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Aluno: O que está acontecendo com o mundo?

Professor: Será que a pergunta correta não seria: o que está acontecendo com as pessoas?

Aluno: Será? Mas acho que as pessoas apenas refletem o que está havendo, se é que está havendo algo.

Professor: Engana-se, são as pessoas que fazem o mundo ao qual você se refere, portanto, se o mundo está
mudando, é porque as pessoas estão mudando.

Aluno: Mas, então, o que está acontecendo com as pessoas?

Professor: Em que sentido?

Aluno: No sentido de que hoje em dia acontecem coisas estranhas, as pessoas parecem ter perdido a razão.

Professor: Será que não é apenas a maior divulgação destes fatos que dá a impressão do mundo estar
mudando?

Aluno: Pode ser, pois já cogitei isso, antes não havia tantas fontes de informação.

Professor: Também, mas não é apenas porque há maior divulgação dos fatos, e sim porque as pessoas estão
realmente passando por mudanças.

Aluno: Infelizmente, não vejo esta mudança com bons olhos, ocorrem muito mais desgraças do que
antigamente.

Professor: Você como milhares de pessoas, tem sido influenciado pelo que vê na mídia. Ou melhor, tem
compreendido mal, ou não compreendido as causas por trás destas notícias às quais você se refere.

Aluno: Como assim?

Professor: Todo fato, aconteça próximo ou longe de você, lhe afeta de alguma maneira. A forma, porém,
como você procura entender este fato, é que faz a diferença.

Aluno: Não entendo.

Professor: Quando você presencia, ou toma conhecimento de algum fato, seja ele bom ou ruim você se
questiona o porquê daquilo estar acontecendo? Ou simplesmente aceita a pseudo explicação que outra
pessoa lhe dá?

Aluno: Bem, confesso que não analiso a fundo tudo aquilo que presencio ou vejo, e se alguém me dá uma
explicação para aquilo, seja um amigo ou uma reportagem jornalística, e ela me parece razoável, eu aceito,
pois nem sempre posso ir até lá e pesquisar por mim mesmo aquele assunto.

Professor: Quando digo questionar, não me refiro a pesquisar fatos a respeito do que aconteceu, refiro-me a
procurar entender as causas daquele fato.

Aluno: Se estiver entendendo, você quer dizer que devo me perguntar melhor porque aquilo aconteceu, e
não duvidar de que aquilo aconteceu realmente.

Professor: Sim.
Aluno: E o que isto vai mudar nos fatos ocorridos?

Professor: Nada.

Aluno: E então? Há algo a aprender nisso?

Professor: Sim, e muito. Se você compreender o que leva uma pessoa, por exemplo, a cometer um ato
condenável, terá a resposta para sua pergunta inicial.

Aluno: Bem, creio que voltamos ao início. Vou reformular minha pergunta. Então, o que leva as pessoas,
atualmente, a atitudes que anteriormente não aconteciam?

Professor: Certas atitudes sempre aconteceram na humanidade, a diferença hoje, em parte, é realmente
porque há maior divulgação de determinado tipo de notícias. Mas há, também, situações novas, que
começaram a acontecer de uns 10 ou 15 anos para cá.

Aluno: É a isto que me refiro, sobre estas mudanças na forma como as pessoas se relacionam com o mundo.

Professor: Certas ações são difíceis de serem compreendias, pois envolvem não apenas aquilo que se
conhece do fato, mas também inúmeras variáveis como, por exemplo, as questões interiores dos indivíduos
envolvidos. Nem sempre é possível diagnosticar com absoluta certeza a causa do ato em questão.

Aluno: Então não há uma resposta simples para isso.

Professor: Resposta simples não, mas há uma resposta.

Aluno: Qual?

Professor: Você tem que entender que o ser humano é um conjunto de fatores. Temos nossa relação com o
mundo, que é o que as outras pessoas vêem de nós, temos nossa relação conosco mesmos, que só nós, às
vezes nem mesmo nós, conhecemos, e temos nossa relação com o universo.

Aluno: Poderia explicá-las para mim?

Professor: Claro. Primeiramente, há nossa relação com o mundo, e muitos acham que esta é apenas a única
relação importante. Esta é a forma como nos comportamos perante ou outros e a sociedade. Não somos
completamente reais neste ambiente, uma vez que disfarçamos muito de nossos pensamentos e
sentimentos a respeito daquilo que vivemos. Obviamente, não estou dizendo que há mal nisso, mas que é
assim que nos comportamos.

Aluno: Entendo este ponto.

Professor: Pois bem, em segundo lugar, há nossa relação com nós mesmos, o que pensamos sobre nós,
como é nosso relacionamento com nosso próprio ego, se o compreendemos, se o analisamos e em que nível
somos ou não escravos dele. E, por último, aquilo ao qual me refiro como relacionamento com o universo,
aquilo em que acreditamos como sendo nossa origem ou nosso destino, que é onde ocorrem perguntas
como: De onde viemos? Para onde vamos? E assim por diante.

Aluno: E qual destes fatores ocasiona mais mudanças?

Professor: Todos. Porque é a soma destes fatores que faz as pessoas mudarem.
Aluno: Explique melhor.

Professor: Pois bem. Pense no seguinte, determinadas energias cósmicas estão chegando a uma intensidade
surpreendente em nosso planeta nos últimos anos, e se pesquisar, verá que há várias notícias sobre isso.
Estas energias, ao entrarem em contato com os humanos, transformam, de forma gradual, seu mundo
interior.

Aluno: Somos afetados por ela? De que forma?

Professor: De várias formas. Mas não é algo assim, da noite para o dia. São mudanças lentas, que vão, aos
poucos, mudando nossa forma de relacionamento com o mundo e com nós mesmos.

Aluno: Esta é a causa principal?

Professor: Não, mas é uma das principais. E se você observar bem notará que de 10 ou 15 anos para cá, as
pessoas mudaram muito. Obviamente que não somos estáticos e sempre mudamos, mas estas mudanças
tem se acelerado deste tempo para cá.

Aluno: Mas na história humana sempre houve épocas de grandes mudanças.

Professor: Sim, mas não como estas que agora estão ocorrendo. Observe a história do seguinte ponto de
vista. Até o século 15 aproximadamente, o ser humano estava praticamente dedicado ao seu corpo físico,
preocupado, basicamente, apenas com sua sobrevivência. Após a invenção da imprensa, começou,
lentamente, o desenvolvimento intelectual da humanidade, que chegou até nossos dias, com tantos avanços
em tecnologia e ciência. A partir de agora, começa o desenvolvimento espiritual, ou, se você preferir,
psicológico da humanidade.

Aluno: Compreendo o que quer dizer. Mas sempre pensei que o desenvolvimento humano era integral, sem
esta separação que você coloca.

Professor: Você tem sua razão, e houve, também, evoluções em todos estes campos desde as primeiras eras.
No entanto, perceberá que isto que lhe expliquei ocorre de forma coletiva, apesar de existir também o
desenvolvimento pessoal de cada um com prioridade para esta ou aquela área.

Aluno: Mas então, se o ser humano está evoluindo espiritualmente, como você diz, porque o mundo parece
estar ficando cada vez pior?

Professor: Esta impressão que você e muitas outras pessoas têm, deve-se ao fato de que estamos em uma
época de transição, estamos passando pela mudança de uma era para outra, e estas épocas são sempre
dolorosas, e como já lhe disse, parece ainda pior pela preferência por más notícias que é feita por alguns
setores que controlam a mídia.

Aluno: Posso concordar com isso. Mas fico com a impressão de que não há boas perspectivas para o mundo
futuro.

Professor: Há. Pode ter certeza disso. Comece a observar melhor as pessoas daqui em diante, Observe como
elas reagem a determinados fatos. Se forem pessoas bem conhecidas, você perceberá em bem pouco
tempo, que elas mudaram muitos de seus conceitos nos últimos tempos. Perceberá também, ainda que de
forma sutil, elas estão esperando por algo, como que desejando certas mudanças no modo de vida e no
mundo.

Aluno: Isto me parece óbvio, pois o mundo parece estar caminhando para algo desastroso.

Professor: Não me refiro a este tipo de mudança. Entenda da seguinte forma, o ser humano tem vivido os
últimos séculos de forma praticamente automática, nunca pode escolher suas crenças, pois elas eram
controladas pela hierarquia das religiões. Nunca pode escolher seu modo de vida, pois isto era controlado
pela sociedade, nunca pode escolher a melhor forma de relacionar-se com o mundo a sua volta, pois isto
também sempre foi controlado tanto pela família, quanto pela sociedade. Atualmente, no entanto, e em
grande parte devido à maior liberdade conseguida com a fácil obtenção de conhecimento e informação, as
pessoas começam a perceber que elas têm o poder de atuar individualmente, tem o poder de fazer suas
próprias escolhas, e não apenas assimilar o que outros acham que é o melhor para elas. É claro que há
muitos que até preferem que os outros façam suas escolhas, ao invés delas mesmas, mas estas são poucas.

Aluno: Não sei se entendi.

Professor: O que quero dizer, é que um pouco influenciadas pelas novas energias que estão chegando, e um
pouco por seus próprios seres interiores que as auxiliam, as pessoas estão descobrindo que podem ser elas
mesmas, sem tantas máscaras e falsos controles externos.

Aluno: E porque então muitas destas pessoas têm feito atos tão horríveis?

Professor: A resposta, como sempre, está dentro do ser humano. O que ocorre, é que todos nós começamos
a sentir determinada pressão interna, isto ocorre tanto devido às novas energias, como também pela própria
terra/natureza, pois ela também é suscetível a estas energias, e também está num processo de
transição/mescla de dimensões.

Aluno: É esta pressão interna, como você diz, que causa isto nas pessoas?

Professor: Sim, em grande parte. Como não estamos preparados para lidar com isso, muitos reagem de
forma inesperada ao que sentem. Há pessoas, por incrível que pareça que têm horror à mudança, seja ela de
que forma for. Estas pessoas não conseguem lidar com o sentimento de que precisam mudar a si mesmas e
sua forma de relacionamento com o mundo. O resultado é que acabam tornando-se escravas de um ego
desenfreado, capaz das maiores atrocidades, como se estes atos a liberassem daquilo que sentem.

Aluno: O que percebo é que elas colocam para fora aquilo que estão guardando há muito tempo.

Professor: Em parte sim, mas isso é devido à má compreensão que elas têm de seus próprios sentimentos e
pensamentos. Note que todos nós fomos educados e instruídos tanto pela educação formal quanto pela
família a sempre olhar para fora, buscar o que chamam de felicidade fora, entender o mundo com aquilo
que percebemos fora. E agora, teremos que aprender tudo novamente, só que sob uma ótica interna, de
acordo com aquilo que nossa essência nos ensina, e não apenas como o que o mundo nos diz ser a verdade.

Aluno: Vejo perigo nisto, será que as pessoas não ficarão ainda mais confusas?

Professor: É provável que num primeiro momento sim, mas com a prática, cada qual desenvolverá sua
percepção interna, e se manifestará no mundo de acordo com estes princípios.
Aluno: E quem não aceitar isso? Ou não quiser mudar?

Professor: A escolha, no fim das contas, sempre é pessoal, não podemos ser obrigados a aceitar tal ou qual
coisa. No entanto, como é uma mudança global, todos devem aceitar as conseqüências de suas escolhas.

Aluno: E quais são estas conseqüências?

Professor: Eu diria que são exatamente aqueles fatos que você questionou no início, sobre o que está
acontecendo com as pessoas.

Aluno: Então está dizendo que quem não consegue entender o que acontece consigo mesmo age de forma
inconsciente e acaba cometendo atos violentos?

Professor: Alguns sim, uma vez que cada qual reage de uma forma diferente. Estes que você diz cometerem
atos violentos, não apenas não compreendem a si mesmos, como também se tornam vítimas de sua própria
inconsciência.

Aluno: Entendo seu ponto de vista. Mas continuo acreditando que não há solução em curto prazo.

Professor: E não há, nem sequer lhe disse isso. Isto é um processo, e demorará tempo. São mudanças muito
profundas no ser humano, mudanças de conceitos com os quais convivemos há séculos, portanto, não é algo
que pode ser modificado em um mês, ou um ano.

Aluno: Mas todos nós seremos submetidos a estas mudanças?

Professor: Sim. Se o universo/natureza quer que toda a humanidade passe para o próximo nível, digamos
assim, então ninguém ficará de fora, independentemente do lugar, crença ou outro fator qualquer.

Aluno: Então vamos ver se entendi. As mudanças de comportamento que tanto nos assustam hoje em dia
são conseqüência da nova fase na qual a humanidade/planeta está entrando. E apesar de parecer que as
coisas estão piorando, em médio prazo há tendência de estabilidade destas mudanças, e um futuro
maravilhoso para o homem.

Professor: Compreendeu uma boa parte, exceto aquela sobre o futuro.

Aluno: Então o que nos espera o futuro? Mais tragédias?

Professor: Eu não disse isso. O que você definiu como futuro maravilhoso é uma utopia humana que ainda
demorará alguns séculos para se concretizar. O que nos espera o futuro? Não sou profeta para saber isso,
mas você deve olhar sob o ponto de vista das tendências, e não esperar fatos concretos, que são impossíveis
de se prever.

Aluno: Vamos às tendências então.

Professor: Em médio prazo, as pessoas começarão a ver que não é o mundo que está acabando, ele está
apenas mudando, e que a melhor forma de acompanhar estas mudanças é mudar a si mesmo também.
Muitos podem perguntar: mas mudar o que? Como? Basta que deixem um pouco de lado as sensações do
mundo exterior e se interiorizem um pouco a cada dia. Perceberão que as respostas estão, assim como
sempre estiveram, em seu coração. É lá no fundo, naquele vazio que você tanto teme, naquele silêncio que
você tanto teima em preencher, que está tudo o que você precisa saber. Porque você não é seus
pensamentos, você não é seu corpo físico, você não é seus sentimentos. Você é o silêncio entre dois
pensamentos, a quietude entre duas batidas do seu coração. Lá você existe, lá você está, assim como
sempre esteve, e sempre estará.

Aluno: Prometo que vou pensar muito a respeito destas respostas.

Professor: Perfeito, por que como em todas as coisas, é você quem deve decidir o que é certo ou errado,
apenas você.

Aluno: Obrigado.

Professor: Por nada.

Paulo Schwirkowski – 2011

http://pt.scribd.com/paulowirko