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PREFEITURA DE MARINGA

SECRETARIA DE SAÚDE

PROTOCOLO DE ATENÇÃO À MULHER,


CRIANÇA E ADOLESCENTE VÍTIMAS DE
VIOLÊNCIA SEXUAL, DOMÉSTICA E
FAMILIAR

MARINGÁ/ 08

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Coordenação do Núcleo de Atenção à Mulher, Criança e Adolescente Vítimas de
Violência Sexual, Doméstica e Familiar
Maria Tereza Soares Rezende Lopes -Secretaria de Saúde

Equipe de elaboração
Adriana Rocha Pereira- HU
Carmem Lucia Sespede- Secretaria de Educação
Célia Regina Cortelete - Delegacia da Mulher
Celso Pereira Barreto- GACA
Eliane Aparecida Tortolli Biazon- DST/ Aids
Luciana Cristina Verrengia- Programa Sentinela- SASC
Márcia Terezinha Liberatti- HU
Maria Tereza Soares Rezende Lopes- Secretaria de Saúde
Marta Evelyn Giansante Storti- DST/ Aids
Miriam Góes- HMM
Neuza Doce Moreno- NIS Aclimação
Ricardo Plepis Filho- HMM
Sandra R. B.Silva-HU
Silvana de Queiroz Muniz- SASC
Soraya Rodrigues Alves Abrão- SASC
Telma Regina B. Croce- SASC
Waldemar Puzzi Júnior- Médico do NIS Vila Esperança

Colaboradores
Cezar Helbel
Tereza Cristina Lacerda Viana

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INDICE
APRESENTAÇÃO ..............................................................................................................................5
SINAIS DE ALERTA..........................................................................................................................5
DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL, DOMÉSTICA E FAMILIAR .................................6
CONTRA A MULHER ...................................................................................................................6
DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL, DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A
CRIANÇA E ADOLESCENTE.......................................................................................................6
ACOLHIMENTO ÀS VÍTIMAS.........................................................................................................7
FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO DAS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL
E DOMÉSTICA EM MARINGÁ........................................................................................................8
FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS
VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA EM MARINGÁ ................................................................9
REGISTROS......................................................................................................................................10
ASPECTOS LEGAIS ........................................................................................................................10
ATENDIMENTO PSICOLÓGICO DA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA ...11
REFERÊNCIAS.................................................................................................................................12
UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (UBS)/ EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) .......12
HOSPITAL DE REFERÊNCIA (HU ou HMM)...........................................................................12
NÚCLEO DE PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS E ACIDENTES ...........................................19
DELEGACIA DA MULHER ........................................................................................................19
INSTITUTO MÉDICO LEGAL (IML).........................................................................................19
MINISTÉRIO PÚBLICO ..............................................................................................................19
PODER JUDICIÁRIO ...................................................................................................................19
CONSELHO TUTELAR ...............................................................................................................20
ABRIGO PROVISÓRIO (da criança e adolescente).....................................................................20
CASA ABRIGO EDNA RODRIGUES DE SOUZA (mulher) .....................................................20
CENTRO DE REFERÊNCIA DA MULHER MARIA MARIÁ (CRAMMM)............................20
CREAS- CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL........20
ALTA DA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA .................................................21
REDE DE ATENÇÃO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA .....................22
ANEXOS ...........................................................................................................................................24
FICHA EPIDEMIOLÓGICA ........................................................................................................24
FICHA DE ENCAMINHAMENTO..............................................................................................24
FICHA DE INFORMAÇÃO À DELEGACIA E AO CONSELHO TUTELAR..........................24
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................................27

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APRESENTAÇÃO
No ano de 2006 o Município de Maringá foi contemplado com recurso de R$ 50.000,00
previsto no Edital nº 3 de 11 de setembro de 2006, o qual foi aplicado para investir inicialmente na
prevenção da violência sexual e doméstica, bem como na assistência às vítimas deste tipo de
violência. Este recurso foi utilizado para capacitação dos profissionais, confecção deste protocolo,
elaboração de material gráfico para orientação à comunidade e aquisição de equipamentos para a
implantação do Núcleo de Prevenção dos Acidentes e Violências.
Considerando que o município tem investido na implantação da Política Nacional de
Humanização (HumanizaSUS), que incentiva a construção de protocolos para serviços com perfil
humanizador, este protocolo visa reforçar o conceito de clínica ampliada: compromisso com o
sujeito e seu coletivo, estímulo a diferentes práticas terapêuticas e co-responsabilidade de gestores,
trabalhadores e usuários no processo de produção de saúde. Propõe também sensibilizar os
profissionais em relação ao problema da violência intrafamiliar (criança, mulher e idoso) e quanto à
questão dos preconceitos (sexual, racial, religioso e outros).
Este documento foi construído por equipe multisetorial, de várias Secretarias e
Instituições do município, para dar subsídios à todos os profissionais que atuam na assistência às
vítimas de violência, promovendo um encaminhamento seguro e eficaz para a solução do problema.
Segundo o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), a política de atendimento dos
direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações
governamentais e não-governamentais, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.
O objetivo deste protocolo é de capacitar os profissionais que estão envolvidos na
assistência à mulheres, crianças e adolescentes a promoverem ações de prevenção de violências
praticadas contra estes grupos, bem como a identificarem casos na comunidade e promoverem o
acolhimento das vítimas e suas famílias.
Além disso, como um objetivo não menos importante, se busca sensibilizar os
profissionais para a necessidade de produção de dados estatísticos e de estudos qualitativos que
possam nortear o planejamento das políticas públicas para a sua prevenção e erradicação, com a
necessária vinculação da violência e dos direitos com a saúde.

SINAIS DE ALERTA
As vítimas de violência são usuárias assíduas dos serviços de saúde. Em geral não
relatam agressão sofrida e são tidas como hipocondríacas, apresentando queixas vagas e crônicas,
com resultados normais em investigações e exames realizados.
Os profissionais devem estar aptos a identificar as possíveis vítimas de violência,
procurando conhecer a história de vida, pois o tratamento meramente sintomático, manterá oculto o
problema. Deve-se estar atento para relatos de acidentes freqüentes, como também para a
compatibilidade deste relato e a lesão observada. Mesmo que num primeiro momento as vítimas
neguem, o profissional ou as entidades (escolas, hospitais, unidades de saúde, igrejas e outras)
diante das evidências, devem agir de maneira cuidadosa, tentando estabelecer um diálogo e
possibilitando assim um canal de ajuda.
As manifestações clínicas da violência contra a mulher estão descritas no capítulo II da
Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340 de 07/08/06):

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DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL, DOMÉSTICA E FAMILIAR

CONTRA A MULHER
Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde
corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional
e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição
contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou
qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a
manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou
uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que
a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao
aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou
anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção,


subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos
pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas
necessidades;

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação
ou injúria.

DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL, DOMÉSTICA E FAMILIAR


CONTRA A CRIANÇA E ADOLESCENTE

Violência física, psicológica e negligência

É considerado violência contra a criança e adolescente toda ação ou fala que ameace sua
integridade física ou psicológica, expondo à perigo por pessoa que deveria protege-lo ou educa-lo,
como: pais, professores, médicos ou responsáveis por sua guarda, quer com emprego de violência
física e moral, quer por omissão na alimentação, higiene ou saúde.

Violência sexual

É considerado violência sexual sempre que um adulto ou um adolescente mais velho mantém
com a criança ou adolescente, palavras, atitudes ou ações que tem com intenção sua gratificação
sexual, seja ela através de manipulação, toques, carícias, participações em jogos sexuais de
adultos, exibicionismo, pornografia, prática de sexo oral, anal, até o estupro, propriamente dito.
Na grande maioria dos casos, as agressões acontecem dentro de suas casas, sendo o abusador
pessoa que tem com a vítima uma relação de confiança, convivência ou dependência, como os
próprios pais, padrastos, avós, irmãos, tios e outros.

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Exploração sexual

A exploração sexual comercial infanto-juvenil se caracteriza pelo ato de oferecer serviços


sexuais de uma criança ou adolescente em troca de qualquer forma de pagamento, seja dinheiro,
objetos, serviços ou favores (como casa, comida e proteção). A exploração sexual da criança é
geralmente praticada por um adulto e constitui-se como uma violação dos direitos fundamentais da
criança e uma das formas mais perversas de trabalho infantil.

Outras violências
Intervenção legal- violência ou acidente envolvendo armas de fogo, uso de explosivos, gás, objetos
contundentes, objetos cortantes e penetrantes e execução legal

Violência financeira
Controlar as finanças domésticas de modo a retirar o poder à mulher.

ACOLHIMENTO ÀS VÍTIMAS
Dentro dos princípios do acolhimento, os profissionais devem viabilizar uma atenção
oportuna, eficaz, segura e ética.
Na maior parte das vezes, a vítima encontra-se fragilizada psicologicamente, necessitando
de um atendimento imediato e uma atitude, por parte da equipe, de solidariedade e respeito.
Para a implantação e operacionalização deste protocolo, faz-se necessário a reorganização
do processo de trabalho, para a priorização da clientela de risco, com necessidades emergenciais,
eliminando as barreiras burocráticas organizacionais, que dificultam ou limitam o acesso ao
serviço.
Portanto, os profissionais devem:
• Desenvolver uma atitude positiva que possibilite a vítima sentir-se acolhida e apoiada;
• Procurar estabelecer um vínculo de confiança individual e institucional;
• Avaliar a história da violência, a possibilidade de risco de vida, o nível de motivação para
lidar com a situação, as limitações e possibilidades pessoais;
• Pautar-se pela ética, preservando o sigilo e garantindo a segurança das informações;
• Desenvolver uma atitude compreensiva, evitando o julgamento e a crítica;
• Respeitar o tempo e a decisão da vítima;
• O profissional deve se estruturar buscando evitar interrupção durante o atendimento, para
manter a integridade da vítima;
• Cada profissional da rede de atendimento cumpre um papel específico no atendimento. No
entanto, toda a equipe deve estar sensibilizada para as questões da violência e estar capacitada
para acolher e dar suporte às suas demandas, utilizando – se deste protocolo.

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FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO DAS MULHERES VÍTIMAS
DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA EM MARINGÁ

PORTA DE ENTRADA Preencher e encaminhar


Serviços de Saúde ficha de notificação à
Escolas Vigilância Epidemiológica-
SAMU e SIATE nos casos de violência
Centros de Referência doméstica
Polícia Militar e Civil

Preencher e VIOLÊNCIA
VIOLÊNCIA encaminhar ficha DOMÉSTICA
SEXUAL de notificação à OU OUTRAS
Vigilância à Saúde

NECESSIDADE DE
HU ASSISTÊNCIA
Protocolo HOSPITALAR

SIM NÃO

HU
ou HMM

IML Delegacia Ministério


Público

CRAMM (Centro de Casa


Referência da Mulher) Abrigo

Acompanhamento ou pré-natal
pelas Unidades Básicas de
Saúde (UBS)/ Equipes de Saúde
da Família(ESF)

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FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO DAS CRIANÇAS E
ADOLESCENTES VÍTIMAS VIOLÊNCIA SEXUAL E
DOMÉSTICA EM MARINGÁ
PORTA DE ENTRADA
Serviços de Saúde Preencher e encaminhar
Escolas ficha de notificação à
SAMU e SIATE Vigilância Epidemiológica-
Centros de Referência nos casos de violência
Polícia Militar e Civil doméstica
CIACAS

VIOLÊNCIA VIOLÊNCIA
SEXUAL DOMÉSTICA
OU OUTRAS

Preencher e
encaminhar ficha NECESSIDADE DE
HU ASSISTÊNCIA
Protocolo de notificação à
Vigilância à Saúde HOSPITALAR

SIM NÃO

HU
ou HMM

Delegacia

Ministério
Público
CREAS Conselho Tutelar
Programa Sentinela
Abordagem de rua
CRCA

Acompanhamento ou pré-natal
pelas Unidades Básicas de IML
Saúde (UBS)/ Equipes de Saúde
da Família(ESF)

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REGISTROS
• Realizar os registros necessários não só para o acompanhamento da vítima como também
para fins legais. Todas as informações devem ser cuidadosamente registradas no prontuário
médico, com letra legível e sem espaços em branco tendo em vista que este prontuário
poderá ser fonte oficial de informações. Deve constar:
 Data e hora dos atendimentos;
 História clínica e exame físico completo, incluindo o exame ginecológico;
 Descrição minuciosa das lesões, relatando se são recentes ou não e sua localização
específica, utilizando o modelo horário;
 Descrição do relato do paciente, bem como das orientações fornecidas pelo profissional;
 Identificação no prontuário de todos os profissionais que atenderam a vítima.
Lembrar que este registro será de fundamental importância caso a mulher venha a
engravidar em decorrência da violência sofrida, como também poderá fazer parte de
um processo judicial;
• Preencher a ficha epidemiológica- todos os campos devem ser preenchidos:
o Nos casos de violência sexual a ficha epidemiológica deverá ser preenchida no
HU;
o Nos casos de violência doméstica e intrafamiliar a ficha epidemiológica deverá
ser preenchida pela instituição que recebeu a vítima (a porta de entrada);
• Notificar a violência, quando se tratar de crianças e adolescentes, ao Conselho Tutelar e à
Promotoria da Criança e Juventude. Nos casos de violência contra crianças e adolescentes, o
profissional de saúde é, por lei, obrigado a notificar ao Conselho Tutelar, mesmo quando se
tratar de uma suspeita;
• Nos casos de violência contra a mulher, mesmo que ela não queira prestar queixa, o
profissional que atendeu deve informar a Delegacia, através de um formulário específico
(em anexo);
• Quando houver necessidade de encaminhar a vítima para outra referência, preencher a ficha
de encaminhamento (em anexo);

ASPECTOS LEGAIS
Os crimes de violência sexual são em regra, de ação penal privada, ou seja, dependem que a
própria vitima ou seu representante legal ingresse com uma queixa crime (iniciar a ação
criminal contra o agressor), através de um advogado. A mulher acima de 18 anos tem o direito
de decidir se faz ou não a queixa crime.
Quando o crime é cometido em menores de 18 anos, com abuso do pátrio poder (pai) ou na
qualidade de padrasto, tutor ou curador, o Conselho Tutelar deve ser acionado e este fará a
denúncia policial e representará criminalmente a criança ou o adolescente perante o juizado.
Nos casos em que a vítima ou seu representante legal não tenha condições financeiras para
contratar um advogado para processar o criminoso, poderá manifestar o desejo de representar
criminalmente contra o agressor (processar) na oportunidade em que registrar a ocorrência
policial. Então, o Ministério Público (promotor de justiça) passará a atuar como advogado da
vítima.
O poder judiciário, através das suas varas criminais e dos respectivos magistrados, será
responsável pela instrução e julgamento do processo criminal, após o recebimento da denúncia
oferecida pelo Ministério Público ou do recebimento da queixa crime representada pelo
advogado.
A expressão abuso sexual não está contemplada na lei penal, apenas nos livros de medicina
legal e no estatuto da criança e do adolescente e em literaturas próprias.
Os crimes de natureza sexual definidos pela lei penal são:

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• Estupro – conjunção carnal mediante violência ou grave ameaça (relação pênis\vagina sem a
autorização ou consentimento da mulher);
• Atentado violento ao pudor – sexo anal, sexo oral e outras formas de manipulação feitas
para a satisfação sexual do abusador. Tais atos são tratados pela lei como ato libidinoso da
conjunção carnal;
• Posse sexual mediante fraude (art 215, código penal brasileiro (C.P.B));
• Atentado ao pudor mediante fraude (art 216, C.P.B);
• Assedio sexual (art216, C.P.B);
• Corrupção de menores (art218, C.P.B);
• Rapto violento ou mediante fraude (art219, C.P.B)
• Rapto consensual (art220, C.P.B)

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO DA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA


SEXUAL E DOMÉSTICA
A unidade deve realizar o atendimento psicológico às vítimas apenas quando se sentir
capacitada para isto. Caso contrário, poderá encaminhar ao CRAMMM. De qualquer forma, no
primeiro atendimento, a vítima poderá ser abordada pela equipe da UBS.

Temas a serem abordados:

Primeiro momento:
• Avaliação dos sentimentos predominantes (medo, raiva, culpa, ansiedade, angustia, calma);
• Avaliação do grau de desorganização da vida pessoal;
• Avaliação da organização psíquica e mecanismos de defesa;
• Reações psicossomáticas;
• Reações do grupo social em que está inserida (acolhimento e apoio, críticas, discriminação,
revolta, expulsão);
• Aconselhamento sobre DST\AIDS;
• Importância de respeitar o estado emocional em que se encontra a vítima e suas limitações;
• Apoio emocional;
• Entrevista psicológica com acompanhante ou familiar.

Momentos subseqüentes:
• Reorganização da vida após a violência sofrida (retorno ao trabalho, à escola, as atividades
desenvolvidas);
• Prevenção de futuras conseqüências na vida pessoal (estado depressivo, escolhas de
relacionamentos, perpetuação da violência);
• Recuperação da auto-estima;
• Encaminhamento para avaliação psiquiátrica, caso seja necessário;
• Repercussões no sentimento frente à figura masculina;
• Apoio emocional;
• Sentimentos persecutórios provenientes da violência sofrida.

Em casos de gravidez decorrente da violência:


• Sentimentos relacionados à constatação da gravidez, fruto da violência sexual
(ambivalência, culpa, rejeição, aprovação);
• Fantasias relacionadas à gravidez e ao abortamento, desejo frente à maternidade;
• Acompanhamento psicológico;
• Atendimento familiar.
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REFERÊNCIAS

UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (UBS)/ EQUIPES DE SAÚDE DA


FAMÍLIA (ESF)

As unidades básicas de saúde caracterizam-se como uma das portas de entrada preferencial,
assegurando o atendimento e sua continuidade, bem como o acesso aos demais pontos de atenção,
quando necessário. O PSF é muito importante na captação dos casos de violência e no
acompanhamento às vítimas e suas famílias.

Atendimento pela equipe de saúde.


• Prestar os cuidados necessários referentes às queixas das vítimas;
• Realizar o encaminhamento às referências, conforme descrito neste protocolo;
• Incluir o tema violência nas ações educativas promovidas pela unidade de saúde;
• Incluir autores de violência em programas de atendimento em saúde mental, na unidade ou
no Centro de Referência à Mulher Maria Mariá (CRAMMM);
• Informar a vítima os recursos que ela tem (CRAMMM, Conselho Tutelar e outros descritos
neste protocolo) e encaminha-la para as referências, quando possível;
• A visita domiciliar permite a observação mais adequada para identificar, com mais
segurança, a situação de violência- ACOMPANHAMENTO MAIS INTENSIVO PELO
PSF;
• Ficha epidemiológica- deverá ser preenchida pela UBS somente nos casos de violência
doméstica. Nos casos de violência sexual, o HU preencherá;
• Providenciar o transporte da vítima ao serviço de referência;
• Encaminhar para serviços especializados/ hospitalares:
 Ao HU: todos os casos de violência sexual, lesões mais graves que necessitem de
atendimento hospitalar, queimaduras de maior gravidade, traumas cranianos que
necessitem redução cirúrgica, suspeita de lesão de órgãos internos;
 Estado de choque emocional- encaminhar à Emergência Psiquiátrica do Hospital
Municipal.
• Encaminhar para atendimento psicológico individual ou familiar quando necessário;
• Nos casos de violência sexual a vítima deve ser orientada a não realizar a higienização
nem trocar de roupa antes do exame do perito. Encaminhar ao HU o mais rápido
possível.

HOSPITAL DE REFERÊNCIA (HU ou HMM)

Violência sexual- HU
Violência doméstica ou intrafamiliar- HMM ou HU

Cabe ao HU (resumo):
• No caso de violência sexual: realizar contracepção de emergência, a profilaxia de DST, a
profilaxia do HIV e a profilaxia das hepatites, conforme descrito abaixo;
• Solicitar outros exames que se fizerem necessários;
• Agendar os atendimentos subseqüentes para realização dos exames, conforme os quadros
abaixo;
• Preencher o formulário de solicitação de anti-retrovirais;

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• Preencher a ficha epidemiológica- com os resultados de exames dos atendimentos
subseqüentes;
• Informar a Delegacia da Mulher sobre a agressão, mesmo que a vítima não preste queixa;
• No caso de criança ou adolescente, informar ao Conselho Tutelar;
• Realizar a contra-referência ao PSF, se a vítima permitir, para posterior acompanhamento;

Cabe ao HMM:
• Atender os casos de vítimas que estiverem em choque emocional, na Emergência
Psiquiátrica;
• Atender casos de violência doméstica e intrafamiliar com lesões menos graves;
• Solicitar exames necessários: radiológicos e outros que se fizerem necessários;
• Preencher ficha epidemiológica no caso de violência doméstica e intrafamiliar;
• Informar a Delegacia da Mulher sobre a agressão, mesmo que a vítima não preste queixa;
• No caso de criança ou adolescente, informar ao Conselho Tutelar;
• Realizar a contra-referência ao PSF, se a vítima permitir, para posterior acompanhamento;

Atendimento
Orientações gerais
• Nos casos de violência doméstica com lesões, avaliar necessidade de exames radiológicos,
laboratoriais, procedimentos cirúrgicos e outros;
• Realizar ou encaminhar para acompanhamento psicológico;
• Explicar sobre os atendimentos e os exames que serão realizados durante o
acompanhamento até a realização da alta, descritos abaixo nos quadros 2, 3, 4 e 5,
ressaltando a importância da sua adesão ao acompanhamento proposto;
• Encaminhar para acompanhamento da Equipe de Saúde da Família (ESF) de sua área de
abrangência, com autorização da vítima;
• Agendar a consulta de retorno e as consultas de acompanhamento, com os resultados dos
exames indicados para cada época;
• Acompanhamento- durante o primeiro mês após a agressão a vítima deve ser acompanhada
com uma maior freqüência através de uma consulta por semana, na UBS de sua área de
abrangência ou no próprio Hospital quando necessário, buscando fortalecer a adesão ao uso
dos anti-retrovirais, bem como garantir a avaliação constante de possíveis efeitos colaterais
provenientes do uso destes medicamentos. O Hospital deverá informar a UBS para que a
mesma possa realizar este acompanhamento.
Nos meses subseqüentes, as consultas de acompanhamento devem ser focadas no exame
clinico ginecológico minucioso que complete a verificação de lesões, corrimentos e quadros
clínicos sugestivos de DST e amenorréia compatível com gravidez. Estas consultas devem
coincidir com as avaliações laboratoriais preconizadas.
Para todos os casos, mesmo para os assintomáticos ou com exames laboratoriais negativos
no primeiro atendimento, devem ser solicitados os exames laboratoriais relativos à gravidez,
sífilis, HIV, Hepatite B e Hepatite C, nas consultas de acompanhamento previamente
agendadas.
Considerar sempre a data da agressão para o cálculo das datas dos exames laboratoriais
previstas no acompanhamento.
Os casos com diagnósticos de patologias ou gravidez devem ser acompanhados de acordo
com as especificidades de cada situação.

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No caso de violência sexual
• Orientar o uso de preservativo em todas as suas relações, até que tenha alta. Enfatizar que
mesmo que faça uso de método anticoncepcional, o uso do preservativo é imprescindível
para a prevenção de possível infecção do seu parceiro. Oferecer preservativos;
• Analisar a necessidade da convocação do parceiro sexual;
• A vítima deve ser orientada a não realizar a higienização nem a trocar de roupa até o exame
pericial;
• Deve-se evitar que a vítima repita o relato da agressão mais de uma vez;

Atendimento com menos de 72 horas da agressão


• Realizar a contracepção de emergência nas pacientes que não estejam usando um
contraceptivo eficaz, na impossibilidade de avaliar o método contraceptivo em uso, ou que
ainda não receberam a medicação na unidade de saúde;
• Realizar profilaxia das DST/AIDS, com medidas específicas;
• Realizar, nas não vacinadas para hepatite B – vacina e imunoglobulina até 48 horas após a
violência;
• Realizar os exames descritos no quadro 1.

Atendimento com mais de 72 horas de agressão


É de fundamental importância o atendimento e o acompanhamento dessas vítimas para a
investigação de uma possível infecção por DST ou de gravidez decorrentes da violência sofrida,
como também a realização dos encaminhamentos e das orientações necessárias.
Neste sentido, as vítimas que chegarem ao serviço de saúde depois de 72 horas do momento
da violência, devem ser atendidas e acompanhadas pelo serviço de referência.

Exames Laboratoriais
• A paciente deve ter acesso a todos os exames por ocasião do 1º atendimento, independente
da época de procura ao serviço, uma vez que 15% das mulheres que sofrem violência sexual
contraem algum tipo de DST e, 1 em cada 1.000, é infectada pelo HIV;
• BHCG deve ser sempre solicitado no primeiro atendimento, mesmo nas pacientes com ciclo
menstrual regular (mulheres, adolescentes e crianças em idade fértil);
• Estes exames refletirão o momento imunológico zero e devem ser realizados antes da
dispensa de qualquer medicação;
• O tratamento preventivo deve ser iniciado imediatamente, mesmo que, por algum motivo,
não se possa realizar estes exames;
Quadro 1 – Exames Laboratoriais no 1º Atendimento:
PESQUISA EXAME
Gravidez BHCG
Sífilis VDRL
HIV Anti HIV
Hepatite B HBsAg e anti HBs
Hepatite C AntiHCV
Gonococo, tricomoníase, clamídia Imunofluorescência direta, bacterioscopia,
cultura e exame a fresco

• Garantir a continuidade do atendimento, pré-agendando os exames, que deverão ser colhidos


segundo a periodicidade abaixo relacionada;

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Exames laboratoriais previstos no acompanhamento e periodicidade

Quadro 2- Exames que deverão ser solicitados 30 dias após a data da agressão:
PESQUISA EXAME
GRAVIDEZ BHCG
FUNÇÃO HEPÁTICA (em caso de TGO, TGP, Uréia e Creatinina
profilaxia com anti retroviral)
Quadro 3- Exames que deverão ser solicitados 45 dias após a data da agressão:
PESQUISA EXAME
SIFILIS VDRL
HIV ANTI HIV

Quadro 4- Exames que deverão ser solicitados 90 dias após a data da agressão:
PESQUISA EXAME
SIFILIS VDRL
HIV ANTI HIV
HEPATITE B HBsAG

Quadro 5- Exames que deverão ser solicitados 180 dias após a data da agressão:
PESQUISA EXAME
HIV ANTI HIV
HEPATITE C ANTI HCV

Profilaxia/ tratamento

HIV
• A vítima deve ser informada sobre os efeitos colaterais associados com a terapia e a
necessidade de adesão ao esquema;
• Sugere-se que sejam oferecidos aconselhamentos adequados e o emprego de estratégias
destinadas a melhorar a adesão à profilaxia, como o tratamento supervisionado, com
acompanhamento clínico- psicológico e a dispensação do medicamento;
• Deve-se esclarecer que a proteção conferida pela profilaxia contra a infecção pelo HIV não é
absoluta, mesmo com início precoce e adesão ao tratamento;

1) Em situação em que o agressor é sabidamente HIV +


• Quando a violência ocorreu com menos de 72 horas, prescrever quimioprofilaxia em caso de
qualquer contato sexual não consentido envolvendo contato direto do agressor com as
mucosas da vitima, com ou sem penetração vaginal, anal e oral;

2) Em situações em que o estado sorológico do agressor é desconhecido.


• Para a tomada de decisão terapêutica, sempre que possível, realizar avaliação sorológica do
agressor, dentro do prazo elegível para início da profilaxia (<72 horas), fazendo o uso do teste
rápido.
• Quando o estado sorológico do agressor não puder ser conhecido em tempo elegível, é
indicado o uso da profilaxia em situações de exposição envolvendo penetração vaginal, anal
ou sexo oral com ejaculação.

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Esquemas anti- retrovirais

1. Pacientes expostos a agressores com sorologia desconhecida ou HIV positivo virgem de


tratamento anti-retroviral

AZT 100mg (zidovudina) 3 comprimidos 12\12 horas 28 dias


3TC 150mg (lamivudina) 1 comprimido 12\12 horas 28 dias
Indinavir 400mg + Ritonavir 100mg 2 e 1 capsulas 12\12 horas 28 dias

CRIANÇA (ABAIXO DE 30KG)


AZT 100mg (Zidovudina) 120mg\m² 8\8 horas 28 dias
Solução oral: 10 mg\ml Dose máxima de 600mg\dia
3TC (lamivudina) 4mg por kg 12\12 horas 28 dias
Comprimidos de 150mg ou Dose máxima de 150 mg\dia
solução oral, 10mg\ml em
frasco de 240ml
Indinavir 400mg (cap) 500mg\m² 8\8 horas 28 dias
ou
Ritonavir 100mg (cap) < 0,6m² - 300 a 400 12\12 horas 28 dias
ou
Ritonavir 80mg\ml solução 350 a 400mg\m² 12\12 horas 28 dias
oral em frasco 240ml

2. Pacientes expostos a agressores HIV positivo em tratamento com anti-retroviral


• Esquema individualizado conforme esquema ARV do agressor
• Deve ser avaliado por especialista

Hepatite B

Interpretação da pesquisa de hepatite B e conduta:

HBsAg Anti HBs Conduta


negativo negativo Oferecer vacina contra Hepatite B abaixo
descrita
negativo positivo Imunidade. Nada a ser feito.
positivo negativo Solicitar Anti HBc IGM
Se positivo- doença recente
Se negativo- pode estar em incubação, em
convalescença ou hepatite crônica

Vacinação (engerix B): 1,0ml em adulto e 0,5 em menores de 12 anos, em 3 doses

• Indicado nos casos em que a vítima não realizou o esquema de vacinação ou realizou de
forma incompleta;
• A segunda e a terceira dose devem ser administradas respectivamente em 1 e 6 meses após a
primeira;
• A gravidez e a lactação não contra-indicam a vacinação anti-hepatite B.

Gamaglobina hiperimune (HIBG): 0,06ml\kg de peso corporal, IM, dose única

16
• Indicado nos casos em que a vítima não realizou o esquema de vacinação ou realizou de
forma incompleta;
• Se a dose a ser utilizada ultrapassar 5ml, dividir a aplicação em duas áreas diferentes;
• Aplicar em membro diferente do usado para o esquema de vacinação;
• Maior eficácia na profilaxia é obtida com uso precoce da HBIG, até 48 horas após ao
acidente.

DST

O Ministério da Saúde preconiza o tratamento conforme Protocolo de Abordagem Sindrômica


das DST:

Quadro - Manejo clínico das DST


SÍNDROME DOENÇA
Úlcera Genital Sífilis primaria, Cranco mole, Herpes genital,
Linfogranuloma venéreo, Donovanose
Corrimento Uretral Uretrite gonocócica
Uretrite não gonocócica
Corrimento Vaginal Gardnerella vaginalis (vaginose)
Vulvovaginite, Trichomoniase e cândida
Dor Pélvica Cervicite gonocócica, Cervicite não gonocócica
Doença inflamatória pélvica

Profilaxia e tratamento das DST (prescrever no primeiro atendimento, quando a vítima


apresentar ou não os sintomas)
Adulto e adolescente com 45kg ou mais
CIPRO 500mg, VO, dose única
Gestante e nutrizes <18kg - Ceftriaxona 250mg, IM, dose única
Azitromicina 1g, VO, dose única
Em gestantes e nutrizes usar Amoxicilina 500mg, VO, 8\8 h, por 7 dias
Penicilina G Benzatina 2.400.000 UI, IM, dose única
Metronidazol 2g, VO, dose única
Em gestantes tratar apenas após completar o primeiro trimestre e em nutrizes suspender
o aleitamento por 24 horas

Criança e adolescente com 45 kg


Gonorréia Ceftriaxona 125mg, Im, dose única
Clamídia trachomatis Azitromicina 20mg\kg (maximo 1g), VO,
dose única ou Eritromicina 50mg\kg, por
dia 6\6 h, por 10 a 14 dias
Tricomoníase e Vaginose bacteriana Metronidazol 15mg\kg por dia, 8\8 h, por
7 dias
Sífilis Penicilina Benzatina 50.000 UI\kg, IM,
maximo de 240.000 UI

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Anticoncepção de Emergência – ACE
A contracepção pós-coital ou de emergência é uma medida essencial no atendimento de pacientes
que sofreram estupro, que já tenham atingido a menarca e que não estejam em uso de contraceptivo
eficaz ou na impossibilidade de avaliar a eficácia do método.
A probabilidade média de ocorrer gravidez em um único coito sem proteção, na segunda ou
terceira semana do ciclo menstrual, é de 8%. Com anticoncepção oral de emergência, esta taxa cai
para 2% . Por isso, a anticoncepção de emergência (pílula do dia seguinte ou pós-coital) é medida
essencial para a prevenção de gravidez pós-estupro e, consequentemente, do aborto.
Este método atua inibindo ou adiando a ovulação, interferindo na capacitação espermática,
possivelmente na maturação do oócito, na produção hormonal normal pós-ovulação. A
anticoncepção oral de emergência não tem nenhum efeito após a implantação ter se completado.
É indicado preferencialmente o uso de progestagênio puro, pela sua maior tolerância e eficácia,
ou o método Yuzpe, que consistem na administração oral de pílulas combinadas (estrogênio e
progestagênio). Para garantir a eficácia do método, a primeira dose da ACE deve ser iniciada até 72
horas após o coito desprotegido. Existem estudos que mostram que há algum efeito, ainda que
menor, até 5 dias após a agressão. No entanto, quanto mais cedo se der a utilização do método
melhor a eficácia.
Em caso da paciente apresentar vômitos, utilizar antieméticos. Repetir a dose do hormônio, se o
vômito ocorrer dentro das primeiras 2 horas após a ingestão.

PRIMEIRA OPÇÃO- UBS


Dosagem Hormonal Modo de usar
Levonorgestrel 0,75mg 1 comprimido,12\12 h, total de 2
comprimidos

SEGUNDA OPÇÃO – VER COM O HU


Dosagem Hormonal Modo de usar
Levonosgestrel 0,25mg + etinil –estradiol 1 comprimido,12\12 h, total de 4
0.05mg comprimidos

TERCEIRA OPÇÃO
Dosagem Hormonal Modo de usar
Levonorgestrel 0,15 + etnil- estradiol 4 comprimidos, 12\12 h, total de 8
0.03mg comprimidos

Possibilidade de gravidez decorrente da violência sexual


• Orientar a vítima para retornar ao serviço em caso de atraso menstrual. Avaliar se já existe
atraso menstrual e registrar a data da última menstruação;
• Discutir a possibilidade de gravidez ou de infecção de DST/Aids como conseqüência da
violência sofrida;

Gravidez confirmada – Nesta situação a mulher deve ser esclarecida sobre as possibilidades
existentes:
• Se a vítima estiver grávida ou suspeitando de gravidez deve-se identificar claramente a
demanda trazida por ela: identificação do desejo de interrupção da gravidez ou não,
existência de valores morais ou religiosos que possam determinar ou influenciar a sua
decisão e a discussão de alternativas para a interrupção da gravidez;

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• Na impossibilidade de realizar o aborto ou na recusa por parte da mulher, esta deve ser
encaminhada à unidade de saúde, da área de abrangência de sua residência, para o pré-natal;
• Desejo de continuar a gravidez e dar a criança para adoação – pré-natal na UBS e
encaminhamento à 2ª Vara da Infância e da Juventude, para encaminhamento do processo de
adoção;
• Aborto legal- Poder judiciário

NÚCLEO DE PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS E ACIDENTES


O Núcleo tem como finalidade promover a integração entre a Rede de Atenção às
Vítimas de Violência, monitorar as violências e acidentes e propor capacitações e ações para a
redução das mortes e internações por estes agravos.

DELEGACIA DA MULHER
Fazer um cuidadoso registro da ocorrência, encaminhar a vítima ao Instituto Médico
Legal para a realização do exame pericial, com coleta de material e constatações de lesões
corporais, quando a vítima ainda não passou por este tipo de exame. Essas informações, juntamente
com os termos de declarações, farão parte do inquérito policial que será remetido ao Poder
Judiciário, com o indiciamento do autor da violência. Trabalhando com uma concepção de rede
integrada de serviços, espera-se que as delegacias de polícia também encaminhem devidamente as
vítimas de violência sexual aos serviços de saúde públicos de referência.

INSTITUTO MÉDICO LEGAL (IML)


O IML deve assegurar a realização dos exames periciais encaminhados pelas delegacias
de polícia, Polícia Militar e pelo Poder Judiciário para comprovar a materialidade do crime.
Tais exames estão entre provas importantes nos processos criminais de estupro e atentado
violento ao pudor. Os exames realizados por médicos peritos objetivam atestar e averiguar a
existência de lesões corporais, conteúdo vaginal (sêmen\esperma\lesões internas), pelos peritos de
plantão, após solicitar a emissão da requisição dos exames periciais junto à Delegacia da Mulher.

MINISTÉRIO PÚBLICO
• Comunicação pelos Centros de Referência, pela Delegacia de Polícia, Conselho Tutelar,
Varas Criminais ou disque denúncia, da situação de risco (art. 98 do ECA);
• Instauração de procedimento para aplicação imediata de medidas de proteção, nos termos do
art. 101 do ECA, com fiscalização de sua execução;
• Propositura de ação de suspensão ou destituição do poder familiar, se for cabível;
• Propositura de ações criminais, perante juízo criminal, contra o autor da violência.

PODER JUDICIÁRIO
O Poder Judiciário, através de suas varas criminais e respectivos magistrados, será
responsável pelo recebimento (ou não) da denúncia oferecida pelo Ministério Público ou pelo
recebimento (ou não) da queixa crime, bem como pela instrução e pelo julgamento no processo
criminal. O juiz será o responsável pelo andamento do processo, ouvindo o acusado, a vítima, as
testemunhas e realizando a análise dos exames periciais e demais provas do crime, até a sentença
criminal condenatória ou absolutória. O Poder Judiciário continuará responsável pelo processo em
segundo grau de jurisdição (Tribunais de Justiça), onde então haverá uma decisão colegiada dos
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Desembargadores, em caso de encaminhamento ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo
Tribunal Federal.

CONSELHO TUTELAR
O Conselho Tutelar deverá encaminhar o responsável pela criança ou pelo adolescente
para registrar ocorrência policial e para realizar o exame pericial. Entretanto, será o órgão
competente para representar crianças e adolescentes, caso eles tenham seus direitos violados pelos
próprios pais ou responsáveis, por violação ou omissão. O Conselho Tutelar deve encaminhar o
caso ao Ministério Público ou Varas/Juizado da Infância e Juventude. Os crimes cometidos pelos
pais ou responsáveis contra crianças e adolescentes podem ensejar a perda do pátrio poder e o
afastamento do agressor ou agressora do lar. A vítima também poderá ser encaminhada pelo
Conselho Tutelar para um abrigo ou casa de algum familiar.

ABRIGO PROVISÓRIO (da criança e adolescente)


Unidade da Rede de Proteção Social Especial da SASC. Programa de proteção, de
caráter provisório, com prazo previsto para 45 dias, destinado às crianças e adolescentes de 0 (zero)
à 18 (dezoito) anos de idade incompletos, que se encontrem em risco social, em razão de abandono
material e moral, vitimadas pela violência intra-familiar, em situação de rua e/ou trânsito. O Abrigo
é medida provisória e excepcional, não importando privação de liberdade.

CASA ABRIGO EDNA RODRIGUES DE SOUZA (mulher)


A Casa Abrigo deverá abrigar a mulher e seus filhos menores (meninos menores de 12
anos e meninas de todas as idades) vítimas de violência, com risco de morte. Seu endereço é
sigiloso para preservar a vida da mulher e de seus filhos.

CENTRO DE REFERÊNCIA DA MULHER MARIA MARIÁ (CRAMMM)


Atendimento psicológico, social e orientações jurídicas para a mulher e seus filhos em
situação de violência.

CREAS- CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DA ASSISTÊNCIA


SOCIAL
A finalidade deste programa que integra o Sistema Único da Assistência Social (SUAS) é
oferecer acompanhamento psicossocial para famílias ou pessoas em situação de risco pessoal ou
social ou de violação de direitos.
O CREAS prioriza o atendimento às situações de violação de direitos de crianças, adolescentes
e idosos, tendo como foco de ação a família, na perspectiva de potencializar e fortalecer sua
capacidade de proteção. A unidade, além de oferecer um conjunto de atividades e procedimentos
metodológicos que contribuam para a efetividade da ação protetiva da família, também presta
orientação jurídico-social nos casos de ameaça e,ou violação de direitos individuais e coletivos.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome determina que o CREAS preste
atendimento prioritário a crianças, adolescentes e suas famílias nas seguintes situações:
- crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual;
- crianças, adolescentes e idosos vítimas de violência doméstica (violência física, psicológica,
sexual, negligência);

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- famílias inseridas no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil que apresentem dificuldades
no cumprimento das condicionalidades;
- crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos em situação de mendicância;
- crianças e adolescentes que estejam sob “medida de proteção” ou “medida pertinente aos pais ou
responsáveis”;
- crianças e adolescentes sob medida protetiva de abrigo, em famílias acolhedoras e reintegradas ao
convívio familiar;
- adolescentes em cumprimento de medida sócio-educativa de Liberdade Assistida e de Prestação
de Serviços à Comunidade;
- adolescentes e jovens após cumprimento de medida sócio-educativa privativa de liberdade,
quando necessário suporte à reinserção sócio-familiar.
O CREAS centraliza as ações realizadas pelos serviços: Centro de Referência da Criança e do
Adolescente – CRCA; Centro de Referência Socioeducativo – CRSE; Programa Religado, Serviço
de Atendimento de Denúncias do Idoso. E ainda estão diretamente ligados ao CREAS o antigo
Programa Sentinela e o Serviço de Atendimento à População em Situação de Rua.

ALTA DA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA


A alta clínica será adotada após a negativa dos exames laboratoriais preconizados para
serem realizados 6 meses após a data da agressão – pesquisa do HIV e Hepatite B.

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REDE DE ATENÇÃO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL E
DOMÉSTICA

ENDEREÇOS
Delegacia da Mulher
Av. Mandacaru, 560
Fone: 3224-6192
Horário de atendimento- de 2ª à 6ª feira das 8:00 às 18:00 horas

Delegacia de Plantão
Av. Mandacaru, 560
Fone: 3225-6899
Horário de Atendimento- período noturno, finais de semana e feriados

Centro de Referência e Atendimento à Mulher Maria Mariá (CRAMM)


Av. Humaitá, 774 Zona 4
Fone: 3901-1093
Horário de atendimento- 8:00 às 11:30 e 13:30 às 17:00 h de segunda à sexta-feira

Conselho Tutelar
Zona Norte- Rua Bernardino de Campos, 581
Vila Santo Antônio
Fones:3901-1966/ 3901-1787
Horário de atendimento- 8:00 às 11:30 e 13:30 às 17:00 de segunda à sexta-feira

Zona Sul- Rua Joaquim Nabuco, 485 - Zona 4


Presidente: Ademir Passeri
Fone: 3901-2276
Horário de atendimento- 8:00 às 11:30 e 13:30 às 17:00 de segunda à sexta-feira

Instituto Médico Legal (IML)


Av. Juscelino Kubitschek, 745
Fone: 3227-4290
Horário de atendimento- 8:00 às 11:30 e 13:30 às 17:00 de segunda à sexta-feira

HU
Av. Mandacaru, 1590
Fone- 2101- 9100

HMM
Av. Nildo Ribeiro da Rocha, 865, Jd. Ipanema
3221- 4800

Núcleo de Violência
Av. Prudente de Moraes, 885 Zona 7
Fone- 3218-3143

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Promotoria de Justiça de Proteção à Infância e Juventude
Av. Tiradentes, 380, Centro, Maringá-PR
Fone-3226-2600

CREAS- Centro de Referência Especializado da Assistência Social


Av. Bento Munhoz da Rocha, 351 – Vila Santo Antonio.
Serviço: Informações pelos telefones 3901-1132 e 3901-1133
Telefones para denúncia:
0800-6435115 - denúncia criança e adolescente
0800-410001 - denúncia idoso (estadual)
0800-6431108 - denúncia idoso (municipal)

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ANEXOS
FICHA EPIDEMIOLÓGICA

FICHA DE ENCAMINHAMENTO
FICHA DE INFORMAÇÃO À DELEGACIA E AO CONSELHO TUTELAR

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PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE MARINGÁ
SECRETARIA DE SAÚDE
SUS- SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

GUIA DE ENCAMINHAMENTO

Nome do usuário:________________________________________ UNIDADE:


Idade:________________ (Carimbo)
Cartão SUS:__________________________

Data do encaminhamento:___/___/___
Médico que encaminhou:________________________________

PARA SERVIÇO DE:_________________________________

JUSTIFICATIVA DO ENCAMINHAMENTO (dados clínicos)


____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

EXAMES REALIZADOS
(resultados):_________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

Assinatura e carimbo

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REDE DE ATENÇÃO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA
FICHA DE INFORMAÇÃO À DELEGACIA E AO CONSELHO TUTELAR

Informamos que:
________________________________________________________________________________
DN___/___/____ idade: ____Residente à: ______________________________________________
Bairro:____________________
Cidade: _____________________ Fone: _________________________
Pai:_______________________________________________________
Mãe:______________________________________________________
Chegou a esta unidade:____________________ no dia _____/_____/_____ às_______________
Trazida por: ________________________________________________
Vítima de: _______________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________

Sem mais para o momento subscrevemo-nos


Atenciosamente,

______________________________
Assinatura e carimbo

Notificado via telefone:________________________________________


Dia: ____/____/_____
Horário: ___________

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CURITIBA. Atenção à Mulher Vítima de Violência. Curitiba, setembro 2004.

THEMIS- Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero. Manual de Violência Sexual e Prevenção de


DST/HIV/Aids. Porto Alegre/ RS, 3ª edição. 2006

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