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Formação para professores de matemática: apresentação da coletânea

LABGG (Laboratório no GeoGebra)

Eimard Gomes Antunes do Nascimento1, Cristiane de Sousa2


prof.eimard@gmail.com, professora.cristiansousa@gmail.com

1 Universidade de Aveiro, Portugal e Ministério da Educação – CAPES, Brasil


2 Universidade de Aveiro, Portugal

Resumo

Na atualidade, o uso de computadores e outros recursos tecnológicos (como celulares,


Smartphone, tablets) nas escolas e universidades têm se mostrado muito importantes no
auxílio educacional tornando-se cada vez mais presentes no ensino e na aprendizagem.
Apesar da utilização destas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) percebe-se
ainda a necessidade de um fortalecimento significativo de tais recursos didáticos, uma vez
que existe uma considerável distância entre os avanços tecnológicos na produção de
softwares educacionais e a aceitação, compreensão e utilização dos mesmos pelos
professores. Neste sentido, foi criado em 2012 a Coletânea LABGG (Laboratório no
GeoGebra), com a finalidade de servir como ferramenta pedagógica e tecnológica de apoio
para os professores utilizarem em sala de aula, sob uma abordagem construtivista no
processo de possibilidades de estudos da Matemática e disciplinas afins. A coletânea é
organizada numa forma estrutural de módulos de Ensino-Aprendizagem (EA) descritos em
formatos de artigos e colocados em prática nos formatos de minicursos. Os módulos foram
apresentados em alguns eventos, como por exemplo: em 2012, na Conferencia
Latinoamericana de GeoGebra (função Afim e Quadrática), 2013 no VII CIBEM
(polígonos 1), ambos ocorridos em Montevideo-Uruguay, em 2014 no VII Coloquio
Internacional Enseñanza de las Matemáticas, Lima- Perú (Poligonos 2), com aplicação de
minicursos nos eventos citados e em outros. Na continuação da investigação do Doutorado
foi desenvolvido uma metodologia chamada de “sequência de ensino EDT” (Ensino
Dinâmico com Tecnologia), utilizando o software livre GeoGebra e a coletânea LABGG,
tendo como base um modelo teórico que tem como objetivo aproveitar ao máximo os
recursos das tecnologias em sala de aula designado TPACK (Technological Pedagogical
Content Knowledge). Sua operacionalização se efetiva através dos módulos de EA que
passa a se chamar “temas” relativos aos assuntos prescritos na integração curricular e do
projeto pedagógico que serão transformados em cursos-oficinas (C-O) para melhor difusão
e orientação. Já foram realizadas 2 formações continuadas para professores, em que, cada
uma foi utilizada 3 temas da sequência EDT (polígonos, funções e estatística descritivas),
tendo como resultado final uma boa aceitação por todos os participantes. A sequência EDT
é destinada à orientação aos professores de como utilizar as TIC em suas aulas, bem como
a inserção no contexto escolar e acadêmico.

Palavras-Chave: Coletânea LABGG, Educação Matemática, Formação de Professores,


GeoGebra,Tecnologia e Matemática.
Introdução

Na atualidade, o uso de computadores e outros recursos tecnológicos (como celulares,


Smartphone, tablets) nas escolas e universidades têm se mostrado muito importantes no
auxílio educacional tornando-se cada vez mais presentes no ensino e na aprendizagem.
Apesar da utilização destas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) percebe-se
ainda a necessidade de um fortalecimento significativo de tais recursos didáticos, uma
vez que existe uma considerável distância entre os avanços tecnológicos na produção de
softwares educacionais e a aceitação, compreensão e utilização dos mesmos pelos
professores. Mediante a realidade tecnológica atual em que estamos vivenciando é quase
certo quando falamos em educação, citarmos o uso das TIC na valorização e na melhoria
do ensino e da aprendizagem, considerando que estas têm tido a sua inserção demandada
pelas práticas pedagógicas, desencadeando cada vez mais a necessidade de discussões e
reflexões acerca dessa inclusão (Barbosa, 2013; Borba & Penteado, 2010; Brasil, 2006;
Kenski, 2004; Nascimento, 2012a).

Apesar das TIC se mostrarem influenciadoras frente as mudanças e transformações que


estão ocorrendo, tanto na sociedade como na área da educação, percebe-se que as suas
utilizações nas salas de aulas, ainda não correspondem às expectativas esperadas.
Professores levam, em geral, um tempo considerável para utilizarem alguns dos softwares
educativos, têm dificuldade em aprender a usar o computador, alguns não dispõem de
tempo suficiente para estudar, pois têm carga horária excessiva, outros tipos de trabalho
e outras dificuldades que impedem de aprender primeiro e poder lecionar, outro agravante
é que nas escolas não têm computadores suficientes. (Nascimento, 2012a, p. 37).
A carga excessica de trabalho já foi mencionado e alertada desde o lançamento dos
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) em 1998 em que esclarece que essa situação
ocorre porque um professor pode exercer mais de uma função docente, sendo bastante
comum a existência de duplo contrato de trabalho. Essa prática, segundo o documento, é
estimulada por dois fatores: por um lado, o regime de trabalho, que é “na grande maioria
de um turno semanal de 20 a 25 horas-aula, permitindo dupla jornada; por outro lado, a
desvalorização salarial do magistério, acumulada ao longo dos anos, impondo a procura
de duplo emprego como condição de sobrevivência.” (Brasil, 1998a, p. 34)
Em face da assertiva, a escola se vê diante da necessidade de redescobrir o seu papel
social e pedagógico como unidade significativa no processo de crescimento e
desenvolvimento da concepção de competência para a formação dos indivíduos que estão
integrados indiretamente na sociedade (Barbosa, 2013; Kenski, 2014; Santos, 2007).
Atualmente, o sistema educacional brasileiro se encontra em meio a uma expressiva crise
se tornando praticamente impossível omiti-la diante dos indicadores de rendimento
escolar, expresso pelo Ministério da Educação (MEC). De acordo com o órgão
responsável pelo acompanhamento das avaliações nacionais e internacionais, o Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), cuja missão é
promover estudos, pesquisas e avaliações sobre o Sistema Educacional Brasileiro,
tenciona subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas na área
educacional a partir de parâmetros de qualidade e equidade, bem como produzir
informações claras e confiáveis aos gestores, pesquisadores, educadores e público em
geral. (Brasil, 2006; INEP, 2015).
Sob este enfoque os documentos oficiais brasileiros como os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN) para o Ensino Fundamental e Médio expressam a importância dos
recursos tecnológicos para a educação e a sua formação continuada de professores com
vistas à melhoria da qualidade do ensino aprendizagem (Brasil, 1998a, 1998b, 2002,
2006). Destacam também, que a informática na educação “[…] permite criar ambientes
de aprendizagem que fazem sugerir novas formas de pensar e aprender”, “[…] oferece
recursos rápidos e eficientes para realizar cálculos complexos, transformar dados,
consultar, armazenar e transcrever informações, o que permite dedicar mais tempo a
atividades de interpretação e elaboração de conclusões”. (Brasil, 1998b, pp. 147–148).
Em síntese, os PCN “propõem e explicitam algumas alternativas para que se desenvolva
um ensino de Matemática que permita ao aluno compreender a realidade em que está
inserido, desenvolver suas capacidades cognitivas e sua confiança para enfrentar
desafios” (Brasil, 1998b, p. 60), pelos quais estes recursos amplie de modo significativo
os recursos necessários para o exercício da cidadania, ao longo de seu processo de
aprendizagem

Não só na Educação Básica, mas também no Ensino Superior, o computador deve ser
usado como instrumento de trabalho e incorporado no currículo como destacam as
Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Matemática, Bacharelado e
Licenciatura. Neste sentido, relatam que “desde o início do curso o bacharelando deve
adquirir familiaridade com o uso do computador como instrumento de trabalho,
incentivando-se sua utilização para formulação e solução de problemas. ” (Brasil, 2002,
p. 5). Sob esta perspectiva, é reforçado para os cursos de Licenciaturas que:

Desde o início do curso o licenciando deve adquirir familiaridade com o uso do


computador como parte de seu trabalho e formação profissional, incentivando a sua
utilização para o ensino de matemática, em especial, para a formulação e solução de
problemas. É importante também a familiarização do licenciando ao longo do curso com
outras tecnologias que possam contribuir para o ensino de Matemática. (Brasil, 2002, p. 6).

Internacionalmente, existe os Princípios e Normas para a Matemática Escolar publicado


pela associação nacional de professores nos Estados Unidos da América (National
council of teachers Mathematics) que atualmente serve de base e orientação em vários
países da Europa e também na Ásia. Os Princípios descrevem características de uma
educação matemática de elevada qualidade e, as Normas, descrevem os conteúdos e
processos matemáticos que os alunos deverão aprender. Em conjunto, os Princípios e as
Normas constituem uma perspectiva orientadora dos educadores que lutam pelo contínuo
desenvolvimento da educação matemática nas salas de aula, escolas e sistemas
educativos. No total são 6 princípios e, um destes, trata-se do Princípio da Tecnologia.
(NCTM, 2008).

No princípio da Tecnologia é esclarecido que “a tecnologia é essencial no ensino e na


aprendizagem da matemática; influencia a matemática que é ensinada e melhora a
aprendizagem dos alunos”. Sob este enfoque é apontado também que “[…] as tecnologias
electrónicas - calculadoras e computadores – constituem ferramentas essenciais para o
ensino, a aprendizagem e o fazer matemática. ” Sobre o ensino superior, afirma-se que
“[…] nos programas de ensino da matemática, a tecnologia deve ser largamente utilizada
com responsabilidade, com o intuito de enriquecer a aprendizagem matemática dos
alunos.” (NCTM, 2008, p. 26). O link entre a teoria e a prática quando implantado de
forma agradável e estimulante causa no aluno o senso de curiosidade e,
consequentemente, o senso de pesquisa.

1 Ideia base para a Coletânea LABGG (Laboratório no GeoGebra)

Ao abrigo das declarações documentais acima, surgiu a Coletânea LABGG (Laboratório


no GeoGebra), pela qual está pautada nas ideias basilares do investigador John Dewey,
cuj, as ideias de defesa se centram numa educação que está voltada para o
desenvolvimento da capacidade de raciocínio e espírito crítico do aluno com vistas
fundantes na defesa da democracia e da liberdade de pensamento como instrumentos para
a maturação emocional e intelectual dos alunos. Afirma também, que o processo
educativo consiste na adequação e interação do aluno com o programa da
escola/universidade e das disciplinas, pois a concepção das relações entre um e o outro,
tende a tornar a aprendizagem fácil, livre e completa (Dewey, 1936; Nascimento,
Trompieri Filho, & Silva, 2012).

As ideias de Dewey apregoam o princípio de que os alunos aprendam melhor realizando


tarefas práticas associadas aos conteúdos estudados, fato que causa grandes estímulos e
maior aprimoramento e memorização ao invés de decorá-los. (Nascimento, 2012a;
Nascimento et al., 2012). No ensino da Matemática, com o auxílio dos computadores para
utilização de tarefas práticas. Alguns autores explicam que a Geometria Dinâmica (GD)
evidencia uma nova abordagem ao aprendizado geométrico, tencionando a reflexão de
conjecturas que são feitas a partir da experimentação e da criação de objetos geométricos
(Arcavi & Hadas, 2000; Gravina & Santarosa, 1998; Silva & Penteado, 2013). Deste
modo, se pode introduzir o conceito matemático dos objetos a partir da resposta gráfica
oferecida pelo “[...]o computador [que] é um dispositivo técnico aberto que estimula os
professores e alunos a impelir seus conhecimentos até o limite para realçar projetos
através de uma ilimitada variedade de efeitos […]" (Papert, 1994, p. 66), surgindo daí o
processo de questionamento, argumentação e dedução.

A Coletânea LABGG (Laboratório no GeoGebra) foi apresentada pela primeira vez em


2012 na Conferencia Latinoamericano do GeoGebra em Montevideo (Nascimento,
2012b). O desenvolvimento desta Coletânea emergiu após a realização do mestrado em
Educação no eixo de avaliação de aprendizagem, financiado pelo Ministério da Educação
- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil.
Figura 1: Logotipo da Coletânea LABGG
versão 2/2017.

Tal criação teve o seu amparo na minha experiência profissional como professor de
informática em várias instituições a nível nacional como o Serviço Nacional da Industria
– SENAI.CE (6 anos), SOS Computadores Unidade Centro – Fortaleza-CE (2 anos),
DATA CONTROL Unidade Centro – Fortaleza-CE (1,5 anos), Centro de Treinamento e
Desenvolvimento - CETREDE/UFC e outros cursos, dentre outras atividades, como
professor tutor à distância e presencial em Matemática e Estatística exercidos em cursos
de graduação pela Universidade Federal do Ceará - UFC e Instituto Federal do Ceará -
IFCE e, também, como professor universitário pela Universidade Vale do Acaraú - UVA,
Universidade Regional do Carirí - URCA e Universidade Estadual do Ceará - UECE,
viajando por diversas cidades do estado do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Paraíba,
pelo qual me veio a constatação de que várias escolas da rede pública e privada, cursos
de licenciaturas em matemática e pedagogia revelaram a necessidade de uma
aproximação maior dos professores e alunos mediante às TIC, tendo em conta de que um
dos fatores que mais contribuem para tal distanciamento se deve a escassez de formações
continuada nesta área para professores com efeitos reclamatórios advindo dos próprios
profissionais.

Esta investigação continua sendo trabalhada no doutoramento tendo o seu financiamento


amparado pela CAPES-Brasil agregada ao desenvolvimento de uma metodologia de
ensino chamada de sequência de ensino EDT (Ensino Dinâmico com Tecnologia)
registrada em cartório e aplicada em 2 formações continuadas e, que, servirá de orientação
para os professores utilizarem a Coletânea LABGG em sala de aula, pela qual será
demonstrada e aplicada em formações continuadas com a finalidade dos professores
replicarem em suas escolas ou/e universidades. Esta sequência encontra-se em fase de testes
e registros em órgãos responsáveis para que futuramente seja registrada nas publicações.

2 O Software GeoGebra

A escolha do software GeoGebra se firmou devido as suas potencialidades acopladas a


um programa direcionado à matemática de forma dinâmica e interativa para todos os
níveis de ensino que reúne Geometria, Álgebra, Planilha de Cálculo, Gráficos,
Probabilidade, Estatística e Cálculos Simbólicos em um único pacote. Outro fator que
contribuiu para a escolha deste software prendeu-se ao fato de que ele é open source, isto
é, software de código livre que funciona nos sistemas operacionais Windows, Linux e para
Mac.
O software GeoGebra foi desenvolvido por Markus Hohenwarter, diretor do projeto
GeoGebra com sede na Universidade Johannes Kepler, localizada em Linz, Áustria. Seu
criador iniciou o projeto em 2001 na University of Salzburg na Áustria e teve a sua
continuação e o seu desenvolvimento na Florida Atlantic University com a finalização da
sua tese de Doutorado em 2006 pela University of Salzburg, Áustria. (Hohenwarter,
2006). Atualmente o software GeoGebra foi vencedor de vários prêmios internacionais
com tradução para mais de 50 diferentes linguagens, incluindo a língua portuguesa.

3 A Estrutura da Coletânea LABGG

A sua estrutura centra-se em servir de ferramenta pedagógica e tecnológica de apoio aos


professores utilizarem em sala de aula, sob uma abordagem construtivista no processo de
possibilidades de estudos da Matemática e disciplinas afins. A Coletânea é organizada
numa forma estrutural de módulos de Ensino-Aprendizagem (EA) descritos em formatos
de artigos e colocados em prática nos formatos de minicursos e oficinas. A interface da
teoria e da prática desse material tendencia uma execução voltada a uma experiência
agradável e estimulante para o aluno, pois desperta nele o censo de curiosidade e,
consequentemente, o senso de pesquisa.

A Coletânea LABGG funciona junto com o software GeoGebra, aqui denominada de


Geometria Dinâmica e Interativa (GDI), com o intuito de auxiliar as tecnologias,
habitualmente utilizadas, tais como: quadro de demonstração da matéria (giz ou pincel) e
a aula tradicional com livro (s) e caderno (figura 2). Tal ferramenta possibilitará ao
professor tanto a interação, manipulação, simulação das atividades, como o conhecimento
de outras formas de ensino. Para além disso, o professor terá a oportunidade de
desenvolver um ambiente de caráter laboratorial, onde facultará a prática pretendida.

Figura 2: Fluxograma metodológico da Coletânea LABGG.


Fonte: O autor

Sua operacionalização se efetiva através de módulos de EA relativos aos assuntos


prescritos na integração curricular do projeto pedagógico da matéria/objeto de estudo e
sua aplicação junto a um software, neste caso o GeoGebra, pelo qual funciona como
complemento visual, utilizando todas as simbologias apropriadas para o entendimento e
assimilação dos conteúdos matemáticos expostos em sala de aula. O material desta
Coletânea pode ser implantado no contexto educacional por ser um instrumento
pedagógico, psicopedagógico adequado ao currículo e estrutura educacional.

Na formatação da sua estrutura na educação, prevê a execução de uma metodologia


realizada através de assuntos vinculados aos Núcleos e seus níveis escolares com o total
de 5 Núcleos, conforme a figura 3.

Figura 3 - Estrutura dos Núcleos Educacionais distribuídos pela Coletânea LABGG.


Fonte: O autor

No caso da nomenclatura para cada módulo de cada investigação, será utilizado um para
identificação prática e rápida do módulo, como um exemplo a seguir: “NEF-M802” que
funciona da seguinte maneira a leitura: verifica-se primeiramente a estrutura antes do
hífen que, neste exemplo, é expresso por “NEF”, representando que o estudo pertence ao
“Núcleo do Ensino Fundamental” ou Ensino Básico em alguns paises (fig. 3) e, a estrutura
após o hífen, começada por “M”, que representa a disciplina do estudo, neste caso, o
módulo é relacionado ao ensino da Matemática e, a numeração “802”, representa a
segunda experiência/investigação do 9º ano de escolaridade. Esta codificação para os
módulos tem a sua aplicabilidade para todos os núcleos da Coletânea. Desta forma, o
professor ou leitor, facilmente identificará qual é o assunto investigado e discutido, a
disciplina e o ano educacional relativo ao estudo.

Em 2016, na continuação da investigação do Doutorado, encontra-se em desenvolvimento


uma metodologia chamada de “sequência de ensino EDT” (Ensino Dinâmico com
Tecnologia), utilizando a Coletânea LABGG, tendo como base um modelo teórico que
tem como objetivo aproveitar ao máximo os recursos das tecnologias em sala de aula
designado TPACK (Technological Pedagogical Content Knowledge), pelo qual tem a
proposta de integrar e interrelacionar a tecnologia no contexto do EA (Figura 4).
Figura 4 – Diagrama do TPACK.
Fonte: O autor

O TPACK foi desenvolvido em 2006 por Punya Mishra e Koehler, ambos da


Universidade do Estado de Michigan nos Estados Unidos da América (EUA), baseado
nas ideias do conhecimento pedagógico do conteúdo (CPK) descrito pela primeira vez
por Lee Shulman em 1986.

A operacionalização da sequência EDT se efetiva através dos módulos de EA da Coletânea


LABGG que passa a se chamar “temas” relativos aos assuntos prescritos na integração
curricular e do projeto pedagógico para serem demonstrados e executados em cursos-
oficinas (C-O). Esta nova codificação se refere ao curso introdutório dos comandos do
Software em aplicação, mesclado com os temas e módulos da Coletânea em forma de
oficina para uma melhor difusão e orientação.

Para este evento, será demonstrado alguns módulos que foram apresentados em alguns
eventos científicos para uma melhor visualização geral do trabalho executado pela
Coletânea LABGG. Neste caso, destinado ao foco deste estudo será citado 2 trabalhos
referentes as grandes áreas de estudo. Desta forma será apresentado um módulo de cada
área:

1. Matemática – Geometria:

a) Triângulo: Módulo NEF.M601 - Possibilidades de Estudo para o Polígono


Triângulo, Apresentado na Conferencia Latinoamericana de GeoGebra em 2012,
na cidade de Montevideo, Uruguai.
b) Polígono: Módulo NEF.M801 Estudo dos polígonos e seus elementos.
Apresentado no VII Coloquio Internacional Enseñ anza de las Matemá ticas, em
2014, na cidade de Lima, Perú.
2. Matemática – Funções:

a) Função Afim: Módulo NEF.M902 – em 2012, na Conferencia Latinoamericana de


GeoGebra (função Afim) e Oficina: Aula Dinâmica e Interativa da Função Afim,
Apresentado na XIV Conferencia Interamericana de Educación Matemática (XIV
CIAEM), em 2015 – na cidade de Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, México.
b) Função Quadrática: Módulo NEF.M901 em 2013 no VII Congreso
Iberoamericano de Ensino da Matemática (VII CIBEM), na cidade de
Montevideo, Uruguai.

3. Física – Cinemática:

a) Recopilación LABGG para Matemáticas Y Física: NEM.F102 - Estudio de La


Física, Cinemática I Movimiento Uniforme", Trábalo presentado no XV CEAM -
Congreso de Enseñanza y Aprendizaje de las Matemáticas: El Sentido de las
Matemáticas, en 2014, Baeza - Jaén, España.

Em geral, a sequência EDT é destinada aos professores com o objetivo de orientá-los para
uma melhor utilização das TIC em suas aulas, bem como a sua inserção no contexto escolar
e acadêmico. Face ao exposto potencializa-se a convicção de que a Coletânea LABGG se
fundamenta numa perspectiva didática pragmática, proativa e interativa no EA. A aplicação
da Coletânea no processo de EA pode contribuir em muitos fatores, especificamente no que
tange à manipulação geométrica, percepção, cognição, simbologia semiótica e coordenação
motora.

4 Referências

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