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Quais são a duas possíveis configurações de um trocador de calor de tubos concêntricos

(trocador bitubular)? Para cada configuração, quais restrições estão associadas às


temperaturas de saída dos fluidos?

Os trocadores de calor de tubos concêntricos ou bitubulares podem ser facilmente


implementados nos processos apresentando elevada flexibilidade na construção e são
bastante usados na indústria de processos em geral, com duas configurações que se destacam
de acordo com o tipo de escoamento: em paralelo (concorrente) e em contracorrente. Na
primeira, as correntes quentes (a serem resfriadas) e frias (a serem aquecidas), percorrem o
tubo interno e a região anular no mesmo sentido. Já em contracorrente, as correntes são
dispostas em sentidos opostos.

Ao longo do trocador, o potencial térmico ∆𝑇 = 𝑇q - 𝑇f varia dependendo do arranjo adotado.


No caso do arranjo em paralelo, há uma diminuição do potencial térmico ao longo do trocador,
enquanto no arranjo contracorrente ele fica mais ou menos uniforme ao longo do trocador,
desde que não haja mudança de fase.

O arranjo em paralelo tem uma limitação termodinâmica: a temperatura de saída do fluido frio
não pode exceder a de saída do fluido quente. Assim, para um trocador em paralelo com
comprimento infinito, os fluidos sairiam do equipamento em equilíbrio térmico, na mesma
temperatura. Já para o arranjo contracorrente, não há essa limitação, pois há uma força motriz
favorável e ao longo de todo o trocador, possibilitando que a temperatura de saída do fluido
frio saia mais quente do que a temperatura de saída do fluido quente.
Qual efeito a deposição tem sobre o coeficiente global de transferência de calor e, assim, no
desempenho de um trocador de calor? Como é feita essa remoção na indústria?

A deposição é um efeito decorrente do acúmulo de material indesejado sobre superfícies


aquecidas de equipamentos térmicos, especialmente em trocadores de calor da indústria de
processos de transformação. O depósito é formado por partículas orgânicas e inorgânicas,
microrganismos, macromoléculas e produtos de corrosão, estas que podem se acumular tanto
no lado do casco quanto no lado dos tubos, de modo que as resistências de depósito são
consideradas para ambos os fluidos.

Alguns dos principais mecanismos de formação da deposição são:

 Cristalização: ocorre devido à supersaturação, decorrente da variação da temperatura


do fluido, com a consequente deposição de sais presentes no mesmo;
 Decomposição de produtos orgânicos ou coqueamento: as superfícies do trocador
podem ficar cobertas com coque, produzidos por reações químicas. Essas reações
ocorrem próximas à superfície quente e produzem partículas solidas ou alcatrão
muito viscoso que se acumulam nos tubos.
 Reações químicas: depósitos que são formados como resultado das reações químicas
que se desenvolvem no meio fluido ou diretamente na superfície de transferência de
calor.
 Sedimentação: consiste no depósito de partículas sólidas nas superfícies do trocador.
 Deposição biológica: algas, fungos e bactérias podem consumir nutrientes em
suspensão e formar limos que se prendem à superfície do trocador.
 Corrosão: esse processo consiste na oxidação de metais, causada por oxigênio ou
ácidos dissolvidos no fluido.

Como consequência, tem-se o aumento das resistências à transferência de calor ou


transferência de energia, ou seja, uma resistência adicional é inclusa no cálculo do
coeficiente global de transferência de calor, diminuindo a eficiência de troca térmica
(resistência térmica condutiva adicional) e resistência ao escoamento de fluidos, podendo
obstruir a passagem do fluido, aumentando a sua perda de carga (diminuição da área
transversal ou do diâmetro interno dos tubos). Assim, este fenômeno afeta o
desempenho térmico dos trocadores de calor, resultando em um aumento do consumo de
energia.

Para facilitar a quantificação do efeito de deposição, costuma-se usar um parâmetro


definido como fator de incrustação, onde quanto maior o fator de incrustação, maior o
depósito e maior a resistência à troca térmica.

Quando a incrustação atinge um nível crítico, é necessário retirar o trocador de operação


para realização da manutenção. Assim, a remoção dessa deposição é feita com jatos de
água pressurizados, ácidos de limpeza e jatos de areia. Como paradas de manutenção só
são realizadas quando realmente necessárias, nas refinarias, evita-se a deposição com uso
de dessalgadoras e filtros convencionais.

REFERÊNCIAS

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5039243/mod_resource/content/1/PQI3301%2
0FT2%20Apostila%203%20Trocadores.pdf

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