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CHAVES SECCIONADORAS

Segundo a NBR 6935, chave é um dispositivo mecânico de manobra que na posição aberta
assegura uma distância de isolamento, e na posição fechada mantém a continuidade do
circuito elétrico nas condições especificadas.

A mesma norma define o seccionador como sendo um dispositivo mecânico de manobra capaz
de abrir e fechar um circuito, quando uma corrente de intensidade desprezível é interrompida,
ou restabelecida, quando não ocorre variação de tensão significativa através de seus
terminais. É também capaz de conduzir correntes sob condições normais do circuito e, durante
um tempo especificado, correntes sob condições anormais, tais como curtos-circuitos.

Os seccionadores são utilizados em subestações para permitir manobras de circuitos elétricos,


sem carga, isolando disjuntores, transformadores de medida, de potência e barramentos.

Características Elétricas

a) Tensão Nominal
É a qual a chave seccionadora foi projetada para funcionar em regime contínuo e deve
ser igual à tensão máxima de operação prevista para o sistema em que está instalado.

b) Corrente Nominal
É aquela que a chave seccionadora deve conduzir continuamente sem que sejam
excedidos os limites de temperatura previstos em norma.
Os valores padronizados pela ABNT são: 200-400-600-800-1200-1600-2000-2500-
3000-4000-5000-6000 A.

Tabela 1
As chaves seccionadoras devem suportar condições de trabalho acima dos valores
nominais durante intervalos de tempo específicos, como se verá a seguir:

I. Sobrecarga contínua

Caracteriza-se pela percentagem de corrente adicional que o seccionador pode suportar


dentro dos limites de temperatura normalizados.
Uma outra maneira de definir uma sobrecarga contínua: é a corrente de qualquer valor
superior à corrente nominal que o seccionador é capaz de conduzir durante um período
suficientemente longo para a estabilização de sua temperatura de operação.
Como a sobrecarga de um seccionador é função da elevação de temperatura sofrida pelo
equipamento, é necessário, então, se estabelecer os limites admissíveis de temperatura
suportável, de sorte que não provoquem modificações temporárias ou permanentes das
características técnicas de quaisquer de seus componentes. Admitindo-se, por exemplo, um
aquecimento exagerado nos componentes condutores de cobre, estes podem chegar ao
ponto de recozimento, com drástica redução das suas propriedades mecânicas.
A norma estabelece que a máxima temperatura ambiente admitida para seccionadores é de
40°C. Se essas chaves operarem em temperaturas inferiores à temperatura ambiente, é
admissível uma sobrecarga contínua de conformidade com a equação a seguir. É preciso
ressaltar que o limite de elevação de temperatura é estabelecido para o componente do
seccionador que primeiro atingir a sua temperatura máxima de operação.

𝑇𝑚 − 𝑇𝑎
𝐼𝑠𝑐 = 𝐼𝑛 𝑥 √ (𝐴)
𝑇𝑚 − 40

Isc – corrente de sobrecarga admissível na temperatura ambiente considerada [A}


In – corrente nominal do seccionador referida à temperatura ambiente de 40°C
Tm – temperatura permissível no ponto mais quente do seccionador que normalmente
se localiza nos contatos, conexões e terminações e que, resumidamente, pode ser
obtida na tabela 1;
Ta – temperatura ambiente [°C]

Logo, o fator de sobrecarga vale:

𝐼𝑠𝑐
𝐹𝑠 =
𝐼𝑛
Explo: Calcular o fator de sobrecarga admissível numa chave seccionadora unipolar de
600 A/15kV, contatos em liga de cobre nu no ar, instalada numa rede aérea em que a
temperatura ambiente é de 25°C.

Tm = 75°C (Tabela 1 – temperatura máxima admissível para contatos de liga de cobre


nu no ar)

𝑇𝑚 − 𝑇𝑎 75 − 25
𝐼𝑠𝑐 = 𝐼𝑛 𝑥 √ = 600 𝑥 √ = 717,1(𝐴)
𝑇𝑚 − 40 75 − 40

𝐼𝑠𝑐 717,1
𝐹𝑠 = = = 1,195 𝑜𝑢 19,5%
𝐼𝑛 600

II. Sobrecarga de curta duração

Caracteriza-se pela corrente que o seccionador pode conduzir acima da sua capacidade
nominal, durante um período de tempo especificado, sem que sejam excedidos os limites
de temperatura dados por norma.
Um exemplo clássico de regime de curta duração é o da partida de grandes motores, cujo
valor de corrente de acionamento pode chegar a oito vezes seu valor nominal.
Na prática, aplica-se a seguinte equação:

40 − 𝑇𝑎
𝐼𝑠𝑐 = 𝐼𝑛 𝑥 √1 + −𝑇
(𝐴)
∆𝑇𝑚 𝑥 (1 − 𝑒𝜏)

Tm – elevação de temperatura máxima admissível para qualquer componente do


seccionador [°C];
T – tempo de circulação da corrente para o qual se inicia o processo de estabilização
térmica, em minutos;
- constante de tempo térmica do equipamento. Para um valor crescente de T/, a
corrente de sobrecarga admissível da corrente de curta duração se aproxima do valor
admissível da corrente de sobrecarga contínua. A constante de tempo admitida para
seccionadores de 15kV é de 40 minutos.

Explo: Determinar a corrente de sobrecarga de curta duração para o exemplo


anterior, considerando-se que o tempo de sobrecarga é de 70 minutos, o suficiente
para se realizar uma transferência de carga entre alimentadores a fim de possibilitar
um reparo na rede de distribuição sem desligar os consumidores da área.

Tm= 35°C – (Tabela 1 – para ligas de cobre nu no ar)

40 − 25
𝐼𝑠𝑐 = 600 𝑥 √1 + −70 = 739,4(𝐴)
35 𝑥 (1 − 𝑒 40 )

739,4 − 600
∆𝐼% = 𝑥100 = 23,2%
600
c) Frequência Nominal

Deve ser informada a frequência nominal do sistema elétrico do local de instalação da


chave seccionadora: 50 ou 60Hz.

d) Nível de Isolamento

Caracteriza-se pela tensão suportável do dielétrico às solicitações de impulso


atmosférico e de manobra.

e) Solicitações das Correntes de curto-circuito

Os seccionadores devem permitir a condução de corrente de curto-circuito por um


tempo previamente determinado até que a proteção de retaguarda atue eliminando a
parte do sistema defeituosa.

I. Corrente dinâmica de curto-circuito

O primeiro semiciclo da corrente de curto-circuito tem um valor muito elevado,


declinando logo em seguida, segundo uma taxa que depende da relação entre reatância
e a resistência do circuito X/R desde a fonte até o ponto de defeito.

Quando as lâminas dos seccionadores são atravessadas por uma corrente de curto-circuito,
surgem forças dinâmicas capazes de provocar esforços extremamente elevados no conjunto,
sobrecarregando mecanicamente a coluna dos isoladores, os suportes e as próprias lâminas
condutoras que devem ser suficientemente robustas para suportar os efeitos resultantes.
A equação a seguir permite que se determine o valor desta força, em função do valor da corrente
de crista e das dimensões do seccionador.
2
𝐼𝑐𝑖𝑚
𝐹 = 2,04 𝑥 𝑥 𝐿 (𝑘𝑔𝑓)
100 𝑥 𝐷

Icim – corrente de curto-circuito, tomada no seu valor de crista [kA];


D – distância entre lâminas, cujos valores podem ser obtidos na tabela 2 [cm]
L – comprimento livre da lâmina [cm]
Tabela 2 – Espaçamento para chaves

Quando os seccionadores são instalados externamente e apresentam grandes


dimensões, isto é, para tensões nominais elevadas, deve-se considerar o efeito do
vento sobre sua estrutura, compreendendo as colunas dos isoladores, as lâminas e
os suportes metálicos. Esse esforço deve ser somado com a força F, devido ao
efeito dinâmico da corrente de curto-circuito, resultando no valor final que o
seccionador deve suportar.
O esforço do vento em superfícies planas e cilíndricas podem ser calculados pelas
seguintes equações:

𝐹𝑝 = 0,007𝑥𝑆𝑥𝑉𝑣2 (𝑘𝑔𝑓)

𝐹𝑐 = 0,0042𝑥𝑆𝑥𝑉𝑣2 (𝑘𝑔𝑓)

Fp – esforço do vento em superfícies planas [kgf]


Fc – esforço do vento em superfícies cilíndricas [kgf]
S – superfície sobre a qual atua o vento [m2]
Vv – velocidade do vento [km/h]

Explo: Calcular o esforço que atua sobre um seccionador de 600A/72,5kV,


abertura lateral, instalado externamente e cujas dimensões são dadas abaixo,
quando atravessado por uma corrente de curto-circuito, com valor de crista igual a
15kA

C=1067mm
2
𝐼𝑐𝑖𝑚 152
𝐹 = 2,04 𝑥 𝑥 𝐿 = 2,04 𝑥 𝑥 106,7 = 2,67 (𝑘𝑔𝑓)
100 𝑥 𝐷 100 𝑥 183

Icim = 15 [kA]
D – 1830mm=183 [cm] (Conforme tabela 2)
L – 1067mm=106,7 [cm] (Conforme desenho acima)

Quanto ao esforço do vento em relação às estruturas cilíndricas, tem-se:

𝐹𝑐 = 0,0042𝑥𝑆𝑥𝑉𝑣2 = 0,0042𝑥0,43𝑥902 = 14,6 (𝑘𝑔𝑓)

Vv=90km/h (valor característico das mais variadas regiões brasileiras)


S=0,43 m2 (valor médio estimado, que corresponde à área plana dos isoladores
sob a ação dos ventos)

Logo, a força resultante vale:


Fr= F + Fc = 2,67+14,6 = 17,27 kgf

II. Corrente térmica de curto-circuito

Assim como a corrente de curto-circuito, valor de crista, solicita mecanicamente um


seccionador, a corrente térmica do mesmo defeito pode provocar aquecimentos
exagerados nas partes condutoras, nos contatos e nas terminações.
Na aplicação de um seccionador, deve-se calcular o valor da corrente térmica de curto-
circuito do sistema no ponto de sua instalação e compará-lo com o valor da corrente
térmica nominal para o tempo de curto-circuito admitido pelo fabricante. O valor da
corrente térmica pode ser calculado pela seguinte equação:

𝐼𝑡ℎ = 𝐼𝑐𝑖𝑠 𝑥√𝑚 + 𝑛 (𝑘𝐴)


Ith – corrente térmica [kA];

Icis – corrente eficaz inicial de curto-circuito, valor simétrico [kA]

m – fator de influência do componente de corrente contínua, dado na tabela 3

n – fator de influência do componente de corrente alternada dado na tabela 4


Tabela 3

f) +++

Tabela 4

Explo: Verificar se o seccionador cuja corrente térmica é de 20kA para um tempo de 1s pode
ser instalado numa subestação de 13,8kV, onde a corrente de curto-circuito inicial simétrica é
de 12kA e a relação entre esta e a corrente de curto-circuito simétrica vale 2,0. O fator de
assimetria calculado para este caso é de 1,7.

m=0,0 (tabela 3)
n=0,7 (tabela 4)

𝐼𝑡ℎ = 𝐼𝑐𝑖𝑠 𝑥 √𝑚 + 𝑛 = 12𝑥√0,0 + 0,7 = 10𝑘𝐴 (𝑘𝐴)

Como a corrente térmica no ponto de instalação da chave é inferior ao seu valor nominal, logo
poderá ser aplicada na subestação.

f) Capacidade de Interrupção

Como é de conhecimento, os seccionadores são equipamentos incapazes de


interromper correntes elevadas, a não ser alguns tipos construídos para média tensão,
que dispões de câmaras de interrupção adequadas, em geral para correntes nunca
superiores a sua nominal.
Contudo, os seccionadores devem abrir e fechar circuitos indutivos e capacitivos onde
podem ocorrer elevadas correntes de magnetização, tais como na energização de
transformadores de potência ou de banco de capacitores.
Para determinar a capacidade de interrupção dos seccionadores, pode-se empregar a
seguinte equação:

𝐷
𝐼𝑖 = 𝑥𝐾 (𝐴)
𝑉1
Ii – corrente de interrupção, valor eficaz [A];

V1 – tensão de linha, isto é, entre fases [kV]

D – distância mínima entre lâminas adjacentes [mm]

K – fator de correção, que vale:

K=0,4 – abertura para correntes de carga;

K=0,2 – abertura de transformadores em vazio;

K=0,6 – abertura de capacitores

Explo: Calcular a corrente de interrupção de um seccionador de 600A/15kV, instalado numa


subestação, e destinado à operação de um transformador de potência de 1500kVA, em vazio.

D=305mm (tabela 2)

V1=13,8kV

K=0,2
𝐷 305
𝐼𝑖 = 𝑥𝐾 = 𝑥0,2 = 4,4 (𝐴)
𝑉1 13,8
A corrente nominal do transformador vale:
1500
𝐼𝑛 = = 62,7 𝐴
√3𝑥13,8
Como a corrente de magnetização de um transformador está compreendida entre 1 e 6% da
corrente nominal, logo, considerando-se um valor médio de 3,5%, tem-se:
3,5𝑥62,7
𝐼𝑜 = = 2,19 𝐴
100
Desta forma, Io<Ii (condição satisfeita)

g) Fotos de Chaves seccionadores


Ex. 1) Calcular o fator de sobrecarga admissível numa chave seccionadora tripolar de
400 A/15kV, instalada numa rede aérea em que a temperatura ambiente é de 35°C,
sabendo-se que seus contatos são prateados.

Tm = 105°C (Tabela 1 – temperatura máxima admissível para contatos prateados ou


niquelados no ar)

𝑇𝑚 − 𝑇𝑎 105 − 35
𝐼𝑠𝑐 = 𝐼𝑛 𝑥 √ = 400 𝑥 √ = 415,1 (𝐴)
𝑇𝑚 − 40 105 − 40

𝐼𝑠𝑐 415,1
𝐹𝑠 = = = 1,037 𝑜𝑢 3,8 %
𝐼𝑛 400

Ex. 2) Determinar a corrente de sobrecarga de curta duração para o exemplo anterior,


considerando-se que o tempo de sobrecarga é de 80 minutos, o suficiente para se
realizar uma transferência de carga entre alimentadores a fim de possibilitar um
reparo na rede de distribuição sem desligar os consumidores da área.

Tm= 65°C – (Tabela 1 – para prateados ou niquelados no ar)

40 − 𝑇𝑎 40 − 35
𝐼𝑠𝑐 = 𝐼𝑛 𝑥 √1 + −𝑇 = 400 𝑥 √1 + −80 = 417,41(𝐴)
∆𝑇𝑚 𝑥 (1 − 𝑒𝜏) 65 𝑥 (1 − 𝑒 40 )

I%=(417,41-400)/400x100=4,35%

Ex. 3) Calcular o esforço que atua sobre um seccionador de 400A/15 kV, abertura
vertical, instalado externamente e cuja dimensão é C=381mm, quando
atravessado por uma corrente de curto-circuito, com valor de crista igual a 25kA.

Icim = 25 [kA]
D – 610mm=61 [cm] (Conforme tabela 2)
L – 381mm=38,1 [cm] (valor dado)

2
𝐼𝑐𝑖𝑚 252
𝐹 = 2,04 𝑥 𝑥 𝐿 = 2,04 𝑥 𝑥 38,1 = 7,96 (𝑘𝑔𝑓)
100 𝑥 𝐷 100 𝑥 61

Quanto ao esforço do vento em relação às estruturas cilíndricas, tem-se:

𝐹𝑐 = 0,0042𝑥𝑆𝑥𝑉𝑣2 = 0,0042𝑥0,43𝑥902 = 14,6 (𝑘𝑔𝑓)

Vv=90km/h (valor característico das mais variadas regiões brasileiras)


S=0,43 m2 (valor médio estimado, que corresponde à área plana dos isoladores
sob a ação dos ventos)

Logo, a força resultante vale:


Fr= F + Fc = 7,96 + 14,6 = 22,56 kgf

Ex. 4) Verificar se o seccionador cuja corrente térmica é de 10kA para um tempo de 0,1s pode
ser instalado numa subestação de 13,8kV, onde a corrente de curto-circuito inicial simétrica é
de 10kA e a relação entre esta e a corrente de curto-circuito simétrica vale 1,5. O fator de
assimetria calculado para este caso é de 1,5.

m=0,15 (tabela 3)

n=0,95 (tabela 4)

𝐼𝑡ℎ = 𝐼𝑐𝑖𝑠 𝑥 √𝑚 + 𝑛 = 10𝑥√0,15 + 0,95 = 10,5 (𝑘𝐴)

Como a corrente térmica no ponto de instalação da chave é superior ao seu valor nominal,
logo não poderá ser aplicada na subestação, devendo o mesmo ser substituído por outro de
capacidade térmica maior.

Ex. 5) Calcular a corrente de interrupção de um seccionador de 400A/34,5kV, instalado numa


subestação, e destinado à operação de um transformador de potência de 7500kVA, em vazio.

D=457 mm (tabela 2)

V1=34,5kV

K=0,2
𝐷 457
𝐼𝑖 = 𝑥𝐾 = 𝑥0,2 = 2,64 (𝐴)
𝑉1 34,5
A corrente nominal do transformador vale:
𝑘𝑉𝐴 7500
𝐼𝑛 = = = 125,51 𝐴
√3𝑥𝑘𝑉 √3𝑥34,5
Como a corrente de magnetização de um transformador está compreendida entre 1 e 6% da
corrente nominal, logo, considerando-se um valor médio de 3,5%, tem-se:
3,5𝑥125,51
𝐼𝑜 = = 4,39 𝐴
100

Desta forma, Io>Ii (condição não satisfeita. Caso venha a ser confirmada a corrente de
magnetização a ser obtida pelos ensaios de fábrica, o transformador só poderá ser operado
por disjuntor).

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