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Equipe:

SEMINÁRIO ENG360
Ana Carolina Costa
FADIGA EM POLÍMEROS Ana Paula Carvalho
Revisão bibliográfica e estudo de caso Mateus Andrade
Yan Sávio

Docente: Claudia Lisiane Fanezi


Confidencial Personalizado para Nome da empresa Versão 1.0

INTRODUÇÃO

● Fadiga
❖ Alguns conceitos
❖ Ensaios de Fadiga
❖ Fatores que interferem na vida em fadiga
● Polímeros
❖ Classes, Métodos de obtenção e Classificações
❖ Ensaios mecânicos
❖ Fadiga em polímeros
● Estudo de caso
❖ Resistência à Fadiga de Polímeros Reforçados com Fibras de
Aramida, Vidro e Carbono
FADIGA

● Tipo de falha que provém de tensões dinâmicas e cíclicas aplicadas em


estruturas;
● Ocorre sob um nível de tensão muito abaixo do limite de resistência à tração;
● É decorrente de um longo período sob tensões repetidas ou ciclos de deformação;
● Formação e propagação de trincas;
● Formação de fissuras que podem levar à ruptura após um determinado número
de ciclos.
ENSAIO DE FADIGA

● É realizado a partir da aplicação de carga cíclica em


um corpo de prova adequado e padronizado;
● O corpo de prova suporta, por grandes períodos,
cargas repetitivas e/ou cíclicas, e como
consequência, fornece dados quantitativos referente
Imagem - Ensaio de fadiga por
às características em fadiga do material utilizado. flexão rotativa
● Torção, flexão ou tração-compressão fonte: GARCIA et al., 2000
TIPOS DE TENSÕES CÍCLICAS

● Existem 3 tipos de tensões cíclicas


● Sendo que elas podem ser subdivididas em duas
categorias
❖ as com amplitude de tensão constantes
❖ as com amplitude de tensão variável
● A amplitude de tensão pode ser calculada como:
Amplitude de tensões constantes

Apresentam uma tensão média constante ao longo do tempo

Ciclos de tensões repetidas

● R > -1
● Valores assimétricos em relação ao nível 0
● Apresenta um caso especial quando R = 0
Amplitude de tensões constantes

Ciclos de tensões alternadas

● R = -1
● Valores simétricos em relação ao nível 0
● Representa casos ideais
Amplitude de tensões variáveis

Ciclos de tensões aleatórios

● Muito complexos
● A análise desses ciclos pode ser feita por uma aproximação
● Estuda-os como uma sequência de blocos de ciclos com
amplitude de tensão constante
CURVA 𝝈-N

● O modo mais comum de apresentar os resultados do ensaio de fadiga, onde é construído um


gráfico de tensão (𝝈) x o número de ciclos (N) necessários para resultar numa fratura.
● Os gráficos 𝝈-N indicam que quanto maior for a tensão, menor será o número de ciclos que
o material será capaz de suportar até a fratura.
● O corpo de prova é submetido a um ciclo de tensões com a tensão máxima bastante elevada.
O procedimento é repetido em outros corpos de prova, reduzindo-se de gradativamente a
tensão máxima empregada.
A depender do material, duas condutas distintas são observadas nas curvas 𝝈-N:

● Limite de resistência à fadiga (𝝈Rf)- Gráfico (A);

● Resistência à fadiga (𝝈f)- Gráfico (B).


CURVA 𝝈-N

● Vida à fadiga (Nf) corresponde ao número de ciclos que irá ocasionar uma ruptura para
determinado nível de tensão;
● Fadiga de baixo ciclo- Ruptura abaixo de 10^4 ciclos - Cargas relativamente altas -
Deformação plástica cíclica acentuada;
● Fadiga de alto ciclo - Ruptura superior a 10^4 ciclos - Baixos níveis de tensão - Relacionada
a propriedades elásticas do material.
DETERMINAÇÃO NUMÉRICA DOS
RESULTADOS DO ENSAIO DE FADIGA

● As características intrínsecas do corpo de prova podem levar à heterogeneidade das


amostras, influenciando para que os resultados apontem uma dispersão;
● Necessidade de aplicar técnicas estatísticas para determinar, de maneira mais exata, a vida à
fadiga ou a resistência à fadiga dos componentes.
1. PROBABILIDADE À FRATURA
2. TENSÕES LIMITES
3. MÉTODO ESCADA
FRATURA DE FADIGA

● A ruptura do material ocorre em três etapas.


1. Nucleação da trinca
2. Propagação cíclica da trinca -
Fenômeno lento
3. Falha catastrófica - Fenômeno rápido
Imagem - Superfície de falha por fadiga. Uma
trinca se formou na borda superior. A região lisa
corresponde à área na qual a trinca se propagou
lentamente. A falha repentina ocorreu na área
que possui uma textura opaca e fibrosa
fonte: CALLISTER; RETHWISCH, 2016
NUCLEAÇÃO DA TRINCA
● Regiões de alta concentração de tensão ou baixa
resistência local;
● Defeitos superficiais e internos;
● Deformações locais em bandas de deslizamento

Imagem - Região de intenso deslizamento


durante a fadiga
fonte: GARCIA et al., 2000
Imagem - Elementos de nucleação de trincas em componentes sujeitos a esforços
cíclicos
fonte: GARCIA et al., 2000
PROPAGAÇÃO DA TRINCA
● Imperfeições internas geram uma concentração
localizada de tensão, gerando uma deformação
plástica cíclica ocasionada pela atuação de uma
tensão cíclica;
● Deformação local colabora para o crescimento de
uma trinca a cada ciclo de tensão;
● Durante a propagação de uma trinca são formadas Imagem - Microestruturas mostrando a
formação de estrias
microestruturas denominadas estrias.
fonte: GARCIA et al., 2000
FALHA CATASTRÓFICA
● Os materiais estão continuamente sujeitos a
mudanças bruscas de carga de fadiga;
● Essas alterações são transmitidas na
macroestrutura superficial da fratura por
meio das marcas de praia;
● Indica que a trinca que está avançando atingiu
um tamanho crítico
Imagem - Macroestruturas mostrando a
fratura de fadiga
fonte: GARCIA et al., 2000
FATORES DE INFLUÊNCIA
NA RESISTÊNCIA À FADIGA

● A resistência à fadiga é multifatorial


❖ tensão média
❖ projeto
❖ efeitos superficiais
❖ ambiente
TENSÃO MÉDIA

● Quanto maior for a razão de tensões R, maior a


resistência à fadiga
● Quanto maior a tensão média, menor a vida em
fadiga
FATORES DE PROJETO

● Acabamento da peça
❖ acidentes geométricos

● Geometria do material
❖ evitar pontos de concentração de tensões
EFEITOS SUPERFICIAIS

● Tensões máximas ocorrem na superfície


● Variáveis que afetam a superfície:
❖ Rugosidade
❖ Tratamentos superficiais
➢ polimentos
➢ endurecimento da camada superficial
❖ Variações na tensão residual
➢ jateamento
EFEITOS DO AMBIENTE

Fadiga térmica

● normalmente acontece em altas temperaturas


● ocorrem devido o material estar muito preso

Fadiga por corrosão

● ação simultânea de tensões mecânicas cíclicas e ataque químico


POLÍMEROS

● São macromoléculas constituídas por repetições de uma mesma unidade química


denominada meros que se unem por meio de ligações covalentes.
● Polímeros industrializados, o peso molecular se encontra entre 104 e 106
● Classes de polímeros:
1. PLÁSTICOS
2. BORRACHAS
3. FIBRAS
POLÍMEROS

● Formas de Obtenção:
❖ FONTES NATURAIS - celulose, borracha natural, óleo de mamona e óleo de soja
❖ DESTILAÇÃO DO CARVÃO MINERAL - gases de hulha, gás amônio, gás alcatrão
da hulha e o coque
❖ DESTILAÇÃO DO PETRÓLEO
POLÍMEROS

● PLÁSTICOS DE ENGENHARIA NA ÁREA INDUSTRIAL


● CARACTERÍSTICA DE BAIXA DENSIDADE E FLEXIBILIDADE DE FABRICAÇÃO.
CLASSIFICAÇÃO DOS POLÍMEROS

● EM FUNÇÃO DO COMPORTAMENTO TÉRMICO


1. TERMOPLÁSTICOS

2. TERMORRÍGIDOS

● EM FUNÇÃO DO COMPORTAMENTO MECÂNICO


1. PLÁSTICOS

2. ELASTÔMEROS OU BORRACHA

3. FIBRAS
PROPRIEDADES MECÂNICAS

● DEPENDEM DE:
1. MATERIAIS DE PARTIDA

2. TÉCNICA DE PREPARAÇÃO

● Determinam a resposta dos materiais às influências mecânicas externas.


● Exemplos: alongamento na ruptura, módulo de elasticidade, resistência à compressão, à
flexão, à tração, ao impacto, à fadiga etc.
● Resistência à fadiga ou resistência à flexão dinâmica
ENSAIOS MECÂNICOS EM POLÍMEROS

● Representados como CURVAS DE TENSÃO-DEFORMAÇÃO e o mais utilizado são os


ENSAIOS DE TRAÇÃO.
● Parâmetros avaliados nos ensaios: Amplitude de tensões e deformações aplicadas, tensão e
deformação média, frequência de carregamentos, características das curvas de
tensão-deformação (senoidal, quadrada), temperatura ambiente, temperatura e geometria
do material.
ENSAIOS MECÂNICOS EM POLÍMEROS

● Relações tensão deformação dos polímeros.


ENSAIOS MECÂNICOS EM POLÍMEROS

● ENSAIO CLÁSSICO: CURVAS S-N


● Engenheiros e projetistas usam a curva para prever falha em material.
● Conhecendo a variação na tensão, tensão média da peça e estando abaixo da assíntota
horizontal da curva S-N do material, a falha por fadiga não deve acontecer.
ENSAIOS MECÂNICOS EM POLÍMEROS
LEGENDA

EP - Resina epóxi

PET - Poli(etilenterftalato)

PA66 - Poliamida 66

PS - Poliestireno

PPO - Poli(óxido de fenileno)

PMMA - Poli(metacrilato de metilo)

PP - Polipropileno

PE - Polietileno

PTFE - Poli(tetrafluoretileno) (teflón)


COMPORTAMENTO EM FADIGA DOS POLÍMEROS

● FADIGA - processo de alteração estrutural permanente e localizado que ocorre em um


material devido a aplicações de tensões e deformações cíclicas em um ou mais pontos que
pode culminar no aparecimento de TRINCAS ou na completa FRATURA do material após
um número suficiente de ciclos. (FUCHS, 1980)
● VIDA A FADIGA - Número de ciclos de oscilação (N) realizados no material até fazê-lo
atingir a fratura.
● Fatores necessários para ocorrer a fadiga: tensões cíclicas, tensões de tração, deformações
plásticas localizadas.
COMPORTAMENTO EM FADIGA DOS POLÍMEROS

● A FADIGA pode decorrer do uso


● A falha por fadiga ocorre de forma repentina nas mudanças bruscas de geometria da peça,
presença de tensões residuais e imperfeições no material.
● Propagação da TRINCA até atingir o comprimento crítico e ocorrendo falha por fratura
frágil.
ESTUDO DE CASO
Resistência à Fadiga de Polímeros Reforçados
com Fibras de Aramida, Vidro e Carbono

Meneghetti et al., 2010


ESTUDO DE CASO

● O trabalho avaliou o comportamento à fadiga de compósitos estruturados com fibras de


carbono, aramida e vidro.
● Os corpos de prova foram submetidos a cargas de tração cíclica a uma frequência de 5 Hz
até a ruptura.
● A carga máxima aplicada variou na faixa de 0,45 a 0,80 da tensão última à tração, mantendo
sempre a razão R=0,1 (razão entre a carga mínima e a máxima).
Resistência à Fadiga de Polímeros Reforçados com Fibras de Aramida, Vidro e
Carbono
● A fadiga dos materiais compósitos difere em grande escala da fadiga em metais

● Aparecimento de numerosas fissuras

● Dependente de outros mecanismos de falha, tais como ruptura das fibras, fissuração da
matriz, delaminação e descolamento.

● Normalmente o comportamento à fadiga de Polímeros Reforçados com Fibras (PRF) é


influenciada de forma negativa por elevadas temperaturas e umidades.

● A frequência de carregamento é um outro fator que afeta o comportamento à fadiga.


METODOLOGIA EXPERIMENTAL

● As propriedades de compósitos PRF


foram determinadas usando os métodos
da ASTM D 3039 (2006) e ASTM D 3479
(1996).

● Mantas de fibra de carbono CF 130

● Vidro EG 900

● Fibras de aramida AK 60
METODOLOGIA EXPERIMENTAL

● Seleção de base epóxi bi-componente


para criação da matriz do compósito
estruturado com fibra aramida.

● Viscosidade adotada é mais baixa para


garantir que houvesse um bom
envolvimento das fibras
METODOLOGIA EXPERIMENTAL

● Cura da resina por 7 dias ● O ensaio de tração foi realizado com


velocidade de 2 mm/min até a ruptura
● Cortou-se o laminado nas dimensões de
250 mm x 40 mm ● Os ensaios de fadiga feitos no modo
tração-tração carga máxima aplicada
● Reforçou-se as extremidades colando
variou na faixa de 0,45 a 0,80 da tensão
simetricamente laminados de fibra de
última à tração estabelecida num ensaio
vidro de 1,2 mm
de tração direta estática, mantendo
constantemente a razão R=0,1
METODOLOGIA EXPERIMENTAL

● Os ensaios foram realizados numa


máquina MTS equipada para ensaio
de fadiga.
RESULTADOS OBTIDOS

● Os PRFC obtiveram os valores mais


elevados de tensão máxima e de módulo
de elasticidade.

● Os valores da tensão máxima foram


obtidos a partir da média de cinco
exemplares de cada tipo de PRF.

● Já a deformação máxima e o módulo de


elasticidade representam a média de
duas amostras.
RESULTADOS OBTIDOS

● Pela regra das misturas, somamos as


frações volumétricas da fibra e da
matriz, e multiplicamos pelos
respectivos módulos de elasticidade.

● Valores bem próximos entre os


compósitos, com exceção da Aramida
AK 60, o que pode indicar presença de
um maior volume de fibras.
RESULTADOS OBTIDOS
RESULTADOS OBTIDOS

● As fibras de carbono obtiveram uma


melhor relação log N x σ máx.

● As retas de tendência de comportamento


têm inclinação leve, mais intensidade no
em relação à fibra de carbono e
apresentando uma maior suavidade no
caso da fibra de aramida.

Variação da tensão x número de ciclos para fadiga por tração.


REFERÊNCIAS
CALLISTER, W.D.; RETHWISCH, D.G. Fundamentos de Ciência e Engenharia dos Materiais, 9a Edição,
Rio de Janeiro: LTC, 2016.

CANEVAROLO, Sebastião V. Ciência dos polímeros. Um texto básico para tecnólogos e engenheiros.
Editora Artliber. 2002.

CUINALA, Hildair. P. M.de C. Previsão Numérica da Vida à Fadiga em Peças Entalhadas Sujeitas a Cargas
Cíclicas Multiaxiais. Tese de Mestrado - Universidade de Coimbra. Dissertação no âmbito do mestrado
integrado em Engenharia Mecânica: Especialidade de Produção e Projeto. Coimbra, Setembro, 2019.
REFERÊNCIAS
GARCIA, A.; SPIM, J. A.; DOS SANTOS, C. A. Ensaio dos materiais. Edição única. Rio de Janeiro: LTC,
2000.

MANO, Eloisa Biasotto. MENDES, Luis Claudio. Introdução a Polímeros. Editora Edgard Blucher. 2ª
edição. 1999.

MANO, Eloisa Biasotto. Polímeros como materiais de engenharia. Editora Blucher. 1991.

MENEGHETTI, L.C.; GARCEZ, M.R.; SILVA FILHO, L.C.P; GASTAL, F.P.S.L. Resistência à fadiga de
polímeros reforçados com fibras de aramida, vidro e carbono. Engenharia Estudo e Pesquisa. Santa Maria,
v. 10 - n. 2 - p. 15-22 - jul./dez. 2010.
REFERÊNCIAS
MOCELIN, D.M. Avaliação do comportamento à fadiga de misturas asfálticas quentes e mornas através do
modelo de dano contínuo viscoelástico. Tese de mestrado - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil: construção e infraestrutura. Porto Alegre, p. 136. 2018.

OLIVIER, Nelson Cárdenas. Tese para obtenção do título de Doutor em Engenharia: Análise de falha da
camada polimérica externa de cabos umbilicais. São Paulo, 2007.

PAZA, Luiz André. Dissertação em Pós-graduação: Análise de fadiga em uma mola de acetal homopolímero.
Florianópolis, 2013.

ROSA, E. Análise de Resistência Mecânica: Mecânica da Fratura e Fadiga. Universidade Federal de Santa
Catarina; Departamento de Engenharia Mecânica. Santa Catarina, 2002.

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