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Universidade de Pernambuco - UPE

Campus Mata Norte - CMN


Curso de Licenciatura em Geografia
Geografia da Indústria e dos Serviços
Docente: Mariana Rabêlo Valença
Discente: Vitor Gabriel Moura Firmino da Silva

Fichamento

HOBSBAWM, E. A Era das Revoluções. Cultura: Universidade de Pernambuco (UFPE),


229p.

Págin
Citação
a
A primeira coisa a observar sobre o mundo na década de 1780 é que ele era ao mesmo
tempo menor e muito maior que o nosso. Era menor geograficamente, porque até mesmo os
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homens mais instruídos e bem-informados da época [...] conheciam somente pedaços do
mundo habitado.
“Ainda assim, se o mundo era em muitos aspectos menor, a simples dificuldade ou incerteza
15 das comunicações faziam-no praticamente maior do que é hoje.” As comunicações e os
transportes eram mais ágeis por meios aquáticos que por meios terrestres
O mundo em 1789 era essencialmente rural e é impossível entendê-lo sem assimilar este
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fato fundamental.
A palavra “urbano” é certamente ambígua. Ela inclui as duas cidades europeias que por
volta de 1789 podem ser chamadas de genuinamente grandes segundo os nossos padrões
[...] e umas 20 outras com uma população de 100 mil ou mais. Mas o termo "urbano"
17 também inclui a multidão de pequenas cidades de província, onde se encontrava realmente a
maioria dos habitantes urbanos; aquelas onde o homem podia, a pé e em poucos minutos,
vencer a distância entre a praça da catedral, rodeada pelos edifícios públicos e as casas das
celebridades, e o campo.
A linha que separava a cidade e o campo, ou melhor, as atividades urbanas e as atividades
17 rurais, era bem marcada. Em muitos países a barreira dos impostos, ou às vezes mesmo a
velha muralha, dividiam os dois.
O problema agrário era portanto o fundamental no ano de 1789, é fácil compreender por que
a primeira escola sistematizada de economistas do continente, os fisiocratas franceses,
18 tomara como verdade o fato de que a terra, e o aluguel da terra, era a única fonte de renda
líquida. E o ponto crucial do problema agrário era a relação entre os que cultivavam a terra e
os que a possuíam, os que produziam sua riqueza e os que a acumulavam. 
O mundo agrícola era lerdo, a não ser talvez em seu setor capitalista. Já os mundos do
22 comércio e das manufaturas, e as atividades intelectuais e tecnológicas que os
acompanhavam, eram seguros de si e dinâmicos,
24 A liberdade, a igualdade e, em seguida, a fraternidade de todos os homens eram seus
slogans. No devido tempo se tornaram os slogans da Revolução Francesa. O reinado da
liberdade individual não poderia deixar de ter as consequências mais benéficas. Os mais
extraordinários resultados podiam ser esperados — podiam de fato já ser observados como
provenientes — de um exercício irrestrito do talento individual num mundo de razão.
Não é propriamente correto chamarmos o “iluminismo” de uma ideologia da classe média,
embora houvesse muitos iluministas — e foram eles os politicamente decisivos — que
assumiram como verdadeira a proposição de que a sociedade livre seria uma sociedade
capitalista. Em teoria seu objetivo era libertar todos os seres humanos. Todas as ideologias
24 humanistas, racionalistas e progressistas estão implícitas nele, e de fato surgiram dele.
Embora na prática os líderes da emancipação exigida pelo iluminismo fossem
provavelmente membros dos escalões médios da sociedade, embora os novos homens
racionais o fossem por habilidade e mérito e não por nascimento, e embora a ordem social
que surgiria de suas atividades tenha sido uma ordem capitalista e “burguesa”.
O que significa a frase “a revolução industrial explodiu”? Significa que a certa altura da
década de 1780, e pela primeira vez na história da humanidade, foram retirados os grilhões
do poder produtivo das sociedades humanas, que daí em diante se tornaram capazes da
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multiplicação rápida, constante, e até o presente ilimitada, de homens, mercadorias e
serviços. Este fato é hoje tecnicamente conhecido pelos economistas como a “partida para o
crescimento auto-sustentável”.
31 A política já estava engatada ao lucro.
O primeiro e talvez mais crucial fator que tinha que ser mobilizado e transferido era o da
mão-de obra, pois uma economia industrial significa um brusco declínio proporcional da
população agrícola (isto é, rufai) e um brusco aumento da população não agrícola (isto é,
42 crescentemente urbana), e quase certamente (como no período em apreço) um rápido
aumento geral da população, o que portanto implica, em primeira instância, um brusco
crescimento no fornecimento de alimentos, principalmente da agricultura doméstica — ou
seja, uma “revolução agrícola”.
A resposta foi encontrada numa draconiana disciplina da mão-de-obra (multas, um código
de “senhor e escravo” que mobilizava as leis em favor do empregador etc), mas acima de
tudo na prática, sempre que possível, de se pagar tão pouco ao operário que ele tivesse que
trabalhar incansavelmente durante toda a semana para obter uma renda mínima (cf. capitulo
10-111). Nas fábricas onde a disciplina do operariado era mais urgente, descobriu-se que
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era mais conveniente empregar as dóceis (e mais baratas) mulheres e crianças: de todos os
trabalhadores nos engenhos de algodão ingleses em 1834-47, cerca de um-quarto eram
homens adultos, mais da metade era de mulheres e meninas, e o restante de rapazes abaixo
dos 18 anos.

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