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Unidade II

Unidade II
GEOGRAFIA

5 GEOGRAFIA E O ESPAÇO VIVIDO

5.1 O indivíduo como parte integrante da construção do lugar em que vive

O ensino de Geografia deve priorizar o desenvolvimento de noções que os alunos já dominem, sejam
porque trazem conhecimentos acumulados de outras etapas do processo de escolarização, seja porque sua
inserção na escola é precedida por uma vida em sociedade. A criança possui uma cultura própria, relaciona-se
com o trabalho dos familiares e convive em ambientes onde a natureza está sempre presente.

Abordar temas relacionados à família e ao local de moradia torna-se fundamental e pode ajudar o
aluno a compreender e identificar os tipos de paisagens que compõem o seu lugar de vivência.

O professor pode partir de situações concretas com as quais os alunos convivem, como, por exemplo:
a família, onde seus membros trabalham, como se deslocam no dia a dia, suas alternativas de lazer e de
onde eles vieram. Desse modo, é possível desenvolver noções de sociedade, cultura, trabalho, localização
e diferentes tipos de lugares. Pode também, solicitar aos alunos que descrevam, a partir de observações,
alguns fenômenos naturais, como as características do tempo de cada dia, observação do movimento
aparente do Sol etc.

A utilização de fotos, imagens e vídeos para mostrar as diferentes paisagens naturais e modos de
vida em várias partes do mundo, desenvolve no aluno a capacidade de observação e comparação, pois
ao identificar e comparar diversas características naturais, culturais e sociais, ele passa a ser capaz de
entender como o seu próprio espaço é produto da interação desses fatores ao longo da História.

Da mesma forma, o uso da linguagem cartográfica deve sempre estar presente em todos os momentos
do Ensino Fundamental. Ler e interpretar um mapa é tão importante quanto qualquer outro conteúdo.
O trabalho com mapas não pode ser exclusividade dos anos finais e nem seu uso deve ficar restrito ao
Atlas. Os mapas e gráficos estão presentes no nosso dia a dia, sendo importante que o aluno esteja
capacitado para utilizá-los.

Enfim, é importante que o aluno reconheça-se como parte integrante do lugar em que vive, condição
fundamental para ter consciência de seu papel de cidadão. A consciência de como se constrói o lugar
em que se vive amplia a ideia de participação. Assim, entender o porquê da existência ou não de cada
equipamento urbano no lugar em que se vive é desvendar as formas de apropriação e valorização
desse espaço. O lugar ganha uma dimensão para além de sua materialidade; é espaço que circunda
imediatamente o corpo, portanto dotado de representações.
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Com qualquer conteúdo que o professor trabalhe, o aluno deve perceber que as condições materiais
do lugar em que vive são determinadas pelas múltiplas e contraditórias relações que ocorrem no mundo,
e sua participação na construção deste lugar.

5.2 As relações do homem com a natureza e com o espaço

Ao longo da História, o homem sempre produziu ferramentas para facilitar seu trabalho ou para
ajudá-lo a superar suas limitações físicas. Assim o homem, um ser que facilmente seria vencido
pelos elementos da natureza, produziu um enorme número de artefatos que lhe possibilitaram
dominar e transformar o meio natural. Essa atitude de criar instrumentos e aperfeiçoá-los
constantemente torna possível a compreensão do processo civilizatório pelo qual vem passando
desde que surgiu na Terra.

A forma como a criança vai adquirindo noções de espaços decorrem das experiências vivenciadas
a partir de objetos, ações e representações. Os antropólogos culturais sabem muito bem disso e são
capazes de reconstituir a organização de um grupo humano a partir dos objetos que se preservaram
(ALMEIDA e PASSINI, 2002).

Como ciência social, a Geografia tem como objeto de estudo a sociedade que, no entanto,
é objetivada. O estudo da Geografia abrange, hoje, grande complexidade de aspectos: o
desenvolvimento dos meios de comunicação, o crescimento demográfico, a descoberta de novos
meios de explorar a superfície terrestre, a evolução da técnica em geral e a entrada do capitalismo
trouxe profundas transformações na Geografia, no plano da realidade e no plano do saber. A
Geografia começa a ser observada a partir do momento em que se necessita de orientação, com a
ajuda da ciência às expedições que abriram as portas das civilizações, estudando a individualidade
dos lugares, compreendendo o caráter singular de cada porção do planeta. Isso permitiu uma visão
ecológica da diferenciação de áreas por meio da individualização e comparação, propondo uma
perspectiva mais generalizada e explicativa das relações entre o homem e a natureza. O estudo do
espaço só seria aceito se fosse concebido como um ser específico do real, com características e
com uma dinâmica própria, somente depois de demonstrar a afirmação efetuada, visando a uma
maior compreensão e interpretação da realidade.

Os métodos de ensino do qual o professor pode fazer uso, variam desde uma aula em que
a evolução dos acontecimentos represente uma progressão, à uma aula em que os desafios e
enigmas geográficos capacitem o aluno a raciocinar e interpretá-los. Sendo assim, torna-se
necessário o uso de métodos pedagógicos modernos que estimulem a criatividade e a capacidade
dos alunos e facilite, de certa forma, o conhecimento da Geografia, principalmente no cotidiano,
estimulando-os quanto à necessidade de repensar o passado da disciplina que ele possa aprender
por compreensão.

[...] e o professor dotado de uma sensibilidade para tais mudanças, demonstre


competência para geri-las e potencialize a compreensão dos alunos
através dos meios mais modernos de educação que se tornam necessários
(CAVALCANTI, 2002, p. 12).
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Na origem da Geografia, o homem e a natureza são os seus conteúdos


basilares e a paisagem surge como categoria geográfica que traduzirá a
natureza. Fisionomia da vegetação, estudo da vegetação, noção de meio
natural, conceito de região natural, são algumas noções trabalhadas pela
Geografia para compreender a natureza. Evidentemente que estas noções
compõem o que se denomina de Geografia Clássica ou Tradicional e que
desde então muito já se repensou sobre as noções apontadas (ALBORNOZ,
1992, p. 11).

Todavia, elas ilustram muito bem como se dá a apreensão da natureza pela Geografia. Isto não
acontece unicamente na Geografia, ela não será uma exceção, mas corresponde ao processo de
constituição das ciências e da sua divisão: ciências da natureza e ciências humanas.

Se tomarmos como princípio geral a ideia descrita anteriormente para pensarmos a Geografia, a
velha dicotomia Geografia Física x Geografia Humana não teria sentido.

Algumas categorias geográficas, como espaço, lugar e paisagem, não permitem a dualidade, a
separação. A respeito da atribuição do que seria o conhecimento de uma e de outra parcela da Geografia,
trazemos a contribuição dada por Dirce Suertegaray (2000) em texto publicado no livro Geografia e
educação: geração de ambiências (apud RÊGO; SUERTEGARAY e HYDRICH, 2000). A autora, ao refletir
sobre a questão o que ensinar em Geografia (Física), formulada por um acadêmico de Geografia, diz ter
respondido àquela indagação com as seguintes palavras: “tudo o que for possível ensinar no contexto
espaço-temporal da disciplina sob a nossa responsabilidade” (2000, p. 98), e chama atenção para o fato
de que: “o significativo nesta pergunta é mais do que o conteúdo em si, a questão metodológica, ou
seja, como ensinar no contexto da Geografia os conteúdos referentes à compreensão da natureza, nesta
ciência, reconhecidos como Geografia Física”.

Neste mesmo texto, Suertegaray propõe alguns estudos que partam da concepção de lugar como
espaço próximo, espaço vivido e como espaço de expressão de relações horizontais (relações da
comunidade com seu meio) e espaço de relações verticais (relações sociais mais amplas determinando
em parte a especificidade dos lugares) (2000, p. 99).

Concordamos com a autora e acrescentamos que o problema da dualidade está no método e na


epistemologia, portanto, na teoria do conhecimento e na metodologia. Desta forma, natureza, sociedade
e trabalho são inerentes à Geografia. Como bem explicou Milton Santos em A natureza do espaço:
técnica e tempo, razão e emoção:

[...] é por demais sabido que a principal forma de relação entre o homem
e a natureza, ou melhor, entre o homem e o meio, é dada pela técnica. As
técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o
homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço (2004, p.
25).

Se técnica é trabalho, a relação natureza/sociedade/trabalho produz o espaço.


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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Com as várias facetas da educação, tornou-se imprescindível o uso de instrumentos que se figurem
num aprendizado mais significativo e direcionado para a realidade. Sendo assim, os desafios e a
tecnologia vêm muito a contribuir para este avanço no estudo geográfico, e os professores dotados
desta visão pedagógica contribuirão para o avanço no seu crescimento profissional.

5.3 Cartografia na escola

Entre as linguagens gráficas encontram-se o desenho e o mapa. O primeiro (desenho) consiste em


uma das manifestações mais antigas da humanidade, presente na cultura de praticamente todos os
povos. Aparece espontaneamente nas atividades das crianças, desde bem pequenas. O segundo (mapa)
resulta de séculos de acumulação de conhecimentos e do desenvolvimento de técnicas cartográficas,
o que exige um longo aprendizado para que se possa ler e entender os mapas. No entanto, quando
pensamos em ambos como linguagens, podemos estabelecer um paralelo interessante entre eles.

A respeito da representação do espaço no desenho infantil, Luquet (1969) considerou as produções


gráficas das crianças tomando como referência o desenho do adulto, daí a interpretação dada por
ele repousar na noção de realismo. Apesar de não aceitarem esse ponto de vista, estudos posteriores,
principalmente em Psicologia, continuaram a usar a terminologia de Luquet, o que lhes deu uma visão
marcadamente evolutiva. A influência desses estudos no ensino pode levar os professores a verem,
de modo inadequado, os desenhos das crianças como produções a serem melhoradas, ou até como
incorretas.

Para as crianças, desenhar é brincar. “A criança desenha para se divertir”, disse Luquet. Os primeiros
desenhos são feitos pelo prazer de riscar, de explorar as possibilidades do material (lápis de cor, giz de
cera, caneta hidrográfica), para produzir efeitos interessantes no papel. É uma atividade lúdica, na qual
os rabiscos não têm um significado determinado (CHAUÍ, 1995).

O espaço geográfico é aquele que foi modificado pelo homem ao longo da História, que contém
um passado histórico e foi transformado pela organização social, técnica e econômica daqueles que
habitaram ou habitam os diferentes lugares. O espaço geográfico é o palco das realizações humanas
(ALVES, 2005).

Um conceito bastante presente na Geografia em geral, o espaço geográfico apresenta definição


bastante complexa e abrangente. Outros conceitos também relacionados ao espaço geográfico, ou
antes, que estão contidos nele são: lugar, que é um conceito ligado a um local que nos é familiar ou que
faz parte de nossa vida; e paisagem, que é a porção do espaço que nossa visão alcança e é produto da
percepção.

O espaço geográfico

Por Caroline Faria

A primeira definição de espaço foi feita pelo filósofo Aristóteles e para ele tal conceito
representava a inexistência do vazio e lugar seria a posição de um corpo entre outros corpos.
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Aristóteles ignorava o homem como constituinte do espaço, contudo, ele já considerava um


aspecto importante da estrutura do espaço geográfico: a localização.

Mais adiante, no século XVIII, Immanuel Kant define o espaço como sendo algo não
passível de percepção, porém, o que permite haver a percepção. Ou seja, Kant introduziu
a ideia de que o espaço é algo separado dos demais elementos espaciais. Entretanto, suas
ideias não permitem concebê-lo como algo constituído de significado ou estrutura própria.

Mais tarde, outros filósofos inserem o homem como um componente essencial para a
compreensão do espaço, como ser que cria e modifica espaços de acordo com suas culturas
e objetivos. Por último, seguiu-se a concepção filosófica de espaço proposta por Maurice
Merleau-Ponty: o espaço não é o meio (real ou lógico) onde se dispõe as coisas, mas o meio
pelo qual a posição das coisas se torna possível. Todas estas são concepções filosóficas do
espaço que, entretanto, diferem um pouco da concepção geográfica.

A concepção geográfica de espaço que predominou de 1870 a meados de 1950, embora


ele ainda não fosse considerado como objeto de estudo, foi a introduzida por Ratzel e
Hartshorne para os quais a concepção de “espaço vital” se confundia com a de território
na medida em que era atrelado a ele uma relação de poder. Hatshorne usa o conceito de
Kant, ou seja, para ele o espaço em si não existe, o que existe são os fenômenos que se
materializam neste referencial. Aqui, espaço e tempo são desprezados.

A partir de 1950 o espaço passa a ser associado à noção de “planície isotrópica” (superfície
plana com as mesmas propriedades físicas em todas as direções, homogênea) sob a ação de
mecanismos unicamente econômicos (uso da terra, relações centro – periferia etc.).

Em 1970 surge uma nova concepção atrelada à Geografia crítica, que tem como base os
pensamentos marxistas e para a qual o espaço é definido como o locus da reprodução das
relações sociais de produção. Nesta concepção, espaço e sociedade estão intimamente ligados.

Mais tarde surge uma nova concepção epistemológica para Geografia que passa a
encarar o espaço como fenômeno materializado. Ou, nas palavras de Alves (2005), o
espaço é produto das relações entre homens e dos homens com a natureza, e ao mesmo
tempo é fator que interfere nas mesmas relações que o constituíram. O espaço é, então, a
materialização das relações existentes entre os homens na sociedade.

Fonte: FARIA, 2009. Disponível em: <http://www.infoescola.com/Geografia/espaco-geografico/>. Acesso em: 22


out. 2012.

6 ENSINANDO GEOGRAFIA

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), o ensino e a aprendizagem de Geografia


envolvem as relações entre o processo histórico que regula a formação das sociedades humanas e o
funcionamento da natureza, por meio da leitura do espaço geográfico e da paisagem.
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

A divisão da Geografia em campos de conhecimento da sociedade e da natureza tem propiciado


um aprofundamento temático de seus objetos de estudo. Essa divisão é necessária, como um recurso
didático, para distinguir os elementos sociais ou naturais, mas é artificial, na medida em que o objetivo
da Geografia é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza e como ocorre a
apropriação desta por aquela.

Na busca dessa abordagem relacional, a Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais
e temporais, bem como com os fenômenos sociais, culturais e naturais que são característicos de cada
paisagem, para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. Identificar e
relacionar aquilo que na paisagem representa as heranças das sucessivas relações no tempo entre a
sociedade e a natureza é um de seus objetivos.

No que se refere ao Ensino Fundamental, é importante considerar quais são as categorias da Geografia
mais adequadas para os alunos em relação à sua faixa etária, ao momento da escolaridade em que se
encontram e às capacidades que se espera que eles desenvolvam. Embora o espaço geográfico deva ser
o objeto central de estudo, as categorias paisagem, território e lugar devem também ser abordadas,
principalmente nos ciclos iniciais, quando se mostram mais acessíveis aos alunos, tendo em vista suas
características cognitivas e afetivas.

Lembrete

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), o ensino e a


aprendizagem de Geografia envolvem as relações entre o processo histórico
que regula a formação das sociedades humanas e o funcionamento da
natureza, por meio da leitura do espaço geográfico e da paisagem.

6.1 Por que ensinar Geografia

Uma das razões de se ensinar Geografia na atualidade, justifica-se pela possibilidade de ampliação
das capacidades dos alunos para apreenderem a realidade, sob o ponto de vista da espacialidade
complexa.

As primeiras noções de espacialidade, desenvolvidas desde as séries iniciais do Ensino Fundamental,


estiveram relacionadas às formas e arranjos espaciais. Ampliando e aprofundando esse significado, a
espacialidade é também constituída pela complexa teia de relações presentes no espaço geográfico,
orientando a distribuição e a localização dos fenômenos urbanos e rurais, bem como os processos
socioespaciais que os conformam.

Vivemos, atualmente, uma espacialidade complexa configurada pelo processo de mundialização da


sociedade, o que dificulta aos cidadãos a compreensão do seu espaço de modo crítico, fazendo com
que ele se conduza apenas por suas práticas espaciais diárias. No entanto, novas representações são
possíveis com o desenvolvimento de outras dimensões importantes da formação humana, aliadas às
capacidades de apreensão da realidade do ponto de vista da espacialidade. É preciso, pois, buscar o
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desenvolvimento dessas alternativas concretas para que se compreenda o papel do espaço nas práticas
sociais e o papel das práticas sociais na configuração do espaço geográfico.

Mas como encontrar essas alternativas concretas? Veja o exemplo seguinte.

Imagine uma pessoa que vive na miséria e que pode estar cercada de bens que são essenciais para
seu sustento, conforto e segurança pessoal, mas que não possui conhecimentos para explorar esses
recursos, apreciar a beleza que está ao redor, a alegria que existe no viver, a maravilha do alimento e
no poder da água de matar sua sede. Há muitas pessoas que possuem tão poucos conhecimentos que
mal conseguem fazer uma leitura de seu lugar e do momento em que vivem. Faltam-lhe meios para
compreender o espaço e para perceber o seu tempo.

Essa é a principal razão pela qual se deve ensinar Geografia. Por ser uma ciência de paisagens e por
despertar a visão interligada entre o homem e seu mundo, a Geografia é um poderoso instrumento
para que possamos nos conhecer e nos compreender melhor, perceber toda a dimensão do espaço e do
tempo, onde estamos e para onde caminhamos, descobrir as populações e suas múltiplas relações com
o ambiente.

Ensina-se Geografia para que os alunos possam construir e desenvolver uma compreensão de espaço
e do tempo, fazer uma leitura coerente do mundo e dos intercâmbios que o sustentam, apropriando-se
de conhecimentos específicos e usando-os como verdadeira ferramenta para seu crescimento pessoal e
para suas relações com os outros.

Não existem pessoas que possam sobreviver sem nenhum conhecimento, pois mesmo as que nunca
puderam aprender Geografia, pela experiência, sabem coisas de seu lugar e de seu tempo, de outros lugares
e de outras gentes. Com o que possuem, fazem uma precária leitura do mundo, que com a Geografia que
ensinamos, torna-se bem mais fácil. Assim, noções de Geografia envolvem o sentido que se tem do lugar e do
espaço e a materialização das muitas relações próximas ou distantes (DAMIANI, 1999).

Mas para que o professor possa realmente ajudar seus alunos a aprenderem Geografia é essencial
que ele domine o uso de “ferramentas” que ajudem o aluno a desenvolver competências e dominar suas
habilidades.

6.2 Particularidades da Geografia

Parece uma redundância, mas a História do pensamento geográfico começa na Idade Antiga, na
Grécia, sendo os gregos reconhecidos como seus primeiros exploradores, e a Geografia entendida como
ciência que à época se confundia com a Filosofia. Vários estudiosos concordam em considerar como
iniciadores dos conhecimentos geográficos: Tales de Mileto, Heródoto, Eratóstenes, Hiparco, Aristóteles,
Estrabão e Ptolomeu.

Na continuidade histórica, ainda na Idade Antiga, vamos encontrar os romanos que deram sua
contribuição, sobretudo na cartografia, com o périplo, documento que descrevia os portos e as escalas
que os viajantes dos mares poderiam encontrar em suas viagens.
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

A Idade Média destaca os trabalhos de aprofundamento do legado dos gregos e romanos por Edrisi,
Ibn Battuta e Ibn Khaldun.

A Idade Moderna contou com a expansão dos conhecimentos geográficos com as viagens de Marco
Polo, que, além disso, despertou o interesse da sociedade europeia pelas viagens e explorações marítimas.

No período do Renascimento, começam a surgir escritos teóricos com informações e detalhamentos


mais precisos sobre a Terra. Destacam-se as obras: Geographia Generalis, de Bernardo Varenius e o mapa
do mundo de Gerardo Mercator, entendido por muitos como o maior geógrafo de todos os tempos. Seu
legado tem grande significado até hoje, pois ao usarmos um mapa, um atlas ou um GPS (Sistema de
Posicionamento Global), estamos nos beneficiando dos estudos de Mercator.

Alexander Von Humboldt (1769–1859), foi um cientista considerado o pai da Geografia Moderna.
Após concluir seus estudos, participou de várias expedições pela Europa para investigação de campo. Foi
assim que conheceu a Ásia e a América Latina. Grande parte da herança recebida de sua família rica foi
gasta em suas viagens de exploração e publicação de suas obras. Como resultado de seus estudos, foi o
primeiro a empregar isotermas (para a física: no espaço caracterizado por variáveis termodinâmicas, tais
como a pressão, a temperatura e o volume, linha sobre a qual a temperatura se mantém constante) para
representar as temperaturas e o magnetismo nas diferentes regiões do planeta. Por todos estes feitos,
foi considerado um dos maiores cientistas da Idade Moderna.

A Idade Contemporânea, sobretudo a partir de 1870, registra um acréscimo volumoso de informações


geográficas ao que já existia na Geografia, que aos poucos vai sendo entendida em seu conteúdo
acadêmico, passando a integrar os currículos universitários.

De lá até os nossos dias, ou seja, nos dois últimos séculos, o crescimento do volume de conhecimentos
geográficos científicos também é resultado do surgimento de instrumentos de precisão, o que tem
sido fundamental para o cruzamento de dados interdisciplinares no campo da Geografia, da Geologia
e da Botânica.

Outro cientista considerado por muitos o fundador da Moderna Geografia Humana foi Friedrich
Ratzel (1844–1904), geógrafo e etnógrafo alemão, responsável também pela constituição de mais uma
dimensão da Geografia, a Geografia Política.

Durante os séculos XIX e XX, a Geografia como área do conhecimento apresenta diferentes visões e
passa por várias fases importantes para a humanidade.

6.3 A Geografia e suas diferentes visões

À época do determinismo geográfico, a Geografia explicava que as forças ambientais (frio,


calor, umidade excessiva, extrema aridez) atuavam sobre as pessoas, definindo suas características.
São representantes dessa Geografia os estudiosos Carl Ritter, Ellen Churchill Semple e Ellsworth
Huntington.

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Na prática, o determinismo geográfico era evidente na linguagem e no conhecimento do senso


comum, por meio das frases: “quem habita os trópicos é preguiçoso, não gosta de trabalhar, é ‘molenga’;
os que vivem nos países onde o frio é intenso são mais espertos e inteligentes”. Por volta de 1930, esta
tendência foi sendo repudiada, uma vez que seus pressupostos não tinham suporte teórico que os
sustentasse.

Surge, então, a tendência denominada Geografia Regional. Agora, dizia-se que o campo próprio de
trabalho da Geografia eram o espaço e os lugares geográficos. Os seguidores dessa tendência dedicaram-
se à pesquisa e ao estudo das características dos lugares, bem como se preocuparam com a escolha de
procedimentos sistematizados (métodos) para a divisão da terra em regiões definidas pelas semelhanças
de vegetação, clima etc. Seus pressupostos teóricos foram levantados, dentre outros, por Vidal de La
Blache e Richard Hartshorne. Cada um deles, por sua vez, também tinha as próprias explicações: o
primeiro explicava que os estilos de vida humana é que definiam os diferentes perfis da Geografia;
para o segundo, a Geografia se definia pela continuidade e descontinuidade de elementos geográficos
(vegetação, clima, terra) de cada área.

Na década de 1950, a História registra uma grande realização: o homem chega à Lua, como resultado
de muitos anos de dedicação científica e tecnológica. Logo após o lançamento do Sputnik, a Revolução
Quantitativa caracteriza-se pelo esforço de a Geografia se redefinir como ciência. Seus seguidores,
chamados de revolucionários quantitativos ou os “cadetes espaciais”, eram adeptos do positivismo das
ciências naturais. Afirmavam que o fim último da Geografia era testar as regras gerais que até então
definiam as várias regiões do globo terrestre. Para provar suas hipóteses, usavam o mesmo método das
demais ciências: o estatístico. Desde então, o espaço geográfico foi matematizado e representado pelos
índices de frequência (%) e, logo em seguida, conforme o desenvolvimento da tecnologia, também foi
informatizado.

Como acontece com toda teoria, há os que a aceitam e os que a consideram imprópria para
explicar os fatos. Assim, em reação ao positivismo da última escola, forma-se a corrente intitulada
Geografia Crítica ou Radical que, em seu início, foi representada pela dimensão humanista, surgindo
assim a Geografia Humana, que contou com várias versões. Dentre elas, há que se destacar a
Geografia Marxista, originada pela explicação dos princípios de Karl Marx. Nessa linha, ganharam
destaque os cientistas sociais David Harvey e Richard Peet. Ainda atuante como fonte explicativa
dos fenômenos geográficos, a Geografia Radical ganha uma nova versão: trata-se da versão pós-
modernista que explica a ação das relações sociais e espaciais pelas ideias do pós-modernismo e
das teorias pós-estruturalistas.

No Brasil, Milton Santos e Aziz Ab’Saber destacam-se como representantes da Geografia Crítica.
Milton Santos, ainda hoje, mesmo após seu falecimento (2001), é considerado por muitos o pai da
Geografia Crítica. Escreveu textos e livros sobre a Geografia como ciência social, acusando a sociedade
capitalista pelo estudo do espaço sob a mira do capitalismo ou da economia neoliberal. Também
cabe ressaltar os estudos importantes do professor Jurandyr Ross, cujo trabalho foi o de mapear
detalhadamente o relevo do solo brasileiro.

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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Observação

Milton Santos é considerado por muitos o pai da Geografia Crítica.


Escreveu textos e livros sobre a Geografia como ciência social, acusando a
sociedade capitalista pelo estudo do espaço sob a mira do capitalismo ou
da economia neoliberal.

Para saber mais sobre a vida e a obra do grande geógrafo Milton


Santos, acesse: <http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Educacao/
MiltonSantos.htm>.

6.3.1 Linha do tempo da Geografia no contexto educacional brasileiro

1837 - O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, é a primeira escola brasileira a incluir Geografia
nas disciplinas obrigatórias. A intenção é criar uma elite nacional capaz de ocupar quadros políticos e
administrativos.

1900 - A área ganha espaço nas escolas de todo o país. Acredita-se que, conhecendo as
características físicas do local, o sentimento de nacionalismo e patriotismo será despertado nos
estudantes.

1905 - O livro Compêndio de Geografia Elementar, de Manuel Said Ali Ida (1861-1953), propõe o
estudo do Brasil por regiões, abrindo espaço para melhor conhecer o território nacional.

1934 - O departamento e o curso superior de Geografia são criados na Universidade de São Paulo.
A maioria dos professores era da escola francesa e defendia a abordagem tradicional.

1966 - O livro Geografia do Subdesenvolvimento, de Yves Lacoste, é lançado no Brasil. Com a


publicação, as teorias da Geografia crítica começam a ecoar em todo o país.

1971 - Durante o período militar, Geografia e História são aglutinadas na disciplina Estudos Sociais.
O governo acredita que o conhecimento dessas áreas é uma ameaça à hegemonia nacional.

1978 - Milton Santos (1926-2001), considerado o maior geógrafo do Brasil, publica o livro Por uma
Geografia nova, no qual preconiza a importância do estudo das questões sociais.

1990 - Com a pesquisa que mostrou a deficiente formação dos estudantes americanos, se inicia um
debate sobre o papel da disciplina no século XXI e os reais objetivos de aprendizagem.

1993 - Inaugurado o Núcleo de Pesquisa sobre Espaço e Cultura da Universidade Estadual do


Rio de Janeiro, que divulga estudos e pesquisas realizados de acordo com essa abordagem.

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1998 - A publicação dos PCNs lista os objetivos da disciplina. Os alunos precisam compreender as
relações entre a formação da sociedade e o funcionamento da natureza com base na paisagem.

6.4 Objetivos gerais do ensino de Geografia

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, o ensino de Geografia para todos os anos do Ensino
Fundamental possui objetivos que visam permitir a cada aluno, dentro de seu limite e respeitando seu
nível de compreensão, que sejam capazes de:

• conhecer a organização do espaço geográfico e o funcionamento da natureza em suas múltiplas


relações, de modo a compreender o papel das sociedades em sua construção e na produção do
território, da paisagem e do lugar;
• identificar e avaliar as ações dos homens em sociedade e suas consequências em diferentes
espaços e tempos, de modo a construir referenciais que possibilitem uma participação propositiva
e reativa nas questões sócio ambientais locais;
• compreender a espacialidade e temporalidade dos fenômenos geográficos estudados em suas
dinâmicas e interações;
• compreender que as melhorias nas condições de vida, os direitos políticos, os avanços técnicos
e tecnológicos e as transformações socioculturais são conquistas decorrentes de conflitos e
acordos, que ainda não são usufruídas por todos os seres humanos e, dentro de suas possibilidades,
empenhar-se em democratizá-las;
• conhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para compreender o espaço,
a paisagem, o território e o lugar, seus processos de construção, identificando suas relações,
problemas e contradições;
• fazer leituras de imagens, de dados e de documentos de diferentes fontes de informação, de
modo a interpretar, analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes
paisagens;
• saber utilizar a linguagem cartográfica para obter informações e representar a espacialidade dos
fenômenos geográficos;
• valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a sócio diversidade, reconhecendo-a como um
direito dos povos e indivíduos e um elemento de fortalecimento da democracia.

6.5 Os conteúdos no ensino de Geografia

Escola e professores devem ter consciência do ponto de partida para o ensino de Geografia: o que o
aluno já sabe. Contudo, somente precisamos olhar para o espaço ao redor? O espaço em que habitamos
e de onde viemos poderá estar ligado ao território de outros povos? Precisamos conhecer outros lugares,
outras paisagens e estabelecer outras relações que não somente as da nossa origem?

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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Para responder a esses questionamentos, consultamos os Parâmetros Curriculares Nacionais.


Conforme os PCN de Geografia e História (1997, p. 5):

Embora o espaço geográfico deva ser objeto central de estudo, as categorias


paisagem, território e lugar devem também ser abordadas, principalmente
nos ciclos iniciais, quando se mostram mais acessíveis aos alunos, tendo em
vista suas características cognitivas e afetivas. Portanto, devemos começar o
ensino dessa disciplina a partir do que está mais próximo e seguir na direção
do que está mais distante, porém com significado: o aluno cidadão tem
direito ao conhecimento, sobretudo se pensarmos que, para muitos, a escola
é a única fonte de estímulo ao saber.

Ao falarmos da paisagem local próxima ao aluno como conteúdo geográfico, citamos novamente os
PCN de Geografia e História (ibidem, p. 6):

[...] dela fazem parte seu relevo, a orientação dos rios e córregos da
região, sobre os quais se implantaram suas vias expressas, o conjunto de
construções humanas, a distribuição da população que nela vive, o registro
das tensões, sucessos e fracassos da história dos indivíduos e grupos que
nela se encontram. É nela que estão expressas as marcas da história de uma
sociedade, fazendo, assim, da paisagem uma soma de tempos desiguais,
uma combinação de espaços geográficos.

Enquanto os PCN nos instruem sobre as categorias de análise, surgem os conteúdos a serem
trabalhados no Ensino Fundamental, muitas vezes explorados pela mídia, que também ajuda na postura
a ser adotada diante da realidade, mas confunde o real com o imaginário. Por isso, é recomendável que
se recorra aos conhecimentos científicos como suporte às reflexões pertinentes ao espaço geográfico e
ao referido lugar, senão corremos o risco de nos desviarmos do real.

Segundo Kozel e Filizola (2010), Coll e Teberosky (2008) e os PCN de Geografia (1997), alguns temas
devem ser desenvolvidos no Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano, variando em grau de complexidade
pela ampliação em profundidade e em extensão e que compreendam:

• a Geografia da vida cotidiana;


• a vida na cidade e no campo;
• a cidade inserida no Estado;
• a organização do espaço pelo trabalho;
• a vida nos diferentes espaços da sociedade;
• o conhecimento do planeta;
• a relação entre tecnologia e os espaços geográficos.

67
Unidade II

Assim, conforme a Declaração Internacional sobre Educação Geográfica, firmada pela Comissão de
Educação Geográfica da UGI 6, em 1992, em Washington, e ratificada em 2000, na reunião realizada em
Seul, na Coreia do Sul:

• a Geografia como campo de estudos é essencial para a compreensão de nosso lugar no mundo e
de como as pessoas interagem com as demais em seu entorno;
• a investigação e educação geográficas promovem e ampliam a compreensão cultural, a interação,
a igualdade e a justiça em escala local, regional e global;
• todos os estudantes têm direito à oportunidade de desenvolver seus valores sociais, culturais e
ambientais por meio da educação geográfica que promoverá seu desenvolvimento como pessoas
geograficamente informadas;
• os geógrafos profissionais e educadores geográficos [devem] promover a educação geográfica
global para fazer frente aos futuros desafios do desenvolvimento e o entorno natural.

Para que o ensino de Geografia na escola atinja tais propósitos, é preciso que se tenha muita
clareza quanto aos pressupostos e objetivos da visão científica dessa área de conhecimento, dos
conteúdos da dimensão pedagógica e democrática do cotidiano escolar e do compromisso dos
profissionais envolvidos.

A Geografia tratada dessa maneira difere muito da de tempos atrás, quando os alunos eram
obrigados a decorar os nomes dos acidentes geográficos e registrar esses mesmos acidentes no mapa,
além de decorar as lições do livro didático e ouvir longas explanações do professor, sem direito a ter
dúvidas.

Para a seleção dos conteúdos conforme os PCN de Geografia e de História (1997, p. 13), por meio
do estudo dessa disciplina, os alunos podem construir atitudes, procedimentos e valores significativos
para a vida em sociedade. Os conteúdos a serem tratados durante as aulas devem possibilitar o pleno
desenvolvimento e a construção de uma identificação com o lugar onde vive e, “em sentido mais
abrangente, com a nação brasileira, valorizando os aspectos socioambientais que caracterizam seu
patrimônio cultural e ambiental”. Além disso, devem possibilitar desenvolver e aprimorar a tomada de
consciência sobre o território nacional que é composto de muitas e diferentes culturas. Essas culturas
dão perfil aos grupos sociais, povos e etnias que habitam a sociedade brasileira.

Portanto, um dos critérios a serem usados para a seleção dos conteúdos é a preservação da diversidade
nacional. Somos todos diferentes, porém iguais quanto à natureza e aos direitos, constituímos a tessitura
do que chamamos identidade brasileira.

Há ainda que se levar em conta o desenvolvimento cognitivo da clientela em relação ao tempo e


ao espaço, para que as atividades propostas pelo professor deem bons resultados nas interações sociais
e nas aprendizagens. Uma pesquisa poderá ser proposta como estratégia de estudo e ser abordada do
ponto de vista das interfaces com as demais disciplinas do Ensino Fundamental, mas, para isso, caberá
ao professor conhecer como estão os recursos cognitivos do aluno.
68
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Ao mesmo tempo, para que uma pesquisa seja desenvolvida com sucesso, há que se contar com
alunos alfabetizados, senão as trocas simbólicas não acontecerão e a busca de informação será muito
limitada, ocasionando empobrecimento no resultado final.

Nunca podemos esquecer de que, para muitos alunos, a escola é a única possibilidade de interação
com o conhecimento, portanto há que se levar em conta as possibilidades formadoras desse ambiente
no que diz respeito à construção de habilidades necessárias que muitas vezes parecem não lhes ser
atraentes, mas que constituem o acesso aos bens socioculturais e à prática da cidadania.

Desta forma, nos primeiros anos de escolaridade, o estudo da Geografia deve voltar-se sobretudo
para os temas relativos à presença e ao papel da natureza e sua relação com a ação das pessoas e
dos grupos sociais e, de forma geral, da sociedade na construção do espaço geográfico. Para tanto, o
conhecimento que o aluno traz de casa é a referência para a organização do trabalho do professor.

Citando mais uma vez os PCN de Geografia e História (1997, p. 17):

O estudo das manifestações da natureza em suas múltiplas formas,


presentes na paisagem local, é ponto de partida para uma compreensão
mais ampla das relações entre sociedade e natureza. É possível analisar
as transformações que esta sofre por causa de atividades econômicas,
hábitos culturais ou questões políticas, expressas de diferentes maneiras
no próprio meio em que os alunos estão inseridos. Por exemplo, através
da arquitetura, da distribuição da população, dos hábitos alimentares,
da divisão e constituição do trabalho, das formas de lazer e inclusive
através de suas próprias características biofísicas pode-se observar
a presença da natureza e sua relação com a vida dos homens em
sociedade. Do mesmo modo, é possível também compreender por que
a natureza favorece o desenvolvimento de determinadas atividades e
não de outras e, assim, conhecer as influências que uma exerce sobre
a outra, reciprocamente. II

Não são apenas os impulsos subjetivos ou coletivos que definem as formas de ocupação dos espaços
geográficos. Também há de se levar em conta as atividades econômicas, as questões políticas, os
costumes que emergem da sociedade onde o aluno está inserido. Por outro lado, é preciso entender as
características dos espaços, que muitas vezes podem impossibilitar determinadas ações transformadoras,
o que contribui para a diferenciação entre os espaços geográficos.

Ao estudo da Geografia cabe também o destaque às diferenças entre a cidade e a zona rural,
enfatizando as questões socioculturais e a própria diversidade ambiental. Aqui, cabe destacar a
importância do papel do trabalho, das tecnologias, da sistemática da informação e da comunicação,
bem como dos meios de transporte existentes na região em destaque.

Uma metodologia adequada a esses estudos poderá chamar a atenção sobre o processo histórico
e as forças políticas que definiram as categorias (cidade e zona rural) tornando-as tão diferentes. As
69
Unidade II

fotografias ou cenas da vida que caracterizam o antes e o depois são significativas como recursos
metodológicos.

Atualmente, não só o trabalho produz mudanças nos estilos de vida e ritmos da cidade e do campo,
a tecnologia também influi nas suas formas de relacionamento e na sua organização. Uma vez esses
temas sendo selecionados, é interessante que se destaque como se relacionam com a vida cotidiana,
qual seu papel no conforto e desconforto que trazem, os benefícios e malefícios que proporcionam. É
possível comparar técnicas e tecnologias antigas e modernas, como o arado e o trator, a colheita manual
e a mecanizada e avaliar o que é melhor para as pessoas e seu meio ambiente. Os mesmos temas podem
analisar a distribuição da tecnologia na paisagem urbana e na rural levantando-se várias questões sobre
as pessoas que têm acesso a elas, como são distribuídos o lazer, as escolas, os produtos de consumo;
como são atendidas as preferências das pessoas, qual a sistemática de distribuição de remédios para a
população carente de um e outro lugar.

Muitos outros questionamentos podem ser feitos. O que importa é que, na seleção dos conteúdos,
os critérios de sua escolha impliquem atividades significativas e conhecimentos transformadores aos
alunos. E para que essas atividades sejam significativas é necessário disponibilizar meios e ferramentas
para que os alunos possam buscar respostas.

Mas quais são essas ferramentas da Geografia?

O fato geográfico

Segundo o geógrafo Milton Santos (2004), o espaço geográfico é a configuração territorial dos
objetos geográficos e seu conteúdo social, a vida que lhes dá sentido e os anima. Veja o exemplo
seguinte.

Um vulcão se torna “fato geográfico” quando se localiza o lugar onde se encontra, quando são
examinadas suas características e origem e se percebe ação e riscos sociais. Quando se examina a
lava que expeliu e que, tempos depois, transformou-se em solo, justificando a ocupação humana e a
atividade agrícola, exigindo estradas e tornando viável o comércio dos produtos cultivados e de outros
tantos necessários a esses agricultores. Nesse caso, o vulcão é o “objeto geográfico” e é a análise de seu
“conteúdo social” que lhe dá sentido e o anima.

Não existe um fato geográfico em um único fenômeno, seja esse acidente, um planalto ou uma
cidade, mas na análise cuidadosa desse fenômeno com seu entorno e suas muitas relações com as
pessoas.

O texto e a carta geográfica

A linguagem, em seu sentido mais amplo, é um dos elementos essenciais à vida moderna e às ciências.

Muito mais que um meio de comunicação entre pessoas, expressa o que se entende por
“conhecimento”, pois a linguagem encarna as significações. Quando uma pessoa fala com você, ela
70
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

não fala qualquer palavra, mas fala de coisas que possuem significados. Para quem fala, a palavra
traduz um pensamento e, para quem escuta, a palavra que chega é o próprio conhecimento que
se conquista. A linguagem não existe sem pensamentos, sem nada e, por esse motivo, é muito
importante conhecer quais são as “linguagens” da Geografia, pois é através delas que se expressam
os conhecimentos geográficos. Justamente por esse motivo, quem ensina Geografia deve estar muito
atento a duas de suas mais importantes linguagens: o texto geográfico e a representação geográfica,
isto é, a cartografia.

Os mapas nos permitem ter domínio espacial e fazer síntese dos fenômenos que ocorram em um
determinado espaço e, por isso, representam outra linguagem imprescindível à Geografia, pois aprender
“geograficamente” o texto é tão importante quando “aprender cartograficamente” um mapa e, nesse
sentido, um essencial papel do professor é “alfabetizar cartograficamente” seus alunos.

A alfabetização cartográfica

O primeiro passo de um aluno em sua alfabetização cartográfica é aprender a ver um mapa ou carta
geográfica, diferenciando a ação do verbo ver com a ação do olhar. Olhar não é algo que se aprende,
pois, se temos olhos e eles funcionam, sua função é olhar, algo tão simples quanto o respirar. Mas ver
é olhar com interesse, atenção, concentrando-se nessa tarefa para perceber coisas que o rápido olhar
jamais percebe.

Não é necessário aprendermos a olhar, mas é importante que aprendamos a ver, ação essencial para
quem pratica a alfabetização cartográfica. Todo aluno tem necessidade de ir se acostumando com as
diferenças entre a linguagem escrita e a linguagem visual.

Mas o que se deve ensinar os alunos a ver em uma carta geográfica?

O título: verificar se a informação nos conta de que natureza é a carta geográfica, destaca a que
parte do lugar ela se refere.

A escala do mapa: para que através dela se possa perceber a extensão da área mapeada, calcular
distâncias e buscar ver a relação entre o espaço que se estuda e os espaços que se localizam em seu
entorno, desde os mais próximos aos mais distantes. Todo mapa geográfico mostra uma parte singular
e específica de um espaço maior que é o nosso planeta.

A análise da localização da área mapeada: analisar significa decompor o todo em suas partes
constituintes e, portanto, observar uma carta geográfica é proceder à leitura atenta de tudo quanto ela
nos revela, vendo suas indicações e referências e compreendendo os sinais convencionais utilizados.

A orientação espacial: é o sentido da posição geográfica.

As correlações: ver como interagem os elementos naturais com os elementos humanos e perceber
como a atividade destes caracteriza a visão econômica, a produção e os transportes.

71
Unidade II

A síntese: concluir a leitura com um trabalho que permita explicar, comparar, classificar, descrever,
associar e aplicar em outras situações a paisagem que o mapa ilustra.

Segundo Maria Elena Ramos Simielli (1999), a conquista do aluno e sua consequente alfabetização
cartográfica supõem que o aluno domine:

• a visão oblíqua e vertical da área mapeada;


• a percepção tridimensional a partir da visão de uma imagem bidimensional;
• o domínio de palavras e expressões do alfabeto cartográfico;
• a identificação da escala e sua projeção em relação ao espaço real;
• a lateralidade e a orientação.

Trabalhos de campo e o estudo do meio

Por meio de uma atividade externa, os alunos têm a chance de descobrir uma nova Geografia e de
percebê-la, não como tema restrito à sala de aula, mas como projeto de pesquisa no qual se aprende a
olhar o objeto estudado e a atribuir-lhe sentido.

Lembrete

Nos primeiros anos de escolaridade, o estudo da Geografia deve voltar-


se sobretudo para os temas relativos à presença e ao papel da natureza e
sua relação com a ação das pessoas e dos grupos sociais na construção do
espaço geográfico. Para tanto, o conhecimento que o aluno traz de casa é
a referência para a organização do trabalho do professor.

7 OS SABERES DE GEOGRAFIA NA SALA DE AULA

Para o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas aos temas significativos no


ensino de Geografia (o indivíduo como parte integrante do lugar em que vive e as relações do homem
com o espaço), apresentamos sugestões de atividades de acordo com os objetivos específicos para cada
ano de escolaridade e a fundamentação teórica dos conteúdos.

Portanto, ao término dos cinco primeiros anos letivos do Ensino Fundamental (1º ao 5º), os alunos
deverão ser capazes de:

• observar, conhecer e comparar as paisagens locais, identificando as naturais, e as modificadas


pelo homem;

• observar, localizar e registrar, por meio de desenho, os pontos de referência nos percursos diários;

72
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

• representar e utilizar os símbolos dos pontos de referência, identificando-os na legenda;


• identificar as formas de convívio social, hábitos e costumes, festejos e comemorações sejam estas
antigas ou atuais;
• conhecer e relacionar as normas e regras de convívio na sala de aula, na escola, no bairro;
• conhecer diferentes formas de representação do espaço, elaborando mapas e maquetes dos
lugares de vivência, como sala de aula, escola, moradia;
• conhecer os diferentes meios de transporte, o trânsito, suas transformações e seu impacto na vida
cotidiana;
• conhecer e respeitar as normas da sociedade (Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei dos
Direitos Humanos, Estatuto do Idoso etc.);
• elaborar mapas com vários pontos de referência, utilizando legendas;
• reconhecer os lugares da cidade por meio de leitura de mapas;
• organizar e registrar informações por meio de tabelas, esquemas, gráficos, listas, relatórios,
ilustrações, maquetes etc.;
• utilizar observações, experimentações e leituras para coletar e selecionar informações em uma
abordagem investigativa e crítica, a partir de suportes (livros, revistas, Internet etc.) e gêneros
textuais variados (entrevistas, notícias de jornal, filmes, músicas etc.);
• identificar diferentes aspectos do município: os limites territoriais, as paisagens urbana e rural, as
formas de administração;
• compreender a evolução da configuração territorial e a divisão política do Brasil (estados e
regiões), relacionando-a com a dinâmica da ocupação espacial;
• conhecer e utilizar as diferentes formas de orientação e localização (estrelas, Lua, rosa dos ventos,
bússola e GPS) para se locomover em diferentes lugares;
• reconhecer o globo terrestre e os mapas como representações do espaço, relacionando-os com
lugares conhecidos e identificando os elementos neles presentes;
• conhecer as principais características dos elementos naturais das diferentes paisagens do
município, do estado e do Brasil (relevo, hidrografia, clima e vegetação);
• analisar os impactos da ação humana no ambiente (erosão, poluição, aquecimento global e
desmatamento), reconhecendo a importância de ações individuais e coletivas como forma de
minimizar esses impactos;
• reconhecer a importância dos meios de comunicação social e exercitar um olhar crítico sobre as
suas mensagens;

73
Unidade II

• reconhecer seus direitos e deveres como cidadão, ampliando seus conhecimentos sobre as leis e
normas da sociedade.

7.1 Sugestão de atividades

Primeiro ano

Atividade 1 – A Paisagem

Observar as paisagens a seguir e realizar as ações que se pede:

Paisagens naturais

Figura 1 Figura 2

Paisagens modificadas

Figura 3 Figura 4

Desenvolvimento

• escrever os elementos visíveis que identificar na paisagem natural;

• escrever os elementos visíveis que identificar na paisagem modificada;

74
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

• registrar as diferenças observadas entre a paisagem natural e a modificada;

• conversar com os colegas sobre o que mais chamou a atenção nessas paisagens;

• observar se ao redor da escola há elementos iguais aos das paisagens observadas e identificar a
que mais parece com as paisagens anteriores;

• desenhar alguns elementos que existem nos arredores de sua escola;

• comparar com os desenhos dos colegas e relacionar todos os elementos que vocês descobriram.

Fundamentação

É fundamental o desenvolvimento de atividades que visem ao aprimoramento, no aluno, das


habilidades de observar e comparar as paisagens, identificando os elementos naturais e aqueles
construídos pelo ser humano. Além disso, é importante que ele perceba que as paisagens não são
estáticas, mas mutáveis; que carregam em si marcas da história do lugar, produzidas pela relação entre
os elementos naturais e a sociedade que ali vive.

Para atingir parte desse objetivo, trabalha-se com o entendimento da paisagem, que é um conceito
fundamental no ensino de Geografia.

Paisagem é tudo aquilo que a visão alcança e que os sentidos podem perceber.
O conceito de paisagem, assim como outros conceitos, não é exclusivo do
quadro conceitual da Geografia, sendo bastante utilizado, por exemplo, por
arquitetos e urbanistas (CAVALCANTI, 2004, p. 96).

Sendo assim, é importante considerar as ideias que os alunos trazem de suas experiências sobre
esse assunto, fazendo-os gradativamente, construírem o conceito geográfico. O intuito é que o aluno
entenda e saiba analisar uma paisagem, ao ponto de identificar seus elementos e compará-los quanto
às similaridades e/ou diferenças.

Roda de conversa

O ponto de partida para esta atividade é a observação de paisagens naturais e modificadas.


Deixe que os alunos falem livremente sobre o que eles observaram e procure despertá-los quanto à
capacidade de observação da paisagem que existe ao seu redor. Sua percepção deve ser estimulada
para que, partindo do que lhe é próximo, ele entenda as transformações das paisagens.

75
Unidade II

Saiba mais

Leitura

CASTELLAR, S. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São


Paulo: Contexto, 2005.

Você ampliará sua compreensão sobre os conceitos de Geografia,


principalmente o de paisagem, aplicando-os na sua prática docente diária.

LOBATO, M. Assembleia na mata. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.

Neste livro você encontra a descrição de uma paisagem que já está


desaparecendo em nosso país.

Filme

BARAKA. Dir. Ron Fricke. EUA, 1992, 96 minutos.

Esse filme foi feito com imagens obtidas em 24 países e não tem
diálogos. Desperta a curiosidade sobre as diferentes culturas, mostrando
rituais religiosos e fenômenos da natureza. É uma boa ferramenta para
perceber como as paisagens são importantes para o ser humano, pois elas
despertam emoções, tanto pelo que é captado pela visão, quanto pelo que
é percebido pelos outros sentidos.

Atividade 2 – O mapeamento do lugar

Figura 5

76
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Desenvolvimento

• o aluno deve representar em uma folha de papel a paisagem que vê no caminho entre sua casa e
a escola;
• colocar legenda para identificar os elementos desta paisagem;
• definir elementos de referência para sua casa e para sua escola;
• observar a imagem anterior e refletir sobre como é o espaço no interior da casa;
• conversar com os colegas sobre as formas de representar o espaço de uma casa além da fotografia;
• perguntar ao aluno: você sabe o que é um mapa e para que serve?

Fundamentação

Essa atividade não se limita aos elementos construídos pelo ser humano e aos elementos naturais.
Além desses dois conteúdos, acrescentaremos a legenda, ponto indispensável para a leitura de imagens
e mapas, pois se pretende que o aluno seja capaz de interpretar e fazer relações entre a legenda, o mapa
e o espaço que ele representa.

Adotamos a definição de planta como a representação gráfica de uma construção. O espaço da sala
de aula, por exemplo, corresponde a um tipo de mapa, podendo até ser chamado de “mapa da sala”, como
também “mapa da casa”, “mapa da escola”, já que representa a ocupação de um determinado espaço.

É importante mostrar ao aluno que esses mapas não têm terceira dimensão. Já é possível começar
a explicar ao aluno o que é terceira dimensão, desde que seja com algo visível para ele. Por exemplo,
comparando a planta com a maquete. Na maquete, têm-se todos os lados, altura, largura e comprimento,
e é possível vê-la em perspectiva. Na planta baixa (mapas), não existem todos os lados e não podemos
ver em perspectiva.

Roda de conversa

O ponto de partida para esta atividade é o caminho entre a casa e a escola.

O objetivo é observar a paisagem, os tipos de construções, as moradias, os comércios, as indústrias e


fazer a representação no papel, para iniciar o conhecimento sobre mapas.

Como o trabalho com mapas envolve um maior grau de abstração, a criança começa por reconstruir
a representação, tornando-se “mapeador”. Etapa por etapa, ela desenvolverá códigos para representar o
espaço, desvendando mecanismos e recursos, de acordo com o grau de abstração que foi atingido.

Quando a criança desenha os espaços internos da sua casa, da escola, ou o caminho casa/escola, está
utilizando símbolos, abstraindo, adquirindo condições para interpretar mapas.

77
Unidade II

Saiba mais

Leitura

FILIZOLA, R.; KOZEL, S. Didática de Geografia: memórias da terra. O


espaço vivido. São Paulo: FTD, 1996.

Estimula a criança a fazer uso dos seus conhecimentos para despertar


nela a percepção do espaço em que vive.

ABREU, A. M. V. Escala de mapa, passo a passo: do concreto ao abstrato.


Revista Orientação, São Paulo, n. 6, IG/USP, 1985.

Propicia a aprendizagem da construção e leitura de mapas passo a


passo.

Segundo ano

Atividade 1 – Casa, uma necessidade de todos

Desenvolvimento

Observe as figuras e reflita sobre as questões a seguir:

• o que chama a atenção nas imagens;

• por que moramos em casas;

• por que o quarto é uma parte importante da casa;

• faça uma pesquisa sobre habitações do homem: como são as habitações atuais, o que elas devem
ter para serem seguras e confortáveis, como é uma habitação antiga e comparar com a atual;

• pesquise sobre os primeiros lugares usados como moradia pelo ser humano;

• socialize com os colegas de classe os tipos de habitação que você encontrou e em quais lugares;

• por que hoje existem tantos edifícios nas áreas urbanas e não há nas zonas rurais;

• observe os lugares a seguir e as transformações ocorridas;

• analise o lugar onde você vive e reflita sobre o que é lugar.


78
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Figura 6

Figura 7 - Palafita

Figura 8

79
Unidade II

Figura 9 - Oca indígena

Fundamentação

Nesta atividade, discute-se com o aluno a importância da casa na organização da vida das pessoas.
Partimos do que é próximo ao aluno para que ele comece, de maneira sistematizada, a separar e a
nomear os elementos que lhe são mais comuns. Este é o primeiro passo para a alfabetização geográfica
e a aprendizagem de alguns conceitos como:

• paisagem – entendida como tudo o que a vista alcança, com relação aos elementos visíveis, mas
sem esquecer que ela também é formada por cheiros, sons, além de despertar emoções em nós.
A paisagem pode ser representada por meio de uma foto, um quadro, um filme, entre outros. Ela
não é estática e pode passar por várias transformações, causadas tanto pela natureza como pelo
ser humano;

• lugar – é bem mais subjetivo que a paisagem. O lugar é o espaço que está próximo, ou com que
se tem uma forte relação de vivência. Está muito ligado ao sentimento que uma pessoa ou um
conjunto de pessoas têm em relação a um determinado espaço. O que é lugar para um, não
necessariamente será para outro;

• região – provavelmente é o conceito mais caro à Geografia, pois para se caracterizar uma região,
depende-se sempre de um critério definido. Esse critério pode ser físico, como clima, vegetação,
relevo, entre outros, ou mesmo relacionado a um aspecto socioeconômico, como região rica,
região pobre, região desenvolvida, região não desenvolvida e assim por diante;

• território – sempre que nos referirmos a este conceito, estamos falando de poder. É um espaço sem
tamanho definido, mas pode ser desde a carteira do aluno, um território que deve ser respeitado
por todos da sala, até um terreno, uma casa ou um país.

Roda de conversa

O ponto de partida para a discussão sobre o quarto como componente do espaço da casa é o quadro
do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853 – 1890).
80
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Figura 10 - Quarto em Arles, de Vincent Van Gogh

O tema da atividade é a casa. O quarto é utilizado por ser uma referência próxima aos alunos, quer
desfrutem ou não desse espaço em suas casas. O objetivo é falar sobre as mudanças das paisagens. Entre
as paisagens, qual é a mais próxima dos alunos senão a casa e, dentro desta, o quarto?

Peça que eles observem os detalhes da pintura de Van Gogh, falem sobre o tipo de quarto, se o
mobiliário é igual ao das casas da atualidade. Pergunte por que eles acham que o pintor resolveu
retratar logo um quarto, entre todos os outros ambientes da casa, compondo um quadro que acabou se
transformando em uma grande obra de arte.

A partir das discussões sobre o quarto como espaço da casa, várias questões podem ser propostas
aos alunos, explorando a definição de casa, a necessidade de se ter uma casa, as diferenças entre os
vários tipos de moradias de antes e da atualidade.

Este é o caminho para que o aluno possa relacionar a ocupação do espaço com o crescimento e a
proliferação dos tipos de habitação e as mudanças ocorridas nas paisagens.

Peça para os alunos desenharem a sua moradia, prestando atenção, em alguns detalhes, como:

• forma e tamanho da casa ou prédio;


• cores das paredes janelas e portas;
• forma do telhado;
• material utilizado na construção, entre outros.

Depois, responder por escrito:

a. Onde fica sua casa? Escreva seu endereço.


b. Há quanto tempo você mora nesse lugar?
c. Quantas pessoas moram na casa com você?

81
Unidade II

d. O que você mais gosta na sua casa?


e. Você gosta da sua moradia? Por quê?
f. Se você pudesse mudar algo em sua casa, o que modificaria?

Saiba mais

Pesquisa

BAYMA, S. Novas tecnologias vão atender aos nossos novos hábitos:


nossa casa do futuro será mais amiga da natureza. Revista Superinteressante,
São Paulo, SUPER 179a, set. 2002. Disponível em: <http://super.abril.com.
br/tecnologia/mantendo-equilibrio-443304.shtml >. Acesso em: 17 out.
2012.

Leitura

HEBERT, J. Marco Polo e sua maravilhosa viagem à China: para crianças


e jovens. São Paulo: Jorge Zahar, 2003.

Marco Polo foi um dos homens que mais viajou em nosso planeta. Vale
a pena conhecer suas aventuras e aprender sobre o modo de vida de outros
povos.

Atividade 2 – Meios e sistemas de transporte

Desenvolvimento

Reflita sobre as questões:

• meio de transporte que você mais usa;


• sistema de transporte que sua família mais usa;
• meio de transporte mais utilizado pelo homem;
• pergunte aos seus pais e avós como eram os transportes quando eles eram crianças;
• discuta com seus colegas sobre o que é sistema de transporte e dê exemplos;
• pesquise sobre os transportes fluviais e discuta com os colegas;
• pesquise sobre os transportes aéreos e discuta com os colegas;
• faça uma pesquisa para descobrir a relação que existe entre o transporte e a poluição do ambiente.

82
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Fundamentação

Os meios e os sistemas de transporte são grandes transformadores da paisagem. Antes do motor à


explosão, que movimenta o avião, o navio, o trem e o automóvel, as cidades tinham uma organização.
A partir dele, ruas foram inventadas e as que já existiam tiveram de ser aumentadas. Tudo ganhou
velocidade: as mercadorias, que até então não saíam do entorno onde eram produzidas, hoje podem
estar em qualquer lugar do mundo. É fundamental que o aluno entenda a importância que os meios e
os sistemas de transporte têm em nossas vidas, pois eles estão presentes de uma forma ou de outra em
nosso dia a dia. Nesta atividade, o aluno deve desenvolver suas habilidades para conhecer os diferentes
meios e sistemas de transporte, percebendo suas transformações ao longo do tempo, bem como seu
impacto na vida cotidiana.

Roda de conversa

O ponto de partida para esta atividade é a apresentação de fotos e gravuras de diversos meios
e sistemas de transportes utilizados no passado e na atualidade. É importante que o aluno seja
instrumentalizado, primeiramente, para explicar as diferenças entre um meio e um sistema de
transporte.

Saiba mais

Leitura

SANTA ROSA, N. S. Santos Dumont. São Paulo: Callis, 2006. (Coleção


Crianças Famosas).

Pesquisa

<https://sites.google.com/site/andandonofuturo/a>.

Apresenta os meios e sistemas de transportes antigos e atuais.

Terceiro ano

Atividade 1 – O bairro: suas características e transformações

Desenvolvimento

Apresentação de ilustrações de diversos bairros e solicitar as ações:

• fazer uma leitura do espaço e encontrar os diversos tipos de construções;


• escrever o que conseguiram observar na ilustração;

83
Unidade II

• debater com os colegas sobre a forma de organização das construções e classificar o tipo de
bairro;
• analisar a ilustração em sua representação espacial: plana, oblíqua, terceira dimensão etc.;
• refletir sobre o que falta neste bairro;
• estabelecer relações entre os tipos de construções;
• representar, por meio de desenho, a escola e seu entorno, identificando as construções;
• fazer um levantamento nos arredores da escola para identificar as construções que tiveram
transformações ou que mudaram de função;
• pesquisar sobre o que é um bairro e como é a sua criação;
• identificar as condições que o bairro se apresenta, os recursos existentes e do que necessita;
• perceber as ligações com outros bairros e estabelecer comparações entre eles;
• identificar os meios de transportes do bairro;
• pesquisar sobre a História do bairro: nome, origem, localização, hábitos e costumes dos moradores
etc.

Fundamentação

Esta atividade possibilita ao aluno aguçar a sua percepção para entender melhor a distribuição
espacial do seu entorno e a perceber permanências e modificações na paisagem urbana
em diferentes períodos. Por isso, é importante ensinar o aluno a ler, interpretar e também a
confeccionar mapas, maquetes ou qualquer outra representação do espaço. Assim, aos poucos,
ele entenderá que cada pessoa que elabora uma representação espacial embute nela seus desejos,
ideologias etc., e manterá uma distância crítica de quaisquer representações desse tipo com que
venha a lidar no futuro, não tomando o mapa pelo lugar, mas considerando-o, como deve ser, a
representação desse lugar.

A finalidade desta atividade é analisar diferentes tipos de bairros, pois o bairro é a unidade política
mais próxima do aluno. É a partir do bairro que o aluno entenderá o que é um município e qual sua
configuração política.

É importante que fique claro para o aluno que o bairro é parte do município, portanto, não pode
ser entendido como uma unidade isolada. As pessoas circulam entre os bairros, existe um sistema
de transporte que os integra, uma paisagem que se estende por vários deles, entre outros aspectos
geográficos.

Nesta atividade o aluno saberá também que a criação de um bairro é uma decisão que se dá na
Câmara de Vereadores. Assim, ele também saberá que a criação desses locais tem várias implicações,
políticas e econômicas.

84
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Outro ponto importante é que o aluno consiga comparar a organização de uma grande cidade, com
vários bairros, com a organização de cidades pequenas, com poucos bairros, normalmente situados ao
redor de um bairro central, que concentra a maior parte dos serviços.

Saiba mais

Filme

QUEM quer ser um milionário. Dir. Danny Boyle, Reino Unido / EUA,
2008. 120 minutos.

Retrata a vida de algumas crianças da Índia até a juventude.

Roda de conversa

A primeira abordagem do tema visa fazer com que os alunos tenham a atenção despertada para
as diversas possibilidades de ocupação do espaço próximo deles – os bairros. Na observação das
ilustrações, faça com que eles percebam as diversas características dos bairros, sejam eles residenciais,
comerciais, industriais, mistos. Destaque a questão das paisagens existentes em cada organização
de bairro e retome os conteúdos referentes às permanências e transformações. É preciso trabalhar
com instrumentos relacionados à realidade local do aluno, comparar os sistemas de transportes, a
arquitetura, verificar se houve crescimento vertical, questionar o relevo, o clima, a vegetação, entre
outros aspectos.

Leve o aluno a pensar nas condições que existem no bairro onde ele mora, e que perceba que o bairro
é uma parte da estrutura urbana e que tem ligações com outros bairros. Instigue o aluno para que ele
analise algumas questões importantes para entender a história do bairro.

Saiba mais
Leitura
CAVALCANTI, L. S. A Geografia escolar e a cidade: ensaios sobre o ensino
de Geografia para a vida urbana cotidiana. Campinas – SP: Papirus, 2008.
Apresenta contribuições para a formação de indivíduos conscientes de
seu papel como cidadãos em sua interação com o meio urbano.
PONTUSCHKA, N. N; OLIVEIRA, A. U. (Org.) Geografia em perspectiva:
ensino e pesquisa. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2006.

85
Unidade II

Coletâneas de artigos sobre a disciplina geográfica e a cognição dos


alunos.
CAMARGOS, M. V. K. Crônica de Belle Èpoque. São Paulo: Senac, 2001.
Ajuda a fazer comparações com o atual momento urbano. Mesmo
que mencione locais específicos, pode ser relacionado com qualquer área
urbana do nosso país.
CORRÊA, R. L. O espaço urbano. São Paulo: Ática, 1995. (Série Princípios).
Apresenta a caracterização do espaço urbano a partir da ação dos
agentes sociais que o produzem e dos processos e formas espaciais.

Quarto ano

Atividade 1 – Criação de municípios

Desenvolvimento

Apresente mapas do seu Estado, um antigo e um atual, e solicite aos alunos que:

Figura 11 - Mapa geográfico do Estado de São Paulo

• transitem nos mapas para localizar o seu município e os que estão ao seu redor;
• verifiquem se há municípios que estão em um mapa e não estão em outro;
• leiam e analisem o texto sobre a criação ou extinção de um município;
• pesquisem na internet sobre as leis para criação de municípios;

86
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

• conversem com os colegas e com o professor sobre os regulamentos atuais para criação de um
município;
• verifiquem o relevo, o clima, a vegetação do seu município e comparem com outros do seu Estado;
• observem e analisem o que separa um município de outro;
• conheçam os instrumentos para localização: bússola e rosa dos ventos;
• compreendam os pontos cardeais e colaterais, tomando como base o seu município;
• percebam que o município é uma realização do homem enquanto ser político para discussão
sobre o conceito de território;
• conheçam a organização dos municípios e a relação entre eles para a formação do Estado.

Fundamentação

A finalidade desta atividade é o município e sua participação dentro do Estado. Portanto, é


importante esclarecer que o Brasil está dividido em aproximadamente 5.560 municípios, mas eles não
estão distribuídos de maneira equilibrada no território nacional. O aumento do número de municípios
começou a ganhar força a partir da década de 1980, quando ocorreu a instauração de um grande
número de prefeituras em todo o país.

Para que um município seja criado, é necessário o desmembramento de outro, um terá que perder
território.

Entre os anos de 1980 e 2000, muito se falou em criar municípios, mas pouco se falou de que
maneira a máquina pública seria sustentada. Portanto, é fundamental mostrar ao aluno a importância
dos tributos na vida de cada um, e a nossa responsabilidade como cidadãos de um município na gestão
dos recursos.

Outro ponto a ser trabalhado são as diferentes formas de orientação e localização para se locomover
em diferentes lugares. Apresente aos alunos uma bússola e fale sobre a sua importância para a
humanidade. Informe que a bússola foi inventada pelos chineses e que foi um instrumento muito
utilizado pelos europeus em suas navegações, chegando às regiões mais distantes do globo, em uma
época que os navios se movimentavam com a força do vento.

O domínio dos pontos cardeais e colaterais faz parte da “alfabetização” geográfica, pois é ponto
fundamental para a orientação.

A localização dos bairros no município, dos municípios no Estado, dos Estados nas regiões e das
regiões no Brasil faz com que os alunos adquiram diversos conhecimentos sobre lugar, território,
paisagem e região.

87
Unidade II

Saiba mais
Pesquisa

<http://www.diaadia.pr.gov.br/index.php>.

Neste site você encontrará informações que poderão ser úteis para
interpretação de mapas e elaboração de maquetes.

Roda de conversa

O estudo do município é o ponto de partida para começar a trabalhar as questões políticas com o
aluno. São questões que dizem respeito à cidadania. É no município que o cidadão vive, trabalha, estuda,
tem seus momentos de lazer etc., portanto, é necessário “alfabetizar” geograficamente o aluno para que
ele tenha essa leitura política do espaço municipal.

A apresentação de instrumentos como maquetes, mapas, textos e aparelhos como bússolas, rosa dos
ventos e GPS são fundamentais para a interação dos alunos com os conteúdos a serem trabalhados.

Saiba mais
Leitura

ALMEIDA, R. D. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola.


São Paulo: Contexto, 2004.

Apresenta atividades que auxiliam o aluno na leitura cartográfica


e contribuem para o desenvolvimento da capacidade de localização em
situações do cotidiano.

CARLOS, A. F. A. A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2001.

Aborda temas variados como cartografia, cidadania, cinema, televisão,


metrópole, educação e compromissos sociais.

LENCIONI, S. Região e Geografia. São Paulo: EDUSP, 1998.

Trata especificamente das origens do conhecimento geográfico, da região


como objeto de estudo e ainda das perspectivas teóricas contemporâneas
para a Geografia regional.

88
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Quinto ano

Atividade – A localização do território do Brasil

Apresentar mapas e solicitar aos alunos que:

Figura 12 - Mapa-múndi 1

Figura 13 - Mapa do Brasil

89
Unidade II

Figura 14 - Mapa-múndi 2

• observem com atenção os detalhes dos continentes, principalmente o do continente onde está
localizado o Brasil;

• comparem um globo e um mapa-múndi e localizem o continente em que o Brasil está situado;

• pesquisem mapas antigos e atuais do mundo e do Brasil e estabeleçam as semelhanças e diferenças


entre eles;

• compreendam as coordenadas geográficas — latitude e longitude —, bem como linhas para


localizar pontos no planeta Terra;

• elaborem uma maquete para conhecer mais o território brasileiro.

Fundamentação

O fato de o Brasil possuir um grande território significa também que possui riquezas. O aluno deve
relacionar as riquezas distribuídas e também as desigualdades.

Com a análise do tamanho do território do Brasil, o aluno começará a pensar em termos de escala.
O objetivo maior é ampliar a percepção da representação cartográfica e também a sua percepção em
relação a alguns países.

Nesta unidade, usar a ferramenta da maquete para que o aluno conheça um pouco mais o território
brasileiro é um recurso para que o estudante entenda a distribuição do relevo do nosso país e também
tenha uma noção mais real de como é a configuração do nosso território.
90
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

A questão do tempo e a questão climática também devem ser trabalhadas em sala de aula, pois
ganham cada vez mais força e passam a não ser mais um conhecimento só de especialistas. Cabe a cada
cidadão ficar atento em relação ao seu papel na sociedade, pois existem indícios muito fortes de que
nossas atitudes podem mudar o clima do planeta.

É importante que o aluno perceba como se dá o procedimento de coleta de dados do tempo


atmosférico e que, posteriormente, esses dados terão que ser analisados. Essa atividade permitirá ao
aluno não só o entendimento de questões relacionadas ao clima e ao tempo, mas também de como se
faz um procedimento científico, pois seus dados serão catalogados e analisados. Posteriormente, podem
também ser comparados com outros.

Saiba mais

Pesquisa

<http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/atlasescolar>.

Apresenta de maneira clara e didática como acontecem as estações do


ano no planeta Terra.

Roda de conversa

O ponto de partida é provocar o aluno a pensar na distribuição dos países pelo mapa do mundo e a
identificar os dez maiores em território. Por meio da pesquisa, os alunos coletam dados e os transferem
para o mapa do mundo, recordam a importância da legenda em um mapa e também desenvolvem sua
percepção em relação a escalas.

Questione os alunos sobre qual a importância do relevo para o ser humano:

• Construir uma casa em partes altas ou em partes baixas tem diferença? É melhor plantar em um
terreno plano ou ondulado, com morros e serras? Por quê? Onde você vive tem alguma serra ou
uma planície? Como se chama o relevo onde você mora?
• Esses conceitos poderão ser tratados com uma maquete já pronta, pois o aluno poderá olhar um
objeto concreto e perceber onde estão as principais formas de relevo.

Em relação ao clima, questionar:

• O clima tem alguma importância para a vida humana, para os animais e vegetais?

Instigar os alunos a pensarem sobre o comportamento que temos, as roupas que vestimos e o que
usamos para dormir a cada mudança de clima. Pensar também, na construção das casas, da escola e na
paisagem de cada lugar em relação às condições climáticas.

91
Unidade II

Saiba mais

Leitura

SOBEL, D. Longitude: a verdadeira história do gênio solitário. São Paulo:


Cia das Letras, 2008.

INHELDER, B.; PIAGET, J. A representação do espaço na criança. Porto


Alegre: Artes Médicas, 1993.

Documentário

ENCONTRO com Milton Santos ou O mundo global visto do lado de cá.


Dir. Silvio Tendler. Brasil, 2006. 89 minutos.

Apresenta uma grande gama de ideias sobre a importância da


comunicação e do espaço para a organização social do cidadão.

8 AVALIAÇÃO DO ENSINO DE GEOGRAFIA

Conforme as considerações dos PCN de Geografia e História (1997, p. 22), ao final de cada ano de
escolaridade, os alunos devem ter avaliadas suas conquistas numa perspectiva de continuidade aos seus
estudos. Para uma avaliação adequada é necessário estabelecer alguns critérios. De modo amplo, são
eles:

Reconhecer algumas das manifestações da relação entre sociedade e natureza presentes na


sua vida cotidiana e na paisagem local.

Com este critério podemos avaliar o quanto o aluno se apropriou da ideia de interdependência entre
a sociedade e a natureza e se reconhece aspectos dessa relação na paisagem local e no lugar em que
se encontra inserido. Também se deve avaliar se conhece alguns dos processos de transformação da
natureza em seu contexto mais imediato.

Reconhecer e localizar as características da paisagem local e compará-las com as de outras


paisagens.

Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de distinguir, por meio da observação e da descrição,
alguns aspectos naturais e culturais da paisagem, percebendo nela elementos que expressam a
multiplicidade de tempos e espaços que a compõe. Também se avalia se o aluno é capaz de comparar
algumas das diferenças e semelhanças existentes entre diferentes paisagens.

92
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Ler, interpretar e representar o espaço através de mapas simples.

Com este critério avalia-se se o aluno sabe utilizar elementos da linguagem cartográfica como um
sistema de representação que possui convenções e funções específicas, tais como cor, símbolos, relações
de direção e orientação, função de representar o espaço e suas características, delimitar as relações de
vizinhança.

A avaliação deve ser concebida como continuada, o que tem por consequência a elaboração de
instrumentos que possibilitem o acompanhamento do aluno em relação ao seu desempenho. II

Alguns exemplos de instrumentos avaliativos se definem como: questões e questionamentos;


desenvolvimento de atividades individuais (interpretação de um texto, resolução de situação
problema) ou em grupo (representação de uma peça teatral, montagem de um painel, construção
de maquete).

Observação

Para muitos alunos, a escola é a única possibilidade de interação com


o conhecimento, portanto, para que as atividades propostas pelo professor
deem bons resultados, há que se levar em conta o desenvolvimento
cognitivo da clientela em relação ao tempo e ao espaço.

Saiba mais

Sugestões de atividades podem ser consultadas no livro:

GUIMARÃES, M. N. Os diferentes tempos e espaços do homem:


atividades de Geografia e de História para o Ensino Fundamental. 2. ed. São
Paulo: Cortez, 2006.

Resumo

Para finalizar, apresentamos uma síntese da Didática de Geografia como


orientação ao futuro professor/pedagogo.

Embora a Geografia como ciência não seja das mais antigas, pois
somente no século XIX é que se consolidaram seus princípios fundamentais
(localizar fenômenos, estudar suas causas e a relação entre eles), é uma das
que mais rapidamente vem se modernizando, sobretudo com o avanço das
investigações sobre Terra como planeta. É imenso o avanço, nos últimos

93
Unidade II

vinte anos, das técnicas de pesquisas geológicas e meteorológicas trazendo


para o estudo da Terra um cardápio de novidades que se atropelam a cada
instante. A globalização também exibe a toda hora novos desafios, novos
conflitos, acordos impensáveis e novas ordens políticas mundiais, fazendo
com que o professor de Geografia tenha que reaprender sua disciplina a
cada dia.

Assim, o paradoxo persiste, pois se não é possível não se atualizar, é ao


mesmo tempo quase impossível manter-se devidamente atualizado. Então,
como o professor deve agir?

Na nova educação que se pretende, o eixo do processo de aprendizagem é


o aluno e, se este não aprende, não existe educação, não surgem mudanças.
A tarefa do professor de Geografia não é mais propalar informações através
de discursos inflamados, mas produzir conhecimentos, ensinar o aluno a
ver sua terra e o mundo com olhos interpretativos e críticos, ajudando-o
a bem aprender, descobrindo significações, desenvolvendo competências e
usando habilidades. E, diante dessa atuação que se espera de todo professor
de Geografia, ele deve aprimorar sua capacidade em interrogar, desafiar,
sugerir caminhos, indicar roteiros, inventar projetos. Essa missão exige que
a interdisciplinaridade esteja sempre presente, a literatura seja evocada, os
bons filmes jamais esquecidos, as notícias diárias sempre interpretadas em
múltiplos instantes e a internet utilizada com sagacidade e inteligência.

Portanto, não se trata mais de solicitar ao aluno que colha informações,


mas que as interprete; não que copie textos, mas que os analise; não que
memorize fatos, mas que saiba contextualizá-los à sua vida e aos desafios
de seu cotidiano. Um filme geográfico apresentado ganha vida com
perguntas intrigantes, com desafios que sugerem a ligação entre o fato
que agora se descobre e o que se aprendeu em aulas passadas. O aluno não
recebe o conteúdo como espectador, mas o explora como protagonista,
como pesquisador.

Manter-se atualizado é, portanto, essencial. Não é exigido que se


saiba tudo, mas que se compreenda geograficamente e que, com sensível
competência, saiba olhar e pensar como professor.

Exercícios

Questão 1. (Enade, 2005). Lendo os Parâmetros Curriculares Nacionais, um professor verificou que
o Meio Ambiente constitui um de seus temas transversais. Estes pressupõem, na análise de problemas
ambientais, o envolvimento de questões sociopolíticas e culturais. O conhecimento da Geografia, no
estudo das questões ambientais, possibilita aos alunos uma visão dos problemas de ordem local, regional
94
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

e global, ajudando-os na sua compreensão e explicação. Esse conhecimento fornece, ainda, elementos
para a tomada de decisões, permitindo intervenções necessárias.

Nessa perspectiva, são aspectos relativos aos objetivos do Ensino Fundamental para o ensino da
Geografia:

I – Conhecer o mundo atual em sua diversidade, favorecendo a percepção de como as paisagens, os


lugares e os territórios se constroem.

II – Identificar e avaliar as ações dos homens em sociedade e suas consequências em diferentes


espaços e tempos.

III – Compreender a espacialidade e a temporalidade dos fenômenos geográficos estudados em suas


dinâmicas e interações.

IV – Entender o funcionamento da natureza, de modo a enxergar que as sociedades deixam de


intervir na construção do território, da paisagem e do lugar.

São corretas apenas:

A) As afirmativas I e IV.

B) As afirmativas II e III.

C) As afirmativas III e IV.

D) As afirmativas I, II e III.

E) As afirmativas I, III e IV.

Resposta correta: alternativa D.

Análise das afirmativas

I – Afirmativa correta.

Justificativa: esta afirmativa é verdadeira porque descreve aspectos relativos aos objetivos do Ensino
Fundamental para o ensino da Geografia.

II – Afirmativa correta.

Justificativa: esta afirmativa é verdadeira porque descreve aspectos relativos aos objetivos do Ensino
Fundamental para o ensino da Geografia.

95
Unidade II

III – Afirmativa correta.

Justificativa: esta afirmativa é verdadeira porque descreve aspectos relativos aos objetivos do Ensino
Fundamental para o ensino da Geografia.

IV – Afirmativa incorreta.

Justificativa: entender o funcionamento da natureza sob a ótica da Geografia é justamente enxergar


que o processo dinâmico das interações entre a paisagem natural, intocada pelo homem, e a paisagem
cultural ou construída resultante da intervenção da sociedade humana transformam definitivamente
os territórios e lugares.

Questão 2. (Enade, 2008). Estudantes de 9 anos de uma escola de Ensino Fundamental estudam a
distribuição de água para a população.

O professor inicia a atividade com perguntas como:

• Toda água que sai da torneira é boa para beber?

• A água suja pode se tornar limpa?

• Existem casas sem água boa para beber?

As respostas são discutidas. O professor realiza em sala atividades práticas como:

• construção de uma maquete do sistema de distribuição de água da cidade;

• experiência de decantação e filtração da água;

• excursão à estação de tratamento de água da cidade.

O trabalho é ampliado para o estudo da preservação ambiental e da situação da água potável da


população, que não tem acesso à rede de abastecimento de água. Refletem sobre como o poder público
cuida da qualidade da água e das questões ambientais e, ainda, sobre a responsabilidade social da
população e dos governantes.

A partir dessa descrição, considere as afirmações a seguir:

I – As perguntas iniciais respondidas pelos alunos permitem ao professor fazer o levantamento do


conhecimento prévio dos alunos.

II – A contextualização dos temas ocorre durante as atividades, na inserção de aspectos do cotidiano


dos alunos e da população.

96
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

III – O conhecimento científico desautoriza o conhecimento que os alunos trazem de suas experiências
de vida, em relação ao meio ambiente.

IV – As crianças devem concluir que as questões relativas ao desmatamento próximo aos mananciais
de água e a distribuição de água tratada a toda a população são de responsabilidade social exclusiva
dos governos.

De acordo com a descrição, são corretas apenas:

A) As afirmativas I e II.

B) As afirmativas I e III.

C) As afirmativas I e IV.

D) As afirmativas II e III.

E) As afirmativas II e IV.

Resolução desta questão na plataforma.

97
FIGURAS E ILUSTRAÇÕES

Figura 1

PANGAIMOTU_CRYSTAL_SEA.JPG. Disponível em: <http://www.cepolina.com/photo/Oceania/Tonga/


atoll_Pangaimotu/2/Pangaimotu_crystal_sea.jpg>. Acesso em: 16 out. 2012.

Figura 2

TREKKING_MOUNTAINS_MOUNT_VALLEY.JPG. Disponível em: <http://www.cepolina.com/photo/


nature/mountains/trekking/2/trekking_mountains_mount_valley.jpg>. Acesso em: 16 out. 2012.

Figura 3

STREET_ROAD/2/ROAD_SLOPE_SLIDE.JPG. Disponível em: <http://www.cepolina.com/photo/


transport/road/street_road/2/road_slope_slide.jpg>. Acesso em: 16 out. 2012.

Figura 4

OTRANTO_VILLAGE_PANORAMA.JPG. Disponível em: <http://www.cepolina.com/Otranto_village_


panorama.html>. Acesso em: 17 out. 2012.

Figura 5

CSAS.02745/. Disponível em: <http://www.loc.gov/pictures/resource/csas.02745/>.Acesso em: 16 out.


2012.

Figura 6

228963. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/228963>. Acesso em: 22 out.


2012.

Figura 7

PALAFITA. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/97113>. Acesso em: 22 out.


2012.

Figura 8

9023.HTML. Disponível em: <http://www.freephotosbank.com/9023.html>. Acesso em: 22 out. 2012.

Figura 9

OCA indígena. Disponível em: <http://serradabarriga.palmares.gov.br/?p=47>. Acesso em: 22 out. 2012.


98
Figura 10

QUARTO em Arles, de Vincent Van Gogh. Disponível em: <http://www.freeartprints.co.uk/ecom-


prodshow/fap686.html>. Acesso em: 22 out. 2012.

Figura 11

MAPA geográfico do Estado de São Paulo. Disponível em: <http://www.saopaulo.sp.gov.br/


conhecasp/historia_mapas#>. Acesso em: 22 out. 2012.

Figura 12

MAPA-MÚNDI 1. Disponível em: <http://www.portalconsular.mre.gov.br/>. Acesso em: 22 out. 2012.

Figura 13

MAPA do Brasil. Disponível em: <http://www.sef.sc.gov.br/auditoria/index.php?id=24&option=com_


content&task=view>. Acesso em: 22 out. 2012.

Figura 14

MAPA-MÚNDI 2. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.


html?aula=42337>. Acesso em: 22 out. 2012.

REFERÊNCIAS

Audiovisuais

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A GRANDE cidade. Dir. Carlos Diegues, Brasil, 1966. (DVD).

A MISSÃO. Dir. Roland Joffé. Inglaterra, 1986. (DVD). 125 minutos.

BARAKA. Dir. Ron Fricke. EUA, 1992. (DVD). 96 minutos.

ENCONTRO com Milton Santos ou O mundo global visto do lado de cá. Dir. Silvio Tendler, Brasil, 2006.
(DVD). 89 minutos.

INVENÇÃO do contemporâneO (Coleção). São Paulo: CPFL / TV Cultura, 2007. (DVD).

PROCURANDO Nemo. Dir. Andrew Stanton; Lee Unkrich. Australia, EUA, 2003. (DVD). 100 minutos.

QUEM quer ser um milionário. Dir. Danny Boyle, Reino Unido / EUA, 2008. (DVD). 120 minutos.
99
TAINÁ: uma aventura na Amazônia. Dir. Sérgio Bloch; Tania Lamarca. Brasil, 2001. (DVD). 90 minutos.

TOY STORY. Dir. John Lasseter, EUA, 1995. (DVD). 81 minutos.

ZISKIND, H. Tu Tu Tu Tupi. In: Meu pé meu querido pé. Intérprete: Hélio Ziskind. São Paulo: Velas
Produções Artísticas e Musicais, 1997. CD. Faixa 3.

Textuais

ABREU, A. M. V. Escala de mapa, passo a passo: do concreto ao abstrato. Revista Orientação, São Paulo,
n. 6, IG/USP, 1985.

ALBERGARIA, L. Álbum de família. São Paulo: SM, 2007.

ALBORNOZ, S. O que é trabalho. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1992. (Coleção Primeiros Passos).

ALMEIDA, R. D. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. São Paulo: Contexto, 2004.

ALMEIDA, R. D.; PASSINI, E. Y. O espaço geográfico: ensino e representação. 8. ed. São Paulo: Contexto,
2000.

ALVES, G. A. Cidade, cotidiano e TV. In: CARLOS, A. F. (Org.) A Geografia na sala de aula. In: DUARTE,
M. de B. et al. Reflexões sobre o espaço geográfico a partir da fenomenologia. Revista eletrônica
Caminhos de Geografia, Uberlândia, 17 (16), pp. 190-196, 2005.

ANTUNES, C. (Org.). História e Didática. Petrópolis-RJ: Vozes, 2010.

______. Geografia e Didática. Petrópolis-RJ: Vozes, 2010.

______. A sala de aula de Geografia e História: inteligências múltiplas, aprendizagem significativa e


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BAYMA, S. Novas tecnologias vão atender os nossos novos hábitos: nossa casa do futuro será mais
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História e Geografia: 1ª a 4ª séries. Brasília: MEC, 1997.

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______ Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: caracterização da
área de Geografia. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
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DADAM, J. Coisas de italiano: a construção da memória e identidade italianas nos meios de


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Exercícios

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