Você está na página 1de 2

Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil

Faculdade STBNB
Bacharelado em Teologia
Disciplina: Teologia Sistemática 1
Prof.(a) Ronaldo Robson
Aluno(a): Cláudio Henrique Caldas Mattos

FICHAMENTO 07
UNIÃO DOS ELEMENTOS DIVINO E HUMANO NA INSPIRAÇÃO
As Escrituras são igualmente a produção de Deus e do homem e, portanto,
nunca devem ser consideradas como simplesmente humanas, ou simplesmente
divinas. O mistério da inspiração não consiste separadamente em nenhum destes
termos, mas na união dos dois. Contudo, disto há analogias na interpenetração dos
poderes humanos pela eficiência divina na regeneração e santificação e na união das
naturezas divina e humana na pessoa de Jesus Cristo.
Não se deve conceber esta união dos agentes divino e humano na inspiração
como conceito e recebimento externos. Por outro lado, os que Deus levantou e
providencialmente qualificou para a realização da sua obra, falaram e escreveram as
palavras de Deus, quando inspirados, não de fora, mas de dentro, não passivamente,
porém na mais consciente posse e no mais elevado exercício de seus próprios
poderes do intelecto, sentimento e vontade.
Portanto, a inspiração não removeu, mas investiu para o seu próprio serviço
todas as peculiaridades pessoais dos escritores com todos os seus defeitos de cultura
e estilo literário. Toda a imperfeição não inconsistente com a verdade na composição
humana pode existir na Escritura inspirada. A Bíblia é a Palavra de Deus no sentido
de que ela nos apresenta a verdade divina nas formas humanas e é uma revelação
não para uma classe seleta, mas para a mente comum. Corretamente entendida, esta
própria humanidade da Bíblia é prova da sua divindade.
Na inspiração Deus se vale de todos métodos corretos e normais da imposição
literária. Como reconhecemos na literatura a função própria da história, da poesia, e
ia ficção; da profecia, da parábola e do drama; da personificação e do provérbio; da
alegoria e da instrução dogmática; e mesmo do mito e da lenda; não podemos negar
a possibilidade de Deus usar qualquer destes métodos da verdade comunicante,
deixando que determinemos em qualquer simples caso qual destes métodos ele
adotou.
O Espírito inspirador deu as Escrituras ao mundo por um processo de evolução
gradual. Como, ao comunicar as verdades da ciência natural, Deus comunicou as
verdades da religião em passos sucessivos, a princípio em germe, mais plenamente
tomou o homem capaz de compreendê-las. A educação da raça é semelhante à de
uma criança. Primeiro vêm as figuras, as lições objetivas, os ritos externos, as
predições; depois a chave destes em Cristo, e sua exposição didática, nas Epístolas.
A inspiração não garante a inerrância em coisas não essenciais ao principal propósito
da Escritura.
A inspiração não vai além da fidedigna transmissão dos escritores responsáveis
pela apresentação da verdade. Inspiração não é onisciência. É a concessão de vários
tipos e graus de conhecimento e auxílio, de acordo com a necessidade; às vezes
sugere uma nova verdade, às vezes preside a coleção do material preexistente e
resguarda do erro essencial na elaboração final. Como a inspiração não é onisciência,
não é santificação completa. Nem invoca infalibilidade pessoal.
A Inspiração nem sempre, ou geralmente, envolve comunicação direta dos
escritores da Bíblia com as palavras que eles escreveram. Apesar disso, é possível
pensamento sem palavras e, na ordem da natureza, ele precede as palavras. Os
escritores da Bíblia parecem ter sido tão influenciados pelo Espírito Santo que
perceberam e sentiram mesmo as novas verdades que eles deviam publicar, como
descobertas das suas próprias mentes e, o expressar tais verdades, permitiu-se a
ação das suas próprias mentes, com a única exceção de que eles eram
sobrenaturalmente imunes na seleção de palavras erradas e, quando necessário,
proviam as corretas. Portanto, a inspiração não é verbal, conquanto reivindiquemos
que não se admitiu nenhuma forma de palavras tomadas em suas conexões que
ensinassem o erro na Escritura.
Contudo, não obstante o elemento humano sempre presente, a inspiração das
Escrituras, totalmente permeável, faz destes vários escritos um todo orgânico. Porque
a Bíblia é em todas as suas partes a obra de Deus, cada parte deve ser julgada, não
isoladamente, mas em sua conexão com cada uma das outras partes. As Escrituras
não devem ser interpretadas como tantas produções simplesmente humanas de
diferentes autores, mas também como a obra de uma mente divina. Coisas
aparentemente triviais devem ser explicadas a partir da sua conexão com o todo. Uma
história deve ser edificada a partir de vários relatos da vida de Cristo. Uma doutrina
deve suplementar a outra. O Velho Testamento é parte de um sistema progressivo,
cujo clímax e cuja chave devem ser encontrados no Novo Testamento. O assunto
central e o pensamento que liga todas as partes da Bíblia a cuja luz devem ser
interpretados, é a pessoa e obra de Jesus Cristo.
Quando se reconhece plenamente a unidade da Escritura, a Bíblia, apesar das
imperfeições em matéria não essencial ao propósito religioso, fornece orientação
segura e suficiente para a verdade e para a salvação. O reconhecimento da atuação
do Espírito Santo torna racional e natural crer na unidade orgânica da Escritura.
Quando se tomam as partes mais antiga em conexão com as mais tardias e quando
se interpreta cada parte como um todo, desaparece a maioria das dificuldades
relativas à inspiração. Tomadas juntas, tendo Cristo como clímax e explicação, a
Bíblia fornece a regra de fé cristã e prática.

Você também pode gostar