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Apocalips

e
7.14

“... de grande tribulação...”


ou
1
“... da grande tribulação...” ?

Marcello Melo Lopes


Sumário
• 1.
Introdução........................................................................
.................................. 03
• 2. As tribulações e a grande
tribulação................................................................. 09
• 2.1. A tribulação do SENHOR JESUS
CRISTO....................................................... 11
• 2.2. A tribulação da
igreja................................................................................
...... 14
• 2.3. A grande
tribulação.........................................................................
............... 20
• 2.3.1. A grande tribulação, a igreja e a
política .................................................... 23
• 3. A salvação durante a grande
tribulação............................................................ 27
• 4.
Conclusão.........................................................................
.................................. 32
• Bibliografia.......................................................................
....................................... 35
• Subsídios..........................................................................
........................................ 37

2
1
Introdução

3
“E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me:
Estes são os que vieram da grande tribulação, e
lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue
do Cordeiro”.
Apocalipse 7.14

Temos visto um grande desencontro de interpretações envolvendo o


versículo bíblico de Apocalipse 7.14, acerca de quem são os “salvos” em
questão e de que “tribulação” eles vêm. Por conta disto tivemos a curiosidade
de analisar o referido texto nas escrituras tendo, a princípio, como subsídio,
algumas obras do original grego.

Primeiramente vejamos o texto em questão na versão original, na Vulgata,


na versão King James e em suas variações na língua portuguesa.

“...Ο υ τ ο ι ε ι σ ι ν ο ι ε ρ χ ο µ ε ν ο ι ε κ τηζ θλ
ιψ ε ω ζ τη ζ µ ε γ α λ η ζ ...” 1
1 2 3 4 5 6 7 8 9
estes são os que vêm de a aflição grande 2

“...Ο υ τ ο ι ε ι σ ι ν ο ι ε ρ χ ο µ ε ν ο ι ε κ τηζ θ
λιψεω ζ τη ζ µ ε γ α λ η ζ ...” 3
1 2 3 4 5 6 7 8 9
estes são os que vêm de a tribulação a grande 4
adjetivo verbo art. verbo prepôs. artigo substantivo artigo adjetivo
definido

“...Ο υ τ ο ι ε ι σ ι ν ο ι ε ρ χ ο µ ε ν ο ι ε κ τηζ θλ
ιψ ε ω ζ τη ζ µ ε γ α λ η ζ ...” 5

“...Ο υ τ ο ι ε ι ν α ι ο ι ε ρ χ ο µ ε ν ο ι ε κ τηζ θλ
ιψ ε ω ζ τη ζ µ ε γ α λ η ζ ...” 6
ser / são

“... et dixit mihi hii sunt qui veniunt de tribulatione magna...”


(Vulgata)

“... these are they which came out of great tribulation, ...”
(King James Version)

“… Estes são os que vieram de grande tribulação...”


(Almeida Revista e Corrigida / S.B.B. – 1995).

4
“... São estes os que vêm da grande tribulação...”.
(Almeida Revista e Atualizada / S.B.B. – 1994).

“... Estes são os que vieram da grande tribulação...”.


(Almeida Corrigida e Fiel / S.B.T. – 1994).

“... Estes são os que vieram da grande tribulação...”.


(Almeida Contemporânea de Almeida / Ed. Vida – 1999).

“... Estes são os que vieram da grande tribulação’...”.


(N.V.I. / Ed. Vida – 2000).

“... Estes são os que atravessaram sãos e salvos a grande perseguição...”.


(N.T.L.H. / S.B.B. – 2000).

“... Esses são os sobreviventes da grande tribulação...”


(Bíblia Ave-Maria, Ed. Claretiana / Pastoral Catequética, 138ª Ed, 2000)

“... São os que vêm chegando da grande tribulação...”


(Bíblia Ed. Pastoral, 14ª impressão, Ed. Paulus, São Paulo, SP. 2000)

“... Estes são aqueles que vieram da grande tribulação...”


(Bíblia Ed. Pe. Matos Soares, 34ª, Ed. Paulinas, 1977)

Como podemos observar nos escritos originais gregos temos uma formação
gramatical (lógica e seqüencial) que em sua transliteração direta para a língua
portuguesa fatalmente incorre em uma incoerência lingüística. Como
conseqüência, em algumas versões brasileiras dadas as dificuldades de um
ajustamento gramático-lingüístico, houve a utilização de regras gramaticais
para proporcionar uma leitura mais coerente e harmoniosa. Vejamos.

O substantivo θ λ ι ψ ε ω ζ (thlipsêos – “tribulação”) e o adjetivo


µε γ α λ η ζ (megalês – “grande”), formas derivadas de acordo a raiz
θλ ι ψ ι ζ (thlipsis) e µ ε γ α ζ (megas), estão precedidos pelo artigo -
definido - genitivo - singular τ η ζ ( tês –“a” ), tudo isso sendo precedido
ainda pela preposição - genitiva ε κ ( ek – “de”). As variações apresentadas
nas traduções brasileiras (R.C. “... de grande tribulação...” e R.A., C.F., C.,
N.V.I. “... da grande tribulação...”) em momento algum afirmam mudança de
evento, tempo e lugar, em decorrência da preposição utilizada. Notemos que
na versão R.C., manteve-se a preposição “de”, extinguindo-se os artigos “a”. Já
nas versões R.A, C.F., C., N.V.I. e versões católicas, utiliza-se a regra
gramatical da contração de preposição, onde a preposição “de” em contração
com os artigos “a” fixa-se em “da” (tomando sempre como base o texto grego
em sua formação gramatical original). Neste caso houve uma simples
observação da concordância lingüística, fazendo uso da contração de
preposição. Já na versão R.C., ocultou-se os artigos, porém, sem se fazer à
contração de preposição, o que pode provocar uma mudança no entendimento
do evento, tempo, lugar, texto e contexto. Podemos até entender essa variação
dada às vastas e complexas regras da gramática portuguesa. Quanto à
variação na tradução do substantivo thlipsis/thlipsêos por “aflição” 7, não há
interferência no sentido quanto à identificação do evento relacionado, pois o
substantivo tem esta variação gramatical. Em sua tradução pode ser
igualmente entendido por ‘tribulação’, ‘aflição’ e ‘angústia’, conforme nos relata

5
o Dic. Internacional de Teologia do N.T. 8; o que em momento algum sugere
alguma mudança de evento como veremos adiante.

O dicionário VINE quando analisa o substantivo θ λ ι ψ ι ζ (thlipsis –


“tribulação”) faz uma referência bem proveitosa à passagem de Apocalipse
7.14.

“Em Ap 7.14, a Grande Tribulação’, literalmente, ‘a


tribulação, a grande’(não estar sem o artigo), não é aquele
em que todos os santos tomam parte; indica um período dito
pelo SENHOR em Mt 24.21,29; Mc 13.19,24, onde é
mencionado que o tempo é anterior à sua vinda e um período
no qual a nação Judaica, restabelecida à Palestina mediante
inacreditável instrumentalidade dos gentios, sofrerá uma
explosão de fúria sem precedentes por parte dos poderes
anticristãos confederados sob as ordens do homem do pecado
(2 Ts 2.10-12; cf. Ap 12.13-17)” 9

Ou seja, a tribulação a que se refere o texto de Apocalipse 7.14 trata-se da


“Grande Tribulação”, a da “70ª Semana de Daniel” 10, e não da cotidiana e
corriqueira tribulação a qual todos os crentes fiéis e infiéis em geral precisam
passar. Quanto a essa distinção analisaremos mais adiante, antes vejamos o
que o Dr. Stanley Horton, no seu Comentário Bíblico de Apocalipse - A vitória
final - nos relata a respeito do assunto.

“O ancião responde-lhe que estes são aqueles que vieram da


‘Grande Tribulação’ (literalmente no grego é “a tribulação”).
Alguns usam o verbo, que está no particípio presente
“vindo”, para alegar que parte daquela grande multidão já
havia passado pela tribulação nos dias do escritor do
Apocalipse. Outros usam ainda este particípio, em sua idéia
de continuidade, para referir-se a todos que foram salvos no
decorrer da história da igreja. Deste modo, interpretam a
frase “grande tribulação” como sendo uma forma hebraistica
de dizer “longa tribulação”. Outros ainda lançam mão do
mesmo tempo verbal para dizer que as pessoas sairão da
“Grande Tribulação”, da abertura do “sétimo selo”. Os
proponentes deste ponto de vista, mostram que a visão é
sobre os “tempos finais”. Por isso, pegam o artigo definido,
aqui usado, para chegar à conclusão de que esta é a “Grande
Tribulação” dos últimos dias. (Ver: Ap 3.10 e compare com Dn
12.1 – Ref. corrigida). Este último grupo de intérpretes
reconhece que o sofrimento e a perseguição sempre
acompanharam a igreja. Todavia, propõem eles que, nos ‘final
dos tempos’, a perseguição aumentará muito, e o mal ficará
incontrolável. Assim os que estão de vestes brancas são os
mártires adicionados ao número revelado na visão do quinto
selo (Ap 6.11).” 11

6
Quando analisamos os relatos bíblicos contidos no capítulo sete de
Apocalipse, estamos lendo e vendo os fatos que ocorrerão em plena “Grande
Tribulação”, e jamais a ‘tribulação’ da história da igreja. Coerente a mesma
linha de raciocínio, o Dr. R. N. Champlin afirma em seu comentário do Novo
Testamento a distinção destes eventos.

“A grande tribulação. É obvio que neste ponto, a referência à


‘tribulação’ é escatológica, e não histórica, visando falar
acerca dos grandes dias de tribulação pelos quais, pouco
antes do segundo advento de CRISTO, passará o mundo
inteiro”. “Aqui está à resposta aquela indagação. A grande
multidão é a companhia inumerável de mártires do período da
tribulação” 12

Entre todas as versões bíblicas analisadas, que conseguimos reunir para


esta breve e simples análise, e que neste caso soma-se em número de 13
versões (Text Receptus-Koinê, Text Bambas, Vulgata, The King James,
Revista e Corrigida de Almeida, Revista e Atualizada de Almeida, Corrigida e
Fiel de Almeida, Contemporânea de Almeida, Nova Versão Internacional, Nova
Tradução Linguagem de Hoje. E as versões católicas: Pastoral, Pastoral
Catequética e Pe. Matos Soares), apenas a versão Revista e Corrigida de
Almeida coloca o texto em questão sendo traduzido como “... de grande
tribulação...”. Apesar de não recomendarmos as versões N.V.I. e N.T.L.H.,
pelas suas várias distorções textuais (o que inevitavelmente intervém no
contexto doutrinário), fazemos referência a estas versões primeiramente por
manterem a correta tradução, neste caso específico de Ap 7.14 ( N.V.I.: “... da
grande tribulação...” e N.T.L.H.: “... a grande tribulação...”), e por aumentarem
o contingente de versões que deixam isoladamente a versão Revista e
Corrigida com o texto “... de grande tribulação...”. Não estamos em momento
algum querendo desfazer a versão Revista e Corrigida, até porque é a que
utilizamos freqüentemente em nosso dia-a-dia. Podemos dizer que pelo fato de
apresentar o texto como “... de grande tribulação...”, não há qualquer
possibilidade de reportar-se a outro evento senão a “Grande Tribulação”
escatológica, conforme afirmou recentemente um “grande pregador”. Se assim
fosse, mudaria todo o contexto do capítulo 7 e de todo o livro do Apocalipse.
Neste caso específico, a não observação da regra gramatical em sua tradução
coloca-a em completo isolamento, o que inevitavelmente induz os
“desavisados” e “apressados” a interpretarem e mudarem o sentido do texto
original, como sendo outro evento, em um outro período, que não a “Grande
Tribulação”. Analisamos também três versões católicas, onde todas concordam
em suas traduções com a contração de preposição, fixando o texto em “... da
grande tribulação...”.

Em seu texto e contexto o capítulo 7 de Apocalipse encontra-se na


seqüência cronológica das narrativas da “Grande Tribulação” (Ap 6-19) e em
momento algum este contexto incluem a participação de igreja, o “corpo de
CRISTO”. O texto de 1 Tessalonicense 5.9 “Porque Deus não nos
destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso
Senhor Jesus Cristo”, explica com clareza essa posição. Não há como

7
negar. Usar versículos isolados é prejuízo certo na ortodoxia bíblica,
finalizando com desvio doutrinário.

A Bíblia de Estudo de Genebra, em sua nota de Apocalipse 7.14, evidencia


esta confusão causada por alguns leitores, em achar que estes salvos da
“Grande Tribulação”, são da igreja arrebatada.

“Muitos vêem a ‘grande tribulação’ como um período final da


perseguição, pouco antes da segunda vinda. Mas tribulações
acontecem para os cristãos em toda a era da igreja, de modo
que todo o tempo pode ser caracterizado como um tempo de
tribulação (2 Ts 1.5-6; 2 Tm 3.1,12).” 13

Em uma leitura rápida é quase inevitável a mudança no entendimento


provocado pela tradução “... de grande tribulação...”, não só do evento
referido, mas também dos envolvidos. Achar que os “salvos” e a “tribulação” de
Apocalipse 7.14 não toma como referencia a “grande tribulação” apocalíptica e
uma completa demonstração de falta de conhecimento do contexto doutrinário
que envolve a igreja, o livro do Apocalipse e a doutrina da salvação. Faz-se
então necessária uma análise especifica do termo “Tribulação” ao longo da
Bíblia para se identificar as variações e aplicações deste termo nos textos
sagrados e os seus respectivos participantes em cada evento.

Notas.

1. Novo Testamento Interlinear (Grego Koinê / S.B.B., Sociedade Bíblicas Unidas – 1994)
2 e 4. s traduções estão apresentadas conforme cada obra citada. As versões gregas (3 e 4)
apresentam apenas o texto integral.
3. Novo testamento Grego Analítico (Grego Koinê / E.V.N., United Bible Societies – 1975)
5. Novo Testamento Grego (Grego Koinê / The Trinitarian Bible Society - 1994)
6. Novo Testamento Grego (Grego Bambas / The Trinitarian Bible Society – 1994).
7. Novo Testamento Interlinear (Grego Koinê / S.B.B., Sociedade Bíblicas Unidas – 1994)
8. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2ª edição, Vol. II, Ed. Vida Nova,
São Paulo, SP. 2000. Pg.1658.
9. . Dicionário VINE, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de Janeiro, RJ. 2000, pg. 1037.
10. A despeito deste assunto, a “70º semana de Daniel”, sugerirmos para um entendimento
mais exaustivo a leitura do livro Manual de Escatologia (Pentecoste, J. Dwight 1ª edição., Ed.
Vida, São Paulo, SP. 1998.) e A Verdade Sobre a Tribulação, (Ice, Thomas; Demy, Timothy.
Actual Edições, 1ª edição, Porto Alegre, RS. 2001).
11. A Vitória Final, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de Janeiro, RJ. 1995, pg. 113-114.
12. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, 9ª reimpressão, Ed. Candeia,
São Paulo, SP. 1995, pg. 484 – 485.
13. Bíblia de Estudo de Genebra, Ed. Revista e Atualizada, 1ª edição, Ed.Cultura Cristã /
S.B.B.. São Paulo, SP. 1999. pg. 1535.

8
2
As Tribulações
e

9
a Grande
Tribulação

“E naquele tempo se levantará Miguel, o grande


príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu
povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca
houve, desde que houve nação até àquele tempo;
mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo
aquele que for achado escrito no livro.”
Daniel 12.1

Qual o verdadeiro significado de tribulação? Quais são as circunstancias em


que vemos a sua ocorrência nos textos bíblicos? Existe alguma variação na
aplicação dada às distintas situações?

A seguir faremos um breve relato acerca da palavra “tribulação”, esperando


esclarecer as distinções de sua aplicação.

O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento14 define o


substantivo θ λ ι ψ ι ζ (thlipsis) como podendo ser igualmente traduzido
por “tribulação”, “aflição” e “angústia”. Para um melhor entendimento a que
tribulação o texto de Apocalipse 7.14 estar se referindo, apesar de que o
próprio texto já diz que é da “Grande Tribulação”, achamos necessário se fazer

10
uma análise rápida para podermos distinguir a diferença entre “Tribulação” e a
“ Grande Tribulação”.

Nota.
13. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2ª edição, Vol. II, Ed. Vida Nova,
São Paulo, SP. 2000, pg. 1658.

2.1

11
A Tribulação
de
JESUS CRISTO

“E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o


seu suor tornou-se grandes gotas de sangue, que
corriam até ao chão”
Lucas 22.44

Como já pudemos observar em rápidas explanações que o significado de


“tribulação” pode ser traduzido por “aflição” e “angústia”, não poderíamos tratar
deste assunto sem colocarmos em primeiro plano a tribulação vivenciada pelo

12
próprio SENHOR JESUS CRISTO. Sabemos que existe uma distinção de
papeis e natureza entre essa tribulação vivida por JESUS e as demais (Israel e
igreja-gentios); porém, de alguma forma, tendo uma ligação direta quando
observada do ponto de vista literal de sofrimento e assimilando com a
necessidade da prática testemunhal pela igreja. Apesar das grandes diferenças
quanto à origem, intensidade e foco, não podemos deixar de admitir que a
tribulação seja algo inerente aos cristãos fiel desde a origem do cristianismo.

No mesmo dicionário citado anteriormente, mais adiante, a tribulação é


colocada como algo inerente e em íntima conexão com o Filho de DEUS.

“A declaração do A.T.: ‘ Muitas são as aflições do justo’ (Sl


34.19), se aplica especialmente ao Verdadeiro Justo (At 3.14-
15), sendo, portanto, possível falar das ‘aflições de CRISTO’
(Cl 1.24). Não se trata apenas das aflições que sobraram para
a igreja, mas também das aflições que o SENHOR padeceu no
seu sofrimento sem igual (Cl 1.20,22), com o qual a igreja,
conforme ela bem sabe, deve ser ligada na sua própria
aflição. Passagens tais quais 2 Co 1.5, 4.10, nos permite
inferir que o conceito de tais aflições era implícito na
proclamação do sacrifício de CRISTO.” 15

Temos em passagens como Mt 26.36-44, Mc 14.32-39, Lc 22.39-45 e Jo


18.1 a revelação da verdadeira aflição passada pelo SENHOR JESUS. “E,
posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se
grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão” (Lc 22.44). A
agonia, igualmente considerada por “ânsia de morte, sofrimento, amargura e
aflição”16, sofrida por JESUS CRISTO as portas de seu martírio é um exemplo
claro de que nem mesmo o Filho de DEUS escapou de sofrer o seu momento
de tribulação.

O texto de Mt 20.22-23 e Mc 10.38-39 retratam de forma bem clara o


prenúncio da tribulação na vida do SENHOR. Temos nestas passagens um
anúncio importantíssimo a um Cristianismo que iniciava sua longa caminhada
de lutas, sofrimentos, aflições e tribulações. Embora cercado de bênçãos e
milagres, panorama típico e propício ao novo crente, o prenúncio das
tribulações no cotidiano de um fiel seguidor acabava de ser declarado, desde o
princípio, nas mensagens do SENHOR. Desde o princípio da igreja, ou até
mesmo antes durante o período dos discípulos, houve (e sempre haverá)
determinados momentos em que os “fiéis” tiveram (e terão) que se pronunciar
quanto à identificação como seu SENHOR e com a defesa de sua fé e
chamada a salvação. Há determinados momentos em que a fé é colocada
literalmente à prova, diante das mais diversas circunstâncias neste mundo
dominado por tudo quanto pode ser opor a DEUS e aos princípios do
cristianismo. Lembremos dos apóstolos durante a fuga no Getsêmani (Mt
26.56), de Pedro na casa do sumo sacerdote (Lc 22.54-62), de Estevão (At 6-
7), de Paulo (2 Co 11.16-33), entre outros tantos.

13
Voltando para os textos de Mt 20.22-23 e Mc 10.38-39, temos
primeiramente o anúncio do final trágico que estava reservado ao FILHO de
DEUS. O Cálice que tomaria é um simbolismo utilizado no Antigo Testamento
para expressar sofrimento e ira Divina. “... Beber o cálice...” é tomar para si
uma grande leva de sofrimento (o pecado da humanidade - Is 54.4-6) e a ira
Divina (a rejeição pelo Pai – Mt 27.46, Mc 15.34), o que fatalmente o conduzi-o
ao martírio (veja: Sl 75.8; Is 51.17-22; Jr 25.15; Ez 23.31-34; Mt 26.39-42; Mc
14.36 e Jo 18.11). Em segundo lugar o batismo final “... receber o batismo
com que sou batizado” é o ato que sacramenta a esperança e a mensagem
principal do Cristianismo: a eterna ressurreição (Rm 6.3-7). O “... batismo
com que sou batizado” é uma metáfora para experiência da ameaça de
morte e julgamento, sabendo que a esperança é no livramento definitivo (Cl
2.11-13). Certamente, a princípio, como todo bom novo cristão, os apóstolos
não alcançaram o entendimento e a intensidade das palavras do SENHOR
JESUS, “... bebereis o cálice que EU bebo e recebereis o batismo com
que Sou batizado”, quando afirmaram “... podemos...” (Mt 10.17-18, 21-22,
24.9; Jo 16.33; At 12.1-3; Ap 1.9). Mesmo diante de todas as nossas
limitações humanas, o que nos impossibilita de entender por completo a
grandiosidade das palavras de CRISTO, não podemos aceitar que palavras tão
claras e diretas, “... bebereis o cálice que EU bebo e recebereis o
batismo com que Sou batizado”, sejam colocadas de lado e negligenciadas
no cotidiano de uma igreja que pretende participar do sofrimento de CRISTO e
do arrebatamento. Querer excluir do verdadeiro cristianismo as perseguições,
os sofrimentos, as adversidades, as lutas, os obstáculos, a dor, o esforço
sobre-humano (por obra e Graça do ESPÍRITO SANTO – Jo 16.7; Rm 8.26), é
heresia, é pregar outro evangelho, é enganar o povo e conduzi-los ao inferno.

“E também todos os que piamente querem viver em CRISTO


JESUS padecerão perseguições. Mas os homens maus e
enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo
enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e
de que foste inteirado, sabendo de quem o tem aprendido.”
2 Timóteo 3.12-14.

Diante das adversidades em que vivemos, e poderemos vir a vivenciar,


sigamos o exemplo do apóstolo Paulo, um modelo a ser seguido e observado
pela sua perseverança em fé diante das mais terríveis situações vividas.

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece”.


Filipenses 4.13

Notas.

15. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2ª edição, Vol. II, Ed. Vida Nova,
São Paulo, SP. 2000, pg. 1659.
16. Mini Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª edição, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ.
2001, pg.24.

14
2.2
A Tribulação
da
Igreja

“E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia:


Senhor Jesus, recebe o meu espírito.”
Atos 7.59

15
Quando nos voltamos para analisar o termo “tribulação” e a sua aplicação
para a igreja, acabamos nos deparando com outra realidade vivenciada pelos
cristãos atualmente. Vemos hoje em dia a fragilidade da grande maioria de
seus “ocupantes” quanto ao conhecimento de causa e quanto a colocar-se em
posição digna de participar das “aflições de CRISTO”. Digo isto, certo de que
para o cristão chegar a este ponto precisa estar em pé (Lc 21.36; 1 Co 10.12),
com uma vida santificada, pois sabemos que com uma vida desajustada, sem
santidade, o cristão não incomoda as trevas. Deixando de ser “luz” e perdendo
o “gosto”, o cristão só serve para ser pisado pelo seu próprio semelhante (Mt
5.13-15). Jamais irá incomodar o reino das trevas, como acontecera com Pedro
e os demais cristãos (At 5.40-41, cf. At 7.55-57); como sempre fora o ministério
de Paulo (2 Co 11.16-33).

Não estamos fazendo apologia ao martírio de cristãos, muito menos a


submissão a uma vida de violência, mas, certos estamos em afirmar que a
igreja de hoje não incomoda mais o mundo como deveria incomodar; não
imprime o seu poder de influência como deveria; é só olhar para o seu próprio
interior. A igreja, e a grande maioria de seus ocupantes, por mais que não
queiram admitir, passaram a sofrer a influência do mundo, dos costumes
seculares, etc., enveredando-se pelas “portas-largas” deste mundo e
embriagando-se com os manjares postos por satanás, miscigenando o povo
que deveria ser separado com os poderes regentes da terra; o que tem
acarretado na perca de princípios e valores bíblicos. Este é o resultado de
“fazer parte” de uma igreja e não “ser” a igreja do CRISTO Ressurreto.

Estamos a “anos luz” dos exemplos primitivos, e bem distantes daquela


Assembléia de Deus de até princípio dos anos 80, quando ainda incomodava
os pecadores pelo seu testemunho 17. Afinal de contas de quem é a culpa?
Acaso seria de uma liderança que em muitos casos encontra-se hibernada na
luxúria de seus templos, na luxúria dos gabinetes, dos ternos, viagens e das
reuniões?. Não estariam eles mais preocupados em agradar aos “colegas” de
ministério, do que defender a ortodoxia bíblica? Não estão eles inserindo-se
completamente no contexto de 2 Tm 3.1-5 e 4.3-5? Ou seriam
responsabilidade dos profissionais da homilética, mercadores da Palavra e
mercantilistas da fé, que além de comercializarem a Palavra de DEUS (fato
este que têm criado muitos imperadores do mundo gospel como detentores de
verdadeiras fortunas patrimoniais) estão sempre colocando uma cortina entre a
igreja e as verdades bíblicas, salvo raríssimas exceções? Amaciam o ego da
igreja, falando o que ela quer ouvir, ministrando bênçãos em troca de “aleluias”,
“glória a Deus”, “convites”, “agenda”, “cachê”, “ofertas”, etc. Desviam a igreja
da extrema e urgente necessidade de padecerem as aflições e tribulações por
amor de CRISTO.

Devido o aumento da iniqüidade, principalmente dentro da igreja (Mt 24.12;


2 Pe 2.1-3; 1 Jo 2.18-19), o Evangelho tem se tornado cada vez mais duro,
mais radical; fazendo-se necessário uma tomada de posição em defesa da
Palavra do SENHOR.

16
“Conjuro-te, pois, diante de DEUS, que há de julgar os vivos e
os mortos, na vinda do seu Reino, que pregues a Palavra,
instes a tempo e fora de tempo, redarguas, exortes, com toda
a longaminidade e doutrina”
2 Timóteo 4.1-2

Certamente os números recencialistas, tão propagados na mídia, seriam


mais modestos diante do recuo de muitos em deparar-se com a verdade do
Evangelho (Jo 6.60-66, cf. Mc 10.38). Quando lemos texto como o de Hebreus
5.12-14, imediatamente somos levados à realidade presente de nossas igrejas.
Não que tenhamos uma geração de “meninos”, antes assim fosse, mas,
estamos vivendo em meio a uma geração espiritualmente anêmica, desnutrida
e desprovida até do “leite” inicial. Uma geração despreparada e inconsciente do
seu papel como igreja de CRISTO, inconsciente da guerra espiritual que é
travada contra a igreja “fiel e verdadeira”.

É muito bonito e glorioso pregar sobre o arrebatamento da igreja; muitos


explodem em línguas estranhas, glórias a DEUS, etc. Tudo muito bonito e
correto. O que não aceitamos é que o panorama mundial, o contexto bíblico e
histórico para a igreja do arrebatamento vem sendo travestido, negligenciado e
até mesmo escondido à igreja.

A Bíblia relata um tempo de angústia, perseguições, injúrias, dificuldades


sócio-econômicas, verdadeiros “espinhos na carne”, circunstancias que
inevitavelmente faz parte do contexto de uma igreja fiel e verdadeira (digo:
indivíduo); porém, a Bíblia também apresenta uma igreja forte, poderosa,
ousada e espiritualmente progressiva, avançando diante das portas do inferno
(Mt 16.18). Realidade essa que tem se restringido a alguns poucos
remanescentes fiéis do SENHOR. Recomendamos a leitura e estudo
contextual de todas as referencias aqui relacionadas para o entendimento de
nossa linha de pensamento. É preciso conferir: Mt 7.13-14, 21-23, 10.22, 24-
25, 38-39, 11.12, 24.8-13; Mc 13.13; Lc 6.22-23, 13.23-24, 14.27, 16.16-17,
18.8, 21.34-36, 22.31-32; Jo 15.20-21, 16.33; At 5.41, 20.24; Rm 5.1-4, 8.18,
35-39, 12.1-2; 1 Co 10.12; 2 Co 4.8-11, 16-18, 13.5-6; Fp 1.21-23; 2 Ts 2.3; 1
Tm 4.1; 2 Tm 3.1-5, 12, 4.3-5; 1 Pe 4.12-14; 2 Pe 2.1-3, 3.1-4; 1 Jo 2.18-19; Jd
1-19.

Após analisar o contexto de todas essas referencias é que afirmamos,


contrariando a muitos “mestres da homilética” em seus discursos do tipo:
“vamos ganhar esta nação, este estado, esta cidade para Cristo”, que poucos
são os que encontram a porta da salvação e só através de muito esforço, muita
luta e tribulações. Você pode crer nestas palavras? Mas... Voltemos ao
assunto.

O substantivo thlipsis tem um significado escatológico para a igreja


conforme se pode ver na citação de Mt 24.4-12; Mc 13.1-13 e Lc 21.5-19. Esta
tribulação pertence ao período antes do arrebatamento da igreja, e se
caracteriza pela apostasia, pelo ódio, pelas lutas políticas e pelas catástrofes
da natureza, pelas calamidades humanas, sendo esses sinais apenas o
“princípio das dores”. O mesmo pensamento de catástrofes se acha no livro de

17
Apocalipse, não somente em Apocalipse 2.22, mas também em 7.14 (cf. 3.10)
onde, nestes casos, a referência é ao período da “Grande Tribulação”.

Há uma distinção entre a “tribulação” que a Igreja está sujeita, e até mesma
obrigada a passar, e a “grande tribulação” futura, conforme adverte o apóstolo
Paulo em 1 Tessalonicenses 3.3-4 “Para que ninguém se comova por
estas tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos
ordenados, pois, estando ainda convosco, vos predizíamos que
havíamos de ser afligidos, como sucedeu, e vós o sabeis”.(leia também
1 Ts 5.2,9).

Hoje, como igreja, vivemos uma tribulação atribuída às atividades dos


homens e/ou de satanás; porém, quando analisamos passagens como Is 24.1,
26.21; Jl 1.15; Sf 1.18; Ap 6.16-17; 7.14; 11.8; 14.10,19; 15.4,7; 16.1,7,19;
19.1-2; não podemos negar que esse período é particularmente à hora em que
as atividades serão oriundas da “Ira” e do “Juízo de DEUS” sobre toda a terra.
Por esse pequeno particular este evento é chamado de “a Grande Tribulação”.

“Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua


cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: Nu saí do ventre
de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o
SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR. Em tudo isto
Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”. “Porém ele lhe
disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de
Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com
os seus lábios”.
Jó 1.20-22; 2.10

Os cristãos estão implicitamente incluídos na thlipsis ao longo da história


da igreja. Ficam expostos às tribulações (Mt 24.9), especialmente ao ódio, à
traição e a morte. É acima de tudo um tempo de desvio (Mt 24.4-5), um tempo
de teste (Mt 13.21; Mc 4.17; Lc 8.13; 1 Pe 4.12-16). Em Colossense 1.24 o

18
apóstolo Paulo deixa bem claro que os cristãos experimentam as aflições em
solidariedade a JESUS CRISTO “Regozijo-me agora no que padeço por
vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de CRISTO, pelo
seu corpo, que é a igreja”. Este é um pensamento natural e familiar nos
escritos Paulino. Esta verdade, igualmente, é declarada várias vezes no Novo
Testamento “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no
mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo
16.33), “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a
permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar
no reino de DEUS” (At 14.22), e expressa de um modo mais explicito em 1
Tessalonicenses 3.3, onde Paulo escreve orientando e exortando a igreja para
tais expectativas “... para que ninguém se comova por estas
tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos
ordenados” ( eis touto keimetha - veja 1 Pe 2.21). Como resultado, a
tribulação já é uma realidade na situação do Novo Testamento. A igreja em
Jerusalém (At 11.19), em Corinto (2 Co 1.4), em Tessalônica (1 Ts 1.6, 3.3) e
na Macedônia de modo geral (2 Co 8.2), já vivenciavam as aflições que lhes
eram designadas pelo amor ao seu SENHOR; aflições essas que tinham
sempre o propósito de produzir esperança (Rm 5.3ss). Vejamos como Paulo
deixa claro que a igreja tem de passar por essas tribulações.

“... Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que


também possamos consolar os que estiverem em alguma
tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos
consolados por DEUS. Porque, como as aflições de CRISTO são
abundantes em nós, assim também é abundante a nossa
consolação por meio de CRISTO. Mas, se somos atribulados, é
para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados,
para vossa consolação e salvação é, a qual se opera
suportando com paciência as mesmas aflições que nós
também padecemos”.
2 Coríntios 1.4-6 (confira. 1 Pe 4.12-14)

Foi esta a razão maior para que Paulo e Barnabé exortassem os discípulos
a continuarem firmados na fé, ou seja, por mais adversidades que enfrentemos
e por maiores que elas sejam, teremos sempre a consolação do SENHOR
JESUS na mesma proporção. Como reafirma o apóstolo Pedro em 1 Pedro
2.19-21 “Porque para isto fomos ordenados...” . Mas, glorificado seja o
SENHOR JESUS CRISTO pelo consolo e exortação do ESPÍRITO SANTO e
por sua Palavra como em João 16.33 “... mas tende bom ânimo, EU venci
o mundo”. Palavras que conforme relatou o mesmo apóstolo Paulo, são
tribulações que devem produzir qualidades nos cristãos como: paciência,
experiência e esperança (Rm 5.3-4).

O texto de Apocalipse 12.10-12 retrata a fúria de satanás para com os fiéis


do SENHOR. É bem verdade que o referido texto encontra-se na seqüência
cronológica da “Grande Tribulação”. Em observação conjunta com 1 Pedro
4.12-14 e 5.8-9, temos o entendimento da forma de atuação de satanás para
com a igreja do SENHOR (verifique todo o contexto dos caps. 3-5).

19
“... E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de
povo; e, pegando Paulo, o arrastaram para fora do templo, e
logo as portas se fecharam. E, procurando eles matá-lo,
chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava
toda em confusão; o qual, tomando logo consigo soldados e
centuriões, correu para eles. E, quando viram o tribuno e os
soldados, cessaram de ferir a Paulo.”
Atos 21.30-32

Poderíamos relacionar uma série de versículos que nos remetem tanto a


“tribulação” momentânea, como “a Grande Tribulação”, mas, não querendo
fazer destas observações algo complexo, optamos por algumas poucas
referências, porém, de grande relevância para o assunto.

Nota.

17. Fazemos essa citação acerca da Igreja Evangélica Assembléia de Deus por diversos
motivos: 1º. Por fazermos parte de seu rol de membros, tendo nascido na fé como
assembleiano e por acompanhamos o comportamento e liturgia ao longo de alguns anos ; 2º.
Por termos conhecimento do bom testemunho que acompanhava a igreja até então como
característica nata de seus membros. Não queremos afirmar que não exista mais testemunho,
seria uma inverdade e sandice, mas é necessário reconhecer, até como identificação de
cumprimento de profecias acerca da igreja dos últimos dias, que não temos mais essa
característica como forma de identidade de um assembleiano. As doutrinas afrouxaram; as
disciplinas tornaram-se restritas apenas para membros comuns (salvo algumas exceções); os
casamentos irregulares tomaram parte da vida de muitos; as separações ao ministério
tornaram-se algo de cunho pessoal e familiar; a pregação da Palavra ficou relegada e a mercê
das cantatas; os sinais deixaram de ser freqüentes; as disputas por cargos tornou-se princípio
para destaque, entre outros tantos problemas. Fazemos referencia a Assembléia de Deus por

20
sermos membro desta igreja, mas esses problemas que acabamos de relacionar estão
presentes em todas as denominações evangélicas, sem qualquer distinção de credo.

2.3
A
Grande
Tribulação

“E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e


ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz
de trovão: Vem, e vê”
Apocalipse 6.1

21
A escatologia de modo em geral tem sido um assunto que vem
despertando, como não poderia deixar de ser, o interesse de muitos fiéis,
colaborando assim com o surgimento de algumas boas obras literárias sobre
esta matéria bíblica18. Não diferente dentre os temas escatológicos a grande
tribulação e o arrebatamento da igreja são alvos da curiosidade da grande
maioria das pessoas que se aproximam da Palavra de DEUS. Por conta disto
nos preocupamos em não nos estendermos por demais neste pequeno estudo.
Como já dissemos anteriormente, o interesse deste estudo foi provocado diante
da necessidade do esclarecimento pela afirmação negativa da existência da
salvação durante a grande tribulação por um “famoso” pastor e pregador aqui
da “Terra dos Marechais”.

Entendemos por grande tribulação um período impar e único na história da


humanidade, onde toda a população da terra verá o derramamento da ira de
DEUS de uma forma jamais vista. Este evento é exaustivamente profetizado
em toda a Bíblia desde Moisés (Dt 4.27-31) a passar pelos profetas (Is 2.12-22,
26.20-21; Dn 9.24-27; Sf 1.14-18; Jl 2.1-2, 28-31; Am 5.18-20), pelo próprio
JESUS CRISTO (Mt 24.15-28; Mc 13; Lc 21.20-24) e os apóstolos (Rm 5.9; 1
Ts 5.9; 2 Ts 2.1-8; Ap 6-9).

Diferente de tudo o que já vimos, a Bíblia refere-se a um evento futuro


chamado de “A Grande Tribulação”, que temos analisado especificamente em
Apocalipse 7.14. Esse evento também é encontrado na Bíblia por outros nomes
como: “O tempo de angustia” (Dn 12.1); “O Dia do SENHOR” (Jl 1.15); “Dia da
Ira de DEUS” (Ap 14.10); “Angústia de Jacó” (Jr 30.7). Será o tempo da
manifestação do Juízo de DEUS sobre toda a terra. É um evento determinado
por DEUS (Zc 13.8-9), onde grande será a angústia (Jr 30.5-7) e acontecerá
após a retirada da igreja (2 Ts 2.6-7; Ap 3.10). Mas, ainda podemos relacionar
entre os alvos da “Grande Tribulação” o seguinte:

1º - Julgar os que rejeitaram a CRISTO (1 Ts 5.1-11; Ap 6.16-17);


2º - Desnudar a hipocrisia do sistema mundano (2 Ts 2.8; Ap 19.15,20-21);
3º - Destruir o reino do anticristo (2 Ts 2.8) e preparar a humanidade para o
estabelecimento do Reino Milenar do SENHOR JESUS.

Há uma observação importante que devemos fazer ao analisarmos tudo que


se refere ao período tribulacional. Devemos estar atentos aos fatos e
acontecimentos nos dias atuais e confrontá-los com a cronologia bíblica.
Estamos vivendo em pleno “princípio das dores”, com relata os primeiros
versículos do capítulo 24 do evangelho de Mateus. “A ‘Grande Tribulação’
segue uma ordem de eventos, de como tudo ocorrerá durante a ‘70ª Semana
de Daniel’”. Embora, a princípio, seja estabelecido um período de paz, será um
tempo de muitas aflições “Porque haverá então grande aflição, como
nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco
há de haver”. (Mt 24.21).

22
Apesar da falsa paz, evento que acontecerá nos primeiros 3 ½ anos, não
podemos deixar de considerar todo o período da “70ª Semana de Daniel” como
a “Grande Tribulação” quando focamos a cronologia dos eventos históricos e
colocamos em paralelo com a cronologia escatológica. Durante a primeira
metade da semana haverá perseguição sobre todos os moradores da terra (Ap
13.16-17), não uma perseguição aos moldes do final deste período, porém,
uma perseguição sorrateira e disfarçada com a implantação de um sistema
político-sócio-econômico, oprimindo a humanidade e submetendo-a ao governo
do anticristo 19. Será retirada a “liberdade” que temos hoje em dia, implantando
uma nova “ordem mundial” para o estabelecimento do governo do anticristo.
Classificamos a perseguição como “sorrateira” e “disfarçada” porque para
aqueles que certamente se identificarão com o sistema de governo do
anticristo, vislumbrando nele e no falso profeta o poder para a solução de todos
os problemas (Ap 13.5,7, 11-17) e enganados pelo espírito da mentira (2 Ts
2.3,10-11), será um tempo de grandes soluções. Tudo estará bem, a princípio,
porém, para os fiéis do SENHOR, aqueles que vierem a reconhecer o Senhorio
de JESUS CRISTO logo depois o arrebatamento da igreja e provavelmente
após passar por uma espécie de êxtase e loucura pelos eventos do
arrebatamento, será um tempo de angústia e perseguição. Serão perseguidos
por não negarem a sua fé e pela rejeição ao sistema anticristão implantado
pela Nova Ordem Mundial. Estes serões tidos por infiéis, no ponto de vista
mundial, e precisam ser eliminados pela ótica do novo sistema governamental
(Ap 13.7,15). Entretanto, todos os que adorarem a besta se depararão com um
final trágico (Ap 13.7-8; 20.15). Para que o anticristo governe e estabeleça a
“falsa paz”, terá ele que possuir o domínio sobre todas as nações,
estabelecendo assim um governo mundial. Apesar de haver “paz”, não significa
dizer que a terra não esteja passando pela “Grande Tribulação”. Este período
caracteriza-se pela aquisição do poder e o governo mundial pelo maior
adversário de DEUS em toda a história da humanidade (Ap 13).

23
Notas.

18. Ver lista ao final na bibliografia.


19. Sobre o assunto anticristo sugerimos a leitura das obras: “A verdade sobre o anticristo e o
seu reino” (Ice/Denny) e “Como a democracia elegera o anticristo” (Arno Froese), ambos da
Editora Chamada da Meia-noite.

2.3.1
A grande
tribulação,
a igreja e a
política

24
“E aconteceu que, num daqueles dias, estava
ensinando, e estavam ali assentados fariseus e
doutores da lei, que tinham vindo de todas as
aldeias da Galiléia, e da Judéia, e de Jerusalém. E a
virtude do SENHOR estava com ELE para curar”.
Lucas 5.17

“Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o


conselho de DEUS contra si mesmos, não tendo sido
batizados por ELE”.
Lucas 7.30
Haveria alguma relação entre a grande tribulação, a igreja e a política? Qual
será o resultado final para este envolvimento da igreja atual com o velho e
atuante modelo romano?

Queremos a partir de este ponto fazer algumas advertências à igreja que a


cada dia envereda-se, dia após dia, em um sistema político que será o grande
responsável pela eleição e entronização ainda que temporária do anticristo
como governante maior na terra; advertência esta que já levamos ao
conhecimento do líder maior da nossa denominação em nosso estado através
de uma carta escrita 20.

Não é papel para a igreja do SENHOR, contrariando aos muitos que assim
declaram, participar de um sistema extremamente corrupto e corruptor como é
o da nossa política “brasileiramente” democrática. Fazemos parte de um
contingente que existe para disseminar e implantar um Reino e um sistema
completamente adverso ao sistema de “César” ao qual estamos, de certa
forma, submetidos ainda que temporariamente. A função para qual a igreja foi
desiguinada é pregar e defender a Palavra de DEUS, além de implantar e ser
representante do Reino de DEUS aqui na terra (Ef 3.9-10; 1 Pe 1.12, 3.15; 2.5-
11).

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa


espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios
espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso
também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a
pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela
crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é
preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores
reprovaram, Essa foi a principal da esquina, E uma pedra de
tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na
palavra, sendo desobedientes; para o que também foram
destinados. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a
nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes
daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois
povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas

25
agora alcançastes misericórdia. Amados, peço-vos, como a
peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das
concupiscências carnais que combatem contra a alma...”
1 Pedro 2.5-11

Chega a ser incrível como as pessoas que estão dentro das igrejas, muitas
delas se auto-denominando como detentores do conhecimento bíblico, estão
se deixando envolver e envolvendo as demais pessoas com este falso
sentimento de democracia; fazendo assim que as portas da igreja sejam
escancaradas para este sistema político que hoje, traçando um paralelo com os
dias da igreja primitiva, representa nada menos que o Império Romano.

Não quero aqui levantar uma bandeira contra o direito constitucional que
cada cidadão brasileiro tem de votar e ser votado; porém, não posso deixar de
manifestar a minha insatisfação com o modelo implantado deste sistema
político que em muito se desvia de seus princípios. Não posso aceitar como
verdade, verdade essa imposta por algumas lideranças da igreja, que a “Noiva
do Cordeiro” precisa adentrar nos arraiais da política, dos poderes seculares e
mundanos como forma de se salvaguardar das intempéries as quais está
fadada a passar pelo seu testemunho de fé em CRISTO. Como já falamos
anteriormente, a igreja não passará pela Grande Tribulação, mas nem por isso
deixará de ter e passar por tribulações. Seria injustiça de minha parte deixar de
enxergar que os “políticos da igreja” conseguem, sob forma de uma permuta
mercantilista, “benefícios” para a igreja e seus líderes como tijolo, areia,
cimento, piso, cadeiras, cotas de combustíveis, emprego para os filhos e
amigos, entre outros tantos benefícios; implantando assim, a princípio, no seio
da igreja, um sistema extremamente corrupto e corruptor.

Quando observamos essas ações em prol da igreja, e quando falo igreja


refiro-me as abóbodas e as denominações e jamais, neste caso específico, ao
“Corpo de CRISTO”. É verdade que “eles”, os irmãos da política, consigam
algumas realizações, realizações exclusivamente materiais, mas quanto ao
Corpo de CRISTO, jamais. Jamais vão conseguir proporcionar os verdadeiros
benefícios necessários a igreja por ser essa atribuição algo exclusivo do seu
Noivo JESUS CRISTO e do ESPÍRITO SANTO (Rm 8.26, 34; 1 Jo 2.1). Fatos
esses que não estão acontecendo mais aos moldes da igreja primitiva, e digo
isso, principalmente, por responsabilidade de seus ministros e ministérios. Mas
qual seriam os verdadeiros benefícios para a igreja dos últimos dias? Será que
estes “benefícios” que acabamos de relacionar são as verdadeiras
necessidades da igreja?

Sem querer me prolongar neste tema, confesso desconhecer a existência


de algum texto e contexto bíblico que incentive ou defenda a igreja a adentrar e
participar do “sistema romano” ou de qualquer uma outra forma de governo
humano que não divinamente eclesiástico. Muito pelo contrário, o contexto
doutrinário no período Neo-testamentário é de separação do mundo e de seus
sistemas babilônicos (Ap 18.4). Sugerimos a leitura do estudo bíblico “O
relacionamento entre o crente e o mundo”.21

26
Estaríamos afirmando então que a política é essencialmente má? Em teoria
não, já na prática não podemos negar que os malefícios causados tem estado
em franca vantagem em relação as suas verdadeiras ações teóricas. Na
filosofia aristotélica a política é a ciência que tem por objeto a felicidade
humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual
do homem na pólis) e na política propriamente dita (que se preocupa com a
felicidade coletiva da pólis). O objetivo de Aristóteles com sua Política é
justamente investigar as formas de governo e as instituições capazes de
assegurar uma vida feliz ao cidadão. Por isso mesmo, a política situa-se no
âmbito das ciências práticas, ou seja, as ciências que buscam o
conhecimento como meio para ação. As poucas ações realizadas dentro da
igreja, pelos “irmãos da política”, não são e jamais serão suficientes para
incobrir que essas intervenções políticas provocam o início de práticas
corrúptas e corruptoras, visando como finalidade a eleição dos mesmos.

Muitos podem pensar que estamos distorcendo o foco do tema deste


trabalho. Verdadeiramente não. O que estamos tentando mostrar é que a Igreja
de CRISTO ao aceitar esse envolvimento com a política estará ela adentrando
no contexto mundial o qual elegerá o anticristo como salvador do mundo. A
grande tribulação será o palco da exaltação e destruição de todos aqueles que
se colocarem contrários a DEUS. Por isso é que infelizmente muitos dos que
hoje se encontram dentro das igrejas terão a infeliz experiência de passar pela
grande tribulação. Vale lembrar que uns dos sinais da volta de CRISTO dentro
da igreja e uma das principais características dos não arrebatados, aqueles
que vão participar da grande tribulação, é a apostasia, a frieza e o
envolvimento com os poderes e prazeres vigentes neste mundo. Uma igreja
descaracterizada e sem princípios doutrinários (Mt 7.21-23; 1 Tm 4.1; 2 Tm 3.1-
5; 4.1-4). Podemos afirmar com tamanha convicção que a política foi o prato
ideal que satanás encontrou para seduzir, em primeiro lugar, a liderança
eclesiástica, os responsáveis pela igreja, a adentrarem em seu projeto de
governo sob o pretexto de estarem buscando o melhor para a igreja; a solução
das diversas problemáticas oriundas do contexto tribulacional; em segundo
lugar, uma membresia inconversa e desavisada (digo: não o Corpo de
CRISTO). Comportamento bem oposto ao modelo deixado pelos apóstolos e
nossos irmãos de fé primitivos.

Infelizmente, como advertiu o SENHOR JESUS CRISTO e escreveu os


apóstolos, muitos nestes últimos dias estão desviando-se da verdade em busca
de suas próprias concupiscências, elegendo os seus próprios doutores e
“senhores”, atrás de fábulas (2 Tm 3-4;); buscando “entesourar” aqui na terra
(Mt 6.19-20) e negligenciando o Sacerdócio Real ao qual foi contemplado
gratuitamente. Assumem assim o papel de um verdadeiro “filho pródigo”.
Infelizmente muitos não terão tempo para se arrepender antes do
arrebatamento da igreja (Lc 21.34-36; 1 Co 10.12; 1 Ts 5.23) e poderem voltar
a Casa do PAI.

Portanto, entendemos que a grande tribulação não é evento para o cristão


fiel ao seu SENHOR, ficando assim bem clara a nossa posição “pré-
tribulacionista”. Aceitamos as opiniões contrárias as que aqui expressamos,
porém, só terão validades desde que venham contextualmente e

27
doutrinariamente embasadas na Bíblia Sagrada. Opiniões e conceitos
religiosos, científicos e sócio-filosófico não são e jamais serão suficientes para
desfazer a Palavra de DEUS.

Notas.

20. Disponibilizamos esta carta através de solicitações via e-mail do autor:


marcellosepol@hotmail.com.
21. Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Revista e Corrigida, 2ª impressão, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1995.pg. 1957

3
A Salvação
durante
a Grande
Tribulação.

28
“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes
dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que
foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela
palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a
sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas
nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com
Cristo durante mil anos”.
Apocalipse 20.4

Finalmente chegamos à grande questão deste estudo: haverá salvação


durante a grande tribulação ou não? Crendo já ter ficado claro que Ap 7.14 não
se refere em momento algum aos crentes do arrebatamento, mas, sim aos
salvos oriundos do período tribulacional da “70ª Semana de Daniel”; queremos
fazer algumas considerações para concluir esta linha de pensamento.

Os comentadores da Bíblia de Estudo Pentecostal fazem a seguinte


afirmação acerca desta salvação.

“Durante o período da Tribulação, muitos entre judeus e


gentios crerão em JESUS CRISTO e serão salvos (Dt 4.30-31;
Os 5.15; Ap 7.9-17, 14.6-7). Será um tempo de grande
sofrimento e de perseguição pavorosa para todos quantos
permanecerem fiéis a DEUS (Ap 12.17, 13.15). A Grande
Tribulação termina quando vier JESUS CRISTO em Glória, com
a sua noiva (Ap 19.7-8,14), para efetuar o livramento aos fiéis
remanescente e o juízo e destruição aos ímpios
(Ez 20.34-38; Mt 24.29-31; Lc 19.11-27; Ap 19.11-21)”.22

29
Em Apocalipse 13.7 e 15 temos a clara afirmação acerca da salvação
durante a “Grande Tribulação”, onde os opositores da besta serão martirizados.
Neste caso, portanto, está mais que comprovado que haverá salvação durante
a “Grande Tribulação”, “E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e
vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda tribo, língua, e nação. E foi-
lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que
também a imagem da besta falasse e fizesse que fossem mortos
todos os que não adorassem a imagem da besta”. Vejamos o
comentário da B.E.P. sobre estes versículos.

“Durante a tribulação, o povo terá de escolher entre a nova,


popular e fácil religião, ou crer em CRISTO e permanecer fiel.
(1) Quem permanecer fiel a DEUS e à sua palavra será
perseguido e talvez morto (ver 6.9 nota; 7.9 nota). (2)
satanás vencelos-á, não no sentido de destruir a sua fé, mas
causando a morte de muitos (6.9-11). Durante ‘quarenta e
dois meses’ o anticristo perseguirá os santos (vs. 5)”
“Será baixado um decreto ordenando a morte de todos que se
recusarem a adorar o governante e a sua imagem. Noutras
palavras, muitos que resistirem ao anticristo e permanecerem
fiéis a JESUS, selarão sua fé com suas vidas
(ver 6.9 nota; 14.12-13; 17.9-17)”. 23

Como pode alguém com tamanha responsabilidade em pregar a palavra de


DEUS, ainda mais sendo considerado um “renomado pregador” expor um texto
com tamanha clareza e ainda assim afirmar que não haverá salvação gentílica
durante o período tribulacional? (leia também Ap 20.4). Não vemos a menor
necessidade de incluir em nosso comentário o martírio de judeus, pois também
serão mortos e assim sendo salvos durante a grande tribulação, por se oporem
ao anticristo, a besta e ao falso profeta. Esta perseguição aumentará após o
rompimento do concerto firmado entre Israel e o anticristo, conforme relata a
passagem de Daniel 9.27. O objetivo principal deste trabalho é focar a salvação
gentílica durante o período tribulacional.
Em seu comentário de Ap 3.10, a Bíblia de Estudo Pentecostal afirma
completamente a ocorrência da salvação durante este período.

“Esse período de provação também inclui a ira de satanás


contra os fiéis, i.e., contra os que aceitarem a CRISTO durante
este período terrível. Para eles haverá fome, sede, exposição
às intempéries (Ap 7.16) e muito sofrimento e lágrimas (Ap
7.9-17; Dn12. 10; Mt 24.15-21). Experimentarão de modo
indireto as catástrofes naturais da guerra, da fome e da
morte. Serão perseguidos, torturados e muitos sofrerão o
martírio (Ap 6.11, 13.7, 14.13). Sofrerão as assolações de
satanás e das forças demoníacas (Ap 9.3-5, 12.12), violência
de homens ímpios e perseguição da parte do anticristo (Ap
6.9; 12.17; 13.15-17). Perderão suas casas e terão de fugir,
aterrorizados (Mt 24.15-20). Será um período terrivelmente

30
calamitoso para quem tiver família e filhos (Mt 24.19); será
tão terrível, que os santos que morrerem são tidos por Bem-
aventurados; porque descansam da sua lida e ficam livres da
perseguição
(Ap 14.13)”.24

E completando a distinção entre “igreja arrebatada” e os “salvos da


grande tribulação”, segue afirmando:

“Quanto aos vencedores anteriores aquele tempo (ver 2.7 –


nota; Lc 21.36 – nota), DEUS os preservará da tribulação,
através do arrebatamento, quando os fiéis encontrarão o
SENHOR nos ares, antes de DEUS derramar a sua ira
(ver: Jo 14.3)” 25

Para que não venha haver salvação durante a grande tribulação será
necessário reinterpretar a Bíblia e encontrar uma forma diferente de entender o
que a Palavra de DEUS relata sobre alguns fatos; o que inevitavelmente
provoca algumas perguntas, dentre elas:

1º - Qual é a finalidade dos 144.000 selados de Israel? Onde e porque terão


eles um ministério?
2º - Apenas os Judeus participarão do Milênio? Haverá outras nações
(povos/raças) oriundas da “Grande Tribulação” participando do Milênio? Ap 7.9
3º - Apenas os judeus sobreviveram a “Grande Tribulação”?
4º - Quem são os salvos que morreram por não adorarem a besta e
rejeitarem seu sinal durante “a Grande Tribulação” Apocalipse 20.4? Seriam
apenas judeus?

Há um plano Divino para as nações gentílicas que deverá se cumprir no


período da “Grande Tribulação”, a fim de conduzi-las a salvação e a benção do
Milênio (Is 49.6, caps. 60,62-63). Temos uma revelação pelo próprio SENHOR
em Mt 25.31-40, onde na sua volta em glória irá apartar os “bodes das
ovelhas”, entre todas as nações, afirmando assim a entrada de gentios no
Reino Milenar.

“E quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os


santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua
glória; E todas as nações serão reunidas diante Dele, e
apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as
ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à
esquerda. Então dirá o REI aos que estiverem à sua direita:
Vinde, benditos de meu PAI, possuí por herança o Reino que
vos está preparado desde a fundação do mundo.”
Mt 25.31-34

Em seu livro “Nosso Destino”, o Dr. Stanley Horton comenta algo muito

31
proveitoso, expondo claramente a posição que aqui defendemos.

“Um dos anciãos diz a João que esses vestidos de vestes


brancas são os que vieram da grande tribulação... Portanto, a
‘multidão a qual ninguém podia contar’, seria o número
completo dos remidos que terminaram o seu tempo de
provação na terra e que estão diante de DEUS. Assim sendo,
vêm da grande tribulação final e são mártires acrescentados
ao número de conservos e irmãos revelados na visão do
quinto selo...”.26

Diante de tamanha clareza bíblica acerca do tema aqui tratado, entendemos


que não houvesse a necessidade de se utilizar tantas referências extras
bíblicas para subsídios como temos feito. O uso dessas referências é por
sabermos que estamos vivendo o pleno cumprimento profético de 2 Tm 3.1-5 e
4.3-5, como já citados anteriormente. Infelizmente, para grande parte dos
homens que compõe a igreja, necessitamos dos “mesmos” para subsidiar algo
tão claro e notório na Palavra de DEUS. Mas enquanto houver coerência
bíblica nas palavras dos homens recorreremos aos “tais” para a satisfação dos
“mesmos”. Dar-lhes-emos aquilo que os “próprios” querem, crêem e confiam,
conquanto que o nome de CRISTO seja glorificado.

Temos atualmente dentro das igrejas a proliferação de um mesmo


comportamento existente há muito tempo no mundo: a exaltação das pessoas
pelos títulos que as mesmas possuem. Vale mais quem tem mais e quem é
mais. Títulos esses que muitas vezes são estabelecidos em detrimento a
princípios básicos ao cristianismo como poderemos ler em Mateus 20.26-27;
João 3.30 e Filipenses 2.3. Como dizem que “A vida e um reflexo do ambiente
onde nascemos, crescemos e vivemos”, podemos dizer que a igreja
(instituição) tem se tornado, em alguns casos, um reflexo do mundo; onde
JESUS CRISTO tem perdido o seu posto de SENHOR para as “autoridades
eclesiásticas” e “potentados humanos”. Honra-se mais aos títulos do que ao
caráter inerente aos verdadeiros cristãos. Não apenas isso, também
identificamos a construção de verdadeiros “pequenos impérios financeiros”
estabelecidos em nome da fé e em nome de DEUS. Com certeza essas
autoridades eclesiásticas esqueceram de ler que nada pode sobressair a glória
de JESUS CRISTO dentro da igreja e que uma das características do cristão
convertido é o altruísmo. Lembras de JESUS, de Moises, de Ester, de Paulo,
entre tantos outros.

“Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre
vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e, qualquer que entre
vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; bem como o Filho
do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para
dar a sua vida em resgate de muitos”.
Mateus 20.26-27

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por


humildade; cada um considere os outros superiores a si

32
mesmo”.
Filipenses 2.3

Notas:

22. Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Revista e Corrigida, 2ª impressão, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1995. pg 1439.
23. Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Revista e Corrigida, 2ª impressão, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1995.pg.1999.
24. Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Revista e Corrigida, 2ª impressão, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1995.pg. 1987.
25. Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Revista e Corrigida, 2ª impressão, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1995.pg. 1987.
26. Nosso Destino, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de Janeiro, RJ, 1998., pg. 100.

4
33
Conclusão

“E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o


primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já
não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova
Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada
como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi
uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o
tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles
habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus
estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará
de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais
morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já
as primeiras coisas são passadas. E o que estava
assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas
todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas
palavras são verdadeiras e fiéis.
Apocalipse 21.1-5

“Não haverá salvação durante a grande tribulação”. Foi por esta afirmativa
que resolvemos escrever apenas um pequeno comentário sobre o assunto, o
que acabou se alongando um pouco. Esperamos ter conseguido o objetivo
inicial de mostrar a ocorrência da salvação durante o período tribulacional.

34
Em momento algum estamos defendendo uma vida relapsa por conta dos
cristãos de hoje ao defendermos a possibilidade de salvação durante o período
da “Grande Tribulação”, o que certamente será um período que dificultará em
muito a aquisição da salvação, e onde muitos não conseguirão alcançá-la. Que
isto sirva em algum momento para o despertar de muitos dos que dormem,
principalmente por ser o arrebatamento, para muitos que estão na igreja, uma
oportunidade ímpar à salvação; única em suas particularidades. Veja o
conselho bíblico em Apocalipse 20.6 “Bem-aventurado e santo aquele
que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a
segunda morte, mas serão sacerdotes de DEUS e de CRISTO e
reinarão com ELE mil anos”.

Hoje, vivemos em um mundo com plena liberdade de fé, de culto, de


pensamentos, de trânsito e até, em alguns particulares, de liberdade em
nossas vontades, com algumas poucas exceções. Com toda essa “liberdade”
necessitamos, ainda assim, empregar muito esforço para alcançar a salvação
(Lc 16.16). Vislumbrando o panorama atual e com todas essas “regalias”, não
tem sido nada fácil manter uma vida santa, casta e irrepreensível como nos
orienta a Palavra. Se atualmente já está difícil conservar a salvação, como será
então para os que tiverem que passar pelo “Grande Dia do SENHOR”? Fome,
pestes, guerras, perseguições, violência, martírios, escravidão, controle total de
ações, catástrofes naturais, tudo isso em proporções jamais vistas na história
da humanidade. (Ap caps. 6-19)

Esperamos ter, de alguma forma, ajudado algum leitor a chegar à


consciência, ao despertamento de que o tempo é hoje para se buscar e
conservar a salvação. Como diz o escritor aos Hebreus “Como escaparemos
nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual,
começando a ser anunciada pelo SENHOR, foi-nos depois confirmada
pelos que a ouviram” (Hb 2.3). Fato altamente recomendado pelo apóstolo
Paulo em sua carta aos Filipenses, quando atribui a responsabilidade ao
indivíduo cristão, por meio da Graça, na conservação de sua salvação “De
sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na
minha presença, mas muito mais na minha ausência, assim também
operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12 – A.R.A.
“desenvolvei”)

Que o SENHOR se compadeça e tenha misericórdia de todos nós e, por


intermédio do ESPÍRITO SANTO, nos mantenham irrepreensíveis para a vinda
do SENHOR JESUS CRISTO (Rm 9.15-16; 1 Ts 5.23). Sugerimos para uma
leitura complementar as referências: Mt 11.12, 24.12-13; Lc 13.23-24, 18.8; Rm
11.21-22; 1 Co 1.8, 10.12; Fp 2.14-15; Cl 1.21-23; 1 Ts 3.13, 5.23; 2 Ts 2.3; 1
Tm 4.1; 2 Tm 3.1-5, 4.3-5. É imprescindível a leitura de todas as referências
citadas para o entendimento contextual do tema aqui analisado.

Desejamos avidamente que este material possa esclarecer a dúvida


provocada pela afirmativa que vem sendo propagada em nossas igrejas e que
todos possam naquele grande dia encontra-se entre os participantes do
arrebatamento ou da primeira ressurreição. Que todos os que exerçam alguma

35
função nas igrejas tenham o mesmo sentimento conforme o apóstolo Paulo
declara em 2 Coríntios 11.2.

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos


tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura
a um marido, a saber, a Cristo.”

Que o SENHOR JESUS CRISTO tenha misericórdia de minha vida e de


minha casa; que ELE perdoe as minhas falhas naquilo que aqui escrevi e que
abençoe a todos os necessitados de sua misericórdia.

Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli


Deo Gloria

Marcello Melo Lopes


Maceió, Maio de 2006.
1ª Revisão: Dezembro 2006.
2ª Revisão: Nov/Dez de 2008.
3ª Revisão: Agosto 2009.
Bibliografia
- Andrade, Claudionor Correia. Dicionário de Escatologia Bíblica, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1999.
- Bíblia Sagrada. Ed. Corrigida e Fiel, 9ª impressão, S.B.T.B., São Paulo, SP. 2005.

36
- Bíblia Sagrada. Ed. Contemporânea, 12ª impressão, Ed. Vida, São Paulo, SP. 1999.
- Bíblia Sagrada. Ed. Claretiana / Pastoral Catequética, 138ª edição, Ed. Ave Maria, São
Paulo, SP. 2000.
- Bíblia Sagrada. Ed. Pastoral, 14ª impressão, Ed. Paulus, São Paulo, SP. 2000.
- Bíblia Sagrada. Ed. Pe. Matos Soares, 34ª, Ed. Paulinas, São Paulo, SP. 1977.
- Bíblia Sagrada. Nova Versão Internacional, 1ª Edição, Ed. Vida, São Paulo, SP. 2000.
- Bíblia Sagrada. Nova Tradução Linguagem de Hoje, 1ª Edição, S.B.B., Barueri, SP. 2000.
- Bíblia de Estudo de Genebra. Ed. Revista e Atualizada, 1ª edição, Ed.Cultura Cristã /
S.B.B., São Paulo, SP. 1999.
- Bíblia de Estudo Pentecostal. Ed. Revista e Corrigida, 2ª impressão, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 1995.
- Bíblia de Estudo Almeida. Ed. Revista e Atualizada, 2ª edição, S.B.B., Barueri, SP. 1999.
- Champlin. Russel N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, 9ª
reimpressão, Ed. Candeia, São Paulo, SP. 1995.
- Coenen, Lothar; Brawn, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2ª
edição, Vol. II, Ed. Vida Nova, São Paulo,SP. 2000.
- Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª edição, Ed.
Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ. 2001
- Friber, Bárbara e Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico, 1ª edição, Ed. Vida Nova,
São Paulo, SP. 1987.
- Gingrich, F. Wilbur; Danker, Frederick W. Léxico do N.T. Grego – Português, 3ª edição, Ed.
Vida Nova, São Paulo, SP. 1991.
- H KAINH ∆ Ι Α Θ Η Κ Η . Text Bambas, The Trinitarian Bible Society, London, England,
1994.
- H KAINH ∆ Ι Α Θ Η Κ Η . Text Receptus - Koinê, The Trinitarian Bible Society, London,
England, 1994.
- Horton. Stanley M. - A Vitória Final, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de Janeiro, RJ. 1995.
- Nosso Destino, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de Janeiro, RJ, 1998.
- Ice, Thomas; Demy, Timothy. A Verdade Sobre a Tribulação, Actual Edições, 1ª edição,
Porto Alegre, RS. 2001.
- Novo Testamento Interlinear Grego – Português. 1ª edição, S.B.B., Barueri, SP. 2004.
- Pentecoste, J. Dwight. Manual de Escatologia, 1ª edição., Ed. Vida, São Paulo, SP. 1998.
- Reinecker, Fritz; Rogers, Cleon. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, 5ª edição,
Ed. Vida Nova, São Paulo, SP. 2000.
- Sacconi, Luiz Antônio. Gramática Essencial da Língua Portuguesa, Ed. Atual, São Paulo,
SP.
- Vine, W. E.; Unger, Merril F.; White, William. Dicionário Vine, 1ª edição, C.P.A.D., Rio de
Janeiro, RJ. 2000.
- www.bibliacatolica.com.br. King James Version, Bíblia Vulgata.
- Endereços eletrônicos: www.chamada.com.br / www.ibad.com.br / www.icp.com.br.
- Gravuras: Gustave Dore

Ir. Marcello Melo Lopes


Ig. Assembléia de Deus
Serraria, Maceió / AL
marcellosepol@hotmail.com

37
Subsídios

38
De: Aconselhamento <aconselhamento@chamada.com.br>
Enviado: Segunda feira, 8 de maio de 2006 08:09:38
Para: <marcellosepol@hotmail.com>
Assunto: Re: Perguntas e aconselhamento

Pergunta: GOSTARIA DE SABER: 1) Haverá salvação de gentios durante a


grande tribulação? Sim 2) Qual é, onde, a quem e como será o
ministério das 144 mil testemunhas? 3) Os gentios da grande tribulação
entrarão no milênio? isso se configura salvação? 4) Ap 7.14 refere-se
aos salvos da grande tribulação? Sim

Prezado amigo Marcello,

Quem são os 144.000 mil selados de apocalipse 7 e 14? Os 144 mil


selados de Apocalipse 7 e 14, são de todas as tribos de Israel. Eles
são as primícias de Israel.

Em virtude de estarem selados, isto no meio da grande tribulação,


apesar da aparente onipotência da besta (que controla todo o mundo
estatística e espiritualmente, impondo sua adoração através do falso
profeta, mandando matar todos os que não adoram a imagem da besta),
são intocáveis para o inimigo. Por estarem selados com o Espírito
Santo eles resistirão vitoriosamente à fúria da besta. Conforme o
verso 4b do capítulo 7 eles foram redimidos dentre os homens,primícias
para Deus e para o Cordeiro. Eles se encontram agora diante do trono
(v.3). Isso significa portanto, que eles foram arrebatados para o
Cordeiro, pois o seu trono encontra-se no céu. Esse arrebatamento
também corresponde exatamente ao princípio divino com relação aos
selados. Como crentes da Nova Aliança somos selados até o dia da
redenção, que será o dia do nosso arrebatamento! Os 144 mil selados de
Israel aparecem com o Cordeiro de Deus sobre o monte Sião celestial,
eles devem ter sido arrebatados durante a Grande Tribulação. É como se
na Grande Tribulação, não somente se manifesta toda a maldade de
Satanás de maneira comprimida através da besta, mas também o positivo
se revela de maneira clara e resplandecente. Apesar de vermos os 144
mil unidos com o Cordeiro no monte Sião celestial, temos aqui o
espetáculo glorificado da sua vitória alcançada sobre o monte Sião
terreno na presença do anticristo. Essas primícias de Israel mostram-
nos também uma ordem completamente nova: todo o Israel será salvo mais
tarde (Rm11.26). Mas os 144 mil são a "vanguarda". Do mesmo modo como
os 24 anciãos representam toda a igreja de Jesus, os 144 mil são as
testemunhas especiais do Pai e do Filho nos escuros dias da angústia
de Jacó, na humilhação e miséria de seu povo.
http://www.chamada.com.br/conexao/ajuda_procura.shtml
Saudações, Dieter

* Resposta de e-mail da Chamada da Meia-Noite (Editora publicadora das revistas “Chamada da


Meia-Noite” e “Notícias de Israel”, referente a passagem de Ap 7.14.)

39
Instituto Cristão de Pesquisas
Elvis Brassaroto Aleixo
De:
<teologia@icp.com.br>
segunda-feira, 8 de maio de 2006 11:0
Enviado:
1:03
Para: <marcellosepol@hotmail.com>
Assunto: ICP RESPONDE

Capítulo 6

A grande tribulação
A grande tribulação é uma expressão bíblica, tirada de Apocalipse 7.14, que se
refere a um período amplamente profetizado e descrito tanto no Antigo quanto no Novo
Testamento. No Antigo, é descrita como “dia do Senhor” ou “dia da ira”. E esse dia é
tratado como um período de angústia e dor, como nunca houve em nenhum outro
período da história humana (Dn 12.1). Nas palavras de Jesus, nem antes nem depois
será encontrado algo igual (Mt 24.21; Mc 13.29).

Resposta de e-mail do ICP (Instituto Cristão de Pesquisa), órgão publicador da revista “Defesa da Fé”,
referente à passagem de Ap 7.14.

40
Instituto Bíblico das Assembléias de Deus
Rua João Bosco, Nº 1114, Santana, Pindamonhogaba – SP.
Cep. 12403 – 010. Tel./Fax: (12) 3642 – 5188

De: Cteologico <cteologico@ibad.com.br>


Responder
"Cteologico" <cteologico@ibad.com.br>
para:
quinta-feira, 18 de maio de 2006 15:34:
Enviado:
44
"marcello lopes"
Para:
<marcellosepol@hotmail.com>
Assunto: Re: Ap 7.14

Pergunta: Haverá salvação de gentios durante a grande tribulação?


Sim, cremos que haverá desde que a pessoa se prontificar a ser
martirizado por sua fé em Cristo Jesus como Senhor.

--------- Mensagem Original --------


De: "marcello lopes" <marcellosepol@hotmail.com>
Para: "cteologico@ibad.com.br" <cteologico@ibad.com.br>
Assunto: Ap 7.14
Data: 09/05/06 08:50

marcellosepol@hotmail.com

41