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SOBRE A AUTORA

Psicóloga e escritora, Liliane Moura Martins, nascida


na cidade de São Paulo, começou a ter experiências fora
do corpo durante a adolescência. Com mais de 20 anos
em experimentação extrafísica e pesquisas profundas
sobre espiritualidade, desenvolveu aptidões como sen-
sitiva e pesquisadora. É amante das filosofias espiritua-
listas orientais e ocidentais.
É palestrante nas áreas de Bioenergia (abrangendo o
estudo dos chakras e exercícios de mobilizações ener-
géticas) e Projeciologia (experiências fora do corpo, via-
gens astrais e assistencialidade extrafísica).
Também é formada em Cinesiologia Aplicada (TFH
— Touch for Health) pela International Kinesiology
College (IKC) e em RESET. Na área da espiritua-
lidade, é iniciada e praticante da meditação Cha’n
Budista pela Monja Coen, e em Kriya Yoga pelo Swami
Atmavidyananda e por Yogacharya Bhadrayu Pandya.
Possui formação em Hatha Yoga com o professor Marcos
Rojo, dono do Instituto de Ensino e Pesquisas em Yoga
(IEPY), pelo Centro de Práticas Esportivas da USP
(CEPEUSP). Autora do livro infantojuvenil Viajando
nas estrelas, publicado pela Editora Vida & Consciência,
sobre o tema viagem astral e seus ensinamentos dentro
da espiritualidade.
É membro do Centro de Estudos Filosóficos Laboratório
Evolutivo (CEFLE) e do IPPB (Instituto de Pesquisas
Projeciológicas e Bioenergéticas), com o professor
Wagner Borges, ministrando palestras e cursos em di-
versas cidades sobre os mais variados assuntos ligados à
ciência, à espiritualidade e à filosofia.
© 2012 por Liliane Moura Martins

Coordenação de arte: Marcio Lipari


Capa, projeto gráfico e diagramação: Marcela Badolatto
Preparação: Melina Marin
Revisão: Sandra Garcia Custódio

1ª – edição – 1ª impressão
3.000 exemplares – agosto 2012

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Martins, Liliane Moura


Projeção astral : o despertar da consciência / Liliane
Moura Martins. -- São Paulo : Centro de Estudos Vida &
Consciência Editora, 2012.

Bibliografia.
ISBN 978-85-7722-201-8

1. Estados alterados de consciência 2. Experiências


extra-corpóreas 3. Parapsicologia 4. Projeção astral I. Título.

12-08195 CDD-133.8

Índices para catálogo sistemático:


1. Experiências extra-físicas : Parapsicologia 133.8
2. Projeção consciente : Parapsicologia 133.8
3. Projeção extra-corpórea : Parapsicologia 133.8

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta edição pode ser


utilizada ou reproduzida, por qualquer forma ou meio, seja ele mecâ-
nico ou eletrônico, fotocópia, gravação etc., tampouco apropriada ou
estocada em sistema de banco de dados, sem a expressa autorização da
editora (Lei nº 5.988, de 14/12/1973).
Este livro adota as regras do novo acordo ortográfico (2009).
Editora Vida & Consciência
Rua Agostinho Gomes, 2.312 – São Paulo – SP – Brasil
CEP 04206-001
editora@vidaeconsciencia.com.br
www.vidaeconsciencia.com.br
Liliane Moura Martins

PROJEÇÃO ASTRAL
o despertar da consciência
SUMÁRIO
Agradecimentos 9
Apresentação 11
Introdução: o despertar da consciência 15

PARTE I
Projeção astral 27
O psicossoma 27
O cordão de prata 31
Ectoplasma e cordão de prata 33
Paralelos entre cordão de prata e ectoplasma 34
Cordão de ouro 35
Corpo mental 35
As projeções voluntária e involuntária 37
Diferenças entre projeção da consciência e sonhos 42
Ondas cerebrais 45
Paralelos entre bilocação física e projeção consciente 60
Clarividência viajora e projeção consciente 61
Amparadores 62
Projeção assistida por amparadores 66
Vantagens da projeção assistida 67
O assédio e a defesa fora do corpo 69
Como o projetor pode se defender 71
Condições preliminares para uma boa projeção 86
As três dessomas 88
Paralelos entre o encarnado e o desencarnado 92
Corpo mental: encarnado versus desencarnado 94
Tratamento projetivo 95
Doenças psicossomáticas 95
Distúrbios 96
Cura pela atuação direta no corpo mental 97
Terapia projetiva versus terapia alternativa 98
A projeção astral e os seres extraterrestres 98
Técnicas de condicionamento psicológico 1 01
Técnicas para maior lucidez e memorização nas projeções 1 03
Exercícios para a projeção da consciência 1 07

PARTE II
Bioenergia 1 19
Chakras 1 22
Desenvolvimento dos chakras no ser humano 1 25
Cores dos chakras e dos parachakras 1 38
Correlação entre os chakras e os parachakras 1 39
Glândulas endócrinas 1 47
A glândula hipófise 1 48
Considerações 1 56
Ativação dos chakras 1 59
Rotação dos chakras 1 59
Exercício de ativação e abertura dos chakras 1 60
Campo bioelétrico: duplo etérico 1 60
Soltura do campo bioelétrico 1 62
Trocas energéticas 1 65
Aura humana 1 66
Classificação atmosférica da aura 1 67
Formas-pensamento 1 68
Influência das formas-pensamento 1 69
Como combater as larvas astrais 1 71
Sintomas energéticos 1 73
Sensibilidade energética 1 80
Ectoplasma 1 81
Desenvolvimento mediúnico 1 84
O que ocorre na incorporação 1 85
A clarividência: um potencial paranormal 1 86
Como trabalhar os chakras não sendo clarividente 1 92
Práticas bioenergéticas 1 95

BIBLIOGRAFIA 198
AGRADECIMENTOS

Minha Alma, preenchida e plena, apenas exala sutilmente a grati-


dão pela presença de seres tão iluminados que acompanham a minha
estadia na Terra.
Agradeço primeiramente aos amigos amparadores, tanto seres de ou-
tros planos como seres extraplanetários que amorosamente me intuíram
a esse trabalho, expressando, através de minha essência, a sabedoria e o
amor divino, despertando em meu coração a meta em direção à Fonte.
Aos amigos queridos Wagner Borges e Alberto Cabral, pesquisado-
res na área da projeciologia, bioenergia e ciências afins, como vida fora
do planeta, física quântica espiritual e multiversos, que me permearam
com tanto conhecimento, humildade e profundidade.
Do fundo de minha Alma, “obrigada” às minhas duas riquezas,
que são meus dois pontos de Luz, meus dois alicerces de amor e apoio
em todos os meus trabalhos: minhas amadas filhas, Tatiane e Tammy.
E a todos os amigos e amigas que me apoiam e acreditam em cada
projeto que elaboro, crio e, com a ajuda do invisível, materializo.
Estão todos em meu coração, afinal, somos todos um!
Muita paz e muita luz!

Liliane Moura Martins

“Viva no mundo, mas não seja do mundo.”


Paramahansa Ramakrishna

“Dirijo minha atenção ao indivíduo para fazê-lo forte,


para ensinar-lhe que ele próprio é divino, e chamo os homens
para torná-los conscientes desta divindade interior. Este é real-
mente o ideal, consciente ou inconsiciente, de toda religião.”
Swami Vivekananda
APRESENTAÇÃO

Que eu me lembre, tinha 12 anos quando saí do meu corpo pela pri-
meira vez. Eu tinha um quarto só para mim, enquanto meus dois irmãos
mais velhos dormiam ao lado do meu. Sempre ao me deitar, fazia uma
prece curta, como minha mãe havia me ensinado e, ao acordar, idem.
Minhas noites de tormento começavam quando eu estava qua-
se caindo no sono, pois era nesse momento que eu escutava sempre o
mesmo som ou ruído, aparentemente fora de minha cabeça, aumentan-
do cada vez mais. Claro, influenciada pelo medo de uma adolescente,
achava que havia alguém se arrastando pelo tapete em direção à minha
cama. Com isso, entrava em pânico e sentia meus batimentos cardíacos
aumentarem até que eu acordava num salto, com a respiração ofegan-
te. Naquele instante o que eu mais queria era me levantar da cama e
acender a luz, pois, sempre que fazia isso, os sintomas desapareciam e
eu dormia melhor. Todas as noites eram assim. Mas uma foi diferente.
Simplesmente acordei projetada fora do meu corpo, flutuando bem em
cima dele, sem passar pelos sintomas que antecedem a projeção.
O primeiro pensamento que veio à minha mente foi que eu estava
morta. Havia uma luz em volta de minha cama, uma luminosidade
esbranquiçada parecida com uma cúpula energética e que não me dei-
xava sair dela. Senti meu espírito (assim eu o chamava na época) tocar
o teto, e ao mesmo tempo eu contemplava meu corpo físico deitado
serenamente, mas parecendo um corpo sem vida. Comecei a me preo­
cupar com meus pais. Como eles ficariam ao me encontrar morta ali?
Sentia o nervoso tomar conta de mim e, sem perceber, fui puxada em
direção ao meu corpo físico abruptamente ao mesmo tempo em que
acordei desesperada. Sentei-me na cama e comecei a chorar. Dúvidas
pairavam em minha mente. Como eu poderia estar ali acordada depois
de ter me visto fora do meu próprio corpo?
Não tinha mais dúvidas de que eu não tinha morrido naquele ins-
tante, pois estava acordada e me sentia bem viva. Foi então que tive
a certeza de que existia algo a mais para explorar, não simplesmente
me acomodar à vida que eu tinha. Comecei a procurar livros sobre o
assunto, mas só o que eu encontrava eram livros espíritas com histórias
Projeção astral – o despertar da consciência

de romance e pouquíssima informação. Minha busca terminou, ou me-


lhor, começou realmente, quando encontrei uma pessoa que abriu minha
mente com informações ricas e construtivas sobre o que acontecia comi-
go desde criança. Assistindo a uma palestra do professor Wagner Borges,
consegui definir em apenas uma hora de bate-papo minhas saídas do
corpo. Nada mais do que “viagens astrais” ou, como aprendi, projeção
astral ou projeção da consciência. Depois de quinze anos continuamos
grandes amigos, além, é claro, de ele ser meu eterno professor.
Hoje agradeço por ter feito grandes amizades na área de pesqui-
sas projeciológicas, pois me trouxeram um rico aprendizado sobre minha
essência como ser divino enroscado nessa teia da vida que criamos por
carências ainda não explicadas.
Desde pequena, sempre gostei de especular as razões de tudo na
vida, sendo muito racional. Você já parou para se perguntar do que somos
feitos? Refletia muito sobre isso. E se fomos feitos a partir de uma Ordem
e, de repente, essa Ordem, ou Deus, força maior, poder criador, resolveu
ter uma “ideia” sobre Si mesmo, como: “E se eu fosse diferente do que
Sou?” Como Eu seria?
Se isso é a “verdade”, acredito que dessa forma a ordem foi transfor-
mada em caos, ou seja, em pura ilusão. Podemos pensar que somos exten-
sões do próprio Deus em expansão, manifestando a “ideia” de sermos dife-
rentes dele. Criamos a nossa falsa realidade então. Entramos nessa roda da
vida, entre idas e vindas como reencarnantes nessa teia que chamamos de
vida. Você pode estar se perguntando quem resolveu pensar nessa “ideia”
de ser diferente. Eu lhe respondo: você mesmo, eu, ele e os outros. Afinal,
somos todos um. Não há culpado nem vítima nessa história, mas apenas
uma “ideia” que é manifestada por todos nós a partir de Deus.
Desde menina, lembro-me de que perguntava para a minha mãe
de onde eu tinha vindo, quem tinha me feito e para onde iríamos de-
pois da morte. Queria saber também o que existia antes de Deus. Se Ele
nos fez, quem havia feito Deus?
Com base nessa teoria, gostaria de começar uma explicação ou, po-
deria dizer, “especulação” sobre o que podemos chamar de consciência, para
que possamos compreender melhor como se processa a projeção astral e
para que serve a lucidez fora do corpo. Mas, antes, quero expor um texto
com a permissão de um grande amigo que tive a honra de conhecer e que
me ajudou muito no caminho do meu “despertar”.

12
Apresentação

A teoria do Big Bang sugere que o universo, desde a sua ori-


gem, vem se expandindo de um único ponto, criando assim o espa-
ço. Alguns cientistas chamam esse ponto de “átomo primordial”,
que se expandiu através do tempo. Podemos dizer, portanto, que
o próprio tempo e o espaço tiveram uma origem. É, portanto,
inevitável a ideia de que existe algo que não pertence ao espaço
e ao tempo, algo anterior, algo que sempre existiu e que nunca foi
criado, algo absoluto, imutável e que, portanto, é a fonte de tudo
que conhecemos. Se não existia o espaço e o tempo, mas apenas esse
algo absoluto, a fonte criadora, quer dizer que a possibilidade de
qualquer expansão só é dada em si mesma. Se a fonte criadora se
expandiu em si mesma, o fruto de sua expansão está contido em si
mesma, ou seja, não há diferenciação entre a fonte e sua expansão.
A expansão é a própria fonte, não existindo nenhum grau de se-
paração. Einstein provou, com sua teoria da relatividade, que o
espaço e o tempo são relativos a um ponto de referência. Partindo
do princípio de que a fonte criadora é a única coisa que há, qual-
quer relativismo em relação a ela se torna meramente uma ideia
absurda e, portanto, sem efeito. Evoluir é tornar-se algo dife-
rente do que se é. Acreditar em evolução, portanto, é acreditar
que o imutável, o absoluto precisa de melhoria, o que torna essa
ideia também absurda. Por isso não existe processo evolutivo.
O que existe de fato é um processo de despertar. Evoluir é negar
o que se é e projetar inutilmente em um ponto distante e futuro, e
portanto relativo, o que se deseja ser. O despertar, por sua vez,
é o simples reconhecimento do que já se é.
Ricardo Todeschini

13
INTRODUÇÃO: o despertar da consciência

Abro aspas para complementar com uma pergunta: será que o cha-
mado Big Bang existe somente para o “nosso” universo, conhecido pelas
nossas sondas, ou será que esse fenômeno é simplesmente mais um dos
milhares big bangs existentes em vários universos por aí, que desconhece-
mos? Como podemos afirmar que existe apenas um universo, sendo que
não sabemos nem ao certo o que é a própria consciência? Se ela é única
ou se são várias permeando uma original? Afinal, o que é a consciência?
O que se entende por consciência? Seria algo que permite que a
energia exista? Se ela é uma essência pura, ela não pensa, certo? Será
que ela forma sentimentos e, com sua iniciativa, os emana gerando com
isso a condição para que surja a energia no universo?
Se para ela não há tempo-espaço, pois é onisciente e onipresente
(está em todos os lugares ao mesmo tempo, estando ciente de tudo o que
simplesmente é), é uma potência do universo. É um ente único, concordam?
Se ela sabe tudo, por que teria de emanar sentimentos para surgir
a condição de energia no universo, sendo ela própria o universo? Por
que precisaria gerar carências em si mesma para criar corpos e veículos
para se manifestar, se ela é o próprio Todo, ou Deus, poder criador, gran-
de arquiteto do universo, como queiram chamar?
Certamente não tenho as respostas para isso, mas sei de uma coisa:
pergunto-me sempre o porquê de termos sentido carência de algo estan-
do tão completos, tornando-nos frações de um Todo. Éramos tudo e hoje
somos partículas de um Grande Ser Universal, completando-nos uns aos
outros, procurando-nos uns nos outros, encaixando-nos uns aos outros
numa busca incessante de volta à ordem. Todos nós sentimos essa carên-
cia no passado e, por esse motivo, ao longo de inúmeras vidas estamos vi-
venciando a situação na qual nos encontramos, baseados na ideia de que
poderíamos ser diferentes da Fonte. Não há culpado, já que somos todos
um. Mediante isso, nós nos perdemos e nos “enroscamos” nesse ciclo
reencarnatório, acreditando que chegará o momento de alcançarmos a
pura luz novamente, a pura essência, e então não voltaremos mais a ter
vidas após vidas, pois seremos uno novamente.
Projeção astral – o despertar da consciência

Mas me pergunto se temos de demorar tanto para isso, ou se simples-


mente a partir do momento que adquirimos consciência plena de que
somos um, podemos voltar à essência. Segundo Krishnamurti, poderíamos
retornar sim, pois, quando tomamos consciência de nossa essência, dissol-
vemos todas as mazelas internas, culpas e máculas, e nos tornamos a pura
criação. Esse é o chamado despertar da consciência. Porém, sabendo quem
somos, jamais podemos nos esquecer de nossos irmãos, já que somos todos
um e, enquanto existir uma só alma que não tenha despertado para a sua
essência, sempre sentiremos a benevolência de estar na roda reencarnató-
ria para intuir e ajudar suas mentes a descobrirem a luz que habita em seus
corações. E, quanto mais trabalharmos nesse despertar consciencial, mais
perto estaremos de retornar à ordem e sair do caos.
É claro que ainda estamos longe disso. É só observar o mundo e ver o
que se passa ao nosso redor. Mas também não podemos olhar apenas para
o caos. Devemos fazer prevalecer o amor que existe e que gera a vida em
cada ser. Mesmo vendo a dor alheia, devemos emanar o amor de dentro de
nossas almas e fazer a nossa parte.
Baseado no texto que vocês leram acima sobre evolução, gostaria
de esclarecer que todas as vezes que aparecer a palavra “evolução”
neste livro será em um contexto de despertar. Evoluir com o sentido
de redescobrir, relembrar sua essência na perfeição do Divino em si.
Usarei essa palavra para que compreendam o processo pelo qual pas-
saremos ao estudar a projeção astral como ferramenta possível para um
despertar da consciência. Portanto, iremos “evoluir” na aprendizagem
dessa ferramenta para que nos ajude no despertar das pessoas ao nosso
redor. Mas, antes, vamos tentar entender de que forma um dia saímos
da ordem e entramos no caos.
Podemos chamar de consciência, de Deus, de o Todo, de o grande
espírito, o grande arquiteto do universo ou simplesmente de energia uni-
versal que tudo gera. Difícil é falar de tempo, de movimento ou de espaço
quando aprendemos ou sabemos que essa consciência simplesmente “é”.
Vamos tentar um referencial de tempo para compreender o princípio – se
é que posso falar assim – de tudo.
Quando essa consciência estava em seu estado de ordem, gerou um
sentimento que, por si só, não aprendeu, ou seja, ela não conseguiu obter
a resposta sozinha, então foi gerada uma ideia de carência. Por esse motivo,
a consciência precisa processar essa carência fora de si, através de veículos

16
Introdução

de manifestações. Foi criada por si só a necessidade de experiência da


consciência na sua ilusão de querer ser diferente.
A consciência sente-se como tal e, quando quer reconhecer o sen-
timento puro em si mesma, constrói com um conjunto de sentimentos
uma energia capaz de criar o pensamento e, para manifestá-lo, ela pre-
cisa criar um corpo mental no plano mental. Com isso, cria o tempo, po-
rém não linear, nesse plano mental. Dessa forma, ela conhece a si mesma
pelo próprio reflexo, ficando mais sábia. Porém, se ela não se reconhecer,
vai criar de uma forma mais intensa, através de emoções, ou pensamen-
tos mal compreendidos, o plano astral. E sabemos que, para manifestar
tais emoções, a consciência precisou criar um corpo emocional para se
manifestar nesse plano e adquirir espaço, pois ela precisou de forma para
se “sentir” mais sábia.
De alguma forma, a consciência precisou de uma complexidade maior
para reconhecer sua ideia de carências. O plano astral tem tempo, porém
não localidade, ou seja, através de saltos quânticos nos manifestamos onde
queremos apenas tomando consciência de onde queremos estar. Ela ainda
precisou de pluralidade para se reconhecer como ser. A consciência gerou
mais sentimentos para densificar os padrões de energia e criar outro plano
de manifestação. Com a desordem das emoções, foi criado o corpo físico
para manifestar sua carência no plano físico, pois espaço e tempo são linea-
res, portanto, ela experiencia em doses para o sentimento ser reconhecido.
Esse plano existe para filtrar as expressões do espírito. E tanto os espíritos
mais evoluídos – ou melhor, despertos –, quanto os que ainda estão no ca-
minho, alcançaram certas verdades e se encontram reencarnados no plano
físico para que possam interagir e conviver para a ajuda mútua. Enquanto
no plano astral os espíritos podem não se encontrar por diferenças emo-
cionais e densidades diferentes, estando lá em planos diferentes, no pla-
no físico, ao reencarnarem, não há distância de planos nem diferenças.
Podemos acessar e conviver com mais facilidade.
Lembramos que carência emocional não é a mesma coisa que ca-
rência da não correspondência da consciência, que chamamos de carência
consciencial. As emoções têm o seu antônimo, mas os sentimentos não.
Enfim, dessa forma, parece que a consciência aprende, ou melhor,
pensa que está aprendendo, pois a essa altura a própria consciência se
esqueceu de toda a sua plenitude como ordem. Enquanto a consciência
carente não encarna, continua sem respostas nesse caminho escolhido

17
Projeção astral – o despertar da consciência

por ela mesma. É como se ela caísse num grande esquecimento de si


mesma, de sua onipresença, onisciência e onipotência, achando que tem
de evoluir diante de suas ilusões criadas a partir de si mesma.
Cada carência preenchida na consciência faz com que ela ganhe “po-
limento”, ganhe soluções, enxergue com mais simplicidade todos os even-
tos e problemas. Volto a dizer que até hoje não consegui entender por
que a consciência sente falta de algo, já que ela é tudo por si só. Mas já que
estamos aqui, até que todos despertem o Todo em si mesmo, vamos nos
conectar uns aos outros, fazendo o máximo para que todos manifestem a
grande essência universal. Assim, poderemos nos sentir uno novamente.
Há em nossas almas o conteúdo e os registros de toda a nossa
evolução através das variadas experiências no universo desde a separa-
ção. Será que existimos dessa forma para reportarmos ao poder criador
cada aprendizado adquirido na pluralidade e na multiplicidade de vidas
vividas? Será que a cada passo nesse processo adquirimos, como Sua
extensão, a capacidade de criação de novos universos? Seriamos cocria-
dores? A vida me parece mais um jogo cósmico ditado pela Criação.
Não me parece que Deus estaria se desenvolvendo através de nós, fra-
ções Suas. Para que, já que Nele reside toda a sabedoria? Apenas para
criar um movimento? Já que vemos que esse movimento somos nós em
ação em meio à ilusão de nossas vidas? Pode ser que sim, pode ser que
não. De qualquer forma, temos de seguir vivendo...
A resposta está pronta em todo lugar. Basta saber o processo, que
é simplesmente acessar o seu íntimo, o seu eu maior, que é essência
Divina. Não há necessidade de sofrimento. Só sofremos porque caímos
nessa grande ilusão de que precisamos sentir falta de algo. Esquecemos a
nossa sabedoria, portanto, nos manifestamos por meio de emoções. Por
esse motivo o Karma (ação e reação) foi criado por nós, pois é decorrente
das manifestações desordenadas de nossas emoções. Reencarnamos
para quebrar o ciclo repetitivo emocional, o monodeísmo emocional em
que nos colocamos. Se não fosse assim, ficaríamos em looping o tempo
todo, até sentirmos a verdade absoluta. Portanto, aí vai uma dica: se
você sofre por algo, é porque já protelou muito tempo para resolver e
aprender com esse algo. Enquanto você acha que faz por obrigação, você
não aprende. Quando os sentimentos por algo não estão bem compreen-
didos, eles viram emoções.
Para entender as emoções, você precisa primeiramente tolerá-las,
para depois entendê-las e, por fim, compreendê-las. Dessa forma, as

18
Introdução

emoções se desfazem e você adquire mais sabedoria. Sofremos porque


reagimos impulsivamente. Qualquer coisa que se experimente fruto
de reflexos impulsivos é efêmera e passageira. Não devemos fugir das
experiências, senão entramos em negação, que nada mais é que a rea-
ção, e não a compreensão das experiências. Reações não são decisões.
Devemos pensar antes de agir, ou seja, em vez de sermos reativos, deve-
mos ser proativos em nossas vidas.
A melhor maneira para você começar a sentir sua essência é medi-
tando. Com o tempo, você achará o canal direto com a essência e sentirá
toda a verdade tomar conta de si mesmo, “saberá” internamente que é
Divino, que é puro amor. E quando esse dia chegar, o que pode aconte-
cer depois de muito tempo ou de um simples segundo num despertar,
conseguirá amparar todos em sua volta, compreendendo o momento de
cada um e ajudando-os a manifestar a sabedoria e o amor divino assim
como você. E um dia, quando todos nós estivermos na mesma sintonia
desse amor divino, seremos uno novamente.
Essas são as minhas especulações, meu aprendizado, minhas bus-
cas e minhas vivências. Essa é a minha paz de espírito encontrada de-
pois de experienciar muito sofrimento. Mas, já que entramos nessa,
faz parte. Ainda sofro, ainda derrapo nas vias da ilusão, mas continuo
a caminhada tentando sempre perceber a verdade contida através de
meus passos e com o convívio com as pessoas à minha volta.
As pessoas estão por demais distraídas com o mundo, imaginan-
do que isso é tudo o que existe e que somente nesse contexto podem
encontrar algo que possa dar sentido à sua vida.
Quando param para observar algo além do mundo, ou quando
param para observar a si mesmas, começam a flertar com novas pos-
sibilidades a partir de perguntas básicas como: quem sou eu, o que
estou fazendo aqui, qual o sentido real da vida?
Nesse momento podem ter a sensação de estarem colapsando,
mas isso é apenas a percepção de que seus valores, seus conceitos,
seus mecanismos de pseudossegurança estão desmoronando para, no
mínimo, admitir a possibilidade de algo novo. Isso pode ser assusta-
dor, e normalmente é experienciado assim, mas é apenas uma fase
que logo dá espaço a um novo cenário e a novas sensações, em que
podemos encontrar gradativa ou rapidamente novas ideias e novas
percepções muito mais confiáveis e muito mais confortáveis.

19
Projeção astral – o despertar da consciência

São estágios que podemos chamar de desenvolvimento da confian-


ça, onde, a princípio, temos a sensação de estarmos nos arriscando em
uma aventura sem precedentes e sem referências, de modo que temos
de assumir uma atitude corajosa diante do novo ou aparentemente novo,
posto que tudo o que precisamos saber sempre esteve dentro de nós.
Será que, a partir dessa experiência de superar o medo do novo e
olhar profundamente para dentro de nós, estaríamos diante da verda-
de? A verdade que silencia o coração eliminando os medos e conflitos
do mundo, realizando o seu dia a dia com perfeição e aceitação em seu
meio. A verdade que ilumina você e o deixa em paz consigo mesmo e
com a vida, sentindo-se pleno, íntegro e feliz!
Para isso, teremos de nos relacionar com a vida. Conviver com
os outros é conviver com nós mesmos, porém de um ponto de vista
de que não gostamos. Conviver numa caverna é conviver sob pontos de
vista de nós mesmos que nos consolam. O que faz aflorar o sentimento
é o impacto da relação com os outros. Não pode haver sentimento sem
ponderação, do contrário será algo impulsivo, emotivo, sem projeção
e inconsequente. Portanto, precisamos nos relacionar para sair desse
looping contínuo em que nos colocamos.
Reconhecer a parte divina em cada ser, transmutando a ilusão em
pura verdade. Acredito ser esse o melhor caminho para voltarmos à es-
sência e sentirmos a maior energia potencial que existe no universo, que
é o amor. Sentir a própria existência já é tudo. Existência refere-se a uma
consciência, à capacidade de identificar o papel que a vida desempenha
na conjuntura das forças e variáveis universais, na percepção de estar,
ser e obedecer a um propósito em vias de compreensão. Devemos nos
integrar ao sentido da vida, compreendendo o nosso papel no cenário
universal. Com isso, vamos descobrindo o valor da nossa identidade viva,
inteligente e amorosa e a nossa capacidade de transformação. Usando a
sensibilidade para valorizar a existência, percebendo as mensagens sutis
do universo, podemos refletir na busca da compreensão e percepção da
realidade que nos cerca. Com isso, usamos a ponderação para atingir a
consciência plena do que é existir no universo. Junto com a ilusão da
separação obtemos a capacidade de criar, renovar, escolher, transformar
e evoluir para o despertar. E para sanar as dúvidas, temos de achar a cha-
ve que se encontra no cosmos e, portanto, temos de ter determinação,

20
Introdução

coragem, desprendimento e força. Reconhecer-se divino. Sentir-se divi-


no é a chave porque Deus é sensação. Então, apenas sinta-se, admire-se
e dê valor à sua integridade.
Tornamo-nos espíritos fracionados buscando o retorno à casa do Pai.
Sendo espíritos, somos espiritualistas comprometidos com a ação, com
a realização, com o conhecimento, com a busca de um novo estado de
consciência dinâmico, amplo, claro, livre, puro e profundo. Procuramos
ser felizes. E, quando encontramos essa felicidade una, sentimos a ne-
cessidade de ampliarmos o leque de referencial, ou seja, de nos rela­
cionarmos amplamente para nos juntarmos em um único espírito, o
poder criador. É o puro amor em ação. Segundo Einstein, não se pode
saber como é o mundo; só se pode comparar nossa própria visão com
a dos outros. A relatividade consiste em conceber o mundo como uma
soma não de acontecimentos, mas de relações. Portanto, cada um de nós
pode ser um referencial para o outro de sua parte divina, para que um
dia possamos ser todos um.
Vocês percebem o quanto a consciência é magnânima? Quanta pu-
reza ela porta em si? Quanta benevolência? Ela possibilita a existência
da matéria manifestada pela sintonia do sentimento, ou melhor, ela entra
em sintonia com a Criação, que é puro amor para dar forma. O que dá
coesão à matéria nada mais é do que o sentimento realizado: o amor. O
amor é o sentimento puro da consciência. Nós “encapamos” esse amor
de emoção e o transformamos somente para troca entre duas pessoas.
O amor de verdade une todas as consciências em onda contínua junto à
Criação, mantendo uma individualidade em todas as consciências, com
certo grau de troca. E é através dessa troca que vamos nos reconhecendo
como deuses. Com essa troca, deixamos a sabedoria e o amor divino se
manifestarem através de nós, acelerando o processo de volta à fonte divi-
na. Mas acredito que, enquanto existir uma só alma no universo que não
tenha alcançado a consciência cósmica, estaremos aqui para ajudá-lo em
sua trajetória de vida. Por esse motivo, existem mestres em vários planos
sutis que oram por todos nós, seus irmãos de jornada.
Devemos aprender com esses mestres a atitude benevolente que
está aliada à compaixão. Somente com a compaixão teremos a capaci-
dade de aceitar os outros como são, entendendo que cada um tem seu
tempo para perceber as coisas que lhe beneficiam ou prejudicam na
vida, até que sintam a sabedoria e o amor divino fluírem novamente.

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Projeção astral – o despertar da consciência

A projeção astral nos dá a grande oportunidade de continuar do lado


de lá a fazer o que fazemos do lado de cá quando despertos na vigília.
Elucidar nossos irmãos que estão perdidos em planos diferentes, com
seus egos, dores, sofrimentos e doenças, sobre a presença da fonte, de
Deus em seus corações e despertá-los para o amor que são.
Amigos, quando for mencionada, neste livro, a palavra “assédio”,
ou “obsessão”, gostaria de deixar claro seu verdadeiro significado. Da
mesma forma que sofremos perturbações energéticas negativas aqui
neste plano, do lado de lá acontece o mesmo por parte de entidades
que estão no estado de “não despertos” para o amor. E com isso, perdi-
dos na ilusão de quem pensam ser, acabam por irradiar energias densas
que nos atrapalham se nos sintonizarmos com elas. Mas essas entida-
des, mesmo estando no estado que estão, não deixam de ser nossos
irmãos de jornada. Apenas não despertaram ainda assim como nós. E
cabe a nós, com compaixão, ampará-los nessa verdade. Basta sermos
amor puro, e de alguma forma tocaremos seus corações.
Espero que tenham alcançado um entendimento da explanação
a respeito da consciência e seus veículos de manifestação para que
possamos adentrar agora as experiências do espírito. De qualquer for-
ma, dentro ou fora do corpo, a melhor dica que eu poderia dar a vocês
é: a cada experiência, sempre que quiserem saber a verdade dos fa-
tos, simplesmente sintam, porque sentir estabelece significados. Os
sentimentos têm experiências, portanto, eles têm valores como dis-
cernimento, nos dando base para agir, pois, apoiados na vivência de
cada situação, objetivam a aceitação ou a rejeição do fato em si. Sejam
espectadores desse grande palco que construímos, e não atuantes em
meio aos conflitos existentes nele. Como observadores, é possível nos
sentirmos uno em Deus e, assim, podermos apenas “entrar” no palco
de cada irmão de jornada para ajudá-lo a mudar o foco para o mesmo
que alcançamos. A lucidez, o despertar de nos vermos como puro amor!
E, ao final, sermos todos um!
Vamos aos estudos!

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