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IX - DA FIANÇA - Arts. 818 a 839 do C. Civil.

1. DEFINIÇÃO - vide arte 818.


Fiança é o contrato através do qual uma das partes se obriga perante a outra parte a satisfazer
a obrigação de um terceiro (o devedor), se este não a cumprir.

1.1. Contrato de fiança é espécie do gênero caução; é caução pessoal, fidejussória.

2. DISPOSIÇÕES GERAIS:
a) A fiança constitui obrigação acessória, que pressupõe, necessariamente, existência de
outra obrigação principal, de que é garantia.

b) Quem pode ser fiador: todas as pessoas capazes e que tenham a livre disposição de seus
bens.
* Vale observar que o cônjuge não pode prestar fiança sem o consentimento do outro, exceto
no regime da separação absoluta (art. 1.647-III).

c) Requisito formal da fiança: só vale por escrito (art. 819), por instrumento público ou
particular.

d) Não admite interpretação extensiva (art. 819).

e) É contrato entre credor e fiador, podendo ser celebrado até mesmo contra a vontade do
devedor (art. 820).

3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS JURÍDICAS DA FIANÇA:


a) Acessoriedade.
b)Unilateralidade: apenas gera obrigações para o fiador, em relação ao credor, que só terá
vantagem.
c) Gratuidade: o fiador, em regra, não recebe remuneração.
* A priori, a fiança é um instituto gratuito, mas nada impede que seja remunerado.
d)Subsidiariedade: o fiador só se obriga se o devedor principal ou afiançado não cumprir a
obrigação, a menos que se tenha estipulado solidariedade.

4. A FIANÇA COMO GARANTIA DE OBRIGAÇÃO FUTURA - arte 821.


As dívidas futuras podem ser objeto de fiança.

5. ABRANGÊNCIA DA FIANÇA - arts. 822 e 823.


a) Não sendo limitada, a fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal,
inclusive as despesas judiciais, desde a citação do devedor (art. 822).

b) A fiança pode ser de valor inferior ao da obrigação principal (art. 823).

c) Quando a fiança exceder o valor da dívida, não valerá senão até ao limite da obrigação
afiançada (art. 823).

6. VALIDADE E EXIGIBILIDADE DA OBRIGAÇÃO GARANTIDA - arte 824. As


obrigações nulas não são suscetíveis de fiança, exceto se a nulidade resultar de
incapacidade pessoal do devedor.
6.1. A FIANÇA E O MÚTUO FEITO A MENOR.
Vide arte 824, parágrafo único.
Vide arte 588.

7. RECUSA DO CREDOR EM ACEITAR O FIADOR INDICADO - art.825.

8. A SUBSTITUIÇÃO DO FIADOR - arte 826.


O credor poderá exigir a substituição do fiador caso o mesmo se torne insolvente ou Incapaz.

9. DOS EFEITOS DA FIANÇA:


a) Beneficio de ordem ou excussão - vide arts. 827, 828 e 839.

b) Beneficio da divisão - vide arts. 829 e 830.

c) Sub-rogação legal vide arts. 831, 832 e 833.

d) Pedido de exoneração da fiança dada sem determinação de prazo: vide arte 835.

e) Morte do fiador: suas obrigações passam aos seus herdeiros, mas a responsabilidade da
fiança limitar-se-á tão-somente ao tempo decorrido até o seu óbito, e não poderá ir além das
forças da herança. Vide arte 836.

10. DA EXTINÇÃO DA FIANÇA - arts. 837 a 839.

a) O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais, como incapacidade para
ser fiador, exoneração de sua responsabilidade pela expiração do prazo, e as extintivas da
obrigação que competem ao devedor principal, como pagamento, prescrição, novação, etc.
(vide arte 837).

b) Liberação do fiador - vide hipóteses estampadas no art. 838.

c) Retardamento do credor na execução. Vide arte 839.

11. DISTINÇÃO ENTRE AVAL E FIANÇA.


A fiança é um contrato previsto no Código Civil, enquanto que o aval é garantia própria dos
títulos de crédito.
O aval gera responsabilidade solidária, já a fiança pode gerar ou não este tipo de
responsabilidade.
* Ambos carecem da outorga do outro cônjuge - vide arte 1.647-III.