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24/11/2021 12:09 Teses do STJ sobre o crime continuado – I - Meu site jurídico

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15 de fevereiro de 2019
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Teses do STJ sobre o


crime continuado – I
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1) Para a caracterização da continuidade


delitiva é imprescindível o
preenchimento de requisitos de ordem
objetiva – mesmas condições de tempo,
lugar e forma de execução – e de ordem
subjetiva – unidade de desígnios ou
vínculo subjetivo entre os eventos
(Teoria Mista ou Objetivo-subjetiva).

Verifica-se a continuidade delitiva quando


o sujeito, mediante pluralidade de
condutas, realiza uma série de crimes da
mesma espécie e que guardam entre si um
elo de continuidade, em especial as
mesmas condições de tempo, lugar e
maneira de execução (art. 71 do CP).

O instituto é baseado em razões de


política criminal. O juiz, em vez de aplicar
as penas correspondentes aos vários
delitos praticados em continuidade,
considera, por ficção jurídica, somente para
aplicação da pena, a prática de um só crime
pelo agente, que deve ter a sua
reprimenda majorada.
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O crime continuado tem como requisitos a


pluralidade de condutas, a pluralidade
de crimes da mesma espécie (aqueles
protegendo igual bem jurídico), o elo de
continuidade por meio das mesmas
condições de tempo, lugar e a mesma
maneira de execução, além de outras
circunstâncias semelhantes (quaisquer
outras circunstâncias das quais se possa
concluir pela continuidade).

Os tribunais superiores, não sem razão, têm


adotado a orientação de que se exige
também homogeneidade subjetiva, ou
seja, é imprescindível que os vários crimes
resultem de plano previamente elaborado
pelo agente, isto para distinguir crime
continuado de habitualidade criminosa. É o
que estabelece esta tese:

“A jurisprudência do Superior Tribunal de


Justiça compreende que, para a
caracterização da continuidade delitiva, é
imprescindível o preenchimento de
requisitos de ordem objetiva (mesmas
condições de tempo, lugar e forma de
execução) e subjetiva (unidade de
desígnios ou vínculo subjetivo entre os
eventos), nos termos do art. 71 do Código
Penal. Exige-se, ainda, que os delitos sejam
da mesma espécie. Para tanto, não é
necessário que os fatos sejam capitulados
no mesmo tipo penal, sendo suficiente que
tutelem o mesmo bem jurídico e sejam
perpetrados pelo mesmo modo de
execução.” (REsp 1.767.902/RJ, j. 13/12/2018)

2) A continuidade delitiva, em regra, não


pode ser reconhecida quando se
tratarem de delitos praticados em
período superior a 30 (trinta) dias.

Vimos nos comentários à tese anterior que


um dos requisitos da continuidade delitiva
é a prática de crimes nas mesmas
circunstâncias de tempo. A lei não
estabelece o tempo exato a ser observado
entre uma e outra infração penal, razão
pela qual coube à doutrina e à
jurisprudência a tarefa de estabelecer as
circunstâncias de tempo razoáveis para
que uma infração possa ser considerada
continuidade de outra.

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O prazo é, no geral, de trinta dias. Uma vez


ultrapassados, quebra-se a unidade
característica do crime continuado:

“O art. 71, caput, do Código Penal não


delimita o intervalo de tempo necessário
ao reconhecimento da continuidade
delitiva. Esta Corte não admite, porém, a
incidência do instituto quando as condutas
criminosas foram cometidas em lapso
superior a trinta dias.” (AgRg no REsp
1.747.1309/RS, j. 13/12/2018)

A regra, no entanto, não é absoluta. O


próprio STJ admite que o juiz analise as
circunstâncias do caso concreto e, se o
caso, reconheça a continuidade mesmo
diante de intervalos maiores do que trinta
dias:

“Embora para reconhecimento da


continuidade delitiva se exija o não
distanciamento temporal das condutas, em
regra no período não superior a trinta dias,
conforme precedentes da Corte,
excepcional vinculação entre as condutas
permite maior elastério no tempo” (AgRg
no REsp 1.345.274/SC, DJe 12/04/2018).

3) A continuidade delitiva pode ser


reconhecida quando se tratarem de
delitos ocorridos em comarcas limítrofes
ou próximas.

É também requisito da continuidade que


os crimes sejam cometidos nas mesmas
circunstâncias espaciais. Tal como ocorre
no requisito de tempo, a lei não impõe os
limites de distância espacial para que um
crime seja continuidade de outro, o que
também levou a doutrina e a jurisprudência
a estabelecer parâmetros consentâneos
com a natureza do instituto.

Desta forma, considera-se que os crimes


foram cometidos nas mesmas
circunstâncias de local inclusive quando as
ações se deram em cidades diferentes,
desde que limítrofes ou próximas:

“Inexistente o requisito objetivo, porque


praticados os delitos em cidades distantes
e em intervalo de tempo superior a 30 dias,

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não está caracterizada a continuidade


delitiva.” (AgRg no AREsp 771.895/SP, j.
25/09/2018)

“Nos termos da reiterada jurisprudência


desta Corte, os delitos de roubo cometidos
em comarcas diversas (Belo Horizonte –
MG e Matipó – MG, distantes 249 km uma
da outra) configuram a prática de atos
independentes, característicos da
reiteração criminosa, em que deve incidir a
regra do concurso material, e não a da
continuidade delitiva.” (REsp 1.588.832/MG,
j. 26/04/2016)

4) A continuidade delitiva não pode ser


reconhecida quando se tratarem de
delitos cometidos com modos de
execução diversos.

A continuidade delitiva pressupõe


semelhança no modus operandi de que
lança mão o criminoso no cometimento
das várias infrações penais. Note-se que a
lei exige semelhança, não identidade, ou
seja, não é preciso que o agente observe
estrita e detalhadamente os mesmos
métodos de execução em todos os crimes.
Assim, um furto cometido por
arrombamento de uma porta pode ser
inserido na linha de continuidade de outro
cometido mediante arrombamento de uma
janela, pois o rompimento de obstáculo
torna ambos semelhantes.

Se, no entanto, os delitos diferem muito


um do outro na forma de cometimento,
ainda que sejam da mesma espécie, não é
possível aplicar o benefício da
continuidade. Portanto, a subtração
cometida por um indivíduo mediante
rompimento de obstáculo não pode ser
considerada continuidade de outra em que
concorreram diversos criminosos para
subtrair mediante fraude:

“Não há continuação delitiva entre roubos


sucessivos e autônomos, com ausência de
identidade no modus operandi dos crimes,
uma vez que verificada a diversidade da
maneira de execução dos diversos delitos,
agindo o recorrido ora sozinho, ora em
companhia de comparsas, não se configura

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a continuidade delitiva, mas sim a


habitualidade criminosa.” (AgRg no HC
426.556/MS, j. 23/03/2018)

5) Não há crime continuado quando


configurada habitualidade delitiva ou
reiteração criminosa.

Esta tese decorre sobretudo da imposição


do requisito subjetivo, que determina a
unidade de desígnios entre todas as
infrações para que uma possa ser
considerada continuidade da outra. Da
mesma forma, é pressuposta a identidade
de requisitos objetivos. Na falta destas
características, considera-se que o agente
faz do crime um verdadeiro meio de vida, o
que contraria o escopo do instituto da
continuidade, que é o de evitar penas
exacerbadas em decorrência de infrações
muito semelhantes e que resultam de um
plano ao menos rudimentarmente
elaborado:

“1. O art. 71, caput, do Código Penal não


delimita o intervalo de tempo necessário
ao reconhecimento da continuidade
delitiva. Esta Corte não admite, porém, a
incidência do instituto quando as condutas
criminosas foram cometidas em lapso
superior a trinta dias. 2. E mesmo que se
entenda preenchido o requisito temporal,
há a indicação, nos autos, de que o Réu,
embora seja primário, é criminoso habitual,
que pratica reiteradamente delitos de
tráfico, o que afasta a aplicação da
continuidade delitiva, por ser merecedor
de tratamento penal mais rigoroso.” (AgRg
no REsp 1.747.139/RS, j. 13/12/2017)

Note-se que a habitualidade criminosa


mencionada na tese não se confunde com
crime habitual, aquele que pressupõe
reiteração de condutas para a consumação.
A habitualidade criminosa consiste na
reiteração de crimes consumados que, por
suas características de autonomia, não se
adéquam ao conceito de crime continuado.

6) Quando se tratar de crime continuado,


a prescrição regula-se pela pena imposta
na sentença, não se computando o
acréscimo decorrente da continuação.

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De acordo com o que dispõe o art. 119 do


Código Penal, no caso de concurso de
crimes a prescrição incide sobre cada um,
isoladamente. Isto quer dizer que, num
concurso material entre dois furtos com
pena de quatro anos cada um, a prescrição
não será calculada sobre oito anos, mas
sobre quatro, considerando
separadamente cada um dos delitos. Dá-se
o mesmo no concurso formal impróprio,
assim como no concurso formal próprio, no
qual incide o sistema da exasperação: o
prazo prescricional não é calculado com
base na pena aumentada, mas em cada
crime isolado.

A respeito especificamente do crime


continuado, a súmula nº 497 do STF
estabelece que a prescrição é regulada
pela pena imposta na sentença, mas sem
computar o acréscimo decorrente da
continuação. Dessa forma, se o réu é
condenado pela prática de vários furtos em
continuidade delitiva, com pena de
reclusão de três anos aumentada de
metade em razão da continuidade, a
prescrição é calculada apenas sobre três
anos.

À época da edição da súmula (1969), muito


anterior à redação atual do art. 119 do
Código Penal, o STF decidia
reiteradamente (não sem acalorados
debates, como se extrai do julgamento
proferido no RHC 43.740, DJ 15/06/1967)
que, ao inserir na lei a possibilidade de
continuidade delitiva, o legislador
pretendera beneficiar o autor de condutas
que, por suas características, haviam de ser
consideradas como se fossem apenas uma
ação delituosa. Se o intuito do legislador
foi o de beneficiar o agente no momento
da aplicação da pena, seria ilógico, para
calcular a prescrição, fazer incidir a fração
de aumento em prejuízo de quem se
pretendia beneficiar.

7) A lei penal mais grave aplica-se ao


crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior
à cessação da continuidade delitiva ou
da permanência.

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Sabe-se que, em regra,  a nova lei que, de


qualquer modo, prejudica o réu (lex
gravior) é irretroativa, devendo ser
aplicada a lei vigente quando do tempo do
crime. Trata-se, como na hipótese da
novatio legis incriminadora, de observância
da lei ao princípio da anterioridade,
corolário do princípio da legalidade. A
título de exemplo, devemos lembrar que,
no ano de 2010, a Lei nº 12.234 aumentou
de 2 (dois) para 3 (três) anos o prazo da
prescrição (causa extintiva da punibilidade)
para crimes com pena máxima inferior a 1
(um) ano. Como esta alteração legislativa é
prejudicial ao réu, a lei não poderá ser
aplicada aos crimes praticados antes da sua
entrada em vigor. A lei anterior, apesar de
revogada, será ultra-ativa, aplicada em
detrimento da lei nova (vigente na data do
julgamento).

Surge, no entanto, uma dúvida a respeito


da lei que deve ser aplicada quando, no
decorrer da prática de um crime
permanente ou continuado, sobrevém lei
mais grave.

De forma sintética, é preciso entender que


o crime permanente é aquele cuja
consumação se prolonga no tempo. No
crime de sequestro (art. 148, CP), por
exemplo, enquanto a vítima não for
libertada, a consumação se protrai. Por sua
vez, o crime continuado, como já vimos, é
uma ficção jurídica através da qual, por
motivos de política criminal, dois ou mais
crimes da mesma espécie e praticados em
condições semelhantes devem ser
tratados, para fins da pena, como crime
único, majorando-se a pena.

De acordo com a súmula nº 711 do STF,


nessas situações “A lei penal mais grave
aplica-se ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à
cessação da continuidade ou da
permanência”.

Sobre a súmula, Paulo Queiroz aponta que,


tratando-se do crime continuado, a
aplicação da lei mais grave a toda a cadeia
de delitos é inconstitucional, pois,
irradiando-se a pena mais grave aos delitos
anteriores, inverte-se a lógica da

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continuidade delitiva, em que o último


delito é havido como continuação do
primeiro, não o contrário, o que viola o
princípio da legalidade. De acordo com o
autor, o agente, “ao invés de responder por
vários crimes em concurso material, deve
responder por um único delito, o mais
grave, se diversos, com aumento de um
sexto a dois terços. Portanto, os crimes
subsequentes só têm relevância jurídico-
penal para efeito de individualização
judicial da pena: escolha da pena mais
grave (quando diversas as infrações) e
fixação do respectivo aumento, pois o
primeiro crime prevalece sobre todos os
demais como se estes simplesmente não
existissem, exceto para efeito de aplicação
da pena”.

8) O estupro e atentado violento ao


pudor cometidos contra a mesma vítima
e no mesmo contexto devem ser
tratados como crime único, após a nova
disciplina trazida pela Lei n. 12.015/09.

Antes da Lei 12.015/09, os crimes de


estupro e de atentado violento ao pudor
eram tipificados em dispositivos legais
diversos: arts. 213 e 214 do Código Penal,
respectivamente.

Com a edição da lei, os delitos foram


unificados no art. 213, que passou a tratar
como estupro tanto a conjunção carnal
quanto a prática de atos libidinosos
diversos cometidos mediante violência ou
grave ameaça.

Quando vigoravam os dispositivos


autônomos, havia divergência a respeito da
forma de imputação nas situações em que,
no mesmo contexto fático e contra a
mesma vítima, o agente usasse de
violência ou grave ameaça para praticar
conjunção carnal e outros atos de ordem
sexual: haveria concurso material, concurso
formal ou crime continuado?

Tratando-se de mais de uma conduta que


dava ensejo a mais de um resultado, não se
poderia cogitar do concurso formal. A
divergência, portanto, acabava se
concentrando oposição entre o concurso
material e a continuidade delitiva. Embora

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houvesse decisões que afastassem a ficção


jurídica devido à subsunção das condutas a
tipos diversos, e, portanto, de espécies
diferentes, não raro um delito era inserido
na linha de continuidade do outro. Esta
divergência, aliás, foi um dos motivos para
a união das duas condutas no mesmo tipo
penal.

Pois bem, nas situações concretas em que


a continuidade havia sido reconhecida, a
Lei 12.015/09 deve retroagir para tornar o
crime único, tendo em vista que, reunindo
ambas as figuras em apenas um tipo penal,
é norma benéfica em relação à situação
anterior:

“1. A atual jurisprudência desta Corte


Superior sedimentou-se no sentido de que,
“como a Lei 12.015⁄2009 unificou os crimes
de estupro e atentado violento ao pudor
em um mesmo tipo penal, deve ser
reconhecida a existência de crime único de
estupro, caso as condutas tenham sido
praticadas contra a mesma vítima e no
mesmo contexto fático” (AgRg no AREsp n.
233.559⁄BA, Rel. Ministra Assusete
Magalhães, 6ª T., DJe 10⁄2⁄2014, destaquei).
2. Se transitada em julgado a ação penal a
que respondeu o acusado, deve o Juízo das
execuções proceder à nova dosimetria da
pena, nos termos do enunciado sumular n.
611 do STF.” (HC 412.473/SP, j. 12/12/2018)

9) É possível reconhecer a continuidade


delitiva entre estupro e atentado
violento ao pudor quando praticados
contra vítimas diversas ou fora do
mesmo contexto, desde que presentes
os requisitos do artigo 71 do Código
Penal.

Vimos na tese anterior que o estupro e o


atentado violento ao pudor eram
tipificados em dispositivos diversos e que
havia divergência a respeito da forma de
imputação nas situações em que, no
mesmo contexto fático e contra a mesma
vítima, o agente cometesse ambas as
condutas.

Nada impedia, no entanto, que o criminoso


cometesse estupro e atentado violento ao
pudor contra vítimas diferentes nas

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mesmas circunstâncias de tempo, local e


modo de execução, o que normalmente
dava ensejo a pretensões para que se
reconhecesse a continuidade delitiva.

Mas por que, no caso de vítimas e


contextos diversos, haveria divergência a
ponto de o STJ firmar tese de que a
continuidade é possível? Porque, assim
como na situação anterior, havia quem
sustentasse a inadequação da
continuidade delitiva devido ao estupro e
o atentado violento ao pudor não serem
crimes da mesma espécie, pois tipificados
em dispositivos distintos. Além disso,
argumentava-se que a prática de tais atos
contra vítimas distintas descaracterizava a
unidade de desígnios que deve abranger
toda a cadeia de infrações cometidas.

Ocorre, em primeiro lugar, que, como se


extrai do julgado citado na tese nº 1, o STJ
firmou a orientação de que crimes da
mesma espécie são aqueles que protegem
o mesmo bem jurídico, ainda que estejam
tipificados separadamente. Como o estupro
e o atentado violento ao pudor sempre
tutelaram a dignidade sexual, concluiu-se
ser possível reconhecer entre ambos a
continuidade delitiva.

Além disso, o tribunal decide


reiteradamente que as condutas cometidas
contra vítimas diferentes atrai a regra do
crime continuado específico, disciplinado
no parágrafo único do art. 71 do Código
Penal: “Nos crimes dolosos, contra vítimas
diferentes, cometidos com violência ou
grave ameaça à pessoa, poderá o juiz,
considerando a culpabilidade, os
antecedentes, a conduta social e a
personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias, aumentar a
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou
a mais grave, se diversas, até o triplo,
observadas as regras do parágrafo único do
art. 70 e do art. 75 deste Código”. Neste
sentido:

“[…] a regra da continuidade delitiva


simples se aplica às hipóteses de estupro e
atos libidinosos diversos cometidos
reiteradamente, nas mesmas condições de
tempo, lugar e maneira de execução,

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contra uma mesma vítima, cabendo, por


outro lado, no caso de vítimas diferentes, a
regra da continuidade delitiva específica,
por força de expressa previsão legal
contida na norma do parágrafo único do
artigo 71 do Código Penal […]”. (REsp
1.602.771/MG, j. 17/10/2017)

10) A Lei n. 12.015/09, ao incluir no


mesmo tipo penal os delitos de estupro e
atentado violento ao pudor, possibilitou
a caracterização de crime único ou de
crime continuado entre as condutas,
devendo retroagir para alcançar os fatos
praticados antes da sua vigência, por se
tratar de norma penal mais benéfica.

Trata-se aqui de mais uma situação de


aplicação retroativa da Lei 12.015/09, agora
naqueles casos em que condutas relativas
ao estupro e ao atentado violento ao
pudor praticadas contra a mesma vítima ou
contra vítimas diversas foram imputadas
em concurso material.

Relembrando: na tese nº 08 mencionamos


a divergência sobre qual forma de
concurso deveria incidir quando o estupro
e o atentado violento ao pudor vitimavam
a mesma pessoa em contexto fático único;
na tese nº 09 tratamos das situações em
que o estupro e o atentado violento ao
pudor eram cometidos contra vítimas
diferentes, em contextos diversos, mas em
circunstâncias semelhantes. Em ambas as
situações, enquanto alguns sustentavam o
concurso material, outros consideravam
mais adequada a continuidade.

Nos casos em que tenha sido imputado o


concurso material, temos o seguinte: se
contra a mesma vítima e no mesmo
contexto, a Lei 12.015/09 retroage e
transforma o concurso em crime único; se
contra vítimas diferentes em contextos
diversos, a Lei 12.015/09 retroage para
afastar o cúmulo material e fazer incidir as
regras da continuidade.

11) No concurso de crimes, a pena


considerada para fins de fixação da
competência do Juizado Especial
Criminal será o resultado da soma, no
caso de concurso material, ou da

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exasperação, na hipótese de concurso


formal ou crime continuado, das penas
máximas cominadas aos delitos.

O Juizado Especial Criminal é competente


para julgar crimes de menor potencial
ofensivo, que, segundo o art. 61 da Lei
9.099/95, são aqueles cuja pena máxima
não ultrapasse dois anos.

Nos casos de concurso de crimes, é


possível que a competência se estabeleça
no JECRIM, desde que, consideradas as
regras específicas de cada forma de
concurso, o resultado da pena não
ultrapasse os dois anos.

Desta forma, se cometidos dois crimes em


concurso material, devem-se somar as
penas máximas. Se, por exemplo, um
funcionário público comete os crimes de
prevaricação (art. 319) e de advocacia
administrativa (art. 321, caput), a
competência será do JECRIM porque,
somadas, as penas máximas perfazem um
ano e três meses. Se, no entanto, alguém
comete os crimes de resistência (art. 329) e
desacato (art. 331), a competência do
JECRIM desparece porque a soma das
penas máximas resulta em quatro anos.

Dá-se o mesmo no caso do concurso


formal próprio e do crime continuado,
apenas com uma distinção: simula-se o
sistema da exasperação, isto é, sobre a
pena máxima incide a fração máxima
possível em cada modalidade de concurso.

Para se aprofundar, recomendamos:

Curso: Carreira Jurídica (mód. I e II)


(https://goo.gl/vDVTu9)

Curso: Intensivo para o Ministério Público e


Magistratura Estaduais + Legislação Penal
Especial (https://goo.gl/HWHJAI)

Livro: Manual de Direito Penal (parte geral)


(https://www.editorajuspodivm.com.br/ma
nual-de-direito-penal-parte-geral-2019)

#continuidade #crime continuado

#Direito Penal #Teses STJ

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Rogério Sanches Cunha


(https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/author/redesrogeriog
com/)
Membro do Ministério Público
do Estado de São Paulo.
Professor da Escola Superior do
Ministério Público dos estados
de São Paulo, Mato Grosso e
Santa Catarina. Coordenador
Pedagógico e Professor de
Penal e Processo Penal do
Curso RSConline. Fundador do
site
www.meusitejuridico.com.br
(http://www.meusitejuridico.c
om.br). Cofundador e
coordenador pedagógico do
JUSPLAY. Autor de obras
jurídicas.


(https://www.facebook.com/RogerioSanchesC)

(https://www.instagram.com/rogeriosanchescunha)

(https://twitter.com/RogerioSanchesC)

(https://www.youtube.com/RogerioSanchesCunha)

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