência Referência

Encontro 1 (2ª parte)


Projeto Empreendedor
de Investigação
Científica e Tecnológica Documentos e textos
utilizados
12 horas (1 dia e meio) • Reportagem sobre as competências
mais valorizadas.
• Estudo do Fórum Econômico Mundial.
• Recomendações do Conselho da
União Europeia sobre as competências
essenciais para a aprendizagem ao
longo da vida.
• Manual de Treinamento para
Divulgação do SODIS (metodologia de
desinfecção solar da água).

Estratégias didáticas
“Quebrando o gelo”
Objetivos
• Apresentar unidades curriculares para compor o módulo 1 Minhas competências e exercício, apresente um vídeo em
de preparação básica para o trabalho. habilidades que um grupo, de modo colabora-
• Apresentar a unidade curricular Investigação Científica e Na segunda parte, você pode começar tivo, resolve um problema (há vários
Tecnológica. com uma atividade de “quebra-gelo”. exemplos no YouTube). Depois de
Apresentamos uma sugestão, mas você assistirem ao vídeo, chame a atenção
Além destes, veja os objetivos específicos do Projeto pode usar outra, se preferir. para os ganhos ao se trabalhar em
Empreendedor ICT, na 1ª parte desta publicação (pág. 38). grupo e de modo colaborativo. Parta
A atividade consiste nos participantes da ideia de soma de competências e
escreverem quais seriam suas compe- habilidades em prol da resolução de
tências e habilidades. Após esse um problema.
86 Manual de Manual de 87
Referência Referência

Ferramentas de aprendizagem
Feito o “quebra-gelo” inicial, apresente
duas ferramentas online que poten-
APRENDER É UM CAMINHO,
cializam o trabalho colaborativo e o Para aquecer a discussão, você pode
NÃO É UM EVENTO.
desenvolvimento de competências no usar imagens, charges ou fotografias
seu uso. As ferramentas são: sobre o ensino atual e em outros tempos.
Segue abaixo um exemplo (Documento
AnswerGarden: para dar feedbacks 7 dos anexos).
imediatos.
Explore a imagem, discutindo como era
Padlet: para compartilhar ideias e uma aula no século XIV para aqueles
informações. alunos. Compare com a escola atual.
Explore as estratégias de ensino que
Essa discussão visa aliar a necessidade o professor tem hoje para tornar as 2 Cenário do Ensino Técnico no 2.1. Cenário atual:
dos professores de se apropriarem de aulas mais instigantes para os alunos. Brasil
ferramentas digitais com as demandas Dê como exemplo as novas tecnologias Com apoio de um PowerPoint, apresente A educação profissional tecnológica no
dos estudantes. como recurso didático e metodológico, alguns pontos das Diretrizes Curriculares Brasil ainda não é concebida como parte
as estratégias de ensino interdisci- Nacionais para a Educação Profissional do itinerário formativo do aluno. É vista
Como o ensino pode estar sintonizado plinares, as atividades em grupo e Técnica de Nível Médio. Mostre espe- apenas como possibilidade de ingresso
com as necessidades dos nossos colaborativas. cificamente os 17 incisos do artigo 6º no mundo do trabalho, ocupando uma
estudantes? (Documento 8 dos anexos). posição de pouco prestígio. O ensino
Depois dessa breve discussão, superior não reconhece, por meio
introduza o tema do ensino técnico no Após esta exposição, pergunte: de avaliação individual específica, os
Brasil, questionando os participantes conhecimentos desenvolvidos pelos
sobre o cenário atual. O nosso ensino técnico de nível médio estudantes em cursos profissionais de
realmente atende a todos estes nível médio. Tais conhecimentos e habi-
princípios? Se não todos, quais? lidades não servem, por exemplo, para
efeito de aceleração dos estudos. Esse
Essa questão tem por objetivo fazer distanciamento reforça o desprestígio da
com que os participantes reflitam sobre formação técnica.
o ensino técnico atual. Aprofunde a
discussão apresentando estudos sobre
essa modalidade de ensino, destacando
seus principais desafios.
88 Manual de Manual de 89
Referência Referência

Para as instituições escolares, o sucesso 2.2 Desafios e propostas


educacional só equivale ao ingresso no Ainda com apoio do PowerPoint, levante com o grupo os desafios
ensino superior. Esse modelo de ensino, da educação profissional do Brasil. Apresente sugestões de como
de caminho único, reduz o compro- podemos melhorar o ensino técnico de nível médio. Deixe que o
misso da escola com a preparação para grupo elenque as possibilidades. Abaixo, você encontra algumas
o trabalho. E dilui a compreensão do ideias para serem discutidas.
trabalho como princípio educativo.
1. O ensino precisa aliar, de forma sinérgica, teoria e prática.
2. Necessitamos de mais intra/inter/transdisciplinaridade, tanto na
formação geral, na preparação básica para o trabalho, quanto na
formação técnica específica.
Alguns dados que você pode utilizar 3. Os temas abordados precisam estar mais conectados com o
Cenário projeto de vida do estudante.
População jovem 4. Precisamos considerar as competências e habilidades que os
46,9 milhões de jovens de 15 a 29 anos Ocupação
estudantes já possuem.
14,22% ocupados e estudavam
5. Temos que levar em conta o contexto, isto é, as características e
Escolaridade 22,06% não estavam ocupados
realidades regionais, quando preparamos as nossas aulas.
e nem estudavam
9,4 milhões de jovens de 15 a 17 anos 6. Precisamos resgatar o valor das habilidades manuais nos nossos
28,9% estão fora do ensino médio estudantes.
87,5% na rede pública 7. Precisamos desenvolver competências que facilitem o acesso do
estudante ao mercado de trabalho e à geração de renda.
79% dos jovens de 18 a 24 anos não 8. Temos que estimular a criatividade na busca de soluções reais
estão no Ensino Superior para os problemas do cotidiano.
9. Precisamos aproveitar os recursos materiais disponíveis na
Fonte: IBGE, 2020, PNAD Contínua Anual 2019 (Educação).
comunidade, muitas vezes, gratuitos, e que podem ser reutili-
zados ou reciclados.
10. Necessitamos usar, mais e melhor, novas ferramentas digitais e
metodologias adequadas à realidade em que vivemos.
• Os resultados do IDEB 2019 foram muito
promissores para o ensino médio.
• O ensino profissional tecnológico obteve
melhores resultados do que o ensino
médio tradicional em língua portuguesa
e matemática.
90 Manual de Manual de 91
Referência Referência

3 Dois paradigmas de O QUE É APRENDIZAGEM CENTRADA


aprendizagem NO PROFESSOR? Aprendizagem Centrada no
Professor:
Feita esta apresentação, é hora de
O QUE É APRENDIZAGEM CENTRADA Aprendizagem Centrada no
avançar conceitualmente em direção NO ESTUDANTE? • O conhecimento é transmitido do Estudante:
a dois paradigmas na área da apren- professor para os alunos.
dizagem. São eles a Aprendizagem Leia as respostas junto com os • A ênfase está na aquisição de • Os alunos constroem conhecimento
Centrada no Estudante (ACE) e a Apren- participantes, buscando pontos de conhecimento fora do contexto por meio da coleta e da síntese de
dizagem Centrada no Professor (ACP). convergência entre elas. em que será usado. informação.
• Os alunos recebem informações • A aprendizagem está integrada
Para levantar o conhecimento prévio, Veja a sistematização abaixo: passivamente. às competências de investigação,
solicite que os participantes escrevam • O papel do professor é ser o comunicação, pensamento crítico,
em post-its diferentes: principal provedor de informações e resolução de problemas.
e o principal avaliador. • O conhecimento é usado para
• A avaliação é usada para abordar questões e problemas reais
monitorar o aprendizado. da vida cotidiana.
• A ênfase da avaliação está nas • Os estudantes são ativamente
respostas certas. envolvidos.
• O papel do professor é apoiar e
facilitar. Professor e alunos avaliam
a aprendizagem juntos.
• A avaliação é usada para promover
e diagnosticar a aprendizagem.
• A ênfase está em gerar melhores
perguntas e aprender com os erros.

Ao final desse diálogo, apresente alguns


conceitos que dialogam com os dois
paradigmas, traçando suas distinções.

Você pode aprofundar o tema, lendo previa-


mente os trechos dos textos selecionados
(Documento 9 dos anexos).
92 Manual de Manual de 93
Referência Referência

4 Competências e habilidades para apresente com apoio do PowerPoint 5 Criação da mandala QUAIS HABILIDADES OS PARTICIPANTES
o mundo do trabalho alguns materiais (ver os links nas Referên- A atividade seguinte consiste em COLOCARIAM NO NÍVEL BÁSICO
Pensando especificamente no jovem cias, ao final do volume): preencher em grupo uma mandala (NA PARTE CENTRAL DA MANDALA)?
que passa pela educação profissional, (Documento 10 dos anexos). Ela deve
QUAIS HABILIDADES OS PARTICIPANTES
pergunte ao grupo: • A reportagem do site Vagas-profissões. conter as habilidades desejáveis para COLOCARIAM COMO AGRUPADORES
• O estudo do Fórum Econômico Mundial. o estudante/profissional do séc. XXI, (NA PARTE EXTERNA DA MANDALA)?
Quais seriam as aprendizagens, • E as recomendações do Conselho da hierarquizando os seus níveis.
competências e habilidades para o União Europeia, sobre as competências
mundo do trabalho? essenciais para a aprendizagem ao
longo da vida.
Lançada a pergunta, circule a palavra Lista de habilidades: • Flexibilidade.
entre os participantes. Isso deve fundamentar as competências • Capacidade de aprender. • Gestão pessoal.
necessárias tanto para o mundo • Capacidade de negociação. • Iniciativa.
Para complementar e dialogar com as do trabalho quanto para a vida. • Capacidade de trabalhar em equipe. • Inovação.
respostas trazidas pelos participantes, Dentre elas: • Cidadania. • Letramento digital.
• Colaboração. • Liderança.
• Comprometimento. • Numeracia.
Comunicação Trabalho em equipe Competências digitais
• Comunicação em línguas estrangeiras. • Pensamento crítico.
Negociação Resiliência Competências pessoais,
• Comunicação na língua materna. • Postura multidisciplinar.
Liderança Intraempreendedorismo sociais e capacidade de
aprender a aprender • Conhecimento da área de atuação. • Produtividade.
Ética Competência de letramento
Competências de cidadania • Consciência ambiental. • Resiliência.
Energia Competências multilíngues
Competências de • Criatividade. • Resolução de problemas
Equilíbrio emocional
Competências matemáticas empreendedorismo • Equilíbrio emocional. complexos.
Flexibilidade e do domínio das ciências, da Competências de sensibili- • Espírito empreendedor. • Responsabilidade Social.
Criatividade tecnologia e da engenharia dade e expressão culturais • Ética.

Após essa apresentação, sugira que principais pontos do texto e depois Após o preenchimento da mandala Como desenvolver essas competências
os participantes leiam, em grupos, as socializar em assembleia. No momento abra a discussão. para o mundo do trabalho? De que
recomendações do Conselho da União da apresentação, feita por um represen- maneira as unidades curriculares
Europeia, disponível em: https://bit. tante do grupo, faça a conexão entre Depois disso, para iniciar a apresentação poderiam desenvolvê-las?
ly/2ukq8LK. os pontos trazidos por cada grupo. dos projetos empreendedores, formule
Estabeleça uma lógica de complemen- as seguintes questões: O que são os projetos
Os participantes devem grifar os tação das falas entre os participantes. empreendedores?
94 Manual de Manual de 95
Referência Referência

6 Fundamentos dos projetos Princípios norteadores Objetivos dos projetos


empreendedores Com base no que foi exposto na empreendedores Integrar a parte da
Com apoio de um PowerPoint, faça Parte 1, apresente também os formação geral básica
dos currículos à parte
uma breve apresentação dos principais princípios norteadores dos projetos técnica, aplicando
os conhecimentos
fundamentos dos projetos empreen- empreendedores. Você pode adquiridos nos
componentes curriculares
dedores (ver Parte 1 desta publicação, utilizar o infográfico a seguir para das duas partes. Estimular o
págs. 32 e 33). Fale das concepções de mostrar os objetivos dos projetos Analisar indicadores protagonismo dos
socioeconômicos, estudantes, na medida
cada um deles. Identifique-os como empreendedores. identificando elementos em que são convocados
socioculturais, a pensar e propor
sugestões de unidades curriculares para soluções para os
ambientais e econômicos
o módulo de preparação básica para o do estado. problemas da realidade
em que vivem.
trabalho dos cursos técnicos.

Revelar e
Proporcionar que
valorizar a
os estudantes
identidade e a
reflitam sobre seus
diversidade de
projetos de vida.
cada região.

Potencializar o
Oportunizar a vivência desenvolvimento
de experiências das competências
investigativas a partir e habilidades
da interação com uma do mundo do
empresa, com algum trabalho expressas
setor da comunidade ou na BNCC.
com a própria escola.

Depois da apresentação mais geral,


anuncie que o percurso formativo
ajudará a compreender cada
uma dessas unidades curriculares.
E reforce que, neste encontro, a
ideia é conhecer um pouco mais a
Investigação Científica Tecnológica.
96 Manual de Manual de 97
Referência Referência

7 Investigação Científica Identificada uma solução, que seja Realizada a prototipagem, os grupos 8 Encerramento do dia
Tecnológica: o que é? acordada entre o grupo, é hora de socializam suas produções, contando Chegando ao final da formação,
Com a ajuda de um PowerPoint, colocar a mão na massa e prototipar! todo o processo de investigação e cite exemplos de experimentos que
apresente aos participantes os estudo que resultou no protótipo criado. partem do conceito de tecnologias
fundamentos, objetivos e etapas da Os participantes, então, devem ir em Como referência para apresentar os sociais. Na prática, constata-se
Investigação Científica Tecnológica. busca de materiais e recursos que protótipos, você pode sugerir a leitura que todos eles têm alguns pontos
Utilize como base o infográfico e os permitam elaborar um protótipo para do Material de Treinamento para comuns:
conceitos contidos na 1ª Parte desta ser apresentado ao final da oficina. Divulgação do SODIS (ver link nas Refe-
publicação (pág. 38 e seguintes). Neste momento, é possível observar a rências, ao final desta publicação). • Simplicidade.
transposição da teoria para a prática, • Baixo custo.
Elaboração de um protótipo de no que diz respeito à centralidade da Este é um momento muito importante. • Fácil aplicabilidade.
solução aprendizagem no estudante, e não no Aqui, é possível identificar junto com os • Geração de impacto social.
Nesta etapa da formação, a ideia é professor. participantes as várias aprendizagens É importante ressaltar que o
trabalhar a elaboração do protótipo de adquiridas ao longo da vivência. processo é mais relevante que o
solução para o problema identificado na De modo colaborativo, os participantes produto.
escola. aprendem uns com os outros; ou seja, Retome, então, os princípios que
trata-se de uma aprendizagem que orientam esta unidade, no contexto da Feita esta conversa, finalize o dia
Esta vivência é um exercício de empatia, ocorre no grupo e em grupo. sala de aula. agradecendo a participação de todos
pois apresenta uma solução para um e realizando uma breve avaliação
problema real, com foco nas pessoas No momento da prototipação, os parti- Princípios metodológicos coletiva do encontro. Cada partici-
afetadas por esse problema. O protótipo cipantes devem pensar suas produções • Compreensão de contexto. pante expressa, por meio de uma
permite que a solução encontrada seja visando desenvolver tecnologias • Experiência investigativa. palavra ou frase em post-it, o que
aprimorada ou descartada. O trabalho sociais relacionadas às áreas de ciência, • Identificação de problemas e proposta ficou desta formação.
em colaboração estimula entre os parti- tecnologia, engenharia e matemática de solução.
cipantes a busca de soluções possíveis. (ver as premissas da Tecnologia Social na • Planejamento e comunicação.
1ª Parte, página 42). Neste momento de exposição dialogada,
Partindo então de um desafio inicial, alinhe os entendimentos e esclareça
os participantes realizam uma saída a dúvidas sobre a natureza e operacionali-
campo. Veja na 1ª parte as “Etapas do zação desta unidade curricular.
Projeto Investigação Científica” (pág.
45). Oriente os participantes a seguirem
todos os passos, desde a “Preparação
para a visita”.
98 Manual de Manual de 99
Referência Referência

Encontro 2
Articulação Curricular
12 horas (1 dia e meio)
Ações e produtos esperados
• Refinamento do perfil de egresso do curso técnico.
• Aperfeiçoamento das competências técnicas específicas.
• Elaboração de habilidades técnicas.

Documentos e textos utilizados


• As Juventudes (extraído de Diretrizes Curriculares Nacionais
da Educação Básica, 2013, págs. 155-157).
• Juventudes – outros olhares sobre a diversidade (Coleção
Objetivos Educação Para Todos).
• Ampliar o olhar sobre os estudantes, com base nas definições de
juventudes.
• Continuar elaborando as competências técnicas.
• Desmembrar as competências técnicas específicas elaboradas
no encontro anterior. Indicar as habilidades técnicas que
dialoguem com a formação geral. Estratégias didáticas diferentes pontos de vista a respeito
• Analisar as habilidades técnicas elaboradas. Levar em conta o Apresentação dialogada e expositiva de um assunto, imagem, situação ou
perfil do egresso, as ações laborais e os componentes curricu- Dar as boas-vindas (por que estamos objeto.
lares da matriz. Fazer isso tanto em relação à formação geral reunidos; objetivos da formação). Como exemplo, mostre este vídeo
quanto em relação à formação técnica. Apresentar a pauta do encontro. publicitário:
• Discutir o conceito de situações-problema a partir de estudos Nesse momento inicial, você pode fazer https://www.youtube.com/
de caso. Relacionar as situações-problema aos projetos uma dinâmica de grupo que envolva watch?v=mrTDE-h66D4&t=15s
empreendedores.
100 Manual de Manual de 101
Referência Referência

Os jovens e o
ensino médio

Dando sequência à formação, apresente Sugestões para alinhar este diálogo: Finalizada a discussão, faça uma QUAIS COMPETÊNCIA TÉCNICAS
um trecho do documentário Nunca me breve retomada dos pontos centrais SÃO NECESSÁRIAS AO PERFIL DESSE
Sonharam para dialogar sobre duas • Uma escola na qual o currículo dialoga da formação anterior, com apoio de EGRESSO?
questões iniciais: com o contexto local. PowerPoint. O objetivo é alinhar o enten-
• Uma escola que dá oportunidade para dimento para avançar na escrita das Durante a apresentação, os ouvintes
O QUE PENSAM OS JOVENS SOBRE
a inserção social e econômica dos seus competências dos cursos técnicos. devem identificar que competências são
O ENSINO MÉDIO?
estudantes. básicas para a formação para o trabalho
QUE JUVENTUDES QUEREMOS
SONHAR? • Uma escola que considera a partici- Pontos a serem retomados: e quais são específicas para cada curso
pação ativa dos jovens nos processos • BNCC para o ensino médio: quais são técnico.
Trecho do vídeo Nunca me sonharam: de aprendizagem. seus fundamentos, pressupostos
https://drive.google.com/file/d/1cPA- • Uma escola reconhecida como teóricos e finalidades? Com base na identificação das compe-
kTPxiTfT_gSTjIy-0oVCd0an3AYGs/ instituição central para a formação • O que a flexibilização curricular tências básicas para a formação para o
view?usp=sharing dos jovens e o desenvolvimento da permite? trabalho, pergunte:
sociedade. • Por que inserir a formação técnica
Depois de exibir o vídeo, com apoio de • Uma escola que valoriza aprendi- profissional nos currículos de ensino É POSSÍVEL (E DESEJÁVEL) TER COMPE-
um PowerPoint, apresente a seguinte zagens relacionadas aos direitos médio de modo mais articulado à TÊNCIAS IGUAIS PARA OS DIFERENTES
questão: humanos universais. formação geral? CURSOS?
• Como articular o currículo da formação
DE QUE MANEIRA A ESCOLA PODE SER E como seria o jovem desse ensino geral com a formação técnica De modo colaborativo, peça que releiam
UM LUGAR DE PERTENCIMENTO DOS
médio? específica? e aprimorem, se for o caso, a escrita do
ESTUDANTES, A PARTIR DE SEUS SONHOS
E ANSEIOS? • Aprendizagem por competências e perfil de egresso e das competências
QUE COMPETÊNCIAS ELE DEVE habilidades: o que é, o que prevê? (retome o Documento 3).
DESENVOLVER AO LONGO DOS TRÊS
Reserve um tempo para a discussão • Há uma maneira específica de
ANOS DO ENSINO MÉDIO?
entre os participantes. expressar competências e habilidades?
Para fundamentar sua fala, com apoio QUAL O PERFIL DESSE EGRESSO?
do PowerPoint, apresente trechos VAMOS PENSAR SOBRE ISSO? Feito isso, peça aos participantes que
dos dois textos sobre juventude, da recuperem o arquivo em que foram
Coleção Educação Para Todos e das A ideia é que os participantes falem escritas as primeiras versões do perfil de
Diretrizes Curriculares (veja os links nas o que pensam a esse respeito e você egresso e das competências. Solicite que
referências, ao final desta publicação). dialogue com as opiniões expostas. um representante do grupo apresente
o perfil de egresso. Coloque a seguinte
questão:
102 Manual de Manual de 103
Referência Referência

É hora de aprofundar a reflexão sobre


competências e habilidades. Estas devem
explicitar as aprendizagens esperadas no
perfil de egresso do curso técnico.
Para isso, apresente a taxonomia de Bloom
no domínio cognitivo. Ela se estrutura
progressivamente, das atividades mais
simples às de maior complexidade:

1 - LEMBRAR
2 - ENTENDER
Como instrumento para escrever essas ao grupo de origem para os ajustes 3 - APLICAR
habilidades, entregue aos participantes a finais. Para esta reescrita/ajuste, 4 - ANALISAR
Mandala de habilidades (Documento 6): apresente alguns pontos que devem ser 5 - SINTETIZAR
considerados: 6 - CRIAR
Depois de um tempo para a escrita • Analisar o conjunto das competências e
da primeira versão de habilidades, das habilidades. A taxonomia de Bloom é uma organização
proponha a leitura, seguida por comen- • Verificar se é possível aglutinar hierárquica de objetivos educacionais.
tários coletivos. As mandalas devem habilidades. A ideia é olhar para essa estrutura e
circular entre os grupos para que todos • Observar se há alguma duplicidade estabelecer uma relação com os objetivos
colaborem no aprimoramento das habili- (dentro de uma competência ou entre de cada competência e habilidade criada
dades identificadas. habilidades de competências diferentes). até o momento.
• Priorizar quatro habilidades por
Depois de circularem por todos os competência.
grupos, as mandalas devem retornar • Buscar exemplos para comentar.
104 Manual de Manual de 105
Referência Referência

1 As competências e
habilidades e o currículo Para essa atividade entregue aos Feito este exercício, ofereça outra Documento 11 (mandala de
Ainda em grupos, os partici- grupos o seguinte instrumento: mandala, agora com objetivo diferente. correlação de competências,
pantes releem as competências Documento 10 (mandala de Eles devem relacionar as competências habilidades e componentes
e habilidades. Agora, o objetivo é correlação de competências, e habilidades técnicas com os curriculares das áreas do
relacioná-las com os componentes habilidades e componentes componentes curriculares das áreas do conhecimento).
curriculares do curso técnico. curriculares técnicos). conhecimento.

Escola: Escola:
Curso: Curso:

Preenchidas as duas mandalas, problematize:


EXISTE SOBREPOSIÇÃO DE COMPETÊNCIAS É POSSÍVEL IDENTIFICAR A
E HABILIDADES EM CADA COMPONENTE ARTICULAÇÃO ENTRE COMPETÊNCIAS
CURRICULAR? GERAIS, COMPETÊNCIAS TÉCNICAS
E COMPETÊNCIAS PARA O MUNDO
É POSSÍVEL IDENTIFICAR UMA ARTICULAÇÃO
DO TRABALHO?
ENTRE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES E OS
COMPONENTES CURRICULARES?
106 Manual de Manual de 107
Referência Referência

Dependendo do tempo usado pelos


participantes para a escrita, essas 2 Encerramento Consultar o coletivo da escola sobre as
questões podem ser debatidas com Ao final do encontro, indique competências e habilidades escritas.
calma. Ou, então, apenas lançadas como novamente o arquivo em Excel, salvo • Avançar a escrita de cada compe-
provocações para serem discutidas na no Google Drive, com o perfil de tência em habilidades específicas.
escola. Neste caso, oriente como uma egresso, competências e habilidades. • Relacionar as habilidades aos
tarefa entre os encontros formativos. Dê a seguinte orientação: diferentes componentes curriculares.
• Mapear as condições essenciais para
Ciente de que esse exercício de reflexão que o curso ocorra (infraestrutura,
e escrita demanda tempo, aproveite corpo docente, materiais etc.).
para fazer combinados com o grupo de
participantes.

OBSERVAÇÃO: note que, na atividade proposta para o próximo encontro,


é indicada uma nova consulta das competências e habilidades escritas.
E pede-se, ainda, a correlação entre as habilidades e os componentes
curriculares.
Essa orientação acontece porque, no encontro presencial, não é possível
realizar o exercício com todas as competências e habilidades. Contudo,
apropriados da metodologia, os participantes podem continuar esse
trabalho nas escolas com outros profissionais.
E, assim, multiplicar esse saber e validar sua construção na comunidade
escolar.
Após esses combinados, é hora de se despedir dos participantes com um
vídeo final.

Trecho do filme sobre imaginar o mar:


https://www.youtube.com/watch?v=dxKTzJrAwFU&feature=youtu.be
108 Manual de Manual de 109
Referência Referência

Encontro 2 (2ª parte)


Projeto Empreendedor Documentos e textos utilizados
• Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.

de Intervenção • Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia.


• Guia PRONATEC de cursos FIC.

Sociocultural • CBO - Classificação Brasileira de Ocupações.

12 horas (1 dia e meio)

Objetivos
Veja os objetivos do Projeto Empreendedor
de Intervenção Sociocultural na 1ª Parte
desta publicação (pág. 50).
110 Manual de Manual de 111
Referência Referência

Estratégias didáticas Sobre o Catálogo Nacional de Cursos


Superiores de Tecnologia
1 Uma nova ferramenta Sobre o Catálogo Nacional de Cursos Destacar informações relacionadas a um • Campo de atuação: locais em que o
Inicie este momento perguntando se os Técnicos conjunto de oito descritores: profissional pode atuar.
participantes conhecem a ferramenta Apresentar este documento explicitando • Denominação do curso: nomenclatura • Ocupações CBO associadas: ocupações
Kahoot. Convide-os a usá-la para a organização dos cursos por eixos pela qual devem ser identificados os que o graduado no Curso Superior
elaborar um questionário. Destaque tecnológicos. Mostrar: cursos superiores de tecnologia. de Tecnologia pode exercer ou têm
a importância do uso de novas • As informações estruturantes dos • Eixo tecnológico: os 13 eixos tecnoló- relação direta com o perfil do egresso.
ferramentas digitais no processo de cursos. gicos que estruturam a organização • Possibilidades de prosseguimento de
ensino. Ferramentas que mobilizem uma • O perfil profissional de conclusão. dos cursos superiores de tecnologia. estudos: cursos de pós-graduação lato
aprendizagem ativa dos estudantes. • A infraestrutura mínima requerida. • Perfil profissional de conclusão: elenco sensu e stricto sensu coerentes com
Kahoot é uma plataforma de • O campo de atuação. de ações que o egresso deve ser capaz o itinerário formativo do graduado
aprendizado baseada em jogos, usada • As ocupações CBO (Classificação de realizar no exercício profissional. (áreas definidas pela CAPES).
em contextos educacionais. Brasileira de Ocupações) associadas. • Infraestrutura mínima necessária para
• As normas relacionadas ao exercício o funcionamento do curso. As possibilidades sinalizadas no
2 Catálogos de ocupações e cursos profissional. • Carga horária mínima: no caso dos Catálogo, no entanto, são meramente
técnicos • A possibilidade de certificação inter- cursos superiores é estabelecida em indicativas e não esgotam todo o leque
Após esse aquecimento, inicie uma mediária em cursos de qualificação 1.600, 2.000 e 2.400 horas. de alternativas de verticalização. Você
exposição sobre os quatro catálogos profissional. encontrará no portal observatorioept.
listados anteriormente (veja os links nas • A possibilidade de formação org.br uma ferramenta que facilita o uso
referências, ao final desta publicação). continuada em cursos de especiali- do Catálogo.
zação técnica.
• A possibilidade de verticalização para
cursos de graduação.
112 Manual de Manual de 113
Referência Referência

Sobre o Guia Pronatec de cursos FIC 4 Intervenção Sociocultural (IS): o Feita a sistematização, os grupos 5 Encerramento
Vale destacar as informações relacionadas que é? apresentam seus trabalhos. Essa é Chegando ao final da formação, cite
à possibilidade de oferta de cursos de Com a ajuda de um PowerPoint, apresente a oportunidade para comentar as exemplos de experimentos que partem
Formação Inicial e Continuada (FIC). aos participantes os fundamentos, aprendizagens adquiridas nesta etapa. do conceito de inovações sociais
Apresente alguns deles como exemplos. objetivos e princípios metodológicos da Para consolidar a compreensão e tecnologias sociais. Utilize como
Intervenção Sociocultural. Utilize como desta unidade curricular, retome os materiais de referência:
3 Criando um curso técnico base os conceitos contidos na 1ª Parte princípios que orientam a Intervenção
Ao final, apresente o site da Classificação desta publicação (pág. 50 e seguintes). Sociocultural: Vídeo Oficina de construção de
Brasileira de Ocupações (CBO). Destaque também que os projetos de IS gerador eólico com materiais de baixo
Essa exposição visa mostrar os tipos são desenvolvidos preferencialmente com Princípios metodológicos custo. Disponível em: https://www.
de educação profissional e suas instituições públicas e organizações da • Compreensão de contexto. youtube.com/watch?v=NuB5ts9tFHs
principais características. É importante sociedade civil. • Experiência investigativa.
especialmente para aqueles que Mostre ao grupo o infográfico da • Identificação de problemas e proposta O que é a Tecnologia Social?
desconhecem os documentos que página 55, com as etapas do Projeto de solução. Disponível em:
orientam a oferta dos cursos técnicos, de Intervenção Sociocultural. A ideia é • Planejamento e comunicação. http://www.itsbrasil.org.br/conceitos/
tecnológicos e de qualificação que aqui se vivencie a etapa de visita à tecnologia-social
profissional. comunidade, na qual os participantes vão Neste momento, alinhe os
Para consolidar esse entendimento, a campo, fora do espaço da formação. entendimentos e esclareça dúvidas Feita esta conversa, finalize o dia
proponha uma atividade em grupo: Essa visita pode ocorrer em mais de um sobre a natureza e a operacionalização agradecendo a participação de todos e
VAMOS ELABORAR A PÁGINA FICTÍCIA espaço, no mesmo dia. desta unidade curricular. realizando uma breve avaliação coletiva
DE UM CURSO TÉCNICO NO CATÁLOGO Observação importante: antes da data da do encontro. Cada participante deve
NACIONAL DE CURSOS TÉCNICOS? formação, é necessário já ter escolhido expressar, por meio de uma palavra
Sorteie as denominações dos cursos a instituição e alinhado a visita que será ou frase em post-it, o que ficou desta
entre os grupos e indique como modelo feita com o grupo. formação.
para a escrita o Catálogo Nacional de Separados em grupos, os participantes,
Cursos Técnicos. Depois da escrita, os munidos de bloco de notas, saem a campo
grupos apresentam seus cursos em com um roteiro de tarefas (ver Visita à
assembleia. Dê em torno de 5 minutos Comunidade, do item Projeto Intervenção
para cada grupo. Sociocultural, pág. 57).
Relembre que a metodologia desta No retorno da visita de campo, oriente
formação prevê que os participantes os participantes, ainda em grupos, a
vivenciem uma das etapas de cada sistematizarem seus registros em um
unidade curricular. Aqui, os participantes PowerPoint. Eles também podem elaborar
irão conhecer a unidade curricular uma maquete, representando o espaço
Intervenção Sociocultural. físico da comunidade visitada.
114 Manual de Manual de 115
Referência Referência

Encontro 3
Articulação Curricular
12 horas (1 dia e meio)
Ações e produtos esperados
• Refinamento das habilidades técnicas
específicas.
• Reelaboração da matriz curricular.

Estratégias didáticas

1 Apresentação dialogada e expositiva

Dar as boas-vindas (por que estamos reunidos;


objetivos da formação). Apresentar a pauta do
encontro.

Objetivos Inicie as atividades partindo de uma questão:


• Compartilhar o conjunto de competências técnicas específicas,
elaboradas pelos participantes e validadas pelos pares da escola. O QUE VOCÊS ENTENDEM POR CONHECIMENTO?
• Refinar as habilidades desenvolvidas. Elas devem incorporar as QUAL A SUA NATUREZA?
sugestões dos colegas da escola. E servirão para definir os compo-
nentes curriculares que comporão a matriz. Para discutir este tema, apresente dois vídeos
• Discutir modelos de matrizes curriculares, com o objetivo de evitar sobre a Máquina do Mundo, da artista plástica
sobreposições de componentes da formação geral e técnica. Laura Vinci:
• Discutir os conceitos de pensamento complexo e de interdis-
ciplinaridade. Isso no contexto da reforma do ensino médio, https://www.youtube.com/
do itinerário de formação técnica e profissional, e dos projetos watch?v=iE9Hp1HTssM
empreendedores.
https://www.youtube.com/watch?v=lVJXF5e4dv0
116 Manual de Manual de 117
Referência Referência

Exploração
2 O pensamento complexo O pensamento complexo e descoberta
Para ampliar a reflexão sobre o signi-
ficado do conhecimento, proponha
aos participantes uma atividade. Fazendo
Em grupos, peça que identifiquem observações

elementos presentes no processo de


Problema prático Fazendo Partilhando Observação surpreendente
criação da obra Máquina do Mundo, perguntas observações
Curiosidade e ideias Serendipidade
de Laura Vinci. Para auxiliar nessa
Lendo
sistematização, apresente aos grupos acerca de
descobertas
a imagem da página ao lado. científicas

Encontrando
uma explicação

Recolhendo
dados
Encontrando
uma solução
(conceitual,
estética,
realizável, etc.)
Revisitando as
concepções
depois de mais
observações
Benefícios Interpretando Feedback
Análise pela
Aprender observações comunidade
e resultados mais
e revisão
por pares e feedback

Satisfazer a Responder a Discutindo Ouvindo


curiosidade perguntas com colegas os colegas

Resolver Repetindo a
problemas do
Testando investigação
dia a dia ideias

Ter novas
perguntas e
novas ideias

Fonte: https://saberciencia.tecnico.ulisboa.pt/artigos/
fluxograma-da-ciencia.php
118 Manual de Manual de 119
Referência Referência

A ideia é que os participantes identifi- 3 Habilidades e competências do Apresente novamente, com apoio do
quem no processo de criação da artista egresso do ensino médio PowerPoint, a estrutura de escrita de
alguns elementos, como por exemplo: Feita essa discussão inicial, peça aos habilidades. Abra espaço para que os
participantes que retomem o arquivo em participantes esclareçam suas dúvidas.
• A exploração e a descoberta (momento Excel, salvo no Google Drive, com o perfil Depois, peça que continuem a aprimorar
de pesquisa de campo, bibliográfica de egresso, competências e habilidades. a escrita das habilidades correspon-
etc.). Desde o encontro anterior, essa escrita dentes às competências.
• A análise pela comunidade e o vem sendo aprimorada.
feedback (impacto da obra no espaço e Para este exercício, entregue aos grupos
na comunidade). Separe os participantes em grupos. Cada o seguinte instrumento, em folha sulfite
• Os resultados (visibilidade para a Dialogando com as respostas trazidas grupo deve ter professores da formação A4:
questão da degradação do meio pelos participantes, aprofunde a geral, da formação técnica, gestores e
ambiente ou outros). discussão sobre a natureza do conheci- técnicos da secretaria. Documento 12
• A ação de testar ideias (teste de mento. Parta do conceito de pensamento
maquinário, materiais, experimen- complexo, de Edgar Morin:
tações para se atingir o resultado
esperado etc.). “Uma maneira de repensar a realidade Curso:

e a educação. Uma alternativa a um


Competência Habilidade Componente Conceitos Orientações
Com um porta-voz por grupo, são socia- padrão de pensamento cartesiano, curricular estruturantes/ pedagógicas/
objetos de estratégias
lizadas as conclusões em assembleia. Ao que leva à fragmentação do conhecimento didáticas

final das apresentações, problematize: conhecimento, negligenciando as


Competência nº:
relações que existem entre esses
Que conhecimentos foram necessá- conhecimentos e que são essenciais à
rios para criar esta obra de arte? visão significativa dos contextos.”

Quais componentes curriculares A partir dos dois vídeos, e com base


auxiliam a apreensão desses neste referencial teórico, dialogue sobre A orientação para esta atividade é que A ideia é fazer com que os participantes
conhecimentos? a não linearidade do conhecimento. os grupos relacionem as habilidades aos validem as habilidades já criadas. Porém,
Discuta como o conhecimento não linear componentes curriculares. E apontem agora, compreendendo que elas devem
Que aprendizagens foram adquiridas pode ser visto em seu potencial de os objetos de conhecimento e as estra- se relacionar com objetos de conheci-
nesse processo de criação? ensino e de aprendizagem. tégias didáticas. mento avaliáveis (característica de uma
habilidade).
120 Manual de Manual de 121
Referência Referência

Feito um primeiro preenchimento retornam ao grupo de origem e são 4 Uma visão do que já foi feito
deste instrumento, proponha a feitos os ajustes necessários.
leitura e os comentários coletivos. Olhando para o percurso vivido até o • A identificação de competências de
Para isso, os instrumentos devem Ao final da atividade, faça um momento, já é possível identificar alguns preparação básica para o mundo do
circular entre os grupos, para alinhamento com a turma, de modo produtos e aprendizagens: trabalho.
que todos colaborem na escrita, que tenham clareza sobre a meto- • A vivência e o estudo de duas
aprimorando-a. Quando já tiverem dologia usada para a escrita de • A escrita do perfil de egresso do curso unidades curriculares que desen-
passado por todos, os instrumentos habilidades. técnico. volvem competências básicas para o
• A escrita das competências específicas mundo do trabalho.
do curso técnico, articuladas com as • A identificação de componentes curri-
competências da formação geral. culares da formação técnica que se
Observação: para esta atividade é necessária uma boa gestão • A escrita de habilidades específicas articulam aos componentes curricu-
do tempo, contando inclusive com a possibilidade da escrita do curso técnico, em sintonia com as lares da formação geral.
apenas parcial da tabela. competências técnicas.
122 Manual de Manual de 123
Referência Referência

5 A escrita de uma matriz curricular 6 Encerramento


Feito este alinhamento, proponha uma Ciente de que esse exercício de
nova atividade: a escrita da matriz escrita demanda um tempo maior de
curricular do curso. Para isso, entregue discussão, faça encaminhamentos
aos participantes um modelo de matriz e combinados com o grupo de
curricular. No Documento 13, você participantes.
encontra um modelo, mas use aquele
que for mais adequado à sua realidade. Ao final do encontro, indique
novamente o arquivo em Excel, salvo no
Google Drive, com o perfil de egresso,
competências e habilidades, e dê a
seguinte orientação:
A ideia é que os participantes organizem na matriz os
seguintes pontos: • Levem esse exercício para a escola,
• Total de horas do curso. discutam em grupo e validem uma
• Total de horas do curso técnico, contando com as horas proposta de matriz. Façam os ajustes
do módulo de preparação básica para o trabalho. É um necessários para a realização do
módulo presente em todos os cursos técnicos, composto por curso.
unidades curriculares básicas a todos os cursos. • Mapeiem as condições essenciais
• Total de horas da formação geral. para que o curso ocorra: infraestru-
• Total de carga horária anual (1º, 2º e 3º ano) por componente tura, corpo docente, materiais etc.
curricular da formação geral e da formação técnica.
• A disposição de horas da formação geral e técnica, por Indique uma pasta no Google Drive
componente curricular, ao longo da semana, em cada um dos para que os participantes registrem e
três anos do ensino médio. arquivem essas produções.

Após esses combinados, se despeça Observação: note que na


dos participantes. atividade proposta para o
Chame a atenção para o fato de que próximo encontro é indicada uma
essa atividade requer muita atenção nova consulta e validação junto à
e responsabilidade. É preciso fazer comunidade escolar.
escolhas claras e bem fundamentadas,
levando em conta o perfil de egresso
que se quer formar.
124 Manual de Manual de 125
Referência Referência

Encontro 3 (2ª parte) Documentos e textos Estratégias didáticas


utilizados
Projeto • Diretrizes Curriculares Nacionais para
a Educação Profissional Técnica de
Competências para o mundo
1 do trabalho
Empreendedor Nível Médio (2012).
• Referenciais Curriculares para a
Nesta segunda parte da formação,
retome a importância de se pensar
Empresa Pedagógica Elaboração de Itinerários Formativos
(2018).
o desenvolvimento de competên-
cias para o mundo do trabalho,
• Projetos Empreendedores da Rede além das competências técnicas
12 horas (1 dia e meio) Estadual da Paraíba (2018). específicas. Destaque o fato
• Termo de Referência em Educação de que as competências para o
Empreendedora do Sebrae (2020). mundo do trabalho devem compor
a formação do estudante. Isso
independe do curso específico que
ele esteja realizando. Somente o
domínio de técnicas específicas
não é suficiente para formar um
bom profissional. São necessárias
outras competências, como ilustra
Objetivos a imagem da próxima página.
• Apresentar e vivenciar etapas da unidade curricular,
com foco no eixo estruturante Empreendedorismo.
• Utilizar os indicadores socioeconômicos, ambientais
e culturais como referências para planejar ações
pedagógicas.
• Evidenciar a articulação entre a formação geral e
a formação técnica, aplicando os conhecimentos
adquiridos nas duas áreas.
• Promover situações que desenvolvam as competências
e habilidades dos estudantes. E que promovam o prota-
gonismo profissional e social destes, por meio de sua
interação com empresas, empreendedores ou a partir
de estudos de caso.
126 Manual de Manual de 127
Referência Referência

Competências para
o mundo do trabalho

C2 C3 2 Empresa Pedagógica: o que é?


Com a ajuda de um PowerPoint,
Considerar diferentes Compreender a apresente aos participantes os funda-
ideias, opiniões, importância da
informações e proatividade, das ações mentos da Empresa Pedagógica (EP).
contextos para construir colaborativas e das
argumentos, tomar relações hierárquicas Utilize como base os conceitos contidos
decisões e comunicá-las a e interpessoais no
públicos distintos fazendo ambiente de trabalho na 1ª Parte desta publicação (pág. 60 e
uso de diferentes meios, e na viabilidade de um seguintes).
mídias e linguagens. empreendimento.

Destaque também que se trata de um


C1 C4 projeto que aproxima os estudantes
do mundo do trabalho, a partir da
Aplicar análise
Propor e executar
sistêmica e raciocínio
práticas inovadoras e interação com o setor produtivo local.
lógico para interpretar
criativas agregando Nessa parceria, os jovens identificam
dados, fenômenos e
valor à cultura
contextos e resolver
situações-problema
organizacional e problemas nas iniciativas empreen-
possibilitando a
propondo soluções dedoras, olhando para suas causas e
criação do próprio
éticas e ambientalmente
negócio.
responsáveis. consequências. Ao perceberem esses
problemas, os estudantes elaboram
soluções que sejam efetivas, viáveis e
criativas.

Descrição: quatro competências para o mundo do trabalho. Autor: Tassiana


da Silva Souza, conteúdo produzido pela equipe pedagógica da Fundação Neste momento de exposição dialogada,
Itaú. Imagem: Quatro competências para o mundo do trabalho.
alinhe entendimentos e esclareça
Retome, de modo breve, com apoio do PowerPoint, dúvidas sobre a natureza e operacionali-
a apresentação com os fundamentos dos projetos Procure resgatar na memória dos partici- zação desta unidade curricular.
empreendedores e as concepções de cada um pantes as vivências realizadas nos encontros
deles. Se necessário, releia o texto sobre os projetos anteriores, com a Investigação Científica e
empreendedores e destaque: Tecnológica e a Intervenção Sociocultural.
• Que eles entrelaçam várias disciplinas e dão
sentido aos conteúdos trabalhados nas várias Anuncie novamente que o percurso formativo
áreas de conhecimento. prevê vivências e a compreensão de cada uma
• Que eles compreendem situações didáticas dessas unidades curriculares. E que, como nos
contextualizadas, flexíveis e interdisciplinares. encontros anteriores, os participantes irão
Isso ajuda a desenvolver as competências profis- vivenciar uma das etapas desta nova unidade
sionais e gerais propostas pela BNCC. curricular, a Empresa Pedagógica.
128 Manual de Manual de 129
Referência Referência

Como? O quê? Para quem?


Proposta
Parcerias Atividades de valor Relacionamento Segmento
3 Visita à empresa principais principais com clientes de clientes
Informe que nesta etapa os participantes
irão a campo, fora do espaço da formação.
Observação importante:
Recursos Canais
Separados em grupos, os participantes, entre em contato previamente principais
munidos de bloco de notas, saem a campo com a equipe da Secretaria de
com um roteiro de tarefas (ver “Visita Educação. É fundamental ter o
às iniciativas empreendedoras”, no item apoio institucional na articulação
Projeto Empresa Pedagógica da 1ª Parte, e autorização da visita em Quanto?
pág. 66). alguma empresa ou iniciativa Estrutura de custos Fontes de receita
empreendedora.
No retorno da visita à empresa ou iniciativa
empreendedora, oriente os participantes,
ainda em grupos, a sistematizarem seus
registros em um PowerPoint. A ideia é que os participantes, em • Desafios (os principais desafios
4 Instrumento que pode ser usado grupos, listem os seguintes pontos: para realizar o projeto junto aos
Feita a sistematização, os grupos no planejamento da Empresa • Contexto do projeto (espaços possíveis estudantes).
apresentam seus trabalhos. Comente, Pedagógica pelo professor em que o projeto pode ocorrer). • Cronograma (o que deve ser conside-
então, sobre as aprendizagens adquiridas Nessa etapa, proponha uma atividade • Objetivo do projeto (ter clareza rado para elaborar um cronograma
nesta etapa da unidade curricular. para gerar um debate sobre trabalho sobre quais aprendizagens se quer factível para a vivência de todas as
e Empresa Pedagógica, a partir das assegurar; identificar uma empresa ou etapas do projeto).
Para consolidar a compreensão desta seguintes indagações: iniciativa empreendedora que dialogue
unidade curricular, retome os princípios que com a natureza do curso técnico). Ao final da formação, você pode citar exem-
orientam a Empresa Pedagógica: COMO PODEMOS APROXIMAR OS • Conteúdo (os conteúdos necessários aos plos de empresas pedagógicas em outros
ESTUDANTES DO MUNDO DO TRABALHO estudantes antes e durante o projeto). estados, como por exemplo, o da Paraíba.
Princípios metodológicos POR MEIO DA EMPRESA PEDAGÓGICA? • Disciplinas (que disciplinas potencializam Disponível em: http://www.consed.org.br/
• Compreensão de contexto. QUE CUIDADOS DEVEM SER TOMADOS E as aprendizagens dos projetos). media/download/5d10d84ee29d2.pdf.
• Experiência investigativa. QUE AÇÕES DEVEM SER REALIZADAS? • Profissionais (da escola ou da empresa
• Identificação de problemas e proposta de que podem auxiliar no desenvolvimento Feita esta conversa, finalize o dia agrade-
solução. Para planejar esta unidade curricular, do projeto, antes e durante). cendo a participação de todos e realizando
• Planejamento e comunicação. entregue aos grupos o seguinte instru- • Metodologia criativa (que métodos uma breve avaliação coletiva do encontro.
mento: Documento 14 e instrumentos didáticos podem Cada participante deve expressar, por meio
ser utilizados em todas as etapas de uma palavra ou frase em post-it, o que
do projeto). ficou desta formação.
130 Manual de Manual de 131
Referência Referência

Encontro 4
Articulação
Curricular e Projetos
Empreendedores Ações e produtos esperados:
• Sistematização da formação com vistas à
sua multiplicação.

Estratégias didáticas

1 Apresentação dialogada e expositiva


Objetivos Dar as boas-vindas (por que estamos
• Elaborar uma linha do tempo do processo de reunidos; objetivos da formação). Apresentar
formação. A ideia é sistematizar os objetos de a pauta do encontro.
conhecimento e as estratégias didáticas para
posterior multiplicação. Oriente os participantes para que escrevam
• Retomar os princípios da articulação curricular a em post-its os principais temas discutidos
partir do perfil do egresso. e produtos criados ao longo do percurso
• Vincular a metodologia de articulação formativo. Devem fazê-lo tanto sobre arti-
curricular ao desenvolvimento dos projetos culação curricular como sobre os projetos
empreendedores. empreendedores. Em seguida, coloque
• Delinear os projetos empreendedores como os post-its na parede. Depois, leia-os em
unidades curriculares na matriz do curso voz alta e classifique-os de acordo com a
técnico, na parte de preparação básica para o seguinte categoria:
trabalho.
• Analisar as matrizes curriculares sob a ótica do • Novo Ensino Médio.
Novo Ensino Médio, do perfil do egresso e das • BNCC.
competências e habilidades necessárias. • Ensino Profissional Tecnológico (EPT).
• Valorizar a identidade e a cultura regional, • Preparação básica para o trabalho.
utilizando estudos do meio ou estudos de caso • Produtos: escrita de perfil de egresso,
como ferramentas de articulação curricular. escrita de competências técnicas, escrita
• Planejar a multiplicação da formação, identifi- de habilidades técnicas e escrita de matriz
cando os conteúdos a serem trabalhados e os curricular.
materiais de referência.
132 Manual de Manual de 133
Referência Referência

2 Projetos Empreendedores e o Feita a socialização, pergunte quais 3 A multiplicação de uma ideia ALÉM DA IMPLEMENTAÇÃO DO CURSO,
Novo Ensino Médio seriam os desdobramentos desses Feita a sistematização coletiva, aponte ESTE GRUPO SE VÊ COMO MULTIPLI-
Feita essa categorização, solicite que, produtos e peça que listem os pontos que o trabalho continua após o final CADOR DESSA FORMAÇÃO?
em grupos, os participantes criem dois que precisam ser cuidados, tais como: da formação. Destaque que eles terão
produtos, no formato de infográfico um papel importante para implantar Depois de escutar os participantes,
ou fluxograma. Em um deles, devem • Escrita de ementas. os novos cursos. Para isso, lance a destaque que esta formação buscou
explicar as principais mudanças do • Escrita ou atualização do plano de pergunta: desenvolver um conjunto de competên-
ensino médio e, no outro, os princípios, curso. cias. Convide-os a uma breve avaliação/
objetivos e etapas dos projetos • Pessoas envolvidas nessas ações. reflexão pessoal, enquanto realiza a
empreendedores. • Estimativa de cronograma para que exposição das competências do partici-
o plano de curso seja encaminhado pante da formação:
Depois de realizadas essas produções, ao respectivo Conselho de Educação
os grupos as socializam em assembleia. (municipal ou estadual).
Um representante de cada grupo é • Outras ações para implementar o
o responsável pela apresentação. curso.
C1
Aproveite para comentar as produções, Analisar os marcos legais que Como avaliar esse aprendizado?
indicando pontos de aprimoramento, A ideia é mapear todos os fatores que orientam a elaboração dos
a. Atividade em que se apresenta a linha do tempo
quando for o caso. Valorize a sistema- envolvem a implantação do curso. currículos escolares.
dos marcos legais que orientam a elaboração dos
tização que consolida os aprendizados O participante deve fazê-lo
currículos escolares. Serão feitas perguntas em que
obtidos na formação. a partir de três dimensões:
os participantes tenham que localizar os artigos da
as juventudes, o currículo
lei 13.415 que afetam a Educação Profissional Tecno-
Em seguida, é hora de retomar o arquivo e a aprendizagem baseada
lógica (EPT). E também suas implicações para essa
em Excel, salvo no Google Drive, com no desenvolvimento de
modalidade de ensino médio.
o perfil de egresso, competências e competências e habilidades.
habilidades. Peça que os participantes Isso irá subsidiar a análise b. Comparação dos princípios norteadores do
socializem as matrizes curriculares e a elaboração de matrizes ensino técnico na LDB e nas Diretrizes Curriculares
discutidas com a comunidade escolar curriculares dos cursos Nacionais para a Educação Profissional Técnica de
e validadas em sua versão final. E que técnicos ou 5º Itinerário. Nível Médio (DCNEPT).
mostrem também o mapeamento das
condições essenciais para que o curso
ocorra (infraestrutura, corpo docente,
materiais etc.).
134 Manual de Manual de 135
Referência Referência

C2 C4
Construir competências Como avaliar esse aprendizado? Reconhecer a importância da Como avaliar esse aprendizado?
e habilidades técnicas, interação entre a escola, a
a. Na construção do perfil do egresso. Devem ser a. No planejamento das etapas, na compreensão de
considerando: o perfil do comunidade e o setor produtivo
consideradas as ações laborais relacionadas à formação contexto e na vivência de um Projeto Empreendedor
egresso, as especificidades local como ação educativa.
técnica e profissional específica (validada pelos pares significativo para a região. Devem ser especificados os
do curso técnico e as E promover experiências
da escola e/ou profissionais da rede). objetivos, conteúdos conceituais e situações de ensino.
competências da BNCC. investigativas, propondo,
Tais competências devem b. Na escrita de competências. Devem ser identificados implantando e avaliando b. No planejamento de ações pedagógicas. Devem ser
visar à formação integral e seus aspectos: domínio cognitivo, objeto de conheci- soluções para problemas mapeados os indicadores socioeconômicos, ambientais
integrada dos estudantes. mento ou temática, e contexto ou complemento. Tudo socioculturais, econômicos e culturais da comunidade do entorno da escola.
validado pelos pares da escola e/ou profissionais da rede. ou ambientais. Devem ser c. No desenvolvimento coletivo de um dispositivo,
c. Na produção da mandala que associa as competên- valorizadas a identidade e a método ou técnica para a resolução de um problema
cias e habilidades com os componentes curriculares e diversidade local e regional. real. Problema este que tenha sido observado no
competências técnicas (validada pelos pares da escola). ambiente escolar, na comunidade do entorno ou em
uma atividade empreendedora. A solução deve ser
comunicada de forma criativa.

C3
Analisar matrizes Como avaliar esse aprendizado?
curriculares de cursos
a. Na definição de critérios para analisar matrizes curri-
técnicos ou 5º Itinerário,
culares de cursos técnicos ou 5º Itinerário.
segundo os pressupostos
pedagógicos do Novo b. Na análise de matrizes curriculares de curso técnico
Ensino Médio e da EPT. ou 5º Itinerário, sob a ótica do pensamento complexo.

c. Na elaboração de uma apresentação para a equipe


pedagógica da escola ou da secretaria. Ela deve
ser sobre os princípios da articulação curricular e a
construção de novas unidades curriculares. Estas
devem integrar a formação geral e a técnica, visando
preparar os estudantes para o mundo do trabalho. O
produto pode ser um PowerPoint com os comentários
dos participantes ou um vídeo da apresentação.
136 Manual de Manual de 137
Referência Referência

C5
Estruturar a parte dos currículos Como avaliar esse aprendizado? Após essa apresentação, alinhe o entendi- • Uma atitude flexível frente a novas
técnicos de formação básica mento do grupo a partir da seguinte reflexão: propostas e desafios.
a. Na definição das etapas necessárias para
para o mundo do trabalho em • A busca de parcerias com os setores
elaborar um plano de curso para um Projeto
unidades curriculares centradas O desenvolvimento dessas competências produtivos locais e regionais.
Empreendedor. Deve ser justificada a necessidade
nos eixos estruturantes. A busca que vocês, como multiplicadores, • A aplicação de metodologias que valorizem
de cada uma dessas etapas.
formação geral deve estar estimulem nos participantes da sua o empreendedorismo.
articulada com a formação b. No planejamento das etapas de compreensão de
formação: • O incentivo à pesquisa aplicada, à inovação
técnica do currículo. Os contexto e experiência investigativa. Isso deve ser
• Os trabalhos em cooperação/colaboração. social e científica, à interação com a
estudantes devem ter um papel feito em unidades curriculares empreendedoras
• A utilização de metodologias centradas no comunidade e ao empreendedorismo.
central e ativo no processo que sejam significativas para a região.
estudante.
de formação, assim como c. Na compilação das metodologias de aprendi- • O desenvolvimento e aplicação de um A partir dessa problematização, solicite
oportunidades para refletirem zagem ativa e das ferramentas digitais utilizadas currículo baseado em competências. que os participantes elaborem um plano de
sobre seus projetos de vida. na formação. • O ensino de habilidades requeridas pelo formação de “articulação curricular e projetos
mundo do trabalho no século XXI. empreendedores” para multiplicação.
• A aplicação de ferramentas tecnológicas no
processo educacional (e-learning).

4 Encerramento Espera-se que o vídeo alimente a


Leve em conta que esse exercício de discussão sobre os objetivos iniciais do
reflexão e escrita demanda um tempo trabalho que agora termina.
maior. Faça os apontamentos finais com
o grupo, a partir de um vídeo de livre Feita essa conversa final, chega o
escolha, com o intuito de responder à momento de encerrar o dia agradecendo
questão: a participação de todos. Realize uma
breve avaliação coletiva do encontro.
QUAL A FINALIDADE DE TODO O Cada um expressa, por meio de uma
TRABALHO QUE REALIZAMOS? palavra ou frase em posti-it, o que ficou
desta formação.
138 Manual de Manual de 139
Referência Referência

Referências
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144 Manual de Manual de 145
Referência Referência

ANEXOS
146 Manual de Manual de 147
Referência Referência

ENCONTRO 1 DOCUMENTO 2
ARTICULAÇÃO CURRICULAR
Competências necessárias para um bom NADADOR
DOCUMENTO 1
Determinação
Selecione entre as alternativas abaixo aquelas que melhor respondem,
em teoria, a pergunta: para que serve o ensino médio?
Habilidade
• É uma etapa preparatória para a universidade.
• Consolida e aprofunda as aprendizagens do ensino fundamental.
Conhecimento
• Existe ensino fundamental, médio e superior. Como o próprio nome
diz, ele está no meio, é uma transição, tal como a adolescência é uma
transição da infância para a fase adulta. Foco/disciplina

• É a etapa de finalização da educação básica.


• Serve para obter certificado e ter acesso a melhores empregos. Meta

• No ensino médio os conteúdos são mais específicos, há um número


maior de disciplinas e, por isso, se aprende mais.

• É a etapa final da formação básica, a qual deve permitir ao estudante


prosseguir seus estudos e estar preparado para o mundo do trabalho.
E também decodificar adequadamente o mundo em que vive, atuando
nele de forma consciente, crítica e decisiva.

• Possibilita uma formação integral e cidadã.


• Serve para mudar de patamar, apresenta matérias mais complexas e
centradas no conteúdo. Muito do que se aprende no ensino médio vai
ser base para uma faculdade ou curso técnico.

• Permite desenvolver habilidades para enfrentar de forma mais flexível


o mundo no qual vivemos.
148 Manual de Manual de 149
Referência Referência

DOCUMENTO 3 DOCUMENTO 4

Utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de informação e comunicação, TABELA DE VERBOS


tanto para se comunicar, acessar e disseminar informações, quanto para produzir
conhecimentos, E também para resolver problemas das ciências da natureza de forma Verbos apropriados para definir as HABILIDADES a serem desenvolvidas. Estão relacionados
crítica, significativa, reflexiva e ética. às competências de Conhecimento, Compreensão, Aplicação, Análise, Síntese e Avaliação
(conhecer, compreender, aplicar, analisar, sintetizar, avaliar):
Vermelho: verbo que explicita os processos cognitivos envolvidos (DOMÍNIO COGNITIVO)
Conhecimento Compreensão Aplicação Análise Síntese Avaliação
Anunciar Debater Aplicar Analisar Combinar Apreciar
Azul: complemento do verbo que explicita o tema/ou objetos de conhecimento mobilizados
Apontar Demonstrar Calcular Calcular Compilar Argumentar
(O QUE...).
Citar Descrever Computar Caracterizar Compor Avaliar

Verde: modificadores do verbo ou do complemento do verbo que explicitam o contexto e Conceituar Derivar Construir Categorizar Comunicar Criticar

uma maior especificação da aprendizagem esperada (PARA ou COMO) Definir Diferenciar Demonstrar Classificar Conjugar Decidir
Enunciar Discutir Desenvolver Comparar Construir Estimar
Construir argumentos com base em informações geográficas. Debater e defender Identificar Estimar Dramatizar Criticar Coordenar Escolher

pontos de vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversi- Indicar Exemplificar Estruturar Contrastar Criar Julgar

dade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza. Inscrever Explicar Empregar Decompor Deduzir Justificar
Lembrar Expressar Esboçar Debater Desenvolver Medir
Vermelho: verbo que explicita os processos cognitivos envolvidos (DOMÍNIO COGNITIVO) Listar Identificar Interpretar Deduzir Documentar Padronizar
Marcar Inferir Inventariar Descobrir Escrever Selecionar
Azul: complemento do verbo que explicita o tema/ou objetos de conhecimento mobilizados
Mostrar Interpretar Ilustrar Destacar Especificar Taxar
(O QUE...) Nomear Localizar Montar Diagramar Esquematizar Validar
Reconhecer Narrar Operar Diferenciar Erigir Valorar
Verde: modificadores do verbo ou do complemento do verbo que explicitam o contexto e
Recordar Prever Praticar Discriminar Formular Valorizar
uma maior especificação da aprendizagem esperada (PARA ou COMO)
Registrar Predizer Redigir Distinguir Organizar
Relacionar Questionar Solucionar Examinar Planejar
Compreender a historicidade no tempo e no espaço. Relacionar acontecimentos e
Relatar Reafirmar Traçar Experimentar Produzir
processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas
Repetir Recordar Usar Investigar Reconstruir
e culturais. Problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.
Reescrever Utilizar Observar

Vermelho: verbo que explicita os processos cognitivos envolvidos (DOMÍNIO COGNITIVO) Refletir Provar
Relatar Separar
Azul: complemento do verbo que explicita o tema/ou objetos de conhecimento mobilizados Reorganizar Subdividir

(O QUE...) Representar Relatar


Reproduzir Reunir
Verde: modificadores do verbo ou do complemento do verbo que explicitam o contexto e Revisar Sintetizar
uma maior especificação da aprendizagem esperada (PARA ou COMO) Traduzir Sumariar
Transcrever
Transformar
150 Manual de Manual de 151
Referência Referência

DOCUMENTO 5 DOCUMENTO 6

CURSO:

CURSO:

Redação das competências técnicas:

Competência Técnica 1:

Competência Técnica 2:

CURSO:
Competência Técnica 3:

Competência Técnica 4:

Competência Técnica 5:
152 Manual de Manual de 153
Referência Referência

DOCUMENTO 7 DOCUMENTO 8

Diretrizes Curriculares Nacionais


para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio
(Resolução CNE/CEB nº 06/2012)

Capítulo II - Princípios Norteadores

Art. 6º São princípios da Educação Profissional Técnica de Nível Médio:

I - Relação e articulação entre a formação desenvolvida no Ensino Médio e a


preparação para o exercício das profissões técnicas, visando à formação integral do
estudante.

II - Respeito aos valores estéticos, políticos e éticos da educação nacional, na


perspectiva do desenvolvimento para a vida social e profissional.

III - Trabalho assumido como princípio educativo, tendo sua integração com a
ciência,a tecnologia e a cultura como base da proposta político-pedagógica e do
desenvolvimento curricular.

IV - Articulação da Educação Básica com a Educação Profissional e Tecnológica,


na perspectiva da integração entre saberes específicos para a produção do
conhecimento e a intervenção social, assumindo a pesquisa como princípio
pedagógico.

V - Indissociabilidade entre educação e prática social, considerando-se a


historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos da aprendizagem.

VI - Indissociabilidade entre teoria e prática no processo de ensino-aprendizagem.

VII - Interdisciplinaridade assegurada no currículo e na prática pedagógica,


visando à superação da fragmentação de conhecimentos e de segmentação da
organização curricular.

VIII - Contextualização, flexibilidade e interdisciplinaridade na utilização de


estratégias educacionais favoráveis à compreensão de significados e à integração
entre a teoria e a vivência da prática profissional, envolvendo as múltiplas dimensões
do eixo tecnológico do curso e das ciências e tecnologias a ele vinculadas.
154 Manual de Manual de 155
Referência Referência

IX - Articulação com o desenvolvimento socioeconômico-ambiental dos DOCUMENTO 9


territórios onde os cursos ocorrem, devendo observar os arranjos socioprodutivos
e suas demandas locais, tanto no meio urbano quanto no campo.

X - Reconhecimento dos sujeitos e suas diversidades, considerando, entre De acordo com Serin (2018)1:
outras, as pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades, as pessoas em regime de acolhimento ou internação e em regime de A aprendizagem centrada no estudante está desafiando a centralidade do professor.
privação de liberdade. Permite que os estudantes construam a própria aprendizagem usando suas
experiências e ações. A pedagogia centrada no estudante é baseada em princípios
XI - Reconhecimento das identidades de gênero e étnico-raciais, assim como construtivistas e democráticos. Faz com que os alunos entendam o que aprendem
dos povos indígenas, quilombolas e populações do campo. em na sala de aula. Os jovens são estimulados a desenvolver seu pensamento
XII - Reconhecimento das diversidades das formas de produção, dos processos reflexivo e crítico e o senso de responsabilidade.
de trabalho e das culturas a eles subjacentes, as quais estabelecem novos A aprendizagem centrada no professor, por outro lado, se apoia fortemente na
paradigmas. teoria behaviorista, baseada na ideia de que mudanças de comportamento são
XIII - Autonomia da instituição educacional na concepção, elaboração, execução, causadas por estímulos externos. Em comparação com a sala de aula centrada
avaliação e revisão do seu projeto político-pedagógico, construído como no aluno, na sala de aula tradicional os alunos são passivos e respondem a
instrumento de trabalho da comunidade escolar, respeitadas a legislação e normas estímulos ambientais. O professor tem a autoridade máxima e está no controle do
educacionais, estas Diretrizes Curriculares Nacionais e outras complementares de aprendizado. Por esse motivo, os alunos não têm oportunidades adequadas para
cada sistema de ensino. desenvolver suas habilidades de pensamento e resolução de problemas.

XIV - Flexibilidade na construção de itinerários formativos diversificados e (tradução livre e grifo dos autores do curso)
atualizados, segundo interesses dos sujeitos e possibilidades das instituições
educacionais, nos termos dos respectivos projetos político-pedagógicos.
Prakash Nair (2014)2 define estes paradigmas como:
XV - Identidade dos perfis profissionais de conclusão de curso, que contemplem
conhecimentos, competências e saberes profissionais requeridos pela natureza do Aprendizagem Centrada nos Estudantes:
trabalho, pelo desenvolvimento tecnológico e pelas demandas sociais, econômicas
e ambientais. A aprendizagem centrada no estudante é uma filosofia da educação que se
concentra no estudante como um participante ativo da aprendizagem. Sob esse
XVI - Fortalecimento do regime de colaboração entre os entes federados, paradigma, todo estudante na escola realiza tarefas e o professor se torna um
incluindo, por exemplo, os arranjos de desenvolvimento da educação, visando facilitador. A expressão aprendizagem centrada no estudante pode ser vista
à melhoria dos indicadores educacionais dos territórios em que os cursos e de forma abrangente. Engloba várias práticas de ensino e aprendizagem
programas de Educação Profissional Técnica de Nível Médio forem realizados. conhecidas, incluindo aprendizagem baseada em projetos, aprendizagem
XVII - Respeito ao princípio constitucional e legal do pluralismo de ideias e de
concepções pedagógicas.
1 SERIN, Hamdi. A comparison of Teacher-Centered and Student-Centered Approachs in
Educational Settings. Disponível em: https://bit.ly/3cFvxkP
2 NAIR, Prakash. Blueprint for Tomorrow: redesign schools for Student-Centered Learning.
Cambridge (Massachusetts): Harvard Education Press, 2014.
156 Manual de Manual de 157
Referência Referência

personalizada e aprendizagem socioemocional. A aprendizagem centrada no Por outro lado, a Encyclopedia of the Sciences of Learning (Enciclopédia das
estudante permite que ele direcione seu aprendizado, maximize o próprio potencial Ciências da Aprendizagem)3, define:
e desenvolva habilidades. Habilidades estas que permitem aplicar conhecimentos
teóricos para resolver problemas da vida real. Aprendizagem centrada no estudante
Esse paradigma de aprendizagem não é uma ideia nova. O movimento de educação A aprendizagem centrada no estudante tem sido definida em circunstâncias nas
progressiva que trouxe a aprendizagem centrada no estudante para as escolas é, quais o indivíduo determina os objetivos e os meios de aprendizagem, ou ambos.
na verdade, uma invenção do final do século XIX. As contribuições de importantes Consequentemente, o indivíduo pode estabelecer objetivos de aprendizagem
teóricos da educação, como John Dewey, Jean Piaget, Lev Vygotsky e Maria com poucos ou nenhum limite externo, como é típico no aprendizado informal
Montessori, influenciaram muito o movimento ao longo do século XX. espontâneo. O indivíduo pode ter acesso apenas a recursos específicos e
definidos para buscar objetivos individuais de aprendizado. Exatamente como
Aprendizagem Centrada no Professor ocorre durante o aprendizado no tempo livre, mesmo em ambientes formais.

Ao longo da história da educação pública, a aprendizagem centrada no professor Nos casos em que os objetivos de aprendizagem são estabelecidos externamente,
tem sido o método dominante empregado pelas escolas. Este modelo pressupõe como na maioria dos ambientes escolares formais, o indivíduo determina como
que, para que os alunos aprendam efetivamente, eles devem ser continuamente eles serão buscados. Em essência, as demandas cognitivas mudam da seleção,
dirigidos por um professor. Essa visão sustenta que o principal objetivo da escola é processamento e codificação mediados externamente, para a antecipação,
ensinar aos alunos uma quantidade predeterminada de material - a maioria contida busca e avaliação da relevância, com base em necessidades individuais e
nos livros didáticos. Quanto mais material os alunos conhecem, mais educados objetivos únicos.
eles são. Os alunos são testados frequentemente para medir até que ponto eles (tradução livre e grifo dos autores do curso)
aprenderam. Parte da premissa de que os alunos começam a escola sabendo
muito pouco – são vasos vazios esperando ser preenchidos. A expectativa é
que as escolas bem-sucedidas, centradas no professor, os encham de informações,
conhecimentos e habilidades no momento em que sua educação é concluída.

Sob esse modelo, o professor é responsável por garantir que todos os alunos
obtenham o mesmo conhecimento fundamental e essencial. Isso independe
de suas diferentes habilidades. As evidências nos mostram que isso é muito
difícil de fazer – principalmente em salas de aula onde há grande diversidade
de competências e aptidões dos alunos. É quase impossível para um adulto
supervisionar constantemente de vinte a trinta alunos, garantindo que cada um
deles receba uma educação personalizada.

(tradução livre e grifos dos autores do curso)

3 HANNAFIN, M. J. Student-Centered Learning. In: Seel N. M. (eds) Encyclopedia of the Sciences

of Learning. Boston (MA): Springer, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1007/978-1-4419-


1428-6_173
158 Manual de Manual de 159
Referência Referência

DOCUMENTO 10 DOCUMENTO 11

Mandala de correlação de competências, habilidades e componentes Mandala de correlação de competências, habilidades e componentes
curriculares técnicos. curriculares das áreas do conhecimento.

Escola: Escola:

Curso: Curso:
160 Manual de Manual de 161
Referência Referência

DOCUMENTO 12 DOCUMENTO 13

Curso:

Competência Habilidade Componente Conceitos Orientações


curricular estruturantes/ pedagógicas/
objetos de estratégias
conhecimento didáticas

Competência nº:
162 Manual de
Referência

DOCUMENTO 14

Como? O quê? Para quem?


Proposta
Parcerias Atividades de valor Relacionamento Segmento
principais principais com clientes de clientes

Recursos Canais
principais

Quanto?
Estrutura de custos Fontes de receita
Este livro foi diagramado em
fonte Itaú text 9,6pt.
Miolo em papel couché
fosco 115g/cm2 e capa em
Duodesign 300 g/m2.

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