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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ


DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
COMPONENTE CURRICULAR: ESTÁGIO SUPERVISIONADO II
ALUNOS: CLARA LETÍCIA BARBOSA HENRIQUE, DAVID JEFERSON PEREIRA,
PRENTICE GEOVANNI DA SILVA COSTA
PROFESSOR (A): JUCIENE ANDRADE

POR MEMÓRIAS PANDÊMICAS: AS DIFICULDADES DO ENSINO REMOTO DIANTE DA


PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19

CAICÓ, 2021
CLARA LETÍCIA BARBOSA HENRIQUE
DAVID JEFERSON PEREIRA
PRENTICE GEOVANNI DA SILVA COSTA

POR MEMÓRIAS PANDÊMICAS: AS DIFICULDADES DO ENSINO REMOTO DIANTE DA


PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19

Relatório parcial apresentado a disciplina Estágio


Supervisionado II, do Curso de Graduação em História
Licenciatura, do Centro de Ensino Superior do Seridó, da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob a
orientação da professora Juciene Batista Félix Andrade.

CAICÓ-RN
2021
SUMÁRIO

Resumo...................................................................................................................... 4
Introdução.................................................................................................................. 5
Objetivo geral e objetivos específicos ................................................................... 6
Observação e captação de informações das escolas nos aspectos físicos e
virtuais....................................................................................................................... 6
Diagnóstico do ensino-aprendizagem ................................................................... 9
Sobrevoando as temporalidades: aulas presenciais do passado nos apontando o novo
modo remoto do presente em seus empecilhos e
expectativas................................................................................................................. 11

Considerações ........................................................................................................ 14
Bibliografia consultada .......................................................................................... 16
RESUMO

A experiência do estágio supervisionado II nos levou a experenciar novos


caminhos para a sala de aula. Agora, não mais buscamos um laboratório
investigativo, mas sim adaptações para as e interesses a serem testados no campo
do real. Assim, como fruto de nossas vivências na execução do estágio remoto,
procuramos abordar a problemática da memória e o conhecimento unidos às
vivências desses alunos. Tentamos, de maneira sensível, fazer contrapontos,
acepções de uma época de antes e após pandemia. Para isso, tentamos refletir
nossas vivências, nossos diálogos com os professores a fim de acolher, ou pelo
menos, tentar captar possíveis relações entre afetividade com o conteúdo histórico e
ensino remoto em tempos de pandemia causado pelo novo corona vírus.
1. INTRODUÇÃO

A experiência prática de estar em sala de aula é fundamental para


proporcionar novos caminhos e reflexões para a construção de futuros professores.
Segundo Azevedo (2011), será no Estágio Supervisionado II que os alunos buscarão
uma melhor aproximação do contexto escolar a fim de aprimorar suas concepções
acerca da postura profissional a adotar e assim adquirir uma maior segurança e
competência no trato das atividades de docência a serem desenvolvidas nos
estágios seguintes da formação. Para tanto, mesmo no contexto pandêmico, apesar
de toda dificuldade e dissincronia entre o calendário acadêmico e o calendário
escolar dos munícipios, o envolvimento para a execução do Estágio Supervisionado
II foi mais profundo. Pois, mesmo diante de todas as situações problemas,
conseguimos nos manter em comunicação e ajuda mútua entre estagiários,
supervisores e professores.

Assim, apesar da pandemia, podemos ter uma noção de como participar


efetivamente da vida da escola e da comunidade onde ela está inserida. Notamos
isso, nas entrevistas com os diretores, nas conversas com os alunos por meio do
WhatsApp. Percebemos isso na confecção e execução de aulas e exercícios
temáticos para medir o grau de aprendizado daqueles alunos naquele momento de
provação. O que queremos dizer é que: apesar do ensino remoto, fizemos o
possível para alcançar os alunos em aprendizado, em empatia, em possibilidade de
intervenção para fazê-lo notar sua realidade ao redor e, então, finalmente, buscar
passos para mudá-la em caminhos melhores para si e a sociedade. Foi, justamente,
em Estágio Supervisionado II, que aprendemos o conceito de ausência. Afinal, não
fizemos aulas síncronas com a turma do 9º ano A. Devido ao tempo curto, por
causa, ainda, das finalizações das atividades do semestre 2020.2, nos foi sugerido
fazer gravações dos conteúdos que faltavam ser ministrados.

Então, amadurecemos a sugestão, seguimos às orientações propostas,


roteirizamos nossas aulas de acordo com o nível dos alunos e, finalmente, gravamos
nossas videoaulas fazendo uma ponte entre livro didático e conteúdo universitário.
Claro que adaptamos a linguagem à medida do possível. Regulamos nossa
comunicação e a ponte entre aula e dúvidas colocadas no grupo do WhatsApp foi
feita. Por fim, discutiremos nas próximas páginas, as dificuldades e fragilidade do
ensino remoto, tendo, agora, nesse Estágio Supervisionado II, como solução para
esse cenário, tentamos metodologias mais diretas que tornassem não só possível o
ensino de história, mas também, uma consonância do que vimos na universidade e
experiência de campo do professor em sala de aula.

2. OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICO

OBJETIVO GERAL: Em vista dessa nova conjuntura, como fruto de nossas


vivências na execução do estágio remoto, abordaremos a problemática das
memórias desses alunos junto com as dificuldades dos estagiários em executarem o
estágio remoto II. Procuramos problematizar o cenário antes e depois da pandemia
e como se dá essa relação entre memórias e conhecimento. Será que os alunos
aprendem da mesma maneira? Será que as metodologias de um ensino presencial
são as mesmas para o ensino remoto? Se, sim, por quê? Se, não, quais são as
diferenças para que ocorra uma adaptação da linguagem e foco no modo de dar
aula?

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Interpretar a sala de aula virtual como um local


que precisa das sensibilidades, abordagens que a tornem agradável e imersiva.
Para isso, promover um debate entre memória individual e coletiva e as vivências do
que é o ensino remoto na construção do conhecimento é de fundamental
importância para nossa formação enquanto professor-pesquisador no campo da
educação e da história. Nosso intuito é fazer uma reflexão baseada na memória e na
operacionalização desse conhecimento que foi adquirido durante o período
pandêmico. E, assim, contribuir com a problemática entre ensino remoto e
aprendizagem efetiva.

3. OBSERVAÇÃO E CAPTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DAS ESCOLAS NOS


ASPECTOS FÍSICOS E VIRTUAIS
3.1. Identificação da escola

Devido ao contexto pandêmico, não foi possível frequentar o espaço físico da


Escola Estadual de Tempo Integral Cosme Ferreira Marques - Ensino Fundamental
-Anos Iniciais e Finais. Todavia, com as informações fornecidas pelo diretor José
Robson da Silva, conseguimos noções acerca do funcionamento da dinâmica
escolar. Assim, a escola foi criada pelo Decreto nº 4669 de 30/06/1966 publicado no
D.O.E. edição de 01/07/1966. Sendo reconhecida autorização em 20/05/1980 pela
Portaria nº 437/80. Ela se localiza na Rua Aluízio Bezerra, 165, Centro, Santa Cruz,
Rio Grande do Norte. Por fim, o telefone para contato é 3291-6935 e os
responsáveis pela administração são o diretor e a diretora: José Robson da Silva e
Veraneide Calixto dos Santos. A escola, em seu espaço físico, tem uma área de
3.715 m² com área coberta de 1.400 m². Sua estrutura física compõe-se de: quadra
para atividades físicas, pátio para atividades diversas (alimentação, eventos,
atividades recreativas, palestras, reuniões etc.); biblioteca; sala de informática; três
banheiros (sendo um banheiro inclusivo); sala de secretaria; sala de direção;
almoxarifado; depósito para merenda; cozinha; e, finalmente, nove salas de aula.

3.2. Aspectos visuais

A escola não um possui ambiente próprio para realização de atividades em


modalidade virtual. Assim, para realização dessas atividades foram utilizados
ambientes de domínio público. São eles: Google Meet, WhatsApp, Khan Academy,
Click Ideia e canais do Youtube. Essas aulas eram agendadas seguindo o
cronograma elaborado pela escola para, então, só depois, seus respectivos links
serem disponibilizados pelas turmas formadas nos grupos de WhatsApp. Por fim,
durante as aulas, os conteúdos foram ministrados de acordo com as habilidades
orientadas pela BNCC e, junto a isso, apresentavam-se orientações para a
realização dos exercícios temáticos da aula executada.

3.3. Aspectos físicos da escola

Em relação ao número de salas e outras dependências, a Escola Estadual de


Tempo Integral Cosme Ferreira Marques - Ensino Fundamental -Anos Iniciais e
Finais possui nove salas de aula. Possui, também, uma sala adaptada para
funcionamento de biblioteca; uma para sala de informática; uma para secretaria; e
mais uma para direção. Ademais, tem: um almoxarifado; um depósito para merenda;
uma cozinha; e três banheiros. Já em relação a equipamentos de apoio didático, a
escola possui de um notebook, uma lousa digital, cinco caixas de som, cinco
televisões, um DVD e diversos jogos educativos. Por sua vez, as salas de aulas,
apenas duas, das nove, possuem ventilação e iluminação adequadas. Por fim, o
mobiliário (carteiras e armários) da sala de aula está seminovo, todavia, os quadros
e bureau são antigos.

3.4. Serviços disponíveis

No quesito serviços disponíveis, a escola não tinha sala de leitura e nem de


vídeo. E, em relação ao acesso à internet para o uso coletivo da comunidade
escolar, havia roteadores espalhados pelos setores da escola para essa finalidade.
No que toca o trabalho com metodologias de ensino virtual, a escola dispõe de
professores que produziam videoaulas, videoconferências, videochamadas e envio
de áudios para atender à demanda de não só cumprir o conteúdo, mas também,
sanar possíveis dúvidas dos alunos. Ademais, a escola não possui uma biblioteca.
Todavia, há um espaço adaptado com estantes (livros, jogos), mesas e cadeiras,
armários e outros materiais didáticos onde a ventilação é adequada, mas a
iluminação é insatisfatória. No mais, em se tratando de acervo escolar, se for
considerado o seguimento de 1º ao 5º ano, é possível afirmar que o acervo atende
bem a essa parcela de estudantes. Porém, para o seguimento dos anos finais, do 6º
ao 9º ano, o acervo disponível ainda é insuficiente, atendendo parcialmente a
demanda. Mesmo assim, há uma política de incentivo à leitura por parte dos
professores para estimular aos estudantes levarem livros para suas casas
semanalmente. Então, no momento da devolutiva, a responsável pelo espaço da
biblioteca pede para que o estudante narre brevemente o que foi lido como forma de
averiguar se a leitura foi realizada e compreendida. Nos que não foi feita leitura, fica
orientado que o estudante deverá levar novamente o livro ou escolher outro para
que execute a leitura plena e completa. Será com base nessa averiguação e,
também, na assiduidade dos estudantes leitores que, ao término do ano, será
realizado uma espécie de “premiação”: o leitor do ano.

3.5. Organização e funcionamento técnico-pedagógico da escola


O planejamento é realizado de maneira individualizada, porém existe
momentos em que há integração. Porém, para o ano letivo de 2021, pretende-se
articulá-lo de maneira totalmente integrada. E, por se tratar de uma escola de tempo
integral, a proposta pedagógica preocupou-se em assegurar aos estudantes o
desenvolvimento das suas múltiplas dimensões: intelectual, física, afetiva,
emocional, social e cultural. Considerou-se, também, as diferentes realidades e
contextos em que esses estudantes estão imersos, compreendendo, portanto, que
este deve ser um objetivo partilhado por todos (famílias, educadores e gestores). Em
relação ao plano escolar, o Projeto Político Pedagógico, está com atualização
pendente. A última ocorreu em 2001. Embora, nos anos de 2016 e 2019 se tenha
começado um processo de atualização, mas que, ainda, não foi concluído. A escola
possui um regimento, um documento com normas gerais que regem a educação da
rede pública estadual de ensino acrescido de normas específicas da escola. São
durante as reuniões com a comunidade escolar que essas normas são socializadas.
Por fim, no que tange esses tempos de pandemia global e isolamento social foram
seguidas as orientações da SEEC. A escola focou em temas transversais, incluindo
a pandemia. E, posteriormente, foram seguidas orientações que deveriam focar nos
objetos específicos essenciais de cada componente curricular.

3.6. Equipe técnica

O diretor da escola é José Robson da Silva, sua formação acadêmica é em


Pedagogia e Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional e Educação
Física Escolar. A vice-diretora é Veraneide Calixto dos Santos, graduada em Letras.
O coordenador-administrativo é Marco Aurélio Rodrigues de Pontes, graduado em
Pedagogia. A coordenadora pedagógica é Sílvia Mikarla de Pontes, graduada em
Pedagogia e Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional e Alfabetização
e séries iniciais. O supervisor pedagógico é Ezequiel Santos Monteiro, graduado em
Pedagogia. Por fim, o número de professores existentes na escola são dezenove.
Dez pedagogos e nove de áreas específicas: dois de Letras, um de Geografia, um
de História, dois de Matemática, um de Artes e um de Educação Física.

3.7. Ficha de caracterização - secretaria


Durante seu período de estágio virtual entramos em contato, por meio de
WhatsApp, com o diretor José Robson da Silva. E, em relação aos livros
administrativos, não obtivemos acesso a nenhum. Todavia, de acordo com o diretor
da escola existem livros específicos destinados aos registros de ocorrências
envolvendo casos de indisciplina por parte dos estudantes. Há também um para
registro de presença de professores e familiares nas reuniões administrativas.

4. DIAGNÓSTICO DO ENSINO-APRENDIZAGEM

Desde o início da nossa evolução como seres humanos até os tempos atuais
o homem tem sido capaz de desenvolver mecanismos e técnicas extraordinárias e
muitas delas revolucionárias para a humanidade. Uma destas formas que foi e é
bastante influente em nossas vidas é a forma como nossa comunicação, nossas
relações e interações vêm mudando com uma constância significativa dia após dia,
através da tecnologia vivenciamos rapidamente tantas mudanças que segundo o
sociólogo polonês Zygmunt Bauman estamos coabitando em um mundo líquido.
Esta contemporaneidade no mundo líquido que nos faz receber informações e nos
comunicarmos com milésimos de segundos que tem nos beneficiando, ela também
estabelece abismos entre os mundos e afeta diretamente nossas convivências.

E foi na segunda metade do século XX que alvorecemos a chamada terceira


revolução dos suportes informativos, assim nomeada por Pozo (2002, p. 35), então
desta forma branda uma geração inteira abraçou a tecnologia de uma forma que não
mais consegue se desconectar dela, transformando e revolucionando o ensino e a
aprendizagem desta nova geração. No tempo atual em que uma pandemia mundial
nos assola contamos cada dia a mais com os meios e recursos tecnológicos como
formas de trabalho, estudo, comercio e suas transações e é neste cenário de puro
desenvolvimento e avanços tecnológicos e ao mesmo instante um cenário caótico
que se expõe adversidades e meios de se reinventar enfrentadas mundialmente e
principalmente pela educação. Educação esta que enfrenta problemas quanto a
envolver os alunos em salas virtuais proporcionadas pela tecnologia, todavia os
jovens não conseguem ter um meio de concentração e uma aprendizagem solida
através dos aparelhos tecnológicos com uma aprendizagem tradicional. Logo, o
professor precisa e se ver em uma obrigatoriedade de se inovar nestes novos
tempos com as dificuldades que os meios tecnológicos trazem com a dispersão dos
alunos as novas formas de aula e as condições financeiras por não ter uma internet
de qualidade ou aparelhos tecnológicos que comporte as aulas e o ensino através
das plataformas virtuais, caracterizando uma das várias deficiências e problemas
enfrentados pela educação e por seus professores.

Dito isso, chegamos a uma reflexão importante para esse tópico do ensino e
aprendizagem.

4.1. SOBREVOANDO AS TEMPORALIDADES: AULAS PRESENCIAIS DO


PASSADO NOS APONTANDO O NOVO MODO REMOTO DO PRESENTE EM
SEUS EMPECILHOS E EXPECTATIVAS

Rememorar acredita-se ser um ato que está constantemente nos fazendo


“sair do presente”. Nossa consciência tende a flutuar em nuvens, nos tirando do
límpido céu para plainar sobre as cinzas escamoteadas das profundezas que se
juntaram aos nossos sentimentos, emoções e pesares. Fato é que por incontáveis
vezes numa mesma manhã, sobre o quente quarto que transformamos em
escritório, estamos empenhados em ser tomados pela nostalgia.
Toma-se na fala palavras como nostalgia não com o intuito de enclausurar o
presente com o passado. Esse não é o nosso objetivo. Mas, ao invés disso, utiliza-lo
como ponto de experiência para pensarmos as mudanças e as novas conjunturas,
salientando que o mundo ao qual nos conhecíamos mudou. E, diante dele, quais são
as expectativas e empecilhos? Simplificando, estamos procurando pensar novas
questões do presente amparados nos espaços de experiência, diante de um
contexto pandêmico que nos obrigou a apreender novos métodos enquanto
professores de História.
Acreditamos que frente aos novos problemas e conjunturas, de aulas no
modo remoto, de prazos de tempo apertados no calendário acadêmico, está em jogo
tanto a formação de identidades quanto o aprendizado conteudista. Há, por
conseguinte, a necessidade de fomentarmos um ensino não linear, não totalizante e
eurocêntrico da história, voltando nossas lentes para questões que concernem a
perspectiva das alteridades, nesses tempos tão nebulosos. Logo, tentamos fazer
refletir entre o nosso espaço vivido, fazendo pontuações sobre as experiências com
a escola vivida presencialmente e a atual conjuntura na qual o mundo se encontra,
de aula no modo virtual e prazos de tempo quase que minúsculos, para imaginarmos
propostas para atingir nossos objetivos frente as aulas com tempo reduzido.
Giramos o tecelão do tempo em mais ou menos quinze anos para trás,
procurando as nuances do ensino quando éramos alunos do fundamental dois. Tal
faceta consiste em rememorar para ressaltar pontos referentes às aulas, a
materialidade, a dinâmica escolar e o ensino aprendizagem. Então, trata-se de
apontamentos subjetivos, nostalgias, como rememorar a nossa chegada ao prédio
escolar, com todos os alunos à espreita, alguns com seus rostos no portão à espera
do soar do sino e da abertura das salas. Ou, ainda, dos primeiros contatos com os
professores, nos dando bom dia ou boa tarde.
Durante o ano letivo e os dias úteis de aula, estávamos ou o período da
manhã ou da tarde na escola. Quatro horas de aula, com direito a um intervalo de
quinze minutos, que muito era estendido pelas conversas paralelas nos corredores.
Estávamos ali, numa estrutura que foi pensada para fomentar o nosso aprendizado,
a dinâmica do professor com o aluno. Carteiras, quadros ou lousas, um professor
próximo de nossos olhos e tato, para supostas dúvidas e dificuldades. A escola vem
nostalgicamente como um ambiente quente, próximo, do professor à frente do
quadro com sua oralidade e seu repasse do conteúdo. Nossa experiência como
professores estagiários nesse período de pandemia, com um calendário super
apertado, com três semestres a cumprir no ano, nos faz ver que nossas experiências
como alunos destoam em grande medida do que vemos os alunos passarem nas
aulas no modo remoto.
É maio de 2021, e enquanto o mundo retoma vagarosamente suas atividades
presenciais, no Brasil o isolamento social ainda é uma necessidade. As escolas
precisaram se reajustar e continuarão pelos próximos meses com aulas no modo
remoto supostamente. Vivemos um momento delicado para a Educação, o que se
alia ao fato de termos no momento de escrita o marco de mais quatrocentas mil
mortes causadas pela covid-19. Deste modo, estamos a viver ainda sob as redes
das aulas virtuais, das salas no meet e outros. Em muitos casos, além de conviver
com os malabarismos ensaiados no modo virtual - testando novos meios, entradas
para o ensino – estamos também sob a pressão dos prazos e metas impostos,
pagando três semestres em um ano de situação atípica.
Para um estagiário de História que nunca esteve presencialmente em sala de
aula como observador ou interventor, a reflexão plaina sobre o que foi vivido como
aluno no modo presencial e as práticas executadas para efetuar o nosso trabalho no
Estágio. Os alunos não tem em muitos casos as condições físicas facilitadoras da
aprendizagem, como uma mesa para estudos, um computador ou até mesmo
internet em seus domicílios. Ainda, vale ressaltar, que estamos distantes
fisicamente, imaginando os melhores modos de linguagem que nos ajudem a
fomentar um ensino de História que valide as identidades. E, ainda, precisamos de
um ensino não linear, não totalizante e eurocêntrico da história, mas voltado para
questões de alteridade (CAIMI, 2006).
Então, nossa aula precisava corresponder a essas exigências. Precisávamos
planejar em cima dessas questões, haja visto além do acesso e acessibilidade para
os alunos, produzir aulas que se encaixassem nos prazos de tempo que temos. No
experienciado, fomos instruídos a aprender um pouco da entonação usada pelos
youtubers ou pelos apresentadores de podcast. Também a usar das aulas gravadas
para facilitar no acesso para os alunos. Nesses pontos, o supervisor nos instruiu a
trabalhar, planejar a fala diante de um tempo, além de cobrar para exposição um
material que correspondesse as exigências do momento, ou seja, de alunos tendo
que assistir as aulas pelo celular ou utilizando a internet do vizinho.
Foi praticada uma linguagem mais próxima do que hoje usam os youtubers,
pelo menos no quesito dos cumprimentos, das ênfases na fala, quando era
necessário enfatizar os conceitos, as conjunturas históricas e sociais e os
personagens. Vale ressaltar que para a exposição do conteúdo foi utilizado da leitura
dos pontos fulcrais do conteúdo, elencados em tópicos que juntos construíam tanto
um mapeamento do assunto discutido como uma ponte para comentários e ênfases.
A cada final do tópico retomávamos o ponto fazendo uma intervenção oral mais
solta, comentando a partir de linguagem menos formal até.
No que foi possível atingirmos diante de aulas que precisavam ser resumidas,
curtas e coesas, acreditamos que a grande problemática foi também não termos
mais tempo em nossas intervenções. Apenas um encontro para cada tema, limitados
a um espaço de tempo que chegava a nos preocupar em grande medida, uma vez
que estávamos atentos a qualidade das aulas. Mas no geral podemos evidenciar
que para o modo remoto as aulas gravadas, por exemplo, como as linguagens e
entradas mais informais funcionaram bem. Os alunos responderam de modo
satisfatório os questionários, mostrando domínio do conteúdo e aprendizado.
Recebemos bons comentários acerca dos métodos, tanto no feedback dos alunos
quanto do supervisor.
Fica concernente pensar que a escola e sua dimensão sensível está ainda
isenta de retomar ao modo presencial, nos obrigando a pensar entradas, meios que
facilitem o ensino aprendizagem. Para o ensino de História, fica claro que
precisamos enfatizar conceitos, personagens e conjunturas, nutrindo nossos
debates com discussões sobre as alteridades, as realidades plurais. Destarte, para o
modo remoto, num calendário tão apertado, viu-se que dinamizar, explorar a
gravação, a aula em horários pontuais e não pontuais, funcionou bem. Expectativas
acerca do aprofundamento de tais métodos serão pensados, para afinar os usos dos
meios e entradas citados aqui. Enfim, viu-se que o passado, enquanto
temporalidade não só nostálgica, pode nos oferecer comparações analíticas entre
elas, as temporalidades, para assim pensar novos meios e técnicas para o ensino.

CONSIDERAÇÕES
Foi na quinta série a memória mais antiga que tive sobre como estudar
História. A professorar Teresa Lúcia, a “Têú”, chegou para a turma com um livro
didático e disse que deveríamos ler em voz, linha a linha, o conteúdo da aula. De
início, lembro de ter sentido medo e apreensão. Ler um parágrafo, uma ideia inteira
em voz alta, era um assombro para uma criança em qualquer que seja o tempo.
Mas, em seguida, acabei de descobrir que não era apenas ler o que se foi
pedido em voz alta. Deveríamos grifar essa parte lida para estudo posteriores.
Deveríamos saber o porquê da leitura e o porquê de selecionar aquela informação
para estudarmos após a aula. Têú era assim. Uma mistura de ensino tradicional,
mas, ao mesmo tempo, inovador. Afinal, anos depois, descobri que essa
“metodologia adaptada” para capturar de informações e conceitos é o que se chama
hoje de fichamento.
O fato é: os alunos do ensino remoto, pelo menos as turmas em que
passamos, não terão essa mesma experiência sensorial com o conteúdo. Acredito
que terão outras. Serão telas, vídeos, toda uma dinamicidade acelerada que, muitas
vezes, não gerará uma memória afetiva para o conteúdo. Assim, decidimos trabalhar
por essa abordagem, justamente, por causa dos tempos pandêmicos e o que eles
poderão causar na formação da memória desses estudantes de hoje.
Sendo assim, tivemos a preocupação de, por meio das aulas, dos slides, das
interações no grupo do WhatsApp, promover uma espécie de memória afetiva diante
do conteúdo que foi dado. Tentamos com a estética, com a formas de discurso, com
a maneira de escrever e se comunicar. Tentamos fazer uma ponte entre conteúdo,
aceleração, memória individual e memória coletiva. Todavia, o resultado foi de
pouca adesão. Mas não desistiremos, continuaremos buscando novas perspectivas.
Bibliografia Consultada:
AZEVEDO, Crislane Barbosa de. Planejamento docente na aula de história:
princípios e procedimentos teóricos metodológicos. In: Revista Metáfora
Educacional, Feira de Santana, n.17, jun. 2013. p. 4-28.
CAIMI, Flávia Eloisa. Por que os alunos (não) aprendem História? Reflexões sobre
ensino, aprendizagem e formação de professores de História. In: Revista Tempo. v.
11, nº 21, 2006. p. 17- 32.

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