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20/08/2020

Filosofia do Direito
Irineu Bagnarioli
irineu.junior@saojudas.br

Aristóteles e Kant são os que mais caem na OAB.


MATERIAL:
Livro: Curso de Filosofia do Direito – Bittar
Livro: Os grandes Filósofos do Direito – Organizado – Irineu vai passar pra gente.

História: “professor foi para praia, sobrinha foi junto e ela estava no notebook
trabalhando no foro de Mauá”. Ela estava sentenciando. Ela e mais uma colega que
sentenciam e fazem dosimetria da pena etc. Terceiro ano de direito e sentenciando. Os
juízes sentenciam muito pouco.

A grife educacional ainda conta muito. Por quê? Porque as pessoas querem gente
desenrolada, com facilidade de aprender.

Habilidades profissionais devem ser relacionadas às habilidades intelectuais, por isso é


importante entender o Direito. Então filosofia ajuda a pensar.

Habilidade e competência você aprende, agora habilidade intelectual e capacidade de


aprender é mais difícil.

Por isso que se valoriza as pessoas de faculdades renomadas.

O que o mercado de trabalho quer são pessoas criativas e com capacidade de resolver
problemas.

Os 3 grandes cursos, em medicina você sai carimbado, você dificilmente consegue


mudar de área, até consegue mais é mais difícil. Já em engenharia também sai
carimbado. Já no direito, existe uma característica sui generes, porque se você sai da
faculdade focado em penal, você facilmente consegue para outras áreas.
E advogado quando começa advogar, começa a ser advogado para outras causas, acaba
se tornando “advogado da família”. Claro que em algumas causas mais complexas você
chama um especialista e tudo mais, mas de modo geral o advogado faz trabalho em
várias áreas.

Existem até as “clínicas gerais”. Então é necessária essa característica de você trabalhar
com várias coisas.

Então, a filosofia te ajuda a pensar. “ele citou o cara que tinha petições elogiadas graças
à filosofia”.

Então qual é a grande diferença do aluno de escola pública para o aluno de escola
privada? É a carga de matérias que ele tem para trabalhar seu intelectual.

Então a filosofia vai ajudar diretamente na prova de ordem, empregabilidade, trabalho,


estágio. E ajuda a desenvolver causas mais complexas do direito. Nenhum caso é igual
ao outro e conseguir trabalhar com isso é um atributo intelectual da pessoa. E não
adianta nada ser formado e ter o diploma, se não tiver habilidade intelectual para lidar
com isso.

Quem diz que não tem empregabilidade, oportunidades... enfim, isso tudo acontece pela
pessoa que é desenrolada. E isso não cai do céu, se aprende. Quem não gosta da matéria
de filosofia, paciência, mas dizer que não contribui para a vida profissional, não é
verdade.

Por que os alunos da USP se dão tão bem no exame de ordem? Porque ele tem uma alta
carga dessas matérias propedêuticas, filosóficas e aí ele tira de letra e faz primeiro
sociologia e filosofia. Por outro lado, muitos alunos de instituições privadas que não
tem esse tipo de matéria, acabam se dando mal porque não tem essas matérias mais
propedêuticas, tendo, apenas, as matérias mais técnicas do mercado de trabalho, enfim.

Até para concursos públicos.

Alma mater. = bons fundamentos

O curso de filosofia pressupõe que já vimos uma parte considerável dos pensadores
clássicos. Então filosofia II trabalha a partir do juspositivismo.
Filósofos:
- Kant marca muito a filosofia, pois ele é um filosofo de transição entre jusnaturalismo e
o juspositivismo.
- Hegel
- Kelsen
- Reale
- Luman
- Foucault
- John Rawls
- Chaim Perelman

(pesquisar como escreve o nome deles)


Nas primeiras aulas, vou passar sobre Aristóteles, Platão e Kant teoria da moral e do
direito.

Crítica de Platão à teoria da justiça de Aristóteles.

27/08/2020
Vamos falar das bases teóricas da filosofia do direito para depois entrar na filosofia do
direito propriamente dita e na teoria da justiça.

Vamos tentar focar nossa cabeça num universo filosófico para se familiarizar com a
filosofia do direito.

Livro Justiça - série de palestras sobre os grandes pensadores. Assistir depois na internet
as palestras 40 -50 min. cada falando sobre as teorias da justiça.

“depois que você estiver a vontade com a filosofia do direito, a sua vida nunca mais será
a mesma”. A filosofia do direito tem um papel fundamental para uma visão holística
(ver o todo) do direito e ser capaz de ver ideias complexas do direito.
Método Cartesiano (de Decarte): a essência do direito está no simples. Sempre vá do
mais simples para o complexo. Se você for do simples para o complexo você vai estar
sempre construindo um raciocínio lógico. E o método cartesiano tem objetivo de
resolver problemas. Possui 4 regras: primeiro tem que observar o problema. Depois
decompor o problema em partes menores. Resolver as partes menores. E, por fim,
recompor as ideias para resolver.

Exemplo: os orientadores financeiros quando estão falando com você (momento em que
você está perdido com suas dívidas e não sabe o que fazer porque o dinheiro nunca dá
para nada), então eles dizem: primeiro entenda sua dívida. Depois analisa os juros mais
caros. Enfim, assim você consegue se organizar e priorizar.
Este é um exemplo do uso do método cartesiano na vida prática.

Aristóteles começou e o Decarte terminou de ensinar as pessoas a pensarem com lógica.

Então vamos voltar lá atrás e entender a primeira coisa mais importante. Como posso
entender a diferença da filosofia do direito da teoria da justiça?

A filosofia do direito: é um grande guarda-chuva que procura entender o que é o direito


e o papel dele na vida das pessoas e cabem várias áreas do direito e da filosofia.

Para que eu opere o direito eu preciso ter a consciência de que eu estou agindo certo. O
direito é uma das áreas em que a ética é importante. A ética é o que define aquilo que é
certo do que é errado. Nesse sentido, se eu tenho que saber o que é certo (todos nós
temos como ideia básica do que é o certo e do que é justo), e aí se eu quero fazer o que é
justo, eu tenho que responder uma questão anterior:

“O que é justiça?”

Justiça não se define em uma frase.

Platão , quando ficou absolutamente devastado com a morte de Sócrates


(que foi condenado a morte pela cidade de Atenas), ele ficou tão
desiludido da participação da vida social que ele resolveu montar uma escola para uma
elite intelectual e acabou criando a primeira universidade da história da humanidade que
se chamava academia, e criou para que pudesse fugir da vulgaridade da vida coletiva e
poder vivenciar uma experiência de discutir com pessoas que na opinião dele tinha
capacidade de discernimento

Desta forma, Platão, seguindo seu mestre Sócrates, tinha uma preocupação muito
grande que está até hoje ligada na nossa vida e ele dedicou uma parte considerável da
sua filosofia, e ele tentou fazer com que a filosofia resolvesse parte considerável desse
problema.

Trata-se do problema dos conceitos. Platão tinha uma plaquinha que dizia:

“se quer conversar comigo, defina seus conceitos”

Exemplo, um dos discursos, em relação de “andar armado”.

Tudo bem um cidadão andar armado, desde que seja gente de bem. Daí começou uma
discussão sobre o que seria “gente de bem”.

Gente de bem para o professor é quem tem preocupação com as grandes questões da
vida, justiça, pobreza, amizade, etc.

Porém, para muitas pessoas, gente de bem é quem tem posses financeiras.
Outro exemplo, tem uma mulher que fez uma entrevista, que morava em Higienópolis
que não queria a estação de metrô porque ela dizia que por lá passaria muitas pessoas
diferenciadas, que pessoas? Quem ela quis dizer?

Então o que é gente de bem? Então defina gente de bem. E aí vamos discutir. Gente de
bem é rico? Gente de bem é que gosta do ser humano acha agravável viver entre seres
humanos, então o professor pode concordar. Mas primeiro, defina os seus conceitos, que
aí nós poderíamos conversar, conforme Platão.

Então as palavras de Platão continuam existindo.

O que nos remete ao primeiro problema filosófico desta aula. Como eu disse a teoria do
direito é um grande guarda-chuva. Você não consegue saber o que é certo se não souber
o que é justo.
Nós temos o direito natural permanecendo até meados do século XIX, e a partir daí
começa-se o juspositivismo com mais forma. Daí o império do direito positivo, até a
segunda Grande Guerra mundial. Com a teoria de Kelsen.

Muita gente que critica Kelsen, não leu Kelsen, da mesma forma quem critica Marx não
leu Marx pois são grandes gênios da história da humanidade.

O direito positivo se baseia em valores, ética e moral. Já o direito natural ao mesmo


tempo considera

Kelsen é considerado radical, etc. porque foi associada que para ele fora da norma não
existe direito, sendo radical dizendo que o que não está no direito não está no mundo. E
quando nó criticamos o direito positivo é a ideia de que Hitler utilizou-se da lei para
impor suas ideias. E a partir daí o mundo começou a repensar a lei e repensar o direito.

Porém, Kelsen fez uma coisa muito importante para o direito.

O direito natural era baseado na ética e na moral, imutáveis.


Agora a sociedade evolui, e o direito não evolui?

Kelsen é o cara que vai incorporar e aceitar as mudanças sociais do direito, que o direito
vai incorporar as mudanças da sociedade. Ele vai mutabilizar o direito. O direito é a
maneira das pessoas viverem, se as pessoas e a sociedade mudam o direito também.
Mas muita gente critica o direito positivo.

Então, vamos voltar a nossa questão essencial. Lá atrás, no nosso guarda chuva. Nós
temos uma classificação, uma grande área mundial, divida em ciências, humanas,
exatas, e áreas de cada uma. No grande guarda chuva das ciências humanas está o
direito.

Qual é a classificação do direito no conjunto das ciências humanas?


O direito é ciências sociais aplicadas.
Por que?
Porque além de teorizar sobre a sociedade (moral, ética etc.) o direito também aplica
todos os conceitos teóricos na realidade prática. Na verdade, o operador do direito é
quem define o que é justiça, o que é certo e o que é errado.
Então o advogado é quem faz a justiça. Então sem advogado não tem justiça.
O advogado tem humus públicos, o que o advogado faz é considerado um serviço social
para sociedade. Ele deve garantir o direito de justiça, ou seja, toda pessoa que se sinta
injustiçada tem o direito de brigar por isso.

Por isso ele tem o papel mais importante que é o de defender a justiça, definir o que é
ética e moral.

Temos o desafio de definir o que é moral.

Já a ética tem julgamento muito pessoal sobre como deve-se agir. Então o direito
trabalha com a ética e com a moral.

Miguel Reale, desde o início diz que o direito é fato, valor e norma.

Para nós que vivemos no mundo jurídico, temos dois universos paralelos, o universo do
dogma (da norma), esse sim dá trabalho. Não é atoa que muito advogados se tornam
políticos, porque o único modo de mudar a norma é legislando. Ele sai do campo do
direito para fazer a norma.

Tendo em vista tudo isso, se a gente não aprende a importância do conceito num
debate...

Conceito de direito positivo, temos que entender o que ele é antes de criticá-lo.

Desta forma vamos voltar à Platão na antiga Grécia, quero iniciar com uma provocação:

“quando nós estamos debatendo determinado problema ou determinada questão,


normalmente nós vamos evoluindo, a sua e de seu antagonista, quando essa opinião
começa a esquentar e a ferver, (como no Brasil, onde acontece um confronto e não um
debate), um debate que é se torna um confronto e desse confronto se torna uma lide,
não é interessante para nossa sociedade, mas então... Qual é o sentido de um debate?
Quando estamos debatendo, qualquer que seja o assunto, normalmente você vai
discutindo até que ferve e você fala “vamos parar por aqui”, porque eu não vou mudar
sua opinião, cada um tem sua sólida opinião totalmente diferente sobre esse mesmo
assunto, então vamos manter a amizade. O famoso “cada cabeça uma sentença”.

Esse tipo de debate querendo impor não tem sentido, eu tenho que respeitar a
individualidade de cada pessoa, então por isso precisa-se parar.

Você acredita que seja válida a ideia de que cada cabeça uma sentença para o
conhecimento humano? Ou seja, é verdadeira a ideia de que caso eu chegue num
momento da discussão com meu antagonista que se cada um não conseguir mudar a
opinião do outro, deve-se parar a discussão, sendo, portanto, cada cabeça uma
sentença? Existe uma verdade, ainda que a verdade seja relativa?

Para respondermos isso, é preciso fazer uma implicação, é preciso fazer uma mistura
entre o conceito de liberdade de pensamento, até o conceito de verdade. A verdade
existe? A verdade absoluta não existe, portanto a verdade é relativa. Daí a verdade
existe até que se prove o contrário. A filosofia vai caminhando com aspectos científicos.

Para responder isso, precisamos voltar lá atrás. De maneira decisiva e objetiva. A


filosofia é que distingue.

Eu construo ideias a partir do senso comum. Tudo começam com Sócrates, que era
humanistas.

Os filósofos antes dele, eram filósofos pré socráticos. Procuram respostas para coisas da
natureza. Já Sócrates é um marco, porque apesar da qualidade dos filósofos pré-
socráticos (exemplo Heráclito dono da frase, ninguém toma banho no mesmo rio duas
vezes, daí vem o Parmênides e diz que a essência permanece), mas esses caras não
falavam sobre o próprio ser humano. Sócrates fazia questão de ser um grande
antagonista de um conjunto de pensamento de sua época que eram os sofistas (eles eram
professores).

Em Atenas a educação básica era publica, ler escrever e fazer conta. Pessoas pagavam
para ensinarem seus filhos, pagavam os sofistas para tornarem seus filhos grandes
cidadãos.
Sócrates era antagonista deles, porque os sofistas colocavam a verdade dele como
absoluta, e vendiam isso. Isso era um absurdo supremo para a filosofia, porque não
existe verdade absoluta.

Ele dizia que escrever tira a espontaneidade das ideias.

Método de Sócrates = parto de ideias.

Ele provoca as pessoas para que elas soltassem seus verdadeiros sentimentos e
pensamentos, porque sem entender o que eu efetivamente penso, eu não posso entender
nada ao meu redor. Não consigo ter objetivos na vida.

Daí vem uma de suas frases: “conheça-te a ti mesmo”

Sócrates aproveitava suas provocações através da maiêutica, e provocava os sofistas,


angariando muitos inimigos.

As famílias ricas não queriam ser vistas como idiotas, porque elas pagavam os sofistas,
e Sócrates ridicularizava os sofistas.

Um comerciante rico de Atenas, denunciando Sócrates de dois crimes: corromper a


juventude e ironizar os deuses.

Sócrates disse: eu estou corrompendo? Tentando fazer ele descobrir quem ele é? Eu
estou mesmo, sou culpado.

Falaram para o Sócrates, contrata alguém para fazer uma defesa, você é o homem mais
sábio do mundo. E Sócrates se recusou. Daí a denúncia seguiu (é como um processo
hoje em dia).

Sócrates dizia que não ia se defender, porque os outros deveriam reconhecer que ele
estava certo, daí o processo foi correndo, correndo e chegou até a última instancia
(tribunal dos quinhentos) como se fosse o STF.
Sócrates quis fazer a própria defesa. Daí ele ao invés de se defender ele confirmou que
de fato ele tinha a missão de descobrir a verdade.

OBRA: APOLOGIA DE SÓCRATES de Platão.

Ele ironiza os sofistas.


Quando perguntam ao Sócrates que o que ele tinha a dizer quando os deuses dizem que
ele é o mais sábio do mundo, ele fala:

“Só sei que nada sei”

Nesse sentido, Sócrates disse, não confie em ninguém, nem nos seus pais, desenvolva
um raciocínio e chegue às suas próprias conclusões sozinho.

Isso tudo é muito romântico, mas nos remete à questão essencial.

Daí Platão manda todo mundo se f*** e se “tranca” na academia. E lá tem a


oportunidade de desenvolver uma teórica que vai ser desenvolvida por Aristóteles que
vai responder a nossa questão essencial de “cada cabeça uma sentença”.

Há sempre 3 versões de um fato: a minha, a sua e a verdade.

Essa é a pergunta e não responderemos hoje, fica no ar.

Se tudo é tão relativo assim, para que é que serve a ciência?


Porque se o objetivo da ciência é descobrir a verdade, e a verdade é relativa ela nega a
própria existência.

Nós vamos voltar, mas a resposta para essa questão é a diferenciação entre o senso
comum e o pensamento científico.

O relativismo da verdade, só vai ser resolvido de verdade lá em Kant.


Doxa VS Pensamento Científico

03/09/2020

Sócrates
O que Sócrates deixa é a dianóia: que significa refletir sobre a informação.
Não era um hábito das pessoas, refletirem sobre as informações que recebiam.
Era aquilo de bateu levou, Ex: vc recebe, vc dá o troco, você recebe vc rebate, e não
reflete.
Por que isso é importante? O que isso tem a ver com a maiêutica?
Sócrates diz que isso não constrói personalidade. Pois as pessoas não podem ser
apenas uma esponja e aceitar tudo. Sócrates criticava a retórica dos sofistas pois eles
criticavam as formas.
Estudar” nos dá a autonomia do pensar”, e pensar nos dá a autonomia de agir”.

Dianóia= refletir.
E é a dianóia que nos faz ser capaz de agir, agir com juízo. Pois quando eu descubro o
que eu realmente penso, eu fico convencido e sou capaz de argumentar.

Quando vc reproduz o que houve no rádio por exemplo. O seu antagonista não te
entende.

Sócrates dizia que para que eu faça argumente eu preciso ser um debatedor de ideias.

Maiêutica:
Primeiro eu estabeleço o diálogo. E através do diálogo ele ia colocando fatos e
argumentos. E quando a pessoa iria reproduzindo coisas de outros, ele começava a
provocar. Essa provocação era a segunda fase, a ironia. Irritava a pessoa, questionava a
pessoa de maneira que duvidava dela. Muitas vezes ele pegava na dor, para que o
sofrimento fizesse a pessoa botar pra fora e se livrar dessa dor.
Aí a pessoa cansava do Sócrates ficava irritava e soltava tudo de uma vez e fala de uma
vez o que a pessoa pensava, daí ele paria suas ideias.

Agora vamos para Platão, ele era discípulos de Sócrates, continuava na luta contra os
sofistas.
Platão desenvolve a teoria das almas, ou teoria das ideias, (uma teoria complexa), que
nos remete a compreender o que Platão tentou fazer com o debate.

Há muitas semelhanças entre o pensamento de Platão e a visão religiosa do mundo. Foi


através de filosofia de Platão que as religiões criaram toda sua estrutura. Conceitos de
paraíso, mundo espiritual, a reencarnação, doutrinas teológicas.
Muitos entenderam os textos sagrados através da filosofia de Platão.

Por que isso?

A primeira questão importante, é a seguinte, antes de Platão e Sócrates existiam certos


filósofos que eram chamados de filósofos da natureza, pré-socráticos, antes de Sócrates.

Eles falavam sobre a natureza e não sobre a humanidade, e dois se destacam:

Filósofos pré-socráticos
Heráclito de Éfeso (popstar da filosofia pré-socrática) – Ao tentar entender a natureza
chegou a uma conclusão: é difícil compreender como a natureza funciona porque tudo
está em constante movimento, tudo flui, todas as coisas que existem estão em
permanente mudança. Sua frase:
“Ninguém toma banho no mesmo rio duas vezes porque tudo está em constante
movimento.
No minuto que você entra na água, fluiu, já era.

Porém, essa ideia foi rebatida por Parmênides.

Parmênides de Eleia (sofistas)(água) – ele diz o seguinte: tudo muda, mas apenas na
aparência, mas o que fica é a essência. Imutável.
Então não adianta me basear na aparência das coisas, porque ela pode mudar, mas a
essência não muda. Por trás de todas as coisas à uma essência eterna.
(Os pré-socráticos, pensavam que tudo que existe no mundo vem de um único elemento
natural)
Parmênides era sofista e acreditava em verdades absolutas, daí a ideia de essência,
verdade imutável.
Sócrates dizia que a verdade não era absoluta.
Já quem lidou com isso, foi, Platão.
O Platão ao combater os sofistas e as verdades absolutas ele faz uma crítica entre a
essência eterna e ideia de que tudo muda constantemente. Platão diz que Parmênides
e Sócrates estão certos, duas teorias totalmente que batem de frente.
Mas como é possível se uma bate de frente com a outra?

Dialética. Muitos atribuem a Platão a questão de estruturar a dialética. Não, Platão não
inventou a dialética. Ninguém sabe quem falou pela primeira vez da dialética.

Mas a dialética é uma forma filosófica de argumentar, que combate a visão sofistas. E é
usada até hoje para argumentar, que é a ideia de tese e antítese.

Teses VS Antíteses
Eu proponho uma tese (uma ideia) e você uma ideia contrária a minha.
(ante tese, contrária a tese) o objetivo seria estabelecer qual seria a verdadeira.
Para quem utiliza, na dialética, o Resultado do debate, seria a síntese.
No debate entre a tese vs a antítese, é estabelecido a síntese.
Eu estabeleço a tese vc a antítese, nós dois temos argumentos válidos e daí nós
construímos uma terceira alternativa que leva em consideração os dois argumentos, que
é chamada de síntese. E pode até conter sua própria negação. É construída a terceira
possibilidade que é a mais próxima da verdade. Não significa necessariamente a vitória
de alguém.

Ex:
Vocês acreditam que uma pessoa possa amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo?
Todos responderam sim. Daí está, contém sua própria negação.
Amor e ódio são elementos que não estão na razão, por isso podem conviver
perfeitamente.
(42min)
Platão combatia as verdades absolutas.

O Irineu pegava geral na faculdade.


A dialética propõe que o argumento vencedor, pode negar sua própria verdade.
A crítica principal de Sócrates é que não adianta você ter um discurso brilhante, se ele
não tiver um conteúdo inteligível. Você pode usar todas as dicas para ter um conteúdo
perfeito, mas se você não raciocinar sobre aquilo que você tem a dizer seu argumento
será rebatido facilmente.

A oratória é aprender a falar.

A essência é imutável ou não? O destino é controlado por uma forma imutável e eterna
ou fazemos nosso próprio destino?
A religião cristã resolveu de uma forma muito inteligente, ela diz que as pessoas
possuem o livre arbítrio.
O deus criou o homem, mas deu livre arbítrio a ele para refletir sobre o bem e o mal.

Mundo das ideias Vs Mundo Real


Como Platão resolve o problema do eterno, imutável daquele que muda frequentemente.
Platão duplica a realidade. Vivemos em 2 universos paralelos. Um mundo que é real que
é o mundo sensível. E um mundo das ideias, que a religião cristã chama de paraíso. E
esses mundos não se comunicam.
Sistema dualista, ele duplica a realidade.
Real e externo: sensível.
Outro mundo que convive com outro, o mundo das ideias: mundo das ideias.

Uma não se comunica com a outra.

No mundo das ideias está tudo aquilo que é perfeito e não vivemos lá, pelo menos
enquanto estamos vivos. Nós vivemos no mundo sensível e imperfeito.

Ideia de conceito. Só conseguimos entender o mundo quando temos clareza de seu


conceito.
É possível discutir igualdade real entre os seres humanos com um racista
preconceituoso? Claro que não.
A raça é apenas uma aparência, o resto é tudo igual. Como você vai travar um debate
com alguém que parte do conceito de que os homens não são iguais. Você está falando
de laranja, ele tá falando de banana.
Conceito de ideia:
Definir conceitos é fundamental para poder evoluir, para Platão. Precisamos procurar a
verdade e aprimorar nossos conceitos.
Para Platão nossa missão é procurar a verdade e definir nossos conceitos. Quando eu
aperfeiçoo bastante esse conceito em minha mente, esse conceito é muito útil para eu
compreender a realidade.
Problema no coração. Por que eu vou à um cardiologista? Porque o cardiologista
estudou 5, 6 anos, para compreender o que é um coração saudável. Então ele estudou
um coração por 5 anos para entender o conceito de um coração saudável.
Um cardiologista com o conceito perfeito de coração saudável na cabeça, ele pode
identificar se seu coração está saudável.
Na advocacia, quando você está estudando direito, quantas vezes um parente não já te
perguntou se um contrato estava bom? Porque estudamos contratos sempre, e temos na
mente o conceito de um contrato válido. Então sabemos o que é um contrato válido ou
não.
Existe um conceito perfeito? Não. Eu posso chegar mundo perto, mas o conceito
perfeito eu não posso ter. Por quê? Então, Platão diz que aqui na Terra nós chegamos no
máximo a algumas versões do que existe no mundo das ideias. E no mundo das ideias
nós temos os conceitos perfeitos. O homem é feito de corpo e alma. A alma é a parte
boa do homem, é eterna, livre, não tem necessidades materiais, não deteriora e ela é
pura. E diz que a alma é pura, toda alma é pura e é o ser humano perfeito, mas
infelizmente a alma coabita um corpo e corpo é um inferno. E se a pessoa não se cuidar
a pessoa começa a viver em função do corpo, e aí é que o ser humano se deteriora
completamente.

O professor ama cerveja e odeia ficar bêbado.


E ama energético.
Por que que eu sei que existe o mundo com conceitos perfeitos?
Platão diz que ao observar a natureza como ser humano, você vê que existem cavalos de
todos os tipos, alto baixo, preto, com crina grande. Mas eu olho para o cavalo e o
identifico como cavalo eu vejo um cavalo perfeito. Assim como o cardiologista
identifica o coração porque ele tem na mente dele o coração perfeito.
Esquecer não significa perder, continua na nossa mente. Conhecimento é lembrança da
minha ida no mundo das ideias, mas para eu entender é como se eu quisesse conhecer a
história do Japão, e tem tudo, mas o livro está em japonês e eu preciso aprender japonês
para ler o livro. Daí eu tenho que decifrar a língua do mundo para poder entender os
conhecimentos do mundo.
10/09/2020
Falou sobre a A1
Estado democrático de direito
John Lock a liberdade do indivíduo não pode ser...
Estado que não reconhece os direitos homem e do cidadão não possui constituição.
Estado: pessoas que vivem num território.
Estado de direito: pessoas que vivem num território através de regras definidas em leis.

A1 = Teoria das formas de estado aristotélica, Montesquieu (tripartição de poderes),


contrato social (Thomas Hobbes, John Lock, Rousseau) e neocontratualismo. Filosofia
política.

Base de Estado de Direito


Definição de estado de direito exige decoração. Se eu entender, não preciso de
decoração.
Lembrar que os governos da antiguidade, progressivamente foram se tornando poderes
centralizados, poderes de uma única fonte. Ex.: Império Romano (era metade do mundo
civilizado conhecido), o poder todo estava concentrado o poder nas mãos de uma única
pessoa, o Imperador (Nero etc).
Poderia ser um pequeno grupo de pessoas? Poderia.
Existiu um período que a democracia teve espaço em Roma. Na época da República. Ou
seja, as pessoas poderiam escolher quem iria governar. Porque quem mandava em Roma
era o Senado. Quem mandava em Roma era o Senado Romano (grupo de legisladores),
e quem escolhia esse grupo? A população. Ou pelo menos a elite da população.
Júlio Cesar, presidente do Senado concentrou um poder muito grande e deu um Golpe,
tirou o poder do Senado, e tornou-se imperador. Roma era democracia e passou a ser
uma monarquia.

(...)
Na antiga Grécia, o governo resolveu criar um governo de oligarquia, de 30 tiranos. Daí
vem a palavra tirano.
(...)

Júlio César não chegou, como senador, a ser um tirano, apesar de que tinha o apoio do
exército. Briga de Júlio César e Cícero. Cícero nunca se conformou em Júlio ter
transformado a República em Império. Júlio Cesar sempre prometia restaurar a
república. Promessa chula de “aah vou dar um golpe arrumar a casa e voltar”

O professor tem o vício de não anotar nada, e as vezes falha kk.

Temos o Império. Daí caindo Roma e ocorre no mundo, a descentralização do poder.


Ou seja, se até o império romano, com o feudalismo e queda de Roma esse poder fica
totalmente fragmentado.

A ideia de organização social está muito ligada a ideia de feudo. Um território


governado por um senhor.

A divisão de poder só começa a ser transformada quando no século XIII em diante


começam lentamente a se constituir o Estado.

Começa-se a construir um novo conceito chamado nação, país. O que é nação? O que é
o Estado nacional moderno?
Estado é constituído por 3 elementos fundamentas: um governo um povo e um
território.

Todo Estado tem um território definido. Tem um povo específico que se considera
integrante daquele território, e tem as normas específicas que são aplicadas naquele
território.
O que define ser brasileiro? A constituição define.

Então o conceito de estado moderno, está profundamente ligado ao conceito de direito,


norma e constituição que defina o dever daquele território e das pessoas que existem lá.

Só é possível estabelecer um estado se tiver uma regra de direito que vai definir as
normas de convivência daquele grupo social.

Todos vivendo sobre o mesmo ordenamento jurídico.


Se um cidadão norte americano sai de lá do país dele e vem para o Brasil ele deve seguir
o ordenamento jurídico do Brasil.
Nesse sentido, quando se constituem as primeiras nações. Para se entender isso tem um
filme que mostra a transição do governo feudal para os governos nacionais, o filme se
chama: coração valente, esse filme fala sobre um herói e a criação do Estado
independente da Escócia e como é que se deu a passagem do feudalismo para a
constituição dos estados nacionais.

Basicamente as pessoas seguiam um líder e falavam “vamos lutar para ter esse território
aqui, mas vamos nos tornar independente onde nós teremos as nossas leis”. Este é o
espírito pós idade média.

No filme coração valente mostra bem a luta e a história. Havia muitos feudos que
queriam se tornar a Escócia, e um desses feudos liderasse. A ideia era constituição de
um rei.

O rei prometia dar a terra que o camponês trabalhava para ele, para convencê-los a lutar.

Constituído o Estado novo, o povo e a ideia de ter um governo, quem é que iria mandar?
Como escolher o governo? Que tipo de governo seria e quem escolheria?

Rapidamente a igreja se antecipou e disse...


“o rei deve ser um enviado de deus para governar”
E criou um governo divido de governar. Quando deus escolhe alguém para ser o rei, e
deus é o maior poder que pode existir no mundo, então se deus tem o poder absoluto, o
rei também tem o poder absoluto. Então 95% dos estados que surgiram ao longo de 4 ou
5 séculos e existem até hoje, escolheram um rei e adotou como sistema político o
absolutismo monárquico.

Absoluto mesmo! Poder de vida, de morte, sobre a propriedade etc. Se deus pode tudo,
então o rei também pode tudo.

Ah, mas isso é absurdo.

Na verdade, não, até aqui no Brasil, Dom Pedro, e Dom João VI eram monarcas
absolutistas. A característica do monarca absolutista era não ter controle nenhum sobre
ele porque ele podia tudo. O crime mais comum era o de lesa majestade era aplicado a
qualquer pessoa que o rei achava que estava conspirando contra ele e o rei cismava
contra ele e mandava enforcar.
Na cidade do rio de janeiro aconteceu um fato inusitado que a população estranhou, um
conjunto de soldados caminhou pelas casas do rio e faziam um x vermelho na frente das
casas.

Quando o monarca chegou ao Brasil, ele ocupou todos esses imóveis marcados com X
para ocupar. Se aqui foi assim, nos outros países da Europa não foi diferente disso. E ao
longo do tempo, essa forma de governar encontrou resistência.

Aristóteles já criou a teoria do surgimento do estado moderno, para ele o homem é um


zoom politikon. Sendo político, procura se agrupar.
Teoria do surgimento do estado. Começa da família, da família para as tribos, da tribo
passa para aldeia, da aldeia para estado.
Hoje somos país. E o país é resultado constante da agregação de mais e mais pessoas.
Então a sociedade é uma coisa natural, mas e o governo? Como ele surge?
Aristóteles diz o seguinte: o problema é o seguinte, desde que o homem constitui o
primeiro grupo que é a família, já há naturalmente pessoas que nascem para mandar e
pessoas que nascem para obedecer.
Daí surge o conceito de pater família, pater potestas. E uma das pessoas assume o poder
sobre a família.

Hoje o pai exerce poder sobre o filho até os 18 anos. Isso vem de Aristóteles.
O pai assume o controle juridicamente falando até os 18 anos.
Muito bem, a partir desta ideia, nas aldeias e nas tribos, havia o pajé e o cacique que
eram as autoridades.
Nas aldeias o conselho de anciões
Dentro do grupo surge aquele que tem autoridade natural para liderar. Isso vai
totalmente de encontro à monarquia absolutista.
Essa ideia durou quase 2 mil anos.
Com o surgimento da burguesia que é o meio de campo entre pobres e elite. Hoje é a
classe média. Com a burguesia surge o capitalismo. O absolutismo monárquico era ruim
para a burguesia. Porque ele comandava o que podia comprar etc. Daí os próprios
burgueses ficaram revoltados porque não conseguiam desenvolver seu comercio. Então
a burguesia começa a formular o governo porque aquela forma de governar não servia
mais.
A primeira aversão ao absolutismo monárquico eram os contratualistas. Os
contratualistas de uma maneira geral falam. Existia o estado de natureza que não tinha
governo, e isso era perigoso daí surge o Estado para governar e prover a segurança.
Tinha o livro bem famoso de Hobbes, o Leviatã. Leviatã é o nome dado porque é o
monstro bíblico. Esse monstro bíblico tem característica de proteger os peixes pequenos
contra os peixes grandes. Ou seja, o Estado passa a ser, e figurando na ideia de estado
protetor.
Enquanto Aristóteles disseram que o Estado é natural, os contratualistas dizem o
contrário.
Não, chega uma hora que as coisas ficam tão difíceis que as pessoas fazem um pacto.
Entre dois grupos, um assume o compromisso com o outro de proteger e outro o
compromisso de prover. No compromisso (pacto) o poder vem do povo. O povo que
concorda que deve existir um pacto entre o POVO e o PODER.
Os contratualistas dizem quem tem o poder de definir o poder é o povo.

Existe um direito natural do cidadão que os contratualistas dizem que o poder nunca
pode tirar do cidadão. Mas se o governante tirar a liberdade do cidadão esse contrato
está automaticamente viciado e encerrado.

A partir daí, desta contestação do absolutismo no contratualismo surge o conceito do


estado de direito.

Norberto Bobbio diz o seguinte: em “democracia” livro, e tem o livro governo dos
homens e governo das leis. Em que estabelece o que é melhor, ser governado pelo
governo do soberano ou pelo governo das leis? Deixando claro que o que vale é o
governo das leis.
É uma conquista histórica da sociedade.

Bolsonaro pode entrar de graça no cinema por ser presidente?


Claro que não pode.

Como dizia os pais da constituição dos EUA, você quando tem um cargo público, você
é um cidadão comum investido de cargo público.

Mesmo como presidente ele é obrigado a pagar o pãozinho na padaria.


Resumindo, no estado de direito prevalece a ideia do contrato, ou seja, a ideia de que o
poder é um pacto. E quando um povo estabelece um conjunto de regras, todo mundo é
obrigado a cumprir.

17/09/2020
Quando há uma tradição democrática sólida é muito difícil você querer romper essa
tradição democrática mesmo que tenham governos que tentem ser autoritários.
Pois acaba sendo difícil sustentar um governo autoritário.
Países que tem uma tradição democrática, é difícil você superar esse Estado.
Principalmente, em se tratando de Estado Democrático de Direito.
As democracias estão em risco?
O professor acha que não. Isso porque a tradição democrática é muito grande.
O Trump por exemplo, tenta fazer isso no EUA, mas é muito difícil pq a tradição é
muito grande.
Já no Brasil é diferente. A tentação do brasileiro em estabelecer a mão de ferro é muito
grande, uma vez que caímos em governos autoritários de tempos em tempos.
O regime militar foi apoiada pela população, porque a ideia da mão de ferro para
melhorar o pais foi muito bem implantada.
A eleição do Bolsonaro foi uma mistura. Uma decepção com a esquerda, com uma ideia
de caos instalada.
O próprio Trump faz isso, instala o caos apontando para o adversário, mesmo que o
próprio governo dele esteja em caos.

É muito difícil o comunismo se instalar, por isso os comunistas ficam quietos, é muito
difícil se instalar isso nos países democráticos, principalmente nos dias de hoje.

Já em Estados como, por exemplo, no Brasil, uma democracia muito nova. O mundo
sofre com uma crise com falta de representatividade.

ZIZEK
A democracia não está em crise, porque a população ainda acha que a eleição legitima o
governo. Estamos vivendo ainda sob a ideia da República, governo escolhido pelo povo.
Estamos vivendo uma crise de representatividade. Não estamos nos sentindo
representado por aqueles que estão no poder, tanto no Executivo e no legislativo, e cada
vez menos no judiciário. Uma vez que eles não cumprem aquilo que disseram.

Com a fomentação que se dá ao embate ideológico, Extrema esquerda VS extrema


direita. As pessoas estão votando com base na ideologia, ou seja, se é um candidato é de
direita você vota nele se você for de direita e vice-versa. E não importa o que o
governante faça, mantém o apoio.
Trump: continuam apoiando ele mesmo fazendo várias coisas errada
Bolsonaro: o mesmo acontece com Bolsonaro no Brasil.

Como funciona a democracia? Colocamos um cara no poder e se ele vai bem a gente
mantém, se ele foi mal a gente retira.
A democracia é justamente isso a alternância de poder.
Não existe salvador da pátria.

Na história da humanidade temos duas formas de organizar a sociedade, pela força ou


pelo direito.

Se eu administro a sociedade pelo direito, eu não acredito na força. Já, se eu acredito na


força, eu não acredito no direito.

Então se eu acredito num salvador da pátria eu não acredito nas instituições


democráticas.

Se a vontade do governante prevalece sobre a norma, então eu tenho uma imposição de


ações, então tenho um governo autoritário.

Direito e força não se juntam.

Estado de direito é a prevalência da norma.

Uma das consequências disso é: ideologia é com base na visão de mundo.


Se a minha ideologia é o bem, não há nada de errado querer fazer o bem.
Já se minha visão de mundo é para o egoísmo e individualista, eu vou viver em função
de uma sociedade que prevalece a competição e a concorrência etc.

Agora quando ideologia cega e passo a negar a realidade... e nego a realidade...


Ideologia é bom, mas viver cegamente a ideologia, negando a realidade é porque não
se quer que a realidade desmascare suas ideias.

Então não importa que o tudo esteja um caos, não importa o cara fica lá:
Exemplo:
- o Bolsonaro tá administrando o país, então não importa é isso, vou continuar votando.
- Trump tá administrando o meu país e é isso vou continuar com ele.
Exemplo
Amazônia está sendo destruída. E você pensa, não importa, “a Amazônia está sendo
preservada e servirá de desenvolvimento econômico para o país”.

Então a pessoa vive em função da ideologia, mesmo que a realidade negue suas ideias.

O problema é que quem faz isso vive em ideologia, essa pessoa grita. Grita muito e grita
alto. Na internet, na rua, porque ele precisa publicização sua opinião, e o resto da
população não faz isso. O aí a maioria das pessoas fica calada.

Livro: o homem do castelo alto


É um livro de ficção
Neste livro, ele tenta imaginar como seria o mundo se os nazistas tivessem ganhado a
guerra. Hitler ganhou a guerra e dividiu o mundo com os japoneses. O professor tem
uma crítica pesada.

Há no final uma resistência muito grande americana que luta para se libertar do Hitler e
dos japoneses.

A proposta do livro incomoda pq, o Hitler e os japoneses ocuparam tudo e todo mundo
se acomodou no nazismo e no fascismo. E os EUA iam ser dominados pelo fascismo, e
eles iriam se acomodar no fascismo, e essa critica não é aceita nos estados americanos.
Filip K. Dick diz que se houvesse uma ocupação diz que se o fascismo ocupasse a
américa, todo mundo iria abaixar a cabeça. e ninguém aceita sua essa crítica.

Porque com Hitler foi que acabou a inflação gigantesca e melhorou a vida da população,
por isso muita gente gostou e deixou ele governar, mesmo sendo autoritário.

Bom agora vamos entrar no estado democrático de direito.


Rousseau já fixou uma corrente sobre isso, porém existe outra que tem uma importância
muito grande para nós hoje em dia.
Essa corrente do Estado Democrático de Direito é a de Montesquieu

Formas de Governo – Montesquieu – tripartição de


poderes

Vamos então ver a TEORIA DOS TRES PODERES DO BARÃO CHARLES F. DE


MONTESQUIEU
Quando eu estiver usando o termo República = diz respeito a qualquer tipo de governo
eleito/escolhido pelo povo.

Uma das frases famosas para o pensamento de Montesquieu é que:

“TODO PODER CORROMPE. O poder absoluto, corrompe absolutamente”.

Vai de encontro com o que Platão dizia, que toda pessoa que tem um poder absoluto ele
corre um risco de virar um ditador.

Montesquieu era uma figura que era nobre mas era da parte pobre da família. Aí seu pai
morreu e foi morar com o tio, que era o barão e quando o tio morreu, ele ficou com tudo
e com o título.

Mas Montesquieu não tinha pretensão de ser barão, ele queria ser intelectual. Daí em
um momento ele vendeu tudo e foi viajar pelo mundo para entender como se organizava
a política mundial
Em seu livro espírito das leis ele se preocupa com a forma como o poder é organizado
quando alguém assume, e vai dizer que existem 3 formas de governo.
Existem 3 formas de governar o Estado: a monarquia, a república e a tirania.
A base do governo monárquico é a honra porque o nobre não tem nenhum interesse a
não ser a honra, ele não tem interesse em dinheiro, porque ele já é rico.
Uma pergunta: se alguém que é rico ganha uma eleição, no poder ele vai ajudar quem?
Os ricos. E se o pobre ganha a eleição? Os pobres. E a população?
Então o governo monárquico tem a vantagem de não fazer parte dos conflitos sociais,
ele não representa pobres, burguesia, negros, estrangeiros.

O Monarca, o único interesse é a honra (lembrar da CF de 1824 foi copiada dos EUA e
havia tripartição de poderes), pois ele já tem dinheiro etc. o que aconteceu no Brasil, é
que aquela constituição praticamente tirava o poder de dom Pedro, com isso dom Pedro
criou um quarto poder, o poder moderador, que seria neutro, e ele diz, que a sociedade
em classes sociais (ele diz antes de marx), ele quis dizer que o poder moderador não
pertente a nenhuma classe social, e o cara da republica sim, porque o governante da
republica, se fosse pobre o pobre iria governar prestigiando a parte pobre.
Então na república, é um seguimento da população que elege, e não toda população. É o
que aconteceu com o Lula, com o Bolsonaro.

Vejam a política como ela é e não como gostaríamos que fosse, é por isso que quando
teve aquela repercussão do vídeo do Bolsonaro, ao ver ele agindo de forma radical,
esperou-se que ele seria alguém que seria prejudicado, porém acabou favorecendo ele.
Porque quem elegeu ele esperava um governante assim.

Republicano, é o governo da paixão, é o governo que o povo acredita que colocando


alguém o povo acredita que alguém vai dar voz a sua opinião. Desse modo, como a
república é dividida em classes sociais, os representantes da República defenderão sua
própria classe social.

O que Montesquieu diz é que tanto na monarquia como na república, há um perigo de o


governante se transformar num tirano.

tanto na monarquia quanto na república, existe um perigo do governo se transformar


num tirano.
Qual a característica do tirano, ele procura fortalecer sua base de apoio.
Daí o governante cai na tentação de se transformar num ditador.

O governante governa para sua base de apoio, e nem sempre é para toda a população.

Então o que é preciso para isso não acontecer?

Daí o Montesquieu criou a sua teoria. Ele vai propor que o poder não se concentre na
mão entre uma ou única pessoa. Ele divide em 3 partes, para que uma nenhuma dessas
partes possa sozinha governar e para que possa vigiar, entrar e fiscalizar quando outra se
exceder.

E até hoje essa teoria está sendo colocada em prática. Está sendo avaliada se realmente
funciona.
TRIPARTIÇÃO DE PODERES
- EXECUTIVO (ADMINISTRA)
- LEGISLATIVO (CRIAR AS LEIS)
- JUDICIARIO (JULGAR OS CONFLITOS)
Quando eu faço isso, essa divisão, eu crio uma situação de equilíbrio entre as
instituições que governam. O Montesquieu pretende com isso? Ele chama de checks and
ballances. A força de um poder equilibra o outro.

Exemplo, quando o Bolsonaro se excedia, o congresso passou a não aprovar nada que
ele enviasse.

- RELAÇÃO DE EQUILÍBRIO ENTRE TRÊS FORÇAS QUE GOVERNAM UMA


NAÇÃO
- CHECKS AND BALLANCES = FRIOS E CONTRAPESOS
- OS 3 PODERES DEVEM SER HARMÔNICOS E INDEPENDENTES
(ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS)
Daí no Brasil, essa relação dos 3 poderes é uma guerra constante. Mas isso não é só no
BR, é no mundo todo. O equilíbrio é tênue, pois quando um dos poderes se sente
fortalecido, ele tenta passar por cima do outro.

Quando um poder começa a brigar com outro significa que aquele poder está tentando
extrapolar suas funções.

O Bolsonaro tentou fazer valer sua força como executivo. Mas o legislativo não apoiou.
E a população fica muito abalada quando isso acontece, pois no meio desses extremos,
tem uma população aguardando seu desfecho. E é torno da população que deve ser feita
as discussões.

24/09/2020
Pegar esta aula com alguém.

Direito fundamentais, nos protege contra proteções do estado, veio com a revolução
francesa e se baseia na: liberdade, igualdade e fraternidade, a doutrina os classificou
(não dividiu, pois, são direitos indivisíveis) os direitos fundamentais em 3 dimensões,
que são elas:

1ª dimensão:
- liberdade negativas
- restringem o poder do estado
- liberdade
- direito civis e políticos

2ª dimensão:
- liberdades positivas
- obrigação de fazer ou agir.
- igualdade
- direitos sociais, culturais e econômicos

3ª dimensão:
- transindividuais
- fraternidade e solidariedade
- direitos difusos e coletivos

Estado que vivemos hoje se chama estado liberal burguês.


Antes Nobres e camponeses se caracterizavam pelo meio em que nasceu. Se nascer em
família rica sou nobre se nasci em família podre sou camponês e não podia mudar isso.
Assim os camponeses queriam se livrar da opressão/ vínculo da terra e os senhores,
começam investir no comercio e produção de mercadorias. Diferente do caráter
produtivo da terra, o meu esforço/competência pode me fazer acumular recursos, juntar
patrimônio (a base do capitalismo e o capital) com o meu esforço pessoal posso mudar
meu status social, o que por muitos anos não ocorria, meu esforço vai me fazer ter um
melhor status social, muito melhor que o trabalho feudal, é o que os camponeses
trouxeram...
Mas para demonstrar meu mérito, preciso lutar com absolutismo monárquico para
conseguir mostrar a minha competência, para participar da concorrência no mercado,
pois o estado me amarrava mesmo eu tendo dinheiro, aí começa a luta para obter esses
direitos.

Estado de direito: Onde a lei determina como o pais/ sociedade se organiza, e a norma
predomina a vontade do governante, porém não significa ser justa = direito/estado
kelseniano: não admite questionamento - “o que não está no direito não está no mundo.”

Diferente do...

Estado democrático de direito: leis que surgiram da vontade do povo/vontade popular, e


se sobrepõem a vontade do governante.

01/10/2020

Aristóteles tem uma concepção de justiça, mas não é a única, outros autores vieram
depois, complementares e também outras diferentes.
Dependendo do pensador ele dá um enfoque no aspecto da justiça. Aristóteles tem um
enfoque no direito, ele se estabelece como uma verdade.

Kant torna as coisas muito mais complexas. Enfim.

Vamos ter outras pessoas ao longo da história do direito outras noções de justiça, está
sempre sendo discutido.

Para começar a aula, vai passar um vídeo. Trazendo os pontos principais de Aristóteles.

Ajuda a separar os pontos que vamos aprofundar.

Justiça é dar a cada um o que é seu.

Aristóteles fundamenta muito bem suas ideias e vamos entender o porquê ele diz que
cada um deve ter o que é seu.

Vamos começar com uma questão mais complexa que não está abordada no vídeo
considerada fundamental para compreender a teoria de Aristóteles.

Analisando o texto, da apostila.

Analisando a concepção de Aristóteles acerca do direito...

Em primeiro lugar, Aristóteles era um discípulo de Platão, estudou em sua academia e


seu aluno mais brilhante e mais conhecido, e, apesar de descordar de Platão em vários
aspectos, muitos pensamentos platônicos está influenciando as obras de Aristóteles.

Lembrar sempre do dualismo de Platão.


Mundo real VS mundo das ideias, onde moral as almas e conceitos perfeitos e tornou-se
o paraíso em várias religiões.
Platão baseia grande parte de seus pensamentos em suas duas dimensões. Dividindo as
coisas.

Aristóteles diz que as 2 dimensões são totalmente desnecessárias, o mundo está aqui. O
mundo das ideias é parte do mundo real. Então não adianta separar.

Então, nesse sentido, para Aristóteles essa dualidade é desnecessária. É um plus, um


exagero, e não se prova necessária para entender a elevação mental e física.

A dualidade está presente no pensamento do Aristóteles! Iremos reparar nisso.


Ou seja, herdou muito a ideia de Platão, mesmo que ele negue a teoria dualista.

A justiça está no mundo das ideias? Não, está no mundo material.

Aristóteles acreditava que a dualidade seria algo que é duas caras da mesma moeda e
não duas coisas separadas.

O corpo só existe se tiver uma alma que a habite, assim como só haverá uma alma no
corpo enquanto o corpo permitir.

Frase interessante de Marx:


No livro o capital ele tenta entender como funciona o capitalismo nos detalhes mais
específicos “nunca ninguém falou tanto sobre dinheiro com a grande falta dele”.
A maior parte dos grandes intelectuais de hoje que produzem conhecimento são pessoas
de classe média, classe média baixa.
Sapiens – uma grande história da humanidade. O cara que ganhou muito dinheiro sendo
inteligente.

Não adianta estudar o mundo das ideias se vc não pode acessá-lo, vamos nos preocupar
com aquilo que podemos desenvolver aqui na terra no mundo real e atingir os conceitos
perfeitos aqui. Isso é o que importa para Aristóteles

Vamos iniciar o texto por uma parte da teoria aristotélica bastante conhecida. Ele foi um
dos primeiros a formular o direito em duas partes. O direito natural e o direito positivo.
Ele esclarece que há dois direitos.
O direito natural: Como ele era um cientista, nós vamos observar que o direito natural
está presente na tradição dos deuses, e os deles estabelecem certos comportamentos
humanos que devem ser por orientação dos deuses, práticas nas nossas ações concretas.
Essa é concepção do direito natural antiga antes de Aristóteles. Daí em Aristóteles há
uma mudança nessa concepção.
Para Aristóteles existem certos elementos da natureza humana que são o que nos fazem
humanos, condição essencial para nossa própria humanidade. Temos um conjunto de
qualidades inerentes a nós mesmos que nos fazem humanos. Difere-nos dos animais.
Animais não tem senso de justiça, moral ética, capacidade analítica abstrata.

Dentre essas coisas que nos fazem humanos estão os princípios do direito natural.
Direito a vida etc. isso vem da necessidade de convivermos em grupo. (lembrar que
Aristóteles disse que nos naturalmente nos unimos em grupo).

As tradições levaram a humanidade a entender que determinados princípios são


essenciais (inerentes ao ser humano) para viver em grupo, e são chamados de leis da
natureza.

“assim como o fogo queima em qualquer lugar, existem direitos que são do ser humano
e são validos em todas as épocas, todos os tempos e em todas as sociedades” então ele
diz que há um direito natural sim!

A sociedade tem para coexistir em paz ela tem que respeitar esses direitos e mais, eles
valem além da nossa vontade. Se não tiver esses direitos, nós nos seremos como
animais.

Esses direitos naturais são a base de qualquer outro direito. Daí a ideia de dualidade.
Se você materializar na pratica o direito natural ele diz se o sujeito é mal ou se é bom.

A lei formal escrita se estiver em consonância com os princípios do direito natural.


Ou seja, se é criada uma lei dizendo que quem falar mal do governante vai ser
executado, essa lei vai contra o direito a vida, então essa lei não é válida.

Qual é o caminho para paz?


A base é a união, mas preciso criar regras de convivência.
Agora se a família é desunida, qualquer regra que se criar será ruim. ]

JUSTIÇA COLETIVA VS JUSTIÇA INDIVIDUAL


Para Aristóteles há um fundamento da justiça na virtude.
Nós temos então, dois tipos básicos de direito. O direito formal e o direito natural.
Então qual é a sua base?
Qual é o papel da individualidade na justiça? E o do coletivo?
Então existem 2 tipos de justiça, a justiça individual e coletivo.
Pessoal: eu quero agir como uma pessoa justa e ser correto. O individuo refere-se à
virtude, o individuo que procura agir com a justiça é um virtuoso. Assim, o homem
justo é aquele que tem a virtude. Mas Aristóteles da mais algumas dicas sobre a virtude.
Ele da uma característica essencial para que a virtude busque atingir a excelência. O que
é ser virtuoso? Para Aristóteles, a virtude do individuo pessoal se baseia numa única
condição, principalmente, quase que só preciso ter temperança, prudência e equilíbrio.
A coragem é muito bem vista no individuo, porém, a ausência total de coragem ela é a
covardia. E ninguém admira os covardes. Entretanto o excesso de coragem é a
imprudência, pois põe em perigo as pessoas e as coisas.

Coletiva: aqui é diferente, é o tal do dar a cada um o q é seu. A finalidade do direito


legal é criar normas. Quando uma lei beneficia um grupo e prejudica outros, não é uma
lei justa. E quando crio uma lei injusta, estou gerando desigualdade. Para Aristóteles as
pessoas não são iguais. Por isso ele criticava a democracia. Porque todos os indivíduos
têm a mesma possibilidade de votar e as pessoas não são iguais. O objetivo do direito
formal é a igualdade. Então se a desigualdade é natural, então eu busco dar a cada um o
que lhe é de direito, levando em consideração a sua situação específica.

O respeito a lei, significa o respeito a todos.


Está estabelecida implicitamente que igualdade deve ter também a questão de igualdade
de oportunidades. Mas não fala diretamente sobre oportunidades.
E para Aristóteles eu devo considerar a cada um o que a pessoa merece. Exemplo:
educação, é justo que a pessoa com 5 graduação enquanto outras não conseguem
concluir o curso de alfabetização? Não, então vamos dar educação gratuita para todas.
Quando faz isso você diminui a diferente entre aquele q n teve oportunidade de estudar
com aquele que estudou e geral uma igualdade melhor.
O papel do estado é reduzir desigualdades por isso ele cria direitos. Exemplo: dívida, só
é possível cobrança porque existe a lei que a assegure.
Justiça coletiva: igualdade
Justiça individual: prudência.

TIPOS DE JUSTIÇAS
Justiça Distributiva - Proporcionalidade
Justiça distributiva: é a justiça pública, do estado do governo, através de políticas
públicas, de forma proporcional
Justiça Corretiva – relação equilibrada: troca entre pessoas particulares. Relação
bilateral, uma troca justa. Não está preocupada com a igualdade, está preocupado com o
equilíbrio nas relações.

Correção no caso de má fé.


Exemplo: contrato bilateral que beneficia apenas uma das partes.

Justiça particular reparativa ou restitutiva


Restituição da parte em relação à outra, para restaurar ao estado anterior.

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