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maíra oliveira guimarães

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,


As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh! Pireneus! ôh caiçaras!
si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Mário de Andrade, Poesias Completas, 1955.


PESQUISA E COORDENAÇÃO
Maíra Oliveira Guimarães

PESQUISADORES CONVIDADOS
Sylvia Ficher e Pedro P. Palazzo

PROJETO CULTURAL
Leonardo Góis / Curadoria

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Rafaella Rezende / Três Produz

PROJETO GRÁFICO
Danilo Fleury / Coarquitetos

GESTÃO DE MÍDIAS
Michelle de Fátima / Mica Design & Cultura

ASSISTÊNCIA DE PESQUISA
Taiza Naves

REVISÃO ORTOGRÁFICA
Rogério Cursino Guimarães

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Objeto Sim
maíra oliveira guimarães
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Guimarães, Maíra Oliveira


MAB : O Museu de Arte de Brasília desde o Anexo do
Brasília Palace Hotel / Maíra Oliveira Guimarães. --
1. ed. -- Brasília, DF : Ed. da Autora, 2020.

ISBN 978-65-00-13970-9

1. Arquitetura 2. Arte brasileira 3. Brasília (DF)


4. Patrimônio arquitetônico - Preservação 5.
Patrimônio histórico - Brasil I. Título.

20-52133 CDD-700.981
Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal
Índices para catálogo sistemático:

1. Artes : Brasil 700.981

Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129


Sumário

Tão nova, tantas estórias1


Sylvia Ficher

UMA CAPITAL NACIONAL SEM UM MUSEU NACIONAL5


O primeiro MAB6
Fontes11

HISTÓRIAS ANEXAS13
Pioneiros e estrangeiros numa capital sem moradias14
O edifício antes do museu23
Fontes32

O MUSEU DE ARTE DE BRASÍLIA35


Antes arte do que tarde37
Museu intermitente, território especulado49
Cronologia de exposições e manifestações artísticas61
Cronologia de cursos e eventos formativos77
Fontes84

A BELEZA ESTÁ NOS DETALHES89


A vida do arquiteto91
Fontes110

Inconclusões113

A função do museu na cidade modernista118


Pedro P. Palazzo

Agradecimentos e créditos das imagens 121


Tão nova, tantas estórias

Sylvia Ficher

Apenas sessenta anos, tão nova, e Niemeyer em Brasília. É nele que, a partir
Brasília já tem estórias insuspeitadas de 1960, irá fazer presença o personagem
para contar. Estórias pouco conhecidas, central da estória, ainda simples coad-
e que despertam nossa curiosidade. É juvante. Trata-se de um restaurante,
quase uma saga em quatro atos que Maíra integrando o conjunto de edificações, a
Oliveira Guimarães nos oferece para maioria delas já desaparecidas, que se
revelar os percalços inscritos nas paredes fizeram necessárias para complementar
de um modesto prédio que abriga – ou o prestigioso Brasília Palace Hotel, outra
tenta abrigar – um museu de arte. obra prematura do arquiteto carioca. Boa
ocasião para se assistir às carências coti-
Abrindo a trama, entra em cena o debate dianas daquela que não passava de um
em torno da necessidade de um museu esboço de cidade, quando são retratadas
de arte para a nova Capital Federal, insti- as contingências e precariedades que
tuição da qual Lucio Costa não havia se enfrentavam seus moradores e visitantes.
esquecido na sintética concepção de seu
plano piloto. Debate que já se colocava Tentando alcançar seu destino, é esse
desde antes da inauguração da cidade mesmo prédio que, perdida a sua função
em abril de 1960. Tanto assim que não original e depois de ter abrigado uma
foi mero acaso que sete meses antes, variedade de usos, passa a protagonista
em setembro de 1959, aqui se realizava o em 1985. Para sediar o almejado Museu
Congresso Internacional Extraordinário de Arte de Brasília e receber o importante
de Críticos de Arte, do qual participam patrimônio amealhado pelo Governo do
alguns dos mais destacados historiadores, Distrito Federal. Mas o enredo não se
teóricos e arquitetos da época. desenrola a contento, há empecilhos
de toda ordem para adaptá-lo à nobre
A próxima cena ocorre em território de finalidade. Como os embates tão corri-
alto valor simbólico nas proximidades do queiros em ambiente artístico, ou a acir-
recém-concluído Palácio da Alvorada, rada polêmica que cercou a sua criação,
primeira obra monumental de Oscar ou as dificuldades para caracterizar qual

1
o perfil de seu acervo. Apesar do abre e
fecha nesse acidentado percurso, mesmo
assim o MAB pôde receber exposições de
envergadura então inédita na cidade.

Para encerrar o espetáculo, adentra o


palco para receber os merecidos aplausos
o autor do projeto arquitetônico desse
prédio errante em suas diversas desti-
nações. É o reconhecimento devido ao
estudante de arquitetura que larga seu
curso em Recife e vem para o planalto
central trabalhar como desenhista
técnico no Departamento de Urbanismo
e Arquitetura da Novacap. No turbilhão
de exigências e improvisos colocados pela
construção da cidade, entre suas tarefas
vai lhe caber projetar o Restaurante do
Brasília Palace Hotel. Bom motivo para
que seja contada mais uma estória, aquela
da vida e profissão do arquiteto Abel
Carnaúba da Costa Accioly.

Desfrutemos dessa saga em tom menor


que nos revela as minúcias da epopeia
maior de uma cidade que, mal saída de
sua inauguração, já é metrópole nacional.
Obrigada, Maíra, essas estórias mereciam
ser contadas.

1. Sinalização das obras do


museu da cidade, na Praça
dos Três Poderes, 1959.

2 3
UMA CAPITAL NACIONAL
SEM UM MUSEU NACIONAL
Discuti, discordai à vontade. Sois críticos, a insatisfação é vosso clima. Mas
de uma coisa estou certo – e a vossa presença aqui é testemunha disto –
com Brasília se comprova o que vem ocorrendo em vários setores das nossas
atividades; já não exportamos apenas café, açúcar, cacau – damos também
um pouco de comer à cultura universal.

Lucio Costa, Saudação aos críticos de arte, 1959.

A criação do Museu de Arte de Brasília Em seu artigo A national capital without


decorreu de um longo processo de a national museum (2003) a historiadora
formulações e adiamentos que datam da de arte e de arquitetura Valerie Fraser
época da construção da cidade. Diversos discorre sobre os motivos que teriam
projetos seriam paulatinamente descar- levado à ausência de um museu de rele-
tados até que o Governo do Distrito vância em Brasília desde os primeiros
Federal promovesse a fundação da sua anos de implementação da cidade.
primeira instituição museal exclusiva- Simpática ao ideário modernista europeu,
mente dedicada às artes plásticas. Irônico a autora especula uma postura antimuseu
pensar que a mesma capital que ainda dos brasileiros na “tentativa de rejeitar as
em construção recebeu um Congresso hierarquias sociais e culturais insinuadas”
Internacional de Críticos de Arte foi a por essas instituições. Ora, do ponto de
mesma que aguardou vinte e seis anos vista das realizações, de fato, se pode
pela fundação de um museu, decorrente afirmar que o programa museal não foi
não de uma construção nova e monu- assim tão prioritário, mas no campo das
mental, mas sim da reutilização de um idealizações se vê que a história pode ser
edifício “menor” e em desuso. O grande contada de uma forma bem diferente: a
museu de Niemeyer, o Museu Nacional cidade é farta de projetos não executados
da República, levou em si quarenta e seis e a Capital poderia ter sido inaugurada já
anos para ser inaugurado, mas não é dele com um Museu de Arte de Brasília, cujo
que se trata esse trabalho. projeto será apresentado a seguir.

5
tivesse sido concretizado, tal museu seria
exatamente o tipo de instituição impor-
tante almejada por Valerie Fraser (2003).
2. Participantes do
Congresso Internacional de
A sugestão acolhida por Niemeyer,
Críticos de Arte em visita
entretanto, seria bem mais simples, a
às obras de Brasília, 1959.
de “um museu para um homem comum”.
Flávio D’Aquino, crítico de arte e um dos
primeiros arquitetos contratados pela
3. Mário Pedrosa no
Novacap, recomendou em carta enviada
Congresso Internacional
a Lucio Costa que a instituição fosse
de Críticos de Arte em
“acolhedora, sem falsa monumentalidade
Brasília, 1959.
ou demasiada severidade”. Ao contrário
de Mário Pedrosa, defendeu que um

O primeiro MAB museu nos moldes tradicionais se fazia


sim interessante para Brasília, desde
que convertido “num local de calma e
serena contemplação da obra de arte”
Por certo, no início da construção da Não pode ser, pois, um museu nos
(D’AQUINO, s/d). Para tanto, propôs que
cidade, os moldes de um museu moder- moldes tradicionais, caracterizado
a instituição fosse localizada no interior
nista não estavam definidos, levando por sua coleção de obras originais
de um parque possuidor de outros atra-
Niemeyer a pedir sugestões junto a (...). Será todo ele um museu de cópias,
tivos culturais:
colegas curadores e a críticos de arte. Em reproduções fotográficas, moldagens
carta a ele enviada em julho de 1958, o de toda espécie, maquetes, etc. Sua
Sua situação no plano da cidade deve
jornalista e crítico de arte Mário Pedrosa originalidade consistirá principal-
ser tal que lhe permita funcionar
faz alusão à solicitação do arquiteto e mente em não pretender competir
dentro de um todo, de um conjunto de
inicia o texto de modo bastante incisivo: com os congêneres do país, e muito
atrativos diversos que normalmente
“Nada de se construir em Brasília mais um menos com os do mundo, em acervo
4. Carta de Flávio D’Aquino Além de sugestões específicas de objetos, se complete, aumentando, assim,
museu dito de arte ou de arte moderna e em coleções originais. Em compen-
com sugestões para um tais como afrescos indianos, estampas o número de frequentadores; por
(...), averígua-se cada vez mais difícil, sação, terá sobre todos os outros
museu em Brasília, 1959. japonesas e mosaicos bizantinos, Mario exemplo, num parque de fácil acesso
senão impossível, criar um museu de artes museus do mundo a vantagem de
Pedrosa também deu as indicações das onde outras manifestações sociais e
plásticas do nada e torná-lo algo digno do conter em suas divisões e salas um
cidades e dos locais para a obtenção o desejo da vida ao ar livre convidem
nome”. Em seguida, propõe a Niemeyer a documentário, o mais completo
das cópias, e, curiosamente, forneceu ao passeio, ao descanso e à visita. O
fundação de um grande museu educativo possível, de todos os ciclos da história
uma estimativa orçamentária dos custos Museu de Arte de Brasília seria um
com reproduções das principais obras de da arte mundial (PEDROSA, 1958, in
para a reunião do acervo: cerca de cento dos locais de descanso e visita deste
arte da história mundial: ARANTES, 1995).
e cinquenta mil dólares da época. Caso parque (D’AQUINO, s/d).

6 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Uma capital nacional sem um museu nacional 7
O edifício constituía-se em um pequeno
pavilhão elevado de planta quadrada,
conectado por meio de uma passarela a
um volume menor, no térreo, destinado
ao acesso principal, à administração e à
sala de leitura. O plano de necessidades
era simples como havia sido sugerido por
D’Aquino: cerca de mil metros quadrados
seriam destinados a espaços expositivos e
pouco menos de trezentos designados à
reserva técnica, localizada no pavimento
Flávio D’Aquino apresentou, então, de arte. Pertinente notar o alerta feito 5. Perspectiva da fachada
semienterrado, imediatamente abaixo
concepções gerais que iam de pleno por ele quanto à necessidade de coesão do projeto para o primeiro
do salão de exposições. Supõe-se que o
acordo com o Setor Cultural original- na definição do tipo de acervo: “Só em MAB, 1959.
6. Corte e fachada posterior projeto não tenha sido construído devido
mente proposto por Lucio Costa. Ao casos excepcionais aceitar-se-ia a doação
do projeto para o primeiro a uma priorização de investimentos nas
caracterizar a Esplanada dos Ministérios de obras de arte, a fim de impedir-se a
MAB, 1959. obras do Teatro Nacional, o vizinho
no Relatório do Plano Piloto, Costa (1957) criação de um acervo não previamente
monumental assinado por Niemeyer.
sugeriu que fosse implantado, entre a selecionado” (D’AQUINO, s/d).
Rodoviária e o Ministério da Educação,
Curiosamente, o bloco principal do
“um setor cultural tratado a maneira de Assim definido o programa, o projeto
museu apresentava características
parque para melhor ambientação dos do museu foi delegado ao arquiteto
compositivas bem parecidas com o
museus, da biblioteca, do planetário, e futebolista Otávio Sérgio Morais, à
restaurante do Anexo do Brasília Palace
das academias dos institutos, etc”. Tal época também a serviço da Novacap.
Hotel, também projetado em 1959.
localização tinha também um motivo Os projetos arquitetônicos e estruturais
Além de ambos se valerem de plantas
estratégico de aproximar esse parque à foram elaborados entre dezembro de
quadradas e possuirem um pavimento
Universidade de Brasília, que, a princípio, 1959 e janeiro de 1960. Nesse período,
em subsolo, os projetos apresentam uma
tinha sido localizada por Lucio Costa bem Niemeyer enviou cartas a Lucio Costa
das fachadas quase idênticas, com jane-
perto da Esplanada dos Ministérios. pedindo a definição exata da localização
lões de esquadrias de design intercalado.
do “museu do Flávio” e exprimindo a
Tais semelhanças, diga-se de passagem,
Quanto às obras do acervo para o Museu, intenção de construí-lo imediatamente
confundiram um pouco a pesquisadora.
Flávio D̀ Aquino defendeu que a aquisição (apud SÁ, 2014). Um ano depois do início
De qualquer jeito, o projeto do primeiro
deveria ser feita de maneira gradual, do processo, o projeto seria publicado na
MAB foi abandonado e seria justo o prédio
buscando montar um acervo eclético revista Módulo acompanhado por croquis
do restaurante, lá perto do Palácio da
com produções de jovens artistas nacio- e uma pequena planta de situação que 7. Corte e fachada lateral
Alvorada, que de fato abrigaria um Museu
nais e internacionais, cujos preços ainda localizava o museu na Esplanada dos do Restaurante do Anexo
de Arte de Brasília algumas décadas
fossem acessíveis. Para ele, o museu Ministérios, bem próximo ao Teatro do Hotel de Turismo, 1959.
depois.
deveria possuir poucas, mas boas obras Nacional (D’AQUINO, 1960).

8 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Uma capital nacional sem um museu nacional 9
Fontes

ARANTES, Otília. Política das Artes: Mário


Pedrosa. São Paulo: EDUSP, 1995.

COSTA, Lucio [1957]. Relatório do Plano Piloto


de Brasília. Brasília, Arquivo Público do Distrito
Federal. 1991.

______. Saudação aos críticos de arte. Instituto


Antonio Carlos Jobim – Acervo Casa de Lucio
Costa. 1959.

D’AQUINO, Flávio. Museu de Arte de Brasília.


Módulo, Brasília, n. 21, 1960

______. Sugestões para a organização de um


museu de arte em Brasília. Arquivo Público do
Distrito Federal, Acervo Novacap. S.d.

FRASIER, Valerie. “A national capital without


a national museum.” The Architecture of the
Museum: Symbolic Structures, Urban Contexts.
Nova Iorque: Mancherter University Press, 2003.
183-205.

GONÇALVES, Simone Neiva Loures. Museus


projetados por Oscar Niemeyer de 1951 a 2006:
o programa como coadjuvante. São Paulo: FAU/
USP, 2010.

SÁ, Cecilia Gomes de. Setor cultural de Brasília:


contradições no centro da cidade. Porto Alegre:
UFRGS, 2014.

8. Vista aérea a partir do


centro de Brasília, 1963.

10 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES 11


HISTÓRIAS
ANEXAS
O pioneiro autêntico é um homem modesto. Ele acha que cumpriu com sua
obrigação e a satisfação de ter feito; isso lhe basta (...). Eles acham que o
reconhecimento deve vir naturalmente, espontaneamente. Não protestam,
não reivindicam. Esperam. E morrem! (...) O que espero, sinceramente, é que
os verdadeiros pioneiros de Brasília, os poucos que ainda restam vivos e que
aqui chegaram antes da luz elétrica, do telefone, do asfalto, da grama, do lago
e da alvenaria, tenham, finalmente, o seu tempo, a sua hora.

Manuel Mendes, Meu testemunho de Brasília, 1979.

O Setor de Hotéis e Turismo Norte tem que moravam nos Anexos do Brasília
uma história bastante peculiar, já que foi Palace Hotel.
o primeiro núcleo pioneiro de Brasília
construído dentro do que hoje conhe- Mas esse protagonismo foi, em poucas
cemos como Plano Piloto. Tenhamos décadas, sendo substituído pelo aban-
em conta que as localizações do Palácio dono. De um modo geral, foram muitos
da Alvorada e do Brasília Palace Hotel os desvios e os incidentes históricos que
foram determinadas antes mesmo que marcaram o território e suas arquite-
Lucio Costa concebesse as formas do turas, em especial, o pequeno prédio do
traçado da cidade. A partir de junho de restaurante do Anexo. Construído em
1958, quando as obras dessas edificações meio aos preparativos da inauguração da
foram concluídas, a área passou a ser o cidade, o edifício foi rapidamente subuti-
principal ponto de estadia e de entrete- lizado, passando a abrigar usos diversos,
nimento das várias autoridades políticas tais como boate, clube e casa de shows,
e intelectuais que visitavam Brasília, sem antes que, em 1985, fosse convertido no
contar na movimentação de candangos Museu de Arte de Brasília. Algumas das
que frequentavam a Churrascaria do circunstâncias que ditaram essas histó-
Lago, a Concha Acústica e, claro, aqueles rias serão narradas a seguir.

9. Vista aérea de Brasília


a partir do Palácio da
Alvorada, 1957/1958.

12 13
Pioneiros e estrangeiros
numa capital sem moradias

A inauguração de uma capital em obras condições da alimentação fornecida. Foi


envolveu questões logísticas desafiadoras precisamente a Pacheco Fernandes a
para acomodar todos os habitantes e visi- construtora responsável pelas obras do
tantes que chegavam à cidade. Somente Brasília Palace Hotel e, provavelmente,
de abril a maio de 1960, portanto no mês também dos Anexos.
da inauguração de Brasília, vieram do
Rio de Janeiro mais de quatro mil novos Já as pessoas que vieram para Brasília
servidores. Essas pessoas, diga-se de após a inauguração da cidade puderam
passagem, esperavam encontrar aparta- contar com opções de moradia bem
mentos prontos e mobiliados, tal como de melhores, muitas vezes “furando a fila” à
fato havia sido prometido pela Comissão frente daqueles que estavam instalados
de Transferência da Câmara, órgão criado provisoriamente e esperavam por suas 10. Juscelino em frente a
para organizar aquele verdadeiro êxodo casas e apartamentos definitivos. Assim, um hotel de madeira em
em massa. Certo que nem todos tiveram os pioneiros que colaboraram na cons- Brasília, 1957.
a mesma sorte (MOREIRA, 1988). trução da cidade acabaram prejudicados,
ficando conhecidos, como se dizia na
pioneiros, que os que vieram para móveis e até surtos nervosos de servi-
Os funcionários que chegaram no início época, como piotários:
Brasília antes de 1960 passaram a dores, entre eles um tal de deputado
da construção da cidade, entre 1957
ser chamados de “piotários” – uma Aloysio Nonô que, em protesto, provocou
e 1958, foram, em sua maioria, dire- Obra polêmica, os pioneiros de
mistura de pioneiro com otário – uma fogueira feita com mobiliários da
cionados para dormitórios e casas de Brasília acabaram pagando pelo
reservando o nome “pioneiro” para Novacap (MOREIRA, 1988). A alternativa
madeira construídos pela Novacap. “crime” de terem construído a cidade.
os que chegaram após a mudança da aos desalojados era buscar por vagas nos
Conforto era coisa para pouquíssimos, (...) Os apartamentos que construímos
Capital (MENDES, 1979, p. 155-159). poucos hotéis existentes na cidade, que,
sem contar as precárias condições de foram dados aos “pioneiros” que
de início, eram as pensões da Cidade
moradia oferecidas pelo setor privado ao vieram a partir de abril de 1960. E
Neiva Moreira (1988) e Manuel Mendes Livre ou o próprio Brasília Palace Hotel.
enorme contingente de candangos que esses pioneiros, que encontraram
(1979) narraram em seus livros algumas
chegavam em suas caravanas. A propó- apartamentos com luz, agua, tele-
das dificuldades passadas pelas pessoas Com a aproximação da inauguração
sito, o massacre de operários da cons- fone e até móveis, passaram a nos
que disputavam por moradia na capital. e com a demanda cada vez maior por
trutora Pacheco Fernandes, de 1959, um considerar, naquele barracão de
As situações mais cômicas envolveram acomodações, a Novacap decidiu ampliar
dos casos mais emblemáticos da cidade, madeira, uma espécie de favelados.
invasões noturnas de apartamentos em a capacidade de quartos do Brasília Palace
teve como estopim o protesto de traba- (...) Foi em razão de fatos como estes,
obras, saques coletivos a depósitos de e erguer, em suas vizinhanças, um novo
lhadores da empresa contra as péssimas praticamente comuns para todos os

14 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 15


meu próprio carro e os conduzissem construções em madeira, entre elas
ao anexo do Brasília Palace Hotel, pequenas casas que também serviam
onde, embora sem água, muito quente para abrigar os hóspedes. Ao que tudo
e sem restaurante, havia pelo menos indica, elas também foram projetadas
uma comodidade preciosa naqueles pelos arquitetos da Novacap e as pran-
momentos: cama. (...) Ivete Vargas, chas podem ser encontradas no Arquivo
que chegou atrasada com a sua mãe, Público do DF. Com o passar do tempo,
estava entre os hóspedes do Anexo, o grupo de edifícios passou a ser mais
ainda com cheiro de tinta fresca. Não conhecido como Anexos do Lago, Hotéis
me perdoou, jamais, o destino que do Lago ou até conjunto Dó Re Mi. Em
tivera. Queixava-se de que não podia depoimento, o desembargador Joazil
dormir: a companheira de quarto que Maria Gardês elogiou as instalações de
a Comissão lhe destinada rezava em uma dessas construções:
voz alta pela madrugada adentro
(MOREIRA, 1988, p. 50-1). “Vocês são loucos, ir para Brasília
fazer o quê?”. Depois eu falei: “Escuta,
O fotógrafo Raymond Frajmund, por sua se eu não gostar eu posso voltar?”.
vez, já viu com mais bom humor as condi- “Pode”. “Então eu vou.” E vim. Aí nós
ções de estada nos Anexos. Judeu nascido viemos para Brasília, e... as famílias
na Polônia e sobrevivente dos campos de ficaram nas suas cidades, veio só os
concentração nazistas, ele chegou em funcionários designados, e, na época,
Brasília em junho de 1960 e morou, de tinha o alojamento lá perto do Brasília
complexo de edifícios. A construção dos A chegada do último avião trouxe-nos 11. Vista aérea do Brasília
início, em um dos blocos: Palace, chamado Do Ré Mi, eram os
Anexos foi iniciada no final de 1959 e os apreensões renovadas, pois já não Palace Hotel e seus Anexos,
alojamentos de madeira que foi feito
dois primeiros blocos foram ocupados havia mais cama, nem onde colocá- 1961.
Depois de um mês, eu já me divertia para acomodar as pessoas que vieram
antes mesmo do término das obras, -las, se as tivéssemos. Recordo-me que
muito. Era ótimo. Brasília era um para a inauguração de Brasília, era
durante as festividades do mês de abril de era um Super-H que vinha lotado de
encanto, uma aventura. Eu dormia um alojamento muito bom, embora
1960. O restaurante, que também estava deputados e funcionários com suas
num anexo do Brasília Palace Hotel. de madeira, mas era carpetado, bom
sendo construído, seria finalizado só um famílias. Délcio Nogueira me deu o
Acordava todas as manhãs com uma sanitário, era apartamentozinho
ano depois. Mesmo incompleto, sem água relatório de hábito: “Deputado, nesse
camada de dois milímetros de poeira individuais (in ZAMPIER, 2011).
e com os quartos com pintura fresca, os avião os mais ‘teimosos’ são o mare-
sobre o lençol, o equipamento, tudo (in
Anexos foram considerados por Neiva chal Mendes de Moraes e o deputado
FREITAS, 2009). Pouquíssimos registros oficiais citam a
Moreira como uma das melhores opções Paulo Sarasate”. Do ponto de vista
existência dos prédios, devido, provavel-
de acomodação durante a inauguração tático, era importante dissociá-los
Mas o Anexo não era formado somente mente, ao caráter popular dos seus usuá-
de Brasília. O mesmo não teria sido dito do grupo e foi o que fiz: pedi à minha
pelos quatro pavilhões e o restaurante. rios. Os quartos dos anexos atendiam a
pela sua amiga Ivete Vargas, que de fato senhora e a uma amiga comum (...)
Nos arredores existiam várias outras funcionários e a visitantes de “menor
se hospedou lá: que os recebesse no aeroporto, no

16 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 17


12. Juscelino Kubitschek e
acompanhantes nos salões
do Brasília Palace Hotel
durante a final da Copa do 13. Piscina do Brasília
Mundo, 1958. Palace Hotel, 1961.

escalão”, uma vez que os apartamentos 2006). Isso sem contar que o Brasília Além dos visitantes, existiam os Yale Rewiew. A poetisa Elizabeth Bishop
do Brasília Palace eram destinados a polí- Palace era a acomodação oficial dos hóspedes. Alguns dias antes da inau- acompanhou o escritor Aldous Huxley
ticos, diplomatas e a visitantes estran- amigos e visitantes do Governo, vários guração, recebi numerosos pedidos, no numa visita à Capital em agosto de 1958,
geiros (MOREIRA, 1988). Por exemplo, em deles convidados estratégicos para a sentido de interceder juntos às auto- poucos dias depois do hotel ser inaugu-
1961, quando Che Guevara visitou Brasília propaganda da cidade. Aliás, uma das ridades da Novacap, para obtenção de rado. A escritora fez um artigo intitulado
a convite de Jânio Quadros, seus vinte e primeiras festividades no Hotel foi a Copa acomodações no Brasília Palace Hotel. A New Capital, Aldous Huxley, and Some
cinco guarda-costas ficaram nos blocos do Mundo de 1958, na qual o Brasil saiu Atendi a algumas solicitações, porque Indians, que pretendia publicar no jornal
do Anexo, ao passo que ele e o restante de vitorioso. Dentre os primeiros convidados não havia, de fato, um só quarto vago, The New Yorker, que acabou recusando o
sua comitiva se hospedaram no Brasília de Kubitschek, por exemplo, tem-se os quer nos hotéis, quer nos 3.900 apar- artigo. Nele, Bishop demonstrou bastante
Palace Hotel (CUNHA, 1961). políticos Alfredo Stroessner, Dwight Eise- tamentos de Brasília. A solução seria familiaridade com o tema, talvez pelo fato
nhower, Fidel Castro e Andrè Malraux, alojar os amigos mais íntimos no de ter sido esposa da arquiteta Lotta de
Falando-se nos hóspedes de prestígio, escritor e então ministro francês, que deu próprio palácio (KUBTISCHEK, 1975). Macedo Soares. Dentre as várias descri-
visitas à Capital haviam se tornado um à cidade o título de Capital da Esperança. ções e críticas que fez ao projeto, brincou
tipo de passeio turístico da elite brasileira Mas, mesmo com a posição privilegiada, a Surpreendentemente, um dos relatos com a falta de corrimão nas escadarias,
e um “must go” para estrangeiros que já elite também teve dificuldades de acomo- mais antigos sobre o Brasília Palace Hotel apontou elevadores insuficientes, frisou
estivessem com viagens marcadas para dação durante a inauguração de Brasília, demorou quase quarenta anos para ser o fato da piscina ser uma das maiores
o Rio de Janeiro ou São Paulo (STORY, como narrado pelo próprio Juscelino: publicado, vindo a público em 1996 no The que já havia visto na vida e, além do mais,

18 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 19


14. Veleiros no Lago Paranoá,
programação da inauguração
de Brasília, 1960.

15. Vista aérea de Brasília a


partir do Palácio da Alvorada,
1968.

registrou que os anexos ainda seriam Clube de Regatas, onde ocorreu um


construídos (apud MCCARTHY, 2010). campeonato de veleiros durante a inau-
guração da cidade (ANÔNIMO, 1960). A
Apesar de não se igualar ao dinamismo da própria Concha Acústica começou a ser
Cidade Livre, o Setor de Hotéis e Turismo construída em abril de 1960, confirmando
Norte era uma das áreas mais vivas e a intenção de estabelecer um polo turís-
ocupadas da Capital em seus primeiros tico e cultural naquele local desde os
anos. Além da movimentação em volta primeiros anos de Brasília.
dos hotéis, os arredores contavam com
diversos estabelecimentos comerciais, Por todos esses atrativos e serviços,
como a pequena venda do João do Frango pode-se dizer que o Setor de Hotéis e
(ESCARLATE, 2016) e a movimentada Turismo Norte era, ao mesmo tempo, o
Churrascaria do Lago, também proje- jardim e a área de serviço do Palácio da
tada pela Novacap em 1960. A ocupação Alvorada. E os quartos dos hotéis, para
da orla se dava por meio de uma enseada muitos, as primeiras moradias na cidade.
para barcos, local da fundação do extinto

20 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 21


O edifício antes do museu

Vejamos a rápida cronologia dos projetos mesões e uma copa, contando com duas
para os Anexos. As pranchas mais antigas fachadas completamente avarandadas.
datam de janeiro de 1958, quando o Assim como proposto no alojamento
Brasília Palace Hotel estava na fase final de funcionários, o restaurante inicial-
de suas obras. A princípio, pretendia-se mente também foi pensado semienter-
construir um anexo exclusivo para a rado. Como a planta era retangular, a
moradia dos funcionários. O programa visual seria a de um longo pavilhão com
elaborado conseguia abrigar cerca de varandas suspensas. Eis aqui a origem de
setenta pessoas, contanto com dormi- projeto de dois elementos essenciais na
tórios, cozinha, refeitório, frigorífico e história do prédio: a varanda e o subsolo.
almoxarifado. Curiosamente, esse aloja-
mento foi proposto em um único pavi- Só mais de um ano depois, a partir de
mento semienterrado, com a cobertura novembro de 1959, que começaram a ser
sobressaindo oitenta centímetros do nível feitas as versões definitivas dos projetos:
do terreno. Da vista externa, poderia se os Anexos seriam compostos por quatro
enxergar só uma laje de concreto e abaixo longos pavilhões térreos e um grande
dela, as janelas de ventilação. Supõe-se restaurante central. Cada bloco de apar-
que essa solução de enterrar o edifício, tamentos abrigava cerca de cinquenta
meio dispendiosa para um programa suítes com varandinhas individuais
simples, tenha sido proposta para que o completamente fechadas com cobogós.
Anexo não impedisse a vista do Lago, ou, Os blocos tinham cerca de cento e vinte
em segunda instância, para que o prédio metros de comprimento por vinte de
em si quase não fosse percebido nas largura, com acessos feitos somente pelas
proximidades do Brasília Palace. laterais extremas.

Em setembro daquele ano, foi feita a Já o restaurante definitivo era um


primeira proposta para o restaurante do pequeno pavilhão de planta quadrada
Anexo. O programa era grande, feito para elevado por pilotis, local do pequeno
atender a mais de 500 pessoas, e se distri- hall com as escadarias que davam
buía em dois pavimentos: bar, cozinha e acesso ao pavimento superior e ao
demais espaços auxiliares no subsolo e, subsolo. No subsolo foram locadas as
no andar superior, um grande salão com áreas de serviços, com frigorífico, adega

22 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 23


O restaurante foi inaugurado no aniver- de fato vinculados ao Partido Comunista,
sário do primeiro ano de Brasília, em a própria estética modernista passou a
abril de 1961. A abertura contou com um ser vinculada a uma ideologia de esquerda,
grande desfile de moda da grife fran- e, por isso, refutada (FICHER, 2014). Tudo
co-brasileira Matarazzo Boussac, com sem contar, claro, na grande recessão
direito a matéria de cobertura publicada econômica do pós-Brasília.
em revista (ANONIMO, 1961). Além de
fornecer almoço diariamente, o prédio Assim, em poucos anos, o Setor de
também funcionava como bar e boate Hotéis e Turismo Norte não tinha mais o
bem sofisticado, seguindo a agenda mesmo brilho. O Brasília Palace Hotel já
da sua sede principal, o Brasília Palace não conseguia competir com a centrali-
Hotel. Dentre os eventos lá organizados, dade dos hotéis na Esplanada; a Concha
temos o concurso Miss Brasília de 1961 e, Acústica demorou nove anos para ser
surpreendentemente, uma das primeiras completamente concluída e os eventos,
exposições de arte da cidade: em 1962, apesar de cheios, eram raros (JEAN, 1970);
os alunos do curso de Arquitetura da os apartamentos dos anexos, ameaçados
Universidade de Brasília colaboraram na de despejo desde 1962 (ANONIMO, 1962),
montagem de uma mostra com obras do ficaram conhecidos nos jornais por sua
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, decadência e por uma constante falta de
acompanhadas por joias desenhadas por água e energia (ANONIMO, 1964), além de
Roberto Burle Marx (ANONIMO, 1961). terem se instaurado nos seus arredores
uma série de barracões para comércio e
e depósitos. No pavimento superior, a determinada, demonstrando ter sido um 17. Fachada avarandada do Mas aquele entusiasmo dos anos heróicos moradia, na época chamados de favelas
cozinha, copa e um amplo salão avaran- trabalho conjunto de vários arquitetos. restaurante do Anexo do durou pouco e, sobretudo após o Golpe pelos jornais (ANONIMO, 1965).
dado com vistas para o Brasília Palace Assinam os diferentes desenhos Glauco Brasília Palace Hotel, 1961. de 1964, se instalou na Capital um grande
e para o Palácio da Alvorada. O lago, Campello, Nauro Esteves, Washington clima de marasmo. De um lado, são Já o restaurante funcionou pouquíssimo
vizinho, podia ser percebido através de Vieira, Sabino Barroso, Benito Sechi e 18. Arruamentos e curvas várias as bibliografias que citam a falta como Anexo, ficando inativo já a partir de
um grande janelão lateral. Paulo Mello. Os projetos estruturais, por de nível dos Anexos do de opções de lazer e de entretenimento 1963, como consta em processo aberto
sua vez, foram calculados por Joaquim Brasília Palace Hotel, 1959. na cidade recém fundada, cujos mora- pela Secretaria de Atenção Primária
Tanto a planta de situação dos Anexos Cardozo, famoso engenheiro dos monu- dores de maior poder aquisitivo se viam à Saúde - SAPS, no qual solicitava a
quanto o projeto arquitetônico do restau- mentos de Niemeyer. Todos os edifícios “forçados” a viajar (ANÔNIMO, 1968). De concessão de uso do prédio, o que não foi
rante foram delegados ao jovem Abel foram extensivamente desenhados, tota- outra parte, o novo regime também inter- efetivado (NOVACAP, 1963). Em 1965, foi a
Carnaúba da Costa Accioly, à época, estu- lizando uma centena de pranchas que rompeu a atuação de vários arquitetos da vez do Clube de Regatas Alvorada mani-
dante de arquitetura e desenhista técnico englobam os projetos arquitetônicos, Novacap e, por consequência, a imple- festar a intenção de ocupação, também
na Novacap. Já a autoria do projeto dos estruturais, sanitários, elétricos e, claro, mentação de alguns dos seus projetos. não disponibilizada (ANONIMO, 1965).
apartamentos não pode ser plenamente muitos detalhamentos. Como muitos desses profissionais eram

24 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 25


O prédio permaneceu desocupado até
1966. No período, uma matéria denun-
ciou o estado de degradação em que se
encontrava, com as janelas quebradas e
equipamentos furtados, anunciando que
ele seria transformado em um belo clube
militar (KATUCHA, 1966). A localização
era de fato estratégica, uma vez que o
vizinho Palácio da Alvorada também tinha
sido “empossado” pelos militares dois
anos antes.

Após algumas reformas paliativas e a


construção de duas quadras de esportes,
o prédio passou então a ser utilizado
como Clube das Forças Armadas. Inau-
gurado em maio de 1966, o banquete de
abertura fez parte dos programas oficiais
de comemoração do Golpe Militar, com
direito a discurso proferido pelo então Devolvido à Novacap, o prédio foi então 19. Castello Branco na festa 20. Projeto para o Parque delegações e times que vinham de outras Elisa Costa entre 1976 e 1977. Nele, a arqui-
presidente Castello Branco (ANONIMO, convertido na sede da Associação Atlética de inauguração do Clube do Lago, de Maria Elisa cidades, ainda que grande parte dos teta propôs a construção de um conjunto
1966). Dentre os eventos organizados do órgão, que, por sua vez, organizava das Forças Armadas, 1972. Costa, 1976. quartos continuassem a ser ocupados de pergolados próximos às margens,
nos anos seguintes, destacam-se os alguns eventos internos e lançava editais pelos mesmos servidores públicos desde contando com áreas de permanência para
frequentes bailes de debutantes e os para o arrendamento temporário de suas a década de sessenta. De certa forma, o churrascos, parquinhos, embarcadouro,
encontros de senhoras do Clube do Chá dependências (NADER, 1974). Interessante antigo Anexo tinha se constituído numa além de várias quadras de esportes. Os
(KATUCHA, 1971). Em entrevista, Ana notar que, desde a época do Clube das espécie de moradia funcional de baixís- cinco Anexos, que constam nas pranchas
Maria Brasiliense, que lá debutou em Forças Armadas, o restaurante havia sido sima qualidade, rodeada por ratos e do projeto, também teriam seus arre-
outubro de 1971, relembra o importante completamente cercado por grades e barracos (ANONIMO, 1981). dores ornados com alamedas tortuosas
papel do prédio na vida social de muitas vegetações arbustivas, isolado em meio e áreas gramadas para recreação.
jovens, pois foi por vários anos o único aos quatro blocos de apartamentos que se Temendo uma completa ocupação da orla
local em que podiam frequentar shows encontravam cada vez mais degradados. sem que fosse disponibilizado o acesso O momento para a implementação de um
e bailes de carnaval. Em 1973, as instala- comunitário ao Lago, Lucio Costa sugeriu parque era oportuno, já que, desde 1973,
ções do restaurante não mais atendiam Como foram cedidos ao Departamento então que fosse criado um grande parque o restaurante tinha reinserido o Setor na
às demandas do Clube, que foi transfe- de Turismo do Distrito Federal - DETUR, urbano nas vizinhanças da Concha Acús- agenda cultural de Brasília. Por quase uma
rido para uma segunda sede provisória em 1971, os apartamentos dos Anexos tica (TERRACAP, 1985). Chamado Parque década, a Associação Bancrévea ocupou o
no Setor Militar Urbano. passaram a servir de hospedagem para do Lago, o projeto foi elaborado por Maria prédio com o saudoso Casarão do Samba,

26 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 27


oferecendo shows e apresentações todas
sextas e sábados. Lá se apresentaram
nomes como Jair Rodrigues, Wilson
Simonal, Clara Nunes, Martinho da Vila
e João Nogueira, além de, claro, os anfi-
triões do grupo Pernambuco do Pandeiro e
seus Batuqueiros, sempre acompanhados
pelas dançarinas Mulatas de Ouro. Uma
delas, a passista Neide Paula Lima, conhe-
cida na época como a pérola negra do
Casarão, relembrou dos bons tempos em
entrevista à autora:

O Casarão do Samba era a maior


casa de shows de Brasília... Embaixo
da escadaria tinha um hall, com sofás,
era uma recepção... A escada era um
21. Pernambuco
lugar importante... Naquela época as
do Pandeiro e seus
pessoas eram muito elegantes, quem
Batuqueiros e as Mulatas
ia só pra dançar levava três camisas. 22. Incêndio no Brasília
de Ouro no Casarão do
O varandão também era bom pra Palace Hotel, 1978.
Samba, década de 70.
tomar um ar entre as dançarias.
Foram anos de ouro.
por quase trinta anos, até ser reformado 1980. Segundo uma matéria do Correio na elaboração do intitulado Brasília 57-85
De outra parte, naquele mesmo período, e reativado em 2006 (ANONIMO, 2010). Braziliense, a Associação das Escolas (do plano-piloto ao Plano Piloto). Segundo
um importante acontecimento condu- de Samba até tentou reaver o uso do as palavras do próprio urbanista, o dossiê
ziria a uma maior depreciação do Setor Supõe-se que o incêndio tenha inter- prédio para evitar a sua demolição, soli- consistia numa espécie de check-up do
de Hotéis e Turismo Norte: a completa ferido nos planos de implementação citação que não foi acatada pela Novacap Plano Piloto de Brasília, em que foram
destruição do Brasília Palace Hotel após do parque de Maria Elisa Costa, que foi (ANONIMO, 1982). De qualquer jeito, no confrontados os parâmetros edilícios
um incêndio iniciado na madrugada do engavetado, além de provavelmente ter final das contas o restaurante foi poupado concebidos em 1957 com a realidade da
dia 6 de agosto de 1978. A princípio, o servido como uma justificativa perfeita e três dos quatro blocos foram demolidos ocupação da cidade naquele início dos
prédio seria reformado imediatamente para a demolição dos Anexos. De início, em 1982 (COELHO, 1985). anos 80. Naturalmente, também foram
(ANONIMO, 1978), mas na realidade ele os apartamentos e o restaurante seriam feitas algumas propostas de alteração do
ficou abandonado por décadas, chegando desmantelados, tanto que a Novacap Paralelamente, entre 1980 e 1985, sob o uso do solo, incluindo sugestões para a
a virar um point de rapel durante os anos suspendeu a concessão de uso para os governo de José Ornellas, Lucio Costa foi fixação da Vila Planalto, que acabava de
noventa. O hotel permaneceria em ruínas produtores do Casarão do Samba já em convidado pela Terracap para colaborar ser reconhecida como sítio histórico.

28 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 29


Uma das medidas propostas foi a cons- piscina, escola, capela, etc., inclusive,
trução de várias superquadras residen- comércio local. Da minha parte, não
ciais na área, com blocos de até quatro vejo inconveniente uma vez que o
pavimentos, numa extensão de 2km gabarito das edificações seja – como
desde a Vila Planalto até as proximidades nas demais quadras residenciais da
do Brasília Palace Hotel. Por fim, o docu- cidade – limitado a 6 pavimentos
mento também reafirmou a necessidade sobre pilotis, que a quadra se cons-
de criação de um Parque Urbano na área trua num conjunto arquitetônico
da Concha Acústica, como já havia sido devidamente integrado e ambientado
tentado anteriormente. como parque [grifo original] e que, 23. Proposta de Lucio
ainda, o projeto, tal como me declaro Costa para superquadras
Uma intrigante troca de cartas feita o interessado, seja, de fato, confiado na Vila Planalto, 1985.
por Lúcio Costa e o então Secretário de à probidade profissional e à reconhe-
Aviação José Carlos Mello esclarecem cida competência técnica-artística
a admitir no meu parecer anterior instaladas em parques, como ocorre
alguns infortúnios. Numa comunicação, do arquiteto José Filgueiras Lima,
- iria lamentavelmente desvirtuar em outros países, fundações, etc., ou
o urbanista conta ter sido procurado pois com ele a cidade segue sempre
o espaço urbano definido no PP e já mesmo eventuais conjuntos residên-
por um empreendedor imobiliário para sonhando (COSTA, s/d).
consagrado, ou seja, a nítida concen- cias unifamiliares integrados. Brasília
que fosse regularizada a construção de
tração residencial multifamiliar não pode ficar, como Rio e S. Paulo,
núcleos residenciais na beira da orla, Em outra correspondência, entre-
ao longo dos 12 quilômetros do eixo à mercê da insistente pressão dos
não somente na parte oposta da pista, tanto, Lucio Costa se arrependeu de
rodoviário que atravessa a cidade. É empreendedores imobiliários. Há que
tal como foi sugerido no Brasília 57-85 sua aprovação e decidiu voltar atrás
tamanha a importância dessa deli- detê-los há distância, pois só assim
(1985). A solicitação a princípio foi acatada no parecer, pedindo a José Carlos que
beração que me permito pedir-lhe a cidade - que é a nossa capital - se
por Lúcio, que a comunicou por carta a quaisquer deliberações sobre o assunto
sustar qualquer despacho a respeito manterá, ad eternum, diferenciada
José Carlos e, inclusive, sugeriu que o fossem suspensas. Mas, como consta
antes que os exames e estudos que das demais (COSTA, s/d).
arquiteto Lelé fosse o encarregado pelos em anotação feita na lateral da própria
em boa hora determinou sejam
projetos: carta, o documento nunca foi enviado. O
efetuados pelo DUA, estabeleçam, de Coincidentemente, com a troca de
seu conteúdo é reproduzido na íntegra,
forma global, como proceder em tais governo de José Ornellas para José Apare-
Conquanto se trate de setor inicial- a seguir:
casos. O salto dessas quadras soltas cido, José Carlos Mello assumiu como
mente destinado a “hotéis de turistas”,
à beira do lago pode resultar numa Secretário de Estado e, a partir de 1985,
a experiência urbana já demonstrou Prezado Secretário Dr. José Carlos
violência à paisagem intencional- compôs o grupo de trabalho responsável
a inviabilidade da construção ali de Mello, desejo reconsiderar o caso da
mente serena de Brasília assim como pela criação da Secretaria de Cultura.
hotéis, daí o actual proprietário, Dr. construção de um núcleo residen-
foi originalmente concebida. Estes Foi nesse contexto de liberação urbana,
Antônio (...), propõe a construção no cial na orla do lago, precedente que
grandes lotes devem ser preservados especulação imobiliária e de cartas não
local de uma superquadra residencial levará a solicitações semelhantes. A
para construções de partido arqui- enviadas que o restaurante do Anexo foi
dispondo de facilidades de interesse presença desses núcleos - conquanto
tetônico “derramado”, como clubes cedido para que se criasse, finalmente, o
comunitário – clube, campos de lagos, afastados entre si, conforme cheguei
esportivos, sedes de grandes empresas Museu de Arte de Brasília.

30 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 31


Fontes
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ZAMPIER, Débora. Joazil Gardês conta a relação da sua história com a história de Brasília. Museu
FICHER, Sylvia. Censura e autocensura: arquitetura brasileira durante a ditadura militar. Portal
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Vitruvius, mai 2014.

32 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES Histórias anexas 33


O MUSEU DE ARTE
DE BRASÍLIA
“Uma rosa é uma rosa é uma rosa”. Mas, pouca garantia temos de que seja um
museu um museu. Entre mais fatores, a diversificação de objetivos e caráter não
só torna um museu diferente de outro, como determina que um museu qualquer
seja hoje uma coisa, amanhã outra, e várias coisas ao mesmo tempo (...). A
flexibilidade, contudo, não deve virar obsessão. A participação do visitante,
conquanto se afigure como condição de aprendizado e criação, não precisa
ofuscar determinação que anda meio esquecida, mas que, em nosso caso, não
parece superada ou superável: a de que um museu é um arquivo. Só um bom
arquivo preserva a memória, ou seja, a matéria prima da comunicação.

João Evangelista Andrade Filho, Museu de Arte de Brasília – Catálogo de


abertura e exposição, 1985.

Em 1985, o prédio do antigo restaurante e cinco anos de existência, o MAB não


do Anexo do Brasília Palace é cedido à chegou a cumprir nem duas décadas de
Secretaria de Cultura e por ela trans- funcionamento pleno, devido principal-
formado na primeira sede do acervo de mente às muitas interdições feitas para
arte do Governo do Distrito Federal. A a execução de obras paliativas. Paralela-
criação do MAB representou uma grande mente, eram elaborados os mais variados
conquista para a cidade, que, na época, projetos de reforma para sua adaptação
ainda não contava com um museu exclu- aos quesitos mínimos de acessibilidade
sivamente dedicado às artes plásticas. e de climatização, sendo sucessivamente
Antes, muito já havia sido projetado sem postergados até que, em 2007, o prédio
que se construísse um novo prédio para foi embargado definitivamente. Hoje, o
abriga-lo. E foi assim, meio às pressas, museu finalmente se encontra na fase
que a esperada instituição foi fundada final das obras de readequação de suas
num edifício pioneiro da cidade. instalações. De ruína abandonada, o
MAB se reapresentará, em breve, como
Mas seria justamente a arquitetura um um museu renovado. Mas o que se sabe
dos principais desafios para o justo sobre sobre ele?
funcionamento do museu. Nos seus trinta

34 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES 35


26. Plínio Catanhede
e acompanhantes no
primeiro Salão de Arte
Moderna do Distrito
Federal, 1964.

Serão apresentados a seguir alguns


dos episódios, eventos e projetos que
uma bela história, que belo teria sido o
esforço dos profissionais que por ele se
24. Fachada lateral do MAB,
junho de 1988.
Antes arte do que tarde
marcaram a história da instituição, do empenharam. A premissa foi confirmada
edifício e do território do museu, desde diretamente por outras importantes 25. Hall de acesso do MAB,
Há uma improvisação, talvez genial: não há uma construtividade sólida e
a reunião de seu acervo às proposições fontes ouvidas, dentre as quais desta- junho de 1988.
tranquila. Talvez isso seja um privilégio só de povos antigos, cristalizados em
da mais recente reforma. ca-se a contribuição de Lêda Watson na
séculos vagarosos. E, o que se perde em solidez, ganha-se talvez em volubili-
“descoberta” do arquiteto do edifício,
dade; o que não é tão firme, é, no entanto, mais adaptável.
Para a elaboração da presente seção, se cuja biografia foi incluída neste trabalho.
fizeram essenciais as produções enca- Cita-se, por fim, a colaboração de Bené Rodrigo Melo Franco de Andrade, As artes plásticas no Brasil, 1968.
beçadas por diversos pesquisadores da Fonteles, artista plástico e último admi-
Universidade de Brasília, em especial, os nistrador da instituição, a quem o jargão Em 1984, a Fundação Cultural do Distrito do vasto acervo de arte do GDF, que,
professores Emerson Dionísio Gomes “antes arte do que tarde” faz referência Federal passava por um momento de naquele momento, estava espalhado em
e Angélica Madeira. Papel fundamental e também homenageia. A pesquisa preli- transição para a atual Secretaria de diferentes órgãos públicos, gabinetes
também teve a colaboração da Secretaria minar, buscando o conhecimento sobre Cultura, assumindo como um dos seus e depósitos. Posteriormente, as ações
de Cultura na ampla disponibilização de o edifício adaptado ao museu, deparou-se últimos objetivos de gestão fundar o seriam estendidas a outros equipamentos
acervos documentais, possibilitando a com um museu vivo adaptado a si mesmo, Museu de Arte de Brasília. Em vista da culturais, como os museus históricos de
organização das listagens cronológicas cujas histórias merecem ser resgatadas. disponibilização do edifício do Anexo à Planaltina, do Catetinho e do Museu Vivo
de exposições e projetos; além da boa Se não belas, hão de ser interessantes. Fundação, a primeira demanda foi a de se da História Candanga.
vontade de personagens diretamente organizar e de selecionar as obras de arte.
envolvidas, que cederam depoimentos e Por indicação do então governador José As obras reunidas, em sua maior parte,
materiais complementares. Ornellas, a coordenação das atividades tinham sido adquiridas pela Fundação
foi delegada a Regina Motta e à gravurista Cultural por meio de salões de arte
Em entrevista à autora, o artista Ralph Leda Watson, à época, recém-retornada promovidos desde a década de sessenta,
Gehre, ex-administrador do MAB, de seus estudos em Paris. Elas encabe- sendo, portanto, bastante representativas
defendeu que o museu em si não possui çaram o levantamento e restauração da história das artes plásticas no Distrito

36 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 37


Federal. Um dos primeiros eventos orga- obras fossem retiradas do Salão, tentativa
nizados foi o Salão de Arte Moderna de naquele momento malsucedida graças à
Brasília - SAMB, que ocorreu em quatro resistência dos organizadores, mas que,
edições transcorridas entre 1964 e 1967. de qualquer jeito, viria a preceder o início
Cerca de vinte obras que participaram da censura prévia no campo das exposi-
desses salões fazem parte do atual acervo ções de arte no Brasil (MADEIRA, 2005).
do MAB (OLIVEIRA, 2009). Dentre elas,
pinturas de Frank Shaeffer, João Câmara Tendo em vista a pouca disponibilidade
e Hissao Sakakibara, gravuras de Dora de espaços culturais na cidade, a maior
Basílio, Maria Bonomi e Marcelo Gras- parte das exposições organizadas eram
smann, além de esculturas de Maria montadas em halls e acessos públicos
Guilhermina, Cildo Meireles, Caciporé de diversos edifícios governamentais.
Torres e Maurício Salgueiro, o primeiro A primeira edição do Salão de Arte
premiado da categoria (MELO, 2020). Moderna ocorreu na sobreloja do Ed. Vale
do Rio Doce, no Setor Bancário Norte,
Diga-se de passagem, o IV Salão de onde atualmente funciona a Secretaria 27. Inauguração do I era formado principalmente por admi- Os Salões de Artes Plásticas das Cidades
Arte Moderna, de 1967, foi selado com de Fazenda. A planta expográfica foi Salão de Artes Plásticas nistradores com afinidades artísticas ou Satélites foram realizados em dois locais.
dois acontecimentos que provocaram encontrada no Arquivo Público do DF e das Cidades Satélites, no artistas que estavam exercendo cargos A primeira edição foi no Palácio do Buriti,
o cancelamento de futuras edições do demonstrou a colaboração dos arqui- Palácio do Buriti, de 1978. públicos. Essa composição, a princípio contando com uma massiva divulgação,
evento. O primeiro e mais conhecido, tetos da Novacap no projeto. As demais provocativa, acabou se demonstrando impulsionada pelo Embaixador Wladminir
foi toda a polêmica em torno do porco edições, por sua vez, ocorreram no foyer 28. Buate, pintura de muito positiva: os salões impulsionaram Murtinho, que, na época, era Presidente
empalhado de Nelson Leirner, que, do Teatro Nacional, local onde haviam Nogueira de Lima premiada nomes de artistas ditos populares ou naifs da Fundação Cultural (OLIVEIRA, 2009).
após ter sido selecionado, criticou em sido montados, provisoriamente, os no Salão de Artes Plásticas que dificilmente encontrariam espaço As outras seis edições foram realizadas no
jornais a falta de critério artístico do escritórios da própria Fundação Cultural das Cidades Satélites. nos circuitos de arte oficiais da época. Centro de Criatividade da 508 Sul, atual-
júri. Ao que tudo indica, a repercussão (OLIVEIRA, 2009). Dentre os premiados, temos o sergipano mente Espaço Cultural Renato Russo,
chamou a atenção não só do público Anselmo Rodrigues, o núcleo bandeirense onde chegou a funcionar por alguns anos,
em geral, como também do Governo Passados mais de dez anos após a última Samuel Barros Magalhães, o gamense José também, a Fundação Cultural.
Militar. Três dos artistas selecionados, edição do SAMB, a Fundação decidiu Dalmácio Longuinho, os brazlandenses
Rubens Gerchman, José Roberto Aguilar criar os Salões de Artes Plásticas das José Francisco Rodrigues (Zezinho) e Outro evento importante para a formação
e Claudio Tozzi, tinham como tema de Cidades Satélites - SAPCS, ocorridos em Joaquim Ferreira Neves (Seu Quinca) do acervo do MAB e que, desta vez, não
suas obras o guerrilheiro Che Guevara, sete edições organizadas entre 1978 e e, por fim, o sobradinhense Waldemor foi promovido pela Fundação Cultural,
executado na Bolívia poucos meses antes 1984. Nesses salões, podiam se escrever Nogueira de Lima, grande premiado em foi a XIII Bienal Internacional de Arte
realização do SAMB (MEDEIROS, 2017). somente artistas locais residentes fora cinco edições do salão (OLIVEIRA, 2009). de São Paulo, de 1975. A Sala Brasília
Após a vandalização da obra de Tozzi, do Plano Piloto, marcando um novo Trinta e oito obras do acervo do Museu foi uma das maiores representações no
agentes do Departamento de Ordem posicionamento político do GDF. Dife- de Arte de Brasília são provenientes evento, com mostra montada no térreo
Política e Social - DOPS exigiram que as rentemente dos salões anteriores, o júri desses eventos (LINS, 2013). do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque

38 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 39


pelo texto de apresentação de João Evan-
gelista Andrade Filho, na época, professor
do Instituto Central de Artes da UnB e
o primeiro responsável técnico pelo
29. Gravura de Odetto museu. Nele, exaltou o caráter hetero-
Guersoni adquirida pelo gêneo e eclético do acervo, definindo-o
GDF na XIII Bienal de SP, ao mesmo tempo como internacional,
em 1978. nacional e regional. De modo a legitimar
essa pluralidade, defendeu em entrevista
30. Animal-Heráldico, que o princípio constitutivo do museu
escultura de Liuba Wolf era a falta de preconceitos, de estetismos
adquirida pelo GDF na XIII ou de adoção de convenções artísticas
Bienal de SP, em 1978. específicas:

31. Fachada lateral e pilotis Essa variedade de propostas mostra


do MAB em 1985. que o Museu não abre espaço para
exclusivismos cenaculares. Montar
um museu para os concretistas ou
Ibirapuera. Estavam expostas aproxima- “permanentes” no acervo que estava
para os neo-impressionistas, ou
damente trezentas obras de artistas de sendo reunido. Parte das obras adquiridas
para outro tipo de “escola”, é ceder ao
renome nacional e internacional, das na Sala Brasília eram de vários artistas
segregacionismo e, pior, é reforçar a
quais trinta e cinco foram doadas ao estrangeiros que marcaram a cena brasi-
pior visão clássica e elitista de arte.
GDF para se destinarem a criação de leira, mas que dificilmente seriam aceitos
É a substituição da base humana
um Museu do Artista Brasileiro. Dentre sob as vestes de uma brasilidade identi-
(multíplice) pelo direcionismo estético.
as obras, nomes de artistas como Tomie tária, principalmente no contexto nacio-
O Museu de Arte de Brasília foi inaugu- Fala-se muito em abertura e demo-
Ohtake, Anita Malfatti, Odetto Guersoni, nalista e autoritário da época da ditadura.
rado com uma grande exposição promo- cracia. Parece-me que são noções
Lothar Charoux, Danilo Di Prete, Bia Percebamos que os Salões das Cidades
vida em março de 1985, como parte das incompatíveis com a normatividade,
Wouk, Fayga Ostrower, Aldemir Martins Satélites foram promovidos depois
comemorações dos vinte e cinco anos da com o direcionismo. Muito mais
e Vilma Pasqualini (OLIVEIRA, 2009). dessa grande doação, demonstrando,
cidade. A organização e o registro prévio importante é a interação e o conflito
em contrapartida, o intuito do GDF de
das obras proporcionaram ao MAB um (...). O que o técnico de museu deve
Infelizmente, não foram encontradas incorporar artistas inegavelmente regio-
fator desejável a qualquer instituição fazer é estar atento para que haja, na
maiores informações sobre o projeto nais e populares àquele grupo de notá-
museal: a listagem de todo o acervo de casa que organiza, múltiplas possibi-
desse Museu do Artista Brasileiro, mas veis brasileiros e estrangeiros. Eis um
duzentas e vinte e três obras foi publi- lidades de leitura. Isso, sim, poderia se
pode se considerar que ele foi mais uma provável motivo do adiamento do Museu
cado em forma de catálogo inaugural. considerar-se um critério, ou diretriz
idéia de um MAB. Diga-se de passagem, do Artista Brasileiro, que, de um certo
Nele, reproduções coloridas ou em preto fundamental para o MAB (ANDRADE
além da mesma sigla, o projeto conceitual modo, ocorreu dez anos depois daquela
e branco das artes foram acompanhadas FILHO in CAETANO, 1985).
antecipava contradições que se tornariam Bienal (OLIVEIRA, 2010).

40 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 41


Naquele contexto de redemocatização
política, tal discurso até que era propício
e necessário, mas não foi percebido
como legítimo por parte de setores da
classe artística. Nessa mesma matéria
em que Evangelista enobreceu o papel
democrático do museu, vários trechos
demonstraram, em contraponto, que a
sua criação se deu de forma centralizada
e ansiosa, a exemplo do próprio subtítulo
da notícia: “Criado e instalado em silêncio,
o MAB será uma usina de criação artís-
tica”. A sua fundação, sob aquelas condi-
ções, foi numa espécie de encomenda do então recém-criado Comitê Brasília 32. Crianças na exposição
pessoal de Ornellas nos últimos meses Cultura e Democracia havia sido acionado Brasil Arte Popular Hoje,
antes do término de seu mandato, sem e que, à parte a confiança que depositava agosto de 1988.
envolvimento de nenhum artista à parte no trabalho de João Evangelista, o acervo
Leda Watson e o próprio João Evangelista. era “um amontoado aleatório de obras e
33. Crianças visitam
Outras passagens da matéria de Maria do pseudo-obras, organizadas sem critérios
exposição no MAB em 1986.
Rosário Caetano parecem especialmente visíveis” (SALLES, 1985). No texto, chegou
provocativas: “Quando a inauguração do a destilar críticas ácidas a uma artista naif
museu se fez próxima, os artistas plás- com supostos privilégios familiares, o De fato, aquela atenção inicial que se os Salões de Artes Plásticas das Cidades
ticos protestaram. Afinal, eram os últimos que, segundo ele, justificava a sua posição pretendia a dar à arte primitiva seria Satélites e em seu lugar fundou o Prêmio
a saber” e “Muitos artistas criticam a de destaque no hall de entrada do MAB logo abandonada e, de uma forma geral, Brasília de Artes Plásticas (1990 e 1998)
escolha do local, queriam uma nova cons- durante a abertura. Fofocas à parte, tais o acervo popular foi pouco exposto na e o Salão de Artes Visuais do DF (2002).
trução para o MAB, um evidente capricho críticas à indefinição do tipo de acervo história do museu. Os principais eventos Com esses eventos, o MAB se aproxi-
nesses tempos de crise” (CAETANO, 1985). se mostrariam recorrentes na história do com a temática foram as exposições A mava da produção artística oficial do eixo
museu, tendo sido pontuadas por dife- Visão Popular da Realidade – O Perfil do Rio-São Paulo. A partir dessas iniciativas,
Os protestos contra as ditas arbitrarie- rentes personagens que foram ouvidas Colecionador (1985), Brasil Arte Popular foram incorporados ao acervo cerca de
dades, especialmente depois da criticada durante a pesquisa, incluídos ex admi- Hoje (1988) e Brasil Feito à Mão (2004), setenta obras de arte contemporânea
exposição de abertura, foram repre- nistradores e curadores. Num antigo além da exposição didática Brinquedos de artistas como Miguel Rio Branco,
sentados pela figura do artista Evandro inventário do acervo, por exemplo, a Populares (1989). Amílcar de Castro, Amélia Toledo, Nuno
Salles. No artigo publicado no Correio pesquisadora Ariel Lins (2015) encontrou Ramos, Lygia Pape, Ernesto Neto, Glênio
Braziliense na semana seguinte à matéria uma rasura com os dizeres “não é arte” Um fato que confirma a mudança de Lima, Rosangela Rennó, Ralph Gehre,
de Maria do Rosário Caetano, o artista sobre um dos itens populares. postura foi que, após a fundação do Beatriz Milhazes, Elder Rocha Filho, Cildo
expressou que nenhum grupo de trabalho MAB, a Secretaria de Cultura extinguiu Meireles e Bené Fonteles (SOUZA, 2018).

42 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 43


1988), Rubem Valentim (Os Guardadores (1985), Brasília Trilha Aberta (1986), JK sob
de Símbolos, 1992), João Câmara (1994), o signo das artes (2001), Brasília a Vista:
Fayga Ostrower (Gravuras 1950-1955, Descobertas e Paisagens (2003) e Fotoarte:
1995), Isabel Pons (Cinquenta anos no Brasília, Capital da Fotografia (2004). Já
Brasil 1945-1995, 1995) e Wega Nery os povos indígenas foram a temática das
(Presença em Brasília, 2005). mostras Artíndia (1992), promovida pela
Fundação Nacional do índio, e da Arma-
A produção feminina levantada se refere dilhas Indígenas (2003), sob curadoria de
cronologicamente à mostra coletiva Bené Fonteles e cujas obras produzidas
Presença da mulher na arte brasileira durante a oficina foram doadas ao acervo.
(1989) e às exposições individuais de
Marília Rodrigues (Trajetória, 1993), Isabel Um importante fator que se relaciona
Pons (Cinquenta anos no Brasil 1945-1995, com diferentes dificuldades vivenciadas
1995), Fayga Ostrower (Gravuras 1950- pelo MAB se refere ao tipo de política
34. Vista interna do MAB na
1955, 1995), Helena Lopes (Por Quê?, 1997), de aquisição aplicada ao longo da sua
exposição Poetas do espaço
Lygia Saboia (Simetrias, 2002), Rosana história. Paralelamente aos grandes
e da cor, de 1997.
Mokdissi (2003), Vitoria Biagiolli (Beleza eventos e às suas campanhas de aqui-
e Caos, 2004), Mariene Godoy (Vida e sição em massa, grande parte das artes
A partir dessas aquisições, o acervo do da Silva, Victor Vasarely e André Lanskoy; Obra, 2004), Silvia Krticka (Colorindo a que continuavam a ser adquiridas foram
MAB se tornou bastante representativo a participação do MAB no Festival Lati- infância, 2005), Cathleen Sidki (2005), doadas como forma de contrapartida
da produção de arte contemporânea no noamericano de Arte e Cultura (1987 e Wega Nery (Presença em Brasília, 2005) pelo uso das galerias, o que não garantiu
Brasil englobando obras da década de 70 1989); a mostra coletiva de Alfredo Volpi, e Aline Essenburg (Inteiro aos Pedaços, a adequabilidade das obras e a capacidade
até anos 2000 (FONTELES, 2007). Aldir Mendes de Souza, Arcângelo Ianelli 2006). de armazenamento do museu. Para se ter
e Franz Weissmann (Poetas do espaço e da uma noção do caráter expansionista do
No que se refere ao histórico de mostras cor, 1997); e as exposições individuais do Panoramas regionais se fizeram presentes acervo, as duzentas e vinte e três obras
até então levantado, serão apresentados alemão Joseph Beuys (1993) e do holandês em mostras como Pintores Paulistas inaugurais de 1985 transformaram-se
alguns breves recortes. Dentre os eventos Maurits Cornelis Escher (1994). (1987), Arte Atual Paraibana (1989), Artes em cerca de mil e trezentos itens até o
de abrangência internacional, temos Plásticas no Paraná (1994), Perpectiva museu ser embargado em 2007 e, só nos
o workshop-exposição Arte Amazonas No quesito de abrangência nacional, o Catarinense (1996) e Arte aqui é Mato últimos sete anos em que funcionou a
(1992), realizado com artistas de mais MAB participou da programação de duas (1991), com produções de artistas mato- duras penas, foram incorporadas mais
de dez países, como a iugoslava Marina edições do Salão Nacional de Artes Plás- -grossenses sob curadoria da crítica de de cento e vinte obras (LINS, 2015).
Abramovic, os alemãs Jochen Gerz e ticas (1987 e 1991) e do Fórum Nacional arte Aline Figueiredo.
Nikolaus Nessler e os brasileiros Tunga, de Artes Plásticas (1994), além de abrigar Após a interdição do prédio em 2007, o
Siron Franco e Karin Lambrecht; a expo- mostras individuais de artistas brasileiros As exposições artísticas e didático-do- acervo foi retirado do subsolo e transfe-
sição Gravadores da Escola de Paris (1986), consagrados como Poty Lazzarotto (Poty cumentais que usaram Brasília como rido para o então recém-criado Museu
com obras de Salvador Dali, Maria Vieira Ilustrador, 1988), Antônio Maro (Pinturas, assunto foram Cartofilia Brasiliense Nacional da República – MUN, local

44 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 45


onde veio a ser amplamente exposto e
conhecido: apenas nos três primeiros
anos após o fechamento do MAB, foram
organizadas dezessete exposições com as
suas obras. Desde então, eventos como
Nem tudo é erudito, nem popular (2008),
CaixaObra (2009) e MAB Diálogos de
Resistência (2012) foram realizados em
diferentes locais em prol de uma polí-
tica de promoção e circulação do MAB
enquanto o prédio não era reformado
(MADEIRA, 2013).

Ironicamente, uma década se passaria


enquanto o edifício se convertia em uma
verdadeira ruína abandonada. Ainda
assim, isso não o impediu de abrigar
algumas manifestações artísticas espon-
tâneas, como a intervenção de Gregório
Soares (Facto Transeunte – MAB, 2010)
e a sessão fotográfica de Sérgio Costa
Vincent (Abandonados, 2015).

Em 2019, em meio às obras da reforma,


foi realizada a residência artística Obra-
Arquivo-MAB, produzida pelas curadoras
Gisel Carriconde e Cinara Barbosa. O 35. Facto transeunte - MAB,
trabalho de Maurício Chades (Revolução de Gregório Soares, 2010.
/ Raio-bica-banho-verde-de-manjericão
no Museu, 2019), um dos artistas da resi- 36. Revolução / Raio-
dência, registrou visuais do emblemático bica-banho-verde-de-
subsolo do prédio, cujas problemáticas manjericão no Museu, de
históricas serão narradas a seguir. Maurício Chades, 2019.

37. Abandonados, de Sérgio


Costa Vincent, 2015.

46 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 47


Arquitetura intermitente,
território especulado

E se alguém alegar que as artes plásticas – abstrata, nem sempre palatável


e muitas vezes hermética – não é exatamente a coisa mais importante num
universo que tem pobreza e falta de moradia, vale lembrar que ela consome
dinheiro do governo. Cada restauro de obra custa caro. Cada maquiagem
custa caro. E obra de arte guarda a memória de um povo. Foi assim com a
arte rupestre das cavernas. Foi assim com a Monalisa de Leonardo da Vinci.
Ou com a arte engajada no Brasil da ditadura. Ajuda a pensar, a refletir, a
educar. Mas precisa ser vista e ensinada. E isso nunca acontecerá se estiver
abandonada num porão úmido e sem segurança.

Nahima Maciel, Perguntas sobre o MAB, 2007.

As obras de adaptação do prédio para a (...) já possuía acervo expressivo de


criação do Museu de Arte de Brasília, em centenas de obras, que permitiu, em
1985, fizeram parte do primeiro Plano tão curto tempo, inaugurar-se um
Integrado de Educação e Cultura do museu tão importante. (...) Possível,
Distrito Federal, do qual também parti- ainda, porque havia um espaço, prati-
cipavam as obras de recuperação do camente sem destino, que a imagi-
Teatro Nacional, do Planetário e do Cine nação criadora da equipe do GDF,
Brasília (OLIVEIRA, 2009). Interessante houve por bem ceder para ali insta-
notar que, já na abertura da instituição, a lar-se, com as adaptações necessárias,
então Secretária de Educação e Cultura, o Museu de Arte de Brasília, que terá
Eurides Brito da Silva, concebia certa por destino expandir-se sempre, até
provisoriedade às instalações do museu, o ponto em que necessitará de insta-
alegando que num futuro ele necessitaria lações próprias, em área especial a ele
de um novo prédio: destinada (SILVA in GDF/SECULT,
1985).
Todas as coisas têm seu tempo.
Eis possível, já, um Museu de Arte A conversão do edifício, realmente,
de Brasília (...). Possível, porque a não contou com o justo investimento e
Fundação Cultural do Distrito Federal as reformas executadas foram apenas

48 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 49


paliativas. A documentação mais antiga obras. Fracassada a empreitada, o edifício
encontrada sobre o tema, aliás, solici- foi restituído ao GDF em 1995 e o Memo-
tava o orçamento para a revitalização rial dos Povos Indígenas só foi finalmente
das duas quadras de esportes construídas inaugurado em abril de 1998, dez anos
pelo Clube das Forças Armadas, investi- depois de quando o prédio seria inicial-
mento no mínimo ridículo para o museu mente entregue (OLIVEIRA, 2016).
que estava sendo fundado (MULTICON,
1984). Como consta em laudos da época, Nesse meio tempo, o MAB funcionava
as instalações elétricas e hidráulicas intermitentemente, entre fechamentos
estavam gravemente comprometidas, para reparos e reaberturas esperançosas.
além do prédio apresentar vários focos Por exemplo, em 1994, para receber a
de infiltrações nas lajes, nas janelas e exposição de Joseph Beuys, as paredes
nas paredes do subsolo. Foi esse último foram pintadas e também foram insta-
local, lugar da cozinha e frigorífico, lados ar condicionados e desumidifica-
que foi convertido na reserva técnica e dores no salão de exposição e subsolo
onde foi alocado o acervo milionário da (GDF/SECULT, 1994). Cinco anos depois,
instituição. As antigas câmeras frigorí- em 1999, porém, o museu seria interdi-
ficas, localizadas no chão, foram reuti- tado e novamente reaberto em 2001 sem
lizadas como armários para depósitos nenhuma melhoria estrutural (SOUZA,
das obras, causando mofo nas mesmas 2018). Na falta de uma reforma global, as
(GDF/SECULT, 1991). Foram basicamente problemáticas só foram se agravando: o
esses os conteúdos de vários laudos e sistema elétrico não suportava a carga
pareceres elaborados pela Secretaria e de todas as luzes acesas, além de apre-
por seus encarregados desde de 1985 até sentar fiações expostas em diferentes
1990, quando o prédio foi interditado pela locais (CBM/DF, 1996). As esquadrias
primeira vez (MACIEL, 2007). originais, enferrujadas, nunca tinham sido
substituídas e vários acessos estavam
A improvisação era tanta que, por um sem cadeados de segurança, a exemplo
breve período, a capital possuiu dois do restaurante fossem transferidas para 38. Encarregados fazem 39. Infiltrações visíveis assume o Ministério da Cultura, decidido do próprio portão da reserva técnica
Museus de Arte de Brasília. José Aparecido lá. A notícia foi, com razão, muito mal reparos na laje de no salão de exposições em fundar o museu em esfera federal. (ANDRADE, 1993). No pavimento supe-
de Oliveira, governador do DF entre 1985 vista pelas lideranças indígenas e criou cobertura do MAB. durante a mostra Mesmo sem acervo, consegue inaugu- rior, infiltrações nas janelas e na laje de
e 1988, estava prestes a entregar as obras várias cisões internas no GDF, o que Artessários, 2006. ra-lo em 1990 com uma mostra do artista cobertura criavam goteiras e poças d’água
do Museu do Índio, quando decidiu, que inviabilizou a intenção de transferência venezuelano Armando Reverón. Curiosa- no salão de exposições, como foi regis-
na verdade, ele seria inaugurado como um do acervo (MOTTA, 1988). A insistência de mente, a abertura foi interrompida por trado pela pesquisadora Carolina Barbosa
museu de arte. A princípio, seu interesse Aparecido é confirmada a partir de 1988, uma forte chuva que invadiu parte das de Melo durante a exposição Artessários,
era que as obras que estavam no subsolo quando ele deixa o cargo de governador e áreas expositivas, quase danificando as promovida em 2006.

50 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 51


Os jardins e áreas externas, por não que de que o prédio não é adequado Marcia Nogueira, Rogerio Duarte, Glênio
terem tido nenhum histórico de manu- para um museu ou é de difícil acesso. Lima, Maria Luiza de Carvalho, Karla
tenção continuada, levavam ao acúmulo Em um dos fechamentos, as obras Osório, Bia Medeiros, Grace de Freitas,
de sujeira na rampa de acesso ao subsolo foram parar na Galeria Athos Bulcão, Ana Taveira, Wagner Barja, entre outros.
e, por consequência, ao entupimento da uma sala tão inadequada quanto a
tubulação de escoamento nas épocas da própria reserva técnica do MAB (...). De outra parte, o museu também foi
chuva. A situação se mostrou mais alar- Uma outra parte ficará guardada no objeto de trabalho de várias equipes
mante em novembro de 2004, quando Museu da República, cuja estrutura de arquitetos do GDF, que elaboraram
a água empoçada no subsolo chegou a conta com salas climatizadas próprias propostas seja tanto para o edifício
sessenta centímetros de altura, amea- para obras de arte. Mas é irresistível quanto para o seu entorno. Inicialmente,
çando as obras de arte, mas sem atingi- a pergunta: “Será que sairão de lá?” tivemos projetos de reforma assinados
-las diretamente (BENÉVOLO, 2004). Em (MACIEL, 2007). por Andrea da Costa Braga (Secult,
junho de 2007, o Ministério Público emitiu 1998), Ana Marques (Secult, 2001), Zeli
então uma medida cautelar em nome da Além da precariedade da infraestrutura Dubinewicks (Secult, 2005) e Danielle
preservação do acervo, interditando o física, a instituição passou também por Barbosa Ramos (Novacap, 2007). De modo
prédio e exigindo a retirada imediata das uma histórica falta de pessoal. Como geral, essas primeiras propostas foram
obras de arte (MPDFT, 2007). Na ocasião, consta em relatório de Eurico de Andrade bem variadas e inventivas ao conferir
a jornalista Nahima Maciel publicou os (1994), o MAB contava somente com três os quesitos mínimos de segurança e
seguintes questionamentos: recepcionistas, das quais uma se retirou de acessibilidade para os visitantes. As
do serviço após desenvolver problemas diferentes estratégias incluem a criação
A interdição do Museu de Arte de respiratórios causados pela umidade no de torres de circulação externas, cober-
Brasília (MAB) pelo tribunal de Justiça museu. Como dito, nenhum jardineiro turas curvas, além de alguns estudos de
na última segunda-feira não é culpa nunca havia sido contratado de forma reelaboração das fachadas, como a ideia
do governo passado, do anterior continuada e, ainda mais importante, de substituição dos janelões por aber-
nem do atual. (...) Reformas nunca também nenhum técnico em conser- turas redondas. Em 2001, foi executada
concluídas, laudos de bombeiros que vação ou museologia. Ao que se parece, 40. Projeto de reforma do a completa pintura do prédio em azul e
apontavam o perigo de incêndio ou a sobrevivência da instituição desde a MAB e de modificações das laranja.
inundação no prédio e empréstimos sua criação até hoje dependeu de um fachadas, s/d.
para eventos sociais foram algumas grande esforço e improvisação de poucos No quesito urbano, destacam-se as
das causas. A sala destinada à reserva encarregados, a princípio cheios de boas 41. Projeto de reforma do ambiciosas propostas do Projeto Orla,
técnica – sem luz adequada, climati- intenções, mas também de várias invia- MAB e de modificações das idealizado primeiramente em 1993 e
zação e portas de segurança – jamais bilidades. No elenco de agentes culturais fachadas, 2000. reelaborado três anos depois, no governo
deixou de ser o porão escuro e úmido e administradores que estiveram dire- de Cristovam Buarque. Uma entre as
que é hoje (...). É a consequência do tamente envolvidos, temos, além dos já 42. Projeto de pintura das doze áreas de intervenção, pensava-se
“deixa rolar” com o qual a cultura é citados, Cláudio Pereira, Marta Padilha fachadas do MAB em azul e em criar um novo complexo de turismo
sempre tratada e da eterna ladainha Benévolo, Marcos Lontra, Marilia Panitz, laranja, 2001. nas imediações da Concha Acústica e do

52 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 53


43. Fachadas do MAB após
pintura em azul e laranja.

44. Vista aérea do Setor de


Hotéis e Turismo Norte,
início dos anos 2000.

Museu de Arte de Brasília. Além da cons- fecharia a visual de uma grande alameda lotes lindeiros ao Brasília Palace Hotel, Sanches (Secult, 2013), José Leme Galvão
trução de shoppings, hotéis e de estabe- entre o Parque e a Concha Acústica e, a desencadeando a separação urbana e (IPHAN, 2013) e Thiago Morais de Andrade
lecimentos comerciais nos arredores, os partir da construção de um novo museu, paisagística entre ele, o Palácio da Alvo- (Novacap, 2017). A grande diferença em
parcelamentos urbanos também previram seria transformado em uma escola de rada e o MAB. Esse último, sufocado relação às propostas elaboradas ante-
a criação de três equipamentos culturais: arte. O lote, entretanto, foi cedido à entre as novas construções, teve o seu riormente se refere, principalmente, à
um Pavilhão de Exposições da Bienal de Fundação Palmares para a criação de um acesso principal alterado e as vistas da estratégia de se escavar os arredores do
Arte, um novo Museu e um Parque Inter- suposto Museu da Igualdade Racial e, ao antiga varanda e dos janelões laterais terreno para liberar o subsolo e trans-
nacional de Esculturas (SEGETH, 1997). que parece, a Secretaria de Cultura ainda bloqueadas. A orla imediatamente vizinha formar a reserva técnica num pavimento
Esse último, coordenado por Evandro tenta reaver a sua posse. ao museu, igualmente, foi toda ocupada semi-interrado. Nos estudos volumé-
Salles enquanto estava Secretário Adjunto com estabelecimentos comerciais, em tricos de José Leme Galvão, tem-se um
de Cultura, seria o primeiro a ser concre- As consequências do Projeto Orla para alguns lotes, inclusive, com construções tratamento paisagístico sinuoso para o
tizado. Em 1997, foram simbolicamente o Setor, entretanto, não poderiam ser acima do gabarito permitido. terreno e a utilização de uma cortina de
transferidas para o local as esculturas mais desastrosas. Nenhum dos três equi- cobogós para disfarçar as aberturas nas
de Franz Weissmann e Enio Iome, ante- pamentos culturais foram executados, Depois de embargado o edifício e de paredes do subsolo, o qual, enfim, será
cedendo a implementação do Parque à parte estacionamentos e uma ampla descartada uma nova destinação de uso, munido de ventilação e de iluminação
e as negociações junto a artistas como pavimentação onde seriam localizadas o museu passou então a ser objeto de natural. A obra foi iniciada em 2014 mas
Richard Serra, Anish Kapoor; Amilcar de as esculturas, hoje subutilizada. De outra projetos mais abrangentes, desenvol- interrompida em 2015 antes do seu
Castro, Tunga, entre outros (MADEIRA, parte, o novo parcelamento urbano lega- vidos a partir da atuação dos arquitetos término, até ser retomada novamente
2013). O edifício do MAB, por sua vez, lizava a construção de apart-hotéis nos Jônatas Nunes (Secult, 2012), Mauro em 2017.

54 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 55


45. Perspectiva do MAB e
estudo paisagístico de José
Leme Galvão, 2013.

46. Nova fachada posterior


do MAB nas etapas finais
da reforma, julho de 2020.

Na versão final do projeto, Thiago de instalação de sistemas de climatização,


Andrade (Novacap), propôs a substituição combate a incêndio, captação pluvial e
das aberturas da antiga varanda por geração de energia fotovoltaica.
painéis em tons de azul, rememorando
a cor do edifício antes de ser embar- A exposição de reabertura está sendo
gado. Nos mesmos painéis, será embu- organizada e contará com projeto expo-
tido um portão para a entrada de obras gráfico dos arquitetos Kariny Nery e
de grandes formatos através da fachada. Daniel Melo. Uma grande mostra retros-
pectiva do acervo será acompanhada por
No novo pilotis avarandado, adaptou-se peças de mobiliários e de outros produtos
uma pequena cafeteria para os visitantes assinados por designers de renome
e, no quesito das esperadas adaptações à nacional e local, tais como Sérgio Rodri-
função museológica, tem-se a ampliação gues e Danilo Vale.
da reserva técnica e a previsão de labora-
tórios de restauro e de salas de triagem. A reinauguração do Museu de Arte de
Estimada num custo total de cerca R$ Brasília está prevista para acontecer no
9 milhões, a reforma também prevê início de 2021 e, até o fechamento do 47. Vistas internas do salão
a readequação das partes elétricas e presente texto, ainda não se tinha defi- de exposições do MAB nas
hidráulicas, a criação de rotas acessíveis nido o corpo administrativo e o modelo etapas finais das obras de
através da construção de elevadores e a de gestão que será aplicado. reforma, julho de 2020.

56 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 57


Cronologia de exposições
e manifestações artísticas

1985 Jovens pintores italianos


Exposição de quadros e esculturas
de artistas da vanguarda italiana
20 de novembro a 1 de dezembro de 1985

Hélio Melo, Cenas Amazônicas


Exposição individual de desenhos
7 de novembro a 1 de dezembro de 1985

Milton Ribeiro, Iconografia


Brasiliense
Exposição individual
7 de março a 30 de julho de 1985

Cartofilia Brasiliense: Brasília


Itinerário 1: Artistas de Brasília em 28 anos de Cartões Postais
Exposição coletiva de Athos Bulcão, Exposição documental da coleção
Darlan Rosa, Douglas Marques de Sá, do Prof. Antônio Miranda
Elder Rocha Lima Filho, Elisa de Souza, 7 de março a 22 de abril de 1985
Francisco Galeno, João Evangelista, L.
C. Cruvinel, Leda Watson, Luiz Gallina,
Triennale di Milano
Naura Timm, Nelson Maravalhas, Pulika,
Exposição documental de
Ralph Gehre, Ramon Edreira Neves,
painéis fotográficos
Reinaldo Cotia Braga, Romulo Andrade,
23 de outubro a 19 de novembro de 1985
Terezinha Losada, Valdir Jagmin,
Vicente Martinez e Wagner Hermuche
7 de março a 22 de abril Leonardo da Vinci, Desenhos
Exposição individual de desenhos

58 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 59


doados pela Embaixada da Itália gravura, fotografia e escultura
9º Salão Nacional de
29 de maio a 30 de julho de 1985 4 de agosto a 18 de agosto de 1987
Artes Plásticas
Exposição coletiva
As estéticas e as técnicas 21 de outubro a 16 de novembro de 1986 Festival Latino Americano
da Arte Contemporânea de Arte e Cultura
Exposição didático-documental Exposição coletiva
Perspectiva catarinense
de 40 reproduções 13 de setembro a 23 de setembro de 1987
Exposição coletiva de
10 de setembro a 12 de dezembro de 1985
artistas catarinenses
18 de novembro a 18 de dezembro de 1986 Arte atual Berlin/87
Exposição coletiva de trezentas obras
de artistas contemporâneos alemães
O samba vai ao Museu
22 de outubro a 05 de dezembro de 1987
Exposição documental da Escola
de Samba Unidos do Cruzeiro
5 de fevereiro a 2 de março de 1986
Gravadores da Escola de Paris
Exposição coletiva de gravuras
A Visão popular da Realidade e 24 de junho a 30 de julho de 1986
o Perfil do Colecionador
Exposição coletiva de quatrocentas
obras de artistas populares
16 de agosto a 20 de outubro de 1985
1987
Exposição temporária do acervo
1986 1 de janeiro a 2 de agosto de 1987

Premiados do 9º Salão
Eli Heil
de Artes Plásticas
Exposição individual de pinturas
Exposição coletiva
14 de abril a 15 de junho de 1985 Praças da Europa: História e
18 de junho a 16 de julho de 1987
atualidade de um espaço público
Brasília, Trilha Aberta
Exposição documental sobre mais
Julio Pomar Exposição documental em homenagem
Pintores paulistas de trinta praças européias
Exposição individual ao aniversário de falecimento
Exposição coletiva de cento e 8 a 31 de maio de 1987
29 de outubro a 9 de novembro de 1986 de Juscelino Kubtscheck
cinquenta obras em pintura, desenho,
21 de agosto a 30 de setembro de 1986

60 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 61


1988 1989 Brinquedos populares
Rocha Filho, Evandro Salles,
Galeno, Luis Gallina Neto, Nelson
Exposição documental de
Maravalhas e Rubem Valentim
brinquedos artesanais
4 de dezembro de 1990 a
A cor e o desenho do Brasil Arte atual Paraíba/Paraibana 3 a 29 de outubro de 1989
6 de janeiro de 1991
Exposição coletiva de vinte Exposição coletiva da produção
artistas, com obras em pintura, artística atual da Paraíba, promovida
desenho e gravura
8 de março a 10 de abril de 1988
pela Fundação Espaço e Cultura
7 a 26 de março de 1989
1990 1991
Antônio Maro, Pinturas Arte Nova: Art Noveau Do romantismo aos
Exposição temporária do acervo
Exposição individual com vinte e Exposição coletiva promovida pelo novos selvagens
22 de maio a 23 de junho de 1991
duas obras em óleo sobre tela Goethe-Institut de Munique Exposição coletiva com
26 de abril e 2 de maio de 1988 4 a 23 de abril de 1989 curadoria de Marcus Lontra
8 de março a 1 de abril de 1990 Aspecto da Paisagem
Brasileira na Coleção
Abstracionismo geométrico II Presença da mulher
Gilberto Chateaubriand
Exposição coletiva na arte brasileira
Exposição coletiva com
28 de junho a 10 de julho de 1988 Exposição coletiva
curadoria de Marcus Lontra
9 a 28 de maio de 1989
20 de abril a 12 de maio de 1991
Brasil Arte popular Hoje
Exposição coletiva Jovem artista brasileiro
Workshop Brasil – Alemanha
26 de julho a 28 de agosto de 1988 Exposição coletiva
Exposição coletiva de artistas
11 a 27 de julho de 1989
alemães e brasileiros.
Exposição temporária do acervo 27 de junho a 23 de julho de 1991
29 de setembro a 6 de novembro de 1988 Bsb Memória
Exposição documental sobre
Expressões Singulares
a construção de Brasília
Poty Lazzarotto, Poty ilustrador da Arte Brasileira
6 de junho a 30 de junho de 1989
Exposição individual de cinquenta Exposição coletiva de gravuras
e dois painéis com reportagens da Coleção do Museu de
e estudos originais. Flora e fauna Arte Contemporânea da
10 de novembro a 4 de dezembro de 1988 Exposição documental sobre a Universidade de São Paulo
recriação iconográfica da natureza 8 artistas de Brasília 8 de agosto a 25 de agosto de 1991
5 a 23 de setembro de 1989 Exposição coletiva de Athos
Bulcão, Eduardo Cabral, Elder

62 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 63


Arte Aqui é Mato Movimento Sem Teto do
Exposição coletiva de dezoito Juazeiro do Norte
artistas de Mato Grosso, com Exposição coletiva de xilogravuras
curadoria de Aline Figueiredo feitas por crianças
26 de setembro a 28 de outubro de 1991 25 de junho a 5 de julho de 1992

II Salão Nacional de Um movimento internacional


Artes Plásticas pós-guerra (1948-1951)
Exposição coletiva Exposição documentária
12 de novembro a 15 de dezembro de 1991 promovida pelo Grupo Cobra
15 a 27 de dezembro de 1992

1992
1993 Instalações Infoestética
Exposição coletiva de Aluízio
Artíndia Arcela, Suzete Venturello, Bia
Exposição de cento e cinquenta Luiz Carlos Del Castilho Medeiros e Tania Fraga
objetos etnográficos, promovida e Monica Sartori 11 de março a 3 de abril de 1993
pela Fundação Nacional do Índio Exposição da dupla
8 de julho a 31 de julho de 1992 9 a 28 de fevereiro de 1993
Rubem Valentim, Os Avatar Moraes
Guardadores de Símbolos Exposição individual de
Géneros em exticion: Exposição individual Antônio Carlos Elias, objetos e esculturas
Significados en Peligro 9 a 30 de novembro de 1992 Radices Relictae 6 de abril a 2 de maio de 1993
Exposição documentária promovida Instalação
pela Embaixada do México 9 a 28 de fevereiro de 1993
P. Nica Leonardo Alencar
17 de julho a 30 de julho de 1992
Exposição individual de vinte e Exposição individual de pinturas
oito esculturas em madeira Kyron Grafica XX Aniversário 28 de abril a 29 de maio de 1993
Arte Amazonas 3 a 15 de dezembro de 1992 Exposição coletiva de gravuras
Exposição coletiva de mexicanas, promovida pelo Taller Kyron
vinte e sete artistas 9 a 21 de fevereiro de 1993
André Lafetá, Um dia de chuva
6 a 30 de agosto de 1992
Exposição individual de
pinturas em tecido
3 a 15 de dezembro de 1992

64 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 65


Joseph Beuys 1994 1995
Exposição individual
24 de setembro a 17 de outubro de 1993
Douglas Marques de Sá Arte Popular e Arte Africana
Exposição individual Exposição temporária do acervo
Um olhar sobre Joseph Beuys
16 de março a 26 de abril de 1994 3 de janeiro a 16 de fevereiro de 1995
Exposição coletiva de vinte e
nove artistas brasileiros
24 de setembro a 30 de outubro de 1993 Gravura Contemporânea Estranhos no ninho
Exposição de litogravuras do Exposição temporária do
acervo do Instituto Tamarind acervo, curadoria de Maria Luiza
Kenzo Tanaka
8 de junho a 3 de julho de 1994 Pacheco e Wagner Barja
Exposição individual
22 de fevereiro a 14 de março de 1995
4 de novembro a 5 de dezembro de 1993
Um panorama da
arte brasiliense O papel no MAB
Wega Nery, A Ilha Verde
Marília Rodrigues, Trajetória Exposição do acervo Exposição temporária do acervo,
Exposição individual de pintura
Exposição individual de 11 de agosto a 26 de agosto curadoria de Rose Fraymond
22 de novembro a 15 de dezembro de1993
gravuras em metal 22 de fevereiro a 2 de abril de 1995
6 a 30 de maio de 1993
Fórum Nacional de
Artes Plásticas Isabel Pons, 50 anos no
Maurílio Catalano Exposição coletiva Brasil (1945-1995)
Exposição individual de 31 de agosto a 26 de setembro de 1994 Exposição individual
pinturas e gravuras 15 de março a 2 de abril de 1995
3 a 30 de junho de 1993
Artes Plásticas do Paraná
Exposição coletiva Shrinsky, Karajás
Exposição coletiva 6 de outubro a 6 de novembro de 1994 Exposição individual de
Exposição de Fátima Neves, Hélio desenhos e poemas
Siqueira, Paulo Miranda, Shirley 18 de abril a 10 de maio de 1995
João Câmara
Paes Leme e Vânia Barbosa.
Exposição individual
14 de julho a 15 de agosto de 1993
10 de novembro a 11 de dezembro de 1994 Três gerações na arte de Brasília
Escher Exposição coletiva de setenta
Loris Machado, Arqvivo Exposição individual e um artistas de Brasília
Exposição temporária do acervo
Exposição individual de fotografias 14 de dezembro de 1993 a 18 de maio a 8 de julho de 1995
21 de dezembro de 1994 a
19 de agosto de 1993 9 de janeiro de 1994
30 de agosto de 1995

66 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 67


Prêmio Brasília 90/91 Tesouros do Patrimônio 1997 2001
Exposição coletiva Exposição documentária promovida
8 de julho a 18 de julho de 1995 pelo Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional - IPHAN Uma mostra da arte brasileira
7 de novembro a 26 de novembro de 1995 entre as décadas de 50/90
Kadu Niemeyer, Oscar
Exposição temporária do acervo
por Kadu Niemeyer
1 de janeiro a 28 de março de 1997
Exposição individual de fotografias Além da Taprobana
18 de julho a 23 de agosto de 1995 Exposição coletiva de
trinta e seis artistas
24 de agosto a 24 de setembro de 1995
Ruy Ohtake
Exposição documentária
5 de julho a 15 de agosto de 1995 Arte contemporea portuguesa
Exposição coletiva, parte da
programação do IV Fórum
Pol Pàzmany
Brasília de Artes Visuais
Exposição individual
21 de agosto a 25 de setembro
24 de agosto a 29 de agosto de 1995

Tomoko Takahashi
Fayga Ostrower
Exposição individual
Exposição individual
S/d
1 de setembro a 8 de outubro de 1995

Luiz Áquila Poetas do espaço e da cor Infinito gesto expressivo


O livro de arte brasileiro
Exposição individual de desenhos Exposição coletiva de Alfredo Exposição do acervo permanente
Exposição documentária
S/d Volpi, Arcângelo Ianelli, Aldir M. 30 de maio a 31 de dezembro de 2001
promovida pela Sociedade dos
de Souza e Franz Weissmann
Cem Bibliófilos do Brasil
21 de abril a 20 de maio de 1997
27 de abril a 31 de maio de 1995 Brasília por Brasília
1996 Helena Lopes, Por quê
Exposição coletiva de pinturas
18 a 30 de setembro de 2001
Diálogo com Le Corbusier
Exposição individual
Exposição documentária e fotográfica
Arte sem fronteiras 17 de maio a 15 de junho de 1997
5 de abril a 7 de maio de 1995 JK – Sob o signo das artes
Exposição coletiva
Exposição coletiva
31 de janeiro a 12 de maio de 1996
3 de outubro a 4 de novembro de 2001

68 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 69


Cândida Xavier MAB 17 anos: Coletiva Charles Mayer Fragmentos a seu ímã:
Exposição individual de pinturas Brasília (1985-2002) Exposição individual de pinturas obras primas do MAB
24 de novembro a 19 de dezembro de 2001 Exposição temporária do acervo 10 de outubro a 3 de novembro de 2001 Exposição temporária do acervo
7 de março a 28 de abril de 2002 23 de abril a 25 de maio de 2003

Pintura Contemporânea Carlos Muniz


da China Mulheres de Niemeyer, Exposição individual de pinturas Fotoarte
Exposição de pinturas poesia em traço e ponto 22 de outubro a 17 de novembro de 2001 Exposição coletiva de Odires Miazo,
22 de novembro a 19 de dezembro de 2001 Exposição de bordados de desenhos Amílcar Paker e Vilma Slomp
de Oscar Niemeyer feitos pela 16 de junho a 28 de julho de 2003
Douglas Marques de Sá,
Associação de Costureiras e
Abstracionismo brasileiro 50 anos de muita arte
Bordadeiras de São Sebastião
Exposição de pinturas Exposição individual de pinturas Fernando Barreto
17 de abril a 19 de maio de 2002
22 de novembro de 2001 a 5 a 24 de novembro de 2002 Exposição individual
3 de março de 2002 6 a 24 de agosto de 2003
Lygia Saboia, Simetrias
Milton Ribeiro, Pinturas
Exposição individual
III Bienal de Arquitetura expressionistas (1994-2001) Armadilhas Indígenas
5 a 23 de junho de 2002
Exposição dos trabalhos premiados Exposição individual Exposição temporária de acervo
8 a 24 de outubro de 2001 20 de novembro a 22 de doado por Bené Fonteles
Impressões da Arte dezembro de 2002 12 de agosto a 5 de outubro de 2003
Exposição temporária do acervo

2002 2 a 28 de julho de 2002


Rosana Mokdisse
2003 Exposição individual de pinturas
Salão de Artes Visuais 14 a 26 de outubro de 2003
Exposição permanente do Distrito Federal
do acervo Exposição coletiva de Pintura sobretudo
Toninho de Souza
2 de janeiro a 11 de novembro de 2002 vinte e um artistas Exposição temporária do acervo
Exposição individual de pinturas
28 de agosto a 6 de outubro de 2001 21 de janeiro a 28 de fevereiro de 2003
4 a 30 de novembro de 2003
Clovis Graciano
Exposição de gravuras do acervo Rodrigo Rosa, Desenhos Brasília a vista: descobertas
Tempos e signos
15 de janeiro a 3 de março de 2002 Exposição individual e paisagens
Exposição coletiva de Dina
3 a 29 de setembro de 2001 Exposição coletiva
Oliveira, Dumas, Emmanuel
23 de abril a 25 de maio de 2003
Nassar, Murilo e Lígia Arias
12 de novembro a 14 de dezembro de 2003

70 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 71


Tarciso Viriato, O Vitória Biagiolli, Beleza e caos 2005 V Semana de Arte e
sequestro do olhar Exposição individual de pinturas Cultura do PCSUR
Exposição individual de pinturas 4 a 23 de agosto de 2004 Exposição coletiva
3 de dezembro a 4 de janeiro de 2003 Exposição do acervo 9 a 15 de maio de 2005
permanente
Lendro Mello
1 de janeiro a 7 de novembro de 2005
Exposição individual de pinturas stencil Pelos continentes: África,
2004 8 de setembro a 3 de outubro de 2004 América e Europa
Doações recentes – 20º Exposição do acervo para
aniversário do MAB a Semana de Museus
Diô Viana
Mariene Godoy, Vida e obra Exposição temporária do acervo 16 a 23 de maio de 2005
Exposição individual de pinturas
Exposição individual de pinturas 7 a 27 de março de 2005
6 a 24 de outubro de 2004
10 a 29 de fevereiro de 2004
Benita, Momento três
J. Nasce Exposição individual de pinturas
Cathlenn Sidki
Exposição temporária Exposição individual de pintura 1 a 15 de junho de 2005
Exposição individual
2 de março a 19 de abril de 2004 11 a 27 de fevereiro de 2005
17 de novembro de 2004 a
31 de janeiro 2005 Claudio Fontes
Tarsila do Amaral Conexões MAB Exposição individual de pinturas
Exposição de litogravuras Exposição coletiva 21 de junho a 5 de julho de 2005
Altar de Mortos
pertencentes ao acervo do MAB 5 de abril a 8 de maio de 2005
Exposição documental promovida
20 de abril a 16 de maio de 2004
pela Embaixada do México Possíveis Geometrias I e II
17 de novembro a 10 de dezembro de 2004 Brasília fora do quadro Exposição do acervo em parceria
Brasil feito a mão Exposição coletiva promovida com a Embaixada da Espanha, Casa
Exposição do acervo de arte pela Sociedade de Artistas da Cultura da América Latina e
Walter Lima, Delírio e êxtase
popular, em comemoração ao Plásticos de Brasília Centro Cultural Brasil-Espanha.
Exposição individual
Dia Internacional dos Museus 12 de abril a 1 de maio de 2005 14 de julho a 30 de agosto de 2005
15 de dezembro de 2004 a
17 de maio a 6 de junho de 2004
15 de janeiro de 2005
Wega Nery, Presença Arte Coletiva
FOTOARTE – Brasília, em Brasília Exposição coletiva da oficina realizada
capital da fotografia Exposição individual de pinturas 14 a 31 de julho de 2005
Exposição coletiva de fotógrafos do DF 19 de abril a 12 de junho de 2005
7 de junho a 14 de julho de 2004

72 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 73


Márcia Mazzoni, Nancy Safatle,
Rosilene Horta, Anima Arte da capital Luiz Guerreiro, HQ em azulejos
Rosilene Horta, Sheila Tapajós,
Exposição individual Exposição coletiva de 54 artistas Exposição individual
Sylvia Krticka e Sônia Guerra
3 de agosto a 1 de setembro de 2005 promovida pela Sociedade de 2 a 20 de agosto de 2006
7 de dezembro a 29 de janeiro de 2005
Artistas Plásticos de Brasília
18 de abril a 1 de maio de 2006
Silvia Krticka, Colorindo Joana Passos, Rede povo e redes
Artistas Seniores
a infância Exposição individual de pinturas
Exposição coletiva de Adelina, Sylvia
Exposição individual Jovem Museu Jovem 16 a 30 de agosto de 2006
Barreto, Charles Mayer, Douglas
3 a 18 de agosto de 2005 Exposição coletiva de alunos da
Marques de Sá, Fernando Barreto,
Faculdade Dulcina de Moraes
Milton Ribeiro e Milan Dusek Carlos Praude, Entre telas
9 de maio a 4 de junho de 2006
Yurek Shabelewsk,: s/d Exposição de arte e tecnologia
Arte por toda parte’ 22 de agosto a 5 de setembro de 2006
Exposição documental sobre Criação infantil
o bailarino polonês
16 de agosto a 12 de setembro de 2005
2006 Exposição de alunos da
Biblioteca Infantil e Escolinha
Alice Maria Magalhães,
Mariposas
de Criatividade 104/304 Sul.
Exposição individual de pintura
16 a 31 de maio de 2006
Prabhu, Vislumbre Exposição permanente 5 de setembro a 1 de outubro de 2006
Exposição individual de do acervo
pinturas e desenhos 1 de janeiro a 23 de outubro de 2006 Gustavo Stephan,
Mafuá
1 a 15 de setembro de 2005 Terra e juventude
Exposição coletiva de Betty Bettiol,
Exposição individual de fotografias
Aline Essenburg, Cláudio Tovar, Ivald Granato, L.C.
2 de junho a 4 de julho de 2006
Miura, Kanji, cores e magia Inteiro aos pedaços Cruvinel, Rui Faquini e Percival Tirapeli,
Exposição individual de pinturas Exposição individual de fotografia 19 de setembro a 8 de outubro de 2006
19 de setembro a 4 de outubro de 2005 6 a 19 de fevereiro de 2006 Cristina Kozlowski e Liana
Kitsuta, Dueto: novas expressões
Leia na minha camisa
Exposição da dupla
VI Exposição Anual dos Folia Plástica Exposição coletiva em
4 a 30 de julho de 2006
Artistas Plásticos de Brasília Exposição coletiva promovida homenagem a Renato Russo
Exposição coletiva pelo Grupo Operação Plástica 11 de outubro a 12 de novembro de 2006
6 de outubro a 6 de novembro de 2005 11 de março a 18 de abril de 2006 Murilo Carrijo, Formas
e expressões urbanas
Artessários
Exposição individual de pinturas
Poética do ordinário: Nove Delei, Vista do Morro do Frota Exposição coletiva
31 de julho a 14 de agosto de 2006
visões transversais de Goya Pintura mural 85 a 17 de dezembro de 2006
Exposição coletiva de Eriene Abreu, 11 de abril a 11 de maio de 2006
Hermínia Metzler, Lúcia Azevedo,

74 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 75


Kasuo Wakabaiashi 2007 Cronologia de cursos
Exposição comemorativa aos
setenta e cinco anos do artista e eventos formativos
17 de outubro a 19 de novembro de 2006 Poética da Forma, Força da Cor
Exposição coletiva de
reabertura do MAB
Paulino Aversa
Exposição individual
16 de maio a 16 de junho de 2007 1985 1º Simpósio Brasiliense
de Arte/Educação
18 a 31 de outubro de 2006 Debate entre Lúcia Valentim, Ana
Mae Tavares Barbosa, Aarão Santana,

Sociedade de Artistas 2010 Administração de museu


e técnicas de arquivo
Terezinha Rosa Cruz e Hélène de Barros
16 a 19 de setembro de 1985
Plásticos de Brasília e documentação
Exposição Coletiva Curso ministrado por Papaiz Alvarenga
Gregório Soares, Facto
1 a 28 de novembro de 2006 Prazeres, Cordelia R Cavalcante e Amélia Toledo,
transeunte - MAB
Antonio Miranda, do Departamento Vanguarda Brasileira
Intervenção artística espontânea
de Biblioteconomia da UnB Palestra sobre a arte da vanguarda
Abril de 2010
26 a 28 de agosto de 1985 no Brasil, slides e visita ao cerrado
para estudo de estruturas
9 e 10 de outubro de 1985
2015 Manoel Viana, A Escola
Portuguesa de Belas Artes e o
expressionismo português Restauração e Conservação
Palestra de Acervos
Sérgio Costa Vincent,
3 de outubro de 1985 Palestra em convênio com o
epiderme Abandonados
Texas Conservation Center
contaminada Ensaio fotográfico no edifício em ruínas
carlos café 11 de outubro de 1985
Maio a junho de 2015 Arte Contemporânea, seus
contextos e seus métodos
Curso de extensão ministrado Flavio Caroli, Arte
Carlos Café, Epiderme
contaminada 2019 por Lêda Watson, Grace Maria
Freitas, João Evangelista Andrade
Contemporânea
Palestra em convênio com a
Exposição individual
Filho, Rogério Costa Rodrigues, Universidade de Bolonha sobre as
5 a 17 de dezembro de 2006
Zuleica N. da Silva, Orlando Luiz, tendências da arte contemporânea
Obra Arquivo MAB
Charles Mayer, Flávio Caroli italiana. Evento preparativo para a
Residência artística no
Walter Tomasi 10 de setembro a 12 de dezembro de 1985 exposição de Jovens Pintores Italianos.
edifício em reforma
Exposição individual de pinturas 22 de outubro de 1985
2019
5 a 17 de dezembro de 2006

76 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 77


Projeto Museu Escola I Ciclo de Estudos Artes Plásticas na América Sônia Paiva, A forma de cada um
Visitas guiadas e oficinas criativas com Estéticos de Brasília Latina - FLAAC Curso ministrado pela artista
alunos do 1º grau das redes de ensino Curso ministrado por mais de vinte Simpósio parte da programação Agosto
pública e particular do Distrito Federal professores com aparticipação do Festival Latino Americano
7/mar a 2 de dezembro de 1985 de sessenta alunos de Arte e Cultura. Palestra e
Flávio P. Castro
5 de agosto a 13 de novembro de 1986 projeção de slides sobre o acervo
Rebello, Serigrafia
do MAB e oficina de slow-scan
Curso ministrado pelo artista
1986 Alfonso Soto Soria,
14 a 18 de setembro
Agosto
Planejamento e desenho de
Exposição de Artesanato Projeto Arte Brasileira: Modulo
Ralph Gehre, Introdução
Projeto Museu Escola Curso V– Abstracionismo Geométrico I
a pintura pelo desenho
Visitas guiadas e oficinas criativas com 5 a 9 de setembro de 1986 Curso
Curso ministrado pelo artista
alunos do 1º grau das redes de ensino 29 de setembro a 29 de outubro
Agosto
pública e particular do Distrito Federal
28 de janeiro a 9 de fevereiro de 1986
1987
1988 Casimiro Gomes de Oliveira
Junior, Recriando o papel
Projeto Arte Brasileira:
Curso
Modulo I - Introdução Projeto Museu Escola
Outubro
Painéis mostrando reproduções Visitas guiadas e oficinas criativas de A pintura de Antônio Amaro
coloridas de cada período das desenho, pintura, cerâmica e expressão Debate
artes plásticas no Brasil corporal com crianças residentes na 27 de abril Criança – A arte de fazer arte
24 de junho a 31 de julho de 1986 Vila Planalto, duas vezes por semana Visitas guiadas e oficinas criativas
13/mar a 18 de novembro Outubro
Paulo Sayeg, Desenho,
Projeto Arte Brasileira: aguada e aquarela
Módulo II – Academismo Projeto Arte Brasileira: Curso ministrado pelo artista José Roberto Furquim,
Painéis contendo reproduções e Modulo III – Modernismo promovido por Betty Bettiol. Oficina de conservação
textos analíticos de obras dessa Curso 22 a 25 de junho Curso
fase da pintura brasileira 13 de janeiro a 5 de fevereiro Novembro
10 de setembro a 15 de outubro de 1986
Colonins visitam o MAB
Projeto Arte Brasileira: Visita e recreação com Ilustração no texto literário
Módulo IV – Anos 30-40 mais de seiscentos alunos e Mesa redonda com participantes
Curso supervisores da ASMEC 10 de novembro
23 de julho a 23 de agosto 9 de agosto

78 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 79


1989 Reinaldo Guedes Machado, 1994 1995
Leituras da obra de arte
Curso
O homem na arte no 7 a 17 de maio de 1990 Susan Bello, Pintura Cláudio Queiroz, Le Corbusier
tempo e no espaço Espontânea Palestra
Curso direcionado para Oficina 13 de abril de 1995
Susan Bello, Pintando
educadores de arte 25 de fevereiro a 6 de março de 1994
pelo olho interior
15 a 28 de fevereiro de 1989
Curso de arte-terapia Maria Cristina, Criar
20 de março a 22 de maio de 1990 Oficina com crianças de 9 a 15 anos,
Almir Mavignier, Cartaz, residentes da comunidade da Vila
idéia e visualização Planalto, duas vezes por semana.
Curso sobre artes gráficas
29 de agosto a 1 de setembro de 1989
1992 s/d

Manoel Martins, Preservação


Percurso I-II de bens culturais
1990 Curso de experimentação em pintura Palestra
com mais de 50 participantes s/d
1 de março a 30 de junho e
Marcus Lontra, Dos românticos 15 de agosto a 22 de dezembro
Minnie Sardinha, O que pintar
aos novos selvagens
Oficina com crianças da Vila Planalto
Palestra
Gisela Magalhães, s/d
8 a 31 de março de 1990
Montagem de exposição
Oficina
Marcus Lontra, A estética
do projeto moderno
29 de junho a 8 de julho de 1992
1996
Curso
Radha Abramo, Arte no Metrô
19 a 29 de março de 1990
Palestra e apresentação de vídeo Elder Rocha Filho e Sonia Paiva, Eu fui, vi e fiz
19 de novembro de 1992 Percurso III-IV Cursos para crianças e pedagogos
Estudo Multidisciplinar Curso de experimentação em pintura s/d
da Idade Média 7 de julho a 17 de julho e 13 de
André Lafetá, Pintura
Mostra de réplicas medievais do dezembro a 20 de dezembro de 1994
sobre seda
Museu do Louvre e considerações
Oficina experimental
sobre História da Arte
7 a 10 de dezembro de 1992
Maio de 1990

80 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 81


2005
Darlan Rosa, Esculturas em papel
Oficina com o artista
5 de março de 2005

Claudio Fontes, Oficina


Oficina com o artista
2 de julho de 2005

Criação coletiva
Oficina gratuita aos sábados
5 de março a 6 de novembro de 2005

2007
Diálogos no MAB
Curso de Vera Pugliesi com
participação de Bené Fonteles
18 de agosto a 29 de setembro de 2007

48. Visual interna do


MAB com exposição e
performance, s/d.

82 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 83


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86 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES O Museu de Arte de Brasília 87


A BELEZA ESTÁ
NOS DETALHES
A seguir serão apresentados alguns Essa era a história que eu sabia quando fui
episódios da vida e da carreira de Abel visitar Abel em sua casa em Olinda, onde
Carnaúba da Costa Accioly, o arquiteto me hospedei por dez dias, em outubro de
alagoano que, quase por acaso, projetou 2019. As horas de conversa se mostraram
o restaurante que virou o Museu de Arte mais interessantes do que o esperado, em
de Brasília. Resumidamente, Abel era grande parte devido também à simpatia
um jovem estudante de arquitetura que, e à memória sagaz da sua esposa Darcy
aos seus 21 anos de idade, decidiu inter- Virgínia. Ela, também pioneira de Brasília,
romper o curso na Escola de Belas Artes foi uma das primeiras secretárias da
de Pernambuco para vir para Brasília Novacap, chegada na cidade em 1957,
participar da construção da cidade. antes mesmo de Abel. Imagine a quan-
Como ainda não era formado, assumiu tidade de histórias. O casal, porém, não
o cargo de desenhista técnico na equipe chegou a ver o restaurante funcionando
do DUA - Departamento de Urbanismo e e nem mesmo sabia da sua transformação
Arquitetura da Novacap, naquela época em museu, apesar de, curiosamente,
coordenada pelo próprio Oscar Niemeyer. terem em sua casa o catálogo de uma das
Pode-se dizer que foi uma espécie de primeiras exposições montadas no MAB,
estágio heroico, afinal, se tratava de a Brasília Trilha Aberta (1986). Não tinham
projetar, detalhar e supervisionar a cons- ideia de como o catálogo tinha ido parar
trução de toda uma cidade sob a orien- ali – de fato a pequena biblioteca da casa
tação direta de um dos maiores nomes é cheia de livros sobre arte, arquitetura
da arquitetura no país. De fato, foi um e, claro, sobre Brasília.
importante e enorme trabalho assumido
por uma equipe de somente cem pessoas. A palavra que desponta é habilidade.
Várias das demandas passadas para Abel Hoje, aos seus 85 anos, Abel acumula os
extrapolavam as funções de um simples títulos de arquiteto, desenhista, maque-
desenhista técnico, sendo uma delas, tista, marceneiro e moldureiro, além de
49. Abel e Darcy Accioly justamente, a de se projetar o pequeno ter se aposentado como arquiteto restau-
em sua casa em Olinda, restaurante do Anexo do Brasília Palace, rador pelo IPHAN, em 2011. Pioneiro por
outubro de 2019. hoje nosso Museu de Arte de Brasília. excelência, durante vários momentos de

89
sua vida esteve no lugar onde as coisas
estavam começando a serem feitas, como A vida do arquiteto
é o caso de quando atuou em entidades
como o DUA da Novacap (1958-60), a
primeira versão do Conselho de Arqui-
tetura (1961), o heroico Ceplan da Univer- Primeiros anos Belas Artes de Pernambuco. Foi nessa
sidade de Brasília (1962-66), bem como época da faculdade que ele teve seu
Abel Carnaúba da Costa Accioly nasceu
a extinta Fundação Pró-Memória em primeiro contato com as artes plásticas
em 1936 em Viçosa, Alagoas. Passou sua
Olinda (1983-1990). e com alguns dos muitos amigos que, no
infância em meio às sacas e aos maqui-
futuro, se tornariam artistas, arquitetos
nários da Companhia Agromercantil
O seu principal local de trabalho, no e designers de renome. Alguns desses
Pedro Carnaúba, empresa fundada por
entanto, foi a sua própria residência. Abel participaram e influenciaram diretamente
seu tio-avô e uma das maiores na região
e Darcy mantêm há sessenta anos uma sobre o percurso de vida de Abel, como
no processamento de algodão. Lá, seu pai
oficina de marcenaria onde eles traba- é o caso do designer Aloísio Magalhães e
trabalhava como administrador e guar-
lharam juntos por toda a vida – primeiro do arquiteto Glauco Campello. O último,
dador de livros, nome dado à época para
confeccionando maquetes de arquitetura seu veterano no curso de arquitetura,
os tesoureiros das empresas. Sempre
e depois molduras para artistas. Se, de havia montado um escritório com Jorge
que possível, Abel fazia pequenas ativi-
um lado, o texto exaltará as virtudes de Martins Junior e Artur Lício Pontual e,
dades na marcenaria da fábrica, onde
Abel, de outro não pode deixar de regis- desde cedo, convidaram Abel para cola-
aprendeu a fazer brinquedos para si e
trar a sua enorme modéstia. Ele conserva borar em alguns dos projetos.
para outras crianças. Em 1950, aos seus
a quietude típica da pessoa acostumada
quatorze anos, foi estudar em um colégio
a resolver os pequenos detalhes, sem se A equipe se reunia no Recife, em um
interno na cidade de Garanhuns, Pernam-
gabar do fato de que eles são imprescin- antigo casarão da Rua Amélia, numa
buco. Um de seus orgulhos antigos é o
díveis para a execução das grandes obras. espécie de oficina coletiva intitulada
de ter reativado a pequena biblioteca da
Ateliê 415. Na mesma casa funcionava
escola. Além de buscar doações de livros
também O Gráfico Amador, uma pequena
no Recife, criou um pequeno jornal arte-
editora de livros artesanais fundada por
sanal com desenhos inspirados na revista
Gastão de Holanda, José Laurênio de
Tico-tico e nas ilustrações do cartunista
Melo, Orlando da Costa Ferreira e Aloísio
cearense Luiz Sá.
Magalhães. Aloísio, que veio a se tornar
um dos maiores nomes do design gráfico
A Escola de Belas Artes e da preservação do patrimônio cultural
50. Maquetes feitas por e O Gráfico Amador no Brasil, era o principal organizador e
Abel para o projeto do morador da casa, ocupando o sótão com
Palácio da Justiça, na Em 1953, Abel mudou-se para Recife o seu quarto e ateliê de pintura (LIMA,
Esplanada dos Ministérios. para cursar arquitetura na Escola de 1997). Abel, de tanto frequentar o casarão,

90 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 91


acabou também se mudando para lá em
1957. Gastão de Holanda assim descreveu
os dias de Ateliê:

Na casa da rua Amélia, 415, se não


me engano, duas janelas à margem
51. Aloísio Magalhães, José
da rua e portãozinho de ferro com
Laurênio, Orlando da Costa
campainha, funcionava o ateliê cole-
Ferreira e Abel Accioly no
tivo: O Gráfico [Amador] na sala da
Ateliê 415.
frente, exposto à curiosidade pública;
no que seria um quarto contíguo,
52. Casas geminadas nas
uma grande prensa litográfica que
quadras 700 da Asa Sul.
pertencia a Aloísio Magalhães. Na
sala de jantar ficavam os arquitetos
Glauco Campelo, Jorge Martins e de baixa tiragem. Membros associados à concluídas casas da W3 Sul e, a princípio,
Brasília
Artur Lício Pontual, que morreu lá editora eram frequentadores assíduos da Abel dividiu uma delas com o pernambu-
no Rio de Janeiro. Nas dependências, casa e duas noites por semana o grupo Foi por sugestão de Glauco Campello que cano Lúcio Estelita. Entre os novos vizi-
depois do que deveria chamar-se se reunia para momentos de produção, Abel participou do processo seletivo para nhos e parceiros de trabalho, estavam
cozinha, morava o arquiteto Abel discussão e farra, normalmente acompa- o cargo de desenhista técnico no DUA da também Athos Bulcão, Ítalo Campofiorito,
Carnaúba. Tinha habilidade para nhadas por uma macarronada preparada Novacap. À época, Glauco havia trancado Sabino Barroso, Nauro Esteves, dentre
fazer tudo; tudo [grifo da autora]. por Abel. Durante os seus sete anos de o curso de arquitetura na Escola de Belas outros.
Depois vinha o quintal, misteriosa existência (1954-1961), O Gráfico Amador Artes no Recife e se mudado para o Rio de
galeria noturna, com suas fruteiras e chegou a sessenta membros e publicou Janeiro em busca de novas experiências Como contou Abel, os arquitetos gozavam
seus morcegos. O sótão fora transfor- vinte e sete livros, constando autores de trabalho, em especial, algumas colabo- de certo prestígio, pois eram uma das
mado no ateliê de pintura de Aloísio como Ariano Suassuna, Carlos Pena Filho, rações no escritório de Oscar Niemeyer. poucas equipes que tinha direito a carro
Magalhães. Aí se papeava até depois Mauro Mota, João Cabral de Melo Neto e Sabendo da competência de Abel, Glauco e a motorista exclusivos. Além das idas e
de meia-noite, com cachaça ou sem, Francisco Brennand. sugeriu que ele fizesse as provas de vindas diárias ao escritório da Novacap,
mas sempre com o violão de Aloísio admissão no Ministério da Educação também aproveitavam o transporte nas
(apud CRENI, 2013). Apesar de não ter sido um membro oficial, no Rio de Janeiro, como de fato fez e foi horas vagas para visitarem as festas na
Abel participava de várias das atividades e aprovado. Toda a equipe de arquitetos e Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante.
Além de funcionar como uma oficina foi o responsável pela elaboração da capa desenhistas selecionados diretamente Glauco Campello relembrou os velhos
de experimentação editorial, O Gráfico do livro Ciclos de Carlos Drummond de por Niemeyer se mudou para Brasília a tempos em depoimento ao Programa de
Amador foi um importante ponto de Andrade, lançado em 1957 e composta partir de agosto de 1958. História Oral do Arquivo Público do DF:
encontro da vanguarda artística recifense. com ilustrações do amigo Reynaldo
Uma prensa manual e uma fonte de tipos Fonseca. A tiragem foi de somente Ao chegarem na cidade, os arqui- Era um período chuvoso de modo que
eram usadas para a produção de livros noventa e seis exemplares (CRENI, 2013). tetos foram encaminhados às recém- em volta era verde e aquela imensa

92 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 93


de um projeto para uma escola-classe e
de um plano de arruamento para a Super-
quadra 207 Sul (1960), ambos, porém, não
executados (MACHADO, 2007). Curiosa-
mente, Abel também foi responsável pelo
desenho de um longo Pavilhão de Expo-
sições projetado por Oscar Niemeyer em
53. Abel Accioly em pé 1960, encontrado no acervo do Arquivo
na prancheta à direita, Público do DF. O projeto, também não
nos ateliês de projeto da construído, supostamente era localizado
Novacap, 1957/1959. na Zona Militar do Eixo Monumental.

54. Glauco Campello, Athos Outra interessante tarefa refere-se


Bulcão e Abel Accioly ao auxílio prestado no projeto para a
na Capela do Palácio da fachada do Teatro Nacional. O belo painel
Alvorada, 1957/1959. volumétrico assinado por Athos Bulcão
teve a colaboração direta de Abel, que
confeccionou uma série de maquetes
clareira vermelha, com meia dúzia de indispensável no desenvolvimento
No breve período que atuou na Novacap, do prédio e preparou pequenos blocos
casas, eram as casas da W3 recém- do nosso trabalho. Mas naquele tempo
Abel colaborou em diversos projetos, e cubos para que Athos pudesse definir
-construídas pela Caixa Econômica felizmente eu mergulhei com entu-
tanto na concepção arquitetônica, na a composição final da fachada. Os dois,
pra justamente para abrigar os siasmo naquela espécie de missão e
confecção de maquetes, quanto na a propósito, preservaram desde então
funcionários, sobretudo os técnicos dedicava praticamente a minha vida
elaboração dos detalhamentos técnicos. uma longa amizade, vendo-se na casa
da Novacap que ia então começar a àquilo. (CAMPELLO, 1989).
A última atividade acabou por se tornar a de Abel diversos quadros e esculturas
acompanhar o trabalho in loco (...).
sua especialidade na equipe: “Eles viram presenteados pelo artista. Na foto ao
De manhã tomávamos uma condução O DUA funcionava em galpões provisó-
que eu funcionava, aí me davam de tudo... lado, parte do álbum da família, veem-se
coletiva, eram algumas caminhonetes, rios localizados perto das construções
Antigamente praticamente não tinha Glauco, Athos e Abel no interior da Capela
ou era um pequeno caminhão que do Congresso Nacional e da Praça dos
detalhe nenhum, e eu desenhava tudo. do Palácio do Alvorada, local para onde o
nos levava a um barracão instalado Três Poderes. Além dos ateliês de projeto,
O próprio Congresso, cada ponta tinha artista estava elaborando um painél com
ao lado da Praça dos Três Poderes. com amplas pranchetas para dese-
um detalhe. De certa maneira, eu fiquei suas pinturas.
Passávamos o dia trabalhando nos nhos técnicos, os escritórios contavam
especializado”.
projetos ou visitando as obras (...). também com uma sala de maquetes,
Mas Brasília não significou para Abel
Acho que depois, assim, ao longo do coordenada pelo francês Louis Dimanche
Dentre os projetos de sua autoria, desta- somente trabalho. Em suas muitas idas
desenvolvimento de minha atividade, (DIMANCHE, 2011). Foi com ele que Abel
cam-se principalmente os planos arquite- ao Departamento Imobiliário da Novacap,
foi uma coisa árdua fazer a auto- tomou gosto pelo maquinário e veio a ser,
tônicos e urbanísticos para o Restaurante conheceu Darcy Virgínia da Costa, a
crítica desse período de formação, pouco a pouco, conhecido também como
do Anexo do Brasília Palace (1959), além jovem secretária e taquígrafa por quem se
que acho eu, é também uma coisa um exímio maquetista.

94 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 95


de Brasília. O projeto ainda não tinha Campofiorito havia sido preso e levado
forma e nem lugar. O momento era de para o Quartel General do Exército, onde
grande instabilidade política e, em agosto Darcy frequentemente o visitava. “Oscar
de 1961, quase em meio à renúncia de só não foi preso por que era famoso, por
Jânio Quadros, foi aprovada a lei de que era o Oscar Niemeyer”, conta Darcy.
criação da UnB (CAVALCANTE, 2015).
Nasceu então o Centro de Planejamento
A corrida para Olinda
da Universidade de Brasília - Ceplan,
órgão responsável pelo projeto e pela Abel e a família chegaram em Pernambuco
construção da infraestrutura de todo o em 10 de dezembro de 1966, indo morar
campus. Lá, Abel assumiu novamente o inicialmente em um casarão histórico na
cargo de desenhista técnico e desen- Rua São Bento, em Olinda. Naquela época,
volveu vários detalhes construtivos, a infraestrutura urbana da cidade era
muitos deles solicitados diretamente extremamente precária, com vários locais
apaixonou. O primeiro encontro român- Arquitetura - CAU, o qual era, naquele 55. Darcy Virgínia Accioly
por José Filgueiras Lima, o Lelé. “Aquele sem disponibilidade de calçamento, de
tico dos dois foi nos salões do Brasília momento, composto somente por eles, em Brasília.
lá também gostava de detalhes”, Abel água encanada e até mesmo de energia
Palace Hotel, no baile de carnaval orga- o advogado Gontijo Mendes e a secre-
relembra. elétrica. Com os imóveis a preços acessí-
nizado em fevereiro de 1959. Se casaram tária Maria Luiza. Nesse período, foram 56. Os pequenos Felipe
veis, viu-se uma verdadeira “corrida pra
em outubro daquele mesmo ano. Darcy elaborados os projetos para o Banco de Campello, Sergio Accioly,
Em dezembro de 1966, Abel e Darcy Olinda” e um grande número de artistas
tinha dezoito anos e Abel vinte e três. Os Desenvolvimento Econômico e para o Iate Ivan Accioly e Gabriela
deixam Brasília levando somente o que transferiram para lá as suas casas e os
três filhos do casal, Sérgio, Ivan e Miguel, Clube da Pampulha, ambos encomen- Campello na frente de uma
coube no carro da família, em espe- seus ateliês. Tais circunstâncias foram
nasceram na Capital. dados por Juscelino Kubistchek em seus casa geminada da W3 Sul.
cial as ferramentas e os maquinários perfeitas para que Abel e Darcy come-
últimos meses de mandato. Percebe-se
da oficina de maquetes. Apesar de não çassem a se dedicar a um novo nicho de
Em 1960, depois da inauguração da que Abel era a principal força-tarefa para
terem tido vínculo com o partido comu- mercado: além das maquetes, passaram
cidade, Abel decide pedir demissão do o desenvolvimento técnico dos projetos,
nista, ficaram amedrontados pela trucu- também a confeccionar molduras, chassis
DUA e passa a trabalhar autonoma- muitas vezes a ele inteiramente dele-
lência da Ditadura Militar e se mudaram e embalagens para obras de arte. Foi a
mente. Além de supervisionar as obras gados após rápidos esboços de Niemeyer:
para o Pernambuco, onde Abel veio fina- partir desse período que eles conviveram
de execução da sede do Banco do Brasil, “Os projetos de Oscar, muitas vezes, eram
lizar os estudos em arquitetura. Dentre diariamente com artistas de renome
projeto de autoria de Ary Garzia Roza, rabiscados num guardanapo e ele me
as situações de violência assistidas no local e internacional, entre eles Maria
monta na garagem de casa uma pequena dava aquilo para eu desenvolver. Devia
último período na Capital, narram as Tomaselli, José Cláudio, João Câmara,
oficina para a confecção de maquetes. A ter guardado”, ele conta.
frequentes invasões às casas dos funcio- Guita Charifker e Cícero Dias, com os
atividade lhe rende várias encomendas,
nários da Novacap, principalmente na quais cultivaram longa amizade. Os três
executadas por ele e por Darcy. Foi ali nos escritórios temporários do
residência do vizinho Walter de Souza primeiros, além de clientes da moldu-
CAU, na Esplanada dos Ministérios, que
Ribeiro, integrante do Partido Comunista raria, também contrataram Abel para os
Já no ano seguinte, Abel volta a cola- o educador Darcy Ribeiro se encontrava
e considerado “desaparecido” em 1974. projetos de construção ou de reforma de
borar com Niemeyer como seu assistente com a pequena equipe para tratar dos
Além de Walter, também o colega Ítalo seus ateliês em Olinda.
direto na primeira versão do Conselho de preparativos da criação da Universidade

96 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 97


Um dos primeiros clientes da moldu- Carnaúba, de Olinda, que projetou
raria foi ninguém menos que o gravurista o ateliê de José Cláudio dentro de
Gilvan Samico, amigo e, na época, vizinho padrões de iluminação que permite
de rua do casal. Abel projetou para ele a luz natural o dia inteiro, com aber-
um novo tipo de sistema que impedia o turas na parede para passar telas
contato do vidro com o frágil papel de de grandes formatos. Abel também
arroz que normalmente era utilizado pelo projeta e confecciona molduras para
artista, impedindo assim que a umidade vários artistas, além de embalagens de
danificasse a gravura. A técnica passou todo tipo. Ele pioneiro, muito anterior
posteriormente a ser aplicada também a Marcelo, está aqui há pelo menos
por Marcelo Samico, filho de Gilvan, quatro décadas (CÓRDULA, 2013, p.
que, além de artista, também se tornou 119-20)
exposto no Museu de Arte Moderna de
moldureiro. A importância de Abel e
São Paulo, em 1985 (MAM/SP, 1985).
desse tipo de atividade no setor produ- As molduras e chassis confeccionados
tivo de Olinda foram bem pontuadas no por Abel eram feitos sob medida, com
Outra bela homenagem refere-se a
livro Utopia do olhar (2013), de autoria do madeiras nobres como o mogno e a
uma pintura feita pelo icônico Bajado,
pintor e crítico de arte Raul Córdula: canela. Não demorou para que ele ficasse
artista muralista de Olinda que retratava
conhecido em Olinda por resolver vários
diversas cenas carnavalescas da cidade
A cadeia produtiva das artes visuais tipos de problemas: além do sistema de
e, dentre elas, o bloquinho fundado por
em Recife-Olinda se define muito moldura confeccionado para Samico,
Abel e por amigos intitulado Inocentes de
bem: é uma fonte de recursos para os ele também desenvolveu um modelo de
Pau Amarelo.
artífices, especialmente os carpin- chassi de largura regulável, com o qual
teiros de telas e molduras que vivem era possível esticar mais um pouco telas
Como era de se esperar, muitos dos
e trabalham nestas cidades gêmeas que tivessem cedido após terem sido
clientes e amigos presenteavam Abel e
onde vivem tantos artistas e com seus pintadas. Uma solução de fato simples,
Darcy com várias de suas artes, fazendo
ateliês e oficinas criativas. Exemplo mas engenhosa, com direito a um belo
do acervo da família uma coleção e tanto:
eloquente é o de Marcelo Peregrino desenho técnico.
57. Projeto de Abel para consórcios com sorteios mensais de além dos artistas anteriormente citados,
Samico, por exemplo, além de pintor
chassi de pintura regulável. obras para empresas e gabinetes de também compõem a mapoteca do casal
e xilogravador, é moldureiro e gale- Darcy, por sua vez, era a principal
políticos do Recife. Dentre os artistas nomes como Luciano Pinheiro, Marcelo
rista (...). Pouco se percebe mesmo os responsável pelo manuseio das telas e
58. Abel Accioly, pintura que participaram, temos João Câmara, Grasmann, Delano, Manezinho Araújo,
seus moradores, que em Olinda existe das gravuras, ficando as atividades de
dobrável de Maria Gilvan Samico, José Claudio, Guita Chari- Kennedy Bahia, Thereza Carmem, Amaro
uma economia estruturada nestas corte e de montagem a cargo de Abel e
Tomaselli, 1985. fker, Miguel dos Santos, Aldemir Martins, Francisco, J. Borges, Aprígio Fonseca,
atividades. Não me refiro à arte e ao dos aprendizes da oficina. Empreende-
Reynaldo Fonseca, Tereza Costa Rêgo e Augusto Rodrigues, José de Moura,
artesanato, mas aos ofícios que os dora por natureza, em 1974 ela decidiu
Maria Tomaselli. A última, a propósito, Adelson de Oliveira, Tiago Amorim,
tornam viáveis e facilitam a vida dos vincular a atividade da molduraria com
homenageou Abel dando o seu nome a Edmilson Vasconcelos, George Barbosa
artistas. Falo de arquitetos como Abel a venda de obras de arte, organizando
um de seus quadros dobráveis, que foi e até mesmo um Picasso.

98 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 99


59. Darcy Accioly em frente
à oficina de maquete de sua
casa, s/d.

60. Vista interna da casa


de Abel e Darcy Accioly,
mostrando guarda-pó
suspenso, 2019.

61. Painel de azulejos


elaborado por José Cláudio
no banheiro da casa de Abel
e Darcy Accioly em 1976.

A casa ótima estratégia climática contra as altas


temperaturas nordestinas. A estrutura
Em 1970, depois de morarem por um original do telhado em madeira Tatajuba
breve período no Bairro Novo, a família foi mantida aparente em toda a extensão
comprou uma antiga vacaria desativada, da casa, sem a instalação de forros. Para
localizada nos fundos do Convento de proteger as mesas e as camas das suji-
Nossa Senhora do Monte, no alto de dades das telhas, Abel instalou estruturas
Olinda. Toda a infraestrutura existente, suspensas em metal e acetato, chamados
que havia sido construída em 1900, foi, guarda-pó, que compuseram a decoração
aos poucos, reformada e adaptada para rústica dos cômodos.
dar espaço à casa, ao ateliê de projeto e à
enorme oficina de maquetes e molduras. Por muitos anos, a casa da família foi um Passados cerca de cinquenta anos, a casa
ponto de encontro de muitos amigos sofreu algumas modificações: além da
O projeto de Abel manteve a volume- artistas e arquitetos, seja nos chur- diminuição da oficina, para dar espaço
tria original dos estábulos, completando rascos nos finais de semana, quanto nos a novos cômodos para agregados da
em altura a maior parte das muretas de dias de produção. Darcy relembra que a família, o antigo ateliê de projeto foi
contenção dos animais e transformando artista franco-brasileira Marienne Peretti, transformado em quarto para hóspedes.
os locais de depósito de ração em largas moradora de Olinda até hoje, concebeu O banheiro social da casa conserva
jardineiras. A distância entre o frechal parte do design dos vitrais da Catedral o painel de azulejos pintado por José
e o telhado foi mantida para garantir a de Brasília no ateliê da casa deles, que Cláudio em 1973, com o auxílio de Abel e
livre circulação de ar em toda a casa, dispunha de grandes pranchetas. Darcy, que também assinam a obra.

100 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 101
pesquisa do artista, contando com pé
O ateliê de José Claudio
direito duplo e amplas janelas. À prin-
No início dos anos 70, Abel convenceu o cípio, um mezanino interno dividiria o
amigo e pintor José Claudio a comprar ateliê do restante das áreas privativas da
um terreno vizinho ao seu, no bairro casa, porém, ao longo dos anos, a cons-
Monte de Olinda. Assim como Abel, ele trução sofreu adaptações e as funções
vive e trabalha lá até hoje. Gentilmente, acabaram se integrando.
ele e sua família me receberam para um
café e uma conversa, cujas falas de José Aqui era pra ser só o ateliê e a casa
Claudio serão transcritas a seguir. Ele ia ser construída pra lá. Mas eu não
contou, especialmente, sobre o papel tinha dinheiro e demorou tanto, que
imprescindível de Abel na realização de os meninos casaram e foram embora
sua casa e ateliê. O arquiteto, mais do que e ficou quarto sobrando. Então aqui
convencê-lo a comprar o lote, na verdade, embaixo ficou sendo a casa também. E
chegou a preencher toda a papelada da o depósito de quadro virou a cozinha.
compra para que José Claudio somente
pagasse o carnê. O artista, porém, sem Sabendo das dificuldades financeiras de
perspectivas econômicas de conseguir José Claudio, Abel optou por uma cons-
construir, tentou então vender o terreno. trução lenta e gradual, valendo-se de um
A sabotagem de Abel fez com que não único pedreiro encarregado. Além disso,
“aparecessem” interessados: usou materiais acessíveis e reutilizados,
tais como a escada feita com restos de
Ele resolveu que eu tinha que fazer andaimes, atualmente substituída por
uma casa. Aí apareceu esse terreno, uma em madeira, e o telhado reaprovei-
que ninguém queria... Aí ele comprou tado de uma antiga maternidade. O piso
em meu nome e chegou com um carnê da casa, fabricado por Francisco Bren-
aqui pra eu pagar. Mas era tão barato nand, foi doado pelo ceramista após
que eu paguei. Depois que eu terminei sua visita às obras, a convite de Guita
de pagar, eu disse “eu vou vender esse Abel então projetou e coordenou a cons- 63. Fachada da casa e ateliê Charifker. José Claudio fala sobre a “saga”
terreno. Não vou poder construir casa trução de toda a casa-ateliê para o amigo, de José Cláudio no bairro de Abel:
mesmo...”. Aí coloquei uma placa, falei de início programada em duas etapas. A Monte de Olinda, 2019.
com o corretor... Aí o corretor disse fachada frontal é uma espécie de pavilhão Ele próprio com o resto de tijolo que
que toda vez que ele levava um cliente avarandado, de linhas simples como as 64. Visual interna do ateliê tinha em casa fez um quartinho aqui
lá, a placa tava arrancada e tinha um do projeto do Park Hotel de Lucio Costa, de José Cláudio no bairro e começou a descobrir lugar pra
homem que dizia que o terreno não em Nova Friburgo. O volume principal Monte de Olinda, 2019. comprar coisas baratas. Esse telhado
tava a venda não. Era Abel. foi destinado às áreas de produção e foi de uma maternidade, nunca mais

102 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 103
existiu uma telha igual a essa (...).
Tudo mais aqui foi comprado assim,
de resto de construção, sabe. Engra-
çado, eu até pensava em escrever
como foi. Sete horas da manhã, todo
dia, ele tava aqui com o pedreiro, um
pedreiro só.

José Claudio e a família se mudaram para


a casa em meados de 1977. Por muitos
anos em construção, a primeira e a prin-
cipal área de permanência sempre foi
o ateliê, onde ainda hoje se encontra a
grande mesa de refeições da família. A
conversa e o café terminam com José
Claudio enaltecendo o trabalho anônimo
de Abel, seja tanto na realização de sua
própria casa, quanto também na cons- 66. Painel de João Câmara Cícero Dias desenvolveu duas grandes memorial póstumo de personagens
trução de importantes monumentos: no Panteão da Pátria, em e vibrantes pinturas que retrataram os importantes da história do Brasil. Além da
Brasília, 2010. principais episódios do martírio de Frei pintura de João Câmara, Oscar Niemeyer
Se não fosse Abel eu não tinha cons- Caneca durante as revoluções pernam- também encomendou um painel de Athos
truído essa casa não, eu devo essa bucanas de 1817 e de 1824. Abel foi encar- Bulcão e vitrais de Marienne Peretti.
casa a ele. Agora ele não gosta que eu regado da confecção das doze telas que
diga isso não. Ele também não gosta compõe cada uma das obras, além do A grande pintura de João Câmara foi
Colaborações com artistas
que diga que ele resolvia os problemas transporte e da instalação no saguão de concebida em sete partes, cada uma
de Niemeyer. Niemeyer riscava uma Abel colaborou na montagem de três 65. Díptico de Cícero Dias acesso ao edifício. O díptico é formado narrando um importante episódio da
porta de 12 metros mas não sabia grandes painéis de arte. O primeiro, de na Casa da Cultura, no por duas telas de dimensões totais de 6,0 Inconfidência Mineira, tais como a morte
como ia funcionar, sabe. Era Abel que autoria de Cícero Dias, foi instalado em Recife, 2020. por 4,50 metros cada. do poeta Manoel da Costa, o falso julga-
quebrava a cabeça pra bolar um jeito 1983 na Casa da Cultura de Pernam- mento dos inconfidentes e, por fim, o
dessa porta funcionar. Niemeyer não buco, um centro de artesanato fundado Três anos depois, em 1986, Abel foi enforcamento e esquartejamento de
pegava numa régua... Abel é desses na antiga Casa de Detenção do Recife. chamado por João Câmara para auxiliá-lo Tiradentes. O painel se encontra numa
caras que tem um trabalho subter- Erguido em 1867, o edifício neoclássico na montagem do painel Inconfidência grande sala escura no pavimento supe-
râneo importantíssimo. Ele não passou em 1976 por um amplo restauro, Mineira, no Panteão da Pátria, que estava rior do Panteão da Pátria, em frente ao
aparece, mas foi ele que fez tudo, ele coordenado pela arquiteta Lina Bo Bardi sendo inaugurado em Brasília. Localizado Livro de Aço, onde constam os nomes
que tornou possível. Eu apenas disse a e por Jorge Martins Junior, coincidente- aos fundos da Praça dos Três Poderes, das personagens homenageadas pelo
ele que queria uma casa bem comum. mente, colega de Abel no Ateliê 413. o edifício foi construído para servir de monumento.

104 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 105
esconde uma engenhosa estrutura que
O IPHAN e o Pró-Memória
“corrige” esta curva. Pintei os módulos
no meu atelier em Olinda. Subir e Em 1979, o IPHAN foi dividido em dois
descer as peças, enormes e pesadas, órgãos distintos, um responsável pelas
até o estúdio, no primeiro andar, foi funções normativas e outro pelas funções
também uma operação de engenharia executivas do Instituto, sendo eles,
para o “Super-Abel” (CÂMARA apud respectivamente, a Secretaria do Patri-
LEAL, 2005, p. 16). mônio Histórico e Artístico Nacional
(SPHAN) e a Fundação Nacional Pró-Me-
Foi durante a montagem do painel no mória (FNPM). Aloísio Magalhães, amigo
Em 2004, João Câmara convidou nova-
aeroporto dos Guararapes que Abel caiu de Abel desde os tempos do Gráfico
mente Abel para uma segunda cola-
de um andaime e machucou gravemente Amador, foi nomeado o primeiro presi-
boração, ainda maior: a instalação do
o joelho, rendendo-lhe cirurgias, uma dente dos dois órgãos. Durante a sua
grande painel Cinco Continentes, no
cicatriz na perna e um certo desconforto gestão, foram encaminhadas as primeiras
saguão de embargue do Aeroporto Inter-
que enfrenta ainda hoje ao caminhar. inscrições brasileiras à lista do Patri-
nacional dos Guararapes, no Recife.
Delano, artista que também participou mônio Mundial da Unesco, a começar
das instalações do painel, narrou poetica- por Ouro Preto, reconhecida em 1980,
O conjunto de obras homenageia a
mente o episódio da queda de Abel, trans- seguida pelas ruínas de São Miguel das
aviação brasileira através de represen-
crito a seguir. Por coincidência, Delano Missões, em 1981, e por Olinda, em 1982.
tações de Ícaros de diferentes etnias.
faleceu em 2010 após uma queda em casa.
Serviço árduo, a pintura foi composta
Foi no ateliê de Abel que Aloísio desen-
de dez módulos de 3,40m de altura por
Do começo ao fim. Tudo organizado, volveu parte da documentação da candi-
2,0m de largura cada. Além de Abel, na
cronometrado, mentalizado em seus datura do centro histórico de Olinda,
instalação da obra, João Câmara contou
detalhes, nos menores movimentos, na qual constava um belo conjunto de
também com o auxílio dos artistas Delano
pois, sim, o trabalho é pesado (mais onze litogravuras feitas por ele. Aloísio
e José Carlos Viana. O grande desafio
de cinco arrobas, cada módulo). faleceu repentinamente na Itália, em
técnico era instalar o enorme painel malucas. Ele tem construído para 68. Painel e croquis de
Cuidados com acidentes de trabalho 1982, durante a viagem em que apresen-
nas paredes curvas do saguão, sobre as mim chassis e suportes, além da projeto de João Câmara
e de percurso. Dores nas costas, arra- taria o dossiê ao Conselho do Patrimônio
quais Abel bolou uma estrutura em ferro maioria dos objetos que desenvolvo. para o Aeroporto de Recife.
nhões, machucados e fraturas. Teve, Mundial, em Paris. Apesar do ocorrido,
galvanizado para planificar as superfí- Para o painel do Aeroporto, ele criou
sim, que é coisa de trabalho grande toda a documentação chegou ao seu
cies. Em entrevista dada à revista Conti- também a fixação invisível dos Ícaros.
e a maldição do Faraó sempre acon- destino e Olinda foi inserida na lista da
nentes (2005), João Câmara lhe dá muitos Eu quis que eles estivessem suspensos
tece. Abel que o diga. Já na fase da Unesco naquele mesmo ano.
créditos: em ângulo, nascentes da face do
montagem, foi atingido num joelho.
painel, sem amarras, cabos ou hastes
Recuperou-se (DELANO apud LEAL, Em 1983, a convite do arquiteto Vital
Trabalhei, como faço há anos, com que aparecessem. Abel executou os
2005, p. 19). Pessoa de Melo, Abel passou a integrar
Abel Accioly, arquiteto e mestre em suportes, fez a instalação da obra.
o escritório técnico do Pró-Memória
madeira, ferro, alumínio e invenções A parede de fundo é curva. O painel

106 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 107
em Olinda. Lá, colaborou em diversos dele, Abel aceitou dessa vez coordenar
projetos, principalmente acompanhando a Superintendência Regional do IPHAN
e coordenando equipes terceirizadas em Recife, local onde trabalhou até a sua
em obras de restauro e de renovação de aposentadoria, em 2011.
bens tombados. O primeiro canteiro de
Abel foi o da Igreja da Nossa Senhora do O trabalho na Superintendência Regional
Carmo, uma verdadeira porta de entrada era principalmente de cunho burocrá-
da cidade. A Igreja foi a primeira criada tico e administrativo, incumbências
pela Ordem dos Carmelitas em toda que renderam a ele muita saudade das
a América Latina e fazia parte de um épocas nos canteiros de obra. Dentre os
grande convento construído em 1580, muitos pareceres que emitiu, destaca-se
hoje demolido. O escritório técnico a sua contribuição em 1997 no derradeiro
funcionou na própria Igreja do Carmo por tombamento federal do Pavilhão Luiz
alguns anos, antes de se transferir para Nunes, em Recife. O edifício, construído
o casarão avarandado da Rua do Amparo, em 1937, pode ser considerado o primeiro
onde funciona até hoje. exemplar da arquitetura modernista
brasileira e até então era tombado apenas
Durante o período no Pró-Memória, a nível regional (SILVA, 2012). Sobre o
destaca-se seu empenho na restruturação período, Abel citou também a realização
do teto do Convento de Santa Tereza, do pequeno jornal Memória Viva, produ-
que, sob risco de desabamento, chegou zido e distribuído pelo IPHAN recifense
a ser içado para que os componentes durante o ano de 1997, confirmando a sua
comprometidos fossem substituídos. Abel simpatia pela linha editorial.
69. Darcy no interior da
também participou das restaurações da
Igreja da Nossa Senhora do
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Quando questionado sobre possíveis
Monte, 2019.
Homens Pretos, da Academia Pernam- correções e acréscimos em sua biografia,
bucana de Letras e, por fim, da portada Abel pediu pela inclusão do nome de
70. Abel em frente à
da Igreja da Nossa Senhora do Monte, Galeno, pedreiro encarregado pelas
portada da Igreja da Nossa
vizinha à sua casa, onde ele e Darcy me obras da Igreja do Carmo e do ateliê de
Senhora do Monte, 2019.
levaram pessoalmente. Zé Claudio.

Em 1990, a Fundação Pró-memória tinha volta a ser chamado de IPHAN. Naquele Hoje, aos seus 85 anos, Abel passa dias
sido novamente fundida à Sphan, sob nova mesmo ano, assume a presidência do tranquilos em companhia de sua esposa
denominação de Instituto Brasileiro do órgão o amigo Glauco Campello, o mesmo Darcy e, há pouco, iniciou o projeto de
Patrimônio Cultural (IBPC). O novo título que havia convencido Abel a participar uma casa para o neto, que será construída
durou pouco tempo e em 1994 o Instituto da construção de Brasília. Por insistência na mesma rua que a sua.

108 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 109
MENEZES, Diogo. O ofício de transformar madeira e pó em arte. Jornal JC. 21 jan 2012.
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MELLO, Evaldo Cabral de. O martírio de frei Caneca, pelo olhar de Cícero Dias. Revista de História da
Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, edição n° 24, set 2007.

110 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES A beleza está nos detalhes 111
Inconclusões

Essa publicação, patrocinada pelo Fundo Ao levantar os primeiros depoimentos


de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e documentos sobre o MAB, porém, me
é a apresentação dos primeiros resul- deparei com memórias importantes que
tados de uma pesquisa de doutorado se encontravam dispersas e setorizadas.
que está em andamento e, portanto, Cito como exemplos o registro da própria
as conclusões aqui apresentadas serão existência dos Anexos do Brasília Palace
preliminares. O objetivo geral foi o de se Hotel; a autoria do projeto para o restau-
fornecer conhecimentos de base sobre rante, assim como os talentos de seu
a história do edifício, da instituição e do arquiteto; as peculiaridades históricas e
território do Museu de Arte de Brasília urbanísticas do território; além das intri-
para diferentes públicos, sejam gestores, gantes circunstancias da fundação e da
artistas, arquitetos, educadores, e, claro, subsistência da instituição do museu. A
a população em geral. Foi por esse motivo reunião e a organização dessas informa-
que a narrativa foi apresentada na forma ções justificaram, então, a alteração dos
de fragmentos multidisciplinares com objetivos da pesquisa para um enfoque
cronologias não lineares. Poeticamente essencialmente historiográfico, o que,
falando, foram dadas as peças para que por sua vez, dará bases para o desenvolvi-
cada leitor possa montar sozinho o seu mento daquele primeiro e de outros tipos
próprio mosaico. Dito isso, farei algumas de estudos. Eis então o convite às pessoas
considerações que espero sejam úteis, que possam contribuir fornecendo regis-
especialmente em vista da esperada tros que venham a complementar, enri-
reabertura do MAB, prevista para o início quecer ou mesmo contradizer os fatos
de 2021. aqui apresentados. Afirma-se o grande
interesse por fotografias, flyers, notí-
À princípio, essa pesquisa partiu do inte- cias, projetos e demais documentos que
resse pessoal pelas complexas temáticas ajudem a compor o inventário iconográ-
do reuso adaptativo de edifícios histó- fico que está sendo reunido e que, no
ricos, especialmente quando transfor- momento oportuno, será compartilhado
mados em equipamentos culturais. Assim, com o público.
71. Interior do MAB durante lá em 2015, no início do estudo, as ruínas
as etapas finais da reforma, de um museu modernista em Brasília me O tipo de resgate da pesquisa se mostra
julho de 2020. pareceram ótimos objetos de análise. especialmente necessário em razão da

112 MAÍR A OLIVEIR A GUIMAR ÃES 113


profunda crise política e econômica equipamentos culturais parece não gerar
em que se encontram, há décadas, as transtornos tão visíveis assim, e as suas
instituições culturais do Brasil. Não reformas acabam adiadas durante anos,
foram só chamas que há poucos anos em meio a retrabalhos de várias equipes
destruíram um dos mais importantes de servidores. Como visto, foi o caso do
museus históricos do país, mas também Museu de Arte de Brasília, fechado há
uma profunda desvalorização simbó- mais de treze anos. Como ele, também
lica das nossas organizações de arte e temos o Teatro Nacional, interditado há
de educação, retroalimentada pela falta sete anos, e a Biblioteca Demonstrativa,
de destinação de recursos humanos e interditada há seis. Até pouco tempo
materiais. Apesar de toda complexidade atrás, o mesmo acontecia com o Centro
econômica e administrativa que envolve de Dança, com o Espaço Cultural Renato
essas questões, o reconhecimento da Russo e com o Espaço Oscar Niemeyer,
cultura nacional passa necessariamente reabertos após mais de cinco anos sem
pela produção e pela divulgação de sua funcionamento. Por isso a oposição
história. Não se valoriza e não se protege crítica de tantos setores ao receberem a
aquilo que não se conhece. Diga-se de notícia da intenção do GDF de se cons-
passagem, tal sucateamento ampliou-se truir um Museu da Bíblia, com uma esti-
a ponto de ameaçar a principal instituição mativa de orçamento parlamentar da
federal responsável pela salvaguarda do ordem de vinte e cinco milhões de reais.
patrimônio brasileiro, o IPHAN, que vem Sem falar no nítido desvio de princípio
sofrendo intervenções políticas. do “Estado Laico”.

No âmbito da administração local, os Além da ausência de uma cultura


investimentos necessários para a preser- de manutenção, vemos também um 72. Placa de sinalização do subsolo do prédio, quesito péssimo para fator que impôs os principais desafios
vação dos inúmeros bens culturais de problema de falta de cultura de projeto, MAB, s/d. a conservação e a segurança de qualquer na elaboração do atual plano de reforma,
Brasília ainda não foram devidamente especialmente no caso dos “museus tipo de acervo, seja tanto pela umidade, levando, após décadas de impasses, à
dimensionados. A falta de manutenção modernistas”. Vários empecilhos funcio- quanto pelas dificuldades de resgate dispendiosa e dramática solução de se
continuada é um problema sistêmico nais que o MAB enfrentou no prédio do durante possíveis incêndios e alaga- escarvar o terreno ao redor do prédio
que atinge desde as esculturas e arqui- Anexo provavelmente também teriam mentos. O equívoco talvez não tenha para conseguir levar mais ar e luz ao seu
teturas icônicas até as construções mais ocorrido caso aquele primeiro Museu sido percebido naquela época, em que subsolo. A estratégia é efetiva a partir do
utilitárias da cidade. O maior exemplo de Arte de Brasília, projetado em 1959, nasciam os primeiros museus de arte do ponto de vista de que, necessariamente
atual é o caso do viaduto da Galeria tivesse sido de fato construído na Espla- Brasil, mas também não serviu de impe- lá, deveria ser guardado um tesouro de
dos Estados, que desabou em 2018 e foi nada. Também naquele projeto, feito ditivo, em 1985, quando se decidiu fundar valor histórico, artístico e econômico
reconstruído recentemente. Mas, dife- sob supervisão de Niemeyer, as obras de o MAB no antigo restaurante do Anexo. incomensurável, como de fato é o acervo
rente de um viaduto, a ausência de alguns arte seriam armazenadas no pavimento Compreendo que foi exatamente esse de arte do MAB.

114 115
Em conversa, diferentes arquitetos que como a Vila Planalto, que vem se firmando se conhecer. Repetindo um termo usado contexto, é interessante observar o papel
atuaram na reforma disseram que, mesmo como um polo gastronômico, o Conjunto pelo professor Emerson Dionísio Gomes, que os editais de gestão compartilhada
após a conclusão das obras, o edifício não Fazendinha, que espera por revitalização, o museu sofre de diferentes graus de de equipamentos culturais vêm desem-
será plenamente compatível com um a vizinha e tão silenciosa Concha Acús- desidentidade. Eles partem desde a penhando em vários estados, a exemplo
museu de arte. Assumo que, como narra- tica, além do próprio Palácio da Alvorada, controversa falta de coesão do acervo, do Museu de Arte Moderna do Rio e do
dora e arquiteta, as declarações foram que oferece visitação guiada e gratuita às passando pelo não reconhecimento patri- Museu de Arte Contemporânea da USP.
um tanto frustrantes. Por quê, mesmo quartas-feiras. monial da sede, até o desconhecimento Em Brasília, recentemente vimos esse
após tantas intervenções, não se terá de grande parte da população em relação modelo de gestão frutificar a progra-
resolvido definitivamente os problemas Nesse quesito urbano, muito ainda deverá à própria existência do equipamento. A mação do Espaço Cultural Renato Russo,
de adequabilidade do prédio? Respondo: ser investido para dotar a península do análise desses fatores e a definição das que foi administrado pelo Instituto Bem
Porque o quesito remanescente não pode Setor de Hotéis e Turismo Norte com a estratégias práticas e conceituais de Cultural entre 2018 e o início de 2020,
ser corrigido. O baixíssimo pé-direito beleza paisagística e os equipamentos enfrentamento devem ser o objetivo até o deflagrar da pandemia da Covid-19.
de somente 2,5 metros de altura, tanto comunitários que a sua importância da atuação continuada de uma ampla Ainda teremos esse outro desafio, o de
no subsolo quanto na galeria de exposi- histórica e geográfica exige. Ironica- equipe de profissionais experientes, não conviver com a nova normalidade.
ções, impõe dificuldades de transporte, mente, nem mesmo Lucio Costa conse- só de entusiastas (apesar de que um certo
de manuseio e de exposição de obras de guiu escapar das falácias dos investidores entusiasmo seja fundamental). Nesse A história continua...
arte de grandes formatos. Eis porque a imobiliários, que, desde a implementação
estratégia de embutir um grande portão do Projeto Orla, vem sendo os princi-
na fachada da antiga varanda se mostra pais beneficiados do empreendimento.
muito acertada, mitigando algumas limi- As boas ideias da ação governamental,
tações da infraestrutura pré-existente. entretanto, continuam sendo sucessiva-
mente engavetadas, como ocorrido com
Outro ponto frequentemente citado o projeto para o Parque do Lago (1976), O MAB nasce por iniciativa de uma instituição político-cultural, mas isso não
é a enorme dificuldade de acesso da de Maria Elisa Costa, e com o sonhado quer dizer que tenha que trilhar um caminho conservador. Dos especialistas
população ao Setor de Hotéis e Turismo Parque Internacional de Esculturas (1997), e estudiosos ao escolar dos três ciclos, do cidadão local não-especializado ao
Norte por meio do uso do transporte articulado por Evandro Salles. Recen- turista, todos devem participar para que, do conflito de interesses, se produza
público. Como exemplo de solução para temente, a atual gestão da Secretaria uma coisa viva. Viva não quer dizer perfeita.
este problema, temos a estratégia até de Cultura, representada pelo Secre-
João Evangelista Andrade Filho, Museu de Arte de Brasília – Catálogo de
pouco tempo atrás utilizada pelo Centro tário Bartolomeu Rodrigues, divulgou a
abertura e exposição, 1985.
Cultural Banco do Brasil, também isolado intenção de criação de um grande polo
e muitíssimo visitado, que disponibili- cultural na área. Espera-se, dessa vez,
zava vãs gratuitas a partir da Rodoviária que o projeto não seja mais um grande
do Plano Piloto. Esta providência, se ir e vir interno e que o local possa ser o
adotada, tem o potencial de incluir não objeto de um grande concurso de ideias.
só o MAB no circuito turístico da cidade,
mas também outros pontos de interesse Institucionalmente, o MAB ainda deve

116 117
difícil aceitação do conceito de museu Mesmo assim, Guimarães mostra como
pelo modernismo. Uma “grande nação” o MAB está longe de ser a resolução das
(profetizava Debret, que sequer sonhava contradições artísticas da “cidade moder-
com a existência de Brasília) cuja nova nista”. Na verdade, a própria criação do
capital por pouco não teve um grande museu põe essas contradições continua-
museu: mas teria sido possível esta- mente em evidência: um cenário de arte
belecer esse museu antes que Brasília contemporânea que transgride as tradi-
tomasse consciência da própria história? ções institucionais, mas acaba ele próprio
Os anos entre o incêndio do Brasília institucionalizado no reconhecimento
Palace Hotel (1978), a demolição dos oficial dos Salões; uma cidade planejada
seus anexos e a criação da Secretaria de e dotada de um “setor cultural”, na qual a
Cultura (1985) são justamente o período existência e locação do primeiro museu
em que emerge essa visão retrospectiva acaba decidida de improviso; um restau-
sobre a nova capital: prova disso são os rante projetado segundo uma ideologia
trabalhos do GT–Brasília e os da equipe funcionalista, que acaba sendo conver-
coordenada por Lucio e Maria Elisa Costa, tido aos trancos e barrancos em galeria
culminando no relatório Brasília revisi- de exposições.
tada e na inscrição do conjunto urbanís-
tico como patrimônio mundial. E por que parar com a fundação do MAB?
A sua existência atribulada continua a

A função do museu na cidade modernista A consciência de Brasília enquanto patri-


mônio cultural se consolida ao mesmo
expor problemas com os quais lidamos
ano após ano: uma capital planejada para
tempo que a consciência do volume e da ser imune à especulação imobiliária, mas
riqueza do patrimônio cultural contido que não conhece o valor de um espaço
Pedro P. Palazzo em Brasília, no acervo artístico rapida- cívico; uma orla “pública” para o lago
mente acumulado nos órgãos da então Paranoá onde um museu — e qualquer
“prefeitura” do Distrito Federal. Nada revitalização do seu entorno — é visto
Brasília saltou dos croquis de Lucio Costa planejamento, improviso e pontas soltas 73. Janelões laterais e mais ilustrativo desse processo do que, como um entrave à proliferação de
para a realidade com algum planeja- ainda por resolver. A trajetória da cidade antiga varanda do MAB circa 1985, a “certidão de nascimento” condomínios fechados; um ente fede-
mento, muito improviso e um rastro de sem museu, do museu acidental e do seu durante as etapas finais da de uma história da arte brasiliense por rativo unitário — o Distrito Federal é ao
excluídos e oportunidades perdidas pelo acervo nômade está longe de se encerrar reforma, julho de 2020. meio da fundação de um museu acon- mesmo tempo estado e município — no
caminho. Assim também o Museu de com a conclusão deste livro. tecer graças à preservação de um exem- qual a fragmentação e instabilidade da
Arte de Brasília saltou da dúvida inicial plar da “arquitetura menor” na vizinhança organização administrativa tem dificul-
— a cidade modernista precisa de um A história do MAB, esquecida por décadas imediata de alguns dos monumentos mais tado a conservação e o melhoramento do
museu? — para os altos e baixos da sua e agora reconstituída pela Maíra Guima- icônicos da capital. edifício do MAB e do seu acervo…
existência com a mesma combinação de rães, é também, portanto, a história da

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Estamos ainda longe do momento em Pensando bem, a história de um museu
que Brasília terá no seu museu de arte não planejado na capital do “Plano-pilôto”, Agradecimentos
uma instituição consolidada, com um de uma arquitetura funcionalista refun-
edifício-sede reconhecido pelo seu cionalizada, e de um acervo acidental,
Enquanto não tenho espaço suficiente para citar nominalmente todas as pessoas que contribuíram
papel pioneiro na formação da capital. porém curado com amor e dedicação,
com esse trabalho, deixarei registrados alguns breves e profundos agradecimentos, em especial à
A história do MAB, como a história de sinaliza esperança para o futuro cultural
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, onde desenvolvo o doutorado, e
Brasília, é uma obra ainda em construção. de Brasília.
nessas páginas é representada pelos professores Sylvia Ficher e Pedro P. Palazzo; ao Fundo de Apoio
Falta-nos o recuo necessário para cons-
à Cultura do Distrito Federal, sem o qual não seria possível a elaboração, divulgação e impressão
truir uma narrativa ordenada, recuo que
desse livro; aos funcionários da Secretaria de Cultura, que desde o início colaboraram através da
só as gerações futuras vão ter. Mais ainda,
disponibilização dos acervos digitais e físicos da Subsecretaria do Patrimônio Cultural e do Museu de
falta o desfecho de dois trabalhos de
Arte de Brasília; às instituições do Arquivo Público do Distrito Federal e do Instituto Moreira Salles,
consolidação fundamentais: a adequação
que cederam gratuitamente várias imagens importantes para a visualização dessa história; a todos os
do edifício para a sua atual função, nunca
profissionais que atuaram na presente ficha técnica, tornando esse projeto cultural uma realidade;
realizada por inteiro, e a afirmação da
ao paizim, meu eterno crítico e revisor ortográfico, cujos serviços gratuitos permitirão a impressão
identidade institucional do museu e do
de muito mais exemplares desse livro; a todos os gestores, arquitetos, artistas, fotógrafos e antigos
seu acervo; o trabalho institucional será
usuários do prédio do MAB que cederam seus depoimentos, projetos e fotografias; à hospitalidade e
certamente o mais difícil dos dois.
ao carinho de Abel e Darcy Accioly, que desejo revisitar assim que possível; aos colegas e amigos que
compartilharam comigo as suas opiniões, enriquecendo meus pensamentos; à mãezinha e à irmãzinha
Apesar disso, o livro de Guimarães
que tanto torcem pela minha felicidade; e, por fim, também agradeço ao Tempo, esse senhor tão bonito.
aproveitou magistralmente algo que as
gerações futuras nunca poderão ter: a
memória viva daqueles que protago-
nizaram a trajetória do MAB. Resgatou
o próprio arquiteto da edificação, os
Créditos das imagens
usuários do antigo restaurante, aqueles
que trabalharam pela constituição e 1. Sinalização das obras do museu da cidade, na 3. Mário Pedrosa no Congresso Internacional de
exibição do acervo artístico, e aqueles Praça dos Três Poderes, 1959. Críticos de Arte em Brasília, 1959.
que agora se esforçam para restaurar e Fotografia sem autoria especificada. Fotografia sem autoria especificada.
reabrir o museu. Esta pesquisa veio em Arquivo Público do Distrito Federal, Arquivo Público do Distrito Federal,
cima da hora para resgatar a memória NOV-D-4-4-D-4’ (2125), Página 3. NOV-D-4-4-D-2 (3656), Página 6.
pessoal e institucional do MAB, antes que
2. Participantes do Congresso Internacional de 4. Carta de Flávio D’Aquino com sugestões para um
as vozes se calem e que a ligação entre
Críticos de Arte em visita às obras de Brasília, 1959. museu em Brasília, 1959.
os fragmentos documentados — salões,
Fotografia sem autoria especificada. Instituto Antônio Carlos Jobim, Acervo
curadorias, projetos e anedotas — se
Arquivo Público do Distrito Federal, Lucio Costa, IX A 02-01376 L, Página 7.
desmanche no país do futuro e do cons-
NOV-D-4-4-D-2 (3656), Página 4.
tante esquecimento.

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5. Perspectiva da fachada do projeto para o 12. Juscelino Kubitschek e acompanhantes nos 20. Projeto para o Parque do Lago, de Maria Elisa Cidades Satélites, no Palácio do Buriti, de 1978.
primeiro MAB, 1959. salões do Brasília Palace Hotel durante a final da Costa, 1976. Fotografia sem autoria especificada.
Projeto arquitetônico de Otávio Sérgio Moraes. Copa do Mundo, 1958. Projeto urbanístico de Maria Elisa Costa. Arquivo Público do Distrito Federal,
Biblioteca Nacional, TRB02449.0172 Fotografia de Mário Fontenelle. Arquivo Público do Distrito Federal, SCS-IF-11-2-B-1 (024034), Página 39.
ed. 00021 (2), Página 8. Arquivo Público do Distrito Federal, e23a-m3 (5), Página 27.
28. Buate, pintura de Nogueira de Lima premiada
NOV-D-4-4-C-2-2144, Página 18.
6. Corte e fachada posterior do projeto para o 21. Pernambuco do Pandeiro e seus Batuqueiros e no Salão de Artes Plásticas das Cidades Satélites.
primeiro MAB, 1959. 13. Piscina do Brasília Palace Hotel, 1961. as Mulatas de Ouro no Casarão do Samba, década Pintura a óleo de Waldemor Nogueira de Lima.
Projeto arquitetônico de Otávio Sérgio Moraes. Fotografia de Marcel Gautherot. de 70. Museu de Arte de Brasília, Página 39.
Arquivo Público do Distrito Federal, MAB - ARQ Instituto Moreira Salles, 010DFHT19619, Página 19. Fotografia sem autoria especificada.
29. Gravura de Odetto Guersoni adquirida pelo
- 000-0 - 005-02 - 0000000 - 1960, Página 9. Imagem fornecida pela dançarina
14. Veleiros no Lago Paranoá, 1960. GDF na XIII Bienal de SP, em 1978.
Neide Paula. Página 28.
7. Corte e fachada lateral do Restaurante do Anexo Fotografia de Marcel Gautherot. Linoleogravura de Odetto Guersoni
do Hotel de Turismo, 1959. Instituto Moreira Salles, 22. Incêndio no Brasília Palace Hotel, 1978. Fundação Bienal, Página 40.
Projeto arquitetônico de 010DFOG20902, Página 20. Fotografia de Antonio Cruz.
30. Animal-Heráldico, escultura de Liuba Wolf
Abel Carnaúba Accioly. Correio Braziliense, Página 29.
15. Vista aérea de Brasília a partir do Palácio da adquirida pelo GDF na XIII Bienal de SP, em 1978.
Arquivo Público do Distrito Federal,
Alvorada, 1968. 23. Proposta de Lucio Costa para superquadras na Escultura em bronze de Liuba Wolf.
e9-m4 (12), Página 9.
Fotografia sem autoria especificada. Vila Planalto, 1985. Fundação Bienal, Página 40.
8. Vista aérea a partir do centro de Brasília, 1963. Arquivo Público do Distrito Federal, Croquis de Lucio Costa.
31. Fachada lateral e pilotis do MAB em 1985.
Fotografia sem autoria especificada. SCS-GF-7-6-E-1 (3160), Página 21. Terracap, Página 31.
Fotografia de Sérgio Seiffert.
Arquivo Público do Distrito Federal,
17. Fachada avarandada do restaurante do Anexo do 24. Fachada lateral do MAB, junho de 1988. Museu de Arte de Brasília, Página 41.
SCS-DF-7-6-C-11 (240A), Página 11.
Brasília Palace Hotel, 1961. Fotografia sem autoria especificada.
32. Crianças na exposição Brasil Arte Popular Hoje,
9. Vista aérea de Brasília a partir do Palácio da Fotografia de Marcel Gautherot. Arquivo Público do Distrito Federal,
agosto de 1988.
Alvorada, 1957/1958. Acervo Instituto Moreira Salles, SCS-LF-11-2-B-1 (88656), Página 34.
Fotografia de Bita Carneiro.
Fotografia de Mario Fontenelle. 010DFHT23428, Página 22.
25. Hall de acesso do MAB, junho de 1988. Cultura DF, Página 42.
Arquivo Público do Distrito Federal,
18. Arruamentos e curvas de nível dos Anexos do Fotografia sem autoria especificada.
NOV-D-4-4-B-2 (601), Página 12. 33. Crianças visitam exposição no MAB em 1986.
Brasília Palace Hotel, 1959. Arquivo Público do Distrito Federal,
Fotografia sem autoria especificada.
10. Juscelino em frente a um hotel de madeira em Projeto arquitetônico de Abel Carnaúba Accioly. SCS-LF-11-2-B-1 (88655), Página 36.
Museu de Arte de Brasília, Caixa
Brasília, 1957. Arquivo Público do Distrito Federal,
26. Plínio Catanhede e acompanhantes no primeiro 59, Foto nº 2, Página 43.
Fotografia de Jean Manzon. e61a-m5.(5), Página 24.
Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, 1964.
Itaú Cultural, 978-85-7979-060-7, Página 15. 34. Vista interna do MAB na exposição Poetas do
19. Castello Branco na festa de inauguração do Fotografia sem autoria especificada.
espaço e da cor, de 1997.
11. Vista aérea do Brasília Palace Hotel e seus Clube das Forças Armadas, 1972. Arquivo Público do Distrito Federal,
Fotografia sem autoria especificada.
Anexos, 1961. Fotografia sem autoria especificada. SCS-FF-11-2-B-1 (2443), Página 37.
Museu de Arte de Brasília, Caixa
Fotografia de Marcel Gautherot. Arquivo Público do Distrito Federal,
27. Inauguração do I Salão de Artes Plásticas das 46, Maço 16, Página 44.
Instituto Moreira Salles, 010DFOG23429, Página 16. SCS-FF-11-1-E-6, Página 26.

122 123
35. Facto transeunte - MAB, de Gregório Soares, 43. Fachadas do MAB após pintura em azul e 51. Aloísio Magalhães, José Laurênio, Orlando da 58. Abel Accioly, pintura dobrável de Maria
2010. laranja. Costa Ferreira e Abel Accioly no Ateliê 415. Tomaselli, 1985.
Foto-intervenção de Gregório Soares. Fotografia sem autoria especificada. Fotografia sem autoria especificada. Fotografia sem autoria especificada.
Imagem fornecida pelo artista, Página 46. Secretaria de Cultura, Imagem fornecida por Abel Museu de Arte Moderna de São Paulo, Página 99.
20150610083555949, Página 54. Carnaúba Accioly, Página 92.
36. Revolução / Raio-bica-banho-verde-de-manje- 59. Darcy Accioly em frente à oficina de maquete
ricão no Museu, de Maurício Chades, 2019. 44. Vista aérea do Setor de Hotéis e Turismo Norte, 52. Casas geminadas nas quadras 700 da Asa Sul. de sua casa, s/d.
Foto-performance de Maurício Chades. início dos anos 2000. Fotografia sem autoria especificada. Fotografia sem autoria especificada.
Imagem fornecida pelo artista, Página 47. Fotografia sem autoria especificada. Imagem fornecida por Abel Imagem fornecida por Abel Carnaúba
Royal Tulip Brasília Alvorada, Página 55. Carnaúba Accioly, Página 93. Accioly, Página 100.
37. Abandonados, de Sérgio Costa Vincent, 2015.
Sessão fotográfica de Sérgio Costa Vincent. 45. Perspectiva do MAB e estudo paisagístico de 53. Abel Accioly em pé na prancheta à direita, nos 60. Vista interna da casa de Abel e Darcy Accioly,
Imagem fornecida pelo artista, Página 48. José Leme Galvão, 2013. ateliês de projeto da Novacap, 1957/1959. mostrando guarda-pó suspenso, 2019.
Croqui de José Leme Galvão, vulgo Soneca. Fotografia de Marcel Gautherout. Fotografia da autora, Página 101.
38. Encarregados fazem reparos na laje de
Material fornecido pelo arquiteto, Página 56. Imagem fornecida por Abel
cobertura do MAB. 61. Painel de azulejos elaborado por José Cláudio
Carnaúba Accioly, Página 94.
Fotografia sem autoria especificada. 46. Nova fachada posterior do MAB nas etapas no banheiro da casa de Abel e Darcy Accioly em
Museu de Arte de Brasília, Caixa finais da reforma, julho de 2020. 54. Glauco Campello, Athos Bulcão e Abel Accioly 1976.
60, foto nº 2, Página 50. Fotografia da autora, Página 57. na Capela do Palácio da Alvorada, 1957/1959. Fotografia da autora, Página 101.
Fotografia de Marcel Gautherout.
39. Infiltrações visíveis no salão de exposições 47. Vistas internas do salão de exposições do MAB 63. Fachada da casa e ateliê de José Cláudio no
Imagem fornecida por Abel
durante a mostra Artessários, 2006. Fotografia de nas etapas finais das obras de reforma, julho de bairro Monte de Olinda, 2019.
Carnaúba Accioly, Página 95.
Carolina (Barmell) Barbosa de Melo. 2020. Fotografia da autora, Página 102.
Imagem fornecida pela pesquisadora, Página 51. Fotografia da autora, Página 58. 55. Darcy Virgínia Accioly em Brasília.
64. Visual interna do ateliê de José Cláudio no
Fotografia sem autoria especificada.
40. Projeto de reforma do MAB e de modificações 48. Visual interna do MAB com exposição e perfor- bairro Monte de Olinda, 2019.
Imagem fornecida por Abel
das fachadas, s/d. mance, s/d. Fotografia da autora, Página 103.
Carnaúba Accioly, Página 96.
Projeto sem autoria especificada. Fotografia sem autoria especificada.
65. Díptico de Cícero Dias na Casa da Cultura, no
Secretaria de Cultura, Página 53. Museu de Arte de Brasília, Caixa 56. Os pequenos Felipe Campello, Sergio Accioly,
Recife, 2020.
47, Foto nº 26, Página 83. Ivan Accioly e Gabriela Campello na frente de uma
41. Projeto de reforma do MAB e de modificações Fotografia de Thiago Mattos.
casa geminada da W3 Sul.
das fachadas, 2000. 49. Abel e Darcy Accioly em sua casa em Olinda, Imagem cedida pelo fotógrafo, Página 104.
Fotografia sem autoria especificada.
Projeto de Barney Arquitetura. outubro de 2019.
Imagem fornecida por Abel 66. Painel de João Câmara no Panteão da Pátria,
Secretaria de Cultura, Página 53. Fotografia da autora, Página 88.
Carnaúba Accioly, Página 96. em Brasília, 2010.
42. Projeto de pintura das fachadas do MAB em 50. Maquetes feitas por Abel para o projeto do Fotografia de Peninha.
57. Projeto de Abel para chassi de pintura regulável.
azul e laranja, 2001. Palácio da Justiça, na Esplanada dos Ministérios. Wikimedia Commons, Página 105.
Desenho técnico de Abel Carnaúba Accioly.
Projeto arquitetônico de Ana Marques. Maquetes de Abel Carnaúba Accioly.
Material fornecido pelo arquiteto, Página 99. 68. Painel e croquis de projeto de João Câmara
Secretaria de Cultura, Imagens fornecidas pelo arquiteto, Página 90.
para o Aeroporto de Recife.
20150610083555949, Página 53.

124 125
Fotografia sem autoria especificada.
Continente Documento, Página 106.

69. Darcy no interior da Igreja da Nossa Senhora


do Monte, 2019.
Fotografia da autora, Página 108.

70. Abel em frente à portada da Igreja da Nossa


Senhora do Monte, 2019.
Fotografia da autora, Página 109.

71. Interior do MAB durante as etapas finais da


reforma, julho de 2020.
Fotografia da autora, Página 112.

72. Placa de sinalização do MAB, s/d.


Museu de Arte de Brasília, Caixa
48, Foto nº 3, Página 115.

73. Janelões laterais e antiga varanda do MAB


durante as etapas finais da reforma, julho de 2020. Maíra Oliveira Guimarães é arquiteta
Fotografia da autora, Página 118. e designer, sócia fundadora do estúdio
Coarquitetos. Formou-se na Universi-
dade de Brasília em 2014, com graduação
Todas as medidas possíveis foram tomadas
sanduíche em Architettura per il Restauro
para que os autores, as instituições de origem
e la Valorizzazione del Patrimonio, pelo
e os códigos de rastreamento das imagens
Politecnico di Torino, Itália. Em 2015,
utilizadas fossem informados corretamente.
colaborou na equipe responsável pelo
Para divergências e contribuições, entrar em
inventário do Catetinho, sob contratação
contato através do email:
do Instituto do Patrimônio Histórico e
mab.antesartedoquetarde@gmail.com
Artístico Nacional – IPHAN. Atualmente
é doutoranda na linha de pesquisa em
Esse livro foi composto em Lora e Tuna Patrimônio e Preservação da FAU/UnB,
no formato 21 x 21 cm e impresso no sob orientação da professora emérita
sistema off-set sobre papel Couché fosco Sylvia Ficher. Sua produção acadêmica
120 g/m³, com capa em papel Cartão é voltada à história das cidades, dos
Supremo Duo Design 300 g/m³. prédios e também das pessoas.

Distribuição gratuita.

126
A vida do edifício do Museu de Arte de Esse livro, realizado com o patrocínio

Foto: Marcel Gautherot/Acervo Instituto Moreira Salles


Brasília pode ser considerada uma das do Fundo de Apoio a Cultura do Distrito
mais antigas e conturbadas na história Federal, consiste na apresentação dos
da Capital. Construído em meio aos primeiros resultados de uma pesquisa
preparativos da inauguração da cidade de doutorado que está em andamento
para servir como restaurante, o prédio e que vem investigar e sistematizar os
fazia parte do conjunto de cinco edifica- principais episódios, projetos e perso-
ções do antigo Anexo do Brasília Palace nagens envolvidos com as origens e os
Hotel. Em pouco tempo subutilizado, devires da instituição, do edifício e do
passou a abrigar outros diversos usos, território do Museu de Arte de Brasília.
tendo funcionado como Clube das Forças A história do MAB carrega em si muitas
Armadas, Associação Atlética Novacap e estórias da cidade.
até como Casarão do Samba, quando, por
fim, foi convertido na primeira sede do
acervo de arte do Governo do Distrito
Federal.

Apesar da sua contribuição para a cultura


da cidade, as três décadas de existência
do museu foram marcadas por inúmeros
impasses funcionais e políticos, fazendo
de sua sede o objeto de muitos projetos
e adiamentos. Fechado há mais de treze
anos, o MAB finalmente se encontra
na fase final da reforma e, ao que tudo
indica, em breve, será reentregue à
população de Brasília.

Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal

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