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PUBLICAÇÃO bimestral • 189 • SETEMBRO/OUTUBRO ‘10

FARMÁCIA
PORTUGUESA

FIP 2010
O NOSSO FUTURO PASSOU POR AQUI
2
PUBLICAÇÃO bimestral • 189 • SETEMBRO/oUTUBRO ‘10

FARMÁCIA
PORTUGUESA

04 ÚLTIMA HORA
LAST MINUTE

16 05 EDITORIAL
FIP 2010
AS GRANDES QUESTÕES 06 ENTREVISTA
NO TOPO DA NOSSA AGENDA Paulo barradas,
presidente da Bluepharma
Mais de três mil participantes,
oriundos de quase 200 países, Paulo barradas, 46 consultoria JURÍDICA
Bluepharma President Contrato de trabalho
fizeram do Congresso de Lis- work contract
boa 2010 da Federação Inter- 11 FLASHES
nacional Farmacêutica (FIP) 48 INFORMAÇÃO VETERINÁRIA
um dos maiores eventos de pêlo de gato
sempre da profissão e das ciên- 12 anf cat fur
cias farmacêuticas. b2b
50 genomed
32 INFORMAÇÃO TERAPÊUTICA Doenças tromboembólicas
Lúpus Thromboembolic Disease
lupus
54 NOTICIÁRIO
28 38 política de saúde NEWS
expofarma 2010 à espera do parlamento
“Por uma farmácia waiting for the 57 REUNIÕES E SIMPÓSIOS
parliament’s decision MEETINGS AND SyMPOSIA
melhor”
A decisão de estender a edi-
ção de 2010 por mais um dia
42 Museu da farmácia 58 FORMAÇÃO
ISrael CEDE PEÇAS AO MUSEU TRAINING
revelou-se uma aposta ga- Israel donates pieces to the
nha. Desde logo pelo número pharmacy MUSEUM 59 ficheiro mestre
de visitantes que acorreram à Master file
Exponor, no Porto, entre 21 e 44 CONSULTORIA fiscal
A Certificação dos 61 cartoon
24 de Outubro último: 8.297.
Programas de Facturação
certification of billing 62 DESTA VARANDA
programmes FROM THIS BALCONY

Farmácia
portuguesa 3
FARMÁCIA última hora
PORTUGUESA

DCI volta à agenda


Propriedade

político-partidária
Director
Dr. Francisco Guerreiro Gomes

Sub-Directores
Dr. Luís Matias
Dr. Nuno Vasco Lopes

Coordenadora do Projecto
Drª Maria João Toscano

Coordenadora Redactorial A prescrição por DCI regressou à agen- outro do PCP - o PS disse não e o PSD
Drª Rosário Lourenço
Email: rosario.lourenco@anf.pt da política-partidária, com a aprovação, absteve-se. O CDS-PP votou ambas fa-
a 15 de Dezembro, de um decreto-lei voravelmente, já que alinhavam com a
Coordenadora Redactorial adjunta
Drª Ana Patricia Rodrigues do governo em Conselho de Ministros e sua proposta nos princípios essenciais.
Email: ana.rodrigues@anf.pt de uma proposta de lei do PSD em ple- Nesse mesmo dia, o Conselho de
Tel.: 21 340 06 50 nário da Assembleia da República. Na Ministros aprovava o seu próprio diplo-
mesma sessão, o parlamento chum- ma sobre a matéria, apresentada como
Produção bou outros dois diplomas sobre a maté- visando reforçar a obrigação de pres-
ria, um subscrito pelo PCP e outro pelo crição por DCI. No decreto-lei determi-
BE. A proposta de lei do PSD foi apro- na-se que o médico apenas poderá re-
vada com o voto favorável do CDS-PP cusar a escolha de outro medicamento
e com a abstenção dos restantes par- com o mesmo princípio activo por ra-
Redacção: Edifício Lisboa Oriente tidos. Nela, os sociais-democratas de- zões técnicas e se o indicar e justificar
Av. Infante D. Henrique, 333 H, Escritório 49
1800-282 Lisboa finem que a prescrição é por DCI mas expressamente na receita.
Tel.: 21 850 81 10 - Fax: 21 853 04 26 admitem que o médico possa indicar a A 13 de Outubro, tinha já sido aprova-
Email: farmaciasaude@lpmcom.pt
marca ou o titular de AIM, impedindo o da pela Assembleia da República, uma
direito do doente a optar se o medica- proposta do CDS-PP com os votos favo-
Consultora Comercial
Sónia Coutinho mento prescrito já for genérico, se se ráveis de toda a oposição e o voto con-
soniacoutinho@lpmcom.pt destinar a tratamento prolongado e/ou tra do partido no poder. Esta proposta, a
Tel.: 96 150 45 80
patologias crónicas, ou ainda a assegu- aguardar apreciação na especialidade
Tel.: 21 850 81 10 - Fax: 21 853 04 26 rar a continuação de um tratamento e na Comissão de Saúde, prevê a gene-
se proceder, na prescrição, a justifica- ralização da prescrição por DCI, dando
ção clínica precisa e fundamentada. ao doente a possibilidade de optar li-
Distribuição gratuita
aos associados da ANF Na prática, este diploma é mais restri- vremente por um medicamento com a
tivo do que a legislação actual, aprova- mesma substância activa, dose e forma
Assinaturas
1 Ano (12 edições) - 50,00 euros
da por um governo social-democrata e farmacêutica. Só por razões técnicas,
Estudantes de Farmácia - 27,50 euros ao abrigo da qual o médico é obrigado devidamente fundamentadas e vali-
Contacto: Margarida Lopes
Telef.: 21 340 06 50 • Fax: 21 340 06 74
a prescrever por DCI mas pode indicar dadas pelo Ministério da Saúde, pode
Email: margarida.lopes@anf.pt marca ou titular de AIM, inviabilizando o médico impedir que seja o doente a
a substituição com a aposição de uma escolher.
cruz em local próprio da receita. Aliás, Quer o decreto-lei governamental, quer
Impressão e acabamento
mais de 90% das prescrições cumprem a proposta de lei do PSD, que se junta à
RPO - Produção Gráfica, Lda. os requisitos considerados excepção do CDS-PP na Comissão de Saúde, fo-
Depósito Legal n.º 3278/83
na proposta do PSD. ram aprovados em vésperas de entrar
Isento de registo na ERC ao abrigo Mais uma vez, ficará adiada a genera- em vigor o novo sistema de cálculo do
do artigo 9.º da Lei de Imprensa
n.º 2/99, de 13 de Janeiro
lização da prescrição por DCI e, mais preço de referência. A partir de Janeiro,
uma vez também, será negado ao do- deixará de ter como base o genérico
Periodicidade: Bimestral
Tiragem: 5 000 exemplares
ente o direito de opção. Trata-se de um mais caro e passará a ser calculado
claro retrocesso na promoção dos ge- com base na média dos cinco genéricos
Distribuição néricos enquanto factor de poupança mais baratos. Isto significa que o preço
para o Estado e para os cidadãos. de referência vai baixar, com o Estado
Em sentido diferente apontavam os a transferir a factura para o doente.
FARMÁCIA PORTUGUESA é uma publicação outros dois diplomas votados no mes- Assim não aconteceria se o doente pu-
da Associação Nacional das Farmácias
Rua Marechal Saldanha, 1, 1249-069 Lisboa
mo dia mas chumbados: um do BE e desse mesmo optar livremente.

www.anf.pt
EDITORIAL

O Verão Acabou…
… entrámos no Outono e a nossa Revista, como esperam, procura manter-nos actu-
alizados, face ao dia-a-dia que nos rodeia.
Vários temas suscitaram a nossa atenção o que desta vez é a FIP (Federação
Internacional Farmacêutica). Foi ela que levou os colegas de muitos países a visi-
tarem, e a olharem para Portugal, procurando, entre outros temas, perceber como
funciona o nosso Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente o circuito farmacêuti-
co. Foram marcadas e vividas visitas guiadas a várias partes deste circuito – farmá-
cias, armazéns, por exemplo.
A distribuição de acções do Projecto + Futuro fica a marcar uma alteração pouco
frequente de entrega de activos às farmácias. Activos de empresas criadas no sec-
tor (com exclusão das cooperativas) neste caso na ANF.
O nosso sentido de realidade, o nosso sentido de humor, que nunca devemos perder
é assinalado no Cartoon. O saber rir de nós próprios engloba situações confusas
que nos chegam dum Governo, também confuso e em que o Ministério da Saúde se
salienta com ordens impossíveis de cumprir em unidades como as farmácias, com
pequena dimensão, onde trabalha um quadro de pessoal também ele reduzido.
Na época abrangida por esta edição foi inaugurado o novo Edifício da ANF, na cidade
do Porto.
Aconselhamos aos leitores a fazerem uma visita ao edifício que apresenta uma qua-
lidade arquitectónica notável. Tão notável que lhe vamos dedicar inteiramente o
próximo número da Revista – edição 190.

Francisco Guerreiro Gomes

Farmácia
portuguesa 5
entrevista

Paulo Barradas, presidente da Bluepharma

A obsessão pela Qualidade

A Bluepharma orgulha-
-se do caminho
percorrido em dez
anos de existência: um
caminho em que marcou
a diferença pela positiva,
investindo na produção
de medicamentos
genéricos, conquistando
mercados além-
-fronteiras, apostando
na qualificação dos
recursos humanos,
na qualidade dos
equipamentos e
instalações e rasgando
terreno na I&D. Com
reconhecimento nacional
e internacional.

Farmácia Portuguesa – Há dez anos acção foi lamentar que investimento 120 intenções de compra de em-
um pequeno grupo de amigos, qua- estrangeiro importante para o País presas internacionais, chegou-se
se todos com um percurso comum estivesse de certa forma em risco, à fase final com outras duas enti-
na profissão farmacêutica, cria a com a venda desta fábrica. Contudo, dades, e a Bayer privilegiou o gru-
Bluepharma. Como é que surgiu a depois – e porque as coisas só de- po Bluepharma. Fê-lo porque a
decisão de investir na produção de pendem da nossa vontade – avan- Bluepharma era um grupo nacional,
medicamentos? çámos com o propósito de viabilizar que se identificava com a região e
Paulo Barradas – O nosso trajecto esta unidade industrial e contribuir que tinha um plano de negócio sufi-
tem sido, efectivamente, na área para a sua continuidade e sucesso. cientemente robusto e convincente.
do medicamento. Abracei a profis- Tínhamos uma equipa muito bem
são cedo, primeiro na farmácia de preparada e com conhecimento Farmácia Portuguesa – Ao fim de
oficina, ainda enquanto estudante, sobre produção de medicamentos, dez anos, a Bluepharma é uma em-
depois na distribuição, mais con- e havia a nossa vontade de criar presa consolidada, com reputação –
cretamente na Farbeira e, por fim, riqueza, de dar visibilidade à pro- e mercado – internacional. Qual é a
na área da Indústria farmacêutica. fissão através da indústria e de receita do sucesso?
Há cerca de dez anos, pensámos ser aproveitar o bom ambiente que se PB – A receita é acreditar, planear e
altura de dar corpo a um novo pro- vivia em Portugal e na Europa para trabalhar muito. Desde o início que
jecto. A oportunidade surgiu com o as empresas com grande intensi- tínhamos indicadores que nos per-
anúncio de que a fábrica da Bayer dade tecnológica e sustentadas no mitiam acreditar na viabilidade des-
estava à venda. A nossa primeira re- conhecimento. Depois de mais de te projecto em Portugal. Desta for-

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ma, com muito trabalho e seguindo empresa extremamente focada, di- carácter fortemente inovador, des-
o plano de negócio desenhado em ria até “obcecada” pela qualidade. de logo na aposta nos medicamen-
2000, tem-se tornado o projecto Outro aspecto não menos impor- tos genéricos. Havia sinais de mu-
numa realidade cada vez mais sus- tante é a actividade de I&D da dança fortes – a assinatura utilizada
tentada e fortemente empregadora Bluepharma, cuja face mais visível remetia para a ideia de que este
para a região. é o novo Centro de I&D, construído projecto marcava uma nova onda no
Esse plano tem sido concretizado, com esforço e espírito de inovação, sector farmacêutico – e o País não
nomeadamente no que diz respeito com o objectivo de dar resposta às podia esperar mais. No que respei-
ao número considerável de pessoas inúmeras solicitações do mercado ta ao medicamento, tinha de haver
que trabalham hoje na Bluepharma: e à estratégia de crescimento da coragem política para implemen-
passámos de 58 para 180 colabora- Bluepharma. tar algumas medidas essenciais,
dores. Paralelamente, de uma em- nomeadamente o desenvolvimen-
presa que estava muito orientada
para a produção de medicamentos
Internacionalizar, to dos medicamentos genéricos.
Ninguém acreditava, diziam mesmo
para o território nacional e para
uma marca – a Bayer – evoluiu-se
inovar, investir que o mercado de medicamentos
genéricos nunca seria importan-
para uma companhia que licencia Farmácia Portuguesa – A estraté- te em Portugal. Mas nós sabíamos
tecnologia resultante das suas ac- gia da Bluepharma assenta em três que era uma forma de equilibrar a
tividades de I&D, que produz medi- vectores – internacionalização, ino- despesa pública com medicamen-
camentos para mais de 30 marcas vação e investimento. Como se de- tos, de dar sustentabilidade ao SNS
espalhadas por todo o Mundo, e que senvolve cada um deles? e também de estimular a Indústria
comercializa cerca de 44 moléculas PB – Desde o primeiro momento que farmacêutica em Portugal, numa
diferentes. Em 2010, a Bluepharma se definiu a política muitas vezes altura em que já se previam algu-
Indústria tem a expectativa de pro- apelidada de política dos três “Is”. O mas dificuldades. Produzir genéri-
duzir mais de 10 milhões de em- primeiro é o da Internacionalização: cos era, também, criar riqueza em
balagens de unidades de medica- o próprio nome indica a intenção de Portugal, dando ao cidadão melhor
mentos. Por sua vez, a Bluepharma criar uma empresa orientada para acessibilidade ao medicamento. É
Genéricos já colocou no mercado o mercado internacional. Quando esse o contributo que a Bluepharma
nacional, até ao momento, mais de nos perguntam porque escolhemos pretende dar ao País, desde o início.
1 milhão de embalagens. este vector, tendo um discurso tão Muito cedo se começou também
O sucesso da Bluepharma justifica- nacional, respondemos que o País a falar em Investigação & Desen-
-se também pelo facto de a empresa precisa cada vez mais de empresas volvimento. Também aqui foi ne-
ter, no seu código genético, o rigor e exportadoras, de forma a melhor cessário vencer muitas barreiras,
a qualidade germânicas associados sustentar a sua economia. pois fomos muitas vezes confron-
à paixão e flexibilidade latina. Uma O segundo “I” é de Inovação, porque tados com o argumento de que I&D
das nossas primeiras iniciativas, o projecto, no seu todo, tem tido um era só para as grandes empresas.
em 2001, foi a certificação integra-
da em qualidade, ambiente, saúde
ocupacional e segurança. Fomos
a primeira empresa farmacêutica
do País a obtê-la. Seguiu-se a cer-
tificação FDA, que foi minuciosa-
mente preparada ao longo de mais
de três anos, tendo sido obtida em
Outubro de 2009 sem qualquer ob-
servação por parte das inspecto-
ras, o que é muito pouco frequente.
Desta forma, podemos afirmar que
produzimos medicamentos genéri-
cos na única fábrica certificada em
Portugal pela FDA para a produção
de cápsulas e comprimidos.
Esta certificação pela FDA foi um
marco muito importante. É um car-
tão-de-visita que permite conquis- Direcção da Bluepharma: Sérgio Simões, Vice-Presidente/ Desenvolvimento
do Negócio e do Produto; Maria Isolina Mesquita, Vice-Presidente/ Operações;
tar outros mercados e que ajudou
Paulo Barradas, Presidente Executivo; Miguel Silvestre, Administrador
a credibilizar a Bluepharma como

Farmácia
portuguesa 7
entrevista

Temos vindo a demonstrar que não do novo centro de I&D, que é o coro- dores e universitários de grande qua-
é exactamente assim. É possível lário do discurso da Bluepharma, que lidade (da Universidade de Coimbra),
fazer I&D segmentando a cadeia se foi fazendo e concretizando. assente em patentes internacionais
de valor do medicamento: desde o já atribuídas e cujo sucesso prevemos
desenvolvimento dos métodos ana- Farmácia Portuguesa – A Bluephar- que aconteça a médio prazo.
líticos, até à investigação de estra- ma exporta 70% da produção. Como Este projecto consta do desenvolvi-
tégias terapêuticas inovadoras, com é que se chega a esta dimensão mento de uma tecnologia no âmbito da
novas tecnologias ou com novas num sector que, como disse, não terapia fotodinâmica para tratamento
moléculas. Neste domínio, a estra- estava vocacionado para o mercado do cancro. Trata-se de uma molécula
tégia passa por incrementar valor externo? com uma toxicidade muitíssimo baixa
às descobertas com maior poten- PB – Pensando, delineando e concer- que, quando excitada com luz de um
cial e, assim, conduzir os projectos tando estratégias de longo prazo. Se determinado comprimento de onda,
até à fase inicial de ensaios clínicos, a estratégia implementada fosse de se torna altamente tóxica, podendo
com vista ao posterior licenciamento curto prazo, tínhamos pensado ape- ser direccionada para as células que
às grandes empresas farmacêuticas nas à escala do País. E hoje, com as se pretende atingir. Para já, a sua uti-
multinacionais. A nossa estratégia políticas erráticas que têm sido se- lização será circunscrita ao cancro da
de cooperação tem permitido dar guidas na área da economia e da saú- pele, mas alargámos a investigação
visibilidade aos bons centros de in- de, em particular do medicamento, a para outros tipos de tumores, como os
vestigação que existem no País. Para Bluepharma estaria fechada. do cólon, próstata e mama.
além da investigação temos feito um Os nossos mercados mais fortes são O objectivo é prosseguir com esta in-
trabalho muito assertivo no domínio o francês e o alemão. Temos expor- vestigação até à fase clínica para, no
do desenvolvimento farmacêutico de tado para os EUA e desde Junho que espaço de três a cinco anos, licenciar
medicamentos genéricos, o que tem exportamos também para a Austrália. as empresas de maior dimensão.
permitido alavancar a área industrial. Temos já contratos assinados para a
Deste modo, não só fabricamos medi- Rússia e o México e estamos a olhar
camentos, como também marcamos com muita atenção para a China. Políticas erráticas
a diferença junto dos clientes, desen-
volvendo medicamentos genéricos,
A Bluepharma não conquistou produ-
ção a outras fábricas noutros países.
prejudicam doentes,
preparando os dossiers e licenciando Do que se produz, apenas 5% resulta empresas e país
tecnologia, com a contrapartida de, de transferências. Os outros 95% são
mais tarde, posicionar a Bluepharma produtos que nasceram do resultado Farmácia Portuguesa – Os gené-
como produtor industrial. da política de desenvolvimento e de ricos simbolizam a capacidade de
O terceiro “I” é de Investimento. Até licenciamento de medicamentos ge- inovar da Bluepharma. Como en-
à data, todos os recursos financeiros néricos, de um trajecto longo e arris- cara hoje o mercado e o respectivo
do grupo têm sido orientados para o cado, mas sempre muito sustentado. enquadramento político?
investimento. PB – Vivemos momentos muito di-
O retorno tem acontecido através do Farmácia Portuguesa – Essa é a pro- fíceis. A necessidade de poupar
crescimento do projecto nas suas vá- va de que o desenvolvimento vale a é grande e poupa-se cegamente.
rias vertentes, materializado no au- pena. E quanto à investigação? Percebeu-se que havia espaço na
mento e qualificação dos colaborado- PB – A Bluepharma participa em al- área do medicamento para o Estado
res, na melhoria do parque industrial, gumas start-up de base tecnológica exercer compressão no preço, e a
na ampliação da fábrica e na criação e abraçou um projecto com investiga- política mais recente tem-se resu-

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mido quase em exclusivo à redução uma situação com ónus para o do- tor, dos doentes e do País. Mas sen-
de preços. Em 2010, chegamos ao ente, que paga os medicamentos timos também uma grande respon-
ponto de ter quatro preços diferen- mais caros, para o erário público, sabilidade, a responsabilidade de ter
tes nas farmácias para o mesmo cuja factura cresce, com prejuízo de sempre que fazer melhor e também
medicamento, o que muitas vezes se tempo e dinheiro para a indústria, de servir como exemplo, para que ou-
torna difícil de explicar aos utentes. nomeadamente de base nacional. É tros possam implementar o mesmo
O resultado desta política errática um caso único na Europa e que me- tipo de políticas, construir e acreditar
é que, no primeiro semestre deste receu mesmo uma repreensão da que podemos viver num País melhor.
ano, pela primeira vez, houve uma Comissão Europeia. A Bluepharma
retracção no consumo de medica- conseguiu lançar 40 medicamentos
mentos. O mercado decresceu em genéricos no mercado sem qual-
unidades, o que significa que a aces-
sibilidade do cidadão ao medica-
quer litigação por parte das empre-
sas multinacionais de originadores.
Fundadores
mento não melhorou. As empresas Entretanto, já é vítima desta estra-
A Bluepharma nasceu da vontade
facturam menos, a distribuição está tégia. Neste momento, estão quatro
de um grupo de farmacêuticos
em dificuldades, as farmácias traba- medicamentos da Bluepharma em
apostados na defesa do sector
lham num ambiente de maior dificul- causa entre os cerca de 560 proces-
farmacêutico nacional. São eles
dade e já muito competitivo, com uma sos que correm nos tribunais por-
Paulo Barradas, ex-presidente da
margem operacional sobre as vendas tugueses. Acresce ainda outra ori-
Farbeira, Sérgio Simões, profes-
cada vez mais reduzida. E o pleno ginalidade, que é o price linkage. O
sor da Faculdade de Farmácia de
fez-se pela negativa, porque o Estado Ministério da Economia entende que
Coimbra, Miguel Silvestre, actual
gastou, neste mesmo período, mais deve travar a atribuição do preço en-
presidente da Plural (cooperativa
11,6% em medicamentos do que em quanto a questão da patente não esti-
que integrou as três da região)
igual período do ano anterior. São in- ver resolvida em tribunal, protegendo
e presidente da Delegação do
dicadores de efeito contrário mas que, o interesse das multinacionais que, na
Centro da ANF, e Paulo Fonseca,
juntos, são explosivos para o sector, maior parte das vezes, como espera-
actual presidente da Secção
para a população e para o País. do, perdem os processos.
Regional de Coimbra da Ordem
dos Farmacêuticos, no entendi-
Farmácia Portuguesa – A litigação Farmácia Portuguesa – Na inau-
mento de que os seus percursos
em torno das patentes veio agra- guração do novo centro de I&D, o
e forte dinamismo seriam es-
var este cenário. Que repercussões Presidente da República disse que
senciais para desenvolver com-
tem tido na Bluepharma? a Bluepharma percorre o caminho
petências e com eles potenciar o
PB – É, actualmente, o maior im- que o país devia trilhar para resolver
projecto. O quinto elemento é um
pedimento ao desenvolvimento do os graves problemas que enfrenta.
profundo conhecedor da indústria
mercado de medicamentos genéri- Como recebeu estas palavras?
farmacêutica – trata-se de Maria
cos em Portugal. As empresas mul- PB – O sentimento da Bluepharma e
Isolina, que governou os destinos
tinacionais perceberam que, como dos seus colaboradores foi de certa
desta unidade industrial da Bayer
os tribunais não respondem, valia forma a recompensa pelo trabalho
em Portugal nos 15 anos que an-
a pena reclamar direitos indevidos desenvolvido e pela estratégia se-
tecederam a decisão de vender a
sobre as patentes e tentar assim guida, bem demonstrativa de que
unidade.
impedir ou atrasar a aprovação do tem sido a que melhor defende os
medicamento genérico. Trata-se de interesses da Bluepharma, do sec-

Farmácia
portuguesa 9
entrevista

Confiança
e sucesso
em números
A Bluepharma é uma empresa
de sucesso a que não falta con-
Farmácia Portuguesa – Dez anos Farmácia Portuguesa – Como vê o fiança. E os números demons-
depois, qual a estratégia de cresci- sector da farmácia de oficina? tram isso mesmo:
mento da empresa? PB – É um sector que tem tido uma Volume de negócios em 2010 –
PB – A Bluepharma vai continuar capacidade de regeneração assi- superior a 20 milhões de euros;
a investir no sentido de aumentar nalável. Acredito, pela trajecto per- Facturação alocada à I&D – 20%;
sempre as suas competências e ca- corrido nos últimos 30 anos e pelas Clientes – 28 em 2009;
pacidades. Queremos ser reconhe- ameaças a que foi sujeito nos últimos Área global – 7.893 m2; Área
cidos como uma empresa compe- cinco anos, que está mais forte do que afecta à I&D – 1.344 m2;
tente, inovadora e com forte capaci- nunca. Tem, acima de tudo, resistido Taxa de esforço no Inquérito ao
dade industrial instalada. Estamos pois conta com um sector muito bem Potencial Científico Nacional –
determinados em ter um papel organizado e com profissionais muito 17.º lugar;
importante na área da I&D como qualificados e à altura dos desafios. N.º de funcionários – 180: 31 em
alavanca da produção industrial. No Penso ainda que a sociedade reco- I&D, 8 em Garantia de Qualidade,
mercado dos genéricos queremos nhece as farmácias e que as neces- 101 em Operações e 40 noutros
ocupar um lugar cimeiro. Temos um sidades que a população tem de um sectores;
plano de negócio a cinco anos bem excelente exercício farmacêutico, no- Qualificação dos RH – 57% com
definido, que se iniciou há ano e meadamente na área da geriatria, se formação superior;
meio e que vamos cumprir com um traduzem em grandes oportunidades Produção – 69 dosagens, 173
modelo inovador de relacionamento no futuro para esta classe profissional. apresentações, 34 substâncias
com as farmácias. Os anos 90 foram de grande estabili- activas distribuídas pelos seguin-
dade, o que permitiu afirmar o sector. tes domínios terapêuticos: siste-
Uma parceria Já esta primeira década de 2000 foi de
grande mudança e sobrevivência, pelo
ma nervoso, anti-histamínicos,
antifúngicos, sistema urinário e
de confiança que só posso acreditar que o sector vai
fazer o seu trajecto e cumprir cada vez
genital, doenças ósseas, antibi-
óticos de uso sistémico, reduto-
com as farmácias melhor a sua missão. Para isso, terá
cada vez mais de se organizar e de
res do colesterol, agentes anti-
trombóticos, sistema digestivo e
Farmácia Portuguesa – Como é que trabalhar em rede porque as ameaças metabólico, anti-inflamatórios e
a Bluepharma se posiciona junto serão, também, cada vez maiores. anti-reumáticos, sistema cardio-
das farmácias? Mas as farmácias estão preparadas vascular e doenças relacionadas
PB – Temos uma parceria estraté- para contribuir para o uso racional do com ácidos;
gica muito forte com as farmácias. medicamento, para um maior equi- Metas até 2012 – um volume de
Conhecemos bem o sector, pelo que líbrio da despesa pública, tentando negócios na ordem dos 40 mi-
tentamos facilitar a vida ao farma- garantir uma rentabilidade que se lhões, duplicar a capacidade de
cêutico, ajudando-o a diminuir a poderá equiparar à que teve há uns embalagem para 30 milhões de
complexidade e o risco da sua ac- anos atrás. Acredito que as perdas unidades, triplicar a capacidade
tividade profissional. Oferecemos às que o sector registou com as medidas de produção para um bilião de
farmácias confiança e estabilidade, restritivas aplicadas nos últimos anos unidades sólidas, conquistar 4%
é o nosso contributo para a afirma- poderão ser recuperadas com capa- de quota no mercado nacional de
ção deste sector na sociedade por- cidade de organização e pensamento genéricos.
tuguesa. estratégico.

10
FLASHES

Espanha Reino Unido


Medidas adicionais Governo quer sistema
de contenção de custos de preços baseados
O Governo espanhol aprovou um segundo decreto-lei
no valor dos medicamentos
que introduz novas medidas para obter poupanças. As
principais medidas foram revistas depois da associa- O Governo do Reino Unido pretende alterar a forma como
ção da indústria (Farmaindustria) ter apresentado pro- paga os medicamentos prescritos no âmbito do NHS, para
postas alternativas. Desde 1 de Junho, a indústria, os que qualquer medicamento custo-efectivo possa estar dispo-
grossistas e as farmácias têm de conceder um descon- nível através do NHS. De acordo com este princípio, o labora-
to de 7,5%, para os medicamentos inovadores, a cada tório produtor será pago tendo em conta o valor terapêutico
parceiro da cadeia do medicamento, baseado no preço acrescentado e os factores económicos. Segundo o Ministério
de fábrica, no preço de venda à farmácia e no PVP, res- da Saúde, o novo sistema poderá ser implementado em 2014,
pectivamente. quando terminar a vigência do actual sistema de preços, o
Para os medicamentos órfãos, o desconto é de 4%. PPRS. A associação da indústria farmacêutica (ABPI) alerta
Todos os produtos de saúde sofreram uma redução do para a necessidade de se conceber um sistema de preços que
preço em 7,5%, a partir da mesma data. Também passa não tenha consequências nefastas para os doentes, o Estado
a ser permitida a dispensa em dose unitária. e a indústria farmacêutica. O Reino Unido será o primeiro país
com um sistema de preços baseado no valor do medicamento.

In Pharma Pricing & Reimbursement, Julho 2010 In SCRIP News online, 24/05/2010
ANF INFORMA - Internacional, 6/2010 ANF INFORMA - Internacional, 7/2010

EUA
GAO revela aumentos
extraordinários do preço
de medicamentos
O GAO (Government Accountability Office) norte-
americano publicou um relatório que refere aumen-
tos extraordinários no preço dos medicamentos, de-
vido à “concorrência limitada” e à “falta de medica-
mentos com equivalência terapêutica”. O número de
casos de aumento igual ou superior a 100% mais do
que duplicou de 2000 para 2008. Estão nesta situação
321 medicamentos de marca (0,5% do total), a maio-
ria com aumentos entre 100% e 499%.

In Pharma Pricing & Reimbursement, Março 2010


ANF INFORMA - Internacional, 6/2010

Farmácia
portuguesa 11
ANF

Farmácias e fornecedores Farmalink com B2B

Uma ferramenta para


melhorar a comunicação e o negócio

Melhorar a relação entre as farmácias e os seus fornecedores é a filosofia


do Business to Business, uma nova ferramenta que se socorre das
potencialidades da Internet para, em última instância, permitir às farmácias
melhores negócios. Está operacional desde 16 de Setembro e novas
funcionalidades estão já na forja.

É uma inovação em todos os sentidos: nos importante, um melhor serviço ao ramenta de comunicação que permite
porque se socorre das mais modernas cliente final – o doente. a todos os intervenientes partilharem
tecnologias de informação, mas so- É assim o Business to Business (B2B), o uma mesma linguagem, desta forma
bretudo porque coloca no Farmalink mais recente projecto da Farminveste, optimizando as relações comerciais
todos os parceiros do sector do me- desenvolvido e consolidado em estrei- entre todos.
dicamento – indústria, farmácias e ta articulação com duas entidades do Entre farmácias e distribuidores vigo-
distribuidores – e o resultado final é, universo empresarial da ANF – a Glintt rava, há cerca de 20 anos, um proto-
sem margem para dúvidas, melhores e a Alliance Healthcare. colo de comunicação, na linha, aliás,
condições para todos eles e, não me- Trata-se, essencialmente, de uma fer- do pioneirismo que sempre caracte-

12
rizou a farmácia de oficina, cujo grau
de informatização é impar no sector
pelo acompanhamento do projecto na
Glintt, explica que, na mesma platafor- A decisão do lado
da saúde e mesmo em muitos outros
sectores da economia portuguesa.
ma em que operam no quotidiano, as
farmácias têm agora a possibilidade
da farmácia
Todavia, a velocidade a que a tecno- de aceder directa e imediatamente a De grande mais-valia é também a fa-
logia evolui acabou por revelar limi- informação sobre o preço e disponibi- culdade de pedir orçamentos a dife-
tações desse protocolo, impondo a lidade do produto em cada fornecedor, rentes fornecedores. É um facto que as
necessidade de revisão dos procedi- bastando consultar a respectiva ficha farmácias se distinguem no perfil de
mentos. Segundo a gestora do B2B, de produto. Podem fazer encomendas compras, mas todas elas beneficiam
Nancy Brito, tratava-se, numa primei- instantâneas, no contexto da venda, e a decerto da comparação entre diferen-
ra abordagem, de melhorar as fun- qualquer momento consultar o estado tes condições comerciais. Comprar
cionalidades do relacionamento entre dessa encomenda, bem como os docu- melhor é, afinal, um objectivo em
as farmácias e os distribuidores, mas mentos com ela relacionados (guias de qualquer sector de actividade. No que
essa revisão foi encarada como uma remessa e factura). respeita ao medicamento, é um facto
oportunidade de ir mais longe, envol- Este mesmo procedimento é válido que as margens a que todos os inter-
vendo os laboratórios farmacêuticos. para as devoluções. venientes estão sujeitos retiram am-
O repto foi assim lançado e a indústria Além disso, recebem electronicamen- plitude à possibilidade de diferencia-
respondeu de “uma forma bastante po- te a factura, antes de a encomenda ção pelo preço, mas não a inviabilizam.
sitiva”, de tal forma que o primeiro con- chegar, o que permite optimizar o pro- A grande diferença – explica Nancy
tacto – com a Janssen - Pharmaceutical cesso de recepção e prevenir eventuais Brito - é que, pela primeira vez, as far-
Companies of Johnson&Johnson – se falhas de abastecimento. Podem ainda mácias vão conduzir a negociação: vão
traduziu de imediato numa adesão ao consultar a conta corrente da farmácia iniciá-la, acompanhá-la, conclui-la. A
B2B. Até final do ano 2011, é objectivo em cada fornecedor, bem como pedir decisão fica, claramente, do lado das
da Farminveste reunir 33 fornecedores orçamentos, de modo a comparar as farmácias.
das farmácias em torno deste protoco- diferentes propostas e decidir pela A Alliance Healthcare é parceira do
lo de comunicação. mais vantajosa, transformando-a em B2B desde a primeira hora e, segundo
encomenda. Hugo Maia, que tem acompanhado o
Poupanças para Inerente a estas funcionalidades há
uma evidente poupança de tempo:
desenvolvimento do novo protocolo de
comunicação, “a estratégia assenta na
todos os parceiros assim é nomeadamente no que res-
peita às encomendas instantâneas, na
parceria na fidelização e na confian-
ça”. Os pedidos de orçamento feitos
O terreno em que o B2B se concretiza medida em que acontecem na presen- ao abrigo desta nova ferramenta são
é a rede Farmalink e o Sifarma, a que ça do utente, com uma resposta em encarados precisamente como uma
estão ligadas cerca de 2.200 farmácias segundos sobre a disponibilidade do oportunidade de reforçar este espíri-
e também um número significativo de medicamento ou produto em causa. to: quem for mais fiel, quer depositar
armazenistas e a que a indústria é ago- Poupança é também o que se con- maior confiança na empresa, benefi-
ra convidada a juntar-se. Na perspec- segue mercê de outra vantagem do ciará decerto de melhores condições
tiva das farmácias, é ainda necessário B2B: a simultaneidade. Num mesmo de aquisição.
que operem no Sifarma, em qualquer momento, é possível fazer consul- O B2B potencia uma total transpa-
uma das duas versões – clássica ou tas a diversos fornecedores, seja um rência no relacionamento entre os
2000, uma vez que o B2B está integra- armazenista, seja um laboratório. É fornecedores e as farmácias, além
do neste software. uma verdadeira mudança de para- de permitir às farmácias a percepção
De uma forma simples, é todo um con- digma, com poupanças para todos exacta dos níveis de serviço que podem
junto de potencialidades – de comuni- os intervenientes e certamente com esperar. É esta – sublinha Hugo Maia
cação e de comércio electrónico – que a prestação de um melhor serviço ao - a postura da Alliance, que encara
se abre. Mário Nogueira, responsável utente. este projecto naturalmente como uma

Farmácia
portuguesa 13
ANF

Esta é a primeira versão do B2B. E, antes mesmo


de estar instalado no universo de farmácias elegíveis
– com Farmalink e Sifarma – já estão a ser equacionadas
melhorias e novas funcionalidades, que irão sendo
introduzidas ao ritmo de duas actualizações anuais.

porta aberta à angariação de novos haver um segundo contacto da far- sem qualquer complexidade técni-
clientes, mas sobretudo como um mácia. Não há propriamente diálogo, ca. Bastaram alterações mínimas
verdadeiro programa de fidelização. há uma reacção. ao software Sifarma para o deixar
Com o B2B sai facilitada a comuni- Foi, no entanto, contemplado um me- operacional, sendo que a utilização
cação entre a indústria e a farmácia, canismo de comunicação em sentido é simples, quase intuitiva. Foi, aliás,
mas também entre a indústria e a oposto: ou seja, do fornecedor para a testada em 11 farmácias, de Maio a
distribuição. Negócio directo entre farmácia. Para estas mensagens, foi Setembro último, com a experiên-
os laboratórios e as farmácias sem- reservada uma janela que se abre no cia-piloto – envolvendo a Glintt e a
pre existiu, mas este protocolo vem rodapé inferior do ecrã. Alliance – permitido validar os pro-
disciplinar essas transacções. E, É uma janela com o mesmo forma- cedimentos independentemente da
a partir do momento em que todos to para todos os fornecedores, que dimensão da farmácia e da localiza-
os parceiros falam uma mesma lin- a podem utilizar para enviar men- ção geográfica.
guagem, abre-se uma outra janela sagens gerais ou personalizadas, Não obstante a simplicidade, as far-
de oportunidades: para que a distri- mas com um requisito: que sejam mácias poderão beneficiar de forma-
buição reforce as suas valências de mensagens úteis para a farmácia – ção específica, bem como do apoio
operador logístico, dando suporte por exemplo sobre o lançamento de telefónico permanente da Glintt. As
físico ao negócio entre a indústria e novos produtos ou sobre promoções equipas técnicas da empresa estão
as farmácias. – e, desejavelmente, que tenham preparadas para responder a todas
consequência – que, quando clica- as dúvidas das farmácias.

Segurança das, permitam aceder a uma ficha


de encomenda já preenchida com as
Esta é a primeira versão do B2B. E,
antes mesmo de estar instalado no
e confidencialidade condições da campanha em causa.
Esta foi, aliás, a primeira funciona-
universo de farmácias elegíveis –
com Farmalink e Sifarma – já estão
garantidas lidade a entrar em funcionamento: a ser equacionadas melhorias e no-
agrada a armazenistas e à indústria, vas funcionalidades, que irão sendo
E – garante Mário Nogueira, da Glintt pelo que é uma forma de conquistar introduzidas ao ritmo de duas actu-
- com “total garantia de segurança e novos parceiros para o projecto. Para alizações anuais. Foram criadas mé-
confidencialidade”. O que se partilha a Alliance, enquanto detentora de tricas para aferir os serviços mais
é apenas a linguagem, não os conte- marcas próprias, “esta é uma forma utilizados e saber, nomeadamente,
údos da comunicação: apenas a far- de fazer chegar rapidamente à far- em que momentos se dá o acesso,
mácia sabe com quem comunica e o mácia informação importante, siste- sem contar com o natural processo
que comunica, sem risco de quebra matizada e no tempo ideal, além de de monitorização do funcionamento
de sigilo. É certo que todos os parcei- que permite avaliar o impacto das do próprio sistema. Além disso, a
ros estão ligados à rede Farmalink, iniciativas assim promovidas, sem equipa de gestão conta com o contri-
mas sem possibilidade de penetrar inundar a farmácia com informação buto de todos os parceiros, nomea-
no sistema da farmácia. Há uma e, se necessário, adaptando o dis- damente com sugestões sobre novos
comunicação bilateral, mas sempre curso”. serviços. Há que estar na vanguarda,
desencadeada pela farmácia: é feito Todos saem, pois, a ganhar com o antecipando sempre.
um pedido a que o(s) fornecedor(es) B2B. Esta é uma ferramenta voca- E essa é uma característica que não
responde(m), mas se a resposta for cionada para a defesa da economia se pode negar ao sector do medica-
dilatada no tempo – assim acontece da farmácia, sendo que o acesso mento e, em particular, da farmácia
no caso dos orçamentos – terá de a este pacote de vantagens se faz de oficina. Que o B2B vem confirmar.

14
Farmácia
portuguesa 15
reuniões profissionais

FIP 2010
Mais de três mil farmacêuticos
no congresso de Lisboa

Mais de três mil participantes, oriundos de quase 200


países, fizeram do Congresso de Lisboa 2010 da Federação
Internacional Farmacêutica (FIP) um dos maiores eventos
de sempre da profissão e das ciências farmacêuticas.

Durante seis dias, de 28 de Agosto o presidente do Portuguese Host cessos de pesquisa e de experimen-
a 2 de Setembro, farmacêuticos de Committee (PHC), João Silveira, na tação, a eles se devendo a identifica-
todo o mundo foram convidados a sessão de abertura do congresso. ção e o registo de plantas indígenas
embarcar numa viagem explorató- Traçando um paralelismo entre o com poderes curativos de várias
ria pela Farmácia, tal como, há mais tema deste 70.º congresso da FIP e doenças. E a tradução dessas desco-
de cinco séculos, os navegadores a epopeia dos descobrimentos, João bertas para outras línguas europeias
portugueses embarcaram em naus Silveira recordou como os portu- acabaria por ser pedra basilar da
e caravelas para dar novos mundos gueses foram pioneiros na inovação farmacologia moderna.
ao mundo. Um convite com todas as tecnológica, para sublinhar que, Convidando os participantes a ins-
condições para ser aceite, na medi- “provavelmente, a maior inovação de pirarem-se nestas descobertas re-
da em que foi minuciosamente pre- todas aconteceu na Medicina e nas volucionárias, o presidente do PHC
parado um programa profissional e Ciências Farmacêuticas”. sublinhou a coincidência do congres-
científico enriquecedor, com temas Justificando, precisou que, ao longo so com uma crise sem precedentes,
acutilantes e os mais prestigiados das suas viagens, os portugueses de deixando uma mensagem essencial:
oradores. Isso mesmo sublinhou então desenvolveram rigorosos pro- “Neste contexto de crise e de conse-

16
quentes mudanças nos paradigmas
financeiro, económico, social e ge-
Orgulho num sistema do ponto de vista clínico, seja econó-
mico”.
opolítico, que afectam os sistemas farmacêutico forte E isto porque – afirmou – a profissão
de saúde e os domínios da farmácia evoluiu e adaptou-se às necessida-
e da medicina, é nosso dever, como A ministra da Saúde, Ana Jorge, cor- des da sociedade, com uma abor-
farmacêuticos, contribuir, com base roborou esta ideia, afirmando que dagem técnica centrada no doente.
no nosso conhecimento profissional o país deve estar orgulhoso no seu Além disso, o conhecimento profis-
e científico e na ética, para que se sistema farmacêutico, que classifi- sional e científico dos farmacêuti-
alcancem soluções adequadas às cou como forte. Fazendo eco das pa- cos é uma salvaguarda do acesso
necessidades e expectativas dos ci- lavras de João Silveira, quando con- adequado ao medicamento e a sua
dadãos”. siderou no início da sua intervenção proximidade com a população é, em
Tal como os portugueses do renas- que a saúde, sendo uma das maio- Portugal, de grande relevância.
cimento souberam criar e desen- res conquistas da humanidade, se “Estamos orgulhosos do nosso sis-
volver novas tecnologias e usá-las tornou um problema social, econó- tema farmacêutico”, concluiu a mi-
para aproximar as pessoas, também mico e político, a ministra sustentou nistra da Saúde.
agora “devem os farmacêuticos per- que a tecnologia tornou possíveis
correr o caminho da inovação que
sempre caracterizou a profissão, as-
novos e mais eficazes medicamen-
tos, mas, mercê das mudanças de-
Explorar para
sumindo o papel de intérpretes pri- mográficas e da maior prevalência além do horizonte
vilegiados das novas tecnologias do das doenças crónicas, as socieda-
medicamento, fornecendo informa- des estão hoje confrontadas com A cerimónia de abertura deste 70. º
ção e aconselhamento aos doentes uma subida sem precedentes nos congresso da FIP contou igualmente
de todo o mundo”. custos com a saúde. com a intervenção do presidente em
É tempo – defendeu – “de desenvol- Daí – sublinhou – que seja crítico que exercício, Kamal Midha, que se so-
ver serviços inovadores a partir da os governos priorizem o acesso ao correu do paralelismo com a aven-
inovação terapêutica, numa parceria medicamento nas políticas de saúde tura marítima portuguesa para sus-
eficiente com médicos, dentistas, e promover o acesso significa garan- tentar a visão com que a federação
enfermeiros, indústria farmacêutica, tir que aqueles que precisam benefi- se propõe conduzir os profissionais
autoridades reguladoras e, cada vez ciam de facto da melhor terapêutica, e cientistas farmacêuticos até ao fu-
mais, com envolvimento e compro- através de uma política efectiva que turo.
misso dos doentes. garanta a disponibilidade, um custo “Hoje, continuamos uma viagem de
Os farmacêuticos portugueses – acessível e o uso racional. exploração – não navegando nos
exortou o vice-presidente da ANF – E a acessibilidade depende muito mares, mas explorando desafios e
devem sentir orgulho nos feitos dos da capacidade dos doentes para pa- necessidades críticas nas nossas
seus antepassados, mas também gar os medicamentos, mas também escolas, nos nossos laboratórios,
grande orgulho na sua profissão e da capacidade do próprio Estado: é, nas nossas comunidades, em prol
no contributo que dão para a saúde e pois, preciso que os doentes tenham da saúde global”. E, num balanço
bem-estar dos cidadãos. Da educa- acesso ao medicamento em condi- do seu mandato, advogou que nos
ção à inovação, do desenvolvimento ções de equidade e universalidade últimos quatro anos foram defini-
à produção de medicamentos, na ga- mas também são precisas soluções das as coordenadas para ir para
rantia de qualidade, na distribuição e que garantam a sustentabilidade do além do horizonte: “A visão contida
na dispensa em hospital e na farmá- sistema. Na opinião de Ana Jorge, no nosso plano estratégico, apro-
cia de oficina, criaram “um sistema “os farmacêuticos podem desem- vado em 2008, promete e garante
farmacêutico moderno e organizado, penhar um importante papel na pro- que a FIP estará presente onde
um dos sistemas mais desenvolvidos moção de um acesso custo-efectivo quer que a saúde e os medicamen-
que se conhece e, sem dúvida, um ao medicamento”: “É um papel es- tos estejam em discussão. Essa vi-
pilar forte do sistema de saúde, re- sencial porque é o farmacêutico que, são constitui um objectivo sustentá-
conhecido pelos utentes pelos seus em última instância, assegura o vel, estável e a longo prazo para a
elevados padrões”. acesso à terapêutica adequada, seja FIP. E a meta final é conseguir um

Farmácia
portuguesa 17
reuniões profissionais

Cultura e convívio
Os congressos são, por definição,
fóruns de debate e reflexão. Mas
são também espaços de encontro
e convívio. O congresso FIP 2010
não foi excepção. Houve lugar a
dois momentos sociais, que assi-
nalaram a abertura e o encerra-
mento dos trabalhos.
O cocktail de boas-vindas, a 29 de
Agosto, teve como palco o próprio
centro de congressos, tendo pro-
porcionado aos participantes um
ambiente descontraído e uma impacto positivo nos resultados em membros válidos, eficientes e efecti-
oportunidade de rever conheci- saúde”. Com a mesma energia e pai- vos das equipas de saúde.
mentos e fazer novos contactos. xão dos navegadores portugueses, a Nesta intervenção que foi de balan-
Já o jantar de encerramento, FIP lançou-se numa grande viagem ço de mandato, Midha sublinhou a
a 2 de Setembro, decorreu no para colocar no mapa internacional importância dos congressos anuais,
Convento do Beato, monumen- dos cuidados de saúde a prática e a para defender a ideia de que, apesar
to arquitectónico da cidade de ciência farmacêuticas, apoiadas na da diversidade histórica, cultural e
Lisboa que remonta ao século XV. educação. E fê-lo usando a tecnolo- social, os participantes partilham
A cultura esteve igualmente pre- gia com inteligência, inovando para preocupações sobre a saúde global,
sente no congresso, com dois além das fronteiras estabelecidas, o que lhes permite lutar por horizon-
momentos musicais a marcarem planeando cuidadosa e responsavel- tes comuns: “O diálogo permanente
a sessão inaugural. A canção mente para responder às profundas é crucial para levarmos melhorias
tradicional portuguesa esteve e inesperadas mudanças que o sec- às nossas organizações e aos nossos
em foco pela voz da fadista Kátia tor tem enfrentado. locais de trabalho”.
Guerreiro, verdadeira embaixado- A FIP – precisou – é uma plataforma Numa alusão ao centenário, o presi-
ra da cultura portuguesa, com a de colaboração entre farmacêuticos dente cessante disse acreditar que
particularidade de ser médica de e cientistas de todo o mundo, per- “o futuro é brilhante”. E, num novo
formação. mitindo-lhes aprender uns com os paralelismo com a epopeia marítima
Outras vozes, igualmente por- outros, num intercâmbio de forças de quinhentos, deixou uma mensa-
tuguesas, se ouviram a finalizar que desemboca em melhores resul- gem final: “Graças à Visão 2020, a
a sessão solene – foram as da tados em saúde: “Com a FIP, faze- frota da FIP já definiu o seu rumo. A
tuna “Feminina”, da Faculdade de mos juntos, com os outros e pelos nossa viagem pelo século XXI pode
Farmácia de Lisboa, que, desde outros, o que sozinhos não consegui- ser turbulenta, mesmo perigosa de-
1996, aliando o espírito académico mos”. Enquanto fundador da WHPA vido a tempestades fora do nosso con-
à paixão pela música, percorrem – Aliança Mundial de Profissionais trolo. Mas o nosso plano estratégico
o país recriando nomes dos mais de Saúde, a FIP tem pugnado por um permitir-nos-á mantermo-nos está-
consagrados autores nacionais. maior reconhecimento e uma maior veis e determinados e a nossa federa-
visibilidade dos farmacêuticos como ção chegará ao destino desejado”.

18
Comemorações do centenário
melhoria da saúde através de um uso
responsável do medicamento. Será um
congresso mais virado para o exterior
e menos para o interior da profissão,
cujo programa sairá de um comité de
que faz parte Ema Paulino, membro
da direcção da ANF e da Secção de
Farmácia de Oficina da FIP.
Paralelamente, decorrerão os habitu-
ais simpósios, bem como uma exposi-
ção do centenário, uma oportunidade
de dar a conhecer as principais metas
da FIP e das associações que nela têm
assento, bem como um espaço para
acolher a apresentação de serviços por
parte da indústria farmacêutica.
Incorporado no centenário da FIP, terá
ainda lugar em Amesterdão o con-
gresso anual da KNMP, o organismo
que, na Holanda, equivale à Ordem dos
Farmacêuticos.
As celebrações culminarão com a
aprovação de uma Declaração do
Foi fundada em 1912 como aliança de a permitir a descoberta, o desenvolvi-
Centenário, assente em recomenda-
associações nacionais de farmacêu- mento, o acesso e o uso seguro de me-
ções específicas sobre as conclusões
ticos de 122 países, representando dicamentos adequados, de qualidade e
emanadas de cada uma das mesas-
quase dois milhões de profissionais efectivos do ponto de vista do custo.
-redondas. O objectivo é que esta decla-
e cientistas em todo o mundo, sendo, O centenário coincidirá com o congres-
ração possa ser utilizada pelos mem-
nomeadamente, a sua voz junto da so anual – de 3 a 8 de Outubro -, cujo
bros da FIP como ferramenta para a
Organização Mundial de Saúde (OMS): programa, no entanto, irá para além
sua intervenção política e institucional.
em 2012 assinala-se, pois, o primei- do habitual. Desde logo porque está
E que, dado que o congresso de 2012
ro centenário da FIP – Federação prevista a organização de uma cimei-
se centrará nos doentes, funcionará
Farmacêutica Internacional. ra ministerial, da responsabilidade do
igualmente como um pacto social dos
O congresso de 2010, que teve Lisboa governo anfitrião: o objectivo é sentar
farmacêuticos com as populações.
como palco, foi a rampa de lançamen- à mesma mesa os decisores políticos
O espírito do centenário começou a
to para as celebrações, cujos princi- para um debate sobre o futuro da pro-
cumprir-se já este ano, mercê do es-
pais contornos saíram da reunião do fissão e das ciências farmacêuticas.
tabelecimento de um Dia Internacional
Conselho Geral, o órgão de cúpula da Em complemento, caberá à FIP a ini-
do Farmacêutico: 25 de Setembro foi
federação. Amesterdão será sede de ciativa de promover um conjunto de
a data escolhida, simbolizando a da
um vasto programa que é apresentado mesas redondas, envolvendo os par-
constituição da própria federação, e o
como “uma oportunidade única de dar ceiros ao mais alto nível – indústria,
tema o uso seguro dos medicamentos,
um passo significativo na concretização outros profissionais de saúde e asso-
a propósito do qual a FIP deixa uma
da missão da FIP tal como consta da ciações de doentes, entre outros para
mensagem a cada doente: “Pergunte
Visão 2010 adoptada em 2008”. uma reflexão acerca dos temas mais
ao seu farmacêutico”.
No essencial, a Visão 2010 prevê que a pertinentes do sector. A segurança
FIP esteja presente sempre que, e onde dos medicamentos, a contrafacção e o
quer que, sejam discutidos assuntos
relacionados com os medicamentos a
papel do farmacêutico no uso racional
são apenas alguns dos tópicos possí-
FIP com novo
nível global. E, no cumprimento desta veis numa lista que será enriquecida presidente
visão, a federação assumiu como sua dos membros nacionais da FIP.
a missão de melhorar a saúde glo- Quanto ao congresso propriamente A reunião do Conselho Geral coincidiu
bal através da promoção da prática e dito, será direccionado para o doente, com o momento eleitoral para a presi-
das ciências farmacêuticas, de modo subordinado a uma ideia-chave: a da dência da FIP, findo que foi o mandato

Farmácia
portuguesa 19
reuniões profissionais

de Kamal K. Midha. Sucede-lhe, até também de uma identidade própria, de saúde, nomeadamente entre far-
2014, o suíço Michel Buchmann, far- distinguindo-se por cores. O próximo macêuticos e médicos, tendo em vis-
macêutico de oficina detentor de larga congresso, em Hyderabad, na Índia, ta optimizar os resultados em saúde
experiência na própria FIP, bem como está já a ser divulgado com o novo e promover a segurança do doente.
na política do seu país, na qualidade de logótipo. É um passo na formalização de um
deputado. modelo de comunicação entre os
Após a eleição, o novo presidente rei-
terou o seu compromisso para com Boas Práticas profissionais de saúde no sentido da
partilha de informação (por exemplo,
o desenvolvimento do plano estraté-
gico da federação tendo em vista o
de Farmácia através de ficheiros electrónicos dos
doentes). Na declaração, prevêem-
progresso da prática, da educação e actualizadas -se vários níveis de colaboração,
das ciências farmacêuticas. desde um mais esporádico, para
Além de Buchmann, o Conselho es- Esta reunião do Conselho Geral da esclarecimento de dúvidas sobre a
colheu ainda cinco vice-presidentes: FIP marcou também a entrada em prescrição, até um mais profundo,
Mario Rocci, proposto pelo Board vigor do novo sistema de aprovação de envolvimento do farmacêutico na
of Pharmaceutical Sciences, Philip de declarações que reflectem a po- definição, renovação e adaptação da
Schneider, proposto pelo Board of sição da federação e dos farmacêu- terapêutica.
Pharmaceutical Practice, e John Bell, ticos sobre os diversos temas que Fundamental para a profissão far-
Niels Kristensen e Prafull Sheth, enformam o sector (statements). macêutica é a declaração conjunta
nomeados pela direcção. Foi tam- Trata-se de um processo que visa FIP/OMS sobre as Boas Práticas de
bém eleito o presidente do Board of envolver a organização mais pre- Farmácia, de que foi aprovada uma
Pharmaceutical Practice, Andrew Gray. cocemente antes da decisão final, versão preliminar. O que está em
As mudanças nos órgãos dirigen- mediante a elaboração prévia de um causa é a actualização dos requisitos
tes da FIP não foram as únicas ve- documento de referência, de carác- de prática profissional, adaptando-
rificadas neste congresso: Lisboa ter explicativo e com o contributo de -os à realidade: assim, entre outros
marcou a entrada em vigor de uma peritos; este documento é depois su- pontos, está já incluída a intervenção
nova imagem da federação, por via jeito aos comentários dos membros farmacêutica na administração e na
de um logótipo mais actual que re- e só então é produzida a declaração toma observada de medicamentos.
úne os ícones da profissão – o almo- que o conselho aprovará. São critérios mínimos de qualidade
fariz e a serpente: a serpente rodeia Este modelo está reflectido em duas que os organismos nacionais depois
o almofariz, dando forma ao mundo, das declarações aprovadas este ano. tornarão conformes ao contexto de
com o qual se simboliza a ideia de Uma delas versa sobre a prática co- cada país, mas sempre sem perder
universalidade. A partir deste con- laborativa, ou seja, sobre a colabora- de vista uma meta comum: a da ex-
ceito, cada secção passa a beneficiar ção entre os diferentes profissionais celência da prática profissional.

Ema Paulino eleita


Ema Paulino, vogal da direcção da ANF, viu o seu percurso na FIP ser
reconhecido no congresso de Lisboa com a eleição para a vice-pre-
sidência do Comité Executivo da Secção de Farmácia Comunitária.
Integra, além disso, o Board of Pharmaceutical Practice, tendo sido
igualmente seleccionada para a comissão organizadora do congres-
so que assinalará o centenário da federação.
Esta eleição confirma o caminho percorrido desde que, em 2001, foi
eleita coordenadora de projectos do Grupo de Jovens Farmacêuticos
da FIP, cargo que desempenhou até 2003. Nesse ano, assu-
miu a presidência do Grupo, tendo em 2005 integrado o Comité
Executivo da Secção de Farmácia Comunitária e em 2006 o Board
of Pharmaceutical Practice Programme Committee. Em 2009, inte-
grou o Policy Committee on Good Pharmacy Practice, que tem a seu
cargo a revisão das Boas Práticas de Farmácia.

20
Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Carlos Maurício Barbosa

Farmácia em Portugal
Os farmacêuticos portugueses fo- conhecer os principais números que rou todos os sectores de actividade
ram anfitriões do Congresso FIP caracterizam o sistema de saúde, que empregam farmacêuticos, mas
2010, que trouxe a Lisboa profissio- bem como o respectivo modelo de centrando-se na farmácia de oficina
nais e cientistas de todo o mundo, organização e financiamento. E, a sublinhou o elevado índice de satis-
de latitudes com diferentes enqua- propósito, deixou a mensagem de fação dos cidadãos, confirmado por
dramentos jurídicos da farmácia e que “os farmacêuticos portugueses sucessivos estudos, bem como o
onde, por consequência, se praticam têm contribuído, activa e decisiva- grau de confiança que a profissão me-
diferentes modelos de intervenção mente, para o desenvolvimento do rece entre todas as áreas da saúde.
profissional. sistema de saúde, indo ao encontro Num olhar sobre o futuro, Maurício
Perante esta diversidade, enten- das necessidades das populações e Barbosa preconizou uma maior co-
deu a organização do congresso ser do país”. laboração entre profissionais de
oportuno proporcionar aos colegas É inegável – defendeu – que a pro- saúde, o aprofundamento das boas
estrangeiros uma visão global mas fissão tem a sua quota-parte de res- práticas de farmácia, a remuneração
completa sobre as principais linhas ponsabilidade em muitas das con- do farmacêutico pelo serviço e o es-
que enformam o sector no nosso quistas do sistema nacional de saú- tabelecimento da chamada terceira
país. Foi esta a razão de ser da ses- de português. lista, de medicamentos não sujeitos
são sobre “A Farmácia em Portugal”, De seguida, o bastonário traçou o a receita médica mas de dispen-
que decorreu na manhã de dia 29 e retrato dos farmacêuticos portugue- sa exclusiva em farmácia. Importa
que contou com 130 presenças na ses, bem como do respectivo sis- ainda reforçar as competências do
plateia. tema de ensino universitário, sus- farmacêutico e alargar a sua inter-
Foi primeiro interveniente da ses- tentando que a qualificação acadé- venção no sistema de saúde, com
são o bastonário da Ordem dos mica é reforçada pela intervenção garantias de autonomia, indepen-
Farmacêuticos, Carlos Maurício Bar- da Ordem, por via da associação da dência e ética.
bosa, que fez o enquadramento ge- formação contínua à renovação da A concluir, frisou que a intervenção
nérico do sector farmacêutico em carteira profissional. farmacêutica tem contribuído para o
Portugal. Aos participantes, deu a Na qualidade de bastonário, aflo- progresso do país e para o bem-es-

Farmácia
portuguesa 21
reuniões profissionais

A segurança em foco em 2011


A segurança no uso dos medica- mar a atenção para a importância dos medicamentos, se houver um
mentos estará em foco no próximo das questões de segurança e qua- desempenho deficiente dos pro-
Congresso Mundial da Farmácia e lidade e para o papel dos profissio- fissionais de saúde ou um exces-
Ciências Farmacêuticas: será de 2 nais de saúde, nomeadamente dos sivo foco das entidades pagadoras
a 8 de Setembro de 2011 na cidade farmacêuticos, na sua prevenção e e dos governos nas questões eco-
indiana de Hyderabad, numa or- controlo. nómicas”.
ganização conjunta da Federação Justificando a escolha deste tema, Assim, o programa do congresso
Farmacêutica Internacional (FIP) a organização do congresso sus- FIP 2011 irá debruçar-se sobre as
e da Associação Farmacêutica tenta que “os medicamentos têm o intervenções necessárias para au-
Indiana (IPA). potencial de ajudar os doentes, mas mentar a qualidade e segurança e
“Comprometendo a segurança também podem causar danos” e que minimizar os riscos – em termos
e qualidade – um caminho arris- a segurança dos doentes pode ser de resultados clínicos e custos –
cado” – é este o tema através do comprometida se houver, nomeada- associadas à ausência de garan-
qual a organização pretende cha- mente, “problemas com a qualidade tias naqueles domínios.

tar dos cidadãos, “mesmo nos mais parceiros, alargamento do horário cia. E foi precisamente esse o tema da
adversos momentos políticos impos- de funcionamento, obrigatoriedade intervenção seguinte, a cargo de Luís
tos pelos governos”. de dois farmacêuticos por farmá- Matias, da direcção da associação.
Depois deste enquadramento mais cia, liberalização da propriedade e a Pegando nas palavras anteriores, fri-
abrangente, foi a vez de o secretá- abertura de farmácias de oficina em sou que as sucessivas mudanças re-
rio-geral da ANF, Paulo Duarte, se hospitais. sultaram na introdução de um con-
debruçar sobre o contexto legal da E, a propósito, chamou a atenção ceito até então alheio ao sector – a
farmácia de oficina. O que fez dis- para algumas desigualdades gera- concorrência: “Assim colocadas pe-
tinguindo entre o ambiente estável das, nomeadamente a distinção do rante novos desafios, as farmácias
que se vivia até 2007 e o “tsunami” preço a pagar pelo doente em fun- tiveram de reavaliar a sua estratégia
que nesse ano soprou sobre o sec- ção do local da dispensa: é o caso de tendo em conta a necessidade de re-
tor, com a entrada em vigor de leis medicamentos para doenças como a agir a um cenário político e econó-
liberalizadoras aprovadas pelo ac- de Alzheimer, em que o doente paga mico adverso. Tiveram de encontrar
tual governo. Leis que – disse – não mais se os adquirir na farmácia de soluções para transformar essa ad-
tiveram como objectivo melhorar oficina em vez da hospitalar. versidade numa oportunidade de se
os cuidados farmacêuticos: “Foi a No contexto destas mudanças, Paulo fortalecerem. E à concorrência que
mudança pela mudança, a desregu- Duarte divulgou quais as prioridades lhe era imposta responderam com a
lamentação para satisfazer grupos da ANF: mais transparência e equi- união”.
de interesse e dar nomeadamente dade na política de preços, nomea- Neste contexto, que novo papel de-
acesso à farmácia aos grupos de re- damente por via da adopção da mes- veria assumir a ANF? “O de liderar a
talho”. Recordou como a Autoridade ma metodologia para medicamentos mudança como sempre, adequando
da Concorrência divulgou recomen- de marca e para genéricos; estabe- a estratégia, implementando novos
dações ainda antes das conclusões lecimento das margens por acordo modelos de intervenção, diversifi-
do estudo que encomendara, tratan- entre os parceiros e não por decisão cando as suas áreas de negócio”.
do as farmácias como qualquer ou- governamental; um sistema de com- O primeiro passo foi identificar os
tro negócio. participação simplificado de acordo factores-chave para o sucesso:
“O país, o SNS e os doentes irão pa- com as necessidades dos doentes; o “Chegámos à conclusão de que se
gar para recuperar deste tsunami”, alargamento da obrigatoriedade da tratava de apostar naquele que sem-
lamentou, frisando que a perspecti- prescrição por DCI a nível nacional; pre foi o nosso ponto forte – o asso-
va das farmácias “foi e continua a ser possibilidade de dispensa em farmá- ciativismo”. Porque é nele que as-
enfrentar a mudança e liderar”. cia de oficina de medicamentos até senta a história de sucesso da ANF
Perante a plateia, sintetizou os re- agora de uso exclusivo hospitalar; na condução dos desígnios do sec-
sultados dessa revolução – desre- um sistema personalizado de emba- tor, com a segurança que provém da
gulamentação da venda de MNSRM, lagem e dispensa de medicamentos. confiança que os portugueses depo-
sucessivas alterações no sistema de São prioridades que cabem no papel sitam nas farmácias e na credibilida-
fixação de preços e nas compartici- da ANF enquanto organização repre- de do sector junto da opinião pública
pações, redução das margens dos sentativa dos proprietários de farmá- e dos nossos parceiros.

22
E, em função desses factores, a as- mil respondentes de 23 países eu- Como em todas as sessões, os par-
sociação reorganizou-se, no sentido ropeus. ticipantes foram convidados a fazer
de uma maior profissionalização da Isto comprova que é largamente re- a sua avaliação. Aceitaram o convi-
sua intervenção mas sempre garan- conhecido o valor acrescentado do te 43, sendo que 39 classificaram
tindo o equilíbrio dos quatro pilares farmacêutico para os cuidados de a qualidade geral da sessão como
que sustentam a sua estratégia: saúde em geral e para o uso dos “boa” ou “excelente”. Sinal de que os
associativo, político, profissional e medicamentos em particular: o far- objectivos iniciais foram alcançados.
empresarial. Luís Matias deu a co- macêutico – frisou – fornece servi-
nhecer, em síntese, cada um desses ços centrados no doente, a equipa
pilares. Justificando o caminho da da farmácia contribui para a opti-
empresarialização, explicou que foi mização dos resultados em saúde
enveredado após devida ponderação
dos factores conhecidos e desconhe-
e é fulcral para a promoção do uso
racional e seguro do medicamento.
Portugueses
cidos sobre o futuro.
“Conhecemos quais as mudanças
Além disso, como porta de entrada
do cidadão no sistema, a farmácia é
em destaque
que ocorreram na lei até agora, sa- decisiva para a sua sustentabilidade. A participação portuguesa nos
bemos que mais mudanças virão e, Ema Paulino apresentou a visão dos congressos da FIP é, por tradição,
é claro, que teremos de adequar a farmacêuticos portugueses para a dinâmica, com contributo ao nível
nossa intervenção a essas mudan- farmácia – um centro de terapêuti- dos moderadores e oradores, mas
ças. Também sabemos que a concor- ca e prevenção. Este é um modelo também ao nível da apresentação
rência no sector é uma realidade e que está já em construção e de que de trabalhos. Este ano não foi ex-
que cada vez mais concorrentes irão deu exemplos, colhidos de entre os cepção: com o apoio da ANF, fo-
surgir, quer no plano profissional, diversos serviços farmacêuticos de- ram expostos cerca de 20 posters,
quer no do negócio. Sabemos ainda senvolvidos pela farmácia, dos es- oito dos quais com participação
que no futuro conviverão diferentes senciais aos diferenciados. directa de departamentos da as-
modelos de farmácia e de prática No final desse olhar sobre a prática sociação. São eles:
farmacêutica. E que a conveniência, profissional, questionou os presen- • A intervenção das farmácias no
o serviço e o preço serão decisivos tes sobre o valor social da interven- Programa de Troca de Seringas
nas opções dos consumidores”. ção farmacêutica, desafiando-os (ANF/Coordenação Nacional
“Não conhecemos a natureza exacta para a conclusão de um estudo re- para a Infecção VIH/Sida);
nem o número dos nossos concor- cente da Universidade Católica e do • Terapêutica da tuberculose nas
rentes profissionais e de mercado, CEFAR. farmácias (Serviços Farma-
nem que produtos e serviços dife- É um valor implicitamente reconhe- cêuticos/Centro de Diagnóstico
rentes têm para oferecer. De igual cido pela população, que reafirma • Pneumológico de Vila Nova de
modo, não sabemos como evoluirão sucessivamente a sua confiança nos Gaia);
as expectativas dos consumidores farmacêuticos – o exemplo mais re- • Programa de tratamento
em relação às farmácias e aos de- cente é a adesão de mais de um milhão com metadona nas farmácias
mais espaços, nem que percepções ao Programa Farmácias Portuguesas, (Serviços Farmacêuticos/
terão de factores como a diferencia- a marca com que as marcas se dis- Instituto da Droga e da
ção, a qualidade e o preço”. põem a enfrentar o futuro. Toxicodependência);
É com estas variáveis que se define E esse futuro passa – defendeu Ema • Campanha nacional de diabe-
a estratégia da associação para ga- Paulino – pela conciliação da presta- tes (Serviços Farmacêuticos/
nhar o futuro. Porque “esperar não é ção de serviços farmacêuticos com CEFAR) – também escolhido
uma opção”: “Há o risco de fazermos um modelo de negócio sustentável. para apresentação oral;
alguma coisa. Há o risco de não fa- “Os tempos nunca foram tão exi- • MNSRM na União Europeia
zermos nada. Mas não há futuro sem gentes nem tão desafiantes”, mas (CEFAR);
risco!”. a farmácia comunitária “pode ser • Valorização económica dos ser-
E sobre o futuro falou também a últi- parte da solução num mundo que viços prestados pelas farmácias
ma oradora da sessão: Ema Paulino, luta com a escassez de recursos; os (CEFAR/Universidade Católica);
membro da direcção da ANF e da farmacêuticos têm de saber abraçar • Formação profissional contínua
Secção de Farmácia Comunitária da as ameaças como oportunidades, das farmácias (Escola de Pós-
FIP. A sua intervenção começou no aprofundando a prática, incorporan- -graduação em Saúde/ CEFAR);
presente, naquilo que os portugue- do novas tarefas, garantindo um mo- • Intercâmbio de informação
ses esperam da farmácia: segundo delo de negócio viável. Esta é a nos- sobre medicamentos a nível
um estudo da ACNielsen, 45% dos sa visão comum para a farmácia”. A internacional (CEDIME/ Kaiser
doentes desejam mais conselho, finalizar, deixou um repto: “Para que Permanente – EUA).
uma percentagem que se verificou esse futuro seja real, temos de ser
ser a mais elevada de entre os 28 nós a criá-lo”.

Farmácia
portuguesa 23
reuniões profissionais

João Silveira, presidente do Portuguese Host Committee (PHC)

A profissão saiu credibilizada

Farmácia Portuguesa – Como pre- que nos deixa, naturalmente, muito quência, de organização interna da
sidente do PHC, que balanço faz do orgulhosos. FIP. E a cada um deles deixo aqui um
congresso, quer do ponto de vista da Também a avaliação de satisfação agradecimento pelo apoio prestado
participação, quer do ponto de vista do vem ratificar a percepção que fomos nestes dois anos, na certeza de que
interesse suscitado pelo programa? construindo ao longo do congresso: o seu contributo foi inestimável para
João Silveira – O balanço que faço é os participantes – e sublinho aqui as o sucesso do congresso de Lisboa.
extremamente positivo sob todos os diferentes proveniências geográficas Não posso também deixar de agra-
ângulos. Todo o trabalho prévio de e as diferentes realidades do exercí- decer o envolvimento activo dos es-
concepção do programa e de selec- cio da profissão farmacêutica – va- tudantes de Ciências Farmacêuticas,
ção dos oradores, feito em estreita lorizaram as sessões e os oradores futuros colegas que, de uma forma
articulação entre a FIP e o comité com classificações, na esmagadora voluntária, foram a face visível da
português, permitia antecipar que maioria, superiores a quatro, em organização, prestando um valioso
este seria um congresso recheado muitos casos próximas do cinco, o apoio na recepção e acompanha-
de motivos de interesse e, como tal, valor máximo na escala proposta. É mento dos participantes, bem como
aglutinador de uma elevada adesão. mais um indicador que valida a qua- no desenrolar das sessões.
O número de participantes – 3.095 de lidade do projecto que erguemos. Este congresso resultou de um in-
quase 200 países – veio confirmar e, A propósito, devo realçar que este tenso e profícuo trabalho de equipa e
em certa medida, superar as nossas congresso só foi possível graças à é a essa equipa que deve ser atribuí-
expectativas e hoje posso dizer, sem dedicação e ao empenho de todos e do o mérito do sucesso.
falsas modéstias, que o Congresso cada um dos membros do Portuguese Deixo aqui o meu agradecimento
de Lisboa constituiu um marco na Host Committee. Enquanto respon- à coordenadora do projecto, Maria
história da FIP. sável pela organização nacional, a João Toscano, e a todos os que com
E não são apenas os números que ANF procurou convidar personali- ela colaboraram desde a primeira
o atestam. Recebemos da FIP uma dades que se destacassem nas di- hora na concretização do evento, que
missiva de elogio à nossa capacida- ferentes áreas de especialização da honra a farmácia e os farmacêuticos
de de organização e mobilização, o profissão farmacêutica e, por conse- portugueses.

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“Penso que o congresso, que convidava a uma viagem exploratória pela farmácia,
teve mais este mérito, o de nos mostrar os horizontes que se avizinham,
horizontes que temos de conquistar tal como os nossos antepassados souberam
dar novos mundos ao mundo”, sublinhou João Silveira.

FP – Que leitura faz da participação que a profissão se exerce e dos ora- nosso papel enquanto profissionais
portuguesa? dores mais qualificados para a sua de saúde.
JS – Os farmacêuticos portugueses abordagem, no intuito de proporcio- Penso que o congresso, que con-
têm uma tradição de activa partici- nar uma visão alargada do estado vidava a uma viagem exploratória
pação nos congressos da FIP. Assim actual da prática e das ciências far- pela farmácia, teve mais este méri-
tem sido em edições anteriores e, macêuticas. to, o de nos mostrar os horizontes
naturalmente, que o congresso de Como farmacêutico de oficina, não que se avizinham, horizontes que
Lisboa não foi excepção. posso naturalmente deixar de des- temos de conquistar tal como os
Os números são reveladores desse tacar as sessões sobre a política nossos antepassados souberam dar
interesse: dos mais de três mil par- e a prática profissional, muito em novos mundos ao mundo.
ticipantes, 341 foram portugueses, particular aquelas que suscitaram O futuro da profissão passa, aliás,
constituindo assim a maior repre- o contributo de portugueses, quer por essa capacidade que sempre
sentação nacional no congresso. As como moderadores, quer como ora- temos demonstrado de transformar
diferentes sessões beneficiaram do dores. Nesse âmbito, penso que foi os desafios em oportunidades.
contributo de 43 portugueses, entre particularmente importante a ses-
moderadores e oradores, o que é são sobre a Farmácia em Portugal, FP – Qual o contributo do congres-
bastante significativo tendo em con- pela perspectiva abrangente com so para a profissão e para os far-
ta a amplitude dos temas em foco e que o sector foi apresentado e que macêuticos portugueses muito em
a dimensão de um congresso inter- me parece ter sido enriquecedora particular?
nacional, com quase 200 países re- para os nossos colegas, sobretudo JS – A FIP é uma organização inter-
presentados. estrangeiros. nacional que reúne farmacêuticos
Além disso, mais de 25 dos 500 pos- Pessoalmente, e na impossibilidade de todo o mundo, que exercem a
ters expostos foram propostos por de acompanhar exaustivamente as profissão em distintos quadrantes
farmacêuticos portugueses, a so- sessões que decorreram em simul- geográficos e em contextos político-
mar a sete comunicações aceites tâneo, dirigi a minha atenção para -legislativos igualmente distintos.
para apresentação oral. Na minha aqueles que considero serem desa- E cada congresso reflecte natural-
opinião, estes são excelentes indica- fios de futuro para a farmácia de ofici- mente toda essa diversidade. Assim
dores da dinâmica da profissão em na e que estão associados aos desen- aconteceu também em Lisboa.
Portugal nas suas diferentes verten- volvimentos mais recentes da ciência. O que se pretende é que os con-
tes, da farmácia de oficina à inves- Refiro-me aos desenvolvimentos gressos da FIP sejam pontos de
tigação. em nanotecnologia, na investigação confluência das diferentes realida-
com células estaminais, na genó- des de modo a que, do debate das
FP – Como organizador, mas tam- mica que irão certamente enformar ideias e da partilha de experiên-
bém como participante, como ava- os cuidados de saúde no futuro, cias, emanem linhas orientadoras
lia as sessões tendo em conta a orientando-os para a prevenção e para o futuro da profissão. Linhas
inovação dos temas abordados e o tornando-os mais personalizados. É essas que nascem de um denomi-
respectivo grau de interesse para a uma realidade cada vez mais próxi- nador comum – o reforço do papel
profissão? ma e que irá decerto ter impacto na do farmacêutico na sociedade e nos
JS – Como mencionei antes, a orga- intervenção farmacêutica. sistemas de saúde – mas que terão
nização colocou um extremo rigor e E nós, farmacêuticos, temos de es- necessariamente de ser adaptadas
cuidado na identificação dos temas tar preparados para mais este de- a cada contexto nacional.
mais pertinentes a cada domínio em safio, aproveitando para reforçar o Da reflexão produzida em Lisboa

Farmácia
portuguesa 25
reuniões profissionais

emergiu, entre outros consensos, a têm uma visão muito clara do mo- FP – Em que medida é que o con-
convicção de que há lugar para um delo de farmácia que serve melhor gresso contribuiu para a projecção
maior envolvimento do farmacêuti- os interesses da população tendo pública da profissão?
co no sistema de saúde, com reforço em conta a obtenção de ganhos em JS – O simples facto de termos
para as valências da prevenção, do saúde e em qualidade de vida. sido anfitriões de um congresso
rastreio e da identificação precoce Toda a nossa intervenção se tem internacional, que é aliás o mais
de suspeitos. Os novos paradigmas orientado, aliás, no sentido de cons- representativo da profissão farma-
da saúde – nomeadamente as con- truir esse modelo, de uma farmácia cêutica em todo o mundo, é bem
dicionantes orçamentais – exigem como centro de prevenção e tera- demonstrativo da capacidade de
uma revisão do papel do farmacêu- pêutica. organização e de mobilização da
tico, pela qual a própria profissão O caminho do futuro passa por uma profissão em Portugal.
tem de pugnar no sentido de a ver maior preponderância do aconse- Estiveram em Lisboa os profis-
reconhecida pela sociedade e pelas lhamento farmacêutico associado sionais e cientistas farmacêuticos
instâncias decisoras. à dispensa de medicamentos, mas mais reputados, dando corpo a um
Sabemos, no entanto, que a trans- também pela consolidação e alar- programa de elevada qualidade
posição das ideias nascidas neste gamento das nossas competências conforme os próprios participantes
debate é condicionada pelo enqua- na gestão da terapêutica e da doen- reconheceram.
dramento legislativo, pelo que a ça, bem como por uma aposta cres- A importância do congresso no pa-
profissão terá de saber, em cada cente nos diversos serviços farma- norama nacional e internacional
país, encontrar os caminhos mais cêuticos. foi, aliás, confirmada pela presen-
adequados para atingir esse objec- É por esse futuro que temos vindo ça da senhora ministra da Saúde,
tivo que é, afinal, comum. a trabalhar, na convicção de que o Dra. Ana Jorge, na sessão solene
país e os portugueses sairão be- de abertura, o que muito nos hon-
FP – Que orientações podem ser trans- neficiados, sabendo naturalmente rou.
portadas para a prática profissional no que, como já referi anteriormente, Penso que, a todos os níveis, a pro-
nosso país? é um caminho condicionado pelas fissão saiu credibilizada com este
JS – Os farmacêuticos portugueses decisões da tutela. congresso.

Um comité de mérito
Vice-presidente da ANF, presidiu ao comité organizador nacional, uma
equipa de especialistas nas diferentes áreas em que a profissão farma-
cêutica se desdobra e que, durante dois anos, trabalharam para que o
congresso de Lisboa ficasse para a história da FIP. São eles:

• João Silveira – Presidente do Portuguese Host Committee


• Luis Matias – Vice-Presidente do Portuguese Host Committee
• Aida Batista – Secção de Farmácia Hospitalar;
• António Bica – Secção de Laboratório e Controlo de Medicamentos;
• Armando Cerezo – Secção de Farmácia Militar e de Emergência;
• Ema Paulino – Secção de Farmácia Comunitária;
• Hélder Mota Filipe – Secção de Farmácia Administrativa;
• Jorge Nunes de Oliveira – Secção Biologia Clínica;
• José Morais – Secção de Ciências Farmacêuticas;
• Margarida Caramona – Secção de Farmácia Académica;
• Rui Ivo – Secção de Indústria Farmacêutica;
• Sandra Lino – Secção de Informação em Farmácia;
• Maria João Toscano - Coordenadora do Projecto.

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Farmácia
portuguesa 27
reuniões profissionais

Quatro dias “Por uma farmácia melhor”


Expofarma 2010 foi aposta ganha

João Cordeiro, Presidente da Anf Maurício Barbosa, Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos,
João Cordeiro, Presidente da ANF e João Pinto Monteiro,
Director Coordenador do Departamento de Marketing e Negócios do BES

A decisão de estender a edição de 2010 tunidades que se oferecem ao sector zou mais de uma centena de farma-
por mais um dia revelou-se uma aposta farmacêutico. cêuticos, em torno do retrato actual
ganha. Desde logo pelo número de vi- Os profissionais que acorreram à do sector e das expectativas da pro-
sitantes que acorreram à Exponor, no Exponor tiveram oportunidade de con- fissão face a esse cenário.
Porto, entre 21 e 24 de Outubro último: tactar com o que há de mais recente À semelhança das anteriores edições
8.297. em produtos, serviços e tecnologias. da Expofarma, nesta houve também
Trata-se, de acordo com a organiza- Mas tiveram igualmente oportunida- lugar à Noite da Farmácia e a pré-
ção, de “um número muito animador de de se valorizar do ponto de vista da mios. Um deles foi merecido pela
e ao nível das melhores realizações da aquisição de conhecimentos, já que ANF, cujo stand venceu na categoria
Expofarma”. Se outra razão não hou- cada edição da feira é acompanhada de Melhor Stand de Equipamentos e
vesse, ficou assim plenamente justi- de uma série de workshops e de uma Serviços. O prémio de Melhor Stand
ficado este regresso da feira ao Norte convenção em saúde. da Indústria Farmacêutica foi arre-
do País, correspondendo a um “pedido Nas sessões organizadas pela ANF cadado pela Parke Davis, enquanto
antigo” de farmacêuticos e expositores. houve a preocupação de propor di- a Sandoz vencia em duas categorias
Numa área total de 7.965 m2, estive- ferentes abordagens, entre temas – Melhor Design e Expositor do Ano.
ram presentes 103 expositores, dos de índole mais profissional e técnica E, cumprindo um dos princípios
quais 20 não tinham estado na edição e outras de natureza mais política que acompanha a feira desde o iní-
anterior, o que é prova do interesse que e associativa. “Inaladores – estra- cio, foi também atribuído o Prémio
a feira suscita entre as empresas que tégias para o sucesso na sua utili- Responsabilidade Social, que este
pontuam no mercado farmacêutico na- zação”, “A nova concorrência: fata- ano contemplou a Associação Portu-
cional. lidade ou oportunidade?”, “Espaço guesa de Asmáticos. Com sede no
“Por uma farmácia melhor” foi o lema Animal – Vencer no segmento ve- Porto, pugna pela melhoria da quali-
de uma feira que, tendo a saúde como terinário” e “Novas instalações da dade de vida das pessoas com asma,
eixo principal, privilegia a inovação, o Delegação Norte da ANF” foram os missão que beneficia agora de uma
desenvolvimento e a modernidade. E quatro temas, que suscitaram, no doação de 10 mil euros, iniciativa
que, ano após ano, se tem afirmado seu conjunto, a adesão de mais de da Expofarma e do Banco Espírito
como ponto de apresentação por ex- 300 profissionais. Santo, patrocinador principal do cer-
celência das novas soluções e opor- Já a convenção de abertura mobili- tame.

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A profissão em análise na convenção de abertura
Política do medicamento à deriva
A afirmação pertence ao presidente
da ANF e foi proferida na convenção
de abertura da Expofarma. Uma afir-
mação que sustentou com dados, re-
tirados das mais recentes medidas
governamentais para o sector.
Um olhar actual sobre a profissão
e o sector, à luz das mais recentes
políticas do medicamento e das ex-
pectativas e necessidades dos far-
macêuticos portugueses, dominou
a convenção de abertura da Expo-
farma 2010, presidida pelo presi-
dente da direcção da ANF, João
Cordeiro, pelo bastonário da Ordem
dos Farmacêuticos, Carlos Maurício
Barbosa, e pelo director coordena-
dor do Departamento de Marketing
e Negócios do BES, João Pinto
Monteiro. Stand da ANF na Expofarma 2010
Na sua intervenção, o presidente
da ANF passou em revista os últi- em cinco meses. A propósito, João sector das farmácias, a viver uma
mos acontecimentos da política do Cordeiro criticou o sucessivo adia- “situação preocupante”, fruto no-
medicamento, demonstrando como mento da actualização dos preços meadamente de um decréscimo nas
quatro decisões políticas do governo de referência, sustentando que tem vendas e de cortes na margem bru-
bastaram para fazer disparar a des- potenciado a manutenção do con- ta mas também de um significativo
pesa do Serviço Nacional de Saúde sumo de medicamentos de marca, aumento dos encargos com o pes-
(SNS). desvirtuando os próprios objectivos soal. A este respeito, João Cordeiro
À data das últimas eleições legis- da criação do sistema de preços de destacou o investimento na quali-
lativas, o mercado do medicamento referência. ficação dos recursos humanos nas
em Portugal estava controlado, mas Quanto às comparticipações apro- farmácias: nos últimos quatro anos,
medidas como a comparticipação a vadas, só em 2008 abrangeram 120 foram contratados 426 novos far-
100% dos genéricos no regime es- novas apresentações, sendo que macêuticos.
pecial (idosos com menores rendi- 18,9% do aumento da facturação Neste cenário, a indústria farmacêu-
mentos), a não redução dos preços do SNS em 2010 pode ser explica- tica tem conduzido uma estratégia
de referência em resultado da redu- do pelo top 10 dos medicamentos inequívoca: por um lado, aposta no
ção do PVP dos genéricos, as novas comparticipados naquele ano. bloqueio da entrada de genéricos no
comparticipações aprovadas depois No que respeita à comparticipação mercado, por via judicial, enquanto
de 2008 e a comparticipação de pa- de patologias especiais, foi res- por outro investe na produção de ge-
tologias especiais vieram desequili- ponsável por um acréscimo de 5,9 néricos próprios. A propósito do pa-
brar as contas. milhões de euros na despesa com- tent linkage, João Cordeiro recordou
Só a comparticipação a 100% dos parando os cinco primeiros meses que a Comissão Europeia já classifi-
genéricos no regime especial – uma de 2010 com o mesmo período do cou a situação portuguesa como um
promessa governamental do PS ano passado. case study de práticas anti-concor-
– custou ao SNS, num ano (entre Foram – sublinhou o presidente renciais – só em Outubro, estavam
Junho de 2009 e Maio de 2010), 74,1 da ANF – “decisões políticas que suspensas por decisão judicial 54
milhões de euros. A não redução dos justificam 96% do crescimento da AIM.
preços de referência resultou numa despesa”. A estratégia dos laboratórios passa
despesa adicional de 12,3 milhões Decisões que se repercutiram no ainda pela apresentação de preten-

Farmácia
portuguesa 29
reuniões profissionais

um total de 2023 inquiridos, tendo


a amostra portuguesa sido cons-
tituída por 250 inquéritos, 88% de
farmacêuticos comunitários e 12%
de farmacêuticos hospitalares.
E a primeira das questões prendia-
se com a percepção dos farma-
cêuticos sobre a própria profissão,
com 55% dos respondentes portu-
gueses a alinharem com a globali-
dade considerando que está pior do
que há cinco anos.
Todavia, 31% dos portugueses clas-
sificaram a situação como me-
lhor, contrastando com os 18% de
média da amostra. Como pior do
que há cinco anos é também vista
a qualidade do sistema de saúde
em Portugal – assim responderam
56%, contra 31% que afirmaram
sos medicamentos inovadores: adi- aprovado a 13 de Outubro último no estar melhor.
cionando uma determinada substân- parlamento, por iniciativa do CDS- Questionados sobre o desafio prin-
cia activa a uma molécula prestes a -PP (com os votos favoráveis da cipal que a profissão enfrenta, 51%
perder a patente é possível pedir restante oposição e contra do PS). dos farmacêuticos portugueses co-
nova AIM, com a vantagem de, sen- É a “política do medicamento à de- locaram em primeiro lugar a falta de
do considerados inovadores, estes riva”, conforme sublinhou o presi- reconhecimento enquanto profissio-
medicamentos serem naturalmen- dente da ANF, recorrendo à pro- nais de saúde e a dificuldade em man-
te mais caros, com custos para o posta de Orçamento do Estado para ter a reputação da farmácia.
Estado e para os utentes. 2011 para confirmar esta afirma- Quanto à satisfação com a carrei-
Na sua intervenção, João Cordeiro ção, nomeadamente quando con- ra, 36% dos farmacêuticos portu-
passou ainda em revista as medi- templa o alargamento da lista de gueses referiram elevada satisfação
das anunciadas pelo governo, no- MNSRM passíveis de venda em pa- (contra 47% da média), sendo que 54%
meadamente as reduções adminis- rafarmácias. consideram-se satisfeitos e 10% insa-
trativas de preços, uma constante tisfeitos.
nos últimos cinco anos. A mais
recente, e suscitadora de polémi- Expectativas Para 33% dos portugueses, a “car-
ga horária/condições de trabalho”
ca, prende-se com a eliminação
do PVP da embalagem dos medi-
e necessidades é a componente mais desfavorável
do trabalho, seguindo-se a “buro-
camentos, que tem suscitado su- dos farmacêuticos cracia e acordos com entidades /
cessivas e contraditórias circulares subsistemas” (25%) e a “competi-
do Infarmed, às quais a ANF tem Conhecer as expectativas e neces- ção / viabilidade económica” (23%).
reagido, nomeadamente associan- sidades dos farmacêuticos face à Já a componente mais favorável do
do-se a uma petição pública sob o profissão e ao sector foi o objec- trabalho é, para 88% dos farma-
mote “a sua saúde não tem preço, tivo de um estudo internacional cêuticos nacionais, “ajudar os do-
os medicamentos têm”. realizado pela APCO Insight para entes / contacto com os doentes”,
Enquanto isso, medidas estruturais a Federação Internacional Farma- seguida da “parte relacionada com
como a prescrição electrónica e a cêutica (FIP), com o patrocínio os medicamentos” (36%).
prescrição por DCI não avançam. da Pfizer Inc.. Em Portugal teve o Quando solicitados a indicar quais
Têm integrado os programas elei- apoio institucional da Ordem dos as três questões mais importantes
torais e de governo, mas tardam Farmacêuticos, tendo sido coor- para a satisfação com a carreira,
em ser realidade. Com excepção denado pelo CEFAR, cuja directora classificando-as de 1 a 10, esco-
da Madeira, onde já se prescreve executiva, Suzete Costa, o apresen- lheram “ter impacto positivo nos
por DCI. No resto do país, aguarda tou na convenção. resultados em saúde dos doentes”,
pela entrada em vigor do diploma Foram abrangidos oito países, com “ser reconhecido com respeito e

30
confiança pelos doentes” e “fazer
formação contínua e manter-se
actualizado sobre informação e co-
nhecimento na área farmacêutica”,
alternativas valorizadas com 9 ou
mais pontos. Em jeito de balanço,
cerca de 56% dos farmacêuticos
em Portugal consideraram ser muito
provável continuarem a exercer em
farmácia comunitária ou hospitalar.
Sobre o que se espera dos farma-
cêuticos, 97% dos portugueses con-
cordaram com a afirmação de que
se espera que “transmitam infor-
mações e aconselhamento”, sen-
do que 82% expressaram concor-
dância máxima.
Concordância foi também o que
Cerimónia de entrega do prémio Responsabilidade Social
manifestaram 95% dos inquiridos
em Portugal relativamente à afir-
mação de que os doentes exigem, A mesma percentagem considerou tica” (43%) e “conhecimentos financei-
cada vez mais, medicação e trata- que contribuem para poupanças ros e económicos (40%), enquanto os
mentos específicos. para o sistema de saúde ao longo comunitários elegeram a “gestão da
Abordada neste estudo foi igual- do tempo, pelo que 94% dos portu- doença” (65%), “novos serviços” (29%)
mente a percepção quanto à remu- gueses consideraram que os serviços e “capacidades orientadas para o do-
neração, com os farmacêuticos in- farmacêuticos deveriam ser uma prio- ente” (29%). Questionados sobre as
quiridos a dividir-se, praticamente ridade dos governos. De referir que a estruturas farmacêuticas que lhes
em partes iguais, sobre a correspon- média nacional, nas questões relacio- prestam apoio, 75% dos portugue-
dência entre a remuneração aufe- nadas com os serviços, foi sempre su- ses apontaram as “organizações
rida com as exigências da carreira. perior à média global do estudo. profissionais que disponibilizam
Passando da profissão para a polí- A percepção do papel do farmacêu- formação e materiais de apoio à
tica do medicamento, os inquiridos tico por outras profissões da saúde intervenção”, seguindo-se, com
foram questionados sobre as me- esteve também em foco, com 70% dos 66%, as “organizações nas quais os
didas de controlo da despesa, com inquiridos dos oito países a entende- farmacêuticos necessitam de es-
os portugueses a considerarem rem como “importante” o grau de im- tar inscritos para poderem exercer
como principais medidas a substi- portância que médicos e enfermeiros a profissão”. As maiores críticas,
tuição genérica e as limitações de atribuem ao papel do farmacêutico, por falta de apoio, foram dirigidas
comparticipação. Os farmacêuticos mas apenas 43% dos portugueses a às seguradoras de saúde (85%), às
hospitalares deram mais impor- terem igual opinião. administrações hospitalares (85%),
tância à existência de formulários A propósito dos factores críticos de à comunicação social (83%) e aos
e recomendações terapêuticas/nor- sucesso para a próxima geração de departamentos de saúde governa-
mas de tratamento. farmacêuticos, em Portugal os dois mentais (81%).
Em matéria de serviços farmacêu- primeiros lugares são ocupados pelas O tema deste estudo internacio-
ticos, 76% dos farmacêuticos por- “competências e educação” (69%) e nal foi, de certa forma, prolongado
tugueses referiram disponibilizar por “mais e melhores serviços orien- na segunda parte da convenção, na
serviços de promoção da saúde, tados para o doente ou alargamento mesa-redonda sobre “A profissão em
gestão da doença e similares. de serviços” (48%). Neste aspecto, análise – preocupações e expecta-
E quase todos – 99% – os conside- há especificidades: os farmacêuticos tivas”. Moderada por João Almeida,
raram importantes para melhorar hospitalares referem como mais im- da ANF, teve o contributo de Ema
os resultados dos doentes. portantes para os próximos cinco a Paulino, da direcção da associação,
A segunda mais-valia destes ser- dez anos os “conhecimentos e compe- de Jorge Brochado, da Associação
viços, apontada por 96%, é de au- tências aumentados” (100%), a “me- Portuguesa de Farmacêuticos Hospita-
mentarem a visibilidade das com- lhor prestação de cuidados ao doente / lares, e de Manuela Machado, da Or-
petências dos farmacêuticos. gestão da doença / adesão à terapêu- dem dos Farmacêuticos.

Farmácia
portuguesa 31
informação terapêutica

Lúpus

... uma doença


complexa e
multifacetada,
pela diversidade
de sintomas que
podem variar de
doente para doente,
e também no próprio
doente, ao longo
do tempo.

É uma doença crónica, em que na mas estima-se que varie entre 20-
maioria dos casos o doente alterna
entre fases de remissão - diminui-
-50 casos por 100.000 habitantes.
O farmacêutico tem oportunidade de
Factores
ção da sintomatologia durante um
período de tempo variável - e fases
intervir de forma activa junto destes
doentes. Conhecer bem o Lúpus per-
de risco
de crise - exacerbação dos sintomas. mite esclarecer sobre os aspectos • Género: o Lúpus é 8 a 10 ve-
O seu carácter de doença auto- da doença, reforçar a adesão à tera- zes mais frequente em mu-
imune implica que o sistema imu- pêutica, aconselhar sobre medidas lheres
nitário agrida o próprio organismo, não farmacológicas, entre outros as- • Idade: embora afecte todas
provocando inflamação e alteração pectos. Desta forma o farmacêutico as idades é mais comum o
do funcionamento dos órgãos afec- integra uma equipa de profissionais diagnóstico entre os 15-40
tados. de saúde que desempenha um papel anos
Desconhece-se a causa do Lúpus e importante na melhoria da qualida- Importa, no entanto, reconhe-
actualmente não está disponível um de de vida destes doentes. De facto, cer que o Lúpus afecta tam-
tratamento que permita a cura. No o Lúpus implica necessariamente a bém crianças
entanto, as terapêuticas actuais e o intervenção de uma equipa multidis- • Etnia: menos comum em cau-
conhecimento dos factores de ris- ciplinar de médicos especialistas, do casianos
co permitem dar, à maior parte dos cardiologista ao reumatologista, do • História familiar: familiares
doentes, uma boa qualidade de vida, pneumologista ao oftalmologista, de doentes com lúpus têm
reduzindo o risco e ocorrência de entre outros. É uma equipa que se cerca de 5-13% de probabili-
complicações. dedica à multiplicidade que caracte- dade de desenvolver a doença
O impacto desta doença na popu- riza o Lúpus e da qual o farmacêuti-
lação Portuguesa não é conhecido, co é um interveniente activo.

32
Os 3 tipos de Lúpus
Lúpus Eritematoso Forma mais frequente, em que a doença pode afectar qualquer órgão
Sistémico (LES) ou sistema, vulgarmente designado por Lúpus

Limitado à pele. As lesões cutâneas (pápulas com descamação) em


Lúpus discóide forma de disco e a vermelhidão na face em forma de borboleta, são
comuns. 15% a 20% dos casos podem evoluir para LES

Lúpus induzido Estão identificados vários medicamentos com potencial para desencade-
ar LES por estimulação do sistema imunitário. Esta é uma reacção pou-
por medicamentos co frequente e reversível com a descontinuação do medicamento.

Existe ainda o Lúpus Neonatal, uma forma de LES, condição rara que afecta filhos de mães com Lúpus, devido à acção dos
anti-corpos maternos no feto.
Aquando do nascimento o bebé pode apresentar erupção cutânea, problemas de fígado ou baixo número de glóbulos
vermelhos, sintomas que podem desaparecer após alguns meses.
No entanto, é importante estar sensibilizado para o facto de que a grande maioria de mães com Lúpus tem bebés sem
qualquer problema, havendo também casos de crianças que nascem com diagnóstico de Lúpus, sem que a mãe tenha
esta doença.

do nariz, em forma de borboleta, • Dor no peito quando respira – devi-


Sintomas agravado com a exposição solar; do a inflamação da membrana que
• Fotossensibilidade; reveste os pulmões (pleura) ou o
Não existem dois casos iguais de • Sensibilidade aumentada, tanto ao coração (pericárdio), sendo estas
LES. Os sinais e sintomas variam de sol como ao calor. situações já de gravidade conside-
doente para doente, bem como a du- A mesma pode traduzir-se pelo rável.
ração das fases de remissão e crise. fácil aparecimento de eritema nas Muitos destes sintomas estão pre-
Esta variabilidade resulta do facto de zonas expostas ao sol, por maior sentes em outras patologias para
poderem ser afectados diferentes propensão a queimaduras solares, além do Lúpus, daí que o Lúpus seja
órgãos. ocorrendo estas com frequência; vulgarmente apelidado de “doença
Os sintomas mais comuns, iguais • Úlceras na boca (aftas) ou no nariz; imitadora” ou “doença das mil ca-
em homens e mulheres, que podem • Perda de cabelo; ras”, pois os sintomas são frequen-
ser identificados em alguns doentes, • Comprometimento da circulação temente semelhantes aos da artrite
embora não em todos, nem todos em periféria (Síndrome de Raynaud’s), reumatóide, patologias sanguíneas,
simultâneo, são: com a ocorrência repetida de vas- fibromialgia, diabetes, problemas de
• Fadiga extrema; culites, mais comuns no Inverno; tiróide, e várias outras que envolvem
• Articulações inchadas e doloro- • Anemia; o coração, pulmão, rim, músculos e
sas; • Problemas de coagulação; ossos.
• Perda de apetite e consequente • Convulsões e/ou depressões, psi- Esta é, mesmo, uma característica
perda de peso; coses, os problemas neuropsiqui- do Lúpus: afecta vários sistemas do
• Febre; átricos afectam com frequência os organismo e por isso apresenta sin-
• Cefaleias; doentes com Lúpus; tomatologia diversa.
• Perda de memória; • Edema dos pés, pernas, mãos e É, assim, importante saber orientar
• Eritema, ou inflamação cutânea nos olhos – devido a problemas no e encaminhar da melhor forma o
avermelhada (pleurisia), na face, funcionamento renal, com protei- doente para o médico especialista
sobre as maçãs do rosto e a cana núria; mais indicado.

Farmácia
portuguesa 33
informação terapêutica
grave e levar mesmo à morte. Perante
O Desafio do Diagnóstico uma crise, é frequentemente neces-
com o médico que o acompanha
(telefone ou e-mail).
Não existe um teste definitivo, mas sária uma terapêutica ajustada, que
existe um quadro de sinais e sintomas pode ser diferente da medicação habi- • Cumprir a terapêutica instituída.
que, associado a dados laboratoriais, tual do doente, ou implicar um ajuste
permite o diagnóstico provável de de doses nos medicamentos que toma • Evitar o stresse e factores emo-
Lúpus. O diagnóstico é definido tendo habitualmente. O conhecimento sobre cionais negativos, pelo que é
por base dados laboratoriais associa- o Lúpus tem vindo a aumentar nas úl- importante que o doente com
dos aos sintomas referidos pelo doente timas décadas, sendo já possível esta- Lúpus não se isole e conviva
e sinais observados pelo médico, num belecer medidas de prevenção, tanto com outras pessoas, mesmo
processo que pode, em muitos casos, da ocorrência de crises, como da agu- que não sinta vontade deve fazer
ser muito moroso. dização das mesmas: um esforço.
O doente com Lúpus apresenta com • Repousar adequadamente.
• Fazer consultas de rotina, esta-
frequência sintomas ligeiros, durante
belecendo uma vigilância mé- • Evitar a exposição ao sol, sem-
longos períodos de tempo, sem que lhe
dica regular para reavaliar os pre que tal acontecer, utilizar
seja feito o diagnóstico da doença. Este,
sintomas, os sinais observados protecção solar e vestuário
muitas vezes, só acontece em momen-
pelo médico e os dados clínicos, apropriados.
tos de crise, em que os sintomas do
no sentido de reajustar o trata-
Lúpus sofrem uma agudização, mani- • Evitar esforços físicos intensos
mento sempre que necessário.
festando-se de forma mais evidente. e vigorosos.
A dificuldade e morosidade em chegar • A relação estabelecida com o
a um diagnóstico gera sentimentos de médico deve ser sincera e leal. • Tratar as infecções o mais pre-
confusão e frustração, sendo, muitas É importante incentivar o doente cocemente possível.
vezes, os sintomas desvalorizados pela para que diga tudo ao médico e
família, médicos e amigos. A equipa da • No âmbito do planeamento
promover o estabelecimento de
farmácia pode ajudar, particularmente familiar, a doente com Lúpus
uma relação de confiança.
neste período difícil assegurando ao deve ter um acompanhamento
Dada a diversidade de sintomas
doente que os seus sintomas são reais médico especializado. Porque
e a multiplicidade de especialis-
e merecem cuidado. há que escolher a melhor altu-
tas que habitualmente acompa-
ra para uma gravidez, esta deve
nham o doente com Lúpus, este
ser sempre programada, mesmo
Evolução do Lúpus é um aspecto importante.
porque são normalmente neces-
A evolução do Lúpus é imprevisível, É ainda importante que o doen-
sários ajustes à terapêutica.
mas, sem tratamento, pode tornar-se te tenha um contacto facilitado

Sistema Nervoso (SN) Central e Periférico – Quando o SN é afectado, podem surgir sintomas
como perda de sensibilidade nos membros inferiores, cefaleias, tonturas, alterações de humor,
alucinações e até convulsões. Uma percentagem elevada de doentes com LES apresentam sinto-
mas de disfunção cognitiva, como confusão, problemas de memória e dificuldade em exprimir-se.

Sistema cardiovascular – Podem ocorrer problemas de coagulação, anemia, infecções no mio-


cárdio, artérias e pericárdio. Os indivíduos com LES têm um risco de doença cardiovascular, cerca
de 5 a 10 vezes superior ao risco da população geral.

Sistema respiratório – Complicações pulmonares como infecção da pleura e pneumonia não infecciosa
e diafragma subido (o qual, pode ser identificado nas radiografias e ecografias).

Sistema Renal – Os danos renais são uma complicação frequente do LES com consequências gra-
ves, sendo que a falência renal é uma das principais causas de morte. A fim de controlar a função
renal, devem fazer-se monitorizações regulares aos níveis de creatinina.

Sistema ósseo – Problemas ósseos como osteoporose e fracturas são frequentes nos doentes com
LES, devido ao baixo teor em Vitamina D, consequência da baixa exposição solar, e à menor irrigação
sanguínea do osso. Além destas situações, um dos grupos de fármacos habituais no tratamento do
LES, os corticosteróides, têm como efeito adverso o desenvolvimento de osteoporose.

Infecções – Os doentes com LES têm uma maior vulnerabilidade a infecções, devido não só à doença
em si, como também à medicação supressora do sistema imunitário e à corticoterapia. A sua prevenção
é especialmente importante na medida em que podem precipitar o aparecimento de crises.

34
Durante a evolução da doença é fre- ger os órgãos vitais diminuindo a panhar a própria variabilidade da
quente o desenvolvimento de compli- inflamação e/ou o nível de actividade doença, alternância entre fases de
cações, decorrentes das reacções de auto-imune do organismo, induzir a activação e remissão, sendo que
inflamação que podem afectar várias remissão e reduzir a morbilidade. alterações aos esquemas terapêu-
áreas do organismo. O avanço no Os doentes com sintomas ligeiros a ticos prescritos (doses, horários
conhecimento dos mecanismos da moderados podem não necessitar de ou fármacos) devem ser apenas
doença, das suas manifestações clí- medicação, ou precisar apenas de efectuadas com o acordo do médi-
nicas e complicações e o surgimento ciclos intermitentes de anti-inflama- co assistente. O não cumprimento
de novos fármacos, reflectiu-se na tórios nas crises. desta recomendação pode agravar
melhoria do prognóstico vital, sendo No entanto, nos casos mais graves a doença e torna a avaliação da sua
actualmente a sobrevida aos 10 anos em que já há lesão de órgãos, po- evolução difícil. Para as dores ar-
superior a 90%. dem ser necessárias doses elevadas ticulares e musculares, frequentes
de corticosteróides em combinação no doente com Lúpus, é habitual a
Terapêutica Multidirigida com terapêutica dirigida e outros toma de um analgésico em asso-
medicamentos que suprimam a ac- ciação com um relaxante muscular
O objectivo da terapêutica farmaco- ção do sistema imunitário. (por exemplo, paracetamol em as-
lógica é aliviar os sintomas, prote- A terapêutica instituída deve acom- sociação com tiocolquicosido).

Principais Grupos Terapêuticos


Grupo
Indicação/Efeitos Perfil de Segurança
activo

Os corticosteróides são mais potentes do que os AINE na redução da infla-


Corticóides

mação e na restauração das funções, durante as fases activas da doença.


A fim de diminuir o risco de osteoporose pode ser recomendada
Sistemicamente, estão indicados tanto nas manifestações graves como em
a toma de cálcio e Vitamina D.
doses mais baixas, de manutenção, em situações menos graves.
A interrupção da toma prolongada implica sempre um desmame.
Exemplos: Prednisona, Deflazacorte, Prednisolona

Utilizados de forma frequente e eficaz no Lúpus (sistémico e discóide),


são úteis no alívio de sintomas cutâneos, cansaço e dor nas articula-
Antimaláricos

ções. As reacções adversas são pouco comuns, embora o uso prolon-


O mecanismo de acção é desconhecido. gado possa provocar problemas oftálmicos.
Em situações de remissão os antimaláricos são administrados numa Recomenda-se consultar todos os anos o oftalmologista, mesmo
dose de “manutenção”, pelas suas propriedades estabilizadoras do que não existam queixas de diminuição da visão, visão turva ou
sistema imunitário, estimuladoras da resistência à exposição solar e pontos cegos. É importante informar o oftalmologista sobre os
como “poupadores de corticosteróides”. períodos e doses de toma dos antimaláricos.

Exemplos: Hidroxicloroquina

A utilização restrita destes fármacos aos casos graves de LES, deve-


Actuam no sistema imunitário, diminuindo a resposta auto-imune existen-
Imunossupressores

se à intensidade dos efeitos adversos que os caracterizam: diminui-


te no Lúpus. São utilizados no tratamento de doentes com manifestações
ção do funcionamento da medula óssea, com consequente risco de
graves de LES, com lesões em órgãos internos.
anemia, infecções e hemorragias, perda de cabelo, úlceras na boca e
estômago, diarreia, problemas de fígado, diminuição da fertilidade e
Habitualmente são utilizados a Ciclofosfamida (Endoxan®) e Azatioprina
aumento do risco de cancro.
(Imuran®); no tratamento de sintomas resistentes recorre-se a Gama-
O uso de imunossupressores implica assim uma vigilância médica
globulinas e Metotrexato; Micofenolato (Cellcelpt®) e outros imunossu-
frequente.
pressores são utilizados no tratamento de problemas renais associados
No entanto, estes medicamentos são imprescindíveis em determi-
ao LES.
nadas situações.

Associados à terapêutica do Lúpus, encontram-se actualmente em estudo vários novos fármacos que conferem uma maior robustez aos meios
disponíveis para combater esta doença.

Hormonas:
Prasterona, forma sintética da hormona dihidroepiandrosterona (DHEA), está a ser estudada para o tratamento da osteoporose induzida por corticos-
teróides nas mulheres com LES;
Novos Fármacos

Triptorelina, terapêutica hormonal utilizada no cancro da próstata, está a ser estudada como protector dos ovários nas mulheres a fazer terapêutica
com ciclofosfamida.

Imunosupressores:
Leflunomida (Arava®), foi inicialmente desenvolvido para o tratamento da artrite reumatóide, estuda-se agora a sua utilidade na artrite causada pelo
LES, actua diminuindo a produção das células imunitárias responsáveis pela inflamação, inchaço, rigidez e dor.

Terapêuticas biológicas:
Interferem com a acção das células envolvidas na resposta imunitária. São várias as moléculas biológicas em fase de estudo: o Rituximab
(Mabthera®) é um anticorpo monoclonal que se pensa actuar juntamente com o sistema imunitário para eliminar os linfócitos B, pode beneficiar os
doentes sem resposta à terapêutica com imunosupressores. O Belimumab (Benlysta®), o primeiro anticorpo monoclonal da sua classe de inibidores
específicos, em fase de ensaios clínicos.

Farmácia
portuguesa 35
informação terapêutica

Medidas para melhorar são a natação, andar de bicicleta,


exercícios aeróbios de baixo impacto,
dos: evitar locais de grande densi-
dade populacional durante crises de
a qualidade de vida yoga, pilates, exercícios de flexibili- gripe, lavar as mãos com frequência,
dade, entre outras. considerar a vacinação de familiares
O plano terapêutico do doente com • Dieta equilibrada - Não existe uma ou pessoas de contacto mais próxi-
Lúpus inclui não só recurso a medi- dieta específica para doentes com mo contra a rubéola, varicela e gripe.
camentos, como também outras me- Lúpus. Recomenda-se, sim, a prá- Em caso de infecção, a escolha
didas que contribuem para uma me- tica de uma alimentação variada, do antibiótico deve ter em conta a
lhoria da qualidade de vida e que são equilibrada e saudável, com res- questão da fotossensibilidade. É
igualmente importantes para o bem- trição do sal e comida processada, também importante nestes doentes
-estar do doente. Nomeadamente a principalmente em situações de estar alerta para a necessidade de
prática de uma actividade física ade- edema, assim como de gorduras sa- profilaxia antibiótica antes de uma
quada, repouso, uma dieta apropria- turadas e colesterol, e sem excesso intervenção cirúrgica ou dentária.
da, evitar a exposição ao sol e a qual- de açúcares. A vacinação nestes doentes apesar
quer fonte de radiação ultravioleta, a Com o objectivo de diminuir as co- de eficiente para prevenir algumas
factores de stresse, entre outros. morbilidades associadas podem infecções, não reúne unanimidade
A intervenção da equipa da Famácia ser recomendados a estes doentes nos médicos especialistas devido à
contribui em muito para a melhoria suplementos com Ómega-3, úteis debilidade do sistema imunitário que
do bem-estar destes doentes. Há na redução do risco cardiovascu- pode exacerbar as reacções adver-
por isso que informar e aconselhar lar, assim como suplementos com sas da vacinação.
sobre: Vitamina D e Cálcio, especialmente • Formas de minorar a dor - A dor é
no caso de doentes tratados durante um sintoma comum nos doentes
• Importância do Repouso - A fadiga longos períodos com corticosterói- com Lúpus. Faz-se sentir habitual-
afecta a grande maioria dos doen- des para prevenir a osteoporose. mente na zona das articulações e
tes com Lúpus. De intensidades di- • Evitar exposição solar e a fontes de músculos ou sob a forma de cefa-
ferentes, pode ir até à fadiga extre- radiação UV - Muitos dos doentes leias. Há vários medicamentos que
ma com efeitos muito negativos na com Lúpus têm sensibilidade au- podem ser utilizados no tratamento
qualidade de vida destes doentes. mentada aos raios UV. Para além do da dor, mas há medidas não far-
A importância de um repouso não que, a exposição aos raios UV pode macológicas que podem ser adop-
prolongado, especialmente duran- desencadear uma crise. Assim, é tadas: aplicações de calor/frio são
te as crises, deve ser explicada de extrema importância evitar a frequentemente recomendadas para
tanto aos doentes, como aos seus exposição à radiação UV quer pro- diferentes tipos de dor muscular ou
familiares e pessoas mais próxi- veniente do sol quer artificial (luzes articular; técnicas comportamen-
mas, chamando a atenção para a fluorescentes). Ao ar livre deve ser tais, como relaxamento progressivo,
necessidade de um bom repouso aconselhado utilizar roupa adequa- repouso, mas não muito prolongado,
nocturno (pelo menos 8 h), perí- da que cubra as zonas expostas e meditação, entre outras. O recurso a
odos de descanso diurnos (fazer aplicar protectores solares de pro- terapêuticas alternativas como acu-
pausas de pelo menos 15 minutos tecção muito elevada (50+) em toda a punctura deve ser sempre discutido
durante o dia, caso o doente se sin- pele exposta. Para protecção contra com o médico. Avaliar os estados de
ta muito cansado) e distribuição de as luzes de interior podem ser apli- dor e fadiga, sempre que ocorrem, é
tarefas. É muito importante para cados protectores adequados nas muito importante e útil uma vez que
estes doentes evitar o stresse, lâmpadas ou privilegiar lâmpadas permite estar alerta para a reacti-
mesmo que para tal seja necessá- não fluorescente. Em alguns casos vação da doença. O aumento da sua
rio ajustar o horário laboral. podem ser necessários os mesmos frequência ou intensidade pode ser
• Prática de Actividade Física - Man- cuidados no interior, isto é, proteger- um alerta para o início de uma crise.
ter a prática continuada de uma -se da iluminação utilizando roupas Avaliar a intensidade da dor e estar
actividade física adequada, é im- que cubram a totalidade do corpo e alerta às suas variações é por isso
portante para evitar a rigidez ar- protector solar. importante.
ticular, a osteoporose, a fraqueza • Risco aumentado de Infecção - Nos • Disfunção cognitiva - Vulgarmente
muscular, a fadiga, problemas doentes com Lúpus, devido à menor designado por “Lupus Fog”, é um
cardiovasculares e estados de- capacidade de resposta do sistema conjunto de sintomas universalmen-
pressivos. Quando o doente não faz imunitário, há um maior risco de in- te conhecidos entre os doentes com
fisioterapia, deve procurar andar 30 fecção, quer devido à própria doença, Lúpus. Traduz-se por dificuldade em
minutos por dia, em local pouco po- quer devido à medicação imunosu- completar tarefas habituais como
luído e fora das horas de mais sol e pressora. Assim, os cuidados para lembrar-se de nomes e datas, es-
calor. Outras actividades a privilegiar evitar infecções devem ser reforça- quecimento de compromissos, en-

36
cadeamento de pensamentos, entre sendo-lhes por vezes prescritas for- efeitos adversos expectáveis e forma
outros, podem ser passageiros ou mulações manipuladas. de os minimizar, promovendo a adop-
não. Há vários conselhos que podem Também neste âmbito, o aconselha- ção de comportamentos para melho-
ajudar: prestar atenção quando rece- mento e intervenção profissional da ria da qualidade de vida, entre outros.
be informação, repeti-la ou escrevê- equipa da Farmácia constitui uma O apoio, educação e ajuda na com-
-la e verificar os detalhes; focar mais-valia na promoção do bem-estar. preensão da doença e a sua acei-
numa tarefa de cada vez; realizar tação são muito importantes, pois
exercício e repousar; aprender técni-
cas de memorização e utilizar agen-
Importância da Equipa embora o Lúpus não tenha cura, é
uma doença cujos sintomas podem
das ou calendários para se manter da Farmácia para ser controlados ou minimizados
organizado.
o doente com Lúpus com trerapêuticas adequadas e
aquisição de determinados com-
Cuidados com a pele O tratamento do Lúpus é comple- portamentos. A não-aceitação da
xo e implica a colaboração de uma doença ou da importância da te-
Características do Lúpus são, não só o equipa multidisciplinar, na qual o rapêutica farmacológica e não far-
eritema na face em forma de borbole- Farmacêutico e a restante equipa da macológica pode agravar em muito
ta, como também o aspecto de peque- farmácia desempenham um papel im- a progressão da doença.
nas feridas na pele, a fazer lembrar portante na orientação para a consulta É determinante que os doentes
mordeduras de lobo (daí a origem do médica mais adequada, optimização com Lúpus não interiorizem a do-
nome da doença – Lúpus). Por estes da terapêutica, aconselhamento, ença. Devem, sim, procurar ser fe-
motivos, o recurso a produtos de ma- suporte e educação do doente. lizes, não se isolando, aproveitan-
quilhagem é importante para a auto- Devido à proximidade com os do- do a vida, tirando prazer da vida,
estima destes doentes. entes e ao conhecimento da diver- sem sentir o peso de uma doença
A pele e mucosas secas são igualmen- sidade de sintomas do Lúpus, o crónica. Para tal é importante que
te características do Lúpus. É, por isso, Farmacêutico pode orientar o do- as equipas das farmácias man-
importante a aplicação frequente, no ente, aconselhando também quanto tenham um discurso positivo, ao
dia-a-dia, de hidratantes e emolientes, aos benefícios da terapêutica, aos contactar com estes doentes.

Associação de Doentes com Lúpus


Sede provisória: Praça João do Rio,
Núcleo Açores – Angra do Heroísmo
Rua do Pau São, 20-20 A,
Bibliografia
n.º 9 r/c Dt.º, 1000-180 Lisboa 9700-145 Angra do Heroísmo
Tel. 218 446 473 Fax. 213 146 216 Tel e fax: 295 218 777 (2000). Obtido em 4 de Março de 2010, de
Linha gratuita: 800 200 231 Horário: terça a quinta, das 15h às 18h Lupus American Foundation: www.lupus.org
E-mail: associacao.lupus@clix.pt (2007). Obtido em 4 de Março de 2010,
Horário: segunda a sexta, das 10h às 18h Núcleo Madeira – Funchal de National Institute of Arthritis and
Rua Dr. Brito Câmara, n.º18, Musculoskeletal and Skin Diseases:
Núcleo Matosinhos 9000-039 Funchal www.niams.nih.gov
Rua Eng. António Costa Reis, 322 – 1.º Esq, E-mail_ alupus@sapo.pt (Outubro de 2009). Obtido em 4 de Março de
4460-235 Matosinhos Horário: segunda a quinta, 2010, de MayoClinic: www.mayoClinic.com
Tel e Fax: 229 544 941 das 14h às 18h Malheiro, F., Santos, E., & Ferreira, C. (2006).
Horário: segunda a sexta, das 14h às 18h Lúpus, Informações médicas para doentes
e familiares. Lisboa: Núcleo de Estudos de
Doenças Autoimunes (NEDAI).
MedicineNet. (2010). Obtido em 4 de Março de
2010, de MedicineNet: www.medicinenet.com
Moriarty, T., O’Sullivan, M., & Wall, G. (2008).
Suporte ao aconselhamento a familiares, amigos ou aos An epidemiological study of luppus
próprios doentes com Lúpus, tem disponível o suporte erythematosus em Portugal. 1970-2001.
iSaúde, de forma integrada com o atendimento no Sifarma Acta Reumatol. Port. , 210-218.
2000, e também disponível através do ANFOnline, desde Moriarty, T., O’Sullivan, M., & Wall, G. (2005).
An epidemiological study of systemic lupus
Abril de 2010.
erythematosus in Portugal, 1970-2001.
Acta Reum Port. , 49-60.

Farmácia
portuguesa 37
política de saúde

Petição pela reposição dos preços nas embalagens

À espera do Parlamento

Foi entregue na Assembleia da República a voz de dezenas de milhar


de portugueses que reclamam a reposição dos preços dos medicamentos
nas embalagens. Em nome da transparência e do direito à informação
e à escolha. As associações promotoras da petição explicam, através
da Farmácia Portuguesa, a razão de ser deste movimento cívico.

Os portugueses – consumidores em O que mobilizou tantos cidadãos foi contestam. Os signatários da petição
geral e doentes em particular – res- o decreto-lei 106-A/2010 de 1 de Ou- consideram que os medicamentos
ponderam em massa ao apelo das tubro, que determina a não impres- sem preço põem em causa o direito
associações promotoras da petição são do preço de venda ao público à informação, criticando uma me-
“Medicamentos com preço”: só no na embalagem dos medicamentos, dida “inesperada, que nunca tinha
primeiro dia de recolha de assina- “apenas nos casos dos medicamen- sido anunciada pelo Ministério da
turas foi praticamente alcançado o tos sujeitos a receita médica com- Saúde”: “A medida esconde dos con-
número mínimo requerido para que participados, quando o utente be- sumidores as alterações de preços
a iniciativa seja acolhida em deba- neficie da comparticipação”. Nestes dos medicamentos.
te parlamentar – 4.000. Foi apenas a casos, adianta o diploma, “garante- Ora, a transparência dos preços é
ponta de um iceberg que foi ganhando -se ao utente a correcta informação um direito dos consumidores em to-
visibilidade e no final somou cerca de sobre o preço dos medicamentos no dos os sectores de actividade. Nos
150 mil nomes, subscritos presencial- momento de dispensa nas farmá- medicamentos, esse direito é essen-
mente em farmácias e online no sítio cias, em que é emitida a factura”. É cial porque são um encargo inevitá-
www.medicamentoscompreco.com. esta a determinação que os cidadãos vel das famílias”.

38
Muitos milhares de portugueses assinaram
a petição. Resta esperar para ver que resposta
dão os deputados a este apelo colectivo em defesa
de um direito constitucional.

Pela transparência Rosa Gonçalves, presidente da di-


recção da Associação de Doentes
o governo imponha a regra da afixa-
ção de produtos e serviços ao mer-
com Lupus, também lamenta que o cado mas autorize a sua suspensão
Os promotores da iniciativa receiam governo não tenha ouvido a opinião nos medicamentos.
que a confiança dos consumidores dos doentes antes de legislar, mas “Por uma questão de princípio e co-
nos medicamentos seja gravemente espera que, com a petição, os depu- erência”, o preço devia voltar às em-
afectada. Uma das entidades subs- tados compreendam melhor o que balagens. Até porque, sem preço, os
critoras é a APSI – Associação para a está em causa. doentes perdem uma referência im-
Promoção da Segurança Infantil. Em Acredita na força da petição enquan- portante na sua relação com o medi-
declarações a Farmácia Portuguesa, to instrumento da democracia. A camento, o que poderá gerar alguma
Sandra Nascimento, presidente da que acresce, neste caso concreto, a desconfiança, inclusive para com as
direcção, explica a adesão tendo em elevada receptividade dos cidadãos a farmácias. A propósito dos argu-
conta o perfil de associação de defe- um protesto contra uma medida que mentos invocados pela Ministra da
sa dos consumidores, concretamen- põe em causa um direito. “A legitimi- Saúde, remetendo para o farmacêu-
te as crianças e suas famílias. dade existe, vamos ver se consegui- tico ou para a listagem do Infarmed a
“É inquestionavelmente uma ques- mos ser ouvidos”. informação sobre os preços, respon-
tão de direitos dos consumidores. Também Manuela Freitas, da di- de que estas afirmações denotam
As pessoas têm o direito de ter in- recção da Sociedade Portuguesa um desconhecimento da realidade:
formação clara, objectiva e imediata de Esclerose Múltipla, espera que “Por um lado, não podemos imputar
sobre o preço dos medicamentos, a “ampla adesão” tenha impacto ao farmacêutico a responsabilidade
para poderem comparar e escolher”. no Parlamento: “Tenho alguma es- de informar sobre os preços. E, por
É uma questão de transparência, perança de que quem decide seja outro, quem tem acesso à lista de
mais importante ainda num contex- sensível às pessoas que vão sofrer preços e quem a entende? Isso não
to em que tanto se fala de (i)litera- as consequências das decisões to- ajuda os doentes”.
cia em saúde: “Só com informação madas”. É pela transparência que a LPCDR é
disponível os consumidores podem Em sua opinião, “já é tempo de quem uma das promotoras da petição, ten-
tomar uma decisão o mais respon- governa começar a ouvir” e “tomar do tido a iniciativa de contactar ou-
sável e livre possível”. decisões de maior qualidade e, even- tras organizações e de todas tendo
Sandra Nascimento tem esperança tualmente, mais baratas”. ouvido a mesma pergunta.
de que, no parlamento, possa haver Quanto à razão de ser da petição, en- E, perante a receptividade dos ci-
uma ponderação da justeza da peti- tende que a ausência dos preços das dadãos, manifesta a convicção de
ção e dos valores que defende e que, embalagens coloca problemas de que a medida vai ser revogada,”até
em consequência, haja alteração da “segurança e certeza” nos utentes, porque isso não traz encargos para
medida contestada. que têm o direito de conhecer o valor ninguém”.
Lamenta que o Estado faça “um concreto dos medicamentos que vai Eugénio Fonseca, presidente da
bocadinho orelhas moucas” não in- pagar. Por uma questão de transpa- Cáritas Portuguesa, partilha estas
cluindo os principais interessados e rência, defende, pois, a reposição do opiniões, nomeadamente no que
afectados na discussão e impondo preço. respeita ao que está em causa com
uma medida como esta sem diálogo. Por sua vez, Irene Domingues, vi- a retirada dos preços das embala-
Mas acredita que há alguma proba- ce-presidente da Liga Portuguesa gens: “A decisão do governo contra-
bilidade de os peticionários serem Contra as Doenças Reumáticas ria o princípio fundamental da trans-
ouvidos. (LPCDR), considera “inaceitável” que parência”, diz, acrescentando que,

Farmácia
portuguesa 39
politíca de saúde

sem a referên-
verno foi pres- e limites máximos nas margens de
cia do preço, sionado pela lucro, “apenas a indicação expressa
“nas situações indústria far- do preço permite escrutinar e asse-
mais extremas, macêutica e gurar o cumprimento dessas obri-
os utentes menos aceitou de bom gações”.
informados e mais grado esta situa-
carenciados podem não
ter possibilidade de fazer
ção”. A nível político,
e ainda antes de a petição ANF contra
uma escolha que, com os mesmos ter chegado à Assembleia da
República, o deputado João Semedo,
medida errática
resultados terapêuticos, seja mais
do Bloco de Esquerda, anunciou a O impacto desta medida do governo
acessível”.
intenção de apresentar um projecto estende-se às farmácias, facto que
Sustentando que a medida do Estado
de lei visando restabelecer a obriga- levou a ANF a associar-se à petição
“não traz qualquer mais-valia à qua- toriedade da indicação do preço de pública. Aliás, em carta ao Infarmed,
lidade da prestação de serviços aos venda ao público na embalagem dos o presidente da associação afirma
utentes”, afirma que “a receptividade medicamentos. não compreender o porquê desta
pública à petição confirma a pertinên- O partido sustenta que a eliminação medida quando, nos países de re-
cia da iniciativa e a sensatez de todas do preço “facilita eventuais fraudes” ferência – Espanha, Itália, França e
as organizações que a subscrevem”. e acusa o governo de ter tomado Grécia – apenas em Espanha o pre-
Espera agora que o número de assi- uma decisão “destinada apenas a ço foi eliminado. Mas apenas após
naturas não seja indiferente a quem satisfazer as aspirações da indústria ano e meio de preparação, tendo o
vai receber a petição e que, com os farmacêutica, que passa a ter me- Estado assumido a responsabilidade
meios que a lei tem disponíveis, pos- nos um custo – o da (re)marcação do de criar circuitos de comunicação e
sa alterar a situação criada. “Não o preço na embalagem”. informação entre todos os interve-
fazer é contrariar o princípio da de- Esta decisão – acrescenta – “com- nientes, para tornar o sistema fiável,
mocracia participativa. promete o direito dos consumidores justo e transparente.
Quem tomou a medida tem legitimi- à informação, um direito consagrado E, ainda assim, “a eliminação do pre-
dade para a tomar, porque foi esco- constitucionalmente”. ço continua a ser polémica”. Ora, en-
lhido pelo voto para orientar os des- E isto porque “só com a indicação do tre nós – continua a missiva – “nada
tinos do país, mas essa legitimidade preço na embalagem os consumido- foi discutido, analisado ou preparado
não confere todos os direitos, sobre- res podem saber com certeza o PVP com sectores de actividade”: “Nunca
tudo se contrariarem princípios con- dos medicamentos e, de forma infor- fomos ouvidos sobre a matéria, nun-
sagrados na Constituição”. mada e expedita, comparar preços e, ca o governo manifestou a menor
Não são apenas os promotores da nomeadamente, escolher o medica- intenção de adoptar esta medida e
petição “Medicamentos com preço” mento mais barato, sempre que haja fomos colhidos completamente de
que contestam a medida governa- possibilidade de substituição na far- surpresa com a publicação do di-
mental. mácia”. ploma que a consagrou”.
A DECO, principal associação de de- Além disso, o facto de o preço estar Na mesma carta, João Cordeiro
fesa dos consumidores, já veio a pú- presente na embalagem dos medi- reclama a reposição dos preços
blico denunciar esta situação como camentos “garante uma previsibili- nas embalagens. O mesmo pre-
pondo em causa o direito à infor- dade e estabilidade do preço final, tendem os muitos milhares de
mação: “Esta medida não favorece a não podendo este variar caso a caso portugueses que assinaram a pe-
vida dos utentes e é uma medida a ou ser alterado injustificada ou ale- tição. Resta esperar para ver que
abandonar rapidamente”, declarou atoriamente”. resposta dão os deputados a este
Jorge Morgado, secretário-geral da Da mesma forma, tendo os medica- apelo colectivo em defesa de um
associação, considerando que “o go- mentos requisitos legais especiais direito constitucional.

40
Farmácia
portuguesa 41
MUSEU DA FARMÁCIA
Israel cede peças ao Museu da Farmácia

Homenagem às vítimas
inocentes do conflito

O que levou o director


do Museu da Farmácia
a interessar-se por
expor um testemunho
do conflito que há
décadas opõe israelitas
e palestinianos? A
vontade de homenagear
as vítimas inocentes
desta guerra e mostrar
o trabalho digno
João Neto, Director do Museu da Farmácia e Ehud Gol, Embaixador de Israel das organizações
humanitárias.
O conflito israelo-palestiniano há muito É o lado humano de um conflito que pa- director, evocar o conflito causado por
que faz parte do quotidiano noticioso rece sem tréguas. E foi esse lado que mão humana. Sem falar directamente
onde quer que se esteja. Raramente João Neto se empenhou em mostrar da guerra, porque houve a preocupa-
são boas notícias, quase sempre no- no Museu da Farmácia, sem tomar par- ção de não causar qualquer suscepti-
tícias de atentados e, tantas vezes, de tido. Para o efeito, encetou contactos bilidade político-diplomática. Daí que
vítimas inocentes, civis que se encon- com a Embaixada de Israel em Lisboa, o pedido tenha visado apenas peças
travam no lugar errado à hora erra- contactos naturalmente delicados que de cariz humanitário e exclusivamente
da. João Neto, director do Museu da se prolongaram por mais de dois anos usadas por civis.
Farmácia, é espectador, como muitos envolvendo dois titulares sucessivos da O actual embaixador, Ehud Gol, com-
outros, destas notícias. E não lhes fica representação diplomática. preendeu o pedido, nas suas razões
indiferente exactamente pela razão de e nos seus objectivos. Reconheceu a
que ceifam vidas inesperadas.
Uma vez por outra, essas notícias tes-
Um pedido difícil, seriedade, acreditou na mensagem.
E entregou pessoalmente ao museu
temunham a acção humanitária de or-
ganizações e indivíduos empenhados
mas aceite as peças que simbolizam o outro lado
do conflito: malas utilizadas pela Cruz
em salvar as vidas possíveis e em dar As diligências efectuadas orientaram- da Via Vermelha, com equipamento de
um fim digno aos que são apanhados -se no sentido de demonstrar a serie- suporte básico de vida e equipamento
indefesos nas teias da violência. São dade do pedido, um pedido invulgar próprio para a recolha dos vestígios hu-
organizações e indivíduos que tratam mas perfeitamente enquadrado na filo- manos nos palcos da violência.
os vivos mas que também se dedicam à sofia do museu – a de dar testemunho Quando estiverem expostas no Museu
recolha dos restos mortais espalhados alargado da História da Humanidade, da Farmácia, estas peças darão teste-
pelas explosões, cumprindo o princípio sempre em ligação com a saúde. munho de que, num conflito tão san-
religioso que determina que não haja Catástrofes naturais, aventuras, limites grento como o israelo-palestiniano, há
sangue nem vestígios humanos israe- superados – são vertentes já patentes pessoas que lutam, não por territórios,
litas ao abandono. no museu, faltando, na óptica do seu mas por salvar vidas.

42
Farmácia
portuguesa 43
consultoria fiscal

A Certificação
dos Programas de Facturação
Foi publicada no passado dia 23 comercialização de bens ou pres- terá de ser requerida pelas em-
de Junho de 2010, a Portaria n.º tação de serviços, pode potenciar presas criadoras dos programas
363/2010, a qual vem definir as subsequentes adulterações dos informáticos de facturação, junto
regras práticas para aplicação do dados processados. Neste âmbito, da Direcção Geral de Contribuições
Código de IRC no que respeita à a presente Portaria vem definir a e Impostos (DGCI), durante o
indispensabilidade de certificação obrigatoriedade de os programas mês de Setembro de 2010, atra-
prévia dos programas informáticos de facturação obedecerem a certos vés de um modelo de declaração
de facturação. requisitos que garantam a inviola- que irá ser publicado brevemente
O Ministério das Finanças justifi- bilidade da informação processa- por Despacho do Ministério das
ca a criação das regras elencadas da, após a emissão da factura, do Finanças.
na presente Portaria com a ne- documento equivalente ou do talão. Adicionalmente, no momento do
cessidade de acautelar situações A certificação prévia dos progra- pedido de certificação, as empre-
de evasão fiscal, uma vez que o mas de facturação utilizados por sas criadoras de software terão
processamento electrónico de da- sujeitos passivos de IRS e IRC, para que remeter a chave pública que
dos, sobretudo no que respeita à emissão de facturas, documentos permita validar a autenticidade e
emissão de facturas referente à equivalentes ou talões de venda, integridade de um conjunto de da-

44
Para agilizar a adaptação às novas regras,
a DGCI irá disponibilizar no seu sítio na internet
(www.portaldasfinancas.gov.pt) informação
actualizada dos programas informáticos
e respectivas versões que se encontram
certificadas, bem como quais as empresas
produtoras dos mesmos.

dos que devem constar dos docu- A utilização de programas certi- atendendo a que o Código do IRC
mentos emitidos, tais como a data ficados, em conformidade com o não determinava os termos em que
de criação da factura, do documen- disposto nesta Portaria, é obriga- a referida certificação se deveria
to equivalente ou do talão de venda, tória (i) a partir de 1 de Janeiro de concretizar, limitando-se a reme-
a data e a hora da última alteração 2011, para os sujeitos passivos que ter para esta Portaria do Ministro
efectuada, o número, o valor e a tenham atingido um volume de ne- das Finanças, apenas a partir de
assinatura gerada no documento gócios superior a € 250.000,00 no agora poderá a referida norma pro-
anterior, da mesma série. ano anterior, e (ii) a partir de 1 de duzir efeitos.
A presente Portaria refere algumas Janeiro de 2012, para quem tenha Efectivamente, apesar de a tipi-
das modificações que devem ser atingido um volume de negócios ficação da coima pela utilização
introduzidas nas aplicações, fican- superior a € 150.000,00 no ano an- de programas ou equipamentos
do por esclarecer a forma como se terior. informáticos de facturação não
irá processar a ligação ao modelo Excluem-se da necessidade de uti- certificados nos termos do Código
SAFT-PT (Standard Audit File for lização de programa de facturação do IRC ter ocorrido com a Lei do
Tax Purposes – Portuguese ver- certificado, os sujeitos passivos Orçamento de Estado de 2010, os
sion), bem como alguns pormeno- que (i) utilizem software produzi- contribuintes só poderão ser pu-
res de natureza mais técnica, e que do internamente, ou por empresa nidos por uma eventual infracção
se espera virem a ser esclarecidos integrada no mesmo grupo econó- a partir de Janeiro de 2011, nos
pelo Ministério das Finanças, no mico, tendo que, para tal, ser de- termos ora regulamentados com a
sentido das empresas produtoras tentores dos respectivos direitos publicação da presente Portaria.
de software serem esclarecidas so- de autor, (ii) tenham operações No sentido de agilizar a adaptação
bre como devem adaptar os progra- exclusivamente com clientes que por parte dos contribuintes às novas
mas informáticos por si produzidos. exerçam actividades de produção, regras, a DGCI irá disponibilizar no
O SAFT-PT é um ficheiro normali- comércio ou prestação de serviços, seu sítio na internet (www.portal-
zado, em formato XML, com o ob- incluindo os de natureza profissio- dasfinancas.gov.pt), informação ac-
jectivo de permitir uma exportação nal, (iii) não ultrapassem durante tualizada dos programas informá-
fácil, em qualquer altura, de um o período de tributação um volu- ticos e respectivas versões que se
conjunto predefinido de registos me de negócios de € 150.000,00 ou encontram certificadas, bem como
contabilísticos, num formato legí- (iv) tenham emitido, no período de quais as empresas produtoras dos
vel e comum, independentemente tributação anterior, um número de mesmos.
do programa utilizado, sem afectar facturas, documentos equivalentes
a estrutura interna da base de da- ou talões de venda inferior a 1.000
dos do programa ou a sua funcio- unidades.
nalidade. Recorda-se que a utilização de pro-
Com a entrada em vigor das novas gramas ou equipamentos informá-
regras, nas facturas, documentos ticos de facturação, não certifica-
equivalentes, ou talões de venda dos nos termos do Código do IRC,
deve constar o número de certifica- passou a ser punida com coima va- Área de Prática Fiscal de PLMJ
do atribuído ao programa de factu- riável entre € 250 e € 12.500, desde Rogério Fernandes Ferreira
ração, utilizando para tal a expres- a Lei do Orçamento do Estado para Francisco Carvalho Furtado
são «Processado por programa 2010 (a qual entrou em vigor no Marta Machado de Almeida
certificado n.º….». dia 29 de Abril de 2010). Contudo, Bruno Gonçalves Bernardo

Farmácia
portuguesa 45
CONSULTORIA JURÍDICA

Contrato de trabalho
em regime de Comissão
de Serviço
Tendo sido admitido para trabalhar em comissão de serviço e esta cesse por
iniciativa do empregador que não corresponda a despedimento por facto imputável
ao trabalhador, este tem direito a indemnização correspondente a um mês de
retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, sendo
que, em caso de fracção de ano, a compensação é calculada proporcionalmente.

Os artigos 161.º a 164.º do Código do A comissão de serviço interna per- Caso o contrato não observe a forma
Trabalho prevêem o regime de con- mite, assim, que a entidade em- escrita ou não contenha a menção
trato de trabalho em comissão de pregadora aloque trabalhadores do expressa do regime de comissão de
serviço. seu quadro de pessoal ao exercício serviço, considera-se que o mesmo
Trata-se de um regime de contrato de determinadas funções que até não foi celebrado ao abrigo daquele
de trabalho com enquadramento es- ali não exerciam, sendo certo que o regime. Acresce que, no caso de co-
pecial, pelo facto de se basear numa tempo de serviço prestado em co- missão de serviço interna, o contrato
relação pessoal de confiança entre a missão de serviço conta para efei- deverá ainda prever a actividade que
entidade empregadora e o trabalha- tos de antiguidade como se tivesse o trabalhador exerce, bem como a
dor. Por esta razão, apenas se pode sido prestado na categoria de que o que vai exercer após cessar a comis-
lançar mão da comissão de serviço trabalhador é titular. Consegue-se, são, caso seja diversa. Já no caso da
quando esteja em causa o exercício desta forma, adaptar os recursos comissão de serviço externa, e des-
de um cargo de administração ou humanos já existentes na empresa de que se preveja que o trabalhador
equivalente, de direcção ou chefia ao exercício de novas funções, sem admitido permanecerá na empresa,
directamente dependente da admi- necessidade de recorrer a novas o contrato deverá também estabe-
nistração ou de director-geral ou contratações. lecer a actividade que o trabalhador
equivalente, funções de secretariado Já no que respeita à comissão de irá exercer após cessar a comissão.
pessoal de titular de qualquer des- serviço externa, fazemos notar que A cessação da comissão de servi-
tes cargos, ou ainda, certas funções embora o trabalhador seja contra- ço obedece também a um regime
de confiança previstas em instru- tado ab initio especificamente para o especial e que constitui a sua mais
mento de regulamentação colectiva exercício de funções que suponham relevante especificidade. Com efei-
de trabalho. uma especial relação de confiança, to, qualquer das partes pode pôr
Existem duas modalidades de co- pode ser acordada a sua perma- termo à comissão de serviço, me-
missão de serviço: (i) comissão de nência na empresa após o termo da diante aviso prévio por escrito, com
serviço externa – quando esteja em comissão, passando o trabalhador a a antecedência mínima de 30 ou 60
causa a contratação de novos traba- exercer outro cargo acordado. dias, consoante aquela tenha dura-
lhadores que irão desempenhar fun- O contrato para exercício de cargo do, respectivamente, até dois anos
ções que suponham uma especial ou funções em comissão de serviço ou período superior. A falta de aviso
relação de confiança e (ii) comissão está sujeito a forma escrita, devendo prévio não obsta a que a comissão
de serviço interna – quando a enti- conter a identificação, assinaturas de serviço cesse, constituindo no
dade empregadora recorre a traba- e domicílio ou sede das partes e a entanto a parte faltosa na obrigação
lhadores da empresa para o exercí- indicação do cargo ou funções a de- de indemnizar a outra parte em valor
cio de funções que suponham uma sempenhar, com menção expressa igual à retribuição base e diuturni-
especial relação de confiança. do regime de comissão de serviço. dades correspondentes ao período

46
de pré-aviso em falta (sem prejuízo trato de trabalho nos 30 dias seguin- ciação Nacional das Farmácias e
de indemnização por danos causa- tes à decisão do empregador que o Sindicato Nacional dos Farma-
dos pela inobservância do prazo de ponha termo à comissão de serviço, cêuticos, na sua actual redacção,
pré-aviso ou de obrigação assumi- com direito a indemnização corres- prevê na cláusula 8.ª a possibili-
da em pacto de permanência). Os pondente a um mês de retribuição dade de desempenho, em regime
prazos de pré-aviso acima refe- base e diuturnidades por cada ano de comissão de serviço, por acordo
ridos podem ser aumentados por completo de antiguidade, sendo que, entre a entidade empregadora e o
instrumento de regulamentação em caso de fracção de ano, a com- farmacêutico, das funções inerentes
colectiva ou por contrato de traba- pensação é calculada proporcional- à categoria de director técnico, bem
lho. Note-se que, como resulta do mente. como as de farmacêutico, quando
que antecede, no caso da comissão Tendo sido admitido para trabalhar envolvam as de substituição do di-
de serviço, o empregador pode pôr em comissão de serviço e esta ces- rector técnico nas suas ausências e
termo ao contrato independente- se por iniciativa do empregador que impedimentos, dada a especial re-
mente da existência de justa causa, não corresponda a despedimento lação de confiança que pressupõem
havendo assim uma maior flexibili- por facto imputável ao trabalhador, com o empregador. Registe-se, po-
dade neste regime. este tem direito a indemnização cor- rém, que não existe naquele instru-
A cessação da comissão de serviço respondente a um mês de retribui- mento de regulamentação colectiva
confere ao trabalhador alguns di- ção base e diuturnidades por cada de trabalho qualquer norma que
reitos. Assim: ano completo de antiguidade, sendo preveja o aumento do montante das
Caso o trabalhador se mantenha ao que, em caso de fracção de ano, a indemnizações previstas nas alíneas
serviço da empresa, terá direito a compensação é calculada proporcio- b) e c) supra, nem o aumento do pe-
exercer a actividade desempenha- nalmente. ríodo de pré-aviso.
da antes da comissão de serviço, ou O valor da indemnização prevista nas
a correspondente à categoria a que alíneas b) e c) supra pode ser au-
tenha sido promovido ou, ainda, a mentada por instrumento de regu-
actividade prevista no acordo (isto lamentação colectiva ou por contrato
é, a actividade que foi indicada no de trabalho. Elaborado por:
contrato como aquela que iria ser Por último, julgamos pertinente sa- Eduardo Nogueira Pinto e Eliana Bernardo,
exercida após cessar a comissão). lientar que o contrato colectivo de advogados
O trabalhador pode resolver o con- trabalho outorgado entre a Asso- PLMJ - Sociedade de Advogados

Farmácia
portuguesa 47
informação veterinária

As bolas de pêlo no gato

O problema
das bolas de
pêlo é comum
a todos os
gatos e merece
alguma atenção
por parte dos
proprietários
dos animais,
e na farmácia.

Causas • Parasitismo externo: provoca stress;


• Tamanho do pêlo: os gatos de pêlo
• Alimentação adequada: existe no
mercado uma grande variedade
comprido ingerem mais pelo na de alimentos especificamente for-
As bolas de pêlo (tricobezoares ou sua auto-limpeza. mulados para o controlo dos tri-
pilobezoares) resultam da acumula- cobezoares.
ção de pêlo no estômago ou no intes-
Sinais • Suplementação alimentar: um su-
tino, após ingestão. plemento de ácidos gordos para a
• Vómito;
Os gatos lambem a pelagem roti- pele e para o pêlo ajuda a melho-
• Tosse seca;
neiramente, removendo os pêlos rar a saúde cutânea.
• Obstipação;
mortos. Estes são ingeridos e nor- • Controlo dos ectoparasitas: a apli-
• Anorexia.
malmente percorrem o tubo diges- cação frequente e correcta dos anti-
tivo, sendo excretados pelas fezes. parasitários externos contribui para
Nalguns casos, a quantidade de pê- Profilaxia a saúde e bem-estar do animal.
los é de tal forma grande que forma
uma massa compacta que fica retida As perturbações relacionadas com os Porque se lambem os gatos?
no estômago ou no lúmen intesti- tricobezoares podem ser minimizadas Os gatos manifestam de forma inata
nal. Quando retidos no estômago, os com o recurso a produtos lubrificantes um comportamento de limpeza, com
tricobezoares provocam gastrites e e laxantes, que promovem a sua o objectivo de cuidar da pelagem e
quando retidos no intestino podem eliminação por via intestinal. eliminar os pêlos mortos, diminuir
provocar obstruções graves que re-
a temperatura corporal por acção da
querem intervenção cirúrgica. Cuidados adicionais: humidade e acalmar o stress. Este
• Escovagem frequente: semanal comportamento permite também o
Factores de risco no caso dos gatos de pêlo curto e reforço das relações sociais entre
• Stress: estimula a lambedura com- diária no caso dos gatos de pêlo gatos da mesma colónia, pois lam-
pulsiva; comprido. bem-se uns aos outros.

48
Farmácia
portuguesa 49
GENOMED

Doenças tromboembólicas

A importância
dos testes genéticos

O tromboembolismo venoso, ou seja, a obstrução de uma hereditárias da hemostase, bem como de doenças cau-
veia causada por um trombo ou embolo transportado na sadoras de trombofilia tais como síndrome antifosfoli-
corrente sanguínea representa a terceira doença cardio- pido (associado ou não a lupus) e doenças mieloprolife-
vascular mais frequente, depois do enfarte de miocárdio rativas. 
e do acidente vascular cerebral. Entre os principais fac-
tores de risco para a doença tromboembólica contam-
-se a idade avançada, a imobilização prolongada e o uso
Factores de risco
de estrogénios. Pode também existir um risco genético.
Neste artigo analisam-se as bases genéticas da  doença
genético para a doença
tromboembólica e discutem-se resultados de estudos tromboembólica
recentes sobre a utilidade clínica dos testes genéticos
na prevenção desta doença. Actualmente, conhecem-se duas mutações relativamen-
O termo trombofilia descreve uma tendência aumen- te frequentes que estão  significativamente associadas a
tada para trombose na circulação arterial ou venosa. risco aumentado de trombose venosa. Trata-se de mu-
Clinicamente, pensa-se em trombofilia quando um do- tações que afectam os genes de dois factores de coa-
ente apresenta episódios repetidos de trombose venosa gulação, o factor V e o factor II (protrombina). Outras
profunda, com ou sem embolia pulmunar associada, ou mutações podem afectar os genes que codificam para
um quadro de doença tromboembólica em idade jovem, antitrombina, proteína C e proteína S, causando defici-
ou ainda uma história familiar de tromboembolismo. O ências nestas proteínas, ou o gene que codifica a enzima
estudo destes indivíduos inclui o despiste de alterações metileno-tetrahidrofolato-redutase, provocando níveis

50
A obstrução de uma veia causada por um trombo
ou embolo transportado na corrente sanguínea
representa a terceira doença cardiovascular
mais frequente, depois do enfarte de miocárdio
e do acidente vascular cerebral.

mais elevados de homocisteína no plasma. No estudo ção caucasiana e é muito rara entre indivíduos de origem
laboratorial de trombofilia, os testes genéticos limitam- africana ou asiática. Na Europa a prevalência varia entre
-se, geralmente, à pesquisa das mutações nos genes cerca de 3% no sul e o 1-2% no norte. Numa população
dos factores V e II.   de indivíduos que tiveram um primeiro episódio de trom-
Aproximadamente um em cada vinte indivíduos bose venosa, a mutação é detectada em 5-11%
europeus possui uma mutação no gene do dos casos, e em indivíduos com história
factor de coagulação V, conhecida como pessoal ou familiar de trombose venosa
mutação de Leiden e descrita pela pri- ou trombofilia a mutação detecta-se
Factores de risco não-genético
meira vez em 1993 por investigado- em 8-24% dos casos. Estima-se que
para doença tromboembólica:
res suecos e holandeses. Trata-se a probabilidade de vir a ter um epi-
de uma mutação pontual que con- • imobilização prolongada sódio de trombose venosa é 2 a 6
siste na substituição de um re- • traumatismo ou cirurgia vezes maior numa pessoa com a
síduo de adenina por guanina ao recente mutação do gene da protrombina
nível do DNA e que se reflecte, ao • uso de contraceptivos orais do que numa pessoa sem esta
nível da proteína, na substituição • gravidez mutação.
de uma arginina por uma glutami- • obesidade O gene MTHFR, que codifica a
• veias varicosas
na na posição 506. Em consequên- enzima metileno-tetrahidrofolato-
• insuficiência cardíaca congestiva
cia, o factor V deixa de ser regula- • doença obstrutiva pulmunar crónica
redutase, pode sofrer mutações
do pelo anticoagulante natural APC que reduzem a actividade da enzima,
(“activated protein C”). Vários estudos o que provoca níveis mais elevados
clínicos demonstraram que os indivíduos de homocisteína no plasma. Por meca-
portadores da mutação de Leiden possuem nismos ainda desconhecidos, o aumento de
um risco mais elevado de tromboembolismo ve- homocisteína no plasma favorece a coagulação
noso, quer primário, quer associado à gravidez e ao uso sanguínea. O estudo mutacional do gene MTHFR justifi-
de contraceptivos orais. A mutação de Leiden transmite- ca-se, eventualmente, caso sejam detectadas alterações
-se de forma autossómica dominante, sendo o risco de no doseamento de homocisteína.
doença tromboembólica 7 vezes mais elevado nos indi- Podem os testes genéticos contribuir para prevenir a
víduos heterozigotos e 42 a 79 vezes mais elevado nos doença tromboembólica?
homozigotos. A descoberta da mutação de Leiden deu origem à ideia
O gene da protrombina (ou factor de coagulação II) tam- de que se poderiam usar testes genéticos para identi-
bém pode ser alterado por uma mutação pontual que ficar os indivíduos com maior risco para tromboembo-
substitui um nucleótido de guanina por adenina na po- lismo venoso e assim prevenir a doença. Por exemplo,
sição 20210 (mutação G20210A), na região 3’-não tradu- se uma mulher fosse portadora da mutação de Leiden
zida. Esta mutação provoca um aumento dos níveis de ela deveria ser desaconselhada de tomar contraceptivos
protrombina no plasma (cerca de 30% nos heterozigotos orais.
e 80% nos homozigotos), elevando o seu potencial de Após mais de dez anos de estudos, os resultados reve-
formar trombina. Tal como a mutação de Leiden, a muta- lam indiscutivelmente que os testes genéticos têm uma
ção do gene da protrombina é mais frequente na popula- utilidade clínica limitada na prevenção da doença trom-

Farmácia
portuguesa 51
GENOMED

O Instituto de Medicina Molecular é um Laboratório Associado locali-


zado no campus da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa,
com a missão de promover a investigação biomédica. A GenoMed é uma
spin-off do Instituto de Medicina Molecular na qual a ANF participa. A mis-
são da GenoMed consiste em promover a transferência de conhecimentos
da Biologia e da Genética Molecular para aplicações médicas no diagnóstico
e prognóstico de doenças e na monitorização da resposta ao tratamento.

boembólica. Esta conclusão deve-se a duas principais milhares de mulheres a que seria negado o acesso aos
razões: primeiro, o risco absoluto de trombose é muito contraceptivos orais.
baixo; segundo, a doença tromboembólica é influencia- Os testes genéticos de trombofilia foram também con-
da por múltiplos factores genéticos de penetrância in- siderados, nos anos 1990, como importantes para a
completa, o que introduz uma grande incerteza na in- prevenção de episódios de tromboembolismo venoso
terpretação de um teste genético positivo. De facto, a associados a longas viagens, nomeadamente voos com
probabilidade de um indivíduo ao acaso vir a sofrer um duração superior a 8 horas. No entanto, a evidência acu-
processo de tromboembolismo venoso ao longo da vida mulada aponta para que as medidas de prevenção com
é inferior à prevalência da mutação de Leiden. Se uma impacto demonstrado são sobretudo as de carácter ge-
pessoa sem sintomatologia específica mas a quem foi ral, como evitar a desidratação e o uso de roupas aper-
identificada a mutação iniciasse terapia anti-coagulante tadas, fazer ginástica e não permanecer sentado durante
preventiva, os riscos associados ao uso prolongado de toda a viagem. No caso de indivíduos com história
anti-coagulantes seria superior ao risco de vir a anterior de trombose venosa (independen-
sofrer de doença tromboembólica. Também temente do resultado do teste genético),
no caso das mulheres grávidas, o risco de devem ser consideradas medidas
complicações causadas pela terapêuti- Estudo laboratorial adicionais, como o uso de meias
ca anticoagulante é muito semelhante de trombofilia: compressivas e terapia anti-coa-
ao risco genético de tromboembo- gulante profilática.  
lismo. No caso de mulheres jovens • Antigénio antitrombina Em conclusão, os testes genéti-
a usar contraceptivos orais, o risco • Proteína C e proteína S cos de trombofilia representam
de tromboembolismo é significa- • Plasminogénio um importante instrumento
• Resistência a proteína C activada
tivamente mais alto no caso de a de diagnóstico que deve, no
• Homocisteína 
mulher ser portadora das muta- entanto, ser realizado median-
• Testes genéticos: pesquisa da
ções que conferem risco genético. mutação Leiden no gene do factor te critérios clínicos aplicados
Mesmo assim, o valor absoluto do V e mutação G20210A no gene da caso a caso. As recomendações
risco é muito baixo. Para exemplificar, protrombina (factor II). para realizar o teste incluem, em
a incidência conhecida de tromboem- geral, indivíduos com forte história
bolismo venoso em mulheres jovens é de pessoal ou familiar de tromboembo-
2 por 10 mil pessoas-ano e a incidência de lismo venoso. Ao contrário, não existe
embolias pulmonares fatais é de 6 por 100 mil indicação fundamentada para realizar o
pessoas-ano. Assumindo que todos os casos fatais teste a pessoas ao acaso da população em geral.
estavam associados à mutação de Leiden, seria neces- Mesmo os familiares de indivíduos portadores das muta-
sário fazer o teste genético a cerca de meio milhão de ções devem procurar aconselhamento médico especiali-
mulheres para identificar as 20 a 25 mil mulheres com zado para decidir se devem ou não realizar o teste.
risco genético. Ao desaconselhar todas estas mulheres
de usar contraceptivos orais, conseguiriamos evitar uma Elaborado por:
morte por ano. Neste cenário importa ter em conta, por Professora Doutora Maria do Carmo Fonseca
um lado o enorme custo de fazer os testes genéticos a Directora do Instituto de Medicina Molecular
tantas pessoas, e por outro, os riscos associados a for- e Presidente do Conselho Científico
mas alternativas de controlo de natalidade usados pelos da GenoMed-Diagnósticosde Medicina Molecular, SA

Bibliografia recomendada
Baglin et al. 2010. Clinical guidelines for testing for heritable thrombophilia. British Journal of Haematology, 149, 209-220.
Hindorff LA, et al. 2009. Motivation factors for physician ordering of Factor V Leiden genetic tests. Arch. Intern. Med. 169: 68-74.
Price DT and Ridker PM. 1997. Factor V Leiden mutation and the risks for thromboembolic disease: a clinical perspective. Ann.
Intern. Med. 127: 895-903.

52
Farmácia
portuguesa 53
NOTICIÁRIO

Prémio Nacional
Governo quer abrir
de Saúde para mais farmácias
ex-bastonário em hospitais públicos
Carlos Silveira
Pela primeira vez um farmacêutico foi
distinguido com o Prémio Nacional de
Saúde, atribuído anualmente desde 2006
pela Direcção-Geral de Saúde (DGS):
trata-se do Professor Carlos Silveira, que
presidiu aos destinos da Ordem entre
1989 e 1995. Uma distinção devida pelos
“contributos inequívocos prestados no
decurso do seu desempenho profissio-
nal”. Justificando o prémio, a DGS consi-
derou ainda que Carlos Silveira “constitui
um testemunho exemplar no seu contri-
buto para a obtenção de ganhos em saú-
de, assim como um exemplo de cidadania
e competência, caracterizado por uma
larga e profícua carreira docente e de in- As medidas do Ministério da Saúde despesa no SNS, o documento re-
vestigação, a que juntou um importante para 2011, no âmbito da proposta mete para as medidas adoptadas
contributo para a saúde pública, quer no
de Orçamento do Estado, prevêem em 2010 com impacto em 2011, no-
âmbito castrense, quer no da sociedade
o alargamento da criação de farmá- meadamente o fim das “majorações
civil”. Licenciado em 1945 pela Faculdade
cias a todos os hospitais do Serviço injustificadas aos medicamentos de
de Farmácia da Universidade do Porto,
onde em 1966 concluiu o doutoramento,
Nacional de Saúde com serviço de marca”, com uma poupança espera-
Carlos Silveira entrou para a Marinha aos urgência. da de cerca de 80 milhões de euros,
24 anos, aí tendo permanecido durante 43 Esta intenção, que consta do rela- e a redução em 6% do preço dos me-
anos como farmacêutico, numa carreira tório sobre as opções políticas sub- dicamentos, ajustes nas compartici-
que o levou ao cargo de subdirector do jacentes ao orçamento, insere-se pações e eliminação da gratuitidade
serviço de saúde naval. Esteve também no quadro das “medidas urgentes” do regime especial, com um impac-
ligado ao Ministério da Saúde, durante a adoptar face à necessidade de to financeiro superior a 250 milhões
13 anos, a que se juntam outros 24 como “grande rigor e exigência orçamen- no espaço de um ano e “uma das
professor e investigador na Faculdade tal”. E é justificada como promotora principais linhas indutoras da redu-
de Farmácia de Lisboa. O seu nome está do “aumento do acesso ao medica- ção da despesa do SNS em 2011”.
ainda associado à Comissão Técnica de mento”. Outra medida destacada é a cria-
Novos Medicamentos, à implementação Faz parte de um pacote que integra ção do Centro de Conferência de
de farmácias hospitalares, à criação da também a desmaterialização do cir- Facturas, que, segundo o governo,
Ordem dos Farmacêuticos, ao Centro de cuito administrativo do medicamen- permitiu pagar “apenas as facturas
Metabolismo e Genética da Universidade to, a continuação da promoção do efectivamente validadas” e permi-
de Lisboa e ao Laboratório de Análises recurso a medicamentos genéricos tiu criar uma série de instrumen-
Fármaco-Toxicológicas da Marinha. Para e a obrigatoriedade da prescrição tos que, pelo cruzamento de dados,
o actual bastonário dos Farmacêuticos, electrónica. contribuiu para a “detecção de pa-
Carlos Maurício Barbosa, o galardão
O relatório faz ainda referência à drões de prescrição e consumo,
distinguiu este ano um “distintíssimo far-
possibilidade de o doente parti- comportamentos atípicos e indícios
macêutico a quem a profissão e a Ordem
cipar na escolha do medicamen- de abuso”. Para 2011, está prevista
muito devem”: “Ao honrar o Professor
Carlos Silveira, o prémio é motivo do
to, para o que “serão trabalhados a criação da unidade de detecção e
maior orgulho para todos os farmacêu- com a Ordem dos Médicos, as fraude deste mesmo centro.
ticos portugueses”. A escolha pertenceu Sociedades Científicas e a Ordem Entre as medidas determinantes
a um júri presidido pelo Professor Walter dos Farmacêuticos protocolos te- para a redução da despesa, o rela-
Oswald e integrado pelos bastonários rapêuticos que permitam oferecer tório do Orçamento do Estado inclui
das Ordens dos Farmacêuticos, Médicos alternativas de escolha de medica- ainda a revisão e alargamento da lis-
e Enfermeiros. A entrega, pela minis- mentos com o mesmo efeito tera- ta de MNSRM à venda nas parafar-
tra Ana Jorge, ocorreu no âmbito do Dia pêutico, em diálogo médico/doente, mácias e a simplificação da entrada
Nacional da Saúde. e no momento da prescrição”. em mercado de genéricos – “ques-
Já no que respeita à redução da tão do patent linkage”.

54
Vacina contra
HPV com novas
indicações
A vacina quadrivalente contra infec-
ções por HPV passa a ter indicação
de utilização a partir dos nove anos,
Luso premeia sem limite de idade ou restrição ao
género. Até agora, estava indicada

empreendedorismo apenas para mulheres dos nove


aos 26 anos. As novas indicações

da Farmácia Nova
de utilização surgem na sequên-
cia de um ensaio clínico – FUTURE
III – efectuado durante quatro anos
em mulheres entre os 24 e os 45
anos que não estavam infectadas
A Farmácia Nova, do Luso, foi distingui- Além disso, no âmbito de um projec- pelos quatro tipos de vírus abrangi-
da com o Prémio Empreendedorismo to de proximidade física aos utentes, dos pela vacina. Este alargamento
2010, uma iniciativa da Fundação Luso tendo em vista a promoção da saúde reveste-se da maior importância
destinada a reconhecer projectos ino- e bem-estar, a farmácia investiu na tendo em conta que o cancro do colo
vadores que contribuam para o desen- entrega domiciliária de medicamen- do útero é mais frequente na faixa
volvimento económico da região. tos e outros produtos. Ao domicílio ou etária dos 30 anos, estimando-se
No valor de dez mil euros, o prémio va- em espaços cedidos pela autarquia, a que entre 8 a 10% das mulheres
lorizou o investimento na qualificação farmácia promove ainda o rastreio de hoje com 50 anos apresentem uma
da farmácia, quer ao nível das instala- parâmetros como o colesterol e a gli- infecção provocada por algum dos
ções, quer ao nível dos serviços presta- cemia nas aldeias vizinhas do Luso. tipos de HPV. Actualmente, a vacina
dos à comunidade. Foi este espírito empreendedor que contra infecções por HPV é admi-
Em 2009, a Farmácia Nova foi alvo de lhe valeu a vitória na segunda edi- nistrada, por rotina e no âmbito do
ção do prémio, decidida por um júri Plano Nacional de Vacinação (PNV),
obras de requalificação do seu espaço
às raparigas que em cada ano civil
físico, tendo ficado dotada de melhores composto por Nuno Pinto Magalhães,
completem 13 anos, sendo que até
condições de atendimento e acompa- administrador da Fundação Luso,
2011 decorre uma repescagem das
nhamento dos utentes. No que se refe- Carlos Cabral, presidente da Câmara
raparigas até aos 17 anos. As que
re aos serviços, apostou no alargamen- Municipal da Mealhada, Homero Serra,
não se vacinem no ano recomen-
to e polivalência passando a disponibi- presidente da Junta de Freguesia do dado podem iniciar o esquema até
lizar, entre outros, colheitas para aná- Luso, e Carlos Pinheiro, presidente aos 18 anos, inclusive. As mulhe-
lises clínicas, consultas de nutrição, da Associação Comercial e Industrial res entre os 19 e os 45 anos podem
rastreios de podologia e osteoporose e da Mealhada. A cerimónia de entrega ainda vacinar-se, nomeadamente
tratamentos de dermocosmética. aconteceu a 24 de Setembro último. nas farmácias desde que se façam
acompanhar da respectiva prescri-
ção médica. Esta é, aliás, uma das
vertentes da intervenção farmacêu-
tica na prevenção de infecções por
HPV e na luta contra o cancro do
Farmácias Portuguesas colo do útero. Um primeiro nível de
intervenção passa pela informação:

e Essenciais do Mitosyl as utentes devem ser esclarecidas


sobre a existência da vacina e sua
importância, sobre as faixas etárias
abrangidas pelo PNV e sobre a pos-
Teve início no dia 24 de Novembro, tituição Ajuda de Berço. Por cada sibilidade de vacinação depois dos
em exclusivo nas Farmácias Portu- unidade destes produtos adquirida 18 anos. Um segundo nível envolve
guesas, uma acção conjunta de res- pelos clientes detentores do Cartão a dispensa e administração da vaci-
ponsabilidade social com o laborató- Farmácias Portuguesas, revertem na, sempre aconselhada de aconse-
rio Sanofi-Aventis. 20 cêntimos para esta causa. No fi- lhamento, nomeadamente sobre a
A campanha “Essenciais do Mitosyl nal da acção, irá efectuar-se uma necessidade de manter as citologias
Solidário” vigora até ao final de cerimónia para entrega do cheque de rotina como forma de prevenção
do cancro do colo do útero.
Março de 2011, tendo por objecti- à Ajuda de Berço, com o valor total
vo angariar fundos a favor da ins- acumulado.

Farmácia
portuguesa 55
NOTICIÁRIO

Sócios aderem à 2.ª fase


Os sócios e associados da ANF ade- qual 45 milhões foram obtidos pela ções preferenciais. A diferença está
riram em pleno à segunda fase do conversão de prestações acessórias no direito a voto: as acções ordiná-
Projecto + Futuro, correspondente de capital, outros 43,5 milhões por rias têm e as preferenciais não, mas
à distribuição gratuita de até dois entrada em espécie de unidades de beneficiam de um dividendo mínimo
milhões de acções da Farminveste. participação detidas no Imofarma (o garantido de 5% ao ano, acrescido
Trata-se de acções da categoria B, Fundo de Investimentos Imobiliários do dividendo distribuído às demais
escriturais e nominativas, com o va- criado pela ANF para gerir o patri- acções.
lor nominal de cinco euros cada, alvo mónio imóvel), sendo que o milhão Associado à subscrição do aumento
de oferta pública de distribuição. e meio de euros remanescente inte- de capital há um outro prémio. Por
De acordo com os resultados publi- grou o capital social em numerário. cada acção ordinária subscrita o só-
cados a 25 de Outubro pela Comissão Só assim foi possível aproximar o va- cio recebe outra, também ordinária,
do Mercado de Valores Mobiliários lor das acções do seu valor nominal o que, na prática, reduz para metade
(CMVM), foram registadas 2.565 or- – cinco euros. o investimento.
dens, para um total de 1.948.990 Depois da distribuição gratuita de Por duas acções preferenciais subs-
acções, no valor nominal global de acções – mediante a ponderação, critas, recebe uma, mas ordinária
9.744.950 euros. em peso igual, da antiguidade e – a diferença justifica-se porque as
Estas acções, que correspondem contribuições dos sócios e associa- acções preferenciais já têm valor
a cerca de 10% do capital social da dos – segue-se um novo aumento próprio.
Farminveste, não poderão ser nego- de capital, para 140 milhões de eu- Esta fase deverá estender-se até ao
ciadas em mercado regulamentado. ros até um máximo de 180 milhões. primeiro trimestre de 2011.
O Projecto + Futuro, concebido para Assumirá a forma de uma oferta A adesão dos sócios e associados à
assegurar o crescimento susten- particular, dirigida exclusivamente oferta pública de distribuição é de-
tado das farmácias, arrancou com aos accionistas da Farminveste que monstrativa de um elevado interesse
o aumento de capital da sociedade receberam acções na fase anterior. no futuro sustentado das farmácias
gestora, a Farminveste, de 10 para Com o valor nominal a manter-se, e a prova de que quando há visão e
100 milhões de euros. Tratou-se de metade da oferta far-se-á em acções dedicação nenhum objectivo é ambi-
uma operação interna, ao abrigo da ordinárias e a outra metade em ac- cioso demais.

Quebra na dispensa de vacinas


As primeiras quatro semanas da síndrome gripal. E aqui verificou-se um
campanha de vacinação contra a movimento contrário, com um cresci-
gripe sazonal nas farmácias – de 1 mento nas vendas (em volume) face ao
a 28 de Outubro - registaram um vo- período homólogo de 2009, quer no que
lume de vendas na ordem dos 1,15 respeita aos sujeitos a receita médica,
milhões de embalagens, o que con- quer nos de indicação farmacêutica.
figura uma quebra de 7,5% face ao A mesma tendência de crescimento
mesmo período do ano passado. foi observada nos restantes grupos de
Também a dispensa de vacinas pneu- interesse, que integram os antibióticos
mocócicas conheceu uma quebra, de mais frequentemente usados para o
65,4%, com um volume de 18.232 no tratamento de infecções respiratórias,
intervalo em análise. os broncodilatadores, os desconges-
Os dados pertencem ao CEFAR – tionantes nasais, os expectorantes e
Centro de Estudos e Avaliação em os medicamentos para a garganta. A
Saúde, que monitorizou igualmente excepção à regra foram os medica-
a dispensa de medicamentos usados mentos estimulantes do sistema imu-
habitualmente para o tratamento da nitário.

56
reuniões e simpósios

Nacionais
AGENDA 2011
10.º Congresso Nacional das Farmácias
“Política Social do Medicamento”

25 e 26 de Março de 2011
Centro de Congressos de Lisboa
Contactos: 213 400 651 / 10congresso@anf.pt

34º Congresso Anual EPSA (European


Pharmaceutical Student´s Association)
“Pharmacovigilance – Keeping our eyes open
and our medicines safe”
11 a 17 de Abril de 2011 – Lisboa
Contactos: geral@epsa-congress2011.com

Internacionais

71st International Congress of FIP


“Compromising, Safety and Quality,
a Risky Path”

02-08 de Setembro de 2011


Hyderabad - Índia
Mais informações: www.fip.org/congresses

40st Symposium on Clinical Pharmacy


“Clinical Pharmacy – Connecting Care
and Outcomes”
19-21 de Outubro de 2011
Dublin-Irlanda
Mais informações: www.escpweb.org

Farmácia
portuguesa 57
formação

Curso Data Local


Zona Norte
FARMACOTERAPIA
Antibioterapia 8 Fevereiro Porto
Factores de Risco Cardiovascular 14 Fevereiro Porto
Depressão 28 Fevereiro Porto
INTERVENÇÃO FARMACÊUTICA
Acompanhamento de Doentes com Sifarma 2000 25 Janeiro Porto
GESTÃO
Gestão do Tempo 2 Fevereiro Porto
MEDICAMENTOS MANIPULADOS
Medicamentos Manipulados: Organização segundo as Boas Práticas /Aspectos
19 Janeiro Porto
Regulamentares / Cálculo na Manipulação
INFORMÁTICA
Internet e Outlook 16 e 17 Fevereiro Porto
AJUDANTES
Automedicação e MNSRM 10 Fevereiro Braga
Zona Centro
INTERVENÇÃO FARMACÊUTICA
Acompanhamento de Doentes com Sifarma 2000 18 Fevereiro Coimbra
Feridas * 23 e 24 Fevereiro Viseu
GESTÃO
Técnicas de Venda 18 Janeiro Coimbra
AJUDANTES
Atendimento e Venda na Farmácia 14 e 15 Fevereiro Coimbra
Zona Sul e Ilhas
FARMACOTERAPIA
Antibioterapia 10 Fevereiro Lisboa
Dislipidemias 11 Fevereiro Lisboa
Menopausa 24 Fevereiro Lisboa
INTERVENÇÃO FARMACÊUTICA
Acompanhamento de Doentes com Sifarma 2000 21 Janeiro Lisboa
Acompanhamento de Doentes com Sifarma 2000 24 Fevereiro Lisboa
Feridas * 15 e 16 Fevereiro Setúbal
GESTÃO
Criar Equipas Positiva 17 Janeiro Lisboa
Tesouraria e Controlo de Gestão 26 e 27 Janeiro Lisboa
Gestão do Tempo 8 Fevereiro Lisboa
A Contabilidade e a Gestão da Farmácia 21, 22, 23 Fevereiro Lisboa

* - Recomenda-se a frequência no Curso Europeu de Primeiros Socorros. Ver calendário destas acções.

Rua Marechal Saldanha, 1


1249-069 Lisboa
Telf: 21 340 06 00 (geral)
Telf: 21 340 06 45/610/756/712
Fax: 21 340 07 59 • E-mail: escola@anf.pt

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ficheiro mestre
Instalação de Farmácia Farmácia da Misericórdia Farmácia Alcacerense
Travessa da Igreja, 1 Rua Marquez de Pombal, 35
Farmácia Azevedo Pereira 7940-176, CUBA 7580-166, ALCÁCER DO SAL
Largo do Carvalhedo Santa Casa da Misericórdia Maria do Carmo Bacalhau Duarte Romano Baptista
3525-406, CARVALHAL REDONDO Santa Casa da Misericórdia Maria do Carmo Bacalhau Duarte Romano Baptista
Olga Marília da Costa Azevedo Pereira, Unipessoal Lda.
Olga Marília da Costa Azevedo Pereira Farmácia dos Dragoeiros Farmácia Aliança
Rua dos Dragoeiros, Edif. Vale do Til, 51 Fracção A, R/C Av. Padre Alves Rego, Fracção Al, R/C, 657
Farmácia Canaviais 9350-215, RIBEIRA BRAVA 4470-330, MAIA
Rua da Paz, 1, R/C Maria da Luz Dantas - Farmácia Unipessoal, Lda. Dinis & Mesquita Saúde, Lda.
7005-367, ÉVORA Maria da Luz da Silva Dantas Coelho Sampaio Maria Manuela Machado Almeida de Sousa Mesquita
Sociedade Farmacêutica Castro & Silva, Unipessoal Lda. José Pedro Mendes Duran Guimarães Dinis
Joaquim António São Marcos Condeço da Silva Farmácia Espírito Santo Lda.
Lugar da Lama Boa - Fracção A/B, R/C Farmácia Areosa
Farmácia Coelho Pereira 5070-017, ALIJÓ Rua Vasco da Gama, nº 18
Rua Cruz Ventura Farmácia Espírito Santo Unipessoal Lda. 2070-435, PONTÉVEL
3140-032, ARAZEDE Maria de Deus Espírito Santo Farmácia Areosa, S.A.
Lídia Coelho Teixeira Caetano Fuzeiro Miranda
Lídia Coelho Teixeira Farmácia Ferreira Maria Fernanda Carmo Simão
Rua da Bélgica, 2300 Vera Maria Simão Miranda
Farmácia da Ria 4400-046, VILA NOVA DE GAIA Ana Maria da Silva Ribeiro Alves de Oliveira
Av. Almirante Gago Coutinho - Edif. da Junta de Freguesia Fonseca e Guerreiro Lda. Dora Maria Simão Miranda
3800-901, SÃO JACINTO Farisamed, Lda. Fuzeiro Miranda - Sociedade Farmacêutica, Lda.
Maria Eugénia Marques de Pinho - Sociedade Unipessoal,
Lda. Farmácia Fontoura Farmácia Barral
Maria Eugénia Marques de Pinho Praça Dr. Fernando Amaral, Edif. Ribeirinho, 8, R/C Rua Augusta, 225
5100-201, LAMEGO 1100-051, LISBOA
Farmácia das Pontes Farmácia Fontoura Unipessoal Lda. Jaime Alves Barata, S.A.
Rua Montinho da Cotovia, 117 Maria Isabel M. S. Rodrigues Conceição Farmácia Virtual, S.A.
2910-137, SETÚBAL
Graciete Oliveira Rodrigues Guerreiro da Silva Farmácia Lusa Farmácia Bom Despacho
Graciete Piedade Oliveira Rodrigues Guerreiro da Silva Rua Padre Diamantino Gomes, 239 Rua Padre António, 39
4250-00, PORTO 4470-136, MAIA
Farmácia de Alvorninha Farmácia Luso Francesa Lda. Farmácia Bom Despacho, Lda.
Rua Central, 10 Bertelina Maria Neves Igreja Ivo Miguel Oliveira Carvalho
2500-334, ALVORNINHA Maria Odete Ferreira da Silva Maria Elisabete Oliveira dos Anjos Carvalho
Maria José Pereira Belo Silva Perdigão
Maria José Pereira Belo Silva Perdigão Farmácia Minerva Farmácia Campos
Av. Capitão Elísio de Azevedo, S/N Rua das Laceiras
Farmácia dos Fortios 4860-041, ARCO DE BAÚLHE 3865-247, SALREU
Rua da Boavista, 36 Orlando Camilo de Moura Barata Lusoconnect, Lda.
7300-660, FORTIOS Orlando Camilo de Moura Barata António Pedro Brandão de Almeida Ferreira da Silva
Rui Rolo Sociedade Unipessoal, Lda. Carlos Fernando da Silva Neves Barros
Rui Miguel Ferreira Bandarra Cerveira Rolo Farmácia Nobre Rito Maria da Glória Vieira da Rocha Poças
Rua Francisco José Lopes, 15
Farmácia Martins e Sousa 2580-393, ALENQUER Farmácia Canelas Pais
Vila - Mansores Nobre Rito, Unipessoal, Lda. Rua Dr. Manuel Arriaga, 9
4540-423, MANSORES Elsa Maria Nobre Rito 7490-094, CABEÇÃO
Farmácia Central de Cabeçais - Unipessoal Lda. Rosa Carreiro & Marta Rodrigues - Sociedade
Farmácia Ondalux
Maria Flávia Moreira Azevedo Martins e Sousa Farmacêutica, Lda.
Avenida da Europa, Lote 37, R/C - B, Loja 2
2200-291, ABRANTES Marta Sofia Ramalho Rodrigues
Farmácia Matias Pereira Rosa Maria Pereira Carreiro
Farmácia Ondalux, Unipessoal, Lda.
Avenida Principal, 82 R/C
Carla Maria Rodrigues Lopes de Pina Ribeiro
3600-430, MÕES Farmácia Cardoso
Maria Palmira da Costa Farmácia Roldão Largo de Santo António, 64/58
Maria Palmira da Costa Avenida Vítor Gallo, Lote 15 4420-307, GONDOMAR
2430-171, MARINHA GRANDE Farmácia Cardoso Gondomar, S.A.
Farmácia Sapataria Sérgio Lopes Rodrigues António Neves da Rocha
Rua da Liberdade, 14 Sérgio Lopes Rodrigues Dulce de Araújo Lourenço da Rocha
2590-430, SOBRAL DE MONTE AGRAÇO Pedro Miguel da Silva Barbosa Cardoso
Farmacosta - Sociedade Farmacêutica Unipessoal, Lda. Farmácia S. Vicente António Paulo Lourenço da Rocha
Luísa Maria Dinis Henriques Rua da Bandeira, 814 Isabel Lourenço da Rocha Miranda
4900-562, VIANA DO CASTELO
Transferência de Local Farmácia Meira & Manso Lda. Farmácia Castela
Margarida Correia M. M. S. Carvalho Rua Principal, 9
Farmácia Almargem Ricardo Jorge da Silva Manso 2410-503, LEIRIA
Rua Dr. Coutinho Pais, 167 B Farmácia Castela, Lda.
2725-694, MEM MARTINS Farmácia Serrano André Diogo Gonçalves da Costa Castela
Farmácia Almargem, Unipessoal Lda. Loteamento da Flor da Rosa, Lote 2 Armando Manuel Freitas da Costa Castela
Maria Margarida P. de Almeida Ferreira 3200-085, LOUSÃ Vasco Filipe Gonçalves da Costa Castela
Mário Freitas-Comércio Farmacêutico Lda.
Farmácia Apolinário Maria Dulce Pinto Leal Farmácia Costa
Rua Cidade de Santarém, Lote 32 Marina dos Santos Pinto Leal Largo Miguel Carvalho, 9
2025-034, ALCANEDE 5425-322, VIDAGO
Maria Isabel Florêncio Apolinário Transferência provisória de Local Farmácia Salus de Vidago, Lda.
Maria Isabel Florêncio Apolinário José Alfredo de Miranda Pelayo
Farmácia Pedroso
Ana Beatriz Oliveira Esteves Pelayo
Farmácia Aveleda Rua Ginásio Clube, 3/5
Avenida São Gonçalo, 507/519 6200-109, COVILHÃ
Farmácia Cunha Gil
4620-017, AVELEDA LSD João Figueiredo Fonseca, Sociedade Unipessoal Lda.
Rua 25 de Abril, 99
Sara Brígida Pereira da Silva Unipessoal, Lda. João Augusto Faria Figueiredo Fonseca
6090-524, PENAMACOR
Sara Brígida Pereira da Silva
Farmácia Cunha Gil, Unipessoal Lda.
Farmácia Santa Luzia
Mário Júlio Leal da Cunha Gil
Farmácia Central Rua Augusto Rosa, 22
Rua Mariano de Carvalho, 83 1100-059, LISBOA
Farmácia da Estação
2040-243, RIO MAIOR Maria do Rosário de Fátima Valente Ribeiro
Praça Luis Ribeiro, 119
José Luís A. Rodrigues Felicidade Maria do Rosário de Fátima Valente Ribeiro
3700-172, SÃO JOÃO DA MADEIRA
José Luís A. Rodrigues Felicidade Alteração à Propriedade Exemplo Directo, Lda.
Maria da Glória Vieira da Rocha Poças
Farmácia Central Park Farmácia A Minha Farmácia Cristina Maria Rodrigues da Costa
Av. 25 de Abril 1974 - CC Central Park, 4, Loja 1.31 Avenida Combatentes da Grande Guerra, 210 Geshealth - Consultoria e Gestão, Lda.
2795-241 4750-279, BARCELOS
LINDA A VELHA A Minha Farmácia Lda.
Maria Amélia de Melo - Soc. Unipessoal, Lda. Maria Júlia Matos de Almeida de Faria de Faria Leite
Maria Amélia Ramalho de Melo Daniela Matos A. Faria Leite

Farmácia
portuguesa 59
ficheiro mestre
Farmácia da Outurela S. Nunes Simões Farmácia Líbia Farmácia Vieira Lopes
Est. Portela, Urb. Varandas de Monsanto, Piso 0, Loja 5, Lote 4 Avenida da Igreja, 4-B-C Rua Principal
2790-502, CARNAXIDE 1700-236, LISBOA 2435-530, RIO DE COUROS
Maisouturela, lda Libifarma, Lda. Vítor Sarmento, Unipessoal Lda.
Ana Teresa Nunes Correia Sousa Castro Maria Gabriela Coutinho Simões Ferreira Lopes Vítor Manuel Dias Sarmento
João Pedro Pissarra Mendonça Geslibia - Participações sociais, Lda.
Maria das Dores Silva N. C. S. Castro Alteração ao pacto social
Farmácia Luzitana
Farmácia da Urqueira Avenida Fernando Augusto Oliveira, Nº 8 Farmácia Afifense
Rua Principal, 90 3800-540, CACIA Estrada Pedro Homem de Melo, 675
2435-715, URQUEIRA Farmácia Lusitana, Lda. 4900-012, AFIFE
Ruralfarma, S.A. Alexandre José Machado Alves Amado de Azevedo Farmácia Afifense, Lda.
Maria Etelvina Raposo Gaudêncio José Adalberto Amado de Azevedo Joaquim Ferreira de Araújo
Nuno Miguel Boavida Lidónio Castelo José Pedro Machado Alves Amado de Azevedo José Manuel Fraga Santos Guedes
Ana Cristina Correia Garcia Gonçalves João José Machado Alves Amado de Azevedo Maria da Conceição da Silva Fraga Guedes
Fernanda Isabel Russo Salsa Castelo Eneida Maria da Silva Machado Alves Amado de Azevedo Dominio Especial, Unipessoal Lda.
Fernanda Isabel R. Salsa Castelo Unipessoal, Lda.

Farmácia de Fervença Farmácia Moderna Farmácia Confiança
Edifício da Mota, Fracção I/J Rua Comendador Oliveira Batista, 12 Rua Formosa, 10
4890-314, FERVENÇA 3600-209, CASTRO DAIRE 3500-134, VISEU
Maria Helena Ferraz - Farmácia de Fervença, Lda. Farmácia Moderna de Castro Daire Lda. Farmácia Confiança de Viseu Lda.
Andreia Maria Ferraz da Silva Carvalho Leonel Figueiredo Ramos Lucília Manuela de Oliveira Ribeiro Simões
Tiago José Ferraz da Silva Carvalho Ana Duarte Cardoso Pedro Manuel de Oliveira Ribeiro Simões
Maria Helena Ferraz da Silva de Carvalho
Farmácia Moura Farmácia Estados Unidos
Farmácia de Pedome Praça do Comércio, 20 Avenida Estados Unidos da América, 16-B
Av. de São Pedro, 1139 3460-533, TONDELA 1700-175, LISBOA
4765-159, PEDOME Jorge Moura, Limitada Farmácia Estados Unidos, Unipessoal Lda.
Farmácia Nova de Pedome, Lda. Maria Cidália Ferreira Dionísio D Almeida Moura Margem Distinta, Lda.
Ana Margarida Malvar Loureiro Jorge Manuel Henriques Rodrigues de Moura
Maria Helena Sarmento do Carvalhal Costa Lacerda Farmácia Ferreira de Vales

Farmácia de Silva Escura Farmácia Nossa Senhora do Porto Avenida Bombeiros Voluntários de Rebordosa, 698
Rua Central de Frejufe, 92 Porto de Ave 4585-359, REBORDOSA
4475-819, MAIA 4830-755, TAÍDE Farmácia Ferreira de Vales, S.A.
Fartô, Unipessoal Lda. Célebre Vitória – Lda. Joaquim Manuel de Sousa Moreira Soares
Isabel Maria Vidigal Pinto da Silva Torres Abílio de Oliveira da Silva Maria Isabel Ferreira de Sousa Mota
João Oliveira da Silva Maria José da Silva Barbosa Soares
Farmácia do Aviz Maria da Conceição Ferreira de Sousa
Rua José Gomes Ferreira, 257 Farmácia Pacheco Pereira Emídio de Sousa
4150-442, PORTO Rua José Ribeiro de Carvalho Maria Gabriela Araújo Moreira
Avizmed - Unipessoal Lda. 3250-359, PUSSOS
Maria Manuel Cardoso de Albuquerque Gouveia Pacheco Pereira - Farmácia, Lda. Farmácia Nova de Monsanto Lda.

Ana Catarina Pacheco Henriques Pereira Rua de Monsanto, 148
Farmácia do Combro
Maria Clara Correia Pacheco 4250-287, PORTO
Calçada do Combro, 78-80-82
Paula Manuela Pacheco Henriques Pereira dos Santos Farmácia Nova de Monsanto, Lda.
1200-115, LISBOA
Maria Clara Gomes de Oliveira
A3I - Serviços Integrados de Saúde, Lda.
Farmácia Planície Rui Pedro Neves Ferreira
Alcina Maria Cleto Duarte da Costa Ribeiro
Rua José Isidro Tanganho, 26 Teoriaglobal, Lda.
Maria João Cleto Duarte Louro
7005-687, N. SENHORA DE MACHEDE
Paulo Jorge Cleto Duarte
PM - Sociedade Farmacêutica, Unipessoal Lda. Farmácia Oliveira
Soraia Emerciana Pereira e Costa
Pedro Miguel Feijó Amaro Rua do Comércio, 72
Suzete Maria Pereira Costa Duarte
2100-330, COUÇO
Farmácia dos Clérigos Farmácia Santa Marinha DN - Espaço Saúde, S.A.
Rua dos Clérigos, 36 Avenida Rodrigues Faria Nº2, Alice Henriques Teles
4050-204, PORTO 4740-438, FORJÃES Dimas Joaquim Nunes
Farmácia dos Clérigos S.A. Joaquim Cândido da Costa Rocha - Cessionário Francisco José Galveias Penas
Mário Jorge Sousa Mesquita Joaquim Cândido da Costa Rocha Isabel Cristina Teles Nunes
Rui Manuel Ferreira Santos Damião Maria Isabel Figueira da Silva
Ana Augusta Sampaio da Silva Santos Damião Farmácia Santa Marta do Pinhal
Helena Maria dos Santos Gomes Rua Mário Sampaio Ribeiro, Nº 7 Farmácia Pedra Mourinha
Joana Maria Sousa Mesquita 2855-598, CORROIOS Alto do Alfarroba, Lote 2, Loja 2
Belalv. Lda. 8500-624, PORTIMÃO
Farmácia Gaia Nova Carlos Manuel Louro Alves Furtado Guerra Lda.
Rua Professora Rita Lopes Ribeiro, 58/64 Crudélia Maria Santos Belo Alves Oceanifarma, Lda.
4400-694, VILA NOVA DE GAIA
Isabel Maria Gandra - Sociedade Unipessoal, Lda. Farmácia Santos Salvador Farmácia Popular
Isabel Maria Ferreira Moreira Gandra Rua Alcaide Faria, 77 Largo Central da Igreja, nº 7

Farmácia Gramacho 4100-034, PORTO 2640-232, ENCARNAÇÃO
Avenida Dr. Fernando Aroso, 423 Farmácia Santos Salvador, Lda. Farmácia Popular da Encarnação, S.A.
4450-665, MATOSINHOS Nuno Hernani Fernandes Salvador Guerra Rodrigues Elisa Pinheiro de Oliveira Miguel
Maria Manuela Bastista Sousa e Silva Unipessoal, Lda Ricardo Nuno Botelho dos Santos José Daniel Abrantes Miguel
Maria Manuela Batista de Sousa Silva Leonel Brites de Figueiredo
Farmácia Saraiva Maria de Lurdes Figueiredo Brites Miguel
Farmácia Higiénica Rua da República, 86-A Pedro Daniel Oliveira Miguel
Rua António da Conceição Bento, 21-B 2670-470, LOURES
2520-285, PENICHE Sociedade Groen Duarte & Duarte - Cessionária Farmácia Progresso
Pharmaspot, Produtos e Serviços Farmacêuticos, Lda. António Gerardo Groen Duarte Rua Madre Maria do Lado, 14
Carolina Lourenço da Costa Tânia Alexandra de Freita Duarte 3105-165, LOURIÇAL
José Henrique Eduardo da Costa Farmácia Progresso, S.A.
Maria Luísa da Costa Santos Morato Farmácia Simão Arlindo Augusto dos Santos Pereira Pinto
José Eduardo da Costa Rua Cidade de Cabinda, 16-A Maria João Fernandes Eusébio dos Santos

Farmácia Jardim 1800-080, LISBOA Sónia Cristina Costa Oliveira
Rua Dr. Arsénio J. Teixeira Jardim, 24 Farmácia Simão de João Gabriel Simão Ramos - Vítor Manuel Nabais Costa
7450-126, MONFORTE Sociedade Unipessoal, Lda. Nespereirafar, Farmácia Lda.
Farmácia Jardim, Lda. João Gabriel Simão Ramos
José Manuel Almeida de Elvas Farmácia São João
Carla Sofia das Dores Catalão Farmácia Ultramarina Rua Marquês D´Ávila e Bolama, 342
Rua de São Paulo, 99-100 6200-053, COVILHÃ
Farmácia Jardim da Amoreira 1200-427, LISBOA Farmácia São João, S.A.
Av. Amália Rodrigues, Lote 63 Mail Pharma - Negócios de Farmácia, Lda. Fernando Figueiredo Saraiva
2620-520, RAMADA Manuel Ferreira Figueiredo Maria Teresa Martins Sardinha Saraiva
Siperba - Sociedade de Farmácia, S.A. Farmácia Martim Moniz - Soc.Unipessoal Lda. Nuno Tiago Sardinha Figueiredo Saraiva
André Simões Cardoso Farmácia Mundial Laboratórios Abc -Sociedade Patrícia Alexandra Marques da Cunha Albuquerque Lopes
António Joaquim Palhavã Amaral Unipessoal Lda. Saraiva
João José Martin Moreno da Paixão Moreira Farmácia Viriato Lda.
Eulália Baeta Pereira
Isaura Lucinda Baeta Pereira Simões Cardoso

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cartoon

Farmácia
portuguesa 61
DESTA VARANDA

A indústria sonha
e a obra nasce
O Infarmed divulgou recentemente um projecto rápido a esse mercado, através do processo Em Junho de 2010, havia 500 farmácias com
de deliberação que pretende impor ao sector centralizado de autorizações de medicamen- acordos de regularização de dívidas ao sector
da Distribuição Farmacêutica stocks mínimos tos (AIM), concedidas pela Agência Europeia do grossista, com um crescimento de 178%, re-
de medicamentos, de acordo com critérios por Medicamento (EMA). Mas, por outro lado, com- lativamente a Dezembro de 2009. Em Junho
ele próprio definidos. O fundamento alegado bate o mercado único para manter políticas de de 2010, havia 1163 farmácias com atraso nos
para tal deliberação é o de assegurar o regular preços diferenciadas de país para país. Portugal pagamentos ao sector grossista, com um cres-
abastecimento de medicamentos no mercado é actualmente um país exportador de medica- cimento de 39%, relativamente a Dezembro de
nacional. A APIFARMA depressa se manifestou mentos porque os preços são mais baixos entre 2009. Cerca de 40% das farmácias apresentam
entusiasmada com a medida, à qual teceu ras- nós do que em vários países europeus. O sec- grandes dificuldades com a actual estrutura de
gados elogios, sempre em nome da necessida- tor da Distribuição, particularmente o sector da custos e com as margens praticadas no sector.
de de satisfazer as necessidades do mercado Distribuição Grossista é, em Portugal, o princi- O projecto de deliberação do Infarmed vai pois
nacional. Ora, o que Infarmed se propõe fazer pal exportador de medicamentos. Para tentar ao arrepio da necessidade de proteger o em-
é altamente lesivo da economia nacional e do impedir estas exportações, a indústria farma- prego, da necessidade de proteger a economia
interesse e necessidade das empresas portu- cêutica multinacional pratica uma política de nacional através da exportação de bens tran-
guesas aumentarem as exportações. Vejamos racionamento no abastecimento à Distribuição saccionáveis e da necessidade de não castigar
porquê. Os preços dos medicamentos são o Grossista e às Farmácias. Não abastece o sec- mais o sector da distribuição de medicamentos
principal quebra-cabeças da indústria farma- tor de Distribuição de todos os fornecimentos em Portugal.
cêutica multinacional na Europa. Os preços va- que lhe são por este solicitados, mas apenas Se a indústria farmacêutica abastecer o sector
riam de país para país, por razões que ninguém aqueles que a Indústria entende como neces- grossista e as farmácias de todos os pedidos
entende e que a indústria farmacêutica não sários ao mercado nacional. Esta política de que por estes lhe são formulados, e é essa a
consegue explicar. O mesmo medicamento, racionamento é violadora dos interesses nacio- sua obrigação, nunca haverá quebras de abas-
produzido na mesma fábrica, com os mesmos nais e tem de ser eficazmente combatida pelo tecimento do mercado. O que Infarmed deve
custos de produção tem nos diversos países Infarmed. Portugal tem o direito e a necessi- acautelar é o cumprimento desta obrigação
europeus preços substancialmente diferentes. dade de exportar medicamentos. O Infarmed, pela indústria farmacêutica, em vez de se pre-
Esta realidade tem como consequência natural porém, surpreendeu-nos com um projecto de ocupar em limitar o crescimento da actividade
a exportação e a importação de medicamentos deliberação que, em vez de impor à indústria económica de empresas privadas, impedindo-
entre os diferentes países da União Europeia. A farmacêutica a obrigação de abastecer re- lhe as exportações. O projecto de deliberação
liberdade de circulação de mercadorias é, aliás, gularmente o mercado, impõe ao sector da do Infarmed ficará na história da instituição
a marca essencial do mercado único europeu. A Distribuição stocks mínimos que, conjugados como uma das suas piores iniciativas, que
Comissão Europeia incentiva, por isso mesmo, com a total liberdade da indústria abastecer o prejudica o País, que prejudica empresas na-
esta circulação de mercadorias, incluindo, pre- mercado nacional nas quantidades que enten- cionais, que contraria normas comunitárias,
cisamente, aquilo a que convencionou chamar- der, terão como única consequência o fim da que discrimina negativamente o sector da dis-
-se a exportação paralela de medicamentos. exportação de medicamentos. Compreende- tribuição e que terá como única consequência
A indústria farmacêutica multinacional, por -se, por isso, o entusiasmo da indústria far- prática o fim da exportação de medicamentos,
razões que se compreendem, combate tenaz- macêutica com este projecto de deliberação. num momento de profunda crise económica
mente a exportação e a importação de medica- Porém, se as exportações forem inviabilizadas, e financeira que o País atravessa. O Infarmed
mentos no espaço da União Europeia, porque o sector grossista não sobrevive e lançará no deveria explicar publicamente as razões da
isso prejudica a política de preços que as suas desemprego milhares de trabalhadores. urgência que atribuiu a esta iniciativa. Só há,
empresas praticam nos diferentes países. A É importante que se saiba que o sector grossis- em nossa opinião, uma urgência: o Infarmed
exportação de medicamentos descredibiliza e ta vive, passe a expressão, no “fio da navalha” e advertir a indústria farmacêutica que deve sus-
põe em causa os preços praticados pelos labo- que está a subsistir precisamente à custa das pender de imediato o racionamento artificial do
ratórios no país de importação. Por outro lado, exportações de medicamentos. fornecimento de medicamentos, abastecendo
como os preços praticados em determinado As farmácias, que eram tradicionalmente um o sector grossista na exacta medida dos pe-
país servem de referência para os preços prati- sector estável, atravessam presentemente didos que lhe são feitos e participar dos pre-
cados noutro país, a exportação e a importação uma crise económica e financeira profunda e varicadores à Autoridade da Concorrência e à
de medicamentos pode levar a uma descida em lutam com dificuldades para sobreviver. E não Comissão Europeia.
cadeia dos preços em diferentes países. É isto há perspectivas de que esta situação se altere
que a indústria teme e quer evitar. A indústria nos próximos tempos.
quer que os mercados nacionais continuem De acordo com o Relatório do Banco de
fechados ao princípio da livre circulação de Portugal, a rentabilidade líquida da farmácia
mercadorias, para proteger os preços em vigor média diminuiu em Portugal 39,91%, no perío-
nos diferentes países. A indústria farmacêuti- do de 2006 a 2008. Em Junho de 2010, havia 375
ca vive, entretanto, numa contradição perma- farmácias com fornecimentos suspensos pelas
nente. Por um lado, defende o mercado único empresas grossistas, com um crescimento
europeu para ter um acesso mais fácil e mais de 47%, relativamente a Dezembro de 2009. João Cordeiro

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