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DOI: 10.36732/riep.v1i2.

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DESAFIOS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATUAÇÃO NA


EAD

Faculty training challenges for online education

Enoque Teixeira Abreu1


Maria Angélica Sodré Magalhães Novaes2
Maria Izadora Mendonça Zarro3
Victor Gonçalves Gloria Freitas4
Bianca Maria Rêgo Martins5

Resumo:
Considerando o processo de formação dos professores que atuam na educação à distância, este
artigo procura demonstrar de forma inicial os desafios na formação de professores para a
atuação na modalidade EAD. Profissionais/professores esses que são formados no ensino
presencial, ou seja, no modelo tradicional, não tendo contato ou imergindo de forma rasa no
mundo da EAD. O texto a seguir, apresenta uma divisão em três partes: a primeira apresenta
um breve histórico sobre a EAD a partir da busca da revisão sistemática, a segunda é a análise
do questionário aplicado a 34 professores atuantes na EAD e a terceira proporciona uma
reflexão por meio da ferramenta matriz SWOT deste cenário: a ação docente e a EAD. Os dados
da pesquisa sugerem que há uma carência no processo de formação acadêmica destes docentes,
o que dificulta a instrumentalização adequada para exercício de prática laboral.
Palavra-chave: Ação docente, educação à distância, formação.

Abstract:
Considering the process of training teachers who work in distance education, this article seeks
to demonstrate initially the challenges in teacher education for acting in distance learning.
Professionals / teachers who are trained in face-to-face teaching, that is, in the traditional
model, having no contact or shallow immersion in the world of ODL. The following text is
divided into three parts: the first presents a brief history of distance learning from the search
for systematic review, the second is the analysis of the questionnaire applied to 34 teachers
working in distance learning and the third provides a reflection by through the SWOT matrix
tool of this scenario: teaching action and distance learning. The research data suggest that
there is a shortage in the process of academic education of these teachers, which hinders the
adequate instrumentalization for the exercise of labor practice.
Keywords: Distance education, training, teaching action

1 Mestrando em Novas Tecnologias Digitais na Educação, pela Unicarioca. Graduado em Administração de


Empresas pelo Centro Universitário ABEU - UNIABEU. E-mail: ministroenoque@gmail.com
2 Mestrando em Novas Tecnologias Digitais na Educação, pela Unicarioca. Graduado em Pedagogia pela

Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: maria angelicanovaes@uol.com.br


3 Mestrando em Novas Tecnologias Digitais na Educação, pela Unicarioca. Graduado em Letras pela Universidade

Federal do Rio de Janeiro e em Direito pela Faculdade Cândido Mendes.


4 Doutorado em Engenharia Nuclear pela COPPE/UFRJ. Mestrado em Engenharia de Reatores pelo Instituto de

Engenharia Nuclear - IEN/CNEN. Graduado em Física pela Universidade Federal Fluminense. Email:
victorgoncalces@gmail.com
5 Doutora em Design pela PUC-Rio, Mestrado em Design pela mesma instituição, é Graduada e Design. Email:

maildabia@gmail.com

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1. Introdução
O mundo mudou, e isso não é novidade para ninguém. As pessoas não
conseguem mais viver sem os recursos tecnológicos oferecidos atualmente. O que
seria das pessoas sem a internet? Sem os microcomputadores? Sem os ipads e os
smartphones? Essa mudança é visível em todas as áreas, principalmente com a
percepção/contribuição que a tecnologia trouxe. Assim, vale ressaltar que uma das
áreas mais afetadas pela tecnologia é o espaço educacional, ou seja, este foi
impactado diretamente com os avanços tecnológicos, com isso, as escolas e os
estudantes não são mais os mesmos. Dessa maneira, foi necessário que as escolas se
adequassem em relação ao advento da tecnologia, contudo, percebe-se que há um
grande caminho a percorrer ainda.
Com o advento da tecnologia o professor não é a única fonte de informação,
como tempos atrás, e sim um mediador dentro da sala de aula. Os estudantes não
são meros passivos na educação, sem conhecimento, mas sim, pessoas atuantes e
com conhecimento de causa. A biblioteca não é mais o lugar de visitas constantes e
permanentes para pesquisa, hoje a internet assumiu esse papel (CARVALHO, 2005,
p. 15).
Observa-se nesse contexto que a tecnologia potencialize a educação à
distância (EAD), contribuindo para o avanço da educação brasileira e mundial.
Importante lembrar que o Brasil possui grandes dimensões geográficas como
também diferenças de desenvolvimento socioeconômico entre as regiões,
acarretando uma desigualdade educacional enorme. Assim, pode-se afirmar que
determinadas regiões são beneficiadas pelo desenvolvimento e outras nem tanto.
Com o avanço da tecnologia, a educação à distância consegue chegar e democratizar
o ensino aos mais longínquos lugares antes inabitáveis educacionalmente e hoje
sendo alcançados pela educação.
A educação à distância, com o advento da tecnologia é uma realidade no
Brasil, que aos poucos vem alcançando números satisfatórios de crescimento
(Bokums e Maia, 2018, p. 11). Atualmente é oferecida uma diversidade de cursos

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EAD, como: profissionalizantes, técnicos, graduação e pós-graduação, o que mostra


um grande avanço na qualificação profissional brasileira. Contudo, há ainda uma
rejeição e preconceito por parte da sociedade com os cursos à distância. Os motivos
de tal rejeição podem ser de pessoas que ainda não conhecem o ensino a distância
ou que já conheceram, mas não se adaptaram ao método de ensino que requer um
planejamento e organização maior do estudante. Além disso, o crescimento dos
cursos à distância se deve muito pelo fato de não ser necessária à presença em salas
de aulas convencionais, sendo possível conciliar o trabalho com os estudos,
conseguindo unir a experiência profissional com o conhecimento teórico. Portanto,
a educação a distância tem se tornado um instrumento fundamental de promoção
de oportunidades, visto que muitos indivíduos se apropriam desse instrumento
para concluir um curso de qualidade.
O EAD tem em seu escopo uma forma autônoma de se apresentar ao estudante. Os
métodos de ensino-aprendizagem são mutáveis e que os ambientes virtuais
apareceram com mais força pelas tecnologias digitais disponíveis.
Com o mundo globalizado e os diversos saberes dialogando entre materiais
impressos e digitais, surgem novos profissionais, como por exemplo, professores de
EAD, gestores, programadores, conteudista e profissionais de diversos setores, os
quais devem acreditar que é possível ter uma educação com qualidade com
tecnologia de forma lúdica e divertida.
Com isso, há necessidade de um novo profissional qualificado, que é o
professor de EAD, isto é, um especialista que tenha boa oratória, desenvoltura na
frente da câmera, boa aparência e que, em poucos minutos, consiga apresentar o
conteúdo com veracidade e confiança.

Dessa forma, o foco principal deste trabalho é demonstrar de forma inicial os


desafios na formação de professores para a atuação na EAD.
Profissionais/professores esses que são formados no ensino presencial, ou seja, no
modelo tradicional, não tendo contato ou imergindo de forma rasa no mundo da
EAD. Com isso, há necessidade de se discutir como que os cursos de graduação e

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pós-graduação estão preparando os docentes para esse novo modelo de ambiente


educacional. Cabe mencionar que este artigo tem como base uma metodologia de
natureza descritiva e de campo, já que foi realizada uma revisão de literatura e
entrevistas com professores que lecionam na EAD, respectivamente.

2. A evolução da EAD
As primeiras experiências em educação à distância no Brasil datam do
século XX. Apesar de a demanda delas terem ficado sem registro, atualmente,
a procura por cursos a distância tem aumentado significativamente. Nota-se que as
características do estudante que procura tal modalidade são parecidas, como: falta
de tempo, horário incompatível, falta de disponibilidade em cursos presenciais e
também a não demanda de oportunidades de cursos em determinadas regiões do
país. Com isso, a educação a distância surgiu para corroborar com a educação
presencial, no que tange a formação de indivíduos e de profissionais qualificados.
Sabe-se que existem vários conceitos de educação à distância e que todos
apresentam alguns pontos em comum, todavia, cada autor enfatiza determinada
característica, em especial, na sua conceitualização.
(...) É uma atividade de ensino e aprendizado sem que haja proximidade entre
professor e alunos, em que a comunicação bidirecional entre os vários sujeitos
do processo (professor, alunos, monitores, administração seja realizada por
meio de algum recurso tecnológico intermediário, como cartas, textos impressos,
televisão, radiodifusão ou ambientes computacionais). (ALVES; ZAMBALDE &
FIGUEIREDO, 2004, p.6)

Segundo o Ministério da Educação e Cultura - MEC (2009), a


educação a distância é uma:
(...) forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de
recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes
suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados
pelos diversos meios de comunicação.

Para Moran (2002) “a educação a distância é um processo de ensino-


aprendizagem mediado por tecnologias, onde professores e estudantes estão

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separados espacial e/ou temporalmente”, já Bernardo (2009) afirma que “a


educação a distância é uma forma industrializada de ensinar e aprender”.
Além disso, é importante destacar que na educação à distância ocorre a
quebra da barreira espaço/tempo e a democratização do acesso. Qualquer pessoa,
independentemente de idade, ocupação tempo e lugar pode fazer uso dessa
estratégia. A educação a distância não mais se caracteriza pela distância em si, uma
vez que a virtualidade permite encontros cada vez mais efetivos que possibilitam de
fato a educação. Esses encontros virtuais são conhecidos como mediatização, que é
a relação em que o professor (mediatizador) interage com o estudante (indivíduo
mediatizado) de forma a selecionar, mudar, ampliar ou interpretar os estímulos,
utilizando estratégias interativas, centradas na mediação verbal, com o objetivo de
produzir significação para além das necessidades imediatas da situação.
Observa-se nesse contexto que tanto no ensino presencial quanto no ensino
a distância encontra-se na figura do professor como uma das partes vitais no
processo de aprendizado. Apesar de o ensino à distância ter menos contato físico, o
discente tem um acompanhamento constante pela internet através do contato com
tutor/professor. A Rede Globo de Televisão apresentou, no Jornal Nacional de 23 de
janeiro de 2012, uma reportagem sobre uma pesquisa realizada nos Estados Unidos
pelo professor Jonah Rockoff, da Universidade de Columbia, e outros dois colegas da
Universidade de Harvard. Esta mencionava a importância do professor no processo
educacional e que esses professores acompanharam o desenvolvimento de 2,5
milhões de estudantes durante 20 anos. A pesquisa comprovou que a base de um
futuro profissional está no professor, pois caso o docente se empenha em
desenvolver o educando, este se desenvolve de tal forma que se tornará um
profissional qualificado. Do total de educandos envolvidos na pesquisa, 85%
refletirão este aprendizado na geração de renda à nação, já os 15% de estudantes
que não desenvolveram tal percepção, geraram perdas financeiras irreparáveis
principalmente ao educando e à sociedade.

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Sabe-se que a educação é de vital importância para a sociedade e


principalmente para uma nação que visa o crescimento. A educação a distância no
Brasil teve seu início no século vinte e esse surgimento ocorreu por um grande
momento de desenvolvimento na industrialização em nosso país, que gerou um
grande fomento em cursos que profissionalizassem o trabalhador no setor
industrial. Diante disso, a educação a distância surge como uma alternativa para
atender a tão grande demanda na época e os meios utilizados, inicialmente, eram
radiofônicos, o que permitiu a formação dos trabalhadores do meio rural sem a
necessidade de deslocamento para os centros urbanos. Diante disso, comprova-se
que a educação a distância, desde longa data, está diretamente ligada à capacitação
profissional.
Em 1923 a educação a distância ganhou um grande aliado nesse processo
com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, por Roquete Pinto. Este foi
um marco inicial da educação a distância que tinha como objetivo utilizar o rádio
como forma de ampliação do acesso à educação transmitindo programas de
literatura, radiotelegrafia e telefonia, de línguas, de literatura infantil e outros de
interesse comunitário.
Ainda nos primórdios da educação a distância, na década de 30, temos os
cursos realizados via correspondência, oferecidos pela Marinha do Brasil e a
primeira força tarefa especial para a necessidade de formação de professores
secundários e de cultura geral. Isso aconteceu com o advento do Estado Novo, onde
a nova constituição definiu que a responsabilidade é da União de traçar as diretrizes
da Educação em todo o país. Com essa regulamentação, a educação a distância teve
uma ampliação, onde não somente ficou no prisma da educação profissional, mas
agora alcançando também um novo público, um grande número de analfabetos, que
foram beneficiados com a educação, podendo sair de um estado obscuro
educacional, para um estado melhor com mais oportunidades na vida.
Na década de 40, a educação a distância através do sistema radiofônico ganha
ainda mais força, o Instituto Rádio Técnico Monitor, uma escola pioneira no Brasil,

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começou a desenvolver a educação a distância como modalidade de estudo. Seu


idealizador foi o imigrante húngaro Nicolás Goldberger situando-se no Brasil, trouxe
seu conhecimento técnico em eletrônica e resolveu instalar um pequeno negócio na
região central de São Paulo. Goldberger deslumbrou-se com a enorme dimensão
territorial do Brasil e acreditava que podia colaborar com o nosso crescimento
interligando o país por meio da comunicação que, naquela época, era representada
pelo rádio (ALVES L, 2011). De uma ideia um tanto romântica, nasceu o primeiro
curso a distância, composto por algumas apostilas e um kit. No final, era possível
construir um modesto rádio caseiro e a partir daí, diversos cursos
profissionalizantes. Todo o trabalho era realizado por correspondência, inclusive a
correção das tarefas encaminhadas aos estudantes como forma de medir o
aproveitamento no curso. Já em 1941, o Instituto Universal Brasileiro também é um
dos pioneiros do ensino a distância no Brasil e vem desempenhando um papel
relevante na aplicação deste método de ensino, colaborando decisivamente para o
preparo de profissionais capazes e produtivos através dos cursos
profissionalizantes, supletivos e, atualmente, ensinos técnicos (ALVES L, 2011)..
Até a década de 50, as experiências radiofônicas foram bastante produtivas
na educação à distância, sendo um dos instrumentos que possibilitaram o avanço da
educação a distância em nosso país. Com o advento da televisão no Brasil, também
na década de 50, a visão da educação a distância ampliou-se ainda mais, pois
possibilitou o desenvolvimento de ideias criativas relacionadas ao uso deste novo
meio de comunicação como o áudio e o vídeo na educação. Dessa maneira, nos anos
60, surgem as televisões educativas. Já na década de 70, a Fundação Roberto
Marinho, juntamente com a Fundação Padre Anchieta criaram o Telecurso,
programa de educação supletiva à distância para o ensino fundamental e o ensino
médio. Além disso, a educação a distância começa ser usada na capacitação de
professores através da Associação Brasileira de Teleducaçã o (ABT) e o MEC, através
dos Seminários Brasileiros de Tecnologia Educacional.

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Entre as décadas de 80 e 90, houve uma reestruturação do processo de


Teleducação e em 1995 foi criado o CEAD (Centro Nacional de Educação a
Distância), setor criado pelo Departamento Nacional de Educação cujas diretrizes
permanecem até hoje. Já em 1996 foi estabelecida a lei nº 9.394/96 que permitiu a
educação a distância no Brasil, sendo vista e legalizada como uma modalidade eficaz
e igual a todas as outras modalidades e graus de ensino/aprendizagem. Com a
normalização da educação a distância, o Ministério da Educação inicia um processo
de organização para credenciamento de instituições de ensino superior para atuar
na educação a distância, agora já com a sigla EAD. Atualmente, são inúmeras as
instituições universitárias públicas e privadas credenciadas para operar a Educação
à Distância nos cursos técnicos, graduação e pós-graduação.
Segundo Barros (2003) duas tendências educacionais se firmaram no Brasil
no contexto da educação à distância: “a universalização das oportunidades e a
preparação para o universo do trabalho”. Com a formalização da educação à
distância, surge um modelo capaz de superar os desafios educacionais do nosso país
continente, como afirma Blois (2005), "o Brasil se caracteriza por ser um espaço
democrático de convivência de ofertas de EAD e favorece o atendimento aos
excluídos, cumprindo o seu papel de escola para muitos, por iniciativa tanto de
instituições públicas quando privadas".
Dessa maneira, a educação à distância tornou-se uma das ferramentas mais
importantes de difusão do conhecimento e de democratização da informação,
contribuindo para o desenvolvimento do Brasil. Mesmo com a aceitação e
crescimento gradativo, a EAD sofreu todo um processo de transformação,
principalmente, no que diz respeito ao preconceito sofrido por essa modalidade. Aos
poucos, a educação à distância está perdendo o estigma de ensino de baixa
qualidade, emergencial e ineficiente na formação do cidadão se aproximando muito
da educação presencial, conforme Moran (2005) afirma "caminha-se para uma
aproximação sem precedentes entre os cursos presenciais (cada vez mais
semipresenciais) e os a distância". Logo, os presenciais terão disciplinas

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parcialmente a distância e outras totalmente a distância. Assim, surgirão inúmeras


possibilidades de aprendizagem que combinarão o melhor do presencial (quando
possível) com as facilidades do virtual e, em poucos anos, dificilmente haverá um
curso totalmente presencial. Cabe ainda ressaltar que tanto na educação à distância
quanto na presencial os resultados não são obtidos de imediato e sim a médio e
longo prazo, e refletem no desenvolvimento econômico da nação, reduzindo a
pobreza e gerando qualidade de vida.

3. Metodologia
O presente estudo, de natureza descritiva, configura-se como uma revisão
sistemática da literatura, utilizando-se os mecanismos de busca do Google
Acadêmico e da plataforma Sucupira para a constituição do corpus documental.
Inicialmente, foi realizada uma busca utilizando os seguintes termos: formação, ação
docente e educação a distância. Com isso, foram selecionados 12 artigos completos
de acesso livre, publicados no idioma Português, em revistas ou periódicos,
resultantes de pesquisas realizadas no Brasil no período de 2014 a 2018 e
classificação Qualis A1 até B3. Os artigos da amostra foram lidos e analisados,
principalmente, quanto à presença ou ausência de teorias de aprendizagem
norteadoras do estudo.
Observa-se que o trabalho também apresenta uma pesquisa de campo que
corresponde à observação, coleta, análise e interpretação de fatos e fenômenos que
ocorrem dentro desse cenário. A partir disso, foi realizado um questionário
avaliativo, usando o formulário do Google DOCs contendo 14 perguntas, a fim de
conhecer um pouco sobre a formação dos professores em EAD, isto é, entrevistas
com 34 professores que lecionam no EAD em diferentes Redes de Ensino. Dessa
maneira, através de uma pesquisa de natureza descritiva e de campo é abordado a
importância da capacitação do docente e os desafios enfrentados na formação dos
professores para a atuação na EAD.

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Após a pesquisa de campo, foi aplicada a ferramenta analise SWOT, que é uma
abreviação das palavras em inglês strengths, weaknesses, opportunities e threats, que
significam forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, respectivamente. A analise
SWOT é uma ferramenta de cunho administrativo, que analisa o ambiente interno e
externo de uma organização. Na análise da pesquisa de campo essa ferramenta
possibilita identificar os pontos fortes e fracos na formação dos professores para
atuação na EAD.

4. Análise do questionário
O cenário atual da Educação a distância faz com que se reflita sobre os
aspectos que impactam ou não na melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
Sabe-se que existem lacunas não esclarecidas, que geram conflitos no pleno
desenvolvimento das ações docentes nessa modalidade de ensino, busca-se
empreender novas possibilidades de análise que possam promover ou, pelo menos,
provocar novos olhares para questões ainda não resolvidas.
Essa pesquisa abrangeu 34 professores que atuam na educação a distância
em diferentes Redes de Ensino e foi aplicado um questionário usando o formulário
do Google DOCs contendo 14 perguntas, com a finalidade de conhecer um pouco
sobre a formação desses professores. O número expressivo de cursos de graduação
em EaD acaba por ampliar no sistema educativo uma crescente necessidade de
professores para tal empreendimento. Entretanto, o que desejamos verificar é como
esse cenário se apresenta em relação à formação desses docentes.
A primeira pergunta foi sobre a idade dos respondentes, onde o maior
percentual ficou entre a faixa etária dos 32 a 36 anos, conforme gráfico abaixo.

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Em relação ao percentual de respondentes, aproximadamente 66% são do sexo


feminino e 34% do sexo masculino.

Gráfico1 – Participação do sexo masculino e feminino

Quando perguntados: Qual é a sua área de formação na graduação? Obtivemos


aproximadamente 60% dos professores com formação em Ciências Sociais Aplicada,

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já os demais percentuais ficaram divididos em áreas de conhecimentos diversas,


conforme o gráfico abaixo.

Gráfico 2 – Área de formação

Em relação à formação desses professores da educação à distância, verificou-


se que aproximadamente 51% possuem Mestrado; 43% possuem especialização e
6% com Doutorado. Este cenário apresenta um nível de qualificação acadêmica de
excelência na formação desses professores, contudo, a formação não é específica
para a prática do cotidiano de um ensino a distância, o que pode gerar um grau de
complexidade desse processo.

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Gráfico 3 – Nível de qualificação dos entrevistados

Na seguinte indagação: Você cursou sua graduação:


Dos participantes dessa pesquisa cerca de aproximadamente 97% cursaram suas
graduações em sistema presencial e 3% cursaram a graduação no sistema
semipresencial. Verificou-se também que um percentual considerado na formação
da graduação destes professores foi somente em relação aos conhecimentos
científicos e que a prática no exercício do ensino a distância, ou seja, lidar com
ferramentas virtuais e trabalhar interdisciplinarmente e em rede, não foram
práticas vivenciadas pela grande maioria dos professores

Gráfico 4 – Modalidade em ensino cursado na formação

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As repostas para as seguintes perguntas: Você acha que para atuar como
professor tutor é necessário curso de formação? Você participou de alguma
formação de qualificação em EaD? Desses respondentes aproximadamente 90%
disseram que sim e 10% disseram que não. A grande evidência da necessidade de
formação que possibilite ao professor atuar de forma mais eficaz e eficiente na
educação a distância foi referendado pelos respondentes, conforme o gráfico a
seguir, e essa qualificação ajudou em sua atuação como professor Tutor.

Gráfico 5 – Importância da qualificação para atuação em EaD

A pergunta seguinte é um complemento da anterior: Caso tenha participado, essa


qualificação ajudou sua atuação como professor tutor? Nestes aproximadamente
90% dos respondentes acreditam que participar de curso de qualificação contribui
para a atuação docente na EaD. Estar preparado para atuar como mediador junto
aos estudantes requer uma série de construto, para que a ação docente seja a mais
profícua possível, tendo em vista que esses estudantes se encontram em diversos
territórios e condições diferenciadas. O gráfico abaixo representa os dados dessa
coleta.

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Gráfico 6 – Se houve qualificação para atuação em EaD

O que mais impacta na sua atuação como mediador junto aos estudantes?
Os professores se reportaram sobre o que mais impacta na sua atuação como
mediador junto aos estudantes, sinalizaram que as dificuldades operacionais das
ferramentas virtuais impactam, sobremaneira, no trabalho; com um percentual
significativo de respondentes de aproximadamente 59%, conforme gráfico a seguir.
A não formação em qualificação para a educação a distância com percentual de
aproximadamente 29% dos respondentes foi apresentada pelos professores como
um dificultador do trabalho docente e é uma das causas que afetam o processo de
ensino e aprendizagem da educação a distância.

Gráfico 7 - O que mais impacta na atuação de professor tutor

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Em relação a pergunta: Você participa de formação em serviço, sobre atualização


pedagógica e as novidades tecnológicas?
Dos respondentes, aproximadamente 76% consideram a formação em serviço e
atualização pedagógica importantes para o desenvolvimento das atividade e
processos de interlocução professor tutor /estudante nas plataformas de atividades
da EaD.

Gráfico 8 – Participação de treinamento na empresa para atuação como professor


tutor

Você participa de reuniões com a coordenação, opinando e contribuindo sobre


aprendizagem na relação professor tutor/ estudante?
Deste,aproximadamente 86% afirmaram que participam e opinão sobre a
aprendizagem dos estudantes em reuniões junto as coordenações dos referidos
cursos.

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Gráfico 9 – Participação no processo

Você indicaria alguma formação específica para atuação em EaD?


Dos professores, aproximadamente 86% referendaram essa posição.Consideraram
também como algo essencial no desempenho do trabalho docente a formação
específica para tal.

Grafico 10 – Se indicaria alguma formação específica para atuação em EaD

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Você considera que na sua formação acadêmica o currículo era tratado de forma
interdisciplinar?
Cabe ressaltar que aproximadamente 57% dos professores respondentes
sinalizaram que em sua formação acadêmica o currículo não era tratado de forma
interdisciplinar. A interdisciplinaridade e a integração dos conteúdos de uma
disciplina com as demais áreas do conhecimento possibilitam a interação e
promovem a construção do conhecimento de forma crítico-reflexiva, superando a
fragmentação entre as disciplinas, exigindo que o professor tenha habilidades para
planejar, elaborar estratégias e procedimentos com as demais áreas do
conhecimento. Na educação a distância é importante propor ações que desenvolvam
o trabalho de tutoria em que haja uma sinergia e interação dos conteúdos a serem
trabalhados.

Gráfico 11 – Se na formação acadêmica o currículo era tratado de forma


interdisciplinar

Você considera importante na matriz curricular da graduação, disciplina que


contemple o conhecimento em EaD?
Durante a graduação é importante que o professor tenha condições de
apreender tanto a teoria quanto a prática do trabalho interdisciplinar, rompendo

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com o pensamento fragmentado e se colocando como um eterno aprendiz no


processo de ensino. Observa-se nesse contexto que, dessa formação, na graduação
aproximadamente 91% dos professores consideraram de grande relevância que a
matriz curricular contemple disciplinas sobre o conhecimento da educação a
distância.

Gráfico 12 – Se o entrevistado acredita que é importante na matriz curricular da


graduação, disciplina que contemple o conhecimento em EaD

A partir dos dados do questionário respondido por 34 professores que


participaram dessa pesquisa foi aplicada a metodologia da ferramenta Matriz SWOT.
A Matriz SWOT faz parte de um Planejamento Estratégica, sendo uma técnica
administrativa que, através da análise do ambiente de uma organização, cria a
consistência das suas oportunidades e ameaças do ambiente de uma organização.
(FISCHIMANN, 2009, p.27). A origem, segundo Fagundes (2010), modelo da "Matriz
SWOT", surgiu na década de 1960, em discussões na escola de administração, que
começaram a focar a compatibilização entre as "Forças" e "Fraquezas" de uma
organização, sua competência distintiva, e as "Oportunidades" e as "Ameaças".

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Essa metodologia possibilita identificar os pontos fortes e fracos na formação dos


professores para atuação na EaD. A análise Swot auxiliou na identificação das forças
e fraquezas, oportunidades e ameaças existentes no processo de formação na
graduação de professores que atuam na EaD.

MATRIZ SWOT
FORÇA FRAQUEZAS
• Maioria dos professores • Matriz curricular da
possuem formação Strito Senso. graduação não contempla
Análise disciplina sobre EaD.
Interna
• Práticas formativas. • Recorrer a outros meios
para complementar sua formação
em EAD.
OPORTUNIDADES AMEAÇAS
• Formação em serviço para • Dificuldades operacionais
atualização pedagógica e uso de das ferramentas virtuais.
Análise linguagem apropriada para
Externa ambientes virtuais.
• Reconhecimento do alcance • Falta de mecanismos
de atuação profissional. oficiais de controle em relação a
formação e a atuação dos docentes
na EaD.

Análise interna = Formação acadêmica. Análise Externa = Atuação na EaD

A utilização da análise SWOT produz resultados que ampliam o olhar para a


gestão e processos dessa formação acadêmica na graduação. Melhora o

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entendimento sobre os pontos positivos e negativos desse processo. Possibilita uma


visão do cenário de modo a elencar as ameaças e oportunidades em relação à
formação acadêmica da graduação. Dessa forma, essa matriz contribuiu na análise
dos pontos favoráveis e desfavoráveis da formação docente e possibilitou ainda
refletir sobre a necessidade de uma avaliação qualitativa das matrizes dos cursos de
graduação e o impacto que essa lacuna cria no processo de atuação desses docentes
da EaD.
Os pontos favoráveis observados na matriz (forças e oportunidades) apontam que
os professores apresentam uma formação que vai além da graduação, buscando
cursos com uma maior densidade em sua formação, como os cursos Strito Senso. Os
professores buscam também conhecer o mundo EAD, inclusive apresentaram
conhecimento de causa. Isso mostra a força de vontade de mesmo não ter recebido
na graduação presencial uma aproximação do EAD, estes buscam por tal
conhecimento e prática.
Já os pontos desfavoráveis (fraquezas e ameaças) apontam uma brecha na matriz
curricular da graduação presencial, por não contemplar disciplinas que atenuem a
prática da EAD. Diante disso há um vasto espaço educacional que não é apresentado
ao futuro educador, que além de não conhecer a modalidade EAD, fica atrasado no
conhecimento tecnológico envolvido nesse processo educacional. Com essa
interrupção o educador precisa recorrer outras formas para complementar sua
formação com o conhecimento necessário em EAD. E isso fica evidente, pois esses
mesmos profissionais apontaram na pesquisa que apresentam dificuldades
operacionais nas ferramentas virtuais.

5. Considerações finais
Considerando o universo pesquisado, é possível concluir que a formação
acadêmica clássica não contempla ou reconhece como potencialidade o ensino à
distância. Tal fato gera para os professores que atuam nessa modalidade uma
dificuldade extra, uma vez que o ensino a distância é realidade instalada na

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Educação Nacional. Uma formação que não inclua nenhum elemento nas discussões
formais nas Universidades dos cursos de licenciatura sobre o ensino em EaD não
instrumentaliza adequadamente o fazer do profissional. Com isso, dado o exposto
foi possível notar que entre os professores pesquisados a grande maioria teve que
recorrer a outros meios para complementar sua formação, embora a EAD faça parte
da realidade mais imediata de alocação profissional.

Dessa forma, a incorporação de mudanças no currículo dos cursos de


graduação qualifica a prática docente, permitindo ao professor ampliar seu
repertório instrumental também para o EAD, auxiliando sua ação de modo a
proporcionar aulas mais interessantes e que, quando bem planejadas, despertem o
interesse dos estudantes na descoberta de novas aprendizagens na EaD.

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http://seer.abed.net.br/index.php/RBAAD/article/view/235/113>. Acesso em: 26
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respeito da inclusão social. Revista Unilasalle, Canoas, n.38, 2018.
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www.administradores.com.br acesso em: 08 Jul. 2019.
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digital. Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/07/metade-
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