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PRÁTICA CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVA

ATIVIDADE AVALIATIVA CASO 6

Tatiane Jesus da Silva RA. 817126614


Francielly Gomes da Silva RA. 817123738
Giovanna Biazucci RA. 817123364
TURMA DIR5BN – MCB
SÃO PAULO
2021

EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL


FEDERAL

PARTIDO BETA, partido político com representação no Congresso Nacional, devidamente


registrado no Tribunal Superior Eleitoral, inscrito no CNPJ sob nº XX. XXX. XXX/XXXX-XX,
com sede em Rua xxxx nº xx, Bairro xxxx, CEP xxxxx-xxx Cidade xxxx / SP, representado, na
forma de seu Estatuto Social, pelo seu Presidente xxxxxx vem por sua advogada que esta
subscreve (procuração em anexo) respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro
no art. 102 § 1° e 103, inciso VIII da Constituição Federal. Art. 1º da Lei Federal nº
9.882/99.Art. 2º da Lei Federal nº 9.882/99ajuizar a presente:

AÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL

Com pedido de concessão de medida liminar,

contra os artigos 11 e 12 da Lei Orgánica do Município Alfa, ato da Câmara Municipal do


Municipio Alfa de natureza pré constitucional e indica como preceitos constitucionais vulnerados
o art nº 1º. caput. (Principio Republicano); Art. 22. inciso I. (violação à competência legislativa
exclusiva da União),princípio do devido processo legal (art. 5°. LIV. CRFB) princípio da
separação de poderes (arts. 2° e 60 54". III, CRFB); art. 29 caput e inciso X (que dispõent sobre
os municipios e sobre as respectivas leis orgânicas, todos da Constituição da República.
Ato do poder público

A presente ADPF surge-se contra os artigos 11 e 12 da Lei Orgánica do Municipio cuja


publicação ocorreu em 30 de maio de 1985 que estabelece no seu Artigo 11, diversas condutas
como crime de responsabilidade do Prefeito, entre elas o não atendimento, ainda que justificado,
a pedido de informações da Câmara Municipal, inclusive com previsão de afastamento imediato
do Prefeito a partir da abertura do processo político. Convém esclarecer que trata-se de norma
municipal e anterior à CRFB/88 (Art. 1º, parágrafo único, inciso 1, e do Art. 4°, § 1º, ambos da
Lei nº 9.882/99).

Ultrapassado tal ponto, acresça-se que o Art. 12 da norma municipal contém previsão que define
a competência de processamento e julgamento do Prefeito pelo cometimento de crimes comuns
perante Justiça Estadual de primeira instancia, já existe representação oferecida por Vereadores
da oposivão com o objetivo de instaurar processo de apuração de crime de responsabilidade com
fundamento no referido ato normativo.

I - DA LEGITIMIDADE

De acordo com o Art. 2º da Lei 9.882/99 os legitimados à proposição de argüição de


descumprimento de preceito fundamental constam no rol taxativo do artigo 103. inciso VIII. da
CRFB/88.

Art. 20 Podem propor arguição de descumprimento de preceito fundamental:

1-os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade.

A seu turno, os legitimados a proposição de ação direta de inconstitucionalidade são: Presidente


da República; Mesa do Senado Federal: Mesa da Camara dos Deputados: Mesa de Assembléia
Legislativa ou da Camara Legislativa do Distrito Federal: Governador de Estado ou do Distrito
Federal Procurador-Geral da Republica; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
partido político com representação no Congresso Nacional; confederação sindical ou entidade de
classe de âmbito nacional.

Nota-se então, efetivamente, que o requerente é parte legitima para ingressar com a presente
ADPF, tendo em vista que possui representação no Congresso Nacional.

II - DO CABIMENTO DA ADPF

A Arguição de Preceito Fundamental está prevista no art. 102, § 1º, da Constituição Federal,
regulamentada pela Lei nº 9.882/99 e aplicável contra atos comissivos e omissivos dos Poderes
Públicos que importem em lesão ou ameaça de lesão aos princípios e regras mais relevantes da
ordem constitucional.

Art. 10 A arguição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o
Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental,
resultante de ato do Poder Público.

Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental:

I- quando for relevante o fundamento da controversia constitucional sobre lef ou ato normativo
federal, estadual ou municipal, incluidos os anteriores à Constituição:

A ADPF exprime a preocupação do constituinte em aperfeiçoar a rede de ações, recursos e


garantias que visam preservar a supremacia constitucional. Nessa ótica, a ADPF deve colmatar
lacunas e não substituir garantias e ações existentes ou concorrer com elas, para evitar que se
torne mais complexo e instável o sistema de controle de constitucionalidade.

Como dito, o artigo 11 ora questionado estabelece diversas condutas como crime de
responsabilidade do Prefeito, entre elas o não atendimento, ainda que justificado, a pedido de
informações da Câmara Municipal, inclusive com previsão de afastamento imediato do Prefeito a
partir da abertura do processo político. A referida norma foi publicada em 1985. portanto, é de
natureza pré constitucional anterior à CRFB/88, de caráter municipal, logo, submete-se à ADPF.
Ultrapassado tal ponto, acresça-se que o Art. 12 da norma municipal contém previsão que define
a competência de processamento e julgamento do Prefeito pelo cometimento de crimes comuns
perante Justiça Estadual de primeira instância. Insta salientar, que já existe representação
oferecida por Vereadores da oposição com o objetivo de instaurar processo de apuração de crime
de responsabilidade com fundamento no referido ato normativo.

Portanto, face ao exposto e em homenagem ao princípio da subsidiariedade, a Arguição de


preceito Fundamental traduz-se na única ação que de controle objetivo de constitucionalidade
aplicável, cabível, consoante Art. 4º. 5 1º, da Lei nº 9.882/99.

III- DA VIOLAÇÃO A PRECEITOS FUNDAMENTAIS

A Constituição Federal de 1988 estabelece o estado Brasileiro como um ente federativo,


consoante disposição de exercício tipo federativo.Neste sentido, os artigos ora impugnados
violam o art. 22, 1. da CRFB/88, tendo em vista que matéria é de direito penal e a competência é
legislativa e privativa da União, o que trasngride todo o sistema republicano e a divisão de
competências.

Logo, os artigos 11 e 12 da Lei Municipal agridem frontalmente o sistema jurídico, porquanto


não mantém compatibilidade material com os valores que a Constituição. Ora, a repartição de
competências é nucleo inafastável de organização politico administrativo brasileiro.

Neste particular, o crime de responsabilidade traduz-se em competência legislativa exclusiva da


União. A norma municipal padece de vício de constitucionalidade, pois materialmente
inconstitucional.

Importante, porém, aduzir que o Art. 29, inciso X, CRFB/88, prescreve sobre os municípios e
sobre as respectivas leis orgánicas. Nesse diapasão, o referido dispositivo diz que os Prefeitos
possuem a prerrogativa de foro perante o Tribunal de Justiça em crimes comuns.
Ao revés, o artigo 12 da lei municipal prevê a competência de processamento e julgamento do
Prefeito pelo cometimento de crimes comuns perante Justiça Estadual de primeira instància, ato
que ofende como dito o devido processo. legal e a competencia do Tribunal de Justiça, que não
se confunde com Justiça Estadual de primeira instância. Em face do exposto, vê-se que os artigos
ora combatidos revestem-se de vicios insanaveis de inconstitucionalidade formal e material e
porquanto são iličitos os atos submetidos a tais fundamentos, como o possível afastamento do
cargo de Prefeito Municipal. Dito, isso é fundamental expor a necessária concessão de medida
liminar, consoante possibilidade expressa da legislação de regência.

IV - DO PEDIDO DE LIMINAR

Já existe representação oferecida por Vereadores da oposição com o objetivo de instaurar


processo de apuração de crime de responsabilidade com fundamento no referido ato normativo.

Com efeito, a Lei nº 9.882/99 prevê a possibilidade de concessão de medida cautelar na arguição
de descumprimento, mediante decisão da maioria absoluta dos membros do Tribunal. Em caso de
extrema urgência ou de perigo de lesão grave, ou ainda durante o período de recesso, a liminar
poderá ser concedida pelo relator ad referendum do tribunal Pleno (art. 5º e § 1°).

Pelo exposto requer que seja sustada a eficácia do Art. 11 da Lei Municipal do Municipio Alfa
em face da Constituição da República e em decorrência obstar o prosseguimento da
representação contra o Prefeito por crime de responsabilidade.

Deve-se observar que, por tratar-se de situação em que o perigo na demora para a concessão da
tutela definitiva satisfativa pode ocasionar danos irreparáveis à parte autora, resta caracterizada a
possibilidade do pleito da tutela de urgência satisfativa em caráter antecedente, conforme o nosso
novo Código de processo Civil brasileiro nos oportuna em seu art. 294. §nico, in verbis:

Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência.Paragrafo único. A


tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em carater antecedente
ou incidental.

Assim, a tutela provisória de urgência pressupõe, a existência de elementos que evidenciem o


perigo que a demora no oferecimento da prestação jurisdicional, periculum in mora, representa
para a efetividade da jurisdição e a eficaz realização do direito.

Portanto, está nítido o direito que a Requerente possui em ter seu pleito de tutela cautelar de
urgência antecedente concedido, com fundamento no artigo 5°, § 3º da Lei9.882/99, requer a
suspensão do da ação fundada em crime de responsabilidade oferecida em desfavor do prefeito
de acordo com o artigo 11 da lei orgànica municipal de 1985, uma vez que não houve qualquer
conduta que venha ser imputado ao Prefeito.

V - PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) a oitiva do Procurador Geral da República com fulcro no art. 7º, lei. 9.882/99.

b) solicitação de informações à Câmara dos Vereadores pela edição da Lei em respeito ao


estabelecido no § 2º, art. 5° e art. 6º da Lei. 9.882/99.

c) O deferimento da liminar e o julgamento definitivode procedência da ADPF.

d) Sustação da eficácia do artigo 11 e 12 da Lei Orgânica do Municipio Alfa em face da


Constituição da Republica e em decorrência obstar o prosseguimento da representação contra o
Prefeito por crime de responsabilidade.

e) Que seja declarada a inconstitucionalidade dos Artigos 11 e 12 da Lei Orgânica do Município


Alfa em face da Constituição da República por incompatibilidade formal e material à
Constituição.

Para prova dos alegados, instrui a presente exordial com cópia dos dispositivos legais ora
impugnados, consoante art. 3 da Lei 9.882/99.
Dá-se à causa o valor de R$ 10.000,00.

Termos em que,

Pede deferimento

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LOCAL E DATA

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ADVOGADA OAB XXX/XXX

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