Resenha do filme Pro Dia Nascer Feliz, João Jardim, Brasil, Documentário, 2005. por Gabriela B.

Munin – NA3 Educação é um assunto que, há muito tempo, ocupa o centro das discussões sociais no Brasil. Na maioria das vezes, a discussão se volta para os problemas que o sistema educacional sofre no país. E a solução parece estar longe. Talvez porque poucas pessoas tenham conhecimento de quais são os problemas que as escolas e os alunos realmente sofrem. O documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, de João Jardim, surge como uma luz para orientar e avivar essa discussão. Ao analisar o cotidiano de alunos e professores de escolas públicas e uma escola particular de grandes centros urbanos, o diretor conseguiu revelar as diferenças entre cada quadro. Quando o foco é voltado aos educadores, é possível perceber a falta de administração pública. A carência das escolas é enorme, tanto no que se refere à infra-estrutura, quanto a outros tipos de suporte – cultural, psicológico. O descaso do governo em relação ao ensino acaba afetando diretamente o educador e o aluno, o que acaba gerando um círculo vicioso de professores desmotivados e alunos desinteressados. É importante refletir sobre o que poderia ser parte da solução necessária, quando se consegue notar que alguns professores não se deixam desmotivar e tentam criar iniciativas intencionadas a melhorar o desenvolvimento dos alunos. É o caso do núcleo cultural da escola do Rio de Janeiro e do fanzine produzido em conjunto com os alunos de uma escola na periferia de São Paulo, iniciativas essas que estimulam todos os envolvidos. Já quando a luz se debruça sobre os alunos, o diretor começa a expôr o abismo entre as classes. João Jardim começa a construir, a partir destes jovens, um quadro muito interessante das diferenças sociais. Em Manari, os alunos que batalham para conseguir chegar na escola e ter a oportunidade de estudar; em Duque de Caxias, os alunos que têm que conviver diariamente com a realidade da violência social e do tráfico no Rio de Janeiro e, em São Paulo, a triste realidade de alunos que saem do sistema público, sem incentivo algum para continuar a trilhar uma vida acadêmica, contrastando com a surrealidade dos “problemas” e conflitos existenciais enfrentados pelos alunos de uma escola particular. E é a partir dessa diferença que cabe uma reflexão sobre o título do documentário, que vem de uma canção de Cazuza, que diz “Pro dia nascer feliz, essa é a vida que eu quis”, pois muitos dos alunos entrevistados por João Jardim, não terão a vida que gostariam.

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